sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A SITUAÇÃO DE DESGOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL

O governo do Rio Grande do Sul arrecadou R$ 2 bilhões em fevereiro (receita líquida). O problema é que as despesas do mês chegam a R$ 2,9 bilhões. Portanto, registrou um rombo de 900 milhões. O governo pedalou os R$ 270 milhões da dívida com a União. Já nesta próxima semana a União estará bloqueando as contas do Estado, até arrecadar aquele montante de R$ 270 milhões. O governo de José Ivo Sartori também está atrasando o pagamento de R$ 600 milhões a outros credores. Não há saída. Mas os idiotas de todas as partes, partidos, etc...., seguem dizendo que não querem se desfazer de patrimônio. Qualquer pessoa ou empresa endividada trata de se desfazer de patrimônio para pagar a dívida, tapar o buraco. É o que faz, por exemplo, neste momento, a Petrobras. É o que está fazendo o BTG. Mas os inteligentes gaúchos, os esquerdinhas gaúchos, os muito idiotas gaúchos, acham que não podem se desfazer de patrimônio público. Se já tivessem vendidos duas grandes porcarias, que só servem para atrasar a vida do Rio Grande do Sul, o Banrisul e a CEEE, a crise estaria contornada e a dívida não incomodaria mais. O que fazer diante de tamanha idiotia?

Em reunião do PT, Jaques Wagner cita existência de "movimento golpista"


Em reunião a portas fechadas com os integrantes do Diretório Nacional do PT, o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) acusou nesta sexta-feira (26) a existência de um "movimento golpista" contra o que tratou como as três principais forças de seu campo político: o partido, o ex-presidente Lula e o governo de Dilma Rousseff. De acordo com relatos de participantes, o ministro fez uma comparação com o golpe militar de 1964 e sustentou que, hoje, está em curso um golpe mais "sutil", com apoio de setores da mídia e do Judiciário. A reunião do Diretório é parte das atividades de comemoração dos 36 anos do PT. O partido celebra a data em meio à tramitação das ações pela cassação de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral e à prisão do marqueteiro João Santana pela Operação Lava Jato. Há ainda investigações em curso que apuram suspeitas de que Lula tenha sido sido beneficiado por empreiteiras por meio de reformas em um triplex no Guarujá e em um sítio em Atibaia. Mais cedo, o partido aprovou resolução, que ainda poderia sofrer alterações, apontando "ameaça à legalidade" na Operação Lava Jato. Na reunião, Wager também foi questionado sobre a posição do governo sobre o projeto aprovado durante a semana no Senado que retirou a obrigatoriedade da participação da Petrobras na exploração do pré-sal. Segundo relatos, Wagner sustentou que o governo precisou mudar a posição por ter sido derrotado na votação anterior, sobre a possibilidade de adiar a decisão sobre o projeto, o que indicava que precisava ceder para evitar nova derrota.

Com renegociação, dívida da cidade de São Paulo cai de R$ 74 bilhões para R$ 27,5 bilhões


A Prefeitura de São Paulo assinou nesta sexta-feira (26) a renegociação da dívida com a União, que gerou uma queda de R$ 46 bilhões no saldo devedor da cidade. Com a mudança do indexador do saldo devedor, a dívida que era de R$ 74 bilhões passou a R$ 27,5 bilhões. Com problemas financeiros, o prefeito Fernando Haddad (PT) vinha tentando fazer a mudança desde os primeiros anos de mandato, com objetivo de aumentar o grau de investimento em novas obras. A mudança permitirá que a cidade possa fazer empréstimos de até R$ 15 bilhões para este fim. Na prática, a mudança é importante porque permite que a cidade volte a fazer empréstimos. A lei diz que, para novos endividamentos, a cidade não pode ter dívida superior a 1,2 vezes a receita corrente. Agora, esse índice cai para 0,8. "É uma mudança brutal do ponto de vista de médio e longo prazo", afirmou o secretário municipal de Finanças, Rogério Ceron: "O valor reduzido é o equivalente a dez anos de investimento da cidade". Só em 2016 a redução no gasto da cidade será da ordem de R$ 1,7 bilhão. Em 2015, Haddad entrou com uma ação na Justiça contra a União para que o novo cálculo de renegociação da dívida passasse a valer. O resultado foi um acordo judicial entre as duas partes para que isso acontecesse. Antes da renegociação, o indexador da dívida era o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) acrescido de juros de 9% ao ano. Agora, passou a ser o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acrescido de juros de 4% ao ano, limitado à variação da SELIC.

Anac sequestra helicóptero de Neymar de R$ 15,2 milhões por ordem da Justiça

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) "sequestrou" um helicóptero de Neymar por determinação da Justiça Federal. Na prática, o bem fica impedido de ser vendido e/ou transferido. Registrada em nome de uma de suas empresas, ela foi comprada pelo jogador em 2013. Na época, a aeronave da Eurocopter France, com capacidade para seis pessoas, era avaliada em US$ 3,8 milhões (cerca de R$ 15,2 milhões na cotação atual). Ela não constava da lista informada pela 7ª Vara de Santos, quando determinou o bloqueio de vários bens do jogador, entre imóveis e veículos, há 11 dias.


O helicóptero pode ficar de posse do atacante do Barcelona até segunda ordem, caso o bem tenha que ser entregue à União pela não quitação da dívida de quase R$ 193 milhões junto à Receita Federal. O arrolamento de bens e direitos é uma medida executada pela Receita para garantir a liquidação do crédito tributário de contribuintes devedores. Neymar é acusado de sonegar impostos entre 2011 e 2013, num valor de R$ 63,6 milhões, sobretudo nas transações que selaram sua transferência do Santos para o Barcelona. O valor chega a R$ R$ 192.782.293,84 por conta de uma multa de 150%, aplicada quando o Fisco identifica simulação e fraude, acrescida de juros. No dia 15 de fevereiro, o juiz Roberto da Silva Oliveira, titular da 7ª Vara Federal de Santos, confirmou decisão do TRF-3 de manter o bloqueio sob a forma de bens. O advogado Gustavo Xisto, que representa Neymar, disse que recorrerá ao TRF-3 e, se necessário, ao STJ: "Tecnicamente não é um "sequestro". Como descrito antes, no âmbito da Medida Cautelar Fiscal foi determinada a indisponibilidade dos bens, arrolados e indicados pela própria sociedade NR Sports, de titularidade dos pais do jogador Neymar Jr. Na sentença foi determinada somente a indisponibilidade dos bens arrolados, cuja soma de valores já é suficiente para garantir a remota é improvável execução fiscal. Ativos financeiros, aplicações e bens futuros estão liberados. As sociedades, seus sócios e o jogador apresentarão recurso de apelação ao TRF3 e levarão a discussão para o STJ, em Instância Final, cujo entendimento lhes é favorável, justamente porque não houve sequer indícios de dilapidação do patrimônio. Muito pelo contrário, é evidente, público e notório que o patrimônio das sociedades e das pessoas físicas cresce consideravelmente. Contam todos, aliás, com a convicção de que o Auto de Infração será cancelado.

FGTS libera R$ 21,7 bilhões para financiamento da casa própria


O Conselho do Fundo de Garantia (FGTS) liberou R$ 21,7 bilhões a mais para aumentar as linhas de financiamento para a compra da casa própria. Os recursos vão para linhas que vão beneficiar principalmente a construção de imóveis novos e para financiar imóveis de trabalhadores com conta no Fundo. O aumento dos recursos do FGTS para o crédito imobiliário deverá compensar as perdas que essas linhas de financiamento tiveram a partir do ano passado com a redução dos depósitos da caderneta de poupança. Uma parte do que é depositado na poupança é canalizada para financiar a construção e a compra de imóveis. Os novos recursos liberados pelo FGTS são de duas linhas de crédito. Serão R$ 11,7 bilhões para aumentar o financiamento direto aos compradores de imóveis, sendo que a maior parte, R$ 8,2 bilhões, vão ser usados na chamada linha Pró-Cotista. Essa linha de crédito é para imóveis até R$ 400 mil em todo o país, sendo que o trabalhador tem que ter conta no Fundo. A taxa de juros fica em torno de 8% ao ano mais TR (Taxa Referencial). Outra parte do dinheiro será usada pelos bancos para comprar as chamadas CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários). Nesse caso, os bancos captam o recurso no Fundo, remunerando-o a 7,5% ao ano, e podem comprar essas certificados, emitidos pelas construtoras, sobre o qual exigem juros maiores. As construtoras usam esses recursos para construir imóveis novos, mas também podem usá-los para financiar a compra de imóveis já construídos.  Bancos privados reclamaram da regra alegando que a Caixa, que tem cerca de 2/3 desse mercado, ficaria com a maior parte. 

Emílio Odebrecht ameaçou Dilma

Da última edição da Veja, ainda dirigida por Eurípedes Alcântara: no início de 2015, Fernando Pimentel foi ao Palácio do Planalto, para transmitir um recado de Emílio Odebrecht a Dilma Rousseff. De acordo com a revista, Emílio Odebrecht adveritu a presidente da República "do risco de que os pagamentos feitos pela Odebrecht ao marqueteiro João Santana, no exterior, fossem descobertos caso a Operação Lava-Jato atingisse a construtora". O aviso era acompanhado de uma exigência: "Emílio exigia blindagem, principalmente para evitar a prisão do filho Marcelo Odebrecht, sob pena de revelar às autoridades detalhes do esquema ilegal de financiamento da campanha à reeleição". O que fez Dlima? "Diante da ameaça de retaliação, Dilma cobrou explicações de seus assessores. Deu-se, então, o ritual de negação encenado com frequência em seu governo. Como no caso da economia, cujo desmantelo foi rechaçado durante meses a fio, os auxiliares disseram que a petista havia conquistado o segundo mandato com dinheiro limpo e declarado. Tudo dentro da lei. A 'faxineira ética', portanto, não teria com o que se preocupar". A farsa começou a desmoronar de vez com a prisão do Feira e da Xepa.

