quarta-feira, 29 de março de 2017

Chineses fazem proposta pela usina de Santo Antônio


Os chineses da SPIC estão perto de comprar a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, construída no Rio Madeira, em Rondônia. Fizeram uma proposta, considerada irrecusável por um dos sócios, de R$ 20 bilhões para ficar com a parte da Odebrecht, Andrade Gutierrez e Cemig, empresas que controlam a usina.  

Banco Central aumenta projeção de déficit das contas externas para US$ 30 bilhões este ano

O Banco Central espera um déficit maior nas contas externas este ano. A estimativa, divulgada no dia 24, para o saldo negativo das transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do País com o mundo, subiu de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões. Esse valor vai corresponder a 1,45% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no País. Nos dois primeiros meses deste ano, o déficit ficou em US$ 6,020 bilhões. A maior parte do saldo negativo previsto para este ano está na conta de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários), com déficit estimado em US$ 47,6 bilhões. A previsão anterior era US$ 44,1 bilhões. A conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros) deve apresentar resultado negativo de US$ 36,7 bilhões, contra US$ 31,2 bilhões, previstos anteriormente. Para a conta de renda secundária (gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) a estimativa positiva permaneceu em US$ 3,3 bilhões. A balança comercial (exportações e importações de produtos) deve contribuir para reduzir o déficit nas transações correntes. A estimativa para o ano é de superávit de US$ 51 bilhões. A previsão anterior era US$ 44 bilhões. O aumento dos preços dos produtos brasileiros deve impulsionar as exportações, mesmo com a repercussão da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Segundo o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, a operação não afeta as projeções para as contas externas devido à representatividade das exportações de carnes em relação ao total exportado e à incerteza sobre os impactos das investigações. Os dados do balanço de pagamentos também incluem os investimentos estrangeiros. De janeiro a fevereiro, o investimento direto no país (IDP), recursos que entram e vão para o setor produtivo da economia, chegou a US$ 16,834 bilhões. A previsão para o ano foi mantida em US$ 75 bilhões. Também foi registrada a entrada de investimento em ações negociadas em bolsas de valores no Brasil e no exterior e em fundos de investimento no total de US$ 1,614 bilhão, nos dois meses do ano, com previsão para o ano de US$ 10 bilhões. No primeiro bimestre, houve saída de investimentos em títulos negociados de US$ 1,057 bilhão. A previsão para o ano é de saída de US$ 7 bilhões, contra a previsão anterior, também negativa, de US$ 10 bilhões. 

BNDES considera prematuro manifestar-se sobre impacto da Operação Carne Fraca

A presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Ecônomico e Social (BNDES), Maria Silvia Bastos Marques, disse no dia 24 que ainda é prematuro emitir qualquer posicionamento sobre possíveis impactos da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. "Está muito recente ainda", disse Maria Silvia. "Aparentemente, a coisa é restrita, mas estamos acompanhando. Quando tiver algum posicionamento, a gente falará." Como não há uma avaliação concreta do cenário, não há ações em curso, acrescentou Maria Sílvia. "Não estamos fazendo nada. Estamos apenas acompanhando para entender exatamente o que está acontecendo, como todo mundo." O BNDES tem participação acionária em parte dos frigoríficos investigados. Para Maria Silvia, a desvalorização não é uma perda. "Não tem perda de recursos. Ações oscilam na Bolsa de Valores. Vão e voltam. Estamos acompanhando". A presidente do BNDES participou no dia 24, no Rio de Janeiro, da abertura do Seminário Start-Ups: Formas Efetivas de Apoio no Brasil. Ela antecipou que o banco anunciará em breve um movimento de entrada no mercado digital para o público de pequenas e médias empresas. Maria Silvia disse que um dos objetivos do BNDES para este ano é conseguir que 50% dos pedidos de crédito tenham aprovação em até 180 dias. Atualmente, a média de tempo de avaliação é 400 a 600 dias. "O banco está fazendo seu papel. Imaginar que o presidente de um banco de desenvolvimento quer segurar crédito é uma coisa esdrúxula. Pelo contrário, estamos trabalhando muito para agilizar, simplificar, aumentar acesso." 

