segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aécio Neves diz que pedido de prisão do marqueteiro João Santana vincula a petista Dilma Rousseff com o Petrolão do PT


Para o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), o pedido de prisão temporária do marqueteiro João Santana é o "mais grave acontecimento de vinculação da campanha da presidente Dilma Rousseff com o petrolão". O tucano disse que vê na nova fase da Lava Jato o agravamento do cenário político, especialmente porque, desta vez, a investigação está totalmente calçada em provas documentais, e não em testemunhos. "Ultrapassamos a fase testemunhal, das delações, e chegamos à fase documental. As investigações mostram que o publicitário do PT recebeu dinheiro durante o período eleitoral", ressaltou Aécio Neves. O juiz Sergio Moro acatou pedido de prisão temporária de Santana e sua mulher, Mônica Moura, nesta segunda-feira (22). O marqueteiro de Dilma e do PT recebeu dinheiro da Odebrecht em contas no Exterior. Para Aécio Neves, essa fase da Lava Jato corrobora a principal acusação da oposição, especialmente do PSDB, sobre a última campanha presidencial de Dilma. "É um forte indício de que o que apontamos lá atrás, que a campanha recebeu dinheiro de propina, estava correto. Por isso, temos que ter a serenidade de não apenas fazer o embate política, mas tratar as coisas no leito adequado: a Justiça", afirmou o tucano. Nesta terça-feira (23), o PSDB vai pedir ao TSE que solicite as provas obtidas pela Lava Jato contra João Santana para anexar ao processo. Os tucanos querem ainda que a Corte escute um dos operadores do esquema de desvios da Petrobras para saber qual o motivo de ele ter feito depósitos em contas de João Santana no Exterior. Numa tentativa de afinar o discurso do partido diante das novas revelações, Aécio vai se reunir, nesta terça, com as bancadas do PSDB da Câmara e do Senado.O senador, que disputou a última eleição presidencial contra Dilma, voltou a dizer que não concorreu com um partido, mas sim com uma "organização criminosa". 

Supremo Tribunal Federal recebe nova investigação contra Renan Calheiros


O Supremo Tribunal Federal recebeu uma nova investigação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem relação com o inquérito em andamento no tribunal que apura se o peemedebista usou dinheiro de empreiteira para pagar pensão a uma filha que teve fora do casamento. O caso está em segredo de justiça e será analisado pelo ministro Luiz Edson Fachin. O escândalo, ocorrido em 2007, foi um dos fatores que levou Renan a renunciar à presidência do Senado na época. A nova linha de investigação seria um desdobramento do inquérito e apura crimes de lavagem de dinheiro e peculato. A suspeita é de possíveis fraudes tributárias. Além desses dois procedimentos, Renan é alvo de outros seis inquéritos que apuram sua suposta ligação com o esquema de corrupção da Petrobras. Na sexta-feira (19), Fachin decidiu retirar de pauta para julgamento denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente do Senado no inquérito original sobre o caso do pagamento de pensão. Não há prazo para a acusação ser analisada. Se a denúncia for acolhida pelo plenário do Supremo, Renan passa a ser réu, respondendo pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. O ministro Ricardo Lewandowski era o relator original do caso, mas deixou o processo quando assumiu a presidência do STF, em setembro de 2014. Fachin assumiu o caso em junho de 2015, logo após tomar posse no Supremo. Para justificar que tinha renda para fazer os pagamentos da pensão, Renan apresentou documentos e disse que tinha recebido uma parte com a venda de gado. O suposto comprador negou que tenha adquirido bois do senador. Na denúncia, a Procuradoria disse que Renan não possuía recursos disponíveis para custear os valores repassados a jornalista Mônica Veloso entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, e que inseriu "informações diversas das que deveriam ser escritas sobre seus ganhos com atividade rural, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, sua capacidade financeira". A pena prevista no Código Penal para o crime de peculato (quando servidor utiliza o cargo para desviar dinheiro público) é de 2 a 12 anos de prisão. Se Renan for condenado pelos três crimes, a soma de suas penas pode variar de 5 a 23 anos de cadeia, mais pagamento de multa a ser estipulada pelo Supremo Tribunal Federal.

Polícia Federal informa que o marqueteiro João Santana prestou "falsa declaração" à Receita


O marqueteiro João Santana prestou "falsa declaração" de patrimônio à Receita Federal, segundo relatório que integra a Operação Acarajé, 23ª fase da Operação Lava Jato. De acordo com a Polícia Federal, Santana adquiriu em maio de 2013 um apartamento de 555 metros quadrados de área construída no bairro de Indianópolis, em São Paulo, pertencente a Mauro Eduardo Uemura e Deborah Uemura. O marqueteiro informou à Receita, em sua declaração de bens relativa ao ano de 2014, ter pago R$ 4 milhões pelo imóvel. Em outro documento arquivado na Receita, porém, o valor que consta do imóvel é outro, R$ 3 milhões. A DOI (Declaração de Operação Imobiliária) é emitida obrigatoriamente pelo cartório responsável pelo registro do imóvel. Segundo as regras, o valor deve ser o indicado pelas partes ou o que serviu de base para cálculos de impostos, como o ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis). Porém, a Polícia Federal diz que o imóvel não custou R$ 4 milhões nem R$ 3 milhões, mas sim aproximadamente R$ 5,2 milhões. Isso porque a quebra do sigilo bancário realizado a pedido pela Operação Lava Jato nos Estados Unidos indicou que a conta controlada por João Santana e sua, mulher, Mônica, a Shellbill Finance, transferiu US$ 1 milhão para uma conta de Mauro Uemura no Banco Comercial Português. O dinheiro saiu da conta da Shellbil no Banque Heritage de Nova York em junho de 2013, um mês após a transação do imóvel. Além desse pagamento, a principal empresa de Santana no Brasil, a Polis Propaganda, pagou mais R$ 3 milhões à Deborah Uemura, em duas transferências bancárias realizadas no Brasil. A Polícia Federal concluiu que Santana "prestou declaração falsa às autoridades fazendárias – falseou sobre o valor efetivamente pago no imóvel [...]–, reduzindo o recolhimento de tributos devidos pelo aumento de renda e pela transferência de propriedade imobiliária, cometendo, assim, delito contra a ordem tributária". A conta da Shellbil, segundo a Polícia Federal, foi alimentada por uma offshore controlada pela empreiteira Odebrecht com pelo menos US$ 3 milhões. Segundo o relatório subscrito pelo delegado federal Filipe Hille Pace, o pagamento de US$ 1 milhão a Uemura no Exterior "traduz-se na dissimulação da origem ilícita empregada para a compra do apartamento, ou seja, na efetiva prática de ato de lavagem de parte dos ativos criminosos recebidos do Grupo Odebrecht" nos dias 1º e 8 de março de 2013. 

Polícia Federal apura repasse de R$ 12 milhões da Odebrecht ao Instituto Lula


A 23ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira pela Polícia Federal, esmiuça as informações contidas em uma planilha anexada a um e-mail secreto do executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio da Silva. O documento, que traz siglas acompanhadas de valores, foi uma das principais provas colhidas no âmbito da Operação Acarajé. Em uma das anotações está escrito "Prédio (IL)", ao lado da quantia de 12,4 milhões de reais. A PF investiga se as letras se referem ao Instituto Lula. "A equipe de análise consignou ser possível que tal rubrica faça referência ao Instituto Lula". Os investigadores aventaram a possibilidade de o dinheiro ter sido usado na construção do prédio do Instituto Lula, na Zona Sul de São Paulo. "Assim, caso a rubrica 'Prédio (IL)' refira-se ao Instituto Lula, a conclusão de maior plausibilidade seria a de que o Grupo Odebrecht arcou com os custos de construção da sede da referida entidade e/ou de outras propriedades pertencentes a Luiz Inácio Lula da Silva", diz o texto. De acordo com o registro, o dinheiro teria sido repassado em parcelas de 3,1 milhões, 8,2 milhões e 1 milhão de reais.

