terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Estaleiro investigado fabrica embarcações inúteis para Petrobras

Estaleiro Rio Tietê, em Araçatuba (SP)

Alvo da Operação Catilinária, deflagrada nesta terça-feira (15), o Estaleiro Rio Tietê se tornou uma grande dor de cabeça para a Transpetro, subsidiária da Petrobras que foi comandada por Sergio Machado. Fruto de uma licitação de R$ 432 milhões, o estaleiro é tema de uma ação de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Federal e fabrica embarcações que ainda não têm utilidade para a estatal. O estaleiro foi contratado em 2010 para construir 20 comboios para o transporte de etanol, cada um formado por quatro barcaças e um rebocador. No total, 80 barcaças e 20 rebocadores. O primeiro lote – com quatro barcaças e um empurrador – foi entregue no ano passado, com dois anos de atraso em relação ao cronograma original. Outros dois comboios estão praticamente prontos, passando pelos últimos testes. As embarcações seriam usadas para o transporte de etanol pelo rio Tietê, na chamada hidrovia Tietê-Paraná. Não há, contudo, perspectiva de início das operações, já que os três terminais de estoque de combustível no trajeto ainda estão em fase de licenciamento ambiental, sem previsão de conclusão. As embarcações prontas permanecem atracadas no estaleiro, à espera de solução. A empresa responsável pela construção dos terminais é a Logum Logística, formada por Petrobras, Odebrecht, Copersucar, Raízen, Camargo Corrêa e Uniduto e criada para administrar uma malha de dutos e terminais para o transporte de etanol no País. Com a crise do setor de etanol nos últimos anos, o projeto foi colocado em banho-maria. O estaleiro teve sua pedra fundamental lançada em 2011, em cerimônia com a presença da presidente, Dilma Rousseff. A licitação foi vencida por consórcio formado pelo Estaleiro Rio Maguari, SS Administração e Serviços e Estre Petróleo, Gás e Energia. A Polícia Federal fez buscas na sede do estaleiro e na sede da Estre, em São Paulo, por suspeita de envolvimento no esquema de desvios de recursos da Petrobras. A concorrência vencida pelo Rio Tietê é questionada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, que ajuizou, em outubro de 2014, ação de improbidade administrativa contra Sérgio Machado, o ex-prefeito de Araçatuba, Cido Sério (PT), e os controladores do estaleiro. A suspeita é de fraude na concorrência. Os procuradores questionam o processo e aditivos contratuais assinados. Eles pedem a devolução de R$ 21,9 milhões, que teriam sido pagos pela Transpetro ao estaleiro, mais multa de valor equivalente e a anulação do contrato e do financiamento para a construção das barcaças. O Ministério Público Federal informou que o processo está hoje no Superior Tribunal de Justiça para definição de conflito de competência — se será julgado no Rio de Janeiro, onde está a sede da Transpetro, ou em São Paulo, onde está o estaleiro. De acordo com o sindicato dos Metalúrgicos de Araçatuba, atualmente 280 operários trabalham no local, de um total que já foi de 400. 

Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, depõe na Polícia Federal

Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, prestou depoimento na sede da Polícia Federal, em Brasília, na tarde desta terça-feira (15). Ela foi ouvida pelo delegado Marlon Cajado, responsável pela Operação Zelotes, que investiga pagamento de propina a integrantes do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e supostas compras de medidas provisórias. A ex-ministra é citada na investigação. De acordo com a Polícia Federal, ela é ligada a dois suspeitos presos no final de outubro: o ex-conselheiro do Carf José Ricardo da Silva e o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS. "Não podemos dizer que ela (Erenice) é alvo de inquérito, mas ele precisa, sim, prestar esclarecimentos", afirmou um investigador envolvido na Zelotes. De acordo com o advogado de Erenice, Mario de Oliveira Filho, o depoimento durou aproximadamente quatro horas. A ministra foi questionada sobre a suposta venda de MPs e a respeito de suas relações com José Ricardo da Silva e APS. Segundo Oliveira Filho, ela admitiu ter atuado em parceria com José Ricardo da Silva, após ele sair do Carf, quando passou a trabalhar apenas como advogado. "Ela tinha um cliente e o convidou para trabalhar num caso no Carf, já que ele é um advogado respeitado na área. Eles tiveram uma vitória, mas o caso está lá até hoje", afirmou. O defensor da ex-ministra contou ainda que Erenice prestou esclarecimentos relativos às suspeitas de pagamento de propina para aprovação de medidas provisórias. "Em relação a uma das MPs investigada, ela nem era mais ministra quando passou pela Casa Civil. Na outra, não teve participação alguma, já que essas matérias costumam vir elaboradas pelos ministérios, com todos os detalhes técnicos prontos", disse o advogado. A primeira etapa da operação foi deflagrada em março e desarticulou um esquema de pagamento de propina a integrantes do Carf, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e responsável por julgar recursos de multas aplicadas pela Receita Federal. Em troca de suborno, conselheiros votavam em favor da redução e, em alguns casos, do perdão das multas das empresas que os corrompiam. A operação investiga processos que somam R$ 19 bilhões. Segundo a Polícia Federal, esse é um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos. Suspeita-se que três quadrilhas operavam dentro do colegiado e causaram um prejuízo de pelo menos R$ 6 bilhões aos cofres públicos. O Carf é um tribunal administrativo formado por representantes da Fazenda e dos contribuintes (empresas). Normalmente, são julgados pelo conselho empresas autuadas por escolherem estratégias tributárias que, segundo a fiscalização, estão em desacordo com a lei. Segundo os investigadores, as quadrilhas, formadas por conselheiros, ex-conselheiros e servidores públicos, buscavam anular ou atenuar pagamentos cobrados pela Receita de empresas que cometeram infrações tributárias, e que eram discutidos no conselho. As investigações começaram em 2013 e alcançam processos de até 2005. Elas indicam que os grupos usavam o acesso privilegiado a informações para identificar "clientes", contatados por meio de atravessadores, na maioria das vezes escritórios de advocacia e contabilidade. A operação focou 70 processos "suspeitos de terem sofrido manipulação", que somavam R$ 19 bilhões em "créditos tributários" —valores devidos ao Fisco. A Polícia Federal diz que "já foram, efetivamente, identificados prejuízos de quase R$ 6 bilhões".

Novo governo decreta emergência energética na Argentina

O novo governo da Argentina decretou emergência energética no país, onde as elevadas temperaturas do verão puseram em operação aparelhos de ar-condicionado e fizeram retornar os apagões que deixam às escuras parte da capital, Buenos Aires, e cidades dos arredores. Recém-nomeado ministro da Energia, Juan José Aranguren disse que a medida, que permite que o governo faça cortes preventivos no fornecimento, é necessária porque o país está à beira de um colapso energético. O problema, segundo descreveu em entrevista coletiva nesta terça (15), não é a geração, mas a distribuição da energia, que se deteriorou por falta de investimentos nos últimos anos. "O problema atualmente está na distribuição, e isso se resolve com manutenção", disse ele. Segundo Aranguren, o governo observará a necessidade de iluminação pública durante a noite, por seus reflexos na segurança pública, mas admitiu que eventos noturnos, como espetáculos e shows, podem ser afetados pelos cortes, que deverão ser anunciados previamente. "Isso é para que possamos implementar as medidas necessárias para resolver um problema que hoje está sendo evidenciado cada vez que as temperaturas sobem", afirmou. O ministro, que no dia anterior havia antecipado que as tarifas de gás e luz, hoje subsidiadas pelo governo, começariam a ser corrigidas a partir de janeiro, evitou dar mais detalhes. "Temos que voltar à normalidade", afirmou. Aranguren, que foi presidente da Shell Argentina até meados deste ano, acrescentou que o número de horas sem fornecimento de energia quase quadruplicou, em Buenos Aires desde 2003, saltando de uma média de 8,3 horas sem luz para 32,5 horas neste ano. "Estamos convencidos de que precisamos dar exemplos e vamos instruir para que, nos edifícios públicos, evitemos colocar o ar-condicionado em 18°C e subamos a temperatura para 22, 23 ou 24ºC". Após reunião com empresários do setor de petróleo, o presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou que a filial da americana Dow Chemical prevê investir US$ 500 milhões no ano que vem na exploração de gás de xisto na província de Vaca Muerta – equivalente ao pré-sal argentino, onde há, além de xisto, há petróleo e gás convencional. É o primeiro investimento internacional de vulto anunciado pelo presidente, que assumiu na semana passada e tenta atrair capital estrangeiro ao país. Segundo a empresa, serão perfurados 30 novos poços de exploração de gás de xisto na região no ano que vem, totalizando 180. A Dow firmou parceria com a estatal YPF em 2013, para alavancar a produção na região, que fica na província de Neuquén, na Patagônia argentina. 

Operação Lava-Jato pode chegar ainda mais perto do Planalto


Há enorme apreensão dentro do governo com a possibilidade de ser decretada também, nos próximos dias, busca e apreensão na casa de um ministro de dentro do próprio palácio do Planalto, ligadíssimo ao ex-presidente Lula. Todas as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público confluem para isso, segundo fontes do governo. O ministro teve participação direta na arrecadação de recursos para a campanha da presidente Dilma. Como é possível que sobreviva um governo desses?

Baiano diz que "muita coisa vai acontecer na Lava-Jato"



O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, disse, ao chegar para prestar depoimento nesta terça-feira à Polícia Federal, em Curitiba, que “muita coisa ainda vai acontecer na Operação Lava-Jato”. Ao ser questionado se tinha ficado surpreso com os desdobramentos da sua acusação que resultou na prisão do pecuarista José Carlos Bumlai, Baiano respondeu: "Na verdade, diante de tudo que está acontecendo, era algo já esperado (a prisão de Bumlai). A cada dia é uma surpresa. (Uma) revelação de novos fatos. E tem tanta coisa ainda para acontecer nesta Lava-Jato", disse o lobista na chegada ao prédio da Polícia Federal. Baiano afirmou que prestaria depoimentos adicionais solicitados, mas não explicou sobre o que falaria com os policiais: "Ainda não sei". Perguntado sobre sua relação com Eduardo Cunha, Baiano se recusou a falar: "Sobre isso, não vou comentar". Solto em novembro depois de aceitar fazer delação premiada, Baiano revelou ainda que “está tentando retomar a vida aos poucos”. Esse sujeito é a prova cabal daquilo a que foi reduzida a atividade política no Brasil. É um marginal, no sentido de alguém que vive às margens do sistema, e no entanto passou a desempenhar papel central em uma república caracterizada pelo banditismo que assaltou o aparelho do Estado, sob o comando de uma organização criminosa, o PT. Os brasileiros que deram cobertura à atividade desta organização criminosa por uma década e meia, no mínimo, são os grandes responsáveis pelo Estado em que se encontra o País. 

