segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Renan Calheiros ataca prefeito reeleito de Maceió em nota pública

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atacou o prefeito reeleito em Maceió, Rui Palmeira (PSDB). Em nota divulgada nesta segunda-feira (31), acusou o tucano de recorrer à compra de votos e disse que o tucano tem motivos para se preocupar com a operação Lava Jato. É de morrer de rir um cara como ele dizendo isso.
 
 

Palmeira teve 60,27% dos votos, contra 39,73% de Cícero Almeida (PMDB). Renan preside o PMDB em Alagoas e afirmou que Rui Palmeira "sempre fez pouco caso do dinheiro público", rememorando ocasião em que o contratou no Senado e este não comparecia à Casa. Disse, ainda, que o tucano atacou Cícero de forma injusta e covarde. 
 

Dia a nota: "Só perde quem não pode esperar - Encerrado o processo eleitoral de Maceió, não devo me omitir. Faço-o agora porque, tivesse feito antes, seria interpretado, até com razão, como interferência indevida na campanha. Como presidente do PMDB, em nome das lideranças e da militância, dirijo nossos melhores cumprimentos a Cícero Almeida, pela forma correta como conduziu a campanha. Cícero foi, todo o tempo, equilibrado e maduro, apesar dos ataques injustos e covardes. Cícero não sai como derrotado. Não perdeu porque disputou de forma leal e corajosa. Teria perdido, aí sim, se o prefeito Rui Palmeira lograsse, no tapetão, retirá-lo da disputa, tal como fez anteriormente e tentou agora. Quem vai à luta nunca perde. Cícero foi acusado pelo prefeito Rui Palmeira por ter contratado empresas para limpar a cidade. O próprio Rui Palmeira, empossado prefeito, não só as manteve e foi além: aumentou o valor do contrato e quitou uma vultosa diferença que Cícero recusou pagar. Pior ainda: na eleição de 2014, obrigou-as a custear seus candidatos. Ao contrário do que diz, Rui Palmeira tem motivos para se preocupar com a Lava Jato e outras investigações. Repito aqui que qualquer denúncia deve ser investigada. Aproveito esses episódios para, paciente e serenamente, comprovar que nunca cometi irregularidades. Foi o que aconteceu à primeira e principal acusação, por ouvir dizer, como as demais, e que foi arquivada. O mesmo acontecerá com as outras. A propósito, esclareço que a citação a João Sampaio ocorreu sem meu conhecimento. As atribuições de Presidente do Congresso Nacional me obrigam a estar em Brasília. Logo que soube, pedi que fossem retiradas, e foram. Além de ser meu amigo, João Sampaio era amigo de meu pai. Colaborei de diversas formas com o Cesmac; a mais recente foi o curso de Medicina. Devo dizer que a eleição de Rui Palmeira, de certa forma, me alivia. Isso porque não me verei novamente na obrigação de dar-lhe emprego no Senado. Depois de Rui ter perdido uma eleição, tive que contratá-lo no Senado. Foi um erro, humildemente reconheço. Rui Palmeira não tinha preparo e não gostava de trabalhar. Além do outro empecilho, este insuperável porque moral: ele sempre fez pouco caso do dinheiro público. Sem que soubéssemos, Rui Palmeira viajou para a Austrália e lá ficou, alheio às obrigações e ganhando sem trabalhar. Até denúncia de Arthur Virgílio, hoje prefeito de Manaus, chegou ao meu conhecimento. Obriguei então o faltoso - disso tenho orgulho - a devolver o que havia embolsado, e documentei. Sem tabica e sem saco de dinheiro, que não são meus hábitos. Tenho nojo a violência, hipocrisia e inveja. Quem recorre à compra de votos e monta cadastros de eleitores é Rui Palmeira, não eu. Sabe disso muito bem quem esteve nas eleições de que ele participou. Esses fatos são desconhecidos da população. Como ele esconde que dezenas de vezes - perdi a conta -, para ajudar Maceió, convoquei ministros para despachar com ele em meu gabinete. Mas Rui Palmeira é pródigo em propagar o que lhe convém. Lança mão diariamente dos veículos de comunicação de sua família (que incluem concessões públicas) para atacar adversários, detratando-os com adestrados nesse ofício sujo. Na vida aprendi mais com as derrotas do que com as vitórias. Na verdade, pouco se aprende com a vitória. Sobretudo quem é arrogante, presunçoso, deslumbrado e invejoso, como o prefeito Rui Palmeira. Sempre achei que as pessoas são capazes de se emendar. Ele não foi capaz. Paciência. Parabéns ao autorretrato de bom gestor, íntegro, competente, humilde e trabalhador, com obras em todo lugar; de quem sabe o valor da gratidão, de quem se proclama respeitador do dinheiro público; de quem não apagou suas promessas para poder repeti-las. Parabéns à selfie do bom-moço e bom caráter. Maceió contará comigo até o limite da minha capacidade de trabalho. Não faltarei à nossa bela, querida e necessitada capital, porque tenho olhos na carência extrema, na saúde, na educação, nas línguas pretas. Meu saudoso pai dizia, Cícero, que só perde na vida quem não pode esperar. Vida que segue". O cangaceiro está prometendo vingança.