A Polícia Federal, no entanto, fez a ressalva de que a conclusão pode estar "equivocada" e indica a necessidade de prisões cautelares de executivos da Odebrecht, como Fernando Miglaccio, para explicar melhor os significados das anotações. "O possível envolvimento do ex-presidente da República em práticas criminosas deve ser tratado com parcimônia, o que não significa que as autoridades policiais devam deixar de exercer seu mister constitucional", diz a Polícia Federal no inquérito. A polícia ainda cita uma mensagem do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, mencionando a palavra "Prédio". "Liberar p/ Feira pois meu pessoal não ficou sabendo. Deixar prédios com Vaca", diz a mensagem interceptada pela força-tarefa da Lava Jato. Segundo as investigações, Feira seria o ex-marqueteiro João Santana e Vaca o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ambos suspeitos de envolvimento no escândalo da Petrobras. Apesar de ter um mandado de prisão contra ele, Migliaccio não foi preso porque está nos Estados Unidos desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Erga Omnes, que tinha como alvos principais a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, em junho do ano passado. A polícia descobriu que Migliaccio usava um e-mail sigiloso para tratar de questões suspeitas - o endereço era o.overlord@hotmail.com. A planilha teria sido produzida pela secretária de confiança da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, que foi presa nesta segunda-feira em Salvador.  A Odebrecht também foi apontada como uma das empreiteiras que pagou parte da reforma do sítio de Lula em Atibaia (SP). Na ocasião, a empreiteira negou ter patrocinado obras no imóvel.

João Santana abandona campanha na República Dominicana


Alvo de um mandado de prisão temporária expedido na 23ª fase da Operação Lava Jato, o marqueteiro do PT João Santana se desligou nesta segunda-feira da campanha à reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa do publicitário. Segundo a nota, ele desistiu em "caráter irrevogável" da campanha porque está voltando ao Brasil para se defender das acusações que considera "infundadas". As eleições no país caribenho acontecem em maio. O baiano João Santana e a sua mulher, Mônica Moura, são alvos da nova fase da Lava Jato, batizada de Acarajé. As investigações apontam que o casal recebeu dinheiro do petrolão em contas mantidas por offshores no exterior. Os investigadores afirmam terem fortes índicios de que eles sabiam da "origem ilícita" dos recursos, que teria sido remetidos pela Odebrecht e pelo operador Zwi Skornicki, representante comercial no Brasil do estaleiro Keppel Fels. A assessoria informou o conteúdo da carta que o publicitário remeteu ao Partido da Liberação Dominicana (PLD), de Medina. Aliás, na eleição presidencial de 2012, Santana foi o principal articular da campanha vitoriosa de Medina. No texto, o publicitário diz que não foi pego de surpresa com a notícia, tendo em vista o "clima de perseguição que se vive hoje" no Brasil, apesar de ser dificíl de acreditar nela. "Considero que esta é a melhor decisão para não afetar de forma alguma os interesses do PLD nesta contenda eleitoral", escreveu Santana na carta. Em petição encaminhada ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, João Santana e a sua mulher afirmam que "já agendaram seu imediato retorno ao Brasil, movimento que deve ocorrer nas próximas horas". A defesa comunicou ao juiz que eles vão se apresentar aos investigadores e pede que sejam tomadas "medidas para que sua chegada ao país não se transforme em um odioso espetáculo público". Se eles não retornarem, o nome deles será incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
Confira a carta na íntegra, em espanhol:
A la atención del Comité Nacional de Campaña del PLD:
Me dirijo a ustedes porque, como habrán conocido también por los medios de comunicación, desperté esta mañana con la noticia de que mi nombre está siendo ligado a una supuesta trama relacionada con el financiamiento de campañas políticas en Brasil. Conociendo el clima de persecución que se vive hoy en día en mi país, no puedo decir que me tomó completamente por sorpresa, pero aún así resulta difícil de creer. Dadas las circunstancias, les solicito a este Comité de Campaña desligarme con carácter inmediato de la campaña en curso en República Dominicana. Esto me permitirá acudir a Brasil a defenderse de las acusaciones infundadas de que estoy siendo objeto. Cabe señalar, que desde la pasada semana me puse a disposición de las autoridades de Brasil para esclarecer cualquier especulación y que facilitaré toda la información necesaria para dejar establecida la verdad de los hechos, más allá de toda duda. Asimismo, considero que esta es la mejor decisión, para no afectar en forma alguna a los intereses del PLD en esta contienda electoral. Agradezco la confianza depositada por ustedes en mi labor y tengo la certeza de que los próximos comicios ratificarán la victoria del presidente y candidato Danilo Medina y del PLD, para bien del pueblo dominicano. Sin otro particular, se despide atentamente. João Santana

Marqueteiro agendou "retorno imediato"

A defesa de João Santana e Monica Moura protocolou há pouco na Justiça Federal em Curitiba documento informando que o casal tomou conhecimento da Operação Acarajé e agendou "seu imediato retorno ao Brasil". Os advogados chamaram de "mentirosa e leviana" a informação de que retornariam hoje ao Brasil. Informação, aliás, fornecida pela própria Lava Jato. Segundo eles, os bilhetes foram emitidos há mais de uma semana "por engano". Bem, não faz diferença. Ambos serão presos.

Do Paradisus Punta Cana Resort, de 500 dólares por dia, para a marmita na Pousada do Moro

João Santana e Mônica Moura estavam hospedados no Paradisus Punta Cana Resort, com diária de 500 dólares. Eles haviam reservado três suítes, num total de US$ 7,5 mil. Agora, vão conhecer a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, conhecida como Pousada do Moro. E experimentar a quentinha servida lá. Mas ainda está faltando marqueteiro baiano em Curitiba. 




Marqueteiro de Dilma e Lula, João Santana, ocultou apartamento em Nova York

A partir de mensagens de Mônica Moura, a Polícia Federal identificou que o casal possui um apartamento na 10th Avenue,em Nova York. "Foram identificadas diversas mensagens nas quais MÔNICA REGINA CUNHA MOURA indica como endereço um apartamento em Nova Iorque - 245 10th Ave Apt 8W, New York, NY 10001". O imóvel foi registrado em nome da offshore Polistepeque Comunicación y Marketing, em El Salvador. "Não há, no entanto, declaração ao Fisco do imóvel de Nova Iorque, existindo dolosa intenção de ocultá-lo das autoridades brasileiras", diz a Polícia Federal.

Acarajé tira esperanças de Odebrecht


A Operação Acarajé, deflagrada hoje pela PF, sepultou de vez as esperanças de Marcelo Odebrecht sair da prisão no curto prazo. Na semana passada, Odebrecht completou oito meses preso em Curitiba.

Uma obra de US$ 2 bilhões


A propósito de República Dominicana, a Odebrecht toca a obra mais cara em execução no país — a termelétrica de Punta Catalina , uma usina movida a carvão — avaliada em US$ 2 bilhões. A obra tem financiamento de US$ 550 milhões do BNDES teve o o.k. dado por Dilma na virada do ano, embora não tenha saído ainda por questões burocráticas do banco.

