quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Mulher de líder opositor venezuelano denuncia tentativa de homicídio


Lilian Tintori, esposa do líder opositor venezuelano Leopoldo López, condenado a quase 14 anos de prisão, denunciou nesta quinta-feira que tentaram matá-la no comício de campanha realizado ontem, em que um dirigente local da oposição foi assassinado. "Querem me matar", afirmou Tintori em entrevista coletiva. Ela responsabilizou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelo "atentado" da quarta-feira na cidade de Altagracia de Orituco, no estado de Guárico. Luis Manuel Díaz, líder local do partido Ação Democrática (AD), foi baleado e morto no comício da campanha para as eleições de 6 de dezembro em Altagracia de Orituco no momento em que Lilian se despedia dele, explicou a esposa de López. Ela relatou que estava pedindo à cantora venezuelana Rummy Oliveira que cantasse uma música para encerrar o comício quando se escutaram os disparos, que Tintori disse que foram "muito perto" dela e dos quais viu "as faíscas". Lilian contou ter escutado pelo menos dez disparos no momento em que se encontrava a "uns dois metros" do opositor que foi morto, quando estava se despedindo dos presentes. "Conferi meu corpo porque senti que me tinham me acertado, querem me matar", declarou Tintori. Antes do comício, a comitiva chegou à região procedentes do estado de Nueva Esparta em dois aviões. Uma das aeronave teve um problema mecânico ao aterrisar e se incendiou. Segundo Lilian, alguém "tirou os freios do pequeno avião", e, por isso, ela considera ter sofrido nesta quarta-feira "uma dupla tentativa de atentado" e anunciou que irá com seus advogados à procuradoria para denunciar os incidentes. 

Teori nega soltura de André Esteves


O ministro Teori Zavascki acaba de negar o pedido de revogação da prisão temporária do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. O advogado de Esteves, Antonio Carlos de Almeida Castro, havia entrado com o pedido sob a alegação de que os fundamentos que justificariam a prisão temporária –possibilidade de obstruir investigações ou de fuga– não mais existiriam.

Delcídio confessa à Polícia Federal: “Peidei, mas não fui eu”

Por Reinaldo Azevedo - O cantor, compositor e escritor Lobão tornou célebre uma camiseta em que se lê: “Peidei, mas não fui eu”. Ela traduz à perfeição, e de maneira bem humorada, os, como posso chamar?, borborigmos petistas que escapolem, que os companheiros confundem com uma ética.


Como resta claro e evidente, a fedentina toma conta do País, nós conhecemos os autores, mas eles insistem: “Não fui eu”; “Eu não sabia”; “Fui traído”; “Usaram o meu nome em vão” (este último é Lula, que acredita ter sido plagiado por Deus…). Muito bem! O senador petista Delcídio do Amaral (MS) prestou um depoimento de quatro horas à Polícia Federal, segundo informa seu advogado Maurício Silva Leite. E, como não poderia deixar de ser, confirmou ser sua voz a voz que aparece naquela impressionante gravação. Como todos sabemos, Delcídio trata longamente, com detalhes e sugestões, de um plano de fuga para Nestor Cerveró. Edson Ribeiro, então advogado do ex-diretor da Petrobras, também faz alegres digressões a respeito e demonstra a sua expertise na área, afirmando ter retirado antes outras pessoas do país. Uma lindeza. Mesmo assim, Leite, o advogado do senador, afirmou o óbvio: Delcídio reconhece a voz e o texto, mas se declara inocente. Como pode? Pois é… Bobo, Leite não é. Trata-se de uma tática da defesa, ora essa! Vamos lá: alguém dizer que pretende derrubar o Empire State Building e efetivamente derrubar o edifício são a mesma coisa? Bem, a resposta, obviamente, é “não”. Trata-se de começar a articular uma linha de defesa. É bem provável que Leite vá tentar demonstrar que o senador não tomou nenhuma providência para a execução do plano criminoso, que se tratava de meras conjecturas, que o próprio Delcídio acabou se deixando levar pela conversa, pontuada por estímulos dados também por aquele que fazia a gravação: Bernardo Cerveró, filho de Nestor. Vai colar? Bem, a mim me parece que essa é uma argumentação que já mira lá adiante, a hora da pena. Que Delcídio está lascado, isso está! Que vai ser denunciado ao Conselho de Ética do Senado, parece certo. Que é grande a chance de ser cassado, idem — hipótese em que seu caso iria parar lá na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba. Seja pelo STF, seja por Sérgio Moro, a condenação de Delcídio é fatal. Começou a estratégia de redução de danos. O advogado diz ainda que seu cliente não ofereceu um mensalão de R$ 50 mil a Netor Cerveró para que se calasse e não procedesse à delação premiada. Segundo Leite, tudo não passa de um grande equívoco, que vai ser esclarecido nesta sexta-feira. Que situação miserável a da política brasileira, não? Delcídio era considerado, assim, uma espécie de referência do petismo de qualidade. A seu modo, era um Demóstenes Torres com viés de esquerda. Quando as lambanças daquele vieram à luz, até os adversários se surpreenderam. O mesmo se dá com o petista. E é claro que terá o mesmo fim. Ainda que exista diferença entre falar sobre um plano, arquitetar um plano e executar um plano criminoso, Delcídio e seu advogado sabem que a coisa não custará barato. Eles só tentam pagar o menor preço dentro do possível.

Delcídio, chateado, confirma voz na gravação

Delcídio Amaral confirmou à Polícia Federal que a voz que está na gravação feita por Bernardo Cerveró é dele mesmo. O senador alegou, porém, que não ofereceu mesada de R$ 50 mil mensais à família de Nestor Cerveró para evitar sua delação premiada. O petista, que já é alvo de investigação no Supremo, prestou depoimento à Polícia Federal hoje à tarde por cerca de quatro horas. Seu advogado Maurício Silva Leite disse que Delcídio foi confrontado com trechos da gravação e deu sua versão para os fatos. "O senador está muito chateado, está aguardando sereno o desenrolar das investigações, mas tá muito preocupado com tudo isso que aconteceu", contou o advogado, que divulgará amanhã uma nota à imprensa.

E o bandido continua a ser pago por nós

Delcídio Amaral está de licença automática e por tempo indeterminado, segundo a Secretaria Geral da Mesa do Senado, Segundo o Senado, o petista está de licença com base no artigo 44 do Regimento Interno da Casa, que trata exatamente de uma licença específica para casos em que o senador está 'temporariamente privado de liberdade', ou seja, preso. Mesmo em detenção, continuará recendo salário de R$ 33,7 mil mensais por, pelo menos, quatro meses." Aos poucos, vamos descobrindo que somos roubados de todas as maneiras -- inclusive pelo regimento do Senado, que dá direito a um preso de continuar a receber salário do contribuinte. Ah, é porque na ditadura um parlamentar podia ser preso injustamente e então... Ah, é porque existe a presunção de inocência... A ditadura acabou há 30 anos. Quando à presunção de inocência, invertamos a regra no caso de um representante do povo, que teria de ser ainda mais inocente do que um cidadão comum, visto que é o cidadão comum que paga o seu salário: enquanto for suspeito, nada de dindim. Se provar que não é criminoso (o que será impossível no caso de Delcídio), recebe os atrasados, com um pedido de desculpas.

Samarco debocha da Justiça

O juiz Frederico Esteves Gonçalves, de Mariana, determinou o bloqueio judicial das contas da mineradora Samarco até o limite de R$ 300 milhões. O problema é que a Justiça só encontrou R$ 8 milhões nas contas. O resto do dinheiro sumiu. Em novo despacho, Gonçalves pede agora a retenção dos R$ 292 milhões restantes, inclusive em bens que sirvam de garantia. Em 31 de dezembro, segundo registros obtidos pelo juiz, a companhia tinha em caixa mais de R$ 2 bilhões. "Em outras palavras e em português claro: a requerida [Samarco] sumiu com o dinheiro, embora, em 31 de dezembro de 2014, tivesse em seu caixa mais de dois bilhões de reais, demonstrando, desde já, que, se, no futuro, vier a ser condenada em ações indenizatórias movidas pelas vítimas do acidente, não tem mesmo disposição alguma de suportar os efeitos de virtuais cumprimentos de sentenças”, escreveu o magistrado. É um escárnio.

Moro determina que Polícia Fedeal ouça Bumlai amanhã

A defesa de José Carlos Bumlai peticionou ao juiz Sérgio Moro a realização de uma audiência de custódia. O objetivo da defesa era que Bumlai pudesse ser ouvido logo pelo juiz, diante da demora da Polícia Federal para colher seu depoimento. O advogado Arnaldo Malheiros Filho alegou que a Polícia Fedeeral só queria ouvir Bumlai depois da análise do material apreendido na busca e apreensão, o que só deveria acontecer em dez dias. Moro não deferiu o pedido, explicando que audiências de custódia são utilizadas apenas em caso de prisão em flagrante ou para avaliar coação física ou moral, maus-tratos e outras irregularidades. O juiz, porém, determinou que o pecuarista seja ouvido pela Polícia Federal amanhã ou na segunda-feira, sem prejuízo de nova oitiva após exame do material apreendido.

A nova mansão de André Esteves

Teori Zavascki mandou transferir André Esteves para o presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro. Lá, as advogadas do banqueiro não poderão faxinar a cela do cliente.


A nova mansão de André Esteves

Polícia Federal indicia 19 na Zelotes

A Policia Federal indiciou 19 pessoas no inquérito que investiga a compra de medidas provisórias para beneficiar o setor automotivo. Entre os indiciados estão o lobista Alexandre Paes dos Santos, o ex-diretor de comunicação do Senado, Fernando Cesar Mesquita (personagem sempre ligado ao ex-presidente José Sarney) e a ex-secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Lytha Spíndola. Também foram indiciados representantes das empresas Caoa, da montadora Hyundai, e MMC, da Mitsubishi, por suspeita de corrupção ativa. A Polícia Federal decidiu desmembrar a investigação sobre os fatos envolvendo Luís Cláudio Lula da Silva e Gilberto Carvalho.

