domingo, 24 de janeiro de 2016

O mundo agora se mostra assustado com a ameaça que vem do Brasil..... o zika

A imprensa internacional descobriu o vírus Zika.
NY Times: "Short Answers to Hard Questions About Zika Virus"
Gizmodo: "Zika Virus outbreak prompts CDC to expand travel advisory"
Time: "New Zika virus cases have been confirmed in the U.K"
Descobriu também o risco de o vírus se espalhar ainda mais nos Jogos Olímpicos deste ano:
BBC: "Rio announces Olympics Zika plans"
AFP: "Rio promises to protect Olympics against Zika mosquitoes"
CBS: "Zika virus adding to long list of Brazil Olympics woes"
O Google Trends mostra que, há pelo menos 9 dias, o mundo já se interessa mais pela doença.

Após Operação Zelotes, firma do filho de Lula teve alta de capital


Logo após a Polícia Federal vasculhar suas empresas, em outubro de 2015, o empresário Luis Cláudio Lula da Silva realizou mudança contábil para aumentar em R$ 500 mil o capital social da Touchdown Eventos, que organiza um torneio de futebol americano no Brasil. O dinheiro veio da empresa de lobby M&M. Os lobistas pagaram R$ 2,5 milhões a LFT Marketing Esportivo, outra empresa dele, por consultoria. O filho de Lula afirma que desenvolveu um projeto de marketing esportivo para a M&M até o momento da prisão dos sócios da sua contratante. Segundo ele, parte do valor recebido bancou o campeonato da modalidade em 2015. O advogado Cristiano Martins diz que não há relação entre a mudança na Touchdown e as buscas da PF. Livros contábeis indicam que o aporte do capital ocorreu em junho. 

Ministro da Saúde diz que Brasil está perdendo a batalha contra a dengue

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou na sexta-feira (22) que o País está perdendo a batalha contra o mosquito Aedes aegypti. Ao participar de um seminário da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), em Teresina (PI), o ministro ressaltou que, se a população não participar do combate ao mosquito, a sociedade entra numa "batalha derrotada". "Esse mosquito está convivendo com a gente há pelo menos uns 30 anos e, infelizmente, nós estamos perdendo a batalha para ele", disse Marcelo Castro, ao apresentar o Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia para gestores e profissionais da saúde no Piauí, sua terra natal. Para o ministro, há risco de se criar uma geração que ele chamou de "sequelados", caso não haja a participação dos moradores no combate ao mosquito. "Não podemos perder essa guerra. Se não, teremos uma geração de sequelados e seremos responsabilizados pela história por não termos nos mobilizado para vencer esse problema", disse. Segundo Castro, no ano passado o Brasil registrou o maior número de casos de dengue: 1 milhão e 600 mil. Foram mais de 800 mortes devido à doença. Para ele, a situação se agravou, pois, além de provocar a dengue e a chikungunya, o mosquito transmite a zika, que tem relação com o aumento de casos de microcefalia, má-formação cerebral, em bebês. "Enquanto tínhamos uma media de 150 casos de microcefalia por ano no País, de outubro para cá já são 3.893 casos notificados suspeitos de microcefalia. É uma verdadeira epidemia que temos de evitar para não ter uma geração de pessoas com deficiência ou transtornos". Marcelo Castro disse que o Ministério da Saúde busca com laboratórios estrangeiros desenvolver a vacina contra a zika. Segundo ele, dois terços dos criadouros do mosquito são encontrados em casas. 

Advogados de Lula exigem que João Doria explique declarações


Os advogados do ex-presidente LulaX9 interpelaram judicialmente na sexta-feira (22) o empresário e pré-candidato tucano à prefeitura de São Paulo, João Doria Jr. Na petição, eles solicitam que Doria Jr. preste esclarecimentos sobre as declarações que deu sobre o ex-presidente o chamando de "sem-vergonha" e "sem-escrúpulos" e indicando a possibilidade dele ser preso na operação Lava Jato. Interpelação judicial é uma besteira, é iniciativa de quem quer apenas fazer uma embaixadinha para a torcida, não tem qualquer efeito. "Lula disse que vai ajudar o Haddad na eleição, isso é tudo que eu mais quero. É meu sonho de consumo o Lula aqui para defender o Fernando Haddad, mas tem que ser antes de ser preso. Vamos até pedir ao Moro para adiar essa prisão. Lula é um sem-vergonha, um cara-de-pau. Haddad é honesto, algo raro dentro do PT que tem manual de como roubar, de usurpar e de mentir", disse o empresário tucano. As declarações foram publicadas pela Folha na quarta (20). No documento, os advogados destacam que o petista "tem sido vítima de atos criminosos que buscam associá-lo, de forma irresponsável e mendaz, à prática de condutas irregulares ou ilegais – lançados por pessoas que se colocam no plano político como adversárias do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual é fundador". Os criminalistas destacam que Lula não é investigado, réu ou foi condenado em qualquer ação penal. Eles também pedem explicações que justifiquem Doria Jr. ter chamado Lula de "sem-vergonha" e "cara de pau" e o embasamento para dizer que o ex-presidente seria preso. Dória Jr. não precisa dar satisfação judicial para essa turma. 

Tudo dentro da normalidade

O resultado do check-up feito por Lula no sábado já saiu e já esta na imprensa. De acordo com a Folha, foram feitos exames físicos, nasal e da laringe, ressonância magnética e tomografia. Tudo dentro da normalidade. Ainda assim Lula precisará do atestado médico do Sírio Libanês?

Pior nos dois mundos

As intervenções desastrosas dos governos petistas deixaram a Petrobras em apuros mesmo em dois cenários completamente distintos. Em coluna para O Globo, Miriam Leitão destacou como os governos Lula e Dilma acabaram com a estatal: "Por causa da política dos preços de combustíveis, o Brasil ficou com o pior nos dois mundos. Na era da alta cotação do petróleo, a Petrobras foi descapitalizada pelo subsídio populista à gasolina. Agora, com os preços baixos, a energia derruba a inflação no mundo inteiro, mas não no Brasil, e a Petrobras corre o risco levar outro prejuízo com a importação de outras empresas."

Defesa de executivo da Odebrecht aponta ‘cooperação selvagem’ na Lava Jato



A criminalista Dora Cavalcanti Cordani, que defende o executivo Márcio Faria – ligado à empreiteira Odebrecht e alvo da Operação Erga Omnes -, afirma que em um dos capítulos cruciais da investigação da Lava Jato ocorreram ‘tratativas informais’ entre procuradores brasileiros e suíços. Dora reporta-se inclusive a notícias divulgadas pela imprensa, ‘desde o fim de 2014′. Ela destaca que o noticiário informou que procuradores da "República do Paraná" fizeram ao menos duas viagens à Suíça em busca de supostos dados da Odebrech na Suíça. “As viagens sucederam depoimentos do delator Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás), que declarou ter recebido dinheiro da construtora em contas mantidas na Suíça". Dora Cavalcanti diz. “Além de ver reforçadas as suspeitas da ocorrência da ‘cooperação selvagem’, a defesa deparou-se também com a informação de que existe uma exceção que impediria o uso, na ação penal contra os ex-executivos da Odebrecht, dos documentos apensados ao pedido de cooperação suíço. Mas, apesar de mencionar essa exceção, a informação do DRCI não esclarece que exceção seria essa”, anota a advogada, em alusão ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), braço do Ministério da Justiça. Segundo Dora, foi para esclarecer essas questões que a defesa formulou ao juiz federal Sérgio Moro, o magistrado da Lava Jato, novo pedido de diligências, no último dia 15. “Imaginava-se que o magistrado se interessaria em saber se houve uma artimanha para obter a prova, e se o uso dessa prova é ou não vedado pela Suíça". A criminalista destaca que, no entanto, quando foi oferecida a denúncia do Ministério Público Federal contra Márcio Faria e outros executivos da maior empreiteira do País, entre eles Marcelo Bahia Odebrecht, ‘não foram usados documentos que tivessem sido pedidos pelo Ministério Público Federal, e sim documentos anexados a um pedido da Suíça para o Brasil, com a alegada finalidade de tomar o depoimento de algumas pessoas’. Ou seja: o caminho natural para obtenção de documentos bancários na Suíça, um pedido de cooperação feito pelo Ministério Público Federal para as autoridades daquele país, e que teria que passar pelo crivo dos Tribunais locais e por várias regras de admissibilidade, foi substituído por uma via transversa”, sustenta Dora Cavalcanti. “Mandados como anexos, eles foram usados para finalidade completamente diferente, isto é, municiar a denúncia oferecida contra Márcio Faria e outros acusados no Brasil". “É difícil imaginar que tenha se tratado de uma coincidência. Meses depois dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e das viagens dos procuradores paranaenses à Suíça, os documentos que eles pretendiam obter caem de paraquedas no Brasil, às vésperas do prazo que o Ministério Público Federal tinha para oferecer a denúncia. Ou, se não o fizesse, os investigados presos teriam que ser imediatamente soltos. É como se as autoridades brasileiras ficassem inertes e, mesmo assim, recebessem de presente, por acaso, a suposta prova de que precisavam para formalizar a acusação". Dora assinala que ‘por esse motivo, desde o início do processo a defesa vem pedindo ao juiz Sérgio Moro que determine ao Ministério Público Federal a entrega das mensagens que tenha trocado com o Ministério Público suíço sobre tais documentos. Dora Cavalcanti faz parte da escola de processualística tradicional, que enfrenta sempre aspectos incidentais dos processos, antes de chegar ao mérito, se é que chega ao mérito em algum processo. “Se foi mesmo uma incrível coincidência, imagina-se que a Procuradoria da República não terá nenhum problema em franquear acesso a essas mensagens. O juiz, no entanto, negou seguidamente os pedidos da defesa. Nem a revelação de que o Ministério Público Federal trouxe informalmente prova do Exterior, entregue diretamente em pendrive pelo Ministério Público suíço ao dr. Deltan Dallagnol, convenceu o juiz a se interessar em saber se também no caso dos extratos de contas atribuídas à Odebrecht houve tratativas informais entre os dois Ministérios Públicos". A criminalista observa, ainda. “A defesa recorreu diretamente ao DRCI e contou com a imparcialidade de seu diretor para obter ao menos a informação de que existiu, sim, uma troca de mensagens entre autoridades brasileiras e suíças no dia em que aquele pedido de cooperação suíço chegou ao Brasil, aparentemente, antes de o pedido ser encaminhado para o Ministério Público Federal. Vale dizer: reforçaram-se as suspeitas de que o envio do pedido suíço recheado de documentos bancários foi feito para atender ao interesse da Procuradoria da República brasileira em ter acesso aos documentos sem precisar fazer um pedido formal à Suíça. Essa forma de burlar o caminho legal de obtenção de documentos bancários é chamada na Suíça de ‘cooperação selvagem’, e é obviamente proibida naquele país". Essa é a Dora processualística, que baseia toda sua defesa nessa estratégia, sem enfrentar o mérito da questão. Dora Cavalcanti afirma. “Basta uma análise imparcial do pedido da defesa para ver que ele nada tem de ‘impertinente’ ou ‘irrelevante’. Basta ler os habeas corpus já impetrados pela defesa para ver que eles nunca alegaram ‘excesso de prazo’ na prisão, como pretende o Juiz, fazendo crer que as diligências requeridas seriam uma estratégia da defesa para alongar o processo e, com isso, conseguir relaxar a prisão". A criminalista finaliza dizendo. “Só um juiz que, infelizmente, perdeu por completo sua isenção é capaz de afirmar que ‘deveria a defesa preocupar-se mais em esclarecer o que indicam os documentos, os supostos pagamentos de propina feitas pela Odebrecht aos agentes da Petrobrás, do que com as especulações sobre a supostas faltas de autorização’. Qualquer juiz, procurador ou advogado sabe que, antes de se analisar o mérito de uma prova, é preciso verificar se ela tem origem válida e se pode ser usada no processo. Sabe também que não cabe a um Magistrado dizer o que a defesa deveria fazer, sendo a recíproca verdadeira". Essa advogada não tem origem no escritório de Marcio Thomaz Bastos?

