segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Filho de Cerveró acusa outro advogado de envolvimento no caso do senador petista Delcídio Amaral que está preso

Um segundo advogado, Felipe Caldeira, é apontado por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, como envolvido nas negociações com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) para evitar a delação de Cerveró. Caldeira trabalhava em parceria com o advogado Edson Ribeiro, que fazia a defesa do ex-diretor e foi preso preventivamente, junto com Delcídio. Também foram presos o banqueiro André Esteves e o assessor parlamentar Diogo Ferreira. Por seu envolvimento nas negociações, o advogado também entrou na mira das investigações da Procuradoria Geral da República. Um dos elementos que estão, por exemplo, nos autos é a troca de mensagens de celular entre Bernardo Cerveró e Felipe Caldeira, entregue aos investigadores pelo filho do ex-diretor da Petrobras. Caldeira foi indicado pelo advogado Edson Ribeiro para acompanhar Cerveró nas tratativas de delação premiada do ex-diretor. Em um dos seus depoimentos, Cerveró afirma que, depois de seu filho desconfiar que Edson Ribeiro fazia "jogo duplo" pelos interesses do senador Delcídio, retirou Caldeira das negociações. Já seu filho Bernardo dá mais detalhes sobre a participação do advogado. De acordo com seu depoimento, em uma ocasião que Edson Ribeiro estava viajando, Felipe Caldeira intermediou uma reunião com o senador Delcídio. Nela, segundo Bernardo, o petista queria saber sobre um encontro de Cerveró com procuradores da Operação Lava Jato para negociar a delação premiada. "O senador perguntou detalhes da reunião, querendo saber, inclusive, quem estava presente e como funcionava a coisa", disse Bernardo. Na reunião com o senador Delcídio em um hotel de Brasília, em novembro, que foi gravada por Bernardo Cerveró e fundamentou a prisão dos envolvidos, Felipe Caldeira não estava presente. Mas ele participou de um encontro anterior que também foi gravado, com o filho do ex-diretor da Petrobras e com Edson Ribeiro, em um restaurante no Rio de Janeiro no fim de setembro. "Nessa conversa, Edson Ribeiro relatou que o senador Delcídio do Amaral iria ajudar, que estava em contato com ele e em breve marcariam uma reunião", diz o depoimento de Bernardo. Ele acrescenta que "a ajuda em questão era financeira". O áudio dessa reunião, porém, ainda é mantido sob sigilo pelo Supremo Tribunal Federal.

Canadá e México podem tarifar carne dos EUA em US$ 1 bilhão, diz OMC


Canadá e México podem impor tarifas a produtos dos Estados Unidos avaliados em cerca de US$ 1 bilhão, decidiu um painel da OMC (Organização Mundial do Comércio) nesta segunda-feira (7), com os países se preparando para retaliar as regras de rotulagem de carnes dos EUA. O painel de arbitragem da OMC estabeleceu um nível anual de retaliação de 1,055 bilhão de dólares canadenses (US$ 780 milhões) para o Canadá e US$ 228 milhões para o México, consideravelmente menos que os 3,068 bilhões de dólares canadenses e US$ 713 milhões que os dois países haviam pedido. A disputa teve origem em 2009 quando os EUA impuseram uma regra para que os pontos de venda usem marcas para dar aos consumidores mais informações sobre a origem de seus alimentos. Canadá e México argumentaram que as regras dos EUA, conhecidas como rotulação de país de origem (COOL, na sigla em inglês), levou a uma diminuição do abate e do processamento de carne de bovina e suína canadense e mexicana nos EUA, reduzindo a renda dos produtores. "Estamos desapontados com esta decisão e seu potencial impacto em negociações entre parceiros vitais da América do Norte", disse Tim Reif, conselheiro geral do Escritório dos Representantes do Comércio dos EUA. "Continuaremos a consultar os membros do Congresso conforme consideram as opções de substituição da atual lei COOL e os próximos passos adicionais".

Dados da Lava Jato são usados em ações contra Dilma e Temer no TSE

O juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações do esquema de corrupção da Petrobras no Paraná, compartilhou informações da Operação Lava Jato com o Tribunal Superior Eleitoral. Os dados serão anexados em duas das quatro ações da oposição que pedem a cassação da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer. Entre o material estão documentos que falam sobre o repasse de dinheiro ao PT e ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto. A defesa de Dilma, Temer e o Ministério Público Eleitoral terão que se manifestar sobre os dados. Após essa fase, a relatora das ações, Maria Thereza de Assis Moura, vai elaborar seu voto, que será submetido ao plenário do TSE – o que deve ocorrer em 2016. Nas ações que podem levar a perda do mandato, Dilma e Temer respondem por abuso de poder econômico e político, além da suspeita de que a campanha à reeleição foi financiada com recursos desviados da Petrobras. Em sua delação premiada, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, afirmou que pagou em propina R$ 20,5 milhões em propina ao PT, entre 2004 e 2014. O empresário disse ainda que entendeu, ao conversar com o atual ministro da Comunicação Social Edinho Silva sobre recursos para a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff, em 2014, que o esquema de pagamento de doações para obtenção de obras na Petrobras continuaria em um eventual segundo mandato da presidente. Pessoa contou que manteve três contatos pessoais com Edinho, então tesoureiro da campanha de Dilma, no período da campanha eleitoral de 2014, duas vezes no comitê central do partido, em Brasília, e uma vez na sede da UTC em São Paulo. Segundo Pessoa, o contato com Edinho foi feito a pedido do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, "a pretexto de que era necessário contribuir para as eleições de 2014, inclusive para a campanha presidencial". "Vaccari queria, além da conta corrente que mantinha com Pessoa, mais R$ 10 milhões", contou Pessoa. O empreiteiro reagiu, dizendo que era muito dinheiro. Ao final das conversas, disse ter sido "persuadido de maneira bastante elegante". Edinho teria dito, segundo o empreiteiro: "Você tem obras na Petrobras e tem aditivos, não pode só contribuir com isto. Tem que contribuir com mais. Eu estou precisando". Ricardo Pessoa afirmou que os valores para a campanha de Dilma foram acertados em R$ 10 milhões, mas apenas R$ 7,5 milhões foram pagos a parte restante não foi depositada porque o empresário acabou preso pela Operação Lava Jato em novembro de 2014. Pessoa afirmou ainda que "não se sentiu ameaçado" com o pedido de Edinho. O ministro, em depoimento à Polícia Federal, negou que tenha pressionado o empresário a fazer doações para a campanha petista. Ele é investigado no Supremo Tribunal Federal. O PT argumenta que as doações foram legais.

O petista Delcídio Amaral se reuniu 28 vezes com empreiteiro que depois fez delação premiada


O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) reuniu-se pelo menos 28 vezes entre 2011 e 2014 com o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, que em delação premiada fechada com o Supremo Tribunal Federal admitiu ter pago propina a inúmeros políticos para fechar contratos com a Petrobras, BR Distribuidora e usina nuclear de Angra 3. Delcídio está preso desde o último dia 25 na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal sob suspeita de obstrução à Operação Lava Jato ao tentar interferir em outra delação premiada, a do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Os registros dos encontros entre Delcídio e Pessoa foram entregues ao Supremo pelo próprio empreiteiro, como parte do acordo de delação, fechado em maio mas só tornado público na íntegra pelo Supremo nesta quinta-feira (3). Segundo a agenda de Pessoa, seus encontros com Delcídio se intensificaram a partir de 2013. Após a deflagração da Lava Jato, em março de 2014, ambos se encontraram pelo menos oito vezes. Em maio, ele estiveram juntos em dois dias seguidos. Em um encontro de 2011, Pessoa e Delcídio estavam acompanhados de Sérgio Mendes, uma provável referência ao executivo da empreiteira Mendes Júnior, também investigada na Lava Jato. Nos depoimentos que prestou à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal, Pessoa não explicou os exatos motivos dos encontros com Delcídio, mas forneceu uma justificativa genérica sobre seu relacionamento com diversos parlamentares. O empreiteiro também não acusou diretamente Delcídio de participação no esquema de desvio de recursos e propina da Petrobras. A UTC foi uma constante doadora de recursos para campanhas de Delcídio desde 2006, quando doou R$ 800 mil. Em 2010, doou mais R$ 500 mil para a campanha de Delcídio ao Senado. Quatro anos depois, a UTC voltou a ajudar a derrotada campanha eleitoral de Delcídio ao governo de Mato Grosso do Sul, com R$ 150 mil. Pessoa disse que seu relacionamento com políticos, incluindo doações de campanha para inúmeros partidos, era importante para sua atividade como empresário porque ajudava a "abrir portas". "Evidentemente, tanto dinheiro doado de forma pulverizada a diversos partidos e políticos tinha uma intenção: fazer com que a engrenagem andasse perfeitamente, tirando, portanto, todas as pedras que pudessem aparecer no caminho; abertura de portas no Congresso, na Câmara e em todos os órgãos públicos; possibilidade de discutir temas de interesse, como lei de licitações, desoneração de folha, terceirização, etc. Evitar convocação para CPI; afastar entraves e dificuldades, discutir temas relevantes para a empresa", diz o resumo do termo de depoimento prestado por Pessoa no acordo de delação premiada. Além de Delcídio, outros senadores que aparecem a lista de compromissos do empreiteiro são Renan Calheiros (PMDB-AL), com oito encontros, Edison Lobão (PMDB-MA), com quatro encontros; e Romero Jucá (PMDB-RR), com três reuniões. Sobre uma das reuniões com Renan, Ricardo Pessoa contou que o objetivo eram "doações oficiais de campanha para o senador". Ele disse se recordar de um jantar com Renan no hotel Emiliano, em São Paulo, onde o senador estava hospedado. O parlamentar "solicitou dinheiro para a campanha de seu filho (Renan Calheiros Filho) ao governo de Alagoas", segundo Pessoa. No mesmo jantar, disse Pessoa, "foi estabelecido o valor da contribuição de R$ 1,5 milhão". Pessoa contou que conhecia Renan "desde a década de 1980, encontrando-se com ele com certa regularidade". "Sempre que o senador vinha a São Paulo, mandava recado por dois assessores para que pudessem se encontrar. Tais encontros geralmente se davam em jantares, por exemplo, no hotel Unique, Bas de Arts, Emiliano. Uma vez Pessoa visitou Renan no Senado Federal", diz o termo de depoimento do empreiteiro. "Normalmente", disse Pessoa, era ele quem pagava esses jantares. O empreiteiro disse aos investigadores da Policia Federal e da Procuradoria Geral da República que manifestou a Renan seu interesse de "crescer no Nordeste e precisava de apoio em Alagoas". "Para Pessoa, era importante o acesso ao senador, homem de muito poder. Além disso, a proximidade com este demonstrava força perante os concorrentes", disse o delator, conforme o resumo do depoimento. Pessoa não disse aos investigadores ter ouvido diretamente do senador algum pedido claro de propina. Porém, sua impressão era que a obtenção das obras estava vinculada à ajuda financeira para as campanhas. "Especificamente sobre a usina Angra 3, em meio a um jantar, enquanto falavam de contribuições políticas, Renan perguntou: 'Vocês já ganharam em Angra 3?'. Entendo isto como um recado com intenção específica", diz o resumo do termo de Pessoa. Diante do comentário de Renan, Pessoa disse que "entendeu que poderia descontar as contribuições a Renan Filho da propina" relativa à usina de energia nuclear Angra 3. A campanha do filho do senador, segundo Pessoa, recebeu R$ 1 milhão na campanha eleitoral de 2014. 

