sábado, 24 de outubro de 2015

A petista Dilma cancela ida a cidade catarinense alagada onde seria recebida com protestos, vaias e panelaço

Com gritos de "fora, Dilma" e "fora PT", manifestantes do movimento separatista O Sul é meu País fizeram um protesto na tarde deste sábado (24), em Rio do Sul (SC), onde a presidente Dilma Rousseff era aguardada para uma visita técnica. A viagem até o município, duramente castigado pelas chuvas, acabou sendo cancelada por causa das condições climáticas desfavoráveis para o vôo de helicóptero que partiria de Florianópolis. Na verdade foi para evitar os protestos. A petista chegou ao aeroporto Internacional Hercílio Luz, na capital de Santa Catarina, por volta das 16h30. De lá, partiria de volta para Brasília. Antes, ela se encontrou com o governador Raimundo Colombo (PSD), no aeroporto. Apesar do cancelamento da viagem, cerca de cem membros do movimento se concentraram no pátio da catedral de Rio do Sul – próximo ao local previsto para o pouso de helicóptero de Dilma – com bandeiras e faixas. Uma delas trazia a mensagem: "Basta de Brasília, o Sul é meu País". Muitos moradores da cidade de 67 mil habitantes aguardavam ansiosos a visita e ficaram decepcionados, assim como os líderes políticos que esperavam a presidente. A chegada de Dilma Rousseff ao município estava prevista para as 17 hora. Vinda de viagem do Rio Grande do Sul, ela sobrevoaria as áreas alagadas na região do Alto Vale do Itajaí, acompanhada do governador. Também conversaria com prefeitos da região, onde cerca de 200 mil pessoas são afetadas direta ou indiretamente pelas chuvas fortes há cerca de um mês.

Nível do Rio Itajaí-Açu sobe e provoca inundações em Rio do Sul (SC)
Havia a expectativa do anúncio de liberação de recursos para as cidades afetadas, o que não aconteceu. Segundo o governador, os prefeitos esperam agora as águas baixarem pra fazer o levantamento dos prejuízos e encaminhar os pedidos de auxílio ao governo federal. Maior dos 28 municípios que compreendem a região do Alto Vale, Rio do Sul decretou situação de emergência por causa da enchente. O rio Itajaí-Açú chegou ao nível de 10,71 metros e cobriu boa parte da cidade. Duas de três barragens que formam o sistema de contenção de cheias da região transbordaram, o que deixou todos em alerta. Pelo menos 500 pessoas tiveram que ir para 13 abrigos públicos e estão sendo orientadas a permanecer neles, já que há previsão de mais chuva. Há quatro anos, Rio do Sul viveu uma das piores enchentes da história, quando o rio atingiu o pico máximo de 12,96 metros.

A miséria tende a explodir

A IstoÉ mostra que a miséria no Brasil vem crescendo a uma média de 3% ao ano, mesmo com os projetos sociais das últimas décadas. E que "tende a explodir" com a atual crise. A reportagem cita o estudo de Samuel Franco alertando que, a despeito das taxas oficiais de desemprego, não há qualquer pessoa trabalhando em 20% das famílias brasileiras.

Destino Miami

O Antagonista foi informado de que Joaquim Barbosa está passando uns dias em seu apartamento em Miami. Se por essas coincidências da vida o ex-presidente do STF topar com José Carlos Bumlai, pode sugerir ao pecuarista umas desculpas melhores para explicar o repasse de R$ 2 milhões para a nora de Lula.

Toffoli disfarça

Dias Toffoli foi almoçar a tradicional feijoada dos sábados do Armazém do Ferreira, um dos restaurantes do falecido empresário Jorge Ferreira, amigão de Lula. Toffoli usava boné e óculos escuros, além de bermuda e tênis. Parou o carro em outra quadra e saiu discretamente. Tudo isso por medo de acabar sendo vaiado, como outros petistas? O Antagonista sugere que o presidente do TSE escolha logo Gilmar Mendes como relator da ação contra Dilma e não se arrisque mais em atitudes que minem a Lava Jato. Isso vai ajudá-lo a evitar disfarces.

Promotor denuncia fraude no julgamento de Leopoldo López

O promotor de Justiça venezuelano Franklin Nieves denunciou ontem uma fraude no julgamento do líder opositor Leopoldo López, no qual trabalhou. Em um vídeo publicado no site La Patilla - crítico ao governo do ditador Nicolás Maduro -, o procurador, membro da equipe que cuidou do caso, disse ter sofrido pressão do governo para apresentar provas falsas. Ele fugiu do país com a família. López foi condenado a quase 14 anos de prisão por incitar protestos contra o governo em 2014. “Decidi deixar a Venezuela com minha família depois de ter sido pressionado pelo governo a continuar a usar provas falsas para condenar Leopoldo López”, disse Nieves no vídeo: “Quem me conhece sabe a angústia que eu passei, os dias que não dormi e a pressão para continuar com essa farsa". O promotor disse ainda que nos próximos dias divulgará “toda a verdade” sobre o julgamento de López. “A partir de agora começarão as injúrias contra mim porque não me prestei a dar continuação a essa farsa que foi montada”, acrescentou o procurador no vídeo. “ Convido meus amigos juízes e promotores a perder o medo e dizer a verdade. Sejam valentes e levantem suas vozes contra a pressão exercida por nossos superiores, que ameaçam nos demitir e nos prender". O Ministério da Comunicação e a Procuradoria-Geral da Venezuela não se pronunciaram sobre o vídeo. A defesa de López declarou que a gravação demonstra que a condenação do líder opositor foi ilegal. Desde o início do processo, advogados e representantes da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) dizem que o julgamento é fraudulento e López é um preso político. “Franklin Nieves, promotor do caso Leopoldo López, mostrou mais uma vez a ilegalidade da condenação, que resulta de uma fraude processual”, disse o advogado de López, Juan Carlos Gutiérrez, em sua conta no Twitter: “O processo está contaminado e a condenação deve ser anulada imediatamente". Especula-se que Nieves, responsável pela argumentação que pediu a condenação de López a 13 anos e 9 meses de prisão, tenha fugido para os Estados Unidos. Veja a denúncia de Nieves ao La Patilla:


