quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Deputada comunista Manuela D’Ávila rebate críticas sobre foto em que aparece dormindo com a teta de fora


Uma foto da deputada estadual comunista gaúcha Manuela D’Ávila, dormindo, com a teta de fora,  amamentando a filha, Laura, de quatro meses, publicada originalmente em seu perfil do Instagram (@deputadamanuela), rendeu comentários quando a imagem foi usada em um blog de maternidade do jornal Folha de S. Paulo, em uma matéria que tinha como tema a amamentação. Leitores escreveram que ela estaria dando um “péssimo exemplo” por amamentar na cama e que seria “falta de respeito” por parte de uma deputada expor a mama. Manuela usou as redes sociais para desabafar: “Esse peito não é de deputada, é da mãe da Laura. Amamento onde quiser, o peito é meu (e dela, por esse período)”, disse no perfil "Leis de Laura", que usa para falar, justamente, sobre amamentação. Em entrevista à revista Donna, do jornal protopetista gaúcho Zero Hora, a comunista Manuela D'Ávila contou que não esperava por reações como as que leu e que ficou perplexa com a “sensualização da amamentação”: "Eu acredito que consciência a gente muda enfrentando os preconceituosos. Por isso, eu publiquei os comentários. Muitas pessoas pensam dessa forma e não se expõem".


Para a comunista Manuela D'Ávila, as mulheres conseguem perceber quando são olhadas em parques, restaurantes e supermercados quando estão amamentando. Em publicação em sua página no Facebook, a deputada lembra-se dos comentários criticando a aprovação da lei que permite amamentar em qualquer lugar. “Está aí a expressão da necessidade de mudarmos radicalmente os conceitos de muitos! Mulher em propaganda de cerveja não indigna o João, não é?”, escreveu, referindo-se a um dos autores dos comentários. O projeto de Lei Nº 123/2015, de autoria da comunista Manuela 'Ávila d do deputado Luiz Fernando Mainardi (PT), foi aprovado em setembro de 2015. O texto prevê que nenhum estabelecimento gaúcho, público ou privado, pode impedir que uma mãe amamente seu filho em qualquer uma de suas dependências, mesmo que tenha espaço específico para esta atividade. "É preciso que as pessoas saibam que é normal, natural, saudável e que faz bem amamentar. Que saibam que os outros (aqueles que criticam) são preconceituosos. A lei nos protege", concluiu a deputada na entrevista. Ela não seria comunista se não tivesse proposto e aprovado uma legislação desse gênero. O objetivo dos comunistas é mesmo o de dessacralizar tudo no mundo ocidental. Mas, o que ela realmente comprova é que uma figura narcísica, que precisa se exibir como forma de obter recompensação permanente ao seu ego. Sua tendência exibicionista está em alta. Recentemente foi a Recife, para o aniversário da presidente nacional do PCdoB, e a festa das comunistas foi realizada em uma igreja católica, com Manuela com o peito de fora. Recato, certamente, é idéia com a qual ela não convive e rejeita. Assim, devem se preparar os gaúchos para verem a comunista Manuela D'Ávila em pleno Plenário da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, exibindo a amamentação de sua filha Laura e a si mesma. Esse negócio de intimidade, de vida privada, para ela, já era. Comunistas abominam essas idéias. 

Polícia francesa identifica oitavo membro do bando terrorista islâmico dos ataques em Paris


O homem-bomba que acionou seus explosivos em 18 de novembro durante a operação policial em um apartamento ao norte de Paris, poucos dias após os atentados de 13 de novembro, foi identificado como um belga-marroquino de 25 anos chamado Chakib Akrouh, conforme anunciou a procuradoria francesa. Oitavo membro identificado dos comandos, Chakib Akrouh nasceu em 27 de outubro de 1990 na Bélgica e foi reconhecido por meio da comparação genética com sua mãe, informou o procurador da República, François Molins, em um comunicado. Os investigadores acreditam que o jovem participou dos ataques de 13 de novembro aos cafés e restaurantes no centro de Paris com o suposto mentor dos atentados, Abdelhamid Abaaoud, igualmente morto na operação policial em Saint-Denis. Cento e trinta pessoas morreram. O homem se refugiou em seguida com Abaaoud em um apartamento de Saint-Denis, subúrbio ao norte de Paris. A polícia invadiu o apartamento em 18 de novembro e durante a operação os dois jihadistas e uma jovem, prima de Abaaoud, morreram. Segundo uma fonte ligada ao caso, as autoridades belgas acompanhavam os passos de Chakib Akrouh, que havia partido de Bruxelas, após janeiro de 2015, para a Síria, com outras seis ou sete pessoas. O jovem era originário do bairro de Molenbeek, em Bruxelas, e havia sido condenado à revelia em julho a cinco anos de prisão na Bélgica em um processo envolvendo uma importante célula síria, segundo a imprensa belga. O DNA de Akrouh foi encontrado em um fuzil Kalachnikov localizado dentro de um carro Seat abandonado em Montreuil, nordeste de Paris, que foi utilizado pelo comando para matar 39 pessoas em bares e restaurantes parisienses. Os investigadores acreditam que Akrouh, Abaaoud e outro homem de Bruxelas, Brahim Abdeslam, integravam o comando que atacou os bares e restaurantes de Paris. Akrouh foi filmado ao lado de Abaaoud no metrô logo após os ataques em Paris. Dos dez jihadistas que protagonizaram os atentados sangrentos oito já foram identificados. O grupo Estado Islâmico reivindicou os ataques.

Ex-ministro petista Carlos Gabas e OAS trataram sobre terreno de camarote do Ilê Aiyê em Salvador





Os diálogos entre José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, apreendidos pelos investigadores da Operação Lava Jato, mostram que a relação dos dois começou antes de o atual secretário especial de Previdência Social intermediar negócios da empreiteira com o governo do Distrito Federal, em 2014. Dois anos antes, os dois trataram de um terreno em Salvador, local do camarote de um dos mais tradicionais blocos do carnaval baiano, o Ilê Aiyê. Documentos sigilosos da Lava Jato obtidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo” mostram mensagem enviada por Pinheiro a Gabas em 11 de setembro daquele ano. O nome do bloco é grafado incorretamente na mensagem. “Precisamos conversar. Queria lhe falar tb sobre um terreno do INSS, que no carnaval é o Camarote do Ylê Ayê em Salvador, perto da Pça Castro Alves.”, diz Pinheiro a Gabas. Quinze dias depois, Léo Pinheiro envia mensagem a Rodolpho Tourinho, ex-ministro de Minas e Energia do governo Fernando Henrique e ex-diretor da OAS, que morreu no ano passado. “Rodolpho, Preciso lhe falar sobre uma reunião com Dr Gabas (Secretario Executivo do Ministério da Previdência) e uma posterior com o Dr Nelson Barbosa, que seria coordenada pelo Gabas. Assunto: Desoneração da Folha de pagamento. qdo puder me liga. Abs. Léo”, diz a mensagem, que cita o atual ministro da Fazenda. Na época, Barbosa era secretário-executivo da pasta. O jornal revelou nesta quinta-feira, 14, que Gabas intermediou negócios da empreiteira com o governo do Distrito Federal em 2014, época em que era comandado por Agnelo Queiroz (PT). Investigadores afirmam que “sobre Gabas, destaca-se que há trocas de mensagens ao menos desde junho de 2012, sendo um contato de pessoas vinculadas a empresas do grupo OAS com negócios relacionados ao governo”. Atual secretário especial de Previdência Social, Gabas é próximo à presidente Dilma Rousseff. Em 2013, ele levou a petista para passear de moto em sua garupa. Ele comandou o Ministério da Previdência de janeiro a outubro de 2015, quando a pasta foi fundida com a do Trabalho. Gabas nega qualquer envolvimento com a Lava Jato. As conversas envolvendo Gabas ocorreram entre 2012 e 2014, quando ele era secretário executivo do Ministério da Previdência. Elas foram obtidas pelos investigadores em Curitiba e remetidas à Procuradoria-Geral da República no ano passado por haver menção ao nome de Gabas. Até o momento, não há inquérito que investigue o envolvimento do ex-ministro na Lava Jato. Gabas disse não se recordar da conversa sobre o terreno do INSS na Bahia, mas afirmou que se desfez de terrenos da Previdência através de leilão. “Teve um interesse muito grande em terrenos da Previdência e todos os que nós desfizemos foram através de leilão e é descentralizado, a gerente que faz. Nós fizemos um grande processo de desmobilização”, disse Gabas. “Pode ser que o Léo tenha me perguntado, eu não me lembro o que eu respondi”, completou o ex-ministro: “Se foi feito, foi feito por Salvador". 

