domingo, 21 de maio de 2017

A lavanderia TSE e a destruição da democracia no Brasil

Merval Pereira resume a ruína: "Com as delações da Odebrecht e agora da JBS, vemos como o caixa 1 nas campanhas eleitorais foi desmoralizado. Todo mundo recebia por dentro, por fora, lavava o dinheiro no TSE. É incrível como os políticos subornados são tratados com desprezo pelos empresários que participavam do esquema de corrupção. Essa história toda é um atentado à democracia. As empresas que participaram desse esquema estão destruindo a democracia, em conluio com políticos". (O Antagonista)

Polícia Federal se exime de responsabilidade na gravação de conversa do presidente Temer com o bandido confesso Joesley

A Polícia Federal informa que não participou das negociações da delação da JBS. Também não participou do processo de captação da conversa gravada entre Joesley Batista e Michel Temer. "A partir do dia 10/04, com a respectiva autorização de ação controlada, a Polícia Federal iniciou participação no caso, o que não inclui a gravação ora questionada. Somente hoje, por determinação do ministro Edson Fachin, do STF, a Polícia Federal teve acesso aos áudios para realização de perícia". (O Antagonista)

Me inclua fora dessa, advogado Adão Paiani, defensor de Onyx Lorenzoni


O advogado gaúcho Adão Paiani, que já passou por diversos partidos e cargos em governos, publica um artigo neste final de semana para livrar a cara do deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni, do DEM, que confessou ter recebido dinheiro sujo dos empresários bucaneiros caipiras Wesley e Joesley Batista, da JBS. Na sua tentativa de livrar a cara de Onyx Lorenzoni, Adão Paiani tenta distribuir a culpa a todos os brasileiros. Senhor Adão Paiani, me inclua fora dessa lista, não queira me incluir no cesto da sujeira que todos esses metidos na política produziram. Senhor Adão Paiani, eu nunca me deixei enganar por esses vigaristas todos, a começar por Lula, enquanto tanto outros se atiravam nos braços dele. Antes mesmo de nascer o PT meus antigos companheiros jornalistas petistas, em São Paulo, já sabiam que eu era contra o PT e Lula. Não participei desse e de outros banquetes. Não aceitei também aquele outro salvador da Pátria, caçador de marajás, chamado Collor de Mello. Quer saber mais, Adão Paiani, eu era um menininho e fazia campanha, a meu modo, nas ruas de Bagé, lá onde o diabo perdeu as botas, lá no fim do mundo, fronteira do Brasil com o Uruguai, contra o grande vigarista Jânio Quadros, o homem da vassourinha. Adão Paiani, o seu texto é um desastre, a vida não é como você acha que seja. Do seu amigo Onyx Lorenzoni, se vivêssemos no Japã, eu só esperaria que ele praticasse haraquiri. Mas, como aqui é Brasil, tenho certeza de que, no próximo ano, ele estará se apresentando candidato novamente. Fará isso sabe por que? Porque conhece o comportamento da maioria dos gaúchos e dos brasileiros. Segue abaixo o artigo de Adão Paiani, para que todos os brasileiros conheçam de que estofo moral é feita a política brasileira:
A VIDA COMO ELA É
Em respeito aos que me acompanham, não tenho como passar batido e deixar de comentar em relação ao episódio envolvendo o Deputado Onyx Lorenzoni, com quem mantenho uma longa relação de amizade, trabalho, propósitos, idéias e objetivos comuns. Estamos vivendo uma oportunidade ímpar de limpar a merda que nós próprios fizemos neste país nos últimos 30 anos. Nós fizemos. Coletivamente. Não foi o vizinho argentino, o sujeito na África ou o cara sentado em Washington. Fomos nós. Reconhecer que pessoas, populações inteiras, países e nós mesmos temos uma capacidade inata de fazer grandes cagadas, em algum momento da vida (e às vezes mais de uma vez), é o primeiro passo para o amadurecimento. A seqüência inacreditável de erros que temos cometido ao longo de nossa história como nação é muito explicada pela falta de maturidade pessoal e coletiva do povo brasileiro. Na ânsia juvenil de acertar, nos deixamos levar pela propaganda disposta a nos vender o salvador da pátria. E nós compramos. De tempos em tempos aparece o cara puro ou a vestal, que nunca erra, que vai nos salvar e levar ao paraíso, e nós acreditamos que isso exista. E compramos Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma e outros menos cotados, com suas figuras de comercial de margarina. Não é a toa que o Brasil é o país dos marqueteiros. Eles nos vendem qualquer bosta, e nós compramos. No fundo, o que queremos não é um líder; um cara com qualidades e defeitos, fragilidades e contradições, mas com boas idéias, capacidade de trabalhar e de oferecer o melhor de si em benefício do coletivo. Queremos o cara do comercial de margarina. Somos tão imaturos que muitas vezes, já de cabelos brancos, buscamos o pai, um modelo daquilo que nós mesmos gostaríamos de ser e não conseguimos. E não conseguimos por um único motivo: somos humanos, não o Super-Homem ou a Mulher Maravilha. Sinceramente, esse é um problema menos político e mais psiquiátrico. É inusitado um cara – ainda mais um político – vir a público e reconhecer que errou. E foi o que fez, corajosamente, Onyx Lorenzoni. Um cara com o qual convivo cotidianamente há quase uma década; que sei que não ficou rico fazendo política; muito pelo contrário. Muito mesmo. E do qual conheço bem as qualidades e defeitos. Sim, defeitos, fragilidades, contradições. Onyx não é o cara da margarina. É gente. Não é o cara que veio nos salvar. É alguém que busca a salvação tanto como qualquer um de nós; com a diferença de que ele não quer se salvar sozinho. Ele quer levar com ele o maior número possível de pessoas, e de preferência sem deixar ninguém pelo caminho. A verdade é incômoda, mas libertadora. A mentira reconforta, mas aprisiona. Onyx demonstrou decência, dignidade e hombridade em reconhecer que errou. Esse erro não o desmerece, ao contrário; apenas reafirma sua trajetória e demonstra, na prática, que ele continua sendo aquele cara em quem se pode confiar. Mas quem quiser, pode continuar confiando no cara da margarina. Só não vale tentar me convencer a fazer o mesmo, principalmente aqui. Não perca seu tempo. Eu prefiro gente de verdade; que vacile, erre e faça merda de vez em quando; exatamente como eu. Eu prefiro gente que acredite que estamos aqui para oferecer o nosso melhor em benefício deste país, do mundo e das pessoas que vivem nele. Eu prefiro as pessoas como elas são, e a vida como ela é. Adão Paiani - advogado em Brasília/DF.

