sábado, 7 de novembro de 2015

Paulo Roberto Costa protege Lula, o seu chefe direto

Paulo Roberto Costa deve ter os benefícios da sua delação premiada revogados. Ele mente quando diz que não se encontrou com Palocci, sob os auspícios de Bumlai. Ele está protegendo Lula, o seu chefe direto.

Brasil pode atrair aporte bilionário de fundos

O cenário é perfeito para eles: empresários com a corda no pescoço, endividados, precisando de capital, e, por isso, mais suscetíveis a vender parte ou a totalidade de seus negócios. Para os fundos de private equity, que compram participação em empresas para vender no futuro com lucro, o momento é ideal. Hoje, a estimativa é de que eles tenham R$ 130 bilhões em recursos comprometidos para o Brasil e um número crescente de negociações em andamento. No ano, segundo dados da consultoria PwC, a participação dos fundos de private equity chegou a 178 em setembro – mais do que os 170 do ano passado. Houve crescimento embora o número de transações, no geral, tenha diminuído de 640 para 565. Em julho, quando as tensões em Brasília se acentuaram, com impacto direto na economia, os fundos entraram em compasso de espera e seguraram o fechamento de alguns negócios. Agora, com um ambiente político mais calmo e o dólar rondando a casa dos R$ 3,80, a tendência, dizem executivos de bancos de investimento, é que as transações voltem a ser finalizadas. “Ainda que não seja o item determinante, o câmbio tem um peso importante na decisão de investimento”, diz o pesquisador do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da Fundação Dom Cabral, Sherban Leonardo Cretoiu.


Com alta volatilidade do dólar, os fundos adiaram investimentos, temendo perder dinheiro. “Agora, o horizonte está um pouco mais firme e a insegurança com a perda cambial é menor”, disse o gestor de um fundo internacional. “Estou com quatro negócios em andamento e recebendo um volume maior de ligações de empresários dispostos a vender seus negócios.” Para Herbert Steinberg, sócio da consultoria Mesa Corporate Governance, dizer que o Brasil está barato em moeda estrangeira não está errado. “Mas afirmar que o investidor, quando olha País, analisa só o câmbio é incorreto.” A relação, lembra o consultor, é feita com base no Ebtida, indicador que mede o potencial de geração de caixa de uma empresa e serve de parâmetro na hora de definir seu preço de venda. “Muitas empresas (hoje à venda) estão com Ebtida entre 20% e 25% abaixo da meta estipulada. Isso significa fluxo de caixa deteriorado". Segundo estimativas de bancos de investimento, cerca de R$ 150 bilhões de ativos estão à venda no País. Boa parte dessa cifra está relacionada a empresas envolvidas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Segundo o sócio da consultoria independente BF Capital, Renato Sucupira, essas companhias estão sem crédito na praça e precisam fazer caixa para pagar financiamentos e possíveis multas que venham a ser aplicadas a elas. Na lista, estão a CAB Ambiental e a BR-153, da Galvão Engenharia, e a Invepar, que tem participação da OAS. A própria Petrobrás já anunciou que pretende fazer um “desinvestimento” da ordem de R$ 15 bilhões. “O problema é que hoje é o momento para se comprar Brasil. Mas não para se vender ativos”, disse Herbert Steinberg. A gestora de investimentos Advent é uma das que estão olhando o País com interesse nesse momento. Em setembro, o fundo anunciou a compra de 13% da Core Participações, um dos controladores do laboratório Fleury, e não descarta fechar novos negócios na área de saúde. Em março, comprou a Faculdade Serra da Gaúcha, marcando sua volta ao setor de educação, depois de lucrar no passado com a maior empresa do setor, a Kroton. Segundo Patrice Etlin, presidente do Advent no Brasil, o fundo está olhando negócios resilientes como saúde, educação e tecnologia. O momento, segundo o sócio da PwC, Rogério Gollo, é propício para os fundos por causa do ciclo de investimentos que eles costumam fazer nas empresas. Entre a compra e a venda, em geral, passam-se cinco anos. Depois desse período, a participação é vendida na Bolsa, por meio de uma oferta de ações ou para um sócio estratégico, que pode ser um concorrente ou uma multinacional. “Nessa corrida, as empresas estrangeiras costumam ser mais cautelosas do que os fundos de private equity”, diz Gollo. “O interessante é que eles cheguem antes para vender para as múltis no futuro". Neste momento, há um novo nicho de fundos de investimento se voltando para o mercado brasileiro. Conhecidos como “distress”, esses fundos costumam olhar empresas que estejam prestes a entrar ou que já entraram em recuperação judicial. Entre os nomes que começaram a sondar o mercado com essa finalidade está a TCP Latan, que está montando uma carteira de R$ 40 milhões para investir em até seis empresas por meio da aquisição de debêntures conversíveis em ações. Na avaliação do professor do Insper, Sérgio Lazzarini, todo esse movimento de entrada de capital estrangeiro no Brasil é positivo para a economia neste momento. “O ideal era que fossem feitos investimentos do zero, mas a chegada de multinacionais e fundos também é interessante para o País”, diz. “Entre o fim dos anos 90 e o início de 2000, com as privatizações, a chegada de grupos estrangeiros provocou um rearranjo no setor produtivo.”

Em nota, líder do PSDB diz ser "atípico" a manutenção de Maria Thereza em ação contra Dilma


O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), divulgou nota neste sábado, 7, em que classifica como "atípica e incomum" a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de manter a ministra Maria Thereza de Assis Moura como relatora da ação que pede a cassação do diploma eleitoral da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. A decisão foi do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, ao argumentar que o deslocamento da relatoria "não encontra respaldo legal ou regimental". O próprio tucano já foi cassado em 2008 pela corte eleitoral quando era governador da Paraíba por ter distribuídos cheques com dinheiro público para população carente durante sua campanha à reeleição. "A ministra Maria Thereza foi vencida. Não é praxe o vencido ser relator. A própria ministra fez declaração neste sentido. Não há nenhuma desconfiança na autonomia, independência e imparcialidade da ministra, que tem o nosso respeito, mas, reconheçamos que é algo estranho e inusual", disse o tucano, em nota. Antes de tomar sua decisão, Toffoli chegou a convocar os advogados de ambas as partes para falar sobre a escolha da condução do processo. Em fevereiro, a ministra havia individualmente negado seguimento à ação, mas, após recurso do PSDB, autor do pedido, em outubro o TSE autorizou por cinco votos a dois a instauração do processo, no primeiro caso de impugnação de mandato aberta contra um presidente desde 1937. Para Cássio Cunha Lima, contudo, Dilma terá o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o relator. "As provas são robustas e cabais. Nossa legislação eleitoral é muito dura e pune esses abusos praticados com a perda de mandato", afirmou. "Tenho certeza de que a Corte Eleitoral saberá preservar a norma, que vale para todos, e fortalecer a democracia, combatendo eleições viciadas pelo abuso de poder e corrupção", completou.  O líder do PSDB - um dos principais entusiastas da impugnação do resultado eleitoral até como solução para a crise política, por levar a uma nova eleição presidencial - disse que só há dois caminhos. Segundo ele, ou se preserva a lei, a Justiça Eleitoral e a própria República ou se fará um "gigantesco esforço" para salvar Dilma dos crimes praticados. Para o tucano, salvá-la significa enfraquecer a República. (OE)

Amigo de Lula intermediou encontro com Palocci, diz lobista


Na acareação com Paulo Roberto Costa, na sede da Polícia Federal em Curitiba, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, disse que foi o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do então presidente Lula, que marcou um encontro entre Costa e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho durante a campanha de 2010. Trata-se de um novo ingrediente para a intrincada narrativa de um suposto repasse clandestino de R$ 2 milhões do petrolão à campanha da candidata Dilma Rousseff. No final do primeiro semestre de 2010, Palocci já era um dos "três porquinhos" – como ficou conhecido o trio formado ainda por José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra, que tomaria as decisões estratégicas da campanha da escolhida de Lula. Na acareação da última quinta-feira (5), que durou dez horas, Paulo Roberto Costa negou a existência da reunião com Palocci da qual Baiano disse ter participado e apresentou uma série de detalhes. Baiano manteve a versão de que acompanhou Costa no encontro com Palocci para pedir apoio à permanência à frente da diretoria de Abastecimento da Petrobras. Pela narrativa de Baiano, os dois se hospedaram no hotel Meliá ou Naoum, em Brasília, e foram em um Corolla preto ao encontro de Palocci em uma casa próxima ao lago Paranoá. Baiano não soube explicar a localização exata do imóvel. Segundo ele, tratava-se de um imóvel residencial com uma sala de paredes azuis e os dois foram levados a um escritório onde esperaram a chegada de Palocci. Dez minutos depois, o então homem-forte da campanha presidencial da escolhida de Lula teria chegado. Baiano diz que, depois de algumas amenidades, Costa foi direto ao assunto: pedir o apoio de Palocci para continuar no comando da diretoria de Abastecimento. O então diretor, sempre segundo Baiano, teria dito que divergências no PP - partido que o indicara - e a difícil relação com Dilma Rousseff, que presidira o conselho de administração da Petrobras, ameaçavam sua permanência no cargo. Palocci, na versão do lobista, teria tranquilizado Costa, afirmando que, não estavam sendo discutidas mudanças nas diretorias da Petrobras e que ele era muito bem avaliado pelo desempenho à frente da área de abastecimento. Paulo Roberto Costa voltou a negar categoricamente que a reunião descrita com Baiano tenha ocorrido, mas voltou a confirmar a existência de um pedido de R$ 2 milhões, entregues pelo doleiro Alberto Youssef, a um emissário do ex-ministro, em um hotel em São Paulo. Baiano foi o primeiro delator a levar a Lava Jato ao encalço de Bumlai, um pecuarista do Mato Grosso do Sul que se aproximou de Lula durante a campanha de 2002 e que se tornou companheiro frequente de churrascos e pescarias presidenciais. Em depoimento anterior da delação premiada, o lobista afirmou que Bumlai acertou pagamento de 5 milhões de dólares em propina, pagos pelo Grupo Schahin, em troca de contrato de operação do navio-sonda Vitória 10.000. Em outro impasse importante da acareação, Costa confirmou que Baiano atuou como operador do PMDB no pagamento de propinas geradas por contratos da Diretoria de Abastecimento. O lobista refutou que ocupasse o papel de intermediário dos pagamentos a peemedebistas fora dos contratos da diretoria internacional - um feudo do partido. Baiano disse que ajudou a garantir apoio do PMDB à permanência de Costa no cargo em 2006, chegando a se reunir com o deputado Aníbal Ferreira Gomes (PMDB-CE). Na versão do lobista, houve confusão porque o deputado do PMDB queria que as empreiteiras começassem a fazer pagamentos imediados das obras em andamento quando o combinado, segundo ele, teria sido os repasses somente em relação a novas obras. Aníbal é investigado pelo Supremo Tribunal Federal. Na acareação, Baiano voltou a contar que o o esquema de corrupção na área internacional da Petrobras começou em 2006, com o ex-diretor Nestor Cerveró, e envolveu os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Delcídio Amaral (PT-MS), Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-ministro Silas Rondeau, que, após o mensalão, substituiu a então ministra Dilma Rousseff no cargo. Outro ponto abordado pelos investigadores foi o papel de Otávio Marques de Azevedo, principal executivo da Andrade Gutierrez, no pagamento de propinas. Tanto Costa como Baiano relataram episódios de encontros ou conversas com o então presidente da holding, que está preso desde junho, sobre um projeto de uma planta de produção de coque verde na Arábia Saudita, mas negaram ter tratado de propina com ele. Baiano relatou que fora procurado por Alberto Youssef para conseguir uma doação R$ 1,5 milhão da Andrade Gutierrez ao PP. O lobista diz ter se encontrado com Azevedo. O empreiteiro teria dito que um conselho da empresa examinaria estes pedidos, mas nunca deu retorno. (FSP)