Na terça-feira, um tribunal de apelações deve julgar um recurso contra a condenação, emitida em primeira instância, que condenou López por incitação ao crime, associação para delinquir, dano ao patrimônio público e incêndio proposital. Pouco depois da divulgação do vídeo do promotor, a mulher de López, Lilian Tintori escreveu, também em sua conta no Twitter, que a liberdade do marido está próxima. “O sol da liberdade chegará à Venezuela”, disse. A mãe do líder opositor, Antonieta Mendoza, disse na mesma rede social que o depoimento do promotor é a prova de que o governo intimida funcionários do Judiciário venezuelano. “A pressão contra membros da Justiça só acabará quando eles perderem o medo”, comentou. A pouco mais de um mês das eleições legislativas no país, o governo venezuelano enfrenta uma grave crise econômica que levou a popularidade de Maduro a 22%, o menor índice da era chavista.

Amigo de Lula, Bumlai, escalado para ser preso na Operação Lava Jato, admite que levou empresário para falar com ex-presidente


O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, apontado na Operação Lava Jato como "o amigo do Lula", o mais escalado para ser preso, afirma que não repassou R$ 2 milhões para que uma nora do ex-presidente da República quitasse dívida de imóvel: “Não paguei conta de nora de Lula, apartamento, nada a ver". Aos 71 anos, ele diz que não é lobista, como informam investigadores da Lava Jato. “Nem sei como escreve lobista”, diz, rabiscando uma folha de papel à mesa. Diz que “está perdendo ‘muito dinheiro'” com a citação a seu nome por delatores da Lava Jato, entre eles Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano. Um dos supostos operadores de propinas do PMDB, Fernando Baiano, declarou que repassou a Bumlai quase R$ 2 milhões destinados à mulher de um dos filhos de Lula. “Os bancos se fecham cada vez que meu nome sai na imprensa”, lamenta. Bumlai reclama do “último absurdo”, que é como denomina o episódio do Banco Schahin – segundo outro delator, Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobrás, Bumlai intermediou o pagamento de uma conta do PT de R$ 60 milhões, originada na campanha à reeleição de Lula, em 2006. “Meu Deus, eu não sou filiado ao PT, esse Rui Falcão (presidente nacional do PT) até posso ter sido apresentado a ele, muito prazer, não tenho nenhuma ligação com ele, não faço política e, de repente, vou fazer uma negociação para pagar 60 milhões de dívida do PT? Eu lá sei de dívida do PT? Nunca recebi conta de ninguém para botar dinheiro na conta deles (do PT), nunca. Nunca dei um tostão para campanha de Lula. Por que eu iria intermediar? Por que eu intermediar dívida do PT na Petrobrás? Não tem sentido". Bumlai conta que conheceu Fernando Baiano “como um empresário, representante de uma grande empresa espanhola”. Preso desde dezembro de 2014, em Curitiba, Fernando Baiano diz que concordou em antecipar R$ 2 milhões da propina a ser paga por um contrato que Bumlai intermediava para o Grupo OSX, de Eike Batista, na Petrobrás. Bumlai diz não ter problemas em ser submetido a uma eventual acareação com Fernando Baiano. Ele afirma que o dinheiro transferido por Fernando Baiano foi para uma transportadora de sua família, a São Fernando, para quitar dívidas com funcionários seus: “Paguei a minha folha que no mês estava bastante atrasada".  Na verdade de Bumlai, as negociações com Fernando Baiano, entre 2011 e 2012, em nome do Grupo OSX, foram para compra de uma termoelétrica. O pecuarista falou ainda de sua amizade com Lula, confirmou o almoço com o operador de propinas do PMDB, Fernando Baiano, antes de uma reunião com ex-presidente, no Instituto Lula, em São Paulo, com a participação de alvos da Lava Jato, e garantiu não ter negócios com o petista. “Sou amigo dele, sou amigo de festa, de almoço, de aniversários, mas negócio? Não tenho negócio com ele, nenhum negócio que envolva o presidente Lula.”


