quinta-feira, 18 de maio de 2017

JBS: R$ 300 MILHÕES PARA LULA E DILMA

A JBS depositou cerca de R$ 300 milhões em propina devida ao PT numa conta secreta controlada por Joesley Batista na Suíça, informa a Época. A origem do dinheiro: vantagens ilegais obtidas pela JBS junto ao BNDES durante os governos de Lula e Dilma, especialmente durante a gestão de Luciano Coutinho no banco estatal. O Antagonista confirmou com fontes ligadas à delação que se tratava de "uma conta corrente virtual", para Lula e Dilma, mas que o dinheiro foi todo consumido na campanha de 2014. ( Antagonista)

TEMER: "VOU SAIR DESSA MAIS RÁPIDO DO QUE SE PENSA"

Michel Temer falou a Gerson Camarotti após a divulgação do áudio de sua conversa com Joesley Batista. Segundo ele, "os áudios comprovam" que ele não comprou o silêncio de ninguém. "Essa é a tese que alicerça esse inquérito, de que eu avalizei a compra do silêncio do Eduardo Cunha. O que ele (Joesley) disse e que eu concordei é que ele estava se dando bem com Eduardo Cunha, por isso falei 'mantenha isso'." Temer disse que ficou "profundamente agastado com o episódio". "Isso é uma irresponsabilidade. Não se pode tratar o país desse jeito. A Bolsa desabou!" "Ninguém chega aqui para me pedir renúncia. Pelo contrário, todos estão pedindo para eu resistir. Vou resistir. Se precisar, vou fazer outro pronunciamento amanhã. Vou sair dessa crise mais rápido do que se pensa." (O Antagonista)

José Luís de Oliveira Lima assume defesa do deputado Rodrigo Rocha Loures

O escritório Oliveira Lima, Hungria, Dall’Acqua & Furrier Advogados acaba de assumir a defesa do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) no Supremo Tribunal Federal. O deputado foi afastado de seu mandato nesta quinta-feira (18/5) pelo ministro Luiz Edson Fachin sob a acusação de ter recebido propina para ajudar o frigorífico JBS. Também nesta quinta-feira foi aberto inquérito contra o deputado, que está em Nova York, nos Estados Unidos. A defesa será feita pelo advogado José Luís de Oliveira Lima. A estratégia ainda não foi definida. O advogado é o mesmo que defendeu o bandido petista mensaleiro José Dirceu no processo do Mensalão do PT. Esse advogado é o ex-namorado da jornalista petista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. 

Delações da JBS abatem Lula, Dilma, Renan Calheiros e José Serra

A colunista Eliane Catanhêde informa que amanhã serão divulgadas delações que "atingem mortalmente" Lula, Dilma Rousseff, Renan Calheiros e José Serra: "O resultado é considerado devastador e arrasta para o fundo do poço não apenas o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, mas o próprio mundo político".

Polícia Federal prende procurador federal que espionava a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato para os empresários bucaneiros caipiras Joesley e Wesley Batista

O procurador federal Ângelo Goulart Villela foi preso na manhã desta quinta-feira (18/5), em Brasília, pela Polícia Fedderal. Ele é acusado de receber dinheiro para espionar a própria Procuradoria Geral da República e a Lava Jato e repassar informações aos empresários bucaneiros caipiras Joesley Batista, donos do frigorífico JBS, a respeito de investigações que os envolvem. A prisão foi decretada pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da própria Procuradoria-Geral da República, que precisou cortar na sua própria carne, porque abrigar um "criminoso" nos seus quadros, conforme o pedido feito à Justiça.


Goulart é diretor de Assuntos Legislativos da Associação Nacional dos Procuradores da República e, em junho de 2016, defendeu pacote de medidas do Ministério Público Federal contra a corrupção. Além do procurador, também foi preso o advogado Willer Tomaz. A informação dos vazamentos foi passada à Procuradoria Geral da República pelo próprio bucaneiro caipira Joesley Batista em delação premiada. Segundo o empresário bandido confesso, o procurador Ângelo Goulart Villela recebeu suborno para repassar informações sigilosas sobre a operação Greenfield, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão de funcionários de estatais. Angelo Goulart Villela atualmente trabalha na Procuradoria-Geral Eleitoral. Também nesta quinta-feira houve diligências de busca e apreensão no gabinete do procurador. Tudo foi acompanhado pelo vice-procurador-Eleitoral, Nicolau Dino, e pela subprocuradora-geral federal Cláudia Sampaio. Na manhã desta quinta-feira, depois da prisão de Angelo Goulart Villela, o procurador geral Rodrigo Janot, enviou um comunicado aos colegas para explicar a situação. Segundo ele, o sucesso desta etapa das investigações "tem um gosto amargo". De acordo com Janot, Willer e Goulart são investigados por suspeita de tentar interferir no andamento da Operação Greenfield, que investiga os fundos de pensão. O procurador-geral afirma ainda que eles tentaram interferir nas negociações das delações premiadas com envolvidos no caso. Entre os envolvidos nessa operação estão o Grupo J&F, dono do frigorífico JBS, de Joesley. "A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais", diz Janot. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, tergiversou sobre o caso. Leia o comunicado enviado pelo procurador-geral aos membros do Ministério Público Federal: 
Prezados colegas,
Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição. Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição. Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público. A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas. No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield. O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista. A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais. Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham. Sigamos confiando nas instituições republicanas. Rodrigo Janot

STJ revoga liminar e ex-prefeita de Ribeirão Preto voltará a ser presa


O Superior Tribunal de Justiça revogou nesta quinta-feira (18) liminar que permitia que a ex-prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Vera (PSD), ficasse em liberdade provisória. A ex-prefeita (2009-2016) foi presa preventivamente em 2 de dezembro, na segunda fase da operação Sevandija, que investiga fraudes em contratos de licitações da prefeitura que somam ao menos R$ 203 milhões. Onze dias depois, ela obteve liberdade provisória no próprio STJ. Por meio de sua assessoria, o STJ informou que a 6ª Turma revogou a liminar por quatro votos a um nesta quinta. "Para os ministros, é concreto o receio de que haja movimentação, dissipação ou ocultação dos valores que se quer recuperar. Apesar de já ter sido destituída do cargo, por sua notória influência regional, a ex-prefeita ainda pode obstaculizar a investigação", diz trecho de nota do STJ. A ex-prefeita, que foi denunciada sob acusação de corrupção passiva, peculato e associação criminosa, deve agora retornar para a penitenciária feminina de Tremembé, onde estava presa até obter a liberdade. Dárcy, que não chegou a completar o mandato - não voltou à prefeitura após ter sido presa -, perdeu os direitos políticos por oito anos após decisão da Câmara local e vive reclusa nos últimos meses.  

Polícia Federal apreende R$ 1,6 milhão na casa da irmã de operador de Eduardo Cunha


A Polícia Federal apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo na casa da irmã de Lúcio Bolonha Funaro, acusado de ser o operador financeiro do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em São Paulo. Funaro e o ex-congressista estão presos em Curitiba após serem acusados na Operação Lava Jato. A irmã do empresário, a advogada Roberta Bolonha Funaro, foi presa nesta quinta-feira (18) em uma das diligências autorizadas pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de processos da Lava Jato em curso na corte superior. Ela é defendida pelo advogado Bruno Espiñeira Lemos. Na mesma operação, em São Paulo, a Polícia Federal realizou buscas na casa e no escritório do coronel aposentado João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Michel Temer. A Polícia Federal também cumpriu mandados no Distrito Federal e nos Estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Maranhão.

Funcionários do Itamaraty dizem ter sido informados de saída do ministro Aloysio Nunes

Alguns embaixadores do Itamaraty se reuniram na tarde desta quinta-feira (18) com suas equipes para comunicarem que o ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes deixaria o cargo. A informação foi relatada por funcionários da chancelaria. Pessoas que trabalham com o ministro em seu gabinete chegaram, inclusive, a desmarcar eventos em que ele tinha presença confirmada. Se isso acontecer, Aloysio será o primeiro integrante do PSDB, aliado principal do governo de Michel Temer, a desembarcar do governo. 
 

