quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Os depoimentos secretos de Lula são uma aberração

Os depoimentos secretos de Lula são uma aberração, não só porque concedem um privilégio a um cidadão comum, mas porque colocam a própria Justiça sob suspeição. Uma vez que são secretos, quem garante que não haverá manipulação do seu conteúdo, para beneficiar o petista? Em nome da transparência, o PT e seus aliados quiseram anular uma votação secreta na Câmara, procedimento legítimo que os prejudicava, mas silenciam, é claro, sobre a excepcionalidade ilegítima que tenta preservar o seu poderoso chefão.

Cerveró afirma em delação que pagou propina a Renan, Jader e Delcídio


O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró disse em seu acordo de delação premiada que pagou US$ 6 milhões em propina ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA). O senador petista Delcídio do Amaral (MS), preso desde 25 de novembro, também teria sido destinatário de outros US$ 2 milhões, conforme Cerveró. Os pagamentos não viriam de uma única obra, mas de um emaranhado de propina arrecadada em vários contratos da diretoria internacional, de acordo com Cerveró. Entre os contratos da área internacional sob suspeita de corrupção estão a construção dos navios-sonda e a compra da refinaria de Pasadena (EUA).Embora a área internacional fosse feudo político do PMDB, Nestor Cerveró disse que foi nomeado para o cargo graças ao peso político de Delcídio - de quem havia sido braço-direito na área de gás da estatal entre 1999 e 2001. Outro delator da operação, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, tem uma versão parecida com a de Cerveró. Segundo Baiano, Renan e Jader teriam recebido US$ 6 milhões de propinas em contrato de navio-sonda, enquanto Delcídio teria ficado com uma "comissão" de US$ 1,5 milhão referente à compra de Pasadena. As acusações do lobista já são investigadas no curso de um inquérito que corre em segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal. O ex-diretor concedeu depoimentos por quatro dias durante a semana passada, na superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Ele está preso desde janeiro. Já Delcídio está preso sob suspeita de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato. O petista foi detido após ter sido gravado em uma conversa com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor, onde propôs um plano de fuga e o pagamento de uma mesada em troca do silêncio do agora delator.

Defesa d banqueiro Andre Esteves pede soltura ao STF e diz que fala de Delcídio foi "bravata"


A defesa do banqueiro André Esteves, sócio do BTG Pactual, ingressou no Supremo Tribunal Federal com um pedido de revogação de sua prisão com o argumento de que as menções ao seu nome feitas pelo senador Delcídio do Amaral (PT-RS) eram "venda de fumaça", "irresponsável bravata" e que ele "está preso por ser rico". Delcídio e Esteves foram presos no dia 25 de novembro sob acusação de tentarem sabotar parte das investigações da Operação Lava Jato. Em gravações feitas por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Delcídio diz que poderia pagar R$ 4 milhões e contribuições mensais de R$ 50 mil para que os nomes do senador e do banqueiro fossem citados na delação premiada do ex-dirigente da estatal. O montante, segundo Delcídio, seria pago pelo banqueiro. Esteves também é acusado de possuir cópia da delação de Cerveró, documento que é sigiloso. "André Esteves não possuía — e nunca possuiu — os anexos da colaboração premiada de Nestor Cerveró, que ensejaram sua prisão, e jamais participou de qualquer reunião", afirmam os advogados de Esteves, mencionando os encontros nos quais estavam presentes o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, Bernardo e o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. Edson e Diogo também foram presos sob acusação de obstruir a investigação. O nome do banqueiro, diz a defesa, foi usado pelo senador para dar credibilidade à oferta de dinheiro. A peça nega que Esteves tenha se reunido com o filho e o advogado de Cerveró e apresenta imagens da câmera do banco para comprovar isso. Também refuta que o banqueiro tenha enviado por celular uma cópia da delação de Cerveró a Bernardo. Assinam o pedido de revogação da prisão o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, Antônio Carlos de Almeida Castro e Sônia Ráo. O trio rebate todas as acusações feitas pela Procuradoria Geral da República contra o banqueiro. Segundo a defesa, Esteves não participou e nunca esteve na sede de uma empresa do grupo BTG, a qual foi acusada de pagar propina ao senador Fernando Collor (PTB-AL) para que uma rede de postos do banqueiro passasse a operar com a bandeira da BR Distribuidora. Collor também nega. Os advogados classificam de "conteúdo absolutamente mentiroso" um papel encontrado com o chefe de gabinete de Delcídio, segundo a qual o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teria recebido R$ 45 milhões de Esteves para aprovar a medida provisória 608, que trata de créditos tributários de bancos que quebraram. Para a defesa, a medida não trouxe benefício ao BTG, já que o crédito tributário só poderia ser usado para compras de bancos feitas após 1 de janeiro de 2014. O BTG comprou a parte podre do Bamerindus em janeiro de 2013. Os advogados refutam também que Esteves tenha sido beneficiado pela compra de 50% da um braço da Petrobras na África, a Petro África, por US$ 1,525 bilhão. De acordo com a defesa, é falsa a versão divulgada pela imprensa de que 25% da Petro África valeria US$ 3,5 bilhões. Os advogados afirmam que esse negócio foi conduzido por Graça Foster, ex-presidente da Petrobras a quem a defesa de Esteves diz ter "reputação ilibada". Cerveró não estava mais na diretoria internacional quando o negócio foi fechado, em 2013, ainda segundo os advogados.

Juíza mineira condena ex-governador Eduardo Azeredo a 20 anos de cadeia no Mensalão de Minas Gerais

A juíza Melissa Pinheiro Costa Lage, da 9ª Vara Criminal de Minas Gerais, condenou hoje o ex-governador Eduardo Azeredo a 20 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Azeredo foi identificado como o principal beneficiário do chamado "Mensalão Mineiro", esquema de desvio de recursos operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer o caixa dois da campanha do tucano à reeleição em 1998. O esquema movimentou mais de R$ 100 milhões, dos quais R$ 54 milhões passaram pelas contas da SMP&B e DNA, de Marcos Valério.

Desembargador derruba decisão para retirada do ar do Whasapp

O desembargador Raimundo Nonato Alencar, do Tribunal de Justiça do Piauí, derrubou a decisão do juiz Luiz de Moura Correia, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, que pedia a suspensão do aplicativo WhatsApp no Brasil por não colaborar com as leis brasileiras. De acordo com o desembargador, o ato punitivo aplicado pelo juiz não é razoável. "A suspensão de serviços afeta milhões de pessoas em prol de investigação local", justificou Alencar na sentença, publicada nesta quinta-feira (26), um dia após o polêmico pedido de suspensão ter vazado na internet.

Marin consegue adiar para janeiro pagamento de fiança à Justiça nos EUA


Em audiência na Justiça de Nova York, nesta quarta-feira (16), o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, um monoglota de 83 anos, conseguiu que o juiz adiasse novamente o prazo para o pagamento de parte da fiança com a qual se comprometeu para ter direito a prisão domiciliar. Já foram ao menos quatro adiamentos. O juiz Raymond Dearie deu até o dia 15 de janeiro para o ex-cartola entregar a carta de crédito de US$ 2 milhões (R$ 7,9 milhões) de um banco americano. A defesa alega dificuldades para fazer a transferência internacional. A defesa reclamou da burocracia e do custo da transação. O advogado americano que lidera a defesa de Marin, Charles Stillman, disse "dividir a frustração" com a acusação, mas foi recebido com impaciência pelos promotores que representam o governo americano e cobraram um prazo de Dearie. O juiz disse estar "ansioso para o caso avançar". A audiência durou cerca de 20 minutos. Marin estava com a aparência mais cuidada do que quando chegou a Nova York, em 3 de novembro. Estava com a barba feita e o cabelo cortado. Usava terno e gravata. Sorriu diversas vezes ao conversar com seus advogados na corte. Aos jornalistas, limitou-se a repetir "bom dia" e "feliz Natal". Stillman disse que o cliente está bem de saúde. Um tradutor acompanhou a audiência ao lado do réu. O ex-presidente da Traffic USA (braço norte-americano da Traffic), Aaron Davidson, também estava na corte. A próxima audiência foi marcada para 16 de março. O acordo que dá direito a Marin aguardar o julgamento, daqui ao menos um ano e meio, em prisão domiciliar, prevê uma garantia de US$ 15 milhões, dos quais ele deveria desembolsar US$ 1 milhão em espécie e US$ 2 milhões em carta de crédito bancário. Há cerca de três semanas, sua defesa pediu prorrogação do prazo para o pagamento do US$ 1 milhão, alegando dificuldades para obter o recurso. Na ocasião, o juiz consentiu. O valor já foi desembolsado. O ex-cartola também se comprometeu a usar tornozeleira eletrônica, é vigiado por câmaras de vídeo em seu apartamento e por um segurança e tem cinco fiadores. O ex-presidente da CBF foi extraditado para os Estados Unidos em 3 de novembro, após cinco meses preso na Suíça. Ele é acusado pelo governo americano de participar de um esquema mundial de propinas e subornos no âmbito de comercialização de jogos e direitos de marketing de competições.

