quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Defesa de Bumlai pede habeas corpus e compara prisão com ditadura


A defesa do pecuarista José Carlos Bumlai, detido na terça-feira (24) na Operação Lava Jato, afirmou à Justiça que a prisão preventiva do empresário é "ilegal e política" e a comparou à repressão da ditadura militar. Para os advogados, que pediram a revogação da prisão nesta quarta-feira (25), a medida foi tomada "em nome do extermínio da corrupção", sem provas concretas, violando o direito de defesa. "Esse voluntarismo bem-intencionado (do combate à corrupção) não pode justificar uma decisão política, violadora da garantia constitucional da presunção de inocência", escreveram os defensores Arnaldo Malheiros Filho, Daniella Meggiolaro e Arthur Prado. Na petição, a defesa ainda afirma que, quando "os grandes inimigos públicos eram os comunistas", a Justiça também adotava "o utilitarismo e a primazia da segurança social sobre os direitos individuais". Para eles, faltam evidências de que Bumlai agiria para obstruir as investigações ou usaria o nome do ex-presidente Lula, seu amigo pessoal, para constranger testemunhas. "Tudo são suposições", escrevem os advogados: "Não se fala que Bumlai constrangeu, ameaçou, utilizou ou acobertou. Há apenas conjecturas de que poderia". O pecuarista é investigado por ter feito empréstimos que seriam destinados a agentes políticos, realizando saques milionários em espécie. Em 2004, ele obteve R$ 12 milhões emprestados do Banco Schahin. Suas empresas também contraíram cerca de R$ 500 milhões no BNDES, entre 2005 e 2012. Para o juiz Sergio Moro, que decretou sua prisão, as provas indicam que ele "disponibilizou seu nome e suas empresas para viabilizar, de maneira fraudulenta, dinheiro a partido político, com todos os danos decorrentes à democracia". A defesa diz que o decreto foi "uma pré-sentença condenatória", e que Bumlai nunca se furtou a prestar esclarecimentos ou a entregar documentos à Justiça. Portanto, outras medidas cautelares que não a prisão poderiam ter sido adotadas. O pedido de habeas corpus foi feito ao Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, instância superior à Justiça Federal no Paraná. Os juízes ainda devem analisar o pedido. Preso desde a manhã de terça-feira (24), Bumlai está sozinho em uma cela na sede da Polícia Federal em Curitiba, em ala separada do doleiro Alberto Youssef. No seu primeiro dia detido, passou a maior parte do tempo rezando, com uma Bíblia recebida de sua advogada. No caminho do aeroporto à carceragem em Curitiba, quase chorou, segundo o relato de policiais. Mesmo detido, continuou vestindo camisa e sapato social. Bumlai é hipertenso, mas não tem dieta especial; toma apenas um remédio para controle de pressão. O pecuarista almoçou carne moída e jantou feijoada com linguiça toscana. Abriu mão do café, porque só bebe descafeinado. À tarde, recebeu a visita do filho Fernando e do genro André. No sábado, o empresário fará 71 anos.

Del Nero deve abrir mão do seu cargo na Conmebol nesta quinta-feira


O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, deve abrir mão do seu cargo na Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) nesta quinta-feira (26), na sede da CBF, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele vai participar de uma reunião da entidade, realizada extraordinariamente no Rio de Janeiro. Se deixar o cargo, ele também não vai representar a Conmebol no comitê-executivo da Fifa. O cartola não deixa o País desde maio, quando José Maria Marin, seu antecessor, foi preso na Suíça acusado de receber propina em negociações de competições no país e no exterior. Durante a chegada dos presidentes da confederações que integram a Conmebol nesta quarta (25) na sede da CBF, Del Nero fez um gesto raro em sua gestão, marcada pela discrição. Ele desceu até o saguão de entrada do prédio da CBF e recebeu seus pares na portaria, por volta de 14 horas. Os dirigentes trocaram abraços e conversaram descontraidamente, antes de darem início à visita oficial. Caso se confirme a saída, Del Nero deve indicar seu sucessor. É provável que o escolhido seja o vice-presidente da CBF Fernando Sarney, representante da região Norte do país. Ele foi o único vice-presidente que participou da recepção desta quarta-feira. Filho do ex-presidente da república José Sarney, Fernando é forte aliado de Del Nero. A reunião também deve indicar um substituto para o ex-presidente da Confederação Colombiana, Luis Bedoya. Ele renunciou ao cargo recentemente.

Substituto de André Esteves diz que BTG não é feito de apenas uma pessoa

Em evento com clientes nesta quarta-feira (25), o presidente interino do banco BTG Pactual, Pérsio Arida, foi sucinto ao falar sobre a prisão do banqueiro André Esteves, fundador da instituição, pela Polícia Federal. Em rápida manifestação sobre o tema, Arida tentou tranquilizar os clientes, dizendo que o banco não é feito de apenas uma pessoa. Arida assumiu o comando do banco no lugar de André Esteves, que foi preso nesta quarta (25) sob acusação de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. A decisão foi do conselho de administração do banco. O evento, que já estava agendado antes da operação da Polícia Federal, reuniu cerca de 400 clientes do BTG no hotel Sofitel, em Copacabana. A maior parte da plateia era formada por clientes pessoa física, da área de gerenciamento de riquezas do banco. De acordo com o convite, Esteves faria a palestra de abertura, seguindo por uma mesa redonda composta pelos sócios Arida e Eduardo Loyo e pelo ex-presidente do Banco Central do México e presidente das operações do BTG naquele país, Guillermo Ortiz. Segundo participantes do encontro, Arida fez um breve comentário sobre a prisão de Esteves, afirmando que confia na Justiça e espera que a situação seja resolvida o mais rápido possível. Disse ainda que a Operação Lava Jato é importante para o País. "Ele procurou tranquilizar os clientes dizendo que o banco não é feito de apenas uma pessoa, é feito de parceiros", disse um cliente, na saída. Ele acrescentou que o executivo usou a expressão "business as usual" para dizer que o banco continuará operando normalmente. Depois, Arida emendou no tema do encontro –as perspectivas econômicas para 2016. De acordo com os presentes, não houve questionamentos sobre a prisão de André Esteves durante a seção de perguntas e respostas. "Foram apenas duas perguntas, as duas sobre o tema do encontro", contou um deles. Em geral, o clima entre os entrevistados não era de grande preocupação. "Vim apenas por desencargo de consciência. Queria ver se eles iriam falar mais [sobre a prisão]", disse um participante, que deixou o encontro mais cedo, logo após o pronunciamento de Arida. Funcionários do banco perceberam, durante o dia, um clima de preocupação com relação às consequências da prisão de Esteves nas operações. Durante o dia, houve um esforço pró-ativo para entrar em contato com clientes para tentar acalmá-los. "Foi todo mundo pego de surpresa", disse um empregado. "Mas o banco tem uma posição sólida", defendeu.

O presidente-interino do BTG Pactual, Persio Arida

Mauricio Macri anuncia equipe econômica ligada ao mercado na Argentina


Tido como um dos responsáveis por tirar a Argentina da crise de 2001, Prat-Gay se autodefine como desenvolvimentista, perfil que Macri previa para o ministério. Apesar disso, o novo guardião da Fazenda tem passagem pelo mercado financeiro. Estudou economia da Pensilvânia (EUA) e trabalhou no JP Morgan em Nova York antes de ingressar na carreira política argentina. Nesta quarta-feira (25), após reunião com Macri, o novo ministro disse que apresentará suas medidas assim que Macri assumir a Presidência, em 10 de dezembro. Dentre elas, estão o fim das restrições à compra de dólares e despesas em moeda estrangeira. "A promessa do presidente eleito é fazê-lo o antes possível", afirmou Prat-Gay. O titular da Fazenda atuará com outros cinco ministros, formando a força-tarefa de Macri. Quatro deles foram anunciados nesta quarta-feira. O ex-presidente da Shell Argentina, Juan José Aranguren, será o ministro de Energia e Mineração. Ele deverá resolver a difícil equação de aumentar os investimentos no setor e reduzir o número de apagões, e ao mesmo tempo preservar os subsídios nas contas de luz e de gás. Dois ex-ministros de Macri na cidade de Buenos Aires, Francisco Cabrera, e Guillermo Dietrich, assumirão as pastas de Produção e Transporte e Infraestrutura. Para a Agricultura, Macri chamou o ruralista da União Cívica Radical (UCR), Ricardo Buryaile. O tradicional partido de oposição ao peronismo ainda ficou responsável pelo plano de desenvolvimento do norte da Argentina. O único nome da equipe econômica que não foi divulgado foi o do ministro do Trabalho, que deverá ser anunciado nos próximos dias. É na área econômica onde pairam as principais dúvidas sobre a futura administração de Macri. O novo governo deverá anunciar em breve sua posição na negociação com os chamados "fundos abutres" — credores externos que cobram parte da dívida do calote argentino de 2001. Só assim conseguirá recorrer a financiamento externo para recompor suas reservas em dólares, o que permitiria acabar com as restrições às moedas estrangeiras. Embora Macri já tenha defendido no passado pagar o valor devido aos credores, o futuro chefe de gabinete argentino, Marcos Peña, evitou dar sinais sobre a posição atual do eleito. "Vamos defender o interesse dos argentinos, mas acreditando que é possível resolver essa questão da maneira correta para poder gerar investimentos, trabalho e superar a pobreza". 