Moro mantém prisão de secretaria dos acarajés

Maria Lúcia Tavares, a secretária-executiva da Odebrecht responsável pela distribuição de "acarajés", também teve a prisão temporária prorrogada por mais cinco dias.

Estados Unidos despacham primeira carga de gás natural para o Brasil

A revolução do gás e do petróleo de xisto nos Estados Unidos teve nessa sexta-feira um novo marco com a primeira exportação de gás natural liquefeito para o Brasil. O navio-cisterna Asia Vision foi carregado com gás natural liquefeito (LNG) da companhia Cheniere Energy no Texas (sul dos EUA) no terminal Sabine Pass em Luisiana na noite de quarta-feira, zarpando rumo ao Brasil. "Esse histórico evento inicia uma nova fase no comércio de energia do país e é um marco importante para a Cheniere", disse o presidente e diretor-executivo interino, Neal Shear, em comunicado. Em 2008, a Cheniere ainda confiava na estratégia oposta de importar gás. Entretanto, o gás dos campos de xisto, explorado graças ao desenvolvimento da fraturação hidráulica ou tecnologia de fracionamento, mudou essa posição. A produção de gás natural nos Estados Unidos deu um salto de quase 43% entre 2010 e 2014 durante o auge da produção de xisto. Chegou ao pico de 728,55 bilhões de metros cúbicos em 2014 e ultrapassou esse recorde em 2015, baseado nos dados dos primeiros 11 meses do ano passado. Desse modo, a Cheniere se transformou na companhia que mais exporta LNG de um dos 48 estados continentais dos Estados Unidos. As exportações partiram do Alasca para o Japão durante vários anos. Outras operações de exportação do LNG foram planejadas, incluindo as da Freeport LNG -baseada no Texas- e da Lake Charles LNG no sudoeste da Luisiana, um projeto da Energy Transfer e do BG Group. A companhia energética Dominion começou a construção em Maryland de sua fábrica de liquefação Cove Point para exportações da LNG para o Japão e a Índia. A Cheniere também anunciou uma dúzia de acordos comerciais internacionais. A francesa Engie, por exemplo, comprará até 12 carregamentos da LNG por ano entre 2018 e 2023. Segundo Glickman, o custo diferencial entre o gás natural dos Estados Unidos e o da Europa explica a corrida por projetos de exportações americanas. O gás natural produzido na Europa custa cerca de 4,18 dólares por cada milhão de BTUs (Unidade térmica britânica), comparado com os 2 dólares nos Estados Unidos e com um custo de transporte estimado em 50 centavos por milhão de BTUs, o preço americano é altamente atrativo. Por outro lado, enquanto os preços do petróleo e do gás natural despencaram pelo aumento da produção de xisto, o gás caiu muito mais. Glickman estima que comparado com a base BTU, o petróleo a 30 dólares o barril, é cerca de 2,5 vezes mais caro do que o gás. E para companhias como a Cheniere, que transformam gás natural em LNG para exportação, os preços baixos do gás ajudam a manter menores custos de operação. No entanto, a perspectiva para os exportadores de LNG continuam frágeis, segundo a Bentek Energy, parte do grupo sobre informação do setor energético Platts. A demanda está mais fraca, especialmente na Ásia, em meio de à desaceleração do crescimento da economia da China; o Japão reativou seus reatores nucleares depois do desastre de Fukushima em 2011 e a produção de carvão aumentou, assim como a geração de energia nuclear na Coreia do Sul. "Apesar de a maioria das instalações de exportação da LNG (nos EUA) terem contratos assegurados por mais de 80% de sua capacidade disponível, continua existindo um risco diferente de subutilização nos próximos cinco anos", disse Bentek no relatório de agosto passado.

Defesa de Lula pede suspensão de investigação sobre triplex ao STF


A defesa do ex-presidente LulaX9 recorreu nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal para suspender a investigação sobre a compra de um apartamento triplex, no Guarujá, e em benfeitorias feitas no sitio de Lula em Atibaia, também em São Paulo. A relatora do pedido é a ministra Rosa Weber. A medida foi tomada após o ex-presidente ser intimado nesta sexta-feira para prestar depoimento no Ministério Público de São Paulo no dia 3 de março, às 11 horas. Na petição enviada ao Supremo, os advogados afirmam que as investigações não podem prosseguir porque o Ministério Público Federal no Paraná, no âmbito da Operação Lava-Jato, também investiga o caso e não tem competência para apurar os fatos. Para a defesa, os fatos não estão relacionados com as investigações da Lava-Jato, em Curitiba, porque os imóveis são registrados em São Paulo, as propriedades não pertencem ao ex-presidente e não há competência da União para atuar no caso. Na última terça-feira, dia 22, após adiar depoimento de Lula no Ministério Público de São Paulo, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) manteve o promotor de Justiça do MPSP Cássio Conserino na condução das investigações. 

PT mantém suspensão do senador Delcídio do Amaral


Em reunião nesta sexta-feira (26), o PT decidiu manter a suspensão do senador Delcídio do Amaral (MS) e nomear uma comissão especial com três integrantes do partido para elaborar um relatório sobre o caso. A comissão vai escutá-lo e apresentar suas conclusões na próxima reunião do Diretório Nacional da sigla, que deve acontecer daqui a dois ou três meses. O senador deve ter a oportunidade de se defender pessoalmente na ocasião. Os nomes que integrarão a comissão ainda não estão definidos. "Ele terá seu direito de defesa, independente da opinião de cada um de nós sobre eventos pretéritos", disse Rui Falcão, presidente nacional do PT. Delcídio ficou preso por três meses acusado de atrapalhar as investigações da Lava Jato. O pedido de prisão dele havia se baseado em uma gravação feita por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O senador foi solto na sexta (19) por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki e, na terça (23), apresentou ao Senado o pedido de licença médica pelo prazo de 15 dias. Mesmo suspenso pela sigla, Delcídio continua com suas funções como senador.

Para Rui Falcão, é preciso ter cautela com conclusões sobre Santana


O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou nesta sexta-feira (26) que é preciso ter "muita cautela" com conclusões das investigações noticiadas e que o país vive um "Estado de exceção em gestação dentro de um Estado de Direito". "Quando você, em nome do combate à corrupção, começa a passar por cima da Constituição e dos direitos fundamentais, nós temos que nos voltar contra isso", afirmou. Falcão deu as declarações quando questionado sobre as suspeitas de que o marqueteiro João Santana tenha recebido R$ 4 milhões da Odebrecht durante período eleitoral em 2014, no Brasil. De acordo com a Polícia Federal, os depósitos em reais teriam ocorrido entre 24 de outubro e 7 de novembro de 2014. No mesmo período, Santana trabalhou para a campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) –o relatório da PF, porém, não faz vínculos com o período eleitoral. "Todas as operações financeiras do nosso partido são feitas dentro das normas vigentes. São doações legais, declaradas à Justiça Eleitoral", explica Falcão. O juiz federal Sergio Moro prorrogou nesta sexta a prisão temporária do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, presos desde terça (23) pela Operação Acarajé, 23ª fase da Operação Lava Jato.

PT aponta "ameaça à legalidade" na Lava Jato e critica ação no TSE

O diretório nacional do PT aprovou nesta sexta-feira (26), no Rio de Janeiro, uma resolução que aponta "ameaça à legalidade democrática" na Operação Lava Jato, que investiga alguns dos principais dirigentes do partido. O documento apresenta o ex-presidente Lula como vítima de uma campanha "vil e asquerosa" para impedi-lo de disputar as eleições de 2018. Redigido pelo presidente do PT, o comunista Rui Falcão, o texto diz que o partido é vítima de uma "aliança entre agremiações de direita, grupos de comunicação e círculos do aparato repressivo-judicial do Estado". "Essa ameaça à legalidade democrática parte do regime de delações sem prova, vazamentos seletivos e investigações unilaterais, tão marcante na Operação Lava Jato e outras de configuração semelhante", afirma. A resolução também acusa a "oposição conservadora, com o PSDB à frente" de preparar um golpe contra a presidente Dilma Rousseff. "Na ânsia de nos destruir, já que na disputa eleitoral e de projetos só têm colecionado derrotas, os preconceituosos e privilegiados de sempre desencadearam uma campanha suja e odiosa contra o ex-presidente Lula", diz o documento. Sem se referir diretamente às investigações que citam Lula, o texto acusa a oposição de preparar um "impeachment preventivo" para impedi-lo de voltar ao poder. O PT critica a retomada do processo de impeachment e a ação do PSDB no Tribunal Superior Eleitoral que pede a cassação da chapa vitoriosa em 2014. "A hipótese do TSE interessa mais aos golpistas pois a eventual é absurda impugnação da chapa vitoriosa implicaria a convocação de novas eleições", diz o texto, que acusa a "mídia monopolizada" de participar da ofensiva contra o PT. A resolução petista pede uma "mobilização permanente" em defesa do governo Dilma, mas repete críticas ao ajuste fiscal promovido pelo governo. "O PT não aceita que o caminho para o equilíbrio fiscal seja pavimentado por sacrifícios do povo trabalhador", afirma. O texto admite o apoio do partido a reformas na Previdência "que não levem a perda de direitos e que sejam pactuadas com o sindicalismo, as organizações populares e os movimentos sociais". 