Advogado que corrompeu procurador federal pela JBS, de Joesley e Wesleey Batista, espião na Lava Jato, tem mansão em Brasília


Com menos de 10 anos na ativa, o advogado Willer Tomaz conseguiu montar um luxuoso escritório no Lago Sul, com área gourmet, chef e garçons contratados em restaurantes badalados de Brasília, além de quadras de tênis, com professor à disposição de seus amigos. Apontado como um sujeito de conversa envolvente, cheio de histórias para contar e contatos com magistrados, Willer desfruta também de muitas amizades no meio político. De sua sala, ele costuma monitorar o trabalho dos funcionários com câmeras que registram toda a movimentação na mansão. No depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, Joesley Batista contou que o advogado Willer Tomaz daria uma quantia de R$ 50 mil a título de “ajuda de custo” ao procurador federal Angelo Goulart Vilella, em troca de informações da força-tarefa para a Operação Greenfield. Uma boa colaboração para quem tem salário líquido de R$ 23.874,75, já incluídos os penduricalhos, segundo Portal da Transparência do Ministério Público Federal. Joesley Batista disse acreditar que Willer Tomaz se aproximou para evitar que o empresário, controlador da JBS, fizesse uma delação premiada que prejudicasse políticos do PMDB.

Juiz nega pedido de absolvição sumária de Lula e seu filho


O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, rejeitou os pedidos de absolvição sumária feitos pela defesa do poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula e de seu filho, Luís Cláudio Lula da Silva. Assim, terá continuidade a ação penal surgida a partir da Operação Zelotes em que os dois são réus. O juiz também marcou uma audiência para o dia 22 de junho, na qual a praxe é o comparecimento de todas as partes. O Ministério Público Federal os acusa pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Eles são investigados por irregularidades em negociações que levaram à compra de 36 caças da empresa sueca Saab e à prorrogação de incentivos fiscais para montadoras de veículos. Os crimes teriam sido cometidos entre 2013 e 2015. Na condição de ex-presidente, Lula teria prometido ajudar o casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, também réus, que representavam os interesses da Saab e das montadoras MMC e Caoa. Em troca, eles teriam repassados mais de R$ 2,5 milhões a Luís Cláudio. A defesa de Lula e de seu filho alegou serem inexistentes os crimes pelos quais são acusados. O juiz rebateu o argumento: "É imperioso, portanto, levar o processo adiante para que se faça o confronto das provas para fins de um juízo absolutório ou condenatório ao final da instrução, não sendo caso de absolvição sumária". Pai e filho alegaram que uma decisão anterior de Vallisney de receber a denúncia, transformando-os em réus, não tinha fundamentos. O juiz rebateu, dizendo que seu ato "foi devida e suficientemente fundamentado, quando apontou estarem presentes os requisitos para o recebimento da peça acusatória, fazendo-se considerações quanto aos fatos, as circunstâncias e as condutas dos réus". Argumentaram ainda que houve cerceamento ao direito de defesa pela ausência de tradução juramentada de alguns documentos, mas Vallisney disse que o Ministério Público Federal já resolveu essa questão, fornecendo o que estava faltando. O juiz também negou pedido de Lula e de seu filho para serem ouvidas 80 testemunhas de defesa, reduzindo para 32. O juiz destacou que o Código de Processo Penal prevê oito testemunhas. Como são dois réus que respondem por dois fatos diferentes, isso leva a um total de 32 pessoas. "Esse número deve ser interpretado para cada fato e não para cada capitulação legal. No presente caso, são dois fatos a serem apurados em Juízo em relação aos réus acima citados: os indicados ilícitos relacionados com a prorrogação de incentivos fiscais pela edição da Medida Provisória n. 627/2013 e os apontados ilícitos relacionados com a compra pelo Governo dos caças para a Força Aérea Brasileira", argumentou Vallisney. No caso de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, Vallisney os absolveu sumariamente em relação a uma parte dos crimes pelos quais são acusados. Assim, eles também continuarão na condição de réus na ação penal. 