Comunista gaúcho Assis Melo voltará a ser deputado federal em 2017


A eleição do candidato Luiz Carlos Busato (PTB) à prefeitura de Canoas abriu espaço para que Assis Melo (PCdoB), primeiro suplente da coligação, volte a assumir uma vaga na Câmara dos Deputados. No sábado à tarde, ele planejava seu retorno: "A gente acompanhava a eleição com muita atenção, pois era uma disputa difícil. O negócio é dar continuidade ao que fiz no primeiro ano de mandato. Estou animado, pois este é um espaço importante e é preciso estar preparado para ocupá-lo".O comunista fez 2.629 votos para prefeito de Caxias do Sul, no primeiro turno. Neste domingo, Daniel Guerra (PRB) foi confirmado como novo prefeito de cidade, com 148.501 votos válidos (62,79%). Ele derrotou Edson Néspolo, que obteve 87.996 votos (37,21%). "Sou um militante convicto das políticas partidárias e pretendo trabalhar pela região, pelo Estado e pelo país", disse Assis Melo.

Mais de 1 milhão de certidões de nascimento com CPF já foram emitidas

Os cartórios de registro civil já emitiram mais de 1 milhão de certidões de nascimento com Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) incluído, informou hoje (31) a Receita Federal. O serviço de emissão de CPF com o registro começou a ser oferecido em 1º de dezembro de 2015, por meio de convênio entre a Receita e a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), e está disponível em 3.954 cartórios em todo o País. Os dados do recém-nascido ou da pessoa a ser registrada são inseridos e validados junto à base da Receita de forma on-line e, imediatamente, o número do CPF é gerado e impresso na certidão de nascimento. Para a Receita, além da gratuidade e de proporcionar comodidade ao cidadão, que obtém em um só lugar dois documentos indispensáveis, o serviço reduz riscos de fraudes e de problemas causados por homônimos. “O serviço atende à demanda da população mais carente, que necessita do número de inscrição no CPF para que seus filhos tenham acesso aos benefícios sociais proporcionados pelo Poder Público”, destacou a Receita, em nota.

Prefeito eleito de Canoas diz que sua vitória foi "a virada da justiça"


Após uma campanha tensa, marcada por operações policiais e suspeitas de irregularidades, Luiz Carlos Busato (PTB) conseguiu reverter o resultado do primeiro turno e foi eleito prefeito de Canoas (RS), cidade colada a Porto Alegre. Por volta das 17h40 de domingo, a militância que lotava o comitê do petebista comemorou o resultado aos gritos de "fora, PT". Ex-aliado do atual prefeito Jairo Jorge (PT), o deputado federal fez 84.387 votos no terceiro maior colégio eleitoral do Rio Grande do Sul, o equivalente a 51,25% do total. A diferença para Beth Colombo (PRB), a marionete do petista Jairo Jorge, foi de pouco mais de 4 mil votos. "Essa virada é a justiça por tudo o que aconteceu durante a campanha, e a população sabe quando o político está falando a verdade. Foram muitas mentiras do lado de lá, e chegou a um ponto que a população viu que quem estava com a razão éramos nós. O nosso projeto era tirar o PT de Canoas", disse Busato, em sua primeira manifestação como prefeito eleito. O petista Jairo Jorge já está em campanha para o governo do Rio Grande do Sul, em 2018, e queria manter a base de apoio de Canoas até lá. Dois fatores foram considerados fundamentais para o desempenho do petebista nas urnas no segundo turno. O apoio do tucano Felipe Martini, que ficou em terceiro lugar e fez 14,38% dos votos no primeiro turno, e a Operação Suffragium, que investiga caixa dois na campanha de Beth Colombo, A "Beth Marionete", deflagrada pela Polícia Federal no dia 22 de setembro. Deputado federal em terceiro mandato, Busato disse que o seu primeiro ato como prefeito será a revisão de todos os contratos da prefeitura. Deve começar pelo conttrato mais caro de todos, que é o do lixo. E o lixo da cidade é recolhido pela empresa WK Borges, em contrato emergencial, sem licitação. Essa empresa é uma das investigadas na Operação Suffragium. Busato é formado em Arquitetura e começou a vida pública como secretário municipal de Planejamento Urbano. Logo após exercer a função, foi eleito vereador de Canoas, em 2004. No governo Tarso Genro (PT), ocupou a secretaria de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano. No ano retrasado, foi um dos 10 candidatos à Câmara dos Deputados mais votados do Estado. 