WhatsApp: somos uma república das bananas

Não importa o processo que corre sob segredo de Justiça envolvendo o WhatsApp, a decisão de retirar do ar, por 48 horas, o serviço de mensagens mais utilizado do Brasil é autoritária, estúpida e digna de uma república das bananas. O WhatsApp é o serviço mais usado no país também porque as operadores brasileiras cobram caríssimo pelas mensagens de texto, ao contrário do que ocorre nos países civilizados, onde não existem mais "pacotes de SMS" e o número de envios é ilimitado.

Com votação concluída no Senado, projeto que regulamenta jogos de azar no Brasil segue agora para a Câmara


A Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional (CEDN) concluiu nesta quarta-feira (16), em turno suplementar, votação favorável ao Projeto de Lei do Senado (PLS)186/2014, que regulamenta a exploração dos jogos de azar. A proposta autoriza o funcionamento no País de cassinos e bingos, além de legalizar jogos eletrônicos e o jogo do bicho. O texto aprovado foi o substitutivo proposto pelo relator, senador Blairo Maggi (PR-MT). O projeto recebeu decisão terminativa e por isso segue agora diretamente para análise na Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso — endossado por pelo menos nove senadores — para que a decisão final seja em Plenário. A pauta da Agenda Brasil foi articulada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, com os líderes partidários para incentivar a retomada do crescimento econômico do País. Na Câmara já atua uma comissão especial que também examina proposta de legalização dos jogos de azar. Segundo o autor do projeto, senador Ciro Nogueira (PP-PI), o Brasil deixa de arrecadar em torno de R$ 15 bilhões anuais por causa da falta de regulamentação dos jogos de azar. No texto agora aprovado, ele definiu os tipos de jogos que podem ser explorados, os critérios para autorização e regras para distribuição de prêmios e arrecadação de tributos — destinados à seguridade social. Na visão do autor, "é no mínimo incoerente dar um tratamento diferenciado para o jogo do bicho e, ao mesmo tempo, permitir e regulamentar as modalidades de loteria federal hoje existentes". De acordo com Ciro, para cada um real hoje gasto com jogos legais, dois são aplicados em outros mantidos na ilegalidade. "O País está enfrentando uma situação que vinha sendo colocada debaixo do tapete. A gente não poderia continuar fingindo que não existe o jogo clandestino, sem que a sociedade tenha o menor benefício quanto a isso", afirmou. Blairo acatou emenda do senador Benedito de Lira (PP-AL) que restringe a autorização para explorar jogos às pessoas jurídicas que comprovem regularidade fiscal. Outra emenda acolhida, do senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a comissão especial, veda aos políticos com mandatos a exploração de jogos de azar. "Particularmente, acho que o político é igual a todo mundo. Mas, para resguardar e dar mais transparência, acatamos essa sugestão", afirmou Blairo na votação da semana passada. Para Otto, o projeto atende ao que pensa a maioria da população sobre os jogos. Ao justificar seu apoio, ele citou o colega Antonio Anastasia (PSDB-MG), que apontou, na reunião passada, o funcionamento dos jogos, de modo legal, em países com alto padrão de desenvolvimento. "Se dá certo no Canadá, nos Estados Unidos, Alemanha e França, por que não pode dar certo no Brasil? — questionou. A aprovação do projeto, no entanto, não contou com apoio unânime. Na semana passada, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) se posicionou de modo contrário dizendo que o jogo “concentra renda”, ao tirar dinheiro de muitos em favor de apenas um ganhador”. Para o senador, práticas ilícitas envolvendo drogas e prostituição podem ser estimuladas com a regularização do jogo. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) se absteve da votação, apontando que tinha “muitas dúvidas” sobre o projeto. Ela disse que não se tratava de uma questão partidária ou de governo, mas opinou que o projeto deveria ser discutido de forma mais profunda. "Geralmente, a questão do jogo incentiva outras atividades que podem causar impactos negativos na sociedade", afirmou. Apesar dos questionamentos, o projeto foi aprovado na quarta-feira passada por 8 votos a favor e 2 contrários, além de uma abstenção. No turno suplementar, o objetivo era apenas apreciar novas emendas ao texto, exigência para projetos terminativos aprovados em comissões na forma de substitutivo. Porém, nenhuma emenda foi apresentada ao longo da última semana. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) chegou a sugerir que os cassinos fossem autorizados somente nas regiões menos desenvolvidas e fora das capitais. Assim, por exemplo, eles não poderiam ser instalados nas Regiões Sul e Sudeste. A emenda foi rejeitada pelo relator. Depois, ao ser votada em destaque por toda a comissão, foi vencida novamente. Blairo Maggi afirmou, em seu relatório, que “é desejável a iniciativa de se regulamentar o jogo de azar no Brasil”. Ele admite que a atividade tem sido exercida, ainda que de modo ilegal. Para o relator, a ilegalidade acaba desencadeando outro efeito perverso: os recursos obtidos com a exploração do jogo servem para a corrupção de agentes públicos. Com a regulamentação, ele acredita que será possível “extirpar” o problema da corrupção que hoje existe e, ao mesmo tempo, assegurar aumento expressivo das receitas públicas”, sem que isso importe em incremento da carga tributária dos demais contribuintes.

O sigilo do coração de Delcídio

Delcídio do Amaral está tentando limpar sua barra no Supremo. Ele enviou uma carta aos ministros que foram citados por ele e seu assessor na gravação feita por Bernardo Cerveró. Episódio que classifica como "triste acontecimento". "Não pretendo me defender, mas explicar a minha conduta. Agi de forma inadequada", diz. "No sigilo de meu coração, jamais houve a intenção de ofender ou macular a honra dos magistrados da mais alta Corte do País". E termina exaltando o STF como exemplo de probidade. Considerando a quantidade de segredos que Delcídio carrega no coração, surge a dúvida: é um pedido de desculpas ou recado?

Lula presta novo depoimento secreto

Lula prestou depoimento hoje pela manhã, em Brasília, por cerca de duas horas. Para despistar a imprensa, a oitiva ocorreu numa sala do prédio da Procuradoria-Geral de Justiça Militar, cuja sede fica em local ermo. Foram funcionários que revelaram a presença de Lula no local, entre 10h e 12h. Teori Zavascki autorizou um depoimento de Lula como testemunha em inquérito da Lava Jato, mas a PGR não esclareceu se a oitiva está relacionada ao caso. Lula está intimado a depor na sede da Polícia Federal, em Brasília, amanhã, no âmbito da Operação Zelotes. Em outubro, Lula prestou outro depoimento em local incerto na investigação sobre tráfico de influência para a Odebrecht. Até quando o Ministério Público vai conceder esse tipo de privilégio ao ex-presidente?

Congresso aprova Plano Plurianual para os próximos dois anos


O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (16) o Plano Plurianual de 2016 a 2019, abrindo espaço para a votação do Orçamento Geral da União para o próximo ano na CMO (Comissão Mista de Orçamento). A rápida votação, conduzida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi simbólica. Pelas regras da comissão, o Orçamento só pode ser analisado pelos seus integrantes depois que a maioria dos deputados e senadores aprovarem o PPA, que é um conjunto de diretrizes para os orçamentos dos anos seguintes. Renan suspendeu a sessão do Congresso para que a comissão possa realizar a votação do Orçamento. A análise da proposta ainda neste ano foi defendida pela presidente do colegiado, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), que queria limpar a pauta da comissão antes do encerramento dos trabalhos legislativos. O relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), defendeu a votação da matéria ainda neste ano. Ele também ressaltou positivamente o acordo feito hoje na CMO que permitiu a aprovação da mudança da meta de superávit de 2016 de 0,7% para 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2016.

Tribunal Justiça afasta administrador da massa falida do banco Cruzeiro do Sul


A 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, por unanimidade, afastar Vânio Aguiar da administração da massa falida do Banco Cruzeiro do Sul. O relator Enio Santarelli Zuliani considerou que o fato de Aguiar acumular também o comando da massa falida do Banco Santos configurava conflito de interesse, acolhendo recurso impetrado pelos antigos advogados do dono do Cruzeiro do Sul, Luís Octávio Índio da Costa. O voto do relator foi acompanhado pelos desembargadores Fernando Antônio Maia da Cunha e Carlos Teixeira Leite Filho na sessão da 4ª Câmara na tarde desta quarta-feira (16). A massa do Banco Santos cobra na Justiça cerca de R$ 300 milhões do Banco Cruzeiro do Sul - o que tornou Vânio Aguiar simultaneamente administrador das duas partes do mesmo litígio. O pedido de afastamento de Vânio Aguiar havia sido rejeitado pelo juiz da 2ª Vara de Falências de São Paulo, Paulo Furtado, que nomeou um administrador "ad hoc" para representar o Cruzeiro do Sul no litígio específico com o Banco Santos. O Tribunal de Justiça, agora, reformou a decisão e afastou Aguiar do Cruzeiro do Sul. Caberá ao juiz da 2ª Vara de Falências nomear um novo administrador. O banco Cruzeiro do Sul entrou em liquidação judicial em setembro de 2012 por decisão do Banco Central. O Banco Santos quebrou em 2005.