Padilha diz que Temer consultará PMDB sobre impeachment

Primeiro grande aliado do vice-presidente Michel Temer a deixar o governo Dilma Rousseff, o ex-ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS) disse nesta segunda-feira (7) que Temer está consultando dirigentes de todo o PMDB para definir sua posição sobre o impeachment. Padilha falou sobre o assunto durante sua primeiro pronunciamento público desde que pediu demissão, na semana passada. Segundo ele, Temer está há dez anos no comando do PMDB porque aprendeu a ouvir e identificar a ala majoritária da sigla. "O PMDB está dividido nessa questão (o afastamento de Dilma)", disse. "É preciso ver onde está o posicionamento majoritário do partido. Nesse momento ele está iniciando essa aferição", afirmou. Padilha ressaltou ainda que quando fala em partido não se refere apenas a deputados e senadores, mas a todos os 27 diretórios do PMDB nos Estados. Foi a fala mais direta de um aliado de Temer sobre a indefinição do vice-presidente com relação ao apoio à manutenção de Dilma no Planalto. Ele negou que o vice, porém, esteja "articulando o impeachment". "O presidente Michel já disse que ele não será articulador de impeachment. Portanto, eu não serei articulador de impeachment", avaliou. Temer cancelou sua agenda pública em São Paulo nesta segunda para receber, a partir das 21h, aliados de seu partido na residência oficial em Brasília. Até o fim desta tarde, o vice ainda não havia sido procurado por nenhum emissário da presidente para marcar um encontro entre os dois. O afastamento de Dilma e Temer ficou evidente desde que o processo de impeachment foi deflagrado. A petista disse nesta segunda que gostaria de conversar com o vice sobre o assunto. Padilha disse ter decidido deixar o cargo por motivos "partidários, pessoais e funcionais". Ele alegou ter ficado "frustrado" com o corte de verbas de sua pasta, a Aviação Civil, e admitiu que o Planalto barrou nomeações feitas por ele para cargos. "Havia uma frustração ampla e mútua", disse. Padilha disse que assumia compromissos pela implantação de obras como aeroportos regionais, mas não conseguia entregar.

Presidente da Conmebol aceita extradição para os Estados Unidos


O paraguaio Juan Ángel Napout, presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), aceitou nesta segunda-feira (7) a extradição para os Estados Unidos, onde enfrentará as acusações da justiça do país, confirmaram os advogados de defesa do dirigente. Ele havia sido preso na última quinta-feira (3) a pedido da Justiça americana, sete meses após as prisões de cartolas da Fifa na Suíça, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin. De acordo com o escritório que defende Napout, que é sediado em Boston, a intenção é ir para os Estados Unidos, para demonstrar inocência. O comunicado da defesa aponta que o paraguaio "se dedicou a promoção e a instituição da transparência e da reforma" na Conmebol. "Sua detenção na semana passada foi contrária a todas as ações anteriores, e o senhor Napout não só manifesta firmemente que é inocente, mas que também tem a intenção de lutar contra as acusações infundadas", aponta. Napout e o hondurenho Alfredo Hawit, presidente da Concacaf (confederação que cuida do futebol da América do Norte, América Central e Caribe), foram banidos das atividades do futebol por 90 dias, informou o Comitê de Ética da Fifa na última sexta-feira (4). "A razão para o banimento, que foi baseado no pedido do presidente da câmara de investigação, Cornel Borbély, e o indiciamento emitido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por acusações de extorsão, conspiração e corrupção", informou a Fifa em um comunicado. Napout e Hawit são suspeitos de aceitar suborno de milhões de dólares em troca da venda de direitos de comercialização em torneios de futebol na América Latina e Copa do Mundo.

Temer discute relação com Dilma

Michel Temer enviou para Dilma Rousseff, às 17 horas, uma carta de caráter pessoal em que manifesta sua insatisfação com a forma como tem sido tratado pela petista. A despeito de Dilma repetir que confia nele, "a sensação" do vice é justamente oposta. A carta tem dez pontos, segundo apurou O Antagonista. Temer faz um desabafo e aponta os episódios em que ficou patente a desconfiança de Dilma em relação ao aliado. Cita, por exemplo, o lançamento do programa "Uma Ponte para o Futuro", que "foi tratado" por ela como uma "manobra conspiratória", e não uma contribuição. O vice também lembra as articulações do governo com Leonardo Picciani. Na reforma ministerial, Dilma chamou o líder do PMDB na Câmara para discutir a indicação de ministros sem dar conhecimento de nada ao vice. Temer conclui a missiva sem dizer se vai ou se fica.

Líder do PMDB exclui contrários a Dilma de comissão de impeachment

O líder da bancada do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), anunciou na noite desta segunda-feira (7) os oito integrantes indicados por ele para a comissão do impeachment. Não há na lista nenhum dos que defendem a saída de Dilma Rousseff. Um dos principais negociadores pelo PMDB da reforma ministerial que contemplou o partido com sete pastas, Picciani é contra o impeachment de Dilma e vem sofrendo uma tentativa de destituição da liderança. Cerca de um terço da bancada de 66 deputados é favorável ao afastamento da petista. Os nomes indicados por Picciani são para a chapa com viés governista. Ele não indicou integrantes do PMDB para a chapa que será lançada pela oposição e por aliados de Cunha. "Considero essas indicações equilibradas, sem compromisso de votar da forma 'a' ou da forma 'b'. Não são aqueles que só pretendem fazer a luta política", afirmou o líder da bancada. Picciani indicou ele próprio e os deputados peemedebistas Celso Maldaner (SC), Daniel Vilela (GO), Hildo Rocha (MA), João Arruda (PR), José Priante (PA), Rodrigo Pacheco (MG) e Washington Reis (RJ).

Defesa de Bumlai pede ao STF que pecuarista seja solto


A defesa do empresário José Carlos Bumlai, amigão do ex-presidente Lula, ingressou nesta segunda-feira (7) no Supremo Tribunal Federal com um pedido de liberdade. Ele está preso desde o fim de novembro em Curitiba, acusado de participar do esquema de corrupção da Petrobras. Na semana passada, Bumlai teve pedido de habeas corpus rejeitado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça, Ribeiro Dantas, relator da Lava Jato no tribunal. Ao Supremo, a defesa do pecuarista alega que não há elementos que justifiquem sua prisão. Ele é suspeito de ter feito um empréstimo bancário no Banco Schain, em 2004. Segundo Salim Schain, um dos donos do banco, o pecuarista pegou R$ 12 milhões e nunca pagou. Segundo os advogados, o caso afronta "aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência na decisão ora atacada, que pune Bumlai sem defesa e sem processo sob alegação de que os crimes de outros são escandalosos e de que o Brasil precisa acabar com a impunidade (qual se prisão preventiva fosse punição!), é preciso reconhecer a teratologia da r. decisão atacada". A defesa alega ainda que "Sem deixar o paciente ver os autos, sem intimá-lo para se explicar, Bumlai encontra-se submetido a uma medida extrema e grave". Os advogados dizem que sabem o impacto de uma decisão favorável ao pecuarista para o STF. "Apontado como amigo de Lula, sabemos que Vv. Exas. serão criticados, contestados, massacrados publicamente ao aplicar o direito e o entendimento consolidado do Tribunal. Ninguém, nem mesmo as instâncias inferiores, entenderá que não é um atentado, mas a defesa do Estado de Direito soltar alguém que não tem motivo para ficar preso preventivamente". Advogados de defesa agem no processo da Lava Jato como autênticos zumbis, funcionam como autômatos, fazendo as petições previstas no manual, para desencargo de consciência. 

Agora o índio cocaleiro trotskista boliviano Evo Morales diz que derrotado dos esquerdopatas na Venezuela exige "profunda corrupção"

Após a vitória da oposição na eleição na Venezuela, neste domingo (6), o ditador boliviano Evo Morales disse que o resultado chama os governos de esquerda da região à uma profunda reflexão. "Os resultados devem nos convocar a uma profunda reflexão para ver como devemos defender nossas revoluções democráticas", afirmou o índio cocaleiro trotskista Evo Morales , nesta segunda (7), em entrevista coletiva na sede do governo da Bolívia. Ele começou a sentir que está se aproximando a hora final de seu império esquerdopata. 
 

A oposição saiu vitoriosa duas semanas após outro governo alinhado a Maduro, o da peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, na Argentina, perder a disputa pela presidência para o opositor Mauricio Macri. Para o indio coceleiro trotskista Evo Morales, trata-se de uma tentativa de retomar o poder que estava nas mãos de governos "antiimperialistas". "O império não dorme", disse: "O império conspira permanentemente e o que estamos vendo, as agressões econômicas, têm como objetivo que o império possa voltar a ter o controle político de nossa região". Morales é ditador da Bolívia desde 2006 e está em campanha para aprovar um quarto mandato consecutivo, que o permitiria governar até 2025. Os bolivianos decidem se a constituição pode ser alterada, permitindo mais uma reeleição, no próximo dia 21 de fevereiro. Nesta segunda-feira, o boliviano disse que a "democracia triunfou" na Venezuela, o que demonstra que as instituições "são confiáveis". O ditador de Cuba, Raúl Castro, disse ter ouvido "com admiração" as palavras de Nicolás Maduro ao ter reconhecido a perda: "Tenho certeza de que virão novas vitórias da Revolução Bolivariana". Para ele, a eleição perdida foi "uma extraordinária batalha" do chavismo e voltou a reiterar o seu apoio ao venezuelano: "Sempre estaremos junto a vocês". Coitados dos venezuelanos....

Procuradoria pede mais prazo para investigar Renan e outros sete

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal pedido de prorrogação de inquéritos que investigam a ligação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), e mais sete congressistas com o esquema de corrupção da Petrobras. Essa é a quarta extensão requisitada pela Procuradoria nesses casos, que começaram a ser apurados em março. Com isso, as apurações devem se estender até fevereiro. Ao todo, Renan é alvo de cinco inquéritos que investigam sua suposta participação nos desvios da estatal. Cada um investiga um fato diferente. Há suspeita de que o peemedebista tenha sido beneficiado com pagamento de propina de contratos de navio-sonda e ainda recursos da Transpetro. O deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), apontado como intermediário de Renan no esquema, também é alvo no Supremo. Os pedidos serão analisados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo. Janot quer ainda mais prazo para investigar os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Valdir Raupp (PMDB-RO), Humberto Costa (PT-PE), Edison Lobão (PMDB-MA), Lindbergh Farias (PT-RJ), além do deputado José Mentor (PT-SP) e do ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC). Teori já ampliou as investigações de outro inquérito envolvendo o senador Edison Lobão, o senador Fernando Bezerra (PSB-PE), e os deputados Simão Sessim (PP-RJ), José Otávio Germano (PP-RS) e Dudu da Fonte (PP-PE). Ao todo, o Supremo investiga 68 pessoas, sendo 14 senadores, 23 deputados, o ministro de Estado Edinho Silva (Comunicação) e o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Raimundo Carreiro por suspeita de ligação com a Lava Jato.