Magazine Luiza já realiza mais de 25% de suas vendas por meio da internet


A internet já responde por cerca de 25% do faturamento da rede varejista Magazine Luiza, segundo o balanço da empresa divulgado nesta segunda-feira. As vendas on-line cresceram 24,3% no terceiro de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a cerca de 660 milhões de reais, fazendo com que 1 de cada 4 reais venha de transações pelos canais virtuais. Se somado também o desempenho das lojas físicas, a receita bruta da empresa cresceu 10,8%, alcançando 2,7 bilhões de reais, segundo os informes financeiros da rede. Nunca o Magazine Luiza faturou tanto – em termos proporcionais – na web quanto no terceiro trimestre de 2016. O desempenho ajudou a empresa a reverter o prejuízo registrado no terceiro trimestre do ano passado e fechar o mesmo período de 2016 com lucro líquido de 24,8 milhões de reais. No intervalo entre julho e setembro de 2015, a perda foi de 19,1 milhões de reais.

Cristina Kirchner comparece a tribunal para depor em caso de corrupção

A ex-presidente argentina, a muito incompetente peronista populista Cristina Kirchner, chefe de governos tremendamente corruptos, compareceu nesta segunda-feira (31) perante o juiz federal Julian Ercolini, para depor sobre irregularidades na concessão de obras publicas durante seu governo (2007-2015). Ela foi acusada de favorecer o empreiteiro Lázaro Báez, que está preso e será processado por lavagem de dinheiro. Esse é apenas o primeiro de três casos de corrupção envolvendo Cristina Kirchner que estão sendo investigados pela Justiça. No seu depoimento, que durou duas horas, e em entrevista na saída do tribunal, a ex-presidente negou ser amiga ou sócia comercial de Báez e disse ser vítima de perseguição politica. Na sua conta no Twitter, Cristina Kirchner insinua que tudo faz parte de uma manobra do presidente Mauricio Macri, para “tapar a catástrofe social e econômica” do pais. A peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner pediu ao juiz para realizar uma auditoria completa das obras públicas – e não apenas aquelas concedidas a Báez durante seus dois mandatos presidenciais. Ela quer que seja investigado “a fundo e sem arbitrariedades nem cálculos políticos” o financiamento de todas as obras, incluíndo aquelas realizadas nos governo de seu finado marido e antecessor, Nestor Kirchner (2003-2007), e de seu rival politico e sucessor, Mauricio Macri, que assumiu em dezembro passado. Outros empreiteiros receberam concessões de obras públicas, mas o foco dessa investigação é Báez – que fez sua fortuna durante os governos de Nestor e Cristina Kirchner, recebendo 78,4% dos contratos na província de Santa Cruz. Nesse período, ele também alugou casas e quartos em hotéis, que pertencem aos Kirchner. A Justiça abriu outras duas investigações para apurar se esses aluguéis faziam parte de um esquema para lavar dinheiro, recebido em propina. Ao ser abordado por jornalistas, quer queriam repercutir as declarações de Cristina, Macri respondeu que não se intromete nas decisões da Justiça e que seu governo respeita e independência dos três poderes. Mas lembrou sua promessa de campanha de combater a corrupção. Além de ter que enfrentar três casos de corrupção, Cristina Kirchner já foi processada pelo juiz federal Claudio Bonadio, em maio passado, pela venda de dólares no mercado futuro, que causou aos cofres públicos um prejuízo equivalente a R$ 17 bilhões. Em 2015 – ultimo ano do segundo mandato presidencial de Cristina Kirchner – o Banco Central vendeu dólares “a futuro” a 10,65 pesos. Na época, o governo tinha limitado as operações cambiais e a moeda argentina valia entre 14 e 15 pesos no mercado internacional e também no mercado negro local. A diferença contribuiu para reduzir as escassas reservas do Banco Central.

José Ivo Sartori, um governador venenoso

O PSDB está a um passo do desembarque do governo Sartori, o que também faria o PDT. Ficou evidente, pelo resultado de segundo turno das eleições municipais, o violento e inexorável desgaste do governo estadual do peemedebista José Ivo Sartori. A prova mais do que evidente foi a maciça rejeição do povo de Caxias do Sul, sua cidade, onde foi prefeito duas vezes seguidas, à candidatura que ele indicou e apoiou. O caminho agora é a debandada, urgente, para que o povo não faça mais justiça em 2018. Mal terminou neste domingo a campanha eleitoral de 2016 e já começou a de 2018. E o governo muito incompetente e omisso de José Ivo Sartori é veneno.

PSDB também é o grande vitorioso nas capitais; PT é esmagado; PSB entra em zona de risco

Tucanos elegeram prefeitos em 4 capitais em 2012; agora, em 7; PSB fez cinco no pleito passado; agora, apenas duas; ao PT, restou Rio Branco

Por Reinaldo Azevedo  - Também quando se olha o mapa das capitais, percebe-se o desastre do PT e das esquerdas. E, mais uma vez, o PSB aparece em situação difícil. Os petistas governarão apenas Rio Branco, no Acre. Atenção! Em 2008, elegeram prefeito em sete capitais. Em 2012, esse número caiu para quatro: além da capital do Acre, levou João Pessoa, Goiânia e São Paulo. O PCdoB, que não tinha nenhuma, conquistou Aracaju, e a Rede, de Marina Silva, outro micão dessa disputa, fica com Macapá. Clécio Luís, que se elegeu em 2012 pelo PSOL, migrou para a Rede e foi reeleito. O PSDB, que lidera com folga o número de cidades com mais de 200 mil eleitores, também administrará o maior número de capitais, com sete: manteve Belém, Maceió, Manaus e Teresina e conquistou Porto Alegre, Porto Velho e, claro!, a joia da coroa: São Paulo. Em seguida, vem o PMDB, com quatro: manteve Boa Vista e venceu em Cuiabá, Florianópolis e Goiânia, mas perdeu o Rio de Janeiro. O PDT ficou com três: reelegeu os prefeitos de Natal, Fortaleza e São Luís. Viu Curitiba migrar para Rafael Grecca, do nanico PMN, e Porto Alegre passar para o tucano Marchezan Jr. O PSB vive uma situação difícil também nesse caso: elegeu cinco prefeitos de capitais em 2012: Recife, Belo Horizonte, Fortaleza, Cuiabá e Porto Velho. O da capital cearense migrou para o PDT. Os socialistas, no entanto, receberam Carlos Amastha, de Palmas, que saiu do PP. Desta feita, sobraram-lhes as respectivas capitais de Pernambuco e Palmas, com prefeitos reeleitos. O PSD tinha uma Prefeitura, Florianópolis. Agora, fez duas: Campo Grande e João Pessoa. O DEM manteve Salvador, sua única capital, e perdeu Aracaju para o PCdoB. O PPS reelegeu o prefeito de vitória. O PRB estreia em capitais levando o Rio, e o PHS, Belo Horizonte. Em 2012, 11 partidos chegaram ao comando das capitais; agora são 13. Há quatro anos, era este o ranking:
PSB – 5;
PT – 4;
PSDB – 4:
PDT – 3:
PMDB – 2:
DEM – 2;
PP – 2;
PSD – 1;
PTC – 1;
PPS – 1;
PSOL – 1
Em 2016, a ordem é esta:
PSDB – 7 (Belém, Maceió, Manaus, Teresina, Porto Alegre, Porto Velho e São Paulo);
PMDB – 4 (Boa Vista, Cuiabá, Florianópolis e Goiânia);
PDT – 3 (Fortaleza, Natal e São Luís); 
PSD – 2 (Campo Grande e João Pessoa);
PSB – 2 (Palmas e Recife);
PCdoB – 1 (Aracaju);
PMN – 1 (Curitiba);
Rede – 1 (Macapá);
PT – 1 (Rio Branco);
PRB – 1 (Rio de Janeiro);
DEM – 1 (Salvador);
PPS – 1 (Vitória);
PHS – 1 (Belo Horizonte)
O PP, que elegeu dois prefeitos em 2012 — Campo Grande e Palmas — perdeu a primeira cidade e viu o prefeito da segunda migrar para o PSB. O único prefeito do PTC, o de São Luís, foi para o PDT e se reelegeu. O de Macapá, eleito pelo PSOL no pleito anterior, reelegeu-se agora, mas pela Rede. As três siglas somem das capitais. Assim, também quando se verificam os números das capitais, nota-se que o grande vitorioso é mesmo PSDB. O principal derrotado, não há como, é o PT. E o PSB, resta evidente, começa a trafegar numa zona de risco.

Eleição de 2016 valeu também por um referendo: o impeachment foi aprovado por esmagadora maioria

Os partidos que se identificaram com a deposição de Dilma saíram ganhando nas urnas; os identificados com a velha ordem perderam 

Por Reinaldo Azevedo - É certo que as eleições são municipais. Os problemas da cidade — que dizem respeito, pois, à esfera de competência dos prefeitos — têm um peso enorme na escolha do eleitor. Sempre resisto muito em tomar esse pleito como antecipação do que virá ou sintoma do que está em curso. Mas também é preciso ficar atento quando uma evidência grita na nossa cara. E é possível afirmar sem medo de errar: a disputa de 2016 acrescentou ao impeachment de Dilma também a legitimidade eleitoral. A deposição da petista foi, sim, legal e legítima. A eleição dos prefeitos serviu como uma espécie de referendo. E por que se pode afirmar isso com certeza? Porque os partidos que defenderam o impeachment e que, no fim das contas, o conduziram foram os grandes vencedores. O PT amarga uma derrota muito maior do que imaginava. E o desastre se estende às esquerdas. O PT foi o terceiro partido que mais elegeu prefeitos em 2012: 638; neste ano, despencou para o 10º lugar, com apenas 254 cidades. Foi superado por PTB (261), DEM (266), PDT (299), PR (335), PSB (415), PP (492), PSD (540), PSDB (803) e PMDB (1.038).



O PMDB segue sendo a legenda com o maior número de prefeituras — cresceu 1,67% nesse quesito. O grande vitorioso, no entanto, foi mesmo o PSDB, com um aumento de 15,54% — saltou de 695 cidades para 803. Mas o seu número mais expressivo não está aí. Os dados por município já são devastadores para os petistas, que encolheram 60,19%. Mas é quando se analisa a massa do eleitorado que será administrada pelas legendas que se tem clareza da derrocada dos companheiros. Prestem atenção! O PSDB comanda hoje 19 cidades com mais de 200 mil eleitores; passará para 28: crescimento de 47,4%; o PT detém 17; ficará com apenas 1: um encolhimento de espantosos 94,12%. O PMDB também cresceu nesse grupo: saltou de 11 para 17: 27,3%. O PPS, que encolheu discretamente no número total de cidades (de 125 para 122), passará a governar, no entanto, 6 cidades com mais de 200 mil eleitores: tinha apenas 3. O DEM manteve cinco grandes municípios, mas caiu um pouco no número total: de 278 para 266.


O PSD conseguiu manter quatro grandes municípios e teve crescimento expressivo em número de cidades: de 498 para 540 (+ 8,43%), o que o coloca em terceiro lugar. O PSB não tem muito o que comemorar, o que pode ser uma certa punição pelo comportamento um tanto ambíguo do partido: teve uma queda no número de prefeituras: de 440 para 415 (-5,68%). Mas o prejuízo maior se dá nas cidades com mais de 200 mil eleitores: despencou de 11 para 5 (-54,5%). O PCdoB poderia ficar satisfeito com o seu crescimento de 50% em números totais: de 54 para 81. Mas não é o caso: nas cidades grandes, também teve uma derrocada: de 4 para apenas 1.

Resta mais do que evidente: as forças que representavam o antigo regime foram severamente punidas nas urnas; as que se identificaram com a mudança foram premiadas pelo eleitor.