Estadão – Como o sr conheceu o ex-presidente Lula?
José Carlos Marques Bumlai – O governador do meu Estado (em 2002, Zeca do PT) me telefonou e disse “o Lula me ligou, falou que queria passar, foi a época da Copa do Mundo, acho que não era Semana Santa, era Corpus Cristi no Mato Grosso do Sul. Ele disse. ‘Podemos ir na sua fazenda?, posso leva-lo à sua fazenda?’ Eu digo, ‘pode, pode ir lá, não tem problema nenhum. O Lula ficou lá uns 3 ou 4 dias, foi embora, se candidatou a presidente da República, ganhou e nunca mais voltou a nenhuma fazenda minha. No entanto, eu abro os noticiários e tem foto do Lula pescando na minha fazenda peixe que é até do mar. Eu não tenho fazenda à beira mar, entendeu? Já viu isso? Essa foto, Lula no barco pescando um peixe preto bonito, não sei que peixe que é, na fazenda do Bumlai não tem desse peixe. Então, fazem essa maximização da amizade. É meu amigo? É meu amigo, a família é minha amiga, mas não justifica isso.
Estadão – O sr tinha livre acesso ao Palácio do Planalto?
Bumlai – Abro o jornal e tem lá o crachá, que eu teria acesso irrestrito ao Palácio com todas as portas abertas, a hora que eu quisesse. Eu não sabia que tinha aquilo lá, esse crachá. Aliás, o crachá tinha que estar comigo, não? Muito bem, nunca soube daquele crachá. Durante os oito anos que o presidente Lula esteve no Palácio do Planalto eu fui duas vezes no gabinete dele.
Estadão – Do que trataram nesses encontros?
Bumlai – De assunto relativo a terras indígenas e proprietário rurais. Fui acompanhado do ministro Márcio Thomaz Bastos (morto em novembro de 2014), que era ministro da Justiça, do presidente do Incra, não lembro mais o nome, do governador do meu Estado (Zeca do PT), um deputado. Eu não tinha o que fazer lá. E não resolveu nada, até hoje. Eu era da Associação de Criadores do Mato Grosso do Sul e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social até o ano passado. Eu achava que esse negócio, a terra indígena, tinha que ser resolvido. Aqui é terra indígena, tá bom, ah mas está ocupado por proprietários particulares, o governo federal loteou o Mato Grosso do Sul, vendemos lotes para os proprietários rurais, eles desenvolveram suas qualidades. De repente vira terra indígena e não pode indenizar os proprietários a não ser pelas benfeitorias. O pessoal da Associação me procurou, vamos abrir um espaço, é um problema sério. Conclusão, não se resolveu até hoje. Não se resolveu. A solução é fácil, não é muto difícil, é questão de vontade política.
Estadão – O sr. fez viagens com o ex-presidente Lula?
Bumlai – Eu nunca viajei, nunca fiz uma viagem internacional no avião do presidente da República. Encontrei com ele uma vez ou duas vezes, não me lembro bem. Nunca fui em viagem com o presidente da República. Peguei uma ou duas caronas, não mais que isso. Falam aí de viagens internacionais, eu na cabine, eu nunca fiz uma viagem internacional com o presidente, nunca.
Estadão – Como o sr entrava no Palácio do Planalto?
Bumlai – Duas vezes entrei para ir no gabinete do presidente As outras vezes era pela entrada do Conselho de Desenvolvimento, era uma portaria à parte. A gente chegava, se identificava e tomava assento do Conselho. Fui grande colaborador do Conselho, fui relator do grupo de bioenergia, hoje está aí pelo País todo. Então, essa mistificação, ‘o amigo do Lula, o amigo do Lula’….sim, meu amigo, como ele tem 20, 30 amigos Ele (Lula) vai na fazenda de um cidadão não acontece nada. Na minha, como presidente, ele nunca foi, nunca, nunca, nunca. (Lula) voa no helicóptero de não sei quem, não acontece nada. No entanto, você abre o jornal e vê lá o Bumlai. Ele (Lula) nunca botou o pé em nenhuma aeronave minha, nunca. Bom, não era amigo dele? Sou amigo dele, sou amigo de festa, de almoço, de aniversários, mas negócio? Não tenho negócio com ele, nenhum negócio que envolva o presidente Lula.
Estadão – O que o sr. pode falar das acusações que o citam?
Bumlai – Voltando às ilações, não vou chamar de acusações. A verdade é uma só: quando conta uma mentira, você conta uma segunda, uma terceira, uma quarta, uma quinta e aí você se enrolou. Eu não sou homem de mentir. O que eu tenho para falar é a verdade. Eu não tenho nenhuma participação nesse episódio todo. A última é o absurdo do Banco Schahin, que eu ia intermediar o pagamento de uma conta do PT de 60 milhões de reais. Meu Deus, eu não sou filiado ao PT, esse Rui Falcão (presidente nacional do PT) até posso ter sido apresentado a ele, muito prazer, não tenho nenhuma ligação com ele, não faço política e, de repente, vou fazer uma negociação para pagar 60 milhões de dívida do PT? Eu lá sei de dívida do PT? Não sei; eles dizem que não têm a dívida. Não conheço esse assunto de dívida de 60 milhões. Ah, mas o fulano falou que entregou uma conta… Nunca recebi conta de ninguém para botar dinheiro na conta deles (do PT), nunca, nunca. Já vasculhei minha memória. Aliás, não me lembro de ter estado na Petrobrás com nenhum diretor. Fui uma vez, em 2010, como relator do grupo de bioenergia. Eu tinha que trabalhar muito com a Fundação Getúlio Vargas, montar projetos, arrumar a estrutura da nova indústria alcooleira do Brasil, incorporando já no início do projeto a geração de energia, dando aquilo que eu gosto, na parte de genética, uma melhor colheita no canavial. O potencial energético do setor sucroalcooleiro é uma coisa de 12, 13 mil megawats, é uma Itaipu.