Hong Kong decide retirar do mercado toda a carne importada do Brasil

As autoridades de Hong Kong decretaram o recolhimento de toda a carnes e derivados procedentes dos 21 frigoríficos brasileiros investigados na Operação Carne Fraca. A medida foi anunciada poucos dias depois de o governo local suspender a importação de carne brasileira sob suspeita. Ao detalhar a decisão para jornalistas, o secretário para Alimentação e Saúde, Ko Wing-man, afirmou que as últimas informações fornecidas por autoridades brasileiras sugerem que “o risco à segurança alimentar não pode ser totalmente descartado”. De acordo com Wing-man, técnicos do Centro de Segurança Alimentar identificaram mais uma fábrica nacional que importou produtos derivados da carne brasileira, além das cinco que já tinham sido identificadas. O secretário não informou qual o volume de carne brasileira bovina, suína ou de frango, bem como de seus derivados, pode estar, hoje, à disposição dos consumidores e comerciantes de Hong Kong. Quanto aos produtos embarcados com destino a Hong Kong antes do próprio governo brasileiro embargar as exportações dos 21 frigoríficos sob suspeita, o secretário disse que eles ficarão retidos na chegada ao porto até que as investigações sejam concluídas. Wing-man também não precisou quanto tempo durará a suspensão, mas garantiu que a população será devidamente informada sobre todo o processo. Considerado um dos maiores mercados para a carne brasileira, Hong Kong já tinha proibido, na terça-feira (21), a importação de carne brasileira congelada e refrigerada. Na ocasião, o próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi, incluiu o território semiautônomo chinês no grupo de compradores aos quais o governo brasileiro estava destinando mais atenção. “ China e Hong Kong são os dois pontos que estamos olhando com mais atenção, em permanente contato, respondendo a todas as questões”, disse Maggi. China, como Hong Kong, também já tinha anunciado a suspensão temporária das importações. 

Para Michel Temer, carne brasileira é a "melhor do mundo"

O presidente Michel Temer classificou a carne brasileira como “a melhor do mundo”. Segundo ele, sua equipe tem obtido resultados satisfatórios no sentido de “estancar” a possibilidade de outros países proibirem a compra deste produto, após denúncias da Operação Carne Fraca, de irregularidades na fiscalização do produto. “A carne brasileira não é fraca. A carne brasileira é a melhor do mundo”, disse Temer durante cerimônia de entrega de 1,3 mil unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida no Parque Residencial da Solidariedade, em São José do Rio Preto, São Paulo, no dia 24. Segundo ele, a situação já está sendo revertida graças à atuação dos ministros das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e da Agricultura, Blairo Maggi. “Ele (Aloysio Nunes) logo pegou a Operação Carne Fraca sabendo que nossa carne é forte e trabalhou com o Blairo Maggi para estancar essa possibilidade eventual de restrição à compra da carne brasileira, um dos grandes mercados que temos, vendida para 150 países”, disse o presidente. “Temos feito um trabalho extraordinário para reduzir essas tensões que já começaram a ser reduzidas. A Coreia do Sul por exemplo voltou a autorizar a compra da carne brasileira”, acrescentou. 