Governo da petista Dilma acha que manobra de Eduardo Cunha é ilegal e vai de novo ao Supremo

Na tentativa de evitar a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o governo federal pediu aos líderes de partidos da base aliada que mobilizem suas bancadas na Câmara dos Deputados para evitar que seja eleita uma chapa de oposição para a comissão especial que analisará o pedido de afastamento da petista. Em reunião na noite desta segunda-feira (7), o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) cobrou empenho das siglas aliadas e avaliou que foi ilegal manobra do presidente da Casa Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para adiar a eleição dos integrantes da comissão especial. Na avaliação do Palácio do Planalto, ao ter anunciado em plenário prazo de 48 horas para a indicação dos 65 nomes para o colegiado parlamentar, o peemedebista não poderia ter feito um adiamento. Além disso, avalia que o regimento da Câmara prevê que a comissão especial deve respeitar a proporcionalidade desde o início, não podendo ser composta apenas de 33 integrantes de alguns partidos. Para tentar frear a manobra, a bancada do PT na Casa Legislativa discute recorrer ao Supremo Tribunal Federal, iniciativa apoiada pelo governo federal. O presidente da Câmara decidiu adiar para esta terça-feira (8) a definição dos nomes que irão compor a comissão especial. A medida foi tomada em um acordo com os partidos de oposição com o objetivo de contrapor as indicações de líderes partidários e postergar o processo de impeachment. O regimento interno da Casa determina que a comissão especial para analisar a abertura ou arquivamento do pedido de impeachment deve ser eleita em plenário. Os partidos de oposição pretendem indicar nomes apenas para a chapa avulsa, enquanto partidos como PMDB, PSD e PP devem compô-la com parlamentares favoráveis ao impeachment ao mesmo tempo em que participam da chapa oficial. No PMDB, o movimento pela chapa avulsa nasceu da insatisfação de grupo dissidente com as indicações feitas pelo líder do partido, Leonardo Picciani (RJ), que em um acordo com o Palácio do Planalto evitou indicar nomes favoráveis ao afastamento da petista. Hoje, cerca de 30 dos 66 integrantes da bancada peemedebista são defensores do "Fora, Dilma". O grupo começou a articular desde a semana passada um abaixo-assinado para convocar uma eleição extraordinária ainda neste ano na tentativa de trocar o líder. Preocupado com a movimentação, o Palácio do Planalto ofereceu à bancada mineira do PMDB, a segunda maior da legenda, o controle do Ministério da Aviação Civil, numa tentativa de conquistar mais apoio na sigla contra o impeachment e fortalecer a legitimidade de Picciani. O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), avisou aos integrantes de seu partido que, caso sejam lançadas duas chapas, ele não participará de nenhuma das duas. "Não posso estar numa chapa e disputar votos com amigos de partidos que estarão na outra", disse.

Governador do RJ critica Temer e diz que "'vice não é para conspirar"

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), criticou o posicionamento do vice-presidente, Michel Temer, diante do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Pezão sugeriu ainda que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deixe o cargo. "Vice é para ter atribuições, para ajudar na governabilidade, e não para conspirar", afirmou. "Adoro o Michel, mas eu não estou achando legal o posicionamento dele nessa questão com a presidenta Dilma", afirmou. Desde a abertura do processo de impeachment, na última quarta-feira (2), Temer tem evitado se pronunciar a favor ou contra do impedimento da presidente Dilma Rousseff. Pezão se mostrou insatisfeito também com a participação de Eduardo Cunha no processo de impeachment.  "Ele (Cunha) comandar o processo de impeachment, com a investigação que ele está em cima... Eu acho que tranquilizaria o País, tranquilizaria o parlamento se ele saísse da presidência (da Câmara)", disse Pezão. Em agosto, Cunha foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por suposta participação no esquema de corrupção na Petrobras. Ele também é investigado por ter omitido uma conta milionária na Suiça. Pezão se reúne nesta terça-feira (8) com a presidente com um grupo de governadores contrário ao impeachment. Pezão é dessa safra de políticos menores que infesta o País. Ele puxa o saco do governo Dilma medonhamente porque conduz um governo desastrado, incompetente, que não consegue sequer pagar os salários do funcionalismo público. Pezão quer ver se arranca algumas moedas de Dilma. 

Temer muda de ideia e se reúne com Dilma

Michel Temer teria decidido se reunir com Dilma Rousseff agora à noite em Brasília. Ao desembarcar na capital, ele recebeu telefonema do Palácio do Planalto. Em seguida, adiou em 1 hora o encontro com dirigentes do PMDB que estava marcado no Palácio do Jaburu.

Procuradoria Geral da República denuncia senador petista Delcidio Amaral e banqueiro Andre Esteves ao Supremo, por obstrução à Justiça


A Procuradoria-Geral da República ofereceu nesta segunda-feira (7) denúncia ao Supremo Tribunal Federal) contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), o banqueiro André Esteves e outras duas pessoas acusadas de participação em uma trama para atrapalhar as investigações da Lava Jato. O plano estabelecia a obstrução da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para evitar que os dois fossem citados. Em troca, Cerveró receberia uma mesada de R$ 50 mil e teria auxílio para fugir do país. Se a acusação for acolhida pelo Supremo, Delcídio poderá pegar pelo menos 4 anos e 6 meses de prisão e Esteves 3 anos e seis meses. Além do senador e do banqueiro, também são alvos da Procuradoria Diogo Ferreira, chefe de gabinete do petista, e o advogado Edson Ribeiro, que atuava na defesa de Cerveró. Os quatro são acusados dos crimes de impedir e embaraçar a investigação de infrações penais (3 a 8 anos de prisão) e patrocínio infiel (6 meses a 3 anos). Delcídio, Diogo e Edson também são acusados de crime de exploração de prestígio (1 a 5 anos), isso porque houve a promessa de que haveria intervenção junto a ministros do Supremo para conseguir a liberdade de Cerveró. A denúncia foi mantida em sigilo no Supremo Tribunal Federal. A partir de agora, o relator dos casos relacionados à Lava Jato no STF, Teori Zavascki, deve abrir prazo para a apresentação da defesa dos acusados. Na sequência, a Procuradoria poderá apresentar suas contrarrazões. Depois, Teori levará o caso para que a segunda turma do Supremo, responsável pelos casos da Lava Jato, decidam se acolhem ou rejeitam a denúncia – ainda não há prazo para a decisão. Se acolhida, a denúncia torna-se ação penal e os quatro passam à condição de réu.  Delcídio é o primeiro senador preso desde a redemocratização do país em 1988 e teve sua filiação do PT suspensa. Ele e seu assessor estão detidos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. André Esteves, um dos homens mais ricos do País, e Edson Ribeiro, estão no presídio Bangu 8, no Rio de Janeiro. Desde 25 de novembro, os três primeiros estão presos preventivamente, quando não há prazo de vencimento. Ribeiro foi preso em 27 de novembro. A trama foi descoberta depois que o filho do ex-diretor da Petrobras, Bernardo Cerveró, fez uma gravação de uma reunião na qual o senador petista prometia auxílio financeiro para impedir que o ex-diretor o citasse em sua delação premiada. Segundo as investigações da Procuradoria Geral da República, esse auxílio seria de R$ 50 mil mensais e bancado pelo banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Nas buscas feitas pela Polícia Federal após autorização do Supremo Tribunal Federal, foram encontrados cópias de documentos sigilosos da delação de Cerveró nos endereços de Diogo Ferreira. Também foram localizadas trechos da delação do lobista Fernando Baiano. Em seu depoimento, o senador Delcídio confirmou ter tido uma conversa com o banqueiro André Esteves sobre a ajuda financeira a Cerveró. Esteves, porém, disse que se reuniu com o senador apenas para falar sobre temas econômicos. Os advogados de Delcídio, Maurício Leite, e de Diogo, Délio Lins e Silva Júnior, afirmaram que não tiveram acesso ainda à denúncia. Em seu depoimento, Delcídio disse que prometeu ajuda a Cerveró por uma questão "humanitária". Já a defesa de André Esteves, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, tem argumentado que não há provas do envolvimento do seu cliente e que ele apenas é citado por terceiros. Apesar de o crime de patrocínio infiel ser previsto apenas para advogados na legislação penal, o entendimento é de que as outras pessoas que colaboraram para esse crime podem responder por ele também, por isso todos foram incluídos.

Donald Trump propõe barrar a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos

O pré-candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, defendeu que o país barre a entrada de muçulmanos até que as autoridades consigam "entender o que está acontecendo". Em um comunicado, nesta segunda-feira (7), o favorito à nomeação do Partido Republicano afirmou que "nosso país não pode ser a vítima de ataques horrendos por pessoas que só creem em jihad, e não têm senso de razão ou respeito pela vida humana". "O ódio foge à compreensão", argumentou: "De onde vem esse ódio e por quê, precisamos determinar". 


Menos de 24 horas antes, o presidente muçulmano Barack Obama havia feito um pronunciamento pedindo que a população americana não diferenciasse os cidadãos com base em sua religião. "Se queremos ter sucesso no combate ao terrorismo, temos de contar com as comunidades muçulmanas como nossas principais aliadas para erradicar ideias equivocadas que levam à radicalização", afirmou o presidente. "É de responsabilidade de todos os americanos, de todas as fés, rejeitar a discriminação. É de nossa responsabilidade rejeitar testes religiosos sobre quem admitimos neste país. É de nossa responsabilidade rejeitar linguagem que incentive suspeita e ódio. Porque esse tipo de divisão, que trai nossos valores, joga a favor de grupos como o Estado Islâmico". Nunca antes em toda a sua história os Estados Unidos tiveram um presidente tão incompetente e que tenha jogado tão fundo a influência do país no mundo inteiro. Só para reavivar a memória dos vagabundos: durante a 2ª Guerra Mundial os Estados Unidos criaram campos de internação de todos os japoneses e seus descendentes, após o ataque do Japão a Pearl Harbour. O país havia entrado em guerra. E agora está novamente em guerra, embora ainda não a tenha declarado. Mas os terroristas islâmicos já a declararam. 

Urgente: Janot denuncia Delcídio e Esteves

Rodrigo Janot acaba de apresentar ao Supremo a denúncia contra Delcídio Amaral e André Esteves por obstrução à Justiça. Senador e banqueiro são acusados de atrapalharem as investigações da Operação Lava Jato. Também foram denunciados Diogo Ferreira, chefe de gabinete de Delcídio, e Edson Ribeiro, advogado que defendia Nestor Cerveró. Os quatro são acusados pelos crimes de impedimento e embaraço à investigação de organização criminosa e patrocínio infiel. Delcídio, Diogo e Edson foram denunciados também pelo crime de exploração de prestígio.

A farsa dos “juristas” que foram se ajoelhar no Planalto. Ou: Serão eles Cavalcantis ou cavalgados?