Senado não pode negar instauração de pedido de impeachment, diz Fachin


Luiz Edson Fachin, ministro do Supremo Tribunal Federal, votou nesta quarta-feira (16) contra a possibilidade de o Senado poder recusar a instauração de um processo de impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados. Ele é relator da ação que trata do roteiro do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Segundo o ministro, após a admissão da acusação de crimes de responsabilidade pela Câmara, cabe ao Senado necessariamente instaurar o processo. O ministro estabelece que o afastamento do presidente se dá logo após a leitura do parecer enviado pela Câmara pelo plenário do Senado. "Inexiste competência do Senado para rejeitar autorização expedida pela Câmara. Nem poderia. Nem poderia, o comando constitucional é claro ao indicar que admitida a acusação será ele submetido a julgamento. Não há faculdade da mesa quando recebe a acusação, deve ela instaurar o procedimento". O governo aposta que o Supremo determine que o Senado tem possibilidade de rejeitar a instauração do processo de impeachment porque seria mais fácil barrar o impeachment na Casa, onde tem uma base governista mais estável. No início de seu voto sobre o rito do processo de impeachment, Fachin propôs ainda que não há necessidade de defesa prévia de Dilma antes de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitar o pedido de afastamento. O governo tenta emplacar no Supremo que, antes de Cunha ter acolhido o processo, Dilma deveria ter sido ouvida numa garantia de amplo direito de defesa. Se acolher esse entendimento, o Supremo invalidará todos os atos praticados até agora. Para Fachin, o ato do presidente da Câmara não encerra o recebimento da denúncia, que terá que passar pelo crivo de uma comissão especial e do plenário da Casa legislativa. Segundo o relator, a defesa prévia deve ser apresentada no parecer da comissão especial da Câmara que discutirá o pedido de afastamento e ao plenário.

Com queda nas vendas, CSN estuda reduzir produção de aço


A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) estuda paralisar as operações do alto-forno 2 da Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda (RJ), em resposta à queda nas vendas de aço. O alto forno 2 é responsável por 30% da capacidade de produção da Usina Presidente Vargas, atualmente na casa dos 5,6 milhões de toneladas por ano. Os 70% restantes são produzidos no alto-forno 3. A CSN não quis comentar a informação, mas a Folha apurou que o plano de paralisação começou a ser estudado em meados do ano e ganhou força com a queda das vendas no segundo semestre. De acordo com dados do balanço da empresa, a usina produziu 3,2 milhões de toneladas de aço bruto nos primeiros nove meses de 2015, queda de 4% com relação ao mesmo período do ano passado. A retração, contudo, se acentuou no terceiro trimestre, quando a queda de vendas foi de 9%. Além de sofrer com a falta de clientes no país, a CSN vem perdendo fatia de mercado nos Estados Unidos para siderúrgicas chinesas, dizem fontes próximas à companhia. Com elevada dívida, a CSN teve prejuízo de R$ 754,7 milhões nos primeiros nove meses de 2015. A empresa é uma das únicas siderúrgicas brasileiras que ainda não anunciou paralisação de unidades e tem acumulado estoques diante da queda nas vendas. A última vez que paralisou um alto-forno foi em 2009, quando as vendas despencaram em consequência da crise financeira global. De acordo com o Instituto Aço Brasil (IABr), a produção nacional de aço bruto caiu 4,4% em novembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. As vendas internas tiveram retração de 18,3% no período.

Comissão aprova texto base do Orçamento de 2016 com meta irrealizável de 0,5%


A Comissão Mista de Orçamento aprovou nesta quarta-feira (16) o texto base da Lei Orçamentária de 2016, que já contempla a meta de superavit primário de R$ 24 bilhões proposta pelo governo. Os parlamentares ainda terão de analisar dezenas de emendas ao projeto, que depois seguirá para votação no plenário do Congresso. O valor de R$ 24 bilhões corresponde à economia que terá de ser feita pelo governo federal no ano que vem para que o setor público feche 2016 com um superavit primário equivalente a 0,5% do PIB (produto interno bruto). O ministro Joaquim Levy (Fazenda) defendia que a meta deveria ser de 0,7% do PIB, mas a presidente Dilma Rousseff optou pelo resultado menor. Segundo o Planalto, o objetivo foi preservar recursos do Bolsa Família. O relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), estava propondo um corte de R$ 10 bilhões no programa. Mas nesta quarta-feira os parlamentares aprovaram uma emenda ao texto recompondo os recursos do Bolsa Família. O plenário do Congresso só poderá votar o orçamento depois de aprovar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que fixa as metas fiscais para o ano. 

Novo vice da CBF, coronel Nunes diz que não existe corrupção no futebol


Eleito nesta quarta-feira (16) vice-presidente da CBF, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antonio Carlos Nunes, de 77 anos, defendeu Marco Polo Del Nero e disse que não existe corrupção no futebol brasileiro. Qual é a história do Pará no futebol brasileiro, por falar nisso? Um dos últimos a deixar o prédio da entidade no início da noite, coronel Nunes, como é conhecido, admitiu que não tinha planos para comandar a CBF, mas afirmou que aceita assumir o cargo de Del Nero em caso de renúncia do cartola. Como vice mais velho, ele é o primeiro na linha sucessória, de acordo com o estatuto da entidade. "Acabei de ser eleito. Nunca imaginei chegar aqui. Vamos ver o que vem pela frente. Não é só o dedo do presidente que resolve", disse Nunes, escolhido para substituir José Maria Marin na vice-presidência da CBF. Coronel da reserva da PM do Pará, Nunes obteve 44 votos da assembléia-geral da entidade. Três dirigentes votaram contra o paraense, outros três em branco e cinco abriram mão do voto. "Não acredito em corrupção no futebol. Nunca vi isso. Eles não têm coragem de chegar perto de mim", disse o paraense, acrescentando que é "amigo de muitos anos" de Del Nero. O coronel paraense, com certeza, nunca ouviu falar em um remédio brasileiro chamado Simancol. Os últimos três presidentes da CBF (Del Nero, Marin e Ricardo Teixeira) são acusados pela Justiça americana de fazer parte de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de competições no Brasil e no Exterior. A eleição do coronel Nunes foi a opção encontrada por Del Nero para evitar a posse do presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto, de 74 anos, em caso de renúncia. Peixoto faz oposição a Del Nero e era o vice mais velho até então. Presidente da Federação Paraense de Futebol há 24 anos, o coronel revelou ser um "boleiro". Apesar de ter elogiado o trabalho de Dunga, ele afirmou que o treinador da seleção terá que mostrar resultado em 2016 para se manter no cargo. O dirigente disse que o melhor treinador do país é Dado Cavalcanti, do Paysandu, seu clube de coração: "Ele recuperou o time e quase o colocou na Série B". O paraense também elogiou o técnico do Águia de Marabá, João Galvão, que já comandou a equipe em mais de 250 jogos. "Ele é bom, mas para o Águia", disse o coronel, ao ser questionado se o treinador poderia comandar o time nacional. Outro que conta com o apreço de Nunes é o lateral Yago Pikachu, do Paysandu. O jogador foi negociado com o Vasco nesta quarta. "Rapaz, poucas vezes vi um cara que bate na bola com tanta qualidade. Entra pela lateral, corta da direita para esquerda como ninguém e faz muitos gols. É excelente. Tem potencial e vai se dar bem no Vasco. Até liguei para o Jorginho para elogiar o Yago, mas ele estava focado na reta final do Brasileiro", contou.