Joesley roubou e foi tomar champanhe em Nova York, diz Darcisio Perondi, aliado de Temer


Enquanto a oposição denunciou a falta de explicações do presidente Michel Temer (PMDB) no novo pronunciamento na TV neste sábado aliados avaliaram que o discurso acertou o tom e foi ao encontro a um dos temas mais comentados redes sociais: o fato de que os irmãos Wesley e Joesley Batista, delatores e donos da JBS, terem ficado até agora livres, apesar da confissão de crimes, conforme a imunidade garantida pelo acordo de colaboração premiada. O tema gerou engajamento negativo na internet. “A repercussão está muito boa, as redes sociais estão indignadas. Temer resolveu enfrentar e foi perfeito com aquela frase. O cara (Joesley) aprontou, assaltou o País, ganhou absolvição num curto espaço de tempo e está passeando em Nova York. Os dois irmãos ganharam liberdade, passaporte livre, estão passeando, visitando sex shop. Eu e você estamos trabalhando enquanto eles tomam uma champanhe de 5 000 dólares”, disse o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Era manhã de sábado quando Temer decidiu fazer o segundo pronunciamento depois de virar alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal. Ele foi aconselhado por seus defensores e auxiliares a denunciar a adulteração no áudio gravado por Joesley Batista e calibrar o discurso para bater pesado na imunidade que o dono da JBS ganhou. A perícia particular contratada pelo jornal Folha de S. Paulo foi o principal motivo que levou Temer a fazer novo pronunciamento, segundo parlamentares que o acompanhavam. A análise privada (sem validade para o processo no STF) apontou ao menos 50 cortes na gravação, o que reforçou o discurso de Temer e deu argumentos para sua defesa. “Os técnicos que Janot pediu para analisar a fita eram um financeiro e outro de informática. Eles analisaram sem nenhum aparelho. Os caras escreveram isso constrangidos. Essa base superficial serviu para indiciar o presidente. Nunca vi isso na história da República. Ou foi precipitação ou conspiração da Procuradoria”, disse Perondi. Quanto à falta de ação de Temer ao ouvir relatos de obstrução da Justiça cometidos por Joesley, Perondi disse que Temer “não é policial, nem estava acreditando na versão do empresário”. O dono da JBS que contou que havia zerado débitos com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado preso em Curitiba na Operação Lava Jato, e que recebia informações privilegiadas de um procurador, além de acesso a juízes federais. O presidente passou o dia reunido no Palácio da Alvorada com ministros e parlamentares dos principais partidos de sua base – PMDB, DEM, PSD e PSDB. A ordem é articular a defesa de Temer e dar seguimento à pauta de reformas que foi paralisada no Congresso. O domingo deve ser de mais reuniões. “O presidente foi muito firme em sua fala. Deixou claro sob todos os aspectos que não cometeu nenhum ilícito. A repercussão na bancada do PMDB foi muito forte de união e apoio ao presidente Michel Temer na condução do nosso país e no avanço da pauta de recuperação de nossa economia”, disse o líder na Câmara, Baleia Rossi (SP), cujo pai, o ex-ministro Wagner Rossi, também foi implicado em ilegalidades por Joesley Batista. 