Sob ataque, BTG liga para Bradesco e UBS para conversar; sócios querem uma solução rápida

Por Geraldo Samor - Buscando uma solução rápida para o banco, os sócios do BTG Pactual contactaram ontem o Bradesco e o UBS para iniciar conversas que podem levar a uma venda do banco. O UBS é um velho conhecido do BTG. André Esteves vendeu o antigo Banco Pactual para o banco suíço em maio de 2006 e recomprou o negócio em 2009, quando deu ao banco o nome e a configuração que ele tem hoje. Bradesco e BTG sempre tiveram um relacionamento próximo. Antes de vender o Pactual ao UBS, Esteves chegou a negociar com o Bradesco uma transação que transformaria o Pactual no banco de investimentos da Cidade de Deus. Hoje, fundos geridos pelo Bradesco detêm 6,7 bilhões de reais dos 16 bilhões de reais em CDBs e outros títulos emitidos pelo BTG no mercado de capitais, o que faz da gestora do Bradesco o maior credor individual do BTG. No mercado, há dúvidas sobre como uma venda poderia ser operacionalizada nas atuais circunstâncias. Nas partnerships tradicionais — como os bancos Garantia e Pactual dos anos 90 — não era necessária a anuência prévia de um sócio para que os outros o tirassem da sociedade. Antes do IPO do BTG, no entanto, Esteves criou uma governança diferente, que lhe dá controle efetivo sobre o banco. Os sócios do BTG passaram o dia ontem tentando lidar com o cataclisma que se seguiu depois que Esteves, o fundador e principal acionista do banco, foi preso em conexão com a Operação Lava Jato. O crédito, o equity e a imagem do BTG estão sob ataque, e os sócios do banco sabem que sua posição negocial tende a ser maior se agirem rápido. A dívida do banco com vencimento em 2020 caiu ontem de 90% para 75% do seu valor de face, e só não negociou abaixo disso porque não havia ofertas de compra. O chamado ‘bônus perpétuo’ foi bidado a 55% do valor de face. Na Bovespa, as ações do banco fecharam em queda de 21% depois de mergulhar até 39%. A ação negociou 12 vezes seu volume médio, e o banco anunciou um programa de recompra de 10% de seu capital. No mercado, acredita-se que, no contexto atual, as chances do BTG sobreviver como um banco independente são pequenas. Vários participantes do mercado narraram estórias de gestoras de recursos tentando substituir o banco como administrador de seus fundos, com medo de enfrentar alguma indisponibilidade de seus ativos se a situação do banco se agravar. Consultado, o Banco Central informou que o temor era infundado, e, em dado momento, o próprio BTG esclareceu aos clientes que a área do banco que presta estes serviços de administração de fundos tem um CNPJ diferente daquele do banco. As evidências, ontem, eram de que o BTG estava dando liquidez imediata aos cotistas de fundos líquidos que pediam resgate e envidando os melhores esforços para dar liquidez a quem solicitava resgates em fundos com ativos ilíquidos, ainda que o mandato destes fundos não obrigue o banco a isto. Parte da comoção é exagerada. O BTG é um banco líquido que, ao que tudo indica, não tem ativos podres em seu balanço. Seus investimentos que naufragaram epicamente — que vão da Sete Brasil à BR Pharma — estão restritos a seu portfólio de private equity, que muito provavelmente seria segregado do banco numa eventual venda e mantido sob o controle dos atuais sócios. Além disto, o BTG tem um negócio de gestão de recursos que interessaria, em tese, a qualquer instituição: são cerca de 230 bilhões de reais em ativos sob gestão. Ainda assim, bancos respiram e sobrevivem com base na percepção de terceiros, e os próximos dias serão críticos para determinar o quanto resta de confiança na casa que Esteves construiu. Mais da metade do passivo do BTG vence nos próximos 90 dias.

Petrobrás assina aditivos ao contrato das plataformas da QGI, mas parte da construção irá para a China

Foram assinados os aditivos do contrato entre Petrobrás e QGI para a construção das plataformas de petróleo P74 e P77 em Rio Grande. Os termos do acordo não foram revelados, mas o prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer, que é do PT, revelou que 2 mil trabalhadores terão emprego, o que significa que o contrato original de us$ 1,6 bilhão pode ter caído pela metade. O secretário estadual do Desenvolvimento, Fábio Branco, ex-prefeito de Rio Grande, esperava a assinatura para qualquer momento, mas temia a perda de metade do contrato para a China, onde esteve ontem o CEO da QGI. O contrato havia sido firmado em 2013, no Palácio Piratini, com a presença da presidente Dilma Rousseff, mas divergências sobre valores haviam colocado em risco a manutenção da montagem e integração de módulos em Rio Grande. Agora está chancelado que grande parte do trabalho será mesmo feito na China.

Lula está irritado com Delcídio, mas é com seu amadorismo, não com seu imoralismo

Por Reinaldo Azevedo - Luiz Inácio Apedeuta da Silva também participou do evento do instituto que leva seu nome, realizado na CUT. Segundo informa a imprensa, ele está muito irritado com Delcídio Amaral (PT-MS). Diz à sua patota que o senador fez “coisa de imbecil”. E teria repetido: “Que loucura! Que idiota”. Ah, entendo. Como se vê, também ele não aplica uma censura moral ao companheiro. Parece que ele lastima é o amadorismo da coisa. Compreendo. Lula está acostumado a lidar com profissionais. Pois é… O homem que defende Delúbio e Vaccari chuta o traseiro de Delcídio.

BTG cai mais 2% na Bolsa

Após fortes perdas sofridas na véspera com a prisão do fundador e presidente André Esteves, os papéis do BTG Pactual continuam em baixa e recuam mais 2% nesta quinta-feira (26). Agência de risco Moody’s colocou a nota do banco em revisão para possível rebaixamento. Por outro lado, o BTG lançou um plano de recompra de ações e o presidente interino Persio Arida tenta tranquilizar investidores.

Governo federal tem deficit inédito de R$ 12,3 bilhões em outubro


O governo federal registrou em outubro um deficit em suas contas de R$ 12,3 bilhões, levando o rombo acumulado no ano a R$ 33 bilhões. Segundo o Tesouro Nacional, que divulgou os dados nesta quinta-feira (26), o deficit do mês foi o maior para outubro em valores correntes (sem descontar o efeito da inflação). O segundo maior deficit foi registrado em 1998, quando o saldo foi negativo em R$ 1,5 bilhão. Em outubro de 2014, a União registrou um superavit primário de R$ 4 bilhões no mês e acumulou no ano um deficit de R$ 11,6 bilhões. O governo estima que poderá fechar 2015 com um deficit de R$ 120 bilhões. O valor inclui uma despesa de R$ 57 bilhões com a quitação das chamadas pedaladas — dívidas da União com os bancos estatais —, mas ainda não está claro se esse pagamento será feito ainda este ano. O Congresso ainda precisa aprovar a mudança da meta fiscal para o ano — a meta inicial do governo era encerrar 2015 com um superavit de R$ 55,3 bilhões. A não votação da proposta até o fim do ano pode levar a presidente Dilma Rousseff a ser enquadrada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e responder pelo crime de responsabilidade. Isso porque, sem a mudança, o governo acabaria gastando mais do que o previsto pela lei orçamentária.

A moral peculiar do PT

A moral peculiar do PT ficou ainda mais clara depois do caso Delcídio: é preciso ter gravação do sujeito combinando crimes para que ele seja considerado bandido. Se existirem "somente" documentos, sinais exteriores de riqueza e testemunhos, o sujeito é guerreiro do povo brasileiro.

ABI move ação contra lei do direito de resposta

A Associação Brasileira de Imprensa entrou no STF com uma ação direta de inconstitucionalidade, com pedido de liminar, em que questiona a lei que regulamenta o direito de resposta. O relator da ação é Dias Toffoli. A citada lei é um dos mais bárbaros atos de censura institucionalizados pelo governo do PT com apoio de um Congresso de Delcídios. Toffoli deveria se declarar impedido.

Governo federal tem deficit inédito de R$ 12,3 bilhões em outubro


O governo federal registrou em outubro um deficit em suas contas de R$ 12,3 bilhões, levando o rombo acumulado no ano a R$ 33 bilhões. Segundo o Tesouro Nacional, que divulgou os dados nesta quinta-feira (26), o déficit do mês foi o maior para outubro em valores correntes (sem descontar o efeito da inflação). O segundo maior deficit foi registrado em 1998, quando o saldo foi negativo em R$ 1,5 bilhão. Em outubro de 2014, a União registrou um superavit primário de R$ 4 bilhões no mês e acumulou no ano um deficit de R$ 11,6 bilhões. O governo estima que poderá fechar 2015 com um deficit de R$ 120 bilhões. O valor inclui uma despesa de R$ 57 bilhões com a quitação das chamadas pedaladas — dívidas da União com os bancos estatais —, mas ainda não está claro se esse pagamento será feito ainda este ano. O Congresso ainda precisa aprovar a mudança da meta fiscal para o ano —a meta inicial do governo era encerrar 2015 com um superavit de R$ 55,3 bilhões. A não votação da proposta até o fim do ano pode levar a presidente Dilma Rousseff a ser enquadrada pela Lei de Responsabilidade Fiscal e responder pelo crime de responsabilidade. Isso porque, sem a mudança, o governo acabaria gastando mais do que o previsto pela lei orçamentária.

STF autoriza inclusão de advogado de Cerveró na lista da Interpol


O ministro Teori Zavascki, relator do processo da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão do nome de Edson Ribeiro, advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, na lista de alerta vermelho da Interpol. A decisão foi tomada nesta quarta-feira à noite e remetida às autoridades policiais nesta quinta-feira. Ribeiro chegou a ser localizado nos Estados Unidas na quarta-feira, mas não pôde ser preso porque era aguardada essa decisão do Supremo. Agora, a ordem de prisão pode ser cumprida a qualquer momento. A Polícia Federal informou que o visto de Edson Ribeiro foi cassado. A operação que levou à decretação da prisão do advogado, do senador Delcídio do Amaral (PT/MS), de seu chefe-de-gabinete Diogo Ferreira, e do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, se chamaria Catilina - uma referência ao militar e senador da Roma Antiga, celebrizado por ter tentado derrubar a República e a oligarquia do Senado. Mas, ao final, os investigadores decidiram não batizar a missão que tem como alvo maior o líder do governo no Senado.

A pressa é só nossa

O Credit Suisse, em seu último relatório, previu uma queda do PIB do Brasil, no ano que vem, de 3,5%. A estimativa para o dólar em 2017 é igualmente assustadora: 5 reais. É a síntese de um país falido. E é também o motivo pelo qual a oposição não está com pressa de derrubar Dilma Rousseff e assumir o poder em seu lugar. A pressa é só nossa.

Você viu esse homem?

O advogado Edson Ribeiro já está na lista de foragidos da Interpol. Ele é um dos mentores do fracassado plano de fuga de Nestor Cerveró.

Advogado de Cerveró já foi denunciado por corrupção

Foragido da Justiça e procurado até pela Interpol, o advogado Edson Ribeiro foi denunciado pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, em 2005, pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção, concussão e peculato. Ribeiro integrava uma organização criminosa acusada de praticar crimes contra a administração pública, a ordem tributária e a fé pública. Ele foi denunciado junto a outras 29 pessoas, entre empresários e servidores do INSS e da Receita Federal.  A atuação da quadrilha, segundo o Ministério Público Federal, consistia na simulação de prestação de serviços a empresas, com o fim de obter a regularização forjada de situação fiscal para emissão irregular de Certidões Negativas de Débitos no INSS, restituição ou compensação irregular de débitos fiscais indevidos e uso de informações privilegiadas.

"André estava preocupado"

"O que apareceu até agora sobre André Esteves, e que já foi suficiente para sua prisão, é apenas o início de uma série de revelações que a Procuradoria Geral da República tem sobre ele". O maior temor de André Esteves era a denúncia de que ele havia distribuído propina a Fernando Collor. Como disse Delcídio Amaral: "André me procurou, ele estava preocupado, né, especialmente com relação àquela operação (…) dos postos, né". O Antagonista resumiu da seguinte maneira a "operação dos postos": Alberto Youssef, um dos operadores do petrolão, afirma que o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, hoje o maior banco de investimentos do Brasil, pagou propina para que a BR Distribuidora, da Petrobras, passasse a estampar em 2012 a sua marca na rede de postos de gasolina DVBR, adquirida por André Esteves em 2008, para colocá-lo na "economia real", e que mostrou ser um péssimo negócio.

"Até mesmo verdades"

A Folha de S. Paulo conversou com um ministro de Dilma Rousseff e ele disse que o grande temor, agora, é que Delcídio Amaral conte "até mesmo mentiras" para a atacar o Palácio do Planalto. A autora da reportagem é filha do secretário de Comunicação do PT e ligada a Edinho Silva. O grande temor de Dilma Rousseff, claro, é que Delcídio Amaral decida contar "até mesmo verdades" sobre o Palácio do Planalto. O PT abandonou Delcídio Amaral e pode pagar por isso.