Empreiteiras pagaram R$ 5,7 milhoes a advogado do ex-presidente da Valec


Um grupo de 15 empreiteiras que mantem contratos com a Valec, estatal responsável por obras de ferrovias no país, pagou R$ 5,7 milhões para o escritório de advocacia do então presidente da estatal, José Francisco das Neves, o "Juquinha", que ficou no cargo de 2003 a 2011. Dois executivos da empreiteira Camargo Corrêa que fecharam acordos de delação premiada com a Operação Lava Jato apontaram que as empreiteiras fizeram "uma caixinha" para custear a defesa de Neves, a pedido dele, em diversos processo judiciais a que ele responde por suspeitas de desvios e corrupção. As informações integram a Operação O Recebedor, deflagrada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal nesta sexta-feira (26) como um desdobramento da Lava Jato em seis Estados e no Distrito Federal. O juiz federal de Goiânia (GO) da 11ª Vara Federal de Goiânia, Eduardo Pereira da Silva, autorizou 44 mandados de busca e apreensão e sete conduções coercitivas. Segundo a representação protocolada na Justiça Federal pelo procurador da República em Goiás, Helio Telho Corrêa Filho, o advogado de Neves que recebeu os valores das empreiteiras, Heli Lopes Dourado, não é "apenas um mero intermediário ou um simples laranja, mas um verdadeiro operador financeiro do esquema corrupto". O procurador apresentou uma planilha, elaborada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, segundo a qual a família de Neves teve um salto expressivo no patrimônio, passando de R$ 1,9 milhão, em 2002, para R$ 21,3 milhões em 2010. Em sua decisão, o juiz federal observou que a evolução patrimonial da família "chama a atenção" e "particularmente a partir de 2006, quando os contratos para construção da Ferrovia Norte-Sul foram celebrados". Segundo o procurador da República, Neves "adquiriu vasto patrimônio imobiliário, tais como fazendas, lotes em condomínios fechados, apartamentos e empresas que constituiu em sociedade entre ele próprio e com terceiros". Em 2015, na esteira da Lava Jato, a Camargo Corrêa reconheceu "a prática de condutas criminosas" quando da execução de contratos celebrados com a Valec e aceitou pagar R$ 65 milhões apenas sobre os fatos relativos à estatal. Três ex-executivos da Camargo Correa fizeram acordo de delação com a Lava Jato: João Ricardo Auler, Luiz Otávio Costa Micherefe e Álvaro Soares Ribeiro Sanchez. Em sua delação, Auler contou que "houve formação de cartel entre empreiteiras relativo a licitações com a Valec a partir de 2001, com conluio entre elas na formulação das propostas", conforme reproduzido em decisão do juiz federal. Segundo o delator, "houve pagamento de propina a 'Juquinha' a partir de 2008, a pedido dele próprio". Parte da propina, disse Auler, foi paga ao escritório do advogado Heli Dourado, com o qual a Camargo Correa e a empreiteira Queiroz Galvão "firmaram contrato (simulado)". Foram acertados quatro pagamentos de R$ 120 mil cada um ao advogado. O delator Luiz Micherefe, gerente dos contratos da Camargo Correa com a Valec a partir de 2009, contou que "houve conluio entre as empresas de forma a combinar as propostas" às licitações da Valec e que a presidência do órgão "já tinha estratégia para definir quem seriam as empresas vencedoras das licitações". Micherefe contou que em 2011 foi procurado por um representante da construtora Andrade Gutierrez, que estava acompanhado de Heli Dourado. Foi então informado a ele que "'Juquinha' solicitara que as empresas com contrato com a Valec fizessem uma cotização para pagar por sua defesa nos processos que contra ele se instauravam", disse o delator. O Ministério Público demonstrou à Justiça, com a quebra do sigilo bancário, que o escritório de Dourado recebeu transferências de 15 empreiteiras que mantinham negócios com a Valec. "É notável não só o volume de propina recebido por intermédio de seu escritório profissional, mas principalmente o fato de haver recebido de praticamente todas as empreiteiras corruptoras", escreveu o procurador da República. O Ministério apontou que pelo menos um pagamento ocorreu no ano de 2014, três anos após "Juquinha" ter deixado a Valec. Para o procurador, o fato "indica que o esquema criminoso continuou a operar mesmo assim, exigindo-se seja desmantelado pela mão forte da Justiça". Segundo as investigações, outras duas empresas receberam recursos das empreiteiras para pagamento de propina de forma simulada, a Evolução Tecnologia, cujo sócio mantém sociedade com um filho de Neves em outra empresa, e a Elccom Engenharia, que fez "duas transferências eletrônicas com Marivone Ferreira das Neves, mulher de 'Juquinha', bem como [comprou] dela 555 toneladas de sorgo, operações que o Ministério Público acredita se tratar de simulação para ocultar a origem ilícita dos valores". Sobre o papel das empreiteiras, o procurador afirmou que "o 'Mapa do Cartel' fornecido pelos investigados colaboradores demonstra que não só uma, mas praticamente todas as licitações realizadas pela Valec para construir as Ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste foram fraudadas, mediante cartelização". Helio Telho pediu a prisão preventiva de Neves e Dourado. O juiz federal, porém, indeferiu os pedidos de prisão. "Não vejo nos autos prova de que os investigados estejam tentando ocultar ou destruir provas. A simulação de contratos como forma de esconder a propina é o próprio crime pelo qual são investigados. E, no presente caso, não se demonstrou que tais fatos ainda ocorrem", decidiu o magistrado.

Banco chinês dará empréstimo de US$ 10 bilhão à Petrobras em troca de petróleo


Em busca de novas fontes de financiamento, a Petrobras está negociando um empréstimo de US$ 10 bilhões com o China Development Bank (CDB) em troca de garantia de fornecimento de petróleo a empresas chinesas. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (26), a companhia informou que um termo de compromisso com os termos e condições da operação foi assinado hoje pelos presidentes das duas empresas, o petista Aldemir Bendine (o amigo da Val) e Zheng Zhijie. Agora, as duas partes negociam as minutas dos contratos de financiamento, que incluirão acordo comercial para fornecimento de petróleo a empresas da China. A Petrobras diz que o modelo é semelhante ao adotado em 2009, quando a estatal brasileira se comprometeu a entregar à chinesa Sinopec 150 mil barris por dia no primeiro ano de contrato e 200 mil barris por dia nos nove anos seguintes, também em troca de um empréstimo de US$ 10 bilhões. A companhia não detalhou, porém, quais os volumes serão comprometidos desta vez nem o nome do comprador do petróleo. A troca de empréstimos por petróleo é uma alternativa à captação de recursos no mercado financeiro, mais difícil após os rebaixamentos da nota de crédito por agências de classificação de risco. Segundo a Petrobras, este novo contrato é resultado do Acordo de Cooperação assinado pela Petrobras e CDB em 2015, quando ocorreu a visita ao Brasil do Primeiro Ministro da China, Sr. Li Keqiang. É o Brasil escravizando a sua produção petrolífera à China. Esse é o grande feito do regime petralha. 

Juiz convoca Cristina Kirchner a depor por operações do Banco Central da Argentina


Um juiz da Argentina convocou a ex-presidente Cristina Kirchner para prestar depoimento em um caso que investiga irregularidades nos contratos futuros de dólar operados pelo Banco Central durante seu governo. O juiz Claudio Bonadio, que marcou o depoimento de Cristina para o próximo dia 13 de abril, também intimou outras doze pessoas, entre elas o ex-ministro de Economia, Axel Kicillof, e o ex-titular do Banco Central argentino, Alejandro Vanoli. "Todas estas perdas em contratos futuros de dólar que o Banco Central deve honrar são resultado das posições abertas pela entidade entre setembro e novembro de 2015, que alcançaram cerca de 17 bilhões de dólares", disse Bonadio. Bonadio investiga uma denúncia apresentada em outubro do ano passado, quando Cristina ainda era presidente, contra Vanoli e o resto do diretório do Banco Central pelos deputados Federico Pinedo, do Proposta Republicana (PRO, partido liderado pelo atual presidente, Mauricio Macri), e Mario Negri, da União Cívica Radical (aliada ao atual governo). Segundo a denúncia, por meio da realização de contrato futuro de dólar, o Banco Central teria negociado a moeda americana a uma cotação que rondava os 10,65 pesos, abaixo do estabelecido na Bolsa de Nova York para esse tipo de contrato - na época, cerca de 14 pesos por unidade. Em novembro, a então diretoria do Banco Central tinha assegurado em comunicado que sua intervenção no mercado de futuros era realizada "nos termos estabelecidos pela legislação vigente e de acordo com as disposições da Carta Orgânica da instituição".

Ministério Público paulista marca depoimento de Lula, Marisa e Lulinha para a próxima quinta-feira


O Ministério Público de São Paulo intimou nesta sexta-feira o ex-presidente Lula, sua mulher, a galega "italiana" Marisa Letícia, e o filho do casal, Fábio Luiz, para que prestem depoimento no procedimento que investiga o tríplex e o sítio de Atibaia. Todos os depoimentos deverão acontecer na próxima quinta-feira (3). Marisa será a primeira a depor, às 9 horas. Depois Lula, às 11 horas e por fim, Fábio Luiz, às 13 horas. No documento enviado à família consta que “em caso de não comparecimento importará na tomada de medidas legais cabíveis, inclusive condução coercitiva pela Polícia Civil e Militar, nos termos da normas acima referidas”.