Presidente da Construtora Odebrecht tem prisão temporária decretada; para Polícia Federal, ele está foragido


O presidente da Construtora Norberto Odebrecht , Benedicto Barbosa da Silva Júnior, teve sua prisão temporária decretada na Operação Acarajé. Mas não será imediatamente preso. Junior ou BJ, como é conhecido no grupo, está no exterior. Para a Polícia Federal, ele está foragido. Júnior foi nos últimos anos o executivo mais poderoso do grupo, abaixo apenas, claro, de Marcelo Odebrecht.

Acarajé deixa Eike tenso


Eike Batista ficou de cabelo em pé assim que tomou conhecimento dos detalhes da Operação Acarajé, a nova fase da Lava-Jato.

PF suspeita que mais empreiteiras repassaram propina a João Santana


A Polícia Federal investiga se outras empresas, além do Grupo Odebrecht, repassaram dinheiro ilícito ao marqueteiro João Santana, consultor da presidente Dilma Rousseff e alvo da 23ª fase da Operação Lava jato, deflagrada nesta segunda-feira. As suspeitas dos policiais são de que, por ter recebido mais de 50 milhões de reais declarados no Brasil, repasses menos vultosos a Santana, como os 7,5 milhões de dólares já identificados pelos investigadores em contas secretas no exterior, devem ser resultado de propina do escândalo do petrolão. Durante a nona fase da Lava Jato investigadores detectaram indícios de que subsidiárias da empreiteira Odebrecht repassaram dinheiro a contas no exterior controladas por João Santana. Os indicativos são de que o publicitário recebeu secretamente dinheiro por meio de contas que o Grupo Odebrecht mantinha no exterior para quitar despesas de campanhas do PT. Ao analisarem o material apreendido ainda na nona fase da Lava Jato, os investigadores encontraram uma carta enviada em 2013 pela esposa de João Santana, Mônica Moura, ao engenheiro Zwi Skornicki com as coordenadas de duas contas no exterior. Sócia do marido, Mônica indicava uma conta nos Estados Unidos e a outra na Inglaterra para o repasse de recursos. Agora, a Polícia Federal investiga se o sistema de pagamentos feito pela Odebrecht foi replicado também por outras empreiteiras investigadas. A participação de outras empresas do Clube do Bilhão no abastecimento dos cofres do marqueteiro é reforçada por levantamento do Citibank de Nova York, instituição que mapeou transações da Odebrecht com o publicitário e que apresentou avaliação parcial de que outras empresas podem também ter feito transações ilegais a João Santana. "Podem haver documentos novos que comprovam outras transações da Odebrecht, além de desvio de outras empreiteiras para João Santana. Isso está sob apuração. É possível que sejam identificados outros pagamentos para ele, (...) documentos novos que comprovam outras transações", disse nesta segunda- feira o delegado Felipe Pace. A avaliação da PF é de que pessoas ligadas a partidos políticos, como o PT, eram beneficiadas com dinheiro sujo do escândalo do petrolão, simplesmente pela ligação delas com a legenda. Neste contexto estão o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e o ex-ministro José Dirceu, mas também o próprio Santana. Segundo Pace, o marqueteiro pode ser mais um "beneficiário de corrupção na Petrobras". "As investigações mostram que pessoas ligadas a partidos, não só ao Partido dos Trabalhadores, recebiam recursos da Petrobras justamente por sua ligação com o partido. Então a gente trabalha com linhas de que ele [João Santana] pode ter recebido dinheiro no exterior justamente por ser ligado ao partido, como simples beneficiário de corrupção na Petrobras", comentou o delegado. Também alvo da 23ª fase da Lava Jato, o ex-presidente Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, será transferido do Complexo Médico-Penal, na região de Pinhais, para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para ser questionado sobre os repasses de dinheiro a João Santana e sobre o pagamento de propina a funcionários de outros países, não só do Brasil. "A Odebrecht também pagou funcionários públicos de outros países e Marcelo será perguntado sobre isso. A corrupção [praticada pela Odebrecht] não se limitava ao Brasil", disse o delegado. Segundo os investigadores, novos indícios apontam que Marcelo Odebrecht detinha o controle do caixa de propina do grupo e conhecimento amplo do uso de offshores para o depósito de dinheiro a corruptos. O foco da nova fase é o dinheiro recebido pelo marqueteiro das campanhas de Dilma e Lula, João Santana, no exterior - uma quantia de 3 milhões de dólares foi remetida ao publicitário pela Odebrecht a partir de contas ocultas em nome das offshores Klienfeld e Innovation, que já são alvo da Lava Jato por terem sido usadas para abastecer com propina os ex-diretores da Petrobras Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada e Nestor Cerveró. 

Odebrecht tirou funcionários do alcance das autoridades, diz procurador da Lava Jato


O procurador da força tarefa da Lava Jato Carlos Fernando Lima afirmou que há indícios fortes de que o grupo Odebrecht tem retirado do Brasil funcionários investigados para deixá-los longe do alcance das autoridades. A Operação Acarajé, deflagrada nesta segunda-feira, tinha como alvo três executivos da Odebrecht que não foram presos por estarem no Exterior. Os investigadores afirmaram que a empresa tem patrocinado a transferência deles para fora. "Há indícios de que essa empresa vem sistematicamente retirando eles do alcance das autoridades brasileira", disse o procurador, em entrevista coletiva. Segundo ele, isso ocorreu logo após a deflagração da operação Erga Omnes, em junho do ano passado, que resultou na prisão do então presidente da empresa Marcelo Odebrecht. O delegado da PF Igor Romário de Paula corroborou a tese, dizendo que se trata de uma "estratégia" da empresa para "blindar os funcionários". Lima também revelou que foi feito um novo pedido de prisão contra Marcelo Odebrecht, que foi indeferido pelo juiz Sergio Moro. Segundo a procuradoria, com o aval do ex-presidente, que está preso desde junho, a companhia tem tentado obstruir as investigações da Lava Jato. De qualquer maneira, o executivo foi levado nesta segunda-feira à Superintendência da PF - ele estava no Complexo Médico Penal - para prestar novos esclarecimentos sobre o seu envolvimento no petrolão.

