domingo, 29 de novembro de 2015

Trincheiras de bandidos

Na condição de presidente, João Alberto Souza tem poder para engavetar uma prometida representação contra Delcídio do Amaral no Conselho de Ética do Senado. Mais do que isso, ele, que tem fama de engavetador, sofrerá a pressão dos senadores José Pimentel, Regina Souza e Paulo Rocha. Os três membros petistas do colegiado votaram pela revogação da prisão do líder do governo. O Estadão lembra ainda que quatro senadores do PMDB temem que o precedente aberto os leve para a cadeia e também devem brigar pelo engavetamento. Os bandidos se entrincheiram nas instituições.

"Top Top" diz que o problema é o sistema

Marco Aurélio "Top Top" Garcia dá o seu peteleco em Paris, ao Estadão: "O sistema político do Brasil como um todo está afetado. O problema é saber como nós vamos superar os problemas políticos estruturais. Você acha que o presidencialismo de coalizão com o qual trabalhamos há algum tempo vai longe? É lógico que não vai". Marco Aurélio Garcia chama o desgoverno, a bagunça, a orgia de corrupção, o caos administrativo de "presidencialismo de coalizão". Eufemista? Não, enganador, mesmo. Esse sujeito, o verdadeiro executivo do Foro de São Paulo, é o maior vigarista intelectual que já apareceu no Brasil. Ex-dirigente da 4ª Internacional trotskista, ao surgir no primeiro plano da política brasileira, no regime petista, já deu o tom do que seria essa época. 

André Esteves renuncia ao comando do BTG, logo após a decretação de sua prisão preventiva

Com a confirmação de sua prisão por tempo indeterminado, o banqueiro André Esteves renunciou na noite deste domingo (29) aos cargos de presidente executivo e de presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual. Os sócios Persio Arida e John Huw Jenkins, este baseado em Londres, assumem como presidente e vice do conselho, respectivamente. Roberto Sallouti e Marcelo Kalim passam a dividir a presidência do banco — os dois estão entre os melhores amigos do banqueiro. Arida, que assumiu interinamente a presidência da instituição na quarta-feira (25), deixa a função. Além disso, os sócios do BTG Pactual começam a discutir a compra da fatia de 28,8% do banqueiro e sua saída do banco. Os principais acionistas do BTG passaram a tarde e a noite de domingo (29) na sede do banco, em São Paulo. Fizeram contas, traçaram cenários e negociaram a venda de sua fatia na Rede D'Or, maior grupo de hospitais privados do País, enquanto aguardavam a decisão do ministro Teori Zavascki sobre o destino de Esteves. A participação que o banqueiro tem no BTG valeria cerca de R$ 6,4 bilhões fazendo a conta pelo patrimônio líquido da instituição. Na visão de sócios de peso, o próprio André Esteves concordaria com esse caminho, para não contaminar a imagem do banco com as acusações que ele enfrenta. A única dúvida é se realmente não existiria alternativa. Apesar da frieza da situação, tirar André Esteves do BTG é uma decisão dolorida para os colegas, que o veneram como um Super-Homem. O Banco Central também vê com reservas a volta de André Esteves a seu banco e já fez a mensagem chegar ao comando da instituição. A área de fiscalização do Banco Central acompanha de perto o caixa do BTG desde que a prisão ocorreu.
 

O comando do BTG passou o dia de ontem negociando a venda da fatia de 12% na Rede D'Or para o GIC, fundo soberano de Cingapura. A operação, de cerca de R$ 2 bilhões, foi praticamente fechada neste domingo. Embora tenha encerrado o expediente de sexta-feira (27) com pouco mais de R$ 40 bilhões em caixa, o banco quer reforçar suas reservas para mostrar aos clientes que está capitalizado e tem fôlego para enfrentar uma eventual onda de resgates. A prisão de Esteves provocou saques de aplicações nos dias seguintes. De acordo com Arida, as retiradas ficaram abaixo do que os sócios esperavam. Velho parceiro de negócios do BTG Pactual, no começo do ano o fundo de Cingapura comprou 16% da Rede D'Or por R$ 3,2 bilhões e já tinha manifestado interesse em aumentar sua participação na rede de hospitais.

Mulher de Esteves vai precisar de carteirinha

Mulher de André Esteves, Lilian visitou o marido ontem em Bangu 8 com autorização especial do secretário de Administração Penitenciária do Rio. Não precisou, portanto, da tradicional carteirinha de visitantes. Ela esperava que o banqueiro fosse solto amanhã. A partir de agora, Lilian terá de cumprir o mesmo protocolo de todos os parentes de detentos. O Antagonista aproveita para informar a documentação necessária para credenciamento: cópia do RG, certidão de casamento, comprovante de residência e uma foto 3x4.

Um míssil para a Zelotes

Em 8 de outubro, O Antagonista publicou a informação de que Mauro Marcondes teria feito lobby para a compra dos caças Gripen da Saab - fato que o Estadão acaba de confirmar. Na ocasião, sugerimos à CPI do Carf que questionasse o lobista sobre isso, mas nada foi feito. Não tem problema, a Operação Zelotes cuidará disso.

Releia o nosso post abaixo:
Um míssil para a CPI
08.10.15 22:00
Se o tucano Ataídes Oliveira tiver a coragem de convocar os lobistas Mauro e Cristina Marcondes para que expliquem os repasses de R$ 2,4 milhões ao filho de Lula, ele pode aproveitar a oportunidade e questionar o casal sobre outros temas. Uma sugestão do Antagonista é que pergunte a Mauro e Cristina se fizeram lobby no contrato de mais de US$ 5 bilhões firmado pela FAB com a fabricante sueca Saab para a compra de 36 caças Gripen NG.

Os argumentos de Janot para manter Esteves e Diogo na cadeia

Na petição ao STF, em que pediu a conversão da prisão temporária de André Esteves em preventiva, Rodrigo Janot alegou que a conduta do banqueiro representa "ofensa gravíssima à ordem pública". Para Janot, Esteves "tem claro interesse em que não venham à tona colaborações premiadas" que o vinculem "a fatos criminosos apurados na Operação Lava Jato". Quanto a Diogo Ferreira, o Procurador Geral da República argumenta que "os objetos apreendidos" com o chefe de gabinete de Delcídio Amaral "demonstram a densa participação dele no embaraço à investigação do crime de organização criminosa e no auxílio ao senador para explorar seu prestígio perante ministros do STF". Reparem nessa última parte: Janot diz que objetos apreendidos com Diogo demonstram sua participação no auxílio a Delcídio "para explorar seu prestígio perante ministros do STF". O argumento de Janot sugere que o senador cumpriu as promessas que fez na conversa gravada por Bernardo Cerveró. A agenda do chefe de gabinete de Delcídio é uma bomba atômica.

