segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ministro Henrique Meirelles quer estabelecer limite de gastos por 20 anos


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez nesta segunda-feira um apelo ao Congresso pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que fixa um teto aos gastos do governo. O texto, que deve ser enviado ao Legislativo nesta terça-feira, prevê que as despesas só poderão crescer com base na inflação do ano anterior. O Ministério da Fazenda propôs ao Palácio do Planalto que a PEC preveja um prazo de 20 anos. Segundo interlocutores do presidente interino, Michel Temer, o martelo ainda não foi batido e há várias versões do projeto ainda em debate, mas a equipe econômica defende que o período seja longo o suficiente para dar ao mercado uma sinalização concreta de que o governo está comprometido com o equilíbrio das contas públicas e com o objetivo de colocar a dívida pública em trajetória de queda. O assunto foi discutido na noite desta segunda-feira por Temer com Meirelles e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. A área política do governo insiste que o teto não deve ser tão longo e dure por um prazo de dois mandatos presidenciais, o que significaria oito anos. Isso tornaria a proposta mais fácil de ser aprovada pelo Legislativo. Como não houve consenso, Temer voltará a tratar do assunto hoje com sua equipe. Ao discursar na cerimônia de transmissão de cargo do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, Meirelles afirmou que a medida é importante para reverter a tendência que os gastos públicos tomaram nos últimos anos. "Nossas ações começarão a reverter a trajetória inflexível e insustentável dos gastos primários. Persistir nessa trajetória não é uma opção, não temos esse direito. Temos que adequar o perfil dos gastos a uma carga tributária que não asfixie a economia", disse ele: "Caso a fixação de um teto para a expansão dos gastos primários seja aprovada, vamos contribuir para uma redução dos prêmios de risco e contribuir para o controle da inflação". Meirelles, no entanto, não mencionou o prazo na posse de Ilan. Ele se limitou a dizer que o teto vai durar o tempo que for necessário. O ministro lembrou que, de 2008 a 2015, a receita do governo cresceu 14,5% e as despesas aumentaram 51%. Para suportar essa diferença, houve um crescimento de R$ 2,2 trilhões da dívida pública bruta. "As políticas corretivas se farão pelo tempo que se fizer necessário para que a economia ingresse num novo ciclo de crescimento sustentável", afirmou Meirelles. Ele também fez críticas à condução da política econômica do governo da mulher sapiens petista, Dilma Rousseff, citando indiretamente as “pedaladas fiscais” (atrasos nos repasses de recursos do Tesouro para bancos públicos) e outras manobras para melhorar artificialmente o resultado das contas públicas: "Nos últimos anos, vivemos a ilusão de que se poderia fazer postergação de despesas, cortes de investimentos (para gerir as contas públicas). Esse tipo de artifício parte de um diagnóstico equivocado da economia. O improviso de curto prazo se torna insustentável e compromete a viabilidade de soluções estruturais". Para agilizar o processo de abertura de capital das estatais, numa nova onda de privatizações, Temer também tem pressa em concluir a votação da Lei Geral das Estatais. Assim que a proposta for aprovada pelo Congresso, será editado um decreto presidencial criando a Secretaria de Estatais, que vai substituir o atual Departamento de Estatais (Dest), órgão subordinado ao Ministério do Planejamento. A nova secretaria terá uma diretoria específica para cuidar da reestruturação das empresas. Hoje, existem 139 estatais, e os planos são de reduzir essa quantidade, devendo permanecer sob o guarda-chuva da União estatais grandes e pouco problemáticas, segundo interlocutores. A nova secretaria terá maior autonomia, explicou um integrante do governo. O projeto de lei das estatais, já aprovado pelo Senado, dá prazo de dez anos para que estas empresas tenham pelo menos 25% das suas ações em circulação no mercado. Este prazo pode ser prorrogado, caso a emissão de papéis não tenha viabilidade econômica no fim do período, segundo acordo entre a equipe econômica e líderes dos partidos da base aliada. Pelo projeto, as empresas de economia mista só poderão emitir ações ordinárias (com direito a voto) para assegurar direitos a todos os acionistas. Deve ser retirada do texto exigência para que os diretores tenham dez anos de experiência na área de atuação das estatais para não restringir a indicação de nomes do mercado. Caso as alterações sejam aprovadas pela Câmara nesta semana, o texto retornará ao Senado, mas o acordo é para que a tramitação seja rápida. O governo também corre para aprovar, sem alterações, o projeto aprovado pelo Senado que trata da gestão dos fundos de pensão das estatais. A novidade é que essas entidades passarão a ter nos seus conselhos (deliberativo e fiscal) e na diretoria executiva profissionais qualificados, selecionados no mercado por empresas qualificadas e desvinculados de atuação partidária. Serão dois novos conselheiros independentes em cada um dos conselhos e mais dois indicados pela empresa patrocinadora e dois, pelos funcionários. E toda a composição da diretoria terá de ser escolhida no mercado, também em processo seletivo público. Os representantes dos participantes dos fundos de pensão estão se mobilizando no Congresso, temendo que a nova composição acabe diluindo a participação dos trabalhadores. "Acho um grande avanço na gestão dos fundos de previdência complementar. Os impactos do ponto de vista fiscal e a necessidade de reverter expectativas explicam a pressa do governo", argumentou o relator da proposta, deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG).

