quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Planalto trabalha em favor de Renan no STF


O Palácio do Planalto atuou nos bastidores, nos últimos dias, para o Supremo Tribunal Federal adiar o julgamento que pode complicar a vida do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A sessão do Supremo que vai examinar a ação pedindo que réus sejam impedidos de ocupar cargos na linha sucessória da Presidência da República está marcada para esta quinta-feira, mas o governo avalia que este cronograma é inconveniente do ponto de vista político. Dois auxiliares do presidente Michel Temer procuraram informalmente ministros da Corte para falar do momento inoportuno de se julgar a ação apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade. Na prática, o Planalto tem feito de tudo para não contrariar o senador peemedebista, às vésperas da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 no Senado, que na Casa segue como PEC 55. Considerada a âncora do ajuste fiscal, a medida limita o aumento dos gastos públicos por 20 anos e já foi aprovada na Câmara, mas, para entrar em vigor, ainda tem um calendário de tramitação no Senado. A votação no plenário, em primeiro turno, está prevista para o próximo dia 29 e, na segunda etapa, em 13 e 14 de dezembro. A Rede quer que o Supremo estabeleça que pessoas com denúncias admitidas pela Corte não possam substituir o presidente da República, nem mesmo em caso de viagens. Alvo de onze inquéritos, Renan é o segundo na linha sucessória de Temer, após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, já liberou para julgamento uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Renan. Caso o plenário do Supremo aceite a denúncia, ele se tornará réu e responderá a uma ação penal por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. A data desse julgamento, no entanto, ainda não foi definida. O cenário ideal para o Planalto é que a decisão sobre a linha sucessória seja postergada, mesmo porque Renan deixa a cadeira de presidente do Senado em fevereiro de 2017, quando haverá eleição para renovar o comando do Congresso. O feriado desta quarta-feira ainda pode ajudar o governo. Com um plenário esvaziado, o STF pode acabar mesmo adiando o julgamento da ação movida pela Rede. Para que haja quórum e a matéria seja apreciada é necessária a presença de oito dos onze ministros. O ministro Gilmar Mendes não participará do julgamento por ter tirado dias de folga no Exterior. Ricardo Lewandowski, por sua vez, é aguardado nesta quinta-feira em Porto Seguro, na Bahia, onde fará a palestra de abertura do 6.º Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje). Existe ainda a possibilidade de que um dos ministros presentes à sessão se declare suspeito para analisar o caso. Para o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello, um eventual adiamento seria negativo. “Precisamos definir essa matéria porque a época é propícia, já que não temos ninguém na linha de substituição do presidente da República na condição de réu no Supremo. Então, estaremos decidindo mesmo em tese. A matéria não tem complexidade maior”, disse Marco Aurélio. “Estarei presente à sessão, pronto a fazer o relato, a votar e a ouvir. A sociedade precisa ouvir, até mesmo porque não podemos colocar em segundo plano o valor ético e moral. Todo adiamento é negativo e trunca a apreciação da matéria”, afirmou o ministro. O julgamento foi marcado pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, antes do desentendimento com Renan em virtude da deflagração de uma operação que resultou na prisão de quatro policiais legislativos suspeitos de obstruir as investigações da Lava Jato. Na semana passada, o peemedebista ligou para Cármen Lúcia, pediu desculpas por ter chamado de “juizeco” o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília, que autorizou as prisões, e afirmou que a presidente do Supremo é “um exemplo de caráter”. Na denúncia oferecida ao STF, a Procuradoria-Geral da República considerou que Renan recebeu propina da construtora Mendes Júnior para apresentar emendas que beneficiariam a empreiteira. Em troca, o senador peemedebista teria as despesas pessoais da jornalista Monica Veloso, com quem o parlamentar mantinha relacionamento extraconjugal, pagas pela empresa. A investigação tramita na Corte desde 2007 e a acusação foi formalizada em 2013.