Peña confirmou que Macri insistirá em trocar o comando do Banco Central. Anunciou que pretende colocar no cargo o liberal Federico Sturzenegger, economista do Banco Ciudad (da capital). A nomeação dele está pendente porque seria necessária a renúncia do kirchnerista Alejandro Vanoli, que tem mandato até ao menos setembro de 2016. Se assumir o Banco Central, ele terá como herança uma baixa nas reservas cambiais. Embora o governo informe que há cerca de US$ 26 bilhões em caixa, economistas dizem que o valor disponível é a metade disso.
EQUIPE ECONÔMICA
ALFONSO PRAT-GAY
Fazenda e Finanças
Presidente do BC no início do governo Néstor Kirchner, participou da reorganização econômica na Argentina após a crise política de 2001
GUILLERMO DIETRICH
Transporte
Subsecretário de Transportes portenho e ex-empresário de concessionárias da Ford e da VW, planejou os corredores de ônibus da capital argentina
FRANCISCO CABRERA
Produção
Ministro de Desenvolvimento Econômico da capital, é ainda líder da Fundação Pensar, o centro de políticas públicas do PRO de Mauricio Macri
RICARDO BURYAILE
Agricultura
Deputado por Formosa, é um dos maiores pecuaristas do nordeste do país e foi vice-presidente das Confederações Rurais Argentinas
JUAN JOSÉ ARANGUREN
Energia e Mineração
Presidente da Shell Argentina de 2003 até março, provocou a ira de Néstor Kirchner ao aumentar combustíveis e não aderir à pressão do governo

Por ampla maioria, Senado Federal mantém o petista Delcídio do Amaral preso


Em uma decisão inédita, o Senado deliberou nesta quarta-feira (25) por manter a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) por um placar de 59 votos pela manutenção da decisão do Supremo Tribunal Federal, 13 votos contrários e uma abstenção. De acordo com a Mesa Diretora da Casa, pelo ineditismo do fato, ainda não há uma decisão sobre se Delcídio poderá continuar no cargo de senador mesmo estando preso. Uma decisão sobre isso deverá ser tomada pelo Senado apenas nesta quinta-feira (26). O plenário do Senado ficou em silêncio logo após a proclamação do resultado da votação. Os únicos senadores petistas que votaram pela manutenção da prisão foram Paulo Paim (RS) e Walter Pinheiro (BA). O Senado tinha que decidir sobre a manutenção da prisão do petista porque ele tem foro privilegiado – a Constituição estabelece que, em casos de prisão em flagrante, "os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão". Delcídio foi preso pela Operação Lava Jato na manhã desta quarta sob a suspeita de tentar obstruir as investigações. Até a prisão, Delcídio era líder do governo no Senado e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, um dos colegiados mais importantes da Casa. A manutenção da prisão foi defendida, principalmente, pelos partidos de oposição durante o encaminhamento da votação. Encaminharam neste sentido DEM, PSDB, PS. Já o PDT e o PMDB liberaram as suas bancadas. O PT encaminhou pela liberdade de Delcídio, mas o líder do partido, senador Humberto Costa (PE), ressaltou que esta era uma posição da bancada e não do partido. Antes da votação, os senadores discutiram e decidiram pelo voto aberto na análise do caso. Havia um entendimento prévio de que os votos deveriam ser secretos, mas senadores oposicionistas criticaram a interpretação da Constituição e do regimento interno do Senado e articularam pela abertura do voto. Renan acabou sendo derrotado. Ele decidiu pela manutenção do voto secreto mas deixou que o plenário desse a palavra final no caso. Por 52 votos a 20, os senadores derrubaram a decisão do presidente. Mesmo antes do anúncio da decisão, Renan criticou a prisão de Delcídio indicando que a Casa manteria a prisão. "A Polícia Federal vir aqui e cumprir ordem judicial é democrático e natural. O que não é democrático prender um congressista no exercício do seu mandato sem culpa formada", disse. O peemedebista também criticou a decisão tomada pelo ministro do STF Luís Edson Fachin, que respondeu a dois mandados de segurança impetrados pelo DEM e pela Rede, de determinar a votação aberta. A decisão do ministro foi tomada minutos antes dos senadores decidirem pela derrubada do voto secreto. A notícia sobre o despacho de Fachin chegou aos senadores durante a votação e, de acordo com alguns parlamentares, acabou influenciando a decisão de algumas bancadas. Para Renan, é indevido que um dos três Poderes possa interferir no outro. "Não precisaria o Supremo decidir isso, como não nos cabe decidir sobre o regimento interno do Supremo." Ele disse ainda que "o equilíbrio dos Poderes não permite a invasão permanente de um sobre outro". "Eu tenho que defender a prerrogativa do Congresso nacional. Talvez um dia possamos avaliar o que significou esse dia triste para o Congresso brasileiro", afirmou. Antes do início da votação, Renan também teceu uma dura crítica ao presidente do PT, Rui Falcão, que em nota afirmou que o partido "não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade" ao senador Delcídio. "A nota do Partido dos Trabalhadores sobre esse episódio, além de intempestiva, é uma nota oportunista e covarde", disse, sendo aplaudido pelos seus colegas. Senadores que participaram de reuniões com Renan ao longo do dia afirmaram que o presidente da Casa fez uma série de apelos aos congressistas para que eles votassem pela libertação de Delcídio porque, segundo Renan, não houve flagrante na prisão do senador. Durante a discussão sobre a manutenção da prisão, os senadores de diversos partidos ressaltaram o ineditismo da questão e o fato de a votação ser "histórica". "Estamos vivendo a sessão de maior constrangimento da minha vida parlamentar. Estamos votando contra o coração mas a favor da razão", afirmou o senador José Agripino (DEM-RN). "É óbvio que tudo hoje que veio à público é de extrema gravidade mas o que está em discussão é se o STF pode prender um parlamentar no exercício do mandato sem flagrante. Posso até estar dando adeus à minha vida pública, espero que não, mas não poderia dar adeus à coerência e à democracia", afirmou o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE). Já o senador Telmário Mota (PDT-RR), um dos vice-líderes do governo no Senado, criticou a prisão ao dizer que a imunidade do Senado foi quebrada com a prisão de um senador no exercício do mandato. Já o senador Donizeti Nogueira (PT-TO) afirmou que o Supremo decidiu pela prisão "com o fígado". O PMDB, partido que poderia ajudar a tirar Delcídio da prisão, acabou mudando de posição ao longo do dia por dois motivos. O primeiro foi a chegada dos autos do Supremo com o conteúdo das gravações em que Delcídio aparecia negociando uma possível fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Os peemedebistas avaliaram que começava a ficar difícil qualquer tipo de defesa do senador petista. A segunda motivação para que o partido desistisse de apoiar Delcídio foi a divulgação da nota do PT. A avaliação foi que, se nem o próprio partido dava apoio, não caberia ao PMDB segurar a votação no Senado.

OUÇA A ATERRADORA CONVERSA DO SENADOR PETISTA DELCÍDIO AMARAL, UMA AUTÊNTICA DESCRIÇÃO DE UM CRIME, EM FLAGRANTE, ALGO INDESCRITÍVEL


TCU: fora, Aroldo Cedraz

Os ministros do TCU querem reconduzir Aroldo Cedraz à presidência do tribunal, mesmo sabendo que ele está envolvido na venda de sentenças comandada por seu filho, Tiago. Proteste contra essa vergonha, clicando no link abaixo e seguindo as instruções. A mensagem de repúdio chegará a todos os ministros do TCU: Fora, Aroldo Cedraz

Prisão de André Esteves ameaça rating do BTG e pode afetar fundos


A prisão de André Esteves por suspeita de obstruir o andamento da Operação Lava Jato, nesta quarta-feira, pode trazer complicações ao BTG Pactual, controlado por ele. Esse risco se apresenta mesmo sendo o BTG uma instituição com finanças consideradas sólidas, conforme atestou o Banco Central na manhã desta quarta. O receio refletiu-se nas ações do BTG, que fecharam em baixa de 21%. Um dos possíveis impactos poderá ocorrer na nota de risco de crédito do banco. Uma eventual ausência prolongada de Esteves ameaça sua classificação de crédito, afirmam analistas do setor e a própria agência de classificação de risco Moody's. Esteves está sob prisão temporária de cinco dias, que pode ser estendida pelo mesmo prazo, segundo o Supremo Tribunal Federal. O risco de haver consequências negativas para o banco - e, por extensão, para o setor financeiro - existe, mas precisa ser relativizado, segundo especialistas. Por se tratar de um banco de investimento com o foco em fundos institucionais, e não em pessoas físicas, o impacto da notícia não é imediato, exceto para os detentores de ações da instituição, explica o professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo, Alberto Borges Matias. "No futuro, isso pode ter um impacto no rating do banco, e, a partir disso, instituições financeiras com crédito concentrado no BTG podem sofrer com o não-pagamento de títulos", afirma. O professor salienta, no entanto, que essa é uma possibilidade ainda remota, já que as investigações se limitam, por ora, na figura pessoal de Esteves, e não na instituição BTG. O economista Alexandre Assaf Neto, autor de diversos livros na área de finanças, concorda que as consequências seriam mais severas se o banco fosse o alvo das investigações. "Seria muito pior se o BTG, enquanto instituição, estivesse envolvido", disse. Atualmente, o BTG é o quinto maior administrador de fundos do Brasil, com quase 180 bilhões de reais em ativos sob administração, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Luis Troster, lembrou que mais da metade das operações do BTG fica fora do Brasil e funcionam de forma independente de Esteves. "Além disso, o BTG é um banco muito estruturado, que funciona muito bem, com mais de uma centena de executivos próprios." Ele reforça que ainda é muito cedo para fazer quaisquer inferências sobre impactos no sistema bancário. "Não sabemos exatamente qual o teor das acusações", diz.