O governo sueco vai ter de matar a Saab

No início de 2014, eu, Mario, fui a Estocolmo, pela Veja, para entrevistar o CEO da Saab, Hâkan Buskhe, depois do anúncio de que a empresa sueca havia vencido a concorrência para fornecer caças militares ao Brasil, um negócio de 4,5 bilhões de dólares.
Leiam o que ele me respondeu:
Veja -- Boa parte dos negócios da Saab é feita com países emergentes. A empresa enfrenta problemas de corrupção com essa clientela?
Hâkan Buskhe -- No ramo em que atuamos, é inegável que aparecem questões éticas. Seria tolo afirmar que não há esse problema. Mas o nosso grau de tolerância com corrupção é zero, somos de uma rigidez absoluta. Acho ótimo, aliás, que sejam feitas avaliações internacionais de honestidade empresarial, porque se trata de uma ação educativa, e nós sempre nos saímos muito bem. É importante deixar claro, ainda, que, se nós fizéssemos algo de errado, o governo sueco simplesmente nos mataria, porque precisamos do seu aval para exportar equipamentos militares, e a Suécia tem uma imagem imaculada de honestidade, não importa o tipo de negócio. Para que o rei sueco empreste o seu selo de qualidade e prestígio a uma mercadoria, é necessário que haja total transparência por parte de quem a produz, que se sigam estritamente as regras. Para mim, como CEO, é perfeito. Nós também somos signatários do Pacto Global da Organização das Nações Unidas, que congrega firmas empenhadas em trabalhar dentro dos princípios dos direitos humanos e sem nenhum esquema de corrupção. Ah, sim, se a sua próxima questão for se houve pedido de propina no Brasil, adianto que não.
Pelo jeito, o governo sueco vai ter de matar a Saab. (O Antagonista)

Caso BTG pode virar guerra de dossiês

No pedido de conversão da prisão de André Esteves, a Procuradoria Geral da República informa que a Polícia Federal encontrou na casa de Diogo Ferreira, chefe de gabinete de Delcídio Amaral, uma anotação sobre suposto pagamento do BTG a Eduardo Cunha e a Milton Lyra, conhecido operador de Renan Calheiros. Esteves teria desembolsado R$ 45 milhões pela aprovação de emenda à Medida Provisória 608, que trata da extinção de dívidas de bancos ou sua conversão em ações, com o objetivo de preservar o "regular funcionamento do sistema financeiro". A anotação sobre o pagamento é literal: "Em troca de uma emenda à Medida Provisória número 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de R$ 45 milhões. Depois que tudo deu certo, Milton Lyra fez um jantar pra festejar." Esteves teria participado do encontro. A PGR afirma ainda que o dinheiro seria distribuído a outros peemedebistas. Milton Lyra, o Miltinho, é apontado como operador do presidente do Senado nos fundos de pensão, especialmente no Postalis. Em agosto, uma reportagem de Época falava, curiosamente, de uma articulação de Cunha contra Miltinho para atingir Renan. O presidente da Câmara estava disposto a convocar o operador para depor na CPI dos Fundos de Pensão. A matéria falava também de um apartamento de R$ 25 milhões que Miltinho teria comprado por meio de uma offshore. O Antagonista sente o cheiro de uma guerra de dossiês.

O "selo" anticorrupção da ONU não vale nada

O pacto global da ONU que reúne empresas dispostas a combater a corrupção, citado com orgulho pelo CEO da Saab, Hâkan Buskhe, é o mesmo que o BTG de André Esteves assinou. Esse selo da ONU não vale nada, mas deve custar um bocado.

A família real de Campo Grande

A festa de debutante da filha de Delcídio Amaral, em maio de 2011, mereceu os comentários entusiasmados de um colunista social de Campo Grande, Fernando Soares: “Maria Eugênia Amaral, carinhosamente chamada de Gigi, celebrou seus 15 anos na casa que teria capacidade para abrigar os 700 amigos da família. Na noite de sábado, a caçula do senador Delcídio e de Maika do Amaral fez a noite mais vibrante e intensa dos últimos tempos. Noite esta que ficará marcada na memória social de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Não apenas pela natural suntuosidade que sugeria a atmosfera, mas pela singular energia que emanava em cada pedacinho da festa. Parecia mágica. Num estonteante vestido, na parte de cima, inteiro em Cristais Givenchy, com saia em tufos de tule dourado com pastilha de paetês, confeccionado por Júnior Santaella especialmente para ela, Maria Eugênia parecia flutuar”. E mais: “O cardápio de Maria Adelaide Noronha, do Yotedy, também impressionou em especial pelos ouriços de cream cheese com camarão e as tilápias ao duo de queijos e creme de limão. Foram mais de 120 garrafas de uísque Johnnie Walker e 240 de champanhe Veuve Clicquot”. E mais: “Maria Eugênia ganhou surpresinhas ao longo da noite... Dentre elas, brincos, anéis e pulseiras de ouro e brilhantes. Depois veio o show, entrou em cena um dos mais eletrizantes DJs que já esteve em Campo Grande, Fabiano Salles, residente da internacional Pink Elephant Club”. E mais: “Sabem quantos chefs prepararam os canapés? 06 chefs. Os convidados puderam escolher entre mais de 30 tipos de iguarias". E para terminar: “A nobreza inglesa que me perdoe, mas aqui em Campo Grande essa festa da Maria Eugênia Amaral não ficou devendo quase nada ao servido naquele chamado ‘casamento do século’, que eles fizeram na Inglaterra”. 