Reação em cadeia

A destruição da economia brasileira pelo populismo petista causa estragos além das fronteiras. Na Argentina, as exportações para o Brasil caíram 47,9%. Essa queda ajudou a derrubar o turismo argentino no Uruguai, e impactou os números do Peru, que, segundo a BBC, possui mais de 200 mil peruanos vivendo na Argentina. O PT transformou o Brasil na crise internacional da América Latina.

Policia Federal encontrou cartão de diretor do Instituto Lula em bolsa de lobista


Ao cumprir mandado de busca e apreensão, a Polícia Federal encontrou na bolsa da lobista Cristina Marcondes um cartão de visita do diretor do instituto Lula, Celso Marcondes. Cristina teve os pertences revistados em outubro de 2015 porque é acusada de operar esquema de compra de medidas provisórias nos governo Lula e Dilma Rousseff por meio de pagamento de propina a agentes públicos. Ela também aparece em mensagens relacionadas à compra de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB), outro lobby investigado pela Operação Zelotes. Já denunciada, Cristina espera o julgamento presa em Brasília.  A lobista é mulher de Mauro Marcondes que também esta preso. A consultoria do casal, a Marcondes & Mautoni, foi contratada por montadoras de veículos com interesse na edição de Medidas Provisórias. A firma pagou R$ 2,5 milhões à LFT Marketing Esportivo, do empresário Luís Claudio Lula da Silva, filho de Lula, em contratos que estão sendo investigados. No último dia 6, ao prestar depoimento à Polícia Federal sobre o esquema de compra de MPs, o ex-presidente Lula foi perguntado pelo delegado Marlon Cajado sobre a função de Celso Marcondes no Instituto Lula. “Informou que é diretor e que o mesmo nunca comentou qualquer encontro ou assunto tratado com Cristina Mautoni". A página do Instituto Lula na internet informa que o diretor, que não tem grau de parentesco com Cristina, é diretor responsável pela Iniciativa África. Também integra o conselho consultivo do Instituto Brasil-África, de Fortaleza. No governo Lula ele foi assessor de comunicação da presidência do BNDES e assessor do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O diretor informou por meio da assessoria do Instituto Lula que não teve reuniões com Cristina Mautoni. Ele explicou ainda que várias pessoas recebem seu cartão de visita em eventos públicos.

O impeachment sob os cuidados de Motta

O impeachment de Dilma só terá alguma chance se Leonardo Picciani perder a liderança do PMDB na Câmara. A nova tática de Eduardo Cunha consiste em confundir o Planalto trabalhando a candidatura de Hugo Motta para o cargo. De acordo com o Valor Econômico, Motta vem prometendo neutralidade. Caso eleito, indicaria para a comissão especial do impeachment nomes favoráveis e contrários ao governo Dilma. O aliado de Cunha não é visto pelo PMDB governista como alguém dado a traições.

Anistia para corruptos

Para Carlos Fernando dos Santos Lima, ao encampar a repatriação de recursos ilegais e novas regras para acordos de leniência, o governo Dilma tenta anistiar os crimes cometidos pelos maiores corruptos do país. Leiam o que o procurador da Lava Jato disse a O Globo: "A repatriação já tem uma anistia incluída nela, e o governo está tentando incluir uma anistia de corrupção. O que é, no final das contas, contra qualquer sentido de um país que se comprometeu a combater a corrupção. Há um ano estamos bloqueando a CGU de fazer acordos a granel, agora ela está autorizada por lei."

Transposição para Cantareira recebe autorização ambiental


A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) deu autorização na sexta-feira, 22, para a realização da transposição de água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. As obras, que vão contribuir para o processo de recuperação do manancial que enfrentou sua pior seca, terão início em fevereiro, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em outubro do ano passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou a autorização para contratar a transposição, que está orçada em R$ 555 milhões. As obras serão realizadas entre as represas do Jaguari, no município de Igaratá, e Atibainha, localizada em Nazaré Paulista. 


O manancial, que abastece 5,2 milhões de pessoas na capital e na Grande São Paulo, saiu do volume morto no final do ano passado. O projeto prevê a transferência de 5,1 mil litros por segundo de água entre as represas. A companhia disse que a conclusão das obras está prevista para abril de 2017 e que mais de 9,5 milhões de pessoas devem ser beneficiadas.

Vale a pena ser corrupto

Para Carlos Fernando dos Santos Lima, ao mudar as regras de leniência e aprovar a repatriação de recursos ilegais no Exterior, o governo Dilma ensina ao brasileiro que o crime compensa. Leiam o que o procurador da Lava Jato disse a O Globo: "As medidas) passam o recado de que este é um jogo que vale a pena ser jogado. Vale a pena ser corrupto no Brasil porque, ao final, nossa Justiça é lenta, nossos processos são intermináveis e, além de tudo, se nada disso der certo, você vai no governo e resolve o problema com uma nova lei".

José Dirceu indicou Renato Duque para a Petrobrás, diz empresário



O empresário Fernando Moura, ligado ao PT e delator da Operação Lava Jato, afirmou que foi do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) ‘a palavra final’ da nomeação do engenheiro Renato Duque para a Diretoria de Serviços da Petrobrás, um dos focos do esquema de corrupção instalado na estatal petrolífera entre 2004 e 2014. Ele atribuiu a informação ao ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Moura contou que a presidente Dilma Rousseff, então ministra das Minas e Energia, participou de uma reunião ‘na ante sala de José Dirceu’ na Casa Civil, em fevereiro de 2003 – início do primeiro mandato de Lula na Presidência -, para decidir quem assumiria os cargos estratégicos na Petrobrás. As revelações de Moura, que foi preso na Operação Lava Jato em agosto de 2015 e solto por virar delator, contradizem Dirceu, que sempre negou ter sido o responsável pela indicação de Duque para a Diretoria de Serviços. Duque está preso desde abril de 2015, já condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e réu em outras sete ações penais na Justiça Federal do Paraná. O empresário disse que um amigo dele, Licínio Machado, ‘trouxe o nome do Renato Duque, através de um ex-diretor da área de Exploração e Produção da Petrobrás’. Fernando Moura declarou que, na ocasião, estava empenhado com o secretário do PT, Silvinho Pereira (o "Land Rover") na tarefa de indicar nomes para escalões importantes das estatais e ministérios. Ele disse ao juiz Sérgio Moro que ‘no computador do PT tinha uma lista de 32 mil cargos de confiança’. Ele disse que ajudou a fazer a ‘seleção partidária’. “Eu ajudei. Quem estava desenvolvendo isso era o Silvio e o Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT). Teve reunião no final de novembro (de 2002), foi numa área social do Banco do Brasil em Brasília, ficava lá a equipe do PT, o Silvio, o Delúbio". Segundo o empresário, houve um encontro com Silvio Pereira no Hotel Sofitel na Avenida Sena Madureira, em São Paulo: “Foi quando tive o primeiro contato com o Duque". Segundo Moura, o nome de Renato Duque ‘foi aprovado’ no dia 1º de fevereiro de 2003. “Pelo que o Silvio me informou teve uma reunião em Brasília. Participaram, além do Silvio, o José Eduardo Dutra, a ministra Dilma, que era ministra das Minas e Energia, o Luiz Gushiken, o Delúbio Soares. O José Dirceu não estava, a reunião foi na ante sala dele na Casa Civil prá indicação de todos os cargos (na Petrobrás). O cargo de presidente ficou com o Dutra, a Diretoria de Abastecimento houve pedido do Pedro Malan (ex-ministro da Fazenda do Governo Fernando Henrique Cardoso) para o (Antonio) Palocci prá manutenção do Rogério Manso que vinha do governo FHC. Prá área de Gás, o Ildo Sauer, pedido direto do Lula. Prá Exploração e Produção a Dilma indicava o Rogério, não era o nome dele, foi trabalhar depois na OSX. Aí o Dutra discutiu que o sindicato estava indicando Guilherme Estrêla. Havia uma reivindicação de duas pessoas prá área de Serviços, uma era o Varela, que já vinha do FHC. Quem estava indicando era o Delúbio. E o Duque houve esse impasse. Quem vai ser, quem não vai ser. Chamaram o ministro da Casa Civil prá opinar. Ele (José Dirceu) perguntou: quem tá indicando o Varela? O Delúbio não podia falar que era ele, falou é uma indicação do Aécio. Quem pediu pro Delúbio foi o Dimas Toledo, que era de Furnas, uma indicação do Aécio até. Aí o Zé falou: o Aécio já foi contemplado com o Dimas, então fica o Duque". O juiz Sérgio Moro perguntou: “Então, a última palavra foi o José Dirceu?” “Foi, a última palavra foi”, disse o empresário delator. “O Silvio Pereira que me informou tudo isso, ele estava presente". Moura disse que conheceu José Dirceu ‘há uns 30, 40 anos’. Aproximou-se mais do petista em 1985, quando José Dirceu se candidatou a deputado estadual em São Paulo. Quando Lula foi eleito pela primeira vez em 2002 procurou Dirceu e disse que ‘tinha interesse’ em trabalhar com ele na Casa Civil. “Ele (Dirceu) disse que eu era amigo dele, mas não confundia as coisas, não gostaria de me levar para a Casa Civil. Se eu tivesse uma empresa poderia ajudar a fazer alguma coisa com o governo". O juiz Sérgio Moro indagou se a ajuda seria por meio de contratos. “Isso.” “Eu tinha uma ligação com o Silvio Pereira por causa daquela eleição do Zé em 1985. Me aproximei dele e achei condições de arrumar alguma coisa com ele e o Delúbio. Eles estavam fazendo a coordenação dos cargos (de confiança)". “Nessa oportunidade o Lula chamou o Silvio e o Delúbio prá saber o que eles queriam. Eu acompanhei o Silvio, ele queria ser presidente dos Correios. Já tinha conversado com o Luiz Gushiken sobre isso. Eu brinquei com o Silvinho, a liturgia do cargo não se reivindica, se aceita. O Delúbio entrou primeiro e saiu chutando o pé. O Lula perguntou o que ele queria ser. O Delúbio queria ser presidente do BNDES. O Lula disse que ele pediu mais que seu tamanho. O Lula queria que ele ficasse no partido e o Silvinho organizasse todos os contatos com todos os partidos e que teriam livre acesso em todos os Ministérios. O Silvinho entrou, Lula fez a mesma coisa, falou que não ia dar o cargo nos Correios, mas pediu que organizasse a festa da posse para 100 familiares que ele não conhecia direito. Encostei no Silvio, fiquei ajudando ele nos contatos com os deputados dos outros partidos". “Tinha um programa no computador do PT de todos os cargos do governo. Era assim, quem pesquisou, quem indicou e o nome da pessoa prá que cargo correspondia. Aí constava esses 32 mil cargos". O juiz Moro perguntou: “Eles ficaram de fazer essa seleção partidária?” “Eles fizeram essa seleção e depois isso aí era encaminhado não sei se pro Secom para analisar porque cada cargo aparecia assim, 10 ou 12 reivindicações de partidos diferentes e até do próprio PT. Aí fique junto com o Silvinho nisso aí. Foi quando surgiu oportunidade de indicar o Renato Duque".