Governo suspende desoneração da folha e faz corte de R$ 42,1 bilhões no orçamento

O governo Temer decidiu reonerar a folha de pagamento das empresas preservando alguns setores. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, informou na noite desta quarta-feira que ficarão de fora da medida: transporte rodoviário coletivo de passageiros urbano ou interurbano, transporte ferroviário e metroviário de passageiros, construção civil e obras de infraestrutura e comunicação (atividades de rádio e TV e prestação de serviços de informação). A reversão do programa será feita por meio de uma medida provisória respeitando uma noventena. Isso significa que a medida só entrará em vigor em julho. A medida vai reforçar as receitas em R$ 4,8 bilhões. Em relação às despesas, haverá um corte de R$ 42,1 bilhões no orçamento da União. "Corrigimos um processo que veio do passado que ficou conhecido como desoneração da folha de pagamento das empresas. Isso gerava uma perda fiscal para União. A idéia original era que isso ia permitir uma recuperação da economia, mas isso não gerou os efeitos esperados. Agora, eliminamos, na prática, essas distorções", disse Meirelles. A medida preserva setores intensivos em mão de obra para os quais, segundo o governo, a desoneração faz mais sentido. Outro reforço para os cofres da União neste ano virá da devolução de usinas hidrelétricas. O governo espera arrecadar R$ 10 bilhões com a relicitação das usinas hidrelétricas de São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande. O governo também vai instituir um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre cooperativas de crédito. Isso vai dar uma arrecadação adicional de R$ 1,2 bilhão. O ministro frisou que não houve aumento de alíquotas de impostos de forma "generalizada", após forte pressão do setor produtivo. "É um processo da maior importância porque é um aumento de receita sem haver nenhuma alíquota de tributos ou de criação de novos impostos. Portanto, é uma medida virtuosa, digamos assim", afirmou Henrique Meirelles. Aumentos de impostos, no entanto, não estão completamente descartados. Meirelles disse que o governo poderá ter que elevar as alíquotas do PIS/Cofins para compensar as perdas da União com a decisão do Supremo Tribunal Federal que entendeu que o ICMS não pode mais integrar a base de cálculo desses dois tributos. Segundo ele, a União vai recorrer à Corte e somente depois tomar uma decisão. O aumento das alíquotas é uma possibilidade: "Não precisamos nos precipitar. Existem etapas e maneiras de compensar isso". A elevação do PIS/Cofins é uma possibilidade. A decisão de anunciar um corte de R$ 42,1 bilhões foi feita após o governo consultar o Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de contabilizar receitas com precatórios na estimativa de arrecadação. Havia uma dúvida entre os técnicos se isso não poderia gerar uma insegurança jurídica. Essa medida traria R$ 8,6 bilhões a mais para os cofres públicos. Originalmente, a idéia dos técnicos era fazer um corte de R$ 32 bilhões, mas o temor em relação aos precatórios obrigou o governo a contingenciar mais. Segundo Meirelles, o corte de R$ 42,1 bilhões poderá ser revertido quando houver uma posição mais clara da Justiça sobre esses precatórios. Segundo o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, do total que será contingenciado no Orçamento, R$ 10,5 bilhões serão cortados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 20,1 bilhões nos demais órgãos do Executivo, preservando os desembolsos mínimos com saúde e educação. Perguntado sobre o risco de o contingenciamento de gastos prejudicar a recuperação da economia e a geração de empregos, Meirelles rebateu: "Washington Luiz dizia que governar é construir estradas. Eu digo que governar é definir prioridades. Não há dúvida de que fizemos o máximo possível para não aumentar impostos. Fizemos uma opção de (reonerar) alguns setores. A principal razão pela qual o Brasil entrou nessa recessão foi o não cumprimento de metas e o aumento da dívida pública. Nosso compromisso é cumprir a meta. Achamos que não cumprir compromissos com a sociedade seria o pior cenário possível para a economia. É claro que cortes de despesas públicas têm algum custo. Mas não cumprir a meta seria pior". O governo teve dificuldades para definir as medidas que seriam adotadas para cobrir o rombo de R$ 58,2 bilhões nas contas de 2017. Com uma arrecadação fraca e pouca margem para cortar gastos, a equipe econômica foi obrigada a buscar receitas extraordinárias e a propor aumentos de carga tributária, algo que o presidente Michel Temer queria evitar a todo custo. Nas últimas semanas, o Palácio do Planalto vinha pedindo aos ministérios da Fazenda e do Planejamento que tentassem encontrar formas de assegurar o cumprimento da meta fiscal de 2017, de um déficit primário de R$ 139 bilhões, sem elevação de impostos. 