Estados Unidos aumentam a taxa de juros pela primeira vez desde 2006


O Federal Reserve (banco central americano) anunciou nesta quarta (16) o aumento dos juros no país em 0,25 ponto percentual. É a primeira elevação desde junho de 2006. Com o aumento, a taxa básica de juros, que serve de referência para a remuneração dos títulos públicos americanos e estava entre zero e 0,25%, passa para 0,25% a 0,50%. A decisão foi tomada por unanimidade pelos membros do comitê de política monetária do Fed, em sua última reunião do ano e já era esperada pela maioria dos analistas de mercado, devido aos sinais de recuperação da economia americana nos últimos meses. "O comitê julga que houve melhora considerável nas condições do mercado de trabalho neste ano e está razoavelmente confiante de que a inflação subirá, no médio prazo, à meta de 2%", explicou o Fed no comunicado em que anunciou o aumento de juros. Em comunicado, o Fed indica que os ajustes da política monetária serão "graduais". "Como um todo, levando em conta desdobramentos domésticos e internacionais, o comitê vê os riscos para a atividade econômica e para o mercado de trabalho como equilibrados", diz. De acordo com economistas consultados, a decisão não deve causar altas expressivas no dólar ou turbulências na Bolsa e nas taxas de títulos públicos brasileiros. A expectativa em torno do aumento de juros nos Estados Unidos vinha causando ansiedade nos mercados a cada reunião do Fed nos últimos meses, sobretudo em mercados emergentes como o Brasil. A preocupação é de que, com a melhor remuneração criada após o aumento dos juros, os títulos americanos atrairão recursos aplicados nos países emergentes, de maior risco, pressionando a alta do dólar. Dados recentes reforçaram a confiança dos membros do Fed para começar a aumentar os juros. Entre eles, a criação de 211 mil postos de trabalho em novembro e a manutenção da taxa de desemprego em 5%, próxima da média histórica de 4,5% anterior à crise financeira de 2008. Outro dado positivo foi o índice de inflação, que manteve-se inalterada. Em novembro, o índice de preços ao consumidor, que exclui alimentos e energia, teve alta de 0,2% pelo terceiro mês consecutivo. Para Angel Ubide, pesquisador do Instituto Peterson de Ecomomia Internacional, o mercado já absorveu nos preços de ativos possíveis fugas de recursos para os Estados Unidos e a instabilidade de economias emergentes como a brasileira. "O problema do Brasil é interno, não foi criado pela economia americana ou pelo Fed", afirmou Ubide, expressando opinião semelhante à de grande parte dos analistas. Os juros nos Estados Unidos estavam próximos de zero desde dezembro de 2008, quando a crise financeira culminou na falência do banco Lehman Brothers, instalando o pânico nos mercados e mergulhando a economia americana na pior recessão desde a década de 1930. O Fed então cortou a taxa de juros ao mínimo histórico, entre zero e 0,25%, num esforço para impulsionar a recuperação do país. Com a economia americana mostrando sinais de retomada, especialistas alertavam nos últimos meses para o risco de esperar demais para um aumento de juros, entre eles a criação de uma bolha de ativos financeiros, devido ao excesso de liquidez no mercado. Outro problema foi lembrado pela própria presidente do Fed, Janet Yellen, em discurso há duas semanas. Manter a taxa de juros perto de zero por um longo período, disse, talvez acabasse forçando o Fed a a apertar a política monetária "abruptamente". "Isso poderia perturbar mercados financeiros e até levar a economia, inadvertidamente, à recessão", afirmou. Em meio à expectativa dos últimos meses, muitos economistas apontaram que o ritmo do aumento dos juros será tão ou mais importante que o momento da decisão.

Justiça determina bloqueio do WhatsApp em todo o Brasil por 48 horas


As operadoras de telefonia celular receberam determinação judicial nesta quarta-feira (16) para bloquear o funcionamento do aplicativo WhatsApp em todo o território nacional por 48 horas. As teles, por meio do Sinditelebrasil, afirmam que cumprirão a determinação judicial que passa a valer a partir de 0h desta quinta-feira (17). A medida foi imposta pela 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo por meio de uma medida cautelar, mas o autor da ação está mantido sob sigilo. O pedido não foi feito pelas teles, que há alguns meses travam uma disputa comercial com o WhatsApp. O bloqueio foi solicitado às teles dentro de uma investigação sobre "quebra de sigilo de dados". Os operadores supõem que se trate de uma investigação policial. O escritório do Facebook no Brasil não comentou o assunto — apesar de ser dona do app, a companhia o trata como um negócio separado. Em fevereiro, um caso parecido ocorreu no Piauí, quando um juiz também determinou o bloqueio do WhatsApp no Brasil. O objetivo era forçar a empresa dona do aplicativo a colaborar com investigações da polícia do Estado relacionadas a casos de pedofilia. A decisão foi suspensa, porém, por um desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí após analisar mandado de segurança impetrado por companhias de telecomunicações. As teles já vinham reclamando ao governo que é preciso regulamentar o serviço do aplicativo, que faz chamadas de voz via internet. Para elas, esse é um serviço de telecomunicações e o WhatsApp, e demais aplicativos do gênero, não poderiam prestar porque não são operadores. Recentemente, o presidente da Vivo, Amos Genish, disse em um evento que o aplicativo prestava um serviço "pirata" e defendeu regulamentação. "Não tenho nada contra o WhatsApp, que é uma ferramenta muito boa, mas precisamos criar regras iguais para o mesmo jogo", disse. "O fato de existir uma operadora sem licença no Brasil é um problema", afirmou Genish, em referência ao serviço de voz do aplicativo. Para o executivo, o WhatsApp estaria funcionando, na prática, como uma operadora de telefonia.

Propina Maravilha

A propina de R$ 52 milhões foi cobrada por Eduardo Cunha em cima do valor de R$ 8 bilhões liberados pelo FI-FGTS (Fundo de Investimento do FGTS) para o projeto Porto Maravilha, menina dos olhos do prefeito Eduardo Paes. Quem liberava o dinheiro no FI-FGTS era justamente Fábio Cleto, que foi exonerado por Dilma Rousseff na semana passada. Segundo a Época, há também mensagens de SMS trocadas entre Eduardo Cunha e Leo Pinheiro, da OAS, responsável pelas reformas no triplex de Lula e no sítio de Atibaia. Começa a ficar mais evidente que tipo de munição Cunha tem para cair atirando.


O grande timoneiro da propina

Procuradoria pede afastamento de Eduardo Cunha ao STF


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, protocolou nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o chefe do Ministério Público, ele deve ser retirado de seu mandato parlamentar e, consequentemente, da presidência da Câmara dos Deputados. Para Janot, há indícios suficientes de que o peemedebista tem utilizado o cargo de congressista para travar investigações sobre o bilionário escândalo de corrupção do petrolão. Nesta terça-feira, para colher provas contra políticos suspeitos de atuar para blindar as apurações da Operação Lava Jato, a Polícia Federal deflagrou a Operação Catilinárias, cumprindo 53 mandados de busca e apreensão na casa de diversos políticos, essencialmente do PMDB - Eduardo Cunha incluído. Na avaliação de Janot, o afastamento de Eduardo Cunha é crucial para "garantir a ordem pública", a regularidade das investigações e a atuação normal das investigações do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. O processo deverá ser analisado pelo Plenário da Corte. No pedido de afastamento do cargo, o Ministério Público diz que as suspeitas contra Eduardo Cunha são "anormais" e que as acusações contra ele de manter dinheiro de propina em contas secretas na Suíça e de ter recebido propina de operadores do esquema do petrolão podem acarretar a perda do mandato. Ao todo, Rodrigo Janot diz ter reunido onze situações em que Eduardo Cunha usou seu mandato para travar ou pelo menos atrasar as investigações da Lava Jato. Entre as acusações de que o peemedebista utilizava seu mandato para barrar investigações está a coação de testemunhas e de delatores do esquema do petrolão. Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, disse que foi ameaçado sucessivamente pelo deputado licenciado Celso Pansera (PMDB-RJ), que atuava como aliado de Cunha na CPI da Petrobras. O então parlamentar, hoje ministro de Ciência e Tecnologia, foi o autor de requerimentos na comissão de inquérito para quebrar sigilos telefônicos, bancários, fiscais e telemáticos das duas filhas de Youssef e da ex-mulher dele. O também delator da Lava Jato Julio Camargo, que disse que Eduardo Cunha recebeu 5 milhões de dólares em propina em troca de contratos na Petrobras, informou que não revelou antes o pagamento de dinheiro sujo ao peemedebista por medo de represálias. A advogada Beatriz Catta Preta, que atuava nas principais delações da Operação Lava Jato, deixou as defesas em um episódio nunca esclarecido. Genericamente, ela disse ter se sentido ameaçada.

Fachin impõe derrotas a Dilma em voto sobre rito do impeachment


O Supremo Tribunal Federal deu início nesta quarta-feira ao julgamento em que definirá o que vale ou não no processo que poderá resultar no impedimento da presidente Dilma Rousseff. E a sessão não trouxe boas notícias para a petista. Relator do caso na corte, o ministro Edson Fachin apresentou seu voto ao longo da sessão - impondo importantes derrotas ao Planalto. O STF analisa a ação em que o PCdoB pede que os ministros interpretem como deve tramitar um pedido de impeachment, uma vez que a lei que trata do assunto é de 1950 e o país é regido pela Constituição de 1988. A sessão foi encerrada pouco depois das 18h40 e será retomada nesta quinta-feira, com o voto do ministros Roberto Barroso. Fachin rejeitou ​os principais pedidos dos governistas e do PCdoB, à exceção do direito de Dilma ser notificada e poder se defender antes do parecer final da comissão especial do impeachment na Câmara e do processo e julgamento no Senado. "Trago apenas uma proposta ao debate em homenagem a à colegialidade e à segurança jurídica", disse o relator. O voto do ministro Edson Fachin, que manteve inalterados os principais questionamentos de defensores da presidente Dilma Rousseff na ação de descumprimento de preceito fundamental contra o impeachment, surpreendeu os deputados governistas que acompanharam a sessão de julgamento nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal. Integrantes do PT e do PCdoB não conseguiram esconder expressões de abatimento após uma primeira derrota no Supremo. Fachin rejeitou anular a escolha da comissão especial que julgará o impeachment na Câmara e reconheceu a validade da votação secreta. No mês passado, ele havia concedido uma liminar para obrigar senadores a decidirem pelo voto aberto se mantinham ou não a prisão do líder do governo Dilma, Delcídio do Amaral (PT-MS), flagrado em tentativa de coagir e facilitar a fuga de um réu já condenado na Operação Lava Jato. A liminar virou um argumento dos governistas para pedirem que a eleição da comissão especial do impeachment seguisse a mesma regra. Mas Fachin afirmou que a decisão cabe à Câmara e que tanto poderia ser aberta quanto fechada. O ministro também argumentou que o Senado terá de abrir o processo contra Dilma obrigatoriamente, se o impeachment for de fato autorizado pela Câmara, sem possibilidade de reverter a decisão dos deputados. "No fim das contas, naquilo que é essencial, ele deixou como estava", disse Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro e um dos estrategistas da defesa jurídica da presidente no Congresso e na Justiça. "Acho altamente questionável ele considerar que o Senado é um mero carimbador do que vem da Câmara, que é obrigado a instaurar o processo. Entendemos que o Senado pode exercer seu juízo de admissibilidade e mandar arquivar a autorização", disse Damous. "Acho um voto contraditório com o entendimento dele em relação ao senador Delcídio. Lá ele deu uma liminar pelo voto aberto e hoje ele disse que pode ser fechado. Eu me surpreendi". As únicas manifestações de Fachin favoráveis a Dilma foram garantir que ela seja a última a se manifestar nas fases do processo na Câmara e no Senado. Ela também poderá apresentar defesa por escrito ante do parecer da comissão especial. "A necessidade de o parecer ser muito claro quanto à tipicidade da acusação da presidente abre espaço, inclusive, para questionamentos no próprio STF posteriormente. Se disserem só que ela praticou pedaladas fiscais, a gente recorre e ganha. E a defesa se manifestar por último é um princípio importante, porque antes não ficava claro e isso estava a critério do presidente da Câmara", avaliou o petista Damous.