A assessoria informou, porém, que ele não escreveu carta de demissão e que não pretende deixar o cargo. No início desta tarde, Aloysio também negou que entregaria o cargo e que o PSDB deixaria a base do governo. "Esperamos um esclarecimento desta situação. Por enquanto, não temos sequer o conhecimento dos áudios e dos vídeos. É preciso que isso venha a público. Por enquanto, o que temos são fragmentos, transcrições, e eu penso que essa questão não pode continuar assim. É preciso que o STF libere áudios e vídeos, o quanto antes, para que possamos ter a inteireza de todas as informações", disse. A declaração foi feita a jornalistas após reunião de cúpula do PSDB realizada na casa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) em Brasília, um dos alvos da operação da Polícia Federal desta quinta-feira. Outro integrante da sigla, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, falou a pessoas próximas que pretende entregar o cargo. Segundo aliados, Bruno já pensava em se desligar do governo devido à Lava Jato. Internamente, grande parte dos tucanos afirmam que o desembarque deve acontecer o quanto antes. No entanto, parte da sigla defende que é necessário ouvir os áudios que integram a delação do empresário da dupla caipira Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, para tomar uma decisão.

Corte da Selic deve ser menor devido à crise, conforme os analistas de Economia


Nem bem a leva de economistas mais resistentes se dobrou às projeções da maioria e passou a contar com um corte na taxa básica de juros (Selic) de 1,25 ponto percentual, o tsunami que atingiu o governo mexe novamente com as previsões para os juros no País. Já há quem diga que o Banco Central deve optar por um corte de apenas 0,75 ponto percentual na próxima reunião, no fim de maio - metade do que chegaram a esperar os mais otimistas. Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, diz que é bem provável que o corte de 1,25 ponto percentual não se realize porque a previsão se ancorava tanto na alta probabilidade de a reforma da Previdência fosse votada no início de junho quanto em um câmbio relativamente estável. As expectativas de inflação, lembra ela, são muito influenciadas pelo câmbio, cuja trajetória agora é bastante incerta: "E a única certeza que dá para ter neste momento é que a reforma não será votada quando se esperava". Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp, fundo de pensão com R$ 27 bilhões sob gestão, avalia ser possível que a autoridade monetária opte por um corte menor, de 1 ponto percentual, no fim de maio. "Quem apostou em 1,5 ponto está fora do jogo e certamente vai arcar com prejuízo", diz. Lucas Marins, analista da Ativa Investimentos, concorda e vai além. Marins não descarta a possibilidade de o Banco Central esperar o cenário ficar mais claro para só depois definir que atitude tomar: "Quem se posicionou apostando que o Banco Central ia cortar 1,25 ou 1,50 ponto percentual pode ter perdido dinheiro". Já o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, avalia que há uma posição de cautela e, ao longo de duas semanas, se tiver um sinal de mudança rápida, sem grandes desgastes, é possível que o recado seja mais moderado e que haja um corte na Selic entre 75 pontos e 100 pontos. Os títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto voltaram para patamares de remuneração oferecidos em dezembro do ano passado. Naquela época, o presidente Michel Temer tinha acabado de apresentar sua proposta de reforma da Previdência e medidas de estímulo à economia, como a liberação do saque das contas inativas do FGTS. O Banco Central ainda cortava de forma modesta a taxa básica de juros da economia. A remuneração do Tesouro IPCA + (que paga a inflação e mais uma taxa de juros) com vencimento em 2024 saltou de 4,99% a 6,01%. O contrato com vencimento em 2035 podia ser comprado com remuneração de 5,97%. O Tesouro Prefixado 2020 voltou a ser negociado com remuneração acima de 10% ao ano, o que não ocorria desde o final de fevereiro.

‘Não renunciarei’, diz Michel Temer em pronunciamento na TV


Em pronunciamento oficial, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou na tarde desta quinta-feira que não vai renunciar ao cargo em razão da delação premiada de executivos da JBS, que veio à tona na noite de ontem e foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal. “Não renunciarei. Repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro”, disse Temer, procurando demonstrar firmeza e segurança num momento em que crescem as especulações de que ele vai entregar o posto. A informação de que o empresário Joesley Batista gravou o presidente dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PDMB-RJ), preso e condenado na Operação Lava Jato, mergulhou o Planalto numa crise sem precedentes. Os partidos da base aliada ameaçam desembarcar do governo, incluindo o PSDB. Os trabalhos no Congresso estão paralisados e parlamentares da oposição já entraram com dois pedidos de impeachment contra o peemedebista. Em discurso que durou cerca de cinco minutos, o presidente admitiu que se encontrou com o empresário da JBS no Palácio do Jaburu, mas negou que tivesse tratado com ele sobre pagamentos para calar Cunha. “Ouvi realmente o relato de um empresário  (Joesley) que, por ter relações com o ex-deputado (Cunha), auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento nessa conversa pedida pelo empresário”, disse o peemedebista, classificando o áudio como ilegal. “A revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada”, completou.  O presidente também ressaltou que as revelações da JBS interrompem a retomada do crescimento econômico do país, jogando “tanto trabalho no lixo da história”, e que a sua biografia é ilibada. “Por uma razão singelíssima, não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder. Sempre honrei meu nome. A investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as informações e no Supremo demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos”, afirmou o presidente. Leia o pronunciamento na íntegra: “Olha, ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao país. E, desde logo, ressalto que só falo agora – os fatos se deram ontem – porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui. Quero deixar muito claro, dizendo que o meu governo viveu, nesta semana, seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos, criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam, no Congresso Nacional. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo um imenso esforço de retirar o país de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do país. Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário. Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente. E por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução a estas investigações.  Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará. Muito obrigado. Muito boa tarde a todos".

Para garantir integridade física, Andrea Neves está presa em ala isolada


A Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais (Seap) informou na tarde de hoje (18) que Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), está presa em uma ala separada do pavilhão principal do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte. A decisão foi tomada com base na Lei de Execução Penal, que permite o isolamento do detento quando houver riscos à sua integridade física. "Essa separação se dá em razão do tipo de crime, das condições em que se deu a prisão e da repercussão do caso", informou em nota a Seap. Andrea está em uma cela individual com cama, vaso sanitário e chuveiro. Como qualquer outro preso, ela terá alimentações diárias, banho de sol, assistências médica e psicossocial, além do direito de receber visitas conforme as regras do sistema penitenciário. Andrea Neves deu entrada na unidade prisional às 14h40. Ela foi presa preventivamente por determinação do ministro Edson Fachin, do Superior Tribunal Federal, relator dos processos da Operação Lava Jato na Corte. Aécio foi citado pelo empresário caipira Joesley Batista, dono do grupo JBS, em depoimento de delação premiada homologada pelo STF. O delator contou aos procuradores que Aécio Neves lhe pediu R$ 2 milhões para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. Andrea Neves seria participante da transação. Fachin negou o pedido de prisão preventiva de Aécio Neves, mas determinou o afastamento dele do mandato. Também foram presos Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio Neves, e Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). A Polícia Federal identificou que os recursos pedidos por Aécio Neves ao dono da JBS foram depositados na conta de uma empresa de Zezé Perrella.

"Muros funcionam, pergunte a Israel", diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (18) que os muros funcionam, ao reafirmar sua intenção de construir uma barreira entre o seu país e o México, uma de suas propostas mais polêmicas e que elevou as tensões com o vizinho do sul. "Os muros funcionam. Perguntem a Israel. Funcionam, acreditem em mim. Não temos alternativa", destacou Trump em uma entrevista coletiva conjunta com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que visitou a Casa Branca hoje.