Adriana Ancelmo, a "Riqueza" do peemedebista Sérgio Cabral, começa a cumprir prisão domiciliar em seu apartamento no Leblon

A ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, a "Riqueza", chegou ao seu apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, às 20 horas. O trajeto entre o Complexo Penitenciário de Gericinó, onde ela estava presa preventivamente desde dezembro do ano passado, e o prédio onde ela vai cumprir prisão domiciliar durou 1h20. O comboio que conduzia Adriana Ancelmo tinha três carros. Na chegada, o veículo foi cercado, e manifestantes gritaram "ladra" e "volta para Bangu", antes do carro entrar na garagem. Na portaria do prédio, os empregados e parentes deixaram os celulares em uma caixa vermelha antes de subirem para o apartamento. A determinação para o procedimento foi do juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que ordenou ainda que o imóvel não deve ter linhas telefônicas e nem acesso à internet. A decisão do magistrado havia sido revertida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, mas o Superior Tribunal de Justiça voltou a restabelecer a prisão domiciliar para a ex-primeira-dama, desde que fossem obedecidas as exigências estabelecidas por Bretas. O advogado da "Riqueza", Adriana Ancelmo, Luis Guilherme Vieira, disse que não acompanhou a mulher do ex-governador no caminho, mas que a justiça havia sido feita. "Ninguém da equipe a acompanhou no percurso. Mas posso dizer que agora sim a Justiça foi feita e Adriana está com os filhos", declarou. Ao longo do dia, alguns curiosos perguntavam se Adriana já havia chegado em casa. Outros passavam e gritavam "ladra" em frente ao prédio. Um grupo de professoras ficou na calçada próxima ao prédio de Adriana Ancelmo e estavam indignadas. "Estou com o pagamento atrasado. Ainda bem que dou aula também no município", disse Dauana Ribeiro, professora de artes. "Todo o dinheiro que ele (Cabral) roubou tem que voltar", afirmou Debora Azevedo.


A prisão da advogada "Riqueza" aconteceu 19 dias após a do marido Sérgio Cabral, apontado como líder do grupo que desviou verba em obras com diversas empreiteiras como a reforma do Maracanã e o Arco Metropolitano, em troca de aditivos em contratos públicos e incentivos fiscais. Entre os principais motivos da prisão da ex-primeira-dama estão contratos do escritório Ancelmo Advogados com empresas que receberam durante a gestão Sérgio Cabral benefícios fiscais do governo fluminense e a suspeita de que ela estaria dando prosseguimento às práticas de corrupção e lavagem de dinheiro uma vez que não teria entregue todas as joias compradas pelo casal aos investigadores.

JBS anuncia férias coletivas em 10 unidades


A JBS anunciou hoje que vai dar férias coletivas aos funcionários de 10 de suas 36 unidades de abate bovino no Brasil, a partir de segunda-feira que vem, dia 3 de abril. De acordo com comunicado da empresa, o período de férias será de 20 dias, que podem ser prorrogados por mais dez. A JBS explica que “a medida é necessária em virtude dos embargos temporários impostos à carne brasileira pelos principais países importadores, assim como pela retração nas vendas de carne bovina no mercado interno nos últimos dez dias”. As unidades que terão férias coletivas estão localizadas nos Estados de Mato Grosso (4), Mato Grosso do Sul (3), São Paulo (1), Goiás (1) e Pará (1).

Conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro ficarão presos em penitenciárias cariocas


Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, presos temporariamente na operação "O Quinto do Ouro", nesta quarta-feira, farão exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal e de lá deverão seguir para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), em Benfica, onde serão encaminhados para presídios do Rio de Janeeiro. Ainda não se sabe em quais penitenciárias eles ficarão presos. No início da noite desta quarta-feira, os conselheiros ainda prestam depoimento na sede da Polícia Federal, na Região Portuária do Rio de Janeiro. Os alvos foram os conselheiros Aloysio Neves (atual presidente), José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar, José Maurício Nolasco e Domingos Brazão. Este último deverá ser encaminhado para um presídio diferente, já que, ao contrário dos outros conselheiros, Brazão não possui curso superior. Além dos mandados, foram também determinados bloqueios de bens e valores dos envolvidos. O ex-presidente do TCE, Jonas Lopes de Carvalho, delator do esquema, pediu licença no final do ano passado. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), e o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), Lélis Marcos, foram alvos de condução coercitiva. Eles foram levados para depor na Superintendência da Polícia Federal e deixaram o local, sem falar com a imprensa. Eles são suspeitos de participar de dois esquemas de arrecadação de propina para fazer vista grossa para irregularidades praticadas por empreiteiras e empresas de ônibus que operam no Estado. A operação de hoje teve como principal base a delação do ex-presidente do TCE, Jonas Lopes de Carvalho Filho, e a de seu filho, o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto, homologadas recentemente pelo ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, que autorizou os mandados de prisão e condução coercitiva. Um deles contra o subsecretário de Comunicação do governo estadual, Marcelo Santos Amorim.

Ministério Público Eleitoral pede a cassação de Michel Temer e a inelegibilidade da mulher sapiens petista Dilma Rousseff


O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação do presidente Michel Temer (PMDB) e a inelegibilidade da mulher sapiens petista e presidente cassada, a rainha da mandioca  Dilma Rousseff (PT). A manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral foi encaminhada na noite desta terça-feira ao TSE. O julgamento da ação que apura se a chapa Dilma-Temer cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014 foi marcado para começar na manhã da próxima terça-feira. O TSE dedicará quatro sessões da semana que vem – duas extraordinárias e duas ordinárias – para se debruçar sobre o caso, que poderá levar à cassação de Temer e à convocação de eleições indiretas. Se os ministros do TSE seguirem o entendimento da Procuradoria Geral Eleitoral – ou seja, cassarem Temer, mas o deixarem elegível –, ele poderia concorrer numa eleição indireta. O parecer foi assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, que atua na Corte Eleitoral por delegação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Dino é um dos pré-candidatos à sucessão de Janot, que tem mandato previsto para acabar em setembro. Para assumir o posto, no entanto, ele precisará ser escolhido pela categoria em lista tríplice e depois indicado por Temer para a vaga. Dino já sofre resistências no Congresso por ser irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), opositor do núcleo do PMDB no Estado. No ano passado, um parecer do Ministério Público Eleitoral recomendou que fosse rejeitado o pedido da defesa de Temer para separar sua responsabilidade em relação à da ex-presidente Dilma Rousseff no processo. Na época, Dino afirmou que “o abuso de poder aproveita a chapa em sua totalidade, beneficiando a um só tempo o titular e o vice”. Em outro parecer, o Ministério Público Eleitoral indicou a existência de “fortes traços de fraude e desvio de recursos” ao analisar as informações colhidas com a quebra do sigilo bancário das gráficas Red Seg Gráfica, Focal e Gráfica VTPB, contratadas pela chapa Dilma-Temer. A ação que investiga a última disputa presidencial foi proposta em 2014 pelo PSDB, partido derrotado nas urnas pela chapa encabeçada pelo PT. Nas alegações finais entregues ao TSE nos últimos dias, o PSDB isentou o presidente Michel Temer de responsabilidade.