Por Reinaldo Azevedo - A presidente Dilma Rousseff fez uma pajelança no Palácio do Planalto com ditos “juristas” que são contrários ao impeachment. Olhem aqui: já escrevi e sustento que há maneiras mais decorosas e sofisticadas de se opor ao impedimento do que a coisa miserável que essa gente está fazendo. Até mesmo o argumento de que os crimes eram inevitáveis tem um quê de decoroso. Mas negar que tenham sido cometidos? Aí é um escândalo! E foi o que fizeram os doutores. Ignoraram os Artigos 10 e 11 da Lei 1.079, que define os crimes de responsabilidade. Dilma os agrediu de forma escandalosa, explícita, sem receios. E não que não soubesse o que estava praticando. Sabia em 2014. E os praticou porque precisava que programas oficiais tivessem continuidade para não ser prejudicada nas urnas. Pior do que isso: confrontada com a verdade dos números pelo candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB-MG), Dilma negou o desastre fiscal e ainda acusou o oponente de insistir naquele aspecto, porque, acusou ela, se ele vencesse, iria mergulhar o país na recessão, com juros na estratosfera e desemprego em alta. Eis aí. Dilma sabia o que estava em curso em 2014 e, obviamente, em 2015. Mas notem: ainda que não soubesse, ela teria transgredido a lei da mesma forma. “Os crimes de responsabilidade não comportam omissão”, disse o professor de Direito da Uerj Juarez Tavares. É mesmo? Leiam o que diz o Alínea 3 do Artigo 9º da Lei 1.079: “São crimes de responsabilidade contra a probidade na administração (…) não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição”. O doutor nem conhece direito a lei que contesta. É uma vergonha! O discurso mais entusiasmado foi o do senhor Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti, professor e diretor da Faculdade de Direito do Recife. Disse ele: “Temos um quadro econômico absolutamente desfavorável em termos de comércio exterior, a seca da minha região é a maior de muitos anos, a indústria está precisando de apoio, a crise que começa em 2008… O governo precisou desonerar, aumentar subsídios dos financiamentos do BNDES, reforçar o Minha Casa, Minha Vida para segurar o setor de habitações. Medidas de fomento tiveram que ser feitas e a receita caiu. (…) Seria melhor atrasar um pouco pagamentos à Caixa Econômica do que deixar tantas e tantas pessoas sem recursos. Os bancos oficiais têm que manter os programas nos momentos de dificuldade”. Não sei se é ignorância ou má-fé. A crise de 2008 não tem a nada a ver com situação fiscal brasileira. É mentira. Mais: boa parte do custo das pedaladas não tem nenhuma relação com programas sociais. O espeto está no BNDES, para financiar pançudos. Como se nota, o gênio da raça admite, então, que a presidente tinha clareza do que estava em curso. Luís Inácio Adams, advogado-geral da União — e eu compreendo que ele defenda Dilma, o ponto não é esse —, renunciando a qualquer dignidade profissional, disse: “Quer-se de forma artificiosa criminalizar a conduta da presidente. Quer-se criminalizar e condenar o governo pelos seus acertos”. Entenderam? Adams chama crimes de acertos. Dizer o quê? Um tal Luiz Moreira preferiu atacar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como se a denúncia pertencesse ao deputado; como se não lhe coubesse, afinal, em razão do cargo que ocupa, aceitar ou recusar o pedido… Uma questão para esses farsantes intelectuais: e se Cunha tivesse mandado arquivar a denúncia? Vocês estariam questionando a sua legitimidade? Ou ele só é ilegítimo para aceitar o processo? Tenham vergonha na cara! Mas encerro com o companheiro Cavalcanti, que me fez puxar pela memória e lembrar uma quadrinha conhecida em seu estado de origem: “Quem nasceu em Pernambuco há de estar desenganado, ou se é um Cavalcanti ou se é um cavalgado”. Eu só não entendi direito se o doutor é tão fanaticamente contra o impeachment por ser um Cavalcanti ou por ser um cavalgado.

Oposição anuncia vitória ainda maior nas eleições da Venezuela

O líder da oposição venezuelana, Henrique Caprilles, anunciou ainda há pouco que ao MUD, a Mesa da Unidade Democrática, conquistou 112 e não 99 das 167 cadeiras do Parlamento. Com isto, obtém maioria qualificada para mudar asté mesmo a Constituição.

Temer não se reunirá com Dilma

Michel Temer embarcou ao lado de Moreira Franco em jatinho da FAB rumo a Brasília, com previsão de chegada às 20h50. Da base aérea, eles vão diretamente para o Palácio do Jaburu,para uma reunião da cúpula do PMDB. Temer não vai se encontrar com Dilma. Em coletiva de imprensa pela manhã, a petista disse que se reuniria com o vice assim que ele chegasse.

Temer consulta as bases

Michel Temer passou o dia consultando dirigentes do PMDB para recolher o sentimento da maioria sobre o impeachment. A revelação foi feita por Eliseu Padilha, que acaba de formalizar sua saída do governo. Padilha explicou que a consulta abrange os 27 diretórios estaduais do partido. Temer deve estar arrependido de ter adiado a convenção nacional da legenda.

Grupo de sem-terra ocupa fazenda de Bumlai

Um grupo de 60 famílias de sem-terra ocupou a fazenda São Marcos, localizada no km 8 da BR-463 entre Dourados e Ponta Porã. A propriedade está em nome de Fernando Bumlai, filho de José Carlos Bumlai, e é usada para o plantio da cana-de-açúcar que abastece a Usina São Fernando. Lideranças sem-terra entrevistadas pela imprensa local disseram que o ato é em protesto, vejam só, ao calote que Bumlai deu no BNDES. Em setembro, outro grupo ocupou uma propriedade de Pedro Corrêa, logo que o ex-deputado negociou uma delação premiada.

Paulinho "Muy" Solidário

O Globo noticia que "Ricardo Pessoa, um dos delatores da Operação Lava-Jato, disse que doou R$ 1,6 milhão para o deputado Paulinho da Força e para o Partido Solidariedade, entre 2010 e 2015, com o objetivo de esvaziar movimentos sindicais e, inclusive, impedir greves. O empresário disse que, certa vez, chegou a ligar para o deputado para pedir a interferência dele contra uma ameaça de greve de trabalhadores contratados para a construção da hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires, entre Mato Grosso e Pará. A obra está sob a responsabilidade da Constran, uma das empresas ligadas à UTC". O sindicalismo é sempre de resultados.

Dirceu, Bertin e Bumlai

Na ação de execução da dívida de R$ 150 milhões do Banco do Brasil com o grupo Bertin, constam como executadas as empresas Heber e Comapi Agropecuária, ambas pertencentes aos irmãos Bertin. A Heber, como já publicamos aqui, foi avalista do empréstimo da Usina São Fernando, de José Carlos Bumlai, junto ao BNDES. A Comapi Agropecuária está na lista de clientes de José Dirceu, tendo pago R$ 380 mil pela consultoria do ex-ministro nos anos de 2009 e 2010.

Banco do Brasil executa Bertin em R$ 150 milhões

A juíza Priscilla Faccinetto, da 40ª Vara Cível de São Paulo, determinou a execução de uma dívida de R$ 150 milhões do grupo Bertin com o Banco do Brasil. Além da Tinto Holding, nova denominação do Frigorífico Bertin, foram executadas as empresas Comapi Agropecuária, Heber Participações e Cibe Investimentos, além de Natalino Bertin. Faccinetto, que analisa indícios de fraude à execução, mandou penhorar os bens do grupo e intimou a J&F Investimentos, controladora da JBS e garantidora de parte do empréstimo, a pagar o valor correspondente ao total de 252.957 cotas que possui no Bertin FIP.

Michel Temer apresenta programa do PMDB a empresários paulistas e é aplaudido de pé

O vice-presidente Michel Temer foi aplaudido de pé, nesta segunda-feira (7), ao apresentar o programa de governo do PMDB aos filiados da da FecomércioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). O peemedebista, que falou por cerca de meia hora, defendeu uma reforma da Previdência no País. Ao discursar para cerca de 150 empresários, Temer afirmou que o debate sobre mudanças no sistema previdenciário, se travado durante as eleições, tira votos, mas que a discussão é necessária. A convite da federação, Temer apresentou o plano de governo elaborado pelo PMDB, intitulado "Uma Ponte para o Futuro". Chamado há cerca de dois meses para o encerramento das atividades da Fecomércio, o vice-presidente disse que o País precisa de medidas de combate ao desemprego e à inflação. Segundo presentes, o vice justificou a existência de um programa exclusivo da sigla que preside, alegando que a expressão "partido" já deixa claro que o PMDB é parte, não todo o governo. Ele criticou o excesso de partidos no Brasil. Por duas vezes, Temer foi chamado de presidente pelo jurista Ives Gandra, mas não falou de impeachment. Sua palestra foi antecedida por uma apresentação do ex-ministro Moreira Franco, um dos maiores entusiastas da ruptura da aliança entre PT e PMDB, que elegeu a presidente Dilma Rousseff. O vice reconheceu que o País vive uma severa crise política e econômica, mas pregou a manutenção dos programas sociais, segundo o amigo e analista político Gaudêncio Torquato. Ex-ministro do Superior Tribunal Militar, Flávio Bierrenbach disse ter entendido a palestra como um sinal de que Temer "está à disposição do País". "Ele falou que o Brasil precisa superar as divergências, não pode ter um tom maniqueísta, a divisão entre o bem e o mal", relatou. 

Joseph Blatter e João Havelange são investigados pelo FBI no escândalo da ISL


O FBI está investigando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, por participação em um dos primeiros grandes escândalos de corrupção envolvendo o nome da entidade, ainda na década de 90. O dirigente suíço é suspeito de envolvimento no caso ISL, empresa de marketing esportivo fundada na Alemanha que pagou cerca de 100 milhões de dólares (375 milhões de reais pela cotação atual) em propinas à Fifa quando João Havelange era seu presidente - na época, Blatter era secretário-geral da entidade e braço direito do brasileiro. As revelações fazem parte de um documentário da emissora britânica BBC que vai ao ar nesta segunda-feira. Presidente da Fifa por 24 anos (de 1974 a 1998), Havelange - que enfrenta problemas de saúde aos 99 anos - renunciou ao cargo de presidência de honra da Fifa em 2013, diante das revelações de que na década de 90 recebeu milhões de dólares em propina da ISL, em troca de contratos de transmissão para a Copa do Mundo. O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, seu ex-genro, também ficou com parte do dinheiro. Um acordo foi fechado na Justiça suíça em que, sem admitir culpa, Havelange e Teixeira pagaram uma multa e o caso foi encerrado. Blatter passou anos insistindo que desconhecia o esquema montado para fraudar a Fifa. Agora, no entanto, o FBI decidiu mergulhar mais uma vez no assunto. No pedido de cooperação enviado pelos americanos à Justiça da Suíça, os Estados Unidos indicam claramente que Havelange e Blatter estão no centro do processo. Uma carta escrita por Havelange à qual a BBC teve acesso indicaria que Blatter sabia de tudo, desmentindo a versão mantida pelo suíço por anos de que não tinha conhecimento do esquema corrupto que o brasileiro havia estabelecido. "Durante o tempo em que fui presidente da Fifa, Joseph Blatter era o secretário-geral. Eu mantive relações comerciais com empresas de marketing esportivo e, como resultado dessa relação, recebi uma remuneração de acordo com a regra da Fifa e isso foi alvo de um processo judicial na Suíça sem o reconhecimento de qualquer culpa", escreveu Havelange. O brasileiro também indica que, apesar de já não ser presidente da entidade, quem pagou seus advogados foi a própria Fifa: "Esclareço que todos os gastos para os processos mencionados, inclusive advogados, foram pagos pela Fifa". Mas a principal revelação é sobre o envolvimento do atual presidente da entidade. "Enfatizo que Joseph Blatter tinha pleno conhecimento de todas essas atividades e sempre me aconselhou sobre elas", indicou Havelange. A carta levou o FBI a agir. Ao solicitar a cooperação da Suíça na investigação sobre a Fifa, os americanos indicaram que, "entre outras coisas, o procurador está investigando a declaração de Havelange implicando Blatter e aparentemente inocentando seu genro, Teixeira, no caso ISL". Blatter indicou em 2013 ao Comitê de Ética da Fifa que desconhecia a propina e foi inocentado pelo organismo. Naquele mesmo ano, ele visitou Havelange no Rio de Janeiro durante a Copa das Confederações.  Nos últimos sete meses, as operações do FBI contra a corrupção no futebol sacudiram o esporte, levando à renúncia de vários cartolas, à prisão de mais de uma dezena e ao indiciamento de 41 pessoas. José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira - os últimos três presidentes da CBF - são suspeitos de terem recebido propinas de "pelo menos" 120 milhões de reais.