Empresário afirma que pagou propina para o PT


Silvinho Pereira, o Land Rover, ex-secretário geral do PT
O empresário Fernando de Moura, ligado ao PT e réu da Operação Lava Jato, afirmou que pagou propina para o partido e que seus contatos sobre valores ilícitos foram feitos com o ex-secretário-geral da legenda Silvio Pereira e com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque – preso desde abril de 2015, em Curitiba. “Qualquer coisa que fiz a nível de partido, de conversa, foi feito através do Sílvio Pereira”, afirmou Moura. Interrogado pelo juiz federal Sérgio Moro, como réu no processo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), o lobista apontou pelo menos 10 contratos da Petrobrás – obras de gasodutos, plataformas – em que ele diz ter feito acertos envolvendo Sílvio Pereira e Duque e que tinham o PT como beneficiário. “Porcentagens de valores de comissão para o diretório nacional e diretório estadual, e São Paulo”, afirmou Moura. “Isso, tanto com o senhor, quanto o Sílvio?”, questionou o procurador na audiência realizada na sexta-feira, 22, na Justiça Federal em Curitiba, base da missão Lava Jato.. “Tenho certeza que o Sílvio conversou comigo e com o Renato (Duque) também (sobre percentuais)”, disse Moura. O procurador insistiu no detalhamento: “O senhor conversou com os empresários sobre isso também?” “Não. Os empresário eu não tive nenhum contato. O contato era direto com o Sílvio”, respondeu afirmativamente Moura, que fechou acordo de delação com a Lava Jato. Apontado como elo de José Dirceu com a indicação de Renato Duque para diretor da Petrobrás na área de Serviços – que seria cota do PT, no fatiamento político das diretorias da estatal, que envolvia ainda PMDB e PP, Moura detalhou que participou de acertos de propina. Uma parte ia para o PT, uma parte para os agentes públicos e outra parte para ele. Moura contou que ‘um primeiro negócio’ que fez na Petrobrás, já com Duque na Diretoria de Serviços, foi relacionado à empresa Hope Serviços e que a propina girou em torno de 3% sobre o valor do contrato. “Um contrato de R$ 40 milhões, eu levei o negócio. “Com relação aos recebimentos de José Dirceu o senhor tinha participação, alguma vez coletou valores em espécie em favor dele?”, perguntou o procurador da força-tarefa. “Nada. E nunca negociei com o Zé, direto, de dinheiro de nada.” O lobista afirmou que Pereira “nunca” lhe “falou que estava dando para o Zé”. “Nunca paguei nada para ele e ele nunca pagou nada para mim.” Moura foi questionado se Silvio Pereira sempre foi o contato entre ele e Dirceu, ele explicou: “Silvo Pereira era quem eu tinha contato com ele, a minha relação com Zé era muito mais de amizade”. O delator afirmou que depois foi sucedido pelo operador de propinas Milton Pascowitch – que nesta semana confirmou os pagamentos de propina a José Dirceu. “Quando eu apresentei o Milton para o Zé eu estava fora (do País). O Milton passou a fazer umas coisas que eu fazia e até um pouco mais. Aí, acredito que ele nem tinha mais contato com o Sílvio, que ele tinha contato com o Zé.” O juiz federal Sérgio Moro quis saber que tipo de “coisas que o sr fazia, o que?. Parece meio obscuro isso”. “Não é obscuro, é até bem claro meritíssimo. Eram os contatos que eu fazia direto na companhia com diretores e gerentes para fazer esse tipo de negociação”, respondeu o lobista.

Governo prepara capitalização de R$ 6 bilhões da Eletrobras


O governo vai capitalizar a Eletrobras neste ano para ajudar no processo de privatização de seis distribuidoras ligadas à estatal. A informação foi confirmada pelo Ministério de Minas e Energia. O órgão informou, por meio de nota, que a operação ocorrerá, mas que ainda esta "em estudo" de que forma será feita. A estatal não está se manifestando oficialmente sobre o assunto. Haverá um aporte de R$ 6 bilhões, já previstos no Orçamento deste ano. Com esse dinheiro, o governo deve renovar o contrato de concessão de seis distribuidoras: Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), Centrais Elétricas de Rondônia S.A. (Ceron), Boa Vista Energia S.A. e Amazonas Distribuidora de Energia S.A. Após a renovação dos contratos, o governo federal poderá dar início ainda este ano ao processo de privatização das distribuidoras ligadas à Eletrobras.

Movimentos sociais protestam contra prisão de esquerdista trotskista na Argentina

Movimentos sociais, estudantis e sindicatos da Argentina fizeram na sexta-feira (22) uma série de protestos contra a prisão da esquerdista trotskista Milagro Sala, líder do movimento Tupac Amaru, que faz oposição ao presidente Mauricio Macri. Aliada da ex-mandatária Cristina Kirchner, Milagro Sala foi detida no sábado (16) acusada de incitação à violência por liderar a ocupação da principal praça de San Salvador de Jujuy, capital da província de Jujuy, desde dezembro. Na sexta (22), o Poder Judiciário da província negou pedido de habeas corpus em seu favor. O movimento protesta contra a retirada de recursos de programas sociais administrados pela Tupac Amaru por parte do novo governador de Jujuy, Gerardo Morales, da União Cívica Radical (UCR), aliada do presidente. Os manifestantes bloquearam a passagem em 26 pontos do país, incluindo as pontes La Noria e Pueyrredón, acessos à capital Buenos Aires. Também foram fechadas estradas em Rosario, Córdoba, Resistencia, Catamarca e Jujuy. "Milagro foi colocada na prisão com a única acusação de ter liderado um protesto social", disse o dirigente Luis D'Elia, que comanda um dos principais movimentos sociais do país e foi aliado de Cristina Kirchner. Milagro Sala continua presa na cadeia feminina de San Salvador, depois de ser transferida de uma saída da cidade. A líder da Tupac Amaru é suspeita de usar os recursos estatais concedidos por administrações anteriores em benefício próprio, para atrair pessoas para o movimento e para beneficiar candidatos políticos aliados. Os membros do movimento estão há 39 dias acampados em frente à sede de governo de Jujuy, mas ainda não foram recebidos pelo governador. Ele afirma que não mudará a política devido às acusações contra Sala. 

Ações da Petrobras fecham em baixa mesmo com disparada do petróleo


A forte alta nos preços do petróleo não foi suficiente para que as ações da Petrobras se valorizassem na sexta-feira (22). Em elevação até o meio da tarde, os papéis preferenciais da estatal, mais negociados e sem direito a voto, se desvalorizaram em 1,55%, cotados a R$ 4,43. Já as ações ordinárias caíram 0,47%, a R$ 6,26. "Como a Bolsa não opera nesta segunda-feira (25), muito investidor interno não quis ficar com as ações da Petrobras nesse final de semana prolongado, por isso a preferencial caiu mais. O dólar subindo na semana também é ruim para a empresa, que tem muita dívida, mas não tem algo certo, um motivo concreto. O que não dá para falar é em tendência", disse Pedro Galdi, analista da Whatscall. A queda das ações da petroleira reduziu a alta do principal índice acionário do país, que registrou elevação ao longo de toda a sessão. O Ibovespa subiu 0,83%, aos 38.031 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,367 bilhões. As ações da Vale também iniciaram o pregão em alta, mas reverteram os ganhos após a empresa confirmar que a interdição judicial de operações no porto de Tubarão, no Espírito Santo, impedirá o embarque diário de 200 mil toneladas de minério de ferro por dia. As ações preferenciais da mineradora caíram 1,89%, a R$ 6,73, enquanto as ordinárias registraram queda de 1,20%, a R$ 9,03. Os preços do petróleo, que atingiram as mínimas desde 2003, na casa dos US$ 28, se valorizaram na sexta, voltando a ultrapassar os US$ 30.

Crise interna é pior para Brasil que choque do petróleo, diz S&P


A queda nos preços de commodities e, particularmente, do petróleo afeta a classificação de países exportadores como o Brasil, mas a crise interna é ainda mais grave, diz Joydeep Mukherji, diretor de qualificações soberanas da agência de classificação de risco Standard & Poor's. "Os dois pontos são negativos e pressionam a classificação do Brasil para baixo, mas está se tornando claro que forças globais têm peso relativamente menor", afirmou o analista, em entrevista na sexta-feira (22), na sede da agência, em Nova York. Ele compara a outros países da América Latina ainda mais dependentes da exportação de commodities que o Brasil e também com desvalorizações da moeda, mas em situação menos desconfortável. "Você não vê a mesma dificuldade na decisão de aumentar ou não os juros e os efeitos que isso causa", observou. Na quarta-feira (20), o Banco Central surpreendeu o mercado ao manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Em setembro passado, a S&P rebaixou o Brasil a grau especulativo e mantém perspectiva negativa, o que significa possibilidade de novas quedas. "Não posso fazer previsões, mas se as pessoas que tomam decisões em Brasília ficarem mais coesas e tomarem decisões difíceis, será mais fácil a recuperação, mas a política interfere no processo e o torna mais difícil", apontou. Mukherji afirmou que a manutenção de preços administrados por anos prejudicou a Petrobras: "É uma política econômica do governo que serve a outros objetivos que não arrecadar dinheiro e investir". A Operação Lava Jato "tem um impacto profundo", mas, mesmo que não houvesse investigação sobre escândalos de corrupção na companhia, ainda assim haveria "muitos problemas" no país, disse. O analista causou risos entre jornalistas estrangeiros ao citar o ex-ministro Pedro Malan, que afirmou que "no Brasil, até o passado é incerto". "Você acha que sabia o que aconteceu cinco anos atrás e, de repente, ai meu Deus, você descobre que não", afirmou: "Os brasileiros estão mais acostumados a lidar com incertezas do que qualquer outro povo".

Leilão de áreas portuárias no Pará ocorrerá em 31 de março


A Secretaria de Portos informou na sexta-feira (22) que o próximo leilão de arrendamento de áreas portuárias, que contempla seis locais para terminais no Pará, ocorrerá em 31 de março na sede da BM&FBovespa. Serão leiloadas duas áreas em Santarém, uma em Vila do Conde e três em Belém, no Terminal de Outeiro. Uma será um terminal para fertilizantes e as demais para movimentação e armazenamento de grãos. A estimativa de investimentos é de R$ 1,766 bilhão, sendo R$ 1,464 bilhão em obras nos novos terminais e R$ 301,977 milhões de reais em valor do arrendamento a ser pago à Companhia Docas do Pará. A secretaria informou ainda que os editais dos novos leilões passaram por mudanças para atender às demandas do mercado. Desta vez, eles preveem que o valor de outorga poderá ser parcelado, com o pagamento de 25% na assinatura do contrato e outros 75% em cinco parcelas em cinco anos, corrigidas pelo IPCA. Além disso, houve o aumento do prazo entre a publicação do edital e a apresentação das propostas, que passa a ser de 60 dias, contra os 43 dias do leilão anterior. Em dezembro passado, quando ocorreu o primeiro leilão para arrendamento de áreas em terminais portuários do país, o ministro dos Portos, Hélder Barbalho, comentou que o mercado indicara a necessidade de ampliar o prazo entre o lançamento do edital e o certame para que houvesse mais tempo de estudo das propostas. O leilão deveria, originalmente, incluir a área no Porto de Vila do Conde, mas não houve interessados. Naquela ocasião, Louis Dreyfus e Cargill, em consórcio, e a produtora de celulose Fibria e a empresa Marimex venceram os leilões das áreas portuárias em Santos.