Estadão – Conhece Fernando Baiano?
Bumlai – Conheço, conheço sim. Fernando Baiano eu conheci como empresário de uma empresa internacional muito grande que é a Acciona, trabalhando no ramo de energia. Ah, o Baiano falou que fizemos um projeto da OSX com a Sete Brasil. Eu fui apresentado ao grupo Eike Batista pelo Fernando Baiano, tentando vender um projeto termelétrico meu, uma usina, de 660 megas. Ele teria dito que o Grupo Eike Batista teria interesse em comprar, me apresentou lá, eu fui lá, abrimos uma relação de negócios, certo? Se interessaram, realmente um negócio espetacular. Foi em 2011, aí o que aconteceu? Começam a misturar as coisas. Conversando com ele (Baiano) eu falei ‘olha, o Ferraz está marcando uma audiência lá com o presidente Lula, o João Carlos Ferraz, o João Carlos’. Eu vou fechar com ele aqui, diz que se marcar eu te aviso.
Estadão – E depois?
Bumlai – Marcou, aí fomos almoçar, era às 15 horas a audiência. Almocei com ele no restaurante Tatina, ele me apresentou o Ferraz nesse momento. Eu não conhecia o Ferraz, não tinha noção de quem era o Ferraz. Ele contou lá as preocupações com respeito ao setor e tal. Eu disse, ‘olha, não entendo nada disso, vou até dar uma recomendação. Vai conversar com o presidente, seja sucinto e coloca o teu problema rápido porque é um entra e sai que…Terminado o almoço, o Baiano foi embora. Eu levei o Ferraz lá no Instituto, apresentei o Ferraz. Ele não conhecia o presidente. Eu fiquei olhando um livro do Corinthians e saí. Tinha uma outra pessoa na sala, eu não lembro quem era, acho que era o (Paulo) Okamoto (presidente do Instituto Lula). Fiquei lá, conversando, quando terminou não sei se foi mais de 30 ou 40 minutos, não me lembro também, mas acho que dei carona para ele até o aeroporto. Eu não conversei, fiquei sabendo depois do negócio da indústria naval, sondas, OSX. Eu não falei.
Estadão – Fernando Baiano diz que passou R$ 2 milhões para o sr. quitar uma dívida da nora do ex-presidente Lula.
Bumlai – Ele fala que me deu R$ 3 milhões, depois virou R$ 2 milhões, ele até se confunde na delação. Em 2011, no mês de setembro, eu tive uma dificuldade, eu não lembro porque, dificuldade financeira. Como eu estava com aquele meu negócio que renderia um bom… eu tinha aberto um canal de conversa com o Fernando, eu pedi a ele, ‘Fernando me arruma um milhão e meio, nem três, nem dois, me arruma um milhão e quinhentos mil, eu te devolvo. Ele me arrumou, esta é a minha verdade. O Baiano, fiquei até surpreso. Não tenho muita intimidade para dizer, mas aparentemente, um cara quieto, quase não fala, viciado em fazer exercício. Tem uma academia.
Estadão – O que o sr fez com esse dinheiro?
Bumlai – Paguei a minha folha que no mês estava bastante atrasada.Fiquei de devolver o dinheiro para ele, tive um problema de saúde muito sério. Não tem nada a ver com a OSX, nada a ver.
Estadão – Quem era o devedor dessa conta?
Bumlai – Eu, José Carlos.
Estadão – O sr pode explicar melhor esse negócio de empréstimo?
Bumlai – Foi na minha (pessoa) física. Um negócio estruturado numa empresa, que tem o dinheiro que entrou na empresa. Fez um mútuo com a minha física. Eu tenho todas as contas que eu paguei. Não paguei conta de nora de Lula, apartamento, nada a ver. Não tenho nada a ver com isso. Não tenho. No entanto, dizem que comprei apartamento, primeiro para um filho de Lula, depois para a nora. Não comprei, não tenho nada com isso, não tenho nada. Três milhões? Não. Dois milhões? Não. Foi dessa forma, sem nada a ver com nora, neto. Eles (família Lula) nem sabem que eu estou falando isso.
Estadão – O sr conhece a nora do Lula?
Bumlai – Eu conheço as quatro, conheço as quatro noras. Também não sei se ela comprou apartamento.
Estadão – Esse dinheiro do empréstimo foi contabilizado?
Bumlai – Tudo, imposto pago, nota fiscal eletrônica tirada. A Receita tem um tratamento privilegiado para o agronegócio de pessoa física. Você tem taxação menor no agronegócio, a pessoa jurídica é maior. Então, todo o meu negócio é pessoa física. Mas você tem que estruturar como se fosse uma empresa, tem que ter contabilidade, é tudo eletrônico. Já capta o imposto na hora pagamento de funcionário, tudo, tudo, tudo, esse negócio está contabilizado. Imposto pago, Nota Fiscal eletrônica, mútuo da empresa comigo e os pagamentos de tudo o que foi feito em 2011. Fernando Baiano fala na empresa São Fernando É uma transportadora, tudo que é meu é São Fernando. Em 1995 minha mulher faleceu. Eu tinha várias propriedades rurais, gado, genética, imóveis. Mandei estruturar tudo. Foi o mais rápido inventário que vi correr no meu Estado. Tudo que é nosso é São Fernando, é Fazenda São Fernando, eu tenho um filho Fernando. Tem a transportadora, foi com essa transportadora (o empréstimo). Não tem nada de usina, nada a ver.
Estadão – A que o sr atribui Fernando Baiano contar essa história?