STF suspende o júri popular do playboy e ex-deputado estadual paranaense Carli Filho


Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o júri popular que julgaria o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, acusado de ter matado dois jovens, em uma ocorrência de trânsito, em 2009. O tribunal deferiu liminar que constava de um pedido de habeas corpus, impetrado pela defesa do réu. Carfi Filho seria julgado nos dias 21 e 22 de janeiro, por duplo homicídio doloso qualificado. Uma nova data só poderá ser marcada depois que o Supremo julgar o mérito da ação. O pedido de habeas corpus foi apresentado pela defesa do ex-parlamentar porque há dois recursos que ainda não foram julgados – um no Superior Tribunal de Justiça e outro no próprio STF. Esses recursos sustentam que o caso se trata de um acidente de trânsito e que, por isso, Carli Filho deveria ser julgado por duplo homicídio culposo – sem a intenção de matar. Dessa forma, o réu não iria a júri popular. Na decisão que concedeu a liminar, o ministro Ricardo Lewandowski entendeu que é necessário que os recursos sejam julgados antes que o ex-deputado seja levado a júri. “A definição do mérito, por ora, poderia importar sério prejuízo ao paciente que, como visto, aguarda a preclusão das teses defensivas ainda não julgadas”, consta no despacho. O advogado Gustavo Scandelari, que integra a defesa de Carli Filho, avaliou que a decisão do STF implicou em justiça. O defensor alega que o Honda Fit em que trafegavam as vítimas – Gilmar de Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida – teria furado a preferencial e que, por isso, foram atingidos pelo carro dirigido pelo ex-parlamentar. “Nós fizemos um pedido com base na lei. O deferimento atende a nossa impressão a respeito da Justiça”, resumiu o advogado. Além disso, a defesa de Carli Filho contesta ainda o exame que comprovou que o ex-deputado dirigia sob o efeito de álcool. Na tese dos advogados, a prova teria sido colhida de ilegalmente. O advogado Elias Mattar Assad, que figura como assistente de acusação, estranhou a decisão do Supremo, entendendo que a liminar contraria a jurisprudência estabelecida pela própria Corte. “Existem súmulas do STF que dizem que recursos especiais extraordinários não podem ter efeito suspensivo. Ou seja, o júri não poderia ter sido suspenso”, disse. A expectativa do advogado e da família Yared é de que a decisão seja revista pelo Supremo. “Espero que o STF revogue essa liminar, para que possamos remarcar o júri”, disse Assad. “Esse é mais um capítulo dessa novela de poder e tentativa de impunidade”, completou. O playboy e ex-deputado estadual é acusado de ter matado dois jovens – Gilmar de Souza Yared e de Carlos Murilo de Almeida – em um acidente de trânsito em 2009, em Curitiba. Ele responde pelo crime de homicídio doloso eventual. Na época, um exame no hospital onde foi atendido mostrou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue do ex-deputado. Como o exame foi feito enquanto ele estava desacordado, já está desconsiderado pela Justiça. Em fevereiro de 2014, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) encontrou mais uma vez indícios de que Carli Filho assumiu o risco de matar ao dirigir em alta velocidade e depois de ingerir bebida alcoólica, e confirmou o júri popular. Posteriormente, o procedimento foi marcado para 21 e 22 de janeiro deste ano.

Facção baiana da organização criminosa PT direciona concorrência de R$ 584 milhões para OAS


Nomeado pelo então governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado, Manuel Ribeiro Filho, ex-diretor da OAS, foi o responsável pela licitação de uma obra de R$ 584 milhões vencida pela própria construtora. Ribeiro Filho assumiu o cargo no governo baiano em janeiro de 2014 e dois meses depois concluiu a licitação que deu à OAS a implantação da Linha Vermelha – obra que inclui a construção da avenida 29 de março e duplicação da avenida Orlando Gomes, em Salvador.As ligações do hoje ministro da Casa Civil com a empresa estão sob investigação da Operação Lava Jato. Mensagens de texto do ex-presidente e sócio da OAS, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, indicam que Wagner tratou de doações para a campanha do PT em Salvador em 2012. O então candidato, Nelson Pelegrino, recebeu R$ 850 mil da empresa. Investigado na Lava Jato, Leo Pinheiro já foi condenado a 16 anos de prisão por corrupção. Um dos interlocutores das doações foi, segundo a investigação, justamente Ribeiro Filho, na época diretor para o Nordeste da OAS.Ribeiro Filho teve vínculo empregatício até maio de 2013 com a construtora, onde trabalhou por 15 anos. A licitação da Linha Vermelha foi conduzida pela Conder, estatal ligada à secretaria e que tinha Ribeiro Filho como presidente do Conselho de Administração.Também participaram da licitação as construtoras Cowan, Camargo Corrêa, Odebrecht e o consórcio formado por Queiroz Galvão, Constran, Axxo e TTC. Das cinco maiores obras de infraestrutura iniciadas no governo Wagner, três delas foram ou estão sendo tocadas pela OAS: a Arena Fonte Nova (com a Odebrecht), a Linha Vermelha e a Via Expressa Baía de Todos-os-Santos. A empresa acabou não participando da licitação do metrô, maior obra, por considerar que o contrato não era economicamente viável. Na época, foi criticada publicamente por Wagner por não participar da disputa. A OAS, com Odebrecht e Camargo Corrêa, também participou da elaboração do projeto para construção da ponte Salvador-Itaparica, uma obra de R$ 7 bilhões que ainda não foi licitada. Lançado em 2010, o projeto gerou polêmica e chegou a opor publicamente Ribeiro Filho, então diretor da OAS, e o seu irmão e escritor, João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), contrário à obra da ponte. Em parceria com a Odebrecht, a OAS ainda conquistou a concessão por 25 anos das estradas que ficam no entorno do Pólo Industrial de Camaçari por meio da Invepar, empresa da qual é sócia junto com fundos de pensão. Fundada em 1976, a OAS é comandada pelo empresário César Mata Pires, marido de uma das filhas do senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), e teve forte crescimento nos anos 1990. A partir do rompimento de Mata Pires com os outros herdeiros do senador, incluindo o hoje prefeito de Salvador, ACM Neto, a OAS aproximou-se do petista Jaques Wagner. Em 2010, a empreiteira doou R$ 1,5 milhão à campanha de Wagner e, em 2014, R$ 4,2 milhões à de seu sucessor, Rui Costa (PT). Além de Ribeiro, Wagner nomeou outro ex-diretor da OAS: o então diretor da Casa Civil, Bruno Dauster, responsável pela modelagem da licitação do metrô. No governo Costa, foi promovido a secretário da Casa Civil.  O ex-secretário Manuel Ribeiro Filho afirma que não teve qualquer participação na licitação da Linha Vermelha, em Salvador, e alega que a estatal Conder, mesmo ligada à secretaria, tem autonomia operacional. Diz ainda que assumiu o cargo sete meses após ter se desvinculado da OAS e negou qualquer intervenção da construtora na sua indicação. "Isso me irrita porque parece que trabalhar na OAS marca o DNA da gente. Trabalhei lá e não tenho o que esconder no meu currículo", disse Ribeiro, que desde que deixou o governo se dedica a uma consultoria em serviços de engenharia. Sobre as mensagens que mostram sua atuação na intermediação de doações para políticos na campanha de 2012, Ribeiro diz que esta relação era "absolutamente normal" e, como diretor, recebia "políticos das mais diversas matizes".  

