domingo, 28 de maio de 2017

Procuradoria quer R$ 10,9 bilhões para fechar acordo de leniência com J&F

A Procuradoria do Distrito Federal recusou a oferta de R$ 8 bilhões da J&F, holding que detém a JBS, para fechar seu acordo de leniência, espécie de acordo de delação da pessoa jurídica. A proposta foi recusada e o valor de R$ 10,9 bilhões fixado pelos investigadores. Essa é a quinta oferta recusada pela Procuradoria. No início das negociações a J&F apresentou o valor de R$ 700 milhões, posteriormente colocou à mesa os valores de R$ 1 bilhão, R$ 1,4 bilhão, R$ 4 bilhões e R$ 8 bilhões. Inicialmente, os investigadores solicitaram R$ 11,1 bilhões. Agora, chegaram ao montante de R$ 10,9 bilhões pagos em prestações semestrais por 13 anos. O "valor representa 6% do faturamento das empresas do grupo em 2016, livre de impostos que, segundo a própria J&F, foi de 183,244 bilhões". Na proposta, os pagamentos devem começar em dezembro, terão correção pela taxa Selic e deverão ser feitos exclusivamente pela holding J&F. Dessa maneira, tentam blindar os acionistas minoritários de arcar com a multa, já que os donos da holding são apenas os irmãos Joesley e Wesley Batista, que se tornaram delatores, e o pai deles, José Batista Sobrinho. O dinheiro será destinado a entidades públicas e fundos de pensão que, conforme investigações, foram lesados pela atuação de empresas controladas pela J&F. Na proposta entregue a advogados da J&F, a Procuradoria do Distrito Federal detalhou os cálculos que levaram ao montante sugerido. Pela gravidade dos delitos, a multa foi inicialmente fixada em 20% do faturamento das empresas, percentual máximo previsto na Lei Anticorrupção. No entanto, foram aplicados redutores devido à colaboração premiada das pessoas físicas e à efetividade da colaboração das mesmas. Joesley e Wesley Batista, que são os principais acionistas e executivos do grupo, firmaram acordo de delação homologados neste mês pelo Supremo Tribunal Federal. A proposta também traz outros indicadores considerados na definição do total a ser pago, como o Ebtida. A multa representa 64,11% do valor de projeção do Ebtida. O índice é 10% superior ao aplicado na leniência firmada com a Odebrecht, que foi de 54%. A empreiteira fechou seu acordo por R$ 6,9 bilhões a serem pagos em 23 anos. O montante será dividido entre Brasil, Estados Unidos e Suíça, que participaram das negociações. No entanto, mais de 80% do dinheiro ficará no Brasil.

Sérgio Cabral é transferido para cadeia recém reformada


Preso desde novembro em Bangu, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi transferido de unidade prisional na manhã deste domingo. Cabral e outros 145 detentos foram transportados para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. A transferência foi feita em nove caminhões da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), e os presidiários chegaram ao novo endereço por volta das 10 horas. O local, onde ficava o antigo Batalhão Especial Prisional passou por reformas nos últimos três meses, cujo valor foi de 26 mil e realizada pelos próprios presos. A unidade é destinada apenas a detentos de nível superior, como é o caso do ex-governador, ou que não pagaram pensão alimentícia. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, uma parte da nova cadeia será reservada para triagem de novos presos. O BEP tem vagas para 162 presos, mais do que a cadeia em que Cabral estava em Bangu. Mesmo assim, a Seap afirma que o ex-governador não ficará sozinho em uma cela. Ele e outros presos pela Lava-Jato ficarão em uma ala com três galerias e nove celas com capacidade para seis presos cada. De acordo com as primeiras informações divulgadas, Cabral ficará em cela de 16 metros quadrados, onde há um pequeno banheiro com pia, um chuveiro, um colchão e uma televisão de 14 polegadas. Será definido pelo diretor da unidade quem dividirá a cela com o ex-governador. Na quarta-feira 24, a Vara de Execuções Penais havia proibido a transferência de Cabral para o antigo BEP. O motivo era a ausência de uma câmera de segurança com vista para o acesso de pessoas e veículos na entrada da unidade. A Seap afirma que o equipamento foi instalado no mesmo dia, cujo local é monitorado por 53 câmeras. Sérgio Cabral é réu em nove processos da Lava Jato e está preso desde novembro. Segundo a Justiça, o ex-governador é acusado de lavagem de dinheiro e de ser responsável por uma organização criminosa que desviou mais de R$ 20 milhões de diversas obras públicas do estado. Caso seja condenado com a pena máxima nos nove processos em que é réu, o ex-governador do PMDB pode ser sentenciado a mais de 530 anos de cadeia. 

Temer coloca Torquato no lugar de Serraglio na Justiça


“O presidente da República decidiu, na tarde de hoje, nomear para o Ministério da Justiça e Segurança Pública o professor Torquato Jardim. Ao anunciar o nome do novo ministro, o presidente Michel Temer agradece o empenho e o trabalho realizado pelo deputado Osmar Serraglio à frente do ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em outras atividades em favor do Brasil”, diz nota enviada pelo Planalto. Inicialmente havia a expectativa de que Serraglio reassumisse seu mandato de deputado na Câmara. O nome dele havia sido citado nas investigações da Operação Carne Fraca, que investiga um esquema de corrupção envolvendo fiscais e frigoríficos. Uma das fiscais presas na operação se refere a Serraglio como “o velhinho que está conosco”. Mas o Planalto informou mais tarde que Serraglio vai assumir a vaga de Jardim na CGU. Com isso, fica preservado o foro privilegiado do deputado Rodrigo Rocha Loures, gravado recebendo uma mala de dinheiro da JBS. Rocha Loures é suplente de Serraglio.

Ex-gerente da Petrobras e ex-banqueiro são presos na Lava Jato

A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio de Janeiro, prendeu na manhã de sexta-feira (26) um ex-gerente da área de negócios internacionais da Petrobras e um ex-banqueiro, na 41ª fase da operação. Os dois são suspeitos de corrupção na compra de um campo seco de petróleo em Benin, na África, e teriam recebido US$ 5,5 milhões em propina. O dinheiro foi pago pela empresa Companie Beninoise des Hydrocarbures SARL (CBH), que vendeu o campo à estatal brasileira. Policiais federais cumpriram no Rio de Janeiro mandados na zona sul e na zona oeste da capital. Além de um mandado de prisão temporária contra o ex-banqueiro e outro, de prisão preventiva, contra o ex-gerente da Petrobras, os agentes também fizeram buscas em cinco endereços. Três pessoas já foram conduzidas coercitivamente para depor. Dois mandados de busca estão sendo cumpridos em São Paulo e um em Brasília. Entre outros crimes, os suspeitos podem responder por corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-gerente, o ex- banqueiro e outras cinco pessoas, relacionadas a cinco contas mantidas na Suíça e nos Estados Unidos, são suspeitos de terem recebido pagamentos ilícitos, entre 2011 e 2014, que totalizaram mais de U$ 7 milhões. Segundo o Ministério Público Federal, os pagamentos de propina que garantiram a venda do campo sem petróleo à Petrobras foram intermediados pelo lobista João Augusto Rezende Henriques, operador do PMDB no esquema que causou prejuízos à estatal. O lobista está preso desde setembro de 2015, no âmbito da Operação Lava Jato, e cumpre pena de sete anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, em decorrência dos mesmos fatos, mas em outro processo. No mesmo processo que sentenciou o lobista, foram condenados também o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o ex-diretor da Petrobras, Jorge Luiz Zelada. Os fatos começaram a ser investigados em agosto de 2015, a partir da cooperação internacional com o Ministério Público da Suíça. Segundo o Ministério Público Federal, os documentos enviados pelo país europeu comprovaram o pagamento de subornos de cerca de R$ 36 milhões, para concretizar a aquisição, pela Petrobras, do campo de petróleo em Benin, por U$ 34,5 milhões.

