sábado, 2 de julho de 2016

Doleiro diz ter vídeos que provam negociação de propinas para PMDB


O doleiro Lúcio Bolonha Funaro sabia que, uma hora qualquer, seria alcançado pela Lava-Jato. Aconteceu na manhã de sexta-feira passada, quando foi preso preventivamente. Tanto sabia que, nas últimas semanas, passou a conversar com advogados sobre a possibilidade de fazer delação premiada. Figurinha fácil em escândalos, Funaro tem muito a dizer e a mostrar. A pessoas próximas, ele já afirmou ter recebido 100 milhões de reais de empresas com contratos públicos, propina desembolsada para remunerar serviços do deputado Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara, de quem é um antigo parceiro de negócios. Funaro também contou que boa parte dos 100 milhões foi transferida, a mando de Cunha, a caciques do PMDB e deputados do chamado "centrão", o que explicaria a eleição de Cunha para o comando da Casa. Como delator, Funaro terá de provar o que diz para conseguir a redução de pena. Aos advogados, disse que isso não será difícil. Ele garante ter gravado empresários e parlamentares que visitaram seu escritório em São Paulo para discutir os valores dos contratos e das respectivas propinas. Gravação em vídeo, para não deixar margem a dúvidas. A prisão de Funaro é um desdobramento da delação de Fábio Cleto, ex-­vice-presidente da Caixa Econômica Federal e, assim como o doleiro, notório operador de Eduardo Cunha. Cleto declarou à força-tarefa da Lava-Jato que Cunha cobrava propina das empresas interessadas em obter recursos do FI-FGTS, um fundo de investimentos em infraestrutura administrado pela Caixa Econômica Federal. Em cada contrato, segundo disse Cleto, Cunha embolsava entre 0,3% e 1% do valor total. Cabia a Funaro participar da coleta da comissão. O método teria sido aplicado quando o FI-FGTS aprovou o repasse de 940 milhões de reais à Eldorado Celulose, empresa da J&F, holding que abriga também a JBS, a maior empresa de carnes processadas do mundo. Os investigadores descobriram que Funaro, nessa operação, arrecadou ao menos 9 milhões de reais, o que confere com o 1% de que fala Cleto. A Polícia Federal fez busca e apreensão na sede da JBS e na casa de seu dono, Joesley Batista, em São Paulo. Na delação, Cleto disse que Cunha também embolsou propina em operações do FI-FGTS com a OAS e a Odebrecht. A corrupção no fundo funcionava no modelo tradicional. Eduardo Cunha escalava Fabio Cleto, seu preposto na Caixa Econômica Federal, para criar dificuldades, e, depois, vendia facilidades. Se a empresa não pagava a propina, Cleto pedia vista do processo. Certa vez, Cunha contou com a ajuda de Henrique Eduardo Alves, ex-ministro de Dilma e Temer, então na presidência da Câmara, para pressionar a cúpula da Caixa Econômica Federal a aprovar a liberação de recursos do FI-FGTS à OAS Óleo e Gás e ao Estaleiro Atlântico Sul, de propriedade da Camargo Corrêa e da Queiroz Galvão. No gabinete de Henrique Alves, Eduardo Cunha disse a executivos da Caixa Econômica Federal que, se o dinheiro não saísse, Fabio Cleto impediria o avanço de qualquer projeto de interesse do governo. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já denunciou Henrique Alves, Eduardo Cunha, Fábio Cleto e Lúcio Funaro por participação no esquema de corrupção da Caixa. O cerco ao PMDB é amplo e irrestrito. Outro delator acusou o presidente do Senado, Renan Calheiros, e a cúpula do partido de receber propina de um ex-dire­tor do grupo Hypermarcas. Renan é investigado em oito inquéritos da Lava-Jato, mas a situação de Eduardo Cunha é bem mais delicada. Com dois de seus tarefeiros capturados, Eduardo Cunha recorre à estratégia de sempre: a ameaça. No domingo, 26, o deputado visitou o presidente interino Michel Temer no Palácio do Jaburu. Pediu ajuda para se salvar da cassação de mandato e, caso renunciasse à presidência da Câmara, para eleger um aliado para o posto. É notório que Eduardo Cunha levantou muitas doações de empresas ao PMDB e, por isso mesmo, pode causar um estrago enorme aos peemedebistas que hoje ocupam cargos de destaque em Brasília. "O Eduardo Cunha pode implodir o governo Temer", disse Funaro em uma conversa recente. Pode ser bazófia. Ou não.

