sexta-feira, 17 de março de 2017

Investigação começa com salsicha falsa servida em merenda escolar


Até mesmo a merenda escolar de estudantes da rede estadual do Paraná recebeu carne adulterada investigada na Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17) pela Polícia Federal. Os estudantes comeram salsicha de peru, na prática, sem carne, com substituição por proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango. Foi com esse contrato, cujas suspeitas foram encaminhadas por um servidor do Ministério da Agricultura à Polícia Federal, que começou a investigação. Ao longo de dois anos de apuração, a Polícia Federal identificou carnes adulteradas, com prazo de validade vencido e maquiadas com produtos proibidos por lei, em gôndolas de supermercados. Entre os frigoríficos investigados estão algumas das maiores empresas do setor, como BRF e JBS, além de outras pequenas indústrias que são suas fornecedoras. A liberação da carne adulterada foi feita por fiscais do Ministério da Agricultura, que recebiam propina dos frigoríficos para afrouxar a fiscalização. Produtos vencidos e estragados eram tratados com ácido ascórbico, um produto potencialmente cancerígeno, e tinham os rótulos trocados. “Inúmeras crianças de escolas públicas estaduais do Paraná estão se alimentando de merendas compostas por produtos vencidos, estragados e muitas vezes até cancerígenos para atender o interesse econômico desta poderosa organização criminosa”, escreveu o delegado Maurício Moscardi Grillo.

A mulher sapiens petista Dilma Rousseff diz que PMDB e PSDB “criminalizam a política”


O jornal Valor Econômico publicou nesta sexta-feira uma entrevista com a ex-presidente Dilma Rousseff, que recebeu a reportagem em sua residência em Porto Alegre. Apesar das irregularidades na Petrobras ocorridas durante seu governo e antes, sob sua gestão no Conselho da estatal, ex-presidente atacou a corrupção como problema dos outros partidos. Na conversa, a petista faz ataques diretos a integrantes importantes do PMDB, entre eles o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o ministro Moreira Franco. Segundo Dilma, ela impediu Moreira, atualmente chefe da Secretaria-Geral da Presidência, de “roubar” quando ele integrava o seu governo. Abre aspas: “O gato angorá tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar, querida. É literal isso: eu não deixei o gato angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil”. Segundo delações premiadas, “Angorá” era o apelido de Moreira em negociações com a Odebrecht. Apesar das críticas ao peemedebista, ele foi ministro em duas áreas no primeiro mandato de Dilma: foi responsável pela pasta dos Assuntos Estratégicos de 2011 a 2013, com status de ministro; e comandou a Aviação Civil até o fim de 2014. Na entrevista, ela disse ainda que não se aliou a Eduardo Cunha porque não queria “assaltar o País”. Dilma afirmou o seguinte: “Eles assaltam o País. Assaltam. Do verbo assaltar. Além de outras coisas, né? Ele tem uma postura, em relação a direitos, coletivos e individuais, extremamente sectária”. Ainda sobre o ex-presidente da Câmara, Dilma disse também que ele é protagonista de seu “capítulo preferido” na “novela da Lava Jato”, referindo-se às perguntas que Cunha enviou ao presidente Michel Temer – parte delas foi vetada pelo juiz Sergio Moro. “Quando li a primeira vez, lá sabia quem era José Yunes? Mas lá está Eduardo Cunha dizendo que quem roubava na Caixa Econômica Federal, no FGTS, é o Temer. Leia, minha filha. Não tenho acesso às delações, mas sei o que é um roteiro. E lá está explícito roteiro da delação de Eduardo Cunha”.