Ministério Público Federal ajuíza ação e pede demissão de diretor do Grupo Hospitalar Conceição

Depois da negativa do conselho de administração do Grupo Hospitalar Conceição em seguir recomendação e exonerar o diretor administrativo-financeiro, Ibanez Ferreira Filter, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul ajuizou ação civil pública contra a União para garantir a demissão. O grupo, uma empresa estatal, é administrado e tem como acionista controlador o governo federal. Para o Ministério Público Federal, Ibanez não atende os requisitos de experiência profissional e formação acadêmica, além de não estar enquadrado nos casos de vedação à indicação. Em recomendação encaminhada há alguns dias ao conselho de administração, o procurador Mauro Cichowski dos Santos, embasado na lei das estatais promulgada por Michel Temer no ano passado, informava que a graduação em Jornalismo e a pós-graduação em Direito Político concluídas pelo diretor não eram compatíveis com as atividades que desempenhava no hospital. De acordo com o documento, as experiências profissionais declaradas pelo diretor também não o habilitam para a função. Ibanez é indicação política do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Também é ex-assessor parlamentar de Padilha enquanto deputado federal.

Janaina Paschoal está estupefata com a capacidade de Aécio Neves mentir e rejeita FHC


Coautora do pedido de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência, a advogada e professora da USP Janaína Paschoal defende o afastamento de Michel Temer, mas ainda não sabe quem apoiar para o Planalto. "Não gosto de nomes ligados a Lula e a FHC, grandes responsáveis pelo sofrimento do povo brasileiro", disse ela. E emendou: "Fiquei estupefata com a capacidade de Aécio mentir".

Polícia Federal apreendeu bloqueador de telefone e lista de cargos na casa de Aécio Neves

A Polícia Federal encontrou um bloqueador de sinal telefônico e uma lista de indicações para cargos federais nas operações de busca e apreensão realizadas na semana passada na casa e no gabinete do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). Os mandados foram expedidos pelo ministro Edson Fachin na Operação Patmos. No apartamento do senador, no Rio de Janeiro, foram apreendidos um bloqueador de telefone, 15 obras de arte, diversos documentos, entre os quais um papel azul com senhas, além de diversos “comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição "cx 2". A polícia não deu detalhes da inscrição e anotações. Os relatórios das apreensões da Polícia Federal foram anexados na sexta-feira (26) ao inquérito no qual Aécio Neves é investigado no Supremo com base nas delações premiadas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. De acordo com os policiais, foram apreendidas no gabinete do senador planilhas que teriam nomes de indicados para cargos federais, com referência aos partidos que fizeram as indicações e à remuneração, além de uma agenda com marcação de reuniões com Joesley Batista e uma folha manuscrita com dados da empreiteira Odebrecht. Os celulares do senador também foram levados pelos policiais. Nos depoimentos de delação premiada, Joesley Batista afirma que pagou R$ 2 milhões a Aécio Neves e que a contrapartida seria a indicação para um cargo na Vale, que não se concretizou. Os executivos afirmam também que pagaram propina ao senador durante a campanha presidencial de 2014, com a expectativa de que ele atuaria a favor da empresa posteriormente, se fosse eleito presidente.




Na terça-feira (23), em vídeo publicado nas redes sociais, Aécio classificou de “injustificáveis” as operações que tiveram como alvo ele e sua família, resultando na prisão de sua irmã, Andrea Neves, e seu primo Frederico Pacheco.


“Eu reafirmo aqui, de forma definitiva: não cometi crime algum. Minha irmã Andrea não cometeu crime algum. Meu primo Frederico não cometeu crime algum. São pessoas de bem, que sofrem hoje com a injustiça das sanções que lhes foram impostas”, disse o senador.


Por meio de nota, o advogado do senador Aécio Neves, Alberto Zacharias Toron, disse lamentar "que citações sem qualquer informação real sobre a que se referem ou mesmo alguma contextualização que permita o seu devido esclarecimento estejam sendo divulgadas para a imprensa por agentes públicos envolvidos na investigação em curso".


"Ainda assim, asseguramos que uma eventual referência a CX 2 não significa qualquer indício de ilegalidade. O senador Aécio reitera que em toda sua vida pública, nas campanhas de que participou, agiu de acordo com o que determina a lei."


De acordo com o advogado, o senador está à disposição da Justiça para ser ouvido e esclarecer o que for necessário.

Defesa pede ao STF inquérito de Temer separado do de Aécio e Loures

A defesa do presidente Michel Temer pediu na sexta-feira (26) ao Supremo Tribunal Federal o desmembramento da investigação aberta a partir do acordo de delação premiada da JBS. Os advogados de Temer também solicitaram a redistribuição do caso para outro ministro. O caso é relatado por Edson Fachin. De acordo com a defesa, o presidente deve responder aos fatos em um inquérito separado porque as condutas imputadas a ele não têm relação com as acusações contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Os parlamentares são investigados no mesmo processo no STF porque também foram citados nos depoimentos de Joesley Batista, dono da JBS. “A conclusão que fica é a de que os fatos imputados aos ora requerente não guardam conexão processual com qualquer outro procedimento já instaurado. Não há qualquer risco de conduções conflitantes caso, na distribuição, seja sorteado outro ministro como relator. Não haverá qualquer prejuízo à prestação jurisdicional”, argumentam os advogados. Edson Fachin não tem prazo para decidir a questão.

Temer em busca da sobrevida

O Antagonista apurou que aliados mais próximos de Michel Temer têm sugerido que ele lance, na semana que vem, medidas econômicas voltadas para o estímulo da exportação no campo industrial e do crédito para pessoas jurídicas. Seria uma forma de medir o humor do setor privado em relação à situação dele antes do julgamento no TSE, no próximo dia 6.