CVM instaura cinco processos contra a J&F

A CVM abriu cinco processos em decorrência das notícias de que a JBS teria lucrado com a manipulação do mercado, de posse da informação de homologação da colaboração premiada e deflagração da Operação Patmos. Segue a lista:
(1) Processo Administrativo 19957.004476/2017-03: Aberto em 18/5/2017, busca esclarecimentos adicionais relativos às notícias e especulações envolvendo delação de acionistas controladores da JBS S.A.
(2) Processo Administrativo 19957.004543/2017-81: Aberto em 19/5/2017, trata da comunicação de indícios de eventual prática do crime de insider trading ao Ministério Público Federal, detectados em operações realizadas no mercado de dólar futuro e em negócios com ações de emissão da JBS S.A. realizados no mercado à vista.
(3) Processo Administrativo 19957.004545/2017-71: Aberto em 19/5/2017, analisa a atuação da JBS S.A. no mercado de dólar futuro.
(4) Processo Administrativo 19957.004547/2017-60: Aberto em 19/5/2017, analisa a atuação do Banco Original S.A., controlada pela J&F Participações Ltda., no mercado de derivativos.
(5) Processo Administrativo 19957.004548/2017-12: Aberto em 19/5/2017, analisa negociações do acionista controlador da JBS S.A. (a FB Participações S.A.) com ações de emissão da companhia.

PSDB convoca reunião de emergência para discutir se continua com Temer


O PSDB, principal partido aliado de Michel Temer, convocou uma reunião de emergência da cúpula do partido para este domingo (21), em Brasília, para discutir se mantém seu apoio ao governo. Diante do agravamento da crise provocada pelas acusações feitas contra o presidente por executivos da JBS, o partido decidiu antecipar as discussões sobre a continuidade de sua aliança com o peemedebista. Parte dos dirigentes da sigla defende, nos bastidores, uma articulação rápida para que Temer deixe o poder, com a construção conjunta entre partidos aliados de uma candidatura para a eleição indireta que seria convocada nesse caso. O presidente nacional do DEM, o senador Agripino Maia, também vai participar da reunião. O PSDB e o DEM têm um acordo: só decidirão deixar o governo Temer se o fizerem em conjunto. O PSDB ocupa quatro ministérios no governo (Cidades, Relações Exteriores, Secretaria de Governo e Direitos Humanos), e dá sustentação a Temer no Congresso com 47 deputados e dez senadores. Trata-se do maior aliado do PMDB na coalizão governista. Alguns deputados já manifestaram abertamente o desejo de deixar o governo imediatamente. No Senado, há cautela: o cenário traçado é o de convencer Temer a renunciar ou pressionar o Tribunal Superior Eleitoral para que casse o mandato de Temer. Na quinta-feira (18), o ministro Bruno Araújo (Cidades) chegou a comunicar à cúpula do partido que entregaria o cargo, mas foi demovido. Temer recebeu, então, os tucanos que integram seu governo e pediu que eles mantivessem seu apoio em nome da estabilidade econômica e política.

Plenário do STF vai decidir sobre suspensão de inquérito contra Temer


O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a perícia no áudio apresentado pelo dono da JBS, Joesley Batista. Contudo, o relator da Lava Jato decidiu levar para o Plenário do STF a decisão sobre a suspensão do inquérito contra o presidente Michel Temer. O pedido foi feito pela defesa do presidente neste sábado (20). A sessão ocorrerá na próxima quarta-feira (24). O advogado de Temer, Antônio Mariz, pede que o inquérito aberto por Fachin na semana passada seja suspenso até a conclusão da perícia. Em pronunciamento feito à nação neste sábado, o presidente se referiu ao áudio como "fraudulento". Perícia contratada pela Folha aponta para edição de 50 pontos do áudio apresentado por Joesley no qual o dono da JBS conversa com Temer por quase 40 minutos. Ainda neste sábado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que o STF dê sequência ao inquérito que investiga Temer por obstrução de justiça, corrupção passiva e organização criminosa. De acordo com o Procurador Geral da Repúbica, há uma contradição no pedido do advogado do presidente "visto que o inquérito existe justamente para a apuração dos fatos e para a produção de evidências, dentre elas perícias técnicas". Janot diz ainda que a gravação passou por avaliação técnica na Procuradoria. De acordo com uma "análise preliminar", o material é "audível, inteligível e apresenta uma sequência lógica e coerente, com características iniciais de confiabilidade". A Procuradoria alega também que a gravação feita por Temer é "harmônica e consentânea com o relato da colaboração de pelo menos quatro colaboradores". Janot, no entanto, diz não ser contrário à realização de uma perícia, como pedido por Temer, desde que não haja interrupção das apurações. 

