sexta-feira, 23 de outubro de 2015

As contas da "housewife"


Em agosto passado, Cláudia Cordeiro Cruz, mulher do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, ofereceu, na residência oficial, um jantar para as esposas de parlamentares do PMDB. Foi um sucesso. Bem à vontade no papel de primeira-dama do Parlamento, Cláudia disse, em tom de brincadeira, que o jantar fazia parte do esforço dela para aumentar seu círculo de amizades, "pois já disseram que no Palácio da Alvorada a vida é muito solitária". As convidadas saíram do jantar tentando digerir o significado da frase de Cláudia. Alguns telefonemas foram suficientes para as mais poderosas concluírem que Cláudia quis, mesmo que com bom humor, dizer que o casal Cunha mirava o maior posto da hierarquia política do país. Soou como se os Cunha estivessem dispostos a furar a fila, o que é considerado pecado mortal na política da capital. Até meados de agosto ainda não havia acusação oficial a Eduardo Cunha. Agora, menos de dois meses depois, a situação é bem diferente. Cunha, Cláudia e uma filha dele estão nas manchetes dos jornais ao lado de cópias de documentos que os mostram como titulares de contas não declaradas em bancos suíços. Em um desses documentos, fornecido às autoridades pelo banco Julius Baer, Cláudia, cuja ocupação declarada foi "housewife", assinou os papéis para abertura da conta. Anteriormente, os bancos suíços revelaram extratos dos cartões de crédito de Cláudia em que apareciam despesas com artigos e serviços de luxo - entre elas o pagamento de uma temporada na famosa academia de tênis de Nick Bollettieri, na Flórida, onde treinou a russa Maria Sharapova e, antes dela, Andre Agassi, Monica Seles e Jim Courier, que chegaram ao primeiro lugar no ranking dos tenistas profissionais. Cláudia foi apresentadora de televisão, culminando sua carreira na Rede Globo, de onde saiu em 2001, depois de trabalhar no Bom Dia Rio, RJTV, Jornal Hoje e no Fantástico. Ela foi casada com Carlos Amorim, um ex-diretor regional da Rede Globo no Rio de Janeiro, e com ele teve uma filha. Cláudia ainda estava na Globo quando conheceu Eduardo Cunha, que presidia a Telerj, empresa do grupo Telebras, estatal de telecomunicações privatizada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Em abril de 2000, coube a Cláudia, ainda apresentadora da Globo e já casada com Cunha, ler a notícia da demissão dele da Companhia Estadual de Habitação por suspeita de irregularidades em contratos. Foi a gota d'água no pote de insatisfação para ela e para a emissora. O papel duplo de apresentadora e mulher de político acabou (mal) no ano seguinte. Ela processou a Globo na Justiça do Trabalho e, em 2010, recebeu da emissora indenização de 3,49 milhões de reais. "É um massacre o que estão fazendo com ela", diz a amiga Fernanda Capobianco, chef de cozinha em Nova York e que já forneceu comidinhas para Mick Jagger e Madonna. Obviamente, sem querer ver seu nome divulgado, outras amigas fazem críticas a Cláudia e, por enquanto, consideram-se "ex". Há três anos, Cláudia abriu uma loja de artesanato e tentou voltar à televisão na Record, onde também trabalhou. A loja fechou e a emissora disse-lhe não. Intensa malhadora, Cláudia sumiu da academia, mas corre na orla - de boné e óculos escuros.

Haddad cogita deixar o PT e flerta com partido de Marina Silva


Em busca da reeleição, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, pode deixar o PT, legenda que enfrenta desgaste por causa de envolvimentos em escândalos de corrupção como o Mensalão e o Petrolão. Haddad iniciou uma série de consultas a conselheiros da política e do mundo acadêmico sobre a possibilidade de abandonar o partido pelo qual foi eleito pela primeira vez, em 2012. Ele nega: "Desminto todas as informações", disse em seu perfil no Twitter. Aliados de Haddad acham que, pelo PT, ele não tem chances de se reeleger. O prefeito também teme que o desgaste do partido por causa das denúncias possa dificultar sua reeleição. Em colaboração premiada, Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, disse que ajudou a quitar dívidas de campanha de Haddad superiores a 2,6 milhões de reais, conforme revelou VEJA. Por enquanto, a opção preferencial de Haddad seria integrar a Rede Sustentabilidade, partido recém criado pela sua ex-colega de ministério Marina Silva. Apesar da pouca estrutura da nova legenda, Haddad está empolgado com as recentes declarações de Marina sobre a necessidade de um novo "campo de esquerda" no espectro político brasileiro. Se for para a Rede, o prefeito de São Paulo seguirá o mesmo caminho de outros ex-petistas que estavam insatisfeitos, como o deputado federal do Rio, Alessandro Molon. A possibilidade provoca calafrios na cúpula petista, que vê na reeleição de Haddad a única chance de se reerguer eleitoralmente. O elo entre Haddad e Marina Silva tem sido a banqueira Neca Setúbal, com quem o prefeito mantém contato desde o período em que ocupou o Ministério da Educação - na mesma época, Marina Silva era ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Algumas semanas atrás ela foi procurada pelo secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita. Isolado no PMDB desde a entrada da senadora Marta Suplicy no partido, Chalita procura outra sigla para se candidatar a vice de Haddad e propôs que a Rede integrasse a chapa do petista. "O Chalita nos procurou e dissemos a ele que buscamos construir uma identidade para o partido a partir de um núcleo programático e que não é o caso, agora, de buscar um arranjo para a eleição em São Paulo", disse o porta-voz da Rede, Bazileu Margarido. Segundo fontes da Rede, ao rejeitar a proposta de Chalita o partido teria sinalizado interesse em ter Haddad como candidato a prefeito no ano que vem e o prefeito autorizou o secretário a prosseguir nas conversas com a banqueira Neca Setúbal. Além de Neca, as consultas de Haddad incluem um grupo restrito de intelectuais e acadêmicos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Nesses círculos reservados, são frequentes as reclamações do prefeito em relação ao PT, especialmente após a condenação do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e os métodos políticos de parte da bancada de vereadores em São Paulo. O flerte do prefeito com os tucanos não se restringe à relação com FHC. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), teria oferecido ao petista a possibilidade de ingressar no PSB. Haddad tinha excelente relação com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em agosto do ano passado. O PT quer segurar o prefeito no partido. Ele administra um dos maiores orçamentos do País e é esperança de renovação dos quadros partidários. Se conseguir se reeleger, ele se credenciaria até para a sucessão de Dilma Rousseff em 2018, avaliam os petistas. Outros entraves passam pela relação direta de Haddad com Dilma Rousseff. O prefeito se queixa da falta de ajuda financeira do governo federal para sua gestão, mas mantém apreço pela presidente, que ele exclui do que chama de "crise ética do PT". Conforme um dos assessores de Haddad, o futuro dele no PT também depende do que vai acontecer com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu "padrinho político" e responsável pela candidatura vitoriosa à prefeitura em 2012. A Operação Lava Jato revela cada vez mais operações suspeitas de pessoas próximas a Lula. A decisão ainda não está tomada. "Não posso fazer isso com o Lula agora", teria dito Haddad. 

Bancos emprestarão US$1 bilhão à Gerdau

A Gerdau está prestes a fechar um empréstimo sindicalizado de 1 bilhão de dólares com um grupo de nove bancos internacionais. Esta linha de crédito, conhecida como ‘revólver’ porque a empresa pode fazer diversos saques dentro do limite estabelecido, é uma espécie de ‘conta garantida’ que as grandes empresas procuram manter junto aos bancos para uso discricionário. O revólver da Gerdau terá um prazo de três anos e substitui outro de 1,5 bilhão de dólares que venceu em meados deste ano. De acordo com bancos, haveria capacidade para mais se a empresa quisesse, mas a renovação está sendo feita em um montante menor porque a Gerdau estava utilizando apenas 800 milhões de dólares da linha anterior; a linha, mesmo quando ociosa, tem um custo para a empresa. A nova linha terá um custo de Libor + 1,55% ao ano. A transação sugere que, apesar do mercado internacional estar fechado à emissão de títulos de empresas brasileiras, os bancos continuam dando crédito para um pequeno grupo de grandes empresas. A Vale fez um revólver há três meses — US$3 bilhões com prazo de cinco anos — a Libor + 0,85%. A operação vai ser concluída na semana que vem e envolve os seguintes bancos, cada um com uma exposição de US$111 milhões: Santander, ABN AMRO, ING, Sumitomo, HSBC, JP Morgan, Citigroup, Bank of America e BBVA.