Eleições no TCU e a república em transe

O procurador Julio Marcelo, o homem que derrubou Dilma da 'bicicleta', definiu bem o atual momento do País. Em post publicado em seu perfil no Facebook, ele diz que "a república está em transe" e "as pessoas de bem, especialmente os homens públicos, precisam se posicionar com clareza". O post de Marcelo tem relação com as eleições para o comando do TCU e O Antagonista vem denunciando a articulação dos ministros para reconduzir Aroldo Cedraz, envolvido num esquema de venda de sentenças comandado por seu filho Tiago. Como tem sido questionado sobre o tema, Marcelo procurou se posicionar publicamente da seguinte forma: "A questão é delicada, mas tem de ser enfrentada. Segundo a imprensa noticiou, Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, teria afirmado, em sua colaboração premiada, na Lava Jato, que teria pago R$ 1 milhão por uma decisão do TCU que beneficiasse sua empresa na construção de Angra 3, além de pagar R$ 50 mil por mês para obter informações privilegiadas a respeito de fiscalizações e processos no TCU." "A acusação é gravíssima e põe em cheque o maior patrimônio que uma instituição como o TCU pode ter: sua credibilidade. A legitimidade das decisões da mais importante instituição que fiscaliza as contas públicas se assenta sobre a credibilidade de seus ministros e auditores, assim como dos membros do Ministério Público de Contas que oficia perante o TCU." "Os envolvidos, direta ou indiretamente, na denúncia constante da colaboração premiada devem ficar afastados da relatoria e participação nos julgamentos dos processos relacionados com a operação Lava Jato. Também a condução da Casa, sua Presidência, deve recair sobre os membros que não estão envolvidos nas denúncias ainda sob investigação." "O TCU pertence à sociedade brasileira. No momento em que se aproximam as eleições do Presidente e Vice-Presidente do TCU para 2016, esperamos todos que as escolhas recaiam sobre nomes não envolvidos em qualquer investigação sobre tráfico de influência, venda de decisões ou qualquer outra conduta que abale a necessária confiança que a sociedade brasileira deposita no TCU."

Urânio para terroristas

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira uma operação para desarticular uma quadrilha que, de acordo com a denúncia, vendia urânio para grupos extremistas, ligados a redes de terroristas. O material era transportado do Brasil até Dubai, e o dinheiro era lavado em bancos venezuelanos. Onde está o petista?

O vazador da Lava Jato é o Japa?

O advogado Edson Ribeiro, que alugou sua OAB para Delcídio Amaral, acusou o agente federal Newton Ishii, o Japa, de ser o provável vazador do depoimento de Nestor Cerveró para o banqueiro André Esteves. A acusação foi feita durante a conversa gravada por Bernardo Cerveró. Além de Ishii, Edson também lança suspeitas sobre Alberto Yousseff e Sérgio Rieira, advogado de Fernando Baiano. Edson Ribeiro é tido como um advogado fanfarrão e que acusa sem provas. Chamado de "japonês bonzinho", Ishii aparece em quase todas as prisões da Lava Jato conduzindo os detentos. Em julho, Época fez um perfil do agente, que ingressou na PF em 1976 e, em 2003, foi preso pela própria PF na Operação Sucuri, suspeito de integrar uma quadrilha que fazia contrabando. Foi acusado de corrupção e expulso da corporação, mas depois reintegrado. Responde a processos criminal e civil, além de uma sindicância. Segundo a PF, Newton Ishi goza de confiança da direção e é um excelente profissional. Se a acusação de Edson Ribeiro é mentirosa, Ishii tem de processá-lo. Veja os trechos da conversa abaixo:
Delcídio: Alguém pegou isso aí e deve ter reproduzido. Agora quem fez isso é que a gente não sabe.
Edson: É o japonês. Se for alguém é o japonês.
Diogo: É o japonês bonzinho.
Delcídio: O japonês bonzinho?
Edson: É. Ele vende as informações para as revistas.
Bernardo: É, é.
Delcídio: É. Aquele cara é o cara da carceragem, ele que controla a carceragem.
Bernardo: Sim, sim.
(...)
Edson: Só quem pode tá passando isso, Sérgio Riera.
Bernardo: Mas eu já cortei...
Edson: Newton e Youssef.
Delcídio: Quem que é Newton?
Bernardo: É o japonês.
Edson: E o Youssef, só os dois. [vozes sobrepostas] O Sérgio, porque o Sérgio traiu...
Bernardo: Sim. Ele fez o jogo do MP, assinou. Tá..tá
(...)
Edson: Quem é que poderia levar isso pro André?
Bernardo: Eu acho que é carcereiro. O cara dá 50 mil aí pra você.
Edson: A gente num entende, pô!
Bernardo: Carcereiro, Newton... os caras são muito legais.


Japonês bonzinho ou mauzinho? (O Antagonista)

Esteves tem seu próprio Falcon

O plano para a fuga de Nestor Cerveró incluía o uso de uma aeronave Falcon com autonomia para cruzar o Atlântico. Cogitou-se o uso da empresa de táxi aéreo Rico, mas Leandro Mazzini lembra que André Esteves tem um Falcon FX prefixo PR-BTG, para 12 passageiros. Como Esteves daria todo o suporte financeiro para a operação, é razoável supor que cederia seu jatinho. O avião, aliás, já foi alvo da Receita na operação Pouso Forçado, em 2012. Estava com os impostos em atraso. Foi nesse mesmo avião que Lula voou para Nova York com o banqueiro, preso ontem, para dar uma palestra em evento do BTG organizado para empresários americanos.



Jato de fuga

Advogado de Cerveró é fugitivo internacional

Teori Zavascki autorizou a inclusão de Edson Ribeiro no alerta vermelho da Interpol, informa a Folha. Agora, o advogado de Nestor Cerveró que estava em conluio com Delcídio Amaral é um fugitivo internacional. Ribeiro teve a prisão decretada ontem pelo STF. Ele foi localizado nos EUA, mas não foi preso, como informado pela Veja mais cedo e repercutido por nós.

O boneco do Tófole

Dias Toffoli tanto fez, ou deixou de fazer, que acabou ganhando a homenagem do movimento NasRuas e da Carla Zambelli. O boneco inflável, que em breve será furado pela juventude da neta de Lula, é ilustrado pela urna eletrônica da Smartmatic, pelo resultado de sua prova para juiz e alguns pixulecos.


Tófole ou Toffoleco?

Vaccari é uma coisa, Delcídio é outra coisa

Rui Falcão, presidente do PT, explicou hoje qual é a diferença entre João Vaccari Neto e Delcídio Amaral, que pode ser expulso do partido: "Tem uma diferença clara entre atividade partidária e atividade não partidária". Ele tem razão. Atividade partidária é roubar. Atividade não partidária é roubar. Nada a ver uma coisa com a outra.

No rastro dos R$ 2 milhões de Bumlai

Aos poucos a Lava Jato vai decifrando o caminho dos R$ 2 milhões que Fernando Baiano entregou para José Carlos Bumlai pagar uma nora de Lula. A informação sobre o destino final da propina ainda não está clara, mas a PF já descobriu que o dinheiro depositado na Transportadora São Fernando saiu da empresa Central de Tratamento de Resíduos Alcântara S/A. A CTR Alcântara tem sede em São Gonçalo, no Rio. Seus sócios integram outras empresas, algumas prestadoras de serviço da prefeitura de São Paulo. Em breve, mais informações.

Relatório da CPI do Carf mira filho de Nardes, mas poupa Luleco

A senadora Vanessa Grazziotin apresentou seu relatório final da CPI do Carf, no qual pede o indiciamento de 28 pessoas, entre assessores, representantes de empresas, servidores públicos e lobistas - nenhum político, naturalmente. O relatório não avança um centímetro na investigação e cita pessoas que foram arroladas pelo Ministério Público Federal no início, mas depois excluídas por falta de provas. De alvos importantes, Grazziotin pede o indiciamento dos lobistas APS, Mauro Marcondes e do advogado José Ricardo da Silva. Apesar de arrolar Marcondes, a relatora do PCdoB não cita Luis Cláudio Lula da Silva, que recebeu R$ 2,5 milhões do lobista. Também esqueceu de falar de Erenice Guerra e Silas Rondeau, sócios de APS e José Ricardo. Grazziotin também pediu o indiciamento de Juliano Nardes, sobrinho do ministro do TCU, Augusto Nardes, responsável pelo relatório que pediu a rejeição das contas de Dilma por causa das pedaladas fiscais.

As regalias do banqueiro

A coluna Expresso conta que duas advogadas de André Esteves, uma loira e uma morena, desceram do salto e ajudaram a faxinar a cela em que o banqueiro foi preso na carceragem da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Levaram também colchão, roupa de cama, comida e bebida. Mas Esteves, sozinho na cela, não conseguiu dormir direito.

200 mil alunos gaúchos do Pronatec poderão ficar sem aula a partir do mês que vem

Os 200 mil estudantes gaúchos que estudam de graça no âmbito do chamado Pronatec, poderão ficar sem aulas a partir de 5 de dezembro. Os repasses do governo federal estão atrasados desde julho. Estudantes e donos de escolas decidiram marchar em Brasília para protestar contra o calote. O Pronatec foi menina dos olhos da campanha eleitoral de Dilma na área da educação.

GM de Gravataí paralisa terceiro turno e 825 operários foram mandados para casa

Os 825 trabalhadores do terceiro turno da GM de Gravataí foram colocados em regime de lay-off por mais cinco meses. Os trabalhadores receberão apenas uma bolsa mensal de R$ 1.359,19 por mês. A montadora tem 25 mil carros estocados e tenta ajustar-se à demanda. O mercado está em franca recessão. Com a decisão, a GM não terá mais terceiro turno em Gravataí.

Já preso nos EUA, parece que ex-advogado de Cerveró queria brincar de Saul Goodman

Por Reinaldo Azevedo - Edson Ribeiro, ex-advogado de Nestor Cerveró, foi preso nos EUA, segundo a Polícia Federal. Algum abuso nisso? Alguma forma, ligeira que seja, de constranger o exercício da profissão? A resposta, definitivamente, é “não”. Advogados não têm licença para cometer crimes, ainda que possam ser defensores de criminosos, já que todo mundo tem, e deve ter, direito a um advogado. O que a gravação que veio a público evidencia é que o sr. Edson Ribeiro arquitetava, em companhia de Delcídio Amaral, a fuga de Cerveró. E se pode dizer, vejam que estupefaciente!, que, a partir de determinado momento, já nem se tratava de tentar atender a um desejo do seu cliente. Tudo indica que o próprio Ribeiro é que estava tentando articular a alternativa, em companhia do senador, para oferecer ao ex-diretor da Petrobras. No despacho em que determinou as prisões, o próprio ministro Teori Zavascki deixa claro que o tal Ribeiro mandou às favas seu cliente e passou a trabalhar para o senador. Escreve o ministro: “O advogado Edson Ribeiro passou efetivamente a proteger os interesses do senador Delcídio Amaral”. E foi o que percebeu Bernardo Cerveró, o filho de Nestor, razão por que decidiu fazer um acordo com o Ministério Público e gravar as conversas. O papo se desenvolve com incrível desassombro. Ao tratar da fuga de Cerveró, Ribeiro afirma que já retirou investigados do país. Pelo tom, nota-se que fala como uma ponta de orgulho, como a exibir suas especiais habilidades. O homem diz ainda que pretende anular várias delações da Lava Jato, embora não fique claro de quais instrumentos disporia para tanto. Ora, meus caros, é óbvio que um advogado não tem licença para se comportar dessa maneira. Ele não estava dizendo que seu cliente é inocente ou, sei lá, que as coisas não são como dizem os acusadores etc e tal. Isso é papel de um advogado. Nada disso! A operação da qual ele participou buscava impedir que alguns crimes da Lava-Jato viessem à luz. Mais: ele se ofereceu para receber o dinheiro que o banqueiro André Esteves daria para financiar a fuga de Cerveró primeiro para o Paraguai e, depois, para a Espanha. No total, seriam R$ 4 milhões. Vai ver Ribeiro andou assistindo muito ao seriado “Breaking Bad” e se deixou seduzir pelas larguezas éticas do advogado picareta Saul Goodman…