Juiz aceita pedido de adiamento de Marin, que segue em prisão domiciliar


O juiz do Tribunal de Nova York responsável pelo processo contra o ex-presidente da CBF José Maria Marin concordou com o prazo pedido por sua defesa para que apresente alternativa à carta de fiança apenas em 5 de fevereiro. O magistrado Raymond Dearie assinalou um "ok" à mão na carta que o advogado Charles Stillman entregou em 14 de janeiro relatando dificuldades para cumprir a última exigência prevista no acordo de prisão domiciliar. O ex-cartola reluta em entregar a carta de fiança de US$ 2 milhões (cerca de R$ 8 milhões) devido ao custo e às dificuldades burocráticas que a transação teria. Sua defesa negocia com a acusação – a promotoria americana – outra possível garantia. O juiz acatou cerca de cinco vezes pedidos para estender prazos para o réu. O ex-presidente da CBF foi extraditado para os Estados Unidos em 3 de novembro, após cinco meses preso na Suíça. Ele é acusado pelo governo americano de participar de um esquema mundial de propinas e subornos no âmbito de comercialização de jogos e direitos de marketing de competições. Marin se declara inocente. O réu já desembolsou US$ 1 milhão da fiança previsto no acordo e colocou o apartamento onde cumpre prisão domiciliar em Nova York como garantia. Ele custeia ainda a tornozeleira eletrônica, câmeras de vigilância em seu apartamento e segurança privada que o monitora permanentemente –este último item ao custo mensal de aproximadamente US$ 90 mil, de acordo com serviços similares credenciados pela corte.

Justiça do Rio absolve empresários em ação movida por José Dirceu

A Justiça do Rio de Janeiro absolveu na sexta-feira (22) os empresários José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado em ação de crime de calúnia movida pelo ex-ministro José Dirceu. Em 2011, os empresários concederam uma entrevista à revista "Veja", na qual afirmaram que o ex-ministro fazia tráfico de influência. O juiz responsável pela decisão, Marcos José Marco Couto, titular da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, considerou que os empresários não agiram com o propósito de macular a honra do ex-ministro. "Veja-se que, à época em que foi concedida a entrevista, já se noticiavam na imprensa muitas condutas reprováveis praticadas pelo querelante, o qual veio – como é de conhecimento nacional – a ser denunciado e, depois, condenado no processo conhecido como mensalão. Por tais motivos, no mínimo, é forçoso reconhecer a presença de dúvida quanto ao fato de os querelados terem agido com o dolo específico necessário à configuração do crime de calúnia. E a dúvida, neste contexto, impõe a absolvição de ambos", afirmou o magistrado em sua decisão. Freire e Machado eram donos da Sigma Engenharia, adquirida pela Delta Construções, do empresário Fernando Cavendish, em 2008. A aquisição acabou em disputa judicial. À época, Cavendish era cliente da JD Assessoria e Consultoria, do ex-ministro José Dirceu. Segundo os ex-donos da Sigma, José Dirceu usou tráfico de influência para aproximar Cavendish de pessoas influentes do PT com o objetivo de viabilizar a realização de negócios entre a empresa e o governo federal.

"4 milhōes de pessoas de volta à pobreza"

A excelente economista Monica de Bolle executa a demolição do argumento do governo de que os brasileiros deixaram de consumir por mera desconfiança da crise política. Eis um trecho do seu artigo no Estadão: "A taxa de poupança como proporção do PIB caiu de uma média de 20% em meados de 2011 para míseros 15% no terceiro trimestre de 2015 – são cinco pontos porcentuais do PIB de perda de riqueza para a economia brasileira, ou cerca de R$ 300 bilhões. Vale a pena repetir: o Brasil perdeu R$ 300 bilhões de renda e de riqueza nos últimos quatro anos em função das “medidas contracíclicas” que não surtiram os efeitos desejados, como nos tem dito a comandante-chefe da economia, a presidente Dilma. Tais perdas, de acordo com as previsões mais recentes do FMI, não haverão de ficar restritas ao ano de 2015. O FMI acaba de divulgar revisões de suas projeções em que prevê uma recessão de 3,5% em 2016, seguida de estagnação em 2017 – o Brasil não crescerá antes de 2018, sustenta o órgão internacional. Dois anos consecutivos de encolhimento dramático da atividade econômica, acompanhados de inflação alta, resultado dos gravíssimos desequilíbrios fiscais que o governo trata como se nada de tão importante fossem. Tanto assim que considera diluir o ajuste para não abalar a economia. Bem como pensa em reativar o crédito público, adotando as mesmas medidas contracíclicas que reconhece não terem funcionado 'a contento". O resultado? O persistente estrangulamento da classe média, sobretudo da alardeada classe C, aquela que já minguou de 56% da população para 54% em apenas 12 meses, arremessando 4 milhões de pessoas de volta à pobreza".

Cartel e corrupção; corrupção e cartel

O MPF, nas alegações finais contra Marcelo Odebrecht e o seu bando, afirma que a corrupção não pode ser dissociada do esquema de cartel que funcionava na Petrobras, uma coisa alimentando a outra: "In casu, é evidente que o motivo dos crimes constituiu o desejo de obtenção de lucro fácil, seja pelo recebimento de propina, seja pela facilidade encontrada em licitações da PETROBRAS. No entanto, não se pode desconsiderar que os crimes de corrupção, lavagem de capitais e pertinência a organização criminosa pos- suíam também uma outra motivação: manter o esquema de cartel funcionando. Funcionando não só em favor dos acusados, mas também em detrimento da Estatal. Os crimes se retroalimentavam, com motivações cíclicas: a corrupção era importante para que o cartel existisse; o cartel era importante para conseguir recursos para pagar a propina. Os motivos dos crimes, umbilicalmente ligados à manutenção do esquema ilícito, devem, portanto, ser valorados negativamente."

Panamá barra acesso da Lava Jato a dados



Com braços da investigação se estendendo já a 28 países, o avanço da Operação Lava Jato no exterior tem esbarrado em dificuldades de obter informações do Panamá, considerado por algumas instituições, como a Receita Federal, um paraíso fiscal. As investigações da operação da Polícia Federal sobre um esquema de corrupção na Petrobras apontaram para diversas provas envolvendo o país da América Central. É considerado um paraíso fiscal todo país que oferece um sistema tributário vantajoso para a instalação de empresas e que garante sigilo sobre os donos dos negócios. Segundo documentos do Ministério Público Federal, lá se encontram, por exemplo, sedes de empresas offshores ligadas a investigados, como o ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada e contas bancárias que seriam usadas pela empreiteira Odebrecht no pagamento de propinas. A defesa de Zelada tem negado as acusações contra ele. A Procuradoria Geral da República, por meio da intermediação do Ministério da Justiça, fez um pedido de cooperação internacional ao Panamá em 27 de fevereiro de 2015. Em 14 de julho, fez um complemento ao pedido apresentado inicialmente. Foram solicitados dados bancários de instituições panamenhas, mas os alvos desse pedido estão sob sigilo. O pedido só foi respondido parcialmente até agora, o que levou procuradores a considerarem o país como o mais problemático dentre as 28 cooperações internacionais negociadas pela Lava Jato. Dentre esses países, um dos mais importantes foi a Suíça. É de lá que vieram dados sobre contas secretas ligadas à construtora Odebrecht que fizeram pagamentos a contas de ex-funcionários da Petrobras no Exterior. Esses dados foram considerados fundamentais para as acusações contra os executivos da empreiteira. A Odebrecht tem negado o pagamento de propina e o envolvimento com as irregularidades apontadas. Esses 28 países que cooperam com o Brasil na Lava Jato também incluem, por exemplo, Alemanha, Bahamas, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Mônaco. Além de buscar informações no Exterior, o Brasil já recebeu pedidos de cooperação de oito países interessados também em investigar fatos relacionados à Lava Jato. Para este início de ano, por exemplo, estão previstas visitas de delegações de investigadores do Peru, Estados Unidos e Argentina para obter informações do caso.

Marin deixa empresa para tentar salvar patrimônio



Preso no Exterior desde maio, o ex-presidente da CBF José Maria Marin se retirou da JMN Empreendimento e Participações Ltda, empresa criada pelo cartola em sociedade com sua mulher e filho único para administrar seus bens. A saída da empresa é uma tentativa de proteger parte do patrimônio da família caso o FBI peça o confisco dos bens à Justiça brasileira. A companhia foi constituída em 2012, ano em que o cartola assumiu a CBF após Ricardo Teixeira renunciar. O patrimônio da JMN é avaliado em R$ 44,5 milhões em imóveis comprados pelo dirigente no Brasil. A quantia é cinco vezes maior do que o valor da carta de crédito de US$ 2 milhões (R$ 8,4 milhões) que Marin precisa apresentar até 5 de fevereiro para completar o acordo de fiança que lhe garantiu o direito à prisão domiciliar nos Estados Unidos. A defesa do dirigente negocia com a acusação outra possível garantia. Marin é acusado pelo FBI de participar de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de transmissão de torneios no Brasil e no Exterior. O dirigente tem outros bens registrados em seu nome na pessoa física, mas com valores menores. De acordo com documento da Junta Comercial de São Paulo, Neuza Marin, mulher do dirigente, é agora detentora da maior parte da companhia, que foi criada com o objetivo social de incorporação de empreendimentos imobiliários. O valor de participação dela na sociedade é de R$ 183,6 mil. O restante (R$ 122,4 mil) pertence a Marcus Vinicius Marin, filho do casal. A saída do dirigente da empresa foi registrada na Junta Comercial no dia 14 de agosto. Em novembro, o órgão apontou a entrada do advogado Gustavo Vieira Ribeiro como administrador. Ele tem poderes inclusive para assinar documentos pelos sócios, mas sem participação na sociedade. Em nome da JMN, Marin comprou três imóveis em 2014, ano de disputa da Copa do Mundo no Brasil. Nos negócios, ele gastou R$ 15,4 milhões na ocasião. Uma mansão no Jardim Europa foi a principal compra feita pelo ex-presidente da CBF às vésperas de deixar o poder em abril de 2014 – ele deu lugar a Marco Polo Del Nero, que está licenciado da presidência da entidade. 

Marin pagou pelo casarão R$ 13,5 milhões, pouco mais da metade (62%) do valor de mercado do imóvel registrado na escritura. Especialistas no mercado imobiliário estimam que a mansão custe aproximadamente R$ 30 milhões. O ex-presidente da CBF comprou também, por meio da empresa, uma luxuosa cobertura na orla da Barra da Tijuca e um conjunto na avenida paulista em 2014. A compra do apartamento dúplex no Rio é investigada pelo Ministério Público. A Folha revelou em abril que Marin pagou R$ 1,6 milhão pelo apartamento 505 do bloco seis do condomínio de luxo "Les Residences Saint Tropez", no Rio de Janeiro.  A Secretaria Municipal de Fazenda do Rio avalia o imóvel em R$ 3,3 milhões. 