Kawasaki reconhece perda de R$ 750 milhões com estaleiro no Brasil


A companhia japonesa Kawasaki Heavy Industries divulgou nesta quinta-feira comunicado no qual revela o reconhecimento de uma perda de 22,1 bilhões de ienes (cerca de 750 milhões de reais) no balanço do seu terceiro trimestre fiscal relativa à participação de 30% da empresa na Enseada Indústria Naval. Segundo a companhia, a situação financeira do estaleiro localizado no Brasil tem se deteriorado significativamente em função dos escândalos de corrupção. Com o anúncio, as ações do grupo japonês recuaram 2,93% na bolsa local. A Kawasaki ingressou em 2012 no consórcio Enseada, no qual é parceira de Odebrecht, OEA e UTC, três empresas cujos nomes estão envolvidos nas investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Diante das suspeitas envolvendo a relação entre a Petrobras e diferentes estaleiros, e dos problemas financeiros da petroleira brasileira, as operações da indústria naval brasileira começaram a enfrentar dificuldades. No caso do estaleiro Enseada, que deveria construir seis sondas, os problemas já resultaram na demissão de milhares de pessoas. As seis unidades deveriam ser construídas até 2020, em um contrato de 4,8 bilhões de dólares com a Sete Brasil. Em março do ano passado, o ministro da infraestrutura japonês, Akihiro Ohta, chegou a enviar uma carta ao ministro do Desenvolvimento brasileiro, Armando Monteiro, cobrando soluções para os estaleiros. Empresas como a Kawasaki, a Japan Marine United e a Mitsubishi participaram de projetos envolvendo os estaleiros Enseada, Atlântico Sul e Rio Grande, respectivamente. Os três estaleiros foram contratados pela Sete Brasil para a construção de sondas do pré-sal que seriam usadas pela Petrobras. Desde 2014, contudo, a Sete Brasil suspendeu todos os pagamentos, paralisando as linhas de produção e dificultando o acesso ao crédito. Depois de mais de um ano de dificuldades, os sócios da Sete Brasil agora analisam a possibilidade de ingressarem com pedido de recuperação judicial ou mesmo uma ação contra a Petrobras, que tem resistido a finalizar acordo de reestruturação do contrato de construção e afretamento de sondas. A reunião para discutir o futuro da companhia está agendada para o próximo dia 21 de janeiro.

Janot pede perda do mandato de Vander Loubet ao STF


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal que decrete a perda do mandato do deputado Vander Loubet (PT/MS), alvo da Operação Lava-Jato, por suposto recebimento de propinas que somaram R$ 1,028 milhão em esquema de corrupção instalado na BR Distribuidora. Ao denunciar Loubet criminalmente perante a corte máxima, por corrupção passiva (11 vezes) e lavagem de dinheiro (99 vezes), Janot atribui ao petista ligação com "grupo criminoso" que repassava a ele valores ilícitos "em função da ascendência que o Partido dos Trabalhadores exercia sobre parte da Petrobras Distribuidora S/A". "O parlamentar, em conjunto com seus auxiliares, acabou aderindo à organização criminosa preordenada à prática de crimes de peculato, de corrupção ativa e passiva e de lavagem de dinheiro no âmbito da BR Distribuidora", assinala o procurador-geral na denúncia contra Loubet, protocolada no Supremo em 17 de dezembro de 2015. Janot pediu ainda a decretação da perda em favor da União dos bens e valores objeto de lavagem de dinheiro no caso, judicialmente apreendidos ou sequestrados, no valor originário total de R$ R$ 1.028 milhão, a ser acrescido de juros e correção monetária. Janot quer condenação do petista e de outros denunciados — inclusive familiares de Loubet e o empresário Pedro Paulo Leoni — "à reparação dos danos materiais e morais causados por suas condutas", fixando-se um valor mínimo de cinco vezes o montante cobrado a título de propina no caso, no total de R$ 5,14 milhões "à que os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos". O procurador-geral aponta "lesões à ordem econômica, à administração da justiça, à administração pública e ao processo eleitoral, inclusive à respeitabilidade do Congresso Nacional perante a sociedade brasileira". Janot afirma que as investigações do Inquérito 3990/DF "evidenciaram que, para que o grupo criminoso em questão atuasse, era necessário o repasse de valores ilícitos para o deputado federal Vander Loubet, em função da ascendência que o Partido dos Trabalhadores exercia sobre parte da Petrobras Distribuidora S/A". Na denúncia contra Vander Loubet, o procurador dedica um capítulo para as diretorias da BR "controladas pelo PT". "Em razão de o Partido dos Trabalhadores deter praticamente metade da BR Distribuidora, Pedro Paulo Leoni Ramos tinha que repassar parte das vantagens indevidas também ao deputado federal petista Vander Loubet. Em compensação, Pedro Paulo tinha plena liberdade para implementar o esquema criminoso na Petrobras Distribuidora S/A, chegando a atuar inclusive nas diretorias politicamente indicadas pelo PT". Segundo Janot, em 2009, Vander Loubet "participou da movimentação da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados que resultou na indicação política de Andurte de Barros Duarte Filho para o cargo de diretor de Mercado Consumidor da Petrobras Distribuidora S/A": "A partir de então, o parlamentar passou a exercer considerável influência, em nome do PT, sobre a BR Distribuidora". A investigação mostra que a ascendência de Loubet sobre a sociedade de economia mista federal é indicada pelos registros de entrada do deputado nos prédios da Petrobras Distribuidora S/A: "Existem visitas anteriores a 2009, o que aponta no sentido de que, antes mesmo da nomeação de Andurte de Barros Duarte Filho, o parlamentar já tinha interesses escusos diversos relacionados à BR Distribuidora". "Vander Loubet, agindo como representante do Partido dos Trabalhadores em relação à BR Distribuidora, recebeu significativas vantagens pecuniárias indevidas de Pedro Paulo Leoni Ramos, por intermédio de Alberto Youssef, entre 2012 e 2014, para deixar de exercer a função parlamentar de fiscalização sobre a administração federal e permitir a livre atuação da organização criminosa voltada à prática de crimes de peculato, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro no âmbito da Petrobras Distribuidora S/A", assinala o procurador-geral da República. Segundo a denúncia, "para o recebimento dissimulado e disfarçado dos valores ilícitos, o deputado federal Vander Loubet utilizou seus familiares, especialmente sua esposa, Roseli da Cruz Loubet, e seu cunhado Ademar Chagas da Cruz, além da sócia desse último, Fabiane Karina Miranda Avanci". "A estratégia de ocultação das quantias provenientes do delito de corrupção foi descoberta pelas investigações", diz a denúncia. A quebra do sigilo bancário do parlamentar permitiu o rastreamento das propinas. "As operações financeiras objetivavam em última instância o favorecimento do deputado com vantagens pecuniárias indevidas. Foram utilizadas pessoas interpostas, a maioria familiares do parlamentar, para ocultar e dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade de valores provenientes de propina. No entanto, o afastamento de sigilo fiscal indicou movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados do deputado federal Vander Loubet nos anos de 2012, 2013 e 2014, além de variação patrimonial a descoberto no ano de 2003, o que aponta no sentido da manipulação e utilização de valores ilícitos pelo próprio parlamentar". 

Exigência de babás uniformizadas de branco não é ilegal

Acabou uma das idiotices mais barulhentas levantadas pelo "politicamente correto" na cidade de São Paulo: a de que os clubes que exigem que babás de crianças associadas usem uniforme branco nas suas dependências atentam contra o princípio da igualdade entre os cidadãos. Os clubes não cometem ilegalidade nenhuma, de acordo com a unanimidade do Conselho Superior do Ministério Público Estadual. Como são entidades privadas, os clubes podem estabelecer condições para admitir a entrada de pessoas não associadas. O "politicamente correto" é uma estratégia esquerdista de origem no pensamento "gramsciano". A estratégia consiste em esticar sempre a corda, buscando o máximo de alargamento das normas, o esgarçamento do tecido social. Isso é descrito minuciosamente no pensamento de Antonio Gramsci. Isso também é detalhadamente discutido, elaborado e tem aplicação decidida em reuniões do alto comando dos inúmeros grupelhos que orbitam o PT. E a sociedade fica gastando tempo e recursos financeiros no debate desses temas inutilmente, sendo atrelada pelo pensamento de esquerda. 

Embraer fecha 2015 com seu maior volume de entrega de aeronaves em cinco anos


A Embraer anunciou nesta quinta-feira que entregou, no ano passado, 221 aeronaves para os mercados de aviação comercial e executiva. Segundo a companhia, esse é o maior volume de entregas dos últimos cinco anos. Foram 101 jatos para o mercado comercial e mais 120 aviões executivos, dos quais 82 jatos leves e 38 grandes. No quarto trimestre do ano passado, a Embraer entregou 33 jatos para o mercado de aviação comercial, e 45 para o de aviação executiva, dos quais 25 leves e 20 grandes, totalizando 78 aviões. A companhia fechou o ano com uma carteira de pedidos firmes a entregar (backlog) de 22,5 bilhões de dólares. Nessa carteira de pedidos firmes, a companhia tem 513 aeronaves a entregar. A empresa registra ainda 659 opções. Os destaques do trimestre, segundo a Embraer, foram a assinatura de um pedido firme para dezenove jatos E175 adicionais pela SkyWest, para ser operado por meio de um acordo de compra de capacidade (CPA - Capacity Purchase Agreement) com a Delta Air Lines, e a confirmação de duas opções por E175 adicionais para a KLM, do contrato com dezessete pedidos firmes e dezessete opções anunciado em março de 2015. Na aviação executiva, os destaques do período foram o início das entregas do novo jato Legacy 450 e o contrato com a Emirates Flight Training Academy para cinco jatos Phenom 100E (com opção para mais cinco aeronaves do mesmo modelo). Em dezembro, a Embraer entregou ainda o primeiro Phenom 100E para um cliente da China.