Rei, rainha e duas princesas

Ministro do STF decreta prisão preventiva do banqueiro André Esteves, dono do BTG


O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, converteu neste domingo as prisões temporárias de Diogo Ferreira, chefe de gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS), e do banqueiro André Esteves, em prisões preventivas. A decisão foi tomada a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. De acordo com o ministro, o material coletado nas buscas e apreensões e os depoimentos colhidos no decorrer das prisões temporárias permitiram o preenchimento dos requisitos para a decretação das prisões preventivas. De acordo com o artigo 312 do Código do Processo Penal, esses requisitos são: garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. Na terça-feira, Ferreira e Esteves tiveram prisões temporárias decretadas por Zavascki. A duração desse tipo de prisão é de cinco dias, que venceram hoje. Agora, os dois continuarão presos por tempo indeterminado. A transformação da prisão temporária em prisão preventiva é indicativo forte de que o banqueiro André Esteves está altamente envolvido nas investigações da Operação Lava Jato. Ele é uma dessas fortunas que cresceram extraordinariamente durante o regime petralha, que agora desanda.

Minha Casa Minha Vida é alvo de mais de 300 inquéritos


Nos moldes de esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato, o maior programa de habitação popular do país, o Minha Casa Minha Vida, tem sofrido com organizações criminosas de empreiteiras de médio porte que se associam em cartéis para burlar concorrências, superfaturar obras, repassar propinas a agentes públicos e irrigar campanhas políticas com desvio de verba pública. A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União já descobriram quatro casos como esse em três Estados. As fraudes ao programa, cujo orçamento já atingiu R$ 278 bilhões, são tantas que provocaram a abertura de mais de 300 ações, de acordo com um levantamento feito pelo grupo de trabalho do Ministério Público Federal dedicado ao tema. As denúncias envolvem ainda irregularidades na escolha de beneficiários, custo excessivo, baixa qualidade de casas, repasses de dinheiro público sem o cumprimento dos serviços ou mesmo sem garantia. "Vemos que o programa abriu portas para a corrupção e o gasto desenfreado de dinheiro público", afirma Edilson Vitorelli, procurador-chefe do grupo de trabalho sobre o Minha Casa. Foi identificado o enredo no Rio Grande do Sul, no Acre e em Minas Gerais, Estados onde projetos investigados somam mais de 4 mil unidades. Quando os envelopes de uma licitação para construção de 336 casas na cidade gaúcha de Novo Hamburgo foram abertos, em agosto de 2012, os promotores do Ministério Público já sabiam quem ganharia. Nos meses que antecederam a licitação, acompanharam a negociação por escuta telefônica de seis empreiteiros que formavam cartel e organizavam a fraude da concorrência pública. Um deles afirmava estar disposto a “comprar a noiva” — o que, segundo os investigadores, significava pagar entre R$ 60 mil e R$ 80 mil para outras empresas desistirem do negócio de R$ 18 milhões. Outros comemoravam o fato de o preço por metro quadrado estar acima da média, e acertavam que o valor ofertado seria apenas cerca de R$ 1 mil abaixo do teto estabelecido. Naquele momento, o então prefeito era candidato à reeleição. O empresário “vencedor” da concorrência entregou R$ 300 mil à então diretora de Licitações da prefeitura, que garantiria as condições favoráveis do contrato em troca do repasse para a campanha municipal. A investigação virou processo, ainda sem julgamento. As reclamações mais triviais entre os beneficiários do programa conduziram os investigadores do Ministério Público Federal, da Policia Federal e da CGU a um esquema milionário de desvio de dinheiro público envolvendo cartel de empresários e vereadores no leste de Minas Gerais. Os moradores das 400 casas nos municípios mineiros de Durandé e Martins Soares relatavam que o material de suas residências era péssimo. O fato chamou a atenção dos procuradores, que acabaram descobrindo que a entidade responsável pelas moradias operava em conluio com um cartel de empresas da construção civil, que forneciam os piores produtos a um custo pelo menos 10% maior do que os vistos no mercado. Os beneficiários eram escolhidos entre eleitores e cabos eleitorais de dois vereadores, que ignoravam os critérios de vulnerabilidade social estabelecidos pelo Ministério das Cidades, que gerencia o programa. A quadrilha ainda cobrava uma taxa ilegal de dois salários mínimos como se fossem custos do financiamento. "Verificamos que o programa foi usado com finalidade política e para enriquecimento ilícito. Não provamos que os funcionários da Caixa tiveram conduta dolosa, mas houve negligência na fiscalização de quem recebia as casas, do serviço feito. A Caixa não exigiu nem nota fiscal", afirmou o procurador Lucas Gualtieri, um dos responsáveis pela Operação Tyrannos, que prendeu, na semana passada, os dois vereadores e mais 11 pessoas envolvidas no esquema; no total, o grupo obteve R$ 56 milhões em contratos em 25 municípios, agora sob investigação. Ainda em Minas Gerais, outra investigação revelou o cartel de três empreiteiras que atuava em obras do programa em Lavras. A quadrilha era formada por empresários da construção civil e servidores públicos municipais, além de funcionários da Caixa. As investigações, que transcorrem em segredo de Justiça, já indicaram que os suspeitos direcionavam licitações e superfaturaram as obras. No Acre, há alguns dias, a Justiça Federal aceitou a denúncia contra 16 empreiteiros e três funcionários públicos — entre eles o então secretário estadual de Habitação — por fraude e cartel na construção de três mil casas em bairro de Rio Branco batizado de Cidade do Povo. "A investigação mostra que os servidores chamaram as empresas que preferiam e repartiram a obra. Diziam que era importante para a eleição (do governador Tião Viana)", afirma o procurador Marino Lucianelli Neto, do Acre, que ainda investiga se houve repasses de propina a políticos ou campanhas eleitorais. 