Gol terá vôos de São Paulo a Cuba a partir de dezembro


A Gol Linhas Aéreas começará em 1º de dezembro a realizar vôos regulares entre São Paulo e Havana, capital de Cuba. A empresa havia recebido em abril o direito de operar três frequências aéreas semanais da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). Na primeira etapa estarão disponíveis 150 vagas em vôos saindo aos domingos. De dezembro até o dia 31 de janeiro, os vôos farão escala em Aruba, dependência holandesa na América Central que tem governo autônomo, antes de seguir a Havana. A partir de fevereiro, a escala poderá ser feita em Manaus, com dois vôos semanais. A Azul também deve começar a vender passagens para Cuba a partir de dezembro deste ano, reforçando conexões do Brasil com a ilha caribenha. A empresa fundada pelo empresário David Neeleman anunciou nesta semana acordo com a norte-americana JetBlue — também fundada por Neeleman — pelo qual poderá vender passagens da companhia parceira. A JetBlue adicionará um segundo vôo fretado a partir do aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, com destino a Havana, expandindo o serviço antes de uma aguardada abertura de vôos comerciais entre os dois países. O novo vôo de ida e volta sem escalas da JetBlue vai operar toda terça-feira, a partir de 1º de dezembro, em parceria com a Cuba Travel Services. "A Azul poderá comercializar passagens para Cuba no momento em que a JetBlue abrir a venda, uma vez que todos os destinos deles entram no nosso sistema, inclusive os futuros", informou a companhia aérea brasileira, que pretende lançar vôo para Nova York no início de 2016. A United Airlines, que adquiriu fatia da Azul neste ano e com quem a brasileira firmou acordo de compartilhamento de vôos, também manifestou interesse em manter um serviço entre os Estados Unidos e Cuba devido à reaproximação entre os dois países. Gol e Azul devem reforçar a concorrência com a TAM no Caribe. A companhia aérea do grupo Latam Airlines já vende passagens para Havana em vôos da parceira chilena LAN. Em agosto, enquanto a demanda de todo o setor por vôos domésticos no Brasil recuou 0,64%, a procura no País por vôos internacionais subiu 16,3%, segundo dados da associação que representa as companhias aéreas, Abear. Os planos das empresas são divulgados em meio à reaproximação dos EUA com Cuba. Nesta semana, ambos os países avançaram em direção à restauração do serviço regular de linhas aéreas, com o potencial de chegar a um acordo ainda este ano, disse uma autoridade norte-americana. O serviço regular de viagens aéreas comerciais entre Cuba e EUA ficou suspenso por décadas como resultado da Guerra Fria, mas ambos os lados rapidamente fizeram da retomada uma prioridade depois do início da distensão, em dezembro de 2014. (FSP)

O bandejão de Tófole

Na mesma reportagem em que tratou dos costumes de Teori Zavaski, que foi à festa de casamento do filho do advogado da OAS, a Veja tratou dos costumes de Dias Tófole: "Há quatro anos, Dias Toffoli (corrigindo: Tófole) foi convidado de honra de um casamento que tinha entre os presentes réus com processos em curso no Supremo e em cuja festa circulavam bandejas com lança-perfumes".

"Foi feito dia 25!"

A Polícia Federal interceptou mensagens trocadas entre José Luis Neffa Simão, ex-diretor da Oi, e Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. A conversa cita uma "remessa" a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Segundo O Globo, Simão passou o recado: "Pelegrino pede se você pode falar com Vaccari. Porque assunto dele foi enviado e eles estão dificultando repasse pondo dúvidas na remessa. Se preciso tenho comprovante Contax". Azevedo respondeu: "Pode deixar que falo. Foi feito dia 25!" Os investigadores suspeitam que a Contax, pertencente à Andrade Gutierrez, foi usada para um pagamento ao petista.

PMDB gaúcho se rende ao PT e põe Zachia na diretoria da CGTEE


O PMDB do Rio Grande do Sul rendeu-se completamente ao PT, tornou-se cúmplice do regime petralha e acaba de emplacar Luiz Fernando Zacchia na diretoria administrativa da CGTEE. Sem dúvida, Zacchia é um político sobre o qual não paira nenhuma dúvida, apenas certezas. A indicação do nome dele para um cargo muito bem remunerado em governo petista também não é novidade porque Zacchia mantém excelentes relações com o PT desde o início da década de 2.000, quando presidiu a Câmara Municipal de Porto Alegre o peremptório petista "grilo falante" e poeta onanista e tenente artilheiro Tarso Genro assumiu a capital do Rio Grande do Sul. 

Governo petista de Dilma Rousseff demite Sereno Chaise da presidência da CGTEE e põe um acreano no lugar

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, demitiu o petista Sereno Chaise e nomeou o acreano Romário de Castro Mesquita para a presidência da CGTEE. Desde que foi criada, esta é a primeira vez que a estatal federal é dirigida por gente que não tem nada a ver com o Rio Grande do Sul. Na diretoria Financeira, a tendência é de que o PT mantenha Clóvis Ilenfritz. 






Veja, convertida ao petismo, demite Joice Hasselmann.


A jornalista e apresentadora do TVeja, Joice Hasselmann, foi demitida nesta sexta-feira pela diretoria da Editora Abril. A apresentadora mantinha uma posição combativa em relação ao governo Dilma e ao PT. As partulhas de petistas e aliados contra Joice foram permanentes, até que conseguiram derrubá-la. O Grupo Abril está praticamente quebrado. Ele agora é dirigido por um ex-conselheiro da Petrobras no regime petralha. Ele também foi dirigente do Bradesco, o banco que lidera o apoio oficial do setor financeiro ao regime petralha. A revista Veja já mudou radicalmente. Vem demitindo jornalistas e afinou o seu oposicionismo ao PT. A revista está quebrada, não tem mais recursos e sai com edições fininhas, sem qualquer anunciante. As oposições no Brasil perdem mais um ponto de referência. 



Ontem, sexta-feira, TVeja já tinha outro apresentador.

MWM encerrará atividades e deixará 650 trabalhadores na rua em Canoas



Em fevereiro de 2016, Canoas deve perder mais uma importante empresa. A montadora MWM, que fabrica motores para a General Motors (GM), além de possuir, até pouco tempo atrás, uma linha de caminhões, anunciou que fechará as portas em fevereiro de 2016. Cerca de 650 funcionários perderão o emprego, sendo que, desde 2011, outros 650 já foram demitidos. O motivo do encerramento das atividades da fábrica, segundo os funcionários, foi o fim do contrato com a multinacional, que era previsto para encerrar em 2018, mas foi abreviado por um acordo entre as empresas. Além disso, a MWM encerrou recentemente em Canoas suas atividades como montadora de caminhões. Vitor Luiz Schwertner é um dos funcionários que lutam para manter seus empregos. Ele esteve na Rádio O Timoneiro e falou para nossa equipe sobre o drama que vive junto a seus colegas e também sobre a omissão do Sindicato dos Metalúrgicos em relação ao caso. 
Da glória às demissões
Schwertner conta que a MWM se instalou em Canoas em 1995, comprando uma parte da empresa Massey Fergusson. “A MWM hoje é uma fábrica de motores, um centro de distribuição de peças e uma linha de montagem de caminhões. Os motores fabricados pela empresa são utilizados pela GM para a fabricação do veículo S 10”, explica o funcionário. Ainda de acordo com o trabalhador, o momento de glória da fábrica ocorreu em 2011, quando foi conquistado um contrato com a GM, que previa a produção de 45 mil motores por ano. No entanto, segundo ele, em 2013 as duas empresas iniciaram uma discussão de valores do contrato. “A MWM começou a definir as plantas das suas fábricas no Brasil e definiu que Canoas seria uma montadora de caminhões. Paralelamente, a GM começou a se preparar para montar, em São Paulo, o mesmo motor que nós fabricávamos para ela. Nesta época iniciou uma briga judicial, com as duas empresas querendo encurtar o contrato, que inicialmente ia até 2018. Em 2014 já começaram as demissões na MWM, pois as empresas negociaram um volume menor de motores”. 
Futuro desanimador
O funcionário conta que até fevereiro um certo número de trabalhadores continuarão na empresa, pois até esta época a MWM tem que entregar cerca de 150 motores por dia, em decorrência do acordo com a GM.” As pessoas que começam a ser demitidas a partir desta semana são do setor de caminhões, que não tem mais produção, e algumas pessoas com deficiência física, pois eles irão manter apenas a cota que a lei obriga neste caso” revela Schwertner. O metalúrgico relata ainda que em março deste ano a MWM divulgou um calendário de demissões e apresentou a maneira como a fábrica funcionará até fevereiro de 2016, mas ainda dando a esperança de que a poderia ser comprada por um grupo chinês, o que até este momento não aconteceu. “Até agora está se cumprindo o que a direção apresentou no começo do ano, com a concordância do Sindicato dos Metalúrgicos. Só que não aconteceu nenhuma assembléia, até este momento o Sindicato não reuniu os trabalhadores para discutir. Eles ofereceram o que foi chamado pelo pessoal de ‘plano de bondade’, que seria dois salários e meio e mais seis meses de plano de saúde para quem cumprisse o calendário e vestisse a camisa do seu setor neste período”, conta. Ele diz ainda: “Éramos 1300 em 2011 e hoje somos 650 trabalhadores, mas já tem uma lista de demissões para os próximos dias, que tem entre 60 e 70 pessoas”. 
Abandono e desespero
O trabalhador ainda fez duras críticas ao Sindicato dos Metalúrgicos: “Nesse momento não estamos recebendo nenhum apoio do Sindicato. Nestes dois anos eles só fizeram reuniões com a empresa, nunca houve assembléia ou reunião com os trabalhadores. Neste período de terror e crise dentro da fábrica, nunca vimos nenhum comentário sobre o assunto no boletim do Sindicato. Sempre apoiamos as causas da categoria, lutamos juntos pelo dissídio e, na hora que nós mais precisamos, não podemos contar com nossos representantes”. Schwertner diz ainda que a perspectiva de um novo emprego é mínima no momento: “É um desespero, pois estamos acompanhando as pessoas que saíram até este momento e a grande maioria não conseguiu nenhum emprego ainda. A expectativa para um próximo emprego é zero. A nossa iniciativa agora é tornar público o que está acontecendo, pois é a segunda maior metalúrgica de Canoas que está fechando as portas. É estranho que nenhuma das autoridades políticas que saem do ninho dos metalúrgicos, que nós elegemos, se pronunciou até o momento ou veio defender os nossos empregos. Estamos indo à Assembleia Legislativa para denunciar isso e estamos registrando denúncias no Ministério do Trabalho e na Delegacia do Trabalho, onde vamos denunciar especificamente a omissão do Sindicato”. (O Timoneiro)