Procuradoria Geral da República investiga compra de quadros por Collor para lavagem de dinheiro


A Procuradoria-Geral da República suspeita que o senador Fernando Collor (PTB-AL) comprou obras de arte milionárias para lavagem de dinheiro. Investigadores encontraram notas fiscais que comprovam vendas de ao menos 1,5 milhão de reais em quadros ao ex-presidente da República (1990-1992). Os comprovantes foram obtidos durante uma operação de busca e apreensão, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, em endereços de um restaurador que teria intermediado a venda de quadros para Collor. O pedido da ação foi feito pelo procurador-geral Rodrigo Janot em dezembro, depois que uma denúncia anônima apontou um leiloeiro e galerias de arte com os quais Collor compraria obras com dinheiro em espécie. O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato, deferiu a solicitação e a ação foi realizada em 15 de dezembro. De acordo com os investigadores, o restaurador Roberto Kazuto Mitsuuchi representava Collor nos leilões de obras de arte e mantinha "contato direto" com o senador para dar os lances. Outro indício que liga o congressista a Mitsuuchi é uma notícia de que o restaurador foi chamado por Collor para restaurar uma igreja no interior de Alagoas. "Diligências prévias indicam o possível envolvimento do nominado Roberto Mitsuuchi em crime de lavagem de dinheiro supostamente praticado pelo senador Fernando Collor por meio de aquisição de antiguidades e obras de arte", escreveu o ministro Teori na decisão que autorizou as buscas. Na operação de busca e apreensão realizada em julho do ano passado na Casa da Dinda, onde reside o senador, foram encontradas obras de arte, entre elas um quadro do pintor modernista Di Cavalcanti. A descrição, para a Procuradoria Geral da República, é compatível com informações fornecidas na denúncia anônima, segundo a qual um quadro do pintor teria sido adquirido por 2 milhões de reais. O ministro Teori Zavascki também autorizou a quebra de sigilo de um e-mail usado por Collor referente ao período de janeiro de 2010 a abril de 2014. Para os investigadores, há elementos que indicam que o endereço eletrônico era utilizado pelo congressista para tratar questões relativas a desvios em uma estatal. Fernando Collor já foi denunciado pela Procuradoria Geral da República ao Supremo pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito do Petrolão do PT.

Lula está com medo. E decidiu contratar um criminalista de peso. É o especialista certo para sua biografia

Por Reinaldo Azevedo - É, companheiros… Quem tem a biografia de Lula também tem de ter medo. Até há alguns dias, o ex-presidente e o PT iam levando no gogó as acusações que citam o nome do chefão: “Conspiração! Antipetismo! Estão tentando destruir o partido! Querem minar a liderança maior da legenda”… À medida que dados das delações premiadas começaram a vir à luz, bateu no Apedeuta a certeza de que chegou a hora de contratar um criminalista de peso. Profissionais assim ou defendem inocentes injustiçados ou procuram minorar a sanção que certamente virá contra um criminoso. O escolhido foi Nilo Batista, que governou o Rio em 1994, depois que Leonel Brizola, de quem era vice, renunciou para disputar a Presidência da República. Ouvido pela Folha, Batista, um medalhão na área, diz que não cobra honorários de Lula… Então tá! Vai ver o milionário não pode pagar, não é mesmo? Os petistas promovem uma grande gritaria para tentar blindar Lula, que hoje é investigado apenas pela Procuradoria- Geral, em Brasília, por supostamente fazer tráfico de influência em favor da Odebrecht. Esse aspecto em particular, não as acusações contra a empreiteira, é quase marginal no conjunto da Lava Jato. O PT e o próprio Lula fizeram um balanço da situação e chegaram à conclusão de que os fatos vão convergindo para aquele que governava quase como o Rei Sol. A delação de Fernando Baiano já havia complicado a vida de Lula. A de Nestor Cerveró referendou a do outro. No centro da questão, como vocês devem se lembrar, está um empréstimo que o PT contraiu junto ao grupo Schahin de R$ 12 milhões, valor que já chegava a R$ 60 milhões em 2008. Foi quando o grupo assinou um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras. A dívida foi esquecida — ou, na prática, foi paga pela estatal. Delações acusam as digitais de Lula no acordo. Não só isso! A Procuradoria-Geral da República afirma também que, quando presidente, Lula loteou as diretorias da BR Distribuidora entre Fernando Collor e o PT. E a propina rolava solta. Na Operação Zelotes, o investigado é Luís Cláudio, um dos filhos do poderoso chefão do PT. Burro, definitivamente, Lula nunca foi e sente que o cerco dos fatos começa a se estreitar e que diminui o seu espaço para esperneio. Batista tenta insistir na tese da perseguição, mas sabe que se trata de conversa mole: “Há um esforço para a criminalização do ex-presidente”. Não diz esforço de quem: “Não quero fulanizar”. Bem, nem conseguiria, uma vez que isso não existe. Trata-se apenas de uma pressão para ver se intimida os investigadores. Batista se junta, assim, aos advogados Cristiano Zanin e Roberto Teixeira. A sugestão foi do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB-RJ, que é amigo de Lula e uma espécie de seu conselheiro em questões jurídicas. Busca ocupar o lugar que foi de Márcio Thomaz Bastos, mas é visível que lhe falta o cérebro que tinha aquele e que seu fígado é muito mais avantajado. Damous endossou a estratégia até agora seguida de sair gritando por aí “Preconceito! Perseguição!” — coisa, admita-se, que Bastos não fazia. Preferia lidar com a, digamos, tecnologia do direito, não com a do gogó. Os fatos estão um pouco mais encaixados agora. Lula já tem um criminalista. É o especialista necessário para alguém com a sua história.

Eike Batista negocia venda do Hotel Glória a fundo árabe


O vento parece estar virando a favor do combalido Hotel Glória, no Rio de Janeiro. O prédio histórico, que teve as obras de reforma suspensas no segundo semestre de 2013, está sendo usado como moeda de troca em negociações de dívidas do grupo “X”. O empresário Eike Batista costura o arremate de um acordo com o fundo Mubadala, afirmam fontes próximas ao negócio. O fundo soberano de Abu Dhabi é credor da EBX, a holding do grupo, e já está presente em outras empresas criadas pelo empresário, como IMX, de entretenimento, e Prumo Logística. A meta de Eike era levantar entre R$ 230 milhões e R$ 250 milhões com a venda do hotel. O montante se mostrou, no entanto, um entrave ao fechamento do negócio ao longo do último ano, apesar do interesse de diversos grupos de hotelaria e grandes fundos de investimento. O próprio Mubadala considerava o valor alto demais, segundo fontes. Agora, o hotel pode fazer parte do processo de renegociação de dívidas de Eike. “Sabedor da importância daquele espaço para a cidade, mesmo em meio a um difícil processo de reestruturação de empresas do Grupo, tenho dedicado especial atenção à busca de alternativas que possam viabilizar economicamente a retomada das obras. A despeito da conjuntura econômica adversa nos planos externo e interno, acredito que estamos próximos do fechamento de uma parceria que vai permitir que o Hotel Glória volte a ser motivo de orgulho para os cariocas”, explicou Eike, por meio de nota. Desde o fim de 2014, quando o fundo suíço Acron deixou o negócio, Eike busca um investidor para reativar o projeto de hotelaria de luxo. O portfólio da gestora de fundos deste ano documenta a passagem meteórica do Gloria Palace Hotel pela sua carteira de ativos: foi adquirido por R$ 200 milhões e vendido para Eike por R$ 207,1 milhões em 2014. Em novembro daquele ano, Acron e EBX chegaram a anunciar a volta de Eike ao projeto, numa parceria para captar investimentos para o hotel. Depois disso, o projeto não avançou. Procurado, o Acron não comentou. Eike reconheceu, ontem, em nota, que as condições de suas empresas, sobretudo da petroleira OGX (atual OGPar, em recuperação judicial), impactaram negativamente as negociações relativas ao Hotel Glória, mas diz que encontrar uma solução para o ativo é prioridade: “A reversão de expectativas com relação a uma das empresas trouxe dificuldades para todos os empreendimentos do Grupo EBX, dentre os quais o Hotel Glória. Por conta da falta de recursos, tivemos que interromper as obras e todo o planejamento que tínhamos para tornar o local uma referência do turismo internacional”. Executivos próximos à EBX explicam que Eike teria rompido o contrato com a Acron por insatisfação com o desempenho do fundo, que teria, naquela altura, obtido apenas 10% da soma necessária ao negócio. Hoje, dizem essas mesmas fontes, a dívida do empresário com o Mubadala é de cerca de US$ 40 milhões. E que, provavelmente, o montante pode estar sendo abatido do valor pedido pelo hotel. O fundo árabe fez um aporte de US$ 2 bilhões na EBX em março de 2012. No ano seguinte, com a queda do império “X”, o Mubadala renegociou a parceria com o empresário e converteu sua participação em dívida. Hoje, está entre os maiores credores, com participação na Prumo Logística (ex-LLX) e na empresa de entretenimento IMX. O fundo tem ainda, em parceria com a trading holandesa Trafigura, 65% do Porto do Sudeste, em Itaguaí. Desde o fim de 2014, cessaram as conversas para retomada dos trabalhos com a Método, empresa que esteve à frente das obras até 2013. Após a assinatura do contrato com a Acron, conta uma fonte ligada à construtora, houve negociação, mas sem avanço. Com a Four Seasons, gestora canadense de hotéis de alto luxo, a situação não é diferente. Representantes da empresa estiveram no Rio em 2014 para assinar um contrato para operação do hotel. A própria companhia, dizem fontes de mercado, foi quem procurou Eike. O negócio era dado como certo, até que a parceria com a Acron desandou. Inaugurado em 1922, o Hotel Glória foi comprado por Eike em 2008 por R$ 80 milhões. Depois de pronto — o que deveria ter acontecido antes da Copa do Mundo de 2014, num primeiro momento, e das Olimpíadas de 2016, depois —, a promessa era que o Gloria Palace Hotel contaria com 352 apartamentos e duas suítes presidenciais. A situação do hotel tem efeito direto na revitalização do bairro da Glória. 