Inquérito ganha fôlego com prisão de Delcídio


A prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), a apreensão de novos documentos na operação e a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró vão dar novo impulso ao maior inquérito da Lava-Jato aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar autoridades com foro privilegiado. Instaurado há quase nove meses, o inquérito investiga 39 pessoas e é considerado o principal dentre os autorizados pelo STF por conectar os políticos citados num mesmo crime: o de formação de quadrilha. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acredita que os documentos recolhidos por ocasião da detenção do senador vão fornecer informações novas ao inquérito, assim como a delação premiada de Cerveró, fechada no último dia 18. O cerne desse inquérito-mãe é detalhar a participação dos partidos nas diretorias da Petrobras e apurar se parlamentares agiram em quadrilha para se beneficiar dos desvios da estatal. A investigação será a oportunidade para o STF decidir, quando houver denúncia, se as autoridades integraram organização criminosa. O PT controlou a Diretoria de Serviços; o PMDB, a Diretoria Internacional; e o PP, a Diretoria de Abastecimento. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, denunciado e preso em Curitiba, foi incluído no inquérito no STF para avançar na apuração sobre a participação de parlamentares petistas. A cúpula do PMDB no Senado — o presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), Edison Lobão (MA), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO) — também é investigada, suspeita de agir no Congresso para garantir apoio ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e de controlar a área internacional. O PP tem 31 dos 39 investigados no inquérito, entre eles o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI). O lobista Fernando Baiano, operador do PMDB, integra o grupo dos 39. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu conectar os procedimentos relacionados a Delcídio a esse inquérito-mãe. “Os fatos tratados são conexos com os fatos que constituem o objeto do inquérito número 3989 e que envolvem diversos parlamentares em esquema criminoso montado dentro da Petrobras, com pagamentos periódicos de propina. Esse esquema se instaurou especialmente na Diretoria de Abastecimento, na Diretoria de Serviços e na Diretoria Internacional da Petrobras e contava com a participação de grupos de políticos ligados a pelo menos três partidos: PT, PMDB e PP”, escreveu o procurador-geral nos pedidos de busca autorizados pelo STF na semana passada. Janot ressaltou como a delação de Cerveró vai contribuir para as investigações: “Os fatos relatados por Nestor Cerveró em sua colaboração, na qualidade de ex-diretor da Diretoria Internacional, são de enorme relevância para as investigações do inquérito 3989.” As buscas feitas na casa e no gabinete de Delcídio no Senado, e as apreensões relacionadas aos outros investigados, “também permitirão colher outros elementos que reforcem a participação deles e de terceiros no esquema de corrupção instalado na Petrobras”, em especial o que é investigado no inquérito 3989. Delcídio foi preso na quarta-feira por decisão do STF. Em conversa gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo, o senador prometeu interceder junto ao STF pela liberdade do ex-diretor e discutiu um plano de fuga para Cerveró. Delcídio prometeu ainda o pagamento de R$ 4 milhões em honorários para o advogado Edson Ribeiro e uma mesada de R$ 50 mil para a família do ex-diretor, que seria paga pelo banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Ribeiro e Esteves foram presos. O objetivo do senador e do banqueiro, conforme as provas recolhidas pela PGR, era livrarem-se da delação de Cerveró. Do áudio gravado por Bernardo, Delcídio afirmou que, no rascunho da delação, há citação a Renan e ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA) como beneficiários de recursos desviados. O impulso novo ao inquérito ocorre num momento em que a PGR já decidiu promover arquivamentos em relação a alguns dos parlamentares citados, segundo fontes com acesso às investigações. Faltam provas sobre o envolvimento de todos os investigados. Boa parte dos políticos do PP, por exemplo, foi incluída no inquérito devido a citações do doleiro Alberto Youssef de que eles recebiam mesada do esquema. Em depoimento em julho, porém, o doleiro deixou de dar detalhes sobre como seria o suposto recebimento de propina. Youssef citou como único motivo para tê-los incluído o fato de constarem em uma lista que lhe era repassada pela cúpula do partido. Questionado no depoimento se os nomes de outros deputados poderiam ter sido incluídos só para que a cúpula recebesse mais repasses, o doleiro disse que não se pode duvidar disso. “Dessa gente pode-se esperar tudo”, registra o termo de depoimento do doleiro. 

Eduardo Cunha e Esteves: reunião secreta


Há três semanas, um encontro secreto juntou Eduardo Cunha e André Esteves no Rio de Janeiro. Reuniram-se na casa de um ex-executivo de Eike Batista, no Jardim Pernambuco. A conversa foi longa. A PF trabalha com essa informação.

Odebrecht processa Petrobras por causa de Pasadena


A UTC não é a única empreiteira encrencada na Lava-Jato a processar a Petrobras. Agora, é a vez da Odebrecht, que entrou há duas semanas com uma ação de cobrança contra a estatal na Justiça do Rio de Janeiro. O motivo? Pasadena. A empreiteira afirma que as obras feitas em 2011 na refinaria não foram pagas, apesar de aprovadas pela empresa. Quer receber US$ 14,4 milhões, mais juros e correção monetária.

Repatriação de divisas: o encontro secreto entre Ricardo Teixeira e Delcídio


Duas semanas atrás, sem alarde, Ricardo Teixeira pousou em Brasília para uma reunião no próprio hangar do aeroporto JK. Encontrou-se com Delcídio Amaral para entender como andava a tramitação do processo de repatriação de divisas no Senado.

Além da Alpargatas, os Batista, da JBS, compraram uma fazenda da Camargo Corrêa


Não foi só a compra a Alpargatas que uniu nos últimos temos a Camargo Corrêa e a família Batista, dona da JBS. Os Batista compraram recentemente das herdeiras de Sebastião Camargo a fazenda Arrossensal, um latifúndio de setenta mil hectares, vinte mil cabeças de gado e plantação de soja no norte do Mato Grosso.

Bumlai, o "Zé" de Lula e Delcídio


Assim como chamava Paulo Roberto Costa de o “amigo Paulinho”, Lula trata na intimidade José Carlos Bumlai de "Zé". A propósito, é como Delcídio do Amaral também o chama.

Renato Duque envolve TCU em sua delação premiada


Na negociação de sua delação premiada, Renato Duque Renato Duque detalha o pagamento de propinas no TCU para deixar passar obras na Petrobras.

Defesa de Esteves entra com petição ao STF para libertar o banqueiro

Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de André Esteves está dando entrada agora no STF com uma petição para libertar o banqueiro do BTG Pactual. A prisão temporária de Esteves termina a meia noite de hoje, mas o criminalista quer se antecipar a um possível novo pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República. Kakai, na petição que será analisada pelo ministro Teori Zavascki, argumenta que o motivo alegado pela PGR para prender Esteves não existiria - ou seja, Esteves garante não ter cópias da delação premiada de Nestor Cerveró, conforme dito na gravação que levou Delcídio Amaral a também ser preso.