PT abandona Delcídio. Renan chama decisão de "covarde"


O Partido dos Trabalhadores apressou-se nesta quarta-feira a abandonar o senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder da presidente Dilma Rousseff no Senado preso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota assinada pelo presidente da legenda, Rui Falcão, a sigla afirma que "não deve solidariedade" ao senador. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), classificou o documento como "oportunista e covarde". A postura do PT em relação a Delcídio contrasta com a histórica proteção do partido a seus próceres envolvidos em esquemas de corrupção: a sigla aclama mensaleiros condenados como "guerreiros do povo brasileiro" e trata seus quadros envolvidos no petrolão como "vítimas". Renan criticou a postura da direção nacional do PT durante a votação sobre manter ou revogar a prisão do senador. "A nota do Partido dos Trabalhadores é intempestiva, oportunista e covarde", disse, sob aplausos, no plenário. Para o presidente do Senado, o partido se precipitou e pré-julgou Delcídio. O presidente nacional do PT divulgou um posicionamento em que indica a possibilidade de punição contra o senador, além de dizer que os atos dele não tem relação com atividades partidárias. "O PT não deve solidariedade a Delcídio", diz o texto. O líder do PT, Humberto Costa (PE), reagiu ao comentário de Renan. "A nota divulgada pelo presidente do nosso partido não foi objeto de discussão com a bancada. Ela não reflete necessariamente a posição da bancada", disse. Parlamentares da base de Dilma e da oposição também criticaram a nota da cúpula petista. "O tesoureiro do PT está preso e ele nunca abriu a boca para falar. O presidente do PT é um covarde. Rui Falcão, você é um covarde.", disse Omar Aziz (PSD-AM), em referência a João Vaccari Neto, já condenado a quinze anos de prisão pelo juiz Sergio Moro. "O PT foi incapaz de perceber o valor parlamentar de Delcídio. Ele teve coragem de assumir a liderança de governo que os colegas não quiseram", disse o senador Aloísio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Se o STF vetasse prisão, PGR queria suspensão do mandato de Delcídio


Pela falta de precedentes, já que o líder do governo Delcídio Amaral (PT-MS) foi o primeiro senador preso no exercício do mandato desde a Constituição de 1988, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal uma série de medidas alternativas caso o ministro Teori Zavascki negasse a prisão do congressista. As precauções acabaram não sendo utilizadas, já que Teori não apenas autorizou, como a 2ª Turma do STF referendou a decisão por unanimidade. Em todo caso, Janot listou como opções a suspensão do exercício do mandato de Delcídio até a conclusão da delação premiada do ex-diretor Nestor Cerveró, o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de o senador entrar em contato com qualquer investigado da Lava Jato - André Esteves, obviamente, incluído.

Janot fala em "componente diabólico" para travar Lava Jato


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse, ao pedir ao Supremo Tribunal Federal a prisão cautelar do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), que a atuação do parlamentar, do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, e do advogado Edson Ribeiro, para inviabilizar o acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, revela um "componente diabólico" para tentar travar as investigações da Operação Lava Jato. Sucessivas reuniões gravadas pelo filho de Cerveró, Bernardo, mostram a atuação de Delcídio, do chefe de gabinete Diogo Ferreira, do advogado Edson Ribeiro e a invocação do nome de Esteves para impedir a delação de Cerveró. Em troca do silêncio do ex-dirigente da Petrobras, a família de Cerveró receberia uma mesada de 50.000 reais. Se a delação fosse assinada, como acabou ocorrendo, a negociação era para que os nomes de Delcídio Amaral e André Esteves não fossem citados pelo delator. "Há aí componente diabólico de embaraço à investigação: ultimado o acordo financeiro, Nestor Cerveró passaria a enfrentar dificuldades praticamente intransponíveis para conciliar-se com a verdade. Seu silêncio compraria o sustento de sua família, em evocação eloquente de práticas tipicamente mafiosas", disse Janot. "Ficaria preservado, assim, à guisa de chantagem continuada, o silêncio de Nestor Cerveró, que passaria a enfrentar dificuldades praticamente intransponíveis para conciliar-se com a verdade. Seu silêncio compraria o sustento de sua família, em evocação eloquente de práticas tipicamente mafiosas", completou ele. O chefe do Ministério Público detalha ainda a atuação de Diogo Ferreira, chefe de gabinete de Delcídio, que chegou a desconfiar de um "chaveiro-gravador" usado pelo filho de Cerveró para monitorar as rodadas de negociatas e, por precaução, tomou a iniciativa para evitar que fossem produzidas provas contra o senador. Quando suspeitou da presença do "chaveiro-gravador" em uma das reuniões que discutiam como embarreirar a delação de Cerveró, Diogo aumentou o volume de uma televisão próxima. Gravadores reservas, porém, estavam acionados para registrar a atuação do grupo. "É induvidoso que Diogo Ferreira agiu para tentar neutralizar a possibilidade de Bernardo Cerveró gravar a conversa. Esse padrão de conduta mostra com clareza, por sua vez, que Diogo Ferreira está disposto a proteger o Senador Delcídio Amaral independentemente da coloração de sua conduta, inclusive tomando a iniciativa de evitar a produção de provas em desfavor do congressista", relatou Janot. "É um comportamento - digno de um integrante de máfia - de Diogo Ferreira", disse. Na avaliação do Ministério Público, Delcídio Amaral atuou de forma "espúria" por ter interesse pessoal e específico em embaraçar a Operação Lava Jato. "Isso sinaliza, por sua vez, que o senador Delcídio Amaral, atual líder do governo no Senado, não medirá esforços para embaraçar o desenvolvimento das investigações encartadas na Operação Lava Jato. Ele deixa transparecer que explorará o prestígio do cargo que ocupa para exercer influência sobre altas autoridades da República", disse Rodrigo Janot, que ainda condena a atuação de Delcídio como um dos mentores de uma possível fuga de Cerveró. O líder do governo no Senado, preso cautelarmente na manhã desta quarta-feira por ordem do Supremo Tribunal Federal, prometeu atuar junto à Corte e aos peemedebistas Michel Temer e Renan Calheiros para que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró fosse colocado em liberdade. Cerveró, que foi indicado pelo próprio Delcídio para o cargo de cúpula na petroleira, está preso desde o início do ano por suspeitas de receber propina e atuar em fraudes em contratos na estatal. Segundo conversa gravada por Bernardo Cerveró, filho do ex-dirigente da Petrobras, Delcídio disse que ministros do STF poderiam ser influenciados em prol da soltura de Cerveró. Entre eles estariam os ministros Edson Fachin, José Antonio Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Teori Zavascki. Na conversa, o senador também prometeu influência do vice Michel Temer e de Renan Calheiros em benefício do ex-diretor da Petrobras.

Um veleiro para a fuga de Cerveró


Na conversa com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o advogado Edson Ribeiro em que discutiam os termos da delação premiada do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, o filho dele, Bernardo, chegou a sugerir que Cerveró fugisse do Brasil em um veleiro. "A gente tava pensando em ir pela Venezuela, mas acho que deve, se sair, sai com tornozeleira. Tem que tirar a tornozeleira e entrar. Acho que o melhor jeito seria um barco. É, mais porque aí chega na Espanha, pelo menos você não passa por imigração na Espanha. De barco, de barco você deve ter como chegar", afirma Bernardo em um trecho da gravação entregue por ele mesmo aos investigadores. "Eu tenho um amigo que trouxe um veleiro agora ... um veleiro bom", prossegue. O senador Delcídio afirma, então, que a melhor opção de fuga é pelo Paraguai. O advogado Ribeiro se vangloria na sequência de já ter tirado 'muita gente' de forma ilegal do país e reforça que o Paraguai é o melhor roteiro. "Eu já levei muita gente por ali", afirma.

Delcídio do Amaral, o outro amigo de Bumlai


Além do ex-presidente Lula, o senador e líder do governo na Casa, Delcídio do Amaral (PT-MS), também era amigo próximo do pecuarista José Carlos Bumlai. Eles teriam se conhecido na época em que Delcídio foi trabalhar como secretário de Infra-estrutura e Habitação no Estado do Mato Grosso do Sul, em 2001. Na época, o governador era o Zeca do PT, o mesmo que intermediou a aproximação entre Bumlai e Lula. "Bumlai era próximo de Delcídio, pois é um dos maiores fazendeiros e empresários do Mato Grosso do Sul. Ele conheceu Delcídio quando este saiu da Petrobras e foi ser secretário de Estado do governo do Zeca do PT", diz trecho do depoimento concedido pelo delator Fernando Baiano ao Ministério Público Federal, que serviu como base para o mandado de prisão expedido ontem contra Bumlai. Por pouco o caminho dos dois amigos não se cruzou nos últimos dias. Na terça-feira, o pecuarista foi preso na 21ª fase da Operação Lava Jato. Nesta quarta, foi a vez de Delcídio ser detido por suspeitas de tentar obstruir as investigações do escândalo do petrolão. Outra coincidência: os dois receberam a visita incômoda da Polícia Federal no hotel Golden Tulip, em Brasília, onde estavam hospedados. 

Em votação aberta, Senado decide manter líder de Dilma na cadeia


Os avanços da Operação Lava Jato se sobrepuseram ao corporativismo histórico do Senado nesta quarta-feira. Em votação aberta, os parlamentares decidiram por 59 votos a 13, e uma abstenção, manter na cadeia o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder de Dilma na Casa. Num ano em que os brasileiros saíram às ruas para protestar, o Senado deixou claro: está assustado. E motivos não faltam: além da cobrança das ruas, os parlamentares são assombrados pelo rolo compressor da Lava Jato e pelo claro recado do Supremo Tribunal Federal ao validar a decisão que levou Delcídio para a prisão - ninguém está acima da lei. Com a decisão, os senadores se livraram de abraçar uma constrangedora autopreservação mesmo diante de revelações arrebatadoras. Constrangimento, aliás, foi a palavra mais repetida nos discursos em plenário na histórica votação desta noite, em que os parlamentares se obrigaram a prestar publicamente contas ao eleitorado - e complicaram a vida dos que apostam no "escárnio", como bem definiu no julgamento desta manhã a ministra do STF, Cármen Lúcia. Desde 6 de março, quando o ministro Teori Zavascki, que relata os processos do petrolão no STF, confirmou o arquivamento de um inquérito contra o senador petista por falta de provas, uma avalanche de evidências contra o parlamentar foi colhida pelo Ministério Público. Delcídio foi citado por delatores como Fernando Baiano e Nestor Cerveró como beneficiário de propina em transações como a desastrosa compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Hoje, a Polícia Federal bateu à sua porta diante de acusações aterradoras: ele trabalhava para melar o andamento das investigações sobre petrolão. Prometeu uma generosa mesada a familiares de Cerveró em troca do silêncio do ex-diretor da Petrobras. Articulou pagamento milionário ao próprio advogado para trair o cliente e evitar uma delação. E foi pego em gravações explícitas de traficâncias contra a Lava Jato. Prontamente, o Palácio do Planalto e o Partido dos Trabalhadores rifaram o senador que aceitou ser líder do governo quando ninguém mais topou fazê-lo. Os sinais de que os senadores não pretendiam encampar um histórico desgaste contra a decisão unânime da 2ª Turma do Supremo ficou evidenciada nos expressivos 52 apoios à votação aberta sobre o caso Delcídio. Houve um evento facilitador para que defensores da votação às escuras não precisassem se expor publicamente: instantes antes da decisão, o ministro Edson Fachin afirmou que o destino do líder do governo no Senado deveria, sim, ser tomada por voto aberto. Momentos antes, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), ele próprio um dos investigados no petrolão, ainda defendeu publicamente a votação fechada e arriscou, em vão, uma tese jurídica que poderia livrar Delcídio: a de que a prisão não foi por crime em flagrante. Pela decisão tomada em plenário, não resta dúvida que boa parte dos senadores, pelo menos publicamente, se recusou a afundar com Delcídio na lama da Lava Jato.