Época traz nova denúncia contra Cunha

A Época revela em matéria publicada há pouco na sua edição online que dois novos delatores confessaram à PGR que Eduardo Cunha cobrou propina de R$ 52 milhões para liberar dinheiro do FI-FGTS. Segundo os delatores Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, o montante foi divido em 36 prestações depositadas em contas na Suíça e em Israel.

Os argumentos de Janot contra Cunha

Ao protocolar o pedido de afastamento de Eduardo Cunha no gabinete de Teori Zavascki, Rodrigo Janot alegou o seguinte: "O deputado tem adotado há muito posicionamentos absolutamente incompatíveis com o devido processo legal, valendo-se de sua prerrogativa de Presidente da Câmara dos Deputados unicamente com o propósito de autoproteção mediante ações espúrias para evitar a apuração de sua condutas, tanto na esfera penal como na esfera política". Janot disse ainda que poderia pedir a prisão de Cunha, mas avaliou que o afastamento é suficiente para garantir que ele não interfira na investigação.

Fachin não quer ser visto como petista

A mudança de postura de Edson Fachin foi resultado da pressão que sofreu nos últimos dias de várias partes: ministros do Supremo, grupos parlamentares e também das ruas. Fachin demorou para perceber que, ao tentar ajudar Dilma Rousseff, ele colocou o STF numa saia justíssima. Foi aconselhado por amigos, e até familiares, a rever sua posição. Exemplos recentes envolvendo liminares concedidas por Teori Zavascki e Rosa Weber mostraram o potencial explosivo da tentativa de ingerência do STF na Câmara. Fachin também passou a ser alvo de críticas na imprensa e teve seu apartamento cercado por manifestantes. Como o pedido do PCdoB foi apresentado em tópicos, não foi difícil para o ministro reescrever os principais. O que mais incomodou Fachin foi ser tachado de petista.

Sem defesa prévia

Fachin disse que não há obrigatoriedade de defesa prévia de Dilma Rousseff para a Câmara abrir o processo de impeachment.

Vão continuar a falar em golpe?

Se o STF, repleto de ministros nomeados por Dilma Rousseff, julgar improcedente a ação do PC do B, como é que o PT (e amigos) vai continuar a falar que impeachment é golpe? Continuando. O PT e a realidade não têm vasos comunicantes.

Fachin: Cunha não foi parcial

Fachin diz que Eduardo Cunha não foi parcial ao aceitar o pedido de impeachment. Ou foi parcial dentro do que é próprio de um processo político. O Antagonista está começando a achar que Álvaro Dias fez bem ao defender a nomeação de Fachin para o STF.

Tome um calmante, Jandira

Fachin afirma que a comissão especial do impeachment foi legitimamente eleita. O voto secreto não afrontou a Constituição. Tome um calmante, Jandira Feghali.

Estamos apurando a reviravolta de Fachin

Há uma evidente contradição entre o que Luiz Edson Fachin disse há uma semana, sobre propor um rito de impeachment, e o voto que está lendo agora, que chancela o rito já existente. Mais cedo, dissemos que Fachin deve ter levado uma bronca de Dilma Rousseff, que queria acelerar a votação do impeachment na Câmara, atrasada pelo ministro. Agora, temos indícios de que essa reviravolta se deve a outro motivo. Estamos apurando.

Delcídio inocenta André Esteves

Delcídio Amaral, em sua defesa, inocentou André Esteves. Segundo a coluna Radar, ele disse que "blefou" ao usar o nome do banqueiro, "para dar à família de Cerveró uma ideia de que poderia obter algum consolo". O Antagonista aposta que ele está blefando agora. All in.

Renan não será poupado

Renan Calheiros está cercado. A Policia Federal investiga três de seus assessores diretos. Dois deles, Everaldo Ferro e Marcus Amorim, organizavam seus encontros com Ricardo Pessoa, a fim de pedir propina pelos contratos de Angra 3. O terceiro, Bruno Mendes, era encarregado de "operacionalizar" a propina. Renan Calheiros imaginou que, ajudando Dilma Rousseff, fosse se livrar da Lava Jato. Felizmente, não é o que vai acontecer.

"Dilma não banca ajuste nenhum"

O rebaixamento do Brasil a grau especulativo, anunciado pela Fitch, somado à proposta do governo de uma meta de superávit primário de 0% a 0,5% do PIB em 2016, mostra com clareza que o problema central da economia, hoje, tem nome e sobrenome: Dilma Rousseff. Antes, da boca para fora, Dilma defendia o ajuste fiscal, embora seus atos a contradissessem. Agora, nem isso. “Dilma não banca ajuste nenhum”, resume Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. “É cada vez mais claro que Dilma não banca ajuste nenhum”, diz Schwartsman.

E agora, Renan?

Fachin é mais específico: o Senado não pode anular o processo de impeachment recebido pela Câmara. E agora, Renan?

Fachin rejeita maior parte da ação do PCdoB

Edson Fachin conclui seu voto após mais de duas horas de leitura, repassando de forma resumida seu posicionamento sobre cada um dos 12 itens apresentados pelo PCdoB na ação sobre o rito do impeachment. Em síntese, ele referendou o procedimento realizado por Eduardo Cunha até agora, mantendo a comissão especial eleita por voto secreto. Fachin bloqueou as tentativas do Planalto de dar mais poder ao Senado no processo e apenas garantiu o direito de defesa de Dilma em todas as fases do processo - mas não antes. Uma vez instaurado o processo no Senado, obrigatório a partir da autorização da Câmara, a petista será afastada do cargo por 180 dias.

Lewandowski encerrou sessão

Ricardo Lewandowski determinou o encerramento da sessão sobre o rito do impeachment, que será retomada amanhã. O efeito suspensivo da liminar concedida por Edson Fachin valerá até a conclusão do julgamento.

Justiça determina bloqueio do WhatsApp

As operadoras de telefonia celular receberam hoje determinação judicial para bloquear o funcionamento do aplicativo WhatsApp em todo o território nacional por 48 horas. A medida será cumprida a partir da 0h desta quinta-feira. O autor da ação é mantido sob sigilo. O Brasil pirou de vez, enlouqueceu desbragamente, ninguém segura mais a esquizofrenia brasileira. 

Urgente: Janot pede afastamento de Cunha

Rodrigo Janot protocolou no Supremo há pouco um pedido de afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara e do cargo de deputado federal.

Mortadela em falta

Manifestantes com bandeiras e bolas da CUT, além de uma faixa com a frase "Fora Cunha", estão reunidos em frente ao Masp. Esse é o apoio popular a Dilma?

Nova fase da Acrônimo mira empresário da área da saúde


Um dos alvos da nova etapa da Operação Acrônimo é o presidente da Aliança Administradora de Benefícios de Saúde, Elon Gomes, que possui 40% das ações da empresa. Os outros 60% pertencem à Qualicorp Administradora de Benefícios S.A. A ação da PF não envolve nenhuma das duas companhias, somente o executivo. Deflagrada nesta quarta-feira, a operação que ocorre em São Paulo e em Brasília cumpre mandados de busca e corre em sigilo, decretado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o advogado Eduardo Toledo, as buscas foram feitas na residência do empresário em Brasília, onde a PF recolheu extratos bancários, computador e telefone celular. O criminalista afirmou ainda que não conhece os termos do mandado de busca e apreensão na casa de seu cliente porque o STJ colocou sigilo por 24 horas. Elon Gomes já foi alvo da Acrônimo em outra etapa da operação. Na ocasião, ele foi afastado do Conselho de administração da Aliança, mas continua na presidência da companhia. Ele é suspeito de ter repassado dinheiro, por meio da empresa Support Consultoria, para Benedito de Oliveira Neto, o Bené, suposto operador do governador Fernando Pimentel, durante a campanha do governo de Minas Gerais em 2014. Os recursos repassados pela Support Consultoria no total de 750.000 reais foram pagos a duas consultorias Brigde e BRO. Essas empresas, conforme a PF, são de fachada. Elas também teriam sido usadas, segundo o inquérito da Acrônimo, para a venda de portarias que favoreciam montadoras de veículos no Ministério do Desenvolvimento. A Acrônimo investiga irregularidades de campanha e suposto recebimento de propina pelo governador de Minas, Fernando Pimentel (PT-MG), quando ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A Acrônimo, desencadeada inicialmente em maio, também tem como alvos a primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira, e o empresário Benedito Rodrigues, colaborador de campanhas de Pimentel e suspeito de desviar recursos de contratos do governo federal com suas empresas. Pimentel é investigado por receber vantagens indevidas de empresas que mantinham relações comerciais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao ministério do desenvolvimento, que ele comandou de 2011 a 2014.

