terça-feira, 20 de outubro de 2015

"O fígado de Silva foi retirado, assado e ingerido"

Enquanto Brasília adiar o Brasil, o Brasil não cancelará a barbárie. Depois de dois anos de investigações, autoridades maranhenses concluíram que houve canibalismo no presídio de Pedrinhas, a casa dos horrores no reino dos Sarney. Leiam um trecho da reportagem da Veja.com: 
"Edson Carlos Mesquita da Silva foi morto a facadas pelos companheiros de cela Geovane Sousa Palhano, o Bacabal; Samyro Rocha de Souza, o Satanás; Joelson da Silva Moreira, o Índio, que já está morto; e um homem não identificado, que consta nos autos como 'Indivíduo X'. O corpo foi, então, esquartejado em 59 pedaços. As partes foram banhadas com sal, para retardar a decomposição da carne e disfarçar o odor, e espalhadas pelo presídio. Depois, o fígado de Silva foi retirado, assado na brasa e ingerido pelo grupo. De acordo com o promotor, a ação foi orquestrada pelos líderes da facção Rones Lopes da Silva, o Rony Boy; e Enilson Vando Matos Pereira, também conhecido como Matias ou Sapato."

"Vai continuar exatamente do jeito que está"

Eduardo Cunha disse que nada ia mudar e estava certo. Apesar de todas as denúncias, Cunha segue presidindo os trabalhos e hoje até almoçou com líderes da base do governo, que aceitaram seu convite para debater a pauta legislativa. Deputados que foram ao almoço, segundo a Folha, confirmaram conversas sobre votações da semana, a instalação de novas CPIs e até o esboço de um reforma da Previdência. Cunha sequer foi questionado sobre as contas na Suíça. "Está claro para os líderes que essa documentação tem que chegar à Câmara oficialmente, ao Conselho de Ética, aí vamos decidir o que fazer. Se não a gente fica especulando sobre documentos que ninguém viu", disse Celso Russomano. Ninguém viu, viu?

Toffoli prepara-se para dar um golpe no TSE

Na semana passada, Dias Toffoli, presidente do TSE, pediu a Dilma Rousseff que se manifestasse sobre a eventual indicação do ministro Gilmar Mendes para a relatoria da ação de impugnação do seu mandato eleitoral, movida pelo PSDB. Mais um absurdo ululante na selva petista. Como selva é selva, e nela não há limites para os absurdos ululantes, Dilma Rousseff respondeu que preferia como relator o ministro Luiz Fux. Por quê? Porque Luiz Fux quer unir todas as ações de impugnação numa só (há quatro no total) e cortar as pernas de todas elas, como se fossem farinha do mesmo saco, embora a do PSDB tenha as premissas mais consistentes. Diligentemente, Dias Toffoli prepara-se para ungir Luiz Fux relator e, assim, livrar Dilma Rousseff de ter o mandato cassado pelo TSE por fraude na campanha e abuso do poder econômico e político - tudo fartamente documentado. Ministro Toffoli, o nome disso é golpe.

Governo reconhece que cometeu crime contra a LRF

Leiam o que O Globo publicou: "A equipe econômica ainda discute a forma de limpar as contas públicas do efeito das pedaladas fiscais (atraso no repasse de recursos devidos aos bancos públicos). Se optar por zerar as pedaladas ainda este ano, para atender recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), terá que assumir um déficit no Orçamento superior a R$ 50 bilhões, segundo cálculos dos técnicos. A revisão da meta fiscal de 2015 será encaminhada ao Congresso nesta quarta-feira, mas ainda estão sendo negociados mecanismos para regularizar os atrasos sem um impacto tão grande no resultado primário do governo este ano. "Podemos ter um déficit acima de R$ 50 bilhões, dependendo das frustrações das receitas e dos pagamentos das "pedaladas", disse uma fonte da equipe econômica. Não é uma notícia apenas econômica, como faz crer o título dado pelo jornal ("Para zelar pedaladas, governo terá de assumir déficit acima de 50 bilhões de reais"). Trata-se, e principalmente, de notícia política, cujo título deveria ser "Governo reconhece que cometeu pedaladas", ou "Governo reconhece que cometeu crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal", ou "Governo reconhece que Dilma cometeu crime de responsabilidade". Quando ao fato de "limpar as contas públicas do efeito das pedaladas fiscais", O Antagonista pergunta: um criminoso que limpa a cena do crime torna-se menos criminoso?

Mais 45 dias para Dilma

O Estadão noticia que Renan Calheiros decidiu dar 45 dias para o governo defender-se do relatório do TCU que rejeitou as contas de Dilma Rousseff. O pretexto, segundo o jornal: "abrir um espaço para que o governo apresente o 'contraditório' evitando-se dessa forma possíveis contestações no Supremo Tribunal Federal, que possam suscitar a nulidade do processo que deverá tramitar na Comissão Mista do Orçamento. Renan Calheiros poderia dar seis meses e, ainda assim, o governo apelaria ao STF, com aquele Adams tartamudeando as mesmas bobagens, não importa o foro. O mais insuportável dessa gente é que eles realmente acham que podem enganar todo mundo o tempo todo.

