segunda-feira, 20 de março de 2017

Governo brasileiro suspende a exportação de carne de 21 empresas devido à investigação da Polícia Federal


O Brasil suspendeu a exportação de carne das 21 empresas investigadas na Operação Carne Fraca, que investiga um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e frigoríficos. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que não serão mais emitidos certificados de exportação para essas empresas. No entanto, a venda dos produtos fabricados por essas 21 empresas continuará liberada para o consumidor brasileiro. Maggi disse que essas companhias estão sob um regime especial de fiscalização. “Não há qualquer preocupação. O que aconteceu foi um desvio de pessoas, que já foram afastadas. Espero que as demais estejam trabalhando dentro da lisura e ética que convém". O ministro afirmou que o consumidor brasileiro pode continuar comprando suas carnes com tranquilidade, pois confia na qualidade do produto. “A garantia é que nosso sistema é forte, mas está sob suspeição. Não posso acabar com uma cadeia produtiva inteira por suspeição. Se olhar por que estão sob suspeita, ninguém será por adulteração de produto, não é sobre qualidade. São problemas de relacionamento de fiscais com frigoríficos. A suspeição não é sobre a qualidade”, disse. Ele voltou a ressaltar a importância do setor de produção de carnes, lembrando que emprega 6 milhões de pessoas. Segundo ele, a carne alvo da investigação já deve ter sido consumida, uma vez que a operação da Polícia Federa tem mais de dois anos. De qualquer forma, o ministério está coletando amostrar de carnes nos mercados, e, caso encontre problemas, irá recomendar a retirada das mercadorias de circulação. Maggi afirma que a BRF Brasil já está retirando por conta própria lotes com o selo de inspeção “SIF 1010” de circulação. “Fizemos a exoneração dos dois superintendentes e vamos intervir, sim, se necessário”, afirmou ele sobre superintendências regionais.

TRF 2 nega liberdade para Adriana Ancelmo, a "Riqueza" do peemedebista Sérgio Cabral


O desembargador Abel Gomes, do Tribunal Federal Regional da 2ª Região (TRF-2), decidiu na tarde desta segunda-feira que a ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, a "Riqueza" do ex-governador Sérgio Cabral, vai permanecer na cadeia. Na decisão, o desembargador afirma que ela manipulou jóias e dinheiro em espécie, mesmo após a prisão de Sérgio Cabral. E que por isso, ela foi presa pouco tempo após o marido. Gomes também rebate o argumento de que Adriana Ancelmo precisa cuidar dos filhos. Segundo ele, a decisão precisaria ser estendida a todas as outras mulheres presas na mesma condição. O desembargador acolheu o mandado de segurança do Ministério Público Federal contra a decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Na última sexta-feira (17), Bretas havia convertido a prisão preventiva de Adriana Ancelmo, a "Riqueza", em domiciliar.

Rodrigo Maia defende voto em lista pré-ordenada e financiamento público


O presidente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta segunda-feira a adoção de um sistema eleitoral com voto em lista pré-ordenada e financiamento público. Após uma palestra em São Paulo, Rodrigo Maia disse que o Brasil precisa ter um novo sistema eleitoral nas próximas eleições presidenciais, em 2018. “Eu espero que a gente possa ter um novo sistema eleitoral para o Brasil em 2018. Pode ser o voto em lista pré-ordenada, pode ser o sistema misto, o modelo alemão, que tem metade de lista mista e voto distrital. Pode ser o distrital”, afirmou. “Eu defendo e tenho defendido o da lista pré-ordenada pelo financiamento público”, destacou. Pelo sistema defendido por Rodrigo Maia, o eleitor vota no partido, cuja cúpula definirá uma lista ordenada dos candidatos que serão eleitos. A sigla que tiver mais votos conseguirá o maior número de cadeiras, que serão ocupadas pelos primeiros da lista. Hoje, o eleitor vota diretamente no candidato. Para valer nas eleições de 2018, novas regras teriam de ser aprovadas no Congresso até outubro deste ano, pelo princípio da anualidade. Rodrigo Maia afirmou ainda que qualquer modelo usado em outros países pode ser testado no Brasil. “Acho que qualquer modelo existente no mundo, não uma nova invenção brasileira, qualquer desses modelos que têm dado certo tanto nos Estados Unidos quanto na Europa precisam ser testados no Brasil”, afirmou. Para o presidente da Casa, “o Brasil não pode entrar na próxima eleição com esse sistema que está”.