Advogado paranaense Marlus Arns deixa a defesa do ex-deputado federal Eduardo Cunha


O advogado Marlus Arns deixou nesta quinta-feira (18) a defesa do ex-presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) . O criminalista é especializado em acordos de delação premiada e atuava na defesa do ex-deputado desde outubro do ano passado. A renúncia à defesa está ligada aos últimos acontecimentos. Joesley Batista, da JBS, gravou o presidente Michel Temer (PMDB) dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e mergulhou o Planalto numa crise sem precedentes. O empresário teria afirmado a Temer que estava pagando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para eles ficarem calados. Na Lava-Jato, Marlus Arns atuou na costura dos primeiros acordos de delação premiada de empreiteiros enrolados no petrolão. Arns tem equipe sediada em Curitiba e trabalhou também nas tentativas – frustradas – dos acordos de colaboração do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e do publicitário Ricardo Hoffmann, ligado ao deputado cassado André Vargas. O ex-deputado Eduardo Cunha, do PMDB, está preso desde setembro, quando foi levado pela força tarefa da Lava Jato a Curitiba. Ele, agora, se mostra peça central no caso da JBS -que jogou o presidente Michel Temer no meio da crise. O ex-deputado Eduardo Cunha foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato na primeira instância, em Curitiba, a quinze e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas. O processo se refere ao pagamento de propina milionária que envolveu a compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobras, em 2011. Na decisão, o juiz titular da 13ª Vara Federal do Paraná escreveu que Eduardo Cunha “traiu o seu mandato parlamentar” e que a sua culpabilidade é “elevada”. “A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio”, escreveu o magistrado.

Roberto Freire e Raul Jungmann entregam os cargos e deixam ministério do governo Temer


Os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Cultura, Roberto Freire, ambos deputados federais licenciados do PPS, entregaram os cargos nesta quinta-feira, 18, após os vazamentos da delação da JBS que envolvem o presidente Michel Temer. A informação é do líder do PPS na Câmara, deputado Arnaldo Jordy (PA). A avaliação no partido é de que a situação do governo Temer é insustentável. A bancada do partido na Câmara, composta por nove deputados, defende a renúncia do presidente da República.

EM DIÁLOGO, AÉCIO NEVES CRITICA TEMER POR NÃO CONTROLAR A POLÍCIA FEDERAL, EM UMA LINGUAGEM COMPLETAMENTE VULGAR E BAGACEIRA

O Buzzfeed divulgou a transcrição de diálogos de Joesley Batista com Aécio Neves. O tucano critica o governo de Michel Temer por não ter pulso sobre a Polícia Federal. Diz que Temer errou na nomeação de Osmar Serraglio e chama Eunício Oliveira e Rodrigo Maia de "frágeis" por não conseguirem aprovar a anistia do caixa 2 e o abuso de autoridade. É o verdadeiro Aécio Neves. Leiam:
Aécio — Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade.
Joesley — Não vai parar com essa merda?
Aécio — Cara, nós tamos vendo (...) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história é o Eunício (Oliveira, presidente do Senado) e o Rodrigo (Maia, presidente da Câmara), o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (...) na terça-feira.
Joesley — Texto do quê?
Aécio — Não... São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (...) de quem doa e de quem recebeu.
Joesley — E de quem recebeu.
Aécio — Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão dupla, texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A idéia é votar na... Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez... Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.
Joesley — Lógico.
Aécio — O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?
Joesley — Todo mundo fica com essa. Não...
Aécio — E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí... forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade... O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.
Joesley — Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.
Aécio — Ontem até... Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.
Joesley — E aí ele chega lá e amarela.
Aécio — Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira Franco, esse povo, o próprio Eliseu Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.
(...)
Aécio — Tá na cadeira (...). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (...). Porque aí mexia na Polícia Federal. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não têm o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.
Joesley — Pro João.
Aécio — É. O Aécio vai pro Zé (...)
(Vozes intercaladas)
Aécio — Tem que tirar esse cara.
Joesley — É, pô. Esse cara já era. Tá doido.
Aécio — E o motivo igual a esse?
Joesley — Claro. Criou o clima.
Aécio — É ele próprio já estava até preparado para sair.
Joesley — Claro. Criou o clima.

Rocha Loures contrata advogado de Léo Pinheiro

O deputado federal Rocha Loures, flagrado com malas de dinheiro, contratou os serviços de José Luis de Oliveira Lima, o Juca, que vai comandar a defesa do ex-assessor de Temer na Lava Jato. O criminalista é o defensor de Léo Pinheiro, que tenta uma delação premiada. Ele foi o defensor do bandido petista mensaleiro José Dirceu no processo do Mensalão do PT. E é ex-namorado da jornalista petista Monica Bérgamo, da Folha de S. Paulo, aquela que é considerada uma espécie de porta voz do petismo. 

Andrea Neves já está na cadeia em Belo Horizonte


Andrea Neves acaba de chegar ao presídio em Belo Horizonte. Ela passou pelo IML onde fez exame de corpo de delito e, antes, depôs na Polícia Federal. O advogado de Andrea é Marcelo Leonardo, o mesmo do operador do mensalão do PT, o publicitário Marcos Valério.

Andréa Neves, irmã de Aécio, é recebida com gritos de ‘ladrona’ ao chegar à cadeia em Belo Horizonte


A irmã do senador Aécio Neves, Andrea Neves, ficou em silêncio durante interrogatório nesta quinta feira na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. A defesa da jornalista classificou como “desarrazoada” a prisão preventiva expedida pelo Supremo Tribunal Federal. Andrea chegou no início da tarde desta quinta-feira ao Instituto Médico Legal de Belo Horizonte para fazer exame de corpo de delito antes de ser transferida possivelmente para um presídio. Locais gritaram “ladrona” para a irmã de Aécio na porta do IML. A irmã de Aécio ficou cerca de cinco horas em uma sala da superintendência da Polícia Federal. Ela foi presa pela manhã em sua casa em um condomínio fechado em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Com as mãos cobrindo o rosto, ela deixou a unidade por volta das 13h40min no banco de trás de uma viatura descaracterizada, quando se dirigiu ao IML. O advogado de Andrea, Marcelo Leonardo, não quis comentar sobre a condição emocional de sua cliente. Ele disse que os policiais apreenderam na casa dela dois celulares e um computador. Ele afirmou ainda que não teve acesso ao conteúdo das investigações mas que poderia adiantar que uma questão de ordem privada está sendo usada para benefício de delatores. "Uma relação de caráter pessoal sem vínculo com a administração pública seja dela ou do irmão foi usada por quem estava negociando delação para obter benefícios. É mais um problema da delação no Brasil", afirmou o advogado. Para ele, não há justificativa para Andrea ficar presa: "Ela é ré primária, tem bons antecedentes, residência fixa e família constituída. Por isso a prisão é absolutamente desarrazoada". O advogado afirmou ainda que Andrea tem uma filha que vive em Londres e, portanto, seria natural que tivesse passagem comprada para o destino. Entretanto ele disse não saber se ela tinha planos de viajar por esses dias. Há uma possibilidade da irmã de Aécio ser encaminhada para a penitenciária feminina Estevão Pinto na capital mineira. Mas essa informação ainda não está confirmada. 