STJ nega habeas corpus e mantém Marcelo Odebrecht na cadeia


A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sepultou nesta terça-feira as esperanças do empreiteiro Marcelo Odebrecht e negou, por quatro votos a um, o pedido de liberdade do executivo. No mais aguardado julgamento da Lava Jato, os ministros do tribunal mandaram um recado aos empresários que usurparam contratos da Petrobras e distribuíram propina a agentes políticos. "Os brasileiros não aguentam mais serem apunhalados pelas costas de maneira sórdida. Já chega, basta. Esta sangria precisa ser estancada. Os limites da paciência já se esgotaram", resumiu o ministro Jorge Mussi. Com a decisão de hoje, Odebrecht deve passar o Natal no Complexo Médico-Penal em Curitiba, onde divide cela com executivos acusados de integrar o esquema do Petrolão do PT. A defesa anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal. É claro, é tudo que a defesa do sinhozinho baiano espera, que o habeas corpus seja concedido pelo ministro Ricardo Lewandowski, no período do recesso. Lewandowski é aquele ministro sobre o qual não pairam dúvidas, apenas certezas. Em um voto exemplar, Mussi relembrou o bilionário esquema de arrombou os cofres da petroleira, disse que a estatal foi "manchada" pelo esquema criminoso e afirmou que o executivo tinha plena ciência do esquema criminoso e atuava em cumplicidade com seus subordinados na maior empreiteira do País. Ainda segundo o magistrado, empresários que atuaram no escândalo do petrolão buscavam lucros extravagantes com as fraudes sucessivas em contratos, sendo que a Marcelo Odebrecht caberia, por sua posição de liderança no grupo da família, "orientar" atividades criminosas. O entendimento do STJ sobre o risco que representaria a liberdade de Marcelo Odebrecht coincide com a avaliação do juiz federal Sergio Moro, que decretou a prisão do executivo em 19 de junho. Mas antes de amargar os atuais 179 dias de cadeia, o executivo se considerava intocável e tinha a certeza de que seu amplo leque de contatos políticos o livraria dos temidos mandados de prisão assinados pelo juiz Sergio Moro. Mensagens cifradas apreendidas no telefone celular do empreiteiro indicam que o executivo listava o próprio presidente do STJ, Francisco Falcão, como uma das autoridades que, no limite, podiam atuar em seu benefício em caso de problemas judiciais. Em Brasília, Falcão tinha como um dos principais interesses conseguir emplacar o desembargador Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para a vaga aberta no STJ com a aposentadoria de Ari Pargendler. Ribeiro Dantas acabou chegando ao tribunal e assumiu a relatoria de todos os processos da Operação Lava Jato na Corte. Foi dele, aliás, o único voto em favor de Marcelo Odebrecht na Quinta Turma. O entendimento do relator, contrário às evidências colhidas pela Força-tarefa da Lava Jato, é o de que personagens do escândalo do petrolão, como o próprio Marcelo Odebrecht, poderiam ser colocados em liberdade por não haver risco de cometerem crimes e nem de continuarem a atuar no bilionário esquema de fraudes em licitações na Petrobras. Nas mensagens encontradas no celular do executivo aparecem referências a "Falcão" e a "Aprox STJ". O contexto da conversa não foi decodificado pela Polícia Federal. Do STJ também há referências aos ministros Raul Araújo, João Otávio de Noronha e Nancy Andrighi. Nenhum dele integra a turma que julga os pedidos de liberdade relacionados ao Petrolão do PT.

CATILINÁRIAS – Presente de Janot para Dilma pode sair pela culatra

Por Reinaldo Azevedo - A Operação Lava Jato teve deflagrada uma nova fase, a Catilinárias — mais um nome absolutamente impróprio, digo depois por quê — e, é visível, busca atingir em cheio o PMDB. O estardalhaço acontece um dia antes de o Supremo decidir o rito da tramitação da denúncia que pode resultar no impeachment de Dilma e também na véspera do protesto das esquerdas em defesa da presidente e contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que preside a Câmara. O presente que Dilma recebe de Rodrigo Janot, um dia depois de seu aniversário, no entanto, pode sair pela culatra. Mais uma vez, Cunha é o centro da vistosa operação, mas ela atinge muitos outros peemedebistas. Vamos ver. Como se sabe, Cunha foi o alvo principal, com mandados de busca e apreensão em suas casas de Brasília e Rio. Mas Renan Calheiros (PMDB-AL) também estava na mira. No seu caso, Teori Zavascki rejeitou o pedido, mas Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e o deputado Aníbal Gomes (CE), foram alvos da ação da PF. Os dois são homens de inteira confiança de Renan. Sobrou para peemedebistas de todos os matizes: o senador Edison Lobão (MA), ligado a José Sarney, está na lista, bem como o ministro da Ciência e Tecnologia e o do Turismo, respectivamente Celso Pansera (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN). O primeiro é se tornou parceiro do deputado Leonardo Picciani (RJ), e o segundo é tido como mais próximo de Michel Temer. Nelson Bornier, prefeito de Nova Iguaçu, entrou na dança. A mesa antes ocupada por Flávio Cleto, que comandava as Loterias da CEF, foi visitada pela PF. Os dois são homens de confiança de Cunha. Até Denise Santos, chefe de gabinete do presidente da Câmara, virou alvo. Ora, à medida que, mais uma vez, aquele que é apontado como o algoz de Dilma, aparece desse modo no noticiário, é evidente que, de imediato, a mandatária colhe, vamos dizer, alguns eflúvios positivos. Mas que logo se dissipam. E por quê? Espalhou-se no PMDB a convicção de que, mais uma vez, o Palácio opera para desmoralizar o partido e para intimidar a legenda. Nove entre 10 peemedebistas acreditam que Rodrigo Janot opera em parceria com o Planalto. Afinal, dizem, tudo o que a Dilma quer é que se espalhe a versão de que, se está ruim com ela, será pior sem ela, já que o PMDB não passaria de um valhacouto. Se é verdade ou não, a esta altura do campeonato, pouco importa. O fato é que o episódio pode servir para unir peemedebistas ainda recalcitrantes, juntando-os à tropa que defende o impeachment de Dilma. Digamos que a presidente poderia ter passado se essa ajudazinha. A ninguém escapa que, a cada dia, Temer se consolida mais e mais como alternativa de poder. Ora, à medida que uma operação como essa bate em cheio do PMDB, parece que se quer dizer à população algo assim: “Esse partido não é a saída”. Por esse caminho, o Planalto poderia comemorar. Ocorre que há um rito do impeachment — qualquer que seja a decisão do ministro Edson Fachin — que passa pelos parlamentares. A esta altura, um PMDB acuado pode escolher o caminho da retaliação. E eu acho que vai. Convenham: depois das “Catilinárias”, o PMDB se torna o principal alvo da Lava-Jato. E é evidente que, a despeito do eventual banditismo de seus integrantes, isso é uma piada. O petrolão é e sempre foi uma obra petista.
PS – Essa fase da operação tem ainda como alvos as seguintes pessoas:
-O deputado Áureo Lídio (SD-RJ);
– Fernando Bezerra Coelho, do PCdoB;
– Aldo Guedes, ex-sócio de Eduardo Campos;
– Lúcio Bolonha Funaro, delator do mensalão;
– e Altair Alves Pinto – emissário de propina de Cunha, segundo os investigadores.

STF vota na quinta liberdade de Delcídio e Esteves

Teori Zavascki decidiu convocar sessão extra da segunda turma do Supremo, para analisar os pedidos de revogação das prisões de Delcídio Amaral e André Esteves. A decisão foi tomada depois que O Antagonista denunciou mais cedo que emissários petistas prometeram ao senador conseguir sua libertação no plantão de fim de ano, com ajuda de Ricardo Lewandowski. Foi a promessa de liberdade que miou a delação premiada de Delcídio. Resta saber qual será a posição dos ministros, que hoje libertaram o doleiro Adir Assad.

Decidido, STJ manda Marcelo Odebrecht passar o Natal na cadeia

A Quinta Turma do STJ confirmou a tendência de rejeitar habeas corpus de réus da Lava Jato. Por 4 a 1, os ministros decidiram manter a prisão de Marcelo Odebrecht. Os ministros Félix Fischer, Jorge Mussi, Gurgel de Faria e Reynaldo Soares da Fonseca honraram suas togas. O derrotado é Navarro Dantas, apadrinhado de Francisco Falcão que foi citado na gravação de Bernardo Cerveró.

Levy, o perdedor

Ninguém sério acredita que haja uma diferença marcante entre um superávit de 0,7% do PIB, como o defendido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ou algo menor, como quer parte do governo. Nenhum deles deterá o avanço da dívida pública ou resgatará a confiança dos investidores. O único bônus do 0,7% seria mostrar que Levy é capaz de ganhar alguma briga em Brasília. A avaliação é do economista Fabio Giambiagi: “Ele vem perdendo todas”, diz o especialista em finanças públicas. E credibilidade, no mercado, é tudo.

STF está dividido sobre impeachment

O Antagonista conversou com alguns ministros do Supremo que receberam o voto de Edson Fachin. Segundo eles, o plenário até o momento está dividido sobre a tese de Fachin de que a Corte deve definir um novo rito de impeachment. Ao menos cinco ministros são contra qualquer interferência no Congresso e avaliam que o rito já foi estabelecido no processo de Fernando Collor de Mello.

Do lixo para o lixão

Em entrevista ao Estadão, Samar Maziad, analista sênior da Moody"s resumiu a situação brasileira: "Se o cenário fiscal e de queda do crescimento for mantido, como será possível manter o rating do Brasil?" O cenário fiscal vai piorar, a queda do crescimento será maior e o rating do Brasil vai do lixo para o lixão.

Senado oficializa a lavanderia

O Senado aprovou há pouco o projeto de repatriação de recursos do Exterior. Como se vê, nem a devassa de hoje feita pela Polícia Federal amedronta essa classe política.

"Vou de táxi, cê sabe"

O Globo informa que um dos carros encontrados por agentes da Polícia Federal na casa de Eduardo Cunha no Rio de Janeiro é um táxi registrado em nome de Altair Alves Pinto. Não é qualquer táxi, mas um Touareg branco, ano 2013. Altair também foi alvo de busca e apreensão. Ele é citado por Fernando Baiano como entregador de propina. Será que cobrava bandeira 2?

Mensalão 2

Giovane Favieri, da produtora VBC, envolvida por José Carlos Bumlai no pedido de 12 milhões de reais ao Banco Schahin, admitiu à Folha de S. Paulo que, em 2004, de fato embolsou 500 mil reais em dinheiro de caixa 2: “É óbvio que o pagamento foi feito no caixa dois. Naquela época, não havia tanta preocupação com isso. Caixa dois era quase uma contravenção”. É o mensalão 2. O Banco Schahin deu um falso empréstimo ao PT, exatamente como o Banco Rural. E o dinheiro foi usado, em parte, para pagar os marqueteiros do partido. Os empréstimos falsos eram o método petista de rapina até o surgimento do petrolão, em 2006.

Rogério Araújo permanece preso

Novamente, por 4 a 1, Quinta Turma do STJ rejeita habeas corpus de Rogério Araújo, da Odebrecht. Agora, vamos ao que interessa: Marcelo Odebrecht.