Dilma é vaiada na abertura dos Jogos Mundiais Indígenas

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada por parte do público que ocupa a arena onde ocorre na noite desta sexta-feira a abertura dos Jogos Mundiais Indígenas. Impaciente pela demora no início da cerimônia, um grupo começou a cantar: "Olê, olê, olá, Dilma Dilma". No mesmo instante, um grupo que estava em outra parte da arquibancada respondeu com uma sonora vaia. Em seguida, o mestre de cerimônia tomou o microfone e deu início ao evento. Mais adiante, discursou: "Índio não vaia, não é o nosso costume. Aqui é celebração. Índio respeita autoridade". A platéia riu e alguns aplaudiram. Dilma, sentada na tribuna de autoridades, não se manifestou. Acompanham a presidente os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), George Hilton (Esporte) e Kátia Abreu (Agricultura), o governador de Tocantins, Marcelo Miranda, e o governador do Piauí, Wellington Dias. Pouco antes da abertura do evento, a presidente levou um susto quando visitava a feira de artesanato indígena, na vila dos Jogos. Dilma caminhava com sua comitiva pelos estandes da feira e, ao chegar ao fim do corredor, conversava distraidamente com um funcionário do evento, quando viu chegar ao seu lado um índio bastante agitado, que foi prontamente contido pela equipe da presidente. Dilma ficou visivelmente assustada, achando que o índio iria partir para cima dela. Mas ele só estava nervoso, porque ela não tinha visitado seus produtos e foi chamá-la para ir até lá. Ao entender o que se passava, Dilma voltou e visitou a exposição do indígena. Depois, Dilma assistiu a uma dança típica. Antes, teve uma reunião com os governadores da nova fronteira agrícola criada em maio por decreto, a Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), e com empresários da região. Acompanham a presidente os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), George Hilton (Esporte) e Kátia Abreu (Agricultura). Depois da abertura dos jogos, Dilma foi jantar na casa de Kátia Abreu na capital tocantinense e em seguida volta para Brasília. 

Ex-diretor e PP receberam R$ 357,9 milhões, diz Janot


Investigações da Lava-Jato apontam que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e a cúpula do PP, receberam, entre 2006 e 2014, R$ 357,9 milhões de dinheiro desviado de contratos de empreiteiras com a estatal. Desse total, R$ 62,1 milhões eram guardados em um “caixa de propinas” administrado pelo doleiro Alberto Youssef. Um dos maiores beneficiados com o esquema de desvios foi o deputado Nelson Meurer (PP-PR). No mesmo período, ele recebeu R$ 29,7 milhões. A quantia foi dividida em 99 repasses de R$ 300 mil mensais. O detalhamento das operações está na denúncia apresentada nesta sexta-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal contra Meurer. Ele é acusado de ter cometido corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, Meurer também obteve, em 2010, “repasses extraordinários” para financiar sua campanha à reeleição na Câmara dos Deputados. Por meio de Youssef, foram entregues R$ 4 milhões ao deputado. Além disso, a construtora Queiroz Galvão transferiu R$ 500 mil a Meurer em dois repasses. Para a Procuradoria Geral da República, era “propina disfarçada de doação eleitoral oficial”. Os dois filhos do deputado, Nelson Meurer Junior e Cristiano Augusto Meurer, teriam contribuído para o recebimento do dinheiro — e, por isso, também foram denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Janot pede que os três devolvam aos cofres públicos R$ 357,9 milhões. E que paguem danos morais à União no mesmo valor, no mínimo. Tudo acrescido de juros e correção monetária. O procurador também pede a cassação de Meurer. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o PP “reitera que não admite a prática de atos ilícitos e confia na Justiça para que os fatos sejam esclarecidos”. Segundo a denúncia, em troca do dinheiro, Meurer e a cúpula do PP trabalhavam politicamente para manter Paulo Roberto Costa no posto. As empreiteiras, por sua vez, concordavam em pagar a propina para garantir a continuidade do cartel de empresas interessadas em celebrar contratos irregulares com a Petrobras. “O montante consistia em propina oriunda do ‘caixa de vantagens indevidas’ administrado pelo doleiro Alberto Youssef em função do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro estabelecido na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, na época ocupada por Paulo Roberto Costa, por indicação do PP (com finalidade predeterminada de locupletação) o qual foi indevidamente mantido no cargo em decorrência do apoio e da sustentação política prestados pelo deputado federal Nelson Meurer, por intermédio da agremiação partidária em questão”, diz a denúncia. Meurer tinha várias estratégias para ocultar o dinheiro. Uma delas era receber grandes quantias em espécie. Ele também recebia dinheiro por meio do Posto da Torre, do doleiro Carlos Habib Chater, primeiro alvo da Operação Lava-Jato. O deputado também realizava depósitos em suas contas bancárias de valores menores, para se esquivar do rastreamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Meurer ainda declarava no Imposto de Renda alta quantia em espécie, para tentar conferir à propina o caráter de licitude. Meurer responde a inquérito no âmbito da Lava-Jato no STF desde março. Se o tribunal aceitar a denúncia, será aberta ação penal e o parlamentar passará à condição de réu. Em depoimentos à Polícia Federal, os deputados do PP negaram a acusação. Nessa fase das investigações, Meurer deverá ser citado para se manifestar sobre o caso. Em seguida, o relator do processo, ministro Teori Zavascki, vai elaborar um voto e apresentá-lo à Segunda Turma do STF para votação. Se a denúncia for rejeitada, o caso será arquivado. O deputado do PP é o quinto parlamentar denunciado ao STF na Lava-Jato. Estão no grupo também o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o senador Fernando Collor (PTB-AL). 

Será o Sérgio Cabral?

No último depoimento que deu ao juiz Sérgio Moro, o doleiro Alberto Youssef entregou detalhes do esquema de propinas do Comperj e citou como um dos beneficiários o então governador do Rio. O doleiro não lembrou o nome, confundiu com Eduardo Campos, mas depois se corrigiu: "Eu me lembro desse contrato das utilidades, eu recebi parte da Odebrecht porque na verdade o Paulo Roberto Costa destinou esses recursos, a maioria desses recursos, para que fosse resolvido um problema com o, na época, governador Eduardo Campos, se não me engano. Eduardo Campos não, é o governador do Rio, o vice-governador era o Pezão, não estou lembrado do nome do governador agora, mas era do governo do Rio de Janeiro.” Youssef, Pezão era o vice de Sérgio Cabral.

Um Teori e duas medidas

Teori Zavascki decretou segredo de Justiça em relação ao inquérito que investiga Eduardo Cunha pela propina de 5 milhões de dólares paga por Júlio Camargo. Ontem, Teori Zavascki negou segredo de Justiça sobre o inquérito que averigua as contas na Suíça do presidente da Câmara. O Antagonista repete que o ideal é não haver segredo nenhum em investigações sobre homens públicos acusados de roubar dinheiro público. Em especial, quando o inquérito em questão é o que envolve navios-sonda e Fernando Baiano, "credor" de José Carlos Bumlai, o amigão de Lula.

Lula corre em sigilo

O Antagonista, como você leu no texto anterior, suspeita que Teori Zavascki tenha decretado o sigilo do segundo inquérito sobre Eduardo Cunha apenas porque ele envolve o navio-sonda Vitória 10000, cujo contrato fraudulento, segundo o delator Eduardo Musa, serviu para quitar as dívidas de campanha de Lula, em 2006. Eduardo Cunha deveria pegar Teori Zavascki no contrapé e exigir que todos os atos desse processo se tornassem públicos.