Senado decide que Delcídio ficará preso

O Senado, em votação aberta, decidiu que Delcídio Amaral permanecerá preso. O placar foi de 59 a 13, com uma abstenção. Muito doloroso aguentar o blá-blá-blá dessa gente pitoresca querendo aparecer na TV Senado.

Os marginais que promoveram o petrolão continuam na ativa. Afinal, de onde Delcídio tiraria o dinheiro para pagar Cerveró?

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado (!!!), ofereceu uma mesada, um mensalão!, de R$ 50 mil a Nestor Cerveró para que este se calasse, para que não fizesse o acordo de delação premiada. De onde sairia o dinheiro? O que isso significa? Que o esquema continua vivo e operando. E é claro que está. A razão é simples. Não se chegou à raiz da questão. O monstro que suga as energias do país e que lhe rouba o futuro continua vivo.

Se Esteves teve acesso a minuta de delação, a coisa é muito grave

“O banqueiro André Esteves está na posse de cópia de minuta de anexo do acordo de colaboração premiada ora submetido à homologação, com anotações manuscritas do próprio Nestor Cerveró. Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece: constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba/PR, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo/SP.” O texto acima compõe a justificativa do pedido de prisão preventiva de Esteves, encaminhada por Rodrigo Janot ao STF. E quem revela que Esteves havia conseguido o material sigiloso? O próprio Delcídio, na reunião que manteve com Bernardo Cerveró e com advogado do ex-diretor da Petrobras. E qual seria o interesse de Esteves na questão? No seu acordo de delação, Cerveró afirmou que o banqueiro pagou propina ao senador Fernando Collor em razão da operação de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo, que pertenciam ao Banco BTG Pactual e ao Grupo Santiago. Alberto Yousseff já havia acusado Collor de ter recebido propina nessa operação, que envolvia a BR Distribuidora, que tinha dois diretores indicados pelo senador de Alagoas. Esteves estaria disposto a bancar a mesada e a fuga para evitar que a questão viesse à luz. Não sei nada além do que circula por aí, mas me parece só o pagamento dessa propina será coisa pouca para Esteves se meter em operação tão perigosa. A ver. Por Reinaldo Azevedo

Leilão de hidrelétricas arrecada R$ 17 bilhões e reforça caixa do governo

O leilão de 29 hidrelétricas promovido pelo governo federal nesta quarta-feira vendeu todos os ativos oferecidos. A operação representa uma arrecadação de 17 bilhões de reais em bônus de outorga por usinas que somam 6 mil megawatts. Desse total, R$ 11 bilhões devem entrar nos cofres do governo ainda neste ano. Sem concorrentes, a chinesa “China Three Gorges” venceu o leilão das usinas Jupiá e Ilha Solteira, que pertenciam à Cesp. Com potência instalada de 5.000 megawatts, as usinas localizadas no rio Paraná formavam o principal lote do leilão. O prazo de concessão para todas as unidades é de 30 anos.

Delação de Cerveró acusaria conivência de Dilma na compra de Pasadena

A Folha de S.Paulo informou agora à tarde parte do conteúdo da minuta preliminar da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. De acordo com o jornal, Cerveró afirma que a presidente Dilma Rousseff “sabia de tudo sobre Pasadena” e que o “cobrava diretamente” sobre isso. A Folha afirma que o relato da delação foi feito por Delcídio Amaral em reunião com o advogado do ex-diretor, Edson Ribeiro, para discutir um acordo em que Cerveró livraria Delcídio e o banqueiro André Esteves. O acordo de delação de Cerveró foi assinado na última quarta-feira, e Delcídio Amaral e André Esteves foram presos após tentativa de evitar as confissões do diretor da Petrobras. A compra da refinaria nos Estados Unidos aconteceu com endosso de Dilma enquanto era presidente do Conselho Administrativo da Petrobras e, segundo o TCU, teve um superfaturamento de US$ 792 milhões.

André Esteves pagou propina a Collor, diz Cerveró, novo delator da Lava Jato

Novo delator da Operação Lava Jato, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, disse, em acordo de colaboração premiada, que o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, pagou propina ao senador Fernando Collor (PTB-AL) em um contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo. Os postos pertenciam conjuntamente ao BTG e ao Grupo Santiago. A descrição de trecho da delação de Cerveró foi anexada em despacho do ministro Teori Zavascki sobre os pedidos de prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), do advogado Edson Ribeiro, do chefe de gabinete Diogo Ferreira e do próprio banqueiro André Esteves. “Nestor Cerveró descreve a prática de crime de corrupção ativa por André Esteves, por meio do Banco BTG Pactual, consistente no pagamento de vantagem indevida ao Senador Fernando Collor, no âmbito de contrato de embandeiramento de 120 postos de combustíveis em São Paulo, que pertenciam conjuntamente ao Banco BTG Pactual e a grupo empresarial denominado Grupo Santiago”, diz trecho de um documento da procuradoria-geral da República. Na delação, o ex-dirigente também narra que o senador Delcídio recebeu propina tanto na aquisição de sondas pela Petrobras quanto na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos. O nome do banqueiro André Esteves apareceu nas investigações da Operação Lava Jato a partir de um depoimento do doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores do petrolão. A exemplo de Cerveró, Youssef disse às autoridades que recebeu a informação de que a compra da rede de postos de gasolina Derivados do Brasil (DVBR) teria sido consolidada após pagamento de propina a operadores da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. A transação teria contado com atuação direta de Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP, ex-ministro do governo Fernando Collor. Possíveis referências a Esteves também haviam aparecido em um bilhete do empreiteiro Marcelo Odebrecht apreendido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Num trecho do texto, Odebrecht diz a seus defensores: “Destruir email sondas”. Para os investigadores, o bilhete poderia representar uma ordem para a destruição de provas. Essa ordem seria motivo para que Odebrecht tivesse sua prisão estendida – pois seria uma tentativa de obstruir a investigação. Para os advogados do empresário, o uso de destruir era metafórico: Odebrecht apenas os orientava a desconstruir a acusação de ter superfaturado contratos com a Petrobras. No mesmo bilhete aos advogados, Marcelo Odebrecht anota: “história de iniciativa André Esteves. Lembrar que naquela época sete Petrobras off balance, portanto ajudar Sete era visto como ajudar Petrobras”. A Sete citada pelo empreiteiro é a Sete Brasil, empresa criada para construir sondas para exploração do petróleo do pré-sal e enrolada nas investigações da Lava Jato.

Delcídio tentou acesso ao mensalão

Joaquim Barbosa, durante a instrução do mensalão, recebeu Delcídio Amaral em audiência. Com todo o jeitão vaselina, o senador lhe pediu acesso ao processo. Barbosa negou, naturalmente. O ex-presidente acompanha atento a sessão do pleno do Senado pela TV, coisa que não faz desde que se aposentou.

Delcídio mantém estratégia do silêncio

Até o final da tarde, Delcídio Amaral não havia prestado depoimento à Polícia Federal. Com a justificativa de que só falaria na presença do advogado, ficou quieto esperando. Delcídio, na verdade, nutria a esperança de ser libertado pelo Senado sem precisar abrir a boca.

A relação de Bumlai com outro banco quebrado

No despacho de Sérgio Moro, constam movimentações suspeitas realizadas por José Carlos Bumlai no Banco BVA, outro que quebrou - ou foi quebrado pelo esquema. Além das já conhecidas fraudes no BVA, o Ministério Público Federal descobriu que Bumlai pegou no banco, em 25 de julho de 2012, um total de R$ 3,8 milhões. O empréstimo deveria ter sido saldado em 72 parcelas, mas o pecuarista amigão de Lula só pagou 19, cerca de R$ 600 mil. Três meses depois do empréstimo, o BVA sofreu intervenção do Banco Central, sendo decretada sua liquidação extrajudicial em 2013. A falência viria em 17 de setembro de 2014. Além do empréstimo que nunca foi pago, como fez com o Banco Schahin, Bumlai recebeu em sua conta no BVA naquele ano de 2012 um total de R$ 18,2 milhões, de origem ainda indeterminada. Bumlai nunca declarou à Receita Federal a operação com o BVA.

Romário: "Galera, sobrou de novo para mim"

Romário soltou uma nota no Facebook, sobre o fato de ele ter sido citado na reunião de Delcídio Amaral como titular de uma conta na Suíça. Eis a nota de Romário:
"Galera, sobrou de novo para mim. Está brabo o negócio. Encontrei o senador Delcídio Amaral no dia 4 de novembro, quarta-feira, para tratar da votação de um Projeto de Resolução do Senado (PRS 50/2015), do senador José Serra, do qual fui coautor. Na ocasião, foi feito um pedido ao senador Delcídio Amaral, que preside a Comissão de Assuntos Econômicos, para agilizar a tramitação do projeto, que tinha o senador Ricardo Ferraço como relator. Participaram da reunião o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o secretário de Governo, Pedro Paulo, e o senador Ricardo Ferraço. Todos diretamente interessados na aprovação dessa resolução, que propôs o fim de barreiras à cessão de dívida ativa de estados e municípios. Esse foi o teor da reunião. Hoje chegou à imprensa o áudio de uma conversa do senador Delcídio Amaral e do seu chefe de gabinete com o advogado e o filho do investigado na Operação Lava Jato, ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. No áudio, meu nome é citado. E uma história diferente da relatada acima é contada. O advogado levanta suspeita sobre um assunto que já foi esclarecido por mim e pelas autoridades brasileiras e suíças. Aqueles que novamente fazem acusações inverídicas claro que responderão à Justiça. Qual a credibilidade do advogado de um bandido, corrupto e responsável por roubar uma das principais empresas do País? Não é novidade para ninguém que o prefeito Eduardo Paes tem interesse que eu apoie o seu candidato à sucessão. Não sou responsável pelo que terceiros falam, apenas pelos meus atos. Assim sendo, deixo claro que não tenho nenhum acordo com ninguém e, infelizmente, o dinheiro não é meu. Digo infelizmente porque, com certeza, se fosse meu, seria fruto de muito trabalho honesto."