Estre foi alvo da Polícia Federal

A Estre Ambiental foi alvo de busca e apreensão hoje pela Polícia Federal. A empresa tem atuação na área de limpeza urbana e petróleo, com contratos bilionários na Petrobras. O escritório da Estre no Rio de Janeiro servia de bunker para Fernando Baiano e José Carlos Bumlai.

Delcídio conta com Lewandowski no Natal

Delcídio Amaral desistiu de fazer delação porque foi orientado por emissários do governo a esperar o recesso do Judiciário, quando Ricardo Lewandowski assume sozinho o plantão. A defesa do senador já tem prontinho na gaveta um pedido de habeas corpus, que será prontamente aceito pelo presidente do Supremo. A propósito, o ministro indicado pelos Demarchi defendeu ontem na Alesp o fim da cultura de encarceramento.

Bumlai blindou Lula?

A imprensa realmente acredita que José Carlos Bumlai blindou Lula? Depois de ter admitido que repassou 12 milhões de reais a um chantagista que acusou Lula de envolvimento no assassinato de Celso Daniel? Depois de ter admitido que a propina do navio-sonda Vitória 10.000 serviu para quitar dívidas da campanha eleitoral de Lula? Em duas semanas de cadeia, José Carlos Bumlai já falou mais do que todos os outros delatores juntos. E se prepara para falar muito mais.

PMDB x PMDB, no Twitter

Lauro Jardim registrou que, no Twitter, Geddel Vieira Lima, pró-impeachment, está fustigando Eduardo Paes, pró-boquinha petista. O tweet de Geddel transcrito pelo colunista de O Globo diz o seguinte: "Para se ver livre do Picciani, candidato prefeito do RJ e bancar o rapaz que bate em mulher, Paes, quer empurrar Picciani goela abaixo da bancada." Mas há outros ainda mais pesados: "O Eduardo Paes é um nômade partidário. Já prestou serviços ao PFL e ao PSDB e, agora, vem querer ditar normas no PMDB? Aqui, não, violão." "O Paes foi do PV também. Será que ele acha que, além do Rio, onde ele tem uns carguinhos para distribuir, alguém no PMDB dá bola para ele?"

Exclusivo: A viagem secreta de Jaques Wagner

Se alguém da imprensa for questionar José Eduardo Cardozo sobre a viagem noturna a Curitiba na semana passada, pergunte também a Jaques Wagner o que ele foi fazer ontem em São Paulo. Wagner embarcou num jatinho da FAB às 10h20 e voltou a Brasília às 15h15. Estava sozinho, vestia um paletó informal e parecia ansioso. A agenda em São Paulo não foi divulgada, mas o ministro se reuniu com Dilma antes e depois da viagem. A FAB registrou o voo secreto.

Urgente: STF solta o doleiro Adir Assad

Por 4 votos a 1, a Segunda Turma do STF aceitou habeas corpus do doleiro Adir Assad. Condenado na Lava Jato, Assad passará para o regime domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Carmen Lúcia foi o único voto contrário. Assad é conhecido por usar empresas de fachada para repassar dinheiro a políticos. Ele atuou no escândalo do DNIT (CPI do Cachoeira), nos desvios da Transposição do Rio São Francisco e no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. A decisão é grave, pois sinaliza positivamente ao STJ para a libertação de Marcelo Odebrecht.

Polícia Federal também vasculhou as casas do senador Fernando Bezerra, do PSB

Entre os 53 mandatos de busca e apreensão da nova fase da Operação Lava Jato, esta no âmbito da PGR e do STF, está o que autoriza a PF a vasculhar as casas do senador Fernando Bezerra em Brasília e Recife. O senador é do PSB e foi ministro de Dilma Roussef. Ele ocupou a pasta da Integração Nacional. O PSB está na oposição ao governo federal do PT.

Janot quis invadir também a casa de Renan Calheiros

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pediu autorização para fazer busca e apreensão também na casa do presidente do Congresso, Renan Calheiros, mas o ministro Teori Zavascki, STF, não acatou o pedido.

Kassab confirma que Dilma vai privatizar o Trensurb

O minisro das Cidades, Gilberto Kassab, confirmou que o governo Dilma privatizará o Trensurb, metrô de superfície que opera na região metropolitana de Porto Alegre. Será acertada uma PPP. As passagens atuais, que custam R$ 1,70 para os 42,5 kms do metrô de superfície, irão para R$ 3,70, como é o caso do Rio de Janeiro.

Polícia Federal na casa de Cunha: Janot dá mais um mamão com açúcar para Dilma

Por Reinaldo Azevedo - Rodrigo Janot é, sem dúvida, um dos procuradores-gerais da República mais, como posso classificar?, “espertos” que já passaram pelo cargo. A PF, neste momento, está na casa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara (ver post). É possível que seja por bons e justificados motivos. Mas o ponto não é esse agora. Que mais poderia querer Dilma, a esta altura do campeonato, do que um presidente da Câmara ainda mais desmoralizado na véspera de o Supremo começar a decidir sobre o rito do impeachment? Não só isso: também é a véspera do protesto das esquerdas em favor da permanência de Dilma e, ora vejam, da deposição e cassação de… Cunha! O deputado pode até ser culpado de tudo que o acusam. Mas é inegável que, no seu caso, Janot joga com o calendário como ninguém. E, ao fazê-lo, dá mais uma mãozinha para Dilma.

O CADÁVER DE CELSO DANIEL SE AGITA – Confissão de Bumlai deixa claro: não é partido, é organização criminosa

Por Reinaldo Azevedo - Que coisa, né? Em 2012, Marcos Valério — sim, ele mesmo! — afirmou, em depoimento ao Ministério Público, que, em 2004, o PT teria pagado R$ 6 milhões ao empresário Ronan Maria Pinto e outros, que ameaçavam ligar o assassinato do prefeito Celso Daniel, ocorrido em 2002, ao esquema de propina na Prefeitura de Santo André, que azeitava a máquina partidária. Lula e Gilberto Carvalho estariam sendo chantageados pessoalmente por Ronan. Em vez de chamar a polícia, a dupla teria preferido pagar o preço. Em tempo: Ronan nega qualquer envolvimento com o caso. Lula e Carvalho também. Adiante. Segundo Valério disse então, ele foi procurado pelos petistas para dar aos achacadores o dinheiro que eles buscavam, mas se recusou: “Nisso aí, eu não me meto”, teria dito o operador do Mensalão, em um encontro com Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT, e Ronan. A história escabrosa contada por Valério, condenado a 40 anos de prisão, ficou em suspenso. Muito bem! Em depoimento prestado à Polícia Federal nesta segunda, José Carlos Bumlai, o amigão de Lula, aquele que tinha livre acesso ao Palácio do Planalto, resolveu confessar ao menos parte do que sabe. Desmentindo versões anteriores, o empresário referenda parte da delação de um diretor do grupo Schahin e revela:
1: o empréstimo que ele, Bumlai, contraiu no banco Schahin era mesmo para o PT;
2: o valor total, conforme afirma o Ministério Público, era de R$ 12 milhões;
3: o dinheiro foi inteiramente revertido para o PT por intermédio do grupo Bertin;
4: R$ 6 milhões desse total teriam ido para o PT de Santo André, destinado a pagar chantagistas;
5: os outros R$ 6 milhões teriam ido para o PT de Campinas;
6: o empréstimo nunca foi pago;
7: Bumlai confirma que esteve com Delúbio Soares para tratar do empréstimo e que depois debateu o assunto com João Vaccari Neto.
PT de Campinas? Coincidência ou não, é a cidade em que outro ilustre petista foi assassinado, o também prefeito Toninho do PT, morto em circunstâncias igualmente estranhas quatro meses antes de Celso Daniel. Também a sua família, a exemplo da do prefeito de Santo André, jamais se conformou com a tese do crime comum. Segundo diretores do grupo Schahin, o empréstimo, que, em 2009, já estava em R$ 53,5 milhões foi simplesmente esquecido quando Bumlai e Lula atuaram para que o grupo fosse o operador do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras — um contrato, então, de US$ 1,6 bilhão. Vale dizer: quem pagou o empréstimo foi a estatal brasileira. Essa lambança toda, antes ainda da confissão de Bumlai, rende ao empresário e a mais oito pessoas denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal. Por incrível que pareça, contra Lula, não se pediu nem abertura de inquérito. Ah, sim: Fernando Baiano, outro que teve delação homologada pela Justiça, diz que José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, também atuou para que o grupo Schahin conseguisse operar a sonda. Gabrielli, o que é espantoso, não é nem sequer um investigado da operação Lava-Jato.
Então vamos ver
Bumlai jurava de pés juntos que houvesse sido laranja do empréstimo de R$ 12 milhões do banco Schahin ao PT. Agora ele confessa: foi. Bumlai jurava de pés juntos que havia pagado o empréstimo com embriões e esperma de boi. Agora, ele confessa: estava mentindo. Bumlai negava de pés juntos que o grupo Bertin tivesse servido de intermediário na transferência do dinheiro para o PT. Agora ele confessa: foi, sim! Bumlai jurava de pés juntos que tivesse ouvido falar da operação para pagar empresários que estariam extorquindo Lula e Gilberto Carvalho. Agora, ele diz ter ouvido falar. Bumlai ainda nega de pés juntos que tenha interferido para a contratação do navio-sonda. O seu histórico de negativas dá o que pensar, não é mesmo? Atenção! Bumlai fez uma confissão espontânea, não uma delação premiada. Não precisa assinar compromisso nenhum se comprometendo a dizer a verdade. Suas palavras parecem ter sido medidas. Se vocês notarem bem, ele confirma os aspectos mais escabrosos do rolo, mas tangencia quando o assunto é Lula. Fica parecendo que há um aviso parado no ar: “Se eu e minha família nos lascarmos, a coisa não vai ficar boa…”. Na confissão espontânea, o investigado fica livre para ir se lembrando de coisas… Vamos ser claros: com o que Bumlai já confessou — e ele não fez delação premiada —, já é possível caracterizar não um partido, mas uma organização criminosa.

Los Angeles suspende todas as aulas devido a ameaça de bomba


A cidade de Los Angeles, na Califórnia, suspendeu nesta terça-feira todas as atividades escolares por causa de uma "ameaça não identificada" de uma bomba, reporta o jornal The New York Times. Mais de 640.000 estudantes de todas as idades foram afetados pela suspensão das aulas. Ao todo, mais de 1.000 escolas foram fechadas. Ônibus escolares que já estavam nas ruas receberam ordens de para voltar e deixar os alunos em suas casas. Alunos, professores e funcionários foram aconselhados a se manterem longe das instituições de ensino até uma segunda orientação. As investigações ainda estão em andamento, mas segundo o jornal Los Angeles Times, as suspeitas são de que a ameaça envolva mochilas ou pacotes suspeitos deixados nas escolas. A ligação relatando a ameaça foi recebida por um membro da direção do Distrito Escolar Unificado de Los Angeles, instituição que administra os colégios públicos da segunda maior cidade dos Estados Unidos e de municípios nos seus arredores. "Recebemos ameaças todos os dias, mas essa foi uma ameaça rara", disse Ramon Cortines, superintendente da LAUSD. A cidade de Nova York também recebeu a mesma ameça que levou ao fechamento das escolas de Los Angeles, mas os oficiais locais rapidamente concluiram que se tratava de uma mensagem falsa. O prefeito da cidade, Bill de Blasio, disse que estava "absolutamente convencido" de quer não havia nenhum perigo para os alunos de Nova York. O comissário da polícia local, William Bratton, afirmou acreditar que a polícia de Los Angeles exagerou ao suspender as atividades escolares na cidade. Segundo Bratton, o superintendente de uma escola da região recebeu a ameaça por e-mail nessa terça-feira pela manhã. O autor da mensagem dizia ser um jihadista, mas alguns erros óbvios levaram a polícia a descartar o alerta. A ação acontece a menos de duas semanas depois do ataque terrorista em San Bernardino, que deixou catorze mortos e 22 feridos. Los Angeles e San Bernardino ficam a menos de 100 quilômetros de distância. Ao longo das últimas duas semanas, tem havido uma série de ameaças de bomba na região, informa o NYT.