Fitch retira grau de investimento do Brasil


A agência de classificação de risco Fitch retirou nesta quarta-feira o grau de investimento do Brasil. A instituição rebaixou o rating do nível BBB- para BB+, com perspectiva negativa. De acordo com a agência, o rebaixamento reflete a depressão mais profunda da economia que o antecipado e também acontecimentos fiscais adversos e crescente incerteza política. A Fitch informou também que a perspectiva negativa reflete contínua incerteza e risco de piora econômica. Também envolve risco de piora fiscal e política. No comunicado, a agência ainda citou efeitos negativos das investigações de corrupção na Petrobras e a deterioração econômica contínua, diante de condições econômicas mais fracas. De acordo com a Fitch, o ambiente externo segue difícil, com queda das commodities e desaceleração na China. A agência de classificação de risco destacou também que repetidas mudanças nas metas fiscais minaram a credibilidade da política fiscal e que o início do processo de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff, amplia incertezas políticas. A Fitch prevê que o déficit fiscal pode chegar a ultrapassar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. Segundo a agência, o déficit fiscal deve permanecer elevado em 2016 e 2017, em média acima de 7% do PIB. A decisão da Fitch já era amplamente esperada pelo mercado, que agora espera ações que revertam o cenário de desordem fiscal e incertezas políticas. "É um duplo golpe porque tem o rebaixamento e a perspectiva negativa. O país está sem uma agenda econômica e não está conseguindo reagir a nada. Ter selo de grau de investimento pressupõe país mais arrumado do que o que a gente é hoje", disse a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. "Não é uma grande surpresa. As agências estão dizendo que é daí para baixo", afirmou o economista-chefe do banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro, Carlo Kawall. "(A decisão da Fitch) significa alta de risco Brasil, encarecimento do crédito, fica mais difícil ter taxa de juros mais baixa, significa menos crescimento e maior dificuldade em retomar a credibilidade, restaurar a confiança e voltar a crescer", acrescentou Kawall. Sobre o impacto de eventual saída de Dilma, a diretora sênior da Ficth Ratings, Shelly Shetty, disse que não era possível afirmar o impacto no rating do Brasil. "Nós teríamos que olhar o novo cenário político para avaliarmos as condições", avaliou. "O processo de impeachment é um revés, especialmente na área fiscal. Atrasa a implementação das medidas fiscais", afirmou. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, também disse que o rebaixamento já estava precificado. "Já era esperado. Temos que dizer: somos rebaixados. O que vamos fazer para corrigir isso e ser elevado de novo a um grau de investimento adequado?", questionou. Ele afirmou que o diagnóstico e as propostas já estão dados, por diferentes partidos: PMDB, PSD e PSDB. "Sabemos o que fazer. Precisamos de ter alguém com coragem para fazer", defendeu.

STF vota na quinta liberdade de Delcídio e Esteves

Teori Zavascki decidiu convocar sessão extra da segunda turma do Supremo, para analisar os pedidos de revogação das prisões de Delcídio Amaral e André Esteves. A decisão foi tomada depois que O Antagonista denunciou mais cedo que emissários petistas prometeram ao senador conseguir sua libertação no plantão de fim de ano, com ajuda de Ricardo Lewandowski. Foi a promessa de liberdade que miou a delação premiada de Delcídio. Resta saber qual será a posição dos ministros, que hoje libertaram o doleiro Adir Assad.

TSE nega recurso de Dilma

O TSE, ontem à noite, negou o recurso apresentado por Dilma Rousseff e vai continuar a tocar contra ela o processo por seus crimes eleitorais. A decisão foi unânime.

Edinho Silva é próximo alvo da Polícia Federal

O processo contra Dilma Rousseff no TSE passa pela Focal, pela VTPB e, sobretudo, pelo tesoureiro de sua campanha, Edinho Silva. Jorge Bastos Moreno, que sabe tudo, insinuou que ele será o próximo alvo da Policia Federal: “Há enorme apreensão dentro do governo com a possibilidade de ser decretada também, nos próximos dias, busca e apreensão na casa de um ministro de dentro do próprio palácio do Planalto, ligadíssimo ao ex-presidente Lula. Todas as apurações da PF e do Ministério Público confluem para isso, segundo fontes do governo. O ministro teve participação direta na arrecadação de recursos para a campanha da presidente Dilma”. Quando Edinho Silva cair, Dilma Rousseff cai junto.

Bumlai destruiu a defesa do PT

José Carlos Bumlai confessou o repasse de 12 milhões de reais do Banco Schahin ao PT. Essa foi a manchete dos jornais. Mas ele fez muito mais do que isso. Ao dizer que o empréstimo de 12 milhões de reais foi quitado um dia depois da assinatura do contrato do Grupo Schahin com a Petrobras, para a sonda Vitória 10.000, José Carlos Bumlai confirmou todas as denúncias da Lava Jato de que o dinheiro arrecadado pelo PT foi, na verdade, roubado da Petrobras. O Estadão destacou este trecho de seu depoimento: “Que o interrogando acredita que foi usado como testa de ferro na circunstância; que Vaccari lhe disse que iria ajuda-lo, momento em que o interrogando entendeu que haveria uma troca de favores, a qual resultaria na concessão do contrato de operação de sondas para a empresa e, concomitantemente, na quitação de sua dívida; que, dias depois, João Vaccari Neto falou que o problema do interrogando seria resolvido”. Foi por isso que Fernando Baiano se surpreendeu com a confissão de José Carlos Bumlai. A partir de agora, o PT nunca mais poderá alegar que não saqueou a Petrobras.

Os banqueiros contra Dilma

Jorge Bastos Moreno, que sabe tudo, disse que "a Febraban inteira está contra o governo". O Antagonista, que sabe uma ou duas coisas, acrescenta que, em suas reuniões com os maiores empresários do país, o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, tem atacado violentamente Dilma Rousseff. Joaquim Levy já pode pedir demissão.

24 horas de sigilo para Peppertel

As buscas da Acrônimo foram autorizadas pelo ministro Herman Benjamin, do STJ, o foro do governador Fernando Pimentel. O Valor informa que "Benjamin também determinou sigilo durante 24 horas sobre todos os autos da operação, incluindo dados básicos como quantos mandados estão sendo cumpridos e em quais locais". O sigilo é uma medida que, por si só, já denuncia o alvo da missão da Polícia Federal. Fernando Pimentel, BNDES, Pepper: a Acrônimo vai acabar chegando à campanha de Dilma Rousseff, se é que já não chegou.

O medo de Fernando Pimentel

Os advogados de Fernando Pimentel, nos últimos dias, temiam que ele fosse preso.

O plano de saúde de Pimentel

Um dos alvos da Acrônimo é Elon Gomes, sócio de José Seripieri Júnior, amigo de Lula e dono da Qualicorp. Ele é acusado de ter repassado 750 mil reais em dinheiro sujo à campanha de Fernando Pimentel.

A vingança de Celso Daniel

Marcos Valério na Lava Jato: foi ele quem denunciou a negociata envolvendo Lula, Bumlai, Schahin e Petrobras, para pagar Ronan Maria Pinto, que chantageava os petistas envolvidos na morte de Celso Daniel. A Lava Jato é a vingança post-mortem do prefeito de Santo André.

Ministra decreta sigilo em ação contra Dilma no TSE

Maria Thereza não desaponta o PT. Ela decretou sigilo na ação de impugnação de mandato eletivo (Aime), o principal processo que corre no TSE contra Dilma Rousseff. João Otávio de Noronha, antecessor da ministra, havia retirado o sigilo da ação antes de deixar a Corregedoria-Geral do TSE.

Dilma perde mais uma

Eduardo Cunha e Renan Calheiros concordaram que haverá recesso. É o que informa a Época. O ano legislativo vai se encerrar na semana que vem, no dia 22. Os deputados só voltarão ao trabalho em fevereiro, prontos para votar pelo impeachment.