O "cobrador" de Paulo Roberto Costa

O Estadão noticia que Fernando Baiano relatou que funcionava como "um cobrador" para Paulo Roberto Costa: recebia "valores em espécie" e emprestava as suas contas no exterior para o ex-diretor depositar as propinas. De acordo com o jornal, "foram 'mais de vinte depósitos no exterior, no interesse de Paulo Roberto Costa', entre 2007 e 2011". Isso faz supor que Paulo Roberto Costa, de fato, escondeu da Lava Jato o real montante da fortuna amealhada com a corrupção. Repetimos: o ex-diretor da Petrobras, indicado por Lula e que pagou pedágio para permanecer no cargo sob Dilma Rousseff, precisa ser convocado o quanto antes a dar explicações e ser punido pelo que omitiu.

Baiano confirma propina de Sérgio Guerra

Lauro Jardim, de O Globo, noticia que Fernando Baiano confirmou que o tucano Sérgio Guerra, morto no ano passado, levou uma bola de 10 milhões de reais em 2009, para melar a CPI da Petrobras. Sérgio Guerra deixou saudades entre os seus aluninhos.

Sem pixulequinho

O deputado Ricardo Barros, do PP, relator da lei orçamentária de 2016, vai propor um corte de 10 bilhões de reais no Bolsa Família, ou 35% do total da verba do programa. Muito eleitor vai deixar de receber pixulequinho para votar no PT.

Após o psicopata ditador Nicolas Maduro proibir o nome de Nelson Jobim, TSE desiste de observar as eleições na Venezuela; fraude à vista


O Tribunal Superior Eleitoral informou nesta terça-feira (20) que não vai participar mais da missão de observação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) nas eleições parlamentares da Venezuela, em dezembro. A decisão é tomada após o governo do ditador psicopata Nicolás Maduro vetar a participação do ex-presidente do tribunal, Nelson Jobim, na missão. O veto foi noticiado nesta segunda-feira. Em nota oficial, o TSE disse ter buscado contribuir para que a missão de observadores fizesse "um trabalho de observação objetivo, imparcial e abrangente" e que, por isso, sugeriu à presidente Dilma Rousseff o nome de Nelson Jobim. "Embora o candidato brasileiro tenha angariado amplo apoio entre os Estados-Membros, foi preterido na escolha final para a chefia da missão por suposto veto das autoridades venezuelanas", disse o tribunal. O órgão eleitoral brasileiro disse ainda que tentou participar de uma aliança com o Conselho Nacional Eleitoral do país, mas que não foi possível diante da falta de resposta da autarquia venezuelana. "A demora do órgão eleitoral venezuelano em pronunciar-se sobre a versão revista do acordo fez com que a missão não pudesse acompanhar a auditoria do sistema eletrônico de votação e tampouco iniciar a avaliação da observância da equidade na contenda eleitoral, o que, a menos de dois meses das eleições, inviabiliza uma observação adequada". O governo venezuelano ainda não comentou sobre a decisão do TSE. Em 17 de setembro, Caracas anunciou a participação da Unasul no pleito, além de representantes do Mercosul e da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas). Essas eleições já estão fraudadas. A Venezuela não tem jeito, só sairá desse abismo bolivariano por um golpe de estado militar ou pela guerra civil. As entidades, porém, não terão reais poderes de supervisão, como quer a oposição. Para os adversários de Maduro, eles não serão capazes de emitir declarações contrárias à linha oficial de Caracas. Segundo membros do governo brasileiro, a Venezuela impôs veto branco ao nome de Jobim. Em resposta, o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, teria sugerido o nome do ex-chanceler Celso Amorim. Brasília não aceitou não por restrição a Amorim, mas por haver indicado Jobim e não ver razões para retirá-la para favorecer outro brasileiro. Samper, então, sugeriu o nome do ex-chanceler argentino Jorge Taiana. Comandante da pasta argentina entre 2005 e 2010, foi um dos responsáveis da aproximação de Néstor e Cristina Kirchner com Hugo Chávez (1954-2013). O nome dele ainda não havia sido aprovado pelo governo brasileiro. Porém, provocou profunda irritação no Itamaraty, que vinha trabalhando cuidadosamente para que a missão observadora da Unasul pudesse ser bem-sucedida em um momento crucial para eventual encaminhamento da crise na Venezuela. O secretário Geral da Unasul, Ernesto Samper, é um bolivariano. E a escolha dele por Celso Amorim diz tudo sobre o tipo de fiscalização que ele quer para as eleições já fraudadas da Venezuela. 

O bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato estará encarcerado na Papuda na sexta-feira, Polícia Federal já está na Itália para recambiá-lo


Uma equipe da Polícia Federal já está na Itália para transportar o ex-diretor do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro e grande covardaço foragido Henrique Pizzolato para Brasília, onde ele deve chegar na sexta-feira (23). A expectativa do governo brasileiro é de que as autoridades italianas entreguem-no na quinta-feira (22). Caso isso se confirme, ele embarcará em um vôo de carreira para São Paulo na mesma noite e chegará em solo nacional na manhã do dia seguinte. Da capital paulista, o bandido petista mensaleiro e grande covardaço foragido Pizzolato será levado em um avião da Polícia Federal para Brasília, onde fará exames corpo de delito no Instituto Médico Legal, antes de seguir para a Penitenciária da Papuda, unidade em que cumprirá a pena de 12 anos e 7 meses por participação no escândalo do Mensalão. A equipe de policiais federais encarregada de escoltá-lo na viagem é formada por um delegado, dois agentes e uma médica. Nesta quinta-feira vencerá o prazo de quinze dias determinado pelo ministro da Justiça da Itália, Andrea Orlando, para liberar o ex-diretor do Banco do Brasil à Polícia Federal. Orlando comunicou o adiamento da extradição no último dia 6, data em que a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou o recurso de defesa de Pizzolato para que ele cumprisse pena na Itália. A decisão do ministro italiano atendeu a pressões de senadores daquele país, que ingressaram com um requerimento de urgência cobrando explicações de Orlando. O ministro havia declarado à imprensa local que extradição era inevitável.

Dilma versus Cunha: 'Meu governo não está envolvido em corrupção', diz a presidente


A guerra retórica entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ganhou nesta terça-feira um novo capítulo. De Helsinque, na Finlândia, Dilma rebateu as declarações dadas pelo peemedebista na tarde de segunda, quando Cunha lamentou "que seja com um governo brasileiro o maior escândalo de corrupção do mundo". Ignorando que em sua administração a Polícia Federal desarticulou um esquema de corrupção sem precedentes no país, que sangrou os cofres da Petrobras e serviu para abastecer o bolso e o caixa de campanha de políticos que davam sustentação a seu governo e ao de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a petista afirmou nesta manhã que seu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção. Instada a comentar a frase de Cunha durante entrevista coletiva após encontro com o presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, nesta terça, Dilma afirmou que não falaria sobre caso, mas disse: "Meu governo não está envolvido em nenhum esquema de corrupção. Não é meu governo que está sendo acusado". A afirmação faz referência à denúncia apresentada contra o presidente da Câmara pela Procuradoria-Geral da República por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. A fala do peemedebista na segunda foi uma resposta à entrevista concedida por Dilma no domingo, quando, indagada sobre a repercussão internacional do escândalo de corrupção envolvendo o presidente da Câmara, repetiu, três vezes, lamentar que o caso "seja com um brasileiro". Cunha copiou a frase de Dilma, mas jogou no colo do governo o escândalo de desvio de cifras bilionárias. Sobre os pedidos de impeachment apresentados na Câmara, Dilma disse que seu governo não será inviabilizado pela "ação da oposição". "Acredito que o objetivo da oposição é inviabilizar a ação do governo. A ação do governo não vai ser inviabilizada pela oposição, faça ela quantos pedidos de impeachment fizer" afirmou a petista. Na avaliação de parlamentares, a declaração de Dilma no domingo pode aumentar o desgaste entre o governo e o Congresso num momento em que se discute o impeachment da petista, muito embora tenha sido estudada a hipótese de um acordão entre Cunha e o Planalto para que ambos se ajudem a salvar os mandatos. 

Projeto sobre terrorismo opõe (de novo) Levy e PT


A votação do projeto de lei que tipifica o terrorismo, prevista para a tarde desta terça-feira, opôs mais uma vez o PT e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O motivo é que, segundo fontes, ele tem defendido a aprovação imediata da proposta para que o país não sofra sanções internacionais e, assim, corra o risco de piorar a relação com as agências internacionais de classificação de risco que neste ano já rebaixaram a nota do Brasil. Por sua vez, senadores petistas querem a rejeição da matéria, por considerar que o texto prejudica a atuação de movimentos sociais, umas das principais bases eleitorais do partido. "Da forma como está, o projeto é muito ruim. Depredar um ônibus, ocupar uma reitoria, invadir propriedade rural são manifestações que já possuem sua punição e a pessoa é presa por isso. Com a nova proposta, isso se torna terrorismo", disse Lindbergh Farias (PT-RJ). De acordo com o Lindbergh, o texto possuía um artigo que fazia uma ressalva para manifestações democráticas, mas foi retirado pelo relator na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Aloysio Nunes (PSDB-SP). Por essa razão, os senadores do PT devem se unir a outros parlamentares que já se posicionaram abertamente contra a aprovação do projeto. "Se contarmos com os votos do PT, os partidos de esquerda e alguns setores do PMDB, acho que é possível impedir esse projeto", disse o líder da Rede Sustentabilidade, Randolfe Rodrigues (AP). Entretanto, a orientação do Planalto, a pedido de Levy, é de aprovação urgente. A pressa se deve à ameaça de sanções internacionais. Sem uma legislação nacional sobre terrorismo, o País segue na mira do Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (Gafi), que já ameaçou incluir o Brasil em sua "lista suja" de não cooperantes. Atrasar a matéria deixaria o Brasil mais suscetível a rebaixamentos pelas agências internacionais de avaliação de risco. A intenção de acelerar o procedimento não é de hoje. Quando o processo foi aprovado pela Câmara e chegou ao Senado, o líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), abriu mão da relatoria do projeto por ter sido orientado a não fazer mudanças no texto, para que ele não tivesse de voltar para análise na Câmara. Costa chegou a apresentar doze propostas de emenda ao texto original, com o intuito de especificar mais claramente quais ações poderiam ser consideradas como terrorismo. Todas as emendas foram rejeitadas pelo relator do processo em plenário, senador Romero Jucá (PMDB-RR). O líder Humberto Costa participou de reunião no Planalto na noite desta segunda-feira e o PT realiza reunião de bancada na manhã desta terça-feira para definir orientação de voto. Alguns senadores petistas acreditam que o governo deve mudar de posição até o momento da votação, deixando os senadores livres ou orientando a reprovação da matéria. Mas já contabilizam maioria de votos pela rejeição do projeto. O projeto de lei que tipifica o terrorismo foi proposto pelo próprio poder Executivo, após pressões internacionais, e já foi aprovado na Câmara dos Deputados. Apesar de prever pena de doze a trinta anos de prisão para o crime, a maior controvérsia entre os parlamentares é justamente quais atos poderiam caracterizar terrorismo. Para o senador Randolfe Rodrigues, a definição é generalista e depende apenas da interpretação do juiz. Já a oposição acusa o governo de tentar flexibilizar a lei para tolerar manifestações em favor próprio.