Teori anula parte das escutas de Lula e manda inquéritos para Moro


O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, devolveu, nesta segunda-feira, para as mãos do juiz Sérgio Moro as investigações sobre o poderoso chefão e ex-presidente Lula que estavam paradas no tribunal. Na mesma decisão, Teori anulou parte das escutas telefônicas em conversas do poderoso chefão depois do período autorizado por Sérgio Moro. Não poderá ser usado como prova judicial, portanto, o diálogo entre Lula e a presidente afastada, Dilma Rousseff, em que ela dizia que estava enviando por um emissário o termo de posse do ex-presidente como ministro da Casa Civil, o que lhe daria foro privilegiado e o livraria de um eventual pedido de prisão na primeira instância. Em resumo, ele anulou a prova cabal da ação de Dilma e LulaX9 de obstrução deliberada e ostensiva de investigação da Justiça. Ao todo, foram enviados para Moro três petições, três inquéritos e dez ações cautelares. Todos os processos estão sob sigilo. Entre os casos que foram enviados para Moro está o inquérito sobre o sítio de Atibaia e o tríplex do Guarujá, ambos em São Paulo. Lula seria o usuário dos imóveis e teria sido beneficiado com melhorias promovidas por empreiteiras investigadas na Lava-Jato. A transferência do foro das investigações foi decidida a pedido da Procuradoria-Geral da República. Ainda está no Supremo o inquérito em que Lula foi denunciado junto com o ex-senador Delcídio Amaral; o ex-assessor (de Delcídio) Diogo Ferreira; o advogado Edson Ribeiro; o banqueiro André Esteves; o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai. Teori ainda não decidiu, mas a tendência é que o inquérito também seja enviado para Moro, porque não há mais ninguém com direito ao foro privilegiado nas investigações. Teori manteve no Supremo o pedido de abertura de inquérito contra Dilma feito pela Procuradoria Geral da República, por conta do foro especial. Ele ainda não decidiu se abre as investigações. O caso também está protegido pelo segredo de justiça. No caso das gravações, os investigadores da Lava-Jato interpretaram o diálogo entre Lula e Dilma como uma forma de obstrução da Justiça. Isso porque a presidente afastada teria tido a intenção de dar foro especial a Lula, para responder a processos da Lava-Jato no STF, e não na primeira instância do Judiciário. As investigações foram transferidas para o tribunal e, agora, voltarão para a primeira instância. Na decisão, Teori explicou que Moro deveria ter interrompido as investigações, e as enviado ao STF, quando se deparou com agentes públicos com direito ao foro especial — como, por exemplo, a presidente Dilma. “Com efeito, a violação da competência do Supremo Tribunal se deu no mesmo momento em que o juízo reclamado, ao se deparar com possível envolvimento de autoridade detentora de foro na prática de crime, deixou de encaminhar a este Supremo Tribunal Federal o procedimento investigatório para análise do conteúdo interceptado”, escreveu o ministro. Para Teori, foi “grave” o fato de Moro ter feito juízo de valor sobre condutas de ocupantes de cargos com direito ao foro especial e sobre as provas quando os processos já não estavam mais em suas mãos. O ministro também reprovou o levantamento do sigilo das conversas interceptadas, “sem adotar as cautelas previstas no ordenamento normativo de regência, assumindo, com isso, o risco de comprometer seriamente o resultado válido da investigação”. Segundo o ministro, “a decisão proferida pelo magistrado reclamado (Moro) está juridicamente comprometida, não só em razão da usurpação de competência, mas também, de maneira ainda mais clara, pelo levantamento de sigilo das conversações telefônicas interceptadas", escreveu o ministro do Supremo. 
“Foi também precoce e, pelo menos parcialmente, equivocada a decisão que adiantou juízo de validade das interceptações, colhidas, em parte importante, sem abrigo judicial, quando já havia determinação de interrupção das escutas”, concluiu Teori. A conversa entre Dilma e Lula foi a mais polêmica das interceptadas pela Lava-Jato. Ela recomendava ao antecessor que usasse o termo de posse se considerasse necessário. Lula ainda não tinha tomado posse, mas já tinha sido nomeado para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. A autorização para os investigadores gravarem conversas telefônicas do ex-presidente tinha validade até o dia 16 de março às 11h12. No entanto, o diálogo entre Lula e a presidente ocorreu às 13h32 do mesmo dia. “Mesmo assim, sem remeter os autos a esta Corte, o juízo reclamado determinou o levantamento do sigilo das conversações”, reclamou Teori. O ministro esclareceu que serão anuladas apenas as provas colhidas depois do horário autorizado por Moro. Ele acrescentou que “não se está fazendo juízo de valor, nem positivo e nem negativo, sobre o restante do conteúdo interceptado, pois isso extrapolaria o objeto próprio da presente reclamação”. Teori explicou que todas as provas, mesmo as colhidas no horário autorizado, podem ser contestadas na Justiça. O ex-presidente foi denunciado em março deste ano pelo Ministério Público de São Paulo. Na denúncia, que também pede prisão preventiva, Lula é acusado de cometer os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso do tríplex 164-A, do condomínio Solaris, no Guarujá. Para os procuradores, Lula é o real proprietário do imóvel, que recebeu reformas no valor de R$ 1 milhão pagas pela construtora OAS. Os investigadores suspeitam que a obra tenha sido uma forma de retribuição por vantagens indevidas na participação do esquema de desvios de dinheiro da Petrobras. A empreiteira fechou contratos de mais de R$ 7 bilhões com a estatal entre 2007 e 2012. Lula nega ser o proprietário do tríplex. O ex-presidente nega também ser dono do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior de São Paulo, que frequenta com a família desde 2011, quando deixou a Presidência. O sítio está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, que é sócio do filho do ex-presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na empresa BR4 Participações. O Ministério Público Federal acredita que a OAS tenha feito obras de contenção de um lago e comprado móveis para a cozinha. A construtora Odebrecht também teria participado da reforma do local. Os negócios de Lula com as empreiteiras são alvo de investigação da Lava-Jato, que suspeita que o poderoso chefão petista tenha sido um dos beneficiários do esquema na Petrobras. Na 24ª fase da operação, em março, Lula foi levado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal. Autorizada por Moro, a condução coercitiva do ex-presidente foi alvo de críticas de petistas, assim como as escutas telefônicas do ex-presidente divulgadas posteriormente. Os investigadores queriam informações sobre pagamentos de R$ 30,7 milhões feitos por empreiteiras envolvidas nas fraudes à Petrobras ao Instituto Lula e a LILS Palestras, empresa que pertence a Lula. Além da OAS, Odebrecht, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, UTC e Queiroz Galvão doaram R$ 20,7 milhões ao instituto e pagaram R$ 9,920 milhões por palestras entre 2011 e 2014. A OAS chegou a pagar US$ 200 mil dólares por uma conferência do ex-presidente.

Polícia pede quebra de sigilos bancário e telefônico de vereador que relatou atentado na em Porto Alegre

A Polícia Civil pediu a quebra dos sigilos bancário e telefônico do vereador e pré-candidato a prefeito de Porto Alegre, Rodrigo Maroni (PR). Ele era do PCdoB e foi casado com a deputado estadual comunista Manuela D´'Avila. Quando concorreu à vereança, e não conseguiu se eleger, ele gravou um jingle no qual dizia: "Eu sou dela, e ela é minha". Agora, conforme o delegado Rodrigo Garcia, da 4ª Delegacia de Homicídios da capital gaúca, a Polícia Civil encaminhou a solicitação ao Judiciário ainda na semana passada. A resposta, porém, só deve ser divulgada no fim da semana. O parlamentar relatou, em início de maio, ter sido vítima de um atentado na zona Sul da cidade. O carro dele foi alvejado com cerca de 10 tiros, na Estrada São Caetano, no Lami. A Polícia investigou o local e destacou que não foram encontrados vestígios de balas. A perícia relatou, apenas, ter encontrado um fragmento de projétil dentro do veículo. Ou seja, a polícia desconfia de uma história mal-contada.

Lava Jato investiga sociedade da Odebrecht para construir o submarino nuclear e fraude no seu projeto


As investigações da operação Lava Jato começaram a avançar sobre uma sociedade muito suspeita entre o então governo da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e sua empreiteira preferida Odebrecht na construção do submarino nuclear brasileiro. A parceria criaria uma empresa chamada Próton, sob controle da Odebrecht e tendo como sócia minoritária a estatal Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa). A Próton passaria a vender tecnologia para as Forças Armadas e a Odebrecht, que já recebeu mais de R$ 2,7 bilhões no projeto do submarino nuclear, seria dona de toda a tecnologia desenvolvida, bem como patentes, excetuando o reator nuclear, a cargo da Marinha, se a sociedade fosse desfeita. O conselho da Amazul, que havia concordado com todas as cláusulas, passou a criticar itens de exclusividade e a propriedade intelectual concedida à empreiteira, principalmente após o envolvimento da Odebrecht nas investigações de corrupção no âmbito da Lava Jato. Depois de muita discussão, chegou-se a um acordo onde a cláusula de exclusividade foi retirada da parceria e as patentes passaram a ser divididas em caso de dissolução da sociedade, mas toda a negociação chamou atenção dos investigadores da Lava Jato.

