segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Marta diz que é candidata do PMDB em São Paulo

Senadora se manifesta pela primeira vez publicamente sobre sua candidatura pelo partido; ela, no entanto, enfrenta a resistência do secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, que também deseja disputar a Prefeitura

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) disse nesta segunda-feira, 16, que vai ser a candidata do partido à Prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem.
"Sim (me considero candidata). No PMDB, eu fui recebida muito bem. E eu vou ser candidata", afirmou a parlamentar depois de participar de uma palestra a alunos do curso de administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
A senadora Marta Suplicy
A senadora Marta Suplicy
É a primeira vez que Marta manifesta publicamente que é a candidata do partido. Ela, no entanto, enfrenta a resistência do secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, que também deseja disputar a Prefeitura.
O PMDB atualmente faz parte do governo de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo. A legenda integrou a gestão petista depois de um acerto entre o vice-presidente, Michel Temer - e também presidente nacional do PMDB - e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O principal termo do acordo era o de construir uma aliança entre o PT e o PMDB para as eleições de 2016.
Durante a palestra sobre o papel da mulher na política, Marta criticou o projeto de lei criado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que dificulta o acesso ao aborto legal para vítimas de estupro. Para a senadora, o projeto de lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no dia 21 de outubro é "uma violência transcedental".
"Essa questão do aborto é de uma violência transcedental. Vocês vêem a dimensão do conservadorismo? Ele pesa mais para as mulheres", disse Marta em sua fala.
Ao fazer referência aos protestos contra o projeto de lei criado por Cunha, a senadora disse que as mulheres tomaram a Avenida Paulista e parte do Congresso para se posicionar contra "a indecência que está acontecendo". Afirmou ainda que as últimas leis que tramitaram pelo Congresso "são extremamente conservadoras" e que representam "um retrocesso aos direitos da mulher".
Questionada sobre o grau de responsabilidade de Cunha pelo conservadorismo da Câmara, Marta disse que ele não faria nada do que fez até agora sem apoio. Os dois pertencem ao mesmo partido. 
"Ele não poria uma lei dessas (do aborto) em votação se não tivesse o apoio de uma ampla maioria. Que o apoia em tudo, inclusive nas questões de retrocesso", afirmou a senadora.

Marta Suplicy se reúne com Temer e cúpula do PMDB em Brasília

No dia em que assumiu que será candidata à Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) vai receber na noite desta segunda-feira, 16, nomes importantes do PMDB para um jantar em sua casa em Brasília. O encontro, que vai contar com a presença do vice-presidente Michel Temer e do presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, acontece na véspera do congresso da legenda, que deve explicitar novas críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. 


A socialite Marta Suplicy deixou o PT em abril e já defendeu publicamente o rompimento do PMDB com o Palácio do Planalto. Essa decisão, porém, não vai ser tomada nesta terça-feira, 17. Hoje, durante a reunião de coordenação, Temer tranquilizou os ministros e os líderes petistas reforçando que o encontro não vai ter um caráter deliberativo. Essa decisão teria que ser homologada em convenção nacional da sigla, marcada para março do ano que vem. Na avaliação de interlocutores do governo, haverá bastante "barulho" dos descontentes do PMDB nesta terça, mas a ordem no Planalto é reagir com "serenidade" às críticas, para evitar novos problemas com o partido aliado e, principalmente, um afastamento maior entre Dilma e o vice. No encontro de amanhã, que contará com a participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enfraquecido por conta das denúncias de corrupção, Temer deve se pronunciar em defesa do documento intitulado "Uma ponte para o Futuro", mas não deve alimentar a discussão sobre um eventual desembarque do governo. Segundo Moreira Franco, que organiza o encontro, o documento apresentado ao partido traz medidas econômicas de natureza imediata para recuperar a estabilidade fiscal do País e a capacidade do governo em promover a justiça social. Em agosto, Temer deixou a articulação o governo depois de uma declaração que criou polêmica, ao afirmar que o país precisava encontrar "alguém capaz de reunificar a todos". Nos últimos meses, porém, o vice se recolheu e começou a adotar um tom mais cauteloso em suas falas públicas. Hoje, após participar da reunião de coordenação, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, minimizou movimentações de parte do PMDB que pede a saída do partido da base aliada e reforçou o compromisso com o governo. "Nós vamos ter as mais variadas manifestações. E o que a direção do partido tem que ter é habilidade suficiente para aferir qual é a vontade majoritária do partido", disse. Segundo o ministro, os peemedebistas que hoje defendem a saída do governo ainda representam "um seguimento minoritário dentro do partido". (OE)

Moro condena mais um político

O juiz Sérgio Moro condenou o ex-deputado Luiz Argôlo a 11 anos e 11 meses de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Argôlo recebeu do esquema ao menos R $ 1,4 milhão. Moro decidiu mantê-lo preso para evitar que ele pudesse assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados, já que é suplente.

Conselho da Petrobras aprovou Pasadena às pressas

Há um detalhe importante na delação de Agosthilde Monaco. Ele diz que a aprovação da compra da refinaria de Pasadena pelo Conselho de Administração da Petrobras, então presidido por Dilma Rousseff, não seguiu a regra da companhia. O negócio foi aprovado no dia seguinte ao aval da Diretoria Executiva, quando o prazo normal é que isso aconteça entre 15 a 30 dias. Monaco disse à Lava Jato que "nunca viu acontecer de uma deliberação de compra ou venda de ativos da Petrobras ser aprovada pelo Conselho de Administração em prazo inferior a 15 ou 30 dias da data em que houve a aprovação pela Diretoria Executiva". "É o prazo mínimo para que os conselheiros tomem ciência das pautas que irão analisar", disse. Para algo assim acontecer, segundo o delator, "seria necessária a ordem de alguém com muito poder na Petrobras". Ele lembra que ninguém se insurgiu contra o agendamento da reunião do Conselho para o dia seguinte à reunião da Diretoria, tampouco alguém solicitou qualquer esclarecimento sobre a proposta de compra de Pasadena.

Gabrielli quer acusações diretas

José Sérgio Gabrielli rebateu em nota as acusações de Agosthilde Monaco, alegando que "as delações premiadas destes corruptos confessos não fazem acusações diretas". É sempre "ouvir dizer", "fulano comentou" e "sicrano disse". No caso da delação de Monaco, o sicrano é "Nestor Cerveró". Foi Cerveró quem sorriu e disse a Monaco que Gabrielli precisava honrar compromissos políticos com dinheiro do negócio de Pasadena. Se Gabrielli quer acusações diretas, a Lava Jato pode conseguir com Cerveró.

A toca do terrorista

A polícia francesa descobriu em Bobigny, cidade próxima a Paris, um apartamento alugado por Brahim Abdeslam, um dos terroristas mortos nos atentados na capital francesa. O apartamento foi utilizado durante uma semana. Os investigadores encontraram diversos celulares e chips. Bobigny tornou-se uma cidade quase inteiramente muçulmana. O partido União dos Democratas Muçulmanos Franceses tem grande força em Bobigny. O dos fundamentalistas também.

OAB entra com ação no STF contra trecho da Lei de Direito de Resposta

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ingressou nesta segunda-feira (16) no Supremo Tribunal Federal com uma ação em que pede a anulação de um trecho da nova Lei de Direito de Resposta, regramento recém-sancionado que estabelece um rito especial na Justiça para contestar publicações dos órgãos de imprensa. A Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), com pedido de liminar, tem como foco o artigo 10º da nova lei, que exige uma decisão colegiada de desembargadores para que seja suspensa decisão de primeira instância favorável a um pedido de direito de resposta. "A OAB não se opõe ao direito de resposta, que é constitucional e atende a todos os cidadãos, mas tem um dispositivo que se afigura inconstitucional por criar uma desigualdade entre as partes", afirmou o presidente da OAB, Marcos Vinícius Furtado Coêlho. Em caso de decisão do juiz de primeira instância determinando a publicação da resposta, os órgãos de imprensa poderão recorrer a tribunais que abrangem a comarca onde a ação foi proposta em busca de uma liminar que suspenda essa decisão até o julgamento do mérito da ação. Para a OAB, exigir a análise colegiada do recurso fere os princípios constitucionais da igualdade entre as partes de uma ação e da separação entre os Poderes, já que o Legislativo estaria ditando regras sobre como o Judiciário deverá proferir seus julgamentos. Além disso, deixaria um desembargador em desvantagem em relação a um juiz de primeira instância, já que o primeiro não teria poder de, isoladamente, suspender a decisão do segundo. "Exigir a reunião de ao menos três desembargadores nos tribunais do país (...) praticamente inviabiliza o direito de defesa do veículo de imprensa. (...) Estabelecer que o direito de resposta depende da decisão de apenas um juiz, mas exigir juízo colegiado prévio para suspensão de seus efeitos compromete o princípio da igualdade entre as partes", diz trecho da Adin. Esse ponto da lei é também alvo de críticas das associações integradas por órgãos de imprensa. O presidente da OAB afirmou ver deficiências em outras partes da lei, mas argumentou que só o artigo 10º apresente flagrante inconstitucionalidade. A nova Lei de Direito de Resposta foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff após ser aprovada pela Câmara e pelo Senado. O tema foi colocado em votação neste ano pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos principais alvos da investigação do esquema de corrupção na Petrobras. Na semana passada, Cunha afirmou que irá usar a nova lei contra uma reportagem do jornal "O Globo" que indicava contradições entre sua defesa no caso e documentos que o ligam a contas secretas na Suíça. Nesta segunda, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, também disse que irá recorrer à nova lei em resposta a questionamentos da Folha sobre acusação feita contra ele pelo lobista Fernando Baiano, um dos que fecharam acordo de delação premiada com a Justiça. Delcídio se recusou a responder ao jornal perguntas sobre a afirmação de Baiano, segundo quem o senador recebeu entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão como parte de pagamento de propina da compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras. De acordo com o presidente da OAB, a nova lei não pode ser usada de forma abusiva ou como mecanismo de cerceamento ou intimidação contra a imprensa. "Sem comentar os casos concretos, porque não os conheço, o perigo de uma lei com cláusulas tão abertas é o de dificultar o trabalho da imprensa. Cumpre ao Judiciário não criar uma jurisprudência que vá nessa linha. O direito de resposta deve ser exercido quando o veículo não deu a oportunidade de a pessoa de manifestar". A lei aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma cobre uma lacuna existente desde 2009, quando o STF derrubou a chamada Lei de Imprensa, regra editada pela ditadura militar (1964-1985). Desde então, o direito de resposta, que está previsto na Constituição, vinha sendo exercido com base nos Códigos Civil e Penal. A nova lei cria um rito especial que determina aos veículos de comunicação a publicação de resposta gratuita e com o mesmo destaque para material "cujo conteúdo atente, ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem" de pessoa ou empresa. Aquele que se declare ofendido tem até 60 dias para apresentar ao órgão de comunicação o pedido de direito de resposta. O veículo tem sete dias para publicar a resposta de forma espontânea. Se se recusar, ou se a pessoa não se declarar satisfeita com a resposta, a pessoa ou empresa pode entrar com ação na Justiça.