Adriana Ancelmo, a "Riqueza", mulher de Sérgio Cabral, vai para prisão domiciliar


O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, decidiu substituir a prisão preventiva da mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, a "Riqueza", pela prisão domiciliar. Ainda não há data para soltura, pois os investigadores querem ter certeza antes que o imóvel para onde ela vai ser levada cumpra os pré-requisitos determinados, como não ter linha telefônica e internet. A decisão da alteração da medida cautelar para Adriana Ancelmo foi tomada porque o juiz entendeu que os filhos menores do casal, de 10 e 14 anos, não podem ser privados simultaneamente do convívio com os pais, que estão presos. Os filhos atualmente estão morando com o irmão, o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB), que é filho de Sérgio Cabral, de seu primeiro casamento com Susana Neves, com quem o ex-governador tem outros dois filhos maiores. Segundo Alexandre Lopes, advogado da ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo voltará para seu apartamento no Leblon. "Foi surpresa ter pedido aceito, esperávamos no STJ, não hoje", admitiu. O juiz determinou que além de Adriana Ancelmo não poder ter internet e telefone no imóvel, as visitas também não poderão portar dispositivos para se comunicar. O advogado acrescentou que o apartamento deve ficar pronto até segunda-feira. Em seguida, a Justiça será notificada, e deve mandar uma vistoria da Polícia Federal para checar se o apartamento cumpre os pré-requisitos. Lopes também afirmou que não há qualquer intenção por parte da ex-primeira-dama de fazer uma delação premiada. "Há uma obsessão de parte da imprensa com delação premiada. O processo penal não se resume a delação. Ela não tem a menor intenção de fazer uma delação contra quem quer que seja", diz o advogado. Adriana Ancelmo está presa desde 6 de dezembro do ano passado, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste. O complexo penitenciário é o mesmo onde está preso o marido. Ela foi detida na Operação Calicute suspeita de lavar dinheiro e ser beneficiária do esquema de corrupção comandado por Sérgio Cabral. Mais três testemunhas eram ouvidas desde a manhã desta sexta-feira (17), durante audiência na 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, no processo derivado da Operação Calicute, que levou o ex-governador Sérgio Cabral para a cadeia em novembro do ano passado. Uma das testemunhas ouvidas nesta sexta, Maria Luíza Trotta, diretora comercial da H. Stern, que atendia pessoalmente o casal, disse que Sérgio Cabral e sua mulher Adriana Ancelmo adquiriram 40 jóias na joalheria H. Stern entre meados de 2012 e 2015, que somavam valor de R$ 6 milhões. Os investigadores suspeitam que a compra de jóias era uma das estratégias para lavar dinheiro proveniente da corrupção. 

Polícia Federal diz que frigoríficos usavam produtos químicos para maquiar fedor das carnes apodrecidas, vencidas, que eram colocadas à venda

Frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca usavam produtos químicos para "maquiar" carne vencida, injetavam água para aumentar o peso dos produtos e, em alguns casos, foi constatada ainda falta de proteína na carne. Os detalhes foram divulgados pelo delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo nesta sexta-feira (17). “Eles usavam ácidos e outros produtos químicos para poder maquiar o aspecto físico do alimento. Usam determinados produtos cancerígenos em alguns casos para poder maquiar as características físicas do produto estragado, o cheiro", disse Moscardi. A Polícia Federal, no entanto, não detalhou ainda em quais empresas foram encontradas estas irregularidades. No caso da falta de proteína, o delegado explicou que havia substituição: "Foi trocada por fécula de mandioca ou proteína da soja, que é muito mais barata, mais fácil de substituir". O delegado afirmou que nem mesmo os fiscais envolvidos, que costumavam ganhar carnes dos proprietários como benefício, estavam aguentando a má qualidade dos produtos. "Eles comentavam entre si que não estava mais dando para receber", disse. A operação apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Segundo a Polícia Federal, a Carne Fraca é a maior operação já realizada pela corporação. São 1,1 mil policiais cumprindo 309 mandados – 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba e estão sendo cumpridas em São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Em dois anos de investigação, detectou-se que funcionários de superintendências regionais de Paraná, Minas Gerais e Goiás recebiam propina para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Alguns dos funcionários foram detidos na operação nesta manhã. Foram investigadas grandes empresas do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas. 
Empresas alvo de busca e apreensão na operação Carne Fraca:
Big Frango Indústria e Com. de Alimentos Ltda. 
BRF - Brasil Foods S.A.
Dagranja Agroindustrial Ltda./Dagranja S/A Agroindustrial
E.H. Constantino
Frango a Gosto
Frigobeto Frigoríficos e Comércio de Alimentos Ltda.
Frigomax- Frigorífico e Comércio de Carnes Ltda. 
Frigorífico 3D
Frigorífico Argus Ltda. 
Frigorífico Larissa Ltda.
Frigorífico Oregon S.A.
Frigorífico Rainha da Paz
Frigorífico Souza Ramos Ltda.
JBS S/A
Mastercarnes
Novilho Nobre Indústria e Comércio de Carnes Ltda. 
Peccin Agroindustrial Ltda./Italli Alimentos
Primor Beef - JJZ Alimentos S.A.
Seara Alimentos Ltda.
Unifrangos Agroindustrial S.A./Companhia Internacional de Logística
Breyer e Cia Ltda.
Fábrica de Farinha de Carne Castro Ltda. EPP
Gravações telefônicas apontam que frigoríficos vendiam carne vencida tanto no mercado interno, quanto para exportação. Segundo as investigações, o esquema no Paraná era comandado pelo ex-superintendente regional do ministério, Daniel Gonçalves Filho, e pela chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Maria do Rocio Nascimento, que trabalham em Curitiba. 


