domingo, 16 de abril de 2017

Temer, Lula e FHC articulam pacto por sobrevivência política em 2018




Foi em novembro do ano passado, quando a Lava Jato mostrou poder para atingir novos setores políticos e econômicos, que emissários começaram a costurar um acordo entre dois ex-presidentes e o atual chefe da República. O objetivo era que Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (PMDB) liderassem um pacto para a classe política, fragilizada pelo avanço das investigações. Apartamentos de autoridades e restaurantes sofisticados serviram para que aliados dos líderes políticos discutissem medidas para limitar a operação e impedir que o grupo formado por PSDB, PT e PMDB seja, nas palavras de articuladores desse acordo, exterminado até 2018. Nas últimas semanas, pessoas relacionadas às três partes fizeram avaliação unânime: a Lava Jato, segundo elas, quer enfraquecer a classe política e abrir espaço para um novo projeto de poder, capitaneado, por exemplo, por integrantes da investigação da Lava Jato possivelmente interessados em disputar eleições. O bom trânsito com os dois ex-presidentes e com Temer credenciou o ex-ministro do STF, Nelson Jobim, e o atual ministro da corte, Gilmar Mendes, como dois dos principais emissários nessas conversas. Jobim tem falado com todos. Já almoçou com Temer e FHC e marcou de encontrar com Lula nos próximos dias. Gilmar, por sua vez, hoje é próximo ao presidente, que participa de negociações para articular um acordo para a reforma política, diante do debate sobre a criminalização das doações eleitorais. Este é o ponto que atinge os principais expoentes da política brasileira, inclusive Temer, Lula e FHC, os três citados nas delações de executivos da Odebrecht por recebimento de dinheiro de forma indevida, por exemplo.  


As acusações contra Lula e FHC foram encaminhadas a instâncias inferiores pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, visto que ambos não têm foro privilegiado. Temer, por sua vez, apesar de citado em dois inquéritos, não é investigado por sua "imunidade temporária" como presidente. A convergência entre os três é: se não houver entendimento para assegurar um processo eleitoral "tranquilo" em 2018, aparecerá um "outsider" ou "aventureiro". O acordo de bastidores passaria pela manutenção de Temer até 2018 e a realização de eleições diretas, em outubro do ano que vem, com a participação de Lula. A tese de quem está à frente das negociações é que não há tempo para uma condenação em segunda instância do petista até 2018, o que o deixaria inelegível. E, caso exista, garantem, haveria recursos em instâncias superiores. As conversas, por ora, estão divididas entre as articulações de cúpula, que costuram o pacto para a classe política, e as do Congresso, que buscam medidas práticas para eliminar o que consideram abusos da Lava Jato e fazer uma reforma política. Entre o que esses grupos avaliam ser possível votar no Congresso para 2018 estão a aprovação da cláusula de barreira para partidos e o fim das coligações proporcionais. Isso fortaleceria as siglas do establishment e enfraqueceria nanicos e aventureiros. Projetos como a anistia ao caixa dois, um novo modelo para o financiamento de campanha eleitoral e até o relaxamento de prisões preventivas, que mantêm encarcerados potenciais delatores para a força-tarefa, também entrariam na lista de medidas. FHC, Temer e Lula se falaram pessoalmente sobre o assunto em fevereiro, quando os dois primeiros visitaram o petista no hospital onde sua mulher estava internada. As conversas, segundo relatos, foram rápidas e reservadas, em razão da circunstância delicada, mas ficou acertado que, "pelo Brasil", todos dialogariam. A partir dali, emissários se movimentaram com mais frequência, mas, por ora, não há expectativa de que os três se encontrem novamente. Mas em público, os agentes têm falado. FHC afirmou que é preciso "serenar os ânimos" e "aceitar o outro". Já havia dito que era preciso fazer "distinções" entre quem recebeu recursos de caixa dois e quem obteve dinheiro para enriquecer. Gilmar Mendes e o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), acompanharam o tucano. No Congresso, o discurso é ainda mais direto. Parlamentares repetem que é preciso "separar o joio do trigo" e "salvar a política".

Um comentário:

Mario Fernandes Testone disse...

Já ouvimos até mesmo âncoras de jornais televisivo comparar a Lava Jato a um tsunami, alguns foram mais além e dizem estar mostrando " o estrago por ela (a lava jato) produzido" Que pena! Talvez esses "apresentadores" (que,muito longe de ser um repórter, porque um repórter de verdade nunca diria tal despropósito) ainda não se deram conta de, quem é quem, nesse escândalo que estamos assistindo e parece estar longe do fim, A Lava Jato não é nenhum Tsunami, e muito menos esta fazendo estrago senhores "apresentadores"; Se existe algum TSUNAMI nessa história, ele tem nome, e se chama " CORRUPÇÃO" e dai sim o estrago por ela produzido! A LAVA JATO senhores "apresentadores" Esta para nosso bem e o bem da nação simplesmente trabalhando! O que esses políticos sujos e podres deveriam estar fazendo!
A propósito, para nossa infelicidade, já ouvimos até mesmo gente mais graúda e que ocupa cargo importante em nossa administração sugerir e também comparar os trabalhos da PF e Lava Jato a esse acontecimento destrutivo da natureza!