Senadores articulam desobediência a Fachin para manter Aécio Neves no cargo


O Senado pode desobedecer a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que determinou por meio de liminar que o mandato do senador Aecio Neves seja suspenso. A estratégia, já discutida por alguns senadores, prevê que a defesa de Aécio recorra à Mesa do Senado questionando a validade da medida. A Mesa então responderia que não há previsão constitucional para a suspensão, mantendo Aécio no cargo. "Em nenhum lugar do mundo um parlamentar seria afastado nessas condições, muito menos por meio de liminar", diz um dos senadores mais influentes da Casa. Em dezembro de 2016, o Senado adotou procedimento semelhante ao que é articulado agora. À época, a Mesa Diretora decidiu desafiar liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello e recusou-se a afastar da presidência da Casa o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O Senado encaminhou ao STF uma decisão da Mesa em que informa que aguardará o posicionamento do plenário do tribunal para então aceitar o afastamento de Renan. O STF decidiu afastar Aécio do cargo depois de ele aparecer em gravação feita no âmbito de delação premiada da Operação Lava Jato pedindo R$ 2 milhões a donos do frigorífico JBS. 

Anexar áudio de Temer sem perícia foi inaceitável, dizem peritos da Polícia Federal

Em nota divulgada neste sábado (20), a APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais) considerou "inaceitável" que a Procuradoria Geral da República tenha anexado o áudio da conversa mantida entre o presidente Michel Temer e o delator Joesley Batista sem uma perícia técnica por peritos federais. Afirmou ainda que é "temerária" a homologação de acordos de delação premiada "sem a devida análise pericial". 
 

Antes de anexar o áudio ao pedido de abertura do inquérito no Supremo Tribunal Federal, acolhido pelo ministro Edson Fachin, a Procuradoria Geral da República submeteu o áudio ao setor técnico do órgão, mas não para uma perícia técnica completa na Polícia Federal. A associação recomendou "o envio imediato" do áudio e do equipamento usado na gravação para uma perícia completa no INC (Instituto Nacional de Criminalística). "Inaceitável que, tendo à disposição a perícia oficial da União, que possui os melhores especialistas forenses em evidências multimídia do País, não se tenha solicitado a necessária análise técnica no material divulgado, permitindo que um evento de grande importância criminal para o país venha a ser apresentado sem a qualificada comprovação científica", diz a APCF. A associação disse que, "ao se ouvir o áudio, percebe-se a presença de eventos acústicos que precisam passar por análise técnica, especializada e aprofundada, sem a qual não é possível emitir qualquer conclusão acerca da autenticidade da gravação". Desde que a gravação veio a público, na quinta-feira (18), surgiram dúvidas sobre a idoneidade do material, pois há sinais perceptíveis de interrupções na conversa. Um perito contratado pelo jornal Folha de S. Paulo apontou que houve "edição" no material. Outro perito, Ricardo Molina, que não fez um laudo sobre o tema, apontou a necessidade de se periciar também o aparelho utilizado na gravação. A Folha apurou que Joesley Batista não entregou o equipamento utilizado para a gravação. Segundo a revista "Época", ele teria utilizado um equipamento não detectável por aparelho de raio-x, pois tinha medo de ser flagrado na tentativa de gravar o presidente no Palácio do Jaburu. A Procuradoria Geral da República não enviou o áudio para a Polícia Federal porque considerava que essa era uma etapa posterior na investigação, depois de aberto o inquérito, e que eventuais dúvidas poderiam dirimidas ao longo da apuração.