Operação Marquês. Os contactos entre Sócrates e Lula

Os contactos com Lula da Silva foram sempre encarados por José Sócrates como fundamentais no seu trabalho como consultor da Octapharma para a América Latina. Desde que as investigações do processo ‘Operação Marquês’ se iniciaram no verão de 2013, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal detetou diversos contatos entre o ex-primeiro-ministro português e o ex-presidente brasileiro que confirmam esta tese. Mas nem sempre as tentativas de contato tiveram sucesso, assim como nem sempre estavam relacionadas com a Octapharma. Lula, por exemplo, veio a Lisboa em outubro de 2013 para participar no lançamento do livro de José Sócrates, assim como também se deslocou à capital portuguesa em abril de 2014 para participar nas comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril na Fundação Mário Soares. Neste último caso, Sócrates teve um papel decisivo na vinda do ex-presidente brasileiro, apesar do convite formal ter partido do ex-Presidente da República português. Uma das viagens terá sido paga por construtoras brasileiras que estão a ser investigadas na Operação Lava Jato. Um mês antes de ser detido, a 21 de novembro de 2014, José Sócrates tentou também intermediar a vinda de Lula da Silva a Lisboa para participar e discursar no XX Congresso do PS. António Costa tinha ganho a António José Seguro no final de setembro as eleições diretas para a liderança socialista e esse seria o seu primeiro congresso como secretário-geral. Lula da Silva, por seu lado, tinha acabado de ajudar Dilma Roussef a ser eleita como presidenta do Brasil após a segunda volta das presidenciais de 26 de outubro. Ao que o Observador apurou, José Sócrates, com a ajuda de Guilherme Dray (seu ex-chefe de gabinete durante o segundo mandato como primeiro-ministro), não só tentou intermediar conversas telefónicas entre Lula da Silva e António Costa, como chegou a ponderar financiar uma semana de férias de Lula e da sua mulher em Portugal para facilitar a sua vinda a Lisboa para discursar no XX Congresso do PS. Sem sucesso, contudo. Lula da Silva acabou por tirar uma semana de férias mas não em Portugal. José Sócrates nunca escondeu a sua admiração por Lula da Silva, o homem que governou o Brasil entre 2003 e 2011 e que, apesar de acossado por investigações criminais a pessoas próximas, sempre teve influência junto do governo de Dilma Roussef – sua sucessora e líder do ‘seu’ partido: o Partido dos Trabalhadores. Por isso mesmo, e enquanto consultor da Octapharma, José Sócrates tentou recorrer com regularidade aos conhecimentos de Lula da Silva junto do governo brasileiro. Os pedidos de encontros com o ex-presidente brasileiro, segundo a investigação da Operação Marquês, foram vários desde setembro de 2013 e até Sócrates ter sido detido. Os pedidos de reunião eram sempre feitos através de Guilherme Dray, então administrador da Ongoing que não só ia regularmente ao Brasil em trabalho como mantinha bons contatos com o staff de Lula da Silva, nomeadamente com Paulo Okamoto (ex-chefe de gabinete no Palácio Planalto e presidente do Instituto Lula). Das duas vezes que José Sócrates falou com Lula da Silva, as conversas terão sido sempre pessoais. Não existirão registos de conversas telefónicas diretas entre os dois. Entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014, ao que o Observador apurou, José Sócrates terá pedido a Guilherme Dray a marcação de cinco reuniões com Lula da Silva. Nem todas se verificaram, até porque Sócrates desmarcou por duas vezes. Uma porque Lalanda Castro, líder da Octapharma Portugal, não podia deslocar-se ao Brasil e outra, em julho, porque Sócrates teve conhecimento de que a revista “Sábado” iria publicar uma reportagem onde era revelada a existência da investigação que decorria contra si no DCIAP. A última reunião com Lula pedida a Dray seria para a data de 25 de novembro, visto que Sócrates partiria para o Brasil no dia anterior. O ex-primeiro-ministro, contudo, não viria a realizar essa viagem por ter sido detido no aeroporto da Portela no dia 21 de novembro quando estava ao a chegar de Paris.

Vibracoustic vai fechar fábrica em Taubaté em dezembro, diz sindicato


A Vibracoustic, fornecedor de borracha para o setor automotivo, vai encerrar as atividades da fábrica em Taubaté no dia 15 de dezembro. A informação é do Sindicato das Indústrias dos Trabalhadores da Indústria dos Artefatos de Borracha. A multinacional, que tem sede em Taubaté, emprega 110 funcionários. De acordo com o sindicato, as demissões começam no próximo dia 1º. A entidade diz que tentou negociar outras medidas para evitar as demissões, como suspensão dos contratos de trabalho "layoff" ou adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE). A decisão de fechar a unidade teria sido da matriz, na Alemanha, por conta da crise econômica. (G1)

Dilma tem reunião com Lula e ministros no Alvorada

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na manhã desta sexta-feira com o ex-presidente Lula e com os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini e o assessor especial da Presidência, Giles Azevedo, no Palácio da Alvorada. O encontro começou pouco antes das 9 horas. Lula foi a Brasília no jatinho de quem? Lula esteve em Brasília desde quinta-feira (5), quando participou de evento sobre segurança alimentar. Na ocasião, o ex-presidente admitiu que poderá ser candidato à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2018. Em sua fala, o ex-presidente lembrou que ainda faltam três anos para as eleições, mas frisou: "Uma coisa vou dizer para vocês: nem que eu tiver apenas um minuto de vida em 2018, se tiver concorrendo contra nós um projeto conservador que tenha como objetivo acabar com as coisas que nós fizemos nesse País, pode estar certo que vou estar na campanha, ou como cabo eleitoral ou como candidato". Ultimamente, Lula tem visitado Brasília com maior frequência para ajudar na articulação política do governo com o Congresso Nacional. 

Jato da Mitsubishi vai voar na próxima semana


A indústria aeronáutica japonesa está pronta para decolar novamente. O vice-presidente da Mitsubishi, Yugo Fukuhara, confirmou que o primeiro jato comercial da empresa, o MRJ, realizará seu primeiro vôo na próxima semana, no dia nove de novembro, após receber autorização para voar dos órgãos de aviação do Japão. Fukuhara revelou que a fabricante já simulou em computador e   diversos cenários de pousos e decolagens com o MRJ, com condições normais e anormais de climas, e nenhuma irregularidade no projeto foi encontrada. Até o momento, o MRJ apenas rolou pela pista do Aeroporto Internacional de Nagoya, em provas de taxiamento. O Mitsubishi MRJ é um jato para operações regionais e será oferecido em duas versões, o MRJ 70, com capacidade entre 70 e 80 passageiros, e o MRJ 90, para até 96 ocupantes. O modelo de maior porte será lançado primeiro, no segundo semestre de 2017, segundo Fukuhara, e a versão mais curta deve estrear no ano seguinte. Segundo o vice-presidente da empresa, já existem 223 pedidos firmes pelo MRJ 90 e opção para mais 184 unidades, de companhias aéreas do Japão, Estados Unidos e Myanmar. Esse modelo é avaliado em cerca de US$ 42 milhões, enquanto o MRJ 70 custará US$ 34 milhões. Quando chegarem ao mercado, os novos aviões da Mitsubishi vão concorrer diretamente com os E-Jets, da Embraer, em especial o modelo “caçula” E175, que transporta até 86 passageiros, mesma capacidade do MRJ 90. O jato japonês também vai concorrer com o canadense Bombardier C Series, que será introduzido a partir de 2016.