Petrobras agora pode abrir mão de controle de empresas à venda



Com dificuldades para encontrar compradores para a maior parte dos negócios que colocou à venda, a direção da Petrobras começou a mexer em um tabu. A estatal está disposta a abrir mão do controle ou até vender empresas inteiras, e não mais participações minoritárias, como era o plano inicial. Essa disposição envolve somente áreas fora da atividade principal da companhia, que é exploração, produção e refino de petróleo. Além da mudança no formato, no mês passado a lista de ativos à venda cresceu significativamente em relação à primeira oferta, feita no início de 2015. Segundo a Folha apurou, a intenção da estatal é se desfazer de termelétricas, usinas de biodiesel e etanol, fábricas de fertilizantes, sua transportadora de gás natural (TAG) e a fatia na petroquímica Braskem, além de operações na África, na Argentina, no Japão e nos EUA. Tudo isso porque a estatal precisa arrecadar pelo menos US$ 14,4 bilhões até o final do ano para reduzir sua dívida líquida, de US$ 100 bilhões, que a coloca como a petroleira mais endividada do mundo. Em 2015, a empresa somente conseguiu vender 49% da Gaspetro, colocando US$ 1,9 bilhão no caixa. "A gente tem que fazer gol. O gol é chegar a US$ 14,4 bilhões. Então o que estamos fazendo? Vamos botar mais bolas. Porque não vamos acertar todas as bolas que vamos chutar", disse o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, durante evento na semana passada. Uma das principais apostas é a venda das térmicas. No ano passado, a estatal queria se desfazer de participações minoritárias na suas 20 usinas. Como as sondagens mostraram que não haveria interessados, o plano agora é tentar vender um pacote de cinco a oito usinas, mas inteiras. A avaliação é que assim seria mais fácil atrair interessados e levantar a mesma quantia – ou até mais – do que se fossem negociados pedaços das duas dezenas de usinas. Transpetro, BR Distribuidora, e blocos de exploração de petróleo, inclusive do pré-sal, também estão à venda. Mas a Petrobras não quer abrir mão do controle não só pela importância dessas operações como pelo impacto político. A estatal teme ser acusada de promover uma privatização parcial da companhia, algo encarado como pecado pela esquerda. Por isso, até o momento, a Petrobras procura um parceiro na BR Distribuidora, mirando abrir o capital da companhia quando o cenário econômico melhorar. Na Transpetro, ainda não existe um modelo definido para a venda, mas a tendência é buscar um sócio. A dificuldade para vender patrimônio vem, principalmente, da forte queda do preço do petróleo, que reduz a lucratividade da maior parte dos negócios da estatal. O preço do petróleo, que chegou a US$ 145 em 2008, caiu a US$ 32 na semana passada. Outro empecilho é convencer empresas e investidores a se tornarem sócios da estatal neste momento, por causa do escândalo de corrupção dentro da empresa descoberto pela Operação Lava Jato, disseram à Folha profissionais envolvidos nas negociações. Apesar da mudança de posição da diretoria, há uma enorme resistência dos funcionários e de setores do governo e do PT à venda de patrimônio da Petrobras. Essa oposição é ainda maior, quando se fala em abrir mão do controle e se desfazer de empresas. "Vão vender tudo a preço de banana e não vão resolver o problema da Petrobras", diz Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras. "Só pensam na parte financeira, não enxergam a parte estratégica. A Petrobras é a locomotiva do Brasil." A estatal não deu entrevista. 
O QUE VAI À VENDA
O controle de quais operações a Petrobras está disposta a vender
- Usinas termelétricas (plano é tentar vender 5 a 8 unidades inteiras, e não mais fatias em 20)
- Usinas de biodiesel e etanol
- Fábricas de fertilizantes
- Transportadora de gás natural (TAG)
- Fatia na petroquímica Braskem
- Operações na África, na Argentina, no Japão e nos EUA
Do que a estatal pretende se desfazer em parte, mas manter o controle
- Transpetro
- BR Distribuidora
- Blocos de exploração de petróleo, inclusive da região do pré-sal

Ex-vereador do PT que negocia delação cita ex-ministro Carlos Gabas



No curso da negociação de uma delação premiada, o ex-vereador Alexandre Romano (ex-PT) apontou o ex-ministro da Previdência, Carlos Gabas, teria influência nas indicações para a Petros, fundo de pensão da Petrobras, e que os indicados "sabiam da necessidade do PT em arrecadar". Em depoimento à Polícia Federal, Romano disse que Gabas — hoje secretário especial do Ministério da Previdência — "teria enorme influência nas indicações". No esboço de acordo, ele disse que "todos os indicados sabiam da necessidade do Partido dos Trabalhadores em arrecadar e da importância da Petros" para isso. Apelidado de "Chambinho", Romano foi vereador em Americana (SP) e é réu na Operação Lava Jato. Segundo as investigações, recebeu propina da empresa Consist, contratada pelo Ministério do Planejamento. Em agosto de 2015, foi preso e ficou em Curitiba até outubro. Hoje cumpre prisão domiciliar. Chambinho, que é advogado, disse à Polícia Federal que, em 2012, Lício da Costa Raimundo, amigo de Gabas e do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, se associou a seu escritório de advocacia. Mas teve que deixar a sociedade, em 2013, para assumir a diretoria do Funpresp (Fundo de Previdência dos Servidores Federais) por indicação de Gabas. Hoje, Lício é diretor de investimentos da Petros. O ex-vereador disse também que, com a chancela do ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT), indicou a sócia Thaís Brescia para a gerência da Petros. Ela não ocupa mais a diretoria. Em seu depoimento, Chambinho contou ter sido apresentado a Gabas pelo ex-tesoureiro do PT. Segundo documento obtido pela Folha, Chambinho disse que "o senhor João Vaccari seria o responsável, no PT, pela nomeação em diversos fundos de pensão federais, notadamente Funcef e Petros". O ex-petista acrescentou que Vaccari o apresentou a Gabas, "na época secretário-executivo do Ministério da Previdência, pessoa da mais alta confiança do sr. João e do PT". À Policia Federal, Chambinho disse que com a prisão de Vaccari, a Petros "ficou sob responsabilidade do sr Wagner Pinheiro (ex-presidente da ECT e da Petros)", mas que Gabas tinha forte influência. O ex-vereador afirmou que Lício "nunca teve experiência de mercado e não saberia efetuar os necessários contatos com os estruturadores e gestores dos fundos que permitiriam obter comissões". E que a tarefa ficou a cargo de Brescia. Com base nesse depoimento, a Polícia Federal solicitou a quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário de diretores e ex-diretores da Petros. Titular da Previdência entre 2010 e 2015, Gabas é próximo da presidente Dilma Rousseff. Em agosto de 2013, levou a presidente para um passeio na garupa de sua motocicleta Harley-Davidson. Chambinho ainda não teve seu pedido de delação homologado. Em depoimentos, disse que, entre 2010 e 2012, dividia com o ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e com Vaccari, propina oriunda de contratos na pasta. Investigadores dizem que os desvios na pasta chegam a R$ 51 milhões. O secretário Especial do Ministério da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, negou influência nas nomeações para a diretoria da Petros, o fundo de pensão da Petrobras. "Sou órgão fiscalizador. Imagine. Não tenho responsabilidade nisso. A indicação cabe ao presidente da Petrobras". Diferentemente do que afirmou o ex-vereador petista Alexandre Romano, o "Chambinho", Gabas disse que não indicou o economista Lício da Costa Raimundo para a diretoria de Investimentos da Petros. "Nunca ouvi falar desse depoimento. Desconheço. Esse moço andou falando até a tampa. Não tenho responsabilidade nessa história. Lício não é meu amigo, não é meu conhecido, não é meu nada", afirmou Gabas, ressalvando, porém, que, até onde sabe, Lício "não é envolvido em confusão". Gabas disse ainda não ter sido citado pelo Ministério Público nem pela Polícia Federal. A Petros afirmou por intermédio de sua assessoria que "não teve acesso a nenhum pedido de quebra de sigilo de seus diretores, nem tampouco a nenhuma decisão deferindo tal medida". A nota diz ainda que "os nomes da atual diretoria foram indicados pela patrocinadora e aprovados pelo Conselho Deliberativo da Petros". O advogado de Chambinho, Antonio Augusto Figueiredo Basto, disse que não poderia se manifestar. Luiz Flávio Borges D'Urso, advogado de João Vaccari Neto, disse que não poderia se manifestar por desconhecer o depoimento. 

Senador Lasier Martins critica o PDT e diz que partido vive "à sombra sinistra do PT"

O senador Lasier Martins (PDT-RS) não participou da reunião de sexta-feira do Diretório Nacional do PDT, em Brasília. O motivo: defende a saída do partido do governo Dilma Rousseff. Lasier enviou uma carta ao presidente do PDT, Carlos Lupi. A mensagem foi lida pelo suplente do parlamentar gaúcho, Christopher Goulart. O senador afirmou que a legenda vive "à sombra sinistra do PT". Justificou assim a ausência: "Por discordar desta triste aliança, não sinto nenhum entusiasmo para comparecer a uma reunião onde nem se cogita a saída de nosso partido deste governo tão desastrado". A posição de Lasier é minoritária na legenda. Tanto, que Dilma participou da reunião, foi aplaudida e recordou com saudosismo de Leonel Brizola. O encontro reforçou o discurso de combate ao impeachment da petista, além de endossar o pedido pela saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A reunião também apresentou o ex-ministro Ciro Gomes como presidenciável do PDT para as eleições de 2018. Insatisfeito, Lasier assegura que não pensa em deixar o PDT, mas faz questão de manifestar sua contrariedade aos acordos com o PT. Em outras manifestações, já disse que o "carguismo" impede o partido de deixar o governo. A sigla comanda o Ministério das Comunicações.

Florianópolis botou fora R$ 105 milhões da agência japonesa Jica por não ter completado o saneamento do sul da ilha

Só grossa patifaria pode explicar porque razão os esgotos brutos das praias do Sul da ilha de Florianópolis são carregados em caminhões-fossa e levados para as praias do Norte. Praias como a de Campeche, com 400 mil moradores no verão, e também as vizinhas do Sul, como Armação e Pantano, já deveriam contar com um sistema de tratamento terciário junto ao rio Tavares desde dezembro, mas a obra foi embargada pelo Ministério Público Federal e os R$ 105 milhões investidos pela agência japonesa de investimento Jica foram perdidos. A tubulação enterrada na região possui 40 quilômetros e liga nada a lugar algum. A prefeitura de Florianópolis publicou nota de página inteira neste domingo para anunciar que romperá a concessão de serviços de água e esgoto que beneficiou a Casan, estatal de saneamento de Santa Catarina, responsabilizando-a pela poluição das suas praias. A Casan tem culpa em cartório, mas o maior problema é da Fatma, fundação de meio ambiente do governo do Estado. O caso ficou mais dramático diante da invasão de milhares de turistas. O caso é tão escabroso em Florianópolis que ainda são usados caminhões-tanque para conduzir esgoto bruto de um lado para outro da ilha. Os caminhões saem das praias do Sul e despejam cargas de merda nos sistemas do Norte e até em mangues. Os manguezais mais conhecidos já ostentam faixas de protesto. Uma das empresas que maior frota possui de caminhões, chamada apropriadamente de Fossão, carrega diariamente 15 mil litros de merdas residenciais por veículo, tudo de residências e casas comerciais do Campeche. A frota roda 35 quilômetros e chega a levar duas horas para chegar a Canasvieiras com a carga de merda. É tudo esgoto in natura. São 20 caminhões por dia, apenas para Canasvieiras. O sistema Norte da ilha entrou em colapso, naturalmente. A prefeitura de Florianópolis, Casan e Fatma, só agora se mexeram para impedir que a ilha afunde num mar de merda integral. 

Os fundos de Vaccari

Chambinho, em depoimento à Lava Jato, obtido pela Folha de S. Paulo, disse que "o senhor João Vaccari seria o responsável, no PT, pela nomeação em diversos fundos de pensão federais, notadamente Funcef e Petros". Depois que Vaccari foi preso, a Petros "ficou sob responsabilidade do sr Wagner Pinheiro", mas o ministro Carlos Gabas, motociclista de Dilma Rousseff, aumentou seu poder nos fundos. Ainda existe uma CPI dos fundos de pensão?

A música é um bom negócio

Jaques Wagner, segundo o Estadão, tem um apartamento de 3,5 milhões de reais, com teleférico particular para levá-lo à praia, no bairro da Vitória, em Salvador. Até 2001, Wagner morava num apartamento de 150 mil reais. O compositor deve ter vendido um monte de sinfonias nos últimos 15 anos para poder subir tanto na vida.

Só em Davos, Trabuco?

