domingo, 19 de fevereiro de 2017

Escritor Mario Vargas Llosa diz que Sérgio Moro abriu a Caixa de Pandora da corrupção e é um milagre que esteja vivo


Em artigo publicado nos jornais El País e O Estado de S.Paulo, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura,  afirmou que a empreiteira Odebrecht, no futuro, deverá ter um monumento em sua homenagem. No mesmo texto, ele afirma ser “milagre” que “um juiz fora do comum”, como Sérgio Moro, continue vivo. Llosa abre o texto dizendo que a empreiteira fomentou a corrupção, mas ao mesmo tempo fez um trabalho como poucos para revelar os esquemas de corrupção que corroem os países da América Latina. “Algum dia teremos de erigir um monumento em homenagem à empresa brasileira Odebrecht, porque nenhum governo, empresa ou partido político fez tanto quanto ela desvelando a corrupção que corrói os países da América Latina, nem trabalhou com tanto ânimo para fomentá-la”, diz. Ele lembra que a Odebrecht gastou cerca de 800 milhões de dólares em propinas pagas a chefes de Estado, ministros e funcionários de governo para ganhar licitações e obter contratos superfaturados. Nesse contexto, ele diz que é um “milagre” que o juiz Sérgio Moro, que abriu a “Caixa de Pandora”, continue vivo. Llosa lembra também que o ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que está fora do país na condição de foragido, foi condenado por um juiz a prisão preventiva de 18 meses, enquanto o envolvimento dele com a construtora é investigado. Em seu texto Mario Vargas Llosa advertiu que somente a democracia será capaz de combater a corrupção dos governos latinos, revelada pela Odebrecht e pela Lava Jato. Disse ele: “É uma tragédia que, no momento em que a maioria dos latino-americanos começa a se convencer de que a democracia liberal é o único sistema de governo que garante um desenvolvimento civilizado, na convivência e na legalidade, o roubo frenético cometido por governantes corruptos conspire contra essa tendência positiva. Aproveitemos as delações premiadas da Odebrecht para puni-los e demonstrar que a democracia é o único sistema capaz de regenerar-se a si mesmo".