Supremo investiga 67 parlamentares citados na Lava Jato

Oito meses após a abertura dos primeiros inquéritos contra políticos sob suspeita de envolvimento na Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal contabiliza, pelo menos, 67 investigados na Corte por suposto envolvimento nos esquemas de corrupção na Petrobrás. Na lista, estão um ministro de Estado (Edinho Silva, da Comunicação Social), um ministro do Tribunal de Contas da União (Raimundo Carreiro), 13 senadores e 23 deputados federais. Alguns estão no alvo por mais de um fato criminoso. A primeira leva de inquéritos na Corte, com 49 nomes, se tornou pública nos primeiros dias de março deste ano. De lá para cá, o grupo de trabalho formado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, avançou em denúncias contra 13 pessoas, sendo cinco parlamentares: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Benedito de Lira (PP-AL) e os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Nelson Meurer (PP-PR). Oferecida a denúncia, cabe agora ao STF decidir se abre uma ação penal e torna réus os investigados. As primeiras denúncias, de Cunha e Collor, vieram em agosto. Entre os investigadores, o prazo de cinco meses entre a abertura de inquérito e o oferecimento da acusação formal é considerado célere. Além das delações premiadas que embasaram o início das investigações – de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, e do doleiro Alberto Youssef –, novos delatores e quebras de sigilo bancário e fiscal engordaram o material da Procuradoria. A denúncia de Collor é mantida em sigilo até hoje, por conter trechos de depoimento do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da empresa UTC. O Supremo não deve ter tempo hábil de dar ainda neste ano o primeiro passo no julgamento de políticos: o recebimento da denúncia. Defesa e Ministério Público têm prazos legais para manifestações. Os advogados de Collor e de Cunha, por exemplo, conseguiram ganhar tempo na Corte, com prazo em dobro para resposta. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, assim como o assessor do congressista, Diogo Ferreira, e o advogado Edson Ribeiro, presos por tentativa de obstrução das investigações, devem reforçar o rol de denunciados. No total, o Supremo tem, pelo menos, 33 inquéritos abertos. Uma investigação foi arquivada até o momento: a do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), por falta de provas, segundo a Procuradoria. O número é subestimado em razão dos chamados “inquéritos ocultos” – peças que, apesar de estarem em andamento, não existem no sistema eletrônico do tribunal e ficam acessíveis a um número restrito de servidores do gabinete do discreto ministro Teori Zavascki, o relator da Lava Jato no Supremo. No grupo de inquéritos ocultos estão o do ministro Edinho Silva, além da investigação sobre o ministro do TCU, Raimundo Carreiro, e do advogado Tiago Cedraz, filho do presidente da Corte de Contas, Aroldo Cedraz. Na maioria das outras peças, sem denúncia, a Polícia Federal pediu no início do mês a prorrogação do prazo para investigações. É o caso do inquérito que investiga o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os desdobramentos das investigações que não possuem relação direta com o esquema de corrupção na Petrobrás são distribuídos para relatoria de outros ministros. É o caso do inquérito que investiga o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Ambos foram citados na delação de Ricardo Pessoa e são suspeitos de uso de caixa 2 eleitoral, sem relação com a Petrobrás. O ministro Dias Toffoli recebeu outro desdobramento da Lava Jato, relativo a suposta fraude no Ministério do Planejamento com investigação da senadora Gleisi Hoffman (PT-PR). 

(OE)

Mulheres concorrem pela primeira vez às eleições na Arábia Saudita



Pela primeira vez as mulheres participam como candidatas em uma campanha eleitoral na Arábia Saudita, país ultraconservador do Golfo onde elas seguem submetidas a inúmeras restrições civis e políticas. Precedidas de uma campanha de 12 dias, as eleições municipais de 12 de dezembro são as primeiras da história do País abertas às mulheres como eleitoras e candidatas. "Essas eleições nos darão confiança. Se queremos desenvolver ou reformar nosso país, temos que colocar as mulheres em todos os níveis de decisão", afirma Nasima al-Sadah, candidata em Qatif (leste do país). O desafio é imenso neste reino que aplica uma versão rigorosa do islã. A Arábia Saudita não tem sequer uma ministra e é o único país do mundo em que as mulheres não têm o direito de dirigir. Também só podem sair em público se estiverem cobertas dos pés à cabeça, não podem trabalhar, casar ou viajar sem a autorização do marido ou de um homem da família. Também não podem comer sozinhas em restaurantes. Ainda assim, o rei Abdallah ensaiou durante seu reinado de dez anos (2005-2015) um tímido processo de abertura. Após organizar as primeiras eleições municipais, Abdallah outorgou em 2011 às mulheres o direito ao voto e à elegibilidade. Dois anos depois, nomeou mulheres para o Majlis as-Shura, um conselho consultivo. Sadah parece satisfeita com o número de mulheres candidatas às municipais, mas lamenta o "pequeno número" de eleitoras. Ao todo, 900 mulheres figuram entre os 7.000 candidatos que competem por 284 conselhos municipais, segundo números da comissão eleitoral. Mas apenas 130.600 mulheres se inscreveram nas listas eleitorais diante de mais de 1,35 milhão de homens, em uma população de 21 milhões de habitantes. Algumas mulheres lamentam os obstáculos burocráticos e a ignorância sobre a importância do processo eleitoral. "Foi muito difícil me candidatar [como eleitora]," e "tive que ir várias vezes para que meu nome fosse inscrito", conta Sahar Hasan Nasief, que concorrerá pela região de Yedá (oeste). Ainda assim, esta professora universitária aposentada estima que esta é "uma das primeiras etapas a favor dos direitos das mulheres" e conta que até mesmo sua mãe, de 95 anos, se inscreveu para votar. As candidatas têm um obstáculo a mais que os homens, já que a proibição de se misturar no reino as impede de falar com os eleitores do sexo oposto, sobretudo nos comícios. Por exemplo, Sadah poderá falar frente a frente com suas eleitoras, mas será seu porta-voz que dirigirá uma reunião pública para os homens. "Para nós é muito difícil chegar até nossos eleitores", ressaltou a candidata. Para tornarem-se conhecidas, deverão fazer uma campanha forte pelo Twitter e pelo Facebook. Também poderão usar cartazes e distribuir panfletos, mas está proibido para as mulheres e os homens exibir suas fotos. "Não posso prever minhas possibilidades de ganhar, mas farei meu melhor esforço", declarou Safinaz Abu-Alshamat, uma candidata de 33 anos na região de Meca. "Sinceramente, já seria uma surpresa imensa se uma só mulher for eleita", estimou um diplomata ocidental. Sadah acredita que pode sair vitoriosa, já que diz ter estabelecido uma relação de confiança com os eleitores de sua circunscrição. "Acreditam em mim", garante. Mesmo se for eleita, não terá muito poder: as competências dos conselhos municipais se limitam à manutenção das ruas e parques, assim como a coleta de lixo.