O ex-banqueiro preso pela Lava Jato e suas relações perigosas



No dia 29 de março de 2014, o Banco Central baniu por 15 anos do mercado financeiro o ex-banqueiro José Augusto Ferreira dos Santos, dono do falido Banco BVA. Ele e outros dez executivos da instituição financeira foram considerados culpados pelo desvio de 195,4 milhões de reais dos cofres do BVA, que faliu oficialmente seis meses depois, afundado em dívidas. Considerado culpado por malfeitos no banco que ele mesmo fundou, em 1994, Ferreira dos Santos também pode ter participado do esquema de corrupção na Petrobras. É o que indicam as investigações da Operação Lava Jato, que em sua 41ª fase, batizada de Poço Seco, levou o empresário à prisão temporariamente. Ao determinar que o ex-banqueiro fosse levado à carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde pode ficar por até cinco dias detido caso sua prisão não seja transformada em preventiva, o juiz federal Sergio Moro considerou os indícios reunidos pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal de que José Augusto Ferreira dos Santos pode ter recebido parte da propina referente à compra, pela Petrobras, de um campo de petróleo na costa do Benin, na África. A evidência de que José Augusto Ferreira dos Santos pode ter recebido parte das vantagens indevidas do negócio é uma conta na Suíça em nome da Stingdale Holdings, offshore sediada no Panamá que ele mantinha com João Augusto Rezende Henriques, lobista já condenado a 19 anos e 8 meses de prisão na Lava Jato. Henriques recebeu comissão de 10 milhões de dólares da Companie Beninoise des Hydrocarbures (CBH), que vendeu o campo de petróleo à Petrobras, e repassou parte do dinheiro, 1,3 milhão de francos suíços, o equivalente a 1,5 milhão de dólares, ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em uma conta suíça. A conta suíça da Stingdale recebeu, em maio de 2012, 1,1 milhão de dólares de uma conta em nome da offshore Acona International, a mesma usada por João Augusto Henriques para receber a comissão referente à negociação africana da estatal e remeter dinheiro sujo a Cunha. “Tais valores podem estar relacionados ao recebimento pela Acona International de comissão em contrato entre a Petrobrás e a CBH para aquisição dos direitos de exploração de petróleo no Bloco 4 em Benin e que também a comissão serviu para pagar propina ao então Deputado Federal Eduardo Cosentino da Cunha e, em cognição sumária, para o gerente da Petrobrás Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos”, afirma Sergio Moro no despacho. De acordo com os investigadores, o suposto envolvimento de Ferreira dos Santos com propinas pode não ter se restringido à compra do campo do Benin. Outra offshore do ex-banqueiro identificada pela força-tarefa da Lava Jato, a Penbur Holding S/A, no Banco BSI, recebeu, entre fevereiro e agosto de 2012, 1,1 milhão de francos suíços de contas controladas na Suíça pelo empreiteiro Ricardo Pernambuco Backheuser, dono da Carioca Engenharia e delator. “Ricardo Pernambuco Backheuser teria afirmado, em acordo de colaboração premiada, que a conta Penbur Holding teria a ele sido indicada por Eduardo Cosentino da Cunha para o recebimento de vantagem indevida em acertos de corrupção envolvendo contratos do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro”, diz Moro. Além das duas offshores com contas na Suíça, a Ibatiba Assessoria, Consultoria e Intermediação de Negócios, empresa aberta em Três Rios (RJ) em 2010 e transferida a São Paulo em 2015, também é apontada pela Lava Jato como indicador de supostas atividades ilícitas do ex-banqueiro. A firma, da qual José Augusto Ferreira dos Santos foi sócio majoritário até 2012, recebeu cerca de 31,3 milhões de reais das empreiteiras Mendes Junior, Andrade Gutierrez, Camargo Correa e OAS, todas envolvidas no petrolão, entre 2010 a 2012. Neste próspero intervalo de tempo, a empresa funcionava em um imóvel modesto na cidade do interior fluminense. Controlada desde 2012 pelos filhos do empresário, Fábio Augusto Guimarães Ferreira dos Santos e Felipe Guimarães Ferreira dos Santos, a Ibatiba movimentou 88,7 milhões de reais entre 2010 e 2013, período em que teve receitas de 32,2 milhões de reais. “Todos estes indícios convergem para o fato de esta empresa não ter realizado, efetivamente, qualquer prestação de serviços, sendo mais uma pessoa jurídica de fachada utilizada para o pagamento de vantagens indevidas”, conclui a Receita Federal em relatório anexado aos autos da investigação. Sediada em um endereço na capital paulista que “tem todas as características de se tratar de um endereço residencial e também incompatível para o funcionamento de uma empresa que fatura milhões por ano”, segundo a Receita, a Ibatiba foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira. Além do suposto envolvimento nos repasses de propina que beneficiaram Eduardo Cunha e da conta que mantinha com João Augusto Henriques na Suíça, José Augusto Ferreira dos Santos tem relação com outros personagens já condenados na Operação Lava Jato. No depoimento que prestou à Polícia Federal no último dia 11 de maio, Ferreira dos Santos relatou que já foi sócio do pecuarista José Carlos Bumlai. O empreendimento, uma usina de álcool no Mato Grosso do Sul que não vingou, recebeu 2 milhões de reais de investimento do BVA e também teria como sócios o campeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi e o empresário Natalino Bertin. A sociedade fracassada com José Carlos Bumlai não é, contudo, o único ponto controverso na relação entre o ex-banqueiro e o pecuarista. Segundo Ferreira dos Santos, Bumlai tinha empréstimos de 80 milhões de reais no BVA e, quando o banco já enfrentava dificuldades, pegou mais 3 milhões de reais emprestados. O ex-banqueiro disse à PF que o pecuarista nunca pagou o que devia. A história contada por ele à Lava Jato emula o já notório empréstimo de 12 milhões de reais do Banco Schahin a José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, em 2004. Por meio de transações simuladas, Bumlai repassou metade do montante ao empresário Ronan Maria Pinto, que supostamente chantageara Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho no caso da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. A outra metade foi destinada a campanhas políticas do PT e aliados. O empréstimo com o Banco Schahin, jamais quitado por Bumlai, foi compensado por um contrato sem licitação de 1,6 bilhão de dólares entre a empreiteira Schahin e a Petrobras para operação do navio-sonda Vitória 10.000. Por participação na operação fraudulenta, Bumlai foi condenado a 9 anos e 10 meses de prisão e, em outro processo, Moro condenou Ronan Maria Pinto a cinco anos de prisão. Ainda há uma terceira ação penal envolvendo o empréstimo do Schahin. Segundo relatório da Receita Federal, José Augusto Ferreira dos Santos teria sido sócio do próprio Ronan. “José Augusto também foi sócio de Ronan Maria Pinto, proprietário da Viação Indaiatubana, ambos acusados pelo Ministério Público Estadual de integrarem a “máfia do lixo” em Santo André (caso Celso Daniel)”.

Eles querem o mesmo que Dirceu

O STF julgará na próxima terça-feira pedidos de habeas corpus de Renato Duque e de dois empresários também presos pela Lava Jato -- Flavio Henrique de Oliveira Macedo e Eduardo Meira, da Construtora Credencial. As defesas dos três entraram com recurso no Supremo depois que a Segunda Turma soltou José Dirceu, no começo deste mês. (O Antagonista)

Gilmar Mendes confirma que fazenda da família fornece gado para a JBS


O ministro Gilmar Mendes confirmou que sua família é fornecedora de gados para a empresa JBS, que está no centro do escândalo que envolve Michel Temer e tem um acordo de delação homologado no STF. "Minha família é de agropecuaristas e vendemos gado para a JBS lá (Mato Grosso)", disse o ministro, explicando que um irmão é quem negocia os valores com a empresa. Segundo o ministro, a relação comercial com a empresa não é motivo para ele se declarar impedido de participar das votações futuras relacionadas à JBS no STF: "Não. Por quê? As causas de impedimentos ou suspeição são estritas".

As manobras de Renan contra a Lava Jato

Renan Calheiros não surpreende. Alvo de doze processos no STF, o atual líder do PMDB no Senado "passou a consultar parlamentares do PSDB e do PT sobre uma lista de candidatos anti-Lava Jato para a Presidência da República, caso Michel Temer deixe o posto", segundo o Estadão. Além da ideia de "escolher um nome suprapartidário" que "aceite os termos dos políticos que o elegerão", Renan quer definir "as regras para o pleito indireto através de um projeto de resolução compactuado entre Câmara e Senado, que poderia limitar a participação de alguns membros na disputa". O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e o ex-ministro Nelson Jobim, por exemplo, serão inviabilizados se parlamentares decidirem vetar candidatos vinculados à iniciativa privada (embora Jobim, como noticiamos, continue cotado para a pasta da Justiça). A presidente do STF, Cármen Lúcia, também será vetada se for determinado que o candidato tenha vinculação partidária. "A Constituição de 1988 trata dos requisitos para a elegibilidade do presidente, mas não fala especificamente na eleição indireta, o que, para técnicos do Congresso, abriria brechas para o estabelecimento de novas regras sobre o pleito através do Legislativo ou Judiciário". Onde há brechas, há Renan. (O Antagonista)

O custo bilionário da crise política

Economistas já estão cortando as projeções de crescimento da economia neste ano e no próximo, segundo o Estadão. "As estimativas preliminares sinalizam perdas para a atividade em 2017 entre R$ 25 bilhões, no cenário mais otimista, e R$ 170 bilhões, no mais pessimista, na comparação com que se esperava antes das denúncias envolvendo o presidente Michel Temer. É consenso entre os especialistas que o tamanho do estrago vai depender da duração da turbulência em Brasília e do desfecho da reforma da Previdência. Aos olhos dos investidores internacionais, o Brasil ficou mais arriscado, o que pode ser percebido na forte alta nas taxas do CDS (Credit Default Swap), uma espécie de seguro de crédito contra calotes. Esse papel chegou, no pior momento, a subir mais de 30%. Sexta-feira, estava em 240 pontos base, alta de 21% comparado a um dia antes da delação da JBS." Urge que o Brasil tenha um presidente que dure mais de um ano e meio, pelo menos, sem cair em gravação. (O Antagonista)

Maia x FHC

Quantos votos tem Rodrigo Maia no Congresso para uma eventual eleição indireta? Pelo menos 250, segundo o Radar de Veja. Mas o presidente da Câmara "tem sido pragmático". "A amigos, diz que não trairá Temer de jeito nenhum. Mas que, na vacância do cargo, vai disputá-lo." Já FHC "brinca que está velho, mas é cedo para descartar" sua candidatura. "Além do trânsito internacional, no mercado e no Congresso, FHC (desta vez) não tentaria se reeleger." Façam suas apostas. (O Antagonista)