Odebrecht e João Santana: tucanos, mexam-se

Se, como a mensagem de Marcelo Odebrecht indica, o empreiteiro pagou diretamente no exterior a João Santana, marqueteiro de Dilma Rousseff, essa é mais uma ilegalidade cometida pela campanha petista que deveria ser investigada no Tribunal Superior Eleitoral. Tucanos, mexam-se.

Dilma vendeu cargos na Petrobras

Dilma Rousseff vendeu a diretoria de Abastecimento da Petrobras a Paulo Roberto Costa. Foi o que disse Fernando Baiano. Segundo a Folha de S. Paulo, ele “contou em seu acordo de delação premiada que a doação ilegal de 2 milhões de reais à campanha de Dilma Roussef em 2010 serviu para selar um acordo político: o apoio do PT, por meio de Antonio Palocci, ao então diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa”. O escambo deu certo: Dilma Rousseff ganhou seus 2 milhões de reais e, depois de eleita, manteve Paulo Roberto Costa no cargo.

PMDB cancela congresso

O PMDB “decidiu cancelar seu congresso marcado para novembro devido às incertezas quanto ao cenário do impeachment”, diz a Folha de S. Paulo. O cancelamento é uma vitória e tanto para Dilma Rousseff. O Brasil vai ficar paralisado por mais tempo.

"Vazar doação campanha"

A Polícia Federal traduziu as mensagens capturadas no telefone celular de Marcelo Odebrecht. Elas provam que o empreiteiro "detinha pleno conhecimento e controle sobre as operações de lavagem de dinheiro da Odebrecht no exterior, em larga medida por intermédio de contas situadas na Suíça". O relatório da Polícia Federal descreve também as manobras de Marcelo Odebrecht para melar a Lava Jato. Uma delas não requer tradução, porque é explícita: "Vazar doação campanha". A campanha só pode ser a de Dilma Rousseff. E a doação a ser vazada só pode ser aquela que veio de uma conta da Odebrecht na Suíça. O relatório da Polícia Federal, porém, ignora essa mensagem. Quando é que a Lava Jato vai investigar seriamente essa doação?