"Não sei se ajuda ou atrapalha"

A certa altura da reunião com Delcídio Amaral, o advogado Edson Ribeiro diz que encontrou o advogado Kakay num restaurante do Leblon. Kakay queria informações sobre o habeas corpus de Nestor Cerveró, mas Ribeiro não as deu. "Esperei para falar com vocês, não sei se ajuda ou atrapalha". O comentário geral é que Kakay é "complicado", "vaidoso" e que poderia dizer que o habeas corpus era dele (sabe-se lá para qual do seus clientes). Apropriação de habeas corpus é uma nova categoria do direito.

Fundos têm 16 bilhões de reais em exposição ao BTG

A prisão de André Esteves não causa preocupações apenas na Bolsa de Valores, onde os papéis do banco derreteram mais de 20%. Há temor também no mercado de renda fixa, uma vez que o BTG tem bilhões de reais em dívidas no mercado. Segundo a Economatica, 412 fundos de investimentos tinham R$ 16,059 bilhões em CDBs e depósitos a prazo com garantia especial emitidos pelo BTG em outubro. As maiores exposições eram das gestoras de Bradesco, Banco do Brasil e Caixa.

Fachin perdeu as condições de julgar

Já tratamos disso mais cedo, mas a gravidade da situação exige voltarmos no tema. Antes da fuga de Nestor Cerveró, o senador Delcídio Amaral planejava soltá-lo por meio de um habeas corpus do ministro Edson Fachin... Fachin, segundo Delcídio e o advogado Edson Ribeiro, poderia atuar para anular a delação de Paulo Roberto Costa. No áudio do diálogo, cuja transcrição não é integral, Ribeiro mostra confiança em derrubar também as delações de Ricardo Pessoa, Fernando Baiano, Pedro Barusco e Júlio Camargo. "Essa é a melhor, por que acaba com a operação", diz. "Nossa tese é cível e ele (Fachin) é civilista." Fachin deve se declarar suspeito em relação a qualquer ação da Lava Jato. 

Pela votação aberta

O PPS está com um mandado de segurança pronto para o caso de Renan Calheiros decidir que a votação será secreta. A oposição quer que seja aberta. O Brasil quer que seja aberta.

Renan distorce os fatos

Renan Calheiros tenta minimizar a flagrância que determinou a prisão de Delcídio Amaral, mas o pedido da PGR é claríssimo: "O senador Delcídio Amaral, o banqueiro André Esteves e o advogado Edson Ribeiro estão, tecnicamente, em estado de flagrância, uma vez que estão manejando meios para embaraçar, no plano da Operação Lava Jato, a investigação criminal que envolve a organização criminosa." Renan apadrinhou Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobras por indicação de Delcídio e agora tenta manipular o voto dos senadores para livrar a cara do amigo.

"Dilma sabia de tudo"

"Dilma sabia de tudo de Pasadena". Delcídio Amaral resumiu dessa maneira o teor do depoimento de Nestor Cerveró à Lava Jato. "No caso da Dilma, ele (Cerveró) diz: a Dilma sabia de tudo de Pasadena, ela me cobrava diretamente, fiz várias reuniões. Ele fala da Dilma dizendo que a Dilma acompanhou tudo de perto".

Teori Zavascki defendeu a prisão preventiva de Delcídio

Em seu voto, Teori Zavascki também foi claríssimo ao atentar para a "gravidade em concreto dos crimes, que atentam diretamente contra os poderes constitucionalmente estabelecidos da República". Segundo ele, "não há outra medida cautelar suficiente para inibir a continuidade das práticas criminosas, que não a prisão preventiva". Teori lançou mão dos argumentos de Rodrigo Janot, de que "não faz sentido que seja absoluta a prerrogativa parlamentar de imunidade, sob o risco de que tome coloração perigosamente próxima de um privilégio odioso". "Se a presunção do constituinte era a de que a conduta dos congressistas seria marcada por honradez e honestidade muito acima da média nacional, a experiência mostra, de forma abundante, que eles são humanos, demasiado humanos, e, por isso, sujeitos a cometer crimes e levar perigo a bens jurídicos caros à sociedade e à ordem jurídica". "Por sua vez, ao exigir que o crime fosse inafiançável, o constituinte condicionava o cabimento da prisão em flagrante a um mínimo de gravidade da conduta delituosa em que incorresse o congressista. Não havia nem passou a haver, portanto, vedação peremptória à prisão cautelar de congressista, cumprindo ter presente a natureza jurídica de prisão cautelar da prisão em flagrante". A prisão deve ocorrer quando há "elevada clareza probatória da prática de crime". Está bem claro, claríssimo.

Jader e o "martírio"

Jader Barbalho disse que Delcídio Amaral sofria um "martírio". Ter de ouvir Jader Barbalho é um martírio.

Vamos construir um Senado de réus?

Ronaldo Caiado, em discurso na tribuna do Senado, questiona os colegas sobre a responsabilidade de se revogar uma decisão votada pela totalidade dos ministros que compõe a segunda turma do Supremo. Ele lembrou que a decisão foi de cinco a zero e suscitou ainda a possibilidade de que Delcídio estivesse agindo em nome de alguém. Caiado encerrou sua fala, questionando: "Vamos construir um Senado de réus?"

Conheça o suplente de Delcídio

A Polícia Federal cumpriu ontem mandado de busca e apreensão na casa de Fernando Bumlai, filho de José Carlos Bumlai. Fernando é casado com Neca Chaves Bumlai, que vem a ser filha de Pedro Chaves, suplente de... 
...Delcídio Amaral. Com a saída do petista amigo de Bumlai, assumirá outro amigo de Bumlai.


Tudo em família

Irmão de Eduardo Paes é sócio do BTG

Não é novidade que Guilherme Paes, irmão do prefeito Eduardo Paes, é sócio de André Esteves no BTG e um dos principais executivos do grupo. Segundo informações do site do banco, Guilherme é hoje diretor estatutário e co-responsável pela área de Investment Banking do BTG. Foi diretor-executivo de investment banking dos setores de Infraestrutura, Óleo e Gás, Imobiliário e Varejo. Em 2011, Sérgio Cabral morou no apartamento de Guilherme Paes, no Leblon, após se separar da advogada Adriana Ancelmo. Mas isso todo mundo sabe.


Guilherme Paes, em momento de euforia, entre Esteves e Pérsio Arida

Teori não julgará mandado de segurança de Randolfe

Teori Zavascki acaba de se declarar impedido de julgar o mandado de segurança impetrado por Randolfe Rodrigues que pedia que fosse garantido o voto aberto na sessão do Senado sobre a prisão de Delcídio Amaral. Será redistribuído para outro ministro. Enquanto isso, os senadores se manifestam sobre o tema em plenário. Estamos poupando os leitores de discursos irrelevantes.

André Esteves em Harvard

Há dois anos, André Esteves doou 25 milhões de dólares para a Harvard Business School, que em sua homenagem rebatizou a sede da escola com o nome do banqueiro brasileiro. Ele ganhou essa placa aí abaixo, que o descreve como um empreendedor exemplar, de visão extraordinária, que nutriu a esperança e o sonho de tantos outros. O de Delcídio Amaral, por exemplo.

Rui Falcão, intempestivo e covarde

Não íamos falar aqui da nota do PT sobre a prisão de Delcídio Amaral, mas Rui Falcão está sendo massacrado por todos no Senado. Renan Calheiros disse que a nota de Falcão é "intempestiva e covarde". Omar Aziz, do PSD, acusou o presidente do PT de ser covarde ao abandonar Delcídio Amaral na primeira oportunidade, enquanto mantém solidariedade a condenados, como José Dirceu e João Vaccari Neto. Até Humberto Costa, do PT, disse que a nota não representa a posição da bancada. Rui Falcão, mais cedo, disse que "nenhuma das tratativas atribuídas ao senador têm qualquer relação com a atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado" e que, por isso mesmo, "o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade".

Pegos de surpresa, senadores se dizem constrangidos com prisão de líder do governo


A inédita prisão de um senador durante o exercício do mandato causou surpresa nos parlamentares nesta quarta-feira. Líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS) foi preso nesta manhã por tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Para os congressistas, a ação da Polícia Federal causa constrangimento ao Parlamento. "É um momento de constrangimento e é uma tragédia para o Senado Federal", resumiu o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO). Ele antecipou que a bancada votará a favor da manutenção da prisão do petista quando a decisão do Supremo Tribunal Federal for analisada em plenário e cobrou um posicionamento formal do Palácio do Planalto. "A presidente da República deveria se pronunciar nesse momento. O Delcídio é líder do governo. Nós estamos vendo uma regra constitucional que nunca foi usada no Brasil ser transformada num fato concreto em um governo do PT", continuou Caiado. O senador petista Paulo Paim (RS) também fez coro ao sentimento de perplexidade: "Todo mundo ficou surpreendido, ninguém imaginava que isso poderia acontecer. É um constrangimento generalizado na Casa", disse. Depois da prisão de Delcídio, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), convocou uma reunião com líderes partidários para discutir os procedimentos da Casa. No encontro, o PSDB defendeu que o plenário julgue ainda nesta quarta-feira, logo após o recebimento dos autos encaminhados pelo STF, a manutenção ou não da prisão do senador petista. "Manter essa questão em suspenso transfere uma situação extremamente grave que circunda um senador da República para todo o Senado Federal", disse Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano afirmou ainda que o impacto da prisão de Delcídio respinga no Planalto. "Tudo que diz respeito à Lava Jato está umbilicalmente ligado ao Palácio do Planalto. Não se montaria um esquema desse vigor, como as denúncias a cada dia confirmam, se não houvesse o beneplácito do governo, até porque foi ele o principal beneficiário de todo esse esquema", disse. Líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP) defendeu que o plenário mantenha a decisão do Supremo. "Eu defendo que o Senado analise as provas e proceda de forma que não obstrua qualquer investigação por parte da Justiça. Em um Estado democrático de direito não existe presidente, senador ou deputado. Existe a lei e o império da lei acima de tudo. O Senado não pode deliberar em contrário", afirmou.