"Diretas" sabotagens à Constituição

"Quem apregoa a eleição direta para presidente agora, de afogadilho, ou defende interesses turvos ou é apenas oportunista." Assim diz o editorial do Estadão deste sábado, "A falácia das diretas já". "Em primeiro lugar, basta observar quais partidos lideram o esforço para colocar o tema na pauta do Congresso. São em sua maioria siglas que desde sempre se dedicam a questionar a legitimidade e a sabotar qualquer governo democraticamente eleito que não seja integrado por um dos seus. Os notórios PT, PSOL, Rede e PCdoB, entre outros, informaram que vão se reunir na semana que vem para discutir a formação de uma 'frente nacional' para defender a antecipação da eleição presidencial direta. A memória nacional está repleta de exemplos de como os petistas e seus filhotes mais radicais jamais aceitaram o resultado das eleições presidenciais que perderam, e provavelmente continuarão a não aceitar caso o vencedor do próximo pleito não seja Lula da Silva ou alguém da patota." Para o jornal, o casuísmo é evidente e "os inimigos da democracia só apreciam a Constituição quando esta lhes dá alguma vantagem". Leiam o trecho final: "Se for um entrave para suas pretensões políticas, então que seja rasgada, sob a alegação aparentemente democrática de que a antecipação da eleição direta ' atende aos anseios da sociedade brasileira, sob o eco do histórico grito das ruas a clamar ‘Diretas Já’, nos idos da década de 1980', como diz o texto da PEC no Senado. A justificativa omite, marotamente, que aquele era um dos componentes do processo de restabelecimento da democracia, na saída do regime militar, ao passo que hoje a democracia está em pleno vigor. Finalmente, não são apenas eleições diretas que definem um regime democrático, muito menos conferem legitimidade automática aos eleitos. A democracia, em primeiro lugar, se realiza pelo respeito à Constituição, expressão máxima do pacto entre os cidadãos. Aproveitar-se da convulsão política para promover alterações constitucionais com vista a favorecer um grupo político viola escandalosamente esse pacto e, portanto, a própria democracia." (O Antagonista)

Quem ameaçou Joesley

"Para poder deixar o país, Joesley Batista relatou à PGR que foi ameaçado pelo advogado Willer Tomaz, preso pela PF", informa o Radar de Veja. Entre as provas, estão mensagens de Whatsapp enviadas de um número desconhecido. Como O Antagonista antecipou e a Folha repete neste sábado, em uma delas o remetente diz ser "muito amigo de pessoa de confiança de Joesley" e afirma que "sua luta terá um final não feliz". (O Antagonista)

O pacto de Nelson Jobim contra a Lava Jato

Ao menos um ministro do STF foi consultado para endossar um acordão que contemple o indulto a Lula. E quem seria um dos emissários do acerto? Nelson Jobim, claro, "hoje considerado no meio político como um preposto do ex-presidente, embora também cultive uma relação azeitada com o alto tucanato", como descreve a IstoÉ. "Na última semana, o ex-ministro de FHC, Lula e Dilma esteve cotado nas bolsas de apostas para suceder Temer", mas negou "o vôo solo" porque é sócio do BTG Pactual, "onde investiu grana pesada". "Além de não rasgar dinheiro, Jobim enfrenta resistências internas. Leia-se André Esteves, fundador e controlador do banco." Mais: "Até a sexta-feira 26, o PT ainda fazia de tudo para encaixar Nelson Jobim no novo quebra-cabeças da Esplanada. No dia seguinte à negativa de Jobim (...), os petistas fizeram circular a versão de que o homem do BTG poderia ser guindado à Justiça num governo Tasso. O recado estava dado: o PT até poderia digerir um tucano na Presidência desde que conseguisse controlar a Justiça. Tudo muito bom, tudo muito bem, desde que o motivo não fosse nada republicano. A trama é outra, mas a intenção é a mesma – ou seja, bem rasteira: a de emplacar um aliado na Justiça para salvar a pele de Lula." Essa gente só pensa em golpear a Lava Jato. (O Antagonista)

A desculpa de Janot

Rodrigo Janot diz que não determinou a perícia no gravador de Joesley Batista, da JBS, para evitar que os áudios vazassem antes da operação da semana passada, informa o Radar de Veja. "Como se viu, o esforço foi em vão." (O Antagonista)

Velha guarda tucana acha Maia um desastre

Os chamados “cabeças brancas” do PSDB não aceitam a hipótese de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser o sucessor de Michel Temer. "Acham-no um desastre para o país", segundo a IstoÉ. "Na avaliação dos tucanos, um eventual triunfo de Maia teria potencial para incendiar as ruas e desgastar o partido perante a opinião pública. Para eles, poderia ser mortal à legenda bancar a eleição de mais um candidato controverso, com implicações na Lava Jato. Eles contabilizam que, hoje, Maia teria votos suficientes na Câmara para ser eleito indiretamente. Por isso, tentam ganhar tempo para articular outro nome. Mas nem no tucanato a fumaça branca do consenso é possível ser emitida. Enquanto a velha guarda não quer nem ouvir o nome de Maia, os deputados da legenda já topam uma articulação que envolva a ascensão de Rodrigo Maia ao Planalto." Historicamente, difícil é o PSDB chegar a um consenso antes de qualquer desastre para o país. (O Antagonista)

A trama revelada

O golpe para salvar Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer (e todo o resto da ORCRIM) está sendo tramado no Senado por peemedebistas, petistas e tucanos. Leia o que diz Alberto Bombig, do Estadão: “Estão em curso em Brasília as tratativas de um acordão que visa a utilizar uma eventual eleição presidencial indireta para anistiar parte do mundo político e colocar o Congresso como contraponto à Lava Jato e ao Ministério Público Federal (…). Pelo arranjo dos senadores, Eunício Oliveria seria vice, mas de um outro candidato, alguém com coragem suficiente para enfrentar a opinião pública e frear os procuradores e o juiz federal Sérgio Moro. Para o grupo do Senado Federal, apenas dois nomes entre os colocados até agora como pré-candidatos têm peso e tamanho para a missão: Nelson Jobim e Gilmar Mendes. Só para lembrar: no Senado, são investigados, entre outros, o próprio Eunício, Renan Calheiros, Gleisi Hoffmann e Aécio Neves (…). Para facilitar a renúncia de Temer, o acordo garantiria a ele um indulto (a imunidade penal a ser dada pelo futuro presidente) e a votação da PEC que manteria o foro privilegiado a ex-presidentes, evitando que o caso dele chegue até Moro. Essa PEC também livraria Lula das garras do juiz federal, parte que mais interessa ao PT”. (O Antagonista)

O articulador da própria sucessão

A escolha do novo presidente depende, também, da anuência do velho. Investigado no STF por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça, Temer pode até não ter mais condições políticas de permanecer na cadeira de presidente, e é provável que não as tenha, mas é certo que todos os caminhos que apontam para o desenlace da crise atual ainda passam por ele", confirma a IstoÉ. "E dele dependem diretamente. Os atores políticos têm ciência disso. Hoje, não há acordo possível sem a anuência do presidente da República. Afinal, mesmo que amargue uma derrota no plenário do TSE, no próximo dia 6, – hoje a saída considerada mais rápida e indolor, – uma infindável possibilidade de recursos arrastaria o País para um buraco sem fundo. E isso ninguém quer. Por isso, Temer não pode ser descartado do tabuleiro do xadrez político, mesmo que apenas como articulador da própria sucessão", Mesmo que apenas como articulador do próprio foro privilegiado – extensivo a outros ex-presidentes como Lula –, evitando que o caso dele chegue até Sérgio Moro. Tem que manter isso, viu? (O Antagonista)

Investigação vê elo entre JBS e Transpetro

A empresa de fachada usada pela JBS para camuflar recursos na Suíça também aparece nas investigações sobre a transferência de dinheiro ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. No ano passado, áudios divulgados de conversas do ex-executivo levaram à queda de Romero Jucá, na época, ministro do Planejamento do governo Michel Temer. A empresa fundada no Panamá, Lunsville International, era controlada pela JBS e mantinha suas contas no banco Julius Baer como forma de distribuir pagamentos de propinas. Com base em Zurique, a empresa de fachada usava três contas - em euro, dólar e franco suíço - para fazer as movimentações. O nome oferecido pela JBS como o gerente da conta na Suíça, o brasileiro Fernando Marques, não se pronunciou. Entre os documentos apresentados ao Ministério Público, estava um cartão de visitas do gerente de contas. No caso de Machado, o nome da empresa de fachada também aparece em sua delação premiada. É seu filho, Expedito Machado da Ponte Neto, que explica aos procuradores como seu pai recebia o dinheiro da propina no Exterior. Uma das empresas que fazia o depósito era a Lunsville International. Segundo Expedito Machado, existia uma planilha que ele usava para "prestar contas" a seu pai. Nela, aparecia o nome Lunsville International. Essas transferências teriam ocorrido em 2007 e 2008. O que se busca saber agora é o motivo pelo qual o mesmo nome de empresa aparece tanto no caso da Transpetro como no caso da JBS. Machado fechou um acordo de delação premiada e indicou que repassou propina a mais de 20 políticos de seis partidos. 