Na casa do atual superintendente regional do Ministério da Agricultura, Gil Bueno, a polícia apreendeu R$ 65 mil nesta manhã. Os três são alvos de prisão preventiva. Em sua decisão, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, diz que o envolvimento do Ministério da Agricultura é "estarrecedor". "(O ministério) foi tomado de assalto – em ambos os sentidos da palavra – por um grupo de indivíduos que traem reiteramente a obrigação de efetivamente servir à coletividade", afirmou. De acordo com informações da Polícia Federal, a denúncia partiu de um fiscal não aceitou ser transferido de cidade após denunciar Maria do Rocio ao sindicato por assédio moral. Ele se queixou de remoções de funcionário que seriam feitas para atender aos interesses das empresas. Em Goiás, a Polícia Federal afirma que o esquema operava de forma parecida com o paranaense e era liderado pelo chefe do Dipoa, Dinis Lourenço da Silva. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, apareceu na investigação da Operação Carne Fraca. Em uma conversa grampeada quando ele ainda era deputado federal, Serraglio chama o ex-superintendente regional no Paraná do Ministério da Agricultura, Daniel Gonçalves Filho, de “grande chefe”. "Sentimos que não havia crime por parte do tal ministro. Porém, por cautela, foi necessário fazer esse informe para não sermos questionados", disse delegado da Polícia Federal, Maurício Moscardi Grillo. Segundo ele, o que for referente ao ministro será encaminhado à Procuradoria-Geral da República. Em evento no Rio Grande do Sul, Serraglio comentou o conteúdo da conversa gravada. "Esse frigorífico fica a uns 50 km da minha cidade. É um frigorífico que um dia recebeu, eu tô sabendo pelo o que eu li na imprensa, porque telefonemas a gente dá e muitos, eu recebi um comunicado dizendo que iam fechar o frigorifico", afirmou. "Aí eu liguei. Pra quem? A expressão que a imprensa está explorando de alguma maneira porque eu chamei de 'chefe'. Ele é o chefe. Aquele cidadão com quem eu falei é superintendente do Paraná da agricultura. Eu liguei pra ele para saber 'o que está acontecendo em relação ao frigorífico?'” 
Veja uma transcrição da conversa do ministro com Daniel Gonçalves:
Osmar Serraglio: grande chefe, tudo bom?
Daniel: tudo bom
Osmar: viu, tá tendo um problema lá em Iporã, cê tá sabendo?
Daniel: não
Osmar: o cara lá, que... o cara que tá fiscalizando lá... apavorou o Paulo lá, disse que hoje vai fechar aquele frigorífico... botô a boca... deixou o Paulo apavorado! Mas pra fechar tem o rito, num tem? Sei lá. Como que funciona um negócio desse?
Daniel: deixa eu ver o que acontecendo... tomar pé da situação lá tá... falo com o senhor.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apontou que parte da propina recebida pelas superintendências ia para o PMDB e o PP. 