Intermediário de Temer ofereceu a Joesley nomeações em Cade, CVM, Receita, Banco Central e PFN


Um dos pontos mais devastadores para o governo Michel Temer está aos 10 minutos da conversa de Joesley Batista com Rodrigo Rocha Loures, no dia 13 de março deste ano, na casa do deputado no Jardim Europa, em São Paulo. Nesta conversa, Rocha Loures mostra que o governo estava à disposição dos interesses dos donos do grupo J&F, que controla a JBS e outras dezenas de empresas. Havia sido o próprio Temer quem havia dito a Joesley Batista que ele poderia tratar de "tudo" com Rocha Loures. Na conversa gravada entre os dois no dia 7 de março, no Palácio do Jaburu, Joesley pediu a ajuda de Temer para resolver uma pendência da J&F no governo.
— Fale com o Rodrigo — afirmou Temer.
Joesley quis se certificar do que Rocha Loures poderia fazer por ele e perguntou:
— Posso falar tudo com ele?
Temer foi sucinto:
— Tudo.
No encontro com Rocha Loures, seis dias depois da conversa acima com Temer, Joesley explicou a deputado que precisava resolver uma série de problemas de suas empresas em órgãos como o Cade, a CVM, a Receita Federal, o Banco Central e a Procuradoria da Fazenda Nacional. Joesley afirmou que ele precisa que "posições-chaves" nesses órgãos sejam ocupadas por pessoas que possam lhe ajudar, destravando negócios do grupo J&F. Aos 16 minutos da conversa, Rocha Loures oferece a Joesley a possibilidade de levar algum nome indicado por ele para o conhecimento de Temer.
Veja a conversa:
Joesley: Eu só preciso é resolver meus problemas, se resolver, eu nem, só pra não confundir, as vezes, não é que eu, a eu gostaria que fosse João ou Pedro, João ou Pedro...
Rodrigo: O importante é que resolva.
Joesley: Resolve o problema, se resolve, então pronto, é que eu tenho algumas questões a ser resolvida, e de repente já vamos chamar a ele e testar, falar ôô, ôô Fulano...
A partir daí, Rocha Loures começa a fazer uma série de telefonemas na frente de Joesley, com interlocutores de alguns desses órgãos, para mostrar o acesso a todos eles. Joesley então muda de assunto.

Populares cercam caminhões que transportavam documentos do PMDB


Um dia depois de revelados detalhes da delação dos donos da JBS, que atingem em cheio o presidente Michel Temer, dois caminhões estacionaram, hoje de manhã, em frente ao prédio onde estavam guardados documentos da tesouraria do PMDB, no Setor Comercial Sul, no centro de Brasília, para retirar caixas do lugar. Ao perceber a movimentação, populares reagiram e tentaram impedir que os veículos deixassem o local. Um dos caminhões furou o cerco. O outro foi detido. Tudo sob gritos de “fora, Temer”. O protesto começou assim que as pessoas viram as caixas espalhadas pelo asfalto. Divulgado nas redes sociais, logo ganhou a adesão de sindicalistas. Diante da repercussão, um camburão da Polícia Federal chegou ao local. Nenhuma autoridade soube explicar o motivo da mudança encomendada pelos peemedebistas. No momento, cerca de 50 pessoas permanecem vigiando o caminhão.

Fachin autoriza que Temer seja investigado

A Constituição diz que o presidente da República só pode ser investigado por atos cometidos durante o exercício do mandato e com autorização do STF


O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou abertura de inquérito para investigar o presidente Michel Temer. O pedido de investigação foi feito pela Procuradoria-Geral da República. Com a decisão de Fachin, Temer passa formalmente à condição de investigado na Operação Lava Jato. A medida decorre da delação já homologada de empresário de dupla caipira Joesley Batista, do grupo JBS, que acusa o presidente de ser conivente com a “compra” do silêncio de Eduardo Cunha, preso em investigação da operação.

Empresário caipira delator Joesley Batista afirma que Temer antecipou a ele queda nos juros


O Banco Central emitiu nota no início da tarde desta quinta-feira negando que o presidente Michel Temer (PMDB) tivesse antecipado ao empresário caipira delator Joesley Batista, um dos donos da JBS, que haveria um corte na taxa de juros Selic. O repasse da informação privilegiada – que levaria o empresário a ter ganhos no mercado financeiro – consta da delação premiada do empresário, homologada pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo o Banco Central, as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) “são tomadas apenas durante as reuniões e são divulgadas imediatamente após seu término por meio de comunicado” na internet. “Portanto, não existe possibilidade de antecipação da decisão a qualquer agente, público ou privado. Sinalizações sobre possíveis futuras decisões são emitidas nos documentos oficiais do Banco Central”, diz a nota. Segundo as informações veiculadas, Temer teria antecipado o corte da taxa Selic em um ponto percentual em conversa gravada pelo empresário no dia 7 de março, à noite, no Palácio do Jaburu, onde mora o presidente. Foi nesse encontro que o peemedebista teria dado aval a Joesley para que pagasse propina para garantir o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB). Pouco mais de mês depois, na primeira reunião após o encontro entre Temer e Joesley, o Copom reduziu a taxa em um ponto percentual, para 11,25%.

Temer quer testar lealdade, mas ministros devem deixar o governo


No momento mais conturbado da política recente, o governo quer testar a lealdade dos ministros. A Secom quer que as pastas usem as redes sociais postando fotos, textos e vídeos dizendo que estão com Temer. Mantenham a agenda normal. Mas logo os primeiros desembarques devem se confirmar. O PPS deve mesmo deixar Cultura e Defesa, nas mãos de Roberto Freire e Raul Jungmann, respectivamente. O presidente do PSB já se manifestou publicamente pela saída de Coelho Filho de Minas e Energia. Até o PSDB, envolvido até o pescoço no escândalo, avalia deixar o governo. Vão se reunir ainda hoje. 

Imagens mostram entrega de dinheiro a emissários de Temer e Aécio


O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, divulgou nesta quinta-feira imagens feitas pela Polícia Federal das entregas de dinheiro do diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, a emissários do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves (PSDB-MG). As imagens reveladas pelo jornal mostram o encontro e os deslocamentos do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor de Temer, ao lado de Saud, em São Paulo. Rocha Loures e Batista se encontram no café Il Barista, no shopping Vila Olímpia, e dali seguem ao restaurante Pecorino, no mesmo shopping. O jornal afirma que o deslocamento é uma “estratégia de despiste” do peemedebista. Depois de meia hora no local, os dois vão ao estacionamento do shopping, onde Ricardo Saud mantinha uma mala alocada dentro de um carro. Imagens mostram 500.000 reais em notas de 50 reais dentro da mala.

Difícil não pensar que mandaram derrubar avião, diz filho de Teori Zavascki


Francisco Prehn Zavascki, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, morto no ano passado, fez uma publicação no Facebook questionando o envolvimento de partidos políticos com a morte de seu pai. Na publicação, ele sugere uma ligação entre a morte e uma tentativa para barrar a Operação Lava Jato a qualquer custo. “Derrubaram a Dilma e assumiu o Temer. Do que eles são capazes? Será que só pagar pelo silêncio alheio? Ou será que derrubar avião também está valendo?”, escreveu. A publicação foi feita logo após a divulgação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer pelo jornal O Globo. Segundo Franscisco, seu pai, que foi morto em um acidente aéreo em 19 de janeiro de 2017, sabia “quanto cada um estava afundando nesse mar de corrupção”, e não era à toa que ele estava “tão aflito com o ano de 2017”. “Aflito ao ponto de me confidenciar que havia consultado informalmente as Forças Armadas e que tinha obtido a resposta de que iriam sustentar o Supremo até o fim!”, relata. “Desculpem o desabafo, mas não tenho como não pensar que não mandaram matar o meu pai!” 

Michel Temer fala em conspiração e garante: "Não vou cair"


O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira que é “vítima de uma conspiração”. Em reunião com senadores no início desta manhã, Temer abordou o assunto de maneira espontânea, sem ser questionado sobre a atual situação de seu governo após as revelações da delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS. Segundo o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o presidente se mostrou confiante e não revelou abatimento com as notícias veiculadas no início da noite desta quarta-feira. Temer abordou ainda os resultados positivos que vinham tendo a bolsa e o dólar, e que seriam afetados negativamente depois das revelações do empresário caipira Joesley Batista. A manutenção da agenda surpreendeu os senadores. Os parlamentares esperavam por uma ligação do Planalto a qualquer momento informando o cancelamento da reunião. Após a conversa com os senadores, que durou cerca de 40 minutos, Temer cancelou os demais compromissos que envolviam encontros com 17 parlamentares. Na reunião, o presidente também abordou a ideia de fazer um pronunciamento na TV aberta e, para isso, informou aos presentes que “mandou pedir os áudios e vídeos para, aí então, se pronunciar em cadeia nacional”. Desde a noite de ontem, o Congresso Nacional segue esvaziado. Senadores, no entanto, avaliam nos bastidores que, apesar da delação revelar gravações de Temer, a situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) é ainda mais complicada que a do presidente. Em áudios autorizados pela Polícia Federal, o presidente aparece dando aval para o pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo ao entardecer desta quarta-feira. Segundo a reportagem, Temer teria indicado na frente de Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para solucionar um assunto da J&F (holding que controla a JBS), cujo conteúdo não foi revelado. Depois, Rocha Loures teria sido filmado recebendo uma mala com 500.000 reais enviada por Joesley. Ainda de acordo com o jornal, o empresário teria afirmado a Temer que estava pagando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para eles ficarem calados. Os dois estão presos — Cunha na Operação Lava Jato; e Funaro na Operação Sépsis. Diante desta afirmação, Temer teria dito: “Tem que manter isso, viu?”