Defesa do petista Fernando Pimentel pede quebra de sigilo de repórter do GLOBO


A defesa do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), pediu a quebra do sigilo telefônico de um jornalista do GLOBO para apurar o vazamento de informações sigilosas da Operação Acrônimo. A investigação é sobre desvio de recursos para a campanha do petista em 2014 e suspeita de pagamento de propina no período em que Pimentel era ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. O pedido de quebra de sigilo foi revelado na manhã desta segunda-feira no site da revista "Veja". A petição foi apresentada em 10 de setembro, depois de O GLOBO publicar reportagens mostrando que entidades patronais de Minas Gerais pagaram R$ 1,6 milhões à OPR, antiga empresa do governador mineiro, agora registrada em nome do filho de um de seus principais assessores. A Polícia Federal suspeita que os pagamentos tenham relação com a atividade política de Pimentel. Na petição, a defesa de Pimentel pedia que fosse determinada "a oitiva do profissional de imprensa subscritor da matéria e analisada a pertinência da quebra de seu sigilo de dados telefônicos para identificar eventuais contatos com autoridades responsáveis pela guarda das informações tornadas públicas". No texto, os advogados chegaram a escrever que não pretendiam, com a medida, cercear a liberdade de imprensa, mas "identificar as autoridades responsáveis pelo vazamento, para que essa prática não se repita". Ainda assim, mencionaram no texto despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a favor da quebra do sigilo telefônico de um repórter do jornal "Diário da Região", de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Na ocasião, a Polícia Federal solicitou a medida depois que o repórter publicou detalhes de escutas telefônicas da operação que investigava esquema de corrupção no município paulista. A decisão de Toffoli mencionada na petição dos defensores de Pimentel acabou sendo revista dias depois, em 22 de setembro, pela 2ª turma do Supremo. Depois de o pedido de quebra de sigilo ser revelado pela imprensa, ontem, a defesa de Pimentel informou que irá apresentar nova petição, pedindo ao juiz que afaste a hipótese de quebrar o sigilo do repórter, por entender que "não pode o jornalista ser investigado, eis que apenas cumpriu com o seu dever". Em 10 de outubro, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Herman Benjamin, relator do caso, mandou instaurar inquérito para investigar os autores de vazamentos das informações sobre a Operação Acrônimo. O ministro não menciona a petição apresentada pelos advogados de Pimentel, mas relaciona uma série de reportagens produzidas não apenas por O GLOBO, mas também pela revista "Época"e pelo jornal "O Estado de S.Paulo" sobre a Operação Acrônimo, para ensejar a investigação. "Determino que a autoridade policial destinatária da requisição envide os mais elevados esforços na elucidação da autoria, empregando todos meios possíveis e a disposição na legislação processual penal, dando prioridade máxima ao andamento desta investigação", escreveu o ministro em despacho. Nesta segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa do STJ, o ministro Herman Benjamin disse "não ter conhecimento de petição de quebra de sigilo telefônico de jornalista por parte da defesa do governador de Minas Gerais". O diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, disse ontem que "qualquer tentativa de quebra de sigilo da fonte jornalística vai contra a Constituição": "O sigilo da fonte é pressuposto básico da atividade de um repórter".

O rombo de 49,9 bilhões de reais

O rombo nas contas públicas, em 2015, ficará entre -0,5% a -0,85% do PIB, segundo Fernando Rodrigues. O ano começou com uma previsão de superávit primário de 66,3 bilhões de reais. Em julho, caiu para 8,8 bilhões de reais. Agora o governo admite um déficit de até 49,9 bilhões de reais. A nova meta terá de ser aprovada pelo Congresso Nacional, caso contrário Dilma Rousseff poderá incorrer em crime de responsabilidade fiscal. Ela terá de pedir de joelhos a Eduardo Cunha.

O saque da Petrobras

José Carlos Bumlai, o operador de Lula que introduziu Fernando Baiano na Petrobras, fez a ponte entre Antonio Palocci e Paulo Roberto Costa. O encontro entre eles, segundo o relato de Fernando Baiano, reproduzido pela Folha de S. Paulo, ocorreu numa casa no Lago Sul, em Brasília, que Antonio Palocci usava para fazer reuniões sobre a campanha de Dilma. Em seguida, Fernando Baiano entregou os 2 milhões de reais em propina para um assessor de Antonio Palocci – o velho Charles – e Dilma Rousseff manteve Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras, conforme o combinado. O Antagonista sempre disse que Dilma Rousseff foi eleita com dinheiro roubado da Petrobras. O relato de Fernando Baiano, segundo o qual ela vendeu a diretoria de Abastecimento para Paulo Roberto Costa, mostra que, na verdade, ela roubou diretamente a Petrobras.

O que a PF traduz e o que a PF não traduz

A PF traduziu as mensagens capturadas no celular de Marcelo Odebrecht.
Faltou uma:



Faltou outra:



O Antagonista traduz o conteúdo das mensagens para a PF, pois deve ser complicado demais:
Edinho = Edinho Silva
cta suíça = Conta Suíça
campanha dela = Campanha de Dilma Rousseff
PR = Presidente
100 = 100 milhões de reais
Vac = Vaccari

Lula colado no Pecuarista

Segundo a Veja, Lula passou a negar a amizade com José Carlos Bumlai, dizendo que "a proximidade entre eles não era assim tão grande". Em depoimento ao Ministério Público, ele negou também a proximidade com Alexandrino Alencar. Aparentemente, Lula só ficava colado em José Carlos Bumlai e Alexandrino Alencar durante suas viagens para "fazer o lobby" da Odebrecht na Guiné Equatorial. 

Colados um no outro

Paulo Roberto não mentiu. Omitiu

Lauro Jardim, de O Globo, noticia que: "Os criminalistas que defendem clientes na Lava-Jato estão comemorando discretamente a delação premiada de Fernando Baiano — mais especificamente nas partes em que Paulo Roberto Costa é citado. Para esses advogados, expor o que seriam mentiras contadas na delação feita por Paulo Roberto pode ter o efeito de anular o acordo feito entre o ex-diretor da Petrobras e a Justiça. Assim, não só Paulo Roberto voltaria para a prisão como o que relatou poderia tornar-se inválido." O que está evidente é Paulo Roberto Costa não mentiu. Omitiu, o que é coisa bem diferente. A Justiça deveria ameaçá-lo com a retirada de benefícios, a fim de pegar mais corruptos, e não para soltar os que já estão presos ou aqueles que deveriam pegar cana. Só para reforçar: Paulo Roberto Costa precisa falar tudo o que sabe sobre Lula, Antonio Palocci e Dilma Rousseff.