Bumlai – O que eu acho? Imagina você se tivesse realmente acontecido isso. Ele tentou me arrumar um financiamento internacional, não deu certo. Ele tentou me achar um grupo africano, não deu certo. Tentou me ajudar. Eu não vou entrar nesse intimo porque eu não estou dentro dele (Baiano).
Estadão – Tem negócios com o ex-presidente?
Bumlai – Na minha vida eu fui alvo, você não imagina, de inúmeros e inúmeros pedidos, mais de quinhentos negócios. Mas não fiz nenhum, nenhum, com o Lula. Eu não tenho nenhum negócio feito com (o ex-presidente Lula) e nem pedi também para ele. Porque a minha amizade não é amizade de negócio, de empresa, não, Lula nunca foi na minha fazenda depois de 2002, nunca visitou empreendimento nosso, nada disso, nunca tive qualquer relação comercial com ele. Até porque, depois que ele foi eleito fiz questão de que assim fosse.
Estadão – O sr gosta dele?
Bumlai – Ah, é uma boa pessoa, é um papo que você não tem. você aprende, é eclético, fala de tudo. tem as tiradas dele, algumas são difíceis, né? Cativante, então é isso aí.
Estadão – A Lava Jato não vai mesmo confirmar que o apartamento da nora do Lula foi quitado com esse dinheiro?
Bumlai – Imagina você se eu chegasse e falasse tudo isso que estou falando e amanhã descobrissem um dinheiro (ilícito). O que iria virar? Isso não vai aparecer. Com José Carlos Bumlai não. E com outras pessoas eu acho que não. Que eu conheço da família (de Lula) eu acho que não, não vai aparecer, não tem como. Imagina que eu tenha passado esse dinheiro e não tivesse como provar que não passei a uma nora do Lula, qualquer que seja a forma. Porque da forma que foi colocada, foi feito um depósito no banco. Aí chega em mim e pega, eu dou o dinheiro prá fulano, aí era um desastre, não acha? Esse desastre não vai ter, não tem.
Estadão – A que o senhor atribui, então?
Bumlai – Eu acho o seguinte, o Baiano deve ter esquecido dessa termoelétrica entendeu?
Estadão – Como ele repassou o dinheiro para o senhor?
Bumlai – Banco, TED. Ora, se eu quisesse fazer diferente era em dinheiro, não?
Estadão – Mas quem tem ativos tão fortes precisava desse empréstimo?
Bumlai – Existem momentos, existem momentos, naquele momento eu precisava. Naquele ano de 2011, eu estava separando uma sociedade, meus filhos estavam separando uma sociedade, um filho meu ficou doente, 1 ano e meio. Foram 60 dias assim, o maior desastre que você pode imaginar. Eu nunca atrasei uma folha de pagamento, nunca. Já tive bastante funcionário.
Estadão – O sr emprega quantos?
Bumlai – Hoje? Há uma confusão, porque eu não emprego ninguém, a não ser minhas empregadas domésticas, eu estou há 10 anos aposentado. Com essa estruturação que eu fiz, meus filhos assumiram os negócios. No empreendimento da pessoa física, muito pouco, 100 homens, 150 homens, no máximo. Não, mais, 300 homens. Eu mexo com genética de altíssima qualidade. A minha folha de pagamento de pessoa física é na ordem de R$ 400 mil, R$ 500 mil. As despesas do mês, mais R$ 800 mil, R$ 1 milhão, pessoa física.
Estadão – E se socorreu de Fernando Baiano sem conhecê-lo?
Bumlai – Não, não, eu estava em negociação nessa termoelétrica com ele e com o grupo Eike Batista, que ele me apresentou. Nem me lembro o nome do diretor lá. O interesse do Baiano era grande, o negócio era muito grande. Eu disse, olha faz o seguinte, me empresta um milhão e 500 mil reais. Eu vou te devolver, foi assim, não foi diferente. Não tenho nada com a OSX.
Estadão – O sr faria uma acareação com Fernando Baiano?
Bumlai – Problema nenhum
Estadão – O presidente falou com o sr depois que seu nome foi citado nas delações?
Bumlai – Não, não falei com o presidente. Até porque da forma que saiu eu entendo ele falar daquele jeito (referindo-se a uma nota divulgada pelo Instituto Lula). Tem até que dizer aquilo mesmo. Se eu fiz algum lobby, o que eu não fiz em lugar nenhum, em nenhuma empresa estatal, não foi com autorização dele. Não sei se a colocação foi a mais feliz, mas eu entrei na internet e o pessoal ficou bastante revoltado com isso: ‘Pô, abandona’. Abandona nada, porque eu não fiz nada.
Estadão – O sr tem ingerência na Petrobrás ou na Sete Brasil?
Bumlai – Nenhuma, nenhuma. Não sei nem onde fica essa Sete Brasil. Como é que eu vou negociar um empréstimo sem falar com diretor? Não tem almoços em restaurantes, não tem nada disso. Quem disser para você que almoçou comigo em restaurante não está falando a verdade.
Estadão – O sr. está sofrendo perdas?
Bumlai – Só perdi. Cada notícia dessa que sai, os bancos fecham.
Estadão – Fale sobre José Carlos Bumlai
Bumlai – Quem eu sou? Eu sou um cidadão brasileiro, nascido no Mato Grosso há 71 anos, sou engenheiro, sou pecuarista, tenho alguns orgulhos dentro das minhas atividades. Na engenharia fiz obras enormes neste País, em São Paulo, fora de São Paulo. Na pecuária desenvolvi os maiores sistemas de Voisin, que é uma metodologia francesa de rodízio de animais em pastos pequenos. Cheguei a colocar 1500 animais em 100 hectares, dá 15 animais por hectare, a média nacional é um animal por hectare.
Estadão – Por que decidiu falar?
Bumlai – Venho lendo a meu respeito coisas que têm me causado um certo aborrecimento.