Leilão de imóveis de Youssef arrecada R$ 4,2 milhões


Um leilão de imóveis do doleiro Alberto Youssef, personagem central no escândalo do petrolão, arrecadou nesta segunda-feira 4,21 milhões de reais. No leilão, foram arrematados cinco imóveis no Campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, pelo valor total de 2,36 milhões de reais, e nove lotes de um imóvel comercial em Salvador por 1,85 milhão de reais. Esta foi a segunda tentativa de vender esses bens do delator da Operação Lava Jato, já que a primeira, em 30 de maio, terminou sem lances. Os valores arrecadados serão revertidos para reparar os cofres da Petrobras.

Temer recorre ao Supremo para demitir petista e retomar comando da EBC


O governo de Michel Temer recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar reverter a decisão do ministro Dias Toffoli e fazer com que o jornalista Laerte Rimoli reassuma o cargo de diretor-presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). O recurso foi protocolado no Supremo pela Advocacia-Geral da União na sexta-feira (10) em uma estratégia de Temer para retomar o comando da estatal, criada em 2007 para gestão das empresas de TV e rádio do governo. No início do mês, Toffoli deferiu liminar para determinar que o também jornalista Ricardo Melo – que havia sido nomeado pela presidente afastada, Dilma Rousseff, e exonerado por Temer – reassumisse suas funções de diretor-presidente da EBC. Melo foi nomeado por Dilma poucos dias antes do afastamento da presidente pelo Senado, em 12 de maio, e Temer, logo após assumir o Palácio do Planalto, exonerou o jornalista do cargo. Melo recorreu ao STF sob o argumento de que a legislação fora violada, visto que ele teria um mandato de quatro anos, independente do mandato do presidente da República. Na ação protocolada pelo governo Temer, a AGU pede que Toffoli reconsidere sua decisão. O governo sustenta que não houve ilegalidade ou abusividade no ato de exoneração do diretor da EBC, sendo que a nomeação é ato discricionário de competência privativa do chefe do Executivo. O Planalto justificou ainda que a troca no comando foi provocada por "problemas de gestão e deficit financeiro de dezenas de milhões de reais". Segundo levantamento feito pela equipe de Temer, nos poucos dias em que ficou à frente da EBC, Rimoli conseguiu rever contratos e fazer cortes de despesas que somavam R$ 5 milhões por ano. Ao voltar ao comando da estatal, dizem auxiliares do presidente, Melo tentou reaver contratos suspensos e recontratar pessoal. Para assessores de Temer, o governo precisa retomar o comando da EBC para dar continuidade à política de "redução de gastos" que tem sido a principal bandeira do presidente interino. 

Collor é investigado por suspeitas de propina em prédio da BR Distribuidora


O senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) passou a ser investigado em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal em uma nova frente do esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato. Desta vez, as suspeitas são de que o senador praticou o crime de corrupção passiva ao supostamente cobrar propina na construção de um prédio da BR Distribuidora, em Salvador, em 2013. O inquérito, autorizado pelo STF em 13 de maio, é o sexto contra o ex-presidente na Lava Jato. A nova ofensiva contra Collor foi aberta depois que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, detalhou o esquema no acordo de delação premiada que fechou com o Ministério Público Federal. Segundo o delator, quando ele era diretor financeiro da BR Distribuidora, ficou acertado que seria construído um novo escritório para a empresa e, na transação, Cerveró e o então diretor Vilson Reichebach "receberiam, a título de propina, um andar nos novos blocos a serem construídos, para divisão entre ambos". Na prática, isso significava 500.000 reais em dinheiro sujo para cada um. No mesmo esquema, o ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos "cobrou propina em nome de Fernando Collor", parlamentar que controlava o "feudo" da BR Distribuidora. "Pedro Paulo era quem operava para Fernando Collor em questões envolvendo o pagamento de propina na BR", diz trecho da delação premiada de Nestor Cerveró. Ao final, informou o delator, o negócio envolvendo o novo escritório da subsidiária da Petrobras não foi consolidado "por força do desencadeamento da Operação Lava Jato, que levou a OAS (responsável pela obra e uma das integrantes do Clube do Bilhão) a ser suspensa em todo o sistema Petrobras". Delator da Operação Lava Jato, Cerveró já havia afirmado aos investigadores da Lava Jato que o senador Collor disse a ele por volta de setembro de 2013 que a presidente Dilma Rousseff (PT) lhe garantiu que a presidência e as diretorias da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, estavam "à disposição" do parlamentar. Aliado do desgastado governo petista, Collor já foi denunciado na Lava Jato e é suspeito de ter embolsado milhões de reais em propina no esquema do petrolão. Segundo a delação de Cerveró, o ex-ministro do governo Collor e operador financeiro do senador, Pedro Paulo Leoni Ramos, chamou o próprio ex-diretor da Petrobras a Brasília para uma reunião na notória Casa da Dinda e no encontro relatou a suposta garantia dada pela presidente Dilma. Ainda conforme o delator, Collor informou na ocasião que não "tinha interesse em mexer" na presidência da BR nem nas diretorias da subsidiária preenchidas por indicação do PT, como o então presidente José Andrade Lima Neto, o então diretor de Mercado Consumidor Andurte de Barros Duarte Filho e o próprio Cerveró. Neste momento, o delator disse ter sido irônico e agradecido a atitude de Collor.

Neymar dá chilique depois da eliminação do Brasil: “Agora vai aparecer um monte de babaca”


A eliminação do Brasil na Copa América Centenário, neste domingo, foi defendida por Neymar, que usou as redes sociais para expressar sua revolta contra os críticos da seleção brasileira. O "chilique" do jogador, que não foi convocado ao torneio por causa de um acordo com o Barcelona, foi divulgado em sua conta no Instagram. Sem medir as palavras, ele apoiou os companheiros. "Ninguém sabe o que vocês sofrem pra estar aí e defender a seleção, vestir essa camisa é um orgulho e vocês fazem isso com amor. Agora vai aparecer um monte de babaca pra falar m..., f...-se. Faz parte, futebol é isso. Sou brasileiro e estou fechado com vocês", escreveu Neymar. O Barcelona não liberou Neymar à Copa América para dar descanso ao atacante e, assim, ele pode jogar a Olimpíada no Rio de Janeiro, em agosto, voltando ao clube sem tanto desgaste em sua reapresentação no começo da pré-temporada europeia. De férias, o jogador chegou a assistir a uma das partidas da final da NBA, entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, e foi na casa do cantor Justin Bieber - juntos, eles assistiram de camarote à estreia do Brasil contra o Equador, na Copa América.

Petrobras retoma proposta de reduzir carga horária para área administrativa


A Petrobras decidiu retomar a proposta de oferecer redução da carga horária, com corte nos salários, a empregados da área administrativa. A medida foi anunciada em 2015, mas esbarrou na resistência de sindicatos. A proposta faz parte de um esforço para reduzir os custos operacionais da estatal, que já anunciou o corte de 43% das funções gerenciais e vem provocando forte enxugamento do quadro de terceirizados. A idéia é repetir a proposta apresentada no ano passado, que reduz a carga horária para seis horas, com corte de 25% no salário. A adesão é opcional. O anúncio de retomada foi feito pelo diretor de Recursos Humanos, SMS e Serviços da empresa, Hugo Repsold, quando questionado por empregados a respeito do tema em conversa de apresentação do novo presidente da companhia, Pedro Parente. O tema será discutido com os sindicatos quando forem iniciadas as conversas para o acordo coletivo de trabalho para o próximo ano. O prazo para assinatura do acordo vence em setembro. Na sexta-feira (10), Parente participou de reunião com analistas do mercado financeiro. Em relatórios divulgados aos clientes após o evento, os analistas dizem que Parente se comprometeu com a redução do endividamento da companhia, com a manutenção dos esforços de corte de custos e de venda de ativos e com uma política de preços dos combustíveis livre de ingerências políticas. Para Wesley Bernabé, do Banco do Brasil, o encontro foi "construtivo", mas a valorização da empresa ainda depende de maior entendimento sobre os custos que a estatal pode enfrentar com as ações coletivas por perdas com corrupção nos Estados Unidos, que serão julgadas em setembro.

