sábado, 17 de dezembro de 2016

Ministro sugere criação de Guarda Nacional para apoiar policiamento dos Estados

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse no Recife que sugeriu ao presidente Michel Temer a criação de uma guarda nacional subordinada às Forças Armadas para atuar no policiamento dos Estados em casos excepcionais. Jungmann afirma que, por enquanto, a ideia é pessoal, e não um projeto de governo. Ele diz que a guarda teria semelhança com estruturas existentes em outros países, sem competição com as polícias estaduais. “Quem de fato tem que responder pela segurança é o profissional da segurança, que são as polícias militares e civis. Mas, na excepcionalidade de precisar, seja por insuficiência ou inexistência da capacidade local de responder pela garantia da lei e da ordem, seria interessante contarmos com a Guarda Nacional que estivesse capacitada, treinada e sob o comando das Forças Armadas". Questionado sobre a necessidade da guarda frente à existência da Força Nacional de Segurança, que já cumpre esse papel no País, Jungmann disse que o grupo – ligado ao Ministério da Justiça – depende de mobilização de militares de todos o Estados da federação, e que ela é composta de acordo com a necessidade; já sua proposta seria de um efetivo permanente. “Hoje, no caso do Exército, 70% do efetivo são militares temporários. Depois de oito anos eles deixam o Exército. Nas outras forças é em média 50%. Então por que não usar esse pessoal já treinado e capacitado para uma força permanente com essas funções extraordinárias?” - sugere. A entrevista foi concedida no Centro de Centro Integrado de Comando e Controle de Pernambuco, onde ocorreu a primeira reunião para avaliar o emprego de 3,5 mil militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica no policiamento ostensivo nos 13 municípios da região metropolitana do Recife, por causa da ameaça de greve dos Policiais Militares. O pedido de apoio das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foi feito pelo governador Paulo Câmara ao presidente Michel Temer na última sexta-feira (9), diante de uma ameaça de greve da Polícia Militar. O governo do Estado considera o movimento ilegal e afirmou, em nota, ter agido por precaução. Questionado sobre o motivo da escolha pelas Forças Armadas, e não pela Força Nacional, grupo que se vê com mais frequência atuando em casos críticos nos estados, o comandante Militar do Nordeste, general Artur Moura, argumentou que um dos motivos seria a logística. “A Força Nacional já está atuando em diversos locais do País, e nós temos uma presença no Nordeste do efetivo do Exército que facilitou a nossa mobilização".