Cármen Lúcia sobre prisão do senador petista Delcídio Amaral e do banqueiro André Esteves: "O escárnio venceu o cinismo"


Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), composta por cinco ministros, confirmou na manhã desta quarta-feira a decisão tomada ontem pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato, de mandar prender o senador Delcídio Amaral (PT-MS). O colegiado considerou gravíssima a acusação do Ministério Público Federal de que o parlamentar tentava obstruir as investigações sobre o esquema de desvios de dinheiro da Petrobras. Em um discurso contundente, a ministra Cármen Lúcia comparou a Lava-Jato com o mensalão. "Na história recente de nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou no mote de que a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 (mensalão) e descobrimos que o cinismo venceu a esperança. E agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. Quero avisar que o crime não vencerá a Justiça. A decepção não pode vencer a vontade de acertar no espaço público. Não se confunde imunidade com impunidade. A Constituição não permite a impunidade a quem quer que seja", disse Cármen Lucia. Segundo as investigações, Delcídio teria oferecido dinheiro ao advogado Edson Ribeiro, contratado pelo ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, em troca do silêncio de seu cliente. A investida não funcionou: em delação premiada, Cerveró citou o nome de Delcídio. O senador também teria prometido ao advogado a libertação de seu cliente, alegando ter acesso aos ministros do STF. Por fim, o parlamentar teria ajudado a planejar a fuga de Cerveró, caso ele obtivesse o habeas corpus. A Constituição Federal dá imunidade aos parlamentares no exercício de suas funções. Eles só podem ser presos depois de condenados em sentença definitiva — ou seja, esgotadas as possibilidades de recurso judicial. No entanto, um parlamentar pode ser preso em flagrante, desde que seja pego cometendo crime inafiançável. Segundo os ministros da Segunda Turma, é o caso de Delcídio — que, segundo o Ministério Público, é suspeito de integrar organização criminosa. O mais antigo integrante do STF, ministro Celso de Mello, fez forte discurso contra a corrupção no poder público. Segundo ele, a corrupção age como a ferrugem em relação ao ferro: "é o agente decompositor das instituições democráticas". "Ninguém, nem mesmo o líder do governo do Senado, está acima da autoridade das leis que regem esse País. A Constituição autoriza excepcionalmente a prisão cautelar de um parlamentar. Os fatos são extremamente graves", declarou. Indignado, o ministro considerou “gravíssimas” as acusações contra o senador. "A delinquência institucional cometida na intimidade do poder por marginais que se apossaram do aparelho de Estado se tornou realidade perigosa, que vilipendia, que profana e que desonra o exercício das instituições e deforma e ultraja os padrões éticos. É preciso esmagar e destruir com todo o peso da lei esses agentes criminosos que atentaram contra as leis penais da República e contra os sentimentos de moralidade e de decência do povo brasileiro", disse Celso de Mello. O presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, criticou as pessoas que tentam vender influência. "Infelizmente, estamos sujeitos a esse tipo de situação, pessoas que vendem ilusões, mensageiros que tentam dizer "conversei com fulano, conversei com cicrano e vou resolver a sua situação". Infelizmente, são situações que ocorrem. Não é a primeira vez que isso ocorre. O que importa é o seguinte: o Supremo Tribunal Federal não vai aceitar nenhum tipo de intrusão nas investigações que estão em curso e é isso que ficou bem claro na tomada dessa decisão unânime e colegiada", afirmou Toffoli. O ministro destacou a importância de a decisão do ministro Teori Zavascki ser referendada pela Segunda Turma. "O ministro Teori Zavascki tomou essa decisão comunicando aos colegas e unanimemente entendemos que essa decisão, diante da gravidade da situação, deveria ser decidida, ser ratificada, também pelo colegiado, como foi na data de hoje. Isso é agora uma decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, tanto a prisão em situação de flagrância do senador Delcídio Amaral como também as outras prisões, temporária e preventiva, decretadas", afirmou Toffoli.

Banqueiro participaria de evento do BTG Pactual hoje no Rio de Janeiro


O banqueiro André Esteves — preso nesta quarta-feira por ter participado de conluio com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, de acordo com documento do Ministério Público Federal — participaria na tarde de hoje de um evento de seu banco, o BTG Pactual, sobre perspectivas econômicas para 2016.

Em nota, BTG Pactual diz que vai colaborar com as investigações

Em nota, BTG Pactual diz que vai colaborar com as investigações André Esteves, do BTG Pactual, é o primeiro banqueiro a ser preso na Operação Lava-Jato.  Ele foi preso em sua casa, no Rio de Janeiro. Em nota enviada na manhã desta quarta-feira, a instituição diz que vai colaborar com as investigações.  “O BTG Pactual esclarece que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações.”

André Esteves, a rápida ascensão da classe média carioca ao rol dos bilionários


É marcada por ambição e agressividade notáveis a trajetória que levou André Esteves de uma vida de classe média na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, ao posto de um dos homem mais ricos do Brasil. O sócio do BTG Pactual, maior banco de investimento da América Latina, e dono de uma fortuna de US$ 2,7 bilhões segundo a Bloomberg foi preso nesta quarta-feira no âmbito da operação Lava-Jato.

Ministros fazem reunião de emergência para discutir situação de Delcídio



O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner se reuniu com os ministros Edinho Silva ( Comunicação Social) e Ricardo Berzoini ( Secretaria de Governo) em seu gabinete no Palácio do Planalto para discutir a situação do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS). Preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal, na Operação Lava-Jato, ele será afastado do cargo. A escolha do interino será feita ainda hoje e será divulgada em breve. O ministro Jaques Vagner (Casa Civil) afirmou que a prisão do senador pegou o governo de surpresa e que é uma situação inusitada. "É uma situação inusitada. Tudo que vem lá das investigações é inesperado. É claro que ficamos surpresos", disse o ministro. A ordem no Planalto é aguardar a apuração dos fatos. Mais cedo, o ministro Ricardo Berzoini esteve com a presidente Dilma Rousseff e já começou a consultar senadores aliados sobre a melhor escolha para a liderança do governo. Um dos vice-lideres do Senado deve assumir o cargo interinamente. Entre os eventuais candidatos estão Hélio José (PSD-GO), Paulo Rocha (PT-PA), Wellington Fagundes (PR-MT) e Telmário Mota (PDT-RR). Mas a tendência é que o escolhido não seja nenhum senador do Partido dos Trabalhadores. A preocupação neste momento é que o caso paralise o Congresso. Berzoini não quis falar sobre o assunto: "Estou só aguardando informações", disse o ministro. Delcídio Amaral foi preso preventivamente no flat onde mora em Brasília, sob acusação de ameaçar familiares do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e de ter oferecido a ele ajuda para fugir do Brasil e não revelar nada sobre o esquema de corrupção da Petrobras. Em um procedimento inédito, a prisão do parlamentar sem condenação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Também foram presos o banqueiro André Esteves, do banco Pactual, o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira Rodrigues, e o advogado Edson Ribeiro, que trabalha para Cerveró. Todos estão envolvidos na mesma acusação, de obstrução da Justiça. 

Senador Wellington Fagundes, do Mato Grosso, deve assumir a liderança do governo petista no Senado Federal

O vice-líder do governo no Senado Federal, senador Wellington Fagundes (PR-MT), deve assumir o lugar de Delcídio Amaral (PT-MS), preso hoje por determinação do ministro Teori Zavaski. Delcídio foi detido pela Polícia Federal preso por tentativa de obstruir o trabalho do juiz Sérgio Moro e a investigação da Operação Lava-Jato. A escolha de Wellington foi um dos resultados da reunião, no Planalto, entre os ministros Jaques Wagner, Ricardo Berzoini e Edinha Silva.

Delcídio ofereceu R$ 50 mil mensais a família de Cerveró em troca de silêncio

Documento do Ministério Público Federal revela que o senador Delcídio Amaral (PT-MS), em conluio com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, ofereceu pagamento de R$ 4 milhões ao advogado Edson Ribeiro, contratado por Nestor Cerveró, para que o investigado não firmasse acordo de delação premiada na Lava-Jato.  A alternativa seria Cerveró assinar o acordo, mas não mencionar nem Delcídio, nem Esteves nos depoimentos. A dupla também teria pago R$ 50 mil a Bernardo Cerveró, filho do investigado, em troca do silêncio do depoente. O restante da família receberia a mesma quantia mensal como recompensa.

Gravação do filho de Cerveró foi crucial para prisão do senador petista Delcídio Amaral

Uma gravação feita pelo filho do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, foi determinante para a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS) nesta quarta-feira. Na conversa gravada por Bernardo e entregue à polícia, Delcídio ofereceu vantagens a Cerveró para ele não fazer a delação premiada, homologada nesta semana, além de um plano de fuga para fora do País.

Polícia Federal prende senador Delcídio Amaral (PT-MS) e banqueiro André Esteves




O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira no flat onde mora, em Brasília. O senador é acusado de ameaçar parentes do ex-diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e de ter oferecido a ele, através de seu advogado, ajuda para fugir do Brasil e não revelar nada sobre o esquema de corrupção da Petrobras. A prisão foi determinada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que apontou o oferecimento de vantagem como, por exemplo, uma mesada de R$ 50 mil para a família de Cerveró e R$ 4 milhões a seu advogado, Edison Ribeiro. Também foram presos o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, que teria participado do conluio pelo silêncio de Cerveró; e o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira Rodrigues. Já o advogado Edson Ribeiro, que trabalha para Cerveró, teve a prisão decretada, mas ainda não foi detido. Ele está nos Estados Unidos. Todos estão envolvidos na mesma acusação, de obstrução da Justiça. Delcídio chegou de carro, às 8h15, à Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O veículo preto em que estava foi seguido por outro, de escolta. Ele não foi algemado. Diogo Ferreira, chefe de gabinete do senador, chegou à Superintendência da Polícia Federal pouco antes do meio dia. Ele também foi preso em Brasília na manhã desta quarta-feira.