Relator acelera parecer e pede cassação imediata de Eduardo Cunha

Três dias antes do prazo final, o deputado federal Fausto Pinato (PRB-SP), que relata o processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, entregou seu parecer ao Conselho de Ética nesta manhã. O que ele disse na ocasião: "O Brasil quer, todos queremos, uma resposta. Quanto mais celeridade dermos a esse processo, mais rápido vamos dar uma resposta ao País". Ele opina pela continuidade da ação que pede a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por quebra de decoro parlamentar. O colegiado pode agora discutir o mérito da representação já nesta terça-feira 17, dando menos tempo para Eduardo Cunha convencer pelo menos 11 dos 21 membros do Conselho de que não mentiu na CPI da Petrobras quando disse não ter contas no Exterior. 

Os doleiros do "lindinho"

A Operação Corrosão, que apura os desvios na compra da refinaria de Pasadena, obteve mais informações sobre a atuação dos doleiros uruguaios Jorge Davies Cellini e Raul Fernando Davies Cellini. Proprietários da corretora Interbaltic e da Compertcop, os irmãos Cellini teriam sido usados por Nestor Cerveró, o "lindinho", e Luis Moreira, para repasses da propina de Pasadena.

Bumlai mente

Em sua delação, Salim Schahin confirmou à Polícia Federal o que foi revelado por ISTOÉ em fevereiro: José Carlos Bumlai pegou no banco Schahin um empréstimo de R$ 12 milhões destinado ao PT. Bumlai já disse à imprensa que pagou o empréstimo, mas foi desmentido. Segundo o próprio Salim, “Bumlai nunca pagou o empréstimo, mas teve a dívida perdoada em 2009, dois anos depois do contrato com a Petrobras”. Nem precisava ter dito, pois a prova de que o pecuarista nunca pagou está no documento do Banco Central. A dívida de R$ 12 milhões já estava em mais de R$ 15 milhões quando o Banco Schahin quebrou e foi vendido ao BMG.

Alerta: Exército perdeu "Zepelim"

As autoridades aeronáuticas emitiram um alerta de perigo para quem estiver sobrevoando a Amazônia e suspendeu o tráfego aéreo em algumas aerovias. O motivo é ridículo. O Centro de Instrução de Guerra na Selva, do Exército, perdeu o controle de um dirigível - tipo Zepelim - quando executava uma manobra. O imenso balão não tripulado se soltou e o vento levou.

Mortos e identificados

Eis os cinco terroristas mortos identificados pela polícia francesa até o momento:

As imagens chocantes do jihadista chefe

Abdelhamid Abaaoud, de 27 anos, é o belga de origem marroquina apontado como o coordenador dos ataques em Paris. Na Bélgica, ele é considerado o inimigo público número 1. No vídeo abaixo, feito na Síria, em 2014, Abaud faz piada, dizendo que agora é possível rebocar corpos com um 4x4. Os corpos são de civis assassinados pelo Estado Islâmico, que seriam atirados numa fossa comum. As imagens são chocantes:

Operador é parceiro de doleiro da Odebrecht

A força-tarefa da Lava Jato descobriu que o operador de propinas Nelson Martins Ribeiro, descoberto pela Operação Corrosão, mantinha contatos regulares com o suíço-brasileiro Bernardo Freiburghaus, considerado pelos investigadores o "doleiro" da Odebrecht. Freiburghaus fugiu do Brasil logo que começaram as prisões de empreiteiros. Os contatos com Martins Ribeiro se davam por meio da corretora de câmbio "N & A Viagens Turismos e Cambio". Preso, Martins Ribeiro pode negociar uma delação premiada e entregar os políticos beneficiários da empreiteira.

O organograma da propina

A Lava Jato sintetizou num organograma o fluxo do dinheiro desviado da Petrobras pela Odebrecht para pagar propina a executivos da estatal apadrinhados de partidos políticos...

Procurador atribui "parada técnica" da Lava Jato a fatiamento pelo STF


O fatiamento da Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal causou uma "uma parada técnica" da operação. A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira (16) pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que falou sobre a 20ª fase da Lava Jato, deflagrada hoje. A nova ação da Polícia Federal – apelidada de Operação Corrosão – ocorreu após 56 dias sem prisões. Nesta segunda-feira, ao menos duas pessoas foram presas – uma delas, Nelson Martins Ribeiro, foi apontada como novo operador do esquema. A Polícia Federal cumpriu ainda 11 mandados de busca e apreensão. Lima garante, porém, que apesar da "parada técnica", a operação "continua vigorosa". O delegado Igor Romário de Paula disse que, se não fosse a decisão do STF (que transferiu a outras instâncias as investigações sobre desvios em outras estatais e ministérios), a Lava Jato já estaria "em sua 23ª ou 24ª fase". Para eles, o fatiamento exigiu um "redimensionamento" da investigação, que deixou de ser horizontal (atuando em outros órgãos públicos) para ser vertical – ou seja, aprofundando o descobrimento do esquema na Petrobras. Limitada às investigações na Petrobras, a força-tarefa promete se aprofundar no esquema até descobrir o "núcleo político" que comandava os desvios. "Nós podemos nos aprofundar tanto que os reais responsáveis pela corrupção geral serão revelados, mesmo que nosso campo de atuação se limite à Petrobras", declarou o procurador, um dos coordenadores das investigações. "No final das contas, vamos chegar ao núcleo político", promete Lima. 

Governo quer nova mudança no projeto de repatriação de recursos



O Palácio do Planalto vai trabalhar para que o Senado modifique o projeto de repatriação aprovado pela Câmara na semana passada. O texto, que já sofreu diversas alterações, cria um programa para regularização de recursos de origem lícita mantidos por brasileiros no exterior e ainda não declarados à Receita Federal. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff querem mexer na destinação dos recursos levantados com a nova lei, que, de acordo com integrantes do governo, poderia render à União pelo menos R$ 11 bilhões caso seguisse a proposta original do projeto. Durante reunião da coordenação política nesta segunda-feira (16), o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) disse que era preciso mudar o item que diz respeito à destinação dos recursos levantados com a cobrança da multa aplicada aos contribuintes. Em troca da taxação, eles não poderão ser processados por crime de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Berzoini pediu ao líder do governo no Senado, José Pimentel (PT-CE), que articule para voltar à proposta original, de os recursos serem direcionados a dois fundos para compensar Estados prejudicados com as mudanças no ICMS em tramitação no Congresso e para financiar a infraestrutura em regiões menos desenvolvidas. No projeto aprovado pela Câmara, os deputados decidiram que o recurso das multas irá para o Tesouro, que terá que dividir o dinheiro com Estados e municípios, por meio dos fundos de participação, como ocorre com o imposto de renda. Na reunião, houve discussão sobre a viabilidade de o governo conseguir modificar o projeto no Senado e, depois, manter as alterações quando o texto voltar para a Câmara antes de seguir para a sanção da presidente. A avaliação é a de que o Planalto perdeu votos em quase todos os partidos da base nas últimas votações e precisará de "grande esforço" nas próximas sessões se quiser conseguir alguma vitória. Berzoini defendeu a ideia de que é melhor mudar o projeto da repatriação agora do que inviabilizar as regras ou não conseguir os recursos necessários para o governo na conta do ajuste fiscal, que visa cobrir o déficit nas contas públicas. Ministros e os líderes da base na Câmara e no Senado se comprometeram então a seguir as orientações de Berzoini e tentar emplacar a mudança no projeto.