Justiça Federal condena Celso Russomanno por peculato


O deputado federal e apresentador de TV Celso Russomanno (PRB-SP) foi condenado a dois anos e dois meses de prisão –convertidos em penas alternativas– por ter nomeado como funcionária de seu gabinete, entre 1997 e 2001, a gerente de sua produtora de vídeo, a Night and Day Promoções. Segundo a Justiça Federal, Sandra de Jesus recebia salário como assessora pela Câmara dos Deputados, mas trabalhava de fato na empresa de Russomanno. O caso é semelhante a um novo episódio noticiado pela Folha nesta semana. No atual mandato, o deputado federal nomeou como funcionários de seu gabinete cinco pessoas que atuam em sua ONG em São Paulo, o Inadec (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor). Uma diferença, porém, é que a ONG, estatutariamente, não tem fins lucrativos, mas também é uma entidade particular. O deputado foi condenado por peculato (apropriação de bem público), em fevereiro de 2014, pela Justiça Federal no Distrito Federal. Russomanno recorreu e o caso seguiu para o STF (Supremo Tribunal Federal), devido ao foro privilegiado do parlamentar. No mês passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que o deputado seja ouvido no âmbito do recurso. No processo, Russomanno negou ilegalidade, e disse que a funcionária atendia consumidores em seu gabinete político em São Paulo  – que funcionava no mesmo endereço de sua produtora – e cuidava da emissão de passagens aéreas. Porém, várias testemunhas e documentos comprovaram que Sandra de Jesus, depois de nomeada para o gabinete do deputado, continuou a ser gerente da empresa. Ela assinava, por exemplo, as carteiras de trabalho de funcionários da produtora. Além disso, segundo o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, ainda que Sandra atendesse a consumidores com queixas, essa atividade tinha de ser vista com ressalva. "Mesmo a atividade de atendimento ao consumidor, conquanto tenha alto grau social e de benefício à população, não pode ser reputada atividade parlamentar típica e exclusiva. Trata-se de um misto de atividade parlamentar, jornalística e empresarial", afirma a sentença. "[Russomanno] Ao mesmo tempo aufere vantagem de alguma maneira com o programa, porque colhe das pessoas atendidas gratuitamente o material humano e a matéria para a audiência na TV". O magistrado conclui: "[...] Valendo-se da qualidade de deputado federal, o réu concorreu para que fosse desviado dinheiro público em proveito de Sandra de Jesus e indiretamente dele próprio, já que a União passou a remunerar pessoa cujo encargo seria da empresa". Após a acusação, destaca a sentença, o deputado devolveu cerca de R$ 700 mil de verba de gabinete de seus mandatos entre 2001 e 2009, o que, para o juiz, minimizou a acusação contra ele. A pena de prisão foi convertida em 790 horas de trabalho comunitário e pagamento de 25 cestas básicas.

Justiça manda esvaziar hidrelétrica como medida de prevenção


A Justiça mineira determinou, na noite desta sexta-feira (27), que a mineradora Samarco tome medidas de prevenção para o caso de novo rompimento de barragens em Mariana (MG), inclusive, com esvaziamento de uma hidrelétrica usada pela Vale. Além da barragem de Fundão, que se rompeu em 5 de novembro e deixou um rastro de destruição que alcançou o litoral do Espírito Santo, outras duas estruturas estão estáveis e recebem obras de reforços: as barragens de Santarém e Germano. Na decisão, a 1ª Vara da Fazenda Pública de Minas impõe que a Samarco apresente em três dias uma projeção atualizada de possíveis cenários no caso de novos desastres, com previsão de consequências e medidas emergenciais a serem adotadas. O documento deve ser encaminhado ao Estado e ao DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). Também pede que a mineradora arque com os custos de esvaziamento da usina hidrelétrica Risoleta Neves, localizada em Santa Cruz do Escalvado, a 100 km de distância. A usina é de propriedade do consórcio Candonga, formado pela Vale e pela fabricante de alumínio Novelis, também citado na ação. Ela recebe água do rio Doce, que levou os rejeitos de lama da barragem até o mar, em Linhares (ES), causando desabastecimento em cidades como Governador Valadares (MG) e Colatina (ES), e não funciona desde o dia 5. A decisão judicial determina que o consórcio esvazie a hidrelétrica em dois dias e utilize sua estrutura para conter o fluxo de rejeito em caso de rompimento das barragens. Em caso de descumprimento, as empresas serão multadas diariamente em R$ 1 milhão. A Vale também é dona da Samarco, em sociedade com a mineradora anglo-australiana BHP Billiton. 


No último dia 21, a Folha revelou que o plano de emergência da mineradora para Fundão não previa estratégia para alertar aos moradores do subdistrito de Bento Rodrigues no caso de um eventual rompimento, o que destoa da legislação federal. O pedido da Justiça foi feito pelo governo de Minas e pelo Ministério Público, a partir de laudos que apontam o comprometimento das estruturas de Santarém e Germano. 

Não há grande alternativa política no país, diz assessor da Presidência


A crise política no Brasil afeta hoje o PT, mas demonstra ao mesmo tempo que não há uma alternativa política no país, avalia o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. A análise foi feita por ele em conversa com jornalistas brasileiros neste sábado (28) em Paris, onde integra a comitiva da presidente Dilma Rousseff. Garcia integra o governo petista desde o início do primeiro governo Lula, em 2003. Ao ser questionado se hoje sente um momento de maior pressão desde aquela época, ele respondeu: "Não, é o momento difícil para a política no Brasil. Afetando a política, afeta o PT. Mas não existe grande alternativa política no Brasil. Acho que o sistema político no seu conjunto está muito afetado", afirmou Garcia. "Não é que não tenha líder, o que não tenho visto são alternativas. O problema é saber como superar problemas estruturais. O presidencialismo de coalizão com o qual trabalhamos vai longe? Eu acho que não", disse. Dilma Rousseff evitou a imprensa ao chegar a Paris. Ela entrou de carro pelas portas dos fundos do luxuoso 5 estrelas Le Bristol, onde ficará hospedada por dois dias. A programação oficial até a manhã deste sábado (28) não previa compromissos oficiais no fim de semana, apenas na segunda (30), quando ela participa da abertura da COP21, a Conferência do Clima da ONU, ao lado de outros chefes de Estado. De última hora, após a chegada de Dilma ao hotel, sua assessoria informou que ela terá encontros bilaterais neste domingo (29) com os chefes de Estado de Noruega, Bolívia, Equador e do Caricom (Comunidade do Caribe).