Segundo a Polícia Federal, Delcídio ficará na superintendência e não há previsão de transferência para o presídio da Papuda. Ele foi colocado em uma sala no térreo do prédio principal, porque devido ao foro privilegiado tem direito a ficar numa sala de Estado-Maior. A sala tem cerca de nove metros quadrados. Caso a prisão seja mantida, será decidido a possibilidade de instalar a estrutura para que ele passe a noite na própria sala em que está ou se o senador será levado para a ala em que fica a carceragem de passagem. A situação inicialmente era provisória, mas, por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, composta de cinco ministros, confirmou na manhã desta quarta-feira a decisão tomada na terça-feira pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato, de mandar prender o senador. O colegiado considerou gravíssima a acusação do Ministério Público Federal de que o parlamentar tentava obstruir as investigações sobre o esquema de desvios de dinheiro da Petrobras. Outro motivo que levou o ministro a mandar prender o senador foi o fato de que, em reunião com o advogado de Cerveró, Delcídio teria prometido a libertação do réu no Supremo Tribunal Federal. Ele disse que tinha conversado com Zavascki e com o ministro Dias Toffoli sobre a concessão de habeas corpus. E prometeu que pediria ao vice-presidente Michel Temer e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que falassem com o ministro Gilmar Mendes sobre o tema. Para Zavascki, é impressionante “a desfaçatez com que se discute a intercessão política na mais alta corte brasileira”. Perguntados se foram procurados por Delcídio para tratar de um habeas corpus para Ceveró, os ministros responderam: "Não", disse Gilmar Mendes. "Sobre este tema, nunca. Nunca conversei com ele (Delcídio) sobre este assunto", disse Toffoli. A presidente Dilma foi comunicada da prisão do seu líder no Senado pelo ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo. Ela participou por telefone de reunião com os ministros Jaques Wagner, Ricardo Berzoini e Edinho Silva, na qual decidiram aguardar os desdobramentos da prisão do petista no Senado até o fim do dia definir quem substituirá Delcídio Amaral interinamente, e até que o governo tenha mais elementos sobre os motivos que levaram a sua prisão. Bernardo, filho de Cerveró, entregou à polícia uma gravação de Delcídio Amaral oferecendo vantagens a Cerveró para ele não fazer a delação, homologada nesta semana. Delcídio Amaral é o primeiro senador da República preso em flagrante por conta da oferta para a fuga, que é um crime continuado. A delação de Cerveró envolve outros políticos ligados ao PMDB. Apesar de Delcídio ser do PT, ele sempre foi considerado um político ligado ao PMDB dentro da estatal. Dois senadores foram citados por Cerveró aos procuradores da Procuradoria Geral da República. Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal fez buscas e apreensões no gabinete de Delcídio Amaral, no Senado Federal, e no gabinete da liderança do governo no Senado, já que ele é o líder do governo Dilma na Casa. O 25° andar do prédio, onde se localiza o gabinete do petista, está interditado e ninguém pode subir. Nesse mesmo andar também está instalada a Secretaria Geral do Senado. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi informado da ação da Polícia Federal no Senado às 6h30 desta manhã. Delcídio Amaral foi citado em delação premiada de Fernando Baiano, que diz que o senador teria recebido entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão de propina na negociação da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Baiano afirmou ter sido autorizado por Cerveró a repassar sua parte de propina pela compra da refinaria a Delcídio Amara. Segundo Baiano, o petista estaria pressionando o ex-diretor da estatal. O lobista afirmou ainda ter sido procurado por Cerveró em 2006 para acertar o pagamento. O ex-diretor reclamou com o lobista. Disse que se sentia “muito pressionado" pelo senador petista, que na época era candidato ao governo do Mato Grosso do Sul. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, negou que seu cliente, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, tenha participado das tratativas para subornar o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, e assim mantê-lo calado. Ele destacou que Esteves teve prisão temporária, e não preventiva, decretada. A temporária vale por cinco dias prorrogáveis por mais cinco. A preventiva é por tempo indeterminado. "Acho extremamente improvável. Não tivemos acesso, mas certamente ele não participou desse tipo de conversa. O que nós precisamos agora é ter pleno acesso aos autos", disse Kakay, acrescentando: "Eu vou ao gabinete do ministro Teori para ter acesso não só às degravações, mas também aos relatórios que foram feitos. Nós tivemos a informação de que André está tranquilo. Ele não participou absolutamente, muito menos da fuga, como foi dito. É preciso saber o contexto em que o nome dele aparece. Tanto é que a prisão decretada, embora muito grave, é temporária. Não é uma prisão preventiva. A regra é que quem tenta interferir no processo tem prisão preventiva decretada. Mas preciso ter acesso pleno aos documentos". 

Lula já grita ser uma vítima da Lava Jato! Errado! O país é que é vítima, há 13 anos, da mesma quadrilha

Por Reinaldo Azevedo - Ah, que graça! Luiz Inácio Lula da Silva está, consta, chateado com a prisão de seu amigão do peito José Carlos Bumlai, cujo papel nas tramoias do mensalão e do petrolão começa a ficar mais claro. Sim, está chateado, mas, como Lula é Lula, pensa, antes de mais nada, em manter a cabeça colada ao pescoço. Comentou com o seu entorno ser ele o verdadeiro alvo da Lava-Jato. É mesmo? Infelizmente, até agora, não é o que se percebe. Muito pelo contrário. Ele está é sendo poupado. Vamos relembrar? Lula é tão vaidoso que disputa protagonismo até com bandidos. Eu ainda estou em busca de boa explicação. Ninguém tem nenhuma. Salim Schahin diz que perdoou uma dívida do PT porque seu grupo conseguiu, com a interferência de Lula, operar um dos navios-sonda da Petrobras. Qualquer pessoa lógica infere o óbvio: foi a estatal que pagou o empréstimo contraído pelo partido. Muito bem! Até agora, não existe nem sequer um miserável inquérito para apurar a atuação do ex-presidente num caso em que o delator admite, sem receios, a falcatrua. Pagou por isso uma multa de R$ 1,5 milhão. Lula, segundo seus “aliados”, estaria reclamando da condução “espetaculosa” da investigação e diz saber “que querem atingi-lo politicamente”. Suas críticas são direcionadas também ao juiz Sergio Moro. Até agora, ao menos, ele deveria ser grato à Polícia Federal, ao Ministério Público e a Moro. Dilma também. Pois é… Os homens de Lula já plantam por aí a sua frase sobre Bumlai: “Se ele fez alguma coisa, não foi com meu aval”. Ora, claro que não! Os eventos mais escabrosos acontecem em torno de Lula, beneficiam o PT e os petistas, mostram um estreito vínculo entre o partido e alguns, sem exagero, bandidos, mas “o cara” não sabia de nada. O mensalão e o petrolão beneficiavam o seu governo, à medida que mantinham unida a base, mas, ora vejam!, ele nunca sabe de nada. Para detalhar: em 2004, o Banco Schahin emprestou R$ 12,17 milhões a Bumlai, que era apenas a fachada do negócio. O destinatário do dinheiro, segundo a apuração, foi o PT, depois de passar pela conta do frigorífico Bertin. Essa dívida nunca foi paga. O grupo Schahin foi regiamente recompensado cinco anos depois, em 2009, quando, por interferência de Lula, segundo Salim Schahin, seu grupo fez um contrato de US$ 1,6 bilhão para a operação do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras. A dívida do PT, que Bumlai fazia de conta ser sua, já estava em R$ 60 milhões. Sandro Tordin, ex-presidente do Banco Schahin, confirmou, também em delação premiada, que houve a operação envolvendo o PT. E deu outros detalhes. Disse que o banco tinha receio de conceder empréstimo tão grande, mas ficou mais tranquilo depois que o próprio Delúbio Soares compareceu a uma reunião, deixando claro que o dinheiro era mesmo destinado ao partido. Isso em 2004. Em 2009, quem atuou para viabilizar o contrato do navio-sonda foi outro tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Segundo Tordin, dias depois do empréstimo, José Dirceu, ainda o todo-poderoso da Casa Civil, deu um gentil telefonema, para uma conversa amena. Ele afirmou que não tocaram no assunto, mas que o sentido da ligação era claro. Bem, se é possível contestar que Dirceu tenha tido algo a ver com história, é incontestável que Delúbio participou. Notem que essa operação em particular lembra muito claramente as traficâncias daquilo a que se chamou, então, “mensalão”. A primeira tramoia é de 2004, antes ainda que o escândalo viesse à luz, mas o “pagamento” ao grupo Schahin, por intermédio da Petrobras, só foi feito em 2009, quando aquele outro escândalo já era conhecido. Outro escândalo? No fim das contas, é tudo a mesma coisa: trata-se de uma quadrilha, disfarçada de projeto de poder, organizada para assaltar o Estado brasileiro.

ATENÇÃO - ATENÇÃO - Segunda turma do Supremo reúne-se secretamente na manhã desta quarta-feira, vem bomba aí no Petrolão

O site do Supremo Tribunal Federal divulgou nesta madrugada que a segunda turma do tribunal se reunirá extraordinariamente nesta quarta-feira, 25, às 9 horas, para discutir “processos levados em mesa”. A sessão, proposta pelo ministro Teori Zavaski, será secreta, procedimento que não acontece há cerca de 20 anos no Supremo. A composição da segunda turma é a seguinte: Dias Toffoli (presidente), Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Teori Zavascki.