Juristas açoitam a democracia e escarnecem da Constituição

Os juristas André Ramos Tavares e Gilberto Bercovici elaboraram, a pedido do PT, um parecer condenando a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Eles dizem que "a eventual rejeição das contas presidenciais pelo Congresso Nacional não configura crime de responsabilidade". E mais: “Nas circunstâncias atuais, a abertura do processo de impeachment significará a vitória do oportunismo de plantão, um flagelo à Democracia brasileira e um escárnio à Constituição." André Ramos Tavares e Gilberto Bercovici açoitam a democracia e escarnecem da Constituição. O artigo 85 diz que é crime de responsabilidade atentar contra a lei orçamentária. Foi o que Dilma Rousseff fez em 2014 e 2015, ao cometer pedaladas fiscais. Vamos parar com essa balela de "pareceres". Isso é coisa de país fajuto. A letra da lei é claríssima. Daqui a pouco, juristas vão começar a emitir "pareceres" sobre se matar alguém a tiros é homicídio ou não.

Exclusivo: quem é o "Feira" da mensagem de Marcelo Odebrecht

Mais cedo, reproduzimos mensagens do celular de Marcelo Odebrecht capturadas pela PF. Elas fazem referências ao financiamento pela empreiteira da campanha de Dilma Rousseff -- no caixa 2 e, ao que tudo indica, com dinheiro roubado da Petrobras. Na mensagem abaixo, como já publicamos, "Vaca" é "Vaccari; "Edinho" é "Edinho Silva"; "cta Suíça" é "conta na Suíça"; e "campanha dela" é "campanha de Dilma Rousseff". Faltava saber quem era o "Feira", da frase "Liberar p/Feira pois meu pessoal não fica sabendo". Agora não falta mais. O Antagonista foi informado de que "Feira" era o codinome usado por Marcelo Odebrecht para referir-se a João Santana, o marqueteiro de Dilma. "Feira" vem de Feira de Santana. Marqueteiro Santana = cidade Santana. O que Marcelo Odebrecht "liberou" para João Santana, sem que o pessoal dele, Marcelo, ficasse sabendo? A PF acredita que o mesmo que foi liberado para o marqueteiro Duda Mendonça na campanha de Lula: dinheiro não declarado no exterior. 

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"Liberar para Feira" = Liberar para João Santana

Lula está nas mãos de Moro

Lula está oficialmente nas mãos de Sergio Moro. O Globo informa que Teori Zavascki enviou para Curitiba trechos da delação premiada de Fernando Baiano em que ele acusa José Carlos Bumlai de pedir propina de dois milhões de reais para uma nora de Lula. Fernando Baiano explicou que pagou comissão de 2 milhões de reais para que José Carlos Bumlai e Lula ajudassem na intermediação de um contrato entre a OSX, de Eike Batista, com a Sete Brasil e a Petrobras. Segundo Fernando Baiano, Lula executou o trabalho reunindo-se três vezes com o presidente da Sete Brasil. Sergio Moro sempre evitou o confronto direto com Lula. A partir de agora, não haverá mais como evitá-lo. Se Sergio Moro fizer o que deve fazer, o Brasil passará pela maior faxina de todos os tempos.

Redução do valor da RPV dará R$ 750 milhões de "ganho" para o governo Sartori em 2016

Caso a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul aprove, hoje, o projeto que reduz de 40 para 10 os valores da RPVs a serem pagos no Estado, o governo Sartori poupará pelo menos R$ 750 milhões no ano que vem. O cálculo do ganho é simples: se o governo admite que pagará este ano R$ 1 bilhão de RPVs, isto significa que ao pagar um quarto disto no ano que vem, "poupará" R$ 750 milhões. Serão 2,3 bilhões nos próximos três anos de governo. Será um "ganho" e tanto. Sem contar a previsibilidade para as contas públicas. O negócio é o seguinte: o nome disso é um tremendo calote. As RPVs são precatórios, dívidas de pequeno valor do Estado para com detentores de precatórios, gente que ganhou processos contra o Estado. Ou seja, o Estado mais uma vez se apropriará de recursos de terceiros, além do que já se apropria do Fundo de Depósitos Judiciais. Essa é a proposta econômico-financeira do PMDB para o Rio Grande do Sul? Nada disso, é apenas mais uma das geniais soluções apontadas pelos fiscais do ICMS, os pilotos de cadeiras de rodinhas, para Sartori. Afinal, quem manda no governo são os fiscais do ICMS. Sartori e o PMDB não têm qualquer projeto para as contas públicas gaúchas, e então aceitam sugestões de mágicas, mandrakices (Mandrake), como essas apresentadas pelos fiscais do ICMS da Secretaria da Fazenda. O governo Sartori se equilibra precariamente à base de mágicas como a petista Dilma Rousseff. No que eles são diferentes? O orçamento de Sartori para 2016 é outra peça criminosa. E, o pior, será aprovado pela Assembléia. Depois não sabem por que o Estado quebra.....