O poderoso chefão Lula volta a dizer que é o mais ético do País

O poderoso chefão petista LulaX9, em entrevista à Al Jazeera, voltou a atacar a Polícia Federal, a Lava Jato e as delações: "Eles estão coagindo os empresários a comprometer o Lula, dizer que o Lula participou. Até agora, não estou sendo processado, não fui indiciado. Quero saber qual é o momento que eles vão tentar me criminalizar".  E emendou: "Tenho tranquilidade, duvido que algum procurador, que algum delegado da polícia, seja mais honesto que eu, mais ético que eu, nesse País". Lula está precisando do frio de Curitiba para baixar a bola.

Barcelona faz acordo no caso Neymar e aceita pagar multa de R$ 21 milhões por fraude na contratação


O Barcelona entrou em acordo com a Justiça da Espanha sobre o processo judicial envolvendo Neymar nesta segunda-feira (13). O clube catalão aceitou pagar uma multa de 5,5 milhões de euros (R$ 21,5 milhões). A decisão foi confirmada pelo presidente do clube, Josep Maria Bartomeu. "Não foi uma decisão fácil, mas é a melhor para o clube. Entre as opções que tínhamos, a melhor era essa. É melhor acabar com o processo agora e seguir. O Barcelona assume essa responsabilidade como entidade jurídica", disse Bartomeu. O acordo faz com que o clube seja julgado como pessoa jurídica, sem a inclusão dos dirigentes no processo. Dessa forma, estão livres da prisão o próprio Bartomeu e o ex-dirigente do Barcelona, Sandro Rosell. A comissão composta por diretores do Barcelona aprovou o pacto com a Justiça – no total, foram 14 votos a favor, dois contra e uma abstenção. A decisão do conselho é definitiva. O acordo, porém, pode fazer Bartomeu deixar a presidência do clube catalão. O dirigente colocou o cargo à disposição dos sócios. Dessa forma, a próxima assembléia decidirá a continuidade do conselho. O presidente do Barcelona também falou sobre uma possível renovação de contrato do craque brasileiro, que se encerra daqui a dois anos. "Estamos em permanente contato com pai de Neymar. Estamos negociando. Vamos tentar renovar o contrato", disse o mandatário.


O Ministério Público espanhol considerou fraudulento o acordo na contratação do jogador brasileiro em 2013 e quer explicações sobre a origem dos 40 milhões de euros recebidos pela família na transação. Os 40 milhões pagos pelo Barcelona à família Neymar foram depositados da seguinte forma: 10 milhões de euros foram desembolsados pelo clube catalão, em 2012, quando ele ainda defendia o Santos. O dinheiro de adiantamento foi depositado em uma empresa aberta pelo atleta. Os 30 milhões restantes foram pagos pelo Barcelona em outra empresa de Neymar nos anos de 2013 e 2014 (quando ele já atuava pelo clube espanhol). Desde que as cifras foram levantadas pela Justiça, Neymar e o seu pai negam veementemente ter havido fraude e sonegação fiscal e alegam que os 40 milhões recebidos são referentes à comissão e direitos de imagem. Para as Justiças brasileira e espanhola, esses pagamentos exclusivos a Neymar foram uma manobra para driblar o fisco e os então donos dos direitos econômicos (Santos, DIS e Teísa). Oficialmente, o Santos havia declarado logo após o acerto com o Barcelona que a negociação representou 17,1 milhões de euros. Ou seja: menos do que a metade do depositado nas empresas de Neymar. Posteriormente ao anúncio do Santos de que Neymar teria sido vendido por 17 milhões de euros, o clube catalão declarou que a contratação de Neymar havia custado 57 milhões. Pressionada na época, a diretoria do Barcelona informou que os pagamentos relacionados ao jogador somaram 85 milhões de euros. Isso incluía custos indiretos como luvas, amistoso com o Santos, recursos para Instituto Neymar e salários.

Comissão do impeachment dispensa quatro testemunhas para economizar tempo


A comissão especial do impeachment dispensou a oitiva de quatro testemunhas que deveriam falar ao colegiado nesta segunda (13) e terça-feiras (14). Os pedidos para cancelar os depoimentos foram apresentados por senadores da base aliada do presidente Michel Temer. A decisão gerou reação dos parlamentares que defendem a presidente afastada, a mulher sapiens petista Dilma Rousseff. Os senadores aliados alegaram que não seria necessário ouvir pessoas que poderiam apresentar argumentos que já foram expostos na comissão. "Já temos o nosso juízo de valor formado, por isso entendemos que não é necessário ouvir algumas testemunhas", afirmou a senadora Simone Tebet (PMDB-MS). Na reunião desta segunda-feira serão ouvidas apenas duas pessoas: Leonardo Albernaz, secretário de macroavaliação governamental do Tribunal de Contas da União e Tiago Alvez Dutra, secretário de Controle Externo do TCU. Foram dispensados da reunião de hoje Marcus Pereira Aucélio, ex-subsecretário de Política Fiscal do Tesouro Nacional, e Esther Dweck, ex-secretária de Orçamento e Finanças. No momento em que a decisão foi tomada, ambos já aguardavam, em uma sala especial da comissão, sua vez de fala. A comissão também dispensou as duas últimas testemunhas que haviam sido indicadas por senadores, como parte ainda da acusação: Marcelo Saintive, ex-secretário do Tesouro Nacional, e Marcelo Amorim, ex-coordenador-geral de Programação Financeira do Tesouro Nacional. Eles falariam nesta terça-feira. 

Em ação de improbidade, Ministério Público pede que Eduardo Cunha devolva R$ 20 milhões e fique sem direitos políticos por 10 anos