O casal Santana aceita euro e dólar


Uma mensagem manuscrita por Mônica Moura, mulher e sócia do marqueteiro João Santana, evidencia a desenvoltura com que ela trata com um operador de propinas os métodos para receber recursos em contas secretas no exterior. Em um bilhete endereçado ao operador Zwi Skornicki e ao filho dele, Bruno, Mônica envia uma cópia de um contrato que firmou com outra empresa para receber recursos no exterior, mas reclama que, por ser "muito burocrático". Decide, então, recorrer a uma versão mais simples e - claro - "por motivos óbvios", nas palavras dela, sem identificação da empresa Klienfeld Services, offshore ligada ao grupo Odebrecht. A sócia de João Santana, que a exemplo do marido teve a prisão decretada hoje, é clara: aceita pagamentos em euro ou dólar. Diz a mensagem: "Zwi/Bruno Mando cópia do contrato que firmei com outra empresa como modelo. Acho que o nosso pode ser simplificado, este é muito burocrático, mas vcs que sabem. Apaguei, por motivos óbvios, o nome da empresa. Não tenho cópia eletrônica, por segurança. Espero notícias. Segue também os dados de minha conta com duas opções de caminhos. Euro ou Dolar Vcs escolhem o melhor. Grata. Abs Mônica Santana". Para os investigadores da Lava Lava Jato, o bilhete e a ligação com o operador de propinas Zwi Skornicki evidenciam que "ela não pretendia deixar rastros da comunicação e, futuramente, da operação". "O contexto da investigação conduz à conclusão de que Mônica Regina Cunha Moura, João Cerqueira de Santana Filho, Zwi e Bruno Skornicki pretendiam transferir recursos entre eles de forma oculta e no exterior, fora do alcance das autoridades brasileiras, notadamente pelo caráter ilícito da transação", conclui a força-tarefa da Lava Jato. "Destaque-se que Mônica Regina Cunha Moura foi explícita ao afirmar que se tratam de contas suas ("Segue também os dados de minha conta com duas opções de caminhos. Euro ou Dolar"). Não há, com base nas provas e elementos já colhidos ao longo de toda a Operação Lava Jato, causa lícita e razoável que justificasse a transação bancária acima arquitetada", critica o MP. Depois de o Partido dos Trabalhadores ter tentado emplacar a tese - fracassada - de que os pagamentos do escândalo do mensalão se resumiram a caixa dois de campanha, procuradores da força tarefa da Operação Lava Jato tomaram a frente para minar, desde esta segunda-feira, a possibilidade de o dinheiro recebido pelo marqueteiro João Santana no exterior ser meros recursos não contabilizados à Justiça Eleitoral. Para o procurador Carlos Fernando Lima, o caso de Santana, que recebeu pelo menos 7,5 milhões de dólares em contas secretas, "não é caixa dois". "É corrupção", resumiu ele. Em nota, a defesa de Zwi Skornicki classificou a prisão como "desnecessária", "já que desde a nona fase da Operação Lava Jato, denominada "My Way", Zwi Skornicki sempre esteve no Brasil e à disposição das autoridades públicas para prestar esclarecimentos".

Lava Jato identifica planilha com repasses da Odebrecht para campanhas petistas


Os investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato identificaram uma planilha em um e-mail secreto de um executivo do Grupo Odebrecht que, segundo as apurações, detalham o repasse de dinheiro da companhia a campanhas políticas, principalmente a candidatos petistas. O documento foi uma das últimas provas levantadas antes da deflagração da 23ª fase da Operação, batizada Acarajé. "Essa planilha contém uma espécie de registro de despesas de financimaento de campanhas eleitorais. Pelos indícios, em referência ao Partido dos Trabalhadores", afirmou o agente federal Filipe Hille Pace, em coletiva de imprensa. Segundo ele, o documento, que será divulgado quando for levantado o sigilo do processo, tratava de repasses feitos entre 2008 e 2012. O nome da planilha era "Posição italiano 31/07/2012 MO". Segundo Pace, MO seria Marcelo Odebrecht. A Polícia Federal apontou que os apelidos e siglas citados na planilha são os mesmos usados por Odebrecht em mensagens telefônicas interceptadas pela Lava Jato. O documento teria sido elaborado por Maria Tavares, ligada à empreiteira, que foi presa hoje em Salvador, e foi encontrado em um e-mail secreto do executivo Fernando Migliaccio, que não foi detido por estar no Exterior - se ele não se entregar às autoridades, um alerta vermelho será expedido contra ele na Interpol. Com base nas informações da planilha, a Polícia Federal concluiu que o apelido "Feira" se referia, de fato, ao marqueteiro das campanhas de Dilma e Lula, João Santana, em uma alusão ao município baiano de Feira de Santana. Segundo a Lava Jato, o publicitário baiano recebeu 3 milhões de dólares da Odebrecht no exterior. "Foram identificados pagamentos para ele na eleição de El Salvador e no Brasil em 2010", disse Hace. O procurador da Lava Jato, Carlos Fernando Lima, ressaltou que esta operação se fundamentou em uma quantidade robusta de provas. "Poucas vezes tivemos uma operação com tamanha riqueza documental", afirmou.

Moro rejeitou prisão preventiva de João Santana

A PF e o MPF pediram a decretação da prisão preventiva de João Santana e Mônica Moura, mas Sérgio Moro considerou a medida muito drástica, determinando então a detenção temporária do casal. No despacho, Moro concordou que há "fundada suspeita" de que recursos do petrolão foram repassados pela Odebrecht ao operador Zwi Skornick, e dele para João Santana e sua mulher. O dinheiro pagou serviços do marqueteiro a campanhas do PT, inclusive a reeleição de Dilma Rousseff. "Na hipótese probatória mais provável tais valores destinar-se-iam a remunerar os serviços de publicidade prestados por João Santana e Mônica Regina ao Partido dos Trabalhadores, o que é bastante grave, pois também representa corrupção do sistema político partidário". "Além da gravidade em concreto das condutas, agravada por suas possíveis consequências no processo político democrático, aqui também não se trata de conduta episódica, mas do recebimento de pagamentos subreptícios por período considerável de tempo, pelo menos de 2012 a 2013, considerando a prova documental vinda aos autos". "A medida estaria, em princípio, justificada pela longa duração da conduta delitiva e por sua gravidade em concreto. Entretanto, reputo nesse momento mais apropriada em relação a eles a prisão temporária, como medida menos drástica, o que viabilizará o melhor exame dos pressupostos e fundamentos da preventiva após a colheita do material probatório na busca e apreensão". "Agregue-se que no período da temporária, terão eles oportunidade para esclarecer a manutenção da conta secreta e as transações subreptícias, com os pagamentos recebidos de Zwi Skornicki e das contas utilizadas pela Odebrecht para repassar propinas. Apesar das fundadas suspeitas de que se trate de dinheiro de origem ilícita e de pagamentos subreptícios, se as transações tiverem causa lícita, terão condições no breve período de esclarecer e justificá-las".

Estes são todos os alvos da Operação Acarajé

Sérgio Moro expediu mandados de prisão, condução coercitiva, além de busca e apreensão contra as seguintes pessoas e empresas:
1) João Cerqueira de Santana Filho;
2) Mônica Regina Cunha Moura;
3) Polis Propaganda e Marketing Ltda.;
4) Santana & Associados Marketing e Propaganda Ltda.;
5) Zwi Skornicki;
6) Eloisa Skornicki;
7) Bruno Skornicki;
8) Armando Ramos Tripodi;
9) Olivio Rodrigues Júnior;
10) Marcelo Rodrigues, CPF nº 266.263.838-92;
11) Graco Corretora de Câmbio S/A;
12) Luiz Eduardo da Rocha Soares;
13) Fernando Migliaccio da Silva; e
14) Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho.

João Santana teve contas bloqueadas

Além da busca e apreensão na residência de João Santana e de sua mulher Mônica Moura, o juiz Sérgio Moro também autorizou o bloqueio de suas contas bancárias e das contas das empresas Polis Propaganda e Marketing Ltda e Santana & Associados Marketing e Propaganda Ltda. Moro determinou ainda o bloqueio das contas do operador Zwi Skornicki e da Eagle do Brasil Ltda.

Odebrecht: "Ir para fora já"

Com a descoberta das novas contas offshore, a Polícia Federal conseguiu desvendar outras mensagens obtidas no celular de Marcelo Odebrecht. Numa delas, está a ordem de Marcelo Odebrecht para tentar apagar as pistas dos repasses que teriam como João Santana como beneficiário final. As siglas HS e LE se referem a Hilberto Silva e a Luiz Eduardo, executivos responsáveis por essas operações.
"Assunto: HS/LE. Como estão? Ir para fora já (segurança e apoia in loco LE, já falei para aumentar equipe, visão jurídica de todos os riscos) contribuir/alinhar c/MRF. ok? seu programa na macro? Foco é lhe proteger
Assistentes:
Localização:
Detalhes:
cuidados meet/pgtos Feira. Mudança equipe. Consultor?
(...)
HS e equipe: fechar todas as contas sob risco
Proteger nossos parceiros sem aparecermos
HS e equipe: viajar já
Este ano usar subs, fornecedores, etc."