Marcelo Odebrecht vai ficar na cadeia até dezembro de 2017 conforme o acordo de delação premiada


Os advogados da empreiteira Odebrecht e o Ministério Público Federal fecharam um acordo para que o empreiteiro Marcelo Odebrecht, permaneça preso em regime fechado até dezembro de 2017. Na negociação de delação premiada, os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato e os representantes do empreiteiro acertaram que a pena total será de dez anos, sendo dois anos e meio em regime fechado. Marcelo está preso desde junho do ano passado na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, sob suspeita de envolvimento no esquema de desvios da Petrobras. Esse período de um ano e quatro meses será descontado da pena total, de acordo com pessoas ligadas às negociações. O empresário entraria em progressão de regime no final de dezembro de 2017 – cumprindo pena no regime semiaberto, aberto e domiciliar. Em março, o juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, condenou o sinhozinho baiano Marcelo Odebrecht a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A defesa do empreiteiro conseguiu a redução da pena alegando que, diante do conteúdo apresentado pelo empresário em delação premiada, a condenação se mostrava muito rígida. A delação de Marcelo Odebrecht envolve os ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Lula, o atual, Michel Temer, os tucanos José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, além de peemedebistas fortemente ligados a Temer, como o senador Romero Jucá e o ministro Geddel Vieira Lima, e os dois principais nomes do PMDB no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral. A expectativa é que o acordo de delação seja assinado até o fim deste mês – mais de 50 executivos e funcionários da empresa negociam com a Procuradoria-Geral da República e com a força-tarefa da Lava Jato.

Eduardo Cunha relaciona Michel Temer e Lula como suas testemunhas na Lava Jato


O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chamou o presidente Michel Temer (PMDB) e o poderoso chefão da orcrim petista e ex-presidente Lula (PT) como suas testemunhas de defesa em ação penal na Operação Lava Jato. Temer e Lula fazem parte de um rol de 22 testemunhas convocadas pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 19 de outubro por decisão do juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância. O ex-parlamentar é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fraudulenta de divisas pela manutenção de contas ilegais na Suíça que teriam recebido propina do esquema na Petrobras. As investigações revelam a existência de contas secretas na Suíça e que o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira pagou propina ao ex-deputado para ser beneficiado em um contrato de aquisição dos direitos de participação na exploração de um campo de petróleo no Benin, na África. Ao todo, Eduardo Cunha teria recebido 1,311 milhão de francos suíços, o equivalente a 1,5 milhão de dólares. Na transação, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada teria atuado como intermediário no acerto dos valores. O documento de 68 páginas apresentado pelos advogados do ex-parlamentar também convoca como testemunhas o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, os ex-ministros Henrique Alves (Turismo), Mauro Lopes (Aviação Civil), o ex-deputado João Paulo Cunha (PT), o pecuarista José Carlos Bumlai, o economista Felipe Diniz, filho do ex-líder do PMDB na Câmara Fernando Diniz, o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Eustáquio Andrade Ferreira (PMDB), os deputados federais Leonardo Quintão (PMDB-MG), Saraiva Felipe (PMDB-MG), o deputado estadual João Magalhães (PMDB-MG) e Nelson Tadeu Filipelli (PMDB-DF). O ex-senador Delcídio Amaral, o ex-gerente da área Internacional, Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos, o professor de direito José Tadeu de Chiara, o lobista Hamylton Padilha, o ex-funcionário da Petrobras, Sócrates José Fernandes Marques da Silva, Mary Kiyonaga e Elisa Mailhos, funcionárias do Banco Merril Lynch, também fazem parte do rol de testemunhas. 

Três das 10 medidas do Ministério Público contra a corrupção não devem prosperar: aquelas que combati praticamente sozinho! Não é heroísmo. É clareza! Coragem, deputado Lorenzoni!