Petrobras corta gás para térmica do Amazonas devido à inadimplência da Eletrobras


A Petrobras suspendeu na sexta-feira (1º) o fornecimento de gás natural para usina termelétrica de Aparecida, responsável por parte do abastecimento de energia elétrica de Manaus (AM). A usina pertence a Amazonas Energia, uma empresa do grupo Eletrobras. Em nota divulgada neste sábado (2), a petroleira informou que a Amazonas Energia está inadimplente no pagamento do fornecimento de gás e que a empresa já tinha sido notificada sobre isso. Os valores da dívida não foram citados. "A Petrobras vem adotando as medidas administrativas e judiciais previstas no contrato para cobrar os débitos acumulados, sem prejuízo da avaliação de propostas para regularização da dívida", diz a nota. As dívidas do Sistema Eletrobras (o que inclui a Amazonas Energia e outras subsidiárias) com a Petrobras chegavam a R$ 13,6 bilhões ao fim de março. Desse total, R$ 4,45 bilhões tinham "liquidação duvidosa". Manaus está conectada ao SIN (Sistema Interligado Nacional) desde meados de 2013. Isso significa que a cidade pode receber energia gerada em outras regiões do País. O movimento mostra que, após negociações que se arrastam há muito tempo, a nova direção da Petrobras (agora comandada por Pedro Parente) tomou uma atitude mais dura, tentando encontrar uma solução para uma dívida do setor elétrico que envolve valores bilionários. A estatal do petróleo afirmou ainda que vem adotando as medidas administrativas e judiciais previstas no contrato para cobrar os débitos acumulados, sem prejuízo da avaliação de propostas para regularização da dívida. A inadimplência da Eletrobras é mais um problema que a Petrobras enfrenta no setor elétrico. Recentemente, a estatal questionou uma regra do mercado de energia após deixar de receber valores bilionários ao longo do último ano devido à elevada inadimplência em operações na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que promove acertos financeiros mensais entre as empresas de energia. A petroleira costuma ter altos valores a receber nessas operações, que enfrentam forte inadimplência desde metade do ano passado. As regras do mercado de energia preveem que os valores não pagos pelos devedores devem ser descontados dos pagamentos feitos aos credores, como a Petrobras.

Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel, morre aos 87 anos


O prêmio Nobel da Paz e sobrevivente do Holocausto, Elie Wiesel, morreu neste sábado, aos 87 anos, em sua casa, em Nova York. Wiesel nasceu na Romênia e sobreviveu ao campo de extermínio nazista de Auschwitz. Autor de quase 50 livros, quatro sobre o Holocausto, ele defendia a memória do período nazista por meio da educação. O romeno dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos e à luta contra a opressão no mundo, o que lhe valeu o Nobel da Paz, em 1986. Nascido em uma família ultra-ortodoxa judaica, perdeu nos campos nazistas a irmã mais nova e os pais. Ele e duas irmãs mais velhas sobreviveram e, uma vez libertados, foram a Paris estudar na Universidade de Sorbone. Depois de formado, atuou algum tempo como jornalista. "O Estado de Israel e o povo judeu estão de luto pela morte de Elie Wiesel", declarou o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado. "Na escuridão do Holocausto, no qual seis milhões dos nossos irmãos e irmãs faleceram, Elie Wiesel foi um farol luminoso e um exemplo de humanidade que acreditava no bem dos homens", afirmou. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, disse que Wiesel era "um herói para o povo judeu e um gigante para toda a humanidade". Nascido em 30 de setembro de 1928 em Sighetu, na Romênia atual, Transilvânia na época, Wiesel foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, quando tinha 15 anos. Ali, perdeu sua mãe e sua irmã. Seu pai morreu diante de seus olhos no campo de Buchenwald, para o qual foram transferidos. Após sair do campo de concentração, foi acolhido em 1945 na França por uma organização beneficente e conseguiu reencontrar duas irmãs sobreviventes. Após cursar filosofia na Universidade de Sorbonne, dedicou-se às letras, tornando-se jornalista e um renomado escritor. Sua obra mais conhecida são suas memórias, publicadas com o título "A Noite", nas quais ele conta sua experiência nos campos de concentração nazistas. O livro, originalmente escrito em iídiche, tinha como título nas primeiras edições "E o mundo calava" - eterno fantasma que perseguia Wiesel. Em 1986, ele ganhou o prêmio Nobel da Paz por ter dedicado sua vida a dar testemunho do genocídio cometido pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Durante toda a sua vida, Wiesel trabalhou para cumprir a promessa que fez ao fim da guerra de ajudar os perseguidos em qualquer parte do mundo. Este compromisso o fez colocar-se a serviço de causas diversas, do genocídio armênio aos crimes em Darfur. Em sua luta contra o esquecimento e para facilitar a compreensão entre os povos, Wiesel criou, junto com a mulher, a fundação que leva seu nome e a Academia Universal das Culturas. "Sempre, onde houver um ser humano perseguido, eu não vou permanecer em silêncio", prometeu Wiesel, a quem o comitê que concede o Nobel qualificou de "um mensageiro da humanidade". Naturalizado americano em 1963, Wiesel voltou a Auschwitz em 2006, ao lado da apresentadora de TV Oprah Winfrey. Também visitou o campo de Buchenwald com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Por seu trabalho à frente do Comitê pela Memória do Holocausto, recebeu a medalha de ouro do Congresso americano e na França foi reconhecido com a Grã-cruz da Legião de Honra.