JBS teve "aula de delação" 15 dias antes de gravar conversa com Temer

No dia 19 de fevereiro, um domingo, às 12 horas, Anselmo Lopes, procurador da República no Distrito Federal, recebeu uma ligação inesperada. Do outro lado da linha, Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, comunicou uma decisão que abalaria o País: Joesley e Wesley Batista iriam confessar seus crimes e colaborar com a Justiça. A conversa durou só 19 minutos e eles agendaram um encontro para o dia seguinte. Na segunda-feira, Lopes e a delegada Rubia Pinheiro, que lideram a Operação Greenfield, da Polícia Federal, deram uma "aula de delação": explicaram em detalhes ao advogado, profissional da estrita confiança dos Batista, como funcionaria a colaboração premiada.


Duas semanas depois, Joesley entrou no Palácio do Jaburu dirigindo o próprio carro, com um gravador escondido no bolso, para um encontro com o presidente Michel Temer. Durante 40 minutos, arrancou diálogos constrangedores, que, ao serem revelados, deixaram o mandato de Temer por um fio. O empresário disse aos investigadores que sua missão era informar o presidente que vinha comprando o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, ambos presos em Curitiba. Temer nega que tenha concordado com isso. Segundo pessoas próximas, o empresário gravou o presidente por iniciativa própria, um recurso que causa controvérsia no meio jurídico. Pouco tempo depois, dizem, seu advogado comunicou os procuradores do encontro e do teor da conversa. Joesley, Wesley e cinco executivos assinaram então um pré-acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. A partir daí, começariam oficialmente as "ações controladas", nas quais conversas e mensagens seriam monitoradas para engordar o arsenal dos Batista. O senador Aécio Neves (PSDB) foi outro que caiu na armadilha ao ser flagrado pedindo dinheiro. No total, a delação da JBS envolve 1.829 políticos do País. Joesley demonstrou sangue frio ao gravar os políticos. Ele foi o escolhido porque tratava pessoalmente das propinas, com auxílio de um funcionário fiel, Ricardo Saud, também delator. Ao contrário da Odebrecht, que tinha um departamento de propina, Joesley marcava em planilhas os pagamentos feitos e os benefícios obtidos pela empresa, como crédito de bancos estatais ou aprovação de leis. Da primeira ligação do advogado da JBS ao procurador Anselmo até a última quinta-feira (18), quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Patmos, baseada na delação dos Batista, se passaram 88 dias. A Odebrecht demorou o dobro para se acertar com o Ministério Público Federal. Os donos da JBS conduziram a negociação de forma totalmente diferente da empreiteira, até então o caso mais ruidoso da Lava Jato. Em vez de contratar um batalhão de advogados, deixaram quase tudo nas mãos de Silva, que não é criminalista. Na Odebrecht, 78 executivos tornaram-se delatores. Na JBS, são sete delatores, e um time de apenas dez pessoas coletou provas. Algumas nem sequer imaginavam que haveria delação. Joesley e Wesley redigiram pessoalmente anexos da colaboração com os procuradores e revisaram o acordo linha por linha. Na noite de quarta-feira (17), quando soube-se que Joesley gravara o presidente da República, funcionários do alto escalão da empresa tentavam, atordoados, entender o que estava acontecendo. Dois executivos disseram que até agora o sentimento é de perplexidade. A família Batista, no entanto, sempre chamou a atenção pela relação com o poder, que foi fundamental para multiplicar a sua fortuna. Em 2006, o frigorífico JBS já era uma empresa grande, com R$ 4,3 bilhões em receitas – mas ainda uma fração do que se tornaria em apenas uma década. Graças aos aportes do BNDES para aquisições dentro e fora do País, o faturamento da JBS chegou a R$ 170 bilhões no ano passado. Com o caixa vitaminado pelo frigorífico, os Batista partiram para outros negócios: criaram a Eldorado Celulose, compraram a Vigor e a Alpargatas. Com medo de ir para cadeia e assistir a ruína do seu império, como aconteceu com Marcelo Odebrecht, Joesley tentava se tornar delator desde dezembro. Mas os procuradores afirmavam que não tinham agenda para se encontrar com o empresário. A Lava Jato já tinha dois anos quando chegou aos negócios dos Batista. A porta de entrada foi a delação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, ligado a Eduardo Cunha, considerado o operador da JBS no Congresso. À força-tarefa, Cleto contou que, em troca de propina, facilitara empréstimo do FI-FGTS à Eldorado. Nos meses seguintes, o grupo foi alvo de três operações da Polícia Federal, que apuram irregularidades em empréstimos com recursos públicos e investimentos de fundos de pensão de estatais. As sedes das empresas foram reviradas, os irmãos tiveram bens bloqueados e acabaram afastados temporariamente dos seus cargos. Joesley se sentiu emparedado e tomou sua decisão. Cinco dias antes de seu advogado informar sua intenção de delatar, Joesley rompeu o silêncio. Disse que estava perplexo com a corrupção que via na TV e que não tinha feito nada de errado. Mas as entrevistas faziam parte do plano. Ele queria sinalizar aos políticos que não cederia, deixando-os à vontade para confessar seus crimes sem saber que estavam sendo gravados. Na reta final, até o advogado dos Batista se tornou delator. Assis era o interlocutor de um dos procuradores que havia sido subornado para passar informações. Os sete delatores da JBS pagarão R$ 225 milhões para se livrar das punições, cerca de metade do acertado para os 78 executivos da Odebrecht, conforme uma pessoa a par do assunto. Ainda falta o acordo da empresa, que custou R$ 6,7 bilhões à Odebrecht. Os procuradores querem que a JBS pague R$ 12 bilhões, mas o grupo oferece R$ 1 bilhão. Pouco antes do escândalo vir à tona, Joesley viajou a Nova York, acompanhado da mulher, Ticiana Villas Boas, com autorização da Justiça. Assistiu ao escândalo pela televisão a salvo de fotos constrangedoras. Se nada mudar, ele vai salvar seu império sem passar um dia na cadeia. É mesmo um país do balocobaco.