Lula perde ação contra O Globo no "caso Triplex"

Lula perdeu a ação que movia por danos morais contra repórteres de O Globo por causa de reportagem sobre o triplex do Guarujá. Na sentença, o juiz Mauro Nicolau Jr acusa a assessoria de imprensa do Instituto Lula de conduta "contraditória" e defende a atuação livre da imprensa: "Censurar que a imprensa noticie fatos nebulosos seria inviabilizar o trabalho jornalístico/investigativo da imprensa, inerente ao seu direito constitucional de liberdade de expressão". Para Nicolau Jr, se há investigações criminais em curso sobre obras do edifício em que Lula seria proprietário de unidade, ou que sua esposa teria quotas conversíveis em unidade do edifício, "tal fato não deve passar despercebido pela imprensa". "Os réus, dessa forma, não praticaram qualquer ato ilícito, não tendo extrapolado os limites do seu direito de liberdade de expressão e, consequentemente, de liberdade de imprensa". O juiz considerou improcedente a ação e condenou Lula a pagar as custas processuais.

O PMDB está fechado com Temer

A Executiva Nacional do PMDB aprovou resolução obrigando que todas as novas filiações de deputados e senadores tenham de ser aprovadas pelo comando nacional da sigla. Na prática, a tentativa de golpe do governo deu chabu: Leonardo Picciani não poderá contar com infiltrados de outros partidos para recuperar o cargo de líder. A decisão da Executiva Nacional foi aprovada por 15 votos a 2. O placar mostra claramente que o partido todo se uniu em torno de Michel Temer. E que o caminho escolhido, depois do recesso, é o impeachment.

Banco Central apontou fraude em operações com Securitizadora Schahin

A Lava Jato descobriu que o Banco Schahin simulou a quitação do empréstimo de R$ 12 milhões para o PT, via José Carlos Bumlai, repassando o débito para a Schahin Securitizadora de Créditos, empresa do mesmo grupo. Em seu depoimento, Bumlai revelou que o seu caso não foi o único e acusou o PT de usar laranjas para obter vários outros empréstimos no Banco Schahin e, assim, financiar o caixa 2 das campanhas petistas. Um relatório do Banco Central, obtido com exclusividade pelo Antagonista, aponta uma série de operações semelhantes à realizada por Bumlai, num total de R$ 142,6 milhões. O saldo dessas operações irregulares de securitização atingiu 63% do patrimônio líquido do banco, em 2009. O PT quebrou o Banco Schahin para financiar suas campanhas e, em troca, garantiu os contratos bilionários na Petrobras.

A guinada à esquerda de Dilma

Dilma Rousseff jogou o Brasil no lixo. E foi uma escolha deliberada. Ela sabia que, reduzindo a meta fiscal de 2016, provocaria o imediato rebaixamento da nota do país. Mesmo assim, reduziu-a. O que ela tem a ganhar com isso? A demissão de Joaquim Levy. E o pretexto para dar uma guinada à esquerda na economia. Dilma Rousseff, a partir de agora, dirá que a receita dos banqueiros fracassou. E que o Brasil deve aumentar os gastos, para buscar o crescimento. É uma calamidade.

Desembarque geral

Lauro Jardim, de O Globo, noticia que "Marcelo Saintive já combinou com Joaquim Levy: fica no comando da Secretaria do Tesouro só até o final deste ano. Não volta em janeiro. Assim como seus principais auxiliares. Todos estão de saída". O desembarque é geral, mas, como disse Levy, "I don't care". 

Temer a Renan: PMDB não tem coronéis

Renan Calheiros atacou Michel Temer porque a Executiva Nacional do PMDB impediu a manobra golpista do governo de infiltrar sua bancada com deputados de outros partidos. Ele disse: "O PMDB é um grande partido, porque não tem dono, é democrático". Jorge Bastos Moreno acabou de publicar a resposta de Michel Temer. É uma chapuletada em Renan Calheiros: "É correta a afirmação de que o PMDB não tem dono. Nem coronéis. Por isso, suas decisões são baseadas no voto. O resultado apurado na reunião de hoje da Executiva foi de 15 votos a favor da resolução e dois contrários, resultado revelador de ampla maioria. Decisão, portanto, democrática e legítima". (O Antagonista)

Lava Jato poderá convocar Marcos Valério pra depor sobre assassinato de Celso Daniel

O jornal Globo informa que a Lava Jato deve convocar para depor o mensaleiro Marcos Valério. Mais ainda: "Os procuradores não descartam a possibilidade de Valério vir a negociar acordo de delação premiada". O caso envolve o assassinato dos prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT, Santo André e Campinas, e relaciona-se com chantagens feitas e aceitas contraq Lula e Gilberto Carvalho.

Rio Grande do Sul concede decretos de incentivos de R$ 467 milhões para 20 empresas gaúchas

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), assina amanhã decretos de concessão do incentivo do Fundo Operação Empresa (Fundopem/RS) e do Programa de Harmonização do Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Sul (Integrar/RS) para 20 empresas gaúchas que investem na ampliação da produção industrial e comercial. Serão beneficiadas empresas instaladas nos municípios de Vale Real, Passo Fundo, Lajeado, Garibaldi, Erechim, Getúlio Vargas, Montenegro, Santa Cruz do Sul, Porto Alegre, São Borja, Novo Hamburgo, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Antônio Prado, Nova Roma do Sul e Camaquã investirão R$ 467,5 milhões e irão gerar 640 novos empregos. Os governos gaúchos continuam com essa praga da geração de novos subsídios, quando as contas públicas estão absolutamente quebradas. A geração de empregos prometida é absolutamente ridícula, irrisória, para que o Estado prossiga renegando impostos. 

Varejo gaúcho fechou o ano com o pior desempenho da história, as vendas despencaram 11,9%.


Na entrevista coletiva que promove todos os anos para fazer o balanço da economia no período, eis o que disse hoje ao meio dia o presidente da Federasul, Ricardo Russowsky: "2015 é um ano para ser esquecido". O economista André Azevedo, depois de mostrar aos jornalistas o que aconteceu no RS, avisou: "O comércio varejista gaúcho só conseguiu vender mais do que o do Paraíba. Perdemos para todo mundo". O tombo foi de 11,9%, incrivelmente pior do que os 3% positivos do ano passado, que já tinha sido um ano ruim. Foi o pior da história. O número da queda brasileira foi até menor, 8,9%. (Polibio Braga)

Com o presentão que Janot deu a Dilma, Renan percebeu que está prestes a entrar na mira. Operação busca desmoralizar PMDB como alternativa a petista

Por Reinaldo Azevedo - Bem, bem, bem… Quem acompanha o jogo político de Brasília de muito perto, lá de dentro mesmo, assegura que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, estava, sim, irritado com o que considerou estardalhaço da dita fase “Catilinárias” da Operação Lava Jato (um nome infeliz, já expliquei por quê), mas não estava nem surpreso nem perplexo. Até, ao menos, que a corda não arrebente, Cunha trata cada investida de que é alvo como a prova dos noves de que estava certo e de que sempre houve uma conspiração contra ele a unir Palácio do Planalto e Rodrigo Janot. Perplexo de verdade, surpreso pra valer e, mais do que irritado, furioso, aí quem estava era Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Desde que fechou um acordão com o Planalto, ainda na reta final da avaliação que fez o TCU das contas do governo, Renan vinha se julgando imune às investidas da Lava Jato. Quando teve as suas conversas de cúpula no Palácio do Planalto, saiu com a certeza de que era um aliado. E vinha se comportando com uma subserviência altiva realmente encantadora. Altivez subserviente, leitores, é um estilo que demanda alguma dificuldade. Pede do ator algum preparo, certo treino. Todos vimos, no fim de semana passado, Renan a sugerir que uma comissão do Senado poderia simplesmente recusar o processo contra Dilma. Tratava-se, obviamente, de uma invenção. É claro que não pode. O caput do Artigo 86 da Constituição não deixa. Lá fica evidente que o Senado, nessa matéria, não tem “querer”. Renan também fez eco à gritaria do governo e prometeu manobrar com a Lei de Diretrizes Orçamentárias para impedir o recesso do Congresso. Apresentava-se como a âncora de Dilma… Nesta terça-feira, viu-se tragado pela tal fase “Catilinárias”. Parece que a Lava Jato o meteu entre os aliados de Catilina, o Cunha dessa história, contra a destruição da República, não é? Justo ele! Tão bonzinho com o governo! Tão compreensivo! Tão altivamente subserviente. Renan concluiu, com o poeta, que, dada a forma como trabalha a petezada, a única firmeza está na inconstância. O ministro Teori Zavascki não autorizou busca e apreensão na casa e no escritório de Renan, mas três aliados seus e um agregado passaram por constrangimentos. Contra Renan, há nada menos de seis inquéritos. Caiu a ficha! O senador descobriu que não está blindado. Tão logo Cunha se encontre com o seu destino, ele entra na fila.
Coincidências não existem
É claro que, nesse universo, coincidências não existem. Na lista dos políticos engolfados pela fase Catilinárias, há até um ex-ministro do PSB (Fernando Bezerra) e um deputado do Solidariedade (Áurio Lídio, RJ), mas não é preciso ser muito sagaz para concluir que o alvo é o PMDB. E que a coisa estoura um dia antes de o Supremo decidir o rito do impeachment e de as esquerdas irem às ruas em defesa de Dilma. O nome da operação poderia ser mais extenso, assim: “Vocês acham que o país pode ser governado pelo PMDB? Então vejam aí”. Rodrigo Janot é, sem dúvida, o mais esperto dos procuradores-gerais que passaram pelo cargo em muitos anos. Também ele, com mais discrição do que Renan, consegue exercitar a subserviência altiva. Esse homem é um prodígio e merece um estudo de caso. Pensem na natureza do petrolão e vejam a que partido pertencem os políticos mais enrolados. Pensem na natureza do petrolão e depois olhem a razia que o MPF produziu nesta terça no… PMDB! Ora, o que se tem aí é uma advertência: “Ah, vocês querem Michel Temer? Esse é o PMDB, ó… Vocês vão ver”. Um tonto logo indagaria se estou sugerindo que MPF e PF deixem de fazer o seu trabalho para não dificultar a transição do governo Dilma para o governo Temer. Eu não! Como sempre, só estou sugerindo que a medida da eficiência que tem o MPF com Eduardo Cunha seja empregada também nos outros casos. Ora, contra Lula, reitero, não há nem um inquérito. Tenham paciência! Essa foi, sem dúvida, pelo timing, a mais vistosa colaboração de Janot contra o impeachment. Nesta quarta-feira, os manifestantes do MCTO — Movimento dos Com-Tetas Oficiais — poderão bradar todo o seu ódio contra os peemedebistas, enquanto assegurarão a inocência de Dilma, a lisura de sua administração, as múltiplas conspirações que estariam em curso contra um governo operário… Ocorre que as coisas são um pouco mais complicadas do que parecem à primeira vista. Se a investida contra o PMDB busca desmoralizar o partido como alternativa de poder, é evidente que também contribui para unir correntes que haviam se distanciado em função, justamente, da interferência do governo. Já afirmei e estou convicto disto: Dilma estaria melhor sem esse presentão de aniversário de Janot. É o tipo de mimo que sai pela culatra.