Marqueteiro João Santana usou nomes de filha e genro para receber propina

No despacho de Sérgio Moro, a força-tarefa da Lava Jato ressalta que o marqueteiro João Santana, após receber a propina na conta Schellbill, transferia o dinheiro para contas bancárias da filha e do genro. "Entre as transações relevantes, destacam-se dezenas de pagamentos efetuados, a débito da conta Schellbill, em favor de Suria Santana e de Mathew S. Pacinelli. Trata-se da filha e do genro de João Santana e de Mônica Regina, sendo os débitos a seu favor mais uma prova de que a conta Shellbill é controlada por eles e que a utilizaram, entre outros propósitos, para realizar transferências em favor de sua filha e genro".

"Nem Rosa vai salvá-la"

"Nem Rosa vai salvá-la". A fonte do TSE se refere a Rosa Weber. Nem Rosa Weber vai conseguir salvar Dilma Rousseff.

Presidente da Odebrecht está foragido

O presidente da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, teve sua prisão temporária decretada na Acarajé. Segundo Lauro Jardim, de O Globo, "Júnior ou BJ, como ele é conhecido no grupo, está no exterior. Para a PF, ele está foragido. Júnior foi nos últimos anos o executivo mais poderoso do grupo, abaixo apenas, claro, de Marcelo Odebrecht".

Barusco detalhou propina de Zwi a Vaccari

O delator Pedro Barusco foi questionado pela Lava Jato sobre a atuação do operador Zwi Skornicki. Em novo termo de colaboração, explicou que as propinas para o PT saíram de contratos com o Estaleiro Keppel Fels para o fornecimento de navios-sonda da Sete Brasil. Segundo ele, do 1% (depois reduzido para 0,9%) do valor do contrato, João Vaccari recebia 2/3. 
Vejam o que ele disse:
"(...) que essa combinação envolveu o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, o declarante e os agentes de cada um dos Estaleiros, e estabeleceu que sobre o valor de cada contrato firmado entre a Setebrasil e os Estaleiros, deveria ser distribuído o percentual de 1%, posteriormente reduzido para 0,9%; que a divisão se dava da seguinte forma: 2/3 para João Vaccari; e 1/3 para a Casa 1 e Casa 2; que a Casa 1 referia-se à pagamentos de propina no âmbito da Petrobrás, especificamente para o Diretor de Serviços Renato Duque e Roberto Gonçalves, o qual substituiu o declarante na Gerência Executiva da Área de Engenharia; que a Casa 2 referia-se ao pagamento de propinas no âmbito da Setebrasil, especificamente para o declarante, João Carlos de Medeiros Ferraz, Presidente da empresa, e, posteriormente, também houve a inclusão de Eduardo Musa, Diretor de Participações da empresa; (...) que, para atender ao pagamento de propina referente ao 1/3 da Casa 1 e Casa 2 os recursos teriam sua origem nos contratos firmados entre a Setebrasil e outra parte do Estaleiro Kepell Fels e Estaleiro Jurong; que afirma que cada Estaleiro tinha um representante ou operador que operacionalizava o pagamento das propinas; que (...) no Estaleiro Kepell Fels o operador era Zwi Zcornicki; (...)"

Sartori reabre guerra contra os sindicalistas do serviço público cedidos pelo governo

O governo Sartori resolveu recrudescer e vai reapresentar o projeto que manda retornarem ao serviço público os servidores cedidos aos sindicatos. A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul recusou-se a votar o primeiro projeto. De acordo com a Lei de Acesso à Informação, usada pelo editor, 118 servidores do Executivo estadual estão cedidos para sindicatos. Mesmo exercendo mandato sindical, portanto sem prestar serviços nos locais para os quais foram nomeados e estão lotados, usufruindo todas as vantagens, inclusive aposentadoria integral, os funcionários públicos seguem recebendo seus proventos pelo Estado. Mensalmente, R$ 1.345.281,38 milhão da folha de pagamento do funcionalismo é destinado a este grupo. Existem casos, como o do presidente da Fessergs Sérgio Arnoud, que recebe pelo Legislativo. Mas vale lembrar que o duodeno da Assembleia Legislativa também sai dos cofres públicos. A fonte é a mesma, também do Poder Judiciário, que igualmente possui servidores cedidos e recebendo pelos cobres públicos e não por seus sindicatos ou associações. Existem dirigentes sindicais que recebem mais de R$ 57 mil por mês. Esta é a lista Top 10, que é a dos dirigentes sindicais do setor público estadual que recebem mais do que o governador ou de qualquer deputado e desembargador:
A lsita vai por nome, total bruto e nome do sindicato:
Abel Henrique Ferreira
R$ 57.163,06
Ex-presidente da Afisvec
Roberto Kupski
R$ 53.582,22
Ex-residente da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais
Geraldo Scheibler
R$ 49.077,99
Diretor de Relações Parlamentares e Institucionais do Sindifisco-RS
Silvia Pinheiro de Brum
R$ 46.952,43
2ª vice-presidente da Ass. Dos Defensores Públicos do RS
Zulmir Ivanio Breda
R$ 45.680,79
Conselheiro do Conselho Federal de Contabilidade
Enio Julio Pereira Nallem
R$ 42.197,10
Diretor Administrativo da Afisvec
Marta Beatriz Tedesco Zanchi
R$ 40.451,54
Vice-presidente da Ass. Defensores Públicos do RS
Celso Malhani de Souza
R$ 39.216,00
Presidente do Sindifisco-RS
Altemir Feltrin da Silva
R$ 32.952,08
Presidente da Afisvec
Carlos Eduardo Bijoldo Fossa
R$ 31.745,96
Diretor Financeiro do Sindifisco-RS
OBS: Os valores que ultrapassam o teto salarial do RS (R$ 30.471,11) são descontados.
A lista abaixo foi publicada ontem pelo editor:
- Celso Malhani de Souza (Sindifisco-RS): R$ 39.216,00
- Altemir Feltrin da Silva (Afisvec): R$ 32.952,08
- Marcelo Gomes Frota (Asofbm): R$ 25.075,21 
- Mario Claúdio Schneider Marcelino (Ugapoci): R$18.601,88 (Inativo)
- Carlos de Martini de Souza (Afocefe): R$ 15.170,34
- Sérgio Arnoud (Fessergs): R$ 14.992,91
- Joanes Machado da Rosa (Sintergs): R$ 12.880,36
- Thiago Pereira Duarte (Ass. Gaúcha de Peritos Legistas do RS): R$ 11.820,10
- Claudio Augustin (Sind. Dos servidores públicos do RS): R$ 10.081,20
- Ilorita Cansan ( Sinpol-RS): R$ 10.635,76
- Isaac Delivan Lopes Ortiz (Ugeirm): R$ 9.397,98
-Flavio Bastos Berneira Junior ( AMAPERGS-Sindicato): R$ 9.366,97
- Leonel Lucas Lima (Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar): R$ 5.166,39
- Helenir Aguiar Oliveira (Cpers-Sindicato): R$ 1.834,90
(de Políbio Braga)