Defesa de Temer pede perito de Fachin,, que concede a medida

O advogado Antonio Claudio Mariz, que defende Michel Temer, pediu a Edson Fachin que escolha um perito da confiança do próprio ministro para analisar o áudio gravado por Joesley Batista. O ministro acolheu o pedido, mas remeteu ao plenário a decisão sobre o pedido de suspensão do inquérito contra o presidente da República. O texto integral do pedido da defesa de Temer é o seguinte: 
EXMO. SR. DR. EDSON FACHIN, M. D. MINISTRO DO COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
INQUÉRITO Nº 4483
MICHEL MIGUEL ELIAS TEMER LULIA, advogado, professor de direito, Presidente da República, por seu advogado infraassinado, conforme instrumento de mandato já constante dos autos, vem, à presença de Vossa Excelência, expor e requerer o que abaixo segue. Tornou-se fato notório, embora não consentâneo com a realidade, um encontro entre o Presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, um dos acionistas do grupo J&F. Com lastro nas gravações deste encontro ocorrido no dia 7 de março do corrente ano, no Palácio do Jaburu, o Ministério Público Federal requereu a instauração de um inquérito policial para investigar fatos e seus protagonistas, objetivando apurar, aqui, eventuais ilícitos penais. O requerimento foi deferido por V. Excelência que, no entanto, observou: “Nesta linha, registro que, ainda que a instauração de inquérito se destine a apurar fatos sobre os quais recai suspeita de tipicidade, isso não implica, por evidente, nesse passo, qualquer responsabilização do investigado” (fls. 16 da decisão). Antecedeu a esta decisão uma outra por meio da qual V. Excelência determinou a abertura de inquérito contra o Senador Aécio Neves da Cunha e contra o Deputado Rodrigo Santos da Rocha Loures. No que tange ao presidente Michel Temer, houve a prudente deliberação no sentido do Procurador Geral da República “expressamente manifestar-se da não incidência da regra imunizante acima mencionada”. Refere-se V. Excelência a norma contida no § 4º, artigo 86, da Constituição Federal: “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”. Após a manifestação do Senhor Procurador Geral da República, V. Excelência exarou o despacho de instauração do inquérito, já referido. Em sua promoção sobre a regra do artigo 86, § 4º, o “parquet”, na perspectiva de colocar o seu requerimento adequado ao comando constitucional, afirmou que os fatos narrados “estão diretamente relacionados ao exercício da função”. Ilustra a sua assertiva com uma, com a devida vênia, precipitada e temerária afirmação, no sentido de que um dos crimes é de corrupção passiva, que pressupõe do exercício do cargo. Ora, salta aos olhos não existir indícios mínimos, o mais frágil e inconsistente que seja, na narrativa ministerial, baseada na gravação da conversa, da prática do citado crime. Houve mera interpretação por parte do órgão acusador, sem nenhum apoio fático. No entanto, tanto para a acusação, quanto para a defesa, e principalmente para que V. Excelência possa constituir o seu convencimento sobre o ponto acima abordado (artigo 86, § 4ª, da Constituição Federal), e sobre a própria veracidade e autenticidade do conteúdo da gravação, é necessário ter-se certeza da fidelidade de sua degravação. Matérias jornalísticas nos dão conta da possibilidade do áudio respectivo ter sido editado. O jornal “O Estado de São Paulo” na página A7, na edição de hoje, estampou a matéria: “Perito aponta cortes em áudio de Joesley Batista”. O perito Marcelo Carneiro de Souza teria identificado “fragmentações em 14 momentos na gravação”, na verdade “cortes de edição no áudio” (doc. 01). Às fls. A6, do jornal “Folha de São Paulo”, edição de hoje, foi publicada uma matéria com o título “Áudio de Joesley entregue à Procuradoria tem cortes, diz perícia”. Um outro perito, Ricardo Caires dos Santos, disse, segundo o jornal, que o áudio “tem indícios claros de manipulação”, mas, “não dá para falar com que propósito” (doc. 02). Ilustre Ministro, a defesa do Presidente da República objetiva, tal como V. Excelência, e como toda a Nação Brasileira, que haja uma investigação que revele a verdade dos fatos, em relação aos quais não se pode ter uma avaliação contaminada por paixões políticas ou ideológicas ou, ainda, por partidarismos de quaisquer espécies, pois está em foco a dignidade e a honra do Chefe da Nação, de cuja idoneidade e autoridade moral depende a estabilidade social e a estabilidade das instituições. O Presidente Michel Temer angariou o respeito do povo brasileiro, mercê de seu caráter e da sua ilibada conduta pública e pessoal. Pode-se dele discordar, mas a sua retidão moral é incontestável e deverá permanecer inatingível em face da verdade dos fatos, cuja revelação é o escopo de todos os brasileiros que amam a pátria. Por todo o exposto, Eminente Ministro, a defesa do Presidente Michel Temer, vem, por meio da presente petição, requerer que V. Excelência determine a SUSPENSÃO do inquérito instaurado, até que se realize uma perícia no áudio constante da fita da gravação da conversa objeto desses autos, devendo, para tanto, ser nomeado por um perito para proceder ao seu exame e para responder aos questionamentos do D. Relator e das partes, Defesa e Ministério Público. Termos em que, P. deferimento. De São Paulo para Brasília, 20 de maio de 2017. ANTÔNIO CLÁUDIO MARIZ DE OLIVEIRA 