“Processos a serem levados em mesa” são aqueles que não dependem de publicação prévia para serem examinados. Há duas razões para supor que a operação Lava-Jato faz parte da pauta: trata-se do principal assunto da segunda turma; a reunião foi proposta pelo relator da Lava-Jato. Dificilmente outra questão exigiria caráter secreto. No âmbito da Lava-Jato, o item mais delicado seria um eventual processo envolvendo uma importantíssima ex-autoridade ou autoridade da República, o que alcançaria o ex-presidente Lula ou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por exemplo.

Bornhausen não gostou, e não é mesmo para gostar o livreco de Fernando Henrique Cardoso


Jorge Bornhausen leu o livro de Fernando Henrique Cardoso. E não gostou nada. De acordo com o que o ex-senador e ex-governador disse a políticos próximos, Fernando Henrique Cardoso "apequenou sua presidência", escrevendo um "livro de futricas". Jorge Bornhausen tem toda razão, o livro é uma porcaria. Esperava-se grande coisa de Fernando Henrique Cardoso e ele lançou uma droga que nem um colunista social de Roraima produziria. Mas, é a evidência comprovada de que Fernando Henrique Cardoso não é o que se pensava que ele fosse. É um político vulgar como tantos, que considera "política" a futricagem. Vê-se agora porque se governo não fez progredir muito mais o País em direção à modernidade; ele é um pusilânime, que estava preocupado com bobagens ditas por este ou por aquele. Enfim, Fernando Henrique Cardoso tem muito menos noção de história do que se pensava.  

Henrique Meirelles pede ajuda a Temer para conter José Serra


Henrique Meirelles e Michel Temer se encontraram na semana passada. Conversaram sobre agenda para sair da crise que o PMDB lançou no final de outubro. Lá pelas tantas, Meirelles mandou essa: 
- Você, que é amigo do Serra, sabe como pode segurá-lo para ele parar de falar mal de mim?
Na segunda-feira passada, num evento em São Paulo, José Serra foi duro com Meirelles. Disse, então, um impiedoso Serra:
- Não me lembro de presidente do BC tão ignorante ou comprometido com a especulação cambial como esse senhor.
Temer saiu pela tangente. (Por Lauro Jardim)

Polícia Federal apura empréstimos de R$ 518 milhões do BNDES ao amigão de Lula, o pecuarista Bumlai


A força-tarefa da Operação Lava-Jato vai investigar os empréstimos concedidos pelo BNDES a empresas do pecuarista José Carlos Bumlai. O empresário foi preso na manhã desta terça-feira na 21ª fase da Operação Lava-Jato denominada “Passe Livre”. Ao ser detido, em Brasília, ele se preparava para depor na CPI do BNDES. A Polícia Federal também cumpriu nesta terça-feira mandado de busca e apreensão na sede do banco, na Avenida República do Chile, no Rio de Janeiro. O juiz Sérgio Moro determinou a apreensão de todos os documentos relativos aos empréstimos concedidos à usina São Fernando Açúcar e Álcool, à São Fernando Energia, administradas pelos filhos de Bumlai. Duas empresas de Bumlai receberam empréstimos milionários do BNDES, entre 2008 e 2012, totalizando R$ 518 milhões. A São Fernando Açúcar e Álcool, com sede em Dourados, obteve dois deles, segundo informações da Receita Federal. O primeiro empréstimo do BNDES, de R$ 350 milhões, foi feito em 2008. O segundo, de R$ 64 milhões, em fevereiro de 2009. Outra empresa do pecuarista, a São Fernando Energia, recebeu R$ 104 milhões em julho de 2012, por meio do BTG Pactual e do Banco do Brasil. Na época, contava com sete funcionários. Em agosto passado, o BNDES ingressou na Justiça com pedido de falência da empresa. Em despacho apresentado à Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) cometeu um erro, atribuindo o empréstimo realizado em 2009 ao ano de 2005. As dívidas das empresas de Bumlai superam R$ 1 bilhão, dos quais cerca de R$ 400 milhões com o BNDES. "A investigação ainda é incipiente. Por isso, MP e Receita ainda investigam a legalidade dessas transações", afirma o procurador Diogo Castor de Mattos. O juiz Moro determinou que fossem apreendidos, além dos contratos, análises de crédito de todas as instâncias de deliberação, pareceres, dados cadastrais, dados sobre pagamentos, correspondências e propostas de empréstimo, incluindo arquivos eletrônicos em computadores, smartphones e eventuais arquivos eletrônicos relativos a comunicações registradas. Em nota divulgada nesta terça-feira, o BNDES confirmou que sua sede foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, no início desta manhã. Segundo o banco, os agentes solicitaram a entrega de documentos referentes às operações com as empresas do grupo São Fernando, de Bumlai. "Os contatos ocorrem de maneira cordial e profissional, e o BNDES está fornecendo todos os originais, conforme solicitação, e mantendo cópias para seus registros", escreveu o banco. O BNDES disse que todos os procedimentos associados aos empréstimos são legais e que, no entendimento do banco, "não houve qualquer irregularidade nas operações". "O BNDES possui garantias reais suficientes para fazer frente à dívida existente e todas as medidas judiciais pertinentes para a recuperação do crédito foram tomadas pela instituição", escreveu o banco. 

Ministro Teori Zavascki pede reunião extra e secreta da turma do Supremo que julga a Operação Lava Jato

Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki pediu a realização de uma sessão extra da segunda turma do tribunal, que é responsável pelos casos que envolvem o esquema de corrupção da Petrobras. A reunião será realizada na manhã desta quarta-feira (24). Segundo interlocutores, Teori teria indicado disposição de dividir com os colegas uma importante decisão. A fala foi interpretada como sinal de que se tratava dos desdobramentos da Operação Lava Jato. O ministro chegou a telefonar para o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, comunicando sobre a reunião extraordinária e também se reuniu com colegas da segunda turma de forma reservada. De acordo com advogados, há uma expectativa de que a sessão possa inclusive ser fechada, com presença restrita a ministros e poucos servidores –existe previsão regimental para a medida. Além de Teori, participam da turma os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

RIO 2016: SEQUER HOUVE LICITAÇÃO PARA SEGURANÇA

O desleixo do governo quanto à ameaça terrorista é constrangedor: a pouco mais de 8 meses dos Jogos Olímpicos de 2016 do Rio de Janeiro, ainda nem sequer foram comprados equipamentos de segurança, como detectores de metais. O Ministério da Justiça fará a licitação apenas em janeiro. O Japão, que sediará os Jogos de 2020, já encomendou esses equipamentos. A abertura dos Jogos do Rio será em 5 de agosto.

Prisão do amigo Bumlai é séria ameaça a Lula


Desde o início da Lava Jato, a prisão do “primeiro amigo” José Carlos Bumlai é a mais séria ameaça ao ex-presidente Lula. No Planalto, o temor é que Bumlai não resista à pressão da família para fazer acordo de delação. Íntimo amigo e conhecedor de segredos, o temor é Bumlai confessar, afinal, como e por que se beneficiou dessa amizade e virou uma espécie de “resolvedor de problemas” da família Lula da Silva. O lobista Fernando Baiano delatou que Bumlai lhe pediu R$ 2 milhões para supostamente uma nora de Lula comprar um imóvel. Bumlai também aparece como articulador da reforma do sítio da família Lula da Silva em Atibaia (SP), feita pela OAS, empreiteira do petrolão. Tem sido decisiva a pressão das famílias nos acordos de delação premiada. O mesmo se espera no caso Bumlai, hoje com 71 anos. A inclusão dos filhos de Bumlai entre os investigados (foram levados pela PF para depor sob vara) será usada para pressioná-lo à delação.

Justiça condena Sérgio Sombra a 15 anos de cadeia por corrupção; ele achacava empresários em Santo André, na época do prefeito petista Celso Daniel


Sentença da 1ª Vara Criminal de Santo André (Grande São Paulo) condenou os empresários Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e Ronan Maria Pinto, além do ex-secretário de Serviços Municipais da cidade, Klinger Luiz de Oliveira Sousa, acusados de liderar esquema de cobrança de propina de empresas de transporte contratadas pela prefeitura na gestão do prefeito do PT, Celso Daniel - executado a tiros em janeiro de 2002. Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, os empresários que não entregassem quantias em dinheiro eram ameaçados de terem os contratos com a prefeitura petista suspensos. Ronan Maria Pinto foi condenado a 10 anos, quatro meses e 12 dias de reclusão, em regime fechado, e pagamento de multa pelos crimes de concussão e corrupção ativa, por várias vezes. Sérgio Gomes da Silva e Klinger Luiz de Oliveira Souza a 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão, em regime fechado, bem como ao pagamento de multa pelos crimes de concussão, corrupção passiva, por várias vezes. O caso Celso Daniel é um capítulo emblemático do PT. O então prefeito foi sequestrado e assassinado a tiros em uma estrada de terra de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, depois de ter sido torturado por seus assassinos. O Ministério Público Estadual afirma que ele foi vítima de crime político porque tentou interromper o ciclo da corrupção em sua gestão quando descobriu que a propina era destinada ao enriquecimento pessoal de Sombra e outros personagens. Ou seja, ele era corrupto também, só que achava que roubar para o partido estava legal. Por sua vez, a polícia concluiu que o petista foi morto por ‘criminosos comuns’. Em sua decisão, a juíza Maria Lucinda da Costa esclareceu que ficou comprovado que todos os responsáveis pelas empresas de transportes que atuavam em Santo André contribuíam, na proporção do número de ônibus que possuíam, para a organização criminosa instituída com o objetivo de beneficiar o PT e suas campanhas eleitorais, principalmente as de Lula: "É inafastável a condenação de Klinger, Ronan e Sérgio, ‘pois fartas são as provas de recebimento de valores de modo ilícito, bem como a destinação pessoal do proveito da corrupção". "Não há tese defensiva que leve à absolvição", concluiu a juíza Maria Lucinda da Costa. Outros réus (empresários e diretores de empresas e associações) foram absolvidos. As defesas de Sombra, Ronan Maria Pinto e Klinger sempre negaram qualquer tipo de envolvimento deles em corrupção na administração Celso Daniel. Foi necessário se passarem 13 anos até esse processo ser julgado. É inacreditável. Isso é o Brasil do petralhismo.