Polícia Federal fez buscas no gabinete de Aécio Neves e nos endereços do playboy mineiro


Com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal realizou nesta manhã operação de busca e apreensão de documentos no gabinete do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, no Congresso. Também há mandados sendo cumpridos também na casa do parlamentar em Brasília, e em endereços ligados ao político no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Segundo o empresário caipira Joesley Batista, que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, ao lado de seu irmão Wesley Batista e outros cinco executivos da JBS, Aécio Neves pediu 2 milhões de reais para supostamente custear a defesa dele na Operação Lava Jato.

Primo do playboy mineiro Aécio Neves também é preso pela Polícia Federal


Um primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) também foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como Fred, teria sido filmado recebendo 2 milhões de reais a mando de empresário caipira Joesley Batista. Andrea Neves, irmã de Neves, foi presa na manhã desta quinta-feira em Belo Horizonte acusada de pedir dinheiro para o empresário de dupla caipira Joesley Batista em nome do irmão – que recebeu 2 milhões de reais do empresário em entrega filmada e registrada. O dinheiro foi dada a um primo do playboy das Alterosas, Aécio Neves. Além deles, Menderson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG), também foi preso. Todos foram citados na delação do empresário de dupla caipira Joesley Batista. Em todos os casos os mandados são de prisão preventiva e foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. A Operação que afastou o presidente do PSDB do mandato foi denominada pela Polícia Federal de Patmos. É uma referência a ilha grega na qual o apóstolo João teria recebido mensagens do apocalipse. O dinheiro foi entregue em quatro parcelas de 500.000 reais a Medeiros pelo diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud. Uma das entregas teria sido filmada pela Polícia Federal, ocasião em que Frederico Medeiros teria repassado o dinheiro a Mendherson Souza Lima, secretário do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). 

Supremo afasta playboy Aécio Neves do mandato de senador e prende a sua irmã Andrea Neves


O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) sejam imediatamente afastados de seus mandatos parlamentares. A decisão de Fachin se assemelha à tomada pelo ministro Teori Zavascki em 2016, quando foi determinado o afastamento do então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os mandados são cumpridos no gabinete do presidente do PSDB e na na casa do parlamentar em Brasília. A irmã de Aécio Neves, Andréa Neves, foi presa na manhã desta quinta-feira em Belo Horizonte, informou o advogado criminalista Alberto Toron. A prisão preventiva de Andrea Neves foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. A operação desta quinta-feira foi batizada de Patmos, em referência à ilha grega onde o apóstolo João teria escrito o Livro do Apocalipse. Segundo o empresário caipira Joesley Batista, que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, ao lado de seu irmão também caipira Wesley Batista e outros cinco executivos da JBS, o playboy mineiro Aécio Neves pediu 2 milhões de reais para supostamente custear a defesa dele na Operação Lava Jato. 


De acordo com o jornal O Globo, que revelou a delação premiada nesta quarta-feira, o presidente do PSDB teria dito ao empresário que o valor custearia o trabalho do advogado Alberto Zacharias Toron. A conversa teria durado 30 minutos e foi gravada em um hotel em São Paulo. “Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, teria dito o caipira Joesley ao tucano. “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, teria respondido o playboy Aécio Neves, em uma suposta referência a seu primo Frederico Pacheco de Medeiros. Ainda segundo a publicação, o dinheiro foi entregue em quatro parcelas de 500.000 reais a Frederico Pacheco de Medeiros, o tal primo do playboy das Alterosas, pelo diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud. Uma das entregas teria sido filmada pela Polícia Federal, ocasião em que Frederico Medeiros teria repassado o dinheiro a Mendherson Souza Lima, secretário do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). O jornal também informa que a Procuradoria Geral da República tem indícios de que essa parte do dinheiro não foi destinada ao pagamento do advogado. A Polícia Federal teria seguido Souza Lima, que fez três viagens de carro a Belo Horizonte para levar a propina. Ele teria remetido os 500.000 reais à empresa Tapera Participações Empreendimentos Imobiliários, de Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella. 

Janaína Paschoal espera as renúncias de Michel Temer e Aécio Neves


Autora do pedido de impeachment da mulher sapiens petista e ex-presidente Dilma Rousseff, que acabou por conduzir Michel Temer à presidência da República, Janaína Paschoal, jurista e professora do Departamento de Direito da Universidade de São Paulo (USP), entende que, em se confirmando o conteúdo das gravações do dono da JBS sobre Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), reveladas nesta quarta-feira pelo jornal O Globo, ambos devem deixar seus cargos. “Se eles tiverem a grandeza de renunciar, tanto melhor, mas a renúncia é um ato personalíssimo, ninguém pode obrigá-los. Se tiverem essa grandeza, melhor para o País. Se não tiverem, as instituições têm que funcionar, não tem saída”, afirmou Janaina, que defende que o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, retire o sigilo das gravações feitas por Joesley Batista. A jurista diz que “é absurdo que no meio dessas investigações todas, esses processos todos, uma pessoa mantenha um diálogo desses dentro do Palácio” e compara Temer a Dilma Rousseff no episódio da divulgação dos grampos da Lava Jato sobre o poderoso cheefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula. “Acho que determinados cargos exigem uma certa compostura, uma honorabilidade. Se isso se confirmar, além de ser crime, quebra e perde qualquer respeitabilidade, não dá. É como quando a gente ouviu a Dilma oferecendo o papel para o Lula ser protegido de prisão”, lembra Janaina Paschoal. Ela também critica quem comemorou as revelações contra Michel Temer e Aécio Neves. “Se eles cometeram esses crimes, isso não faz os crimes da Dilma e do Lula serem menores. Acho uma tristeza o brasileiro feliz com uma cena dessas. O problema que a gente tem são os principais políticos envolvidos em crimes gravíssimos. A situação é séria”, afirma. As gravações feitas por Joesley Batista e o monitoramento pela Polícia Federal das entregas de dinheiro a um assessor do presidente e a um primo do tucano indicam, de acordo com Janaina, uma modalidade de investigação denominada “operação controlada”, que permitiria à Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia contra Michel Temer por crime comum ao STF. “Se tudo aconteceu no âmbito de uma investigação policial, por que não já apresentar uma denúncia? Parece-me que essas investigações já têm fundamentação, já têm corpo. Então, acho muito mais producente o Ministério Público Federal denunciar, a Câmara deve autorizar, no caso do presidente da República, o Supremo aceita a denúncia e o afasta imediatamente, por crime comum”, sugere a jurista. Em relação ao pedido de impeachment já protocolado na Câmara dos Deputados pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), processo que tende a ser mais demorado e depende da aceitação pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Temer, Janaina entende que “não há dúvida de que o teor das gravações caracteriza crime de responsabilidade, pelo menos na modalidade quebra de decoro, mas me parece que o crime comum está também configurado”.