Amigo de Lula confessa que repassou R$ 12 milhões do petrolão ao PT


O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, afirmou à Polícia Federal que "realmente acredita" que o PT tomou empréstimos do Banco Schahin, "através de laranjas", para financiar campanhas eleitorais do partido. A declaração foi feita em depoimento prestado nesta segunda-feira à Polícia Federal e evidencia, segundo o empresário, relações nebulosas entre o empresário Salim Schahin e os petistas. Amigo do ex-presidente Lula, Bumlai foi preso no dia 24 de novembro na Operação Lava Jato por suspeitas de ter atuado na simulação de um empréstimo de cerca de 12 milhões de reais que serviria, na verdade, para esconder pagamentos de propina. "Os negócios do PT com a Schahin não se limitaram ao empréstimo. Acredita que Salim Schahin tenta usar este empréstimo para ocultar outras operações e negócios envolvendo seu grupo com o PT", disse no depoimento. "Acredita que o PT possa ter tomado outros empréstimos junto ao Banco Schahin através de laranjas. Acredita que tais empréstimos destinavam-se à formação de caixa dois para campanhas do partido", completou. Segundo os investigadores, ele integrou um esquema de corrupção envolvendo a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do navio sonda Vitoria 10000. A transação só ocorreu após o pagamento de propina a dirigentes da Petrobras e ao PT. A exemplo do escândalo do mensalão, o pagamento de dinheiro sujo foi camuflado a partir da simulação de um empréstimo no valor de 12,17 milhões de reais do Banco Schahin, com a contratação indevida da Schahin pela Petrobras para operar o navio sonda Vitoria 10000 e na simulação do pagamento do suposto empréstimo com a entrega inexistente de embriões de gado. Em janeiro de 2005, quando venceu a primeira parcela do empréstimo, o débito continuou sem ser pago porque, na avaliação do ex-presidente do Banco Schahin Sandro Tordin, "muito embora a Schahin tivesse conseguido contratos com a Petrobras para operar sondas de águas rasas, os valores ainda não compensariam o empréstimo concedido". Pela primeira vez José Carlos Bumlai admitiu que tomou o empréstimo para repassar os valores ao PT e detalhou que o dinheiro foi pedido pelo ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares, que alegou que "se tratava de uma questão emergencial e que o dinheiro seria devolvido rapidamente". Na transação, o também ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto atuou diretamente, acompanhando a contratação do navio sonda usado para camuflar o repasse de dinheiro ao partido. Segundo o depoimento, Vaccari informou que em breve o empréstimo poderia ser quitado porque "estavam em curso negociações da Schahin para a operação da sonda Vitória 10.000". Bumlai alega que no final de 2005, depois de não ter conseguido quitar o empréstimo, disse que Tordin "revelou que os dirigentes do Banco Schahin iriam mantê-lo como refém", principalmente por conta da amizade com Lula. Ainda que os investigadores apontem para a participação ativa do pecuarista na operação, ele disse que aceitou tomar o empréstimo por "constrangimento" e porque "não queria se indispor com os representantes do PT" e disse que realmente gostaria de quitar o débito. Ele detalhou que, a pedido de um advogado da Schahin, simulou a operação de entrega dos embriões e indicou, sem apresentar certeza, que "poderia ocorrer" um acordo de pagamento de propina ao diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrela, na transação envolvendo a Schahin e o navio-sonda Vitoria 10.000. O pecuarista, porém, não soube se houve efetivamente o desembolso de dinheiro sujo. Embora conversasse com Baiano sobre o contrato do navio-sonda, o empresário alegou à Polícia Federal que nunca pediu interferência interna do lobista nem de outras autoridades, como o ex-presidente Lula ou o ex-diretor Nestor Cerveró para transações na Petrobras. Neste ponto, o depoimento contrasta com as evidências colhidas pelos investigadores da Lava Jato. O lobista e delator Fernando Baiano disse em pelo menos três depoimentos que Bumlai utilizava o nome do ex-presidente Lula para obter benefícios e contratos. Como exemplo, o delator afirmou que, na tentativa de emplacar um contrato entre a empresa OSX, do ex-bilionário Eike Batista, com a Sete Brasil, empresa gestada no governo Lula para construir as sondas de exploração do petróleo do pré-sal, Bumlai foi acionado para interceder junto a Lula. Em troca, o pecuarista teria recebido comissão de 2 milhões de reais, que acabaram repassados a uma nora do ex-presidente para a quitação da dívida de um imóvel.

Fachin distribui a ministros voto sobre rito de impeachment


O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), distribuiu nesta terça-feira aos demais integrantes da corte o voto que vai proferir na sessão plenária desta quarta-feira sobre o rito de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele pretende apresentar uma espécie de passo a passo do processo de impedimento, unificando as legislações em vigor, a Constituição e os regimentos da Câmara e do Senado para evitar uma maior judicialização do caso. Em decisão monocrática, ele havia suspendido a formação e a instalação da comissão especial da Câmara que analisaria o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No recurso a ser analisado no plenário nesta quarta, o PCdoB questiona a ausência de um rito claro para o processo de impeachment e a legalidade de apresentação de uma chapa de oposição para a comissão que dará o parecer prévio sobre Dilma. O partido quer ainda que o Supremo afirme que a Constituição não recepcionou em seus textos trechos da lei 1079, de 1950, que define os crimes de responsabilidade e foi utilizada para embasar o pedido de deposição de Dilma. Na avaliação dos comunistas, como processos de impeachment não são invocados frequentemente, o Congresso não atualizou a lei de 1950 às normas da Constituição de 1988 e, por isso, o STF deveria avaliar que parcelas da legislação sobre crime de responsabilidade estão em vigor e que parcelas não estão.

Presidente do Conselho de Ética aceita denúncia que pode levar à cassação de Delcídio


O senador peemedebista João Alberto Souza (PMDB-MA) aceitou nesta terça-feira denúncia contra o ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral. Na prática, a decisão dá o pontapé inicial para o processo que pode levar à cassação do parlamentar. Na próxima quinta-feira será escolhido um relator para o caso. Delcídio foi preso no dia 25 de novembro por atuar para impedir as investigações da Operação Lava Jato e barrar o acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Cerveró foi apadrinhado por Delcídio no cargo de direção da petroleira e ameaçava contar detalhes do esquema de corrupção instalada na estatal. Gravações feitas pelo filho de Cerveró, Bernardo, mostram Delcídio negociando o pagamento de 50.000 reais mensais à família do ex-dirigente e até a fuga do ex-diretor para fora do país. Paralelamente, investigadores atribuem ao banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, o papel de bancar a mesada à família de Cerveró e pagar outros 4 milhões de reais ao advogado Edson Ribeiro, que atuava na defesa do ex-diretor e trabalhava para impedir a delação premiada. "O propósito desses atores indiscutivelmente tinha por fito a aniquilação do escorreito provimento jurisdicional dos crimes de lesa-pátria ocorridos no âmbito da chamada Operação Lava Jato", diz a representação. Esteves e Ribeiro, além do chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, foram presos por ordem do Supremo Tribunal Federal. "Caberá a este Senado Federal demonstrar sua repulsa às contra republicanas e criminosas práticas do representado [Delcídio], rechaçando publicamente seu comportamento e apenando-o com a cassação do mandato e consequente suspensão dos direitos políticos ou, de outra sorte, referendar seu comportamento inescrupuloso, encarando o escrutínio público dessa perigosa decisão, que pode por em xeque a própria legitimidade institucional desta Casa", diz a representação do PPS e da Rede encaminhada ao Conselho de Ética do Senado. O processo chegou ao colegiado depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se recusou a encaminhar, via Mesa Diretora do Senado, a decisão do Plenário que confirmou, por maioria, a prisão do petista. Antes da representação contra Delcídio, Renan disse que a prisão era um "fato grave, relevante e que surpreendeu a todos", mas afirmou que caberia aos partidos representar contra o senador. A iniciativa de Renan Calheiros de não protagonizar o pedido de cassação de Delcídio ocorre porque ele próprio é um dos investigados na Operação Lava Jato. O procurador-geral da República Rodrigo Janot já pediu autorização ao STF para investigar Renan, Delcídio e o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Os três foram citados em delações premiadas da Operação Lava Jato como destinatários de propina do escândalo do petrolão. O temor de investigados é que a abertura de um processo de cassação contra o ex-líder do governo facilite eventuais processos futuros contra parlamentares citados no propinoduto da Petrobras. No Conselho de Ética do Senado, o presidente João Alberto Souza (PMDB-MA) votou na semana passada por revogar a prisão de Delcídio. Adotaram postura semelhante os senadores José Pimentel (PT-CE), Paulo Rocha (PT-PA) e Regina Sousa (PT-PI), que também integram o colegiado.