Sobradinho, maior represa do Nordeste, atinge nível histórico de seca

Maior reservatório de água do Nordeste, a barragem de Sobradinho, no rio São Francisco, atingiu neste sábado (24) o nível mais baixo de sua história, aumentando o risco de desabastecimento hídrico em consequência da pior seca dos últimos 83 anos. A água acumulada no lago está em 5,41% de seu volume útil – abaixo dos 5,46% de novembro de 2001, quando o País passou por um racionamento de energia. Inaugurada em 1979, a represa de Sobradinho tem capacidade de 34,1 bilhões de metros cúbicos e corresponde a 58% da água usada para geração de energia no Nordeste. Mas enfrenta grave estiagem – de janeiro a outubro de 2015, choveu apenas 29,8% do esperado na região da barragem. "Todos os usuários devem estar preparados para chegarmos ao volume morto. Isso não significará que a água acabou, mas os usos (como geração de energia, irrigação e consumo) terão que se adequar a essa realidade", alerta o superintendente de Operação da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), João Henrique de Araújo Neto. 


Projeções do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mostram que, se não voltar a chover logo na região, Sobradinho deve atingir, em meados de dezembro, o volume morto – reserva de água abaixo do ponto de captação que representa 15% da capacidade total do reservatório. Se isso ocorrer, a usina hidrelétrica, que já opera com menos de 20% de sua capacidade, deixaria de operar. Segundo o ONS, contudo, não há risco de racionamento, pois é possível usar fontes alternativas, como térmicas e eólicas, e transferir energia de outras regiões por meio de linhas de transmissão. Atualmente, as hidrelétricas representam 33% da energia gerada no Nordeste. A iminência do nível zero preocupa produtores de frutas do perímetro irrigado Nilo Coelho, em Petrolina (PE) e Casa Nova (BA), que têm produção anual de R$ 1,1 bilhão. O sistema atual retira água diretamente do reservatório, mas não é preparado para funcionar abaixo do volume morto. Para permitir o aproveitamento dessa água, a Codevasf, estatal ligada ao Ministério da Integração, iniciou em setembro obras de instalação de bombas flutuantes e construção de um canal de captação, com conclusão prevista para 15 de dezembro. "Se chegar a esse limite e as obras não estiverem prontas, a irrigação pára. Se parar, deixa de atender 2.322 produtores, além de 130 mil pessoas que usam água do sistema para consumo", afirma Paulo Sales, gerente-executivo do Distrito de Irrigação Nilo Coelho. Para manter mais água na represa, a ANA (Agência Nacional de Águas) já autorizou a redução da vazão de Sobradinho de 1.300 m³/s para 900 m³/s – e avalia reduzir ainda mais, para 800 m³/s. O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Anivaldo Miranda, critica a redução. "Os impactos ambientais são terríveis, como o assoreamento do leito, a erosão das margens e a água salina que avança na foz do rio", criticou. Uma das principais preocupações é o consumo humano. Com a vazão menor, o nível da água baixou, exigindo adaptações nos sistemas de captação. Em Remanso (BA), por exemplo, a água já recuou seis quilômetros. "As prefeituras estão tendo custo maior para bombear. Em algumas cidades, ainda captam do mesmo lugar, onde só tem uma poça de água barrenta", disse Silvana Leite, membro do comitê gestor do lago de Sobradinho. A seca prolongada no São Francisco também afeta a pesca, com a redução de espécies, como o surubim, e a navegação. A última empresa que realizava transporte de cargas deixou de operar em abril de 2014, devido à seca e ao assoreamento do rio. Hoje, até pequenas embarcações precisam fazer desvios para não encalhar. Esperada para começar em novembro, a temporada de chuvas no São Francisco deverá atrasar, segundo meteorologistas, devido ao fenômeno El Niño – o superaquecimento das águas do Pacífico que provoca redução das chuvas no Nordeste.

Morre a atriz Maureen O'Hara, do lendário filme "Como Era Verde Meu Vale"


A atriz irlandesa Maureen O'Hara morreu neste sábado (24), aos 95 anos, segundo seu agente. Maureen O'Hara era conhecida por seus cabelos ruivos e por papéis em filmes clássicos, como "Depois do Vendaval" (1952) e "Como Era Verde Meu Vale" (1941), ambos de John Ford, um dos mais importantes diretores do cinema americano. Segundo seu agente, Johnny Nicoletti, a atriz morreu em sua casa, no Estado americano de Idaho, na presença de familiares e ouvindo uma música da trilha sonora de "Depois do Vendaval". Maureen O'Hara recebeu um Oscar honorário por sua carreira em 2014.

Exército fará homenagem ao coronel Brilhante Ustra na segunda-feira, em Santa Maria


A 6ª Divisão do Exército, com sede em Santa Maria, prestará homenagem pública e póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Será nesta segunda-feira, às 11 horas, no patio de formatura do 6º Batalhão de Infantaria Blindada. Brilhante Ustra era filho de Santa Maria. Foi ele e sua família quem deram "salvo conduto" ao peremptório petista "grilo falante" e poeta onanista e tenente artilheiro Tarso Genro para que voltasse de seu "auto exílio" em Rivera, no Uruguai. Brilhante Ustra tinha o apelido de "Bandão". Seu irmão, advogado e professor de Direito, conhecido como "Bandinha", é quem se encarregou de ir buscar Tarso Genro, de carro, em Rivera, e reconduzí-lo de volta a Santa Maria. Ao chegar na cidade, Tarso Genro foi prestar serviço militar no CPOR local, que funcionava no Regimento Mallet, da arma da Artilharia. Ele foi um caso único em seu curso de oficial da reserva do Exército brasileiro: desapareceu do quartel por dez dias, sem ter sofrido um processo por deserção. O fato está documentado no livro da turma do ano de 1967 no regimento Mallet. Quando chefiou a Operação Bandeirantes, do Doi-Codi, que funcionava na delegacia de polícia da rua Tutóia, no bairro do Paraíso, em São Paulo, na década de 70, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra era conhecido pelo codinome de Dr. Tibiriçá. As famílias Genro e Ustra tinha relacionamentos muito próximos. Um irmão de Tarso Genro, Adelmo, que morreu vítima de Aids, foi casado com uma sobrinha do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O topo da cadeia de comando

Um dos delatores da Lava Jato, um empreiteiro, fez a lista dos nomes mais visados pelos procuradores do Paraná durante os interrogatórios, de acordo com a IstoÉ: “Lula, filhos de Lula, José Carlos Bumlai, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Erenice Guerra e Valter Cardeal”. O fim está próximo.