Luiz Carlos Trabuco precisou ir a Davos para descobrir que o barril do petróleo pode chegar a 10 dólares? O Bradesco precisa renovar a assinatura do Financial Times.

Somos até pela extinção da Petrobras

O Antagonista propōe a privatização de 100% da Petrobras. Se ninguém quiser comprar, que a empresa seja extinta. A gasolina e o diesel sairão bem mais baratos para os brasileiros.

Até mesmo o pré-sal

A Petrobras tentou vender participações minoritárias das térmicas, mas não conseguiu. Agora, de acordo com a Folha, o objetivo é vender inteiramente de cinco a oito usinas. Ainda segundo a Folha, "Transpetro, BR Distribuidora, e blocos de exploração de petróleo, inclusive do pré-sal, também estão à venda." Com o barril de petróleo em cotação tão baixa, não será estranho se o pré-sal encalhar.

Petrobras cogita privatizar parte da estatal

Sem encontrar quem invista numa marca envolvida no maior escândalo de corrupção do mundo, a Petrobras cogita privatizar algumas de suas empresas. Segundo a Folha, seriam preservadas apenas as áreas ligadas à atividade principal da estatal (exploração, produção e refino de petróleo). A ideia é colocar à venda as termelétricas, usinas de biodiesel e etanol, fábricas de fertilizantes, uma transportadora de gás natural e parte da Braskem. A empresa também pretende se desfazer de projetos na África, na Argentina, no Japão e nos EUA. O objetivo é levantar US$ 14,4 bilhões para arrefecer um pouco a dívida de US$ 100 milhões acumulada pela estatal.

Dica

O Antagonista sugere aos autores da reportagem da Folha sobre a "carta-manifesto" dos advogados dos réus da Lava Jato que apurem no departamento comercial do jornal em nome de qual empresa a publicação da peça publicitária foi faturada. Ao descobrirem o nome da empresa, vocês poderão constatar facilmente quem patrocinou. Se o departamento comercial não quiser fornecer o nome, apelem ao ombudsman.

Não existe transporte público grátis

Nos últimos sete anos, a inflação acumulou alta de 55,32%, mas os subsídios pagos pela prefeitura de São Paulo às empresas de ônibus cresceram cinco vezes mais. O Globo informa que este aumento de quase 300% fará com o que os paulistanos arquem com R$ 2,3 bilhões em subsídios só em 2016. Esse elevado custo, diz a prefeitura, vem da "expansão das gratuidades". Nem assim a esquerda pirulito entenderá que não existe transporte público grátis.

Um Bolsa Família por ano

A idéia estapafúrdia do Movimento Passe Livre consumiria o equivalente a um Bolsa Família por ano. Essa foi a conclusão de O Globo ao levantar, em apenas 17 capitais, os custos de um hipotético livre acesso ao transporte público. Os R$ 27 bilhões necessários para a medida superariam, por exemplo, todo o orçamento do Ministério da Fazenda. Mas o objetivo dos militantes nunca foi a melhoria no transporte público, e sim a provocação às forças policiais. Desta forma, atingem a avaliação dos tucanos que governam São Paulo.

Campanha picareta

Logo depois de lançarem a tal "carta-manifesto", os advogados dos réus da Lava Jato também anunciaram uma "campanha de comunicação" para influenciar a opinião pública em favor dos presos e contra os procuradores e o juiz Sergio Moro. Agora se sabe de quem partiu a ideia e quem vai financiar a picaretagem.

Barril de petróleo a US$ 10,00

Em entrevista à Folha de São Paulo, Luiz Carlos Trabuco disse ouvir em Davos que o preço do barril de petróleo pode cair até os dez dólares. Na leitura do presidente do Bradesco, isso complicaria a vida não só dos produtores de petróleo, mas também da indústria do etanol e até mesmo do sistema bancário. Caso se confirme a expectativa, o Brasil afundará até a camada do pré-sal.

A evasão do Feira

O PT pagou 160 milhões de reais a João Santana. Por dentro. Em 26 de outubro de 2014, segundo o Estadão, sua empresa, a Pólis Propaganda, foi condenada a pagar 3,7 milhões de reais em ISS e multas à prefeitura de São Paulo, por evasão fiscal. A reportagem lembrou que João Santana, na semana passada, soltou uma nota dizendo que era "perda de tempo procurar caixa 2 na Pólis, simplesmente porque o grupo recolhe todos os impostos devidos".

Foliões a pé

Domingo não é dia de publicar números, mas aquele citado por Lauro Jardim é realmente assustador: “A queda nas vendas de automóveis nos primeiros vinte dias do mês de janeiro foi de 45,3% em relação a 2015”.

Odebrecht redigiu (e pagou) o manifesto contra a Lava Jato

O Antagonista, no domingo passado, disse que Maurício Ferro, da Odebrecht, havia redigido o manifesto dos advogados contra a Lava Jato. A nota dizia: O Antagonista sabe que a carta aberta dos advogados criminalistas contra a Lava Jato foi redigida por Maurício Ferro, que defende a Odebrecht. A empreiteira pagou para divulgá-la? Maurício Ferro desmentiu O Antagonista. Hoje, uma semana depois, a Folha de S. Paulo revela que, de fato, o manifesto dos advogados foi redigido pela defesa da Odebrecht. Quem pagou? Diz a reportagem de Mario Cesar Carvalho: "Nenhum dos dez advogados ouvidos pela Folha diz ter pago um centavo para publicar o anúncio de meia página, veiculado nos principais jornais do País". A Folha de S. Paulo disse que o manifesto dos advogados contra a Lava Jato foi sugerido por Nabor Bulhões, defensor de Marcelo Odebrecht. A idéia foi encampada por Emilio Odebrecht, dono da empreiteira e pai de Marcelo. Segundo a reportagem, "Emílio fez mais do que cobrar uma reação mais dura dos advogados. Foi ele, por exemplo, quem ligou para advogados que estavam relutantes em assinar o documento". 


Papai mandou

Vaccari assumiu coordenação de propinas em 2010, diz delator

O delator da Lava Jato, Milton Pascowitch, afirmou em depoimento em Curitiba, na quarta-feira (20), que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, passou a coordenar o pagamento de propinas ao partido no esquema de desvio de recursos da Petrobras no ano eleitoral de 2010, quando assumiu as finanças do PT. O empresário, que representava a Engevix, disse ter feito pagamentos ilícitos pessoalmente ao ex-tesoureiro na sala dele no diretório do PT, em São Paulo. Os recursos em espécie eram entregues em malas de rodinha, segundo afirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato. Pascowitch diz que conheceu Vaccari no fim de 2009, apresentado por Renato Duque, ex-diretor da Petrobras. Na época, a Engevix havia assinado um contrato de US$ 3 bilhões com a Petrobras relacionado a cascos replicantes – unidades para produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás. "Já nessa época existe diferenciação muito grande", disse o empresário a Moro. "O grupo político (nome que ele usa para se referir a quem era destinado parte da propina em contratos) já não é mais representado por José Dirceu, apesar de poder indiretamente ter participação, e passou a ser representado pelo João Vaccari". A troca de quem "comanda" o recebimento da propina coincide com as eleições e, segundo Pascowitch, com a necessidade de se ter dinheiro imediato, em espécie, e não parcelado ao longo dos anos, como era praxe. No contrato dos cascos citado pelo empresário, que se desenvolveria por sete anos, "foi feito então acordo e se diminuiu esse percentual (da propina) para que ele fosse liquidado durante ano de 2010. Não foi bem assim, porque ultrapassou para 2011, mas foi fechado o valor de R$ 14 milhões como comissões (propina)", disse Pascowitch. Desse montante, R$ 4 milhões foram doações registradas para o diretório nacional do PT. Mas R$ 10 milhões Pascowitch disse que foram repassados em dinheiro vivo, entre final de 2009 e meados de 2011. Também na quarta-feira, em depoimento, o delator Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, disse que o esquema de pagamento de propina por empresas que tinham contratos com a estatal "era para manter status quo", porque se tratava de "uma sistemática que existia e se aprofundou". No depoimento, o delator voltou a afirmar que percentuais de propina eram destinados a ele, ao chefe, Renato Duque, e ao PT, com intermédio de João Vaccari Neto. 

Após se desfazer do Hotel Glória, o bilionário de papel Eike Batista devolve edifício ao Flamengo

Em mais um capítulo do desmonte do império X, o empresário bilionário de papel Eike Batista entregou na tarde de sexta-feira, 22, ao Flamengo, as chaves do Edifício Hilton Santos, no Morro da Viúva, uma área nobre da zona sul carioca. Com a crise financeira do grupo EBX, o projeto de transformar o prédio de 150 apartamentos em um hotel com 450 quartos não decolou. O Conselho Deliberativo do clube aprovou o acordo na terça-feira e pretende abrir uma nova licitação pelo imóvel nos próximos meses. O acerto ocorre na mesma semana em que Eike selou a transferência de ações de suas empresas e do Hotel Glória, que pretendia revitalizar, ao fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala. 


O prédio do Morro da Viúva foi assumido pela Rex, braço imobiliário da EBX, em março de 2012. O grupo desembolsou R$ 19 milhões em luvas ao clube por uma concessão de 25 anos, renovável pelo mesmo período. O valor não será devolvido. O grupo X também arcou com todas as despesas de desocupação do edifício. O investimento estimado para transformar o prédio em um hotel de luxo era de R$ 200 milhões, o que se tornou inviável após a derrocada das empresas de Eike Batista. O diretor jurídico do Flamengo, Bernardo Accioly, disse que a permissão para transformar o imóvel em um hotel fazia parte do Pacote Olímpico e já expirou. Isso significa que, se os novos concessionários optarem por um projeto hoteleiro, terão que obter autorização da prefeitura. Segundo o advogado, há pelo menos cinco grupos interessados em avaliar o edifício, entre construtoras e redes de hotéis. A decisão por um acordo se deu após muitos contatos entre o clube e o empresário. Pelo contrato, a partir deste ano Eike Batist teria de pagar R$ 300 mil mensais em aluguéis ao Flamengo, além de gastos de cerca de R$ 100 mil ao mês com IPTU, luz e pagamento de seguranças. Diante disso, deixar o projeto passou a ser mais vantajoso para o fundador do grupo X. Já o Flamengo considerava mais fácil atrair novos investidores descolando o projeto da figura do empresário.

MPF: Marcelo Odebrecht tem má índole

A personalidade de Marcelo Odebrecht e demais acusados também é abordada pelo MPF, nas suas alegações finais: "Merece reprimenda, ainda, a personalidade dos acusados MARCELO ODEBRECHT, ROGÉRIO ARAÚJO, MÁRCIO FARIA, CÉSAR ROCHA, ALEXANDRINO ALENCAR e RENATO DUQUE. As provas constantes dos autos apontam que, em sua atuação no âmbito das empresas que representavam, notadamente, ODEBRECHT e PETROBRAS, os denunciados se utilizaram dos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro de maneira sistemática e não-acidental. Afigura-se inexistente a consciência social e má a índole daquele que desvia dinheiro público com vistas ao enriquecimento próprio e de terceiros de maneira recorrente e significativa, inexistindo dúvidas a respeito da configuração da circunstância em questão."

Marcelo Odebrecht vilipendiou a democracia

O MPF acusa Marcelo Odebrecht et caterva de vilipendiar a democracia, ao repassarem propinas a parlamentares: "Dado o alto grau de instrução que possuem, não apenas perceberam a gravidade de suas condutas como também não se recusaram a participar. Usaram sua formação e conhecimento para produzir males sociais. Constituíram, assim, agentes de múltiplas ações criminosas, com capacidade, inclusive, de cooptarem e envolverem outras pessoas para alcançarem seus desideratos. Ademais, os acusados praticaram os crimes sabendo que os valores eram repassados a parlamentares, impactando o sistema político e vilipendiando a democracia, sendo responsáveis por manter a corrupção dentro da PETROBRAS, bem como os respectivos mecanismos de lavagem envolvidos."