Ex-Ministro da Justiça de Dilma, José Eduardo Cardozo se aposenta aos 58 anos, após ficar mais de 20 anos em licença

O ex-ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, aposentou-se em abril do cargo de procurador do município de São Paulo. Ele tem 58 anos. Cardozo foi admitido como procurador do Município de São Paulo por concurso público em 1982, licenciou-se do cargo a partir de 1995, e retornou à Procuradoria em 2016 após a derrota no impeachment de Dilma. Ao mesmo tempo em que retomou a Procuradoria, Cardozo também atuou como advogado e associou-se a um escritório.

A doce vida de Joesley Batista no exílio



Acostumados a celebrar datas importantes com festas do grand monde e shows fechados de Ivete Sangalo, sempre badalados nas colunas e nas redes sociais, Joesley Batista e sua mulher, a apresentadora de TV Ticiana Villas Boas, optaram por rapidez e discrição em sua despedida do Brasil. Imagens das câmeras de segurança do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, mostraram o empresário entrando na área de embarque para voos internacionais às 22h10 do dia 10 de maio, acompanhado de Ticiana, do filho de 2 anos, da cunhada e de uma sobrinha. Apenas doze horas antes, Joesley prestara na Procuradoria-Geral da República (PGR) o último depoimento do acordo de delação que abalou a República. Livre, leve e solto, embarcou com a família no jato da JBS, um Gulfstream 550 avaliado em 208 milhões de reais, com destino a Nova York, graças ao acerto com a Procuradoria Geral da República de que não haveria denúncia contra ele — e as antigas seriam perdoadas.  Livre, leve e solto. Tão livre que, dois dias depois, a Polícia Federal não pôde cumprir o mandado de condução coercitiva contra ele no âmbito de outra investigação, essa sobre o favorecimento do BNDES à JBS. Tão leve que nem carregou a própria mala de mão e o casaco: um empregado, vestido com um colete amarelo por cima do terno, encarregou-se da tarefa durante todo o embarque. Tão solto que, para escaparem do assédio da imprensa em frente à famosa Olympic Tower, prédio construído por Aristóteles Onassis na Quinta Avenida, em Nova York, Joesley e sua família saíram do seu exclusivíssimo apartamento na cidade para hospedar-se no Baccarat Residences, um hotel cinco-estrelas com diária entre 1.000 e 16.000 dólares. Por ali ficaram até evaporar-se no mapa americano. A Olympic Tower já teve moradores célebres, como os atores Nicolas Cage e Anne Hathaway, mas as irmãs herdeiras Alessandra e Allegra Gucci ainda ocupam uma das coberturas do prédio. A outra, de Joesley e Ticiana, tem 380 metros quadrados, sauna própria e a melhor vista do prédio de 51 andares: 180 graus de vidraças do chão ao teto por onde se veem a imponente Catedral de St. Patrick logo em frente, o East River a leste e o Empire State ao sul com a baía ao fundo.  O dúplex foi comprado do publicitário Nizan Guanaes. O valor de mercado é de 20 milhões de dólares, mas Joesley pagou alguns milhões a mais porque comprou o imóvel com tudo dentro, o que inclui não só o mobiliário predominantemente italiano, das marcas Flexform, B&B Italia, Living Divani, mas também um lustre de cristal Baccarat na sala de jantar e uma coleção de arte com vasos Murano e quadros do holandês Hendrik Kerstens, do americano Jean-Michel Basquiat e do brasileiro Vik Muniz. Para não esquentar a cabeça, Joesley manteve até o motorista, as copeiras e a cozinheira. Condomínio e impostos do imóvel custam 12 000 dólares por mês. Quando enjoa de ficar dentro do apartamento, o casal Batista nem precisa ir longe para se divertir. Duas quadras acima está o MoMA, com sua fenomenal coleção de Cézanne, Chagall, Picasso e Van Gogh. Duzentos metros abaixo, as luzes da Broadway e lojas de marcas requintadas, como Rolex, Prada e Valentino. 

A delação do homem da mala

Rodrigo Rocha Loures, de fato, iniciou negociações para uma delação. Entre outras revelações, Rocha Loures pode contar sobre sua atuação em favor do Grupo Rodrimar, alvo de buscas da Polícia Federal, na área de portos. No governo Dilma, ele usava o nome de Temer para defender interesses dessa empresa. Temer repetirá o mantra de Lula de que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome – mas o homem da mala de propina apavora o Planalto.

Conselho extingue compulsório adicional da poupança e injeta R$ 13 bilhões no crédito

A partir de junho, os bancos terão mais R$ 13 bilhões para emprestarem no sistema de crédito. O Conselho Monetário Nacional extinguiu o compulsório adicional de 5,5% cobrado sobre os depósitos na caderneta de poupança desde 2002, liberando os recursos para empréstimos. O compulsório é a parcela que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central. Durante a crise econômica de 2002, a autoridade monetária criou os compulsórios adicionais para reforçar a estabilidade do sistema financeiro. Com a decisão, essa modalidade de compulsório foi extinta. O compulsório adicional havia sido eliminado em setembro de 2012 para os depósitos à vista e no mês passado para os depósitos a prazo. De acordo com o Banco Central, os R$ 13 bilhões a serem liberados equivalem a apenas 3% do total de compulsórios recolhidos no Banco Central. Originalmente, a eliminação do compulsório adicional sobre a poupança injetaria R$ 34 bilhões no sistema financeiro, mas o fim da vigência, a partir de julho, de um benefício concedido aos bancos em 2015 obrigará as instituições financeiras a recolherem R$ 21 bilhões ao Banco Central, restando R$ 13 bilhões disponíveis no sistema. De acordo com o Banco Central, o fim do compulsório adicional, além de injetar recursos no sistema financeiro, pode significar redução dos juros. Isso porque os bancos reduzirão o custo com procedimentos operacionais para controlar o cumprimento das exigências de recolhimento de recursos.

Irmãos Batista compraram empresa investigada após avanço da Polícia Federal



Os empresários Joesley e Wesley Batista viraram donos da Blessed Holdings em outubro de 2016, quando investigações da Polícia Federal já avançavam sobre seus negócios.  A empresa é acionista indireta da JBS, mas por anos havia mistério sobre quem eram seus donos de fato. No papel, as proprietárias eram duas seguradoras, uma com sede em Cayman e outra em Porto Rico. É essa a informação que ainda consta nos documentos protocolados pela JBS na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A empresa afirmou que, desde 2014, não recebe notificação de sua acionista indireta sobre mudanças em seu controle e, por isso, não promoveu alteração nos documentos. Na terça-feira (23), a CVM abriu investigação sobre a Blessed Holdings para analisar "a veracidade da divulgação dos controladores diretos e indiretos", incluindo as pessoas físicas, desta empresa. A operação de compra da Blessed é informada nos extratos de Imposto de Renda que foram entregues ao Ministério Público Federal com outros documentos para compor a delação premiada dos Batista. Eles indicam que os dois irmãos compraram cada um 50% da Blessed por US$ 150 milhões no ano passado — uma fração do que a participação indireta da companhia valia à época.