Empresário caipira delator Joesley Batista diz que Mantega distribuía propinas a parlamentares petistas


Nem Antonio Palocci, nem Lula. De acordo com o que Joesley Batista contou em sua delação, o ex-ministro Guido Mantega era o seu elo com o PT. Relatou que havia uma espécie de conta corrente para o PT na JBS. Por meio dela, e tendo sempre Mantega como intermediário, irrigava os bolsos de parlamentares petistas. Ao falar de Mantega, os delatores afirmam que era ele quem operava para o grupo no BNDES. Portanto, eram através de tratativas diretamente com Mantega que se negociavam os aportes ao grupo J&F. Os delatores ressaltam, no entanto, que Mantega não pegava o dinheiro para si próprio, mas sim para o partido. Joesley disse aos procuradores que Luciano Coutinho, o presidente do BNDES em quase toda a era petista, era duro nas negociações. Mas admite que às vezes se reunia com Coutinho e parecia que Mantega, com quem tratava de propinas para o PT, já antecipara os assuntos da JBS para ele. Palocci entrou em situação mais light. Joesley disse que o contratou como consultor quando a JBS começou sua escalada. Mas, segundo ele, Palocci atuava mais como uma espécie de "professor de política" ao empresário então neófito entre os gigantes da indústria e da política. Garantiu que Palocci nunca se meteu em seus pleitos ao BNDES — tarefa de Mantega. Mas admitiu que o ex-ministro de Dilma e Lula pediu a ele doação de campanha, via caixa dois. E o dinheiro, claro, foi dado. Em relação a Lula, Joesley afirmou aos procuradores que não tinha intimidade com o ex-presidente. Narrou, entretanto, um encontro com Lula em que, preocupado, reclamou que as doações, no caixa um ou dois, estavam atingindo cifras astronômicas. Já estariam chamando a atenção. Segundo Joesley, Lula ficou quieto, nada falou e não esticou o assunto. Em 2014, a JBS foi a maior doadora de campanha: R$ 366 milhões, repassados a diversos partidos, de acordo com dados do TSE. Nesta prestação de contas, claro, só aparece o dinheiro “por dentro”. 

Google será peça-chave para apurar acusação de uso de e-mail por Dilma



Informações guardadas pelo Google poderão ajudar investigadores a esclarecer se a ex-presidente Dilma Rousseff utilizou de fato uma conta de e-mail para avisar o casal João Santana e Mônica Moura, marqueteiros do PT, sobre avanços da Lava Jato. Para isso, a Justiça terá que pedir a quebra do sigilo do endereço eletrônico. A empresa possui dados de IPs (identidade das máquinas) que acessaram as contas, incluindo dia e horário, o que poderia ajudar na identificação dos usuários. Há também a possibilidade de solução do caso por meio de perícia em computadores do Palácio do Alvorada e da petista, além de aparelhos como tablets e celulares – o que poderia ser feito por meio de um pedido de busca e apreensão. Mesmo que apagados, dados podem ser recuperados nas máquinas, sendo possível a reconstituição ao menos parcial das ações. Após embates e atritos na Justiça, as últimas decisões judiciais têm sido cumpridas pelo Google. Para isso, no entanto, a empresa tem utilizado como critério pedidos que sejam restritos a pessoas investigadas, de modo a não expor outros cidadãos. No final de 2014, o juiz Sérgio Moro chegou a multar a empresa por não atender suas determinações – à época, a companhia argumentava que seria necessário acordo de cooperação com os EUA. Perguntado sobre o assunto, o Google afirmou em nota que recebe "regularmente pedidos de autoridades e ordens judiciais em relação a dados de usuários". Segundo um relatório de transparência atualizado pela empresa, entre junho e dezembro de 2016 foram feitas 1.010 solicitações, das quais 60% foram cumpridas. "O Google tem papel fundamental para esclarecer os fatos ocorridos, pois tem, em tese, registros técnicos sobre os endereços IP e portais utilizados para criar as contas de e-mail e para realizar todos os acessos ao longo do tempo", disse o diretor do Instituto Brasileiro de Peritos, Giuliano Giova. "O próprio computador da Mônica pode ajudar investigadores a solucionarem a questão. O Google com certeza terá os dados e em um caso como esse, de grande repercussão, fornecerá se solicitado", afirma o perito Ricardo Molina. Mônica disse em delação premiada que em um encontro no fim de 2014 Dilma teria dito que era necessária uma forma segura de comunicação para repassar informações a ela. As duas teriam criado e-mail do Gmail –a delatora afirma que isso aconteceu na Biblioteca do Alvorada. Elas se falavam, ainda de acordo com versão de Monica, por mensagens criadas e armazenadas na pasta de rascunho, mas nunca enviadas.

Paulinho da Força Sindical diz que Moro não tem coragem de prender Lula

Presidente do partido Solidariedade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), que se reaproxima do ex-presidente Lula, resolveu cutucar a Lava Jato com a vara curta. Ele desafiou o juiz Sérgio Moro a condenar Lula à prisão por corrupção passiva e outros crimes, no caso do tríplex-propina do Guarujá. “Ele não tem coragem de prender o Lula”, afirmou o deputado-sindicalista. “Não teve coragem nem de ouvir ele” – ironizou Paulinho, referindo-se ao interrogatório de Lula: “Teve de chamar a tropa de choque....”. Louco para se aliar a Lula, Paulinho da Força não é exemplo de coerência: apoiou Aécio Neves em 2014 e o impeachment de Dilma. Paulinho se opõe à reforma trabalhista e contra, claro, o fim do imposto sindical, que rendeu à sua Força Sindical R$ 49,7 milhões só em 2016.

Gilmar Mendes doa para a Apae a indenização pelo jornalista petista Paulo Henrique Amorim que o ofendeu


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que está em São Petersburgo, na Rússia, confirmou que os mais de R$ 100 mil obtidos através de uma ação em que foi condenado o jornalista petista Paulo Henrique Amorim, da TV Record, já foram depositados e estão na conta da Apae de Diamantino, cidade natal do magistrado. Em junho de 2014, após Amorim publicar em seu blog uma montagem do ministro em trajes do exército nazista. Gilmar então enviou notificação extrajudicial ao blogueiro pedindo que ele retirasse a imagem do ar. Embora tenha respondido que iria fazê-lo, Paulo Henrique Amorim publicou um texto afirmando ter sido alvo de censura, ofendendo novamente o ministro do STF. Gilmar Mendes foi, então, à Justiça. Na ação, ele afirmou que a acusação de que seria nazista é ainda mais grave pelo fato de ser membro do Supremo, órgão que se presta à guarda das liberdades civis e valores democráticos — ou seja, o oposto do que prega a ideologia de Adolf Hitler. Ao julgar o caso, o juiz Leandro Borges de Figueiredo ressaltou que “a boa e séria imprensa é essencial à democracia e ao Estado de Direito e deve ter seu direito à informação preservado”. No entanto, esse direito não cobre “aquelas situações em que se verifica a ausência total de cautela na divulgação da informação, ou o propósito de praticar perseguições de qualquer ordem, seja política, religiosa, racial ou mesmo pessoal”, avaliou. Dessa maneira, o juiz da 8ª Vara Cível de Brasília considerou que Paulo Henrique Amorim extrapolou o direito de informar e atingiu a honra e a dignidade do integrante do Supremo. Por isso, condenou o blogueiro a indenizar o ministro.

Bandido petista mensaleiro José Dirceu também recebeu propina de Portugual, do banco Espírito Santo


Em depoimento ao Ministério Público de Portugal, no âmbito da Operação Marquês, versão lusitana da Lava Jato, o ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, revelou ter pago “mesada” de 30 mil euros (R$100 mil) ao ex-ministro do governo Lula, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, condenado nos escândalos do Mensalão e da Lava Jato. Salgado disse que a Espírito Santo Financial fez os pagamentos mensais a um escritório de advocacia, mas o dinheiro era para José Dirceu.  O esquema de pagamento a José Dirceu servia para ajudar executivos da Portugal Telecom na compra de parte da telefônica brasileira Oi. A Operação Marquês investiga pagamento de propina do Espírito Santo a José Sócrates, ex-primeiro ministro socialista, ligado a Lula. Sócrates é acusado de usar testa de ferro para receber propina de €22 milhões na Suíça. Tudo para influenciar a Portugal Telecom e a Oi. Em 2016, o Banco de Portugal condenou Salgado a uma multa de €4 milhões e à proibição de exercer atividades por dez anos. 