STF mantém presos executivos da Andrade Gutierrez


O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, negou nesta quinta-feira pedidos de habeas corpus feitos pelas defesas de Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, e de Elton Negrão de Azevedo Júnior, ex-diretor da empreiteira. Os dois foram presos na Operação Lava-Jato em junho do ano passado e continuarão na mesma situação por tempo indeterminado. A decisão foi tomada por Lewandowski porque, durante o recesso do tribunal, cabe ao presidente analisar pedidos urgentes. O presidente do STF ressaltou que, quando terminar o recesso, em fevereiro, o relator da Lava-Jato, ministro Teori Zavascki, poderá rever a decisão, se considerar necessário. No despacho, Lewandowski ressaltou que, ao menos em uma análise inicial, não identificou qualquer ilegalidade nos decretos de prisões expedidos contra os executivos. “Não vislumbro ilegalidade flagrante a merecer a concessão, desde logo, da medida cautelar pleiteada”, escreveu. A decisão foi tomada com base em parecer da Procuradoria Geral da República segundo o qual “haveria possibilidade de reiteração das práticas delitivas” se os investigados forem colocados em liberdade, “colocando em risco a ordem pública”. O ministro também ressaltou que a instrução processual ainda não terminou - portanto, eles deveriam permanecer presos.

Cerveró muda versão sobre propina à campanha de Lula em 2006


O ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, teria modicado sua versão sobre um suposto pagamento de propina de US$ 4 milhões à campanha do então presidente Lula, em 2006, segundo um documento obtido pelo jornal "Valor Econômico". De acordo com o texto, os recursos teriam origem na obra de Renovação do Parque de Refino (Revamp) da refinaria de Pasadena, no Texas. O valor do suposto caixa dois foi citado em um resumo apresentado por Cerveró, ao negociar o acordo de delação premiada, sobre as informações que revelaria. O texto, entregue pela defesa do ex-diretor aos investigadores da Operação Lava-Jato, registra que “foi acertado que a Odebrecht faria adiantamento de US$ 4 milhões para a campanha do presidente Lula, o que foi feito”. O tal pagamento seria a contrapartida por contrato obtido pela construtora e pela UTC para a refinaria do Texas. A menção à suposta propina paga pela Odebrecht à campanha do ex-presidente, no entanto, desaparece do termo de depoimento em que Cerveró trata do assunto na delação premiada, homologada pelo ministro Teori Zavascki, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal. No termo, Cerveró cita a UTC ao invés da Odebrecht como pagadora de suborno para o PT. “Foi decidido que (...) a contrapartida da UTC pela participação nas obras da Revamps seria o pagamento de propina; que se acertou que a UTC adiantaria uma propina de R$ 4 milhões, que seria para a campanha de 2006, cuja destinação seria decidida pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS)”, afirma trecho do documento obtido pelo Valor. Em prisão preventiva desde novembro, Delcídio já foi denunciado ao STF por obstruir a delação de Cerveró. Outra alteração entre os documentos é em relação a Dilma Rousseff. Cerveró citou a presidente três vezes no resumo. “Dilma incentivou Nestor Cerveró para acelerar as tratativas sobre Pasadena. Sempre esteve a par de tudo que ocorreu na compra daquela refinaria e realizou diversas reuniões com Nestor”. O documento também diz que Delcídio tinha relacionamento muito próximo com Dilma e cita reuniões entre ele, Cerveró e a presidente. Todas essas menções somem no termo de delação a que o Valor teve acesso. Segundo Cerveró, ao final da compra de 50% de Pasadena, por US$ 380 milhões, houve pagamento de propina no valor de US$ 15 milhões, sendo que ele receberia US$ 2,5 milhões. O então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, ficaria com US$ 1,5 milhão; o lobista Fernando Baiano receberia US$ 2 milhões, e três representantes da Petrobras dividiriam US$ 5 milhões; além disso, caberiam aos representantes da Astra Oil a quantia de US$ 4 milhões. Sobre Delcídio, Cerveró apresentou uma nova versão no documento formal. Disse que foi extorquido por ele, entre 2005 e 2006, para campanha do governo do Mato Grosso do Sul. No texto, Cerveró afirma que até então não havia “nenhum negócio na diretoria Internacional da Petrobras que pudesse gerar vantagens indevidas”. Mas diante das cobranças do senador ao saber da aquisição de Pasadena, Cerveró “disse que iria repassar parte de sua propina ao parlamentar” para não ter a permanência na diretoria ameaçada. O ex-diretor diz que orientou Fernando Baiano a viabilizar o pagamento e que mesmo depois do acerto, Delcídio seguiu com cobrança de US$ 1 milhão. Ainda de acordo com a reportagem do "Valor", o Instituto Lula disse que o assunto é do tesoureiro responsável pela campanha ou do partido. Sobre a compra de Pasadena, o Palácio do Planalto afirmou que ela foi autorizada com base em resumo executivo elaborado por Cerveró. Já a UTC afirma que “nunca foi contratada e não executou obras na refinaria”. 

Governo Dilma pressiona Sartori para ceder engenheiro da CEEE

O ministro das Comunicações, André Figueiredo, PDT, está muito contrariado com as evasivas do governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), que não assina o ato de cedência de Gerson Carrion, ex-presidente e funcionário da CEEE, para os Correios. A presidente Dilma resolveu nomear o gaúcho para a vice-presidência de Finanças da estatal federal. O governador e sequer seu secretário da Casa Civil atendem os telefonemas do ministro. E nada respondem. O PDT gaúcho já avisou o presidente da CEEE, Paulo de Tarso, como também aos secretários Lucas Redecker (Minas e Energia) e Márcio Biolchi (Casa Civil), que não está gostando nem um pouco do tratamento que o governo aplica no seu filiado, Gerson Carrion. Ex-presidente da CEEE, Carrion não consegue assumir a vice-presidência de Finanças dos Correios porque o governo estadual não libera o economista. O PDT resolveu queixar-se diretamente ao governador. O ministério das Comunicações e a direção nacional dos Correios não estão gostando nada do modo como o presidente da CEEE, Paulo de Tarso, encaminha o pedido de cedência que fez para que o economista Gerson Carrion assuma a vice-presidência de Finanças dos Correios em Brasília. O pedido foi feito em novembro. O ato esteve na mesa de Sartori, que até agora negou-se a assinar a cedência, sem ônus para o Estado. Por trás do jogo de empurra está a pressão que a direção atual da CEEE faz para que Gerson Carrion peça demissão, abrindo mão do emprego que mantém há 30 anos. A CEEE está com PDV em andamento e deseja que seu ex-presidente não saia cedido. A CEEE é um antro de marajás, mantido por governos sucessos. Esses marajás chegam a ganhar 82 mil reais por mês, enquanto a estatal elétrica gaúcha está falida. As negaças do governo Sartori já são consideradas atos de hostilidade ao governo Dilma Roussef.