Cantora italiana Loredana Berté, ex-mulher de Bjorn Borg, afirma que o tenista era completamente viciado em cocaína


A cantora italiana Loredana Berté, ex-esposa de um dos maiores nomes do tênis, o sueco Bjorn Borg, atualmente com 59 anos, revelou em sua autobiografia o lado rebelde pouco conhecido do pentacampeão mundial de Wimbledon. A artista de 65 anos dedicou boa parte do livro para contar da conturbada relação com a lenda do tênis, que durou apenas três anos, entre 1989 e 1992, e alguns trechos foram obtidos pelo diário espanhol Marca. Ela diz ter vivido um "inferno" ao lado de Borg por seu "vício obsessivo por cocaína". "Em Milão (na Itália), ele pedia droga para qualquer um na rua. Não se importava com sua reputação nem com as consequências". Com o uso constante de drogas, tomando grandes quantidades de remédio, a ex-esposa de Borg afirma que ele tentou se matar nos idos de 1989, sendo salvo apenas por uma limpeza de seu estômago. Loredana ainda acrescentou nas páginas de sua autobiografia as histórias que evidenciavam o vício por sexo do sueco. Segundo ela, já no final do casamento, Borg chamava prostitutas para tentar "apimentar" a relação sexual do casal com orgias: "Nesta época, tudo já estava acabado. O grande homem sueco com quem havia sonhado como par perfeito tinha se perdido há muito tempo". Ela confessa que demorou para deixá-lo e isso acabou refletindo em sua própria vida: "Com Borg perdi os sentimentos e também muito dinheiro. Eu pagava sempre porque os multimilionários não costumam ter dinheiro no bolso", ironiza a cantora. Bjorn Borg é considerado um dos maiores tenistas de todos os tempos. E não é à toa. Além dos cinco títulos consecutivos de Wimbledon (1976 a 1980), o ex-número 1 do mundo "Ice" Borg, como era chamado, ganhou mais seis taças de Roland Garros na carreira, somando 11 títulos de Grand Slam. O mundo do tênis é tomado pela cocaína há muito tempo, inclusive no Brasil. 

Como a oposição driblou as fraudes e venceu a eleiçao na Venezuela


Se a Venezuela é uma ditadura, ou algo próximo disso, como a oposição conseguiu ganhar as eleições legislativas deste domingo, 6 de dezembro? A explicação passa pelas características únicas do autoritarismo chavista, mas também pela eficiente estratégia que a oposição adotou para reduzir o dano das maracutaias eleitorais no resultado final. O presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, criou um estilo de governar que tirava sua legitimidade de uma aprovação popular aparentemente inabalável, confirmada seguidas vezes por meio do voto. Em dezessete anos de governo chavista, foram realizadas dezesseis eleições - para presidente, para governador, para prefeito, para a Assembleia Nacional, além de plebiscitos. O ex-presidente Lula se referia a isso quando disse, em 2005, que na Venezuela havia "democracia em excesso". Nada mais falso. As eleições, na Venezuela, servem para dar um verniz democrático ao regime, mas elas não transcorrem de maneira livre e justa. As condições para a campanha eleitoral são desiguais. O governo utiliza em peso os recursos públicos para garantir a dependência da população em relação ao Estado, por meio de programas distributivistas (as chamadas misiones), do inchaço da máquina pública, e da criação de milícias, que emprega até idosos, cuja missão é defender a "revolução". Além disso, o governo controla os canais de TV abertos - mesmo os que não pertencem ao Estado não se atrevem a fazer críticas ao governo, para não perder a outorga, como já ocorreu no passado. Só há um jornal diário no país que questiona as políticas governamentais. Mas o mais grave é a ausência de independência entre os poderes. O Executivo, sob o sistema chavista, controla o Ministério Público e os tribunais, desde a primeira instância até o Tribunal Supremo de Justiça. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) é totalmente subserviente aos mandos do governo. E a cada eleição, o órgão máximo da justiça eleitoral cria novas dificuldades para a oposição ou fecha os olhos para violações evidentes da lei. As eleições deste ano, por exemplo, já estavam viciadas muito antes da abertura das urnas, porque o peso dos distritos eleitorais foram alterados, com base em supostas modificações demográficas, com o único propósito de favorecer os candidatos chavistas. Distritos com grande número de eleitores da oposição passaram a ter direito a menos cadeiras na Assembleia, enquanto aqueles de maior controle chavista ganharam mais vagas. Neste domingo, em Caracas, nos bairros mais pobres, havia sempre um toldo vermelho com cabos eleitorais chavistas a poucos metros dos centros de votação. Em um caso, o toldo estava exatamente em frente ao local de votação. Isso é absolutamente irregular pelas regras eleitorais do país, que proíbe a campanha boca de urna a menos de 200 metros dos centros de votação, mas a Guarda Nacional Bolivariana e a polícia nada faziam para coibir o fenômeno. O regime chavista se utiliza também da estratégia da intimidação para afastar os eleitores da oposição. Os venezuelanos desconfiam que o voto, na verdade, não é secreto, pois é preciso fazer a identificação biométrica antes de se dirigir para a urna eletrônica. Essa desconfiança tem razão de ser: no passado, as assinaturas para um referendo que pretendia revogar o mandato de Hugo Chávez foram tornadas públicas por um deputado chavista e utilizadas para demitir funcionários públicos e excluir empresários de licitações governamentais. Valendo-se dessa desconfiança, alguns colectivos chavistas, como são chamadas as gangues armadas ligadas ao governo, ocuparam centros de votação em diversos pontos do país. É possível imaginar o temor dos eleitores de votar em um lugar tomado por civis armados e hostis. Até o meio-dia do dia 6, havia quinze centros de votação nessas condições. O CNE ignorou esses episódios. Mas o momento mais delicado e vulnerável a fraudes é o do fechamento dos centros de votação e das urnas. Em outras eleições, muitas urnas permaneciam abertas por várias horas mesmo depois de as portas dos centros terem sido fechadas para os eleitores. Quando caía a noite e as ruas se esvaziavam, chegavam ônibus cheios de pessoas trazidas por militantes chavistas que eram levadas para dentro dos centros de votação com o propósito de votar ilegalmente pelos eleitores que não haviam comparecido às urnas. Nas eleições deste domingo, a oposição fez uma complexa operação para impedir este tipo de fraude. Organizou-se uma vasta rede de observadores (testigos, ou testemunhas), cadastrados junto ao CNE, cuja missão era permanecer dentro dos centros de votação após o encerramento do pleito até que se fechassem as urnas. Este momento é importante por dois motivos: primeiro, porque permite aos observadores conferir a contagem eletrônica dos votos, que é impressa instantaneamente, e segundo porque lhes dá a chance de exigir, como manda a lei, que se abra mais da metade das urnas onde se depositam as cédulas de papel que servem para auferir a votação digital. Além dos testigos, alguns partidos políticos de oposição mantiveram milhares de observadores na maioria dos centros de votação do país. Esses cidadãos enviavam mensagens de texto com informações simples sobre o andamento da votação, inclusive com alertas de fraude, para os "bunkers" da oposição. As mensagens eram recebidas e catalogadas automaticamente por programas de computador. Toda essa rede de informantes permitiu à oposição ter uma noção muito acurada dos resultados da eleição muito antes do anúncio oficial do CNE, que só foi feito depois da meia-noite. Às 23h, na sede de um partido em Caracas, os militantes já comemoravam em voz baixa o que estimavam ser a vitória de 113 deputados de oposição. Apesar de otimistas, davam como certo que algumas dessas cadeiras seriam solapadas de última hora na contagem da CNE, especialmente nos centros de votação em que a diferença de votos entre o candidato chavista e o de oposição era pequena. Quanto à tática de levar militantes para votar na calada da noite em nome de eleitores que se abstiveram, foi presenciada uma cena interessante na favela de La Vega, em Caracas. Um pouco antes de o centro de votação instalado no colégio Amanda de Schnell ser fechado, a rua em frente já estava ocupada por moradores tomando batidas com rum e dançando funk. Eram todos eleitores da oposição, em um bairro que já foi majoritariamente chavista. Sua função ali era impedir que falsos eleitores fossem trazidos para o centro de última hora. Os moradores estavam certos de se preocupar. Afinal, o centro foi fechado às 19 horas e, apesar de não haver mais nenhum eleitor votando, um capitão do exército dizia para os observadores, como quem sugeria que era hora de ir para casa: "Ainda vai demorar muito para as urnas serem fechadas". A fiscalização urna por urna feita por militantes da oposição e a coragem da população foi o que garantiu o resultado. Seria muito difícil para o CNE manipular os números em nível nacional depois disso. Foi a vitória da informação.

Mercado já prevê retração da economia de 3,5% em 2015


Com um resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre do ano um pouco pior do que o imaginado para o terceiro trimestre, o Relatório de Mercado Focus desta segunda-feira trouxe mais ajustes nas expectativas para os dados de atividade do país. De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central, a perspectiva de retração da atividade do ano que vem passou de 2,04% para 2,31%. Para 2015, a perspectiva de contração avançou de 3,19% para 3,50%. No caso da produção industrial, as expectativas para 2015 passaram de queda 7,50% para retração de 7,60%. Para 2016, a previsão passou de -2,30% para -2,40%. O boletim Focus é divulgado semanalmente com os resultados da pesquisa feita pelo BC com 100 economistas de mercado. Já na relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2015, a projeção dos analistas passou por um leve ajuste, saindo de 35,50% para 35,55%. Para 2016, a taxa foi mantida em 40% pela segunda semana seguida. O Relatório Focus revelou uma queda das estimativas dos analistas para a balança comercial de 2016. O ponto central da pesquisa passou de 31,68 bilhões de dólares para 31,44 bilhões de dólares. No caso de 2015, a mediana das previsões foi mantida em 15 bilhões de dólares de uma semana para outra. As previsões de déficit para a conta corrente de 2015 caíram, passando de 64,70 bilhões de dólares para 64,40 bilhões de dólares. Para 2016, a perspectiva de saldo negativo foi mantido em 39,68 bilhões de dólares. Nos últimos meses, os economistas ouvidos pelo Banco Central tentam reestimar as projeções levando em consideração a mudança de metodologia da nota do setor externo, em abril. A mediana das previsões para o novo Investimento Direto no País (IDP) saiu de 62,80 bilhões de dólares para 62,60 bilhões de dólares para 2015 pela terceira semana seguida. Um mês atrás, estava em 62,30 bilhões de dólares. Para 2016, caiu de 58 bilhões de dólares para 57 bilhões de dólares.

Após Moody's, Fitch tira selo de bom pagador do BTG Pactual


A Fitch rebaixou nesta segunda-feira a notas de crédito do banco BTG Pactual, de BBB- para BB-, com observação negativa. Com a decisão, a agência de classificação de risco retirou o grau de investimento do banco, que é uma espécie de selo de bom pagador. Na última quarta-feira, a Moody's já havia retirado o grau de investimento da instituição, em decisão tomada após a prisão do ex-CEO e principal acionista, André Esteves. Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete a deterioração da liquidez (recursos disponíveis) e da capacidade de captação de recursos, que estão fortemente relacionadas à prisão de Esteves. "O banco tem tomado medidas, que incluem empréstimos e venda de ativos/disponibilidades, para aumentar sua liquidez e suportar os substanciais saques. A Fitch acredita que essas ações, se bem-sucedidas, podem ajudar o BTG Pactual a passar por este período de turbulências e reestabelecer sua liquidez em níveis mais estáveis", pondera a agência. Ainda assim, a capacidade do banco de recompor a base de captação será um aspecto chave a ser monitorado no curto prazo. "E, mais importante, a capacidade do banco em continuar originando negócios em suas áreas de atuação também será monitorada pela Fitch", acrescentou. A Fitch ressalta que as mudanças na liderança e no controle do banco, com a saída de Esteves da liderança da instituição, por meio de uma troca de ações, "são um passo certo em termos de governança corporativa". "No entanto, a imagem da instituição continua bastante atrelada à de Esteves. Além disso, o surgimento de acusações e investigações relacionadas aos negócios do BTG Pactual pode continuar afetando sua reputação e enfraquecer ainda mais sua franquia e sua flexibilidade financeira", destaca a agência. Investigados pela Operação Lava Jato, André Esteves e o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) foram presos na última quarta-feira (25), acusados de tentar obstruir as investigações e tentar convencer o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a desistir do acordo de delação premiada. Esteves renunciou aos cargos de diretor-presidente e de presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual e da BTG Pactual Participations. Pérsio Arida, que passou a ocupar o cargo interinamente, assumiu a presidência do Conselho de Administração das duas instituições.