Alvo da Lava Jato, Renan diz que ninguém fala por ele


No dia em que todas as atenções do Congresso se voltam para o mais recente desdobramento da Operação Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), falou nesta terça-feira sobre os episódios pelos quais é investigado no escândalo do petrolão e disse que nunca autorizou que alguém falasse em seu nome. Ele também afirmou que já prestou esclarecimentos sobre o propinoduto na Petrobras. O peemedebista, alvo de inquéritos na Lava Jato, não quis comentar o pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot de busca e apreensão em sua residência oficial - o pedido foi rejeitado pelo ministro Teori Zavascki. "Não tenho absolutamente nenhuma informação [sobre o pedido de busca na residência oficial]. Já prestei todas as informações que me foram pedidas. Coloquei qualquer coisa à disposição e nunca consenti nem consentiria, nem permiti nem permitiria que alguém, em qualquer circunstância e em qualquer lugar, falasse em meu nome", disse. Na Operação Catilinárias, deflagrada hoje, policiais cumpriram 53 mandados de busca e apreensão, incluindo no PMDB em Alagoas e na casa do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), apontado pelos investigadores como o preposto de Renan na negociação de propina. Também foi alvo de busca o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, aliado do senador. Teori não autorizou as buscas na casa de Calheiros. Em um dos casos que motivou a abertura de investigação contra o presidente do Senado no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa informou às autoridades que Renan recebia dinheiro de empreiteiras contratadas pela estatal, realizava as negociatas em sua própria casa e recolhia propina da Transpetro, subsidiária da Petrobras. Em depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-diretor da Petrobras disse ter sido apadrinhado na Petrobras pelo PP e pelo PMDB e afirmou ter se reunido na casa do senador Romero Jucá (PMDB-RR), na casa Calheiros e também com o deputado Aníbal Gomes para discutir propina. Apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como emissário do presidente do Senado no esquema do petrolão, o deputado Aníbal Gomes reclamava com o lobista Fernando Baiano que propinas de contratos da Petrobras não estavam sendo repassadas a políticos do partido, que se sentiam "enrolados" por não receber o dinheiro. O relato foi feito pelo próprio delator. Sem especificar a data, Baiano disse ao juiz Sergio Moro que foi cobrado publicamente pelo parlamentar sobre as propinas devidas a políticos do PMDB. "Em determinado momento, (...) o Aníbal veio me cobrando 'ah, porque estava demorando muito para ter os repasses, que eles estavam sendo enrolados'", relatou. Segundo o delator, o deputado foi explícito e disse: "A gente sabe que está tendo contratos da Petrobras e a gente não está tendo acesso aos repasses relativos a esses contratos". Nos autos da Lava Jato, Fernando Baiano também admitiu que repassou propina a integrantes do PMDB durante a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e de contratos de sondas. "[Baiano] realizou apenas alguns repasses pontuais envolvendo o PMDB, dentre eles o relacionado a Eduardo Cunha e a Renan Calheiros, quanto a este sempre por meio de Jorge Luz", disse. Luz é uma espécie de lobista histórico da Petrobras.

Delator da UTC foi crucial para Operação Catilinárias


Walmir Pinheiro Santana, um dos delatores e braço direito do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia

O delator da Operação Lava Jato Walmir Pinheiro Santana, considerado braço direito do empreiteiro Ricardo Pessoa, foi crucial para a deflagração da Operação Catilinárias, que cumpriu nesta terça-feira 53 mandados de busca e apreensão. À força-tarefa da Lava Jato, Santana detalhou a relação e o pagamento de propina envolvendo o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado e descreveu como o senador Edison Lobão (PMDB-MA) teria recebido propina do consórcio vencedor das obras de Angra 3. As casas de Machado e Lobão foram alvos de mandados de busca e apreensão hoje.

Polícia Federal ameaça arrombar gabinete de deputado, mas diretoria abre


A Polícia Federal ameaçava arrombar o gabinete do deputado Anibal Gomes (PMDB-CE) para cumprir mandado de busca e apreensão. Os funcionários da assessoria do peemedebista não apareceram para trabalhar e a porta do gabinete estava trancada. A Diretoria-Geral da Câmara, que determinou que sejam abertos todos os locais sobre os quais haja busca autorizada, forneceu cópia das chaves e os agentes da PF entraram.

Polícia Federal apreende 3 celulares, 1 iPad e 3 computadores de Cunha


A Polícia Federal apreendeu três telefones celulare, um iPad e três CPUs de computadores na residência oficial da presidência da Câmara. Também foi levada uma grande quantidade de documentos, que surpreendeu os agentes e o Ministério Público.

Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nas casas de Eduardo Cunha


Em mais uma fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal fez nesta terça-feira, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), uma operação de busca e apreensão na residência oficial do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em Brasília, e na casa do parlamentar, no Rio de Janeiro. Três viaturas da Polícia Federal, com cerca de doze agentes, isolaram o local e realizam as buscas na casa localizada na área conhecida como Península dos Ministros, no Lago Sul, região nobre de Brasília. Além de Eduardo Cunha, também foram alvos de busca e apreensão o ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera (PMDB), o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), o senador Edison Lobão (PMDB-MA), o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 53 mandados de busca e apreensão em oito Estados - Distrito Federal (9), São Paulo (15), Rio de Janeiro (14), Pará (6), Pernambuco (4), Alagoas (2), Ceará (2) e Rio Grande do Norte (1). A busca na residência de Cunha foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O objetivo é coletar provas para os inquéritos que apuram se Cunha cometeu os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O peemedebista foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter recebido suposta propina de 5 milhões de reais para viabilizar a construção de navios-sonda da Petrobras, entre junho de 2006 e outubro de 2012. Não houve mandados de prisões nessa fase da Lava Jato batizada de Catilinárias, que se restringe a autoridades políticas com foro privilegiado. Catilinárias é o nome dado a um dos mais célebres discursos do orador romano Cícero contra um senador que planejava tomar o poder. O trecho mais famoso do discurso é: "Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra", ou "Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência". 

MPF denuncia Bumlai, Vaccari e mais nove por corrupção na Petrobras


O Ministério Público Federal denunciou, nesta segunda-feira, o pecuarista José Carlos Bumlai, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e outras nove pessoas por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. De acordo com as investigações, o grupo desviou R$ 18 milhões para abastecer os cofres do PT. O MPF pede a reparação mínima de R$ 53,5 milhões. Bumlai está preso em Curitiba desde o dia 24 de novembro deste ano, acusado de corrupção e gestão fraudulenta. Ele teria ajudado o Grupo Schahin, para fechar um contrato sem licitação com a Petrobras, no valor de R$ 1,3 bilhão, para a operação do navio-sonda Vitória 10.000. "Bumlai não é centro dessa investigação. Bumlai nada mais é do que operador de um partido político. Ele é operador do Partido dos Trabalhadores", afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava-Jato. Além de Bumlai e Vaccari, foram indiciados o filho do pecuarista, Mauricio de Barros Bumlai, e sua nora, Cristiane Barbosa Dodero Bumlai. Foram denunciados também Nestor Cerveró, Jorge Zelada, ambos ex-diretores da áera Internacional da Petrobras, o ex-gerente da estatal Eduardo Musa, e os executivos do Banco Schahin: Salim Schahin, Milton Schahin e Fernando Schahin. O lobista Fernando Baiano também foi denunciado. De acordo com o MPF, o esquema de corrupção ocorreu em três momentos. O primeiro foi em outubro de 2014. Bumlai avalizou, junto ao Banco Schahim, um empréstimo de R$ 12 milhões para o PT. Os investigadores afirmam que a operação financeira não tinha lastro e garantia real. Em troca, o Grupo Schahin conseguiu contratos com a Petrobras. Para garantir os contratos, entre outubro de 2006 e janeiro de 2009, os irmãos Schahin — Milton, Fernando e Salim — ofereceram US$ 1 milhão a Musa, além da quitação da dívida do PT, que na época já era de R$ 18 milhões. Em troca, eles pediram a garantia da contratação da construtora Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, um contrato de US$ 1,6 bilhão. A negociação foi conduzida por Bumlai e Salim Schahin com a intermediação do lobista Fernando Baiano e pelo ex-tesoureiro do PT. Em 2009, para ocultar o empréstimo, Bumlai "vendeu" embriões ao Grupo Schahin e, em troca, recebeu notas promissoras do banco e quitou a dívida. A denúncia será analisada pelo juiz Sérgio Moro, que conduz o julgamento da Lava-Jato. Caso aceite a denúncia, o juiz abre uma ação penal.

Estaleiro Eisa fecha as portas e demite 3 mil metalúrgicos


Cerca de três mil funcionários do Estaleiro Eisa, na Ilha do Governador, foram desligados da empresa por meio de uma carta recebida na manhã desta segunda-feira, ao chegarem ao local de trabalho. Os portões estavam lacrados e sequer puderam entrar. Na mensagem, assinada pela presidência do estaleiro - controlado pela holding Synergy Shipyards -, a empresa justifica que o corte de pessoal é consequência dos impactos da recessão econômica e da Lava-Jato, “que paralisou as atividades da indústria naval e deoffshore”. “A única alternativa para manter o estaleiro funcionando é diminuir ao máximo os custos operacionais”, argumenta. “Com muita tristeza e dor nos vemos na necessidade imediata de realizar corte de pessoal. Comunicamos por meio desta que estamos efetuando a rescisão do seu contrato de trabalho, dia 11/12, devendo encerrar suas atividades de forma imediata”, informou em carta. Após receberam a mensagem, os metalúrgicos caminharam em uma manifestação até o Aeroporto Galeão. A diretoria do estaleiro e do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (Sindimetal-Rio) se reúnem às 15h para discutir as rescisões. Em Niterói, onde até a metade deste ano funcionou um outro estaleiro do grupo, o Petro 1, que foi fechado e teve 3,3 mil metalúrgicos desligados, também houve manifestação. A concentração foi na Praça Barreto. Os ex-funcionários alegam que ainda não receberam as indenizações pela rescisão dos contratos. No meio deste ano, o Estaleiro Mauá acabou demitindo 3,3 mil funcionários e fechou as portas. Segundo informou à época o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Edson Rocha, em reunião com os representantes do estaleiro, a empresa disse que as demissões foram necessárias porque não haviam mais recursos para pagar os funcionários. O presidente do Sindimental-Rio, Jesus Cardoso, teme que os funcionários desligados do Eisa também fiquem sem receber direitos como 13° salário, pagamento de multa e férias, além do reajuste salarial de 9,8% recentemente aprovado, que é retroativo ao mês de outubro e ainda não foi pago pela empresa. Procurado pelo GLOBO, o estaleiro não quis comentar a respeito. Os problemas financeiros do estaleiro Eisa começaram na década passada, quando a venezuelana PDVSA deixou de honrar o pagamento referente à encomenda de dez navios, num negócio de US$ 1 bilhão. E foram agravados por cancelamentos de encomendas pela Petrobras. 

Manifestação pró-impeachment ‘não aconteceu’, diz líder do PT


O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (AC), disse nesta segunda-feira que as manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff "não aconteceram". Na avaliação do líder petista, apenas uma minoria "de pele branca" foi às ruas no último domingo. As declarações foram feitas por ele na chegada à sede do PT em Brasília, onde se encontra com o presidente nacional do partido, Rui Falcão, parlamentares petistas e integrantes de movimentos sociais, como a CUT, para discutir os protestos pró-Dilma marcados para esta quarta-feira. "O povo não foi para a rua, o Datafolha mostrou claramente quem foi para a rua (segundo o instituto de pesquisa, apenas 2% dos presentes nos protestos de domingo eram negros). Uma minoria de pele branca. Na sociedade, na sua estratificação normal, não aconteceu", afirmou o líder.Sibá disse que está confiante na força dos protestos marcados para a próxima quarta-feira, organizados por centrais sindicais ligadas ao PT, como a CUT e o MST. Ele acredita que houve um "acordar" depois da abertura do processo de impeachment pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Perguntado se temia que os protestos em defesa da presidente Dilma fossem esvaziados, o líder do PT disse que não, e acusou o PSDB de ser "incompetente": "Não vejo isso, nós temos que denunciar à sociedade que, sem qualquer argumento jurídico... O parecer do Bicudo foi tão frágil que precisou do apoio do Eduardo Cunha. O PSDB foi incompetente até nisso", criticou. Para o líder do PT na Câmara, o rito do impeachment deve ser conduzido por uma pessoa "minimamente neutra". " O rito não pode ser feito pelo presidente da Câmara, tem que ser por alguém minimamente neutro",  disse Sibá. Em reunião com o ex-presidente Lula na manhã desta segunda-feira, o líder do PT na Câmara contou que a avaliação conjunta que fizeram é de que não houve "cheiro de povo" nos protestos pró-impeachment de domingo. Lula comentou a pesquisa Datafolha, que mostrou que o perfil médio do público visto nos atos organizados pela oposição era "elitista". 