Hillary Clinton é interrogada por agentes do FBI, sobre e-mails e possível crime de traição


Hillary Clinton, a candidata comunista-democrata para ocupar a Casa Branca, foi interrogada neste sábado por agentes do FBI sobre o uso de um servidor de e-mails privados durante o período em que foi secretária de Estado. O porta-voz da campanha de Hillary, Nick Merrill, disse em comunicado que a entrevista aconteceu de forma voluntária. Um funcionário da campanha disse que o interrogatório aconteceu na sede do FBI em Washington e durou aproximadamente três horas e meia. Segundo ele, a entrevista não foi inesperada e não sugere que Hillary Clinton ou qualquer pessoa tenha de enfrentar um processo. Apesar de ser improvável que ela enfrente um processo criminal, a suspeita de mau uso de informações confidenciais reforçam a imagem negativa da candidata. As eleições americanas acontecem em novembro. Mas, o caso é mais complicado, porque envolve também o assassinato de diplomatas americanos em Benghazi, na Líbia, em que a comunista Hillary Clinton teria tido uma atuação desastrosa, beirando a traição. Isso ainda vai dar muito pano para manga.

Os "saqueadores" Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira são transferidos para o presídio de Bangu 8


O empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, presos na Operação Saqueador, da Polícia Federal, deixaram neste sábado o Presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e seguiram em carro da Secretaria de Administração Penitenciária para Bangu 8, instituição destinada a presos com curso superior. A Justiça havia determinado que Cavendish e Cachoeira, além de Adir Assad e Marcelo Abbud, acusados de serem donos de empresas fantasmas, e Claudio Abreu, ex-diretor da Delta, ficassem em prisão domiciliar, mas por falta de tornozeleiras eletrônicas eles foram transferidos para Bangu 8. O Estado do Rio de Janeiro está em atraso com o pagamento da empresa fornecedora do equipamento de monitoramento. A previsão é que as tornozeleiras sejam entregues na quinta-feira. O grupo é acusado de usar empresas fantasmas para transferir cerca de 370 milhões de reais de recursos obtidos pela Delta para o pagamento de propina a agentes públicos. Fernando Cavendish foi preso na manhã deste sábado no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Ele chegou ao Brasil em um vôo que partiu de Roma. Estava fora do País desde o dia 22 de junho.  Na última quinta-feira, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra Cachoeira, Cavendish, Adir Assad e outras vinte pessoas por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro público. Segundo a denúncia, entre 2007 e 2012, a Delta teve quase a totalidade de seu faturamento (cerca de 11 bilhões de reais) oriundo de contratos públicos, em especial do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Desse montante, diz a procuradoria, 370 milhões de reais foram "lavados" em repasses a dezoito empresas de fachada, que, por meio de contratos fictícios, dificultavam o rastreamentos do dinheiro. De acordo com as investigações, essas empresas eram criadas e geridas por Cachoeira, Assad e Abbud. O Ministério Público Federal ainda afirma que as transferências da Delta a essas companhias fantasmas tinham "aumentos significativos" em anos de eleição e que a maior parte desses 370 milhões de reais foi usado para o pagamento de propina a agentes públicos. As investigações da Polícia Federal duraram cerca de três anos e começaram a partir de documentos colhidos na CPI do Cachoeira, instaurada em 2012 e que também mirava em supostas irregularidades da Delta. Criada pelo PT para atacar instituições que investigaram o Mensalão, a comissão passou a aterrorizar políticos depois de VEJA revelar que a construtora usava uma extensa rede de empresas-fantasma para pagar propina a servidores públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais. Na ocasião, o esquema acabou derrubando o senador Demóstenes Torres (GO), que tinha envolvimento com Cachoeira e foi cassado. Segundo reportagem de VEJA, de dezembro de 2013, Assad, que já foi condenado na Lava Jato por lavagem de dinheiro, viu o seu faturamento crescer 574 vezes em quatro anos oferecendo um serviço valioso: corrupção e financiamento clandestino de candidatos. Entre os seus clientes, além da Delta, estão outras empreiteiras, bancos, consultorias e políticos.