Governo federal anuncia que Usina Teles Pires está pronta para operar


O Ministério de Minas e Energia anunciou nesta sexta-feira (6) que a Usina Hidrelétrica Teles Pires, na divisa entre Mato Grosso e Pará, está pronta para começar a operar comercialmente. O início depende de uma autorização formal da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que deve ser emitida nos próximos dias. Mais cedo, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, havia informado que a operação comercial teria início neste sábado (7). “A partir de amanhã entra em comercialização a primeira máquina”, disse Braga, ao deixar o ministério, se referindo a uma das cinco turbinas da usina. Os detalhes do anúncio foram apresentados pelo secretário-executivo da pasta, Luiz Eduardo Barata, e pelo diretor de Operações do Operador Nacional do Sistema (ONS), Ronaldo Schuck, em entrevista coletiva, em Brasília. Conforme Barata, esta primeira turbina tem capacidade para gerar 364 MW (megawatts). Quando as cinco estiverem em funcionamento – o que deve ocorrer até o final deste ano –, a potência instalada será de 1.820 MW, o suficiente para abastecer uma população de 5 milhões de habitantes. A capacidade de geração é superior, por exemplo, à demanda por energia de todo o estado de Mato Grosso. Com investimento de R$ 3,9 bilhões, a hidrelétrica começou a ser construída em 2011. A operação ficará a cargo de um consórcio formado pelas empresas Neoenergia, Eletrobras Eletrosul, Eletrobras Furnas e Odebrecht Energia. O secretário-executivo afirmou que a entrada em operação da usina não deverá fazer com que o governo reduza o número de térmicas em funcionamento no país. “Seguramente ela aumenta a nossa capacidade de estocagem de energia, mas uma máquina isolada, provavelmente, não será determinante para nós reduzirmos a nossa geração de térmica”, explicou. O uso intenso de usinas térmicas está entre os motivos da alta nas contas de luz em 2015. Essas usinas são movidas a combustíveis como óleo e gás e, por isso, a energia produzida por elas é mais cara. Por conta da escassez de chuvas, que prejudicou o armazenamento nas represas das principais hidrelétricas do país, o governo vinha mantendo ligadas todas as térmicas disponíveis, desde o final de 2012. Parte delas – as de maior custo – só foi desligada em agosto deste ano. Questionado sobre a renovação das concessões das distribuidoras de energia cujos contratos vencem entre 2015 e 2017, o secretário-executivo disse que o Ministério de Minas e Energia espera concluir o processo até o final deste ano. A prorrogação sem licitação, por até 30 anos, foi autorizada em junho em decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff. As regras para a renovação foram aprovadas pela Aneel em outubro, após ajustes apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo Barata, o ministério irá convocar as distribuidoras durante o mês de novembro. Como elas têm 30 dias para oficializar a renovação, o processo deve ser concluído até o final deste ano. A medida abrange a renovação dos contratos de 39 distribuidoras de energia.

Medo de distúrbio leva José Dirceu a se ausentar de audiência


O ex-ministro José Dirceu pediu ao juiz Sérgio Moro para não comparecer à primeira audiência com testemunhas de acusação na ação penal em que é réu, realizada na tarde desta sexta-feira (6), na Justiça Federal, por motivos de saúde. A informação é do advogado Roberto Podval, que acompanhou a sessão. Segundo o defensor, José Dirceu é hipertenso e poderia sofrer um distúrbio de pressão durante o compromisso judicial. Engraçado é que quando estava fazendo negócios não tinha hipertensão. Na avaliação do advogado, a audiência teria sido favorável a José Dirceu, que está preso desde 3 de agosto, em decorrência da 17ª fase da Operação Lava-Jato. De acordo com ele, as informações que poderiam comprometer seu cliente são vagas. “Não passam de conversa de corredor”, disse.  Prestaram depoimento como testemunhas arroladas pelo Ministério Público o doleiro Alberto Youssef, o empresário Augusto Mendonça Neto e o ex-executivo da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O advogado também insiste em que José Dirceu estaria longe de possuir o patrimônio de réus como o operador de propina Milton Pascowitch, responsável por trazer o nome do ex-ministro à investigação do escândalo do petrolão. Podval afirma que o ex-ministro não enriqueceu com o esquema em que estaria envolvido e, ao contrário, é pobre. “Tanto que sua família vem (de São Paulo) de ônibus para visitá-lo”, argumentou. Coitadinho.... por que não faz uma lista de apoio entre petistas para o pagamento da passagem de avião para seus familiares?

Saques da poupança superam depósitos em R$ 57 bilhões até outubro


O Banco Central informou nesta sexta-feira (6) que os brasileiros retiraram R$ 3,264 bilhões a mais do que depositaram na poupança em outubro. Foi o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995. De janeiro a outubro, a caderneta acumula captação negativa de R$ 57 bilhões. O saldo negativo em dez meses já supera o pior resultado anual da série histórica, registrado em 2003, quando a poupança encerrou o ano negativa em R$ 10,424 bilhões.




Em outubro, os saques na poupança somaram R$ 154,5 bilhões, superando os depósitos, que ficaram em R$ 151,3 bilhões. O valor total nas contas ficou em R$ 644,8 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas cadernetas dos investidores alcançou R$ 4,061 bilhões. Vários fatores têm contribuído para a fuga de recursos da poupança em 2015. Em primeiro lugar, as elevações da Selic (taxa básica de juros da economia), atualmente em 14,25% ao ano, tornaram a poupança menos atraente que outras aplicações. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a caderneta é mais vantajosa do que os fundos de investimento apenas quando as aplicações são inferiores a seis meses, apesar de a poupança ser isenta de Imposto de Renda e de taxas de administração. A alta da inflação também contribuiu para a perda de atratividade da poupança. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 9,93% no acumulado de 12 meses até outubro. O aumento dos preços e do endividamento dos consumidores diminui a sobra de recursos a ser aplicada na caderneta.

Energia elétrica voltará a impactar IPCA em novembro, diz IBGE

A tarifa de energia elétrica já acumula uma alta de 49,03% de janeiro a outubro, o equivalente a uma contribuição de 1,44 ponto porcentual para a taxa de 8,52% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do período. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como resultado, a conta de luz voltará a ser o vilão da inflação no fechamento do ano de 2015, prevê Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. "Ninguém vai tirar da energia elétrica a liderança (no ranking dos impactos sobre o IPCA de 2015)", disse ela. Em novembro, a energia elétrica também impactará a inflação do mês. O IPCA absorverá o reajuste de 16% autorizado para uma das concessionárias do Rio de Janeiro a partir de 7 de novembro. Também haverá aumento em São Paulo, com reajuste de 15,5% em uma das concessionárias da região a partir do dia 23 deste mês. Outros itens que devem impactar o IPCA de novembro são os ônibus urbanos em Belo Horizonte, onde o reajuste de 9,68% revogado em setembro volta a valer a partir de 25 de outubro, e em Fortaleza, com alta de 14,58% a partir do dia 7 de novembro; a tarifa de táxi em Goiânia, com elevação de 9,63% desde 12 de outubro; o aumento médio de 8% em algumas tarifas bancárias de instituições financeiras a partir da segunda semana de outubro; e a conta de telefone celular de uma operadora em atividade em parte do País, que aumentará a tarifa em 18,18% a partir da segunda quinzena de outubro. Na direção oposta, o gás encanado no Rio de Janeiro contribuirá no sentido de conter a inflação, devido à ligeira queda de 0,48% na conta em vigor desde o dia 1º de novembro. (OE)

Polícia Federal diz que Odebrecht pagou R$ 3,9 milhões a instituições ligadas a Lula



A Polícia Federal apontou em laudo que instituições ligadas ao ex-presidente Lula receberam R$ 3.973.237,90 da Construtora Norberto Odebrecht, entre 2011 e 2014. A empreiteira está sob suspeita da Operação Lava Jato de ter integrado cartel em esquema de corrupção na Petrobrás – seu presidente, Marcelo Bahia Odebrecht, está preso desde 19 de junho. O relatório também citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os pagamentos foram realizados ao Instituto Lula e para a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações. A Polícia Federal fez o exame com base em dados levantados a partir da quebra de sigilo da empreiteira.


“Foram identificados lançamentos contábeis indicativos de pagamentos realizados a instituições vinculadas ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ocupante do cargo até 2010) no valor de R$3.973.237,90 entre 2011 e 2014. Deve-se destacar que não foram analisados os Sped de todas as empresas do Grupo Odebrecht, a exemplo da Braskem S.A (petroquímica ligada à Odebrecht)”, diz o laudo.




No mesmo documento, os peritos criminais federal Fábio Augusto da Silva Salvador, Audrey Jones de Souza, Raphael Borges Mendes e Jefferson Ribeiro Bastos Braga informam que o Instituto Lula e a L.I.L.S. também receberam dinheiro de outras fontes, totalizando R$ 17.233.278,62. Entre os pagadores estão algumas das maiores empreiteiras do País: além da Odebrecht, Camargo Corrêa (R$ 4.527.999,30), Queiroz Galvão (R$ 1.194.894,78), Andrade Gutierrez (R$ 3.607.347), OAS (R$3.572.178,52) e UTC (R$ 357.621,12). “Deve-se destacar que foram encontrados também outros lançamentos contábeis indicativos de pagamentos realizados por outras empreiteiras investigadas no âmbito da Operação Lava Jato”, aponta o laudo. 

São Paulo tem 7 milhões de consumidores fora de lista de devedores



Desde setembro, sete milhões de consumidores paulistas estão fora da lista de devedores das três principais empresas do setor de proteção ao crédito (Serasa Experian, SPC Brasil e Boa Vista SCPC). Apesar das dívidas em atraso, eles deixaram de ser negativados em setembro e outubro. Segundo o SPC Brasil, o valor total da dívida chega a R$ 21,5 bilhões. Os inadimplentes ainda não estão oficialmente com o nome sujo por causa da lei paulista nº 15.659, que obriga o envio de carta AR (aviso de recebimento) antes que os nomes dos consumidores sejam incluídos na lista dos órgãos de proteção ao crédito. Se o consumidor não assina o AR, não há como comprovar o recebimento do aviso. O objetivo da lei, de autoria do deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), é o de suprir falhas no processo de comunicação das dívidas. Mas, para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, a medida não protege os devedores. "O efeito da lei é reverso, porque estimula o credor a protestar a dívida em cartório quando o AR não for assinado. Nesse caso, além da burocracia, o consumidor terá de pagar o valor da dívida e também arcará com taxas e cobradas pelos cartórios", analisa Roque Pellizzaro Junior. Para ter o nome limpo no registro do cartório, o devedor vai desembolsar até 30% do valor protestado da dívida. Antes da lei, o consumidor era notificado e tinha até 10 dias para pagar a dívida sem ficar com o nome sujo. Agora, só é incluído no cadastro de inadimplentes quem assina a carta com aviso de recebimento. Se isso não acontecer, o credor precisa protestar a dívida em cartório, onde é enviada mais uma carta ao devedor. Em outubro, o número de dívidas protestadas nos cartórios paulistas bateu recorde: foram 266,7 mil. Segundo o SPC Brasil, a nova lei distorce o processo de inclusão dos inadimplentes na base de registros do órgão. Por isso, a empresa suspendeu por tempo indeterminado a divulgação dos indicadores nacionais de inadimplência.  É a segunda vez que a lei entra em vigor este ano. A medida passou a valer em janeiro, mas foi derrubada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo dois meses depois. Em agosto, porém, a liminar foi anulada e o envio da carta AR voltou a ser obrigatório em setembro. (OE)