Odebrecht torra estoque de nelores

A EAO Empreendimentos Agropecuários e Obras, que pertence à Odebrecht, levou para a Expoinel MG em Uberaba 30 lotes de fêmeas nelore e prenhezes de elite. Segundo o portal de leilões DBO, as bezerras, novilhas e matrizes foram comercializadas ao preço médio de R$ 42 mil. O total movimentado foi de R$ 1,2 milhão. A EAO Empreendimentos Agropecuários e Obras é comandada por Maurício Odebrecht, irmão de Marcelo.

LULA FREQUENTOU SÍTIO ANTES DA COMPRA

O Antagonista foi informado de que Lula e seus familiares já frequentavam o sítio de Atibaia antes da compra do imóvel em outubro de 2010. Na época, a propriedade ainda estava em nome de Adalton Santarelli. Quem é Adalton Santarelli?

Mais uma chicana de Lula

A coluna Radar informa que os advogados de Lula agora recorrem ao STF para tentar suspender as investigações sobre o triplex e o sítio de Atibaia. O argumento agora é que há "conflito de interesse", pois o MP de São Paulo estaria investigando o mesmo fato que o MPF de Curitiba. Os advogados e Lula vão acabar na mesma cela.

SAVE THE DATE: LULA, MARISA & LULINHA NO MP

A força-tarefa do MP de São Paulo acaba de intimar Lula, Marisa Letícia e o filho Fábio Luiz a prestarem depoimento na próxima quinta-feira 3 na investigação sobre o triplex do Guarujá. Além da convocação de Lulinha, o MP alterou a ordem dos depoimentos. Marisa falará primeiro, às 9h. Depois será a vez de Lula, às 11h, seguido de Lulinha às 13h. E o mais importante: "Em caso de não comparecimento importará na tomada de medidas legais cabíveis, inclusive condução coercitiva pela Polícia Civil e Militar".

Polícia Federal na Odebrecht. Mais uma vez

A Polícia Federal foi novamente na sede carioca da Odebrecht. Ela foi também à casa de um executivo da Serveng.

Ala governista do PMDB abandona o governo

Um líder da ala governista do PMDB se encontrou com ministros do STF e disse ao Estadão: “Os dados sobre as contas de João Santana são devastadores contra Dilma”. Em seguida, ele acrescentou: “O problema é que não dá para cassar ela e o Temer e deixar o País sob o comando do Eduardo Cunha". A reportagem conta também que um desfecho no TSE deverá levar até dois anos. O único caminho, portanto, é o impeachment.

PF vai interrogar Pimentel

Rodrigo Janot mandou a PF interrogar Fernando Pimentel sobre os pagamentos suspeitos à empresa da mulher dele, Carolina Oliveira. Quem será cassado antes: Fernando Pimentel ou Dilma Rousseff?

Polícia Federal investiga mais 15 empresas na Acarajé

A Polícia Federal solicitou à Petrobras cópia dos contratos celebrados pela estatal com 15 empresas suspeitas de integrarem o esquema do marqueteiro João Santana. Os investigadores suspeitam que os contratos possam ter servido de fachada para repasses de propina.

O "juizinho fascitoide"

Emir Sader, no Twitter, tentou intimidar o juiz Sergio Moro: "Esse juizinho fascitoide precisa saber que qualquer provocação pra cima do Lula vai ter resposta duríssima pra cima dele". Emir Sader é um bocó, mas seu desespero mostra que o quebra-quebra é a última defesa que ainda resta ao lulismo.

Engenheiro notou "intimidade" de Léo com Marisa

O Estadão informa que o engenheiro Armando Dagre, sócio da Talento Construtora, declarou à forçatarefa da Lava Jato que notou "uma certa intimidade" entre Léo Pinheiro e Marisa Letícia quando ambos visitaram o tríplex 164-A do Solaris, no Guarujá. Dagre contou ao MPF que estava reunido com engenheiros da OAS para uma vistoria no imóvel quando chegaram Marisa, Léo e o executivo Paulo Gordilho, que O Antagonista revelou como sendo o responsável pela encomenda das cozinhas Kitchens. Ao ouvir que a obra estava praticamente pronta, Gordilho disse: "Então precisamos apressar a instalação da cozinha."

Mônica tratava diretamente com secretária da Odebrecht

Na busca e apreensão, a Polícia Federal encontrou bilhetes de Mônica Moura para Maria Lúcia Tavares, a secretária-executiva da Odebrecht responsável pelas planilhas de acarajés. Num dos bilhetes, Mônica se despede de Maria Lúcia "carinhosamente" com "um beijo".

Dona Xepa também é "Feira"

As anotações publicadas por Época com números de telefone do "Feira" integram o relatório do pedido de prorrogação da prisão obtido por O Antagonista. Uma análise mais detida, porém, indica que Mônica Moura também seria tratada como "Feira". A PF sabe que João Santana e Mônica Moura atuavam como Bonnie & Clyde. "A associação do codinome FEIRA especificamente à esposa de JOÃO SANTANA, tal qual consta da anotação de MARIA LÚCIA, faz ainda mais sentido se considerarmos que MONICA é natural de Feira de Santana, na Bahia. De qualquer sorte, inegável que a anotação vincula, em definitivo, ambos os investigados - JOÃO SANTANA e MÔNICA MOURA – às menções contidas na planilha encontrada no e-mail de FERNANDO MIGLIACCIO e, por conseguinte, aos pagamentos realizados a eles no Exterior pela ODEBRECHT, via SHELLBILL."

O desembarque de Renan

Renan Calheiros procurou Michel Temer. Do encontro, realizado ontem, participaram Moreira Franco e Eliseu Padilha. Todos eles interpretaram a conversa da mesma maneira: Renan Calheiros está desembarcando do governo.

O marketing acabou, João

O advogado tributarista Igor Nascimento Souza, que integra a defesa de João Santana, deu uma coletiva mais cedo para tentar justificar os crimes de seu cliente. Ele fez uma apresentação bonita com slides, explicou a diferença entre "conta secreta" e "offshore". Souza usava uma gravata amarela, mas ninguém acreditou em suas explanações.

Odebrecht fez pagamentos periódicos a João Santana

Em sua decisão de prorrogar a prisão de João Santana e Mônica Moura, o juiz Sérgio Moro também destacou a apreensão de documentos que indicam que a Odebrecht fez "pagamentos periódicos" ao casal de feirantes. Ele cita a planilha "Posição Programa Especial Italiano", que foi apreendida no endereço eletrônico de Fernando Migliaccio da Silva. "Ela contém diversas anotações que apontam para provável pagamento de propinas ou de financiamento ilegal de campanhas, no Brasil e no exterior, pela Odebrecht".

Moro enquadra defesa do Feira

Em vez de divulgar slides, a defesa de João Santana deveria se preocupar em analisar as provas colhidas no inquérito da Operação Acarajé para tentar buscar uma saída jurídica - ainda que improvável - para seu cliente. No despacho que prorrogou a prisão do casal de feirantes, Sérgio Moro fez uma observação quase irônica sobre o argumento do advogado de que "o único crime por eles cometido seria o de evasão fraudulenta de divisas", ao não declarar ativos no exterior. "Este Juízo não reputa tão insignificante assim este delito. Mais relevante, há indícios, como já apontados, de que os investigados podem estar incursos em práticas delituosas bem mais graves, como lavagem de dinheiro e corrupção", escreveu Moro. O juiz aproveitou a oportunidade para enquadrar o advogado. "Não vislumbro ainda como banalizar a prática de fraudes, com utilização de recursos escusos ou pelo menos não-contabilizados, em campanhas eleitorais, quer no Brasil ou no exterior, considerando a consequente afetação da integridade do processo político democrático. Nada há, portanto, de banal nessas condutas."

Polícia Federal vai investigar caso "Miriam Dutra"

A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as declarações de Miriam Dutra. Será que a PF vai descobrir quem convenceu a ex-jornalista e ex-amante de FHC a falar?

Juiz Sérgio Moro autoriza internação hospitalar de Bumlai, o amigo de Lula

O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, autorizou a internação do pecuarista José Carlos Bumlai, preso durante a 21ª fase da Operação Lava Jato. A internação está marcada para o próximo dia 8. O pedido da defesa de Bumlai havia sido protocolado neta quinta-feira e estava baseado um relatório médico. "Caso a necessidade de internamento se confirme, havendo recomendação médica por escrito dos médicos do Hospital Santa Cruz, autorizo desde logo o internamento", justificou Moro. Na mesma decisão, o magistrado autorizou que o Ministério Público Federal compartilhe provas sobre Bumlai com a Receita Federal.