Camargo Corrêa vende fatia na CPFL Energia a gigante chinesa


A Camargo Corrêa aceitou vender sua fatia de 23,6% no bloco de controle da CPFL Energia para a gigante estatal chinesa State Grid Corp, em um negócio avaliado em 5,85 bilhões de reais. O acordo foi anunciado pela CPFL em fato relevante nesta sexta-feira. A ESC Energia, subsidiária da Camargo Corrêa, possuía 234.086.204 ações da CPFL Energia. O preço por ação é de 25 reais. O valor oferecido pela State Grid representa um prêmio de 21,6% sobre o preço de fechamento da ação da CPFL nesta sexta, de 20,56 reais. O valor atribuído às ações da CPFL Energias Renováveis é de 12,20, disse a CPFL em comunicado enviado ao mercado. A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Caso o negócio seja concretizado, a State Grid passará ao bloco de controle da CPFL Energia, ao lado da Previ, que tem 29,4%, além de Fundação Cesp, Petros, Sistel e Sabesprev que juntos possuem 15,1% da companhia.

Teori Zavascki ordena quebra do sigilo telefônico de Eduardo Cunha


O ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra do sigilo telefônico do presidente afastado da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na ação penal que investiga se ele recebeu propina decorrente da compra de navios-sonda pela Petrobras. O ministro quer saber onde Eduardo Cunha estava no dia 18 de setembro de 2011, entre 19 e 21 horas. Segundo a denúncia, nesse horário Eduardo Cunha estava reunido com os lobistas Júlio Camargo e Fernando Soares para pressionar pelo recebimento de propina. A quebra da informação sigilosa foi oferecida pelo próprio Eduardo Cunha. Com a decisão, será possível identificar, por meio de equipamentos de telefonia, onde ele estava no horário da reunião. Teori Zavascki afirmou que os dados obtidos não serão definitivos. Isso porque uma eventual informação de que os telefones não estiveram no local, horário e data da reunião poderá ser útil à defesa, “embora não necessariamente excluam a existência dos fatos narrados na denúncia”. Eduardo Cunha também pediu a quebra de sigilo telefônico do senador Edison Lobão (PMDB-MA), para comprovar a inexistência de ligação para ele em 31 de agosto de 2011, como atesta a denúncia da Procuradoria Geral da República. Para Teori, não há elementos mínimos para justificar a medida. “Não se verifica situação de imprescindibilidade do afastamento de sigilo de terceiro, senador da República, que não é investigado nesta ação penal, para ‘desconstruir possíveis conjecturas’ sobre suposta ligação telefônica narrada em depoimento em colaboração premiada, que, por sua vez, não é determinante para comprovar os fatos narrados na denúncia”, escreveu Teori Zavascki. Além desse pedido de quebra de sigilo telefônico de Lobão, outros nove pedidos da defesa foram negados. Segundo o ministro, a maior parte dos recursos foi apresentada apenas para atrasar as investigações e, por isso, não poderiam ser concedidos. “Com relação aos requerimentos apresentados pela defesa do réu Eduardo Cunha, cabe destacar que, em sua maioria, são repetições de pedidos já apreciados e indeferidos nesta Corte, o que os caracteriza desde logo como protelatórios e impertinentes, ensejando, de plano, seu indeferimento”, escreveu o ministro. Entre os recursos negados, está o pedido de tradução de documentos inseridos na investigação; a degravação de depoimentos de testemunhas pelo Instituto Nacional de Criminalística; e a perícia em vídeos com depoimentos de delatores para verificar possíveis interrupções na gravação. Segundo Teori, essas medidas em nada alterariam as investigações e, portanto, não seriam necessárias.