"O ambiente criado para a prisão de Lula"

O novo advogado criminalista de Lula, Nilo Batista, aquele que tratou o mensalão como um "evento midiático", foi indicado por Wadih Damous. Integrantes da cúpula do PT reconheceram que "recorrer a um criminalista experiente foi uma maneira de tentar evitar o ambiente criado para a prisão de Lula". Dilma Rousseff, segundo a reportagem, também comemorou a decisão, vista "como a profissionalização da defesa do petista, ainda tido no Planalto como principal fiador do governo". Lula está com medo de ser preso. E Dilma Rousseff está com medo de que Lula seja preso.

Quem pagou as despesas de Lula?

O agrimensor que fez a planimetria do sítio de Lula será ouvido pela Polícia Federal. Mas ele já disse um monte de coisas ao Estadão: “Quem indicou tudo, quem arrumou para eu fazer o serviço lá foi o Roberto Teixeira. Todos os serviços que foram executados, meus, de topografia, sempre foram o Roberto Teixeira. ‘Ó fulano está precisando que você faça isso’. Foi sempre o Roberto que pediu. Roberto Teixeira eu conheço desde 1972. Ele tem sítio aqui em Monte Alegre. Foi aqui que o Lula vinha tomar as pingas dele, em Monte Alegre. Eu faço serviço para o Roberto Teixeira há uns 40 anos. Conheço ele de muito tempo, acho que bem antes de ele conhecer o Lula". O agrimensor não disse quem pagou por seu trabalho. Mas Roberto Teixeira sempre foi muito generoso com Lula e seus familiares, hospedando-os há mais de trinta anos em seus imóveis.

Quem pagou? Como pagou?

Além de entrevistar o agrimensor contratado por Roberto Teixeira para trabalhar no sítio de Lula, o Estadão fez também um levantamento no Cartório de Registro de Imóveis, em Atibaia. Jonas Suassuna, sócio de Lulinha e proprietário do apartamento de 6 milhões de reais em que ele mora, é o dono oficial de uma parte do sítio Santa Bárbara. “A propriedade, no bairro Portão, pertencia ao casal Adalton Santarelli e Neusa Santarelli. No dia 29 de outubro de 2010, eles venderam a maior fração do imóvel para Suassuna – pelo valor declarado de 1 milhão de reais”. A outra parte do sítio, menor, foi vendida por 500 mil reais para Fernando Bittar, igualmente sócio de Lulinha. A Polícia Federal tem de apurar a origem do dinheiro usado para comprar a propriedade. E a modalidade de pagamento.

O proprietário desaparecido

O agrimensor contratado por Roberto Teixeira para fazer a planimetria das terras de Lula nunca viu Jonas Suassuna, que aparece no registro de imóveis como o proprietário das terras. Ele disse ao Estadão que só conhece seu escritório: “Não conheci (Suassuna). Eu fui no escritório desse proprietário, que eu acho que é o Suassuna, ali em uma travessa da Paulista".

De quem era o escritório?

O agrimensor contratado por Roberto Teixeira nunca viu o proprietário das terras de Lula, Jonas Suassuna. Mas ele disse ao Estadão que foi ao seu escritório, "ali em uma travessa da Paulista"... O escritório de Roberto Teixeira também fica numa travessa da Paulista (a mesma da editora Gol): rua Padre João Manuel, 755. 
Teixeira, Martins & Advogados
Rua Padre João Manuel, 755, 19º andar

Motoqueiro de Dilma cai de novo

O agora ex-ministro Carlos Gabas, que já havia caído na Operação Pixuleco II, voltou a figurar na Lava Jato. Ele aparece trocando mensagens com Léo Pinheiro, da OAS. Segundo o Estadão, Gabas recebeu pedido de Léo para agilizar a assinatura de um aditivo e o pagamento de parcelas da obra do BRT Sul do Distrito Federal, obra tocada no governo de Agnelo Queiroz. Em 27 de outubro de 2014, duas semanas antes de ser preso, Pinheiro enviou mensagem a Gabas citando José Lunguinho Filho, diretor da OAS Defesa. "Amigo, não deu para o Lunguinho lhe ver. Abaixo a nossa agonia", escreveu o empreiteiro, citando "as pendências". "Contrato: - Solicitar ao GDF (Casa Civil e Secretaria de Transportes) a aprovação do 7.º Termo Aditivo e a respectiva reprogramação (R$ 60 MM), junto a CEF. - Última medição recebida foi referente ao mês de Junho/14. Saldo financeiro do contrato após este recebimento = R$ 90 MM - Recursos: empenhar e pagar - R$ 30 MM da fonte 100 do GDF (contra partida) desbloquear e pagar - R$ 60 MM do convênio de empréstimo, junto a CEF. Grande abraço, Léo". Cinco horas depois, Gabas respondeu. "Ok, Cuido daqui".

Refrescando a memória de Cerveró

Nestor Cerveró revelou que o senador Edison Lobão, quando ministro de Minas e Energia, determinou que a Petros investisse em empreendimentos oferecidos pelo BVA e que acabaram dando prejuízo milionário ao fundo de pensão dos servidores da Petrobras. "O investimento foi feito, sendo que passados alguns anos o banco faliu e a Petros perdeu o dinheiro investido", disse Cerveró, que alegou não se lembrar da empresa que recebeu o dinheiro da Petros e o valor da operação. O Petros investiu no total R$ 1 bilhão em 'projetos' do BVA. O investimento citado por Cerveró foi feito na Multiner, empresa de José Augusto Ferreira dos Santos, fundador do BVA e amigo de Lobão. A Multiner arrecadou R$ 418 milhões em oito fundos de pensão para supostamente construir termelétricas, pequenas hidrelétricas e centrais eólicas. A Petros foi a maior acionista, com 41,9% das cotas. A operação que envolve Lobão também teve a participação de Wagner Pinheiro, que presidia a Petros, e Humberto Pires Grault, ligado a João Vaccari.

100% de certeza

A Lava Jato, hoje, vai fazer outra acareação, além daquela entre José Carlos Bumlai e Fernando Baiano. Segundo a Época, a Polícia Federal vai colocar frente a frente Alberto Youssef e Charles Capella, braço-direito de Antonio Palocci. Alberto Youssef, ao ver a fotografia de Charles Capella, disse que tinha 80% de certeza de que ele havia sido o receptador de 2 milhões de reais de propina para a campanha de Dilma Rousseff, em 2010. Agora ele poderá ter 100% de certeza.