Uma palestra de Lula em Curitiba

Ninguém mais contrata Lula para dar palestras. A Folha de S. Paulo fez as contas e descobriu que, antes da Lava Jato, Lula era contratado para um evento pago a cada 18 dias. Agora a média caiu para um jabá a cada 75 dias. Nos primeiros cinco meses do ano, só a cervejaria Petrópolis contribuiu para o pé-de-meia lulista. Os melhores clientes de Lula estão todos presos. Se ele quiser dar uma palestra, terá de se unir àquela turma.

Lula? Nem de graça

Em Salvador, 800 militantes do PT e da CUT foram aplaudir os ataques de Lula à Lava Jato e aos seus delatores. A Folha de S. Paulo acrescentou: “Com um público abaixo do esperado, a produção do evento teve que retirar 200 cadeiras do auditório”. Ninguém mais quer ouvir as palestras de Lula. Nem de graça.

Lula acusou o golpe

Dois delatores entregaram Lula na última semana. O primeiro, Eduardo Musa, disse à Lava Jato que a campanha presidencial de 2006 foi paga com dinheiro roubado da Petrobras, por meio do contrato fraudado do navio-sonda Vitória 10.000. O segundo, Fernando Baiano, detalhou o lobby de Lula na Sete Brasil, a favor do estaleiro de Eike Batista, e provou os pagamentos ao seu parceiro José Carlos Bumlai. Lula acusou o golpe. Ontem à noite, em Salvador, num evento organizado pelo PT, ele disse: "Peço que fiquem atentos porque estamos vivendo um momento excepcional em que um cidadão é preso e tem a promessa de ser solto se ele delatar alguém. Aí ele passa a delatar até a mãe, se for o caso”. E arrematou: "O dado concreto que estamos vivendo quase de um Estado de exceção". Lula tem razão: a Lava Jato é uma exceção. A maior exceção da história do Brasil.

Os armários embutidos de Bumlai

José Carlos Bumlai, depois de dizer que recebeu um empréstimo de Fernando Baiano - e que deu um calote nele -, agora mandou contar para O Globo que se limitou a pagar armários embutidos para uma nora de Lula, no valor de 10 mil reais, como presente de casamento. Se ele dissesse que embutiu o dinheiro recebido de Fernando Baiano nos armários da nora de Lula, a história se tornaria bastante mais plausível.

FHC e Lula: entre registrar e cancelar

Jornais e revistas abrem páginas e páginas para as memórias de FHC na Presidência. Concorde-se ou não com FHC, não há como negar que é melhor ter um ex-presidente preocupado em deixar o registro da sua passagem pelo poder do que um ex-presidente preocupado em cancelar o registro dos seus crimes quando estava no poder.

A realidade não é uma guerra de opiniões

Fernão Lara Mesquita escreveu um artigo excelente para o Estadão, cujo título é "A libertação está nos fatos". Ele destaca uma reportagem de O Globo, sobre a obesidade do Estado petista, para desancar a imprensa, hoje pouco interessada nos fatos e mais propensa a transformar a realidade numa guerra de opiniões. E os fatos da reportagem de O Globo são estarrecedores. Leiam esses dados que Fernão Lara Mesquita reproduziu:
"Na segunda-feira, 19, O Globo publicou nova reportagem da série Cofres Abertos, sobre a realidade do Estado petista. O título era Remuneração em ministério vai até R$ 152 mil. Eis alguns dados: Lula acrescentou 18,3 mil funcionários à folha da União em oito anos. Em apenas quatro Dilma enfiou mais 16,3 mil. Agora são 618 mil, só na ativa; 103.313 têm “cargos de chefia”. Os títulos são qualquer coisa de fascinante. Há um que inclui 38 palavras: 'chefe de Divisão de Avaliação e Controle de Programas, da Coordenação dos Programas de Geração de Emprego e Renda...' e vai por aí enfileirando outras 30, com o escárnio de referir um acinte desses à 'geração de emprego e renda'... O 'teto' dos salários é o da presidente, de R$ 24,3 mil. Mas a grande tribo só de caciques constituída não pelos funcionários concursados ou de carreira, mas pelos “de confiança”, com estrela vermelha no peito, ganha R$ 77 mil, somadas as “gratificações”, que podem chegar a 37 diferentes. No fim do ano tem bônus 'por desempenho'.. A Petrobras distribuiu mais de R$ 1 bilhão aos funcionários em pleno 'petrolão', depois de negar dividendos a acionistas. A Eletronorte distribuiu R$ 2,2 bilhões em 'participação nos lucros', proporcionados pelo aumento médio de 29% nas contas de luz dos pobres do Brasil, entre os seus 3.400 funcionários. Houve um que embolsou R$ 152 mil. A folha de salários da União, sem as estatais, que são 142, passará este ano de R$ 100 bilhões, 58% mais, fora inflação, do que o PT recebeu lá atrás. Essa boa gente emite 520 novos 'regulamentos' (média) todo santo dia. Existem 49.500 e tantas 'áreas administrativas' divididas em 53 mil e não sei quantos 'núcleos responsáveis por políticas públicas'! Qualquer decisão sobre água tem de passar pela aprovação de 134 órgãos diferentes. Uma sobre saúde pública pode envolver 1.385 “instâncias de decisão”. Na educação podem ser 1.036. Na segurança pública, 2.375!" Os fatos libertam, sim, mas quando não são escondidos até mesmo por quem os publica. Infelizmente, eles têm sido ocultados, como mostra Fernão Lara Mesquita, que conclui: "A imprensa nacional está devendo muito mais à democracia brasileira do que tem cobrado aos outros nas suas cada vez mais segregadas páginas de opinião".

O pau que também dá em Francisco

Ele andou se queixando da pressão da imprensa junto a seus familiares. Que está irritado, que dizem inverdades, que precisa ficar se defendendo. Eduardo Cunha? Não. Segundo o Globo, as queixas partiram de Lula em encontro reservado com integrantes da direção nacional do MST. É o pau da Lava Jato dando também em Francisco.