Petrobras pressiona Planalto por reajuste de combustíveis


Com uma dívida total de R$ 506,6 bilhões e reduzindo seus investimentos, a Petrobras tem pressionado o Palácio do Planalto por um novo reajuste dos combustíveis. Embora os preços do petróleo estejam em baixa desde o segundo semestre do ano passado, essa seria uma forma de ajudar a estatal a reequilibrar suas finanças, que foram abaladas, entre outros fatores, pelo escândalo da Operação Lava-Jato. "Existe uma pressão nesse sentido (de aumentar os combustíveis)", disse uma fonte do Palácio do Planalto. A idéia, entretanto, não tem aval da equipe econômica. Um dos motivos é que um novo aumento dos combustíveis teria impacto na inflação, que este ano deve fechar em dois dígitos — 10,33%, segundo a última estimativa da pesquisa Focus, do Banco Central — e em 2016 já supera o teto da meta, de 6,5%, de acordo com a mesma pesquisa. Em setembro, a Petrobras reajustou os preços de venda da gasolina em 6% e do diesel em 4% nas refinarias. Os aumentos foram repassados aos consumidores, em muitos casos, em percentuais acima do reajuste dos combustíveis na refinaria, pois muitos postos de gasolina aproveitaram para recompor margens de lucro. Mesmo com o reajuste, a Petrobras continua com sérias dificuldades de caixa e os técnicos do governo reconhecem que a empresa precisa melhorar sua situação financeira. Uma alternativa que chegou a ser colocada pelo presidente da estatal, Aldemir Bendine, e pelo diretor financeiro da empresa, Ivan Monteiro, a integrantes do governo foi um aporte do Tesouro Nacional por meio de um instrumento híbrido de capital e dívida (IHCD). A proposta foi rechaçada pelo Tesouro, pois aumentaria a dívida bruta da União. E poderia ser vista como uma manobra semelhante às utilizadas nos tempos do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para a equipe econômica, a melhor alternativa seria a estatal colocar em prática imediatamente seu plano de venda de ativos. O plano é estimado em US$ 15,1 bilhões para 2015 e 2016. E inclui, por exemplo, a venda de parte da BR Distribuidora e de outros ativos. A estatal já vendeu parte da Gaspetro. 

Cerveró é de novo conduzido para a sede da Polícia Federal, em Curitiba, por motivo de segurança

O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, foi foi transferido no fim da tarde desta quarta-feira (25) para a sede da Polícia Federal de Curitiba. Ele chegou por volta das 18 horas. Preso na Operação Lava Jato há dez meses, Cerveró estava desde o dia 12 de novembro no Complexo Medico Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A transferência aconteceu para preservar sua segurança, segundo fontes ligados à Polícia Federal. O pedido para voltar à carceragem foi feito por seu advogado, Beno Brandão. Há a avaliação de que a integridade física de Cerveró está em risco depois que ele fechou um acordo de delação premiada em que entregou provas de que o senador Delcidio de Amaral (PT-MS) tentava interferir nas investigações da Lava Jato e inviabilizar a delação premiada do ex-diretor. A prisão de Delcídio é preventiva, ou seja, sem data para ser relaxada. A do banqueiro é temporária. Relator dos processos da Lava Jato no Supremo, o ministro Teori Zvascki informou que um dos motivos da prisão do petista foi a oferta de uma "mesada" de pelo menos R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada na investigação que apura um escândalo de corrupção na Petrobras. O dinheiro seria fornecido por Esteves, segundo gravação de conversa entre o senador, o advogado Edson Ribeiro – também preso preventivamente, e que cuidava da defesa de Cerveró – e o filho do ex-diretor. A acusação usou essa gravação para pedir as prisões. O relato do ministro foi feito no início da sessão da Segunda Turma do STF que, em reunião extraordinária, manteve a prisão do petista. A acusação foi apresentada a Teori pela Procuradoria-Geral da República. A Procuradoria apontou ainda que Delcídio indicou a Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, que teria condições de influir sobre ministros do Supremo para garantir a liberdade do ex-diretor da Petrobras e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-diretor caso a Justiça concedesse um habeas corpus a ele. A ligação do senador com Cerveró remonta ao final dos anos 90, quando Delcídio chegou a comandar a diretoria de gás da estatal no final do governo Fernando Henrique Cardoso (1999-2001). Cerveró era o número 2 de Delcídio. Com a prisão, a liderança do governo no Senado deverá ficar com um dos vice-líderes. Em relação ao banqueiro André Esteves, que também foi preso nesta quarta, os investigadores sustentam que ele teria oferecido apoio financeiro à família de Cerveró para que também não fosse citado na delação. Além disso, ele teria sido prometido ao advogado Edson Ribeiro – também preso preventivamente – que cuidava da defesa de Cerveró, pagamento de R$ 4 milhões em honorários para que o ex-diretor não firmasse delação. Teori disse a seus colegas que Esteves tinha cópias sigilosas dos depoimentos que Cerveró prestou aos procuradores para fazer o seu acordo de delação. Esse foi um dos motivos para o pedido de prisão do banqueiro pela Procuradoria Geral da República. Ribeiro não foi detido porque está nos Estados Unidos. Segundo fontes da Polícia Federal, o ministro Teori pedirá que seu nome seja incluído na lista da Interpol.

Hotel em Brasília onde petista foi preso foi palco de outros escândalos

Famoso por abrigar reuniões entre políticos, o hotel de luxo Royal Tulip, em Brasília, já foi pano de fundo dos dois maiores escândalos nacionais da história recente: o mensalão e os desvios na Petrobras. Localizado às margens do Lago Paranoá, o complexo, assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake, fica próximo do Palácio da Alvorada e da Esplanada dos Ministérios. Foi lá que, em 2002, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, deu uma festa de arromba para celebrar a passagem do Ano Novo ao lado de Lula, recém-eleito presidente da República, no que à época era o Hotel Blue Tree. Pouco depois, com o PT já no Planalto, foi ali que Delúbio Soares passou a encontrar o publicitário mineiro Marcos Valério, operador do esquema de compra de apoio no Congresso ao governo Lula. Segundo o Ministério Público Federal, esses encontros eram frequentes. Tanto Delúbio quanto Marcos Valério acabaram condenados pelo Supremo Tribunal Federal, em 2013, por participação no esquema – Valério ainda está na cadeia; Delúbio, após quase onze meses em regime semiaberto, está em prisão domiciliar desde setembro do ano passado. Passados quase dez anos desde a eclosão do escândalo do mensalão, em 2005, a Polícia Federal prendeu no Royal Tulip, na manhã desta quarta-feira (25), o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS). Ele morava nesse hotel. No dia anterior (24), a Polícia Federal havia prendido outro personagem associado ao escândalo no hotel ao lado, administrado pelo mesmo grupo, o Golden Tulip. O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, iria depor na CPI do BNDES, mas foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Bumlai, que já foi um dos maiores criadores de gado do País, entrou na mira dos investigadores por suspeitas de que teria ajudado a quitar dívidas de campanha do PT. Também alvo da Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já ocupou um apartamento no antigo Blue Tree, em 2003. A suspeita era de que as despesas teriam sido bancadas pelo empresário Lúcio Bolonha Funaro. Em 2005, quando o caso foi revelado na imprensa, ambos negaram irregularidades. Suspeitas parecidas também recaíram em 2007 sobre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). À época, as denúncias de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior pagava contas pessoais do peemedebista, inclusive um flat no Royal Tulip, o levou a renunciar ao mesmo cargo que voltou a ocupar hoje: o de presidente do Senado. O caso é alvo de ação na Justiça. O Golden Tulip, que fica ao lado do Royal, também imortalizou uma cena que virou febre na internet. Foi no hotel brasiliense que a atriz Paolla Oliveira, da série da TV Globo "Felizes Para Sempre", gravou uma cena em que, na pele de uma garota de programa, aparece de costas para a câmera, usando só uma calcinha. O Supremo Tribunal Federal entendeu que Delcídio estava cometendo um crime em flagrante, de obstruir investigações em andamento sobre organização criminosa, e por isso autorizou sua prisão preventiva. A nota, assinada pelo advogado Maurício Silva Leite, desqualifica ainda o ex-diretor Nestor Cerveró, chamando-o de "delator já condenado". Para o advogado, o entendimento inicial da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal "será revisto".

Assessor de Delcídio diz que advogado de Cerveró esperava ser remunerado

Deflagrada nesta quarta-feira (25) pela Procuradoria Geral da República e pela Polícia Federal por ordem do STF, a operação que prendeu o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) levantou indícios de que o advogado de um dos delatores da Operação Lava Jato esperava receber dinheiro do parlamentar e da Petrobras. Também foram encontrados indícios de que o senador jantou com um dos delatores da Operação Lava Jato, Julio Camargo, em abril de 2015, meses depois de o empresário ter fechado seu acordo de delação premiada com a Lava Jato. Delcídio foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal por suspeita de obstruir a Justiça ao tentar impedir que o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, o incriminasse em uma delação premiada que estava em negociação com o Ministério Público Federal – ela foi fechada no último dia 18. Diversas anotações foram apreendidas em poder do assessor parlamentar Diogo Ferreira Rodrigues, identificado pela Procuradoria Geral da República como chefe de gabinete do senador e que também foi preso nesta quarta-feira (25). Ele trabalha com o senador desde 2002. Em depoimento, Rodrigues afirmou que uma anotação de R$ 100 mil, associada ao nome do advogado Edson Ribeiro, significava um oferecimento de serviços advocatícios do profissional ao senador. Rodrigues não confirmou se o dinheiro foi pago. Edson Ribeiro é o advogado de Cerveró na Lava Jato e, em uma gravação feita pelo filho do ex-diretor, Bernardo, aparece combinando com Delcídio uma forma de tentar silenciar Cerveró, segundo a investigação. A Polícia Federal encontrou em poder de Rodrigues outras três anotações de valores: R$ 147 mil, R$ 600 mil e R$ 500 mil. Segundo Rodrigues, são referências a três notas fiscais de suposta prestação de serviços advocatícios cujos valores o advogado Ribeiro esperava receber de uma seguradora vinculada à Petrobras, não identificada. Rodrigues afirmou que o advogado havia pedido que o senador fizesse gestões para ele receber esses valores. Rodrigues também reconheceu, no depoimento, que recebeu a tarefa de Delcídio para acompanhar o andamento de um habeas corpus, de número 130.995, que segundo ele tinha por objetivo anular a delação premiada fechada por outro ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, com a Operação Lava Jato. A possível anulação da delação por meio desse habeas corpus também foi foco de conversa gravada pelo filho de Cerveró. A Polícia Federal também encontrou com Rodrigues cópias de supostos termos de depoimento prestados por Cerveró no acordo de delação premiada que estava em gestação. O assessor afirmou que o advogado Edson Ribeiro entregou ao parlamentar, há cerca de três meses, anexos da colaboração. Para o assessor, o objetivo de Ribeiro era demonstrar que tinha informações importantes e que precisava ser contratado pelo senador. Também foram apreendidos papéis, em poder de Rodrigues, com os nomes do senador Renan Calheiros e do banqueiro André Esteves, outro que foi preso nesta quarta-feira. Segundo Rodrigues, ele foi orientado por Delcídio a falar com Renan sobre emendas parlamentares, mas não esclareceu quais emendas seriam essas, qual o propósito da conversa e porque estavam relacionadas ao nome de Esteves. O depoimento de Rodrigues foi prestado na presença do delegado federal Felipe de Alcântara Barros Leal e da procuradora federal Anna Carolina Resende Maia, que representava a Procuradoria Geral da República.