Relator deve recusar, da forma como está, limite a habeas corpus, teste de honestidade e validação de provas colhidas ilegalmente. Ainda bem! Isso é coisa de ditadura

Por Reinaldo Azevedo - Escrevo este texto sob o impulso da satisfação intelectual e moral. Qual? Fiz a coisa certa. Deixei de lado o alarido e me concentrei naqueles que são os meus valores. Enquanto alguns se especializavam por aí em me atacar nas redes sociais. Nem sempre o tempo é senhor da razão. Mas é às vezes. Quando isso ocorre, é o caso de resgatar a verdade de um clichê: antes tarde do que nunca. E, claro!, lamento a, como posso dizer?, prudência dos nossos líderes políticos, que pode ser confundida com covardia. Estamos chegando à reta final da primeira etapa das chamadas “Dez Medidas Contra a Corrupção”, uma proposta do Ministério Público que virou projeto de iniciativa popular. O relator é o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS). Sei bem o que me custou nestes meses dizer a coisa certa. Como pode constatar o leitor, e os textos estão em arquivo, reprovo 3 das 10 propostas e tenho restrições a uma quarta porque:
a) não servem ao combate à corrupção;
b) apenas agridem o Estado de Direito.
Refiro-me, como muitos devem desconfiar:
1 – ao limite imposto ao habeas corpus, o que deixaria qualquer ditadura com inveja do Brasil;
2 – à aceitação em juízo de provas colhidas ilegalmente — desde que de boa-fé, claro… Como a gente sabe, a boa-fé da corda é o pescoço…
3 – teste de honestidade aplicado aleatoriamente a servidores públicos.
Nota antes que prossiga: autoritários e fanáticos exigem concordância de 100%. Se for de 70%, já consideram que se está diante de um traidor.
A Folha publicou um texto informando que Lorenzoni deve recusar essas três propostas em seu relatório — ao menos na forma como foram originalmente concebidas. Nem poderia ser diferente. Nenhuma delas passaria pelo Supremo. “Ah, o Brasil é fogo! Na hora do combate à corrupção para valer, as pessoas não topam!” O Brasil pode ser “fogo”, mas não por isso. Tais expedientes não existem em democracia nenhuma do mundo. Atenção! Um regime de liberdades públicas até admite provas eventualmente consideradas ilegais, mas só para absolver. Assim também é no Brasil. Reconhecer prova ilegal para condenar corresponde, na prática, a entregar o Estado de Direito a máfias, que se especializarão em fabricar provas. Infelizmente, o Ministério Público insiste na aprovação de todas as medidas, e o juiz Sergio Moro dá a sua anuência, o que só serve para boçalizar o debate. Afinal, eles sabem muito bem que o Supremo recusaria tais medidas. O que pretendem? Jogar o povo contra a Corte Suprema e contra a Constituição sob o pretexto de combater a corrupção?Pois bem: tão logo circulou a reportagem da Folha, Ônix começou a ser vítima de uma patrulha organizada, estilo barra-pesada mesmo! Ou topa as dez medidas como estão ou será considerado um amigo da corrupção! É o fim da picada. Trata-se, insisto, de gente que acha que pode constranger o Supremo. Pior de tudo: parlamentares estão com medo. “Ah, quem não deve não teme”. Errado! Vocês jamais leram endosso meu a frases assim. Eu já vi muita gente que não devia nada ser triturada pelo Ministério Público. Querem um exemplo? Eduardo Jorge Caldas Pereira, que foi ministro de Fernando Henrique Cardoso. Sua vida foi quase destruída. Nunca se provou absolutamente nada contra ele. A depender das circunstâncias, também quem não deve pode temer. Então vamos devagar! Fico satisfeito ao perceber que o relator ao menos está tendo a coragem de não condescender com a ilegalidade. Poderia se comportar como um covarde e deixar a coisa pra lá. Os senadores fariam o mesmo, e restaria a tarefa, e o eventual desgaste, de fazer valer a Constituição. “E a quarta medida, Reinaldo, à qual você faz restrição?” É aquela que quer transformar a corrupção em crime hediondo, igualando-a aos crimes contra a vida. Afinal, como está num texto do Ministério Público, “a corrupção mata ao desviar recursos públicos que deveriam garantir direitos essenciais como saúde, educação, saneamento básico e segurança.” Bem, todo mundo sabe que isso é retórica condoreira, não direito. E por que a minha discordância é parcial? É só questão de proporção. Se querem pena de 12 a 25 anos para corruptos, então aumentemos aquelas para os crimes contra a vida. Equiparar um homicídio doloso a metáforas e hipérboles é o fim da picada! Tenho a certeza de que Deltan Dallagnol e Sergio Moro ainda preferem topar no escuro com um corrupto a ter de enfrentar um homicida no breu da noite. Seria bom que os brasileiros não fossem tratados como seres intelectualmente incapazes. O direito penal pune crimes cometidos, não leituras generalistas da realidade. Assim, apoio seis das 10 medidas; repudio integralmente, e o Estado de Direito também, três delas, e faço restrição a uma quarta — restrição essa que cai caso se aumentem as penas dos crimes contra a vida. Não fosse por outra razão, que seja por ojeriza à demagogia. Sinto-me intelectual e moralmente recompensado. Na grande imprensa, combati praticamente sozinho a essas três aberrações, que, como se nota, não vão prosperar. Ainda bem! Afinal, eu estava certo, e os defensores dessas propostas, errados. Não se mata o doente para curar a doença, não é? Que Lorenzoni tenha a coragem de fazer a coisa certa. E que os senhores parlamentares não se acovardem. Ah, sim: todo apoio à Lava Jato quando ela estiver certa. E que se corrija a Lava Jato quando ela estiver errada.