Ministério da Agricultura exonera superintendentes regionais investigados na Operação Carne Fraca


Em ofício publicado na edição desta segunda-feira do Diário Oficial da União, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) exonerou os superintendentes da pasta no Paraná e em Goiás, dois dos Estados onde foi deflagrada na última sexta-feira a Operação Carne Fraca. A investigação da Polícia Federal apura um esquema de corrupção envolvendo fiscais do ministério e empresas do setor agropecuário. Em ofício, assinado pelo secretário-executivo Eumar Roberto Novacki, Gil Bueno e Júlio Carneiro, titulares no Paraná e em Goiás, respectivamente, foram afastados definitivamente dos cargos que ocupavam. Como superintendentes nos Estados, eles tinham a responsabilidade de serem os principais representantes locais do ministério. Conforme decisão do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal do Paraná, ambos são investigados por irregularidades, sendo que Bueno foi alvo de mandado de prisão preventiva e Carneiro, de condução coercitiva. Na sexta-feira, imediatamente após a operação, Novacki anunciou que 33 servidores da pasta tinham sido afastados e três frigoríficos fechados. Tiveram os trabalhos interrompidos uma unidade de produção em Mineiros (GO), pertencente à gigante BRF, e duas da empresa Peccin Agroindustrial, em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR). Neste domingo, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP-MT), criticou a “narrativa” da Operação construída pela Polícia Federal. Para Maggi, a pasta deveria ter sido consultada pelos investigadores, para esclarecer pontos que são práticas comuns do setor, mas que foram considerados irregulares pela Operação Carne Fraca. Ele citou um dos casos descobertos que mais repercutiu, que seria o de um frigorífico onde papelão teria sido misturado à carne comercializada. O ministro chamou de “idiotice” essa declaração, uma vez que considera evidente o fato de que o uso do material seria referente à embalagem, acrescentando que essa “narrativa” pode levar a “criar fantasias”. Por fim, o ministro da Agricultura informou que a Polícia Federal justificou a ausência da participação da pasta por esta ter servidores entre os investigados. Ele ressaltou, no entanto, que a partir de agora as investigações contarão com a colaboração do órgão.

Carne brasileira começa a ser barrada em vários países


O mercado internacional começa a reagir à Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira pela Polícia Federal contra um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e frigoríficos. China, Coréia do Sul e Chile já anunciaram restrições temporárias à entrada da carne brasileira. O Ministério da Agricultura confirma que apenas a China pediu informações ao governo brasileiro sobre a carne exportada. Enquanto o Brasil não der essas informações, a carne brasileira que chegar à China fica parada no porto. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem uma videoconferência com autoridades chinesas às 21h (horário de Brasília). O governo informa não ter sido comunicado sobre o banimento da carne em outros países. Mas o Ministério da Agricultura do Chile informou no Twitter a suspensão temporária da compra de carne brasileira. 


A União Européia informou que está monitorando as importações de carne brasileira e de todas as empresas envolvidas na Operação Carne Fraca. “A Comissão garantirá que as empresas envolvidas na fraude tenham suas exportações para a União Européia suspensas”, disse à imprensa britânica um porta-voz da entidade. Segundo agências internacionais, a Coréia do Sul vai intensificar a fiscalização da carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente a entrada de produtos da BRF, uma das empresas citadas na Operação Carne Fraca. Em nota, a BRF informa “que não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades brasileiras ou estrangeiras a respeito da suspensão de suas fábricas por países com os quais mantém relações comerciais, incluindo Coréia do Sul e União Européia”. BRF Brasil é o grupo empresarial do empresário filopetista Abilio Diniz, adepto do capitalismo páraestatal tão incrementado pelo regime petista no Brasil.. 