Estados Unidos rastrearão compradores secretos de imóveis de luxo


Preocupado com o dinheiro ilícito que flui para os imóveis de luxo nos Estados Unidos, o Departamento do Tesouro anunciou nesta quarta-feira (13) que começará a identificar e rastrear os compradores secretos de imóveis de valor elevado. A iniciativa será tomada em dois dos principais destinos da riqueza mundial, nos Estados Unidos: Manhattan e Miami e a região que abriga a cidade, o condado de Dade. Isso colocará em destaque o quadrante mais sombrio do mercado de imóveis: aquisições pagas à vista por empresas de fachada que muitas vezes servem para ocultar as identidades dos compradores. É a primeira vez que o governo federal requer que companhias do setor imobiliário revelem os nomes por trás de transações pagas à vista, e isso provavelmente provocará calafrios no setor de imóveis, que nos últimos anos se beneficiou enormemente de um boom na construção que depende cada vez mais de compradores endinheirados e apegados ao sigilo. A iniciativa é parte de um esforço federal mais amplo para dedicar atenção específica à lavagem de dinheiro por meio de imóveis. Funcionários do Tesouro e de agências policiais e judiciais norte-americanas disseram que estão dedicando mais recursos a investigar vendas de imóveis de luxo que envolvam companhias de fachada, tais como companhias de responsabilidade limitada, muitas vezes conhecidas como LLCs; parcerias; e outras entidades. O uso de companhias de fachada para a compra de imóveis é legal, e as LLCs têm diversos usos que não se relacionam a proteger o anonimato de compradores. Mas Jennifer Shasky Calvery, importante funcionária do Tesouro, disse que seu departamento havia identificado casos em que imóveis em valor de milhões de dólares estavam sendo usados para ocultar ganhos ilícitos, em transações que o uso de companhias anônimas torna mais opacas. "Estamos preocupados com a possibilidade de que dinheiro sujo esteja sendo investido em imóveis de luxo", disse Calvery, que dirige a Rede de Combate a Crimes Financeiros, a divisão do Tesouro que comanda a iniciativa: "Acreditamos que parte dos maiores riscos se relacione às transações menos transparentes". O departamento concentrará sua atenção em vendas pagas à vista e realizadas por meio de companhias de fachada. O governo está exigindo que as companhias seguradoras de títulos de propriedade de imóveis, envolvidas em virtualmente todas as vendas, descubram a identidade dos compradores e submetam a informação ao Tesouro. O governo incluirá essas informações em um banco de dados que ficará à disposição da Justiça e das agências policiais. O programa do Tesouro afetará bilhões de dólares em transações com imóveis. Em Manhattan, a iniciativa requererá que compradores envolvidos em transações de mais de US$ 3 milhões sejam reportados. Em Miami e no condado de Dade, transações de mais de US$ 1 milhão terão de ser reportadas. Em Manhattan, 1.045 vendas de imóveis residenciais envolveram valor superior a US$ 3 milhões no segundo semestre de 2015, perfazendo um total agregado de US$ 6,5 bilhões, de acordo com a PropertyShark, uma empresa que registra dados sobre o mercado imobiliário. Além de começar em apenas dois mercados, a iniciativa durará de março a agosto. Se os funcionários do Tesouro perceberem que muitas das transações envolvem dinheiro suspeito, podem desenvolver normas permanentes para reportar esse tipo de transação que se aplicariam a todo o país. Os profissionais de imóveis, especialmente no segmento de luxo, muitas vezes sabem pouco sobre os compradores, e até o momento não tinham obrigação legal de se informar sobre eles. Em suas reportagens, o "New York Times" descobriu que cerca de metade das casas com valor de pelo menos US$ 5 milhões vendidas nos Estados Unidos são adquiridas por meio de companhias de fachada. Em Manhattan e Los Angeles, a proporção é mais alta. Em Nova York, o "New York Times" examinou uma década de registros de propriedade em um famoso edifício residencial perto do Central Park, o Time Warner Center, e descobriu entre os proprietários alguns compradores ocultos que foram alvo de investigações do governo. Entre eles havia senadores russos, um ex-governador colombiano, um financista britânico e um empresário ligado ao primeiro-ministro da Malásia, que está sob investigação. Na Flórida, o "NYT" descobriu um imóvel em Boca Raton ligado ao principal funcionário da área de habitação do governo mexicano, que recentemente renunciou a esse posto para disputar o governo do Estado de Oaxaca, no sul do país. No segundo trimestre do ano passado o Departamento de Finanças municipal de Nova York começou a requerer que companhias de fachada envolvidas em aquisição de imóveis reportem seus proprietários à cidade. No entanto, essa regra é menos abrangente que a ação do Tesouro. Os imóveis estão se tornando um alvo maior para ações policiais. De acordo com duas fontes informadas sobre casos do Departamento da Justiça, os advogados da instituição começarão a formular casos diretamente relacionados a lavagem de dinheiro via transações de imóveis, em lugar de acrescentarem essas transações a outros casos, também parcialmente em resposta às reportagens do "NYT". O Serviço Federal de Investigações (FBI) também está criando uma nova unidade com foco na lavagem de dinheiro, e os imóveis serão uma de suas ênfases, de acordo com duas fontes diretamente informadas sobre o assunto. Esse escrutínio reforçado provavelmente causará mais dores de cabeça ao setor de imóveis, em parte porque não é fácil obter informações sobre companhias de fachada. Os compradores muitas vezes mascaram suas identidades criando camadas e mais camadas de companhias de fachada. Também é comum que preencham os documentos de abertura de LLCs usando os nomes de seus advogados ou outros prepostos, muitas vezes definidos como "nomeados", em lugar de revelarem suas próprias identidades. O Tesouro está em busca dos verdadeiros proprietários das companhias de fachada, muitas vezes designados "proprietários beneficiários". "Não estamos em busca dos nomeados", disse Calvery. O Tesouro definiu como proprietário beneficiário "todo indivíduo que, direta ou indiretamente, controle 25% ou mais das cotas societárias" da entidade que tenha adquirido um imóvel. Assim que as empresas de registro e seguro de títulos de propriedade os identifiquem, elas terão de obter cópias de suas carteiras de habilitação ou passaportes, e informarão os nomes dos envolvidos ao Departamento do Tesouro. Stephen Hudak, porta-voz da Rede de Combate a Crimes Financeiros, disse que as companhias de seguro e registro e os proprietários que prestarem informações falsas estarão sujeitos a penalidades. Sob o Patriot Act, a lei norte-americana de combate ao terrorismo, o Tesouro já tem autorização para exigir que empresas imobiliárias investiguem os compradores de imóveis, mas no passado o departamento enfrentou lobby feroz contra esse tipo de regulamentação. O departamento já requer que instituições de crédito hipotecário investiguem os compradores que financiam. Mas os compradores que adquirem imóveis à vista representavam uma grande lacuna na fiscalização do governo sobre o mercado, disse Calvery. 

Neymar e dirigentes do Santos são convocados a depor na Espanha sobre negociação


Neymar segue com problemas com a Justiça espanhola. O atacante brasileiro vem sendo investigado junto de sua equipe de empresários por ilegalidades na transferência do Santos ao Barcelona, em 2013, e foi convocado nesta quarta-feira a depor na Audiência Nacional Espanhola, em Madrid, no dia 2 de fevereiro. Os pais do astro também foram chamados a depor no mesmo dia, assim como o representante de sua empresa, a N&N, que presta serviços de assessoria em gestão de carreira e imagem de profissionais do esporte e do meio artístico. Além deles, os ex-presidentes santistas, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e Odílio Rodrigues, também terão de comparecer à corte espanhola. Um dia antes, será a vez de o presidente do Barcelona, Josep María Bartomeu, e de seu antecessor, Sandro Rosell, prestarem esclarecimentos à Audiência Nacional devido a uma queixa apresentada pela DIS, empresa que geria parte dos direitos de Neymar, alegando corrupção na chegada do atacante à Catalunha, em junho de 2013. A nebulosa transferência de Neymar para o Barcelona é alvo de dois processos na Espanha, um do fisco espanhol, que tramita em Barcelona, e outro a pedido da empresa brasileira DIS, na capital Madri, acolhido pela Audiência Nacional da Espanha. A empresa DIS detinha 40% dos direitos econômicos do atleta e se sentiu lesada ao tomar conhecimento sobre os reais valores da transação. A DIS e o Santos alegam que a N&N, empresa dos pais de Neymar e que gere a carreira do atleta, forjou contratos com o Barcelona para ficar com a maior parte do dinheiro da venda. O Barcelona alegou inicialmente ter desembolsado 57,1 milhões de euros para tirar Neymar do Santos. No entanto, meses depois, o clube admitiu ter gasto um valor bem maior, que ronda os 100 milhões de euros, dos quais 40 milhões foram para a empresa dos pais de Neymar, sem o conhecimento do DIS e do Santos - o clube respondia por 55% dos direitos e os 5% restantes pertenciam ao grupo de investidores Teísa. A revelação provocou a renúncia do então presidente do Barcelona, Sandro Rosell. A N&N admite ter recebido o valor, mas nega irregularidades. Em setembro, a Receita Federal brasileira confiscou um Porsche e bloqueou mais 188,8 milhões de reais das contas do jogador por uma acusação de fraude cometida entre 2011 a 2013.