STJ determina novo depoimento de Youssef em inquérito contra Cabral e Pezão


Em meio a uma divergência entre Polícia Federal e Procuradoria Geral da República, o ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, determinou que um juiz auxiliar tome um novo depoimento do doleiro Alberto Youssef no inquérito que investiga o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e seu sucessor, o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). A Polícia Federal havia pedido em setembro o arquivamento, concluindo que não foram encontradas provas do envolvimento no esquema de corrupção. A Procuradoria Geral da República, porém, pediu ao STJ que mantivesse o inquérito por serem necessários "esclarecimentos complementares". Como a Polícia Federal havia opinado pelo arquivamento, o ministro Salomão, então, determinou que um juiz auxiliar tome um novo depoimento do doleiro Alberto Youssef. Youssef já havia dito que o ex-diretor Paulo Roberto Costa "lhe incumbiu de repassar propinas arrecadadas dos prestadores de serviços da Petrobras a campanha eleitoral do PMDB do governo do Rio". Além disso, Salomão determinou a prorrogação por mais 60 dias do inquérito que investiga o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, que era do PP e atualmente é conselheiro no Tribunal de Contas da Bahia. Os inquéritos correm no STJ porque essas autoridades têm foro privilegiado perante esse tribunal. Na investigação sobre Negromonte, estão sendo levantadas informações de companhias aéreas sobre viagens do ex-ministro e do doleiro. Ele é suspeito de ter recebido propina da Petrobras. O ministro Salomão deu prazo de 15 dias para as empresas fornecerem as informações. Todos esses investigados negam terem sido beneficiados com propina da estatal ou terem qualquer relação com o esquema de corrupção. Afirmam que os depoimentos em delação premiada não são verdadeiros.

Procon multa Volkswagen em R$ 8 mihões por fraude em motores e pede recall



O Procon-SP informou nesta segunda-feira (16) que multou a Volkswagen do Brasil em R$ 8,3 milhões pela fraude da montadora nos testes de emissões de gases poluentes em seus carros. De acordo com o órgão, 17.057 unidades da picape Amarok, fabricadas entre 2011 e 2012, contêm o software que altera as emissões de nitrogênio. A Volkswagen deverá convocar um recall para retirar o dispositivo desses veículos. A multa, segundo o Procon-SP, foi fundamentada nos artigos 39, 56 e 57 do Código de Defesa do Consumidor. Na quinta-feira (12), outro órgão já havia anunciado uma multa milionária à montadora. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) multou a empresa em R$ 50 milhões pelos mesmos motivos. Em setembro, a montadora alemã admitiu que instalou em 11 milhões de veículos a diesel pelo mundo um sistema que burlava as medições de poluentes em várias marcas. O escândalo global culminou com a renúncia do presidente da empresa. Já em outubro, a Volkswagen confirmou que unidades da Amarok vendidas no Brasil e produzidas entre 2011 e 2012 possuem o dispositivo. O recall deverá ser realizado por 17.057 unidades no mercado brasileiro. 

Polícia faz busca por terroristas em subúrbio de Bruxelas


A polícia da Bélgica realizou nesta segunda-feira (16) uma operação antiterror em Molenbeek, subúrbio de Bruxelas, para buscar suspeitos de envolvimento com os atentados em Paris. Molenbeek concentra muitos imigrantes muçulmanos e é considerado um foco de radicalização de jovens. O distrito se tornou centro das investigações sobre os ataques na França após a descoberta de que ao menos dois extremistas ligados aos atentados viviam na área. 


Após os atentados de sexta-feira (13) em Paris, que deixaram 129 mortos e centenas de feridos, o ministro do Interior belga, Jan Jambon, declarou que está pronto para "fazer uma limpeza na área" de Melenbeek. Sete suspeitos foram presos no país desde então. Segundo repórteres da emissora americana CNN, a polícia fechou na manhã desta segunda-feira ao menos duas ruas do distrito. Agentes mascarados e altamente armados cercaram um prédio e ordenaram que seus ocupantes deixassem do local. Duas pequenas explosões foram ouvidas durante a operação.  O prefeito da localidade, Françoise Schepmans, confirmou à radio estatal RTBF que a polícia belga encerrou a operação em Molenbeek. As autoridades cumprem um mandado internacional de busca por Salah Abdeslam, de 26 anos, que nasceu em Bruxelas e tem cidadania francesa. Ele alugou o Volkswagen Polo preto que levou terroristas à casa de shows Bataclan, onde foram mortas 89 pessoas. A rádio privada belga RTL havia reportado nesta segunda-feira a prisão de Abdeslam. Entretanto, em poucos minutos, a RTBF desmentiu a informação, dizendo que o suspeito continua foragido. Quatro oficiais franceses disseram no domingo (15) que a polícia havia questionado e liberado Abdeslam em um carro na fronteira franco-belga, horas depois dos ataques. As autoridades belgas liberaram nesta segunda-feira Mohamed Abdeslam, irmão de Saleh e de um homem-bomba que se explodiu em um restaurante durante os ataques em Paris, informou sua advogada à RTBF. Ela disse que seu cliente "não fez as mesmas escolhas de vida" que seus irmãos. Uma fonte próxima à investigação francesa disse nesta segunda-feira que Abdelhamid Abaaoud, cidadão belga que está atualmente na Síria, "aparenta ser o cérebro por trás" dos ataques em Paris. De acordo com a RTL, Abaaoud tem 27 anos e nasceu em Molenbeek. O chanceler belga, Didier Reynders, disse a jornalistas nesta segunda-feira que "é necessário trocar mais e mais inteligência" para "encontrar as pessoas com alto nível de radicalização". O ministro defendeu que as autoridades realizem "mais e mais ações" em Molenbeek. A Bélgica é o país europeu que produz o maior número de combatentes islamitas em proporção à sua população. Nessa nação de 11 milhões de habitantes, já foram identificados 494 jihadistas. De acordo com autoridades belgas, 272 estão na Síria e no Iraque; presume-se que 75 estejam mortos, 134 tenham voltado para a Europa e 13 a caminho do continente.

Turquia havia alertado França sobre homem-bomba em 2014, diz agência


A Turquia havia informado à França já em 2014 que um dos homens-bomba envolvidos nos ataques de Paris era uma potencial ameaça, mas só obteve resposta após os atentados. As informações foram divulgadas pela agência Associated Press (AP) e creditadas a uma autoridade turca, que falou sob condição de anonimato. De acordo com esta, a Turquia havia identificado Ismail Omar Mostefai como um "possível suspeito de terrorismo" em outubro de 2014. O país notificou as autoridades francesas em dezembro daquele ano e mais uma vez em junho. As autoridades turcas só obtiveram resposta, no entanto, depois dos atentados da última sexta-feira (13), quando solicitou informações sobre Mostefai. 


Mostefai foi um dos homens-bomba que participou do ataque à casa de shows Bataclan, onde 89 pessoas morreram, dentre os ao menos 129 mortos nos atentados coordenados da noite. Ele foi reconhecido pelas impressões digitais. Ele se matou durante a ação. A procuradoria parisiense diz que Mostefai havia sido identificado como tendo laços com o extremismo há cinco anos. A autoridade turca disse que Mostefai entrou na Turquia em 2013, mas o país não tinha registro de sua saída. Ele ressaltou que o caso mostra como a comunicação eficaz entre os órgãos de inteligência de diferentes países são cruciais para ações de contraterrorismo. Mostefai, de 29 anos, nasceu em Courcouronnes, arredores de Paris, no dia 21 de novembro de 1985. Seria filho de mãe portuguesa e pai argelino, segundo vizinhos — algo não confirmado oficialmente. Viveu com os pais e quatro irmãos num pequeno sobrado no bairro Le Madeleine até 2012. Não tinha emprego fixo e chegou a trabalhar numa padaria. Ganhou fama de delinquente, problemático, após ser detido por leves infrações, como dirigir sem carteira, algumas brigas e porte pequeno de droga.