Justiça prorroga prisão do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, prorrogou nesta sexta-feira, por mais cinco dias, as prisões temporárias do marqueteiro petista João Santana e da mulher e sócia do publicitário, Mônica Moura. O magistrado, que havia negado, durante as investigações, decretar a prisão preventiva do casal Santana – situação em que os dois não teriam data pré-definida para deixar a cadeia – considerou que “há certos problemas no álibi” apresentado pelos dois, que, em depoimento à Polícia Federal, afirmaram que não sabiam da origem dos recursos que foram depositados na conta da empresa que mantinham no Exterior. Em sua decisão, Sergio Moro explica que a detenção do casal Santana, que trabalhava na campanha à reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina, foi decretada depois de os investigadores do petrolão encontrarem indícios de que eles seriam controladores da empresa offshore Shellbill Finance SA. A empresa não foi declarada às autoridades brasileiras e é beneficiária de dinheiro que o Ministério Público acredita ter sido desviado do esquema de corrupção na Petrobras. A quebra de sigilo bancário da conta da empresa revelou repasses de 3 milhões de dólares da Klienfeld Services, offshore ligada ao Grupo Odebrecht. A Klienfeld já havia sido utilizada para transferir dinheiro de propina aos ex-diretores da Petrobras, Renato Duque e Paulo Roberto Costa, e do ex-gerente da petroleira, Pedro Barusco. Além da presença da Klienfeld como fonte pagadora do casal Santana, a atuação do operador de propinas Zwi Skornicki como responsável por outros repasses – de 4,5 milhões de dólares – à dupla foi classificada como “perturbadora” pelo juiz. “A Odebrecht utilizou as mesmas contas empregadas para pagar propina aos agentes da Petrobras para remunerar João Santana e Mônica Moura, enquanto a presença de Zwi Skornicki, como fonte de recursos deles, é, por si só, perturbadora, já que colhida prova do papel deste de intermediador de propinas aos agentes da Petrobras”, registra o juiz. Segundo ele, existem “certas inconsistências com a prova documental colhida”. Entre o material apreendido na 23ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal encontrou documentos que indicam que a Odebrecht teria feito pagamentos periódicos a João Santana inclusive sobre campanhas eleitorais no Brasil, fato sempre negado pelo marqueteiro. A prova contra Santana consta de uma planilha, administrada por Maria Lúcia Tavares, secretária do empreiteiro Marcelo Odebrecht, com indicação de que o casal recebeu da empresa 4 milhões de reais no Brasil durante a campanha eleitoral de 2014. Foram sete repasses, entre outubro e novembro daquele ano, enquanto Santana trabalhava na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A planilha também contém a anotação de que a “negociação” total chegaria a 24 milhões de reais.

Sartori convoca reunião no Palácio Piratini com um único objetivo marqueteiro, esconder os fracassos de sua administração


Só agora Sartori resolve mobilizar o Rio Grande do Sul contra a crise financeira do Estado
O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), com um ano e dois meses de atraso, finalmente reagiu agir, fazer o que estava evidente desde antes mesmo de sua posse. Ele chamou o seu marqueteiro preferido, mandou fazer um banner bem grande, encheu o Salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini e chamou lideranças gaúchas na manhã desta sexta-feira e fez uma espécie de convocação da sociedade para enfrentar a crise financeira do Estado e angariar apoio na ação judicial que questiona o processo de renegociação da dívida gaúcha com a União. Cerca de 250 pessoas estiveram presentes no Palácio Piratini, segundo o cerimonial do governo. Evidentemente, há léguas de distância entre ele e a figura do ex-governador Leonel Brizola, o último a ter mobilizado o Rio Grande do Sul, em 1961. Para começo de conversa, José Ivo Sartori é um político errático, que não sabe o que fazer e tampouco tem a mínima idéia de um programa estratégico de recuperação e desenvolvimento do Estado. O encontro faz parte de mais uma de suas jogadas, assopradas em seu ouvido por marquetagem política, para evitar ou contornar as más notícias. A desta vez foi o anúncio inevitável de pagamento dos salários do funcionalismo público gaúcho com a famosa perna de anão. Ou seja, o Estado depositou apenas R$ 1.750,00 lineares nas contas de todos os funcionários. Essa nova dificuldade, expressa no atraso do pagamento do salário de fevereiro, demonstra a imensidão do erro  político cometido por José Ivo Sartori, quando insistiu no absurdo do aumento do ICMS. Videversus cansou de avisar que a medida seria inútil, porque a queda da produção industrial e a violenta redução do PIB tornariam sem efeito o aumento das alíquotas do imposto. Não deu outra. Mas, Sartori é italiano de cabeça dura, quando embesta alguma coisa, não há quem o segure. Além disso, só ouve os despreparados e incompetentes fiscais do ICMS (não sabem um ovo de economia, e são completamente incapazes para fazer uma análise de conjuntura política, econômica, cultural, jurídica, etc...). O resultado está aí: mais um atraso no pagamento dos salários. E Sartori toca a fazer ato de marquetagem para evitar danos maiores à sua imagem. Ele deixou claro o objetivo do encontro logo de início. De acordo com Sartori, a luta pela recuperação financeira do Estado deve ser transparente e contar com o apoio de todos os setores da sociedade, criando uma unidade de mobilização e fortalecendo a articulação política. É mesmo? Só agora ele se deu conta que a solução do problema é política? Benza Deus.... quem iluminou o cérebro do "gringo"? "Estamos cumprindo um papel que não é do governo. É um papel de Estado. Em busca de soluções coletivas", acentuou ele. Tudo lorota. Ainda não é o discurso certo para enfrentar a situação. Os convidados presentes servem para demonstrar que tudo não passou mesmo de mais um joguinho de cena, daqueles a que os gaúchos estão acostumados. Entre as figuras políticas que marcaram presença estavam o ex-senador Pedro Simon, os senadores Lasier Martins (PDT) e Ana Amélia Lemos (PP), a presidente da Assembleia Legislativa, Silvana Covatti (PP), e o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, além de secretários e deputados federais e estaduais. Bancos, empresas, federações, sindicatos e cooperativas também foram representados. Um convescote "au grand complet". Um exemplo de que não passa de uma jogadinha de marquetagem política foi o convite para o encontro o eterno presidente da Fessergs (Federação Sindical dos Servidores Públicos), Sérgio Arnoud, o qual saiu vociferando: "Essa tentativa de aproximar vários setores, chamar as entidades para participar, só vai prosperar se houver diálogo. Ninguém vai aceitar passivamente e aplaudir as medidas do governo sem participar e elaborar soluções conjuntas. Tem de haver diálogo e não monólogo". Ou seja, ele disse que "não tem conversa". A intenção de Sartori, parece evidente, é querer anular iniciativas do mundo corporativo estadual, que o incomoda. Naturalmente, soluções para o Rio Grande do Sul não serão alcançadas com submissão ao corporativismo estatal.

Ex-companheira do indio cocaleiro trotskista Evo Morales é detida e investigada por tráfico de influência na Bolívia


A empresária boliviana Gabriela Zapata, ex-companheira do presidente da Bolívia, o indio cocaleiro trotskista Evo Morales, e investigada no Congresso por um caso de tráfico de influência, foi detida nesta sexta-feira, informou o ministério do Interior. "A cidadã Gabriela Zapata Montaño foi detida esta manhã e se encontra nas dependências da FELCC (Força de Luta contra o Crime)", confirmou o ministério. Atualmente, Gabriela é gerente comercial da empresa chinesa CAMC, favorecida com milionários contratos com o Estado. A prisão acontece semanas depois que o jornalista boliviano Carlos Valverde revelou que Gabriela Zapata, de 28 anos, foi companheira de Morales há dez anos e agora é gerente comercial na empresa asiática. A oposição lançou acusações de tráfico de influências, enquanto o ditador trotskista, que reconheceu a relação - o casal teve um filho que faleceu com um ano de idade -, negou tê-la favorecido com contratos. Tanto a relação como nascimento do menino eram fatos desconhecidos dos bolivianos. O próprio Morales se queixou nos últimos dias que este incidente foi utilizado pela oposição para manchar sua imagem durante a campanha para o referendo de domingo, em que os bolivianos rejeitaram uma reforma constitucional que teria permitido a ele disputar um quarto mandato (2020-2025). Recentemente, o governo executou uma garantia dede 22,8 milhões de dólares em prejuízo da CAMC, por descumprimento do contrato na construção de uma ferrovia.

A rede de "acarajés quentinhos" de Marcelo Odebrecht


E-mails trocados entre os executivos Roberto Prisco Ramos e Hilberto Alves Silva Filho, ligados do Grupo Odebrecht, evidenciam um esquema de distribuição de recursos que a Polícia Federal acredita envolver dinheiro sujo oriundo do Petrolão do PT. Os investigadores identificaram uma intensa troca de mensagens entre Prisco e Hilberto em que eles discutem a entrega de "acarajés". Para a Polícia Federal, a iguaria baiana é uma senha para camuflar a farta movimentação de dinheiro. A troca de mensagens começou em outubro de 2013, quando a Operação Lava Jato ainda não tinha sido deflagrada e envolve o príncipe das empreiteiras, Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde junho do ano passado por suspeitas de atuar ativamente no esquema de corrupção que sangrou os cofres da Petrobras e distribuiu propina a políticos e ex-funcionários da estatal. Nas conversas, Odebrecht é citado como "Bahia". No dia 24 de junho de 2014, por exemplo, Roberto dá a senha para Hilberto: o "Bahia" havia dado ordens para uma nova "partida de acarajés". Na conversa, Prisco Ramos diz ao interlocutor, carinhosamente chamado de "tio Bel": "O Bahia me disse que ia combinar com ocê (sic) outra partida de acarajés, mas, independente disso, eu vou precisar de mais 50 para esse fim de semana; você me consegue para 6a Feira, por volta as 12:30, entregues no mesmo lugar? Abraço agradecido R".