Álvaro Dias muda de partido para concorrer à Presidência da República em 2018

O senador Álvaro Dias (PV-PR) quer se candidatar à Presidência da República em 2018. Para isso, acertou sua filiação ao Podemos, novo nome do antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN). 

Fachin manda que plenário do Supremo decida sobre pedido de Temer para suspender processo

O ministro Edson Fachin decidiu levar ao plenário do STF o pedido do presidente Michel Temer de suspender o inquérito criminal de que o presidente é objeto. Mas, deu uma decisão parcial favorável ao pedido de Temer, para a fita gravada pelo empresário bucaneiro caipira Joesley Batista seja submetida a uma perícia oficial.  

Senador Romário muda de partido para se candidatar ao governo do Rio de Janeiro

O senador Romário (PSB-RJ) quer se candidatar ao governo do estado do Rio de Janeiro.Para isso, também acertou sua filiação ao Podemos, que desembarcou nesta semana do governo Temer. Um dos motivos do desembarque foi a filiação de Romário e Álvaro Dias, que já adotavam postura independente em relação o Palácio do Planalto. O eleitorado do Rio de Janeiro já elegeu Garotinho, Benedita da Silva, Sérgio Cabral, então por que não Romário? O Rio de Janeiro continua lindo.... e doido de varrer.  

Henrique Meirelles, o homem da JBS, é cotado para o lugar de Temer

O mercado financeiro aposta em Henrique Meirelles para ocupar a vaga de Michel Temer, isto no caso do presidente renunciar ou for impedido. O mercado acha que todo mundo é bobo. Após ocupar o cargo de presidente do Banco Central no governo Lula (2003-2010), assumiu a presidência do Conselho de Administração do J&F (grupo controlador do JBS) e depois de presidente do banco Original, pertencente ao mesmo grupo. Nos sete anos, Henrique Meirelles nunca soube das patifarias praticadas por seus patrões, como também nunca soube das patifarias de Lula e do PT enquanto foi presidente do Banco Central. Me engana que eu gosto, como dizem os jovens. Ele, Lula e Dilma nunca sabiam de nada.