Acusado nos EUA, cartola hondurenho aceita extradição



O ex-presidente da Federação de Futebol de Honduras, Rafael Callejas, envolvido nos escândalos de corrupção da Fifa, aceitou o pedido de extradição aos Estados Unidos e viajou nesta segunda-feira para se entregar à Justiça americana, segundo informou o chanceler hondurenho, Arturo Corrales, à rádioHRN da capital Tegucigalpa. Corrales, porém, não afirmou em qual cidade o acusado permanecerá durante o período de prisão nos EUA. Callejas está entre os 16 dirigentes e ex-dirigentes ligados à Fifa citados pela procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch, em 3 de dezembro, como membros de um sistemático esquema de corrupção, que inclui nomes como o presidente da CBF Marco Polo Del Nero e o ex-mandatário da entidade Ricardo Teixeira. Entre os acusados também está o atual presidente da Federação de Futebol de Honduras, Alfredo Hawit. Além de comandar a entidade máxima do futebol de Honduras, Rafael Callejas foi presidente do país entre 1990 e 1994. Neste período, foi acusado pelo Ministério Público de ter participado de outros esquemas de corrupção.

Macri anuncia fim de impostos de exportações agrícolas



O novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta segunda-feira a eliminação de impostos às exportações agrícolas e uma redução no caso da soja. A medida tem como objetivo final incentivar a produção agrícola. No curto prazo, porém, busca que os produtores e exportadores liquidem o estoque retido, como uma forma de propiciar a entrada de divisas às combalidas reservas do Banco Central, que se encontram abaixo dos 25 bilhões de dólares. Os impostos às exportações de grãos, que permitiram um sensível aumento da arrecadação, causaram em 2008 uma greve prolongada no campo que causou problemas ao governo da ex-presidente Cristina Kirchner. "Hoje vou assinar o decreto de retenção (imposto às exportações) zero para as economias regionais", disse Macri em um ato com os produtores em Pergamino, 220 km a noroeste de Buenos Aires, em uma das zonas agrícolas mais ricas do país. Na ocasião, o ministro da Agricultura, Ricardo Buryaile, explicou que "as retenções passam a zero para trigo, milho, sorgo, exceto para a soja que passa de 35% para 30%". Segundo o novo governo, a redução de receitas aos cofres públicos pelo corte de impostos às exportações será compensada em grande parte pelo aumento dos impostos aos lucros dos produtores. "Confio em vocês para que possamos duplicar a produção de alimentos na Argentina", declarou Macri aos produtores, pedindo que produzam "mais milho, mais carne, tudo o que somos capazes". O presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Dardo Chiesa, aposta que as colheitas de trigo e milhão voltarão a "níveis históricos", depois que os cultivos perderam espaço com os impostos aplicados pela ex-presidente Cristina Kirchner. "O desafio é retornar aos níveis de produção, crescer e dar valor agregado", afirmou Chiesa. Com a medida, Macri cumpre com uma promessa de campanha. Ele começou sua gestão criando consensos com políticos, patronais agrícolas e industriais de todas as tendências depois de ter ganho a presidência com 51% dos votos e com um Congresso controlado pela oposição.

Fiesp formaliza apoio a impeachment de Dilma


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) formalizou nesta segunda-feira apoio ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Com isso, torna-se a primeira grande entidade empresarial a se manifestar favoravelmente ao processo que pode resultar no afastamento da presidente. A decisão se segue a uma pesquisa interna realizada pela Fiesp apontando que grande maioria do empresariado paulista é a favor do impeachment. "O país está à deriva, e não há atitudes para solucionar os problemas", disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, segundo comunicado da entidade. "É chegada a hora de ter a visão de onde está o problema. Na minha visão, o problema ficou todo na parte política." Skaf é filiado ao PMDB, partido que tem sete ministros no governo Dilma e que é presidido pelo vice-presidente da República, Michel Temer, de quem o presidente da Fiesp é aliado. Em caso de afastamento de Dilma, Temer é o primeiro na linha de sucessão. Pesquisa com 1.113 empresas do Estado apontou que 91% dos empresários entrevistados são pessoalmente a favor do processo de impedimento, enquanto 5,9% são contra e 3,1% não responderam. Quando questionados sobre o posicionamento das empresas, ainda de acordo com a entidade patronal, 85,4% das companhias se manifestaram favoravelmente ao impeachment, enquanto 4,9% foram contra e 9,7% não souberam responder. "Essa pesquisa foi endossada por todos os fóruns da Casa", disse Skaf, que negou estar condenando a presidente e defendeu que o processo de impedimento ocorra dentro do "encaminhamento legal". O levantamento da Fiesp apontou também que 91,9% dos empresários queriam que a entidade se posicionasse sobre o impedimento de Dilma. A Fiesp participou no domingo das manifestações contrárias ao governo Dilma levando como bandeira a campanha promovida pela entidade contrária ao aumento de impostos, principalmente à proposta do governo federal de recriar a CPMF.

Dinheiro para Filippi ia de táxi, diz Pessoa



Em sua delação premiada, o empreiteiro Ricardo Pessoa apresenta um novo personagem na Lava-Jato: o do taxista que transporta dinheiro. O dono da UTC diz que entregou 750 000 reais em dinheiro ao ex-prefeito de Diadema e ex-tesoureiro da campanha de Dilma em 2010 José de Filippi Jr. por meio de um taxista de confiança do petista. Pessoa dá, inclusive, o nome do taxista: João Henrique Worni. Na delação aparecem tabelas com registros de entrada do taxista no prédio da UTC, anotações na agenda de Pessoa com o nome do emissário associado ao de Filippi e até o telefone celular.

STF nega trazer de volta relator de processo contra Cunha



O Supremo Tribunal Federal negou nesta segunda-feira um mandado de segurança do PRB para restituir ao deputado Fausto Pinato (SP) a relatoria da representação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A ministra Rosa Weber indeferiu a liminar solicitada pelo partido, mas sinalizou que pode "voltar a examinar a questão em momento oportuno". O Supremo já havia indicado que não interferiria na escolha do relator do processo contra Cunha. O ministro Luís Roberto Barroso negou uma tentativa anterior do presidente da Câmara de destituir Pinato. Ele argumentou que a decisão era restrita a um debate interno do Legislativo. Pinato foi afastado na semana passada, por decisão da Mesa Diretora da Câmara. O vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), mandou que ele fosse afastado porque o PRB, partido de Pinato, apesar de ter trocado de posição, apoiou a eleição de Cunha para a presidência da Câmara - o que, em tese, impediria que ele fosse relator da representação, conforme as regras da Casa.

E-mails revelam como Odebrecht planejava usar a influência de Lula para obter contratos na América do Sul



Ex-presidente da maior construtora do país, o empreiteiro Marcelo Odebrecht era o principal responsável pela estratégia adotada pela empreiteira para abocanhar contratos bilionários de construção de navios-sonda na Petrobras. É o que revela um novo conjunto de e-mails disponibilizado pelos investigadores da Operação Lava Jato em um dos inquéritos que a empreiteira responde por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história do país. Nas conversas de Odebrecht com os executivos da empreiteira, o que se vê são acertos em torno de contratos da Petrobras e planos de usar a influência de políticos importantes da República para alcançar os objetivos da empresa. Um dos nomes mais citados nas conversas dos executivos é o do ex-presidente Lula. O papel de líder da empreiteira nas negociatas do petrolão é um dos principais elementos usados pela Justiça para manter Marcelo Odebrecht preso em Curitiba. O novo conjunto de mensagens pode atrapalhar os planos do empreiteiro de conseguir a liberdade por meio de um habeas-corpus que deverá ser julgado nesta terça-feira pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em uma das mensagens, de 2008, os executivos falam de um encontro entre Lula e o então presidente do Peru, Alan Garcia, e questionam a possibilidade de incluir assuntos de interesse da construtora na visita. O executivo Roberto Ramos, da Braskem, escreve para o executivo Rogério Araújo, da Odebrecht: "Só para sua informação. O ideal era voltar ao assunto depois do Carnaval e ver se conseguimos combinar com nosso amigo Nestor (Cerveró) estar em condições de assinar o protocolo durante a visita do Lula!". Há troca de e-mail entre Rogério Ramos e Cerveró, perguntando sobre a estratégia a ser adotada. Cerveró responde: "Este assunto já foi acertado com o Cesar Gutierrez (presidente da Petroperu) na minha reunião da última semana, quando estive em Lima. Acho boa a ideia e vamos andar rápido com o assunto". Em seguida, há e-mail do próprio Marcelo Odebrecht para os executivos Rogério Araújo e Márcio Faria: "Ótimo. Estes eventos com Lula são bons, pois criam um deadline". Nos e-mails, os executivos demonstram ter plena influência sobre as ações de Lula nos encontros com outros chefes de Estado. Eles chegam a sugerir o que Lula deveria fazer ou dizer aos presidentes. Ainda em 2008, os executivos acertam os termos de um texto que deveria ser entregue para leitura do ex-presidente Lula durante viagem à Argentina. Marcelo Odebrecht ironiza: "Roberto. Um terço de página apenas ou o cara não lê". Há também mensagens trocadas entre os executivos da empresa e Marcelo Odebrecht abordando viagem de Lula à Argentina. "Pela dimensão e importância dos projetos atualmente em execução e em estudo pela Odebrecht na Argentina, havendo oportunidade, seria importante que o presidente Lula pudesse reforçar, junto à presidente Cristina, a confiança que tem na Odebrecht". E há ainda referência a viagem à Bolívia: "Sugere-se ao presidente Lula comentar com o presidente Evo Morales sua satisfação em relação a boa evolução do projeto". Várias trocas de e-mails mostram uma postura agressiva nos negócios por parte da Odebrecht, especialmente quando o assunto é a construção de sondas para a Petrobras. Em uma mensagem de 2011, Marcelo recebe de um dos executivos instruções sobre a construção de sondas para a estatal: "A divisão das 21 Sondas, caso ocorra a contratação, deverá ser a seguinte: 6 p/ nosso Consórcio + 6 Alusa Galvão + 6 Jurong". 