Lula, o muçulmano

Também segundo o Globo, quando questionado sobre as relações com José Carlos Bumlai, Lula respondeu: "Sou muçulmano. Não falo de política aos sábados". O jornal fez questão de esclarecer que o ex-presidente é, na verdade, católico, e que a restrição profissional aos sábados vem da tradição judaica. Mas ao menos o próprio Lula confirmou que as suas relações com o Bumlai passavam pela política. Bom ponto para Sergio Moro desenvolver.

"Cunha deve morrer atirando"

A recente conversa com Roberto Jefferson pode ter rendido a Eduardo Cunha ideias mais fortes do que a "simples" renúncia já vazada para a imprensa. Lauro Jardim, de O Globo, publicou a aposta de Renan Calheiros: "Cunha deve morrer atirando e outras pessoas serão arrastadas para o Petrolão". Há 10 anos, Roberto Jefferson colaborou com o depoimento que lhe rendeu a companhia de outros 24 mensaleiros na cadeia. Eis uma boa meta para o presidente da Câmara dobrar.

Verissimo descreve Lula

Luís Fernando Verissimo deu entrevista ao Estadão sobre o seu novo livro, "As mentiras que as mulheres contam". Leiam uma das suas respostas: Estadão: A mulher mente melhor ou pior que o homem? No que ela se destaca: na criação da mentira ou na forma como conta? Verissimo: Acho que homem mente melhor porque costuma manter uma mentira contra todas as evidências em contrário, e repeti-la até que se torne verdade. O Antagonista acha que Verissimo descreveu Lula perfeitamente.

Lula, o sabatista

Neste momento, 66 mil sabatistas estão confinados aguardando o anoitecer para, às 19h, finalmente abrirem a prova do ENEM. O Antagonista espera que o confinamento do sabatista Lula dure uma dúzia de anos.

Lula agora diz que "delator passa a delatar até a mãe para poder sair da cadeia"


O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") criticou na noite desta sexta-feira (23), durante um um ato pela educação promovido pelo PT, em Salvador (BA), o uso da delação premiada durante as investigações da Operação Lava Jato. Os acordos de delação prevêem que o acusado dê informações sobre delitos cometidos e aponte meios de obtenção de prova, em troca de redução de pena numa futura condenação. "Estamos vivendo um momento excepcional, em que o cidadão é preso e esse cidadão tem a promessa de ser solto se ele delatar alguém. Aí, ele passa a delatar até a mãe, se for o caso, para poder sair da cadeia. O dado concreto é que nós estamos vivendo quase um estado de exceção. (...) A gente não pode permitir que joguem nas nossas costas a pecha daquilo que nós não somos", afirmou Lula. Segundo o ex-presidente, "não dá para a gente ficar vendo ladrão chamar a gente de ladrão. Não dá. Não dá para a gente viver numa sociedade onde as pessoas são condenadas antes de serem julgadas". Durante o discurso, Lula citou o PSDB, principal opositor do governo petista, e afirmou que sente raiva quando vê "corruptos históricos falando de ética". "Obviamente que nós achamos que quem errar neste País tem que pagar. Não defendemos quem pratica corrupção, não. Mas, às vezes, eu vou ficando irritado porque parece que os empresários tinham dois cofres: tinha um cofre do dinheiro bom e um cofre do dinheiro ruim. E parece que o PT só ia no dinheiro ruim. O bom era para o PSDB, para os outros partidos políticos", criticou Lula. Em junho deste ano, ao conceder entrevista nos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff também criticou a delação e afirmou que não respeita delatores. Na ocasião, a petista argumentou que não respeita delatores porque foi presa política durante o regime militar (1964-1985). "Eu não respeito um delator, até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora, a ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês: eu resisti bravamente e até em alguns momentos fui mal interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem de resistir porque, senão, você entrega. Não respeito nenhum, nenhuma fala", disse a presidente na ocasião. Ela disse o que diz sempre, um monte de demências. Não pode comparar ditadura com estado democrático de direito, é simples assim. E a lei da delação premiada, Lei nº 12.850, foi sancionada por ela própria, Dilma Rousseff, em governo petista. 

Lula diz estar "irritado" com acusações sobre a família na Lava Jato


O ex-presidente Lula chegou direto de uma viagem da Bahia na manhã deste sábado (24) para a 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada pela organização terrorista clandestina MST, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Questionado sobre as denúncias feitas no âmbito da Operação Lava Jato envolvendo o empresário e seu amigo pessoal José Carlos Bumlai, Lula desconversou. "Hoje é sábado, eu sou muçulmano e sábado eu não falo de política", disse o ex-presidente, confundindo-se com os judeus, que não trabalham no shabat, que vai do pôr-do-sol de sexta ao anoitecer de sábado. Fernando Soares, o Baiano, disse em seu acordo de delação premiada que Lula se reuniu com Bumlai e o presidente da Sete Brasil para tratar de contratos de navios-sonda. Ele também afirmou que pagou R$ 2 milhões a Bumlai e que o empresário afirmou, na época, que seriam para quitar a dívida de um apartamento de uma nora do ex-presidente. Tanto o petista quanto o pecuarista negam "peremptoriamente" as acusações. Bumlai afirma que os recursos que recebeu do lobista foram um empréstimo para pagar empregados de suas fazendas. Em reunião com a direção nacional do MST durante a feira, Lula desabafou que está muito "irritado" com a citação de seus familiares na Operação Lava Jato. O ex-presidente disse que antes tinha que ficar defendendo o PT e hoje precisa responder também a acusações envolvendo sua família.