O Ministério Público Federal apresentou nesta segunda-feira à Justiça Federal do Paraná ação de improbidade contra o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com pedido para que o parlamentar fique o período de 10 anos sem direitos políticos e sem a possibilidade de ocupar cargos eletivos. Na ação, a força-tarefa da Operação Lava Jato ainda quer que o peemedebista seja condenado a devolver 5,76 milhões de dólares, ou cerca de 20 milhões de reais na cotação de hoje, por evidências de enriquecimento ilícito. Mesmo com foro privilegiado, Eduardo Cunha responde a processos de improbidade na 1ª instância. A ação de improbidade foi apresentada também contra o ex-diretor da Petrobras, Jorge Zelada; contra o lobista do PMDB, João Augusto Henriques; contra o empresário português Idalécio Oliveira e contra a jornalista e esposa de Cunha, Cláudia Cordeiro Cruz. No processo, os procuradores pedem que, condenados, os réus paguem 10 milhões de dólares (ou 35 milhões de reais na conversão apresentada pelo Ministério Público) como reparação de danos à Petrobras; tenham os direitos políticos suspensos por dez anos e sejam proibidos de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais também por dez anos. No caso de Cláudia Cordeiro Cruz, os pedidos de sanção incluem a perda do equivalente a 4,46 milhões de reais por enriquecimento ilícito. Ao apresentar o pedido à justiça, o Ministério Público afirmou que o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira pagou propina ao deputado Eduardo Cunha para ser beneficiado em um contrato de aquisição dos direitos de participação na exploração de um campo de petróleo no Benin. Ao todo, teriam sido pagos a Cunha 1,311 milhão de francos suíços, o equivalente a 1,5 milhão de dólares. Na transação, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, teria atuado como intermediário no acerto dos valores. Os negócios entre a Petrobras e o governo do Benin foram alvo de auditoria, que acabou por identificar que a empresa africana tinha capacidade financeira ignorada na época da transação e que os custos da exploração dos poços de petróleo no país foram supervalorizados. O Ministério Público conseguiu mapear o caminho do dinheiro movimentado na transação e a participação do lobista ligado ao PMDB, João Augusto Henriques, apontado como destinatário de pelo menos 10 milhões de dólares em propina na transação. "Além de ter-se mostrado acentuadamente danosa ao patrimônio da estatal, (a transação no Benin) foi entabulada com o intuito principal de distribuir vantagens indevidas aos agentes públicos Jorge Zelada e Eduardo Cunha, destacados participantes do esquema criminoso que se instalou na estatal, para o qual concorreram e se beneficiaram João Henriques e Idalécio Oliveira, além de também ter-se beneficiado Cláudia Cruz", dizem os procuradores. Nas investigações, foram encontrados registros de que a offshore Acona Internacional repassou 1,311 milhão de francos suíços para a conta Orion SP, que pertence a Eduardo Cunha. A partir da Orion, novos repasses foram feitos para contas ligadas ao deputado e a Cláudia Cordeiro Cruz. Segundo os investigadores, há "veementes indícios de enriquecimento ilícito do deputado federal Eduardo Cunha, em desproporção aos seus rendimentos lícitos obtidos como parlamentar, evidenciado pela movimentação de valores expressivos nas contas Orion SP, Triumph SP e Netherton mantidas no Exterior, por ele controladas, além de ter-se beneficiado dos valores mantidos na conta Kopek, de titularidade de sua companheira Cláudia Cruz e que era alimentada por aquelas primeiras contas". No processo, o MP detalha a influência do congressista na nomeação de Zelada para a Petrobras e afirma que "não há dúvidas de que o parlamentar Eduardo Cunha estava envolvido no esquema de corrupção instalado na Diretoria Internacional da Petrobras".

Candidato republicano Donald Trump afirma que imigração de muçulmanos aos Estados Unidos é um "cavalo de Tróia"

A imigração de muçulmanos aos Estados Unidos é uma "versão maior e mais estúpida do cavalo de Troia", disse nesta segunda-feira (13) o candidato republicano à Presidência, Donald Trump. Ele reforçou a proposta que fez em dezembro, após o tiroteio em San Bernardino (Califórnia), de vetar adeptos dessa fé no país. Era a religião do terrorista afegão-americano Omar Mateen, que na véspera matou 49 pessoas numa boate LGBT em Orlando, na pior chacina a tiros da história americana, e o ataque mais grave desde o 11 de setembro. "Recuso-me a ser politicamente correto", afirmou o republicano Donald Trump, escorando-se "no senso comum" para defender o banimento de muçulmanos. Da primeira vez que apresentou essa idéia, disse, foi recebido "com desprezo". Segundo o magnata, mesmo as "boas comunidades muçulmanas" nos Estados Unidos têm sua parcela de culpa: "Elas sabiam o que estava rolando em atentados como os de Orlando, Boston e San Bernardino, mas não os entregaram". Nascido em Nova York, o atirador de Orlando é filho de afegãos, e o pai é um ativista em defesa do talibã, lembrou Donald Trump: "A única razão para ele estar no país é porque permitimos a família dele aqui". Trump prometeu, caso eleito presidente, "suspender a imigração de áreas com histórico de terrorismo", até "entender como lidar com essas ameaças".


Outro alvo do candidato republicano: o argumento democrata de que os Estados Unidos, país com maior parcela de armas per capita, deve ter maior controle sobre a venda delas. "Ela (Hillary) diz que a solução é banir as armas. Tentaram isso na França", disse, em referência ao atentado em uma casa de shows em Paris: "Deixar só os caras maus e os terroristas com armas, isso não é bom". O discurso desta segunda-feira, a princípio, seria um ataque ao que Trump vê como pontos fracos de Hillary. Após a chacina na boate Pulse, o foco mudou para segurança nacional e terrorismo. No primeiro comunicado após o atentado, o republicano não citou o perfil do clube. Desta vez, afirmou que o "Islã radical" não quer "apenas matar americanos, mas executar gays e lésbicas". "Pergunte-se quem realmente é amigo da comunidade LGBT e das mulheres: Donald Trump, com ações, ou Hillary Clinton, com palavras", disse, lembrando que o Estado Islâmico "escraviza garotas e assassina gays". Tomando uma parte radical como um todo, Trump — que em 2011 questionou se o presidente Barack Obama era mesmo americano, o que muitos entenderam como insinuação de que pudesse ser um imigrante muçulmano — disse temer "bolsões de terrorismo" nos Estados Unidos: "Eles estão vindo, pessoal".

Ministro Fux vai decidir no STF sobre abertura de inquérito contra Romário, o "peixe fisgado" na Lava Jato


O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, vai decidir sobre o pedido de abertura de inquérito feito pela Procuradoria-Geral da República para apurar se o senador Romário (PSB-RJ) recebeu caixa dois de campanha na eleição de 2014. O caso foi parar a relatoria de Fux depois que o ministro Teori Zavascki avaliou que não tinha conexão direta com a Lava Jato, apesar de os indícios terem aparecido nos desdobramentos do esquema de corrupção da Petrobras. O pedido de investigação de Romário foi revelado pela revista "Época" e tramita em segredo de Justiça no Supremo. Segundo a reportagem, a Procuradoria quer apurar mensagens de celular trocadas entre Marcelo Odebrecht e seu subordinado Benedicto Barbosa da Silva Júnior, logo após a eleição de 2014. De acordo com a investigação, a suspeita é que a empreiteira Odebrecht supostamente deu R$ 100 mil ao senador em caixa dois, após sua vitória ao Senado. Os crimes seriam de corrupção e lavagem de dinheiro. Em nota, Romário, o "peixe" agora fisgado pela boca, afirmou que recebeu com "surpresa e indignação" o pedido da Procuradoria. "Não recebi qualquer doação da Odebrecht, durante, após campanha ou em qualquer outro momento. Todas as doações recebidas em 2014 foram legais e registradas na prestação de contas da campanha, nenhuma delas foi da empreiteira", diz. O parlamentar negou ligação com Odebrecht: "Nunca conversei com Marcelo Odebrecht ou com qualquer pessoa que tenha se identificado como seu emissário. Enquanto candidato, não autorizei qualquer pessoa a falar em meu nome. Ademais, aguardarei o rápido tramite da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos. Já disse uma vez e volto a registrar, não vão me meter no meio dessa lama".