Fernando Haddad quer deixar o PT

Fernando Haddad está pensando em deixar o PT, diz o Estadão. Seu "entorno acha que, pelo PT, ele não tem chances de se reeleger. O prefeito também teme que o desgaste do partido por causa das denúncias possa dificultar sua reeleição". Ele até já "iniciou uma série de consultas a conselheiros da política e do mundo acadêmico sobre a possibilidade de abandonar o partido pelo qual foi eleito". O PT morreu.

Levy é Barbosa edulcorado

Joaquim Levy é uma versão edulcorada de Nelson Barbosa. Hoje, ele negou que o governo tenha cometido pedaladas em 2015, apesar das provas reunidas pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira, em representação ao TCU. Disse Levy: "Não há pedalada. Nós estamos preparados para evidentemente enfrentar as despesas do passado, que nesse trabalho de reequilíbrio já temos tratado. Ao longo deste ano, nós temos pago as despesas de anos anteriores. Isso é normal, acontece cada vez que se faz um reequilíbrio." De normal, no governo Dilma Rousseff, só a empulhação.

Qualquer partido é melhor do que o PT

Fernando Haddad, depois de abandonar o PT, pode ir para a Rede. Diz o Estadão: "Apesar da pouca estrutura da nova legenda, Haddad está empolgado com as recentes declarações de Marina sobre a necessidade de um novo campo de esquerda no espectro político brasileiro após a crise do PT". Geraldo Alckmin ofereceu-lhe também a possibilidade de se candidatar pelo PSB, o partido para o qual o próprio Geraldo Alckmin pretende migrar, caso não consiga a legenda do PSDB para disputar a Presidência. O fato é que qualquer partido, para Fernando Haddad, é melhor do que o PT.

O PT morre, mas não o petismo

Fernando Haddad quer deixar o PT. Mas vale lembrar a frase de José Serra: "O problema é o que o petismo sobreviverá ao PT". Cuidado, portanto: assim como Marta Suplicy, o prefeito Fernando Haddad pode sair do PT, mas o PT jamais sairá dele.

Haddad à sombra da Lava Jato

Fernando Haddad pode deixar o PT, mas a sombra da Lava Jato não o deixará. Não esqueçam a mensagem ameaçadora de Marcelo Odebrecht, capturada pela PF: "Para Edinho visão da conta toda inclusive o gasto com Haddad".

Quem manda em Hugo Motta?

Hugo Motta, que presidiu a malfadada CPI da Petrobras, contratou os serviços da Popsicle Digital Flavors, empresa que presta serviços de assessoria em marketing político e está registrada em nome de Michell Yamasaki Verdejo. O Globo publicou reportagem mostrando que Verdejo até pouco tempo circulava pelos corredores da Câmara acompanhado de Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha. O Antagonista obteve uma nota fiscal do serviço contratado por Hugo Motta. Reparem que o email de contato de Hugo pertence a Leonardo Picciani, que foi quem o indicou formalmente para presidir a CPI da Petrobras. Picciani era pau mandado de Cunha. Quem manda em Hugo Motta?


A conta é de um, mas o email é de outro

Bumlai não tem acesso à delação

Teori Zavascki negou pedido de José Carlos Bumlai para ter acesso à delação premiada de Fernando Baiano. Assim como fez com Lulinha, o ministro explicou que Bumlai ainda não é investigado e que o acesso aos autos é restrito à defesa dos investigados, PF e MP. Não se preocupe, Bumlai, em breve você poderá consultar toda a delação.

PP também deveria ser extinto

A PGR calculou em R$ 358 milhões o total da propina recebida por Paulo Roberto Costa e o Partido Progressista. O valor consta da denúncia apresentada mais cedo por Rodrigo Janot contra o deputado Nelson Meurer, do Paraná, e seus dois filhos. Eles são acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Do total, R$ 62,1 milhões foram destinados a parlamentares do PP pelo doleiro Alberto Youssef, que realizou ao menos 180 pagamentos. Meurer, por exemplo, recebeu R$ 29,7 milhões em repasses mensais de R$ 300 mil entre 2006 e 2014. Yousseff já disse que PRC recebia 30% de toda a propina destinada ao PP. A PGR quer que os meliantes devolvam tudo. O PP, assim como o PT, foi financiado com dinheiro roubado e deveria ser extinto.

Nenhum petista terá sossego

O deputado federal Zeca do PT, aquele que apresentou José Carlos Bumlai a Lula, foi recebido com protestos no aeroporto de Campo Grande (MS). As manifestações ganham novas formas.


Persona non grata

Dida não desaponta

O Conselho de Administração da Petrobras acaba de aprovar a venda de 49% da Gaspetro, subsidiária da estatal, para a japonesa Mitsui. A conclusão do negócio dependeria apenas de ajustes de "detalhes" entre as duas companhias...

Mundo pequeno

Quem recebeu Henrique Pizzolato na Papuda foi o subsecretário do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, João Carlos Lóssio, que vem a ser irmão da ministra Luciana Lóssio, ex-advogada do PT. João Carlos disse que Pizzolato "chegou tranquilo, recebeu as orientações": "É uma pessoa educada, conversou com a gente". O irmão de Luciana é delegado e filiado ao PSDB.

E não estão falando do déficit nominal

Enquanto o governo tenta "construir" um número para o déficit primário deste ano, os analistas projetam uma tragédia para o déficit nominal de 2016, aquele que inclui o pagamento dos juros da dívida pública. Por causa dos swaps cambiais para tentar segurar o dólar, estima-se, no mercado financeiro, que o déficit nominal pode chegar a bem mais, muito mais, incrivelmente mais, do que 500 bilhões de reais, em vez dos 350 bilhões "construídos" pelo governo.

País perde 95.602 mil postos com carteira assinada em setembro


O mercado formal de trabalho registrou em setembro saldo líquido (diferença entre admissões e demissões) negativo 95.602 de mil empregos — pelo sexto mês consecutivo. Foi o pior o resultado da série do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 23 anos. No acumulado dos nove primeiros meses deste ano foram fechados 657.761 postos com carteira assinada. Nos últimos doze meses, foram fechados 1,2 milhão de vagas. Nos primeiros nove meses de 2014, o saldo era positivo em 904.913. Em setembro, que costuma ser um mês positivo para as contratações, houve demissão generalizada em todos os setores da economia. Serviços foi o segmento que mais demitiu, com saldo negativo de 33.535 postos; em seguida ficaram a construção civil, que fechou 28.221 vagas; comércio (-17.253); indústria de transformação (-10.915) e a agricultura, que eliminou 3.246 empregos. Entretanto, a indústria da transformação foi o setor que mais eliminou postos de trabalho no acumulado do ano, com saldo negativo de 287.472 empregos. Ontem, o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, havia adiantado, sem informar os números, que haveria redução no nível de emprego formal. 