Lula, “o chefe”, e Marisa, “a madame”: é o socialismo da República da Papuda

Antes ainda de chegar ao poder, o PT pôs em prática um plano para capturar o pantagruélico Estado brasileiro, subordinando suas instâncias ao partido e submetendo o grande empresariado, que negocia com esse Estado, às suas exigências. Com o tempo, tudo se transformou numa parceria, e o capital privado brasileiro passou a ter vassalo de um senhor


Por Reinaldo Azevedo - Como é que Lula se tornou “chefe” dos maiores empreiteiros do Brasil? Quando foi que Marisa Letícia virou “madame”? Na sua impressionante e antes convincente capacidade de distorcer a realidade e de transformar tudo num rascunho da luta de classes, o próprio Lula diria que a minha pergunta embute preconceitos, já que eu estaria, reacionário que sou (claro!), descontente porque empresários prestam vassalagem a um ex-operário. Da mesma sorte, eu me acharia entre aqueles que não aceitam que uma senhora de origem humilde possa, afinal, ser chamada de “madame”. Ocorre que essas falácias já não colam. “Chefe” é uma das designações a que recorrem as máfias para se referir a quem manda. Há muito tempo a palavra “madame” perdeu seu sotaque francês, não é mesmo? Quando não é empregada em tom pejorativo, para designar comportamento característico do mandonismo, indica coisa muito pior, que é a segunda acepção que aparece no dicionário Houaiss. Por que isso tudo? Matéria de capa da VEJA desta semana traz a troca de mensagens de WhatsApp entre Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e subordinados seus. Tratam da reforma do tríplex do Guarujá e do sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Não é preciso ser muito sagaz para concluir que “o chefe” é Lula e que “madame” ou “dama” se referem à mulher do “capo”, Marisa Letícia. No dia 13 de fevereiro de 2014, Paulo Gordilho, diretor da OAS, informa a Léo Pinheiro sobre o sítio: “O projeto da cozinha do chefe está pronto. Se marcar com a madame, pode ser a hora que quiser”. Ao que responde Léo Pinheiro: “Amanhã às 19h. Vou confirmar. Seria bom tb ver se o do Guarujá está pronto”. Só isso? Não! Há um diálogo ainda mais eloquente. Uma mensagem de alguém não identificado parece indicar que, de fato, Fernando Bittar, oficialmente um dos donos do sítio (o outro é Jonas Suassuna), é mesmo um laranja de Lula. Diz a tal pessoa: “Dr. Léo, o Fernando Bittar aprovou junto à dama os projetos tanto do Guarujá como do sítio. Só a cozinha Kitchens completa pediram 149 mil, ainda sem negociação. Posso começar na semana que vem? É isto mesmo?”. Ao que Léo responde: “Ok”. Ainda que se quisesse dizer que a “dama” em questão seria a mulher de Bittar, restaria explicar por que esta teria de aprovar também o “projeto do Guarujá”… A cada dia, portanto, a tentativa de Lula de se desvincular do sítio e do apartamento vai se tornando mais ridícula. Os advogados, claro!, estão empenhados agora em arrumar saídas jurídicas que possam livrar o “chefe” de complicações legais. Se não houver uma confissão ou uma delação e se não se provar, com documentos, que Lula é o verdadeiro dono do apartamento e do sítio, tudo tende a ficar por isso mesmo do ponto de vista, vamos dizer, penal. Mas a questão de fato está consolidada. A população já tem o seu devido registro, e não há mais nada que Lula e o PT possam fazer a respeito, a não ser aprofundar o ridículo. Os brasileiros já deram o seu veredicto com base em evidências as mais escandalosas.
O chefe
O diálogo dos empreiteiros é emblemático do que está em curso no Brasil e do modo como as coisas se deram nos últimos 14 anos. Qualquer um que conheça um pouco os bastidores da política em Brasília e que tenha informações mínimas sobre o PT jamais duvidou de que, desde sempre, Lula é mesmo “o chefe”. Para qualquer assunto. Antes ainda de chegar ao poder, o PT pôs em prática um plano para capturar o pantagruélico estado brasileiro, subordinando suas instâncias ao partido e submetendo o grande empresariado, que negocia com esse estado, às suas exigências. Com o tempo, tudo se transformou numa parceria, e o capital privado brasileiro passou a ser vassalo de um senhor. No seminário da Folha de que participei na sexta, em homenagem aos 95 anos do jornal, observei que o modelo que está em curso no país não é ruim por ser de direita ou de esquerda: é ruim porque é criminoso. É uma estupidez achar que os petistas tomaram o poder para implementar o socialismo. Não! Eles tomaram o poder para sequestrar o capitalismo nativo e submetê-lo às suas taras hegemonistas. O PT nunca quis acabar com a economia de mercado. O que ele quer é cobrar o pedágio para se manter no comando do estado. E um modelo assim só se constrói com um chefe. E todo chefe tem uma madame com algumas exigências… Que coisa, não? O líder dos metalúrgicos de São Bernardo se tornou o “chefe” dos empreiteiros e de outros setores do empresariado que resolveram lhe prestar vassalagem por bilhões de excelentes motivos. É o socialismo da República que só encontrará o seu lugar na história quando estiver reunida na Papuda.

O acarajé de Suriá

João Santana e Monica Moura receberam propina da Odebrecht em nome de Suriá, a filha do casal.

"Tamanha riqueza documental"

Na coletiva de imprensa, o procurador Carlos Fernando destacou que a força-tarefa nunca realizou uma operação, como a Acarajé, com "tamanha riqueza documental". Há emails, planilhas, recibos de transferências bancárias etc.

A musculatura da propina

A Lava Jato, com a Acarajé, pegou o PT, pegou o Feira, pegou Dilma Rousseff, pegou Lula, pegou a Odebrecht, pegou o presidente de El Salvador, pegou o pessoal de Cristina Kirchner. E pegou também os aparelhos de ginástica de Renato Duque, pagos pelo operador Zwi Skornicki.

Operador pagou milhões em propina de 2003 a 2013

A Lava Jato já comprovou que o operador Zwi Skornicki pagou mais de uma dezena de milhões de dólares em propinas ao PT, a João Santana e a ex-dirigentes da Petrobras, como Renato Duque, Pedro Barusco e Eduardo Musa. Segundo a força-tarefa, os pagamentos foram feitos em benefício de contratos bilionários feitos pela empresa Keppel Fels com a Petrobras e Sete Brasil. 
Eis o que diz o MPF:
"No período compreendido entre 25/09/2013 a 04/11/2014, especificamente, há evidências de que Zwi efetuou a transferência no exterior de pelo menos US$ 4.500.000,00, por meio de nove transações, para conta mantida no exterior pelos publicitários João Santana e Mônica Moura, profissionais então responsáveis pelo marketing da campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT). A conta dos publicitários, em nome da offshore panamenha Shellbill Finance SA, não foi declarada às autoridades brasileiras." 
"Verificaram-se ainda evidências de que o Grupo Odebrecht, por meio de contas ocultas no exterior em nome das offshores Klienfeld e Innovation, já investigadas por pagarem propinas para Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada e Nestor Cerveró (cf. documentos anexados à Ação Penal nº 5036528-23.2015.404.7000), transferiram para a Shellbill US$ 3.000.000,00, entre 13/04/2012 e 08/03/2013, valor sobre o qual pesam indicativos de que consiste em propina oriunda da Petrobras que foi transferida aos publicitários em benefício do PT."