Delator revela que Odebrecht montou plano de fuga para seus executivos

Diante de um iminente confisco de informações e eventual prisão, o ex-presidente da Odebrecht, o sinhozinho baiano Marcelo Odebrecht montou em 2014 um plano de fuga para os funcionários do departamento que organizava o pagamento de propinas, com a incumbência de esvaziar contas no Exterior. A operação conseguiu resgatar pelo menos US$ 25 milhões antes que executivos começassem a ser presos e as contas congeladas. É o que conta em sua delação premiada Fernando Miggliaccio, um dos responsáveis pelo Departamento de Operações Estruturadas da empresa — conhecido como setor de propina da construtora — e detido em Genebra em fevereiro de 2016. Sua captura foi considerada como um ponto fundamental do processo de investigação, já que suas informações permitiram a abertura de uma série de inquéritos e o próprio acordo de leniência com a Odebrecht. Segundo o delator, "em meados de 2014, pouco antes de julho, houve a decisão definitiva de Marcelo Odebrecht para que todas as pessoas envolvidas no Setor de Operações Estruturadas saíssem do Brasil". A ordem foi dada para que a fuga fosse "imediata" e elaborada numa reunião entre Odebrecht, Miggliaccio, Hilberto Silva e outros executivos que não tinham relação com o Setor de Operações Estruturadas. Conforme Miggliaccio, o ex-presidente da empreiteira "orientou que escolhessem o local para onde se mudariam, mas que fosse imediato". A opção de Miggliaccio foi pela República Dominicana e sua família ficaria em Miami. Alguns meses depois, ele se mudou para os Estados Unidos, onde ficou até janeiro de 2016. Hilberto Silva e Luiz Eduardo se mudariam para o Exterior no final de 2014. Também foi sugerido que outros funcionários, como Vinicius Borin, Luiz França, Marco Rodrigues e Marcelo Rodrigues também deixassem o Brasil. "A empresa auxiliaria financeiramente a saída do País de quem aceitasse a proposta e que o auxílio financeiro compreendia desde a obtenção do visto até o pagamento de despesas de moradia e permanência no Exterior", explicou. Em alguns casos, a Odebrecht deu dinheiro aos funcionários para que comprassem um imóvel nos Estados Unidos para facilitar a obtenção de seu visto de permanência naquele país. Com alguns dos funcionários no Exterior, o departamento continuou a operar,"independentemente das alocações geográficas dos envolvidos". Apenas no início de 2015 o setor da empresa começou a ser fechado. Um dos objetivos daquele ano era o de fechar contas usadas para o pagamento de propinas e repatriar o dinheiro. "Para fechar as contas, foi montada uma operação segundo a qual o somatório de todos os saldos remanescentes seria devolvido para a Odebrecht", explicou. Para realizar a transferência dos recursos de volta para a Odebrecht, contratos foram elaborados para justificar a operação. Segundo ele, essas transferências ocorreram no segundo semestre de 2015 e um total de US$ 25 milhões foram resgatados, principalmente de bancos na Áustria e em Antígua. Mas já naquele momento algumas contas começariam a ser bloqueadas. Em Portugal, todas foram congeladas. Na Suíça, as contas que o depoente se recorda de terem sido bloqueados incluíam três no Banco Pictet e quatro no banco PKB. Migliaccio mantinha, a título pessoal, cerca de oito quilos de ouro em um cofre em Genebra, no Banco Audi. Em uma conta em nome do irmão, mais US$ 100 mil estavam depositados. Na assinatura de seu acordo de delação premiada, o advogado suíço que o subscreve é Georg Friedli, o mesmo que defendeu o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, quando o cartola esteve preso na Suíça em 2015.

Senador catarinensee Dário Berger é eleito presidente da Comissão de Orçamento


Depois de quase dois meses de disputas e indefinições, a Comissão Mista de Orçamento, no Congresso, conseguiu eleger a mesa diretora. O senador Dário Berger (PMDB-SC) foi escolhido para a presidência e o deputado federal Cacá Leão (PP-BA), para a relatoria do Orçamento Geral da União. A comissão, instalada em 28 de março, até terça-feira (16) ainda não havia eleito o presidente. Neste ano, a Comissão de Orçamento tem 42 integrantes titulares e igual número de suplentes. São 31 deputados e 11 senadores. O processo foi conduzido pelo presidente em exercício do colegiado, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Ao tomar posse, Dário Berger disse que na próxima semana realizará a eleição dos três vices-presidentes, e logo que estiver familiarizado com os trabalhos, designará os outros cargos, como o do relator de receitas e despesas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A escolha do nome de Berger, contudo, não foi pacífica. O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) questionou a legitimidade do processo com o argumento de que o Regimento Comum do Congresso Nacional impede que haja qualquer tipo de deliberação enquanto o plenário estiver em sessão deliberativa. “Para evitar recursos, o ideal seria suspender a sessão e aguardar o final da ordem do dia”, disse. O deputado Cacá Leão já havia sido designado relator, pelo senador Valadares, na semana passada, mesmo sob protestos de Domingos Sávio. O tucano argumentou que por ser a segunda maior bancada, o PSDB deveria ficar com o cargo. Na ocasião, Valadares disse que o cargo ficaria com o deputado, por ser representante do maior bloco, que inclui o PP, PTN e PTdoB. A demora na definição dos cargos de presidente e relator ocorreu em razão da demora do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), em não indicar os três senadores titulares e os três suplentes da legenda. Neste ano, a presidência deve ser exercida por um senador do PMDB, legenda com maior número de senadores. Com isso, a comissão não conseguiu eleger o presidente nem os vices. O PSDB também retardou o processo ao não indicar seus representantes, um senador titular e um suplente. O partido pleiteava a indicação para a relatoria do Orçamento da União.

Justiça bloqueia R$ 198 milhões de empreiteiras que reformaram Maracanã


A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de R$ 198,5 milhões das empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta, responsáveis pelas obras de reforma do Estádio Maracanã. A decisão do desembargador José Roberto Portugal Compasso, da 9ª Câmara Cível do Tribunal, também se estendeu a mais nove pessoas. A informação foi divulgada na terça-feira (16), pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O grupo foi denunciado por irregularidades na licitação e execução das obras de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. Além das construtoras, são réus na ação de improbidade o ex-secretário de Obras do Estado, Hudson Braga, e oito funcionários da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop). Entre eles, estão o ex-presidente Ícaro Moreno Júnior; o ex-diretor de Planejamento, Marco Antônio Rodrigues Marinho; o ex-coordenador de Projetos, José Carlos Pinto dos Santos; três membros da Comissão de Fiscalização do contrato (Joel da Silva Myrrha, Wilson José Fernandes e Rafael Gianni Di Vaio), a autora do projeto básico, Cátia Cristina de Oliveira Castro, e o responsável pela Coordenadoria de Preços da empresa, Ernani Knust Grassini. O desembargador destacou que a ação civil pública retrata ilicitudes ocorridas na licitação de obra realizada no Maracanã, desde a elaboração do projeto básico, passando pelo projeto executivo. O texto ressalta que há indícios de inadequação aos valores praticados no mercado, duplicidade de mão de obra nas composições dos serviços, serviços e coeficiente de produtividade majorados e fiscalização deficiente com existência de custos elevados sem causas determinantes. O magistrado citou a delação premiada do ex-executivo da Andrade Gutierrez, Alberto Quintaes, que confirmou ter realizado o pagamento de propina ao ex-governador do Estado, Sérgio Cabral, para participar do consórcio do Maracanã. Ele acolheu em parte o pedido de liminar do Ministério Público estadual. O mérito do recurso será julgado pelo colegiado da 9ª Câmara Cível.