Em depoimento à Polícia Federal, a secretária de Marcelo Odebrecht, Maria Lúcia Tavares, apontada como responsável pela contabilidade paralela do empreiteiro, apresentou uma versão fantasiosa para o termo acarajé identificado nas mensagens eletrônicas. Disse que "as baianas em Salvador vendem pequenas porções para aperitivo, em caixa, e então cabia (a ela) providenciar essas entregas a pedido de Hilberto". Por essa narrativa, os acarajés - em porções de 50 - seriam supostamente remetidos de Salvador para o Rio de Janeiro e chegavam "quentinhos". Em um dos e-mails em poder dos investigadores da Lava Jato, Roberto Prisco Ramos pede para Hilberto "50 acarajés dos 500" e alguma "bahiana (sic) de confiança" no Rio de Janeiro. Queriam, segundo a Polícia Federal, quitar uma das parcelas da transação em dinheiro vivo. "Claramente os investigados aparentam conversarem por código, no qual o primeiro cobra parte da dívida de que um tem com o outro. Destaca-se que trata-se de comida perecível e que seria completamente inviável pessoa estocar tal alimento sem que o mesmo perca suas propriedades alimentares", ironiza a Polícia Federal, que completa na sequência: "espera-se que Marcelo Bahia Odebrecht possa prestar esclarecimentos relevantes sobre sua rede de distribuição de 'acarajés' e sobre as menções ao codinome Feira espalhadas em seu celular e replicadas por seus funcionários em planilhas e anotações". Mais uma mensagem em poder dos investigadores, datada de janeiro de 2014, poucos meses antes do estouro da Operação Lava Jato, escancara a "rede de acarajés" dos executivos ligados à Odebrecht. Neste e-mail, Roberto pede que Hilberto providencie a entrega de mais "50 acarajés". Na resposta, Hilberto diz que a entrega está programada e que "seus acarajés chegaram quentinhos". Na extensa troca de mensagens eletrônicas, dinheiro é sempre referido como acarajé. Em mais uma conversa, de dezembro de 2014, quando boa parte dos maiores empreiteiros do País já estavam atrás das grades - ainda não havia ordens de prisão cumpridas contra executivos da Odebrecht ou da Andrade Gutierrez na época - Hilberto cobra a secretária Maria Lúcia por mais acarajés a serem repassados a Prisco Ramos. "Nosso amigo ele está precisando comer acarajés", reclama. A 23ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na segunda-feira, trouxe à tona mais indícios do envolvimento de Marcelo Odebrecht no escândalo do petrolão e escancarou o pagamento de propina do conglomerado no Exterior. Documentos em posse da força-tarefa do Ministério Público comprovam que existia uma planilha de pagamentos ilícitos feitos pela Odebrecht, com destinatários como "Feira", uma referência ao marqueteiro João Santana, e JD, em alusão ao ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu. Segundo os investigadores, novas evidências apontam que Marcelo Odebrecht detinha o controle do caixa de propina do grupo e conhecimento amplo do uso de offshores para o depósito de dinheiro a corruptos. Na 23ª fase da Lava Jato, as suspeitas são de que Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares, que já foram ligados ao Grupo Odebrecht, e Fernando Miggliaccio da Silva, atuavam nos pagamentos no Exterior por ordem da companhia. Os dois últimos teriam sido retirados do País após buscas e apreensões na Odebrecht em junho de 2015, data da fase da operação que levou o herdeiro do Grupo Odebrecht para a cadeia.

Delator fez 85 ligações para Vaccari, aponta relatório do Ministério Público


O empresário Augusto Ribeiro Mendonça, delator da Operação Lava Jato que confessou ter ocultado propina em doações oficiais ao PT, manteve 85 contatos telefônicos com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, preso desde abril de 2015 acusado de ser operador do partido no esquema de corrupção na Petrobras. A informação faz parte da primeira análise produzida pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) com base na quebra do sigilo telefônico da sede nacional do PT em São Paulo e dos números usados por Vaccari, entre julho de 2010 e julho de 2015, alcançando três campanhas eleitorais, duas presidenciais e uma municipal. O mapeamento indica também 144 contatos telefônicos entre os números usados por Vaccari e Paulo Roberto Salvador, diretor da Gráfica Atitude, e outras 38 trocas de mensagens. A empresa foi usada, segundo a força-tarefa, para ocultar propina desviada da Petrobras e repassada ao PT. "Foram identificados 144 chamadas entre João Vaccari e Paulo Salvador", informa o relatório assinado por dois analistas do Ministério Público Federal, de 30 de novembro de 2015, anexados em janeiro à ação penal, sob sigilo. "Ainda evidenciaram-se 85 chamadas entre o terminal (11) 98136-XXXX atribuído a Augusto Mendonça de acordo com o Termo de Colaboração nº 7 e o terminal (11) 99325-XXXX do Partido dos Trabalhadores Diretório Nacional PT, atribuído a João Vaccari". O sigilo telefônico do PT foi quebrado pelo juiz federal Sergio Moro, da Lava Jato, em novembro de 2015. A medida alcançou pelo menos seis números de uso de Vaccari. A abertura de dados alcança o período de 2010 a 2014. A força-tarefa da Operação Lava Jato aponta o uso da legenda como forma de ocultar dinheiro desviado da estatal por meio de contribuições e doações de campanha. Moro atendeu um pedido do MPF, que acusa formalmente Vaccari em uma ação penal pelo uso da gráfica ligada ao partido para supostamente lavar dinheiro da Petrobras. "A medida pretendida é adequada e necessária para possibilitar a identificação dos registros das chamadas originadas e recebidas pelos terminais-alvos da investigação e seus respectivos interlocutores, bem como a localização geográfica em que se encontravam os alvos no momento das comunicações de interesse da investigação criminal, por meio de antenas que captaram o sinal", sustentou o Ministério Público Federal no pedido. A quebra do sigilo dos telefones usados por Vaccari - seu celular e os fixos na sede do Diretório Nacional do PT -, integram ação penal decorrente do processo em que Moro condenou o ex-tesoureiro e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, indicado pela legenda para a diretoria de Serviços da estatal. Os dois são acusados pelo desvios de recursos de um contrato de 2,2 bilhões de reais na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e pelo repasse de 4,3 milhões de reais ao PT entre 2008 e 2012 por meio de doações registradas. A sentença foi enviada ao Tribunal Superior Eleitoral pelo juiz da Lava Jato, no início do mês, como prova para instruir as investigações sobre supostas irregularidades na campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2014. O Relatório de Informação 121/2015 do Ministério Público Federal é a primeira análise feita no resultado da quebra de sigilo telefônico do PT. O documento reforça a delação de Augusto Mendonça, dono da Setal Óleo e Gás, que disse ter ocultado propina em doações oficiais ao PT e pagamentos de publicidade. Segundo Augusto Mendonça, Vaccari era um de seus contatos. Além dos repasses diretos ao PT, o delator afirmou que Vaccari indicou a Gráfica Atitude para o pagamento de anúncios, que segundo ele, foram custeados com dinheiro de propina.

Policia Federal e Ministério Público apontam repasses da Odebrecht ao marqueteiro João Santana no Brasil e pedem prorrogação de prisão


A Polícia Federal e o Ministério Público Federal pediram nesta sexta-feira que o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, prorrogue por mais cinco dias a prisão temporária do marqueteiro do PT, João Santana, e de sua mulher, Mônica Moura. Também foi solicitado que a secretária do empreiteiro Marcelo Odebrecht, Maria Lúcia Tavares, suspeita de atuar na contabilidade paralela de dinheiro do grupo, continue atrás das grades. O pedido tem por base novas provas apreendidas nas buscas realizadas nesta semana, na 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé. Entre os documentos apreendidos está uma planilha com indicação de que o casal recebeu da Odebrecht 4 milhões de reais no Brasil durante a campanha eleitoral de 2014 - o que eles negaram em depoimento à Polícia Federal. Foram sete repasses, entre outubro e novembro daquele ano, enquanto Santana trabalhava na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A planilha também contém a anotação de que a "negociação" total chegaria a 24 milhões de reais. O documento estava na casa de Maria Lúcia Tavares, funcionária da Odebrecht, contra quem a Polícia ederalF também requisitou a prorrogação de prisão temporária. Para os delegados, a origem dos recursos ainda não foi esclarecida, mas eles estão "claramente à margem da contabilidade oficial". As datas revelam que o repasse teria sido feito depois que a Lava Jato realizou buscas na sede da Odebrecht em São Paulo. "Em se tratando de investigação em que parte dos investigados ligados ao grupo Odebrecht se encontra fora do País - ao nosso ver, em clara tentativa de obstruir a investigação e dificultar a obtenção de provas -, entendemos imprescindível que o aprofundamento das investigações, por meio da obtenção de esclarecimentos adicionais pelos investigados e processamento do restante do material, dê-se com manutenção da privação de liberdade de Mônica Moura, João Santana e Maria Lúcia Tavares. A medida é necessária para garantir a investigação criminal, em caráter cautelar", afirmam os delegados Márcio Anselmo e Renata da Silva Rodrigues.
(VEJA.com/VEJA)