Citado por Delcídio, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo diz não se lembrar de conversa sobre Cerveró

O ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, disse nesta quarta-feira (25) que não se lembra de ter conversado com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) sobre o pedido de liberdade de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, preso na Operação Lava Jato. "Eu converso diariamente sobre questões jurídicas que me são perguntadas por parlamentares. É comum que me perguntem. Mas não me lembro de nenhuma conversa específica sobre esse assunto com Delcídio", afirma o petista Cardozo. Em áudio gravado pelo filho de Cerveró e entregue à Procuradoria-Geral da República, Delcídio diz que "conversou com Zé Eduardo" e "muito possivelmente o Marcelo da Turma vai sair". Segundo os áudios, Delcídio estava discutindo um possível habeas corpus para Cerveró que deveria ser julgado no Superior Tribunal de Justiça. O "Marcelo", a quem Delcídio se refere, seria o ministro Ribeiro Dantas, que era o relator da Lava Jato no STJ e julgaria o pedido. De acordo com Cardozo, o governo "foi surpreendido pelos fatos" e espera que a Justiça "siga seu curso normal". "As investigações devem seguir com autonomia", disse o ministro. "Entendemos que os fatos não atingem a trajetória do governo", completou.

Procuradoria Geral da República deve apresentar denúncia contra Delcídio ao STF em 15 dias

A Procuradoria Geral da República deve apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal, em até 15 dias, contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), sob acusação de tentar obstruir investigações de organização criminosa na Operação Lava Jato. A rapidez do prazo para a conclusão do inquérito e apresentação da denúncia ocorre porque se trata de caso de réu preso, situação considerada inédita para os procuradores. Sem a denúncia, apesar de preso, o petista Delcídio Amaral ainda nem é réu em ação penal. Só a partir da aceitação da denúncia pelo Supremo é que ele passa à condição de réu. No pedido de prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, escreveu que o senador "está praticando crime de embaraço de investigação de organização criminosa", sujeita a pena de 3 a 8 anos e multa. "Trata-se, portanto, de crime gravíssimo", escreveu Janot. Esse inquérito deve se concentrar na atuação do senador para obstrução das investigações, mas os procuradores também vão voltar a investigar sua relação com a corrupção na Petrobras. Em março, Janot havia pedido o arquivamento de inquérito contra Delcídio, por considerar que as provas eram frágeis. O ex-diretor Paulo Roberto Costa havia afirmado em sua delação premiada que ouviu dizer que Delcídio recebeu propina da empresa Alstom quando foi diretor da Petrobras. Com a prisão, porém, reacenderam as suspeitas dos procuradores sobre o senador, que podem ser reforçadas com a delação premiada do ex-diretor Nestor Cerveró, em andamento. Os procuradores consideram que, se Delcídio se empenhou para atrapalhar as investigações, é um forte sinal de que está envolvido no esquema de corrupção, mas não necessariamente nos fatos relatados por Paulo Roberto Costa e arquivados.

BTG nomeia Persio Arida como interino no lugar de André Esteves

O BTG Pactual decidiu nomear o economista Persio Arida, um dos sócios do banco, como presidente-interino. Arida assume o comando do banco no lugar de André Esteves, que foi preso nesta quarta-feira (25) e muito possivelmente passará Natal, Ano Novo e veraneio na cadeia, sob acusação de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. A decisão foi do conselho de administração do banco. Sócio fundador do BTG Pactual, Arida é membro do conselho de administração do banco. Foi presidente do Banco Central e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O economista é conhecido como um dos pais do Plano Real, que estabilizou a economia em 1994. Arida tem doutorado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e foi professor da PUC-Rio. Também desenvolveu pesquisa na Universidade Princeton e no Instituto Smithsonian de Washington (EUA). O banco anunciou um programa de recompra de ações, operação que visa conter a desvalorização dos papéis na Bolsa. Os papéis do banco, reunidos em um recibo de ações (units), chegaram a cair 38,9% pela manhã desta quarta-feira após a prisão do banqueiro. No encerramento dos negócios, os papéis tiveram baixa de 21,01%, cotados a R$ 24,40 cada unit. A recompra de ações será de 10% dos papéis e deve vigorar por até 18 meses. O banco decidiu pedir ainda aos reguladores que possa comprar mais ações, além do limite previsto de 10%.

Filho de Cerveró buscou Procuradoria Geral da República após desconfiar de "jogo-duplo" de advogado

Na última quarta-feira (18), integrantes do grupo de trabalho da Operação Lava Jato na Procuradoria Geral da República receberam um telefonema da advogada do ex-diretor Nestor Cerveró, Alessi Brandão. Na conversa, ela contou que havia uma gravação de reunião com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) tentando impedir a delação premiada do ex-diretor. A gravação fora feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, por estar desconfiado que o outro advogado de seu pai, Edson Ribeiro, estaria fazendo um "jogo-duplo": atrapalhando o acordo de delação de seu pai para ganhar dinheiro de um acordo com Delcídio e excluir nomes da delação. Os procuradores se interessaram pelo material. No mesmo dia, a advogada Alessi Brandão pegou um avião e foi a Brasília encontrá-los, levando a gravação. Chegou por volta das 21 horas. Conversaram e ouviram o arquivo de uma hora e meia. Naquele dia, o expediente só se encerrou após a meia-noite na Procuradoria Geral da República. A conversa havia sido gravada por Bernardo no último dia 4 de novembro, em um quarto de hotel em Brasília. Contou com a presença do advogado Edson Ribeiro, do senador petista Delcídio Amaral e do seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira, todos presos. Antes da reunião, todos guardaram os celulares, para evitar gravações. Mas Bernardo havia levado um aparelho extra para conseguir gravar. No dia seguinte ao encontro na Procuradoria Geral da República, a quinta-feira (19), procuradores saíram de Brasília e foram até o Rio de Janeiro obter um depoimento de Bernardo e até Curitiba ouvir Cerveró. Ambos confirmaram a história. Naquele dia, Bernardo tinha marcado uma reunião com o grupo para debater o assunto, que teria a presença do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Como os procuradores foram até seu encontro, ele avisou que não poderia comparecer. Enquanto conversava com os integrantes da Procuradoria Geral da República, a reunião ocorria e o advogado Edson Ribeiro até lhe mandava mensagens de celular fazendo relatos. Bernardo mostrou aos procuradores as mensagens. Os procuradores passaram os próximos dias trabalhando em cima do pedido de prisão. Avaliaram que seria a única maneira de impedir que o delito continuasse a ser cometido. Ainda no domingo (22), protocolaram o pedido de prisão no Supremo Tribunal Federal, destinado ao ministro Teori Zavascki, relator dos casos da Operação Lava Jato. Na terça-feira (24), Teori deferiu as medidas, que ocorreram na manhã desta quarta-feira (25). Delcídio, Diogo e André Esteves foram presos. O advogado Edson Ribeiro estava no Exterior e, por isso, ainda não foi detido. Delcídio teve a prisão decretada pelo relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zvascki, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras. Segundo Zavascki, ele ofereceu uma "mesada" de pelo menos R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, não fechasse acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-diretor caso a Justiça concedesse um habeas corpus a ele.

Em rascunho de delação, Cerveró afirmou que Dilma "sabia de tudo" sobre Pasadena

Na minuta preliminar da sua delação premiada, o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que a presidente Dilma Rousseff "sabia de tudo de Pasadena" e que ela "me cobrava diretamente". A refinaria, comprada nos Estados Unidos, teve superfaturamento de US$ 792 milhões, na avaliação do Tribunal de Contas da União, e foi adquirida após encaminhamento favorável de Dilma, que na época era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. O acordo de delação foi assinado na última quarta-feira depois que a defesa de Cerveró entregou à Procuradoria Geral da República evidências de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), tentou, em conluio com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, fazer com que ele não firmasse colaboração com a Justiça. Delcídio e Esteves foram presos pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira. As informações sobre a minuta da delação foram repassadas pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) em reunião com o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, e com o filho do ex-diretor, Bernardo, durante a discussão de um acordo em que Cerveró livraria Delcídio e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Delcídio leu para os participantes a minuta da delação de Cerveró à qual ele teve acesso — documento que era sigiloso. Segundo o senador, Cerveró relatou que Dilma "acompanhava tudo de perto" da refinaria de Pasadena e que fez várias reuniões com ela para tratar do assunto. A delação de Cerveró ainda não foi homologada pela Justiça. Nos seus depoimentos, ele também teria falado que a operação de Pasadena rendeu dinheiro para Delcídio. O senador petista afirmou ainda, na conversa, que conversou com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre um ministro do Superior Tribunal de Justiça, que havia sido indicado em agosto e empossado no fim de setembro. Eles conversavam sobre um habeas corpus para Cerveró e o ex-diretor Renato Duque, também preso, dando a entender que ele daria uma decisão favorável à liberdade deles. "Sobre o STJ, ontem eu conversei com o Zé Eduardo, muito possivelmente o Marcelo na turma vai sair", disse Delcídio. Entre os cerca de 28 anexos que integram a negociação feita entre o ex-diretor da estatal e os procuradores está um sobre o navio-sonda Vitória 10.000. Nele, o executivo diz que parte dos contratos da sua operação teve direcionamento para políticos do PT e do PMDB, entre eles o próprio Delcídio do Amaral e os senadores Jader Barbalho (PMDB - PA) e Renan Calheiros (PMDB - AL). Ele também diz que negócio da sonda foi feito com o grupo Schahin para quitar uma dívida com o PT, versão revelada por outros três delatores. Até o momento, Cerveró não entrou em detalhes sobre os anexos de sua delação. Ele prestou apenas um depoimento na semana passada, poucos dias depois de ser transferido para o Complexo Médico Penal, em, Pinhais, na quinta (12). Seu acordo foi assinado menos de uma semana depois. Segundo pessoas próximas a Cerveró, ele tem se mostrado aliviado desde que fechou o acordo, pois passou a ter data definida para sair da prisão. Ele dele ir para casa no meio de 2016. No entanto, Cerveró não escondeu dos companheiros de prisão o receio do que pode acontecer com familiares, principalmente com o filho Bernardo, que fez gravações de Delcidio do Amaral que culminaram na prisão do senador petista. Ele falou a outros presos que tem receio de retaliações. Também comentou que estava decepcionado com o comportamento do seu advogado, Edson Ribeiro, que participou das negociações. O estado de saúde mental de Cerveró era uma das principais preocupações da família. Diante de duas tentativas frustradas de negociação com a Procuradoria Geral da República, o ex-diretor se mostrava deprimido e com oscilações de humor. Ele também emagreceu cerca de dez quilos.