Baía de Guanabara continua um mar de lama e lixo, poluição persiste após 3 bilhões de gastos


Houve um tempo em que a Praia de Tubiacanga, na Ilha do Governador, tinha areia limpa e era um bom local para um mergulho. Hoje o cenário é bem diferente: a areia é um lamaçal, coberto de lixo de todo tipo. E o mar tem águas fétidas, repletas de esgoto. Por causa da lama, do esgoto e do lixo, os pescadores só podem ir para o mar quando a maré enche. São 8,46 milhões de fluminenses que moram em áreas de 15 municípios no entorno da bacia do que, há cinco séculos é chamado de Baía de Guanabara. Decorridos 20 anos da assinatura dos contratos de financiamento do maior programa de saneamento da baía, apenas um quarto do esgoto gerado por moradores da região passa por tratamento em estações. A cada segundo, chegam ao mar aproximadamente 18.400 litros de esgoto doméstico sem qualquer tratamento — três vezes mais em relação à capacidade das oito estações construídas e reformadas desde 1998. Os cálculos foram feitos pelo engenheiro sanitarista Adacto Ottoni, consultor de Meio Ambiente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), a partir de dados do Plano Estadual de Recursos Hídricos, da Cedae e de informações do engenheiro Francisco Filardi, ex-assessor executivo do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG). Duas décadas de PDBG consumiram R$ 2,79 bilhões de dinheiro público — em valores atualizados, segundo a Secretaria estadual de Fazenda e incluindo os R$ 468,6 milhões ainda devidos aos financiadores —, sem que nenhuma meta fosse cumprida, nem de percentual de esgoto, nem de abastecimento de água ou de gestão de lixo. A principal delas era tratar 58% do esgoto lançado na baía em 1999. Hoje, as estações que deveriam aliviar o mar da carga orgânica operam, em média, com metade da capacidade projetada. O programa, que atravessou sete governos, a partir da gestão de Nilo Batista, ainda tira o sono de auditores da Japan International Cooperation Agency (Jica), que financiou o projeto, junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em relatório de junho de 2013, a Jica é contundente: classificou como “insatisfatório” o programa, a pior entre as quatro graduações possíveis. Disse que “o volume de redução de poluentes não ultrapassou 70% do nível planejado”. E que, apesar de estações de tratamento secundário terem sido construídas, a quantidade de esgoto tratado permaneceu em cerca de 30% do previsto. Em meio a renovações de promessas visando aos Jogos de 2016, especialistas avaliam que o caminho para uma baía — que vai sediar as competições de vela — mais limpa ainda é tortuoso. O Tribunal de Contas do Estado fez 42 inspeções no PDBG — a última em 2013. Encontrou irregularidades abundantes, como “incompatibilidade entre serviços estimados e executados”, “cronograma físico-financeiro desatualizado” e “projeto básico inconsistente”. Numa inspeção em 2006, contabilizou 305 contratos vinculados ao programa. Do total, 268 haviam sido concluídos e 17, rescindidos. Vinte ainda estavam em andamento. A Cedae considera que são despoluídos 9.862 dos 19.853 litros gerados por segundo. A empresa usa como base a geração diária de 200 litros de esgoto per capita (a projeção usada pelo técnico do Crea é de 250 litros) e inclui a parcela que vai para o emissário submarino de Ipanema (3.300 litros por segundo). O estudo referendado pelo Crea, porém, excluiu todos os moradores da Zona Sul atendidos pelo emissário, que funciona desde 1977, só considerando, nas projeções de 1994 e 2014, a população cujo esgoto segue para a baía. O presidente da Cedae, Wagner Victer, reconhece que o PDBG enfrentou erros primários, mas alega que a gestão atual colocou em operação as estações de Alegria (2009), Sarapuí (2011) e Pavuna (2014). 

Com dólar alto, gastos de turistas no Exterior caem 47% em setembro

A subida do câmbio está mudando o comportamento do turista. Em setembro, os brasileiros gastaram 47% menos no exterior do que em 2014. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, a queda é de 27,7%. No mês, os turistas brasileiros gastaram US$ 1,2 bilhão pelo mundo, quase metade dos US$ 2,3 bilhões registrados um ano antes. Entre janeiro e setembro, as compras no exterior caíram para US$ 14,1 bilhões em 2015. Já os estrangeiros deixaram por aqui apenas US$ 486 milhões em setembro, exatamente o mesmo valor registrado em 2014. O acumulado do ano, entretanto, está registrando queda. Sem a Copa do Mundo, os gastos de turistas no Brasil recuaram 19%, para US$ 4,3 bilhões.

Governo pretende fechar semana que vem acordo da DRU

Os ministros do PMDB e dos demais partidos da base têm entrado em campo junto a suas bancadas para tentar fechar um acordo e aprovar o projeto que amplia o limite até onde o governo pode usar livremente o que está fixado no Orçamento, a Desvinculação das Receitas da União (DRU). O governo queria ampliar dos 20% atuais para 30% o limite, mas o Legislativo tenta fixar em 25%. Um segundo ponto que muda é o prazo. O governo queria que a nova regra durasse até cinco anos; o Congresso propõe apenas dois anos - o que dá poder ao Congresso diante do Executivo em 2017, quando será necessário mexer novamente na lei. Finalmente, o Congresso quer que o governo tope criar a emenda de bancada impositiva, a exemplo da emenda individual impositiva, reservando 1,2% do Orçamento para este tipo de emenda.

Exclusivo - Romeu Tuma Jr. assina ficha no PTB e concorrerá à prefeitura de São Paulo

Romeu Tuma Junior, delegado aposentado da Polícia Civil de São Paulo, assinou ficha no PTB e será candidato à prefeitura da capital paulista. Tuma Jr. foi Secretário Nacional de Justiça do Ministério da Justiça no governo Lula. Armaram uma arapuca, com denúncia e dossiê fajuto contra ele, e foi defenestrado do governo. Escreveu um livro, "Assassinato de reputações", no qual demonstra como o PT montou uma fábrica para a liquidação moral e política de adversários, com a produção de dossiês fajutos, falsos, que serviam para a abertura de investigações policiais com objetivos políticos. Ele apontou o uso da Polícia Federal como polícia política do PT. E também afirmou que o grande mito da esquerda e do petismo, Lula, no passado tinha servido como informante do Dops paulista, a polícia política na época da ditadura militar, promovendo a delação de companheiros.

Bolsonaro quer se candidatar a prefeito do Rio de Janeiro, e tem fortes chances


Jair Bolsonaro prepara sua candidatura para a prefeitura do Rio de Janeiro no ano que vem. Ele tem densidade política, ideológica e eleitoral. Existe um mito de que a população carioca é de esquerda. Pois Jair Bolsonaro poderá desmentir essa mitologia da esquerda e mostrar que o povo carioca é essencialmente conservador, apesar da aura de libertinagem do Rio de Janeiro. Mais do que isso: Jair Bolsonaro é um político sobre o qual não paira até hoje uma só suspeita de corrupção ou maus hábitos políticos. 

Compra e venda


Enquanto a Hypermarcas vende sua linha de fraldas e parte do grupo para uma empresa alemã, Claudio Bergamo, o CEO da companhia, compra. Bergamo acaba de comprar um terreno de 20 mil metros quadrados na Fazenda Boa Vista , talvez o condomínio mais luxuoso de São Paulo. Segundo os corretores locais, um terreno ali, com essas características, vale R$ 10 milhões. Por Lauro Jardim

O carro vermelho de Thiago Cedraz


Thiago Cedraz , o encrencado filho de Aroldo Cedraz, tem hábitos caros. E gosta de ostentar. Alguns anos atrás, comprou um conversível vermelho. Quando Aroldo ficou sabendo, mandou o filho devolver o carro.

Criminalistas da Lava-Jato discutem se Eduardo Cunha pode ser preso em flagrante


Criminalistas que atuam na Lava-Jato têm discutido a hipótese de Eduardo Cunha ser preso em flagrante, caso o STF entenda que ocultação de divisas e lavagem de dinheiro é um crime permanente. Se o dinheiro ainda está escondido no exterior e continua sendo lavado, significa que o crime ainda está sendo praticado — abrindo a possibilidade de ser preso em flagrante.

O banco PAN pisa no freio

O banco PAN, controlado pelo BTG Pactual e tendo a CEF como sócia, pisou forte no freio do crédito. Motivo: aumento na inadimplência no financiamento de veículos. Por Lauro Jardim 

TCU: relatório duríssimo contra o governo


O clima no TCU para o julgamento das pedaladas é tão turbulento quanto o que havia quando o órgão, de forma inédita, recomendou a rejeição das contas de Dilma Rousseff de 2014. O ministro Vital do Rêgo, que pediu vista de um recurso do governo contra um ponto do acórdão do ministro José Múcio –que manda quitar imediatamente a dívida com bancos públicos – recebeu um relatório duríssimo da Secretaria de Recursos do tribunal. O texto é assinado pelo secretário Sérgio Mendes, que já foi chefe de gabinete de Ayres Britto no STF e do atual presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Esse tipo de parecer costuma ter quatro páginas, em linguajar técnico. O de Mendes tem 30, e não deixa pedra sobre pedra das alegações de defesa do governo.