Inflação deve passar de 10% com alta no preço de alimentos e energia


Pela primeira vez em 12 anos, a inflação oficial, medida pelo IPCA, deve chegar a dois dígitos no acumulado em 12 meses. Economistas prevêem que a alta dos preços dos alimentos e da energia vão colocar o índice pouco acima de 10% em novembro. A última vez que isso ocorreu foi em novembro de 2013, quando chegou a 11,02%. Naquele ano, o País enfrentava uma crise gerada pela incerteza do mercado financeiro sobre o primeiro governo do PT. Em outubro, a inflação oficial do país foi de 9,93% em 12 meses. Metade dessa alta veio do custo de se morar (com alta da energia elétrica e taxa de água e esgoto) e de comer (com alta dos alimentos). Pelos cálculos da LCA Consultores, a inflação mensal deve até desacelerar de outubro (0,82%) para novembro (0,66%). Mas isso será insuficiente para impedir que em 12 meses o índice acumule uma alta de 10,09%. Segundo a consultoria, a energia elétrica residencial deve subiu 2,13% este mês, acelerando em relação aos 0,87% de outubro. O motivo é o reajuste de 16% na tarifa de energia da concessionária Light, no Rio de Janeiro. "A inflação deve fechar o ano acima de 10% se o o governo aumentar o preço da CIDE dos combustíveis de R$ 0,10 para R$ 0,40. E nós acreditamos que isso deve ocorrer", disse Fabio Romão, economista da LCA. Segundo Romão, o CIDE seria elevada no início de dezembro para compensar a dificuldade de recriar a CPMF, o imposto provisório considerado pelo governo como uma "ponte" do ajuste fiscal do País. Marcel Caparoz, da RC Consultores, diz que novembro e dezembro são meses em que historicamente ocorre aceleração dos preços, como nas passagens aéreas, o que deve se repetir neste ano. Por grupos, segundo o IPCA no mês de outubro.2015, em %. "Os combustíveis podem continuar sendo pressionados no mês pelo álcool", disse Caparoz, que prevê a inflação em 0,67% em novembro, acumulando 10,1% em 12 meses. Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, o índice de inflação deve chegar a 10,03% em novembro. O índice deve permanecer nesse patamar até o fim do ano, apesar do menor impacto dos combustíveis. Em relatório, o banco de investimentos Credit Suisse destaca que a alimentação em casa vai continuar pesando sobre o índice. A inflação desse grupo de produtos responde por 16% do IPCA e avançou 10,2% em 12 meses até outubro.

Morre, aos 102 anos, o dançarino e músico gaúcho Bob Lester


O dançarino e sapateador Edgar de Almeida Negrão de Lima, conhecido como Bob Lester, morreu na madrugada desta sexta-feira (6), no Rio de Janeiro, vítima de uma arritmia cardíaca, no Retiro dos Artistas. Lester, que tinha 102 anos, se destacou nos anos 1930 e 1940, quando se apresentou com Frank Sinatra, Bob Hope e Doris Day. O velório foi realizado na capela do Retiro dos Artistas, em Pechincha, no Rio de Janeiro. O enterro está previsto para este sábado no Cemitério de Jacarepaguá. 


Segundo porta-voz do Retiro dos Artistas, o dançarino morava em um apartamento cedido por um amigo, em Niterói, também no Rio, e chegou ao Retiro na última terça-feira, já com a saúde bastante debilitada. Ele chegou a ser levado para o Hospital Lourenço Jorge na quarta-feira. Bob Lester nasceu na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1913. No começo da década de 1930, ele foi contratado como cantor e primeiro sapateador do Cassino da Urca, apresentando-se ao lado de artistas como Oscarito, Grande Otelo e da vedete Mistinguette. Na década de 1940, chegou a tocar com Carmen Miranda e o Bando da Lua.

Aécio Neves afirma que as provas contra o presidente da Câmara são contundentes; isso quer dizer que o PSDB já rifou Eduardo Cunha


O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta sexta-feira (6) que são contundentes as provas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investigado por supostamente receber dinheiro de corrupção em contas na Suíça. "A partir do momento em que surgem as denúncias, nossa bancada tem que votar com as provas, e as provas são contundentes contra Cunha", afirmou Aécio em entrevista a rádio Metrópole, da Bahia. Mais tarde, após participar de um debate sobre segurança pública na capital baiana, o senador afirmou serem "extremamente graves" as denúncias contra Cunha, que estaria numa posição "frágil" e que "contamina" a Câmara dos Deputados. O significado disso é que o PSDB já rifou Eduardo Cunha. 


Segundo Aécio Neves, os deputados do PSDB votarão "de acordo com as provas" tanto no Conselho de Ética, quanto no plenário, numa possível votação pela cassação do mandato de Cunha. Ainda defendeu que o relator do processo que investigará Cunha, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), atue com independência na condução do caso. O senador mineiro, contudo, evitou em falar nos acordos da oposição com Cunha em torno do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). E aproveitou para reiterar que os tucanos não apoiaram Cunha para a presidência da Câmara e votaram no deputado Júlio Delgado (PSB). "O PSDB não votou no presidente da Câmara. Mas a partir do momento em que ele venceu e nos ofereceu alguns espaços para que exercêssemos nossas funções de oposição, isso foi feito a luz do dia", disse. Ex-governador de Minas Gerais (2003-2010), Aécio Neves também comentou sobre o rompimento de duas barragens de uma mineradora na cidade histórica de Mariana (124 km de Belo Horizonte) e afirmou que o momento é de "solidariedade com as vítimas". Aécio Neves, contudo, evitou apontar responsabilidades do atual governo de Fernando Pimentel (PT), nem dos governos anteriores do PSDB, na fiscalização das barragens que se romperam. "É preciso que se investiguem as causas, mas não cabe fazer agora dessa questão uma questão política, seja atacando o atual governo, seja atacando o governo anterior", afirmou.

Dilma cria gabinete de crise e monitora greve de caminhoneiros



A presidente Dilma Rousseff convocou um gabinete de crise e escalou ministros e assessores do governo para monitorar a greve de caminhoneiros marcada para segunda-feira (9) em todo o País. Dilma estava preocupada com uma possível crise de abastecimento decorrente da paralisação mas foi alertada por auxiliares que a adesão deve ser baixa, segundo monitoramento de redes sociais feito pelo Palácio do Planalto e lideranças do setor que dizem ser "de grupos independentes" a iniciativa da greve. Segundo o relatório entregue a Dilma na manhã desta sexta-feira (6), a greve dos caminhoneiros aparece como um dos três temas relacionados ao governo mais citados na internet, ao lado de "aposentadoria" e "Operação Zelotes", que investiga um esquema de pagamento de propina a integrantes do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), vinculado ao Ministério da Fazenda. No entanto, ponderam os assessores de Dilma, apesar das citações, a adesão ainda era baixa na manhã de sexta. Mesmo assim, desde o início da semana, a presidente destacou os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), além do secretário especial do Trabalho, José Lopez Feijóo, para conversar com representantes do setor. Cardozo, a quem é subordinada a Polícia Rodoviária Federal, também cuidará do movimento nas estradas, enquanto Edinho Silva (Comunicação Social) acompanha a adesão à greve nas redes. A ordem é acompanhar o movimento e, caso ele ganhe corpo a partir de segunda, avaliar se será preciso chamar os líderes do movimento para negociação. Outra preocupação do governo é que a greve é apoiada pelos principais grupos que pedem o impeachment da presidente, como Revoltados Online, MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua. O Planalto alega que atendeu a maior parte das reivindicações da categoria que, em abril, fez sua última paralisação do ano. No entanto, o grupo de caminhoneiros que convocou a greve – liderados pelo Comando Nacional do Transporte, que se declara independente de sindicatos pelêgos –, continua pedindo a redução do preço do óleo diesel, a criação do frete mínimo (este o governo reconhece que não conseguiu atender), salário unificado em todo o país e a liberação de crédito com juros subsidiados no valor de R$ 50 mil para transportadores autônomos. Querem também ajuda federal para refinanciamento de dívidas de compra de seus veículos.

Ministério Público vai recorrer para manter cooperação entre Brasil e FBI


O Ministério Público Federal entrará no Superior Tribunal de Justiça para tentar derrubar a decisão da Justiça que impede a cooperação do país com os EUA na investigação do FBI sobre corrupção no futebol. No dia 30 de setembro, o Tribunal Regional Federal da Segunda Região determinou a interrupção do trabalho entre órgãos dos dois países. Na decisão, a Justiça determina que as contas bloqueadas dos brasileiros teriam que ser liberadas e o sigilo restabelecido. O despacho também pede que as informações obtidas pelo Ministério da Justiça envolvendo empresas e pessoas investigadas nos EUA sejam devolvidos. Na terça, José Maria Marin, ex-presidente da CBF, entrou em prisão domiciliar em Nova York. Ele estava preso desde maio na Suíça acusado de receber "milhões de dólares de propina" de esquema de desvio de dinheiro de vendas de direitos de transmissão de torneios da Copa América e da Copa do Brasil. 


O empresário Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo e dono da Klefer Marketing Esportivo, seria um dos beneficiados pela decisão da Justiça. Na investigação do FBI, ele é suspeito de ter pago propina aos dirigentes. A Klefer detém atualmente os direitos de publicidade sobre jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. No dia 13 de outubro, a juíza substituta da 9ª Vara Federal Criminal do Rio, Débora Valle de Brito, deu cumprimento ao acórdão do dia 30 de setembro. O recurso do Ministério Público foi negado no mês passado pelo Tribunal Regional Federal do Rio. Por isso, o órgão vai recorrer ao STJ. A disputa judicial corre em segredo de justiça. Em junho, a Justiça Federal no Rio bloqueou bens de Leite. Em maio, a Polícia Federal apreendeu computadores e documentos no escritório do empresário. A apreensão foi feita a partir de pedido do Departamento de Justiça dos EUA, que promoveu a investigação contra integrantes da Fifa.