Para aliados do ex-presidente Lula, Delcídio fez uma "trapalhada"

Íntimos aliados do ex-presidente Lula Silva avaliaram, nesta quarta-feira (25), que o líder do Governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), foi desastrado. Apesar da avaliação, Lula recomendou cautela a seus assessores. A orientação era esperar a decisão do Senado sobre o destino de Delcídio, preso preventivamente. Preocupado, Lula convidou o advogado Roberto Teixeira para um almoço no Instituto Lula, onde os dois analisariam o cenário do ponto de vista jurídico. Delcídio é um dos principais interlocutores de Lula dentro do PT. Ele foi preso sob a acusação de tentativa de obstrução da Operação Lava-Jato. Petistas ligados a Lula avaliam que cometeu um erro com repercussões graves para o PT e o governo. Essa foi a primeira vez, pelo menos desde 1985, que o Supremo Tribunal Federal mandou prender um senador no exercício de seu mandato.

Há vazamentos na Lava Jato para beneficiar poderosos, diz relator

Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki afirmou nesta quarta-feira (25) que há "um perigoso canal de vazamento" de informações sigilosas das investigações do esquema de corrupção da Petrobras para beneficiar pessoas poderosas. O alerta do ministro ocorreu durante o julgamento da segunda turma do STF que confirmou a prisão do líder do governo Delcídio do Amaral (PT-MS), do banqueiro André Esteves, acusados de obstruir as investigações da operação Lava Jato e integrarem organização criminosa. "Vem à tona a grave revelação de que André Esteves tem consigo cópia de minuta do anexo do acordo de colaboração premiada assinado por Nestor Cerveró, confirmando e comprovando a existência de canal de vazamento na operação Lava Jato que municia pessoas em posição de poder com informações de complexo investigatório", disse o ministro. Segundo Teori, "é um genuíno mistério como um documento sigiloso que se encontrava em ambiente prisional em Curitiba chegou ao escritório de André Esteves em São Paulo". No pedido de prisão dos dois, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a comparar as tratativas de Delcídio e de Esteves para comprar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, para não serem citados como ato de mafioso. "Há, aí, componente diabólico de embaraço à investigação: ultimado o acordo financeiro, Nestor Cerveró passaria a enfrentar dificuldades praticamente intransponíveis para conciliar-se com a verdade. Seu silêncio compraria o sustento de sua família, em evocação eloquente de práticas tipicamente mafiosas", afirmou.

Temer estava preocupado com Zelada, disse Delcídio; mas o vice-presidente nega

Mais novo preso da Operação Lava Jato, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), avaliou a situação de integrantes da cúpula do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras, chegando a citar o vice-presidente, Michel Temer durante reunião com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, e Edson Ribeiro, que atuava na defesa. Em gravação efetuada por Bernardo, Delcídio afirma que "Michel está muito preocupado com o Zelada". Ex-diretor da Área Internacional da estatal, Zelada é acusado de receber propina e teria chegado ao cargo com apoio do PMDB de Minas Gerais, segundo delatores. De acordo com investigadores, houve o pagamento de propina de US$ 31 milhões na contratação de um navio-sonda pela Petrobras em 2008, sendo que parte foi paga a Zelada e ao ex-gerente da Petrobras, Eduardo Musa, e outra parcela foi destinada ao PMDB. Delcídio diz que acha que tem mais coisa sobre o presidente do Senado, que teria sido citado pelo lobista Fernando Soares, o Baiano. O petista ainda indica que Baiano teria falado do senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Delcídio diz ainda que vai procurar Renan para tratar com Gilmar, lembrando que no dia tinha reunião de líderes. Logo após a deflagração da Operação Lava Jato, Delcídio e Renan Calheiros chegaram a trocar acusações relacionadas à indicação de Nestor Cerveró para a diretoria internacional da Petrobras. Quando ocupou o cargo, Cerveró foi responsável pelo resumo executivo que embasou a decisão da compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal, em 2006. Depois de Delcídio ter atribuído ao PMDB a indicação do ex-diretor, o presidente do Senado responsabilizou o petista pela escolha de Cerveró. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), negou o teor das citações envolvendo seu nome feitas pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso na Operação Lava Jato. Segundo sua assessoria, "o vice-presidente não está preocupado com possível delação de Jorge Zelada", ao contrário do que havia dito Delcídio em conversa gravada por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Zelada foi o sucessor de Cerveró no cargo. Ele é acusado de receber propina e está preso. A assessoria do vice também afirma que ele "não foi procurado pelo senador Delcídio do Amaral para tratar de qualquer assunto da Lava Jato no STF" e que "jamais fez pedido ao ministro Gilmar Mendes sobre a investigação no Supremo". Na gravação, Delcídio afirma o vice falou com o ministro do Supremo sobre o caso de Zelada. "O Michel conversou com o Gilmar também" sobre a situação do ex-diretor, disse o senador, "porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada".

Governo Dilma cria regra flexível para fundos de pensão com déficit

Com voto contrário do Ministério da Fazenda, o Conselho Nacional de Previdência Complementar aprovou nesta quarta-feira (25) o fim da regra que obriga fundos de pensão que registram três anos consecutivos de déficit a adotar medidas para cobrir suas perdas. O conselho também modificou a norma que obrigava o ajuste imediato quando o déficit superasse 10% de suas reservas. Agora, esse percentual irá variar de acordo com o prazo médio de pagamento dos benefícios. No limite, planos com prazo médio de quatro anos ou menos não poderão registrar déficit, sob pena de terem de fazer um ajuste imediato. Isso porque matematicamente a nova regra é o prazo médio menos quatro para calcular o limite de déficit anual. Planos com prazo médio de 15 anos ou mais, por outro lado, poderão ter déficit superior ao limite atual de 10%. Com isso, quanto maior o prazo para pagar o beneficiários, maior será o déficit a ser tolerado, o que permitirá aos gestores fazer aplicações com prazos mais longos, segundo o conselho. Quando um plano registra desequilíbrio atuarial significa que, se fosse obrigado a pagar hoje todos os benefícios atuais e futuros, não haveria recursos suficientes para honrar os compromissos. Nesses casos, os trabalhadores têm de contribuir mais para seus planos ou ter os benefícios reduzidos. Já as empresas que patrocinam as entidades são chamadas a injetar recursos para cobrir o rombo. Outra mudança é que o ajuste se dará apenas sobre o valor que excede esse teto percentual. Hoje, é necessário ajustar todo o deficit. A alteração eleva de 77 para 81 o número de fundos que teriam de se ajustar, considerando o cenário atual. Oito planos de previdência (seis de estatais federais, um de um governo estadual e outro de uma empresa privada) continuam respondendo por 80% do déficit do sistema, estimado em R$ 46 bilhões.

Banco de André Esteves doou R$ 600 mil à campanha de Delcídio em 2014

A campanha de 2014 de Delcídio Amaral, que disputou o governo de Mato Grosso do Sul pelo PT, recebeu doação de R$ 600 mil do Banco BTG Pactual, de André Esteves. Tanto Delcídio como Esteves foram presos nesta quarta-feira (25) em desdobramento da Operação Lava Jato. O BTG Pactual foi o 13º maior doador da campanha. Já o braço do banco de corretagem de títulos e valores imobiliários fez uma doação de R$ 19.890,00. Construtoras processadas criminalmente no âmbito da Operação Lava Jato estão entre os principais contribuintes da campanha do petista Delcídio Amaral. A Odebrecht é a maior doadora (R$ 2.999.520,00), seguida da Andrade Gutierrez (R$ 2.851.250,00) e da UTC (R$ 2.351.849,20). A Engevix é a décima maior contribuinte (R$ 714.593,27) e a OAS está em 12º lugar (R$ 622.500,00). As construtoras aparecem como doadoras originárias de valores repassados pelos comitês de campanha. Em 2014, Delcídio recebeu 45% dos votos no segundo turno e saiu derrotado pelo tucano Reinaldo Azambuja, que teve 55%. Azambuja tornou-se o primeiro governador do Mato Grosso do Sul em 20 anos a não ser eleito pelo PT ou pelo PMDB. Delcídio, que estava licenciado do mandato de senador, voltou ao congresso.
Confira a lista dos maiores doadores:
Odebrecht - R$ 2.999.520,00
Andrade Gutierrez - R$ 2.851.250,00
UTC Engenharia - R$ 2.351.849,20
Construtora Triunfo - R$ 1.500.000,00
Equipav Engenharia - R$ 1.425.000,00
Mediservice - R$ 1.000.000,00
Conenge - Manutencao e Montagem Industrial - R$ 999.990,00
Induspan - R$ 900.000,00
PSG Tecnologia Aplicada - R$ 850.000,00
Engevix Engenharia - R$ 714.593,27
João Roberto Baird - R$ 650.000,00
OAS - R$ 622.500,00
Banco BTG Pactual - R$ 600.000,00

Governo avalia renovação de contrato de terminais portuários anterior a 93

O ministro dos Portos, Helder Barbalho, afirmou nesta quarta-feira (25) que o governo estuda a possibilidade de renovar as autorizações para operação de terminais portuários concedidas antes de 1993. Os empresários tentam há anos a extensão desses contratos, mas o governo vinha se negando a renová-los. Vários arrendatários entraram na Justiça para obter o direito de prolongar as autorizações. Barbalho afirmou que não há decisão final e o tema ainda está sendo debatido no governo. A declaração foi dada pelo ministro durante debate no seminário Fórum Infraestrutura de Transporte, promovido em São Paulo pela Folha. Durante a aprovação da Lei dos Portos, em 2012, os arrendatários pediram uma prorrogação de cinco anos nos contratos. O governo argumentou que eles não tinham direito à renovação. Segundo o ministro, a Secretaria dos Portos tem recebido diversas consultas sobre o leilão de terminais portuários que ocorrerá em 9 de dezembro. Quatro áreas serão oferecidas na ocasião: três no Porto de Santos, em São Paulo, e uma no Porto de Vila do Conde, no Estado do Pará. Barbalho afirmou que empresas brasileiras, americanas e chilenas são as principais interessadas em arrematar os terminais. A expectativa do governo é levantar R$ 1 bilhão com a concessão das áreas.

Juiz Moro autoriza que amigo de Lula seja ouvido por CPI do BNDES na terça-feira

Responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Paraná, o juiz federal Sergio Moro autorizou nesta quarta-feira (25) que o pecuarista José Carlos Bumlai, preso na última fase da Operação Lava Jato sob suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção, seja ouvido pela CPI do BNDES. A sessão será realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, na terça-feira (1º), a partir das 14h30. Bumlai, que está preso preventivamente, será escoltado pela Polícia Federal até a capital federal. Amigo do ex-presidente Lula, Bumlai é investigado, entre outros fatos, pelos empréstimos que suas empresas contraíram no BNDES, entre 2005 e 2012, que somam cerca de R$ 500 milhões. Segundo o Ministério Público Federal, as empresas ou estavam inativas ou não tinham atividade operacional na época. Grande parte das operações nunca foi paga. A São Fernando Açúcar e Álcool, por exemplo, obteve um contrato de R$ 338 milhões com o BNDES quando já havia um pedido de falência, em 2008. A empresa tem um passivo de cerca de R$ 1 bilhão atualmente – aproximadamente metade dele com o BNDES. Já a São Fernando Energia conseguiu um empréstimo de R$ 101 milhões quando estava inativa operacionalmente e possuía apenas sete empregados. Segundo os procuradores, chamou a atenção a realização de saques "vultosos" das contas da São Fernando por Bumlai, o que pode ser um indício de dissimulação do caminho até o destinatário final do dinheiro. Uma das hipóteses é que parte dos valores tenha sido destinada a agentes políticos. As investigações, porém, ainda estão em fase inicial.