Planalto tenta enfraquecer novo líder do PMDB



Sem conseguir reverter apoios para que Leonardo Picciani (RJ) retorne à liderança do PMDB na Câmara, o Planalto iniciou movimento para enfraquecer a legitimidade do atual líder, Leonardo Quintão (MG), à frente da bancada do partido. Segundo relatos de peemedebistas, ministros da legenda como Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) têm atuado paraconvencer deputados a retirarem nomes do abaixo-assinado que levou o mineiro ao posto, mesmo que eles não declarem apoio ao carioca. A estratégia é torná-los neutros na disputa, diminuindo a base de apoio ao atual líder e, assim, estimulando traições que fortaleçam o retorno de Picciani – ele pretende apresentar até o final desta semana nova lista com assinaturas de mais da metade da bancada do PMDB. Na tentativa de enfraquecer Quintão, o governo também tem trabalhado para isolar o novo líder do PMDB. Em oposição a Picciani, que participava de todas as reuniões no Planalto, o mineiro não tem sido chamado para os encontros com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, para discutir a pauta da semana na Câmara. A avaliação de auxiliares e assessores da presidente é de que, por ter o apoio de setor do partido favorável ao impeachment da petista, Quintão não é "confiável" e inseri-lo nas reuniões semanais seria "entregar a estratégia para o inimigo". Aliado da presidente, Picciani foi destituído na semana passada, quando 35 dos 66 deputados federais do PMDB assinaram documento pedindo sua saída do posto. A ação contou com o apoio do vice Michel Temer e foi articulada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A contraofensiva do Planalto, que ameaça retaliar parlamentares do partido com o corte de emendas e cargos, irritou o vice-presidente e estimulou peemedebistas a defenderem a antecipação de março para janeiro da convenção nacional da sigla, que discutirá o rompimento do PMDB com o governo federal. Para antecipá-la, o regimento interno do partido prevê dois dispositivos: a convocação extraordinária pela Executiva Nacional do PMDB ou por pelo menos um terço dos diretórios estaduais do partido, ou seja, a partir de nove. O grupo favorável ao impeachment diz ter a assinatura de dez diretórios estaduais. Eles pretendem tomar decisão até quarta (16), quando o Supremo Tribunal Federal deve discutir o rito do processo de afastamento de Dilma.

Amigo de Lula é denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro



O Ministério Público Federal apresentou nesta segunda-feira denúncia contra o pecuarista José Carlos Bumlai pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva. Também foram denunciados pela força-tarefa da Lava Jato o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, os ex-diretores da área internacional da petroleira Jorge Zelada e Nestor Cerveró, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o lobista Fernando Baiano, o filho e a nora de Bumlai e os executivos do Grupo Schahin Salim, Milton e Fernando Schahin. Indiciado na sexta-feira por corrupção passiva e gestão fraudulenta, Bumlai deve depor na tarde desta segunda-feira na Polícia Federal, em Curitiba. Ele foi preso na 21ª fase da Operação Lava Jato e dará esclarecimentos aos investigadores sobre sua participação no escândalo do petrolão. O pecuarista foi citado na Lava Jato pelo lobista Fernando Baiano, apontado pelo Ministério Público como o operador do PMDB que intermediava o pagamento de propinas a agentes públicos ligados à Petrobras. Em depoimento de delação premiada, Baiano disse ter repassado 2 milhões de reais a uma nora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedido de Bumlai. Segundo os investigadores, existem indícios suficientes de que o empresário agiu em conluio com o Grupo Schahin para embolsar dinheiro por meio de um empréstimo bancário fictício e repassar parte dos valores para o Partido dos Trabalhadores (PT). Bumlai é suspeito de ter atuado diretamente em um esquema de corrupção envolvendo a contratação da Schahin pela Petrobras para operação do navio sonda Vitoria 10000. A transação só ocorreu após o pagamento de propina a dirigentes da Petrobras, ao próprio pecuarista e ao PT. A exemplo do escândalo do mensalão, o pagamento de dinheiro sujo foi camuflado a partir da simulação de um empréstimo no valor de 12,17 milhões de reais. No mensalão, dos 32 milhões de reais repassados de forma fraudulenta pelo Banco Rural ao esquema do publicitário Marcos Valério entre 2003 e 2004, 3 milhões de reais foram destinados diretamente ao PT - num empréstimo fictício que tinha Marcos Valério, Delúbio Soares e José Genoino como avalistas e foi renovado dez vezes. No caso do propinoduto envolvendo a Petrobras, o repasse de dinheiro sujo por meio do pecuarista, apontado como um operador VIP do petrolão, foi camuflado por meio de um empréstimo do Banco Schahin, com a contratação indevida da Schahin pela Petrobras para operar o navio sonda Vitoria 10.000 e na simulação do pagamento do empréstimo com a entrega possivelmente inexistente de embriões de gado. A transação, diz a PF, contou com a cumplicidade do ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró e do ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa.

Temer convoca Executiva do PMDB para impugnar aliado de Picciani



Em uma contraofensiva ao Palácio do Planalto, o vice-presidente Michel Temer decidiu reunir a Executiva Nacional do PMDB na quarta-feira (16) para evitar que o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) retorne à liderança do partido na Câmara dos Deputados. A pedido do presidente da Casa Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a reunião foi marcada para impugnar a filiação à legenda do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ),movimento costurado pelo governo para fortalecer o apoio na bancada do partido ao parlamentar carioca. Côrtes registrou-se no diretório do PMDB do Rio de Janeiro e tentou se inscrever nesta segunda (14) como integrante da bancada peemedebista na Câmara. Temer já havia pedido à presidente Dilma Rousseff que o governo não interferisse em questões internas do PMDB, mas auxiliares da petista disseram que não iriam frear o movimento, o que irritou o vice, Cunha e a cúpula do partido. Na semana passada, Temer orientou a cúpula do partido a proibir a filiação de parlamentares que tenham como propósito fortalecer a tentativa de recondução de Picciani. A estratégia é blindar a bancada federal e o novo líder do partido, Leonardo Quintão (MG), que conta com o apoio do vice-presidente. Aliado da presidente Dilma Rousseff, Picciani foi destituído na semana passada, quando 35 dos 66 integrantes da bancada federal assinaram documento pedindo sua saída. O parlamentar carioca tenta agora recuperar apoios e quer apresentar até o final da semana nova lista com a assinatura de mais da metade da bancada do partido. Com dificuldades de conseguir reverter apoios, o Planalto iniciou movimento para enfraquecer a legitimidade do atual líder à frente do PMDB na Casa Legislativa. A pedido do governo federal, os ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) atuam para convencer deputados a retirarem assinatura do abaixo-assinado que levou o mineiro ao posto, mesmo que eles não declarem apoio ao carioca. A estratégia é torná-los neutros na disputa interna, diminuindo a base de apoio de Quintão e, assim, estimulando traições que fortaleçam o retorno de Picciani. Na tentativa de enfraquecer o novo líder, o governo também tem trabalho para isolá-lo. Em oposição a Picciani, que participava de todas as reuniões com a base aliada no Planalto, o mineiro não é chamado para os encontros semanais com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, para discutir a pauta da semana no Congresso Nacional. A avaliação de auxiliares e assessores da presidente é de que, por ter o apoio de setor do partido favorável ao impeachment da petista, Quintão não é "confiável" e inseri-lo nas reuniões semanais seria "entregar a estratégia para o inimigo". A ofensiva do Planalto estimulou peemedebistas a defenderem a antecipação de março para janeiro de convenção nacional da legenda que discutirá o rompimento do PMDB com o governo. Para mudar a data, o regimento interno do partido prevê dois dispositivos: a convocação extraordinária pela Executiva Nacional do PMDB ou por pelo menos um terço (nove de 27) dos diretórios estaduais do partido. O grupo favorável ao impeachment diz já ter a assinatura de dez diretórios estaduais, entre eles Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Pernambuco. Eles pretendem tomar uma decisão até quarta-feira (16), quando a Suprema Corte deve discutir o rito do processo de afastamento da petista. "Eu espero que a convenção nacional do partido seja antecipada. O PMDB tem de discutir se permanece ou sai do governo federal. É melhor do que ficar nesse jogo de confusão para lá e para cá", disse Cunha.

Ex-diretor da UTC diz que Vaccari cobrou propina mesmo após Lava Jato


Em seu acordo de delação premiada, o ex-diretor financeiro da UTC Walmir Pinheiro contou aos investigadores da Lava Jato que o ministro Edinho Silva (Comunicação Social) teria afirmado ao dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, que a Petrobras tinha potencial para continuar crescendo e que, com isso, o empresário também seria beneficiado. O argumento, segundo o braço direito de Pessoa, foi utilizado para convencer o empreiteiro a realizar doações para a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Edinho teria pedido R$ 20 milhões em doações eleitorais, mas Pessoa teria reclamado do valor. Em sua delação premiada, Pessoa disse que entendeu, ao conversar com Edinho sobre recursos para a campanha de Dilma, que o esquema de doações para obtenção de obras na Petrobras continuaria em um eventual segundo mandato da presidente. Pessoa ainda contou que manteve três contatos pessoais com Edinho, então tesoureiro da campanha de Dilma, durante a eleição de 2014: duas vezes no comitê central do partido, em Brasília, e uma vez na sede da UTC em SP. O empreiteiro afirmou que os valores para a campanha de Dilma foram acertados em R$ 10 milhões, mas apenas R$ 7,5 milhões foram pagos. A parte restante não foi depositada porque o empresário acabou preso pela Operação Lava Jato em novembro de 2014. Já Pinheiro disse que foi escalado por seu chefe para tratar com um assessor de Edinho sobre as transferências para a campanha. Foram três encontros, sendo um deles no Restaurante Arabia, na rua Haddock Lobo, em São Paulo, e outros dois na UTC. Edinho, alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga sua suposta ligação com a Lava Jato, negou, em depoimento à Polícia Federal, que tenha pressionado o executivo a realizar doações e que tenha envolvimento com desvios na Petrobras. Segundo o braço direito de Pessoa, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também chegou a cobrar propina como doação oficial para a legenda mesmo depois de a operação Lava Jato ter sido deflagrada. Pinheiro disse que não se recorda do valor, mas que a solicitação foi posterior à assinatura do contrato de Angra 3, ou seja, após setembro de 2014. Ele acredita que tal reunião tenha sido por volta de outubro de 2014. Pessoa teria dito que seria "impossível o pagamento". Segundo ele, havia outras empresas no consórcio e não havia margem no contrato para tal tipo de movimento e que o empresário também acabou preso logo depois. Em meio aos 26 depoimentos, Pinheiro relatou ainda que Ricardo Pessoa lhe pediu para cuidar do repasse de R$ 1 milhão para o senador Edison Lobão (PMDB-MA), que iria para campanha eleitoral. Ele disse que não sabe se a verba seria para campanha dele ou de outra pessoa. Segundo o ex-diretor, o dinheiro foi repassado ao empresário André Serwy, indicado pelo peemedebista. Pinheiro contou que o dinheiro foi pago em três parcelas, sendo que em duas Serwy foi receber pessoalmente no escritório da UTC, pegando o dinheiro em espécie. Em uma delas, ele contou que voltaria para Brasília de carro, para evitar possíveis problemas no aeroporto, em razão das quantias em dinheiro vivo. Ele disse ainda que só depois descobriu que os parentes de Serwy trabalhariam para Lobão no Senado e que o pai do empresário foi sócio do senador em uma empresa. Os recursos seriam propina referente a contratos da usina Angra 3. Lobão nega envolvimento com a Lava Jato.