Petrobras chama petroleiros para negociar fim da greve



A Petrobras convocou os petroleiros grevistas para uma reunião na próxima segunda-feira (9). A companhia não confirma a pauta, mas a FUP (Federação Única dos Petroleiros), espera que seja discutida sua Pauta pelo Brasil, que pede a retomada de investimentos e a suspensão da venda de ativos. Os petroleiros estão em greve desde a última quinta (29), quando os cinco sindicatos filiados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) iniciaram a paralisação. No domingo, 13 sindicatos filiados à FUP aderiram à greve. Entre eles, está o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense), que atua na Bacia de Campos – maior produtora de petróleo do País. A FUP diz que se recusa a discutir o reajuste salarial de 2015 enquanto a Petrobras não se manifestar a respeito da Pauta pelo Brasil. Já a FNP pede 18% de reajuste. A Petrobras oferece 8,11%. A greve tem afetado a produção de petróleo e de combustíveis pela Petrobras. Mas, em nota divulgada nesta sexta-feira (6), a FUP negou que haja riscos ao abastecimento. "A verdade é que a greve dos petroleiros não influencia na produção e no preço dos combustíveis. Não vai faltar gasolina", disse a entidade, em resposta a boatos sobre a falta de combustíveis em postos de São Paulo, que estariam provocando alta de preços. O Sindipetro de Minas Gerais também divulgou nota negando a paralisação da Refinaria Gabriel Passos e a possibilidade de falta de produtos. A Petrobras calcula que, até quinta-feira (5), a paralisação de plataformas de petróleo representou uma perda de 718 mil barris de petróleo. (FSP) 

Justiça barra cooperação do Brasil com FBI no caso da Fifa


Uma decisão da Justiça Federal barra a cooperação do Brasil com o FBI nos Estados Unidos para investigar os dirigentes do futebol, no âmbito do escândalo envolvendo a Fifa. A decisão foi tomada pela juiza Débora Valle de Brito, da 9a Vara Criminal do Rio de Janeiro no dia 13 de outubro. O Ministério Público Federal vai agora recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça para manter a colaboração com a Justiça americana, justamente no momento em que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, chega aos Estados Unidos para iniciar seu julgamento. 


Pela decisão, a Justiça ordena que os documentos e informações coletados pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Judiciária Internacional do Ministério da Justiça envolvendo empresas e pessoas sob investigação nos Estados Unidos sejam devolvidos aos donos. As contas bloqueadas também teriam de ser liberadas e o sigilo bancário restabelecido. À pedido da Justiça americana, o Ministério Público brasileiro bloqueou bens de dirigentes e de empresas, ainda em agosto de 2015. A solicitação de cooperação feita pela promotoria de Nova Iorque ocorreu depois da prisão de Marin, em maio, e da abertura de investigações contra Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira. "Trata-se de pedido de cooperação jurídica internacional, formulado pelos EUA, por meio da promotoria Federal de Nova Iorque", explicou a juiza em sua decisão. "Foram impetrados mandado de segurança e habeas corpus requerendo, em síntese, o desbloqueio de valores bloqueados", apontou. Um deles é de Kleber Leite, dono da Klefer e apontado na investigação do FBI como suspeito de ter pago propinas aos dirigentes da CBF. A juiza, porém, também ordena que sua decisão de barrar a cooperação se estenda a todos os demais afetados pelas decisões proferidas neste procedimento. "Suspendo, por ora, todos os efeitos da decisão 215/22", indicou, em referência ao caso do bloqueio dos bens dos suspeitos realizados à pedido dos EUA. "Informe às instituições financeiras que ainda não atenderem à determinação para obstar a remessa de mais documentos", decidiu. Ela ainda ordena a "restituição do material enviado em 3 de agosto de 2015, em sua declaração de nulidade e imprestabilidade para instruir qualquer processo criminal".  Em um ofício enviado no dia 21 de outubro pelo Ministério Público à juiza, o gabinete do Procurador-Geral da República alertou que sua decisão "viola o tratado bilateral de cooperação internacional entre o Brasil e os Estados Unidos, podendo por em risco pedidos semelhantes expedidos por autoridades brasileiras àquele país". O Ministério Público ainda julgou a decisão de barrar a colaboração como "prematura". No dia 23 de outubro, o Ministério Público pediu um "efeito suspensivo" em relação à decisão da juiza, assim como sua cassação. Mas o Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve a decisão. Agora, caberá aos STJ julgar o caso. Nos Estados Unidos, a decisão causou irritação no Departamento de Justiça que esperava justamente os dados brasileiros para poder avançar na investigação contra Teixeira e Del Nero. Em Nova York, o Departamento de Justiça solicitou no dia 3 de novembro ao juiz Raymond Dearie o adiamento das audiências marcadas para dezembro diante da dificuldades que estão para obter dados no Exterior envolvendo os suspeitos. (OE)

Suíça registra mais de 60 denúncias por lavagem de dinheiro em caso da Petrobrás

Autoridades suíças apresentaram mais de 60 denúncias por lavagem de dinheiro envolvendo pessoas ligadas ao escândalo da Petrobrás. A informação faz parte do Escritório de Combate à Lavagem de Dinheiro da Suíça, que repassou as informações para o Ministério Público da Suíça, mas sem citar os nomes dos denunciados. O país europeu investiga três bancos por irregularidades no caso da Petrobrás e indicou que os suíços poderiam ainda repassar dados sobre outras cem contas ao Brasil. No início do ano, o Ministério Público da Suíça informou que 300 contas com mais de US$ 400 milhões em cerca de 30 bancos foram congelados como resultado das investigações sobre a estatal. Nas delações de alguns dos envolvidos, bancos como Pictet, HSBC, Joseph Safra, Julius Baer e outros foram citados como tendo sido usados para transferir milhões de dólares. Desde então, esse número já aumentou e os dois países conversam sobre como podem ampliar a cooperação. Na Suíça, o caso também abalou o sistema financeiro. O porta-voz da Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro da Suíça (FINMA), Tobias Lux, informou que a entidade esteve em contato com "diferentes bancos e agentes de valores mobiliários diante do caso de corrupção ligado à Petrobrás".

Banco Julius Baer era depositário de dinheiro atribuído a Eduardo Cunha

Em março de 2014, alguns desses bancos foram orientados a congelar as contas de correntistas ligados à estatal. Em 2015, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também teve sua conta bloqueada no banco Julius Baer. Segundo o MP, foi o banco que informou sobre atividades suspeitas por parte do deputado. Paralelamente, a agência reguladora decidiu agir. Duas perguntas foram enviadas aos bancos : até que ponto as instituições controlaram a origem do dinheiro no caso da Petrobrás e se, uma vez detectados os problemas, o caso foi informado às autoridades judiciárias. Em setembro, foram as conclusões sobre três bancos que chamaram a atenção da agência reguladora. "Para três bancos, a FINMA constatou a falta de dispositivos para lutar contra a lavagem de dinheiro", explicou Lux, que se recusou a dar os nomes dos bancos implicados. As instituições passarão, portanto, a fazer parte de um processo.  Pela lei, a FINMA poderá confiscar lucros e impôr proibições a bancos que sejam julgados como não tendo cumprido as exigências de impedir a lavagem de dinheiro. Em casos extremos, um banco pode até mesmo ser obrigado a fechar, algo que jamais ocorreu na Suíça. A entidade também exigirá maior transparência dos bancos no futuro.  O caso envolvendo a Petrobrás tem tido uma importante repercussão entre os bancos e as autoridades. Há duas semanas, a presidente do país, Simonetta Sommaruga , garantiu que vai ajudar o Ministério Público brasileiro a lutar contra a corrupção, seja quem for a pessoa sob suspeita ou o tamanho da empresa envolvida.  “Queremos lutar contra corrupção, independente de quem sejam a pessoa ou empresa sob suspeita “, afirmou Sommaruga, que acumula o cargo de ministra da Justiça. O caso da Petrobrás obrigou os gerentes de contas em bancos suíços a redobrar seus cuidados com a abertura e transferências de contas relacionadas a pessoas que se apresentam como funcionários ou diretores da estatal. Segundo a Associação de Bancos da Suíça, uma orientação passou a circular entre as instituições para que verificassem de uma maneira mais cuidadosa a origem de ativos de pessoas que tentam abrir contas e que se apresentam como membros da estatal brasileira. “Não tivemos alternativa”, disse o presidente da entidade, Patrick Odier. Para ele, porém, os bancos não podem ser culpabilizados pela abertura de contas em nome de pessoas envolvidas no caso da Petrobrás. "Não acho que cabe aos banqueiros responder", insistiu. Patrick Odier é o presidente do Conselho de Diretores do banco Lombard Odier & Co Ltd. desde janeiro de 2014. Segundo investigações, o ex-diretor de Internacional da Petrobrás, Jorge Zelada, teria recebido parte da propina em uma conta em nome da offshore Tudor Advisory Inc, aberta no Lombard Odier, em Genebra. Paulo Barusco, ex-diretor da Petrobrás, também teria aberto conta no banco de Patrick Odier, recebendo pelo menos US$ 200 mil. Um dos operadores citados pelos ex-diretores da Petrobrás, Bernardo Freiburghaus, insistiu que não conhecia as pessoas que o citaram em delações premiadas, mas alertou que, se ele fosse preso, dezenas de outros intermediários também teriam de seguir na mesma linha. "Está vendo aquele prédio?" perguntou o operador, apontando a um banco. "Se eu for preso, tem de prender todos ali", completou. Desde a eclosão da Lava Jato, ele deixou o Rio de Janeiro e passou a viver em Genebra. (OE)

Tribunal confirma absolvição de fundador da Gol



O Tribunal de Justiça do Distrito Federal manteve na quinta-feira, 5, a absolvição do empresário Nenê Constantino, fundador da companhia aérea Gol. Constantino foi acusado de tentativa de homicidio contra o ex-genro, Eduardo de Queiroz, em junho de 2008. Em junho de 2015, ele foi foi absolvido pelo Tribunal do Juri de Brasilia. O Ministério Público recorreu sob alegação de que a decisão dos jurados foi contrária à prova dos autos. Segundo a Promotoria, Constantino teria contratado dois homens para executar o ex-marido de sua filha. O motivo do crime seria um desentendimento por causa de patrimônio. O empresário estaria irritado com o ex-genro porque não queria dividir os ativos de uma empresa de ônibus de Brasília. Constantino foi submetido a júri popular, em junho. Os primeiros quatro votos foram pela absolvição do empresário, levando à conclusão do júri. Também foi absolvido o policial militar reformado Antônio Andrade, apontado como intermediário do crime. O Tribunal de Justiça discordou do recurso do Ministério Público e manteve na quinta-feira a decisão do Tribunal do Júri, pela absolvição. Em seu voto, uma peça de 40 páginas, o relator, desembargador Silvânio Barbosa dos Santos, defendeu a soberania dos jurados e apontou para a fragilidade das testemunhas da acusação. “O Tribunal reconheceu a validade da decisão do Juri, assunto encerrado!”, declarou o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, defensor de Nenê Constantino.