Tucano de MG quer modelo de financiamento de campanha que parece elaborado para salvar o PT

Texto de Marcos Pestana encerra um notável conjunto de aberrações; entre outras coisas, salva com dinheiro público aquele que o eleitor puniu com seu voto

Por Reinaldo Azevedo - Li um título no Estadão e logo fiquei curioso: “Projeto do PSDB prevê financiamento de campanha com recurso do Imposto de Renda”. Huuummm… Se a legenda que, no fim das contas, obteve o melhor resultado nas urnas em 2016 faz uma proposta sobre esse tema, cumpre ficar atento. Bem, logo de cara, li que o tal texto é de UM tucano, não DOS tucanos. Melhor assim. Até porque é de um absurdo tal que só não é sem-par porque se parece muito com o que queria o PT. Aliás, se fosse aprovado e já implementado em 2018, o principal beneficiário seria justamente o partido de Lula… Quem sabe o partido do candidato Lula! O texto é de autoria do deputado Marcus Pestana, de Minas Gerais. Ele é, até onde sei, um parlamentar sério. Mas o que propõe é uma aberração. E não porque beneficiaria o PT. A relação é invertida. Justamente por ser uma aberração, ele acabaria enchendo os cofres do partido que o eleitor quase baniu do País em 2016. Está tudo errado com o texto: concepção, desdobramento, leitura da realidade política. Vamos ver. Pestana já começa errando quando veta a doação de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais. Ora, era o que estava na proposta do petista Henrique Fontana, lembram-se? Agora, é um tucano que está defendendo o financiamento exclusivamente público. E de onde sairia a grana? Do Imposto de Renda! Dois por cento do total anual da receita dessa tributação comporiam o FFD (Fundo de Financiamento da Democracia). Este se dividiria em FFD de Preferência Partidária e FFD Geral. Como dizia Paulo Francis, acho o nome “pseudo”, mas deixo pra outra hora. Arrecadar-se-iam, calcula-se, uns R$ 3 bilhões — no Orçamento deste ano, estão reservados R$ 816 milhões para os partidos. Tá…Nem que o doutor tivesse combinado a coisa com Lula, sairia tão ao gosto dos companheiros. Na sua engenhosidade, ele pretende que o contribuinte, já na declaração, tenha a chance de dizer o partido de sua preferência. Se o fizer, 70% daqueles 2% irão para o FFD de Preferência Partidária, e 30% para o FFD Geral. Se o declarante não especificar por quem bate seu coração, vai tudo para o geral. A coisa já começa a ficar com cara de “decifra-me ou te devoro”… Vai piorar. E como seria distribuída a grana do FFD Geral? Assim: 5% iriam para todos os partidos distribuídos fraternalmente, e 95% segundo o desempenho da sigla na disputa anterior para a Câmara. Que é isso, Pestana? Sabem quem tem a segunda bancada na Câmara? O PT. Se o tucano consegue emplacar a sua proposta, um dos maiores beneficiários será o PT, que foi esmagado pelo eleitor em 2016. Pestana quer encher de dinheiro as burras dos companheiros decadentes. Alguém dirá: “Ah, mas isso só será assim na parte do FFD Geral; há o FFD de Preferência Partidária”. Com a rede de sindicatos, ONGs e movimentos sociais que tem o petismo, adivinhem quem se daria bem também nesse caso. Mais: Pestana institui uma espécie de voto em lista a partir do Imposto de Renda. Estamos diante de um conjunto de aberrações como raramente vi. Oh, claro! O texto prevê que o financiamento público será a única fonte de recursos do partido… Depois de todas as outras, não é mesmo? Já afirmei aqui que proibir a doação de pessoa jurídica corresponde, por contraste, a oficializar o caixa dois. Mesmo que se institua o financiamento público, que, como se nota, pode ser apenas uma forma de fraudar a vontade do eleitor.
Moralismo barato
O moralismo é a manifestação viciosa da moral. É claro que uma proposta como essa é um efeito deletério da Lava Jato. Parte-se do princípio mentiroso de que é o financiamento privado que conduz à roubalheira. Empresas não estão proibidas de doar na esmagadora maioria das democracias. Pode ser a partidos; pode ser a um fundo, que, depois, doa a um partido, como se faz nos EUA. Se faltasse evidência maior do absurdo que encerra essa proposta, fiquemos com a seguinte síntese: o PT certamente assinaria embaixo. Era o que a legenda queria quando armava o golpe para ser o partido único. A sigla entrou numa decadência espetacular. Quem mais lucrou com isso, em 2016, foi o PSDB. E é no PSDB que brota aquela mesma tese defendida pelo partido que caiu em desgraça. O texto de Pestana é imprestável. E, confesso, fico curioso: como é que uma estrovenga como essa vem à luz? Lula, João Vaccari e Gilberto Carvalho não conseguiriam pensar em um plano de recuperação do PT melhor do que esse.

Lula agora ataca eleitores de SP; já sabemos como será a campanha do Apedeuta se ele estiver solto em 2018

Babalorixá de Banânia volta a seus melhores dias e diz bobagens pelos cotovelos; o seu maior rancor é dirigido contra São Paulo