TCU pode inabilitar ministro do Planejamento


O governo tem um temor adicional no julgamento do TCU sobre as pedaladas fiscais – além da determinação de quitar no ato a dívida com os bancos públicos. É grande o risco de o tribunal condenar à inabilitação para exercer qualquer função pública uma série de autoridades e ex-autoridades do governo Dilma Rousseff. O maior medo é que a lista inclua o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda entre 2011 e 2013. Entre os ministros é dado como certo que o relator do processo, José Múcio, adotará essa pena por oito anos para o ex-ministro Guido Mantega e para o ex-secretário do Tesouro, o Mandrake trotskista gaúcho Arno Augustin, a quem é atribuída a responsabilidade pelo uso indiscriminado das “pedaladas” em 2014. Augustin foi o verdadeiro ministro da Fazenda, despachava quase todos os dias com Dilma e tomava todas as decisões estritamente em conjunto com ela. 

Senado discute suspeita de manipulação no câmbio


O Banco Central, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a AEB, que reúne os exportadores, estarão juntos na mesma mesa da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na próxima terça-feira. Na pauta, um assunto explosivo que vem sendo investigado pelo órgão antitruste desde julho de forma sigilosa: a investigação de cartel que envolve 15 bancos estrangeiros e 30 pessoas por suspeita de manipulação da taxa de câmbio. Nos Estados Unidos, a mesma fraude foi feita com o dólar, e culminou com um acordo no qual os bancos envolvidos pagaram US$ 5,6 bilhões, o equivalente a quase R$ 24 bilhões. Não se tem ainda um número do tamanho da fraude, mas o Cade está convencido de que a manipulação, ocorrida entre 2007 e 2013, é da casa de bilhões de reais. Os maiores perdedores foram os exportadores, pois a manobra teria mantido o real valorizado artificialmente abaixo de R$ 2,00 por um longo período. As grandes empresas do comércio exterior estudam entrar com uma ação contra os bancos tão logo saia uma decisão do Cade.

Nova rota faz explodir tráfico de drogas no Amazonas


Uma nova rota de tráfico para o Brasil, pela fronteira com o Peru, foi descoberta neste ano pela polícia do Amazonas. Como os Estados Unidos passaram a financiar o combate ao plantio e comércio de drogas no norte peruano, os cartéis passaram a plantar coca e maconha na região amazônica e a escoá-la pelo Brasil. Desde o início do ano, mais de nove toneladas de drogas foram apreendidas no Amazonas, quantidade superior à dos seis últimos anos juntos, segundo o secretário da Segurança, Sérgio Fontes, que comandou a Polícia Federal no Estado. A maior parte vem justamente do Peru. Os destinos finais da rota são Rio e São Paulo. O governador José Melo busca reforçar a parceria com a Polícia Federal e as Forças Armadas para aumentar o combate a essas quadrilhas.

Mais um investimento congelado no Brasil


A Styrolution suspendeu o investimento em uma nova fábrica de plástico de tipo ABS usado em produtos da linha branca, previsto para a Bahia. A fabricante inglesa alegou que o “ambiente de mercado e de negócios na América do Sul, especificamente no Brasil, deteriorou-se significativamente”. Pesou também a falta de um acordo de fornecimento de nafta entre a Braskem e a Petrobras. Em abril, pelo mesmo motivo, a polonesa Synthos também congelou seu projeto de produzir borracha para pneus no Rio Grande do Sul. Os dois investimentos somam mais de R$ 1,5 bilhão. Isto faz parte da campanha da Odebrecht para pressionar a Petrobras e obter mais um daqueles contratos "super-especiais" de suprimento de nafta com a petroleira estatal para o Pólo Petroquímico de Triunfo, da Braskem, que pertence à Odebrecht.

Estados Unidos investigam corrupção na PDVSA, petroleira estatal venezuelana


Agências dos Estados Unidos abriram investigações sobre casos de corrupção e desvio de dinheiro da companhia petroleira estatal venezuelana PDVSA, reporta nesta sexta-feira o jornal The Wall Street Journal. "Autoridades dos Estados Unidos lançaram uma série de investigações para saber se políticos venezuelanos utilizaram a PDVSA para desviar bilhões de dólares do país através de subornos e outros mecanismos", informou o jornal, que mencionou como fontes "pessoas próximas ao assunto". De acordo com o jornal, as investigações também pretendem "determinar se a PDVSA e suas contas bancárias no Exterior foram utilizadas para fins ilegais, incluindo operações de câmbio paralelo e lavagem de dinheiro proveniente de drogas", durante o governo de Hugo Chávez (1999-2013). O jornal americano informa que um dos dirigentes venezuelanos investigados seria Rafael Ramírez, ex-ministro de Energia, ex-presidente da PDVSA e atual embaixador de seu país nas Nações Unidas. Após tomar conhecimento da reportagem, Ramírez publicou uma série de mensagens no Twitter ironizando sobre as investigações. "Esses ataques, longe de nos submeter, nos fortalecem e nos mantém firmes no combate. Viva Chávez!", disse ele em uma delas. A Petróleo de Venezuela S. A., mais conhecida como PDVSA, é a maior empresa do país e praticamente sustenta a economia venezuelana com suas exportações. A empresa provê 96% das divisas do país, mas sua produção vem caindo desde o ano passado. Se não bastasse, os inúmeros casos de corrupção denunciados pelo que resta da imprensa independente da Venezuela, a menor produção, o alto consumo interno e queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional estão fazendo a companhia ter dificuldade de fechar duas contas e dar lucros satisfatórios. "A PDVSA vem tendo problemas financeiros, operacionais e de corrupção. Há um mau gerenciamento da empresa em parte porque ela ficou em função do projeto político do chavismo e também por ter se encarregado de outras tarefas, como a importação e distribuição de alimentos subsidiados", explicou o economista e consultor de assuntos petroleiros, Orlando Ochoa. O economista argumenta que a estatal petrolífera sai prejudicada da política de controle cambial, com três taxas oficiais e uma no mercado negro, assim como da "petrodiplomacia" implantada pelo governo, com envios de petróleo a países aliados.

Eduardo Cunha teve à disposição uso de heliponto da Petrobras, aponta investigação


Além de determinar o bloqueio e sequestro do dinheiro mantido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em contas bancárias na Suíça, o Supremo Tribunal Federal quebrou o sigilo dos documentos com o aditamento da denúncia contra o parlamentar, feito pela Procuradoria-Geral da União. Há, em vários volumes de documentos, a transcrição de delações de investigados na Operação Lava Jato, resultados de auditorias internas concluídas pela Petrobras antes mesmo da deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014, e até detalhes que indicam a relação estreita entre Eduardo Cunha e Jorge Zelada, ex-diretor da área Internacional da petroleira. Zelada foi preso durante as investigações e foi declarado réu em agosto deste ano, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em setembro, o ex-gerente da Área Internacional da Petrobras, Eduardo Musa, afirmou em delação premiada que cabia a Eduardo Cunha dar a "palavra final" nas decisões da diretoria Internacional - na época, comandada por Zelada. O ex-diretor, apontado como cota do PMDB na divisão das diretorias da estatal, autorizou, em 2010, a utilização das instalações da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, em um domingo, para que Eduardo Cunha pudesse embarcar em um helicóptero. A cópia do e-mail passado por Elizabeth Taylor, secretária do então executivo, anexada ao processo, comunica à segurança do prédio a permissão de uso da garagem e do heliponto do edifício pelo deputado federal Eduardo Cunha e pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no dia 12 de setembro de 2010, um domingo de campanha eleitoral. Os dois embarcariam em um helicóptero entre 10h45 e 11 horas. Eduardo Cunha nega que tenha de fato feito uso do favor. Estão também anexados ao processo documentos internos da Petrobras com resultado de uma auditoria aberta para apurar denúncias de irregularidades em contratos internacionais feitos nas gestões de Nestor Cerveró - também preso na Lava Jato - e Zelada. O relatório final da comissão é datado de 25 de outubro de 2013, cinco meses antes da deflagração da Lava Jato. E confirma que o engenheiro João Augusto Henriques, lobista que em delação premiada revelou ter repassado recursos de propina para contas na Suíça que tinham Eduardo Cunha como beneficiário, mantinha influência e poder de negociação com os executivos da Petrobras. "A possibilidade de que o Sr. João Augusto tenha exercido influência e atuado como intermediador de negócios de responsabilidade da área Internacional se sustenta pela confirmada proximidade com vários empregados que ocupavam posições chave naquela área". Especificamente em relação às práticas adotadas por Zelada, a conclusão da auditoria é de que ele "criou ambiente favorável para que os negócios celebrados tivessem não conformidades detectadas pela Auditoria". Em julho de 2014, Zelada passou a ser investigado pela Lava Jato. De acordo com o inquérito policial, ele teria "favorecido a empresa Odebrecht em processos de licitação quando era diretor Internacional da companhia petrolífera brasileira".

Bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato chega ao Brasil e já está preso na Papuda; Ministério Público irá processá-lo por lavagem de dinheiro e uso de documento falso


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou nesta sexta-feira que o Ministério Público Federal quer processar o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro e grande covardaço Henrique Pizzolato por dois novos crimes - uso de documento falso e lavagem de dinheiro. A abertura de um novo processo depende de aval da Itália porque a extradição foi autorizada apenas por causa da condenação no julgamento do Mensalão do PT. A acusação de lavagem contra Pizzolato está sob sigilo. Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, Pizzolato foi preso depois de uma fuga hollywoodiana que começou na Argentina, passou pela Espanha até chegar à cidade italiana de Maranello, sede da Ferrari. Na sequência, protagonizou uma batalha jurídica para barrar o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro. Ele chegou a Brasília na manhã desta sexta-feira e já foi levado para o presídio da Papuda, onde cumprirá a pena. "Gostaria de reafirmar que a Itália extradita, sim, italianos, e é a primeira vez que a Itália extradita um italiano para o Brasil. Esse precedente é muito importante porque em outras extradições em países europeus existe questionamentos sobre a qualidade dos presídios brasileiros. Esse precedente será muito positivo para extradições futuras", disse o procurador-geral Rodrigo Janot. Na tentativa de barrar a extradição ao Brasil, a defesa de Pizzolato alegou que enviá-lo aos presídios brasileiros violaria os direitos humanos, já que o sistema carcerário não teria condições mínimas de recebê-lo por terem péssimas condições. "Mandamos um recado muito claro para as pessoas que cometem ilícitos. Se o crime hoje é organizado e muitas vezes não respeita fronteiras, as decisões judiciais agora valem também além das fronteiras dos respectivos países nacionais, seja para aqueles que fogem, seja para quem esconde valores e bens no exterior", completou. Em 2007, o bandido petista mensaleiro Pizzolato falsificou carteira de identidade, CPF, título de eleitor e dois passaportes - um brasileiro e outro italiano. Os documentos foram forjados em nome de Celso Pizzolato, irmão do mensaleiro morto nos anos de 1970. O passaporte italiano falso permitiu a fuga do criminoso de Buenos Aires para Barcelona. Em fevereiro do ano passado, a Polícia Federal havia instaurado inquérito para apurar como foi feita a falsificação do passaporte brasileiro em nome de Pizzolato e começou na época a averiguar os episódios de falsidade ideológica, já que ele se passou pelo irmão morto no posto de imigração na cidade catarinense de Dionísio Cerqueira, antes de atravessar a fronteira para a Argentina. Na rota de fuga das autoridades brasileiras, um dos principais erros de Pizzolato ocorreu no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires. Antes de embarcar para Barcelona, ele precisou tirar uma foto e registrar suas impressões digitais na Polícia Federal argentina. Uma perícia policial feita na sequência atestou que o passageiro que pretendia viajar era Henrique Pizzolato. Ele foi preso em 5 fevereiro de 2014, solto em 28 de outubro de 2014 e preso de novo em 12 fevereiro de 2015. Na disputa para barrar a extradição, foram 18 meses de prisão em cárcere italiano, tempo que agora vai ser deduzido da pena total do mensaleiro. Henrique Pizzolato passa a ter direito à progressão para o regime semiaberto a partir do dia 23 de junho de 2016. Ou seja, o bandido petista mensaleiro ficará na cadeia apenas oito meses. Daí a pergunta: por que o bandido petista fugiu, fez tanto esforço, se ficará tão pouco tempo na cadeia? Qual a sua razão para tanto medo? Depois da extradição de Pizzolato, o Ministério Público pretende agora cobrar de Pizzolato os valores gastos pelas autoridades brasileiras com viagens, tradução de documentos e despesas em geral no processo judicial que permitiu que ele fosse enviado de volta ao Brasil. Ao todo, essa cobrança deverá ser de 170.000 reais. Paralelamente, o Ministério Público tentará ainda a repatriação de 113.000 euros que estavam em posse do ex-diretor do Banco do Brasil quando ele foi preso na Itália. O bandido petista mensaleiro foi trocado pelas autoridades italianas por um mafioso da Itália que estava vivendo escondido no Brasil há vários anos. 

Dilma veta aposentadoria compulsória no serviço público aos 75 anos


A presidente Dilma Rousseff vetou o projeto de lei que previa a aposentadoria compulsória de servidores públicos aos 75 anos, informou o Diário Oficial da União nesta sexta-feira. Na justificativa para o veto, o governo afirma que a aposentadoria de servidores públicos da União é tema de iniciativa privativa do presidente da República, o que significa que o projeto de lei complementar contraria a Constituição. "Por tratar da aposentadoria de servidores públicos da União, tema de iniciativa privativa do presidente da República, o projeto contraria o disposto no art. 61, parágrafo 1º, inciso II, da Constituição", sustenta a mensagem. De autoria do senador José Serra (PSDB-SP), o projeto foi aprovado pelo Senado no final de agosto deste ano e amplia em cinco anos o afastamento obrigatório por idade do servidor público do Executivo, Legislativo e do Judiciário, além do Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunais de Contas. Hoje, o servidor público é obrigado a se aposentar aos 70 anos. Apesar do argumento de inconstitucionalidade apresentado para o veto, o Supremo Tribunal Federal decidiu neste mês que a possível sanção do projeto por Dilma não infringiria a Constituição.

Donos das Casas Bahia culpam e-commerce por vendas fracas em lojas


A família Klein enviou uma carta ao conselho de administração da Via Varejo (dona das redes Casas Bahia, Ponto Frio e Bartira) em que pede que a companhia reveja a política de preços de venda on-line sob o argumento de que ela prejudica os negócios das lojas físicas. A Via Varejo terminou o terceiro trimestre com queda de 24,6% nas vendas em lojas abertas há mais de um ano, na comparação com igual período de 2014. No ano já foram fechadas 42 lojas. Fundadores das Casas Bahia (hoje Via Varejo), os Klein venderam parte da empresa ao GPA (Grupo Pão de Açúcar). São donos de 27,3% do total das ações da Via Varejo. Outros 43,3% estão com o GPA e 29,3% pertencem a acionistas minoritários. O documento, encaminhado na última terça-feira ao presidente do conselho da Via Varejo, Ronaldo Iabrudi, cita o descumprimento de um acordo comercial feito entre a Via Varejo e a Cnova - empresa do grupo francês Casino (controlador do GPA), que é responsável pelas operações dos sites extra.com.br, pontofrio.com casasbahia.com.br e cdiscount.com.br. Em maio de 2014, a Cnova e a Via Varejo fizeram um acordo para regular os termos e as condições de relacionamento entre as duas empresas, estratégias das atividades de comércio eletrônico e lojas físicas, além da busca de sinergias - como otimizar o uso de centro de distribuição. O problema é que, do lado dos Klein, o entendimento é que a Via Varejo usa seu poder de compra para negociar bons preços para lojas físicas e no comércio eletrônico. Mas, na hora de vender aos consumidores, o e-commerce vende por menos - o que faz com que as lojas físicas percam vendas. O extra.com.br foi citado como um dos sites que vendem por preços menores - inclusive abaixo dos sites das Casas Bahia e do Ponto Frio. A assessoria da família Klein confirma a entrega da carta, mas prefere não se pronunciar sobre o assunto, que foi incluído na pauta da próxima reunião do conselho de administração da Via Varejo, prevista para a próxima semana. Em comunicado enviado ao mercado, a Via Varejo disse que "lamenta profundamente que discussões nos órgãos societários sobre assuntos estratégicos não sejam tratadas com a devida confidencialidade".