PM impede confronto entre manifestantes pró e contra Dilma em Maceió



Grupos a favor e contra o governo da presidente Dilma Rousseff quase entraram em confronto nesta quinta-feira, 5, em Maceió. A cavalaria da Polícia Militar teve de intervir para evitar que os protestos terminassem em confusão. Vestidas da amarelo, cerca de 30 pessoas a favor do impeachment esperavam a chegada da presidente em frente ao Centro de Convenções Ruth Cardoso, onde ela iria participar de uma reunião com empresários de Alagoas.  Militantes do PT, que estavam na entrada principal do local, vieram ao encontro dos manifestantes e, por serem maioria, conseguiram abafar os gritos de "fora Dilma". Com bandeiras do PT e do PCdoB, os militantes vestidos de vermelho começaram a gritar palavras de ordem como "não vai ter golpe" e "Dilma, guerreira, da pátria brasileira". Enquanto os petistas gritavam "coxinhas", o grupo pró-impeachment revidava com "pão com mortadela". Os carros que passavam pelo local se dividiram e ora buzinavam em apoio ao grupo de camiseta amarela, ora de vermelha. No meio do confronto, um senhor com um broche do PT parou para dar um abraço em um outro homem que estava numa cadeira de rodas e pedia o impeachment da presidente. No fim, a cavalaria da Polícia Militar separou os dois grupos. Os manifestantes pró-impeachment foram os primeiros a deixar o local.

Petista Jair Tatto diz que o PT precisa inverter as prioridades em São Paulo



O PT municipal discutiu na tarde da última quinta-feira, na Câmara de Vereadores de São Paulo, estratégias para as eleições do ano que vem. O vereador Jair Tatto disse que um dos principais pontos falados na reunião foi como o partido vai se fortalecer na periferia, que era um tradicional reduto petista e onde o prefeito Fernando Haddad tem apenas 12% de aprovação - ante 15% de aprovação geral na cidade e 23% entre os mais ricos, segundo o Datafolha. "É preciso inverter as prioridades, verter mais dinheiro para as subprefeituras, investir mais nas regiões onde vai ter impacto para o cidadão", disse Jair Tatto. O vereador diz que outro ponto é mudar a agenda do prefeito. A avaliação dele é de que Haddad já melhorou muito o contato com a população, deixando mais o gabinete do que no início do mandato, mas há espaço para fazer mais: "Tem que falar com a população, não só fazer agenda em que o prefeito cumprimenta funcionários da Prefeitura". No ano passado, após pressão do PT, Haddad tirou a coordenação de publicidade do secretário de Comunicação, Nunzio Briguglio, e passou para Chico Macena, atual secretário de Governo e figura tradicional do partido. A vinda do deputado estadual José Américo, que foi da direção nacional do PT, para o núcleo duro do governo Haddad também é bem vista pela bancada de vereadores e pela Executiva Municipal. Américo assumiu a pasta municipal de Relações Governamentais. "O Zé não está cuidando diretamente de comunicação, mas a vinda dele foi muito positiva e vai ajudar muito (nas eleições de 2016)", avaliou Jair Tatto. O vereador acredita que a candidatura de Marta Suplicy pelo PMDB será inevitável e admitiu que a senadora preocupa o partido, pela força que tem na periferia, com potencial para disputar espaço com Haddad em tradicionais redutos petistas. Mas pondera que, com diálogo e a propaganda adequada, o prefeito poderá enfrentá-la com tranquilidade: "Ela fez um bom governo (como prefeita), mas com quem? Com o PT. A gente vai reforçar isso". O presidente nacional do PT, Rui Falcão, foi convidado e participou da reunião com a bancada de vereadores e Executiva Municipal.

Tribunal mantém prisão de publicitário que articulava propina para o petista André Vargas



A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou na quarta-feira, 4, habeas corpus e manteve a prisão preventiva do publicitário Ricardo Hoffmann. Detido desde abril, quando foi deflagrada a 11ª fase da Operação Lava Jato, Hoffmann foi condenado em setembro pelo juiz federal Sérgio Moro a 12 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro da Caixa e do Ministério da Saúde num esquema de propinas para o ex-deputado federal petista André Vargas. Hoffmann era proprietário da empresa BH Serviços de Comunicação, que prestava serviços à empresa Borghi Lowe Propaganda e Marketing, detentora de contratos de publicidade do Ministério da Saúde e da Caixa Econômica Federal. Segundo a sentença, Hoffmann orientava as produtoras contratadas para fazer os anúncios a repassar uma parte do bônus de volume referente aos contratos da Borghi Lowe para pagamento de propina, de forma reiterada, às empresas do ex-deputado e ex-vice-presidente da Câmara, o petista André Vargas e seu irmão Leon Vargas. O habeas foi impetrado pela defesa no dia 5 de outubro. Os advogados alegam que o réu já teve sentença proferida e que todo o patrimônio dele está bloqueado. Sustentam ainda que a gravidade do crime não pode fundamentar a manutenção da prisão preventiva e que seu cliente deve ter o direito de recorrer em liberdade. No entendimento do desembargador João Pedro Gebran, contudo, a situação que levou à prisão cautelar de Hoffmann não se alterou. Conforme o magistrado, ainda que o réu não esteja mais atuando na empresa utilizada para o pagamento de propinas, ele pode voltar a reproduzir o mesmo esquema criminoso em outra empresa de publicidade na qual trabalha. “O pagamento de propina a parlamentar ao tempo em que este ocupava o relevante cargo de vice-presidente da Câmara revela certa ousadia na prática de crimes e merece especial atenção e reprovação”, escreveu em seu voto, citando trecho da sentença. “Após o amplo contraditório, não se mostra justificável que a sentença condenatória não tenha nenhuma eficácia, nem mesmo sobre aquele que já se encontrava encarcerado cautelarmente como forma de proteção à ordem pública, diante da possibilidade concreta de reiteração delitiva”, concluiu o desembargador.

Comissão da Câmara aprova PEC que permite Igreja questionar Justiça



Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta semana uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite que igrejas apresentem ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) ao Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta de incluir entidades religiosas no artigo 103 da Constituição é do deputado João Campos (PSDB-GO), um dos líderes da bancada evangélica. "Não há como não se reconhecer o mérito dos evangélicos brasileiros em coadjuvar na consolidação de princípios no cerne da Constituição, como garantidores da liberdade de culto e de religião", diz Campos em sua proposta. "Faz-se necessário garantir a todas as Associações Religiosas de caráter nacional o direito subjetivo de promoverem ações para o controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos, na defesa racional e tolerante dos direitos primordiais conferidos a todos os cidadãos indistintamente e coletivamente aos membros de um determinado segmento religioso, observados o caráter nacional de sua estrutura", diz Campos. Hoje, só podem propor ADI e ADC o presidente da República, as Mesas do Senado, da Câmara ou de Assembléia Legislativa, governadores, o procurador-geral da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, partido político com representação no Congresso e confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. "A ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade são instrumentos constitucionais criados com a finalidade específica de defender o povo, o cidadão e as organizações sociais de um modo geral, visando a levar a mais alta corte do País reivindicações justas de teses contrárias às leis consideradas injustas, ilegais ou impróprias para a sociedade", afirma o relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que defendeu a admissibilidade da PEC. O texto segue para apreciação do plenário da Câmara e ainda precisa passar pelo Senado.

Rui Falcão nega influência do PT em mudança de juiz da Zelotes



O presidente nacional do PT, Rui Falcão, negou enfaticamente que o partido tenha tido qualquer relação com a mudança de comando na operação Zelotes - a juíza substituta Célia Regina Ody Bernardes, deixou na quarta-feira, 4, de conduzir a operação, após o retorno do juiz titular da 10.ª Vara, Vallisney de Souza Oliveira. "De maneira nenhuma, nunca interferimos nem na indicação nem na substituição", disse Falcão. Na semana passada, o dirigente e outros petistas reclamaram da intimação do filho do ex-presidente Lula Luis Cláudio na operação e chegaram a dizer que havia perseguição contra o ex-presidente. Questionado se a mudança no comando da Zelotes é positiva, Rui Falcão disse esperar que se cumpram os ritos da Justiça e que a operação chegue de fato aos "grandes sonegadores". A operação Zelotes investiga esquema de corrupção por suspeita de sonegação fiscal e previdenciária.  A magistrada Célia Regina Ody Bernardes assumiu os procedimentos da Zelotes em setembro. Mesmo com pouco tempo à frente do caso, foi tida como a responsável por mudar o curso da investigação criminal, ao aceitar as primeiras prisões de investigados e a ação de busca e apreensão no escritório de Luís Cláudio. A juíza concordou com os argumentos de dois procuradores da República, que consideraram muito suspeito o fato de uma empresa de Luís Cláudio, a LFT Marketing Esportivo, ter recebido, em 2014, pagamentos de R$ 2,4 milhões de uma consultoria investigada por "comprar" medidas provisórias nos governos de Lula e de Dilma Rousseff.