Pasadena pode ter rendido propina de até US$ 100 milhões, diz delator


A compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2006, pode ter sido motivada por interesses políticos, e o fim do litígio com a sócia belga Astra Oil, que resultou na aquisição da totalidade das ações, pode ter rendido propinas entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões. As informações foram dadas a investigadores da Lava-Jato na semana passada por um novo delator, Agosthilde Mônaco de Carvalho, funcionário da área internacional da estatal que participou do negócio. Carvalho afirmou que, em 2006, quando a Petrobras pagou US$ 416 milhões por metade de Pasadena, todos sabiam que a refinaria estava sucateada, com diversos equipamentos enferrujados - daí o apelido de "ruivinha". Ele disse ter ouvido de Nestor Ceveró, então diretor da área internacional, que matariam "dois coelhos com uma única cajadada", pois ele, Cerveró, sabia que José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal, tinha "alguns compromissos políticos a saldar" e, também, passariam a refinar óleo nos Estados Unidos. Logo após a visita às instalações da refinaria no Texas, ao alertar sobre as más condições, Carvalho teria recebido um recado de Cerveró: "Não se meta Mônaco, isto é coisa da presidência". Segundo o delator, depois da compra a Petrobras passou a fazer, por "baixo do pano", um plano para dobrar a capacidade de refino de Pasadena, o que necessitaria de alto investimento. Aos procuradores, Carvalho disse que soube, por Failhaber, que o litígio entre a Astra e a Petrobras começou porque a estatal tentou empurrar "goela abaixo" a ampliação da refinaria e a contratação da Odebrecht para fazer obra. De acordo com o depoimento, a Odebrecht envolveria também na reforma de Pasadena as empresas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiróz Galvão e Ultratec. Failhaber teria dito a Carvalho que esse foi o verdadeiro motivo da abertura do processo de arbitragem contra a Petrobras. A briga entre Petrobras e Astra se arrastou por mais de dois anos. Em dificuldades financeiras, a Astra tinha interesse em apressar a negociação. Para que o litígio tivesse um ponto final, a Astra também estaria disposta a pagar. Carvalho disse ter ouvido do engenheiro Carlos Roberto Barbosa, também funcionário da estatal e amigo de Alberto Failhaber, principal contato da Astra com os executivos brasileiros, que estaria disposto a pagar "a quantia variável de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões para resolver definitivamente o problema". Isso teria ocorrido no auge da disputa, entre 2010 e 2012. Segundo ele, o fim do litígio, com a compra da totalidade de Pasadena, foi fechado diretamente pelo então presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, com o presidente da Astra, Gilles Samyn, numa reunião em Copenhagen. Carvalho ressaltou que nenhuma outra decisão tomada pela diretoria executiva da Petrobras até então havia sido aprovada tão rapidamente pelo Conselho de Administração da companhia. Em geral, havia um prazo entre 15 e 30 dias para que os conselheiros tomassem ciência da pauta. Na aprovação da compra, a reunião do conselho foi agendada para o dia seguinte e, observou Carvalho, nenhum conselheiro se insurgiu ou pediu qualquer esclarecimento sobre a proposta de compra - que causou prejuízo de mais de US$ 700 milhões à estatal. Depois de encaminhar a proposta de compra das ações da Astra, Cerveró teria tentado negociar pagamento de propina para a área internacional, mas Alberto Failhaber teria recusado, afirmando que o negócio já havia sido fechado pelas presidências das duas empresas. Carvalho disse que Nestor Cerveró deixou o cargo porque foi pressionado a contribuir com R$ 400 mil por mês para a bancada do PMDB de Minas Gerais e não assumiu o compromisso. Teria então sido substituído por Jorge Zelada, porque o indicado ao cargo, João Augusto Henriques, teria problemas com o Tribunal de Contas. 

Delator diz que entregou US$ 1 milhão a amigo de infância de senador do PT

O lobista Fernando Soares, o Baiano, afirmou ter pago entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) por meio de um suposto "amigo de infância" do parlamentar, identificado apenas Godinho. O depoimento foi prestado como parte do acordo de delação premiada fechado com a Operação Lava Jato. Segundo Baiano, Godinho lhe foi apresentado pelo então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que orientou retirar o dinheiro destinado ao senador de parte da propina acertada em torno da compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena (EUA). De acordo com o delator, Godinho se apresentou como amigo de Delcídio e disse que "inclusive tinham estudado juntos". Os pagamentos, sempre de acordo com Baiano, foram feitos em "cinco ou seis" visitas de Godinho, no segundo semestre de 2006 e nos dois primeiros meses de 2007, no antigo escritório de Baiano, na rua Rodrigo Silva, no edifício RS8, no centro do Rio de Janeiro. O dinheiro, segundo Baiano, foi todo entregue em espécie. "Godinho provavelmente foi [ao Rio] depois da eleições, pois se recorda de ele comentar que ainda precisava pagar dívidas de campanha", disse Baiano. Delcídio foi candidato derrotado a governador de Mato Grosso do Sul em 2006. De acordo com o delator, Godinho "provavelmente morava em São Paulo", pois mencionava em "pegar a ponte aérea", expressão usada para designar as viagens entre São Paulo e Rio e vice-versa. O depoimento de Baiano foi prestado à força tarefa no último dia 9 de setembro na sede da Superintendência da PF em Curitiba (PR), mas somente nesta segunda-feira (16) a sua íntegra veio a público, com a deflagração da Operação Corrosão, a 20ª fase da Lava Jato. Nos últimos meses, veio à tona informação de que Delcídio fora citado por Baiano, mas agora surge o nome do suposto operador do senador, Godinho. Baiano não conseguiu apontar informações mais detalhadas sobre a identidade de Godinho. Ele disse não saber o nome completo do operador e também não soube dizer como o dinheiro entregue a Godinho foi repassado a Delcídio. "O depoente [Baiano] não tinha contato com Delcídio neste episódio, pois apenas tinha contato com ele na época em que [o senador] foi diretor da Petrobras", diz o termo de depoimento assinado pelo delator. Delcídio foi diretor da área de óleo e gás da Petrobras na época do governo FHC (1995-2002). Segundo Baiano, os pagamentos a Delcídio foram acertados depois que o então diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, lhe disse, por volta de 2006, que "estava sendo muito pressionado pelo senador Delcídio". De acordo com Baiano, foi acertado que o dinheiro a ser dado para cobrir gastos da campanha de Delcídio seria retirado "do valor que cabia a Nestor em Pasadena" _ou tudo ou uma parte, o delator disse não se recordar com exatidão. O dinheiro referido por Baiano era um pagamento de propina pelo fechamento da compra da refinaria em Pasadena (EUA). Procurado pela Folha, o senador ameaçou, por meio de sua assessoria de imprensa, recorrer à nova lei de "direito de resposta", sancionada recentemente pela presidente Dilma Rousseff, caso a Folha divulgasse as declarações prestadas pelo delator Fernando Baiano. "O senador Delcídio, considerando a improcedência da informação, prefere se valer das prerrogativas a que tem direito pela Lei 13.188, que trata do 'direito de resposta', compatível com a dimensão do dano que lhe for causado pela sua eventual veiculação". O senador foi indagado se conhece ou conheceu alguém chamado Godinho, que seria seu amigo de infância, mas nada respondeu sobre esse ponto.

PMDB mineiro exigiu propina de R$ 400 mil mensais a Cerveró, diz delator


Condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro e a 12 anos e três meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do petrolão, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, foi pressionado pelo PMDB mineiro a pagar uma espécie de mensalão - no valor de 400.000 reais - quando ocupava o cargo de cúpula na petroleira. A informação consta de delação premiada do engenheiro elétrico Agosthilde Mônaco de Carvalho, que atuou como assistente de Cerveró na companhia. Novo delator da Lava Jato, Mônaco disse ter sido informado por Cerveró sobre a pressão de setores do PMDB e afirmou que o ex-diretor foi afastado do cargo depois de não se comprometer a repassar dinheiro sujo para o partido. "O diretor Nestor disse que foi afastado da Diretoria Internacional da Petrobras porque foi pressionado a contribuir com a quantia de 400.000 reais por mês para a bancada do PMDB de Minas Gerais. Por não assumir esse compromisso foi afastado", detalhou o delator em depoimento à força-tarefa da Lava Jato. Cerveró, contudo, não apontou que integrante do PMDB o havia pressionado e nem os políticos a serem beneficiados com o dinheiro sujo. Oficialmente Nestor Cerveró deixou a área internacional da Petrobras após ter sido apontado como o responsável por um parecer técnico "falho" envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Ele foi substituído no cargo pelo engenheiro Jorge Zelada, também preso na Operação Lava Jato suspeito de embolsar propina e remeter o dinheiro sujo a contas no exterior. Nas negociações do esquema criminoso, o sucessor de Cerveró seria originalmente João Augusto Henriques, também réu na Lava Jato. Segundo a acusação do Ministério Público, pelo menos 31 milhões de dólares do esquema do petrolão foram parar nas mãos de Zelada, do ex-gerente Eduardo Musa e do PMDB, responsável pelo apadrinhamento político do ex-dirigente. No esquema, os lobistas Hamylton Padilha, Raul Schmidt Junior e João Augusto Rezende Henriques atuavam como intermediários da negociação, sendo que cabia a Padilha pagar a parte destinada a Eduardo Musa, a Raul Schmidt depositar a propina reservada a Zelada e a João Augusto Henriques pagar o dinheiro sujo ao PMDB. Um outro delator da Lava Jato, o ex-gerente da área internacional da Petrobras, Eduardo Musa, foi além e afirmou às autoridades que cabia ao atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como parlamentar, dar a "palavra final" nas decisões da Diretoria Internacional. Cunha foi denunciado junto ao Supremo Tribunal Federal por suspeitas de embolsar 5 milhões de dólares em propina em contratos de navios-sonda com a Petrobras e é investigado em outro inquérito por causa de contas secretas na Suíça supostamente utilizadas para receber dinheiro sujo.