PT tentará a comunista Manuela, a esganiçada Maria do Rosário ou o turrão Pont, pela ordem

Desmoralizado e desgastado com os desdobramentos da Operação Lava Jato e por sucessivos e desastrosos governos no Rio Grande do Sul, o PT decidiu que no ano que vem abrirá mão da cabeça de chapa na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Vai apoiar a comunista Manuela D'Ávila. Se não der, lançará a esganiçada deputada federal Maria do Rosário. Em último caso, apoiará o turrão Raul Pont.

Nova denúncia com apoio da oposição e de movimentos pró-impeachment será protocolada hoje. E a nova conversa mole de Adams

A mais nova patacoada que Adams, o advogado-geral da União, da Família Luís Inácio, anda a espalhar por aí que o governo pensa em recorrer, se preciso, ao Supremo Tribunal Federal mais uma vez para barrar a tramitação da denúncia que será protocolada pela oposição nesta terça, caso ela venha a ser deferida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, ou por quem estiver no seu lugar. A nova denúncia (íntegra aqui), a exemplo da anterior, é assinada por Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal e conta com o apoio dos partidos de oposição e de movimentos que lideraram as três maiores manifestações da história do país: MBL, Vem Pra Rua e Revoltados Online. O texto incorpora às acusações contra Dilma as pedaladas fiscais dadas também neste ano, segundo apurou o Ministério Público que atua no Tribunal de Contas da União. Além disso, Dilma é acusada, conforme já evidenciou o TCU, de ter feito desembolsos sem autorização do Congresso. A petição lembra ainda as omissões da mandatária no caso dos descalabros da Petrobras. Qual é a conversa mole agora de Luís Inácio Adams? Sabe-se lá por qual caminho, ele sugere que o governo pode ir ao Supremo para barrar a tramitação da denúncia caso Cunha a aceite. Disse ele à Folha: “Acho que este novo pedido é muito inconsistente e pode ser questionado e barrado no Supremo. O TCU, ao analisar o que classificam de pedaladas do ano passado, não responsabilizou diretamente a presidente. Quanto menos agora, em 2015, quando não há decisão do TCU”. Isso não é exercício do direito. A rigor, nem mesmo é uma opinião. Desde quando é preciso o aval de TCU para acusar crime de responsabilidade da presidente? Basta demonstrar — e demonstrado está — que ela transgrediu fundamentos estabelecidos na Lei 1.079. E isso está dado. Ponto final. Como lembra, diga-se, a denúncia que se apresentou contra Collor em 1992, é preciso, sim, apontar o fundamento jurídico — que apontado está —, mas o seu juízo é basicamente político, razão por que a decisão cabe ao Congresso, não à Justiça. Essa instância recursal de que fala o sr. Luís Inácio Adams é puro exercício do direito criativo, uma área em franco desenvolvimento no país na era petista. A prática, como a gente sabe, já chegou ao Supremo. A nova denúncia será protocolada hoje na Câmara, com a presença de representantes de partidos de oposição e dos movimentos pró-impeachment. O MBL, o Vem Pra Rua e o Revoltados Online pretendem montar acampamento nos gramados do Congresso para acompanhar a tramitação da denúncia. Até ontem à noite, faltava apenas a autorização de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, para armar as barracas. Cunha já havia dado a sua.
Tensão aumentou
O governo estava confiante e temeroso ao mesmo tempo. Vê, com ânimo, a situação de Cunha se deteriorar. Apostava que, nesta segunda-feira, já haveria um clima que tornaria sua permanência na presidência da Câmara insustentável. Não aconteceu. Ao contrário até: ele concedeu entrevistas e disse que fica. A entrevista de Dilma em Estocolmo, em que disse lamentar o fato de Cunha ser brasileiro, lembrando que ele não está no governo, acabou tendo uma repercussão muito negativa. Até os parlamentares que não gostam do presidente da Câmara viram no discurso uma tentativa de jogar o escândalo nas costas do Congresso, o que é, obviamente, uma piada. Cunha, como se sabe, respondeu e disse lamentar o fato de que o governo brasileiro esteja metido na barafunda. Vamos ver. A denúncia que será protocolada hoje e a decisão que o Supremo terá de tomar sobre as liminares que sustam direitos da oposição são os dois principais lances que vão indicar para onde iremos. Adams sugere que Dilma está disposta a se agarrar ao cargo nem que seja na base de liminares. E é claro que isso diz muito do seu governo.

Impeachment – Hoje, tendência da maioria do STF é manter liminares que cassam prerrogativas da… oposição!