Temer roubou propina do PMDB

O Antagonista descobriu também que Ricardo Saud, relações institucionais da JBS, revelou em sua delação premiada o acerto de R$ 10 milhões em propina para o PMDB. Desse montante, Temer pegou R$ 2 milhões - que já foram pagos. Os valores constam de uma planilha mantida por Joesley Batista com toda a propina a partidos e políticos. A propina foi paga em troca do favorecimento do grupo J&F em ações no CADE e numa gestão para pressionar a Petrobras a fornecer gás para uma das termoelétricas do grupo. A Polícia Federal gravou um encontro de Saud com o deputado federal Rocha Loures no shopping Vila Olímpia. Ao repassar os valores, o ex-assessor especial de Temer ficou eufórico. "Rodrigo ficou louca (sic)", diz Saud na delação. (O Antagonista)

Grampo revela que Aécio Neves pediu R$ 2 milhões a dono da JBS


Joesley Batista entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação que piora de forma descomunal a tempestade que já cai sobre a cabeça de Aécio Neves (PSDB-MG). No áudio, o presidente do PSDB surge pedindo nada menos que R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato. Em nota, o senador afirmou que que relação com Joesley Batista era "estritamente pessoal" e sem envolvimento com o setor público. O parlamentar afirma ainda estar tranquilo em relação aos seus atos. O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. Aécio Neves e Joesley se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Quando Aécio Neves citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia, não pegou o dono da JBS de surpresa. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp (as trocas de mensagens estão com os procuradores). As investigações, contudo, mostrariam para a Procuradoria Geral da República que esse não era o verdadeiro objetivo de Aécio Neves. O estranho pedido de ajuda foi aceito. O empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, chocante pela desfaçatez com que Aécio Neves trata o tema:
— Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.
— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio Neves.
O presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio Neves, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística. Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. A Polícia Federal filmou uma delas. No material que chegou às mãos de Fachin na semana passada, a Procuradoria Gera da República diz ter elementos para afirmar que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da Polícia Federal mostram que, após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). Mendherson levou de carro a propina para Belo Horizonte. Fez três viagens — sempre seguido pela Polícia Federal. As investigações revelaram que o dinheiro não era para advogado algum. O assessor negociou para que os recursos fosse parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella. Não há, portanto, nenhuma indicação de que o dinheiro tenha ido para Toron.  (O Globo)

O FIM DE TEMER - Jornal O Globo mostra que a Polícia Federal filmou indicado do presidente para receber propina do grupo JBS e calar Eduardo Cunha

O jornal O Globo, no começo da noite desta quarta-feira, divulgou em seu site a mais devastadora informação já feita até hoje, a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do Grupo JBS, que gravaram o presidente da República, Michel Temer, concordando com a operação de entrega de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha para ele manter seu silêncio. Também foi filmada a entrega de propina por deputado federal a mando de Michel Temer. As denúncias são tão devastadoras que não resta outra saída, imediata, que não seja a renúncia do presidente Michel Temer. Leia a seguir a íntegra da matéria do jornal O Globo:
"Por volta de 22h30m do dia 7 de março, Joesley Batista entrou no Palácio do Jaburu. Michel Temer estava à sua espera. Joesley chegou à residência oficial do presidente com o máximo de discrição: foi dirigindo o próprio carro para uma reunião a dois, fora de agenda. Escondia no bolso uma arma poderosa — um gravador. Temer havia chegado pouco antes em casa, logo depois do seu último compromisso do dia: uma passada rápida na comemoração dos 50 anos de carreira do jornalista Ricardo Noblat. O presidente e o empresário conversaram por cerca de 40 minutos a sós. Poderiam, por exemplo, ter discutido a queda de 3,6% do PIB em 2016, um terrível dado econômico divulgado justamente naquele dia. Mas eram outros os assuntos da pauta. Todo o diálogo foi gravado por Joesley. Tem trechos explosivos. Num deles, o dono da JBS relatou a Temer que estava dando mesada a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro para que ambos, tidos como conhecedores de segredos de dezenas de casos escabrosos, não abrissem o bico. Temer mostrou-se satisfeito com o que ouviu. Neste momento, diminuiu um pouco o tom de voz, mas deu o seu aval:
— Tem que manter isso, viu?
Em seu depoimento aos procuradores, Joesley afirmou que não foi Temer quem determinou que a mesada fosse dada. Mas que o presidente tinha pleno conhecimento da operação cala-boca. Tanto Eduardo Cunha quanto Lúcio Funaro já haviam prestado diversos serviços para o grupo J&F. Eduardo Cunha, por exemplo, por meio de emendas em projetos de lei e pela influência que detinha no FI-FGTS, que investiu mais de R$ 1 bilhão em empresas da J&F. A mesada já era dada há alguns meses. A Polícia Federal filmou pelo menos uma entrega de R$ 400 mil para Roberta, irmã de Lúcio Funaro. Para Eduardo Cunha, o dinheiro era entregue a Altair Alves Pinto, seu homem de confiança. O "senhor Altair", como era conhecido, já foi apontado por Fernando Baiano como o responsável pelo transporte das propinas pagas a Cunha.
A conversa continuou e, em seguida, Joesley pediu a ajuda de Temer para resolver uma pendência da J&F no governo. Temer disse que Joesley deveria procurar Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para cuidar do problema:
— Fale com o Rodrigo.
Joesley quis se certificar do que Rocha Loures poderia fazer por ele e perguntou:
— Posso falar tudo com ele?
Temer foi sucinto:
— Tudo.
Rocha Loures é um conhecido homem de confiança do presidente. Foi chefe de Relações Institucionais da Vice-Presidência sob Temer. Após o impeachment, virou assessor especial da Presidência e, em março, voltou à Câmara, ocupando a vaga do ministro da Justiça, Osmar Serraglio. 
Assim foi feito. O dono do JBS procurou Rocha Loures. Marcaram um encontro em Brasília — e se acertaram. Joesley lhe contou do que precisava do Cade. Desde o ano passado, o órgão está para decidir uma disputa entre a Petrobras e o grupo sobre o preço do gás fornecido pela estatal à termelétrica EPE. Localizada em Cuiabá, a usina foi comprada pelo grupo em 2015. Explicou o problema da EPE: a Petrobras compra o gás natural da Bolívia e o revende para a empresa por preços extorsivos. Disse que sua empresa perde "1 milhão por dia" com essa política de preços. E pediu: que a Petrobras revenda o gás pelo preço de compra ou que deixe a EPE negociar diretamente com os bolivianos.
Com uma sem-cerimônia impressionante, o indicado de Temer ligou para o presidente em exercício do Cade, Gilvandro Araújo. E pediu que se resolvesse a questão da termelétrica no órgão. Não há evidências de que Araújo tenha atendido ao pedido. Pelo serviço, Joesley ofereceu uma propina de 5%. Rocha Loures deu o seu ok.: "Tudo bem, tudo bem".
Para continuar as negociações, foi marcado um novo encontro. Desta vez, entre Rocha Loures e Ricardo Saud, diretor da JBS e também delator. No Café Santo Grão, em São Paulo, trataram de negócios. Foi combinado o pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo em que vai vigorar o contrato da EPE. Ou seja, está se falando de R$ 480 milhões ao longo de duas décadas, se fosse cumprido o acordo. Loures disse que levaria a proposta de pagamento a alguém acima dele. Saud faz duas menções ao "presidente". Pelo contexto, os dois se referem a Michel Temer.
A entrega do dinheiro foi filmada pela Polícia Federal. Mas desta vez quem esteve com o homem de confiança de Temer foi Ricardo Saud, diretor da JBS e um dos sete delatores.
Esse segundo encontro teve uma logística inusitada. Certamente, revela o traquejo (e a vontade de despistar) de Rocha Loures neste tipo de serviço. Assim, inicialmente Saud foi ao Shopping Vila Olímpia, em São Paulo. Em seguida, Rocha Loures o levou para um café, depois para um restaurante e, finalmente, para a pizzaria Camelo, na Rua Pamplona, no Jardim Paulista. Foi neste endereço, próximo à casa dos pais de Rocha Loures, onde ele estava hospedado, que o deputado recebeu a primeira remessa de R$ 500 mil.
Apesar do acerto de repasses semanais de R$ 500 mil, até o momento só foi feita a primeira entrega de dinheiro. E, claro, a partir da homologação da delação, nada mais será pago.