Estados Unidos atacam caminhões que o Estado Islâmico usava para transportar petróleo

Aviões americanos atacaram nesta segunda-feira mais de 100 caminhões que o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) usava para transportar o petróleo obtido nas regiões ocupadas na Síria. De acordo com o jornal The New York Times, 116 caminhões foram destruídos nos ataques, que ocorreram perto de Deir ez Zor, em uma região síria controlada pelo EI, junto à fronteira com o Iraque. O ataque pretendia, segundo a publicação, acabar com uma das principais fontes de financiamento do grupo radical islâmico, segundo as fontes. A operação foi realizada por quatro caças A-10 e dois tipo AC-130 que os Estados Unidos mantêm em uma base na Turquia. Esses ataques ocorrem 48 horas depois dos atentados terroristas que integrantes do EI perpetraram em Paris na sexta-feira, nos quais morreram ao menos 129 pessoas.Segundo o jornal americano, a operação faz parte de um plano que tem como objetivo destruir os recursos utilizados pelos terroristas para ampliar seu potencial militar. As autoridades americanas acreditam que o EI pode obter mais de US$ 40 milhões mensais graças à produção e exportação de petróleo nas áreas que controla na Síria e no Iraque, onde os jihadistas proclamaram um "califado". 

Polícia francesa identifica mentor dos atentados em Paris


As polícias da Bélgica e da França identificaram nesta segunda-feira o suspeito de estar por trás dos ataques terroristas de Paris, que deixaram 129 mortos. Trata-se de Abdelhamid Abaaoud, de 27 anos, nascido em Molenbeek, subúrbio de Bruxelas, na Bélgica. Ele teria planejado e financiado os atos e estaria atualmente na Síria. Um oficial francês afirmou que o suspeito tem origem marroquina e é acusado de envolvimento com outros atentados na Europa, como a tentativa de um massacre no trem Thalys que fazia o trajeto entre Amsterdã e Paris, em agosto deste ano. Abaaoud é considerado uma das figuras midiáticas mais importantes entre os jihadistas belgas por sua atividade em redes sociais. Em um vídeo publicado na internet em 2014, ele diz que reza "para que Alá extermine aqueles que se opõem a ele, seus soldados e admiradores". O suspeito é tido pelos investigadores, segundo o Le Monde, como alguém próximo a Salah Abdeslam - atualmente foragido e irmão do homem-bomba que se explodiu no bar Comptoir Voltaire, na noite de sexta. Abaaoud e Abdeslam estiveram presos juntos na Bélgica, em 2010, por assalto à mão armada. Além disso, o possível mentor dos últimos atentados estava em contato com Mehdi Nemmouch, autor do ataque ao Museu Judaico de Bruxelas, que custou a vida de três pessoas em 24 de maio de 2014. Segundo a rádio francesa RTL, Abdelhamid Abaaoud é um dos militantes mais ativos do Estado Islâmico (EI). Filho de um comerciante do Marrocos, o suspeito teria se unido ao grupo terrorista em 2013 na Síria. De acordo com a imprensa belga, ele recrutou para o EI o seu irmão mais novo, Younes Abaaoud, de 13 anos, que se tornou um dos membros mais jovens do grupo.


​Em uma entrevista à revista Dabiq, que pertence ao EI, publicada em fevereiro deste ano, Abaaoud gabou-se por driblar os serviços de inteligência belga ao planejar ataques contra o Ocidente. Na publicação, o jihadista usou o apelido de Abu Umar al-Baljiki e posou para fotos segurando uma bandeira do EI e um alcorão. Ele afirmou ter viajado para a Bélgica com mais dois homens para "aterrorizar" aqueles que praticam "uma guerra contra os muçulmanos". Abaaoud disse ter sido parado pela polícia durante essa viagem, mas foi liberado mesmo depois de uma foto sua ter sido divulgada pela imprensa belga. Este fato, porém, não foi confirmado pelas autoridades do país.

Uma grande limpeza

François Hollande quer aprovar uma lei que destitui terroristas de origem estrangeira, mesmo nascidos na França, da nacionalidade francesa. Já será uma grande limpeza.

Depósitos no Exterior do sucessor de Barusco

O juiz Sérgio Moro determinou a prisão temporária do ex-gerente Roberto Gonçalves baseado em delações de Pedro Barusco e Mario Góes, além de novos documentos apresentados pelo operador, como extratos de depósitos feitos no exterior em nome de Gonçalves. Segundo o despacho de Moro obtido pelo Antagonista, Góes teria pago a propina a Gonçalves, "mediante transferências da conta em nome da off-shore Mayana Trading, mantida no Banco Lombard Odier, para conta indicada por Roberto Gonçalves e que ficaria no Banco Pictet, em Genebra". Ao solicitar a prisão do ex-gerente, a força-tarefa da Lava Jato também fez referência a trecho do depoimento de Barusco que cita a divisão da propina de vários contratos da Petrobras para João Vaccari: "QUE a divisão se dava da seguinte forma: 2/3 para JOAO VACCARI; e 1/3 para a "Casa 1" e "Casa 2"; QUE a "Casa 1" referia-se a pagamentos de propina no âmbito da PETROBRAS, especificamente para o Diretor de Serviços RENATO DUQUE e ROBERTO GONÇALVES, o qual substituiu o declarante na Gerencia Executiva da Área de Engenharia; QUE a "Casa 2" referia-se ao pagamento de propinas no âmbito da SETEBRASIL, especificamente para o declarante, JOAO CARLOS DE MEDEIROS FERRAZ, Presidente da empresa, e, posteriormente, também houve a inclusão de EDUARDO MUSA, Diretor de Participações da empresa; (...)" (termo de colaboração n.º 01, evento 1, anexo4)

A Schahin entrega Lula

Salim Schahin é um dos donos do Grupo Schahin. Segundo a Folha de S. Paulo, ele fechou na semana passada um acordo de delação premiada com a Lava Jato. Ele confirmou que o Grupo Schahin ganhou o contrato para operar a sonda Vitória 10.000 em troca de propina para a campanha de Lula, em 2006. E agora?


Salim Schahin é nosso homem

Lula tem de ser preso (dois)

A denúncia de que a campanha de Lula recebeu propina do Grupo Schahin, agora confirmada por Salim Schahin, foi feita inicialmente por Nestor Cerveró. Em 15 de agosto, O Antagonista publicou: Nestor Cerveró entregou Lula. Num de seus depoimentos à Lava Jato, segundo a Veja, Nestor Cerveró contou que a campanha de Lula, em 2006, foi financiada com propina paga pelo contrato do navio-sonda Vitória 10000. Isso mesmo: Lula se elegeu com dinheiro roubado da Petrobras. O operador Júlio Camargo já havia admitido o pagamento de 25 milhões de dólares em propina para favorecer o estaleiro Samsung e a empreiteira Schahin no contrato do Vitória 10000. O que Nestor Cerveró disse agora à Lava Jato foi que o contrato fraudulento assinado pela Petrobras com a empreiteira Schahin serviu para saldar dívidas de 60 milhões de reais da campanha de Lula, em 2006, com o Banco Shahin. Lula tem de ser preso. Em seguida: Nestor Cerveró, além de entregar Lula, entregou também José Sérgio Gabrielli. A ordem para que Nestor Cerveró direcionasse o contrato do navio-sonda Vitória 10000 para a Schahin foi dada pessoalmente pelo presidente da Petrobras. De acordo com Nestor Cerveró, José Sérgio Gabrielli disse-lhe: "Veio um pedido do homem lá de cima. A sonda tem de ficar com a Schahin".

Lula tem de ser preso (três)

A denúncia de Nestor Cerveró sobre a propina para a campanha de Lula foi engavetada por dois meses. Em meados de outubro, porém, o gerente da Petrobras Eduardo Musa decidiu colaborar com a Lava Jato e confirmou todos os detalhes do episódio: Eduardo Musa contou à Lava Jato como a campanha de Lula, em 2006, foi paga com dinheiro roubado da estatal. Em um de seus depoimentos, obtido pelo Valor, ele disse que o contrato da sonda Vitória 10000 com a construtora Schahin serviu para saldar dívida de 60 milhões de reais da campanha de Lula, confirmando integralmente a denúncia de Nestor Cerveró. Eduardo Musa relatou que, logo depois da campanha de 2006, “foi convidado para almoçar em restaurante no centro do Rio com um diretor do banco Schahin chamado Sandro. Nessa ocasião, disse ter conhecido Fernando Schahin. Fernando Schahin mencionou que a pessoa responsável por intermediar o empréstimo entre o Banco Schahin e o PT era José Carlos Bumlai, e que a contratação da Schahin pela Petrobras tinha por escopo quitar este empréstimo". O Estadão reproduziu um trecho do depoimento de Eduardo Musa: “Foi explicado por Cerveró para o declarante que esta nova sonda deveria ser operada pela Schahin Engenharia; que havia sido recebida uma ordem “de cima” para que se procedesse dessa forma; que o declarante imaginou que esta pessoa seria Sergio Gabrielli; que foi explicado que havia uma dívida de campanha presidencial do PT de 60 milhões de reais junto ao Banco Schahin e que para quitá-la o governo utilizaria do contrato de operacionalização da sonda Vitória 10.000”… Veja bem: “… o governo utilizaria o contrato”.


Os R$ 60.000.000,00 para Lula

O aval de Lula para a propina da Schahin

Salim Schahin, na semana passada, confirmou as denúncias de Eduardo Musa e Nestor Cerveró. Segundo a Folha de S. Paulo, ele disse aos investigadores da Lava Jato “que o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi decisivo para que o grupo conseguisse um contrato bilionário com a Petrobras em 2007”. Ele disse também que “o contrato foi uma compensação em troca do perdão de uma dívida milionária que o PT tinha com o banco Schahin”. Ele disse igualmente que “foi o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, que mencionou o apoio de Lula a executivos do grupo durante as negociações para livrar o PT da dívida”.