Dilma defende fim do recesso em ato político no Palácio do Planalto com advogados criminalistas em busca de uma causa


Ameaçada por um processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff levou nesta segunda-feira um grupo de advogados criminalistas em busca de uma causa ao Palácio do Planalto, em Brasília, para reunir argumentos contra o pedido. Dilma defendeu a suspensão do recesso parlamentar em janeiro com objetivo de acelerar a análise do impeachment na Câmara, e deu palanque para que os criminalistas ansiosos por se exibirem se pronunciassem, num ato com viés político, contra a decisão do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acatar a denúncia por crime de responsabilidade. "Só dentro da legalidade democrática, respeitando as regras, nós de fato unificaremos o País", disse a petista Dilma, como se não tivesse sido ela a responsável direta pela grande mentira que colocou quase todo o Brasil contra seu governo. "As minhas contas, tanto a de 2014 quanto a de 2015, não foram julgadas. Outra questão que acho fundamental é que acho que todas as coisas se dêem o mais rápido possível. Numa situação de crise, como esta política e econômica, acho que seria importante que o Congresso fosse convocado. Acho que não deve haver recesso porque não podemos nos dar o direito de parar o País até 2 de fevereiro. É justo que tenha um período de descanso no Natal e Ano Novo, mas o Congresso pode voltar a funcionar logo em janeiro, quando passar o período das festas, para julgar todas as coisas que estão pendentes. Não é correto o país ficar em compasso de espera até 2 de fevereiro". O que ela quer é pegar o País desmobilizado pelas festas, pelas férias e pelo carnaval para se livrar do processo de impeachment sem qualquer discussão entre a população brasileira. Dilma se reuniu com os especialistas em diferentes áreas do direito, econômico, criminal, constitucional e eleitoral, além dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. "Não existe pacificação nem unidade nacional fora da legalidade. O Brasil demorou muitos anos para construir a democracia. Fora da lei e da Constituição é um erro grosseiro que não podemos concordar", disse o ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo. "Quer-se de forma artificiosa criminalizar a conduta da presidente. Quer-se criminalizar e condenar o governo pelos seus acertos", disse Adams. Os advogados criminalistas em busca de uma causa que se alinharam ao governo Dilma criticaram a denúncia escrita por Miguel Reale Junior, Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, autores do texto aceito como estopim para o processo de impeachment pelo presidente da Câmara. Instados pelos ministros de Dilma, eles se revezaram em pronunciamentos com argumentos jurídicos e também com discurso político que resgatou até justificativas para a recessão econômica lançada pela campanha eleitoral petista, como a crise internacional. Os caras rasgaram de vez a fantasia e perderam toda a compostura, assumindo explícitamente o seu papel de petistas ativos ou apoiadores do regime do petralha. "Tudo o que esta se fazendo é um ardil para formação de terceiro turno eleitoral", disse o professor e diretor da Faculdade de Direito do Recife, Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti. "Temos um quadro econômico absolutamente desfavorável em termos de comércio exterior, a seca da minha região é a maior de muitos anos, a indústria está precisando de apoio, a crise que começa em 2008... O governo precisou desonerar, aumentar subsídios dos financiamentos do BNDES, reforçar o Minha Casa, Minha Vida para segurar o setor de habitações. Medidas de fomento tiveram que ser feitas e a receita caiu. Aí começam a responsabilizar a governante por pequenos atrasos aos bancos públicos, por decretos que teriam violado a legislação financeira. O que se tem, muito mais do que isso, é a pretensão de transformar a moção de desconfiança do regime parlamentarista em impeachment. Do que a presidente se apropriou? De nada. O que ela fez? Do que ela tinha conhecimento? Estão tentando imputar responsabilidade por fatos que ela não tinha conhecimento ou por fatos de que tinha [conhecimento] e eram absolutamente necessários. Seria melhor atrasar um pouco pagamentos à Caixa Econômica do que deixar tantas e tantas pessoas sem recursos. Os bancos oficiais tem que manter os programas nos momentos de dificuldade." E isso ainda é apresentado como defesa jurídica? "Os crimes de responsabilidade não comportam omissão", disse o professor de Direito da UERJ, Juarez Tavares, ao falar sobre a possibilidade de Dilma ser punida por causa dos desmandos na Petrobras revelados pela Operação Lava Jato. "Não se incluem entre os crimes de responsabilidade infrações menores ou irregularidades administrativas que possam ocorrer durante um mandato presidencial. Os crimes de responsabilidade são infrações graves que atentem contra a Constituição", afirmou ele, que negou vinculações partidárias. Claro.... são muito virtuosos!!!! No discurso mais inflamado, o advogado Luiz Moreira atacou diretamente Eduardo Cunha e repetiu o embate deflagrado pelo Planalto com o presidente da Câmara e os mesmos argumentos do PT - ignorando o fato de que aceitar o pedido é uma prerrogativa do presidente da Câmara, mas que a decisão sobre o futuro de Dilma não depende dele. Ele classificou a abertura do processo de impedimento de Dilma como um "golpe parlamentar". "Um presidente da Câmara que não tem credibilidade nem idoneidade para se apresentar como protagonista de um processo de impeachment. O mandato de uma presidente da República como Dilma Rousseff não pode ser contestado por alguém que responde por várias ações no STF", afirmou. "Estamos a discutir um capricho de uma autoridade da República que, pode ter sido contrariado pelo partido da presidente, resolveu receber uma representação e colocar toda as instituições e a sociedade civil de submetidas a seus caprichos. Esse colegiado de juristas se manifestou pela absoluta improcedência e ausência de materialidade para justificar o impedimento de um mandato presidencial". Definitivamente, essa gente perdeu toda noção de história. Já o professor da Universidade Católica de Pernambuco Marcelo Labanca afirmou: "Não há nenhum ato pessoal, direto, da presidente da República capaz de gerar crime de responsabilidade, que possa levar a presidente a perder seu mandato. O crime de responsabilidade exige a fraude, a intenção de desonestidade", disse. "Não pode haver manipulação e subversão do direito com finalidades políticas. Não há justa causa na decisão do presidente da Câmara. O Supremo vai ser cobrado a exercer o controle de constitucionalidade. Esse é um processo inconstitucional e injusto contra a presidente Dilma Rousseff." E é esse tipo de delinquência jurídica que boa parte dos chamados "juristas" ensina aos estudantes de Direito no Brasil. Não é de estranhar que o País esteja no ponto em que se encontra.  

Cineminha vagabundo de terceira categoria em Brasília

A presidente petista Dilma Rousseff reuniu um batalhão de advogados em Brasília para mostrar que as grandes mentes do Direito estão contra o impeachment. É uma palhaçada, um cineminha de terceira categoria. O que havia na reunião era advogado criminalista contratado pelo PT, ou querendo se exibir, mostrar à opinião pública e futuros possíveis clientes que esteve na defesa de Dilma; pode ter até um ou outro jurista ali, mas o que menos teve foi juristas. Grandes advogados não ficam se exibindo, trabalham em silêncio, no recolhimento, estudando as causas e montando suas estratégias de defesa. E não ficam revelando seu passos para todo mundo. O que se viu em Brasília foi uma vigarice jurídica. Mas, não é de estranhar, o regime petralha é vigarista por excelência, assim como peronista populista incompetente e criminoso na Argentina, e o boliarianismo totalitário e facínora na Venezuela. O que tem de gente sujando sua biografia no estertor do petismo é uma verdadeira grandeza. O que demonstra que os tais supostos grandes não passam de biografias amorais minúsculas.

Eleição de comissão que analisará impeachment é adiada


Uma manobra de parlamentares da oposição, com aval do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), postergou a eleição da comissão especial que analisará o pedido de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff. O adiamento ocorreu no mesmo dia em que Dilma anunciou querer que o Congresso decida sobre o impeachment "o mais rápido possível". A indicação e a escolha da chapa com 65 deputados seria realizada nesta segunda-feira às 18 horas, mas ficou para esta terça-feira depois de opositores articularem a eleição de uma chapa alternativa. A intenção é evitar que líderes dos partidos da base governista que têm deputados com posições divergentes indiquem apenas integrantes alinhados ao Palácio do Planalto para barrar o processo. O primeiro racha foi na bancada do PMDB, depois de o líder Leonardo Picciani (RJ), defensor declarado de Dilma, sinalizar que não reservaria vagas para deputados pró-impeachment. A indicação dos nomes e a escolha dos integrantes da comissão deverão ocorrer às 14 horas desta terça-feira, o que pode esvaziar também a sessão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar programada para votar o relatório preliminar do processo contra Eduardo Cunha no mesmo horário. Aliados de Eduardo Cunha, como o deputado Paulinho da Força (SD-SP), retiraram as indicações que já haviam sido feitas e vão apresentar nomes apenas na chapa paralela, nesta terça-feira. Segundo Paulinho, quando há divergências numa bancada pode haver candidaturas avulsas apresentadas pelos deputados e outra feita pelo líder. Ele disse que a chapa paralela poderá ser registrada com no mínimo 33 nomes e forçar uma disputa eleitoral. "Os líderes indicam seus nomes e formam uma chapa. Mas dentro das suas bancadas pode-se fomentar que parlamentares formem uma segunda chapa. Está permitida uma briga interna de cada bancada", disse ele. Já o líder do PT, o exótico motorista de táxi acreano Sibá Machado reagiu: "É inaceitável. Eu abandonei a reunião de líderes. Está tudo contaminado. Nós temos uma única chapa. Essa história de chapa avulsa tem o dedo dos tucanos para criar problema. Hoje à noite seria quase uma aclamação". Para o líder do PMDB, a decisão desta tarde indica um começo "ruim" e "grave" na análise do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Picciani alertou que a manobra articulada por Eduardo Cunha e deputados de oposição pode permitir que a comissão fique indefinidamente sem instalação - medida que atingiria justamente o objetivo de protelar a ação e deixar a presidente enfraquecida por mais tempo. "Deveria se prezar pela estabilidade das decisões do colégio de líderes para que a comissão pudesse legitimamente se instalar e iniciar esse debate", afirmou o peemedebista. Picciani é o principal alvo da estratégia adotada nesta tarde, já que está reticente em indicar nomes pró-impeachment. Peemedebistas da ala mais rebelde chegaram a articular a destituição do líder, mas, de acordo com Picciani, a medida não vingou. "Eu continuarei líder prezando pela estabilidade e pelo bom senso", afirmou.

Selic abaixo de 10%? Talvez em 2020

Dilma deve deixar um recorde de juros para o próximo governo. Os agentes de mercado apostam em Selic elevada por um tempo ainda mais prolongado que o previsto anteriormente, segundo o Boletim Focus, e a taxa de juros pode ficar acima de 2 dígitos até 2020. O último longo período que o Brasil havia passado com a Selic em 2 dígitos começou em janeiro de 1998 e terminou em junho de 2009.