Eduardo Cunha diz que parte do dinheiro que mantém no Exterior é fruto de venda de carne enlatada



Acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter recebido pelo menos US$ 5 milhões em propina do esquema de corrupção na Petrobrás, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai alegar em sua defesa no Conselho de Ética da Casa que desconhecia a origem do depósito de 1,3 milhão de francos suíços feitos em 2011 em um fundo do deputado na Suíça e que todo o dinheiro que tem fora do País é fruto de venda de carne enlatada para a África e de operações no mercado financeiro.  Ele dirá que “não reconhece” como seu o montante depositado “à sua revelia” em 2011 pelo lobista João Henriques, que era ligado ao PMDB e foi preso na Operação Lava Jato. O deputado afirma suspeitar que o depósito seja o pagamento de um empréstimo feito por ele ao ex-deputado Fernando Diniz, do PMDB, morto em 2009. Em depoimento à Polícia Federal, Henriques disse que enviou o dinheiro a pedido do economista Felipe Diniz, filho do deputado, e que não sabia quem era o beneficiário. Em 2007, primeiro ano do segundo mandato de Lula, Cunha e Diniz eram muito amigos e integravam o núcleo duro do PMDB na Câmara. Nesse período, Diniz teria perdido muito dinheiro em negócios fora do País e por isso pediu ajuda. Cunha fez então um empréstimo de US$ 1,5 milhão para o colega. A dívida teria, segundo os relatos, “morrido junto com Diniz”. A principal linha de defesa de Cunha será sustentar que ele nunca recebeu dinheiro público. O deputado reconhecerá, entretanto, que não declarou todos os seus recursos. A estratégia de sua defesa consistirá em afirmar que todo o recurso no Exterior é fruto de atividade de comércio exterior e operações financeiras feitas na década de 1980. Antes de entrar na vida pública, no começo dos anos 1990, quando assumiu o comando da Telerj, Cunha descobriu um filão de mercado: a venda de carne processada e enlatada em consignação para países africanos. Como o negócio cresceu, ele decidiu, segundo sua defesa, abrir uma conta fora do Brasil. Além da atividade de “mascate”, o deputado afirma que amealhou a parte maior do seu patrimônio no mercado de capitais com “operações de inteligência” e que sempre teve “mão boa” para negociar ativos. Para escapar da cassação de seu mandato no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por falta de decoro parlamentar por ter supostamente mentido durante depoimento na CPI da Petrobrás em março, quando afirmou que não tinha recursos depositados naquele país ou em algum paraíso fiscal, o presidente da Câmara afirmará que possui dois trustes, e não contas correntes na Suíça. O truste consiste na entrega de um bem ou um valor a uma instituição (fiduciário) para que seja administrado em favor do depositante ou de outra pessoa por ele indicada (beneficiário). Essas estruturas são utilizadas para proteger o patrimônio de seus beneficiários. O deputado abriu dois fundos dessa modalidade. Um deles, conforme os relatos do deputado, foi montado em 2008. Segundo Cunha, eles permaneceram parados de 2008 até 2014, com US$ 200,00 ou US$ 1.000,00. O outro fundo era usado para as despesas da família, segundo ele. O deputado tem afirmado que não ocorreram depósitos de dinheiro, apenas saídas e rendimentos de aplicações. O deputado nega que os recursos atribuídos a ele tenham circulado por ao menos 23 contas bancárias em quatro países como forma de ocultar a origem, conforme indica a investigação feita pelo Ministério Público da Suíça. Segundo o órgão do país europeu, os ativos transitaram por bancos em Cingapura, Suíça, Estados Unidos e Benin. Em depoimento à Justiça, Henriques afirmou que o depósito que fez a pedido do filho de Diniz na conta de Cunha era fruto de propina envolvendo um negócio da Petrobrás no Benin. O presidente da Câmara dos Deputados também nega que seus familiares tenham gastado US$ 59,7 mil com cursos de tênis em uma academia dos Estados Unidos. Segundo os relatos dele, o dinheiro teria, na verdade, sido usado para pagar a escola e o alojamento de um dos seus filhos naquele país.

Empresa de barragem rompida em Minas Gerais é a 10ª maior exportadora do País



Fundada em 1977, a mineradora Samarco é atualmente uma controlada pelas gigantes do setor Vale (50%) e a anglo-australiana BHP Billiton (50%). Fabricante de pelotas - pequenas bolinhas de minério de ferro usadas na produção de aço - a empresa é a 10ª maior exportadora do País. Com operações em Minas Gerais e no Espírito Santo, a Samarco tem capacidade para produzir 30,5 milhões de toneladas anuais de pelotas, que são destinadas a clientes em mais de 20 países. Na unidade de Germano, em Minas Gerais, onde ocorreu o rompimento da barragem na quinta-feira, 5, a Samarco opera três concentradores. Os equipamentos são usados para beneficiar o minério de ferro extraído das minas da companhia na região. O sistema de produção da empresa se completa com quatro usinas de pelotização (que transformam o minério nas pelotas) instaladas em Ubu, no município de Anchieta, no Espírito Santo. As operações nos dois Estados são interligadas por três minerodutos com 400 quilômetros de extensão cada, além de um terminal marítimo próprio em Ubu e dois escritórios internacionais, em Amsterdã (Holanda) e Hong Kong (China) e um nacional, em Vitória (ES). Ao todo a Samarco estima gerar cerca de 2,9 mil empregos diretos e 3,5 mil empregos. 
indiretos.  

Recentemente a Samarco concluiu um processo importante de expansão, com investimentos de R$ 6,4 bilhões em sua quarta unidade de pelotização. Até o ano passado, antes da expansão, a empresa tinha uma capacidade de produção de 22 milhões de toneladas de pelotas. Apesar de não descartar novas ampliações no médio prazo, por ter capacidade ociosa de transporte de minério, a companhia ainda não anunciou nenhum novo projeto. Diante do cenário de queda dos preços internacionais do minério de ferro, o foco tem sido consolidar sua posição atual. Apesar de ser a segunda maior empresa global no segmento de pelotas, a Samarco também perdeu o grau de investimento da agência de classificação de risco Standard & Poor's, na esteira do rebaixamento da nota soberana do Brasil. A mineradora, entretanto, manteve o selo de bom pagador concedido pela Fitch e a Moody's, outras duas maiores agências globais de análise de risco.

Guarde a frase, é antológica: "Não vou mais admitir que corrupto me chame de corrupto", diz Lula; quem não for corrupto, pode chamar?



O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") afirmou na quinta-feira, 5, que não vai mais admitir que corruptos o acusem de corrupção. Durante discurso de quase uma hora na 5º Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o petista também criticou a oposição por pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff, "Não vou mais admitir que corrupto me chame de corrupto, porque todos esses que ficam nos acusando se colocar um dentro do outro não dá 10% da minha honestidade", afirmou Lula durante o evento promovido pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), do qual é presidente de honra. Por conseguinte, quem não é corrupto pode chamá-lo de corrupto? O ex-presidente conclamou a militância a reagir às críticas de corrupção que ele o PT vêm sofrendo. Sem citar qualquer investigação específica, Lula destacou que os escândalos de corrupção estão vindo à tona atualmente não é porque começaram só agora. "É porque tem um governo que está apurando mais do que eles apuravam antes", ressaltou. O petista reconheceu que a presidente Dilma Rousseff não vive o melhor momento de seu governo, mas ponderou que a dificuldade não é apenas dela. "É nossa, é do Brasil, é do mundo", disse o ex-presidente, emendando: "Nós temos que ajudar. Quando as coisas não estão bem é que temos que assumir a postura". Lula avaliou que, o pedir o impeachment de Dilma, a oposição quer "derrubar um projeto que teve sucesso nesse país". Segundo ele, os ataques que ele vem sofrendo "não são a toa". Para ele, a oposição quer derrubá-lo pelo medo de que ele volte à Presidência nas eleições de 2018.

FHC sofre com meu sucesso, afirma Lula



O ex-presidente Lula rebateu as críticas recentes feitas a ele por Fernando Henrique Cardoso. "O Fernando Henrique tem um problema comigo, de soberba. Ele sofre com o meu sucesso", disse Lula em entrevista ao SBT. O petista afirmou que seu antecessor tucano queria que ele ganhasse a eleição em 2002 contra o senador José Serra (PSDB) porque o via como "coitadinho metalúrgico que não ia dar certo". Segundo Lula, FHC queria voltar aos "braços do povo" em 2006 imaginando que sua gestão seria um fracasso. "O que aconteceu foi que meu governo se tornou numa coisa admirada no mundo, promovendo a maior inclusão social desse País", disse Lula. Ao responder as declarações do ex-presidente tucano de que Lula "se perdeu pelas delícias do poder" e que teria transformado o toma lá dá cá da política em regra em vez de exceção, o petista devolveu acusações. "Toda vez que tiver que falar de corrupção, ele tem que lembrar da (emenda da) reeleição de 1997. Ele tem que lembrar que o único mensalão criado foi o dele e tem que lembrar que nenhum processo dele foi investigado", provocou Lula. O ex-presidente petista disse ainda que a troca de críticas é fruto de estarmos vivendo "um momento de acidez política muito grande" no País.

Ministro diz que ameaça de greve de caminhoneiros tem "viés político", o que é uma monumental estupidez




O ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, afirmou na quinta-feira (5) que a greve dos caminhoneiros programada para a próxima segunda-feira (9) tem sido motivada por grupos independentes com um "viés político muito forte". Que monumental estupidez para ser dita por um ministro de Estado. Todas as greves sempre são políticas. Preocupado com o impacto da paralisação no abastecimento de produtos no País e no agravamento do quadro de recessão econômica, o governo federal tem monitorado a movimentação dos grevistas e aberto canal de diálogo com líderes do movimento para tentar evitá-la. "A maior parte dos sindicatos (tudo pelêgos) é contra a greve e nós vemos nisso um movimento que efetivamente tem viés político muito forte. Nós estamos acompanhando a movimentação dentro daquilo que costumamos fazer", disse o ministro. O tema foi objeto de discussão em reunião, na terça-feira (3) em Brasília, da presidente Dilma Rousseff com ministros e líderes do governo no Congresso Nacional. A mais recente manifestação de caminhoneiros ocorreu em abril deste ano e durou cinco dias, gerando bloqueios em estradas e prejudicando o abastecimento em algumas cidades. Na ocasião, o movimento perdeu força após o governo prometer intermediar a negociação, com o setor contratante, de uma tabela referencial de preços do frete. Desta vez, a ordem da presidente é monitorar os movimentos para que nenhuma paralisação desse tipo pegue o governo de surpresa.  


No final de outubro, o Comando Nacional do Transporte, grupo de caminhoneiros que se declara independente de sindicatos, divulgou nota em seus perfis nas redes sociais prometendo greve geral para o dia 9. Segundo o comunicado, os principais movimentos que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, como o Vem Pra Rua, o Revoltados Online e o MBL (Movimento Brasil Livre), apóiam a paralisação da classe. Esse apoio é outra preocupação do Planalto, porque pode gerar uma agenda política negativa no momento em que perdeu força, dentro do Congresso, a estratégia da oposição para tentar abrir um processo de impedimento contra a presidente. O grupo de caminhoneiros reivindica desde o início do ano a redução do preço do óleo diesel, a criação do frete mínimo, salário unificado em todo o País e a liberação de crédito com juros subsidiados no valor de R$ 50 mil para transportadores autônomos. Querem também ajuda federal para refinanciamento de dívidas de compra de seus veículos. A página do Facebook do Comando Nacional do Transporte conta hoje com cerca de 25,5 mil seguidores.