Fitch se antecipa à Moody’s, segue S&P e manda Brasil para o grau especulativo. Renuncie já, Dilma!

Por Reinaldo Azevedo - A presidente Dilma Rousseff tem de ser deposta por impeachment porque cometeu, inequivocamente, crime de responsabilidade. Não fosse isso, ela teria de ser deposta pela realidade. Sim, meus caros, com ou sem crime, ela teria afundado o Brasil. Assim, que se aproveite essa janela de oportunidades, já que, se ela fosse apenas incompetente, teríamos de suportá-la. Depois da Standard & Poor’s, foi a vez da Fitch rebaixar a nota do país, que agora passa, também na classificação da agência, para o grau especulativo. Alguma surpresa nisso? Só uma: esperava-se que a Moody’s fizesse isso primeiro. Já anunciou que vai fazê-lo. Uma decisão como essa pode fazer o país perder US$ 20 bilhões em investimentos num piscar de olhos. E por que rebaixou? Situação fiscal precária — o déficit pode chegar a 10% do PIB —, recessão cavalar, falta de investimento, falta de perspectiva de melhora… Que o espírito natalino baixe em Dilma e que ela renuncie ao mandato! Ela vai pra casa comer peru, e a gente vai ter se de se virar com os papagaios.

O calor insuportável da cela de André Esteves em Bangu 8 - tadinho do bilionário


O tempo está quente em Brasília. Mas o que ferve mesmo é a cela de André Esteves em Bangu 8. Neste momento, a sensação térmica em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na tarde desta terça-feira, foi de ao menos 45º C. Na cela de doze metros quadrados que ele divide com cinco detentos, a canícula é ainda mais insuportável. 

Napout é extraditado para os Estados Unidos

O paraguaio Juan Ágnel Napout, ex-vice-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e vice-presidente da Fifa, foi extraditado nesta terça-feira aos Estados Unidos, anunciou o Escritório Federal de Justiça da Suíça (OFJ), em Berna. Napout, preso no dia 3 de dezembro em Zurique, foi entregue pelas autoridades suíças a dois policiais americanos que o escoltaram até Nova York. O dirigente paraguaio concordou em ser extraditado em 8 de dezembro. O OFJ informou também que Eduardo Li, ex-presidente da Federação da Costa Rica, retirou o recurso apresentado contra a extradição aos Estados Unidos. Li, detido em Zurique em maio, segue detido na cidade suíça, mas, com a retirada do recurso, deve ser extraditado em breve.

Juiz paraguaio autoriza extradição de Leoz para os Estados Unidos


O juiz paraguaio Humberto Hutazu aceitou nesta terça-feira a extradição do ex-presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, para os Estados Unidos. O dirigente de 87 anos está em prisão domiciliar desde maio, quando sete dirigentes da Fifa foram detidos em razão do maior escândalo de corrupção da entidade, numa operação envolvendo o FBI e a justiça suíça. Acusado de crime organizado, lavagem de dinheiro e suborno, Leoz pode pegar até 20 anos de prisão. O paraguaio está na mesma situação dos dois últimos dirigentes da Conmebol, Eugenio Figueredo e Juan Ángel Napout. Os três aceitaram propinas para negociar os direitos de televisão dos torneios organizados pela entidade.

Correndo o risco de levar uma pena longa de prisão, com um filho e uma nora envolvidos, Bumlai deve fazer delação premiada

Sujeito a pena de prisão superior a 19 anos, porque as sentenças do juiz federal Sergio Moro são sempre muito severas, o fazendeiro José Carlos Bumlai voltou a ser pressionado pela família a considerar um acordo de delação premiada, a fim de tentar diminuir a sentença. Moro não pegou leve quando julgou crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, na Operação Lava Jato. O temor dos familiares de Bumlai tem a ver sobretudo com questões afetivas, porque seu filho e sua nora acabaram metidos no rolo. Em seu depoimento, Bumlai isentou o amigo Lula, mas, se fizer mesmo acordo de delação, terá de contar tudo o que sabe. Aí a casa cai. Com o patriarca e o filho presos, os Bumlai temem a destruição da família e dos seus negócios, mais importantes que a amizade a Lula

Michel Temer tem certeza de que o Palácio do Planalto sabia da operação desta terça-feira desde a semana passada

O vice Michel Temer e seus aliados mais próximos trabalham com a certeza de que o Palácio do Planalto estaria informado desde a semana passada sobre a Operação Catilinária, deflagrada ontem, com o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão. Assessores de Dilma comemoravam no fim de semana a iminente “ação contra Eduardo Cunha”, por provocação da Procuradoria-Geral da República. Para a turma de Temer, Dilma sabia quando, na quinta-feira (10), demitiu Fábio Cleto, vice-presidente da Caixa, um dos alvos da Polícia Federal, ontem.  Apesar de saber da operação, como acha o PMDB, Dilma não demitiu o ministro Celso Pansera (Ciência), ligado a Cunha como Fábio Cleto. Temer não se manifestou sobre a desconfiança de que o Planalto sabia da operação da Polícia Federal, mas seus amigos garantem que é o que ele pensa. O vice discutiu por horas eventual nota oficial apoiando a investigação da Polícia Federal, mas recuou. Concluiu – só ele – que o partido não foi atingido.

Sergio Moro aceita denúncia, e o amigão de Lula, Bumlaie e mais dez se tornam reús na Lava Jato


O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Paraná, aceitou nesta terça-feira (15) a denúncia contra o pecuarista José Carlos Bumlai e outras dez pessoas, acusadas de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Bumlai, agora réu, é suspeito de ter participado de um esquema de corrupção na Petrobras e repassado dinheiro ao PT, trabalhando como um "operador do partido". Além dele, foram denunciadas outras dez pessoas, entre elas o filho e a nora do empresário, três executivos do grupo Schahin, os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Jorge Zelada, o ex-gerente da estatal Eduardo Musa, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o lobista Fernando Soares, o Baiano. O principal alvo da denúncia é um empréstimo de R$ 12 milhões concedido a Bumlai pelo banco Schahin em 2004, cujos valores, de acordo com o Ministério Público Federal, foram transferidos a pessoas ligadas ao PT. O empréstimo, obtido "sem garantias reais", nunca foi pago, diz a denúncia. Segundo os procuradores, um acordo entre Bumlai e a Schahin, que atua na área de engenharia, garantiu que a empresa perdoasse a dívida em troca de um contrato de US$ 1,6 bilhão com a Petrobras para a operação de um navio-sonda, em 2009. Nesta segunda-feira (14), no momento em que a denúncia era apresentada à imprensa, o próprio pecuarista admitiu em depoimento à Polícia Federal que só fez o empréstimo para repassar o dinheiro ao PT. Segundo Bumlai, uma parte dos valores foi destinada ao PT de Campinas, para pagar dívidas de campanha, e outra parte ao empresário Ronan Maria Pinto, que teria chantageado o partido para não contar o que sabia sobre o caixa dois do PT em Santo André, cidade administrada à época pelo prefeito Celso Daniel (PT). A confissão parcial foi levada em conta pelo juiz Moro, que entendeu que há justa causa para as imputações e indícios suficientes de materialidade e autoria.