Onde está Jobim? E Sigmaringa?

O Antagonista sentiu falta de Nelson Jobim e Sigmaringa Seixas entre os juristas contrários ao impeachment.

Quem paga esses juristas?

A reunião no Palácio do Planalto com os tais juristas contra o impeachment foi articulada por José Eduardo Cardozo e pelo advogado do PT, Flávio Caetano. Alguns desses juristas não são juristas, e sim advogados pagos pelo PT para emitir pareceres sobre o assunto. E os outros? Quem pagou a viagem deles a Brasília?

PSB pelo impeachment

O PSB vai votar pelo impeachment. Os três deputados indicados pelo partido para compor a comissão especial do impeachment estão empenhados em derrubar Dilma Rousseff: Tadeu Alencar, Danilo Forte e Fernando Filho. Se o governo contava com algum voto do PSB, estrepou-se.

Representação do PT na Comissão do Impeachment tem maioria citada na Lava Jato

O PT está traindo seus princípios. Dos oito deputados escolhidos para integrar a comissão especial do impeachment, apenas cinco tiveram seus nomes citados pelos delatores da Lava Jato: Sibá Machado, Henrique Fontana, Paulo Teixeira, José Mentor e Vicente Cândido. O Antagonista protesta veementemente.

As pedaladas de Dilma Bolada

Dilma Bolada pedala tanto quanto Dilma Rousseff. Monica Bergamo, hoje, publicou que Dilma Bolada aumentou em 300% seu número de seguidores desde que passou a atacar o impeachment. Falso. A Época, em 21 de agosto de 2015, registrou que a página de Dilma Bolada possuía 1.603.243 seguidores no Facebook. Agora esse número caiu para 1.602.922 seguidores. A contabilidade criativa do PT fraudou também a imprensa e a internet.

Fachin vai esperar até sexta

Edson Fachin deu prazo até sexta-feira para que PGR, AGU, Câmara, Senado e Presidência se manifestem sobre a ação movida pelo PCdoB no Supremo contra o impeachment. A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) discute, entre outras coisas, em que momento a presidente da República deve ser afastada do cargo. Nessa circunstância, Fachin terá apenas uma semana, antes do recesso, para decidir se concede ou não liminar.

Falcão é um perigo

É bom lembrar que o noviço Ribeiro Dantas não está sozinho em sua lida para tirar Marcelo Odebrecht da cadeia. Ele cumpre missão coordenada por Francisco Falcão, que deve sua indicação ao PMDB de Renan Calheiros e José Sarney.

PMDB pró-impeachment quer comissão própria

Excluídos por Leonardo Picciani da lista de indicados para a comissão especial do impeachment, integrantes da ala oposicionista do PMDB planejam lançar uma chapa própria com 65 nomes para o colegiado. A ideia, segundo o Estadão, é atrair a oposição e conseguir os votos necessários para eleição de uma nova comissão, esvaziando a atual de perfil governista.

Urgente: Eleição para comissão do impeachment é adiada

A oposição se solidarizou com a ala pró-impeachment do PMDB e retirou os nomes de seus representantes da chapa "oficial" para a comissão especial do impeachment. Como mostramos em post anterior, Leonardo Picciani só indicou governistas para as vagas do PMDB, o que causou revolta na bancada. Os dissidentes resolveram compor outra chapa, com a participação de DEM, PSDB e Solidariedade. Com a mudança, a eleição da comissão especial foi adiada para amanhã.

Os bofes de Dilma

Leornado Boff está recolhendo jamegões para um abaixo-assinado contra o impeachment. Chico Buarque já assinou, diz Lauro Jardim. Agora só estão faltando José de Abreu e Alcione.

O impeachment e duas entrevistas: Berzoini e Serra

Planalto baixa a bola; desde que foi deflagrado o processo, é a primeira vez um governista diz coisa com coisa; Serra fala em parlamentarismo

Por Reinaldo Azevedo - A Folha publica duas entrevistas nesta segunda-feira que tratam da possibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff: a do senador José Serra (PSDB-SP) e a do ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo). Evidentemente, querem coisas diferentes. Começo dando relevo ao que disse o petista, chamando atenção dos leitores para o fato de que, a ser uma postura do governo, parece que o Planalto descobriu que é preciso baixar a bola. Berzoini insiste, claro, na tese furada de que não existem motivos para o impeachment e trata a questão como mera vingança de Eduardo Cunha (PMB-RJ), presidente da Câmara, como se fosse este o autor da denúncia. É evidente que sabe que está falando bobagem. Mas ninguém pode condená-lo por tentar defender o governo ao qual pertence. O tom, no entanto, está muito abaixo daquele adotado pela presidente — e, por isso, mais prudente. Berozini fala agora o que Dilma deveria ter falado desde o primeiro dia. Diz ele: “A afirmação do governo virá pelo voto. Ou temos votos suficientes para vencer essa parada ou significa que o governo não tem base política para se manter como governo". É isso. Ponto final! Em vez de sair gritando “golpe” por aí, que procure vencer no Parlamento. E notem que, nesse caso, vencer pode ser perder feio: se o governo conseguir 172 votos, o outro lado, o que quer o impeachment, perde ainda que conquiste 341. Ou seja: o vencedor pode ter a metade dos votos do perdedor se for o governo. Ora, se um governo não tiver nem isso, vai continuar por quê? Mas que se note, e já tratei disso em outro post: conquistar esse terço não quer dizer governabilidade posterior. Embora eu discorde, obviamente, de Berzoini, é a primeira reação racional do governo desde que foi deflagrado o processo. O tucano José Serra também concedeu entrevista. Desmonta com clareza a bobagem inventada pelo PT de que estamos diante de uma guerra entre Dilma e Eduardo Cunha. Afirma: “Não se trata de uma disputa entre Dilma e Cunha. Quem está sendo julgada no pedido de impeachment é a presidente, apenas ela. Cunha irá responder por seus atos, e o processo dele é de outra natureza. Não existe uma escolha entre um e outro”. Mas Dilma cometeu crime de responsabilidade? Serra responde: “Crime de responsabilidade não significa que o chefe do governo seja necessariamente corrupto, que tenha tirado proveito financeiro. Basta não ter tomado as providências para evitar que outros o fizessem. O País está parado, não tem governo. O juízo político não está descolado disso. O pano de fundo do impeachment é a crise econômica, política e moral. É inegável”. A Folha pergunta em que condições o PSDB apoiaria um eventual governo Temer. Afirma Serra: “Compromissos de um novo estilo de governo, com menos barganha. E questões programáticas propriamente ditas. Creio também que ele deixaria claro que não pretende ir para a reeleição. Isso facilitaria a composição. Eu e, espero, o meu partido batalharíamos para preparar a implantação do parlamentarismo a partir de 2018". Como sabem os leitores, é inevitável que o país volte a discutir o parlamentarismo. Parte dos desastres que aí estão se deve, sim, ao regime presidencialista. De toda sorte, notem que é preciso sair da paralisia para que o país volte a pensar o seu futuro. E isso só será possível sem Dilma. Vamos torcer para que o governo não consiga formar aquela minoria de um terço na Câmara que nos manteria condenados à melancolia.

“Ela nunca confiou em mim”, teria dito Temer. Ou: A estranha frase de Dilma

A presidente não pode tentar cassar os direitos que a Constituição assegura não a Michel Temer, mas ao vice-presidente da República

Por Reinaldo Azevedo - No sábado, em viagem a Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff disparou uma de suas frases esquisitas. Não chegava a ser um cachorro atrás de uma criança, mas não era um primor de sentido, embora a gente tenha entendido aonde ela queria chegar. Mandou ver: “Espero integral confiança do Michel Temer e tenho certeza de que ele a dará. Conheço o Temer como político, como pessoa e como grande constitucionalista”. A gente não diz esperar confiança de alguém. Talvez ela tenha querido dizer “lealdade”, mas a palavra certa, como costuma acontecer, fugiu-lhe antes que fosse capturada pela sintaxe. Notem que a presidente evocou até a condição de constitucionalista de seu vice, como a querer dizer: “Ele sabe que o pedido de impeachment não se sustenta…”. Bem, por constitucionalista que de fato é, o peemedebista então sabe não haver nada de errado com a denúncia. Adiante. A Folha informa nesta segunda que Temer afirmou, a pessoas que lhe são próximas, o seguinte: “Ela nunca confiou em mim”. Referia-se, obviamente, a Dilma. Se disse ou não, querem saber?, pouco importa. Uma coisa é inequívoca: a presidente, de fato, nunca confiou no seu vice. Ao contrário: mais de uma vez, fez questão de deixar claro que não confiava. A crise com a base, especialmente com o PMDB (nos tempos em que até Renan Calheiros fazia oposição), levou Dilma a entregar para Temer, em abril, a coordenação política. Em agosto, quatro meses depois, impossibilitado de trabalhar, ele entregava o cargo. E quem opunha obstáculos à coordenação? Ninguém menos do que o então chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Os palacianos passaram a cochichar para a presidente que o vice conspirava contra ela; que atuava para tentar lhe tomar o lugar etc. E pronto! Temer entregou o cargo. Quando aconteceu, todas as pessoas razoáveis anteviram um acirramento da crise política. Não porque Temer fosse se comportar como incendiário, o que não é do seu perfil, mas porque, justamente, se tolhiam os instrumentos de um bombeiro. Com a saída, como se nota, tudo piorou. Ora, o que Dilma e os palacianos gostariam que Temer fizesse agora? Que prometesse atear fogo às vestes se ela sair? Que concedesse entrevistas chamando o impeachment de golpe — justamente ele, que vai sucedê-la na hipótese de um impedimento? Ora… É claro que ele não pode fazê-lo. E não pode justamente em razão de seu papel institucional. Diante das mais descabidas pressões, o que se viu foi uma advertência: Eliseu Padilha (ex-Aviação Civil), próximo a Temer, pediu demissão do cargo. Foi, como já escrevi aqui, uma advertência para que as pressões cessassem. Surtiu efeito. A entrevista de Ricardo Berzoini na Folha desta segunda já está mais sóbria. O governo que lute no Congresso, com as armas da democracia. Temer tem de se preservar como aquilo que é, por vontade da Constituição, não de Dilma: alternativa de poder. Se ela confia ou não no peemedebista, problema dela. Dilma só não pode tentar cassar os direitos que a Constituição assegura não a Michel Temer, mas ao vice-presidente da República.