Polícia Federal prende cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro



A Polícia Federal foi às ruas nesta quarta-feira com uma investigação que mira o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e o presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB). Picciani foi alvo de mandado de condução coercitiva e depôs por mais de seis horas. Também foram cumpridos cinco mandados de prisão contra integrantes do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Em nota, a Polícia Federal informou que as ações foram determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça, no curso de um inquérito judicial que tramita na Corte. Para cumprir as ações determinadas, quase 150 policiais federais foram especialmente destacados. Os alvos da Operação O Quinto do Ouro, segundo a Polícia Federal, são investigados por fazerem parte de um esquema de pagamentos de vantagens indevidas que pode ter regularmente desviado valores de contratos com órgãos públicos para agentes do Estado, em especial membros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro e da Assembleia Legislativa do Estado. As informações que embasaram a decisão do Superior Tribunal de Justiça tiveram origem numa colaboração premiada realizada entre dois investigados e a Procuradoria-Geral da República. A operação investiga a participação de membros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, os quais seriam responsáveis por zelar pelos atos firmados pelo Estado, no recebimento de pagamentos indevidos oriundos de pagamentos indevidos de contratos firmados com o Estado do Rio de Janeiro em contrapartida ao favorecimento na análise de contas/contratos sob fiscalização no Tribunal. Além disso, agentes públicos teriam recebido valores indevidos em razão de viabilizar a utilização do fundo especial do Tribunal de Contas do Estado para pagamentos de contratos do ramo alimentício atrasados junto ao Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro, recebendo para tal uma porcentagem por contrato faturado. No total foram mais de 43 mandados, a maioria deles na cidade do Rio de Janeiro, mas também em Duque de Caxias e São João do Meriti, na Baixada Fluminense. Por se tratar de uma investigação que tem como alvos membros de um Tribunal de Contas Estadual, os trabalhos correm sob a Presidência de um Ministro do Superior Tribunal de Justiça no curso de um inquérito judicial. O nome da operação é uma referência à figura histórica do "Quinto da Coroa", um imposto correspondente a 20% que a Coroa Portuguesa cobrava dos mineradores de ouro no período do Brasil Colônia. Uma das mais conhecidas formas de recolhimento ocorria mediante a obtenção de "certificados de recolhimento" pelas casas de fundição. Apesar do rigor na criação de urna estrutura administrativa e fiscal, visando sobretudo a cobrança dos quintos, o imposto era desviado. Afonso Sardinha, o moço, em seu documento (1604) declarou que guardava o ouro em pó em vasos de barro. Outro uso comum era o de imagens sacras ocas para esconder o ouro (daí a expressão "santo do pau oco"). Cinco de sete membros foram presos nesta quarta por suspeita de fraude. Outro conselheiro, Jonas Lopes, também é investigado e autor da delação que dá base à operação. Cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado foram presos na Operação Quinto do Ouro com base na delação de um sexto membro do tribunal, Jonas Lopes, que já foi presidente do TCE-RJ e está de licença – tirou dois meses de férias e depois entrou em licença especial por mais três meses, desde seis de março. Apesar de investigado, Jonas Lopes não foi alvo de mandado de prisão. Também não foi pedida a prisão da corregedora Marianna Montebello Willeman. O ex-conselheiro Aluísio Gama de Souza foi o sexto preso na operação. 

Da esquerda para a direita: Domingos Brazão, Aloysio Neves, Marco Antônio Alencar, José Maurício Nolasco e José Gomes Graciosa 
Aloysio Neves é o atual presidente do Tribunal, advogado e jornalista e tem 70 anos. Foi vice-presidente do TCE nos dois últimos anos e, em janeiro, assumiu a função com o afastamento de Jonas Lopes. Aloysio trabalhou mais de 20 anos nos gabinetes de três governadores e foi secretário geral do Conselho Estadual de Turismo. Em 1990, foi requisitado pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro como assessor técnico do ex-governador peemedebista Sérgio Cabral, na época deputado estadual, e também ocupou o cargo de chefe de gabinete da presidência da Alerj nas gestões do ex-governador, entre 1995 e 2003, e do deputado Jorge Picciani, entre 2003 e 2010, quando então foi eleito conselheiro do Tribunal.