IBGE argentino está em "terra arrasada", diz novo governo


Terra arrasada, caos. Foi dessa maneira que o novo presidente do instituto de estatísticas argentino, o Indec, disse que encontrou o local, apenas 48 horas após a sua posse, na última sexta (11). O economista Jorge Todesca, indicado por Macri para assumir o instituto após oito anos de intervenção kirchnerista, afirmou que os que produziam os dados atuais de inflação "fugiram". 


"Os responsáveis [pela inflação] fugiram antes que chegássemos, a diretoria é terra arrasada", afirmou Todesca. "Nunca imaginei que fosse me deparar como uma situação como essa. Se há uma palavra para definir o quadro que encontramos, essa palavra é caótico", disse ele. "Não há manual, não há metodologia, não há pessoal", resumiu Graciela Bevacqua, nova diretora técnica do Indec. A técnica volta ao instituto após quase nove anos de exílio. Ex-gerente de inflação, Graciela foi intimidada e levada a deixar o instituto em 2007, após a intervenção violenta do governo de Cristina Kirchner para alterar os números apurados pelo Indec. No início, o alvo era o índice de inflação, usado na correção de títulos da dívida pública. Com o tempo, a manipulação se espalhou para outras estatísticas, como pobreza e o cálculo do PIB. Todos esses números serão revisados, avisou Todesca. O primeiro será o de inflação, cuja próxima divulgação, prevista para quarta (16), foi cancelada. 


Não há data para a retomada da divulgação, embora o presidente reconheça a urgência do dado de inflação, pelo número de investimentos financeiros que corrige: "Sabemos que não podemos deixar planilhas em branco, mas ainda não sabemos quando vamos poder preencher esses quadros". Segundo ele, foi iniciado um trabalho técnico para verificar em qual parte do processo de apuração do dado ocorreu a manipulação — na coleta ou no processamento dos preços ao consumidor. A falta de estatísticas confiáveis é um dos pontos que afastaram o país do mercado internacional. Em 2013, o FMI (Fundo Monetário Internacional) censurou o país por alterar seus dados e, na Argentina, nem empresários, nem investidores levam em consideração os números apresentados pelo instituto. No ano passado, enquanto o Indec apurou uma taxa de inflação de 23,9%, o índice Congresso (criado por parlamentares opositores para apresentar um dado quase oficial) marcou 38%. "É incompreensível como uma instituição que funcionava bem tenha se degradado ao ponto em que a encontramos", afirmou Todesca. O economista também é um sobrevivente do kirchnerismo. Dono da consultoria econômica Finsoport, ele passou a fazer estimativas próprias de inflação, o que desagradou o governo. Não tardou para receber uma multa de meio milhão de pesos. A intimidação o levou a buscar a Justiça, processando (e vencendo) o então secretário de comércio, Guillermo Moreno. Por isso, foi considerado um corajoso entre empresários, que mantinham silêncio contra o governo para evitar sanções.

Sargento dos EUA trocado por talebans será julgado por corte marcial


O Comando Geral do Exército americano determinou, nesta segunda-feira (14), que o sargento Bowe Bergdahl, 29, acusado de deserção e de ter posto tropas em perigo no Afeganistão, será julgado em corte marcial, sob pena máxima de prisão perpétua. Bergdahl desapareceu de uma base americana na província de Paktika, no Afeganistão, em junho de 2009, e foi capturado pelo grupo radical islâmico Taleban. Quase cinco anos depois, em maio de 2014, ele foi libertado em troca de cinco integrantes do Taleban que estavam na prisão de Guantánamo, em Cuba.


A decisão é uma derrota para Bergdahl, cuja defesa tentava um julgamento em tribunal especial com punições mais brandas como perda de hierarquia ou um ano de confinamento. Se for considerado desertor, ele poderá ser condenado a cinco anos de prisão. Se o julgamento concluir que ele pôs as tropas que tentaram localizá-lo em perigo, ele pode ser condenado a prisão perpétua. Em audiência em setembro, o general Kenneth Dahl, que liderou as investigações, disse que Bergdahl não deveria ser preso, por não ser um simpatizante dos talebans. Dahl afirmou que o sargento teria deixado seu posto para reportar a general responsável por outra base suas preocupações com a liderança de sua unidade. A acusação argumentou, contudo, que Bergdahl teve intenção de desertar e que suas ações alteraram as operações americanas no território afegão. O caso tem sido usado pela oposição para criticar a política externa do presidente Barack Obama.

Dois navios-sonda da Schahin desapareceram após ação da Receita


Dois navios-sonda da empreiteira Schahin, avaliados em cerca de US$ 400 milhões, desapareceram das águas brasileiras no início de outubro. Os navios, chamados Cerrado e Sertão, estavam bloqueados por uma ação da Receita Federal, que apura uma suspeita de sonegação da empresa. Dois meses atrás, porém, eles tiveram seu sistema de navegação desligado e saíram da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, onde estavam ancorados. "Ninguém sabe o destino", revelou o auditor da Receita Federal Roberto Leonel de Oliveira Lima, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (14), em Curitiba. De acordo com Lima, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato na Receita Federal no Paraná, a fuga foi permitida por meio de uma "medida judicial engendrada" por um grupo de offshores, que conseguiu uma ordem de reintegração de posse. As empresas argumentaram que eram credoras da Schahin, que está em processo de recuperação judicial, e obtiveram uma decisão favorável na Justiça Estadual de São Paulo para obter a posse dos navios-sonda. Essas empresas, porém, de acordo com investigação da Receita Federal, pertenciam à própria Schahin, sendo usadas como um artifício para evitar o pagamento de impostos no Brasil. A empreiteira está sendo investigada sob suspeita de transferir cerca de 90% de suas receitas com a Petrobras para offshores. O fato gerou uma ação fiscal por sonegação contra a Schahin, que teve parte de seus bens bloqueados –entre eles, os dois navios-sonda. A Receita Federal abriu agora uma investigação para apurar a saída irregular dos bens do país (que deveriam ter passado pela aduana) e a "possível tentativa de evitar uma medida fiscal" pela Schahin.

Polícia rastreia ligações de ex-diretor da Odebrecht para Instituto Lula


Preso pela Operação Lava Jato em junho, o ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar atuava em parceria com o ex-presidente Lula para tentar desmoralizar a cobertura da imprensa sobre o petrolão e as investigações do Ministério Público Federal sobre as relações do petista com a empreiteira. Perícia realizada pela Polícia Federal no iPhone de Alexandrino revela que um dos assessores de Lula, José Chrispiniano, era o responsável por informar o ex-diretor da empreiteira sobre cada passo dado pelo Instituto Lula ao divulgar notas oficiais e versões favoráveis ao ex-presidente e à empreiteira. Entre janeiro e junho desse ano, Chrispiniano e Alexandrino Alencar trocaram 58 telefonemas. O ex-diretor da Odebrecht também telefonou 16 vezes para o Instituto Lula. No auge das revelações das relações comerciais de Lula com a Odebrecht, em abril, o assessor de Lula e Alexandrino se encontraram em São Paulo. Alexandrino chegava a dar a palavra final sobre alguns dos textos que o instituto iria divulgar à imprensa. No aplicativo de mensagens usado por Alexandrino, os investigadores também encontraram várias conversas entre o assessor de Lula e o ex-diretor. Em uma das trocas de mensgaens, ocorrida em abril deste ano, Chrispiniano relata para Alexandrino a resposta que enviaria à imprensa sobre reportagens que mostravam a relação de proximidade de Lula e a Odebrecht. "Gostei muito", diz Alexandrino. Em outro trecho, Alexandrino diz ao assessor de Lula que o "chefe ligou p..." ao ler uma reportagem sobre as relações da empreiteira com Lula. Não fica claro se Alexandrino se refere a Marcelo Odebrecht ou Lula, a quem ele também costumava chamar de "chefe". Ainda no mesmo mês, o assessor de Lula combina com Alexandrino as respostas que deveriam ser enviadas a VEJA, sobre os pagamentos milionários da empreiteira pelas palestras do ex-presidente Lula. No material analisado pela Polícia Federal, Alexandrino também conversa com o deputado federal Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e amigo de Lula. O deputado se diz "um soldado" da Odebrecht e mostra que também fazia a ponte da empreiteira com Lula. Numa troca de mensagens de março, Alexandrino fala com o deputado sobre uma reunião com Lula. "O instituto ainda não confirmou a reunião de sexta-feira, estou cobrando. Se não puder, pode ser segunda-feira?", pergunta Alexandrino ao deputado. "Pode", diz Sanchez que então sugere que a reunião com Lula seja no sábado. "Não sei, acho difícil porque acho que vai pro sítio", diz Alexandrino, possivelmente se referindo ao sítio usado por Lula em Atibaia. Em outra conversa, o deputado petista e Alexandrino falam sobre o doleiro Adir Assad, também preso na Lava Jato: "Como chama o doleiro?", pergunta Sanchez. "Assad", responde o ex-diretor. Alexandrino foi preso na 14ª fase da Lava Jato, junto com o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht. O ex-diretor é acusado de ser o responsável por organizar com o doleiro Alberto Youssef o esquema de pagamento de propina no exterior para os corruptos do petrolão. Alexandrino era o diretor mais próximo do ex-presidente Lula. As investigações do petrolão já revelaram conversas telefônicas em que o ex-presidente Lula trata com o ex-diretor dos movimentos da Odebrecht para tentar evitar a prisão do seu então presidente Marcelo Odebrecht. 

Grupo Abril recebe investimento de R$ 450 milhões da família Civita


O Grupo Abril anunciou nesta segunda-feira (14) que recebeu um investimento de R$ 450 milhões realizado pela família Civita, a fundadora da companhia. A empresa afirma que fechou acordo para a reorganização de sua dívida de curto e médio prazos. A operação promoverá redução do endividamento, permitindo que a empresa feche o ano com equilíbrio em suas finanças, de acordo com o grupo. Neste ano, a Abril intensificou processo de reestruturação iniciado em 2013, com a extinção de publicações e o repasse de revistas para outras editoras. Em um de seus mais recentes anúncios, em novembro, a Abril informou que deixaria de publicar "Playboy", "Men's Health" e "Women's Health".


Na semana passada, a Playboy Enterprises anunciou acordo com trio de sócios brasileiros para publicar a revista a partir de março. Por meio de comunicado, Giancarlo Civita, presidente do Grupo Abril, diz que a injeção de R$ 450 milhões representa a "confiança nos negócios e no país". "Temos um compromisso com a Abril e acreditamos na sua perenidade", diz. Segundo ele, o grupo se mantém forte nos negócios de impressão e distribuição e vai encerrar 2015 "muito melhor do que terminou 2014". "Fizemos os ajustes necessários, nossa rentabilidade melhorou e entramos em 2016 com nova perspectiva." O Grupo Abril é formado pela Abril Mídia (Editora Abril e Abril Gráfica) e pela DGB (Logística e Distribuição).