Dono da Zara ultrapassa Gates e é homem mais rico do mundo


O espanhol Amancio Ortega, cofundador do grupo Inditex (Zara) é, pela primeira vez, o homem mais rico do mundo, segundo a lista Forbes atualizada, que avalia sua fortuna em 78,8 bilhões de dólares. A nova posição de Ortega na lista, que se atualiza de forma periódica, se deve à valorização das ações de suas empresas em bolsa. O empresário espanhol fica assim na frente do cofundador da Microsoft, Bill Gates (78,1 bilhões de dólares), e do magnata do setor de comunicação Warren Buffett (64,4 bilhões de dólares). Eles são seguidos na lista das maiores fortunas do mundo pelo mexicano Carlos Slim (62,5 bilhões de dólares), pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos (49,9 bilhões de dólares), e pelo criador da Oracle, Larry Ellison (47,6 bilhões de dólares).

Arrecadação cai pelo sexto mês e tem pior setembro desde 2010


Com a crise econômica afetando a atividade econômica e o pagamento de impostos, a arrecadação de tributos pela Receita Federal registrou queda pelo sexto mês consecutivo. Dados divulgados pelo órgão mostram que o recolhimento de impostos e contribuições federais somou 95,23 bilhões de reais em setembro, uma queda real (descontada a inflação) de 4,12% na comparação com o mesmo mês de 2014. Em relação a agosto, houve um aumento de 1,06% na arrecadação. Foi o pior desempenho para meses de setembro desde 2010, quando as receitas somaram 90,49 bilhões de reais. A arrecadação veio dentro do intervalo das estimativas, de 88,90 bilhões a 97,60 bilhões de reais, mas abaixo da mediana de 93,85 bilhões de reais. De janeiro a setembro, período de Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda, a arrecadação federal somou 901,05 bilhões de reais, um recuo de 3,72% na comparação com o mesmo período do ano passado. O valor é o menor para o período desde 2010, quando o resultado acumulado até o nono mês do ano foi de 825,43 bilhões de reais. A queda na arrecadação é um dos motivos para a redução da meta fiscal deste ano que está sendo preparada pela junta orçamentária composta pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Jaques Wagner. As desonerações concedidas pelo governo resultaram em uma renúncia fiscal de 79,49 bilhões de reais entre janeiro e setembro, valor 10,16% superior ao mesmo período do ano passado. Em setembro, as desonerações concedidas pelo governo totalizaram 7,89 bilhões de reais, 1,35% menor do que no mesmo mês de 2014. A desoneração de folha de pagamento custou 2,01 bilhões de reais em setembro e 18,11 bilhões de reais nos nove primeiros meses do ano. A redução do benefício é uma das mais polêmicas medidas adotadas pela nova equipe econômica durante o ajuste fiscal. O governo federal arrecadou ainda 1,85 bilhão de reais com o Refis no mês passado, programa de parcelamento concedido através da lei 12.996 de 2014. A arrecadação com o programa nos nove primeiros meses do ano foi de 9,54 bilhões de reais.

Governo vai assumir rombo de R$ 70 bilhões no Orçamento

O governo vai contabilizar no Orçamento de 2015 a regularização do estoque de pedaladas fiscais — atrasos nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para bancos públicos — calculado em R$ 40 bilhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Com isso, será encaminhada nesta sexta-feira ao Congresso uma proposta de alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevendo para este ano um déficit primário em torno de R$ 70 bilhões, ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no País).


O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, informou ao GLOBO que as pedaladas entrarão no resultado de uma só vez, porque o governo recebeu uma sinalização do Tribunal de Contas da União (TCU) de que não seria aceito um pagamento parcelado. O Tesouro Nacional defendia que o acerto do passivo fosse feito em um prazo de três anos. — O governo recebeu uma sinalização agora à noite de que o TCU não vai permitir o parcelamento, e, então, prevaleceu a posição de incluir todas as pedaladas no Orçamento de 2015 — disse Wagner. Mais cedo, o ministro havia informado que o projeto seria enviado ao Legislativo prevendo um déficit de R$ 50 bilhões e que não traria o pagamento das pedaladas. Esse era o saldo estimado considerando apenas a frustração de receitas do ano. O acerto das contas com os bancos públicos foi uma recomendação do TCU, que considerou essas manobras irregulares. O governo recorreu e ainda aguarda um posicionamento oficial da Corte. No entanto, os ministros indicaram ontem que a solução deveria ser dada de uma só vez. O valor que deverá ser contabilizado foi estimado pelo Tribunal em R$ 40 bilhões, mas cerca de R$ 5 bilhões já foram quitados. A proposta que estava sendo fechada na quinta-feira altera a meta fiscal de 2015 de um superávit de R$ 8,7 bilhões (ou 0,15% do PIB) para um déficit de R$ 50 bilhões. No entanto, ela também trará uma cláusula de abatimento pela qual o resultado negativo poderá ser maior em função do cumprimento de uma determinação do TCU e da frustração adicional de receitas. O déficit de 2015 é resultado de uma grande frustração de receitas, inclusive extraordinárias. Segundo Wagner, o governo retirou de sua expectativa de arrecadação, por exemplo, R$ 11 bilhões que eram esperados com leilões de concessão de usinas hidrelétricas que não renovaram seus contratos em 2012. — Não sabemos se vai se concretizar ou não. Se entrar alguma coisa (do leilão), ótimo, o rombo será menor. Esta será a terceira vez que o governo altera a meta fiscal de 2015. Originalmente, era de R$ 143,2 bilhões, ou 2,5% do PIB. No entanto, quando a equipe econômica do segundo mandato assumiu, ainda em dezembro, ela foi alterada para R$ 66,3 bilhões, ou 1,2% do PIB. Com a arrecadação em queda livre e despesas engessadas, o governo foi obrigado, em julho, a propor mais uma mudança da meta, que foi fixada em R$ 8,7 bilhões, ou 0,15%. Esse valor nem chegou a ser votado pelo Congresso, mas o governo já se vê obrigado a mudar o texto novamente, uma vez que as receitas continuaram a cair ao longo do ano. A meta de 2016 deve ser mantida em 0,7% do PIB. A presidente Dilma Rousseff já pediu aos ministros da Junta Orçamentária (Fazenda, Planejamento e Casa Civil) que estudem algum mecanismo de flexibilização — como uma cláusula de abatimento — de modo que não seja preciso ficar revendo os números do ano que vem. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no entanto, tem um plano ousado. Ele defende que algumas receitas extraordinárias que estavam previstas para 2015 não sejam contabilizadas no Orçamento de 2016. Assim, caso elas ingressem nos cofres públicos, serviriam apenas para elevar o resultado fiscal do ano que vem.

Grande banco suiço aposta em recessão e real fraco

O Lombard Odier, um dos maiores bancos suíços e da Europa, concluiu no relatório de “estratégia de investimentos” de outubro que o maior problema econômico do Brasil é, na verdade, político. Segundo o relatório, Dilma não tem força para angariar apoio para implementar as reformas necessárias para tirar o Brasil da crise. E pior: a expectativa suíça é de que a recessão da economia perdure “por algum tempo”. Para o Lombard Odier, a recessão da economia brasileira vai continuar e deve contar com a desvalorização (ainda maior) do Real. Segundo o relatório do Lombard Odier, há um problema estrutural no Brasil: 90% do orçamento só pode ser alterado através de leis. De acordo com a estratégia de investimento suíça, o Brasil tem taxa de crescimento da dívida interna que preocupa investidores estrangeiros. Lombard Odier concluiu: apesar de commodities, o déficit no orçamento e o preço do petróleo devem ser devastadores para a economia.