Por Reinaldo Azevedo - Autointitulados intelectuais resolveram lançar um tal Observatório para, sei lá como dizer, velar pela reputação de Lula. Segundo eles, existe um esforço para desconstruir a importância do Apedeuta como uma figura “global” — isto mesmo: que interessa ao planeta Terra. E, no mercado mais, digamos, local, para impedir a sua candidatura à Presidência em 2018. Então tá bom! O encontro se deu na casa do jornalista bolivariano Fernando Morais. Logo, a gente entende que se tratou de um ato já de campanha. O que essa gente quer? Chantagear moralmente a Justiça: qualquer condenação de Lula teria objetivo puramente político e seria, então, injusta. Logo, os tribunais só seriam isentos se declarassem a sua inocência, entenderam? Cabe a pergunta óbvia: se só um resultado é possível, processo pra quê? Lula deveria ser mais corajoso e dizer: “A lei que vale para o resto dos brasileiros não pode valer para mim”. Seria mais honesto. 
Pisando fundo no delírio
O Babalorixá de Banânia rompeu o silêncio depois do desastre que colheu o seu partido. E resolveu arrumar um inimigo: São Paulo! Embora o PT tenha sido esmagado no País inteiro, é certo que é nesse Estado que a coisa se afigura realmente dramática para a companheirada: o PT venceu em apenas oito dos 645 municípios do Estado. É um vexame sem-par no resto do Brasil. Perdeu o mítico ABC. Perdeu o chamado cinturão vermelho. A maior cidade que vai administrar na unidade mais rica da federação é Araraquara. Sabemos, no entanto, que o vexame é nacional. A legenda conseguiu eleger apenas 26% dos candidatos que lançou. Ficou em 13º lugar nesse quesito. Em número de prefeituras, caiu do terceiro para o décimo lugar. Restou-lhe apenas uma capital: Rio Branco. E vai administrar só uma cidade com mais de 200 mil eleitores. O nome disso é PT. O nome disso é Perda Total. Nesta terça, ele esteve na cidade de Buri, no interior paulista, para inaugurar um laboratório da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), que funciona numa área de 643 hectares que foi doada pelo escritor Raduan Nassar. Fez discurso de candidato. Seu alvo preferencial foi o dito conservadorismo de São Paulo. Repetiu o apanhado de bobagens que lhe sopram intelectuais petistas:
“Aqui em São Paulo nós temos um problema que é o conservadorismo. Desde a Revolução de 32, quando foi construída a USP, que eles não queriam universidade federal aqui para não ter pensamento federal no Estado de São Paulo. Uma ideia, uma concepção retrógrada, que não tem noção de País, não tem noção de que o País tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados, que nós somos uma meganação, que tivemos as mais diferentes culturas desse mundo, e tem gente que não gosta disso. Tem gente que não gosta da ascensão de outros Estados”. É tanta bobagem reunida que a