Oposição esmaga chavismo nas urnas e pode até conseguir dois terços da Assembleia Nacional

Por Reinaldo Azevedo - Não foi uma simples vitória. Foi um massacre. A oposição venezuelana esmagou o chavismo nas eleições deste domingo. A MUD (Mesa da Unidade Democrática) venceu o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) por espantosos 68% a 32%. As perspectivas mais otimistas falavam numa diferença de 20 pontos. Foi de quase 40. Os opositores de Nicolás Maduro lograram êxito em nada menos de 19 Estados. O oficialismo só venceu em seis (Sucre, Delta, Amacuro, Guárico, Apure e Cojedes). No resultado parcialmente divulgado na noite deste domingo, a oposição havia já conquistado 99 cadeiras da Assembléia Nacional, contra 46 do governismo. A expectativa é que a MUD fique com 113 cadeiras, contra apenas 54 do PSUV. Compareceram às urnas 75% dos eleitores inscritos, numa participação surpreendente. Caso se confirmem esses números, o desmonte do modelo chavista pode ser mais rápido do que se imaginava, já que a oposição ficaria com mais de dois terços dos votos da Assembléia. Isso já lhe garante, por exemplo, o poder para destituir o vice-presidente executivo do País, conforme determina o Artigo 240 da Constituição. De acordo com o Artigo 343, dois terços da Assembléia também têm poder para aprovar reforma constitucional, que tem de ser submetida a referendo. Mas há um pouco mais do que isso: dois terços também podem convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, segundo estabelece o Artigo 348. E que se note: a atual Constituição estabelece, no Artigo 72, que qualquer mandato pode ser revogado, inclusive o do presidente, desde que transcorrido pelo menos metade do mandato. Para tanto, basta que 20% dos eleitores da circunscrição dada solicitem o referendo — no caso do mandato presidencial, 20% dos eleitores do País. Se ao menos 25% dos eleitores inscritos comparecerem ao referendo e se, no mínimo, igual número que elegeu votar a favor da revogação, o mandato chega ao fim. Eleito em 2013, o mandato de Nicolás Maduro vai até 2019. Isso significa que, caso 20% dos eleitores solicitem a revogação do seu mandato, ela já pode votada a partir de abril do ano que vem. O governismo foi esmagado em Estados que o chavismo considerava redutos, como Mérida, Aragua, Bolívar, Táchira, Anzoátegui, Carabobo e Distrito Capital, Caracas. Para quem gosta de simbolismos, há um forte: a oposição venceu a eleição em todos os distritos do Estado de Barinas, onde nasceu Hugo Chávez. Caracas elege nove deputados. Pois bem: todos eles pertencem à oposição. Observadores relatam que as televisões estatais fizeram forte campanha em favor do governo — a oposição, claro!, estava impedida de ter acesso à radiodifusão. Ainda assim, a derrota do chavismo é humilhante. Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, reagiu de modo ambíguo à derrota acachapante. Disse: “Admitimos absolutamente os resultados destas eleições. A nosso povo revolucionário, agradecimento eterno. O caminho é a pátria”. Mais tarde, comentou: “Ninguém disse que iria ser fácil. Que essa derrota nos sirva de força para seguir o caminho da revolução bolivariana e chavista”. Ulalá! Maduro, o ditador, tentou não acusar o golpe, posando de estadista: “Vimos com nossa moral, com nossa ética, reconhecer esses resultados adversos e aceitá-los. E dizemos à Venezuela que triunfaram a Constituição e a democracia”. Mas Maduro é quem é. Mesmo dizendo que reconhece o resultado, afirmou que o povo deve continuar unido para impedir esse “plano contrarrevolucionário de desmantelar o estado social-democrático de justiça e de direito”. E ameaçou: “Defenderemos o nosso povo de qualquer maneira”. O que isso quer dizer? Os próximos dias dirão. O ditador asqueroso fingia não ver que mais de dois terços do país votaram contra o seu governo. Ah, sim: Lula perdeu mais uma! Foi derrotado na Argentina. Agora, perdeu na Venezuela. E a onda já chegou com força ao Brasil, não é mesmo?

E a Associação Brasileira de Ciência Política, incapaz de se justificar, resolve me ofender. Vamos pro pau!!!

Entidade exibe, mais uma vez, a sua ousada genuflexão e a corajosa vontade de ficar de quatro para o poder de turno. Leiam a nota da turma e a minha resposta

Por Reinaldo Azevedo 

E a Associação Brasileira de Ciência Política segue de joelhos, fazendo o trabalho de sopro para o governo federal, mas se fingindo de sábia, independente e corajosa. A Associação Brasileira de Ciência Política segue exibindo a grande coragem de servir de montaria ao poder de turno. A Associação Brasileira de Ciência Política segue expondo a sua ignorância sábia em favor do mensalão, dos aloprados, do petrolão, do assalto organizado ao Estado Brasileiro. Escrevi aqui, no dia 4 dete mês, um post contra uma nota pusilânime emitida por tal associação. Os valentinhos resolveram publicar em seu site uma nota me atacando, no termos que seguem abaixo, em vermelho. Respondo em negrito.

Nota em resposta a Reinaldo Azevedo

A Associação Brasileira de Ciência Política teve a sua nota publicada em 3 de dezembro – uma nota que demonstra preocupação e perplexidade com os desdobramentos da democracia brasileira – achincalhada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo.

Não foi achincalhada. A nota foi criticada. Mas os doutores dizem a verdade em parte: eles realmente se mostram perplexos com os desdobramentos da democracia brasileira. Eles estão prontos para defender uma ditadura, em que não existem nem lei nem Constituição.

Este foi capaz, apesar das poucas linhas que escreveu, de demonstrar a sua mais completa ignorância na área. Ele confunde aquilo que não é possível confundir: a mera opinião desinformada ou mal formada que ele pratica com a discussão criteriosa julgada pelos pares e o conhecimento científico publicado no Brasil e no Exterior que ele confessa não ter a menor ideia do que seja.

Desfio qualquer um desses bananas para um debate público. Aliás, tenho um programa de rádio. Vamos lá. Vamos expor a milhões de brasileiros os argumentos. Quero que o melhor deles demonstre:
a: que o impeachment não está previsto na Constituição;
b: que as pedaladas fiscais e a edição de decretos envolvendo gastos sem a autorização do Congresso não ferem a Lei 1.079.
Se o melhor deles — há um melhor, suponho — conseguir fazer isso, enfio o rabo entre as pernas e dou o braço a torcer. Como jamais conseguirão, então fogem do debate, fogem do argumento e se escondem numa nota malcriada e vagabunda.

Vamos ao debate. Escalem o melhor de vocês aí. Vamos falar também um pouco de teoria, de história e de jurisprudência. Tachar quem discorda da gente de “ignorante” é coisa fácil, de que qualquer linguarudo é capaz. Prová-lo já é coisa mais difícil.

Vale a pena responder a algumas das suas considerações. Em primeiro lugar, o blogueiro mostra a sua mais absoluta ignorância em relação à organização do conhecimento científico. A sua idéia de que se produz ciência individualmente revela o desconhecimento sobre o processo de produção científica em todas as áreas.

Em primeiro lugar, vocês não produzem ciência, não produzem nada! Uma coisa é acúmulo de conhecimentos, é organização de especialistas em defesa da ciência e do aprimoramento científico. Outra, diferente, é uma corporação de ofício mixuruca como essa tal associação, que existe para emitir boletins ideológicos.

O blogueiro se pergunta candidamente: “a propósito: por que um cientista político precisa pertencer a uma corporação de ofício?”. Associações acadêmicas são a forma por excelência da produção do conhecimento científico. A Associação Americana de Ciência Política tem mais de 100 anos. A Francesa e a Britânica quase 70 anos. A ABCP tem 30 anos. Congrega 892 associados e 16 áreas temáticas, já organizou 9 encontros desde 1996, edita e publica, desde 2007, a Brazilian Political Science Review. Todos os anos ou de dois em dois anos as associações científicas sérias realizam encontros e uma grande parte dos bons artigos da ciência política brasileira e internacional tem surgido a partir daí. Nesses últimos 30 anos, a ABCP tem cumprido seu principal papel institucional: contribuir com a reflexão sobre a construção democrática e sua defesa.

Cadê essa contribuição?

Onde estava a associação durante o mensalão? Produziu o quê?

Onde estava a associação durante o petrolão? Produziu o quê?

Onde estava a associação durante os aloprados? Produziu o quê?

Onde estava a associação durante o tempo em que Dilma destruía os fundamentos da economia? Produziu o quê?

Ilustres desconhecidos do nariz marrom me chamam de “blogueiro” no intuito de me ofender, como a ressaltar a minha condição menor. Blogueiro, sim! Blogueiro também! Com muita honra! Com uma vasta produção que pode ser testada pela realidade porque exposta em arquivo. E o que vocês produzem? Aguenta ser confrontado com a realidade?

E vocês? Juntaram essa gente toda para produzir o quê? Genuflexão altiva? Blogueiro, sim! Mas pago as minhas contas. Não dependo de verba pública como a maioria de vocês. Para, como paga, produzir falso conhecimento contra o interesse a população.

Em segundo lugar, em relação à avaliação dos indivíduos membros da Associação, é claro que não cabe aqui expor o curriculum de cada um dos associados da ABCP. Mas vale a pena mencionar que os membros da diretoria da ABCP publicam em algumas das melhores editoras universitárias do mundo, como Princeton, Oxford e Johns Hopkins. Que um dos seus membros ganhou o prêmio de melhor livro do ano da Associação Americana de Ciência Política no ano passado, que alguns são membros de conselhos de fundações internacionais importantes e que um deles já trabalhou na Unesco em Paris. Quase todos tiveram os seus doutorados obtidos nas melhores universidades do mundo e muitos foram professores visitantes nos Estados Unidos, em Portugal, na França, no Reino Unido e no México. Claro que nada disso interessa ao blogueiro que acha que apenas ouvir falar de alguém constitui critério de legitimação de sua relevância.

É claro que não vale expor currículos tão soberbos quando, em grupo, atacando como as hienas, resolvem colocar, então tanta sapiência a serviço do poder de turno.

No fim das contas, eis aí a que foi relegada a esquerda acadêmica brasileira: acha que pode expor seus títulos e suas miseráveis conquistas a serviço de uma quadrilha que assaltou o Estado brasileiro.

Refaço o meu convite aos senhores estrelados. Façam aí um concurso interno para escolher o melhor e vamos debater. E quero saber se os senhores leram a Lei 1.079. Eu quero saber se os senhores leram a Constituição. Eu quero saber o que os senhores pensam da aplicação seletiva das leis.

Sair da obscuridade silenciosa em que se encontravam, enquanto o país era cotidianamente assaltado, para vir defender o statu quo no justo momento em que a sociedade brasileira reage é coisa de covardes, de vagabundos intelectuais, de pançudos que se escondem atrás de títulos e de grupelhos acadêmicos que se confundem com valhacoutos.

Por meio desta nota, a ABCP vem reafirmar sua convicção da importância de realizar um debate sério de idéias em torno da proposta do impeachment que pode colocar em xeque a estabilidade das instituições democráticas no País. Explicar para o País de forma serena os riscos para a estabilidade democrática de um processo de impeachment movido por interesses pessoais de um político acusado de corrupção é de central importância.

Realizar um debate sério? Bando de sacripantas! Para vocês, sérios são todos aqueles que concordam com suas teses, e pouco sérios os que as combatem.

Afirmar que uma proposta de impeachment “pode colocar em xeque a estabilidade das instituições democráticas” demonstra o calibre intelectual de seus autores.

O mínimo que se pode esperar de um intelectual é que tenha compromisso com a história. Para fazer tal afirmação, seria preciso que uma série histórica de eventos semelhantes permitisse levar a tal conclusão. Isso seria ciência. Isso seria método.

Mas não! Os vigaristas ignoram os fatos. O Brasil teve impeachment uma vez. E o Brasil só conta na ordem do mundo em razão daquele evento, que esta na raiz do Plano Real — Plano Real sem o qual o próprio governo Lula teria sido impossível.

No auge da estupidez, a nota trata a denúncia contra Dilma como se fosse da autoria de Eduardo Cunha, confundindo o homem que ocupa um cargo com a sua função institucional.

Esse bando de gente que vem exibir seus currículos para tentar me intimidar não é capaz de distinguir um indivíduo da instituição. Juntam-se numa associação de cientistas políticos para enganar, para trapacear, para, em suma, mentir.

Espero que, quando juntos, esses luminares ao menos brinquem de macaquinhos. O que cada um deles pode encontrar de mais interessante no outro, definitivamente, não está no mundo das idéias, da teoria, da ciência.

Sabujos!
Medíocres!
Mentirosos!