Marcelo Odebrecht ou "Se queremos um país livre da corrupção"

As alegações finais do Ministério Público Federal contra Marcelo Odebrecht e os seus miquinhos amestrados, mais o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, são devastadoras. De acordo com os procuradores, eles são elementos de tamanha periculosidade, que devem começar a cumprir as penas a serem impostas por Sergio Moro em regime fechado desde já. O capo Marcelo Odebrecht foi denunciado por corrupção ativa (56 vezes), lavagem de dinheiro (136 vezes) e organização criminosa. Dizem os procuradores: “Se queremos ter um país livre de corrupção, esse deve ser um crime de alto risco e firme punição, o que depende de uma atuação consistente do Poder Judiciário nesse sentido, afastando a timidez judiciária na aplicação das penas quando julgados casos que merecem punição significativa, como este.”

A relação espúria de Lula

O promotor Cássio Conserino, entrevistado pela Veja, foi extremamente claro sobre a denúncia contra Lula e sua mulher, Marisa: "Existe uma relação no mínimo espúria envolvendo a OAS e o ex-presidente. Lula foi contemplado com uma cobertura destinada a ele e reformada cuidadosamente para ele. Tudo pago pela OAS, em detrimento de centenas de famílias que pagaram pelos imóveis e foram enganadas pela Bancoop".

A mulher de Lula, a galega italiana Marisa, também será denunciada pelo crime de lavagem de dinheiro

A mulher de Lula, a galega italiana Marisa Letícia, também será denunciada pelo crime de lavagem de dinheiro. O promotor Cássio Conserino disse à Veja: "Interroguei funcionários da OAS, ouvi o dono da empresa contratada para reformar o triplex, todos confirmam que dona Marisa acompanhou pessoalmente o cronograma da obra".

Ministério público vai denunciar Lula por ocultação de propriedade, ou lavagem de dinheiro


Um truque recorrente na carreira política do ex­-presidente Lula é reescrever a história de modo a exaltar feitos pessoais e varrer pecados para debaixo do tapete. Mas os fatos são teimosos. Quando se pensa que estão enterrados para sempre, eles voltam a andar sobre a terra como zumbis de filmes de terror. O mensalão, no plano mestre de Lula, deixaria de existir se fosse negado três vezes todas as noites antes de o galo cantar. O petrolão, monumental esquema de roubalheira na Petrobras idealizado, organizado e consumado em seu governo - e, segundo testemunhas, com reuniões no próprio gabinete presidencial -, entraria para a história como mais um ardil dos setores conservadores da sociedade para impedir o avanço dos defensores dos pobres. Nem o mais cego dos militantes do PT ainda acredita nessas patacoadas que afrontam os fatos. Sim, os fatos, sempre eles. O tríplex de Lula no Guarujá é outro desses fatos que o ex-presidente esperava ver se dissipar no meio do redemoinho. Mas o tríplex está lá com seu elevador privativo e linda vista para o Atlântico, e vai continuar. De nada adiantou a pregação de Lula, na semana passada, para seu coro de blogueiros chapa-­branca muito bem remunerados com o dinheiro escasso e suado do pobre povo brasileiro: "Não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Pode ter igual, mas eu duvido". Pode até ser que a alma não veja o que o corpo faz e se entretenha no engano, mas a opinião pública há muito tempo não se ilude mais com essas mandingas autolaudatórias de Lula. Pelo tríplex que queria manter clandestino, Lula será denunciado pelo Ministério Público por ocultação de propriedade, uma das modalidades clássicas do crime de lavagem de dinheiro. A denúncia contra o ex-presidente decorre da investigação de fraudes em negócios realizados pela Bancoop, cooperativa habitacional de bancários que deu calote em seus associados enquanto desviava recursos para os cofres do PT. A Bancoop quebrou em 2006 e deixou quase 3 000 famílias sem seus imóveis, enquanto viam, inermes, petistas estrelados receber seus apartamentos. Em abril do ano passado, VEJA revelou que, depois de um pedido feito por Lula ao então presidente da OAS, Léo Pinheiro, seu amigo do peito condenado a dezesseis anos de prisão no petrolão, a empreiteira assumiu a construção de vários prédios da cooperativa. O favor garantiu a conclusão das obras nos apartamentos de João Vaccari Neto, aquele mesmo que, até ser preso pela Operação Lava-Jato, comandou a própria Bancoop e a tesouraria do PT. A OAS assumiu também a reforma do tríplex de 297 metros quadrados no Edifício Solaris, de frente para o mar do Guarujá, pertencente ao ex-presidente Lula e a sua esposa, Marisa Letícia. A OAS desempenhou ainda o papel de "laranja" de Lula, passando-se por dona do tríplex. A manobra foi cuidadosamente apurada pelos promotores do Ministério Público de São Paulo, que trabalham a apenas quinze minutos de carro da sede do Instituto Lula. Durante seis meses, eles se dedicaram a esquadrinhar a relação entre a OAS e o patrimônio imobiliário dos chefes petistas. Concluíram que o tríplex no Guarujá é a evidência material mais visível da rentável parceria de Lula com os empresários corruptores que hoje respondem por seus crimes diante do juiz Sergio Moro, que preside a Operação Lava-Jato. Os promotores ouviram testemunhas e obtiveram recibos e contratos que colocam o ex-presidente na posição de ter de explicar na Justiça as razões pelas quais tentou de todas as maneiras negar ser o dono do tríplex. Para os promotores, as negaças de Lula configuram o crime de lavagem de dinheiro.

Marcelo Odebrecht deturpou o valor social do trabalho

O Ministério Público Federal, nas alegações finas contra Marcelo Odebrecht, os seus comandados e Renato Duque, chama a atenção para a conduta social inaceitável dos acusados, que produziu males sociais, como deturpar o valor social do trabalho, por meio de um dos maiores esquemas de corrupção já revelados no País: "A conduta social traduz-se como o comportamento do agente no seio social, familiar, e profissional, revelando-se pelo relacionamento do indivíduo no meio em que vive, perante a comunidade, a família e os colegas de trabalho. Conforme se provou, todos eles tomaram parte de um dos maiores esquemas de corrupção já revelados no País, com consequências desastrosas para o ambiente econômico, social e democrático. Em função da dificuldade de condenar indivíduos envolvidos nos chamados 'crimes de colarinho branco', consolidou-se uma cultura perversa, em que a relação promíscua entre os agentes públicos e os privados obriga os cofres públicos e a população a arcar com as mais diversas formas de enriquecimento ilícito de empreiteiras, operadores financeiros e funcionários públicos corruptos. De fato, somente pessoas que galgaram relevantes posições sociais, profissionais e políticas poderiam ter acesso a dirigentes de Estatais, parlamentares e gestores de grandes grupos empresariais. Nessa relação empresarial inevitável, ao invés de se pautarem por uma conduta voltada ao desenvolvimento lícito das atividades, os denunciados decidiram adotar uma conduta social em que mutuamente e de forma criminosa se associavam para maximizar lucros, em detrimento de toda a sociedade. O que se revelou no curso desta ação foram relações espúrias desenvolvidas ao longo de muito tempo. O sujeito que se vale de relevante posição social e/ou profissional para cometer delitos, com motivações torpes e egoísticas, deve ter sua conduta social valorada negativamente. Deve-se preservar o valor social do trabalho, reafirmando a noção de que o sucesso profissional é possível por meios lícitos".

Engenheiros ficam sem emprego, mudam de área e vão até para o Uber

Antonio Carlos Mitisuke Seirio virou motorista do Uber após ficar sem emprego como engenheiro

Recém-formada em engenharia civil, Ana Caroline Gomes, de 23 anos, decidiu continuar os estudos e fazer uma pós-graduação. O engenheiro mecânico Gutemberg Rios, de 33 anos, estuda migrar para o Canadá. "Aqui não tem muita perspectiva de melhora a curto prazo", afirma ele, demitido da empresa onde atuava no final de outubro. Rios faz parte da estatística de 496 demissões na carreira registradas no Distrito Federal no ano passado. Em 2014, já foi possível notar uma redução de vagas: diferentemente de anos anteriores, o saldo entre engenheiros admitidos e desligados naquele ano foi negativo. De acordo com estudo da Federação Nacional dos Engenheiros, foram, ao todo, pouco mais de 52 mil profissionais contratados e 55,1 mil demitidos. A queda nas atividades da construção civil e a Operação Lava Jato, que investiga suspeitas de corrupção na Petrobras e já prendeu executivos das principais empreiteiras do País, são apontadas como principais fatores para a crise no setor de engenharia. E a expectativa dos profissionais para este ano não é animadora. "Para ter obra, precisa haver uma decisão de investimento. Seja do comércio, que vai fazer uma galeria de lojas, seja de alguém que vai reformar a residência. E quem é que está tomando a decisão de investir hoje?" - questiona Eduardo Zaidan, vice-presidente do Sinduscon-SP (sindicato da construção civil). Somente no ano passado, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, o setor da construção civil fechou 416,9 mil vagas. Para Zaidan, o atual cenário gera um novo "desmonte" na carreira, que recentemente enfrentou carência de profissionais qualificados. A atual crise no setor de engenharia é comparada, por profissionais mais experientes, à chamada década perdida, nos anos 1980. Naquele período, diante de uma crise profunda na economia, os engenheiros começaram a migrar para funções em outras áreas. "A economia brasileira parece voo de galinha: uns anos são bons, o resto é ruim. Mas acho que este é o pior momento, porque não tem perspectiva de que vai melhorar", afirma Daniel Galano, de 52 anos. Formado em engenharia mecânica em 1987, ele foi demitido da empresa em que atuava em 2014 e, desde então, não conseguiu outro trabalho na área. Também graduado na década de 1980, Antônio Seirio, de 55 anos, aponta dificuldade em se fixar na carreira vinculada "diretamente à indústria", em que se especializou. "Se a economia não gira, não se contrata engenheiro", diz ele, com um MBA no currículo, feito a partir de programa do governo federal, o chamado Promimp (programa de incentivo à indústria). Nos últimos anos, Seirio ocupou funções técnicas em diferentes empresas e, desde novembro, trabalha como motorista do Uber, serviço de transporte particular. "Já vi situações difíceis, mas não como essa", resume Célia Almeida, de 42 anos. Demitida em outubro da empresa em que trabalhava como engenheira ambiental, hoje atua no mesmo local, mas por contrato. O trabalho em tempo integral, de 8,5 salários mínimos, foi reduzido para atividade parcial e 4 mínimos. Com quatro filhos, todos na universidade, recorreu ao seguro-desemprego. "Banhos quentes viraram mornos. O pacote de internet acabou, só eu tenho celular pós-pago agora. Estou segurando o dinheiro que ganho", afirma Almeida.