O operador de Lula

O Antagonista sempre tratou José Carlos Bumlai como o operador particular de Lula. As denúncias de Salim Schahin, reproduzidas pela Folha de S. Paulo, provam esse fato. Eles contou aos investigadores da Lava Jato que as negociações para saldar as dívidas de campanha de Lula “ocorreram no fim de 2006, após a reeleição. Em 2007, poucos meses depois da conversa com Bumlai, a construtora do grupo Schahin assinou com a Petrobras um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitória 10.000”.

O operador de Lula e Delúbio Soares

A propina para a campanha de Lula, em 2006, não foi a primeira a ser negociada por José Carlos Bumlai. Salim Schahin contou à Lava Jato que o empréstimo de 12 milhões de reais que seu banco concedeu a José Carlos Bumlai, em 2004, teve a mesma finalidade.
Folha de S. Paulo:
“Segundo o acionista do grupo Schahin, Bumlai disse que o dinheiro era destinado ao PT. Para provar que falava sério, Bumlai marcou um encontro entre os executivos do banco e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Salim Schahin disse que o encontro ocorreu num escritório do grupo na rua Vergueiro, na zona sul de São Paulo”.
E também:
“Bumlai nunca pagou o empréstimo, mas teve a dívida perdoada em 2009, dois anos depois do contrato com a Petrobras”.

O mandante dos massacres

Foi identificado o terrorista que arquitetou os atentados de Paris. Trata-se de Abdelhamid Abaaoud, um psicopata de nacionalidade belga que, atualmente, está em território ocupado pelo ISIS, na Síria.


O monstro

E Celso Daniel?

Salim Schahin, o patrono do Grupo Schahin, está confirmando à PF tudo o que Marcos Valério disse, na tentativa derradeira de delação premiada em 2012, sobre o empréstimo do grupo ao PT e o contrato bilionário de sondas da Petrobras recebido em contrapartida ao auxílio financeiro. Falta apenas confirmar que o empréstimo de R$ 12 milhões pagou o silêncio de Ronan Maria Pinto sobre o assassinato de Celso Daniel.

O dia do fico

Dilma Rousseff disse que Joaquim Levy fica no ministério da Fazenda: "Eu não só gosto muito do presidente Lula, como o respeito. Mas não concordamos e não temos de concordar com todas as avaliações."
Vamos aos fatos:
a) Apesar da ineficácia de Joaquim Levy, a sua saída faria desabar imediatamente a credibilidade do Brasil;
b) Joaquim Levy seria saído se Dilma Rousseff pudesse encontrar um fantoche semelhante. Ninguém respeitável quer esse lugar;
c) Dilma Rousseff odeia Henrique Meirelles;
d) Henrique Meirelles seria o fantoche de Lula, e não de Dilma;
e) O fantoche de Lula não goza de grande credibilidade nacional e internacional, ao contrário do que gosta de apregoar;
f) O Brasil continua caminhando a passos largos para o abismo.

Polícia Federal fez buscas em cobertura e fazenda de ex-gerentes

As ações de busca e apreensão tiveram como alvo diversos endereços no Rio e em Niterói relacionados aos ex-funcionários da Petrobras investigados na Operação Corrosão. Em despacho, o juiz Sérgio Mouro autorizou a coleta de "registros e livros contábeis, formais ou informais, recibos, agendas, ordens de pagamento e em especial documentos relacionados à manutenção e movimentação de contas no Brasil e no Exterior, em nome próprio ou de terceiros; valores superiores a 50 mil e todo tipo de arquivo eletrônico. Cezar de Souza Tavares - a Policia Federal fez buscas em seu apartamento no 8º andar do número 150 da estrada Nossa Senhora de Lourdes, no bairro de São Francisco, em Niterói. E na cobertura do número 118 na rua Senador Dantas, Centro do Rio de Janeiro, endereço de seu escritório. Rafael Mauro Comino - a Polícia Federal cumpriu buscas em sua cobertura no número 121 da av. Oswaldo Cruz, no Flamengo. Luis Carlos Moreira - a Polícia Federal cumpriu buscas em seu apartamento no 8º andar do número 126 da rua General Glicério, em Laranjeiras, e em sua fazenda na estrada Vargem Grande, 3240, Petrópolis.

O pesadelo da inflação está longe do fim

Enquanto o governo não se decide sobre quem comanda o Ministério da Fazenda, a inflação continua em disparada. Para os economistas consultados pelo Banco Central, os preços não voltam ao normal antes de 2018.

Operação Corrosão: conduções coercitivas

Os ex-funcionários da Petrobras Rafael Comino, Luis Moreira e Cezar de Souza Tavares foram alvos de mandados de intimação e condução coercitiva. Os alvos das duas prisões da Operação Corrosão ainda não tiveram os nomes revelados.

Está chegando a vez de Lula

A condução coercitiva de Luis Carlos Moreira é mais um passo da Lava Jato em direção a Lula. Eduardo Musa, em sua delação premiada, disse que ele e Luis Carlos Moreira participaram de uma reunião com José Carlos Bumlai, no escritório de Fernando Baiano, para acertar a propina do Grupo Schahin pelo contrato da sonda Vitória 10.000. Três delatores já entregaram Lula nesse caso: Eduardo Musa, Fernando Baiano e, na semana passada, Salim Schahin. Luis Carlos Moreira será o quarto?

Exclusivo: Corrosão tem novo delator

Alvo da investigação sobre propinas na compra da Refinaria de Pasadena, o engenheiro Agosthilde Monaco negociou um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. Monaco era assistente de Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobras e foi incumbido, no final de 2004, de localizar nos EUA refinarias de petróleo para serem adquiridas pela Petrobras.

A doleira do PT

A Lava Jato andava meio adormecida, agora acordou de supetão. Além das delações premiadas de Salim Schahin e de Agosthilde Monaco, hoje O Globo noticia que a doleira Nelma Kodama, parceira de Alberto Youssef, fechou um acordo de colaboração com a Polícia Federal. Só para lembrar: Toninho Barcelona, na CPI dos Bingos, acusou Nelma Kodama de ser a doleira do PT na época de Celso Daniel.

Ruivinha precisava de "banho de loja"

Agosthilde Monaco disse à força-tarefa da Lava Jato que se interessou pela refinaria de Pasadena ao saber de sua compra pela Astra Oil, que tinha entre seus principais executivos Alberto Failhaber, um ex-funcionário da Petrobras. Monaco ligou para Failhaber e lhe contou sobre o interesse da estatal brasileira em negociar até 100% da refinaria. Failhaber comentou que Pasadena precisava "tomar um banho de loja" para ficar nos padrões de qualidade técnica da Petrobras. Era um eufemismo. A refinaria, segundo ele, foi comprada na "bacia das almas", pois os equipamentos estava desgastados, com problemas de segurança operacional, mão de obra estava desmotivada e sem crédito para aquisição de óleo e matéria-prima.

"Gabrielli queria honrar compromissos políticos"

O delator Agosthilde Monaco também contou à força-tarefa da Lava Jato que, apesar da situação crítica da Refinaria de Pasadena, Nestor Cerveró decidiu comprá-la para "matar dois coelhos". Segundo Monaco, Cerveró, ao ouvir o relato sobre Pasadena, abriu um sorriso e disse: "Se chegarmos a um acordo com ela (Astra), um Revamp da refinaria deixará bastante satisfeito o presidente da Petrobras, pois sei que ele tem alguns compromissos políticos a saldar, portanto com Pasadena mataremos dois coelhos com uma única cajadada: refinar o óleo de Marlim nos Estados Unidos e o presidente Gabrielli poder honrar seus compromissos políticos". Depois que as negociações evoluíram, o assistente de Cerveró ainda tentou questioná-lo sobre as condições precárias de Pasadena, que foi apelidada de "ruivinha" por causa da ferrugem. Levou um passa-fora do então diretor internacional. "Não se meta, Monaco, isso é coisa da Presidência".

O sucessor de Barusco

A Lava Jato prendeu hoje Roberto Gonçalves, o gerente da Petrobras que substituiu Pedro Barusco. Ricardo Pessoa o acusou de ter recebido propina para as obras do Comperj, juntamente com Pedro Barusco, Renato Duque e João Vaccari Neto. É mais um nome que vai complicar a vida do PT.


R$ 5 milhões para Gonçalves, R$ 15 milhões para Vaccari

Odebrecht foi escolhida antes da compra de Pasadena

Ao negociar a delação premiada, Agosthilde Monaco contou ainda que soube por Nestor Cerveró sobre a escolha da Odebrecht para realizar a reforma e ampliação da refinaria de Pasadena. Quem indicou a Odebrecht foi o próprio José Sérgio Gabrielli, segundo o delator. "Antes mesmo do fechamento do contrato de compra da refinaria de Pasadena, o presidente Gabrielli já havia indicado a Construtora Norberto Odebrecht", disse. Monaco relatou ainda que Cerveró chegou a mostrar-lhe um email enviado por Renato Duque, em 25 de maio de 2006, em que o representante da Odebrecht relata o convite que fez a outras construtoras para dividirem a obra: Andrade Gutierrez, Camargo Correa, Queiroz Galvão e Ultratec. Segundo o delator, a origem dos atritos com a Astra está na tentativa da Petrobras de emplacar a Odebrecht no comando da obra, enquanto a Astra queria uma licitação internacional com a participação de empresas americanas e brasileiras e aquela que apresentasse a melhor cotação levaria a obra. "Como a Petrobras recusou a proposta, isto motivou a abertura do processo de arbitragem", disse Monaco.