desconstrução seria longa. Bem, começa com o ataque à Revolução de 1932 — que, ora vejam, foi um levante contra uma ditadura, que resultou na Constituição de 1934, golpeada em 1937 por Getúlio Vargas, o ditador contra o qual se levantou… São Paulo! Mais: Lula se esquece de que a capital paulista, por exemplo, é a segunda maior cidade nordestina do Brasil: só perde para Salvador — a Salvador que reelegeu um prefeito do DEM, o segundo mais votado do País em números proporcionais. Dos 638 prefeitos que tinha, o partido de Lula ficou com 254: 4,45% dos municípios brasileiros. Não ganhou em nenhuma capital do Sul. Em nenhuma do Sudeste. Em nenhuma do Centro-Oeste. Em nenhuma do Nordeste. Restou-lhe Rio Branco, no Acre. Na reta final, o petista João Paulo, que disputou o segundo turno em Recife, implorou para Lula, um pernambucano, não aparecer por lá. Não deu certo nem assim. É verdade! O resto do Brasil pode não repudiar o PT com a força de São Paulo — não por acaso, o Estado mais rico e mais populoso do País —, mas também não está assim tão longe. Depois de disparar as boçalidades contra o Estado que ainda hoje dá a espinha dorsal do PT em razão dos sindicatos e ONGs, Lula resolveu investir em teorias conspiratórias. Deve ter recebido aula de Marilena Chaui, aquela que acha que Sergio Moro é um agente dos EUA para nos tirar o pré-sal. Afirmou sobre a deposição de Dilma: “Será por causa do pré-sal, que é a maior descoberta de petróleo do século 21? Será que é porque nós destinamos 75% dos royalties para resolver o problema da educação, para recuperar o tempo perdido do século 21? Será que essa coisa que aconteceu no Brasil tem alguma ligação de o Brasil ter virado um protagonista internacional, ter criado o Brics, ter criado um banco fora do FMI e do Banco Mundial? Será que o que está acontecendo no Brasil tem a ver com a relação do Brasil com a África, da criação da Unasul, do Mercosul? Então é importante que a gente discuta que não é por acaso o que está acontecendo nesse País, não é por acaso. Tem algo maior do que a gente imagina acontecendo nesse País". É verdade! O petismo nos deu crescimento de 0,1% em 2014, recessão de 3,8% em 2015 e de estimados 3,2% a 3,5% em 2016. O petismo nos legou inflação de dois dígitos, juros de 14,25%, desemprego de 12%, déficit fiscal de R$ 170,5 bilhões, colapso na infraestrutura, saúde em pandarecos, uma das piores escolas do mundo, a Petrobras quebrada e um dos regimes mais corruptos da Terra. Aí os imperialistas se juntaram com a direita e decidiram: “Precisamos dar um jeito de parar essa potência, antes que o eixo Maduro-PT transforme a América Latina num paraíso”. Bem, já sabemos como será sua campanha eleitoral em 2018 se não estiver preso ou, ainda que solto, condenado em segunda instância. Eis aí! Não aprende nada! Não esquece nada!