Ministério Público de São Paulo denuncia promotor

O promotor de Justiça Roberto Senise Lisboa é investigado por suspeita de propina
O procurador-geral de Justiça Márcio Elias Rosa, chefe do Ministério Público Estadual de São Paulo, apresentou denúncia à Justiça contra o promotor de Justiça Roberto Senise Lisboa sob a acusação de que ele recebeu propina da empresa Casas Bahia para favorecer a rede de lojas em investigações sobre direitos do consumidor. A acusação formal aponta que Senise cometeu os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro a partir de 2011. Detalhes da denúncia antecipados informam ainda que o diretor jurídico da empresa à época dos supostos delitos, Alexandre Machado Guarita, e o advogado Vladmir Oliveira da Silveira também foram denunciados. Em meados de 2011, Senise conduzia uma apuração sobre práticas abusivas que teriam sido praticadas contra consumidores pela rede de lojas, como a cobrança de um seguro obrigatório. A denúncia relata que nesse período o então diretor do departamento jurídico da Casas Bahia contratou Silveira, amigo do promotor, e os dois ofereceram suborno a Senise. A acusação aponta que o promotor recebeu R$ 428 mil para elaborar acordo entre a Promotoria e a Casas Bahia, tecnicamente chamado Termo de Ajustamento de Conduta, com regras favoráveis à empresa e lesivas aos consumidores. O procurador-geral de Justiça afirma na denúncia que houve quebra do sigilo bancário do promotor e o levantamento apontou que o valor do suborno saiu das contas da rede de lojas, passou pelo advogado e foi entregue ao promotor de Justiça. As apurações indicaram que Silveira realizou saques em uma agência bancária no centro de São Paulo, localizada nas proximidades do prédio central do Ministério Público, na companhia do promotor, que ficava com o dinheiro em espécie. Após a entrega do dinheiro, Senise ia até uma agência bancária situada dentro da sede da Promotoria e depositava os valores em sua conta, segundo as investigações da Procuradoria.

Garota terrorista palestina é morta após tentar esfaquear segurança

Uma adolescente terrorista palestina morreu neste sábado (23) baleada por um segurança em uma colônia israelense na Cisjordânia. Segundo a polícia de Israel, ela teria tentado esfaquear o segurança. Em comunicado, a polícia afirmou que o caso aconteceu no começo da manhã e que a menina, de 13 anos, correu em direção ao segurança, um civil que estava de serviço na entrada do assentamento de Anatot — este, por sua vez, abriu fogo contra ela. Pouco depois, os serviços de emergência que chegaram ao local certificaram a morte da menor. Segundo a investigação preliminar, a adolescente teria tido uma discussão com sua família e deixou sua casa no povoado de Anata com uma faca. O pai da menor, que foi detido por forças de segurança israelenses, partiu em sua busca e chegou ao lugar do acontecimento pouco depois da morte da jovem. O incidente ocorreu em meio a uma onda de violência vivida na região desde outubro e que já deixou 161 palestinos mortos. Também foram mortos 26 israelenses e dois estrangeiros.

Credores da Sete receberão R$ 4,2 bilhões em garantias


Os bancos credores da empresa de sondas Sete Brasil fizeram uma jogada nesta sexta-feira (22) para pressionar os sócios da companhia a adiarem a discussão de uma possível recuperação judicial. Estava prevista a assinatura de um acordo em que os bancos estenderiam por mais quatro meses o prazo para que a Sete pague sua dívida de R$ 17 bilhões. Esta será a sétima vez que Banco do Brasil, FI-FGTS, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, principais credores da Sete, darão mais tempo para a companhia quitar sua dívida. No entanto, duas condições foram impostas pelos credores. Uma delas foi o adiamento da discussão de um possível pedido de recuperação judicial. Outra foi a liberação do pagamento das garantias previstas pelo FGCN (Fundo de Garantia para a Construção Naval). O valor a ser pago será de cerca de 30% do total das garantias dadas pela Sete, cerca de R$ 4,2 bilhões. A expectativa dos credores, segundo pessoas próximas às negociações, era que o fundo, administrado pela Caixa Econômica Federal, pague cada credor imediatamente após a assinatura do acordo. Mas, no final, o FGCN efetuará o pagamento ao longo dos quatro meses de vigência do novo acordo. Ao quitar essa pendência, o fundo ficará sem recursos (zerado) e passará a ser credor da Sete. Os bancos já tinham executado as garantias dos empréstimos à Sete no ano passado. O FGCN deveria pagá-las no início deste ano. A execução funciona como uma espécie de seguro contra inadimplência, e quem paga essa conta é a Caixa, que administra o FGCN. Caso a empresa entrasse em recuperação judicial, como queriam os sócios, essa conta não seria paga. Por isso, alguns credores teriam vetado a ideia. Os bancos são tolerantes com a Sete porque boa parte também é sócia da empresa, que tenta encontrar uma saída para a crise. Criada em 2010 a partir da ideia do governo e da Petrobras petistas de terceirizar a construção de sondas para exploração do pré-sal, a Sete encomendaria sondas a estaleiros nacionais para fomentar a indústria local. Na verdade, a empresa também foi criada para distribuir propinas para o PT e seus aliados. Por isso, a Petrobras até aceitou, no passado, pagar um pouco mais pelo aluguel das sondas. Mas o preço do petróleo caiu de US$ 100,00 para cerca de US$ 30,00. Além disso, a Sete foi envolvida na operação Lava Jato.

Espírito Santo quer retomar concessão da Petrobras


O governo do Espírito Santo quer tirar da Petrobras a concessão para distribuição de gás canalizado no Estado, operada pela estatal desde 1993, e licitar os ativos para outra companhia. A decisão atende a determinação judicial e já foi aprovada pela Assembleia Legislativa. O governador Paulo Hartung (PMDB) e a Petrobras negociam agora os termos da rescisão. A rede de gás canalizado do Espírito Santo é operada pela BR Distribuidora e é o único ativo da Petrobras no segmento que não faz parte da Gaspetro – empresa que teve 49% das ações vendidas à japonesa Mitsui ano passado. A concessão da rede de gás foi entregue pelo governo em 1993 sem licitação, em um contrato de 50 anos, prorrogável por mais 50. No ano passado, porém, a Justiça do Espírito Santo acatou ação popular que pedia a rescisão do contrato. No dia 18 de dezembro, a Assembleia Legislativa do Estado aprovou lei proposta pelo governador que rescinde o contrato mediante o pagamento de indenização à Petrobras e estipula o prazo de dois anos para nova licitação. A lei ainda não foi sancionada. Na quarta-feira (20), Hartung se reuniu com o presidente da empresa, o petista Aldemir Bendine (o amigo da Val). Os termos da rescisão estiveram na pauta. O governo do Espírito Santo confirma as negociações. A proposta de indenização contempla o valor dos investimentos realizados, atualizado pela inflação, excluindo os lucros obtidos no período. De acordo com dados da Agência de Serviços Públicos em Energia (Aspe) a concessão recebeu R$ 317 milhões em investimentos até 2014, último dado disponível. A empresa está vendendo boa parte de seus ativos de transporte e distribuição de gás natural. Negociações sobre a distribuidora capixaba, porém, enfrentariam entraves legais, já que o contrato é questionado pela Justiça. Segundo fontes do mercado, é grande o interesse pela concessão. Representantes da espanhola GasNatural, que controla a concessão de gás no Rio de Janeiro, já estiveram em Vitória. De acordo com a Abegás (associação das distribuidoras de gás natural), a rede do Estado tem 450 quilômetros e movimenta 3,6 milhões de metros cúbicos por dia.

Peña Nieto quer extraditar o traficante El Chapo o quanto antes para os Estados Unidos

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, declarou na sexta-feira, em Davos, que quer extraditar o traficante Joaquín 'El Chapo' Guzmán o quanto antes aos Estados Unidos. "É muito claro e eu já disse publicamente: a promotoria continua a trabalhar para dar seguimento ao processo pelos crimes imputados, mas (...) a indicação é de acelerar o seu trabalho para conseguir a extradição o mais rapidamente possível", declarou o presidente durante uma intervenção no Fórum Econômico Mundial. Após a recaptura de 'Chapo', em 8 de janeiro, um processo de extradição foi aberto, mas os advogados do narcotraficante mais poderoso do México também se moverea para tentar uma ação inibitória. A partida de Guzman Loera para os Estados Unidos levaria cerca de "um ano", segundo estimou o procurador-geral Arely Gómez, em razão da dura batalha legal da defesa do criminoso. Peña Nieto se recusou a extraditar Guzman antes da última fuga, mas seu governo mudou de ideia depois de sua recaptura.

Christine Lagarde anuncia candidatura a segundo mandato no FMI

Depois de receber vários apoios de peso, a francesa Christine Lagarde anunciou nesta sexta-feira sua candidatura a um segundo mandato como diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), na expectativa de não ser atrapalhada por um complexo caso judicial na França. "Sim, sou candidata a um segundo mandato", declarou ao canal francês de televisão France 2, ao vivo de Davos, nos Alpes suíços, onde participa do Fórum Econômico Mundial. Lagarde assumiu a instituição em 2011, sucedendo a seu compatriota Dominique Strauss-Kahn, derrubado por um escândalo sexual. "Tive a honra de receber apoios desde a abertura do processo", afirmou Lagarde, de 60 anos, referindo-se, em particular, à França, ao Reino Unido, à Alemanha e à China. A menos de seis meses do fim de seu mandato, Lagarde lembrou que os Estados Unidos, principal contribuinte do Fundo, costuma comunicar sua posição ao final do processo. Mencionou, porém, o apoio expresso recentemente pelo governo do presidente Barack Obama. "As declarações do vice-presidente (Joe Biden) dos Estados Unidos, um outro dia, em uma intervenção pública, foram extremamente elogiosas e quase embaraçosas, e o secretário do Tesouro (Jacob Lew) disse que espera continuar trabalhando comigo", destacou. No ano passado, essa ex-advogada empresarial e ministra francesa das Finanças (2007-2011), no governo de Nicolas Sarkozy, já havia sinalizado estar receptiva a um novo mandato. "Estou disposta a servir", afirmou, em outubro, em Lima, na assembleia-geral do Fundo. A candidatura de Lagarde pode ser ofuscada pela declaração que terá de prestar à Justiça francesa por sua suposta "negligência" em uma polêmica e milionária arbitragem que favoreceu o empresário Bernard Tapie em 2008. Na época, ela ainda era ministra. Neste caso, uma novela judicial que se arrasta por mais de duas décadas, Tapie acusou, primeiramente, o banco Crédit Lyonnais, de capital misto, de ter subestimado o valor da marca de roupa e de equipamentos esportivos Adidas, quando se desfez dela, em 1993. O caso foi resolvido em 2008 por uma comissão arbitral privada, que deu razão a Tapie e ordenou que lhe fosse paga uma indenização de quase 404 milhões de euros. No início de 2015, porém, a Justiça anulou essa sentença, por suspeita de fraude. Depois, condenou Tapie a reembolsar o montante integral da indenização acertada anteriormente. Lagarde está sendo processada por escolher recorrer a uma arbitragem privada, e não à Justiça comum, para resolver um caso que envolvia enormes recursos públicos. No decorrer do caso, ela reiterou ter "agido no interesse do Estado e em conformidade com a lei". "Espero que a Justiça, ao final deste procedimento, por mais longo e pesado que seja, concorde com isso", declarou Lagarde. Apesar disso, a diretora recebeu em dezembro passado o apoio do conselho administrativo do FMI, que disse confiar em sua capacidade de exercer adequadamente suas funções. A decisão final sobre sua candidatura será tomada até o início de março, com base em consenso no conselho administrativo do Fundo, a instância dirigente da instituição. O FMI conta com 24 membros que representam os 188 Estados-membros. Existe uma regra tácita que reserva a direção do FMI para um europeu, e é pouco provável que haja candidatura de um grande país emergente. Em 2011, Lagarde teve como rival o presidente do Banco Central mexicano, Agustín Carstens. Para um novo mandato, Lagarde poderá contar com um balanço mais favorável para o FMI, depois de ter melhorado a imagem da instituição e de ter desbloqueado uma importante reforma de seu modo de governança. Sob seu mandato, entretanto, o Fundo não conseguiu evitar o maior calote de sua história, com a Grécia, e foi acusado de instrumentalização política, ao apoiar a Ucrânia, em meio a uma queda de braço estratégica de Kiev com a Rússia.