Chanceler José Serra vai receber Henrique Capriles, líder da oposição venezuelana


Um dos mais importantes líderes da oposição venezuelana, Henrique Capriles será recebido na tarde desta terça-feira (14) em Brasília pelo chanceler José Serra. Governador do Estado de Miranda, que abrange parte de Caracas, e duas vezes candidato à Presidência, Capriles busca visibilidade e apoio internacional ao seu projeto de convocar um referendo revogatório contra o ditador comunista bolivariano Nicolás Maduro ainda neste ano. Maduro vem usando seu controle sobre as instituições do país, incluindo o Conselho Nacional Eleitoral (órgão eleitoral), para atrasar e dificultar a consulta, cuja ativação depende de coletas de assinaturas e verificações. Diante da grave crise econômica e social no país, uma vitória do "sim" à proposta de destituir Maduro é dada como provável. A oposição corre contra o tempo já que novas eleições presidenciais só seriam convocadas se Maduro for revogado até janeiro de 2017. Depois dessa data, quem assumiria em seu lugar seria o vice-presidente, atualmente Aristóbulo Istúriz. O governo do presidente interino Michel Temer, que tenta se distanciar da diplomacia dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, fez das críticas à Venezuela e outros países latino-americanos um de seus principais eixos de política externa. O Itamaraty, porém, não se posicionou abertamente em favor do referendo, ao contrário da Colômbia, por exemplo. As notas da gestão Serra sobre Venezuela dão margem a diversas interpretações. Os textos pedem respeito a "métodos democráticos" e "Estado de Direito", o que soa como respaldo implícito ao referendo, mecanismo estipulado pela Constituição venezuelana. Mas os comunicados também incentivam "diálogo" e "entendimento entre governo e oposição", o que pode ser interpretado como apoio à atual tentativa de mediação da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), cujos contornos ainda estão pouco claros. Capriles e seus aliados dizem que a mediação é apenas uma estratégia de Maduro para ganhar tempo. Nesta segunda-feira (13), Henrique Capriles se reuniu em Assunção com o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, adepto de uma posição linha-dura contra Maduro. "Se o povo da Venezuela não está bem, nenhum país da América Latina o estará. É importante entender que o que acontece em um país se transmite a todos", disse Capriles, antes de embarcar para Buenos Aires, onde seria recebido, no fim do dia, pelo presidente argentino Mauricio Macri. 

Advogado deixa defesa de Renan Calheiros na Lava Jato


O advogado Eugênio Pacelli deixou nesta segunda-feira (13) a defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), investigado na Lava Jato e alvo também, em um caso mais antigo, de uma denúncia sob suspeita de usar dinheiro de empreiteira para pagar pensão a uma filha fora do casamento. Ainda não está definido quem será o novo advogado de Renan. A baixa na defesa do senador ocorre em um momento de avanço das investigações da Lava Jato contra ele, que foi gravado em conversas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. A PGR (Procuradoria Geral da República) suspeita que Renan estava combinando versões de defesa com outros investigados do PMDB. Pacelli informou que o acerto com Renan era defendê-lo somente na fase de inquéritos e que saiu porque estes já estariam na reta final. Renan informou que ele quis trocar de advogado porque Pacelli fica em Belo Horizonte, enquanto os inquéritos correm em Brasília. Renan atualmente responde a nove inquéritos da Lava Jato, sob suspeita de ter recebido propina de contratos da Petrobras, principalmente da Transpetro, que era comandada por um indicado seu, Sérgio Machado. Ainda está sendo investigado na Operação Zelotes, sob suspeita de propina para influenciar em uma medida provisória no Congresso. Também deve ter sua denúncia julgada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ainda este ano. Se a acusação for acolhida pelo plenário do Supremo, Renan passa a ser réu, respondendo pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

Novo presidente do Banco Central indica quatro novos diretores


O novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende trocar quatro diretores da instituição e ampliar o número de integrantes do Copom (Comtê de Política Monetária), órgão responsável pelas decisões sobre a taxa básica de juros, de oito para nove pessoas. Os novos indicados são Carlos Viana de Carvalho, para a diretoria de Política Econômica; Reinaldo Le Grazie, para Política Monetária; Tiago Couto Berriel, para Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, e Isaac Sidney Menezes Ferreira, atual procurador do Banco Central, para a diretoria de Relacionamento Institucional e Cidadania. Deixam o Banco Central os atuais diretores Altamir Lopes, Tony Volpon e Aldo Mendes. O servidor de carreira Luiz Edson Feltrim aceitou continuar como diretor de Administração, mas não irá mais acumular a área de Relacionamento Institucional e Cidadania. Também continuam no Banco Central os servidores Anthero de Moraes Meirelles, diretor de Fiscalização, e Sidnei Corrêa Marques, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural. Os nomes dos quatro indicados ainda têm de ser enviados ao Congresso pelo presidente interino Michel Temer e precisam ser aprovados pelo Senado. Com as mudanças, o Copom volta a ter nove integrantes, o presidente do Banco Central mais oito diretores.

PMDB de Caxias do Sul poderá lançar candidato próprio ainda hoje


O vice-prefeito Antonio Feldmann, do PMDB, manteve o compromisso de apoiar a reeleição de Barbosa Velho, PDT, mas com a decisão do prefeito de não disputar a reeleição, resolveu encarar a disputa em Caxias.  Nem mesmo a ida do ex-senador Pedro Simon e do deputado Ibsen Pinheiro a Caxias do Sul, conseguiu evitar que o PMDB reúna esta noite seu diretório para falar sobre as eleições municipais. O PDT rompeu acordo que tem com o PMDB e lançou Edson Néspolo, o mesmo que fez em Porto Alegre ao lançar o ex-deputado Vieira da Cunha. Esta noite, o partido poderá optar pela candidatura própria, embora Ibsen Pinheiro e Pedro Simon tenham apelado por mais negociações.

Mesmo presos, os "guerreiros do povo brasileiro" José Dirceu e João Vaccari propõem "leniência" ao PT