Desembargador do Rio de Janeiro manda Carlinhos Cachoeira e Assad para prisão domiciliar


O desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, acolheu na tarde desta sexta-feira pedido de habeas corpus da defesa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e converteu a prisão preventiva dele em prisão domiciliar. O desembargador estendeu a decisão aos outros presos na Operação Saqueador, deflagrada na quinta-feira, entre eles o empresário Adir Assad. O ex-dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, que não chegou a ser preso porque está no Exterior, também foi beneficiado. Eles deverão usar tornozeleira eletrônica. O Ministério Público Federal vai recorrer da decisão. A prisão de Cachoeira, Cavendish e Assad havia sido decretada, a pedido do Ministério Público Federal, pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Na decisão desta sexta-feira, o desembargador determinou o afastamento dos acusados da direção e administração das empresas investigadas e os obriga a comparecer em juízo a cada 15 dias. Eles também estão proibidos de mudar de endereço, manter contato com outros investigados e deixar o País. Todos deverão entregar os passaportes nas próximas 24 horas. "Os fatos que o juiz reputou como relevantes para a prisão são de 2012. A prisão preventiva se justifica caso haja perturbação à ordem pública, risco ao processo em si e risco para o processo penal. Meu cliente está em liberdade desde 2012 e não há notícia que demonstre que desobedeça isso. Além disso, a justificativa do juiz para prendê-lo não traz nenhuma referência a fato contemporâneo, só de fato de 2012. O desembargador acolheu esses argumentos", explicou o advogado Kleber Lopes, que defende Carlinhos Cachoeira. O bicheiro, Assad e os outros dois presos estavam no Presídio de Água Santa. O Ministério Público Federal ofereceu esta semana denúncia contra Cavendish, Cachoeira, Adir Assad e mais 20 pessoas por envolvimento no esquema de lavagem de verbas públicas. Segundo o órgão, 96,3% do faturamento da Delta entre 2007 a 2012 era oriundo de verbas públicas, totalizando um montante de quase R$ 11 bilhões, a maior parte vindo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). A denúncia foi aceita pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal. De acordo com o procurador federal Leandro Mitidieri, desse montante, cerca de R$ 370 milhões foram desviados e lavados por meio de 18 empresas de fachada. A investigação apontou que os pagamentos da Delta às empresas fantasmas aumentaram significativamente em anos eleitorais. Os responsáveis pela criação dessas empresas foram Cachoeira, Assad e Marcelo Abbud, que se entregou na quinta-feira à Polícia Federal em São Paulo. Também foi preso Cláudio Dias Abreu, ex-diretor regional da Delta no Centro-Oeste e Distrito Federal. Eles também irão para a prisão domiciliar. Cavendish foi para a Europa em 22 de junho e, quando os policiais foram ao apartamento dele, no Leblon, para cumprir mandado de prisão, ele não foi encontrado. A relação entre Cachoeira e Cavendish veio à tona com a Operação Monte Carlo e na CPI do Cachoeira, em 2012. Após o escândalo, a Delta pediu recuperação judicial. Recentemente, o Supremo autorizou o uso, nas investigações no Rio de Janeiro, de trechos da delação premiada dos ex-executivos da Andrade Gutierrez. Os depoimentos estão sob sigilo, mas, segundo o Ministério Público Federal, demonstram que a Delta era voltada a esquemas de corrupção em obras públicas, especialmente, no Rio de Janeiro. 

A peronista populista Cristina Kirchner está encurrada e se refugiou na única propriedade que não foi alvo de buscas


A ex-presidente da Argentina, a peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, que chefiou governos tremendamente corruptos, inteirou-se sobre as operações de buscas em dez de suas propriedades quando abriu o portal de notícias Infobae. Ela estava em sua casa na rua Mascarello, em Río Gallegos, na província de Santa Cruz. Foi o único imóvel da ex-chefe de Estado que escapou da batida policial, relatou o jornal “La Nación”. Quando a presidente reagiu à notícia no Twitter, já se passavam seis horas após o início da operação ordenada pelo juiz federal Claudio Bonadio, na manhã de quinta-feira. Em Río Gallegos, e longe de seu filho, Máximo Kirchner, que se encontra em Buenos Aires, Cristina viu seu nome estampado na capa dos sites de notícias, e minutos depois nos canais de TV que transmitiram ao vivo os passos dos investigadores. Várias pessoas do entorno de Cristina Kirchner também estão na mira da polícia. Na quinta-feira, a casa de sua cunhada Alicia Kirchner foi alvo de batida, embora as autoridades não tenham encontrado o que buscavam. Seu conselheiro e contador, Víctor Manzanares, também recebeu visita de policiais, que levaram uma caixa de documentos da residência. E a imobiliária de seu consultor e sócio de seu filho, Osvaldo Sanfelice, também foi alvo. Passaram-se várias horas até a confirmação de que não havia mandado de busca na casa onde Cristina estava. A residência, no entanto, faz parte da investigação por inconsistência na operação de compra do imóvel e por possível crime de falsificação de documentos públicos.

