sábado, 2 de abril de 2016

Brigadiano condenado por extorquir traficantes é motorista da presidente da Assembléia gaúcha


Condenado nesta semana por exigir dinheiro de traficantes, o presidente da Associação dos Policiais Militares (APM/RS), soldado Dalvani Albarello, está cedido para atuar na Assembleia Legislativa, onde atua como motorista da presidente da Casa, deputada estadual Silvana Covatti (PP). Ele ingressou no Legislativo na metade do ano passado. Na quinta-feira (31), a 1ª Auditoria da Justiça Militar condenou quatro policiais militares a dois anos de reclusão pelo crime de concussão — quando funcionário público exige uma vantagem indevida durante a função. Apesar da decisão unânime, de dois anos de reclusão previstos na pena, os réus foram beneficiados com a suspensão do cumprimento. Além do soldado Dalvani Albarello, os outros condenados são os sargentos Sérgio Arino de Souza, Jeferson Wbatuba Mota e Luís Fabiano Leaes Nery. Eles foram acusados de exigir, em uma abordagem a suspeitos de tráfico na Zona Sul de Porto Alegre em junho 2012, o pagamento de R$ 20 mil para que os livrassem da prisão. A ação foi toda gravada no telefone de um dos suspeitos, já que ele vinha sendo monitorado em uma investigação da Polícia Civil. Na ligação, o traficante avisa ao seu gerente que ele precisa “recolher tudo o que conseguir de grana” porque estariam “guentando” os policiais dispostos a liberarem. Conforme a denúncia, os brigadianos teriam dado um prazo de 10 minutos para que o gerente do ponto de tráfico trouxesse a quantia. Quatro minutos depois, porém, o gerente avisa que não conseguiria o dinheiro. Então, uma voz identificada como sendo de Albarello deu a ordem: "Então, já era. Cadeia!" O traficante ainda tentou argumentar: "Tá difícil, tu sabe que…". "Cadeia! Cadeia! Fechou, tá? A casa caiu", finaliza o policial. Os três suspeitos foram apresentados na delegacia, com apreensão de drogas, carros e demais celulares. Somente o chip do celular usado justamente no diálogo que comprovaria o crime não foi apresentado no flagrante. No entendimento do Ministério Público, os policiais militares, membros da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, deixaram de cumprir suas funções e cometeram o crime de concussão. A Brigada Militar já teve oficial de alta patente lotado na Presidência da Assembléia Legislativa gaúcha envolvido diretamente com quadrilha de tráfico de drogas e de carros de luxo clonados. 

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