Show midiático da "Carne Fraca" deveria envergonhar a Polícia Federal e o País


Por Reinaldo Azevedo - É uma vergonha, um descalabro, um assombro mesmo!, o que se deu na “Operação Carne Fraca”. Dá para entender por que setores autocráticos da burocracia, com o apoio da direita xucra, tanto rejeitam um projeto que puna abuso de autoridade. Escrevi um texto bastante ponderado a respeito, com as “informações” fornecidas pela PF. Destaquei que a carne brasileira era considerada uma das melhores do mundo e que isso se conquistou com investimento e tecnologia. Mas como ficar imune àquela avalanche, que viria a se mostrar uma coleção formidável de sandices? De todo modo, penitencio-me, sim, porque comentei com amigos, com a minha mulher e até com algumas autoridades que via um enorme exagero em tudo. E isso já na sexta. Mas não escrevi. Não que tenha me acovardado — nada a perder senão os grilhões com que tentam atar-nos os inimigos. É que a operação denunciava o quase nefando, o que não pode ser pronunciado: venda de carne podre, uso de produtos cancerígenos, emprego de papelão em embutidos, uso de carne proibida em linguiça… A dúvida não deixou de martelar. Bem, já dá para saber. 1 – A cabeça de porco — há excelentes restaurantes que fazem uma bochecha que é de comer rezando… — pode ser usada no processamento de embutidos; 2 – o tal papelão misturado à carne era uma referência à troca de embalagens plásticas por embalagem de… papelão; 3 – os ácidos ascórbico (vitamina C) e sórbico (um conservante) não são produtos cancerígenos; 4 – “carne podre” é uma gíria para se referir à utilização de produto que não tenha sido inspecionado pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal); não é sinônimo de “carne putrefata”. Mas isso ainda é pouco. Tratou-se da maior operação da história da Polícia Federal, envolvendo 1.100 homens. Há 4.800 estabelecimentos que processam carne no país. Sabem quantos estavam sob suspeita, e isso não ficou claro em nenhum momento? Apenas 21: ou 0,437%. É importante que você tenha a dimensão, leitor, do que isso significa. Se você pesar 70 kg, 0,437% do seu peso corresponde a 306 gramas, menos que seu almoço. Entendeu? Mas calma! Desses 21, três unidades foram interditadas: 0,0625% — ou 43,75 gramas, mais ou menos umas quatro folhas de alface. Atenção! A Polícia Judiciária Federal armou um salseiro sem precedentes na história para punir eventuais práticas criminosas que, se aconteceram, são absolutamente marginais. As eventuais falhas de fiscalização parecem ser localizadas. E devem ser combatidas com dureza. Não obstante, o que se viu? Queiram ou não, toda a carne consumida no país e também a exportada foi posta sob suspeição. Por quê? A meu ver, por irresponsabilidade, por açodamento, por gosto pelo espetáculo, por vedetismo mixuruca. As ações da BRF e da JBS despencaram. Quem vai arcar com esse prejuízo? Bem, se essas empresas decidirem acionar o estado, o que a Polícia Federal vai dizer à sociedade? O Brasil disputa a liderança mundial na exportação de carne e é líder mesmo em alguns setores. Seu produto é considerado de alta qualidade, e não foi fácil ganhar esse reconhecimento. No ano passado, a exportação de frango (US$ 6,849 bilhões), bovinos (US$ 5,5 bilhões) e suínos (US$ 1,483 bilhão) rendeu ao país US$ 12,349 bilhões. Não é segredo para ninguém que, seja nos anos falsamente dourados de Lula, seja agora, é o agronegócio que impede o país de ir para a pindaíba. O espalhafato feito pela Polícia Federal certamente deixou chocados e temerosos os brasileiros, mas a repercussão maior se deu mundo afora, especialmente naqueles países que compram o produto brasileiro. Quem vai impor a disciplina a essa gente? Não sei. Coisas nada corriqueiras estão em curso. E vou falar delas. A propósito: e se a Polícia Federal, na próxima, decidir dançar o “cancan”? Todos com as pernocas de fora e para o alto. Pode atrair até mais cobertura da “mídia”.