Casa de Cristina Kirchner na rua Mascarello, em Río Gallegos, na província de Santa Cruz

A ex-presidente respondeu às manchetes com uma mensagem no Twitter, na qual acusa o juiz Bonadio de persegui-la, “como não podia ser de outra maneira”. “Devo ser a única cidadã na História judicial argentina a ser investigada por dois juízes no mesmo caso”, disse ela, que ainda acusou meios de comunicação que divulgaram a operação de busca de “sincronização informativa’: “Essa não vai ser a primeira nem a única causa que inventarão”. A petulante peronista populista Cristina Kirchner ainda aproveitou para responder à decisão de investigar suas propriedades com uma ironia ao presidente Mauricio Macri, apontado como possível beneficiário de conta soffshore no caso conhecida como Panamá Papers. “A propósito, alguém sabe se o presidente e sua família tiveram as casas, empresas ou escritórios revistados?” - escreveu ela, que acusou o governo atual de ser elitista e “não se importar com os trabalhadores”. Atualmente, a ex-chefe de Estado está sendo investigada em mais de cinco processos em mãos dos tribunais de Buenos Aires, por denúncias de lavagem de dinheiro, não cumprimento dos deveres de funcionário público e participação em uma associação ilícita que provocou prejuízo de cerca de R$ 7 bilhões ao Banco Central do país, entre outros delitos. 

Friboi "ajudou" 162 deputados, o único que recusou o dinheiro foi Jair Bolsonaro

A JBS entrou no alvo das ações da Polícia Federal nesta sexta-feira. A JBS investiu R$ 361 milhões nas eleições de 2014, valor equivalente à soma das contribuições oficiais das cinco maiores empreiteiras pegas no Petrolão da Lava-Jato. Do total, R$ 115 milhões da JBS foram para o PT, R$ 61 milhões para o PMDB e R$ 56 milhões para o PSDB. A gigante da carne contribuiu para 162 deputados. Em fevereiro, a CPI do BNDES, que detém 27% do capital do frigorífico, terminou sem que este fosse sequer ouvido. Dos 27 membros da CPI, 20 haviam sido apoiados pela empresa — cuja holding Henrique Meirelles presidiu até virar ministro da Fazenda de Michel Temer. O único deputado que se recusou a receber dinheiro da JBS foi Jair Bolsonaro, que na época era do PP. O partido chegou a depositar R$ 200 mil na conta do deputado, mas ele devolveu tudo quando soube a origem da contribuição.

Procuradores se insurgem contra o "abolicionismo penal" do Poder Judiciário

O procurador regional da República, José Augusto Vagos, que atua no TRF-2, ficou escandalizado com a decisão do desembargador Antonio Ivan Athié, de transferir para prisão domiciliar Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Fernando Cavendish - que ainda está foragido. Vagos disse que vai recorrer de uma decisão que "beira o abolicionismo penal". Disse ele: "Vamos recorrer para tentar reverter essa decisão, que beira o abolicionismo penal. Prisões domiciliares sem análise mais profunda e cuidadosa, num contexto de desvios de quase 400 milhões; soltura relâmpago... fico a imaginar quais situações em concreto justificariam uma prisão cautelar para sua excelência, que, com todo respeito, sequer deu chance da PRR-2 ser ouvida". E continuou: "É um desprestígio aos órgãos de persecução que trabalharam duro para essa operação, com gasto enorme de tempo e dinheiro, para, sem maiores considerações e aprofundamentos, concederem-se prisões domiciliares em série. Também importante ressaltar que foram mais de 20 denunciados, e o Ministério Público Federal teve o cuidado de pedir prisões de uns poucos, mas importantes, que representariam maior risco à ordem pública e à regular aplicação da lei penal".