Maria Lúcia Tavares é a responsável por elaborar a planilha de pagamentos de propina da empreiteira. João Santana é vinculado ao codinome "Feira". O documento foi encontrado no e-mail de Fernando Migliaccio da Silva, controlador das contas usadas pela Odebrecht para realizar pagamentos no exterior. A Polícia Federal identifica Maria Lúcia Tavares como uma das responsáveis por gerenciar "a contabilidade paralela" e organizar também a entrega da propina - ou, conforme os investigados diziam, "os acarajés quentinhos". Em uma agenda dela, a Polícia Federal encontrou, associados à anotação "Feira", os nomes de Mônica Moura, de seu filho Daniel Requião e de João Santana, além de telefones deles (uma linha internacional, de Nova York) e o endereço de um flat em São Paulo. "Inegável que a anotação vincula, em definitivo, ambos os investigados - João Santana e Mônica Moura - às menções contidas na planilha encontrada no e-mail de Fernando Migliaccio e, por conseguinte, aos pagamentos realizados a eles no exterior pela Odebrecht, via Shellbill", afirma o relatório da Polícia Federal. O advogado do casal Santana, Fábio Tofic, pede a revogação da prisão. A Polícia Federal rebateu, em representação ao juiz, os argumentos da defesa. "Inicialmente, com relação às alegações da defesa cabe destacar que, em que pese a alegação de que 'tanto os recursos recebidos da Odebrecht como aqueles doados por Zwi Skornicki são de campanhas realizadas no Exterior, onde foram feitas seis das nove campanhas presidenciais que comandaram', não foi apresentado qualquer indício que seja, por parte de seus defensores, que corrobore tal afirmação", afirmou a Polícia Federal: "Curiosamente, parte dos recursos foi atribuído à campanha de um ex-Presidente já falecido (Hugo Chávez)". "Ademais, em que pese tenham os investigados autorizado o acesso à conta da Shellbill, mantida no Banco Heritage, não foi apresentado um documento sequer da referida conta por parte dos investigados, que já tinham conhecimento, há tempos, de que ao menos os depósitos por parte de Klienfeld, offshore ligada à Odebrecht, poderia vinculá-los às investigações da Operação Lava Jato. Assim, a defesa reduz os inúmeros indícios expostos nos presentes autos a meras especulações, mas até o presente momento nada apresentou que possa fazer prova em contrário. Não há um contrato, uma invoice, um registro ou mesmo uma troca de e-mails ou qualquer indício, por menor que seja, apto a corroborar os fatos alegados pela de defesa de João Santana e Mônica Moura". Os delegados também destacaram que o sócio da maior empreiteira do País, Marcelo Bahia Odebrecht, preso em Curitiba, sinalizou que pretende colaborar e prestar depoimento sobre os fatos investigados na 23ª fase da Lava Jato: "Espera-se que Marcelo Bahia Odebrecht possa prestar esclarecimentos relevantes sobre sua rede de distribuição de 'acarajés' e sobre as menções ao codinome Feira espalhadas em seu celular e replicadas por seus funcionários em planilhas e anotações".

Ministério Público Federal suspeita que dinheiro da Operação Recebedor abasteceu campanhas políticas


As últimas grandes operações da Polícia Federal - Lava Jato, Zelotes e Acrônimo, para citar as mais conhecidas - têm algo em comum: todas elas descobriram grandes esquemas de corrupção que serviam, ao fim e ao cabo, para abastecer com dinheiro público desviado campanhas políticas e contas de políticos da base governista. Um modus operandi muito similar ao que ficou conhecido a partir das investigações do Mensalão do PT, o primeiro grande escândalo da era petista no governo. A Operação "O Recebedor", deflagrada nesta sexta-feira para apurar desvios milionários nas obras de duas das maiores ferrovias em construção no País, não foge à regra. Estima-se que o rombo nos cofres públicos com desvios nos projetos da Ferrovia Norte-Sul e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste ultrapasse, de longe, os 600 milhões de reais. Os dois projetos são tocados pela Valec, estatal subordinada ao Ministério dos Transportes. O procurador Hélio Telho, um dos encarregados do caso no Ministério Público Federal, diz ter indícios suficientes para suspeitar que a maior parte dos recursos desviados tenha servido para abastecer campanhas políticas. A suspeita se baseia não só no volume de recursos desviados, mas também nos personagens envolvidos no esquema - todos eles apadrinhados por conhecidos caciques políticos de partidos da base do governo federal. Desdobramento da Operação Lava Jato, de onde surgiram os elementos que deram origem à nova investigação, a Operação "O Recebedor" tem como principal personagem José Francisco das Neves, o Juquinha, presidente da Valec de 2003 a 2011. Ele assumiu o posto no primeiro ano do governo Lula, por indicação do então ministro dos Transportes, Anderson Adauto, àquela altura um dos chefões do então Partido Liberal (PL), depois rebatizado como Partido da República (PR). Adauto chegou a ser acusado pela Procuradoria-geral da República como um dos beneficiários do Mensalão do PT e teve sua carreira em Brasília abreviada. Juquinha, seu pupilo, continuou em operação até 2011, quando VEJA revelou a existência de um megaesquema no Ministério dos Transportes destinado a desviar dinheiro de contratos da pasta para o partido que a comandava. Esta é a segunda operação policial que flagra Juquinha envolvido em esquemas de corrupção na Norte-Sul. Em 2012, ele foi preso junto com a mulher e os filhos na Operação Trem Pagador, por suspeita de ocultação de patrimônio em crimes de peculato e de licitação, também a partir de desvios de recursos da Norte-Sul. Outro personagem investigado agora é o engenheiro Ulisses Assad, igualmente demitido da Valec em 2011. Ligado à família Sarney, Assad sempre foi um fiel cumpridor de ordens de Fernando, filho do ex-presidente da República. A Ferrovia Norte-Sul começou a ser construída no Governo Sarney, em 1987, e até hoje, após três décadas de desvios e superfaturamentos, não foi terminada. A família Sarney sempre usou seu poder no Judiciário para arquivar investigações ligadas à Norte-Sul, como a Operação Boi Barrica, que teve as provas anuladas por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Mas agora, com os acordos de delação premiada firmados na Operação Lava Jato por diretores da Camargo Corrêa, a Polícia Federal descobriu que Juquinha embolsou pessoalmente 800.000 reais em propina para beneficiar as construtoras que superfaturavam contratos e pagavam propinas por meio de empresas de fachada. O Ministério Público e a Polícia Federal não revelam, por ora, detalhes sobre os destinatários finais do dinheiro desviado. A operação terá desdobramentos. Muitas das empresas envolvidas, como a Odebrecht e a Constran (ligada à UTC), são as mesmas que aparecem na Lava Jato como protagonistas do petrolão - empresas que, como se sabe, costumavam fazer generosas doações em troca de contratos no governo. Só a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff recebeu mais de 30 milhões de companhias que, na manhã desta sexta-feira, foram alvo de busca e apreensão de documentos e computadores.

Juiz americano convoca audiência para decidir sobre dívida argentina

O juiz americano Thomas Griesa convocou nesta quinta-feira uma audiência para a próxima terça-feira para tomar uma decisão sobre suas ordens contra a Argentina no litígio por títulos em moratória desde 2001. A convocação nos tribunais de Nova York chega em meio a fortes rumores de um acordo entre a Argentina e os fundos especulativos que se favoreceram da sentença de Griesa. "O tribunal escutará argumentos na moção dessas ações às 13h30 de 1º de março de 2016", escreveu Griesa, em resposta a um pedido do tribunal de apelações de Nova York para que trate em audiência uma demanda da Argentina que abra o caminho à sua proposta de pagamentos. No dia 5 de fevereiro, a nova administração do presidente argentino, Mauricio Macri, apresentou uma oferta para pagar 6,5 bilhões de dólares (de um total de 9 bilhões) aos fundos "abutres" e a outros credores para pôr fim ao processo pela dívida em moratória desde 2001. Depois de rejeitar a proposta, o NML Capital e o Aurelius, que em 2012 conseguiram uma sentença favorável para cobrar uma dívida que hoje ultrapassa 1,75 bilhão de dólares, chegaram a um princípio de acordo com a Argentina, segundo afirmou nesta quinta-feira um de seus advogados. "Temos um acordo sobre os termos econômicos", disse Mathew McGill em um audiência nos tribunais de Manhattan, embora o mediador judicial americano Daniel Pollack o tenha desautorizado pouco depois. O EM Limited e o Montreux Partners, dois dos seis principais fundos especulativos que obtiveram sentenças favoráveis na justiça de Nova York, foram os primeiros a aceitar as ofertas de 849,2 milhões e 298,66 milhões de dólares, respectivamente. Um grupo que integra uma ação coletiva, cujo tamanho exato ainda é desconhecido, também chegou a um acordo, assim como outro credor, o Capital Markets Financial Services, que cobrará 110 milhões de dólares, e cinco fundos que receberão 250 milhões de dólares e 185 milhões de euros. Na última sexta-feira, Griesa anunciou que removerá suas ordens judiciais contra a Argentina sob duas condições: que o país anule suas legislações que impedem um acordo e pague os credores que tenham aceitado sua oferta até o dia 29 de fevereiro.

Odebrecht confessa obras no sitio de Atibaia, mas ainda esconde para quem fez o serviço

A Odebrecht vai entregando o jogo a conta-gotas, mas ainda não chegou no casal Marisa e Lula.  A empreiteira Odebrecht confirmou por meio de nota, na última quinta-feira, que participou das obras do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a família dele.  A reforma foi realizada na propriedade no ano de 2010, quando Lula exercia seu segundo mandato na Presidência. No texto, a construtora afirma ter descoberto, após realizar uma apuração interna, que o engenheiro da Odebrecht, Frederico Barbosa, trabalhou no sítio atendendo a um pedido feito por um superior da empresa.  A empreiteira, no entanto, não revelou o nome de quem teria dado essa ordem a Barbosa, ainda não contou para quem fez a obra e continua escamoteando que o sítio é de Lula.

Grendene fechou 2015 com lucro líquido de R$ 603 milhões, 22,1% maior do que o total do ano anterior

A Grendene, nascida no Rio Grande do Sul e atualmente um grupo multinacional da área de calçados, o maior do Brasil, anunciou hoje os principais números do seu balanço do ano passado. Apesar da recessão e da crise econômica, a empresa fechou o ano com lucro líquido de R$ 603 milhões, um avanço de 22,1% sobre o ano anterior. A saúde econômica e financeira da Grendene é admirável. E isto que a receita líquida registrou pequeno recuo, 1,4%, em 2015, fechando o ano com R$ 2,2 bilhões. A receita bruta no mesmo período foi de 2,6%, menos 3,3% sobre o ano anterior. Com 180 milhões de pares produzidos em 2015, quase um par por habitante brasileiro, a Grendene conseguiu emplacar preço médio de R$ 14,12 no mercado interno e R$ 15,12 no mercado externo. No ano passado, suas exportações somaram R$ 730,8 milhões, mais 139%. O grupo lidera as exportações brasileiras. No ano passado, sua fatia foi de 37%.