Os perseguidores de feto estão inquietos. Seria sede?

O objetivo da hora é usar o vírus zika para, na prática, fazer a defesa do aborto

Por Reinaldo Azevedo - Relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU defenderam, no Supremo Tribunal Federal, que negar o aborto legal a mulheres infectadas pelo vírus zika, e que desejam interromper a gravidez, pode ser uma “forma de tortura”. A manifestação inédita, que consta de parecer encaminhado à Corte, partiu de quatro representantes das Nações Unidas, que se pronunciam de forma independente da entidade. Na avaliação do grupo, “o sofrimento mental que mulheres e meninas podem enfrentar quando desejam interromper uma gravidez, incluindo o contexto do zika, mas não têm acesso legal ao serviço, pode ser grave e pode atingir o nível de tortura e/ou tratamento cruel, desumano ou degradante”. O documento deverá integrar a ação direta de inconstitucionalidade ajuizada em agosto pela Associação Nacional de Defensores Públicos, sobre direitos das mulheres em meio à epidemia do zika. Entre eles, está o acesso ao aborto seguro e dentro da lei. A manifestação dos relatores é o conteúdo principal do pedido do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (o Anis), que pretende ingressar no processo para, segundo eles, ‘auxiliar’ o tribunal nessa questão. Uma das pesquisadoras do Anis é a antropóloga Débora Diniz. A também professora da UNB escreveu, em outra oportunidade, um texto sobre o Estatuto do Nascituro. Ela é contra. Disse coisas como esta: “Nos meus termos e no de grande parte dos cientistas sérios, o nascituro é um conjunto de células com potencialidade de desenvolver um ser humano, se houver o nascimento com vida. Mas estamos falando de células humanas e de potencialidades".

O jornal esquerdista inglês Financial Times declara apoio a Hillary na eleição americana

O jornal esquerdista britânico de economia Financial Times declarou apoio à candidatura da democrata Hillary Clinton nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Em um editorial publicado em seu site nesta segunda-feira (31), o "FT" diz que apesar de todas as fraquezas da candidata, "ela é a melhor esperança". 


"Apesar das suas falhas, Hillary é eminentemente qualificada para ser a primeira mulher eleita para a Casa Branca. Ela tem o apoio do 'Financial Times'." "Este é um momento para a renovação da liderança americana. Um dos candidatos tem as credenciais. Hillary foi primeira-dama, senadora por Nova York e secretária de Estado. Trump lida com difamação, não com diplomacia", diz o editorial. "Não deve haver dúvidas sobre a gravidade da eleição de 2016, para os Estados Unidos e para o mundo", diz. A declaração amplia ainda mais, e além da fronteira americana, o apoio que a democrata recebe de grupos de mídia. Enquanto a maioria dos grandes jornais e revistas endossam sua campanha, poucos, como o "Las Vegas Review-Journal", defendem a eleição de Trump.