Nelson Martins é outro preso na Corrosão

Além de Roberto Gonçalves, outro preso pela Polícia Federal na Operação Corrosão é Nelson Martins Ribeiro, apontado como operador financeiro do esquema. A Polícia Federal comunicou que Ribeiro era um "facilitador na movimentação de recursos indevidos pagos a integrantes da Diretoria de Abastecimento da Petrobras", então comandada por Paulo Roberto Costa.

Todos os homens de José Dirceu

Roberto Gonçalves, o gerente que foi preso hoje pela Lava Jato, era um dos homens de José Dirceu na Petrobras, conforme revelou o jornalista Claudio Dantas em uma reportagem para a revista IstoÉ sobre a perda de poder do "guerreiro do povo brasileiro" na estatal: "No ano passado, Dirceu já havia perdido influência na Petrobras. A mudança no comando da estatal implicou uma ampla renovação nos quadros de direção aparelhados por Dirceu. Foi o caso da estratégica diretoria de Engenharia. A nova presidente da estatal, Maria da Graça Foster, trocou Renato Duque por Richard Olm. Antes, porém, o ex-ministro tentou emplacar Roberto Gonçalves no cargo, sem sucesso".

A divisão da propina de Pasadena

Agosthilde Monaco entregou à força-tarefa da Lava Jato os extratos dos repasses e detalhou a planilha das propinas montada por Luis Carlos Moreira. Eis os valores para cada beneficiário:
- Fernando Baiano: US$ 4 milhões
- Nestor Cerveró: US$ 2,5 milhões
- Paulo Roberto Costa: US$ 1,5 milhão
- Luis Carlos Moreira: US$ 2 milhões
- Rafael Comino: US$ 1,8 milhão
- Aurélio Oliveira Telles: US$ 600 mil
- Cesar Souza Tavares: US$ 800 mil
Monaco explicou que foi o único a receber em cash a sua parte: US$ 1,8 milhão. Todos os demais receberam em contas no Exterior. Segundo o delator, os pagamentos foram feitos em cinco entregas semanais no primeiro semestre de 2007.

Ruivinha rendeu US$ 15 milhões em propinas, diz delator

A delação de Agosthilde Monaco é devastadora, pois traz detalhes de toda a negociação, encontros em hotéis e valores pagos, tudo acompanhado de extratos bancários com os depósitos da propina. A compra da refinaria de Pasadena, a ruivinha, rendeu aos executivos da Petrobras um total de US$ 15 milhões... Monaco conta que Nestor Cerveró deu "carta branca" a Luis Carlos Moreira, então gerente-executivo de Desenvolvimento e Negócios, para tocar a compra da ruivinha do Texas e o recebimento da propina. "A pactuação do recebimento de propina ocorreu poucos dias após a realização da primeira 'due diligence'", diz, referindo-se à visita técnica ocorrida entre 23 de maio e 17 de junho de 2005. Naquele momento, estourava no Brasil o mensalão. Em 29 de junho, Luis Carlos Moreira e o engenheiro Carlos Roberto Barbosa foram a Los Angeles e se hospedaram no Howard Johnson Hotel (hoje Holliday Inn). Na primeira reunião, no dia 30, eles negociaram com Alberto Failhaber, da Astra, a propina que deveria ser paga aos funcionários da Petrobras. Moreira sugeriu o valor de US$ 20 milhões, enquanto Failhaber se dispôs a pagar US$ 10 milhões. "Depois de quase meia hora de conversa ficou ajustado que os funcionários da Petrobras teriam direito a receber US$ 15 milhões", diz o delator. Failhaber também prometeu a Barbosa 10% do bônus que receberia da Astra Oil por indicar o negócio. Monaco revela que posteriormente soube que a empresa indicada por Luis Carlos Moreira para recebimento da propina era de Fernando Baiano. O delator conta que embolsou US$ 1,8 milhão do valor da propina.

Fortunati diz ao Jornal do Comércio que é candidato ao Senado em 2018

Em 2018, os senadores Paulo Paim, PT, e Ana Amélia, PP, disputarão a reeleição, mas desde já enfrentam um candidato fortíssimo, no caso o prefeito José Fortunati. Foi o que ele revelou para a jornalista Lívia Araújo, do Jornal do Comércio. Em meio a diversas incógnitas sobre o futuro do prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (licenciado do PDT) - se continuará no partido ao qual se filiou em 2002 e o que fará depois de concluído seu mandato -, o chefe do Executivo da Capital anunciou que já tem ao menos uma definição. "Sou candidato ao Senado Federal", revelou. A escolha vem do desejo de contribuir em âmbito nacional para a qualificação da política, que, segundo Fortunati, está contaminada por "interesses mesquinhos". "Considero uma excrescência a obrigatoriedade da emenda impositiva. E o Congresso tem se importado muito mais em discutir esses temas", ponderou. Outros desfechos, porém, permanecem em aberto para o prefeito. Um deles é se permanece no PDT ou troca de partido. "Eu não tenho pressa em mudar essa situação", adianta. No entanto, Fortunati afirma que o licenciamento promoveu a melhoria de sua relação com a Câmara de Porto Alegre como um todo, dando mais coesão à base. A outra é o que fará no período entre sua saída da prefeitura e as eleições de 2018. "A única coisa neste momento é minha gestão até 31 de dezembro de 2016."

Delator confessa: perdoou dívida do PT e conseguiu contrato bilionário. Quem comandou a operação? Lula!

Representantes do grupo Schahin que fecharam um acordo para colaborar com as investigações da Operação Lava Jato indicaram que o aval do ex-presidente Lula foi decisivo para que o grupo conseguisse um contrato bilionário com a Petrobras em 2007. Segundo eles, o contrato foi uma compensação em troca do perdão de uma dívida milionária que o PT tinha com o banco Schahin. Foi o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, que mencionou o apoio de Lula a executivos do grupo durante as negociações para livrar o PT da dívida, eles disseram. As negociações ocorreram no fim de 2006, após a reeleição de Lula, de acordo com um dos depoimentos colhidos pelos procuradores da Lava Jato. Em 2007, poucos meses depois da conversa com Bumlai, a construtora do grupo Schahin assinou com a Petrobras um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitória 10.000. O episódio foi relatado a procuradores da Lava Jato na semana passada, em Curitiba, por um dos acionistas do grupo, Salim Schahin. Ele controla o grupo com o irmão, Milton. As negociações para que o Schahin colabore com as investigações tiveram início há quase dois meses. 

EUA e Europa precisam parar com videogame sangrento e ocupar o território do terror

Por Reinaldo Azevedo - EUA e Europa precisam parar com seu videogame sangrento. Terão de fazer guerra de verdade, daquelas com sangue, suor e lágrimas, se quiserem forçar o recuo da besta que foi despertada nos desertos morais da Síria, do Iraque, da Líbia, com potencial para produzir ainda muita destruição e morte do Oriente Médio e centro-norte da África. Depois dos atentados terroristas, a França lançou um bombardeio aéreo maciço contra bases do Estado Islâmico na Síria. Serão ineficazes. Uso de novo a palavra “besta”, sinônimo aqui do demônio e do mal absoluto. O jihadismo não tem limites. Não existe um conjunto de valores morais que sirva de referência para perfilar o inimigo. São capazes de qualquer coisa. Bombardeios dessa natureza acabam vitimando mulheres e crianças, tornadas escudos humanos. É óbvio que isso já não basta. O terrorismo não pode ter um território — e hoje tem. As ditas potências ocidentais vão ter de sentar à mesa com a Rússia e organizar a incursão terrestre. É preciso perseguir e eliminar Abu Bakr al-Bagdadi, o chefe do Estado Islâmico, e toda a cadeia de comando do reino da barbárie. É claro que o custo de uma operação como essa — inclusive o custo político — será imenso. Mas é a consequência dos erros brutais cometidos por Obama e pelos aliados europeus. É estupefaciente que o presidente americano e os entusiastas da dita Primavera Árabe nunca tenham se perguntado a origem do armamento pesado que os ditos defensores da “democracia” empregavam na Síria. Ou que haviam empregado antes na Líbia. Desde quando guerrilheiros, tenham eles a convicção que for, dispõem de caças, baterias antiaéreas, tanques? De forma absolutamente irresponsável, estúpida, os EUA decidiram, ora vejam, armar os ditos rebeldes sírios — e, como já ficou evidente, armas e recursos acabaram caindo nas mãos dos terroristas, mais uma vez. A política errática — ou a política nenhuma! — de Obama abriu caminho para o protagonismo de Vladimir Putin na Síria, que entrou na guerra, mas não exatamente para atingir o Estado Islâmico, e sim os outros inimigos de Assad. E os erros americanos se multiplicam porque, a esta altura, parece evidente que Assad não vai cair — quem ascenderia ao poder? — e que a redução de dano possível implicará fortalecer o ditador. A prioridade, agora, é recuperar o vasto território que caiu nas mãos do terrorismo. É certo que isso, por si, não resolve a questão interna. A Europa viverá sob o clima de medo por muito tempo. E está mais exposta do que nunca a novos atentados terroristas. No período de acirramento dos conflitos, com ou sem a ação por terra, tal risco será brutalmente aumentado. Atenção: o trânsito de cidadãos europeus, com origem árabe ou não, para a pátria do terror já era grande. E não há razão nenhuma para desconfiar da afirmação do Estado Islâmico de que, com a leva de imigrantes, seguiram os emissários da morte. Sim, a ameaça pode estar em toda parte, mas uma coisa é certa: sem tomar de volta o território que hoje ambiciona ser uma pátria, não há reversão possível da barbárie. E isso terá de ser feito por terra. Obama e os europeus terão de parar de brincar de videogame e joguinhos de guerra. Desta vez, tem de ser pra valer.