Eduardo Cunha que se dane

Segundo a Folha de S. Paulo, Eduardo Cunha “tem afirmado nos bastidores que, se o projeto de alteração da meta fiscal de 2015 não for votado na semana que vem, será ‘obrigado’ a aceitar a tese de que as pedaladas continuaram”. Eduardo Cunha que se dane.

A senadora fatiada

O PT é incorrigível. Segundo a Folha de S. Paulo, Delcídio Amaral deverá ser substituído na presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado por Gleisi Hoffmann, a senadora fatiada pelo STF. Só não se sabe se isso ocorrerá antes ou depois da prisão de seu marido, Paulo Bernardo.

Delcídio é uma exceção

Um parlamentar petista disse à Folha de S. Paulo que a nota de Rui Falcão sobre a prisão de Delcídio Amaral foi “desastrosa”, porque "trouxe para dentro do PT uma agenda perigosíssima e contraditória". Ao abandonar Delcídio Amaral, "o PT perde o discurso que adotou até agora: o de que todos, sem exceção, têm o direito de se defender". Na verdade, o discurso que o PT adotou até agora foi outro: o de que todos os petistas, sem exceção, têm o direito de roubar.

Os grampos de Delcídio

Ricardo Noblat, de O Globo, contou que, “antes de ser preso, Delcídio Amaral estava grampeado com autorização da Justiça”. Ele contou também que a Polícia Federal “tem outras conversas dele gravadas - inclusive com um ministro do STF”.

A derrota nacional

Josias de Souza resumiu perfeitamente a semana: "Delcídio tentou silenciar Nestor Cerveró, que coordenou a compra de Pasadena, que foi avalizada por Dilma, que era a bambambã do governo Lula, que é amigão de José Carlos Bumlai, que é pai de Fernando Barros Bumlai, que é marido de Neca Chaves Bumlai, que é filha de Pedro Chaves dos Santos, que é suplente de Delcídio, que monitorava os humores de Bumlai a pedido de Lula, que não sabia de nada. Um país inteiro tem que cair para salvar a pantomima. Só a derrota nacional salva o grupo hegemônico".

Foco em Lula

Os procuradores da Lava Jato, segundo a Época, acreditam que Lula “se tornou um alvo possível na investigação”. A reportagem continua: “Há três meses, imaginavam que focar a investigação em Lula causaria tumulto excessivo. De lá para cá, no entanto, jorraram elementos que o aproximaram dos crimes investigados”.

Feira é Feira

Por favor, releia os posts que publicamos em outubro sobre as mensagens apreendidas pela PF no celular de Marcelo Odebrecht. A reportagem da Veja sobre Delcídio Amaral mostra que estávamos certos. Mais cedo, reproduzimos mensagens do celular de Marcelo Odebrecht capturadas pela PF. Elas fazem referências ao financiamento pela empreiteira da campanha de Dilma Rousseff - no caixa 2 e, ao que tudo indica, com dinheiro roubado da Petrobras. Na mensagem abaixo, como já publicamos, "JEC" é José Eduardo Cardozo; "Vaca" é Vaccari; "Edinho" é Edinho Silva; "cta Suíça" é conta na Suíça; e "campanha dela" é campanha de Dilma Rousseff. Faltava saber quem era o "Feira", da frase "Liberar p/Feira pois meu pessoal não fica sabendo". Agora não falta mais. O Antagonista foi informado de que "Feira" era o codinome usado por Marcelo Odebrecht para referir-se a João Santana, o marqueteiro de Dilma. "Feira" vem de Feira de Santana. Marqueteiro Santana = cidade Santana. E também: A revelação de que “Feira”, citado na mensagem de Marcelo Odebrecht, é João Santana, fornece outras pistas sobre o esquema criminoso do PT. Sete meses atrás, a Folha de S. Paulo publicou que a PF estava investigando duas empresas de João Santana, que teriam sido usadas em uma operação de lavagem de 16 milhões de dólares para a campanha de Fernando Haddad, trazidos ilegalmente de Angola para o Brasil. Disse o jornal: “Uma das suspeitas dos policiais é que os recursos de Angola tenham sido pagos ao marqueteiro por empresas brasileiras que atuam no país africano”. Isso se encaixa perfeitamente à mensagem de Marcelo Odebrecht: “Liberar para Feira” e “Para Edinho a visão da conta toda inclusive o gasto com Haddad”. Decifrando: o dinheiro da Odebrecht pode ter entrado para a campanha de Dilma Rousseff através das empresas de João Santana em Angola, usando um esquema consolidado na campanha de Fernando Haddad.

"A culpa de tudo é aquela fdp"

A coluna Radar conta que Maika, a mulher de Delcídio Amaral, depois de sua prisão, ligou aos berros a um amigo de família, dizendo: "Eu avisei aquele fdf. Ele devia ter saído do PT há tempo". E, referindo-se a Dilma Rousseff, arrematou: "A culpa de tudo é aquela fdp".

Delcídio protegeu Luleco

A Veja, em sua reportagem de capa, publica mais três recados de Delcídio Amaral ao PT. O primeiro recado: ele agia sob o comando de Lula. Uma de suas missões recentes, que ele pode confirmar ao Ministério Público Federal caso o PT o abandone de vez, foi "impedir o depoimento de Mauro Marcondes, dono da empresa de lobby que repassou 2,4 milhões de reais" a Luleco.

Quem pagou a chantagem de Marcos Valério?

Delcídio Amaral também assoprou para a Veja o que ele tem a dizer sobre o mensalão. Quando Marcos Valério chantageou Lula, prometendo implicá-lo no mensalão, o PT comprou seu silêncio com uma fortuna depositada no exterior. Quem pagou? "Um protagonista do petrolão", respondeu Delcídio Amaral.