Presos pela Lava Jato desde o ano passado, os bandidos petistas José Dirceu e João Vaccari Neto (ambos chamados pelos petistas de "guerreiros do povo brasileiro") sugeriram a correligionários que a sigla faça um acordo de "leniência partidária". Segundo relatos de pessoas que estiveram com o ex-ministro e o ex-tesoureiro do PT no último mês, a idéia teria surgido do próprio José Dirceu e foi apresentada para no mínimo dois deputados do partido e a dois advogados que confirmaram terem abordado o tema com os petistas. "Não sei se foi o Dirceu que pensou nisso, mas ele defende. Pensamos nessa possibilidade e em outras. A ideia é passar uma régua na história do PT, assumir a culpa e fazer com que isso se reflita nas pessoas físicas", disse Roberto Podval, advogado do ex-ministro na Lava Jato. A proposta consistiria em acordo seguindo o modelo de leniência feito por empresas, em que elas assumem crimes e são condenadas a pagar multas. Em troca, mantêm a possibilidade de fazer contratos com o governo e seus executivos podem aderir ao acordo, com diminuição de pena ou até perdão judicial. A maior diferença entre leniência e delação é que a primeira é feita com empresas, e a segunda, pessoas físicas. Segundo relatos de envolvidos no debate, a proposta, ainda incipiente, teria o objetivo de incluir não só o PT, mas todas as siglas comprometidas na Lava Jato. A idéia é que a negociação seja comandada pela presidência da cada partido, que faria um relatório com informações reveladas aos procuradores, inclusive com fatos ditos por José Dirceu e João Vaccari. Obviamente, eles apresentam esta proposta porque sabem que serão propostas ações judiciais visando o cancelamento do registro eleitoral e extinção do PT. Dessa forma, em troca de pagar multas e assumir os erros, os políticos envolvidos nos crimes receberiam benefício, como redução de penas. O tempo na prisão é preocupação dos petistas, já que José Dirceu é o réu da Lava Jato que recebeu a maior condenação em uma única ação – 20 anos e dez meses. Vaccari foi condenado a mais de 24 anos em duas ações penais. Essas penas não são definitivas, pois há processos em curso envolvendo ambos que ainda não foram julgados. Pela primeira vez desde que surgiram as acusações contra o partido no esquema de corrupção da Petrobras, petistas cogitam a possibilidade da sigla assumir delitos e fazer uma espécie de autocrítica. Até então, o PT nega todas as irregularidades. A leniência também pode ser um meio do partido evitar que seja inviabilizado por dívidas, caso se torne alvo de novos processos. A proposta, porém, não é consenso nem entre petistas. Alguns acham impossível que ela avance porque as demais siglas não a apoiariam. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) faz parte do grupo que não acredita no acordo. "Não vejo sentido, já que não temos notícia de que políticos do PT agiram para beneficiar empresas em troca de dinheiro e vemos as atividades do Vaccari como legais". Ele visitou os petistas presos na última quinta-feira (9), mas disse que nunca debateu o assunto com eles ou com o PT. Três advogados com experiência em acordos de delação e leniência afirmaram não ver empecilhos para partidos fazerem esse tipo de negociação. "Não há vedação expressa a partidos, mas a lógica das disposições legais remete a empresas", avalia Rogério Taffarelo, especialista em direito penal econômico. O advogado de Vaccari, Luiz Flávio D'Urso disse que nunca falou do assunto com seu cliente.  Procuradores da Operação Lava Jato questionados sobre a possibilidade de acordos de leniência serem negociados com partidos políticos afirmaram "não haver espaço para isso". Hoje, a avaliação do Ministério Público Federal e da Procuradoria-Geral da República é que nomes como de João Vaccari e José Dirceu têm mais serventia à operação como exemplos do que como colaboradores. Os investigadores também defendem que não há espaço para anistia ou benefícios de redução de pena dos dois envolvidos nas investigações, principalmente por não existir "clima político para isso". 

TSE checa fraude eleitoral

Uma fraude eleitoral está sendo investigada pelo TSE. A ordem foi do novo presidente, Gilmar Mendes. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral pediu que a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal investiguem problemas no registro de 40 mil votos nas eleições de 2014. A equipe técnica do TSE fez um cruzamento entre os eleitores que justificaram o não comparecimento às urnas e a lista dos que registraram seu voto. A partir disso, constatou um grupo de eleitores que aparecia tanto na lista dos que não votaram como na dos que votaram. Essa é uma antiga fraude. Funciona da seguinte maneira. Um candidato indica mesários. Depois das 16 horas, um eleitor chega à mesa para votar. O mesário indica um nome que não havia votado ainda. O voto é efetivado a favor do candidato que armou o esquema, ou do candidato que apóia. Finalmente o TSE fez o cruzamento das listas dos que votaram e dos que justificaram a ausência. A coincidência prova a fraude. Foram encontrados 40 mil. Por enquanto.

Mauro Sparta será o novo diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição

O médico Mauro Sparta será o diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição. Ele foi indicado pelo PP e aceito pelos demais Partidos. Sparta foi tucano e migrou para o PP. PMDB, PSB e os demais Partidos com representação federal e que integram a base aliada do governo Michel Temer, indicarão os outros diretores e gerentes do Grupo Hospitalar Conceição. As nomeações poderão sair esta semana.

Pai do assassino de Orlando apóia o Taleban contra os Estados Unidos


Mir Seddique, como é conhecido, aborda temas políticos na língua Dari e, em um dos vídeos, critica governo afegão. O pai do atirador identificado pela polícia como o homem por trás da carnificina na casa noturna Pulse, de Orlando, é um afegão que mantém fortes opiniões políticas, incluindo o apoio ao Taleban afegão. Em um vídeo postado no sábado na internet, ele parece se portar como se fosse o presidente do Afeganistão. Seddique Mateen, também conhecido como Mir Seddique, apresentou o programa Durand Jirga Showemum, em um canal chamado Payam-e-Afghan, transmitido via satélite diretamente de Los Angeles. Seddique faz considerações sobre uma variedade de assuntos políticos na língua Dari, falada no Afeganistão.  Dezenas de vídeos estão postados em um canal no YouTube sob o nome de Seddique Mateen. Uma caixa postal e um número de telefone que são exibidos no programa foram rastreados e estão registrados como sendo da casa de Seddique na Flórida. Ele também foi identificado como sendo o responsável por uma organização sem fins lucrativos sob o nome Durand Jirga, que está registrado em Port St. Lucie, na Flórida. Em um dos vídeos, Seddique se mostra grato ao Taleban afegão e critica o governo paquistanês. “Nossos irmãos no Waziristão e os guerreiros do Taleban estão se levantando. Com a vontade de Deus, a questão da Linha Durand será resolvida”, diz ele em um trecho do vídeo. A Linha Durand é nome pelo qual ficou conhecida a fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. O tema é historicamente significativo para os membros do grupo étnico pashtun, que se originou naquela região. Não há confirmação de que os Mateen sejam pashtun. O Taleban afegão é composto principalmente por pashtuns. Veja o vídeo:

Situação de ministro do STJ pode se complicar

A situação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do STJ, fica especialmente delicada. Executivos da Odebrecht que decidiram colaborar com a força-tarefa vão relatar aos procuradores que advogados e executivos da empresa receberam de representantes do governo a informação de que Dilma nomearia um ministro “garantista” para o tribunal. Na linguagem que se falava naquele tempo, isso queria dizer: alguém que atuaria para tirar da cadeia Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, então presidente da Andrade Gutierrez. Dilma nomeou Navarro. Coincidência ou não, ele foi o único dos cinco ministros da turma a votar em favor da libertação de Marcelo Odebrecht. Segundo o ex-senador Delcídio do Amaral, esse era o propósito de Dilma ao fazer a escolha. A atuação de Navarro está sendo examinada agora pelo Conselho Nacional de Justiça. Ouvido a respeito, José Eduardo Cardozo, ex-titular da Justiça, afirmou que era público o compromisso do governo de nomear ministros “garantistas” — que seriam especialmente preocupados com o direito de defesa. É… Ocorre que, no caso, a ser como se diz, o dito-cujo já chegava com uma tarefa. Brinquei outro dia aqui que a política está pautada pela TPO, ou Tensão Pré-Odebrecht. E essa preocupação se estende a todo o espectro político. Segundo informa a Folha, dois funcionários da empresa presos na 26ª fase da Operação Lava Jato vão ensinar os policiais a operar o sistema que guarda os segredos do tal “Departamento de Operações Estruturadas”, que cuidava da movimentação do dinheiro que abastecia os políticos. Vamos ver quem sobrevive. (Por Reinaldo Azevedo)

Dirceu e Vaccari começam a fraquejar. O PT treme na cúpula!