Odebrecht põe à venda negócios de R$ 4 bilhões e tenta renegociar dívidas



Navegando pela crise econômica com uma dívida de R$ 98 bilhões a bordo, o grupo Odebrecht trabalha para levantar pelo menos R$ 4 bilhões com a venda de empreendimentos e tenta renegociar R$ 11 bilhões em débitos mais urgentes.  Quarto maior grupo privado do País, com cerca de R$ 110 bilhões de faturamento, a companhia quer reforçar o caixa para investir sem depender dos bancos em 2016 — ano já carimbado pela recessão, dificuldade para conseguir crédito novo e encarecimento na rolagem de empréstimos. Para a Odebrecht, há uma complicação a mais, disseram executivos do alto escalão de seis bancos que têm negócios com o grupo. Dependendo dos desdobramentos da Lava Jato, o mercado, já restrito por causa da crise, pode dificultar ainda mais a concessão de empréstimos. A empreiteira é acusada de corrupção em negócios com a Petrobras e enfrenta investigações em outros países onde atua. O presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, está preso há cinco meses. Para se proteger de um aperto na situação financeira, os executivos da Odebrecht começaram a esquadrinhar os projetos do grupo para definir quais podem render mais e com rapidez. Uma das maiores apostas é a venda da hidrelétrica de Chaglla, que a Odebrecht constrói no Peru. O grupo avalia as primeiras propostas e espera conseguir cerca de US$ 900 milhões (R$ 3,4 bilhões). No Brasil, a operação mais adiantada é a da Odebrecht Ambiental, que tem concessões de saneamento em 18 Estados, em Angola e no México. A empresa montou um pacote com quatro contratos de concessão e ofereceu a investidores uma fatia avaliada em cerca de R$ 300 milhões. Outras duas empresas à procura de sócios são a Odebrecht Transport (concessionária de portos, aeroportos rodovias e metrô) e a Odebrecht Defesa (fabricante de equipamentos militares). A Transport quer um parceiro para assumir de 30% a 40% de sua operação de concessões de rodovias. Avalia ainda sondagens de investidores interessados na compra de outros negócios, como sua fatia na concessionária que explora a linha amarela do metrô de São Paulo. O banco Lazard foi contratado para ajudar nas negociações. Com R$ 1 bilhão em caixa, a empresa planeja investir R$ 3,7 bilhões em 2016. A Odebrecht Defesa, por sua vez, contratou um banco para vender 40% da Mectron, fabricante de mísseis e sistemas de comunicação militar. Uma parte dos recursos da venda da hidrelétrica no Peru será usada na Odebrecht Agroindustrial, segundo a vice-presidente de finanças do grupo, Marcela Drehmer. Endividada, a produtora de etanol precisa de dinheiro novo.  O grupo afirma que o movimento de venda não é motivado pelo alto endividamento e que sempre buscou sócios. Um trunfo são os R$ 25 bilhões em caixa, diz Drehmer. Se for preciso, afirma, o grupo tem patrimônio para vender, como participações numa mina de diamantes na África e a hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Os bancos acreditam que a situação financeira do grupo está sob controle, mas que o movimento de venda não é fortuito e a Odebrecht precisa fazer caixa para os próximos anos. Drehmer admite que a empresa está cautelosa. Congelou investimentos novos, cortou funcionários, viagens e serviços terceirizados. Economizou R$ 300 milhões até junho. "Quando você está crescendo, ninguém é muito austero", diz Drehmer. Depois de dez anos de expansão acelerada, em que o grupo quintuplicou de tamanho, a austeridade chegou à Odebrecht.

Tribunal decide manter bens de Neymar bloqueados


Neymar seguirá com seus bens bloqueados pela Justiça brasileira. A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal manteve o bloqueio no valor total de R$ 189 milhões. A ação ocorre porque o jogador do Barcelona e da Seleção Brasileira é acusado de sonegação de impostos. Os advogados do jogador agora vão entrar com um recurso no Superior Tribunal de Justiça para alterar a decisão. Segundo a Fazenda Nacional, Neymar teria sonegado R$ 63,6 milhões em impostos entre os anos de 2011 e 2013. O montante seria referente a sua transferência do Santos para o Barcelona. Como pena, a Justiça cobra uma multa de 150% sobre esse valor, por isso o bloqueio dos bens do jogador. Além dos bens do jogador, também foram bloqueados ativos de empresas ligadas a ele, como a N & N, que pertencem aos seus pais. O tribunal ainda negou o segredo de justiça pedido pela defesa de Neymar. Apenas alguns documentos são mantidos em sigilo. Neymar está com a Seleção Brasileira em Salvador, onde enfrenta o Peru, nesta terça-feira, pela quarta rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. 

A culpa de Obama e aliados europeus na ascensão do terror: nunca houve “Primavera Árabe”

Por Reinaldo Azevedo - Potências ocidentais são, sim, em parte culpadas pela dimensão que tomou o terror, mas não pelas razões perturbadas apontadas pelas esquerdas, que pretendem voltar às Cruzadas para justificar os assassinos. Eu sei o quanto apanhei neste blog e em alguns outros veículos porque chamei, desde o início, de terrorismo aquilo a que se assistia na Síria e na Líbia, por exemplo. Aliás, nunca cai no conto da Primavera Árabe — que primavera nunca foi. Aqueles que assistiram a um debate de que participei no clube Hebraica, em São Paulo, há mais de três anos, sabem disso. No dia 18 de julho de 2012, por exemplo, depois de um atentando na Síria, escrevi aqui: “Eu não sou um entusiasta disso que chamam ‘Primavera Árabe’, vocês sabem. Acho que, infelizmente, é o radicalismo islâmico que está ganhando espaço nessa jornada. Custará caro. E espero, obviamente, estar errado. O fato de Bashar Al Assad ser um ditador asqueroso, a exemplo de outros que já caíram, não deve servir de pretexto para considerar aceitáveis certos métodos. Aquilo a que se assistiu na Síria nesta quarta-feira tem nome: atentado terrorista. Condescender com isso corresponde a aceitar qualquer método, inclusive os de Assad, ora essa!” Dias antes da derrocada de Muamar Kadhafi, na Líbia, apontei os erros cometidos pela Otan, sob os auspícios de EUA e Reino Unido, que prepararam o caminho para que os terroristas derrubassem o ditador. Escrevi no dia 22 de agosto de 2011: “A Líbia de Kadafi foi, durante muitos anos, um celeiro de terroristas — aliás, era governado por um. Aí o homem se engraçou com o Ocidente, declarou inimigos os jihadistas e passou a colaborar efetivamente com o combate ao terrorismo, tanto que recebeu o afago dos governos dos EUA e da Grã-Bretanha. O jihadismo se alinhou com os rebeldes. Alguns de seus soldados são veteranos ainda da guerra do Afeganistão contra a… União Soviética! Quem dará o tom do novo governo? É uma tolice imaginar que toda a sociedade líbia repudia Kadaf.” Há quem aposte na memória curta de leitores, de ouvintes, de telespectadores, de internautas. É claro que, naqueles dias, o mais difícil era defender a opinião de que EUA e Europa faziam muito mal em estimular a queda de, digamos, ditadores amigos, estimulando os defensores da suposta “Primavera”, que abriu caminho para o jihadismo. Mas era a coisa sensata a fazer. Como o sensato, em dias recentes, não era, claro!, escorraçar os refugiados, mas, quando menos, criar critérios mais severos para a entrada deles na Europa. Ou alguém duvidava de que aquele movimento estivesse na mira do terror e de que se abria uma janela formidável para a entrada em massa de terroristas? Se o Estado islâmico blefa ou não quando anuncia que infiltrou milhares de seus militantes no continente, não sei. Basta, meus caros, que isso fosse possível — e é claro que era. Mas o Ocidente gosta de se enganar. Gosta de pensar que a democracia é dessas coisas que fazem parte do ar que respiramos, como se ela não fosse uma construção humana, uma escolha, um conjunto de princípios volitivos. O mundo pagará caro, por muitos anos, pelos erros cometidos por Barack Obama e por seus aliados europeus quando, sob o pretexto de apoiar a Primavera Árabe, pavimentaram o caminho do terror.