Bumlai e as garantias do BNDES

José Carlos Bumlai não precisa ser acordado porque passou a noite em branco. Além de ser investigado pela propina que recebeu de Eike Batista, em sua sociedade com Lula e Fernando Baiano, ele tem de escapar dos credores. Diz o Valor: "A Justiça do Mato Grosso do Sul deve decidir nas próximas semanas se decreta ou não a falência da Usina São Fernando, controlada pelo empresário José Carlos Bumlai. O pedido foi feito pelo maior credor da empresa, o BNDES, que tem a receber mais de 300 milhões de reais, um quarto da dívida da São Fernando, estimada em 1,2 bilhão de reais". A melhor garantia que José Carlos Bumlai ofereceu ao BNDES foi sua sociedade com Lula?

Ladrão!

Lula disse: "Gente que roubou não pode chamar petista de ladrão". E quem não roubou? Pode?

Orgulho petista

Lula também pediu que "os petistas voltem a ter orgulho do PT". O problema é que eles nunca deixaram de ter orgulho.

Se vale para Cunha, deverá valer para Lula

Teori Zavascki negou o pedido de segredo de Justiça sobre os inquéritos contra Eduardo Cunha e familiares. O Antagonista espera que o mesmo critério seja aplicado quando chegar a hora de Lula e sua família.

A trincheira petista

O PT conseguiu barrar a convocação de José Carlos Bumlai pela CPI dos Fundos de Pensão. O pedido havia sido feito pelo deputado Marcus Pestana, mas a tropa de choque petista, comandada por Paulo Teixeira, um dos dois candidatos do partido ao cargo de José Eduardo Cardozo, manobrou para tirar o item da votação. José Carlos Bumlai é a última trincheira antes de Lula. Quando ele cair, Lula também cai.

Felizmente para Paulo Teixeira

O deputado Paulo Teixeira, candidato a ministro da Justiça, tem dito que, na lei brasileira, não consta "pedalada" como crime. Pois é, na lei brasileira, também não constam "mensalão" e "petrolão" como crimes. E, felizmente para Paulo Teixeira, nem cinismo.

Marcelo Odebrecht continuará preso

Marcelo Odebrecht continuará preso. Teori Zavascki negou a extensão do habeas corpus que foi concedido a Alexandrino Alencar, o "doador" da empreiteira.

O Direito nacional pede socorro

Vamos repetir uma parte do pedido de habeas corpus feito pela defesa de Marcelo Odebrecht, negado por Teori Zavascki: "O requerente pede socorro! A higidez do sistema pede socorro! O Estado Democrático de Direito pede socorro! Os Direitos Humanos pedem socorro! E do Supremo Tribunal Federal espera-se a concessão de habeas corpus de ofício, no ponto, para cassar-se o terceiro teratológico decreto de prisão preventiva." É, de fato, uma das peças mais patéticas já produzidas pelo Direito nacional.

Cunha agora tenta defender Dilma

Eduardo Cunha, no seu jogo pendular, hoje tentou defender Dilma Rousseff, dizendo que ela pode não ser responsável pelas pedaladas -- um evidente absurdo. O Globo publicou a fala do deputado, sem consertar a sua sintaxe peculiar. Ei-la: "Estão dizendo que há indícios disso (das pedaladas em 2015), tanto que o governo procura forma de consertar até o final do ano e pagar o que está pendente. Outra coisa é o efeito do pedido de impedimento. Ali, tem que ter a tipificação do ato que possa ter gerado o descumprimento da lei. O fato de ter existido a pedalada não significa que pode ter havido ato da presidente. Pode ser feito por vários motivos, por outras circunstâncias. Falo em tese." E mais: "O fato por si só não significa que isso seja razão de pedido de impeachment. Tem que configurar a atuação da presidente no processo, de que descumpriu a lei. Pode existir a pedalada e não a motivação do impeachment. Por exemplo, se os bancos públicos se juntaram e não pagaram. Aí a responsabilidade é dos bancos. Não se pode tirar conclusão precipitada. É preciso muita cautela." Eduardo Cunha, só uma dica: os bancos públicos ficaram credores da União, e não o contrário. Essas foram as pedaladas. E a Lei de Responsabilidade Fiscal veta que o Tesouro deixe bancos públicos na mão.

Collor: outra vez veloz e furioso

O Globo noticia que "o ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato autorizou que o próprio senador Fernando Collor seja o fiel depositário dos carros de luxo que foram apreendidos na casa do parlamentar em decorrência da operação da Polícia Federal. Estão na frota uma Ferrari, um Bentley, um Land Rover e uma Lamborghini. O Porsche Panamera ainda não foi liberado, mas isso poderá acontecer quando a empresa que é oficialmente dona do carro, a GM Comércio de Combustível, enviar uma autorização ao STF." Fernando Collor poderá voltar a ser veloz, além de furioso.

Teori sequestra dinheiro de Cunha

Teori Zavascki decretou o sequestro do dinheiro que Eduardo Cunha mantinha em contas na Suíça. São R$ 9 milhões a menos no patrimônio amealhado pelo peemedebista em sua brilhante carreira política. É gorjeta.

Cerveró registrava propina em tabela

O delator Eduardo Musa contou à força-tarefa da Lava Jato que Nestor Cerveró mantinha na Diretoria Internacional uma tabela com a divisão da propina. Quem lhe apresentou a planilha de pagamentos ilícitos foi Luis Carlos Moreira, ex-gerente da área. Na tabela da propina, estavam listadas a refinaria de Pasadena e as sondas Petrobras 10.000 e Vitória 10.000, com os pagamentos associados a "apelidos". O de Cerveró era "lindinho".


"Lindinho" foi indicação do petista Delcídio Amaral

Lulinha não consegue acesso à delação

Teori Zavascki negou pedido de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para ter acesso à delação premiada do lobista Fernando Baiano. Na petição, o filho de Lula diz ter sido "surpreendido" com a acusação de que Fernando Baiano teria pago R$ 2 milhões a ele, conforme noticiado por O Globo. O ministro explicou que a delação tramita sob sigilo e está disponível apenas para a defesa de investigados, PF e MP. Não se preocupe, Lulinha, em breve você poderá ter acesso.

Bumlai viajou

José Carlos Bumlai submergiu após o surgimento do seu nome na Lava Jato. O Antagonista foi informado de que ele viajou para Miami esfriar a cabeça. Aproveite sua liberdade, Bumlai.

Fontes do TCU negam notícia do Jornal Nacional

As fontes do Antagonista no TCU negam que o tribunal tenha determinado que o governo pagasse os 40 bilhões de reais que deve aos bancos públicos, conforme noticiou o Jornal Nacional.

Dr Hélio, Bumlai e a Quinta (Parede)

Em agosto, publicamos aqui que Dr. Hélio era o prefeito quando José Dirceu e Lula organizaram evento em Cascais para "internacionalizar o Polo de Alta Tecnologia de Campinas", dirigido por velho amigo de Dirceu do exílio cubano, o ex-guerrilheiro Luis Carlos da Rocha Gaspar. Nosso post falava da suposta Quinta de Lula na freguesia de Paredes, em Cascais, Portugal. Faltou a menção a Bumlai.

Janot investigou o passado de Cunha

Quando começou a investigar Eduardo Cunha por seu envolvimento no petrolão, Rodrigo Janot pediu o desarquivamento do processo contra Cunha referente ao escândalo da Cehab (a companhia de habitação do Rio), caso que se arrastava desde 2006 e fora arquivado em janeiro. Não há justificativas no pedido de desarquivamento, feito em maio. Em agosto, Janot devolveu os autos sem manifestação.