Um fala em “acordo de leniência partidário”; outro, em delação premiada. Os chefões do PT têm com o que se preocupar

Por Reinaldo Azevedo - Huuummm… Parece que José Dirceu e João Vaccari Neto não estão mais dispostos a matar a bola no peito… Explica-se: nos dois casos, isso pode significar passar praticamente o resto da vida na cadeia. O que fazer, então? A VEJA desta semana informa que Vaccari estaria pensando, sim, em fazer delação premiada. Pois é… Se isso acontecer, devasta o PT. Por outro lado, petistas que andaram falando com o homem dão a entender que ele poderia optar, assim, por um troço controlado, que atingiria também o atual governo. De que modo? Comprometendo a chapa que elegeu Dilma-Temer com recursos ilegais. Pois é… Os petistas até podem sonhar com isso, mas não parece que possa dar certo. A que me refiro? Uma delação só pode ser premiada se o sujeito contar o que sabe, não o que interessa a seu grupo político, não é mesmo? Ou será que o Ministério Público Federal permitiria que Vaccari, mesmo na cadeia, depois de todos os crimes que cometeu, continuasse a ser um operador político, selecionando os alvos que interessa a seu grupo? Ou por outra: é razoável supor que ele pudesse escolher quem manda e quem não manda para a guilhotina? Ora, isso não seria delação premiada, mas tramóia política. Mas por que não conta tudo de vez? Consta que teme por sua vida. Acha que seria assassinado.
Dirceu
Mais engenhosa é uma ideia que vem do planeta José Dirceu — e creio que verdadeira porque Roberto Podval, seu advogado, em conversa com a Folha, deixa claro que algo semelhante está em cogitação. Em que consistira? Uma espécie de acordo de leniência partidário. O PT e os demais partidos que cometeram lambanças assumiriam as suas culpas, e isso resultaria em benefícios também para os que estão presos. Engenhoso, sim, mas não vejo como possa dar certo. Nada impede, claro, que um partido admita seus crimes. Mas como isso poderia beneficiar seus representantes? Não há lei para tanto. Mais: ficaria difícil não entender que todos estariam se unindo numa espécie de “encontro de versões” — ou, para fazer uma graça, numa espécie de delação cartelizada. Parece-me que as duas notícias dão conta de que Dirceu e Vaccari podem estar começando a ficar cansados e estão enviando recados à cúpula partidária. VEJA informa que Vaccari se sente abandonado pelo partido e por seus dirigentes. No caso de Dirceu, já não se trata de questão subjetiva: foi abandonado mesmo. Petistas de alto coturno sugerem que ele se enroscou porque atuou em seu próprio benefício, não do partido. Gilberto Carvalho já deu a entender isso em entrevista. Por outro lado, é evidente que ninguém, como o Zé, guarda os arcanos da legenda. Uma coisa é o homem se imaginar dotado da têmpera dos heróis, puxando uma cana brava e sabendo que há uma longa trajetória pela frente. Outra, distinta, é estar com 70 anos, condenado a mais de 23 de prisão. Acredito que, nesse caso, todos os absolutos começam a se tornar relativos. A proposta de um acordo de leniência partidário parece soar como um convite para que a cúpula do PT se mexa. Dirceu e Vaccari não são bobos. Sentiram o cheiro que emana do partido. Lula já botou a tropa para lutar por 2018, não quer nem ouvir falar em novas eleições, sabe que Dilma não volta (e reza para não voltar) e precisa se livrar do peso dos que caíram em desgraça. Certamente não é essa a velhice que Vaccari e Dirceu programaram para si mesmos. Os dois começaram a fraquejar. O PT treme na cúpula.

Operador do petrolão recebeu R$ 550 mil da Odebrecht enquanto estava preso

Um dos operadores de propina no esquema de corrupção da Petrobras, o lobista Fernando Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, admitiu à Polícia Federal que a Odebrecht pagou a ele 550.000 reais entre 2014 e 2015, enquanto ele estava preso na Lava Jato. Baiano passou quase um ano detido em Curitiba (PR) e deixou a prisão após fechar acordo de delação premiada. Ex-aliado do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ele foi protagonista de um repasse de 5 milhões de dólares ao parlamentar, em 2011, que seria fruto do esquema na Petrobras. No último dia 2, o lobista prestou novo depoimento à Polícia Federal e foi questionado sobre as entregas de dinheiro em espécie feitas no endereço de sua empresa, Hawk Eyes, aos cuidados de seu irmão, Gustavo. Os valores teriam sido repassados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, um departamento especializado em lidar com negócios escusos, segundo as investigações. O nome de Gustavo foi identificado em uma planilha secreta de propina apreendida na casa da secretária de altos executivos da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, suspeita de ser responsável por parte da distribuição da “rede de acarajés”, referência ao pagamento de propina. O lobista explicou que, em 2009, foi procurado pelos ex-gerentes da Petrobras Cezar Tavares e Luiz Carlos Moreira para que indicasse uma empresa interessada no projeto de uma refinaria em Angola. Ele teria indicado a Andrade Gutierrez e a Odebrecht, empresas que já atuavam no país africano. Segundo Baiano, como a escolha foi pela Odebrecht, ele procurou o então diretor da empreiteira Rogério Araújo, preso na Lava Jato no ano passado, para falar, segundo ele, sobre outras obras e aproximar as duas partes. Em seu relato, Baiano afirma ter participado de duas reuniões com Tavares e a Odebrecht e depois de ter procurado a construtora em 2012, com o intuito de receber pela consultoria prestada. Ambos não chegaram a um acordo sobre valores até 2014, quando o lobista foi preso e, segundo ele, a Odebrecht se recusou a “pagar alguém que estava preso”. Ainda de acordo com o relato dado à Polícia Federal, esse teria sido o motivo de a construtora ter “pago por fora” ao seu irmão, Gustavo. Tavares e Moreira não foram localizados para falar sobre o assunto. A Odebrecht não quis se manifestar.

Morre o brasilianista Thomas Skidmore, aos 83 anos


Morreu no sábado, aos 83 anos, o brasilianista Thomas Skidmore. O americano escreveu vários livros sobre o Brasil. As causas da morte não foram reveladas, mas ele sofria de síndrome do pânico e mal de Alzheimer. Essas doenças o levaram a se afastar da vida pública no final de 2009, e se mudar para um asilo em Westerley, Rhode Island. Skidmore era Doutor em História Moderna Européia pela Universidade de Harvard e veio para o Brasil em 1961. Chegou pouco depois da renúncia de Jânio Quadros. O objetivo era ficar por três anos, com bolsa de pós-doutorado. Na época, conheceu políticos, intelectuais e jornalistas. Mas também tinha bom relacionamento com americanos influentes. Tanto que foi uma das primeiras pessoas a saber do então iminente golpe de Estado, que levaria o Brasil à ditadura militar (1964-1985). Chegou a ser acusado de associação à ditadura, mas sempre se manifestou contra o regime. O período no Brasil rendeu o livro "De Getúlio a Castello", que foi editado em 1967 em inglês e em português dois anos depois. Foi uma das primeiras publicações sobre a República Brasileira. Skidmore também escreveu "De Castello a Tancredo", sobre a ditadura militar, e "Preto no Branco", sobre a questão racial no Brasil. Em 1966, tornou-se professor na Universidade de Winscosin, onde ficou por 20 anos e editou a "Luso-Brazilian Review", considerada uma das principais publicações sobre o Brasil nos Estados Unidos.Depois, foi para Universidade Brown, onde ficou até se aposentar, em 1999.