Cerca de 23% das vagas do Fies não foram preenchidas este ano

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) preencheu 115.445 vagas de um total de 150 mil ofertadas no primeiro semestre deste ano, de acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o que equivale a 76,68% vagas. O restante permaneceu disponível mesmo após uma rodada de oferta das vagas não preenchidas no processo regular, cujo prazo terminou no último dia 22. No primeiro semestre do ano passado, das 250 mil ofertadas, 102 mil não foram preenchidas, o equivalente a 41% das vagas. Após esse resultado, o MEC começou a ofertar as vagas ociosas em processo posterior ao regular. Mesmo assim, a porcentagem de vagas não preenchidas se mantém mais ou menos constante. No segundo semestre do ano passado, segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, das 75 mil, cerca de 20% ficaram ociosas. "De um lado ficam muitos alunos precisando de financiamento para ter acesso à educação superior e, do outro lado, vagas sobrando. A conta não está fechando e o governo precisa equalizar essa equação", diz Caldas. Segundo ele, as vagas não são preenchidas devido aos critérios do próprio programa. Desde o final de 2014, o Fies começou a ter uma série de restrições. Passou a ser exigida uma pontuação mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 450 pontos nas provas e uma renda mínima de três salários mínimos por pessoa, o equivalente em valores atuais a R$ 2.811. Os juros aumentaram e a porcentagem de financiamento que o estudante recebe passou a ser calculada de acordo com a renda, não chegando mais a 100%. “Quando o aluno tem a pontuação, não tem a renda; e quando tem a renda, não alcança a pontuação”, diz Sólon. Outro critério criticado por Sólon é a destinação de 70% das vagas do Fies para cursos prioritários nas áreas de saúde, engenharia e de formação de professores. “Os cursos são os que o governo julga prioritários para o país, mas nem sempre são os prioritários para os estudantes, que buscam uma posição no mercado de trabalho”. Na semana passada, em audiências públicas no Congresso Nacional, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que reformulará o Fies. Ele não adiantou quais serão as mudanças, mas garantiu que os contratos vigentes não serão prejudicados e que o programa se voltará principalmente aos mais pobres. Segundo ele, a intenção é ampliar o atendimento pelo programa e torná-lo mais sustentável. O Fies, segundo o ministro, acumulou um rombo de R$ 32 bilhões até 2016. A inadimplência é de cerca de 46%. Para ser beneficiado pelo Fies, atualmente, é necessário que o estudante que tenha participado do Enem a partir de 2010, obtido pelo menos 450 pontos na média nas provas e não tenha tirado 0 na redação. O candidato precisa ter também renda familiar mensal bruta per capita de até 2,5 salários mínimos. O Fies oferece financiamento de cursos superiores em instituições privadas a uma taxa de juros de 6,5% ao ano. O setor privado aguarda ansiosamente as alterações. No ensino superior, as instituições particulares concentram 75% das matrículas. Programas como o Fies e Programa Universidade para Todos (ProUni) chegaram a bancar 40% dos estudantes nessas instituições. Com as mudanças e as restrições no financiamento, o setor passou também a buscar alternativas. Para o presidente da Anima Educação, grupo de educação de capital aberto, Daniel Castanho, o Fies perdeu a força. Nas instituições do grupo, 11% dos novos alunos neste ano são financiados pelo Fies. Esse percentual já chegou a 40%. Levando em conta todos os estudantes matriculados, 30% são beneficiados pelo Fies. Como tinha o Fies com condições imbatíveis, ninguém pensava em entrar [no mercado de financiamento estudantil]. Agora, os bancos estão desenhando financiamentos. Nos próximos anos, vão surgir vários canais de possibilidades, formando, com o Fies, uma cesta de financiamento", diz. Ele avalia que o Fies foi importante para a inclusão e para que os estudantes considerassem financiar as matrículas, algo que não era pensado antes do programa. 

Governo brasileiro condena ataque a cristãos no Egito

O Ministério das Relações Exteriores condenou o ataque a um grupo de cristãos na província de Minia, no Sul do Egito, ocorrido na sexta-feira (26). Em nota, o Itamaraty criticou o episódio, que deixou dezenas de mortos e feridos. “Ao expressar suas condolências às famílias das vítimas, seus votos de plena recuperação aos feridos e sua solidariedade com o povo e o governo do Egito, o Brasil reitera veementemente seu repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo, independente de sua motivação”, diz o texto. De acordo com o comunicado, o governo brasileiro recebeu a notícia com “grande consternação”. As vítimas estavam em um ônibus que ia em direção ao mosteiro de São Samuel, a poucos quilômetros do povoado de Al Adua, quando foram surpreendidas por homens armados. Pelo menos 23 pessoas morreram e 27 ficaram feridas.

Prefeitura de São Paulo poderá levar usuário de droga compulsoriamente para o médico e tratamento, ou internação

A Justiça paulista autorizou a prefeitura de São Paulo a abordar usuários de drogas nas ruas e levá-los compulsoriamente para uma avaliação médica. A decisão é do juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública, Emílio Migliano Neto, que atendeu o pedido de tutela antecipada da prefeitura. O processo corre sob segredo de Justiça. De acordo com a prefeitura, atualmente, os agentes de saúde e guardas civis podem abordar os dependentes químicos e oferecer o tratamento de forma voluntária. Com a decisão judicial, os usuários poderão ser levados, sem o consentimento deles, para um médico. Se o médico considerar necessária a internação compulsória, é preciso uma autorização judicial, procedimento que já é adotado. A abordagem compulsória valerá por 30 dias e poderá ser aplicada na região da Cracolândia e adjacências. Menores de idade não estão incluídos. Por meio de nota, a prefeitura disse que a decisão vai permitir “a abordagem individualizada dos dependentes químicos”. “A prefeitura reitera que este é um instrumento a ser utilizado em última instância e com total respeito aos direitos humanos”, disse a administração municipal. A nota não informa quando as abordagens terão início. Em entrevista esta semana, os secretários de Saúde, Wilson Pollara, e da Justiça, Anderson Pomini, defenderam o mecanismo para atender os usuários da Cracolândia. “Sempre pôde, pela lei federal, ser realizada a internação compulsória, desde que preenchido os requisitos da norma após análise criteriosa de um especialista em medicina", disse Pomini. Segundo o secretário, na entrevista, o pedido tem o objetivo de se ter uma autorização judicial para que a prefeitura possa buscar as pessoas e entregá-las para análise de médicos que, de acordo com os critérios previstos em lei, poderão dizer se devem ser internadas. “Trata-se da busca de mais uma ferramenta para que possa ser utilizada ou não, de acordo com a estratégia que vai ser definida pelos secretários envolvidos”, disse Pomini. De acordo com Pollara, o pedido feito pela prefeitura “é um instrumento a mais para poder atender a essas pessoas”. “Ninguém nunca falou em números de internações, nós falamos simplesmente que nós precisávamos de um instrumento legal que permitisse, em caso de indicação, após avaliado, após abordado, após identificado por um médico com todos os critérios de internação psiquiátrica, a gente tivesse um instrumento legal que pudesse ser utilizado”, disse.

Gilmar Mendes defende que Plenário do Supremo decida sobre delação da JBS

Após participar de uma audiência pública no STF sobre banco nacional de DNA forense, Gilmar Mendes disse a jornalistas que defende que a homologação das delações da JBS seja submetida ao plenário. "Eu tenho a impressão de que nós vamos ter que discutir esse tema da homologação. Eu já tinha discutido com o ministro Teori no sentido de que essa matéria fosse discutida pela turma. Por que o que a lei diz? Que o juiz é quem homologa, mas o juiz aqui não é o relator. Quando se trata de tribunal, é o próprio órgão. Ele pode até fazer a homologação prévia, mas sujeita a referendo." O ministro completou: "A mim me parece que nesse caso, como envolve o presidente da República, certamente vamos ter que discutir o tema no próprio plenário. O caso do Sérgio Machado já tinha provocado muita especulação e nessa época nós discutimos essa temática com essa perspectiva". (O Antagonista)

Delação da JBS: BNDES, Caixa e CVM em comissão do Senado

Ricardo Ferraço apresentou um requerimento para a realização de uma audiência pública, na Comissão de Assuntos Econômicos, sobre os impactos da delação da JBS na economia brasileira. O senador quer explicações dos presidentes da Caixa, da CVM e do BNDES. "O conteúdo do acordo de delação premiada divulgado até o momento, associado à atuação dos controladores nos mercados acionário e de câmbio, sinalizam que os mesmos podem não estão estar atuando de maneira a proteger o valor da empresa e, por consequência, podem estar gerando danos aos demais acionistas e, em última instância, aos empregados do conglomerado JBS", diz trecho da justificativa do pedido, obtido por O Antagonista.