Gravações telefônicas obtidas pela Polícia Federal apontam que vários frigoríficos do País vendiam carne com data de validade vencida tanto no mercado interno, quanto para exportação. Entre produtos químicos e carne fora da validade, há casos ainda mais "curiosos", como a inserção de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiça. No Paraná. o esquema tinha ramificações em Londrina, no norte do Wstado, e em Foz do Iguaçu, na região oeste. No Rio Grande do Sul, são cumpridos mandados nas cidades de Gramado e Bento Gonçalves, na serra gaúcha. Em São Paulo, são 18 mandados no total, sendo 8 de busca e apreensão, 3 de prisão preventiva, 1 de prisão temporária e 6 de condução coercitiva, todos na capital. 

Polícia Federal prende ao menos 20 funcionários públicos envolvidos na Operação Carne Fraca

Ao menos 20 funcionários públicos foram presos pela Polícia Federal nesta sexta-feira (17) suspeitos de envolvimento na Operação Carne Fraca, que investiga a venda ilegal de carnes. Foram emitidos 38 mandados de prisão - 34 contra funcionários públicos. A operação apura o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Também foram presos executivos de grandes grupos frigoríficos, como o gerente de Relações Institucionais e Governamentais da BRF Brasil, Roney Nogueira dos Santos; o diretor da BRF André Luiz Baldissera; e o funcionário da Seara, empresa da JBS, Flávio Evers Cassou. O dono do frigorífico Larissa, Paulo Rogério Sposito, também foi preso. A operação foi deflagrada no início da manhã desta sexta-feira, mas até as 15 horas a Polícia Federal ainda não havia detalhado quem e quantos são os presos. As autoridades também não detalharam quais empresas cometeram as irregularidades citadas. Além dos 38 mandados de prisão - 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária - foram emitidos 77 mandados de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão. As ordens judiciais são cumpridas em São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Foram investigadas grandes empresas do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas. Também há envolvimento, segundo a Polícia Fedeeeral, de frigoríficos menores, como Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, que tem unidades no Paraná e em São Paulo. Veja as empresas que são alvo de busca e apreensão na operação Carne Fraca:
- Big Frango Indústria e Com. de Alimentos Ltda. 
- BRF - Brasil Foods S.A.
- Dagranja Agroindustrial Ltda./Dagranja S/A Agroindustrial
- E.H. Constantino
- Frango a Gosto
- Frigobeto Frigoríficos e Comércio de Alimentos Ltda.
- Frigomax - Frigorífico e Comércio de Carnes Ltda. 
- Frigorífico 3D
-Frigorífico Argus Ltda. 
- Frigorífico Larissa Ltda.
- Frigorífico Oregon S.A.
- Frigorífico Rainha da Paz
- Frigorífico Souza Ramos Ltda.
- JBS S/A
- Mastercarnes
- Novilho Nobre Indústria e Comércio de Carnes Ltda. 
- Peccin Agroindustrial Ltda./Italli Alimentos
- Primor Beef - JJZ Alimentos S.A.
- Seara Alimentos Ltda.
- Unifrangos Agroindustrial S.A./Companhia Internacional de Logística
- Breyer e Cia Ltda.
- Fábrica de Farinha de Carne Castro Ltda. EPP
Segundo a Polícia Federal, os frigoríficos investigados usavam produtos químicos para “maquiar” carne vencida, injetavam água para aumentar o peso dos produtos e, em alguns casos, foi constatada ainda falta de proteína na carne. A Polícia Federal, no entanto, não detalhou ainda em quais empresas foram encontradas as irregularidades. 