Os serviços prestados por Bumlai em Santo André

Lula entregou José Carlos Bumlai, dizendo que ele usou seu nome indevidamente. A Veja conta que Delcídio Amaral, num de seus últimos encontros com Lula, tentou dissuadi-lode adotar essa tática: "Presidente, a gente precisa enterrar com dignidade nossos mortos. O Bumlai tem uma extensa lista de serviços prestados, inclusive em Santo André". Ele se referia, é claro, ao pagamento da chantagem feita por Ronan Maria Pinto.

"Odebrecht pagou no Exterior pelos serviços prestados por João Santana"

A reportagem da Veja sobre Delcídio Amaral tem um relato que, se confirmado, aniquila o PT para sempre, em menos de dez minutos. Durante uma reunião no gabinete de Dilma Rousseff, em junho, Aloizio Mercadante disse que a prisão de Marcelo Odebrecht “era problema do Lula”. Terminada a reunião, Delcídio Amaral chamou Dilma Rousseff de lado e disse-lhe: "Presidente, a prisão também é um problema seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos serviços prestados por João Santana à sua campanha". Sim: o Feira. Sim: a Odebrecht. Sim: “O risco cta. Suíça chegar campanha dela” só pode querer dizer que a Odebrecht pagou o Feira com dinheiro depositado na Suíça.

Dilma sofre com o efeito Macri

Luis Diaz, secretário-geral do partido Ação Democrática, de oposição a Nicolás Maduro, foi assassinado durante um comício na quarta-feira. Dilma Rousseff, ora vejam só, condenou em nota o assassinato e pediu que Nicolás Maduro garantisse a lisura das eleições no dia 6. A petista vazou para a imprensa que está "incomodada" com o que ocorre na Venezuela. Mentira. Ela teme é que o novo presidente argentino Mauricio Macri cumpra a promessa de exigir que a Venezuela seja suspensa do Mercosul -- e com o apoio do Brasil, o que a colocaria numa tremenda saia justa com a esquerda latino-capadócia-americana. Na semana passada, Dilma Rousseff enviou Marco Aurélio "Top Top" Garcia a Caracas, para dizer a Maduro que ele deveria segurar a onda, mas, pelo jeito, o chofer de busão transformado em caudilho não deu ouvidos aos apelos petistas. O entourage de Mauricio Macri saudou com ironia a nota de Dilma Rousseff, com um "bem-vindo".

Do STF para o TSE

O Antagonista ouviu de líderes da oposição que eles esperam que seja dado, na semana que vem, um passo adiante no TSE, na ação de impugnação do mandato de Dilma Rousseff. O passo em questão é a autorização do STF para que cinco delações premiadas da Lava Jato possam ser compartilhadas com os ministros do tribunal eleitoral. As delações revelam o uso de dinheiro do petrolão nas campanhas de Dilma Rousseff.

Mães da Praça de Maio desrespeitam a democracia

Ainda sobre a Argentina, o Estadão noticia que a Associação das Mães da Praça de Maio convocaram um protesto contra Mauricio Macri. A presidente da associação, Hebe de Bonafini, aliada de Cristina Kirchner, o considera "inimigo". Como Macri ainda não assumiu, a verdade é que elas protestam contra a vitória nas urnas do opositor da "amiga". Essas senhoras desrespeitam os próprios mortos ao desrespeitar a democracia.

Corram, procuradores, corram

O Globo noticia que a Procuradoria Geral da República quer denunciar Delcídio Amaral, André Esteves e Edson Ribeiro até domingo, antes que vença o prazo de prisão temporária do banqueiro, amanhã à noite. Corram, procuradores, corram.

Não seja duck, Duque

Vera Magalhães, da Veja, publica que 'O Ministério Público Federal espera que a homologação da delação premiada de Nestor Cerveró “destrave' as tratativas com Renato Duque e Jorge Zelada, que também hesitavam em contar tudo o que sabem. Para a Procuradoria-Geral da República, a defesa dos três diretores da Petrobras agia de forma combinada, mas a reviravolta no caso Cerveró obrigará cada um a agir por si". Renato Duque já é veterano em Curitiba. Como insistimos em dizer, se não abrir a boca, e logo, vai pegar cana dura à toa. Não seja duck, Duque.


Renato Duque, esperando ajuda do PT

Ganhando a aposta

Em 8 de outubro, o Antagonista apostou que a OAB de Marcus Vinícius Furtado Coelho chegaria à conclusão de que não há motivos para o impeachment de Dilma Rousseff. Com isso, a entidade enfraqueceria o pedido de Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. O Conselho Federal da OAB só tomará a decisão na próxima quarta, mas já possui um parecer técnico recomendando que o pedido de impeachment da presidente não seja apoiado. Há dez anos, a entidade assumia postura parecida sobre a possibilidade do impeachment de Lula com base no escândalo do mensalão. Uma década depois, o Brasil colhe os frutos podres daquela decisão.

Dilma suspende viagem ao Japão, baixa decreto de corte de gastos e faz apelo dramático por ajuda do Congresso

A capa do jornal O Globo deste sábado revela bem o tipo de camisa de sete varas em que o País meteu-se depois que resolveu eleger por quatro vezes representantes do PT, encorpando seu conhecido DNA criminoso e sua reconhecida incapacidade. A crise desbordou novamente, assusta tremendamente o governo e assusta o Congresso e o STF, envolvendo todo mundo no mesmo furacão. Dilma Roussef, que ontem suspendeu em cima da hora viagens de chefe de Estado que faria ao Japão e ao Vietname neste final de semana, enfrenta assombrosa crise política, mas está além disto diante de um imbroglio orçamentário que ameaça paralisar seu governo. Ontem, a presidente baixou decreto bloqueando R$ 10 bilhões de gastos previstos orçamentariamente, mas não terá como enfrentar o rombo sem que o Congresso aprove rapidamente, mas muito rapidamente, a mudança das metas de déficit e superavit fiscal. Ela fez apelo dramático por ajuda do Congresso, que está paralisado desde a prisão do líder do governo, Delcídio Amaral. Para se reeleger, Dilma Rousseff comandou um governo que realizou despesas de maneira crescente, descontrolada, e sem autorização legal. Isso acabou gerando a incrível crise econômico-financeira, Em tudo isso ela foi coadjuvada pelo petista trotskista Arno Augustin. Este, por sua parte, aprendeu a "arte da pedalada" na escola dessa modalidade de política econômica esquerdopata, que é o auditoria externa do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.