Aloysio, o segundo em cima da direita para esquerda, durante viagem de Cabral a Europa 
Aloysio também aparece em uma foto na famosa viagem a Paris de Sérgio Cabral. Na imagem de 2009, ele aparece ao lado de Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, e do então secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. Na ocasião, o ex-governador foi questionado se misturava interesses públicos com os de aliados empresários. As imagens foram divulgadas em 2012 pelo também ex-governador Anthony Garotinho, adversário político de Cabral.

Deputado Domingos Brazão
O vice-presidente do TCE, Domingos Brazão, foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas pelo governador Luiz Fernando Pezão em abril de 2015. Exerceu mandato de vereador por dois anos, entre 1997 e 1999, quando ganhou a eleição de deputado estadual. Na assembleia, presidiu várias comissões permanentes, como a de constituição e justiça, de obras públicas e saneamento ambiental. Em 2015, foi nomeado para o TCE.

Conselheiro do TCE, José Gomes Graciosa chega preso à sede da Polícia Federal
O conselheiro José Gomes Graciosa é outro que teve prisão preventiva decretada. Ele foi presidente do TCE entre 2001 e 2006. Começou a vida pública em 1976, quando foi eleito vereador em Valença, no Sul do Estado. Ficou na Câmara do Município até 1982, ano em que foi eleito prefeito da cidade, que governou até 1988. Dois anos depois foi eleito deputado estadual, reeleito em 1994. E, em 1997, assumiu o cargo de conselheiro do Tribunal.

Marco Antônio Alencar, filho de Marcello Alencar, ex-prefeito do Rio e governador do Estado
O conselheiro Marco Antônio Barbosa de Alencar, filho do ex-governador Marcello Alencar, foi eleito para o Tribunal de Contas em outubro de 1997. Assumiu a vice-presidência do Tribunal entre 2001 e 2006. Marco Antônio Alencar ocupou diversos cargos públicos municipais e estaduais, entre eles o de secretário-chefe do gabinete civil quando o pai era governador do Estado. Marco Antônio Alencar foi o deputado estadual mais votado em 1990 e foi reeleito em 1994. O quinto conselheiro que teve a prisão preventiva decretada é José Maurício de Lima Nolasco, eleito para o TCE em 1998. Ele presidiu o Tribunal por dois mandados, de 2007 a 2010. Entre 1995 e 1998, presidiu a Cedae. No ano passado, José Maurício Nolasco foi citado na Operação Descontrole, um braço da operação Lava Jato no Rio de Janeeiro. Executivos da construtora propineira Andrade Gutierrez relataram que o ex-secretário de governo de Sérgio Cabral, Wilson Carlos, exigiu o pagamento de 1% do valor da obra do Maracanã. A propina seria para que o Tribunal de Contas do Estado não criasse problemas. O dinheiro seria para o então presidente do TCE, identificado como Nolasco. Jonas Lopes fez o acordo de colaboração premiada após ser citado nas delações de executivos das empreiteiras propineiras Andrade Gutierrez e Odebrecht, que o apontaram como cobrador de propinas equivalentes a 1% do valor dos contratos de obras e concessões públicas no estado, em troca de não incomodar as empresas. Ainda segundo os executivos, existia uma "caixinha" de propinas dentro do TCE durante o governo de Sérgio Cabral (PMDB). Além da cobrança de propinas, os conselheiros são investigados também por receberem valores indevidos por contratos do Estado com a Fetranspor e por permitirem que o governo estadual usasse um fundo do próprio TCE para pagar empresas de alimentação. Em dezembro passado, Jonas Lopes foi levado à depor na Polícia Federal na Operação Descontrole, que investiga crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que teriam sido praticados pelo ex-presidente do TCE-RJ e pessoas vinculadas a ele. De acordo com a delação premiada de Leandro Azevedo, ex-diretor da empreiteira propineira Odebrecht no Rio de Janeiro, Lopes pediu dinheiro para aprovar o edital de concessão do estádio do Maracanã e o relatório de contas da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro.