terça-feira, 12 de julho de 2016

Mensagens por celular indicam que ex-ministro petista "vazou" conteúdo de reunião palaciana de Dilma para empreiteiro propineiro

Relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de celular do empreiteiro propineiro e ex-presidente da Andrade Gutierrez, delator da Operação Lava Jato, Otávio Azevedo, indica que o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, o jornalista petista Thomas Traumann, vazou informações de uma reunião interna do governo para o empreiteiro. Traumann foi assessor especial da secretaria em 2011 e porta-voz da presidente afastada Dilma Rousseff a partir de 2012, no primeiro mandato da petista. Em janeiro de 2014, ele assumiu o comando da pasta, substituindo a jornalista Helena Chagas. As mensagens do celular de Otávio Azevedo foram apreendidas pela Polícia Federal e embasam investigações da Lava Jato. Em um torpedo de 14 de outubro de 2011, Traumann avisa o empreiteiro sobre um projeto relacionado à infraestrutura aeroportuária em São Paulo: “No café da manhã, chefa disse q o entroncamento de rotas c/ GRU e VRC inviabiliza Caieiras”. O governo estudava a implantação de um novo aeroporto internacional em São Paulo, a ser construído em Caieiras, como alternativa aos terminais de Guarulhos, cuja sigla é GRU, e Viracopos, em Campinas. O projeto era de interesse da Andrade Gutierrez, que elaborou junto com a Camargo Corrêa uma proposta de construção de um terminal chamado Novo Aeroporto de São Paulo (Nasp). O empreendimento teria financiamento de cerca de 5 bilhões de reais do BNDES e capacidade para atender 30 milhões de passageiros por ano. Avisado pelo assessor, o empreiteiro retrucou: “Isto foi público?” - e Traumann respondeu: “Não. Só ministros”. Questionado, o ex-ministro disse que não possui mais o número de Brasília e que, pelo que se lembra, a conversa dizia respeito a uma decisão anunciada pelo então ministro da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, na qual descartava autorização para as obras do Nasp. A declaração do ministro, contudo, foi publicada no dia 31 de outubro – 17 dias após o diálogo com Otávio – pelo jornal Valor Econômico. O relatório da Polícia Federal sobre as mensagens mostra várias outras comunicações do jornalista petista Traumann com o executivo entre 2011 e 2014, nas quais discutem questões de governo, marcam encontros e tratam de favores. Antes de assumir funções na Presidência, Traumann era um dos responsáveis pela comunicação corporativa da empreiteira. Em janeiro de 2012, antes de ser anunciado oficialmente como porta-voz da presidente, Traumann avisa a Otávio Azevedo: “Para você não saber pela imprensa: fui indicado porta-voz da presidenta. Deseje me sorte!” No dia 24 de outubro de 2011, Traumann avisa o empreiteiro: “Caro, o paper q vc me pediu está estruturado. Como está a sua agenda?” Em 11 de julho daquele ano, Traumann fazia referência a possíveis sugestões do executivo a um anúncio que seria feito pelo governo: “Muitas de suas opiniões serão aproveitadas nas regras a serem anunciadas ainda hoje”. Naquele dia, Dilma teve uma reunião de coordenação com sua equipe no Planalto. Em outra ocasião, em junho de 2011, Traumann avisa o empreiteiro que pretendia sair do governo. “Estou pensando em ir embora". E recebe uma oferta de emprego do executivo: “Volta para a AG (Andrade Gutierrez). Estamos de braços abertos”. Dias depois, Traumann declina do convite e informa que ficaria no Planalto para novas atividades. “Propuseram que eu cuidasse dos discursos e de algumas operações de imprensa da PR (Presidência)”, explicou e acrescentou: “E seguimos amigos”. O petista Traumann afirma que não tem mais o número de celular de Brasília e, portanto, não podia checar o contexto dessas trocas de mensagens de cinco anos atrás.

Eduardo Cunha vai à Câmara para se defender na Comissão de Constituição e Justiça e avisa: "Eu sou vocês amanhã"


Pouco menos de uma semana após renunciar à presidência da Câmara, o deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou à Casa nesta terça-feira para fazer pessoalmente sua defesa durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça dedicada a analisar os recursos apresentados pela defesa do peemedebista contra o pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética. Eduardo Cunha classificou o processo contra ele como "político" e avisou seus colegas: “Hoje sou eu. Vocês, amanhã”. Ele disse ainda que há 117 deputados e 30 senadores alvo de inquérito e afirmou que os parlamentares contra os quais pesam investigações “não sobreviverão” caso a palavra da acusação seja considerada sentença. Mais uma vez a sessão foi encerrada sem que os recursos fossem analisados. O presidente do colegiado, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-SC) agendou uma nova reunião para as 9h30 desta quarta-feira. Embora réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, Eduardo Cunha atribui o processo de cassação contra ele a fatores políticos. “Foi um processo político que começou com a minha eleição em primeiro turno, em que derrotei o candidato da presidente afastada e em que derrotei o candidato da oposição”, afirmou. Ao afirmar que os procedimentos adotados pelo Conselho de Ética feriam o regimento interno da Casa, Eduardo Cunha alertou para o que classificou como “precedente perigoso”. Em referência a uma peça publicitária de uma marca de vodca veiculada no Brasil nos anos 80, o peemedebista afirmou: “Hoje, sou eu. É o efeito Orloff: vocês, amanhã”. A investida de Eduardo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça visa anular a aprovação de seu pedido de cassação e devolver o processo ao Conselho de Ética. O colegiado é formado por 66 deputados e, para que seu pleito seja atendido, ele precisa do aval de 34 congressistas. A CCJ se reuniu para votar o parecer do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), aliado de Eduardo Cunha que defendeu que o processo retorne ao Conselho de Ética. Na ação, Eduardo Cunha apontou para uma série de irregularidades na tramitação de seu processo no conselho. O esforço principal do peemedebista era para reverter a votação que pavimentou a aprovação de sua cassação – e foi justamente esse o ponto acatado por Fonseca. “Todos sabem, até os meus mais ferrenhos adversários nesta Casa, da minha familiaridade com o Regimento desta Casa. Nenhum desses pontos seria por mim negado monocraticamente em sede de recurso, se me fosse pedido por outro deputado”, afirmou Eduardo Cunha sobre as questões negadas pelo relator. Antes de Eduardo Cunha, seu advogado Marcelo Nobre afirmou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal caso Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Casa, vote no recurso de seu cliente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Jornalista Claudia Cordeiro Cruz, mulher de Eduardo Cunha, chama como testemunhas dois ministros de Temer


A jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, mulher do deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresentou uma lista de 26 testemunhas de defesa no processo a que responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas perante a 13ª Vara Federal de Curitiba, em primeira instância. Entre os chamados estão dois ministros do governo interino: Maurício Quintella (Transportes) e Bruno Araújo (Cidades); e seis deputados federais: Jovair Arantes (PTB-GO), Gilberto Nascimento (PSC-SP), Hugo Motta (PMDB-PB), Felipe Maia (DEM-RN), Carlos Marun (PMDB-MS), e Átila Lins (PSD-AM). Jovair Arantes foi relator do processo do impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff; e Hugo Motta, presidente da CPI da Petrobras, encerrada no ano passado. A jornalista é suspeita de ter escondido recursos de propina em uma conta secreta no Exterior, da qual era beneficiária final. De acordo com o Ministério Público, o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira pagou 1,5 milhão de dólares ao deputado federal Eduardo Cunha para ser beneficiado em um contrato de aquisição, pela Petrobras, para exploração de um campo de petróleo em Benin, na África. Parte desse dinheiro teria sido repassado para contas em nome de offshores ou trusts, que alimentavam o cartão de crédito usado por Claudia Cordeiro Cruz em compras de artigos de luxo e no pagamento de cursos aos filhos do casal nos Estados Unidos e na Inglaterra. A defesa de Claudia Cordeiro Cruz enumera o que considera como violação ao direito do contraditório e à ampla defesa e “ilicitudes da prova”, citando vícios no acordo de cooperação jurídica internacional e a não tradução de informações bancárias vindas da Suíça. Por fim, os advogados Igor Tamasauskas e Pierpaolo Cruz Bottini pedem que o processo seja paralisado, que a denúncia contra Claudia Cordeiro Cruz seja rejeitada por “manifesta inépcia formal e material” e que ela seja “absolvida sumariamente”. A defesa também pediu à Justiça que devolva o passaporte da ré, uma vez que ela demonstrou “plena disposição em não se furtar a qualquer ato processual” ao comparecer para prestar depoimento diante do Ministério Público Federal.

Qatar Airways faz acordo para ter até 10% da Latam Airlines


A Latam Airlines anunciou nesta terça-feira acordo em que a Qatar Airways vai investir 613,1 milhões de dólares para ter até 10% do grupo latino-americano de transporte aéreo. O investimento pela companhia do Oriente Médio será feito por meio de um aumento de capital da Latam, que vai emitir 61,3 milhões de novas ações ao preço de 10 dólares por papel. A assembléia de acionistas da companhia foi marcada para 2 de setembro. Segundo comunicado emitido pelo grupo latino-americano, formado pela união da chilena LAN com a brasileira TAM, a Latam não pode informar os efeitos financeiros do acordo. A expectativa é que a conclusão das subscrições das novas ações aconteça no quarto trimestre deste ano. Dentro do acordo, os grupos de acionistas da Latam Cueto, Amaro, Eblen e Bethia, donos de 49,72% da companhia aérea, vão transferir à Qatar direitos para subscrição do "pró rata correspondente às novas ações a um valor nominal". Além disso, a TEP Chile, empresa do grupo Amaro, se comprometeu a vender à Qatar ações remanescentes para que o grupo do Oriente Médio alcance 10% de participação na Latam, desde que isso não supere mais de 2,5% do total de ações emitidas pela empresa. O anúncio da operação ocorreu durante a feira de aviação britânica em Farnborough e acontece depois que a Qatar Airways comprou no ano passado participação de 15% na British Airways, controladora da International Airlines Group, que assim como a Qatar e a Latam é membro da aliança Oneworld. "Como companhia aérea líder na América Latina e membro importante da Oneworld, este investimento fornece oportunidades potenciais para a malha global da Qatar Airways, junto com nosso investimento bem sucedido na IAG", afirmou o presidente-executivo da Qatar Airways, Akbar Al Baker. Enquanto isso, o presidente-executivo da Latam, Enrique Cueto, afirmou que, "além de fortalecer nossa posição financeira, este acordo vai nos permitir explorar novas oportunidades de conectividade com a Ásia e o Oriente Médio".

Jornal Zero Hora repercute matéria de Videversus que aponta o escritor Josué Guimarães como o espião soviético "Gosha"

O jornal Zero Hora, do grupo RBS, de Porto Alegre, repercute na edição desta terça-feira a matéria publicada por Videversus na noite de domingo, a qual apontou o escritor gaúcho Josué Guimarães como espião da KGB, a serviço da União Soviética, entre meados das décadas de 70 e 80. Videversus teve como fonte uma extensa matéria publicada em março deste ano pelo jornal Expresso, de Portugal. A matéria trata dos arquivos de Vasili Mitrokhin, uma figura mitológica dos serviços secretos da União Soviética, porque foi arquivista chefe da KGB, organismo no qual trabalhou durante 40 anos. Mitrokhin fugiu da União Soviética nos estertores do regime comunista, procurando a embaixada da Grã-Bretanha em Riga, capital da Letônia. E terminou entregando dezenas de milhares de documentos secretos, incluindo as listas com os nomes de espiões da União Soviética que operavam no Exterior, bem como aqueles que haviam sido contratados para espionar para o regime comunista. A matéria do jornal Expresso foi feita a partir da análise dos documentos de Mitrokhin que está depositados nos arquivos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. A matéria foi centrada na atuação da espionagem da KGB em Portugual. Mas, como na época Josué Guimarães estava auto-exilado no pais, acabou aparecendo. Ele era controlado pelo responsável pela "Rezidentura" (estação de espionagem) de Lisboa. E, conforme os arquivos de Mitrokhin, seguiu espionando mesmo depois de haver retornado para o País. Narra inclusive encontro mantido com espião soviético em Buenos Aires. Na matéria de Zero Hora, todos os esquerdistas ouvidos pelo jornal tratam de anular a possibilidade de que o escritor Josué Guimarães tenha servido como espião para a KGB e o regime soviético, mas nenhum contesta a prova apresentada por Mitrokhin, depositada lá na Universidade de Cambridge. Mais do que isso, o jornalista Flavio Tavares confirma que Josué Guimarães encontrou-se em Buenos Aires com jornalista soviéticos. Até os postes, de qualquer parte do mundo, estão cansados de saber que os jornalistas soviéticos eram agentes da KGB. A seguir leia a matéria de Zero Hora: 
12 de julho de 2016 | N° 18579
MEMÓRIA
Jornal português aponta Josué Guimarães como espião da KGB
FAMILIARES E AMIGOS negam envolvimento de escritor gaúcho em atividades secretas da agência soviética
Grande nome da literatura gaúcha, Josué Guimarães (1921 – 1986) teria uma identidade oculta de seus leitores – e até mesmo de seus amigos e familiares. Pelo menos é o que propõe um artigo que começou a circular nas redes sociais desde domingo, segundo o qual Guimarães seria “o espião Gosha, a serviço da KGB soviética”. No entanto, quem conviveu com o autor de A ferro e fogo e Camilo Mortágua assegura que não é bem assim. 
– Quem, assim como eu, conheceu Josué sabe que isso é uma barbaridade. Um absurdo – classifica o escritor Sergio Faraco.
O artigo, publicado no site Videversos, recupera informações divulgadas há alguns meses no jornal português Expresso, mas que ainda não haviam repercutido no Brasil. Em 12 de março, o periódico lisboeta divulgou uma longa reportagem na qual analisava o arquivo Mitrokhin, maior acervo de informações sobre os serviços secretos soviéticos, depositado na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
EM LISBOA, A SERVIÇO DA REPORTAGEM
A matéria levantava personagens que constituíam uma rede de informação da KGB na capital portuguesa. Entre eles, estaria o gaúcho Josué Guimarães. Segundo o texto, ele teria sido incluído nessa rede em 1976, conhecido como agente Gosha, participando de 42 reuniões – 38 em Lisboa, duas no Rio de Janeiro e duas em Buenos Aires. O escritor, de fato, morava nessa época em Portugal, sendo correspondente do jornal Correio do Povo, além de ter seu próprio periódico, o Chaimite. Mas, para o jornalista Flávio Tavares, autor de Memórias do esquecimento, classificar Guimarães como um agente da KGB é uma “absurda balela”. 
– É algo típico de quem não conhece o trabalho dos jornalistas e dos correspondentes internacionais. Os diplomatas são espiões natos, mas ineficientes, e se servem, fundamentalmente, do trabalho dos jornalistas políticos e econômicos para abastecer seus relatórios de Embaixada e, assim, demonstrarem serviço – afirma Tavares. 
– É até possível, ou mesmo provável, que os soviéticos dessem um nome de guerra, “Gosha”, no caso de Josué, para identificar a fonte da notícia. Duvido, porém, que fosse um espião e remunerado – conclui.
Tavares lembra que Guimarães tinha amigos da embaixada soviética, que possivelmente incluíam em seus relatórios informações de teor jornalístico ouvidas do escritor. No entanto, isso não o colocaria na posição de agente.
– Uma vez em que viajou a Buenos Aires para me visitar, Josué me disse que iria almoçar ou jantar no dia seguinte com o adido de imprensa ou algo similar da embaixada soviética, que ele conhecera em Lisboa, e do qual se tornara amigo – lembra Tavares.
HOMEM DE ESQUERDA, MAS NÃO COMUNISTA
Filho de Josué, Rodrigo Guimarães viveu com o pai em seu período lisboeta. Ele também afirma, com segurança, que o autor jamais fora espião.
– Meu pai era um homem de contatos políticos. Brizola ia lá em casa, assim como Miguel Arraes. Não tenho nenhuma informação sobre isso, mas não seria nada surpreendente se, no final da ditadura militar e da Guerra Fria, ele tivesse alguma relação com alguém da embaixada soviética. Esse contato deve ter ficado registrado em algum lugar. Mas isso é muito diferente de dizer que ele era um espião – afirma Rodrigo, que era adolescente no período em que a família viveu em Portugal.
Amigos de Josué Guimarães também demonstraram surpresa diante da suposta aproximação com a KGB, uma vez que o perfil político do escritor seria incompatível com o de um agente de inteligência comunista. Embora conhecido como um homem de esquerda, Guimarães não se afirmava como comunista, sendo mais identificado por seus ideais democráticos e pela proximidade com Brizola e Darcy Ribeiro.
Outro traço muito conhecido de Guimarães também colabora com a descrença dos amigos. Falante, jamais deixava de expor seu ponto de vista sobre qualquer tema, sendo justamente o oposto do perfil que se espera de um espião.
– Josué não escondia o que pensava. Era uma pessoa de opiniões políticas conhecidas. Seria um espião meio incompetente, eu acho – faz graça o escritor Luis Fernando Verissimo.
ALEXANDRE LUCCHESE | ALEXANDRE.LUCCHESE@ZEROHORA.COM.BR

PGR quer acesso às imagens do circuito interno do Palácio do Planalto e perícia no termo de posse de Lula


A Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal uma lista de investigados por obstrução da Lava-Jato. Entre os principais alvos destacados estão: a presidente afastada Dilma Rousseff, o poderoso chefão e ex-presidente Lula, os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante, além do ex-senador Delcidio do Amaral e do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Falcão e do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas. Todos eles são suspeitos de obstruírem a maior investigação do país com "condutas autônomas e praticadas com a mesma finalidade, embora em distintas circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução". O pedido de instauração de inquérito, que está sob sigilo, revela, segundo a Procuradoria-Geral, elementos de um complô armado para abafar delações premiadas e esvaziar as investigações da Lava-Jato. Em sua manifestação, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ainda solicitou ao Supremo autorização para acessar as imagens do circuito de segurança do Palácio do Planalto. O objetivo é apurar se o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e o ex-senador Delcidio do Amaral se reuniram com Dilma para planejar a liberação dos empreiteiros presos na Lava-Jato. Os investigadores também querem analisar o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil para checar se houve algum procedimento atípico na nomeação do ex-presidente. 



Consultorias receberam 9,4 milhões sem prestar qualquer serviço


Delatado pelo ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto, o esquema de corrupção no FI-FGTS usou os serviços da mesma consultoria empregada pela Engevix para pagar propina ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, preso pela Polícia Federal, na semana passada, na Operação Pripyat, um desdobramento da Lava-Jato. Em 2013, o FI-FGTS aprovou um aporte de 400 milhões de reais na Brado, uma gigante do setor de logística. Segundo Fábio Cleto, a transação rendeu propina a ele e a seu padrinho político, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou à presidência da Câmara. Cleto, o operador, diz que recebeu 80.000 reais, mas não especificou quanto Eduardo Cunha, seu chefe, embolsou. A propina pode ser sido bem maior do que sugere o valor citado pelo delator. Durante a tramitação do processo no FI-FGTS, a Brado contratou duas empresas para acompanhar o caso. Juntas, elas receberam 9,4 milhões de reais e, conforme informação prestada pela atual direção da Brado à cúpula da Caixa Econômica Federal, nenhuma delas prestou um mísero serviço sequer. Teriam sido contratadas apenas para fazer com que dinheiro passasse do caixa do corruptor ao bolso do corrompido. Uma das contratadas foi a Link Participações e Projetos Ltda, que recebeu 1, 4 milhão de reais. A Link é velha conhecida das autoridades. Em delação premiada, seu dono, Victor Sergio Colavitti, admitiu que pagou 765.000 reais, a pedido da Engevix, a uma empresa do almirante Othon da Silva. Às autoridades, declarou que não sabia que os valores se referiam a propina paga pelas obras de Angra 3, como descobriu a força-tarefa da Lava-Jato. Ele é proprietário de outras empresas. Numa delas, tem como sócio Milton Lyra, notório operador de propinas em outros esquemas de corrupção. A outra contratada pela Brado foi a Porte Projetos Terraplanagem e Construções. Remunerada com 8 milhões de reais, também não quis comentar o caso. 

Superávit da balança comercial chegou a US$ 1,488 bilhão nas duas primeiras semanas do mês

O saldo da balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,488 bilhão nas duas primeiras semanas de julho, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Esse resultado, ajustando os efeitos sazonais e anualizando, representa um saldo positivo, bastante forte, de US$ 68 bilhões. Entre a primeira semana, com apenas um dia útil, e a segunda, com cinco dias úteis, as exportações somaram US$ 4,975 bilhões e superaram as importações, que alcançaram US$ 3,487 bilhões. A comparação com as médias diárias do mesmo período do ano passado mostra crescimento das exportações de 2,9% enquanto as importações recuaram 17,2%. A queda das importações foi impulsionada pela forte retração das compras de siderúrgicos (35,7%), de veículos automóveis e partes (33,4%) e adubos e fertilizantes (31%). Em relação às exportações, houve aumento de 17,4% das vendas de semimanufaturados e de 8,4% de básicos, enquanto os produtos manufaturados exibiram queda de 8,2%. Levando em conta a variação entre junho e julho, na série dessazonalizada, temos uma expansão de 15% das exportações e queda de 12% das nossas compras, sugerindo um resultado muito forte para o mês, para o qual projetamos superávit de US$ 4,8 bilhões. Dessa forma, no ano, as exportações somam US$ 95,228 bilhões e as importações, US$ 70,088 bilhões, com saldo da balança comercial positivo de US$ 25,140 bilhões. Para 2016, o saldo comercial deve somar US$ 45,5 bilhões, reforçando o ajuste em curso das contas externas. 

Ditadura venezuelana desapropria fábrica de papel higiênico de empresa americana


A ditadura bolivariana da Venezuela desapropriou a fábrica da Kimberly Clark para reativá-la nesta segunda-feira, após ordenar que trabalhadores ocupassem a unidade. A empresa americana de produtos de higiene paralisou suas atividades no país na semana passada por conta da crise econômica que atinge a Venezuela. Atualmente, o país vive um grave cenário de escassez de itens básicos e de alta inflação, o que já levou outras multinacionais a abandonarem a produção em suas unidades locais. Mais cedo, o Ministério do Trabalho ordenou que as máquinas da fabricante de itens higiênicos, como papel higiênico e fraldas, fossem sejam ligadas novamente. Anteriormente, o ditador psicopata bolivariano Nicolás Maduro já havia alertado que interviria nas companhias que paralisassem suas atividades. "A Kimberly Clark vai seguir produzindo para todos os venezuelanos e venezuelanas, agora nas mãos dos trabalhadores", disse o ministro do Trabalho, Oswaldo Vera, em um pronunciamento transmitido pela televisão, enquanto alguns funcionários aplaudiam e gritavam: “Assim, assim, assim é que se governa”. No último sábado, a empresa americana emitiu um comunicado anunciando a suspensão por tempo indefinido das suas operações. A companha justificou a decisão pela incapacidade de comprar matéria-prima, a carência de divisas e o rápido aumento da inflação. A Kimberly Clark é a última de uma série de multinacionais estrangeiras a reduzirem ou abandonarem sua produção na Venezuela — como foi o caso de Bridgestone, General Mills, Ford Motor e Procter & Gamble. Há dois anos, o governo venezuelano tomou as instalações da empresa americana Clorox Co., que fechou suas operações no país sul-americano. A companhia justificou a medida com as restrições das autoridades, as interrupções de fornecimento e a incerteza econômica. A Venezuela enfrenta uma grave crise dominada pela alta inflação — que, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), pode chegar a 700%. Além disso, o país vive severos problemas de desabastecimento de alimentos, remédios e produtos básicos.

Ex-espião acusa governo de Cristina Kirchner de assassinato do promotor Nisman


Ele era um dos homens mais procurados da Argentina e foi encontrado por uma jornalista do “La Nación” em um café do bairro de Belgrano, em Buenos Aires, onde aceitou conceder uma entrevista que sacudiu a política local ontem. O ex-agente de Inteligência, Jaime Stiuso, assegurou que o governo da então presidente peronista populista Cristina Kirchner “mandou matar” o promotor Alberto Nisman — que a denunciou por um pacto com o Irã para acobertar funcionários iranianos suspeitos de participação no atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994. Segundo ele, todos os governos kirchneristas “tiveram um serviço de Inteligência paralelo”. Stiuso, que fugiu do país pouco depois da morte de Nisman, em janeiro de 2015, assegurou que o ex-chefe de gabinete Aníbal Fernández e Cristina queriam que ele retornasse à Argentina “para me assassinar”. “Estive nos EUA asilado, por todas as ameaças que recebi, tanto eu como minha família. Ameaças de morte por parte do anterior governo”, disse o ex-diretor de Contrainteligência da extinta Secretaria de Inteligência do Estado (Side) ao “La Nación”. Stiuso confirmou ter retornado ao país em fevereiro e disse estar disposto a colaborar com a Justiça. Para ele, “em algum momento” a morte de Nisman será esclarecida. O ex-agente estava em permanente contato com o promotor e foi uma das últimas pessoas que Nisman tentou contactar antes de morrer. A Justiça continua investigando a misteriosa morte do promotor que denunciou Cristina e, poucos dias depois, foi encontrado no banheiro de seu apartamento, com um tiro na cabeça. A hipótese de suicídio é considerada absurda pela família Nisman e pela ex-mulher, a juíza Sandra Arroyo. As declarações do ex-agente foram recebidas com profunda irritação por dirigentes kirchneristas. Um dos mais enfurecidos foi o ex-secretário geral da Presidência, Oscar Parrilli. "Stiuso é uma figura perversa, um psicopata que tem um claro objetivo: ameaçar juízes, políticos e promotores". O governo do presidente Mauricio Macri não comentou a entrevista. “Eu não entendo de política, sempre fiz outras coisas: coisas exteriores, de inteligência, contrainteligência, terrorismo. Os Kirchner não usavam o serviço de Inteligência do Estado, eles tinham serviços paralelos”, contou Stiuso. Para ele, os processos contra Cristina e ex-funcionários de seu governo avançam nos tribunais “porque a ex-presidente já não tem o controle do Estado e não pode silenciar mais ninguém”. Stiuso referiu-se a Cristina como “apenas uma mulher louca, sem força, sem o controle do Estado”. Segundo o “Clarín”, após a entrevista, ele viajou para os EUA. Ontem, os advogados de Cristina foram aos tribunais negar que ela tenha participado de operações de lavagem de dinheiro e insistir no pedido para que o juiz Claudio Bonadio e a deputada Margarita Stolbizer sejam investigados por tráfico de informações.

Polícia Federal diz que empresa ligada à Odebrecht comprou sede para Instituto Lula


Em junho de 2010, a construtora Odebrecht adquiriu um prédio de três andares na Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo, e planejava instalar ali a sede do futuro Instituto Lula, de acordo com a força-tarefa da Operação Lava-Jato. A compra foi feita em nome da DAG Construtora, de Salvador, que pertence a Demerval Gusmão, amigo e parceiro de negócios de Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira. A DAG é a mesma que, em 2013, a pedido da Odebrecht, pagou o jatinho que levou o ex-presidente Lula a Cuba, República Dominicana e Estados Unidos. Segundo as investigações, a família Lula sabia dos planos de usar o prédio para o instituto: um projeto de reforma do imóvel, que incluía auditório, sala para exposição e até apartamento com cinco suítes na cobertura, foi localizado numa pasta cor de rosa endereçada a dona Marisa Letícia e apreendida pela Polícia Federal, no início deste ano, no sítio de Atibaia (SP) que era usado por Lula e sua família. Os documentos, apreendidos em março último, na 24º fase da Lava-Jato, voltaram a ser analisados pela força-tarefa no fim de junho, depois que o Supremo Tribunal Federal devolveu a Curitiba os inquéritos que investigam supostas vantagens indevidas dadas ao ex-presidente. O conteúdo da pasta e as negociações para compra do prédio são descritas num relatório de análise da Polícia Federal. Embora o prédio tenha sido efetivamente comprado pela DAG, o Instituto Lula não ganhou a sede e acabou sendo instalado no prédio do antigo Instituto Cidadania, no Ipiranga, onde permanece até hoje. Os responsáveis pela compra teriam desistido do projeto original de uso depois de descobrir que o imóvel estava envolvido em pendências judiciais dos antigos proprietários. Além da pasta com o projeto de reforma, a Polícia Federal apreendeu na residência de Lula, em São Bernardo do Campo, e-mails impressos que indicam que a negociação do prédio, de 5.268 metros quadraddos de área construída, chegou a ser feita por Roberto Teixeira, amigo e advogado do ex-presidente. Teixeira, que costuma assessorar negócios imobiliários, foi quem ajudou na aquisição do sítio de Atibaia por Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Os e-mails apreendidos contêm o preço de venda do prédio (R$ 10 milhões) e as dívidas pendentes (de R$ 2,3 milhões). Para os peritos, o projeto da pasta cor de rosa “refere-se à reforma do imóvel da Rua Haberbeck Brandão, 178”, na Vila Clementino, e o “terreno foi objeto de negociação para atender os interesses do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Também foi apreendido na residência da família Lula um contrato de opção de compra, onde consta como vendedora a Asa Agência Sul Americana, então proprietária, e como comprador José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. A data é anterior à venda para a Odebrecht, e quem assina o contrato é Teixeira. Ouvido pela PF no fim de junho, o pecuarista afirmou que não quis participar do negócio. Para os investigadores, sem Bumlai, a compra acabou sendo feita pela DAG. Embora a DAG tenha registrado em cartório a compra do prédio por R$ 6,8 milhões, a Polícia Federal acredita que o valor real foi R$ 12,3 milhões, o mesmo citado nos e-mails enviados a Teixeira. O valor é considerado compatível com os R$ 12,4 milhões anotados ao lado da expressão “prédio (IL)”, na planilha “Programa Especial Italiano”, apreendida no e-mail de Fernando Migliaccio, um dos executivos do departamento de propinas da Odebrecht. O relatório da Polícia Federal menciona ainda um outro documento, apreendido na sala de Marcelo Odebrecht e de sua secretária, Darci Luz, que aponta a compra de um terreno da ASA para construção do “prédio do Instituto” e diz que o preço foi abaixo do escriturado. Há ainda menção a eventuais riscos a que a DAG ficaria exposta devido às dívidas relacionadas ao imóvel. Num e-mail de setembro de 2010, apreendido nas investigações e divulgado em maio deste ano pelo jornal “Valor”, Marcelo Odebrecht afirma: “Preciso mandar uma atualização sobre o novo prédio para o Chefe amanhã. Qual a melhor maneira?”. O destinatário é Branislav Kontic, braço-direito do ex-ministro petista Antonio Palocci.  Em 2012, a DAG passou oficialmente o imóvel para a Odebrecht Realizações SP 37 Empreendimentos Imobiliários. Em 2013, o prédio foi vendido novamente, desta vez à MIX Empreendimentos, que realiza no local um novo projeto. 

Delcídio do Amaral deve prestar novo depoimento à Lava Jato para falar só de Renan Calheiros

O ex-senador Delcídio do Amaral deve ser convocado novamente a prestar depoimento à Procuradoria-Geral da República. Investigadores buscam mais detalhes sobre a relação entre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o lobista Milton Lyra. Miltinho, como é conhecido, já foi citado por delatores da Lava Jato como suposto operador do presidente do Senado no Postalis, o fundo de pensão dos Correios. Delcídio falará como Lyra operava. A data da oitiva ainda não foi marcada.

Candidato da terceira via nos Estados Unidos já aparece com 11% das preferências

Gary Johnson posou sem camisa (tinha 58 anos), na bicicleta (é triatleta), para reportagem de 2011 da revista "GQ" intitulada: "Será este o homem mais são da campanha presidencial?" Com promessas de legalizar todas as drogas e extinguir a Receita Federal, o ex-governador do Novo México disputava as prévias republicanas para ser candidato à Casa Branca. Barrado, mudou-se para o Partido Libertário e, em 2012, teve 1,2 milhões (1%) dos votos como terceira via.
 

Em 2016, Johnson volta ao páreo com outro ex-governador republicano como vice (Bill Weld, de Massachusetts) e números mais favoráveis. A comunista democrata Hillary Clinton tem 45% da preferência popular, e o republicano Donald Trump 36%, em sondagem do Centro de Pesquisa Pew. Johnson aparece com 11% e, dada a rejeição recorde de Hillary (55%) e Trump (60%) entre o eleitorado, adotou um slogan que apela à saúde mental dos compatriotas. "Precisamos fazer a América sã de novo", diz o libertário, que, se quiser ser ouvido na esfera nacional, precisa chegar a 15% nas pesquisas para participar dos três debates já agendados entre os dois maiores adversários, segundo as regras eleitorais. Um trunfo ele tem: é provável que seja o único de fora da tradicional rixa bipartidária a aparecer como opção nas urnas do país inteiro. Cada um dos 50 Estados americanos possui regras específicas para inscrever um nome. Johnson garantiu espaço em 33 deles e fechará o restante no prazo, garante a diretora política do partido, Carla Howell (especialistas dizem que há estrutura para tanto). A terceira via reclama de um ciclo vicioso no qual a imprensa não lhe dá cobertura porque seus candidatos são nanicos, e eles não conseguem crescer sem mídia. Pois Johnson foi notícia ao ser oficializado em maio como presidenciável libertário, numa convenção em Orlando na qual rivalizou com John McAfee, programador de antivírus, professor de ioga e ex-fugitivo internacional por suspeita de assassinato. Johnson também é lembrado por, em 2014, ter virado presidente de uma empresa de produtos feitos com maconha, a Cannabis Sativa Inc. (já saiu do posto). Diz ter fumado (e tragado) a erva, embora agora só a consuma em outras formas (gosta da balinha Chebba Chews). A defesa da legalização fez sua popularidade despencar mais de 30 pontos no Novo México, que governou de 1995 a 2003 – no fim, saiu em alta após extinguir um deficit estadual bilionário, cultivando a fama de xerife fiscal. Uma das premissas libertárias é a de que nenhum governo deve se sobrepor a qualquer liberdade individual, e isso inclui o direito de se drogar, abortar, carregar uma arma e casar com alguém do mesmo sexo. Johnson ainda era governador quando quebrou seis costelas ao voar de parapente no Havaí (já tinha escalado o Everest semanas após fraturar a perna esquiando). Sua grande superação, agora, é enfrentar o histórico bipartidarismo. Mesmo os 11% que ele tem podem não se materializar em votos. O voto é guiado mais pelo medo do que pela lealdade – contentar-se com o "mal menor" para que alguém ainda mais odiado não vença, diz Steven Webster, em estudo da Universidade Emory sobre comportamento eleitoral. Johnson não tem dinheiro para bancar uma campanha nacional, diz Webster, e a diretora política dos libertários confirma que o orçamento prevê "algumas dezenas de milhões", enquanto Hillary e Trump discutem cifras bilionárias.

Petrobras volta a renegociar contratos para reduzir custos


A Petrobras vai iniciar nova rodada de renegociação de contratos com seus fornecedores. Batizado de Onda 3, o processo vai priorizar novamente empresas de sondas, aeronaves e embarcações de apoio a plataformas. Esses segmentos foram o foco da primeira rodada de negociações (a Onda 1), no segundo semestre de 2015. O processo resultou em uma redução média de 13% no valor dos contratos. Na Onda 2, a estatal conversou com fornecedores de suprimentos necessários à exploração de petróleo, como equipamentos e produtos químicos. A empresa ainda não fez um balanço dessa rodada. A abertura da Onda 3 foi apresentada oficialmente ao setor de embarcações de apoio à plataformas há duas semanas. Nesta segunda-feira (11), a estatal confirmou o processo em reunião com analistas do mercado financeiro, ao incluir a terceira rodada de negociações como uma nova iniciativa para cortar custos. A lista de medidas apresentadas ao mercado inclui ainda esforços para otimizar a frota de navios e a manutenção de tanques de petróleo e combustíveis, entre outras. A Petrobras quer aproximar as taxas de aluguel das embarcações aos valores praticados no mercado internacional, segundo disse aos fornecedores de barcos de apoio. Na primeira negociação com o setor, a estatal conseguiu uma redução média de 20% nos preços. Desde o início do ano, porém, as taxas internacionais caíram mais 30%, em resposta à fraca demanda global. No caso das sondas, a estratégia deve repetir a primeira rodada, quando a companhia antecipou o encerramento de contratos de algumas unidades em troca de extensão do prazo de outros. Desse modo, conseguiu reduzir a frota contratada sem pagar multas por rompimento contratual. No primeiro trimestre, a Petrobras reportou um prejuízo de R$ 1,1 bilhão com as taxas de aluguel de sondas paradas por falta de serviço. Procurada, a estatal não se manifestou sobre o tema até a conclusão desta edição. A companhia informou nesta segunda-feira que bateu em junho seu recorde mensal de produção de petróleo e gás, com a média de 2,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia, incluindo suas atividades no Brasil e no Exterior. O volume supera a marca de 2,88 milhões de barris atingida em agosto de 2015. A produção de junho foi 2% superior à verificada em maio, informou a estatal. Considerando apenas o petróleo no Brasil, a produção da estatal em junho foi de 2,2 milhões de barris. "Realizamos agora um resultado excepcional", comemorou a diretora de exploração e produção, Solange Guedes, em entrevista após o encontro com analistas. Ela ressaltou que, apesar do mau desempenho no primeiro trimestre, quando a produção caiu 7%, a empresa trabalha para atingir a meta de produção no ano, que é de 2,145 milhões de barris de petróleo por dia. A produção no pré-sal cresceu 8%, para 1,24 milhão de barris de óleo equivalente, também um recorde mensal.

Em Pernambuco, Lula diz que Congresso "assaltou" poder de Dilma


O poderoso chefão da ORCRIM petista e ex-presidente, Lula, afirmou nesta segunda-feira (11) em Petrolina (PE), que o Congresso Nacional "assaltou" o poder da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ao aprovar a admissibilidade do impeachment. "Dilma tinha três anos de mandato ainda. Mas nas caras resolveram reunir uma maioria lá (...) e assaltaram o poder. Aquilo foi um assalto. Um assalto legalizado por uma maioria muito duvidosa na Câmara dos Deputados", disse Lula. Como o Brasil inteiro sabe, de assalto ao poder o poderoso chefão da ORCRIM entende uma barbaridade. Discursando para uma plateia de militantes petistas e membros de entidades de políticas para o semiárido, Lula também comparou o afastamento da mulher sapiens petista a uma casa que foi invadida. "Você mora numa casa, eu passo na frente da sua casa. Eu vejo que você não está cuidando bem dela. Eu digo, essa mulher não está cuidando bem, vamos entrar lá tomar a casa dela", disse Lula.  Na sequência, Lula afirmou que o governo Dilma "não estava legal", mas disse que isto não deveria ser motivo suficiente para afastá-la do cargo. "Ela não estava legal. A gente estava vivendo um período ruim. E todos vocês estavam com bronca porque Dilma foi mexer na aposentadoria, mexer nos pescadores. Mas a gente não troca de presidente como troca de roupa". Em fala que teve como alvo direto o presidente interino, Lula disse que "até sindicalista" tem que disputar eleições e ganhar. "Se o Michel temer quer chegar à presidência, ele tem que disputar a eleição", disse. Em seguida, o público respondeu com gritos de "fora, Temer". No discurso, Lula defendeu que a população pressione os senadores a votarem contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no julgamento previsto para agosto. "Vocês precisam fazer conversa com os senadores. (...) Mande carta, mande 'zapzap', mande qualquer coisa para pedir para eles não darem um golpe na democracia do País", disse Lula, afirmando que faltariam seis votos para virar o placar no Senado a favor da petista. Ao falar sobre a crise econômica, Lula defendeu medidas de estímulo à economia, como a concessão de crédito por meio dos bancos públicos para "colocar dinheiro na mão do pobre". A visita a Petrolina faz parte de uma programação de três dias de Lula por cidades nordestinas, onde participa de atos contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Mais cedo, em Juazeiro (BA), afirmou que o governo interino de Michel Temer (PMDB) está agindo para "desmontar programas sociais" e "vender o patrimônio" do País. E disse que Temer privatiza porque não sabe governar. Nesta terça-feira (12), o poderoso chefão da ORCRIM petista segue para as cidades de Carpina e Caruaru, em Pernambuco, onde participa de encontro com agricultores e de ato pela democracia. A programação será encerrada na quarta-feira (13) com um ato público no Recife.

Janot defende manter mulher de João Santana presa na Lava Jato


Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a manutenção da prisão de Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, na Lava Jato. O casal de marqueteiros das campanhas de Dilma e Lula está preso desde fevereiro, em Curitiba (PR) e já se tornaram réus em duas ações da Lava Jato. Mônica negocia delação premiada com o Ministério Público. O parecer de Janot foi enviado ao STF, que analisa um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Mônica. O caso deve ser decidido pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowksi, que é responsável pelo tribunal no período de recesso. O procurador-geral afirma que há elementos concretos para manter a publicitária presa, diante dos riscos de que em liberdade possa voltar a cometer crimes. "Diante do extenso arrazoado da decisão que decretou a prisão da paciente, não se encontra nela qualquer ilegalidade ou arbitrariedade que indique a necessidade de correção por parte desta Corte", disse Janot. Para a Procuradoria, há "elementos concretos apontando para o desvio de bilhões de reais e de reiteradas práticas criminosas pela paciente Mônica por anos a fio, além das condutas para dificultar a apuração integral dos fatos". Janot afirmou que "ao contrário do que afirmado pelos impetrantes (advogados), Mônica Moura não abriu mão de todo o seu sigilo bancário nem assinou documentos que permitissem acesso às contas bancárias mantidas no Exterior". O procurador cita que "apesar de ter sido beneficiada por transferências de aproximadamente US$ 16 milhões, Mônica apenas reconheceu o recebimento de US$ 2,5 milhões, quantia esta que já havia sido descoberta pelo Ministério Público à época em que ela foi ouvida". Segundo a Procuradoria, não está esclarecida a relação dela com a Odebrecht e repasses da empreiteira. Janot disse que nem mesmo o avanço da Lava Jato impediu as ações suspeitas do casal no esquema. "Nem mesmo a notoriedade da Lava Jato, com prisões de diversos envolvidos, tem desestimulado a continuidade delitiva. Aponte-se, por exemplo, dentre as transações suspeitas, depósitos realizados na conta da paciente (Mônica) nos anos de 2014 e 2015. Ganha destaque o fato de depósitos terem sido efetivados inclusive no segundo semestre de 2014, já contemporaneamente à operação e após as eleições de 2014", diz. "Sequer a instauração de várias ações penais, com diversas ordens de prisão, inibiu a paciente e os demais envolvidos, em que é possível supor a impossibilidade de desagregação do grupo criminoso sem a segregação cautelar dos envolvidos", completou. O procurador ainda criticou o casal. "Ora, quem atua em campanhas eleitorais para um ou outro partido política ou chapa recebe a remuneração de forma legal, em suas contas correntes regulares. Não se utiliza de artifícios, como doações por terceiros, para possibilitar o pagamento por serviço prestado, tampouco em contas offshore não declaradas no Exterior".

Ministério Público denuncia nove por compra de trens na gestão Alckmin

O Ministério Público de São Paulo denunciou nove dirigentes e ex-dirigentes do Metrô na gestão Geraldo Alckmin (PSDB) sob suspeita de improbidade administrativa pela compra de 26 trens que nunca foram utilizados devido ao atraso nas obras de prolongamento da linha 5-lilás. Entre os denunciados estão Jurandir Fernandes, secretário de Transportes Metropolitanos na época da compra, e Clodoaldo Pelissioni, atual titular da pasta e diretor do Metrô em 2015. A Promotoria pede a devolução dos R$ 615 milhões usados na compra das composições, além de mais 30% de multa por danos morais, totalizando R$ 800 milhões. As 26 composições, com seis vagões cada uma, foram adquiridas em 2011 por R$ 615 milhões e seriam utilizadas na expansão da linha 5-lilás (da estação Adolfo Pinheiro até a Chácara Klabin), que ainda não se concretizou. Parte dos trens foi entregue em outubro de 2013 e, segundo a Promotoria, está parada desde então em pátios do metrô no Jabaquara, Capão Redondo e Guido Caloi, na zona sul da capital paulista. Outros dez estão em depósito da fabricante, a CAF, em Hortolândia, interior de São Paulo. O promotor Marcelo Milani afirma que as composições estão perdendo a garantia e vão precisar passar por manutenções quando entrarem em operação – a previsão é que a expansão dessa linha do metrô seja concluída apenas em 2018, cinco anos após a entrega dos novos trens. "Essas garantias estão vencendo. Esses trens, para entrar em funcionamento, quando terminar a obra, seguramente vão necessitar de nova manutenção para poder entrar em funcionamento", diz.
 

"Toda a eletrônica do trem estará perdida. Se você for numa loja e comprar um computador hoje, ele será diferente daqui a um ano e será muito diferente daqui a dois anos", compara Milani. Além do ex e do atual secretário, foram denunciados Paulo Menezes Figueiredo, atual presidente do Metrô, e os ex-presidentes da companhia Sérgio Henrique Passos Avalleda, Jorge Fagali, Peter Berkely Bardram Walker e Luiz Antônio Carvalho Pacheco. Foram incluídos ainda Laércio Mauro Santoro Biazotti (ex-diretor de planejamento e expansão) e David Turbuk (ex-gerente de concepção e projetos de sistemas). O promotor Marcelo Milani, em sua denúncia, afirma que os trens estão "no mais completo abandono, inclusive sendo vandalizados". Segundo ele, a investigação foi iniciada a partir da denúncia contra um "funcionário graduado do metrô". O Ministério Público, afirma ele, apura também irregularidades em outras linhas. Além dos trens ociosos, a Promotoria afirma que eles possuem sistema operacional eletrônico, diferente do analógico usado atualmente na linha 5 – e que isso necessitaria de adaptação. Além disso, possuem bitolas (largura entre os trilhos) diferente não só da linha 5, como de todas as outras linhas em operação do metrô, impedindo seu uso em outros sistemas, afirma Milani. "A escolha pelas bitolas revela total desprezo pela coisa pública", escreve ele na denúncia. O Metrô diz que os trens adquiridos "estão sendo entregues e passam por testes, verificações e protocolos de desempenho e de segurança", e que oito veículos "já estão aptos a operar a partir de setembro no trecho de 9,3 km entre as estações Capão Redondo e Adolfo Pinheiro". Além disso, a empresa ainda afirma que toda a linha-5, "da primeira à última estação", terá a mesma bitola, e que não haverá gastos extras com a manutenção dos novos trens. O órgão diz que "não arca com nenhum custo de aluguel para estacionamento" dos veículos e que o prazo de garantia "só começará a valer após o início de operação de cada composição, conforme previsto em contrato". O promotor, porém, nega o argumento e diz que a garantia começou a valer a partir da entrega dos veículos. "A expansão da Linha 5 é um empreendimento que incluiu os projetos, as obras civis e a implantação de sistemas, a implantação de um moderno sistema de sinalização em todo o trecho e a aquisição de novos trens para transporte da nova demanda de usuários", diz a empresa, e afirma que as ações "foram executadas dentro de um detalhado cronograma". Por fim, o metrô afirma que as informações "já foram encaminhadas reiteradas vezes ao Ministério Público de São Paulo, que as desconsiderou para a abertura do inquérito".

Dez deputados já formalizaram candidatura em eleição para a presidência da Câmara


Os líderes da Câmara dos Deputados referendaram a decisão da Mesa Diretora de marcar a eleição da presidência da Casa para a próxima quarta-feira, em reunião realizada na noite desta segunda-feira. Os deputados interessados em suceder Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou na semana passada, têm até as 12 horas desta quarta-feira para formalizar as candidaturas para o mandato tampão até fevereiro de 2017. Seguindo o regimento interno, cada candidato terá dez minutos para falar na sessão, com ordem de fala definida por sorteio. A votação está marcada para as 16 horas. Até a noite desta segunda-feira, dez deputados haviam formalizado candidatura. A única candidatura da oposição até agora é a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que formalizou a participação na eleição para a presidência da Câmara no fim da tarde desta segunda-feira. Os demais candidatos são parlamentares da base aliada do governo do presidente interino, Michel Temer. A maior parte das candidaturas é de deputados do chamado "centrão" (PSD, PP, PR, PTB, PSC, PTN, SD, e outros partidos médios). O PMDB, partido de Temer, tem dois candidatos. Também disputam a presidência da Câmara, Rogério Rosso (PSD-DF), Fausto Pinato (PP-SP), Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO), Carlos Manato (SD-ES), Marcelo Castro (PMDB-PI), Fábio Ramalho (PMDB-MG), Heráclito Fortes (PSB-PI), Giacobo (PR-PR) e Cristiane Brasil (PTB-RJ). Ainda são aguardadas as candidaturas de Beto Mansur (PRB-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já anunciaram a intenção de concorrer, mas ainda não a formalizaram. A candidatura de Maia, aliás, ganhou o respaldo do DEM na noite desta segunda-feira. Havia um impasse entre os democratas, pois o deputado José Carlos Aleluia (BA) também queria tentar o posto. Ele foi derrotado em votação simbólica, o que causou desconforto na bancada. Segundo os parlamentares, a candidatura de Aleluia foi "tardia". Para eles, Maia estava mais preparado e tinha conseguido reunir um apoio maior entre os outros partidos.

Nesta terça-feira, Câmara votará urgências para projetos de renegociação das dívidas e pré-sal

Nesta terça-feira, às 10 horas, caso seja aprovada a antecipação pedida por vários líderes de partidos, acontecerá a reunião da Comissão de Constituição e Justiça que definirá a situação do deputado federal Eduardo Cunha. Nesta terça-feira, a Câmara também terá sessão plenária para nova votação sobre urgência para o exame do projeto de renegociação das dívidas dos Estados e sobre a urgência para o projeto do pré-sal. As bancadas da rede e do Psol, não querem que os dois projetos sejam votados antes que a CCJC aprecie o recurso do deputado Eduardo Cunha, que deseja o retorno do seu caso à Comissão de Ética.

Rosso: uma ação no TRE e uma acusação da pesada; outros candidatos também são acusados

Ex-auxiliar do notório Durval Barbosa diz que Rosso também recebia vantagens indevidas e que isso estaria gravado

Por Reinaldo Azevedo - É, meus caros! É evidente que a disputa pela Presidência da Câmara não ficaria imune ao mercado de denúncias. Até porque os políticos que disputam o posto são os deste pedaço do planeta, mesmo, né?, não de outro. Pelo menos cinco dos que se colocam como postulantes estão, de algum modo, na mira, com mais ou com menos gravidade: Rogério Rosso (PSD-DF), Beto Mansur (PRB-SP), Fernando Giacobo (PT-PR), Heráclito Fortes (PSB-PI) e Rodrigo Maia (DEM-RJ). Vamos lá. Rosso está com pelo menos dois pepinos. O TRE-DF determinou que seja enviada ao Supremo uma investigação contra ele por compra de voto e peculato em favor da candidatura de Liliane Roriz a deputada distrital. Ele teria atuado de forma irregular em 2010, quando exerceu o mandato-tampão do governador. Pode ser aberta a investigação ou não. Rosso também aparece como personagem do chamado mensalão do DEM. Lembram-se de Durval Barbosa, aquele secretário do finado Jose Roberto Arruda que gravava seus pares recebendo dinheiro vivo? Pois é… Um tal Francinei Arruda, que era um estafeta de Barbosa e o ajudava editando os vídeos incriminadores, gravou um depoimento em que diz que Durval só não entregou Rosso porque não quis. O pré-candidato à Presidência da Câmara apareceria em vídeos recebendo vantagens indevidas. Indagado a respeito da acusação, o deputado afirmou que não vai se envolver com “o baixo meretrício da política distrital”. Francinei afirma que Durval tem Rosso nas mãos. Note-se: o parlamentar do PSB não é um investigado no mensalão do DEM. É claro que seus adversários tentarão tirar proveito da acusação. Maia e Heráclito são citados na Lava-Jato. O primeiro teria pedido recursos à OAS, e o outro foi acusado por Sérgio Machado de estar entre os que teriam recebido recursos ilícitos. Mansur já tem uma condenação por exploração de trabalho análogo à escravidão, e Fernando Giacobo é um milagre estatístico: em 1997, teria acertado 12 vezes na loteria. É evidente que esse tipo de acusação se acirra em momentos assim. Se a oportunidade contribui para que venham à tona, e sempre se deve levar tal fato em conta, isso não quer dizer que as denúncias sejam necessariamente mentirosas. Vamos ver o que acontece, literalmente, nas próximas horas.

CCJ começa a decidir a reta final do destino de Cunha, que já era

É pouco provável que comissão consiga votar nesta terça-feira; o mais provável é que tudo se resolva em agosto

Por Reinaldo Azevedo - A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara analisa nesta terça — ou começa a analisar — o texto do deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), que pede a anulação da votação do Conselho de Ética que aprovou o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), favorável à cassação de Eduardo Cunha. Fonseca acatou uma das reclamações do deputado afastado, segundo a qual a votação deveria ter sido realizada pelo painel eletrônico, sem chamada nominal, como se fez. Isso pode ter influenciado, alega o relator na CCJ, o voto de alguns parlamentares. Há mais de 30 deputados inscritos para falar. Os membros da CCJ, composta de 66 parlamentares, podem falar por até 15 minutos; os que não são da comissão têm direito a 10; o advogado de defesa pode se manifestar por até duas horas e 19 minutos; há ainda o tempo dos líderes, proporcional às respectivas bancadas. O próprio Cunha disporá de 20 minutos. Marcos Rogério, o relator no Conselho de Ética, que também é membro da CCJ, vai apresentar um voto em separado. Não parece que essa votação vá ser concluída nesta terça. Amanhã, quarta, é o dia da eleição do presidente da Câmara. A esta altura, parece certo que o plenário só vai decidir o destino de Cunha em agosto. Tudo caminha, aliás, para que a votação da própria CCJ fique para depois do recesso branco. O que isso muda? Bem, não muda o essencial: o plenário vai decidir o destino de Cunha, e ele tentou evitar isso a todo custo. Vamos ver. A expectativa é a de que o relatório de Ronaldo Fonseca seja derrotado; vale dizer: não haverá outra votação no Conselho de Ética. Mas digamos, por hipótese, que fosse aprovado e que, num segundo escrutínio, o conselho decidisse rejeitar a recomendação de cassação. Ainda assim, o plenário iria se manifestar. Ou por outra: haverá votação aberta para decidir o destino de Cunha. O país saberá os nomes de todos os deputados que votarem a favor de sua cassação ou contra. E não custa lembrar: caso ele sobreviva ao voto de seus pares, não sobreviverá ao Supremo. Coloquem uma coisa na cabeça: Cunha já era. Seu esforço agora é só para se livrar da cadeia. E também isso parece improvável.