Cerveró fecha delação após entregar gravações que incriminaram senador

O ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, fechou um acordo de delação premiada depois que sua defesa entregou evidências de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), tentou, em conluio com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, fazer com que ele não firmasse colaboração com a Justiça. O acordo foi firmado entre advogados de Cerveró e a Procuradoria Geral da República na última quarta-feira (18). O filho de Cerveró, Bernardo, entregou aos investigadores imagens de Delcidio oferecendo vantagens a Cerveró para que ele não fizesse delação. O acordo foi firmado com a Procuradoria Geral da República por envolver políticos de foro privilegiado e também cita a presidente Dilma Rousseff ao afirmar que ela sabia dos esquemas envolvendo a Petrobras como integrante do conselho da estatal. Esta foi a terceira rodada de negociações entre Cerveró e os procuradores no sentido se firmar um acordo de delação. As primeiras conversas aconteceram por volta de agosto, quando ele falou sobre a compensação do contrato de um navio-sonda da Schaihin para quitar uma dívida de campanha com o PT. Cerveró também havia citado em um dos anexos que Delcidio ganhou propina na venda da refinaria de Pasadena. Na época, porém, os procuradores não consideravam o ex-diretor uma figura "confiável" e o viam como um "jogador". A saúde emocional abalada, com oscilação de humor e visitas semanais de psiquiatra, com medicação, também levantou questionamento.

Leia trechos da conversa em que senador petista combina fuga de Cerveró

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi preso nesta quarta-feira, acusado de ameaçar o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, e de ter oferecido a ele ajuda para fugir do Brasil em troca de não revelar nada sobre o esquema de corrupção da Petrobras. Essas conversas foram gravadas por um dos filhos de Cerveró e entregues à Polícia. Leia os trechos da conversa que tratava do plano de fuga:
DELCÍDIO: Hoje, eu falo, porque acho que o foco é o seguinte, tirar; agora a hora que ele sair tem que ir embora mesmo.
BERNARDO (FILHO DE CERVERÓ): É, eu já até pensei, a gente tava pensando em ir pela Venezuela, mas acho que... deve sair, sai com tornozeleira, tem que tirar a tornozeleira e entrar, acho que o melhor jeito seria um barco... É, porque aí chega na Espanha, pelo menos você não passa por imigração na Espanha. De barco, de barco você deve ter como chegar...
EDSON RIBEIRO (ADVOGADO DE CERVERÓ): Cara é muito longe.
DELCÍDIO: Pois é, mas a ideia é sair de onde de lá?
BERNARDO: Não, da Venezuela, ou da...
EDSON: É muito longe.
DELCÍDIO: Não, não.....
BERNARDO: Não, mas o pessoal faz cara, eu tenho um amigo que trouxe um veleiro agora de...
EDSON: Não, tudo bem, (vai matar o teu velho).
BERNARDO: É ... mas não sei, acho que...
EDSON: [risos] ... Pô, ficar preso (...)
BERNARDO: Pegar um veleiro bom...
DELCÍDIO: Não, mas a saída pra ele melhor é a saída pelo Paraguai...
BERNARDO: Mercosul...
EDSON: Mercosul, porque o pessoal tem convenções no Mercosul, a informação é muito rápida.
DELCÍDIO: É?
EDSON: É
EDSON: E ao inverso... seria melhor, porque ele tá no Paraná, atravessa o Paraguai...
DELCÍDIO: A fronteira seca...
EDSON: (...) Entendeu? E vai embora, eu já levei muita gente por ali, mas tem convênio, quando você sai com o passaporte, mesmo...
DELCÍDIO: Eles trocam...
DELCÍDIO: Agora, agora, Edson e Bernardo, eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar, o Michel conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também.
EDSON: Tá.
DELCÍDIO: Porque o Gilmar, ele oscila muito, uma hora ele tá bem, outra hora ele tá ruim, e eu sou um dos poucos caras...
EDSON: Quem seria a melhor pessoa pra falar com ele? Renan, ou Sarney?
DELCÍDIO: Quem?
EDSON: Falar com o Gilmar.
DELCÍDIO: Com o Gilmar, não, eu acho que o Renan conversaria bem com ele.
EDSON: Eu também acho, o Renan. É preocupante a situação do Renan.
DELCÍDIO: Eu acho que, mas por que, tem mais coisas do Renan? Não tem...
EDSON: Não, mas o... acho que o Fernando fala nele, não fala?
DELCÍDIO: Fala, mas fala remetendo ao Nestor.
EDSON: Ah é, também? Então, tudo bem.
DELCÍDIO: Como também fala do Jader, remetendo ao Nestor.
EDSON: Então, tudo bem. Escolheu o Fernando.
DELCÍDIO: Então nós temos que centrar fogo agora pra resolver isto...
EDSON: Mas então seria bom ver Renan olha só...
DELCÍDIO: Não, eu vou falar com ele...
DIOGO (CHEFE DE GABINETE DE DELCÍDIO): Hoje tem reunião de líderes.
DELCÍDIO: Eu falo com o Renan hoje.
EDSON: Tá bom.
DELCÍDIO: Hoje eu falo, porque acho que o foco é o seguinte, tirar. Agora, a hora que ele sair tem que ir embora mesmo.
Na conversa, Delcídio determina a seu chefe de gabinete que anotasse em sua agenda o compromisso de “tomar um café” com Edson Fachin:
EDSON: É. Eu tô com aquele outro HC que tá na mão do Fachin.
DELCÍDIO: Tá com, tá com o Fachin?
EDSON: Tá.
DELCÍDIO: Ah é, você me falou (...)
EDSON: Que é pra anular (...)
DELCÍDIO: Conversar com Fachin.
EDSON: Se a gente anula aquilo, a situação de todos tá resolvido por que aí eu vou anular em cadeia, eu anulo a dele, Paulo Roberto, anulo a do Fernando Baiano.
EDSON: A do Fernando Baiano, eu anulo.
DIOGO: É pra anular a delação premiada.
EDSON: Eu peço aí, aí, oh só.
EDSON: Paulo Roberto, porque, porque foi homologada pelo Supremo, aí eu consigo anular a do Ricardo Pessoa, enquanto Supremo também eu peço suspensão e anulo aquela porcaria também em situação idêntica. Consigo anular a do Fernando Baiano, a do Barusco e a do Júlio Camargo. Pô cara!
DELCÍDIO: E tá com o Fachin? Eu tô precisando fazer uma visita para ele lá hein!
EDSON: Essa é a melhor, porque acaba a operação. Porque se na decisão disser que não anula apenas...
DIOGO: É a 130 a 106?
EDSON: Eu tenho aqui, eu tenho aqui (...) espaços, porque, se isso aqui for anulado, e se a decisão disser a partir [vozes sobrepostas].
DELCÍDIO: Você quer atender?
EDSON: Não, é mensagem, mas a partir da anulação tudo resta nulo, tudo.
DELCÍDIO: Isso tá com o Fachin?
EDSON: E o bom, a nossa tese é cível, e ele é civilista.
DIOGO: Exatamente.
EDSON: Isso foi a melhor coisa que aconteceu (...) foi pô, Fachin (...)
BERNARDO: O problema é ele, ele, tem a possibilidade de ele redistribuir uma porra assim?
EDSON: Não!
BERNARDO: Não!
DIOGO: Não, não, acho que não!
EDSON: É ele. Não tem jeito!
DELCÍDIO: Diogo, nós precisamos, nós precisamos marcar isso logo com o Fachin, viu!
DIOGO: Hum hum!
DELCÍDIO: Fala com o Tarcisio lá.
DIOGO: Tá!
DELCÍDIO: Pra ver se eu faço uma visita pro Fachin.
EDSON: Esse todo mundo devia cair em cima e pedir porque resolve tudo.
DELCÍDIO: Esse mata tudo... Quer dizer sobre o ponto de vista jurídico em função do HC só tá faltando o Gilmar.
DIOGO: Han rã!
DELCÍDIO: E eu vou essa ideia do Edson é boa, e eu vou falar com Renan também ... é, é, e na verdade tá Renato.
EDSON: Isto, são os dois
DELCÍDIO: E Nestor está na mesma, na mesma (...)
EDSON: E aí vai servir para Zelada também que é igual
DELCÍDIO: E outra é falar com Tarcísio para marcar um café meu com Fachin ... é importante isso.
EDSON: Nesse o Zelada vai junto. Ele vai dar extensão pro Zelada.
DELCÍDIO: Aí puxa... Bom, depois, havendo a soltura aí são outros quinhentos que tem que avaliar.
EDSON: Isso aí.
BERNARDO: Sim, a gente a gente operacionaliza rapidamente e a gente só vai precisar do...
EDSON: Eu preciso mantê-lo aqui por enquanto, mas eu quero examinar analisar muito calmo essa situação do TRF, questão de tempo.
BERNARDO: É, acho que vai depender muito do resultado desse HC, porque até [vozes sobrepostas]
EDSON: Só depende do HC.
BERNARDO: Não, do do Fachin, porque aí (...) é sinal que a coisa aí ele (...) teria mais motivo pra ficar.
EDSON: Ah, sim!
BERNARDO: Se se começar a anulação.
EDSON: Tudo anulado não tem porque fugir, porra. Não vai dar nada pra ninguém... Bom, então é ... Eu não falei com Kakay, eu falei por alto com Kakay. Eu encontrei com ele num restaurante no Leblon, ele até me pediu uma cópia desse HC. Eu não mandei a cópia pra ele, tá, eu esperei falar com vocês pra saber se falo ou não falo com ele ... porque eu tenho medo.