PF vai acionar Interpol para capturar Santana

Caso o publicitário João Santana e sua mulher Mônica Moura não se apresentem nas próximas horas, a Polícia Federal vai incluir o nome dos dois no alerta de captura internacional da Interpol. Segundo o delegado Igor Romário de Paula, coordenador das investigações da Operação Lava Jato, o casal deveria ter embarcado no sábado da República Dominicana para o Brasil.

A offshore de Dilma Rousseff

O nome que importa, neste momento, é Shellbill Finance. Trata-se da offshore de João Santana, que recebeu 4,5 milhões de dólares em propina de Zwi Skornicki, em 9 pagamentos de 500 mil dólares cada um, realizados entre 25 de setembro de 2013 a 4 de novembro de 2014, exatamente o período da campanha de Dilma Rousseff.

A expulsão de Delcídio

O PT planeja expulsar Delcídio Amaral na sexta-feira, durante a reunião do Diretório Nacional do partido. Segundo a Folha de S. Paulo, “o caso de Delcídio não estava na pauta do encontro, mas como o senador foi solto e retorna ao Senado, os dirigentes petistas avaliaram que seria melhor decidir logo”. O PT sabe que Delcídio Amaral assinou um acordo com os procuradores da Lava Jato para delatar meio mundo. O que o PT ainda não sabe é se ele vai poupar alguém.

No TSE, a casa caiu

A defesa de Dilma Rousseff desmoronou. Como ela e o PT podem dizer ao TSE que a campanha presidencial de 2014 não recebeu dinheiro da Lava Jato, se o marqueteiro do partido e de Dilma Rousseff recebeu 7 milhões de dólares da Odebrecht no Exterior? Eles podem dizer, mas ninguém pode fingir que acredita.

Delcídio avisou: a propina da Odebrecht foi para Dilma

Delcídio Amaral falou sobre a propina da Odebrecht para pagar o marqueteiro de Dilma, João Santana. Releia o que publicamos em 28 de novembro:
A reportagem da Veja sobre Delcídio Amaral tem um relato que, se confirmado, aniquila o PT para sempre, em menos de dez minutos. Durante uma reunião no gabinete de Dilma Rousseff, em junho, Aloizio Mercadante disse que a prisão de Marcelo Odebrecht “era problema do Lula”. Terminada a reunião, Delcídio Amaral chamou Dilma Rousseff de lado e disse-lhe:
"Presidente, a prisão também é um problema seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos serviços prestados por João Santana à sua campanha".
Sim: o Feira.
Sim: a Odebrecht.
Sim: “O risco cta. Suíça chegar campanha dela” só pode querer dizer que a Odebrecht pagou o Feira com dinheiro depositado na Suíça.

A volta do Feira

A marqueteira Monica Moura, entre "seus dois acarajés"
Andréia Sadi conversou com Monica Moura, a mulher de João Santana. Os dois estão na República Dominicana. Perguntada se o marqueteiro de Dilma voltará ao Brasil, para cumprir a pena de prisão, ela respondeu: "Claro, é só chegar algo oficial aos nossos advogados". Já está chegando.

O Feira é Lula; o Feira é Dilma

Lauro Jardim: "Apesar de seus compromissos no exterior, onde praticamente passou a morar desde que acabou a eleição de 2014, João Santana nunca deixou de vir ao Brasil conversar privadamente com Lula e Dilma Rousseff. Com a presidente, eram sempre conversas de aconselhamento em relação à imagem, todas fora da agenda oficial. No mês passado, ocorreu o último desses encontros, em Brasília." Também foram conversas para combinar versões. O Feira é Lula; o Feira é Dilma

A marqueteira Monica Moura e seus "dois acarajés"

A mulher de João Santana debochou da Lava Jato quando suas contas no Exterior foram reveladas. Ela disse a amigos que só se incomodou com a reportagem da Veja porque a revista publicou uma foto horrenda de outra mulher. 


A verdadeira Monica Moura com "seus dois acarajés"

"Gravíssimo caso de corrupção de Dilma"

Diego Escosteguy, da Época, disse que os procuradores da Lava Jato "descobriram os pagamentos a João Santana por intermédio de um delator. E confirmaram com as autoridades de outros países". E acrescenta: "A investigação do MP Suíço expõe um gravíssimo caso de corrupção na campanha de Dilma em 2014".

Marqueteiro João Santana recebeu R$ 70 milhões de Dilma; 7 milhões já provados no Exterior, pode ser mais

A Polis Propaganda e Marketing de João Santana recebeu R$ 70 milhões da campanha de Dilma Rousseff. A Odebrecht pagou US$ 7 milhões numa conta secreta no Exterior. Mas a Lava Jato suspeita que o total pode ser maior.

Ex-chefe de gabinete da Petrobras também recebeu propina do Petrolão, confirma a Operação Acarajé

A Operação Acarajé também identificou pagamento de propina a Armando Tripodi, ex-chefe de gabinete de José Sérgio Gabrielli. Ele recebeu o dinheiro por meio de uma reforma em seu apartamento. Tripodi é conhecido pelo apelido de Bacalhau.

Perspectiva de déficit fiscal piora

As estimativas de déficit primário para 2016 e 2017 pioraram após o rebaixamento do país pela Standard & Poor’s. Economistas consultados pelo BC para o Boletim Focus afundaram a projeção de déficit neste ano de 1,20% para 1,25% do PIB, na terceira revisão consecutiva para baixo. Para 2017, a projeção foi revisada de déficit de 0,40% para 0,50%. Com isso, Brasil deve acumular quatro anos consecutivos de déficit primário, após os resultados primários negativos de 2014 (-1,88%) e 2015 (-0,57%).

Os homens que sabiam demais

Depois da deflagração da Lava Jato, a Odebrecht transferiu funcionários que sabiam demais para filiais no Exterior... É uma empreiteira bandida, não há dúvida. Deveria ser fechada. Isso é uma prática comum entre grandes empresas, inclusive as lixeiras. 

O marqueteiro João Santana não recebeu no Caixa 2, agora é propina mesmo

Entre setembro de 2013 e novembro de 2014, Zwi Skornicki repassou 4,5 milhões de dólares a João Santana. Os pagamentos se referem a propina do estaleiro Keppel Fels pelas plataformas P-51, P-53, P-56, P-61. A Lava Jato disse que não se trata de caixa 2, pois a Keppel Fels não fez doações ao PT. É propina.

Operação começou com carta de Mônica Moura, a mulher do marqueteiro petista João Santana


A Operação Acarajé começou com a apreensão da carta de Mônica Santana na casa do operador Zwi Skornicki com indicações de repasses à offshore Shellbill. A quebra de sigilo dessa conta já revelou repasse de US$ 500 mil em 13 de abril de 2012 da offshore Inovation para a Shellbill. Outro repasse de US$ 1 milhão em 11 de julho de 2012, a partir da offshore Clifford, ligada à Odebrecht. Também foram identificados dois repasses da Clifford para a Shellbill em 4 e 11 de março de 2013 de US$ 700 mil e US$ 800 mil. A Lava Jato descobriu ainda que João Santana adquiriu um apartamento de R$ 3 milhões em São Paulo com parte do dinheiro repassado pela offshore da Odebrecht. 

Marcelo Odebrecht está sendo transferido de volta para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba

Marcelo Odebrecht, apontado como coordenador de pagamentos de propina a João Santana, está sendo transferido do Complexo Médico Penal de Pinhais para a carceragem da Polícia Federal. Ele será questionado sobre a conta suíça da campanha de Dilma e sobre as mensagens sobre o "Feira", que a Lava Jato confirmou ser João Santana.