Grendene bate em retirada do setor de móveis

A Grendene reconheceu hoje que perdeu praticamente tudo que investiu no mercado de móveis e que por isto não investirá mais no ramo.

Em operação braço da Lava Jato, Policia Federal investiga fraudes em obras de ferrovia

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação “O Recebedor” que investiga um suposto esquema de propina e fraudes na construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste com base em provas colhidas na Operação Lava Jato. Ao todo, a Polícia Federal cumpre sete mandados de condução coercitiva e 44 de busca e apreensão em seis Estados – Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás – e no Distrito Federal. A operação, que é conduzida pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal em Goiás, mira em contratos firmados entre a estatal Valec, estatal ferroviária ligada ao Ministério do Transporte, e empreiteiras investigadas no petrolão, como Odebrecht, Queiroz Galvão, Constran, OAS, Mendes Júnior, Camargo Corrêa, entre outras. O ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, é um dos alvos de condução coercitiva. A operação foi deflagrada a partir de um acordo de leniência firmado com a empreiteira Camargo Corrêa. As investigações apontam que o esquema pode ter gerado um rombo de 631,5 milhões de reais aos cofres públicos, considerando-se apenas os trechos construídos no Estado de Goiás. No acordo, a Camargo Corrêa revelou ter pago, sozinha, mais de 800.000 reais em propina para Juquinha. Segundo a Polícia Federal, as empreiteiras faziam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas indicadas por Juquinha. As empresas funcionavam como fachada para maquiar a origem ilícita do dinheiro. O nome da operação faz referência aos argumentos da defesa de Juquinha, quando ele foi preso na Operação “Trem Pagador”, em 2012. Nela, o advogado do investigado alegou que “se o trem era pagador, o alvo não fora o recebedor”. O ex-presidente da Valec foi demitido do cargo pela presidente Dilma Rousseff, em 2011, por suposto envolvimento em esquemas de corrupção. Em 2012, foi preso no “Trem Pagador” por enriquecimento ilícito de 10.000% em pouco mais de uma década. Na época, reportagem de VEJA revelou que ele comprava fazendas que, anos depois, se valorizavam por causa da chegada da estrada de ferro. Ele chegou ao cargo por indicação do deputado federal Valdemar Costa (SP), condenado no mensalão. Esta não é a primeira vez que provas levantadas na Lava Jato originam uma nova operação. Em dezembro do ano passado, a Policia Federal deflagrou a Operação Cratons contra a extração e comercialização ilegal de diamantes em terras indígenas, no interior de Rondônia. Um dos alvos em comum era o doleiro Habib Chater, que era ligado a Alberto Youssef e era o dono do posto de gasolina que supostamente lavava o dinheiro da Lava Jato.

Ministro do TSE manda MPF e PF investigar 7 empresas que aturam em campanha de Dilma

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, pediu ao Ministério Público e à Polícia Federal que investiguem sete empresas que prestaram serviços para a campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2014. Entre os alvos estão a Mariana Produtos Promocionais e a Rede Seg Gráfica e Editora — ao todo, as sete receberam cerca de R$ 23 milhões de reais dos cofres da campanha petista. O ministro atendeu a pedido do PSDB que apontou indícios de “irregularidade e ilegalidade na contratação e pagamento efetuado a empresas” que atuaram no processo. Além de ao MP e às PF, esses dados serão enviados para a secretaria da Receita Federal, a Secretaria de Fazenda de São Paulo e o Coaf, Conselho de Administração de Operações Financeiras. O pedido de investigação envolve as empresas Mariana Produtos Promocionais Ltda, Rede Seg Gráfica e Editora, Vitor H G de Souza Design Gráfico ME, Marte Ind. e Com. de Artefatos de Papéis Ltda, Francisco Carlos de Souza Eirelli, Door2Door Serviços Ltda e DCO Informática. O processo que investiga a prestação de contas não está entre as ações que podem resultar na cassação da chapa ou dos votos que elegeram Dilma Rousseff. Se o partido for condenado pelo TSE por prestação irregular de contas, as punições ficam no âmbito partidário. Entre estas, está, por exemplo, a suspensão do fundo partidário.

Senhores empreiteiros, mirem-se no exemplo de Kátia Rabello e Marcos Valério

Tão logo Roberto Barroso conceda os perdões judiciais, não haverá mais nenhum político cumprindo pena por causa do mensalão. Faz sentido?

Por Reinaldo Azevedo - Na década de 80, uma música chatíssima de Chico Buarque chegou a fazer sucesso. Chamava-se “Mulheres de Atenas”. Era para uma peça de Augusto Boal, que deve ser o autor da letra. De modo irônico, as mulheres eram convidadas a se mirar no exemplo de suas congêneres de Atenas, sempre tão solícitas, doces, submissas, sem vontades, entregues aos caprichos de seus respectivos maridos. Uma notícia desta quarta me leva a fazer um convite aos empreiteiros enrolados com o petrolão: “Mirem-se no exemplo da banqueira Kátia Rabello (Banco Rural) e do publicitário Marcos Valério”. Ela foi condenada, no processo do mensalão, a 16 anos e 8 meses de prisão; ele, a 40 anos, 1 mês e 6 dias, para ser preciso. Guardaram essa informação? Então vamos a outra. Rodrigo Janot, procurador-geral da República se manifestou de forma favorável, atenção!, ao PERDÃO JUDICIAL para outras seis pessoas condenadas no escândalo do mensalão — quatro são políticos. Ficariam livres de cumprir o resto de suas respectivas penas os seguintes patriotas: Valdemar Costa Neto (PR-SP), Bispo Rodrigues (PR-RJ), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Pedro Henry (PP-MT), além de Rogério Tolentino, que é ex-advogado do operador do esquema, e Vinicius Samarane, ligado ao núcleo financeiro. Ah, sim: o mesmo Janot já se disse favorável ao perdão judicial para Delúbio Soares e João Paulo Cunha. Quem vai decidir é o ministro petizado do Supremo Roberto Barroso, que é o novo relator do mensalão.
Atenção!
Tão logo o senhor Barroso conceda o perdão judicial, não haverá mais nenhum político cumprindo pena por causa do mensalão. Dirceu está preso de novo, mas é por causa do petrolão. Sem esse novo enrosco, é provável que estivesse também na lista. Então veja que coisa formidável! Dirceu à parte, mas por outra imputação, restarão em cana, por causa do mensalão, a banqueira e o publicitário-operador. Fica-se, então, com a impressão de que a dupla é que foi peça-chave no escândalo e que o mensalão foi uma urdidura para atender a interesses financeiros. É como se o mensalão não tivesse sido uma maquinaria política para assaltar o Estado e a democracia. Sim, eu sei que os indutos concedidos se encaixarão em critérios previstos em lei e em decreto padrão assinado por Dilma. Mas os políticos mensaleiros só serão beneficiados porque, obviamente, a condução do processo e a dosimetria das penas acabaram sendo extremamente duras com os empresários e frouxas com os políticos. Os senhores empreiteiros que se mirem no exemplo das mulheres de Atenas… Ou melhor: no exemplo de Katia Rabello e Marcos Valério. Tudo mais constante, num prazo de uns três anos a partir da condenação, não haverá nenhum político em regime fechado por causa do petrolão, mas alguns empreiteiros estarão mofando na cadeia, como se o esquema criminoso que está sendo desvendado não tivesse uma natureza principalmente política. Os depoimentos de João Santana e de Mónica Moura não deixam dúvida: o objetivo é livrar a cara dos políticos e mandar os empresários para o quinto dos infernos. As mulheres de Atenas “secavam por seus maridos”… Pergunto aos empresários: vale a pena “secar” por Lula e Dilma?

Grupo Gerdau teve "Anos Dourados" com o PT


Enrolada na Operação Zelotes, a gigante da siderurgia Gerdau ganhou dinheiro na era petista como poucas empresas: quase R$ 90,8 milhões pagos pelo Executivo entre 2004 e 2015. O grupo também ascendeu politicamente na era PT e tem livre-trânsito no Planalto. Ex-presidente do conglomerado, Jorge Gerdau caiu nas graças do governo, não foi ministro porque não quis e virou membro do “conselhão” de Dilma. Na disputa eleitoral pela Presidência da República, o grupo Gerdau foi generoso com a campanha de Dilma, para quem doou R$ 5 milhões. Desde o fim do governo de Lula e início da gestão Dilma, entre 2010 e 2012, o grupo Gerdau faturou R$ 90 milhões no governo federal. A figura de Jorge Gerdau é tão forte que ele foi citado como alvo da 6ª fase da Zelotes. Era o filho André, presidente do grupo desde 2007. Presidente do grupo, André Gerdau disse à Polícia Federal que recrutou escritórios especializados apenas para provar ser descabida a multa de R$1,5 bilhões.

Duas perguntas retóricas

Jorge Gerdau vai dizer que não sabia o que o seu filho, André Gerdau, estava aprontando no Carf? Jorge Gerdau vai continuar a integrar o Conselhão de Dilma Rousseff, apesar das suspeitas que pesam sobre a sua empresa? As perguntas são apenas retóricas.