Em nota, a JBS admitiu que três de suas fábricas foram alvo da operação, mas repudiou a adulteração de produtos e afirmou que a empresa e suas subsidiárias "atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no País e no Exterior e apóia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas", diz a nota. Em nota enviada ao mercado, a BRF informou que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. "A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua". A Central de Carnes Paranaense, dona das marcas Master Carnes, Souza Ramos e Novilho Nobre, esclareceu em nota que recebeu a visita dos policiais, mas que nenhum de seus funcionários foi detido. A empresa disse que está colaborando com as investigações, que classifica como "de suma importância para uma concorrência leal do mercado" e que está comprometida "com a verdade e com a ética". Em dois anos de investigação, detectou-se que funcionários de superintendências regionais de Paraná, Minas Gerais e Goiás recebiam propina para facilitar a produção dos alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Em sua decisão, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, diz que o envolvimento do Ministério da Agricultura é "estarrecedor". "O ministério foi tomado de assalto – em ambos os sentidos da palavra – por um grupo de indivíduos que traem reiteradamente a obrigação de efetivamente servir à coletividade", afirmou. Gravações telefônicas obtidas pela Polícia Federal apontam que vários frigoríficos do País vendiam carne vencida tanto no Brasil quanto no Exterior. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, é citado na investigação. Em conversa grampeada quando ele ainda era deputado federal, Serraglio chama o ex-superintendente regional no Paraná do Ministério da Agricultura, Daniel Gonçalves Filho, de “grande chefe”. Segundo a Polícia Federal, a investigação apontou que parte da propina recebida pelas superintendências ia para o PMDB e o PP. 

Polícia Federal diz que propina da Carne Fraca abastecia o PMDB e o PP no regime petista


O delegado federal Maurício Moscardi Grillo afirmou nesta sexta-feira, 17, que parte do dinheiro arrecadado pelo esquema de corrupção envolvendo fiscais e maiores frigoríficos do País, descoberto pela Operação Carne Fraca, era abastecia o PMDB e o PP. “Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era, sim, revertido para partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação dois partidos que ficavam claro: o PP e o PMDB”, afirmou. Executivos do frigorífico JBS e da empresa BRF Brasil foram presos. O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Segundo a Polícia Federal, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás ‘atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’. Em nota, a Polícia Federal informou que aproximadamente 1100 policiais federais estão cumprindo 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao esquema. “Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. O nome da operação faz alusão à conhecida expressão popular em sintonia com a própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos corporativos do ramo alimentício. A expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade.

Executivos de gigantes das carnes BRF e JBS são alvo de operação da Polícia Federal


A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação Carne Fraca para combater corrupção de agentes públicos federais e crimes contra a Saúde Pública. O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio, com executivos das gigantes BRF e JBS entre os alvos da operação, que foi autorizada pelo juiz Marcos Josegrei da Silva, da Justiça Federal do Paraná. Segundo a Polícia Federal, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás “atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público”. Em nota, a Polícia Federal informou que aproximadamente 1.100 policiais federais estão cumprindo 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao esquema. Essa é a maior operação policial da história da Polícia Federal. “Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos com desvio de finalidade para atender a interesses dos grupos empresariais. Tal conduta permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente”, diz a nota da Polícia Federal. As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba/PR e estão sendo cumpridas em sete Estados: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. O nome da operação faz alusão à conhecida expressão popular em sintonia com a própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos corporativos do ramo alimentício. A expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade. A empresa JBS informou que “adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos”. A empresa BRF declarou que “está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas”. 

Doleiro Alberto Youssef, peça-chave da Operação Lava Jato, ganha a liberdade após três anos de prisão