Polícia Federal pede prorrogação das prisões de Arruda, Agnelo e Filippelli

A Polícia Federal acaba de solicitar a prorrogação da prisão temporária dos dez investigados da Operação Panatenaico, entre eles os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli - que assessorava Michel Temer. Após a análise prévia das apreensões e depoimentos tomados, a Polícia Federal avaliou existirem os pressupostos necessários à prorrogação das medidas. (O Antagonista)

A confissão espontânea de Temer

No pedido para ouvir Michel Temer, Rodrigo Janot alega que o presidente fez uma "confissão espontânea" ao admitir o encontro com Joesley Batista - O Antagonista está dizendo isso há dias. Leiam : "Em que pese Michel Temer alegar ilicitude da gravação e questionar a integridade técnica desta, cumpre ressaltar que, em pronunciamentos recentes, o Presidente da República não negou o encontro nem diálogo noturno e secreto com o colaborador JOESLEY BATISTA, tampouco nega que o colaborador tenha lhe confessado fatos criminosos graves, o que demandaria, no mínimo, comunicação de tais crimes as autoridades competentes." O PGR cita o próprio discurso de Temer para justificar a investigação: "Devo até registrar, devo até registrar, que e interessante quando os senhores examinam o seu depoimento e o áudio, os senhores verificam que a conexão de uma sentença a outra, não e conexão de quem diz: olhe eu estou comprando o silêncio de um ex-deputado e estou dando tanto a ele. Não! A conexão é com a frase: 'eu me dou muito bem com o ex-deputado, mantenho uma boa relação', e eu disse: mantenha isso, viu? Enfatizou muita, o viu." Segundo Janot, "o que consta desse trecho do discurso e o reconhecimento por parte do investigado MICHEL TEMER da existência do diálogo com JOESLEY e da boa relação entre JOESLEY com EDUARDO CUNHA". "A interpretação do diálogo e do que significa esta anuência por parte do investigado MICHEL TEMER será avaliada no momento da formação da opinio delicti”. (O Antagonista)

Polícia Federal encontra em apartamento de Aécio comprovantes identificados como ‘cx 2’

A Polícia Federal apreendeu no apartamento de Aécio Neves, na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeeiro, “diversos documentos acondicionados em saco plástico transparente, dentre eles um papel azul com senhas, diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição 'cx 2'". Também foi apreendido um aparelho bloqueador de sinal telefônico, um celular e um pen drive.  As informações estão em relatório enviado ao STF. (O Antagonista)

Moody’s se prepara para rebaixar nota do Brasil

A Moody’s alterou novamente a perspectiva de rating do Brasil, de estável para negativa. A razão: o "aumento da incerteza" em relação à aprovação das reformas por causa dos "últimos acontecimentos políticos".

Conheça o perfil de Andrea Neves, a "primeira-irmã de Minas Gerais"


Tancredo Neves se preparava para disputar o governo de Minas Gerais. O ano era 1982 e o Brasil caminhava rumo à redemocratização, com a primeira eleição direta para governador em duas décadas. Aos 72 anos, o ex-ministro de Getúlio Vargas convocou o neto Aécio Neves para reunião. Queria que o jovem participasse de sua campanha, pois vislumbrava no então estudante de 22 anos um aprendiz. Andrea, a irmã mais velha de Aécio Neves, resolveu acompanhar o encontro e explicou para o avô. "Vim junto, de enxerida", disse ela, que, na época, era mais envolvida com política do que o irmão e participava ativamente do movimento estudantil. Aécio Neves atendeu aos apelos do avô. Andrea o acompanhou e também trocou as praias do Rio de Janeiro pelas montanhas que emolduram Belo Horizonte. Começava ali, efetivamente, a carreira do tucano, e Andrea assumia o papel de esteio político do irmão. Tímida e discreta, sempre atuou nos bastidores. É considerada mentora e braço direito do tucano. No último dia 18, ganhou os holofotes ao ser presa preventivamente pela Polícia Federal durante a Operação Patmos, deflagrada a partir da delação da JBS. Ela é acusada de intermediar pagamento de propina de R$ 2 milhões ao irmão, que foi afastado do mandato e está com pedido de prisão pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Andrea é formada em Jornalismo e foi militante de esquerda na juventude — ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro. Em 1985, viajou a Cuba, onde se encontrou com Fidel Castro. Antes, na noite de 30 de abril de 1981, foi testemunha do atentado no Riocentro, ao socorrer o capitão Wilson Machado após a explosão das bombas que o militar carregava em um carro, com a intenção de forjar um ataque de radicais. Sobre a relação com o avô, por quem tinha profunda admiração, Andrea escreveu, em artigo publicado pela revista Vogue em 1984, ano da campanha pelas Diretas Já: "A rigidez do seu caráter, a profunda solidariedade que o liga aos amigos e a fé que ainda consegue ter nos destinos do País são aspectos da sua personalidade que transparecem para todos que partilham do seu convívio. Se é verdade que a minha infância o quis mais por perto e que a minha adolescência lhe cobrou alguns arroubos, também é verdadeiro o profundo encantamento que sua alma sempre exerceu sobre o meu coração". 


Nascida em Belo Horizonte, em fevereiro de 1959, Andrea foi casada com o jornalista Herval Braz, com quem teve uma filha durante período no qual vivia no Rio de Janeiro. Sofreu um duro golpe ao perder o marido, em 1999, vítima de câncer. Com ajuda do irmão, reconstruiu sua vida em Belo Horizonte, para onde regressou, em 2002, ano da campanha de Aécio ao governo de Minas. E redescobriu também o talento político da juventude. Durante os dois mandatos do tucano, Andrea, que se casou com o arquiteto Luiz Márcio Haddad Pereira, filho do ex-governador Francelino Pereira, exerceu duas funções: a de presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e a de membro do Grupo Técnico de Comunicação. Foi nesse período que comprou briga com jornalistas e ganhou de desafetos apelidos de "Goebbels das Alterosas" e "Golbery do Aécio", alusões ao poder do ministro da Propaganda de Hitler e ao general Golbery do Couto e Silva, eminência parda do governo Ernesto Geisel (1974-1979). Nas redações, também era conhecida como "Andrea Mãos de Tesoura". Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Lopes, dezenas foram demitidos a pedido dela nos primeiros anos do governo Aécio Neves. Parte da imprensa mineira chegou a comemorar a prisão da "primeira-irmã de Minas". "Gostou da pauta, Andrea? A pauta é boa?", ironizavam os jornalistas que acompanhavam a chegada dela ao Instituto Médico Legal, logo após a prisão. Conforme Lopes, foi uma manifestação espontânea dos profissionais, em tom de desabafo — Andrea costumava perguntar se a pauta era boa quando queria vetar uma matéria. Depois que o sindicato denunciou casos de censura e perseguição ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa, ela teria começado a manipular verbas publicitárias para intimidar veículos. Apesar das críticas, Lopes reconhece as habilidades de Andrea: "Ela é muito trabalhadora, ao contrário do irmão. É estrategista, orientava o governo como um todo. É como se fosse uma mãe para o Aécio. Cuidava dele e dos excessos, pois ele sempre teve um comportamento bastante juvenil". Sem nunca ter disputado cargo eletivo, em jantares e reuniões com políticos, Andrea era tratada como se fosse governadora de Minas Gerais. Tamanho era o seu poder que, durante o primeiro mandato de Aécio Neves, em uma missa de fim de ano realizada no Palácio da Liberdade, formaram-se duas filas para cumprimentar os irmãos — a mais extensa era a dela. O PSDB mineiro chegou a cogitar seu nome para suceder Aécio Neves. Há quem diga que desistiu de concorrer para não prejudicá-lo. Considerada uma das mulheres mais poderosas do País, Andrea coleciona versões da obra "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll. Como a personagem, a jornalista tem imagem dúbia e enigmática: pode ser grande e ameaçadora, na visão de opositores, ou pequena e amável, segundo amigos presenteados com poemas. "Cada um de nós tem a oportunidade de ser vários. Penso em quantas Andreas já fui e me pergunto qual delas sussurra no meu ouvido diante de cada decisão, de cada escolha", escreveu, em sua página no Facebook, revelando seu lado poetisa, também flagrado por grampo da Polícia Federal que registrou declamações de poemas entre ela e o jornalista Reinaldo Azevedo. Em outra passagem na rede social, Andrea disse ter "péssima memória", mas acreditar "na força das lembranças e do destino", que "costuma nos alcançar mais depressa justamente nos atalhos que escolhemos para fugir deles".