Prisão de André Esteves preocupa mercado financeiro e setor produtivo

A prisão do banqueiro André Esteves, de 47 anos, diretor-executivo e maior acionista do BTG Pactual, no âmbito da Operação Lava-Jato, fez o mercado financeiro e pesos-pesados do setor produtivo nacionais terem uma manhã de forte apreensão. Esteves comanda não apenas a oitava maior instituição financeira do País e o maior banco de investimentos independente da América Latina, com R$ 214,8 bilhões em ativos administrados. O BTG e André Esteves, em particular, estão hoje no epicentro de dois dos maiores projetos empresariais em andamento no Brasil: a Sete Brasil e o projeto da Oi de se fundir com a TIM. E embrenhados em uma dezena de negócios em setores que vão da energia ao farmacêutico. "Sem o BTG, essa operação de fusão não existe. Agora, como você explica para o mercado internacional que o banco que você contratou para fazer uma fusão está com o presidente preso? Está todo mundo preocupado e fazendo ligações para tentar acalmar os investidores. Sem essa operação, a situação da Oi só tende a piorar no médio e longo prazos", disse uma fonte que acompanha de perto a negociação, lembrando que a fusão pode movimentar mais de R$ 40 bilhões. A própria Petrobras que molda a Lava-Jato é uma importante parceira do BTG Pactual. Ambos são sócios da Sete Brasil, um dos principais negócios do setor nacional de petróleo e gás, avaliado em US$ 13 bilhões. A Sete foi criada para alugar sondas de exploração à petrolífera e tem entre seus acionistas os maiores fundos de pensão de estatais, o FI-FGTS, Santander e Bradesco. No entanto, com a redução da produção e dos investimentos da Petrobras, o contrato original, que previa a entrega de 28 sondas, foi revisto para 18. E, mesmo assim, até hoje não foi assinado, por exigências adicionais da diretoria da estatal. Cabe ao BTG a negociação com a Petrobras em nome da Sete e seus acionistas. Também é o banco de Esteves o acionista responsável por renegociar as dívidas da Sete Brasil, que somam US$ 3,6 bilhões com as instituições credoras, entre elas Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. O BTG também tem sido o líder das missões rotineiras da Sete à Ásia para negociar com investidores locais um aporte de US$ 570 milhões. A relação do BTG com a Petrobras não pára por aí. O banco é sócio das operações da estatal na África, com metade das ações da joint venture PO&G, que explora campos de petróleo no continente. O negócio, concretizado em 2013, foi alvo de investigação do Tribunal de Contas da União, pois a fatia de 50% valeria na época entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões, o ativo era considerado bom e havia interessados. Mas a venda da participação foi feita por US$ 1,5 bilhão para o BTG. A Petrobras nega irregularidades. Segundo fontes, o banco seria um dos contratados pela Petrobras para vender parte dos seus ativos, uma operação de guerra com a qual a estatal, passando por dificuldades de caixa e endividamento total de R$ 506,6 bilhões, pretende levantar US$ 15,1 bilhões entre este ano e o fim de 2016. O setor de óleo e gás está tão em alerta quanto o de Telecomunicações. O BTG tem papel central nas últimas movimentações envolvendo a Oi. Há dois anos, o banco aportou R$ 2 bilhões na operadora, tornando-se um acionista de peso na tele. Na ocasião, o BTG estava liderando a união da Oi com a Portugal Telecom (PT). Como o negócio fracassou, a Oi decidiu contratar o BTG como "comissário mercantil" para viabilizar um processo de consolidação no setor de telecomunicações. Ou seja, o BTG tem plenos poderes para negociar em nome da operadora. Primeiro, o banco tentou fatiar a TIM entre a América Móvil (Claro) e a Telefónica (Vivo), mas esbarrou em interesses dos espanhóis. Depois, conversou com um fundo de investimento liderado por russos e conseguiu um “cheque” de US$ 4 bilhões para unir a Oi com a TIM. Esta articulação está em andamento. Os tentáculos do BTG Pactual se estendem por outros setores. O banco de Esteves é conhecido, entre seus muitos apelidos, como “piratas do mercado”, pois, quando entram em um negócio, é com apetite e para ficar com o lucro. Além de atuar em todos os segmento do setor financeiro, também tem presença no varejo, áreas hospitalar, infraestrutura, negócios imobiliários, lixo e academias de ginástica. São sócios, por exemplo, da Brasil Pharma (que tem, entre outras, as redes Farmais e Drogaria Rosário), da Rede D’Or (hospitais), da Estapar (estacionamentos), da Estre Ambiental, da DVBR (rede de postos de combustíveis que conseguiu usar a bandeira da BR Distribuidora) e Equatorial (energia). O BTG e André Esteves podem correr riscos ainda no exterior, onde a legislação anticorrupção é mais rigorosa, por exemplo nos Estados Unidos. O banco tem 35 escritórios em 20 países. Está em grandes centros financeiros, como Nova York e Londres, e também em aéreas como Quênia e Ucrânia. Em setembro deste ano, concluiu a compra da gestora suíça de recursos BSI, consolidando o esforço de ampliar e diversificar receitas no Exterior. O grupo pagou 1,25 bilhão de francos suíços (US$ 1,29 bilhão) para selar a compra anunciada em julho de 2014. Antes controlado pelo italiano Assicurazioni Generali, o BSI vai dobrar a receita de serviços do BTG Pactual para US$ 2 bilhões, segundo o banco brasileiro, que assim se tornou um grupo com US$ 186,5 bilhões em ativos sob gestão. O BSI será integrado à plataforma de gestão de fortunas e private banking do BTG Pactual, mas a marca suíça será mantida. Com a compra, o total de empregados do BTG Pactual passa de 3.500 para 5.400. No ano passado, o banco de Esteves comprou 2% do italiano Banca Monte dei Paschi di Siena, por meio do BTG Pactual Europa. Em 2012, lançou um fundo de investimentos para a África no valor de US$ 1 bilhão. Os países onde o BTG tem representações: Brasil, Chile, Colômbia, México, Argentina, Peru, Costa Rica, Itália, China, Cingapura, África do Sul, Suíça, Ucrânia, Inglaterra, EUA, Quênia, Rússia, Índia, Luxemburgo e Ilhas Cayman.

Nove dos 13 senadores que votaram na liberação de Delcídio são do PT

Entre os senadores petistas, apenas Paulo Paim (PT-RS) e Walter Pinheiro (PT-BA) não votaram pelo relaxamento da prisão de Delcídio Amaral (PT-MS). O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI) não votou, e o senador Edison Lobão (PMDB-MA) , investigado na Lava-Jato, se absteve. O Plenário do Senado recebeu com silêncio o anúncio da decisão de manter a prisão do petista Delcídio Amaral. Foram 73 senadores que votaram. Contabilizando o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que não votou por ser presidente e o senador Delcídio, que está preso, somam-se 75, dos 81 senadores da Casa. Ou seja, faltaram à sessão ou não votaram seis senadores: Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Anastasia (PSDB-MG), ambos tucanos; o presidente do PP e investigado na Lava Jato, Cyro Nogueira (PI); a senadora Fátima Bezerra (PT-RN); o senador Gladson Cameli (PP-AC); e o novo líder do PR no Senado, Wellington Fagundes (MT). Após a votação, os senadores foram saindo um a um do Plenário com semblantes sérios. Na porta, o senador Paulo Rocha (PT-PA), vice-líder do governo, constrangeu o colega Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que votou pela manutenção da prisão: "Isso não é posição de socialista! Isso não é posição de democrata! Isso é estado de exceção e amanhã pode se voltar contra nós!" — dizia Rocha, demonstrando irritação. Randolfe disse que foi a segunda vez que Paulo Rocha o constrangeu e afirmou considerar "descabido" um senador não respeitar uma decisão do Supremo. Renan não quis falar sobre o futuro da vaga de Delcídio. Ele não confirmou se será chamado o suplente ou se será aberto processo de cassação. Veja a lista completa dos 13 senadores que votaram pela liberaçao do petista Delcídio Amaral:
Ângela Portela (PT-RR)
Donizetti Nogueira (PT-TO)
Fernando Collor (PTB-AL)
Gleisi Hoffman (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
João Alberto Souza (PMDB-MA
Jorge Viana (PT-AC)
José Pimentel (PT-CE)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Paulo Rocha (PT-PA)
Regina Souza (PT-PI)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Telmário Mota (PDT-RR)

Nestor Cerveró diz na delação premiada que "Dilma sabia de tudo na compra da Refinaria Pasadena"

Ela sabia de tudo. Ficou claro na noite desta quarta-feira que na minuta da delação premiada do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, há anotações do executivo, à mão, dizendo que a presidente Dilma "sabia de tudo de Pasadena" e que inclusive estaria cobrando o então diretor pelo negócio, tendo feito várias reuniões com ele. O acordo de Cerveró foi firmado com a Procuradoria-Geral da República e submetido ao ministro do Supremo Teori Zavascki, que ainda não decidiu sobre sua homologação. O fato veio à tona nas conversas gravadas entre o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, o advogado Edson Ribeiro, que defendia Cerveró, e o filho do ex-diretor, Bernardo Cerveró. No diálogo, o senador revela que teve acesso ao documento sigiloso da delação do executivo por meio do banqueiro André Esteves, dono do banco BTG Pactual, e questiona sobre as citações à presidente manuscritas na minuta do acordo de delação. Na gravação, o filho de Cerveró confirma que as anotações são mesmo de seu pai. Os áudios dos encontros do político com o advogado, gravados por Bernardo Cerveró, foram utilizados pela Procuradoria-Geral da República para pedir a prisão de Delcídio, André Esteves, Edson Ribeiro e o chefe de gabinete do senador. No documento, conforme menciona Delcídio na gravação, há referências de que Dilma "sabia de tudo" e que ela "estava acompanhando tudo de perto", tendo inclusive cobrado Cerveró sobre o negócio. A aquisição da refinaria de Pasadena é investigada por Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Ministério Público por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas. O conselho da Petrobrás autorizou em 2006, quando Dilma era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da estatal, a compra de 50% da refinaria por US$ 360 milhões. Posteriormente, por causa de cláusulas do contrato, a estatal foi obrigada a ficar com 100% da unidade, antes compartilhada com uma empresa belga. Acabou desembolsando US$ 1,18 bilhão - cerca R$ 2,76 bilhões. Segundo apurou o TCU, essas operações acarretaram em um prejuízo de US$ 792 milhões à Petrobrás. Em carta encaminhada ao jornal O Estado de S.Paulo no ano passado, a presidente afirmou que a decisão foi tomada com base em um parecer "técnico e juridicamente falho". A investigação sobre o caso foi encaminhada ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, e por meio de delações, lobistas e ex-executivos da estatal confirmaram que houve o acerto de propinas no negócio para atender "compromissos políticos". Diante disso, foi deflagrada a 20ª etapa da Lava Jato que determinou buscas e apreensões nos endereços de ex-funcionários da estatal envolvidos no negócio. Não é a primeira vez que o ex-diretor tenta envolver a presidente no escândalo da Petrobras. Em janeiro, o executivo chegou a elencar Dilma como sua testemunha de defesa em um dos processos que ele respondia na Justiça Federal no Paraná. Na ocasião, após o fato ser revelado, a defesa do executivo recuou e, em menos de uma hora, substituiu a testemunha.

Vereadores proíbem serviço do Uber em Porto Alegre

Por 12 votos contra nove, a Camara de Vereadores de Porto Alegre proibiu os serviços do Uber em Porto Alegre. A Câmara tem 36 vereadores, o que significa que 15 parlamentares fugiram da decisão sobre esse caso. Não é a primeira vez que a Câmara Municipal de Porto Alegre se coloca na posição de vanguarda da retaguarda do atraso. No início dos anos 2000 os vereadores atrasados de Porto Alegre eram contrários à abertura dos shoppings aos finais de semana na capital gaúcha.

PT rifa Delcídio Amaral. Ele não é um "guerreiro do povo brasileiro"

Ao contrário do que tem feito com outros "guerreiros do povo brasileiro", como José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, o PT decidiu que não apoiará o senador Delcídio Amaral. Eis a nota do PT: "O presidente Nacional do PT, perplexo com os fatos que ensejaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral, tem a dizer o seguinte: 1 - Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado; 2 - Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade; 3 - A presidência do PT convocará, em curto espaço de tempo, reunião da Comissão Executiva Nacional para adotar medidas que a direção partidária julgar cabíveis. Brasília, 25 de novembro de 2015. Rui Falcão - Presidente Nacional do PT

Contrato de US$ 1,6 bilhão da construção das plataformas P-75 e P-77 ainda não saiu

O secretário do Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, Fábio Branco, disse na tarde desta quarta-feira que o governo estadual ainda alimenta esperança de que a Petrobrás confirme o contrato que fechou com a QGI para construir em Rio Grande as plataformas P-75 e P-77. A QGI e a Petrobrás prometeram fazer isto em novembro, mas o mês chega ao fim sem notícias. O CEO da QGI, Marcos Reis, está neste momento na China. Ao que se presume, trata, lá, da montagem das duas plataformas ou de parte delas, o que inviabilizaria ou reduziria muito o papel do Pólo Naval de Rio Grande. O contrato de US$ 1,6 bilhão, com potencial para gerar até 4 mil empregos, se tornou alvo de impasse em junho do ano passado, quando a estatal anunciou que não concordava com pedidos de aditivos feitos pela QGI.