Exatos três anos após ser preso pela Polícia Federal em um hotel em São Luís (MA), na primeira fase da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef "progrediu" nesta sexta-feira ao regime aberto. Depois de dois anos e oito meses preso no Paraná, entre a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, e o Complexo Médico Penal de Pinhais, Youssef, um dos principais delatores da operação, voltará à capital paranaense para retirar a tornozeleira eletrônica e, enfim, poder ir e vir sem restrições, a trabalho ou lazer. Os advogados dele não comentam a quais atividades o doleiro se dedicará a partir de hoje, quando voltar a São Paulo, onde cumpria prisão domiciliar há quatro meses. Limitam-se a dizer que ele busca recomeçar a vida longe dos holofotes da imprensa. Desde novembro, o delator passa os dias em um apartamento de cerca de 50 metros quadrados com vista para o Parque do Ibirapuera na Vila Nova Conceição, bairro nobre da zona oeste da capital paulista. Este será o segundo “recomeço” de Youssef. Ele foi preso e condenado no caso Banestado, que veio à tona em 1998, por crimes contra a ordem tributária, evasão de divisas, formação de quadrilha e corrupção ativa nas fraudes no antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado), que envolveram cerca de 30 bilhões de dólares. Foi nessa época que Youssef conheceu o rigor da caneta do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos do Banestado e da Lava Jato. “Eu sou homem de ter coragem de mamar em uma onça, mas o único homem de quem eu tenho medo nesta terra se chama Sergio Moro”, revelou o doleiro em entrevista ao jornalista Vladimir Netto, autor do livro Lava Jato (Primeira Pessoa, 2016). Com duas condenações no Banestado, cujas penas totalizam onze anos e quatro meses de prisão, o doleiro só se safou de uma longa temporada na cadeia ao firmar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2014. O compromisso de se afastar da vida criminosa não prosperou, no entanto, como mostra o escândalo da Petrobras investigado na Lava Jato. Diante da reincidência do doleiro, Moro resolveu rescindir seu acordo de colaboração do Banestado e condená-lo no caso, em setembro de 2014, a quatro anos e quatro meses de prisão. “(Youssef) teve sua grande chance de abandonar o mundo do crime com o acordo de colaboração premiada, mas a desperdiçou, como indicam os fatos que levaram à rescisão do acordo”, afirmou o magistrado. O juiz Sérgio Moro foi obrigado a rescindir o contrato de delação premiada do doleiro Alberto Youssef na Operação Banestado porque o Supremo Tribunal Federal tinha concedido um habeas corpus a ele, para soltá-lo da prisão na Operação Lava Jato. Com a delação rescindida da Operação Banestado ele então passou a cumprir pena daquele processo e não podia ser libertado por nenhum habeas corpus. Foi então que ele decidiu fazer nova delação premiada, desta vez na Operação Lava Jato, para evitar passar o resto da sua vida na cadeia. E conseguiu uma segunda “grande chance” ao firmar o segundo acordo da Lava Jato – ele só não foi mais rápido que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, seu amigo de longa data. Em seus depoimentos à força-tarefa do Ministério Público Federal, Alberto Youssef relatou como – e a quem – encaminhava remessas de propina de contratos da Petrobras com empreiteiras. O doleiro e seus “funcionários” cruzavam o País para entregar malas recheadas com dinheiro vivo ou faziam depósitos no Exterior por meio de empresas offshore. Entre os políticos citados por Alberto Youssef aos procuradores estão os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma Rousseff (PT) e Fernando Collor de Melo (PTC-AL), os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e deputados de PT, PP e PMDB. As revelações do doleiro sensibilizaram Moro. Ao condenar Youssef pela primeira vez na Lava Jato, em abril de 2015, a nove anos e dois meses de prisão, o juiz ponderou que “ainda que o colaborador seja um criminoso profissional e mesmo que tenha descumprido acordo anterior, como é o caso de Alberto Youssef, se as declarações que prestou soarem verazes e encontrarem corroboração em provas independentes, é evidente que remanesce o valor probatório do conjunto”. Esta foi uma das nove sentenças condenatórias que o magistrado assinou contra o doleiro, réu em 14 ações penais da Lava Jato. O total das penas é de intermináveis 132 anos e 20 dias de prisão. A 5ª cláusula de seu acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal prevê, no entanto, que as penas dos processos sejam suspensas quando transitarem em julgado condenações que somem 30 anos de prisão. Graças a esta condição, Youssef já teve suspensas três sentenças. Ele também acabou absolvido em outros três processos e teve uma ação penal extinta sem julgamento de mérito.