Paulo Rabello de Castro começa na presidência do BNDES nesta semana

O Palácio do Planalto informa que Paulo Rabello de Castro, novo presidente do BNDES começa na próxima semana. Ele fará questão de participar da cerimônia de aniversário do IBGE, instituto que deixará de presidir. Paulo Rabello de Castro esteve na quinta-feira no Palácio do Planalto com Michel Temer. Trataram basicamente de assuntos relacionados ao IBGE, principalmente o Censo Agro, previsto para começar em outubro. "Ele me recebeu da mesma forma de sempre. Era o mesmo presidente, com o mesmo humor", afirmou o economista escolhido para suceder Maria Silvia Bastos no BNDES. Rabello comentou que a situação não é fácil, mas Temer se mostrou firme. "Dei a ele de presente o livro 'Lanterna na Proa. Quem sabe não o inspira?" O Lanterna na Proa é um livro organizado por ele e Ives Gandra da Silva Martins, em comemoração ao centenário de Roberto Campos. A Fiesp está feliz com a nomeação de Paulo Rabello de Castro, que deve reabrir as torneiras do BNDES para investimentos. O mercado financeiro apoiava Maria Silvia e já vinha criticando Rabello por mudanças de metodologia do IBGE.

A gota 'água que levou Maria Silvia a pedir demissão no BNDES

Além do escândalo envolvendo Michel Temer e Joesley Batista, dos problemas com os servidores e da constante tentativa do próprio Palácio do Planalto de fritá-la, Maria Silvia decidiu entregar o cargo ao receber de Temer a missão de usar o BNDES para punir os donos da JBS. O presidente colocou toda a máquina estatal a serviço de seu plano de revanche por causa da delação apocalíptica dos irmãos Batista. Os superintendentes do BNDES se reuniram com os funcionários das suas áreas na segunda-feira (22), para passar informes da administração do banco. Alguns relataram que Maria Silvia havia ficado irritada com o áudio da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer. Isto porque o trecho em que Joesley afirma que "o BNDES tá bem travado" teria dado margem a uma dupla interpretação: ou que ela estava travando as liberações para a JBS, ou que ela estava travando o banco como um todo. "Hoje, Maria Silva tá falando com quem? Tá problemático", reclama Joesley. Temer então responde que servidores do BNDES estão com bens indisponíveis e que o banco tem uma verba de R$ 150 bilhões parada. Não foi uma resposta que pudesse amenizar a irritação da então presidente do banco. Em seus pronunciamentos sobre a gravação, Temer se ancorou na equipe econômica, citando a moralização feita no BNDES por Maria Silvia. Os relatos no banco são de que ela, além de não gostar das falas do presidente, gostou muito menos da perspectiva de eventualmente ter de responder à "CPI do Joesley". Maria Silvia estava preparada para lidar com gente como Moreira Franco, mas ficou surpresa ao encontrar no BNDES uma burocracia alinhada ao poder político. Tem muita gente boa, é claro, mas é preciso apurar exatamente a participação dos funcionários na facilitação de empréstimos bilionários a empresários amigos, como Marcelo Odebrecht, Joesley Batista e... José Carlos Bumlai. No ano passado, a Justiça Federal bloqueou os bens de vários funcionários ligados à concessão de empréstimos à Usina São Fernando, de onde saíram recursos para reformar o sítio de Atibaia. A Justiça Federal em Dourados determinou a indisponibilidade de bens e recursos financeiros de Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, e de outros 19 diretores e empresários, num total de R$ 665,7 milhões. Uma ação de improbidade responsabiliza a cúpula do banco pela concessão de empréstimos sem garantias à Usina São Fernando, de José Carlos Bumlai, o amigão de Lula. Além de Coutinho, são alvos da ação o próprio Bumlai e seus filhos Maurício e Guilherme, além do BTG, Banco do Brasil e a Usina São Fernando. Os demais réus são: Gil Bernardo Borges Leal, Carlos Eduardo de Siqueira Cavalcanti, Maurício dos Santos Neves, Júlio César Maciel Raimundo, Plínio Bastos de Barros Netto, Bernardo Bueno Bastos de barros, Maria Alves Felippe, Anita Rabaca Feldman, Victor Emanoel Gomes de Moraes, Armando Mariante Carvalho Júnior, Claudia Pimentel Trindade Prates, Gustavo Lellis Pacifico Peçanha, Daniel Schaefer Denys, Renata Soares Baldanzi Rawet, Evandro da Silva, Luiz Fernando Linck Dorneles, João Carlos Ferraz, Eduardo Teixeira e Borges e Anna Clements Mannarino. Além de contrariar grandes grupos, como a JBS, Maria Silvia perdeu o controle da burocracia interna, que lhe cobrava apoio contra as investigações da Lava Jato. A gota d'água foi a Operação Bullish, que teve como alvo funcionários do banco que atuaram na facilitação de empréstimos. Maria Silvia indicou a advogada Claudia de Azeredo Santos, sua amiga, como representante do BNDES no Conselho da JBS. Foi Claudia que articulou o voto contrário do BNDESPAR à reorganização societária da JBS - a criação de uma nova empresa com ações negociadas em Nova York e sede na Irlanda -, o que derrubou as ações da companhia. A advogada também foi contra a oferta da JBS para compra da participação acionária do banco no grupo. Essas ações, tomadas bem antes de Joesley aderir à delação premiada, foram muito criticadas internamente no governo de Michel Temer. A partir daí, Maria Silvia começou a ser fritada, especialmente por Moreira Franco. Ricardo Ramos, diretor das áreas de administração e recursos humanos, comércio exterior e fundos garantidores e de operações indiretas, assume o comando do BNDES interinamente. Ele é funcionário do banco desde 1993.  (O Antagonista)

Consultoria americana Eurasia diz que chance de Temer cair ainda é de 70%

A consultoria americana Eursia reafirma que a chance de Michel Temer cair se mantém em 70%. A de uma transição rápida é de 50% e de uma queda demorada, de 20%. Segundo lideranças parlamentares consultadas, uma queda rápida seria a melhor saída para o andamento das reformas estruturais. A consultoria também fez um ranking de candidatos à sucessão, destacando os nomes de Rodrigo Maia e Nelson Jobim. Num segundo grupo aparecem Tasso Jereissati, Henrique Meirelles, Gilmar Mendes, Pedro Parente e Carlos Ayres Britto. FHC, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa surgem com menos chances. (O Antagonista)

Propina de Aécio Neves foi parar na casa da sogra do assessor de Perrella

Mendherson Souza Lima, assessor de Zezé Perrella, confessou à Polícia Federal ter escondido R$ 480 mil na casa de sua sogra, sem que ela soubesse. Após ser preso, ele levou os agentes até o endereço. (O Antagonista)

Temer quer tirar processo de Fachin

Michel Temer entrou com recurso no STF pedindo um novo sorteio do relator de seu caso. Ele alega que o inquérito aberto pela delação da JBS não tem conexão com a Lava Jato, da qual Edson Fachin é relator. Temer quer ainda que sua investigação seja separada dos casos de Aécio Neves e Rocha Loures. (O Antagonista)

Gefco investe pesado para ajustar plataformas de logística de Rio Grande e Guaíba, RS


Em 2015, a Gefco anunciou investimento de R$ 33 milhões em uma nova plataforma logística na cidade de Guaíba, na região da capital gaúcha e que está em fase de obtenção de licenças. As obras iniciarão até o fim deste ano. O empreendimento terá conexão direta com a fábrica de caminhões que a Foton está erguendo no local, mas que ainda não está concluída, aguardando licenças adicionais para continuar com a obra. A Gefco está ajustando sua operação no Rio Grande do Sul, tudo para agilizar as movimentações entre Brasil e Argentina, principal fluxo de seus negócios na região, a partir da nova plataforma logística na região do porto de Rio Grande. O local fica geograficamente no meio do eixo São Paulo-Buenos Aires. Os serviços no Porto de Rio Grande são estratégicos para atuação no Mercosul, onde há casos em que o veículo entra pela Região Sul, vai para São Paulo para homologação/nacionalização e depois volta para o Sul, onde é distribuído para venda. Além da movimentação de veículos entre Brasil e Argentina, que é o mais representativo para a Gefco, o fluxo de operações da empresa estende-se para a Europa e Ásia, estes concentrados em peças e componentes. Com 70% dos negócios dedicados ao setor automotivo, as operações da Gefco no Brasil estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste. A empresa, que já pertenceu ao Grupo PSA, atende exclusivamente a montadora em todo mundo, inclusive no Brasil, além de prestar serviços logísticos para as principais fabricantes da América Latina, como BMW, FCA, Ford, General Motors, MAN Latin America, Nissan, Renault, Troller, Volkswagen e Volvo.