ATENÇÃO, ATENÇÃO - Lava Jato deflagra Operação Acarajé e decreta prisão de João Santana e sua mulher, marqueteiros das campanha de Dilma e Lula


A Polícia Federal deu início nesta segunda-feira a mais uma fase da Operação Lava Jato - a 23ª - e mira a relação do marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, como esquema de corrupção instalado na Petrobras. A Polícia Federal expediu um mandado de prisão contra o publicitário, mas ele não foi detido porque está no Exterior, onde trabalha na campanha à reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina. Também são alvos da 23ª fase da Lava Jato a empreiteira Odebrecht e o lobista e engenheiro representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels, de Singapura, Zwi Skornicki, que também já havia sido alvo das investigações do Petrolão do PT por suspeitas de atuar como operador de propinas. A 23ª fase da Lava Jato, batizada de Acarajé, cumpre 51 mandados judiciais na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo e atinge em cheio as campanhas presidenciais de Lula e Dilma. Santana trabalhou como marqueteiro nas corridas presidenciais petistas e sua prisão, quando consolidada, deve ampliar ainda mais as discussões sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ao todo, foram expedidos 38 mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e cinco de condução coercitiva. A Polícia Federal identificou pelo menos 7 milhões de dólares enviados ao Exterior e com relação direta com João Santana. Segundo nota da Polícia Federal, o termo Acarajé se refere ao nome que alguns investigados usavam para designar dinheiro em espécie. Durante a nona fase da Lava Jato, investigadores detectaram indícios de que subsidiárias da empreiteira Odebrecht repassaram dinheiro a contas no Exterior controladas por João Santana, marqueteiro responsável pelas campanhas que levaram Lula e Dilma a vitórias nas últimas três eleições presidenciais. Os indícios são de que o publicitário recebeu secretamente dinheiro por meio de contas que o Grupo Odebrecht mantinha no Exterior para quitar despesas de campanhas do PT. A analisarem o material apreendido ainda na nona fase da Lava Jato, os investigadores encontraram uma carta enviada em 2013 pela mulher de João Santana, Mônica Moura, ao engenheiro Zwi Skornicki, com as coordenadas de duas contas no Exterior. Sócia do marido, Mônica indicava uma conta nos Estados Unidos e a outra na Inglaterra. O envolvimento direto de um marqueteiro em suspeitas de corrupção não é novidade nos mais de 13 anos de governo petista. No auge do escândalo do Mensalão do PT, o publicitário Duda Mendonça, que dominava as campanhas petistas na época, admitiu à CPI dos Correios que recebera no Exterior o pagamento pelos serviços prestados durante a eleição de Lula. Em acordo de delação premiada, o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, havia apontado Skornicki como responsável por fornecer quase 40 milhões de dólares para abastecer contas de diretores da Petrobras e o caixa do PT entre 2003 e 2013. Segundo o depoimento de Barusco, ao deixar a diretoria de Serviços da Petrobras, em 2013, Renato Duque fez um "acerto" com Skornicki para o recebimento de propinas atrasadas. O montante pago a Duque alcançou 12 milhões de dólares apenas naquele ano, que teriam sido transferidos de uma conta do operador no banco suíço Delta. Skornicki também teria dado 2 milhões de dólares a Barusco.

Bolivianos rejeitam em referendo nova reeleição do indio trotskista e cocaleiro Evo Morales

Os bolivianos rejeitaram neste domingo por uma apertada maioria uma reforma constitucional, votada em referendo popular, que permitiria ao ditador indio trotskista cocaleiro Evo Morales candidatar-se a um novo mandato presidencial e se manter no poder até 2025, segundo dados extraoficiais, divulgados por canais privados de TV. A emissora ATB deu a vitória ao "Não" por 52,3% dos votos, contra 51% registrados pela concorrente, Unitel. O voto no "Sim" teria obtido 47,7% segundo a primeira e 49% de acordo com a segunda. Se os resultados extraoficiais se confirmarem, esta seria a primeira e mais séria derrota eleitoral direta do ditador boliviano, há dez anos no poder, embora em 2015 seu partido já tenha perdido cargos-chave nas eleições municipais. Isto o obrigaria a passar a faixa presidencial no início de 2020, quando finalizar seu terceiro mandato. "A Bolívia disse não!", disse, eufórico, o governador de Santa Cruz (leste), Rubén Costas, líder de um setor da oposição, enquanto o ex-candidato presidencial Samuel Doria Medina, derrotado duas vezes por Morales, avaliou: "recuperamos a democracia e recuperamos o direito de escolher". "Hoje foi sepultado o projeto de transformar o nosso país em um projeto de um único partido. Esta é a vitória do povo", disse Doria Medina, em coletiva de imprensa. Mais cedo, o vice-presidente Álvaro García havia dito, antes de serem divulgados os resultados extraoficiais: "nós viemos do povo, acatamos o que o povo disser, apoiaremos o que o povo vá manifestar, vá decidir ou vá fazer agora e nos anos seguintes". A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Katia Uriona, considerou que o dia de votação "transcorreu em absoluta normalidade", exceto "um caso isolado" em Santa Cruz, onde alguns eleitores, incomodados com atrasos, queimaram urnas vazias. Os centros de votação começaram a fechar às 16h00 locais (17h00 de Brasília). Mais cedo, Evo Morales, o primeiro indígena a governar a Bolívia, votou na região de Chapare, no centro do país, e pediu "um recorde" de participação nas urnas. "Meu grande desejo é bater o recorde de 2009, no qual participaram 96% dos eleitores. Seria um dia histórico", declarou. "Gostaríamos agora passar esta cifra, seria um dia histórico que pela primeira vez, com o voto do povo, se modifique uma Constituição e saber se me querem ou não", disse. Em uma consulta em que o voto é obrigatório, cerca de 6,5 milhões de bolivianos devem decidir sobre a reforma da Constituição, que autorizaria Morales a concorrer a outro mandato de cinco anos, de 2020-2025. Outros 300 mil bolivianos o fizeram do exterior. O chefete esquerdista, trotskista, que iniciou seu primeiro governo em 2006 e que já foi reeleito duas vezes, detém o recorde de permanência no poder desde a independência do país, em 1825, apoiado em um sólido crescimento no país que aumentou a sensação de bem-estar de seus habitantes, além da reivindicação da população indígena. Até a semana passada, os partidários da reforma constitucional para permitir que Morales se candidate a um quarto mandato consecutivo estavam empatados. Mas as acusações que o afetam diretamente começaram a mudar o panorama e, segundo pesquisas recentes, os partidários do Não (47%) superariam os do Sim (27%). A consulta popular, que a princípio parecia ser favorável para o governo - Morales esperava vencer com 70% dos votos -, complicou-se nas últimas semanas para o presidente, um dos últimos expoentes do Socialismo do Século XXI no poder, por acusações de corrupção. Morales, de 56 anos, se viu envolvido no escândalo de tráfico de influência em favor de sua ex-amante, Gabriela Zapata, que aos 28 anos é uma alta executiva da empresa chinesa CAMC, com contratos com o Estado no valor de 576 milhões de dólares. A Controladoria e o Congresso investigam o tema. O presidente negou qualquer crime de tráfico de influência a favor de Gabriela Zapata, com quem teve um filho há dez anos, já falecido. Estes fatos eram desconhecidos na Bolívia. Morales também foi prejudicado pelas consequências de um ataque na quarta-feira passada contra a prefeitura de El Alto, em poder da oposição, que deixou seis mortos pela inalação da fumaça após os incêndios, provocados por membros da quadrilha governista Movimento ao Socialismo (MAS).