BSI: a peça que faltava no xadrez do Safra

O BSI, banco suíço que o BTG comprou e agora está sendo forçado a vender, pode ser a peça que falta no tabuleiro de José Safra. A operação de private banking de ‘seu José’ está presente em vários cantões suíços, mas não é tão forte em Lugano, cidade onde o BSI reina soberano. O jornal suíço Handelszeitung disse nesta quarta-feira que Safra chegou a um acordo com o BTG, sugerindo que a venda será anunciada em breve. Safra tem sido um ávido comprador na Suíça. Há quatro anos, pagou 2 bilhões de francos pelo banco Sarasin, que pertencia ao Rabobank, tirando o doce da boca do Julius Baer, outro suíço que estava na disputa — e que agora, segundo o Handelszeitung, também chegou a negociar o BSI. Em abril de 2014, o então já renomeado J. Safra Sarasin deu mais um passo: comprou a operação de private banking do Morgan Stanley na Suíça, que tinha 10 bilhões de francos sob gestão. Pouco antes de comprar o Sarasin, Safra estudou o BSI pela primeira vez. Analisou o banco, mas acabou se decidindo pelo outro. Agora, já com uma escala maior e tendo do outro lado da mesa um vendedor apressado, as coisas parecem fazer mais sentido. Em março do ano passado, Jacob Safra, filho de seu José, disse que o Safra Sarasin estava “perfeitamente posicionado para perseguir nossa estratégia de crescimento e ser um dos lideres na contínua consolidação da indústria” de private banking na Suíça. O Safra Sarasin administra cerca de 150 bilhões de francos suíços. Historicamente, o BSI abriu seus cofres para o dinheiro não declarado de latino-americanos, incluindo políticos e celebridades brasileiras — you know who you are. No meio bancário, acredita-se que a Generali, seguradora italiana que controlava o BSI antes do BTG, fez um trabalho de ‘higienização’ no banco, ainda que seja impossível determinar o quão rigorosa a limpeza foi de fato. Depois do 11 de setembro, a indústria de private banking teve que mudar. O segredo a qualquer custo, que sempre fora a alma do negócio, teve que dar lugar a políticas mais duras de ‘know your client’ para evitar que terroristas usassem os bancos para financiar o próximo ataque. Boa parte dos grandes bancos venderam suas operações para se distanciar deste novo risco regulatório. Mas para o BTG, que estava expandindo seu negócio na América Latina, o BSI apresentava uma oportunidade única: uma plataforma de clientes que poderiam se tornar compradores de produtos estruturados pelo banco de André Esteves. O plano parecia fazer sentido, até que a Lava Jato mudou tudo. 

Empreiteira amiga de Lula pagou caro a Palocci

A empreiteira WTorre que, segundo o delator Nestor Cerveró, foi favorecida por Lula, é de Walter Torre, empreiteiro que admitiu na CPI da Petrobras ter contratado o ex-ministro da Fazenda de Lula, Antonio Palocci, para fazer 13 palestras durante o governo, a R$ 20 mil cada. Torre admitiu à CPI que Palocci “fez exclusivamente palestras para nós” entre 2007 e 2008. No total o ex-ministro de Lula levou R$ 250 mil. Lula ‘indicou’ a WTorre para construir um prédio de R$ 1,2 bilhão, que depois seria alugado pela Petrobras por R$ 100 milhões/ano até 2029. Outro contratado à época da crise mundial para dar palestras à WTorre é Luiz Gonzaga Belluzzo, consultor pessoal de Lula durante o governo. Beluzzo, tratado por Lula como “querido companheiro”, depois virou presidente do Palmeiras, cujo estádio foi construído pela… WTorre.

Suspeita na Lava Jaro é que o petista Delcídio Amaral agiu a mando de Lula

Uma das hipóteses ainda não descartadas, na investigação do crime de obstrução de Justiça, pelo qual o senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi preso, é que o líder do governo Dilma no Senado pode ter agido a mando do ex-presidente Lula, na tentativa de silenciar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que negociava acordo de delação premiada na Lava Jato. A informação é de fonte com acesso às acusações. O silêncio de Nestor Cerveró não interessava apenas a Delcídio, como revela o depoimento do ex-diretor implicando Lula na gatunagem. Falastrão, Delcídio exagerava sobre sua ligação a Lula e ao Planalto. Mas isso mudou quando ele virou líder do governo Dilma no Senado. Delcídio marcara sua reunião semanal com Lula para o dia seguinte à prisão, reforçando a suspeita de que agia a mando do ex-presidente. Lula não queria Cerveró contando que sua diretoria na BR Distribuidora foi um prêmio pela negociata que fez com Bumlai e o Grupo Schahin.

"Com a Petrobras nas mãos, serei governador da Bahia"

Leiam essa história contada por Dora Kramer, hoje, lá no fim da sua coluna: "Iniciava-se o ano de 2003, Lula recentemente eleito presidente da República. O PT organizou um encontro em São Paulo, no Hotel Hilton, pela primeira vez na vida do partido a portas fechadas, vedado o acesso da imprensa. José Eduardo Dutra e Jaques Wagner eram cotados para a presidência do partido. Nenhum dos dois queria a função. Dutra por causa da experiência no comando do PT de Sergipe – “um horror” – e Wagner pelo desejo de ocupar a presidência da maior empresa brasileira. Palavras de Wagner na ocasião: “Com a Petrobras nas mãos, serei governador da Bahia”. De imediato, o interlocutor não entendeu a relação de causa e efeito, mas em retrospectiva, o diálogo, do qual jamais me esqueço, fez todo sentido. No mesmo evento, José Genoino explicitou os planos do partido: a bordo do poder conquistar a hegemonia política, social e partidária de maneira a dominar o Brasil. Deu errado para o PT. Mas, no fim, acabará dando certo para o combate à impunidade no Brasil. De maneira torta, os petistas escreveram de forma certa sua antiga defesa da ética na política."

Dilma dá superpoderes a advogados

Foi publicada nesta quarta-feira, no Diário Oficial da União, uma alteração no Estatuto da Advocacia, sancionada por Dilma Rousseff. Pela alteração, os advogados poderão questionar uma investigação policial concluída ou ainda em andamento. Eles poderão "examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade". No Brasil, o que parece bom pode ser ruim. Uma lei que visa a impedir o arbítrio policial dá margem a que sejam impostos obstáculos a investigações como as da Lava Jato. É claro que, ao dar superpoderes a advogados, isso não passou pela cabeça de Dilma Rousseff.

Feliz Ano Velho

Lula passou o réveillon com a família no sítio Santa Bárbara em Atibaia, aquele que foi reformado pela OAS. Parece que nada ameaça o capo dei capi. 

Policia Federal indicia Samarco e Vale

O Globo informa que Vale e Samarco foram indiciadas pela Polícia Federal por crimes ambientais decorrentes do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG). A Polícia Federal também indiciou a empresa VogBR e sete executivos e técnicos. Entre os indiciados, está o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi.

Ministério Público Federal contra a mentira olímpica de Dilma

O procurador Ailton Benedito de Souza, de Goiás, cobrou do Palácio do Planalto a suspensão imediata da propaganda "Somos todos Brasil", sobre a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro este ano. Num documento de 27 páginas, Benedito de Souza diz que a campanha está longe de configurar publicidade institucional. Para ele, trata-se de uma peça de caráter político-ideológico patrimonialista. Ele destaca alguns trechos da propaganda, como esse em que o locutor fala: "Todos estamos convocados para defender o Brasil não apenas nas quadras, pistas, piscinas, estádios (...), mas nas ruas e praças, táxis, praias, bares, restaurantes, em todos os lugares", pois "agora somos um só time (...), um time de 200 milhões". Dilma faz um esforço olímpico para nocautear a realidade.

Lula+Dilma=Luma

Novas mensagens do celular de Léo Pinheiro, divulgadas há pouco pelo Estadão, mostram que os executivos da OAS faziam avaliações políticas sobre as campanhas que financiavam. "Vai ser duro!!!! Haja Luma (Lula+Dilma)", escreveu Manuel Ribeiro Filho a Léo Pinheiro, referindo-se à vantagem de ACM Neto sobre o petista Nelson Pelegrino na campanha para a prefeitura de Salvador em 2012. Os dois executivos discutiram formas de salvar a campanha de Pelegrino. "Dilma/ Lula/Militância ofensiva. São as únicas formas de vencer", opinou Ribeiro Filho. "Só Lula e o Papa", respondeu Pinheiro. Como a Lava Jato descobriu, Jaques Wagner intermediou o apoio financeiro da OAS a Pelegrino, que perdeu a eleição. Ribeiro Filho se afastou da OAS no final de 2012. Em janeiro de 2014, ele assumiu como secretário de Desenvolvimento Urbano do governo de Jaques Wagner.

"Acabou o tempo de eleger poste"

Após investir o dinheiro da OAS no candidato derrotado em 2012, César Mata Pires ficou preocupado em repetir o fiasco apoiando o sucessor de Jaques Wagner. Em mensagem de janeiro de 2014, o fundador da OAS alertou Léo Pinheiro sobre o risco aos interesses da empreiteira na Bahia. "LP, acabou o tempo de eleger poste. JW que se cuide... não aprendeu com a vitória do grampinho. Temos que pensar nessa hipótese X nossos interesses na Bahia. Deus nos proteja. CMP" 

Dilma sanciona a lavagem de dinheiro

Dilma Rousseff sancionou a lei de repatriação de recursos, aprovada pelo Senado em dezembro. Quem aderir ao programa pagará 30% de imposto e não poderá ser processado por crimes como sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.