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recorreu ao Supremo, conforme o esperado, contra liminares dos ministros Teori Zavascki e Rosa Weber que suspenderam o rito da avaliação das denúncias contra a presidente Dilma que estão na Câmara. O que vai acontecer? Vamos ver. Não custa lembrar: na prática, as duas liminares apenas tiraram da oposição o direito de recorrer de uma eventual decisão negativa de Cunha. Vale dizer: caso ele indefira um pedido, os descontentes não podem recorrer, o que seria decidido, então, pelo plenário, conforme estabelece o Artigo 218 do Regimento Interno da Câmara. Sim, diga-se de novo: Cunha pode rejeitar a denúncia. E ponto (caso não caiba recurso). Cunha pode acolher a denúncia — e se vai criar a comissão especial. Seus poderes, portanto, estão mantidos. Quem perdeu prerrogativa mesmo foi a… oposição. É muito provável que o agravo não dê em nada, isto é, que a maioria do Supremo endosse o conteúdo das duas liminares. Nesta segunda, pelo menos dois outros ministros do tribunal deram indícios de seus respectivos votos. Vamos ver: é claro que Teori e Rosa votarão contra o recurso — afinal, concederam as liminares. Marco Aurélio Mello já deixou claro que dará o terceiro voto. Opinou que os dois ministros não exorbitaram ao conceder as ditas-cujas. Aí estão três votos. O sempre tão grandiloquente como vazio Roberto Barroso, o dono dos discursos mais exóticos do Supremo — poucos percebem isso —, participou de um evento nesta segunda na Associação de Advogados de São Paulo (AASP). E tonitruou com a chatice retórica habitual: "Estamos no momento em que vamos definir se somos um país preparado para ser uma grande nação, ou se vamos ser uma republiqueta que aceita qualquer solução improvisada para se livrar de um problema”. Parece-me evidente que ele considera o rito definido por Cunha uma “solução improvisada”, o que é, obviamente, falacioso, já que a sequência está amparada na Constituição, na Lei 1.079 e no Regime Interno da Câmara. Luiz Edson Fachin, outro ministro próximo do PT, participou do mesmo evento. Foi menos explícito do que Barroso, mas lá está, acho eu a centelha. Afirmou: “Do meu ponto de vista, entendo que o plenário deve apreciar as liminares o mais rápido possível para que haja um pronunciamento colegiado do STF sobre esse assunto. A atuação do STF tem de ser contida e cautelosa para que não haja ativismo excessivo, mas para que seja necessariamente firme”. É na oração adversativa, é nesse “mas” que está o busílis. É claro que aí há uma pista de que Fachin acha que o rito de Cunha pode ter sido abusivo. Não sei se contaram. Listei cinco prováveis votos pela manutenção da liminar: Teori, Rosa, Marco Aurélio, Barroso e Fachin. O governo só precisa de mais um no seguinte grupo: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Luiz Fux e Celso de Mello. Lewandowski é meu candidato número um a dar o sexto voto. É evidente que se trata de uma interferência absurda do Poder Judiciário no Poder Legislativo. Digam-me que fundamento constitucional estaria sendo solapado se as oposições recorressem de uma eventual decisão negativa de Cunha. Li as liminares. Nem os que a concederam conseguiram dizer. Cunha tende a permanecer, assim, com superpoderes. Daí a ânsia dos petistas para que ele caia logo. Por Reinaldo Azevedo

Se houver regressão, o mais provável é que Dirceu volte para o regime semiaberto, não para o fechado

José Dirceu pode voltar para o regime fechado? Vamos ver. Olhem aqui: pode estar havendo um ruído no que quer exatamente o Ministério Público Federal no caso de José Dirceu. E isso decorre da confusão a que levam os nomes dos regimes prisionais. Depois que se livrou da acusação de quadrilha, Dirceu foi condenado a pouco menos de oito anos de prisão, o que lhe garantiu o regime semiaberto, não o regime fechado. Atenção: regime semiaberto não é aquele em que o preso apenas dorme na cadeia e trabalha fora durante o dia. Não! Esse é o regime aberto! Dirceu começou, pois, a cumprir pena em regime semiaberto. Nesse caso, é frequente que o condenado obtenha licença para trabalhar fora da prisão. E ele obteve, mas continuava no semiaberto. Muito bem! Houve a progressão da pena, e ele passou, então, para o regime aberto. É o chamado “albergado”. Nesse caso, sim, o preso só dorme na instituição pública. Ocorre que não há prisão-albergue em Brasília, daí que ele tenha passado para a prisão domiciliar. Rodrigo Janot encaminhou uma petição a Roberto Barroso, que passou a ser relator do Mensalão, pedindo que Dirceu — que atualmente cumpre prisão preventiva em Curitiba por causa do petrolão — sofra uma regressão da pena do mensalão. Esses petistas… O pedido de Janot se baseia no Artigo 118 da Lei de Execução Penal, que estabelece:
“A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:
I – praticar fato definido como crime doloso ou falta grave.”
Notem que a lei fala que o preso pode ser transferido para qualquer um dos regimes mais rigorosos no caso de praticar novos delitos. Em tese, Dirceu poderia ir para o regime fechado. Se Barroso acatar a regressão, parece que o mais provável, no entanto, é que coloque o petista, de novo, em regime semiaberto, que é o que ele cumpria.
O regime semiaberto, sem licenças especiais concedidas pelo juiz de execução penal, se parece bastante com o fechado, já que a regalia de deixar a cadeia para trabalhar depende do bom comportamento. Ora, ninguém regride porque se comportou bem, né?
Mas é constitucional praticar a regressão quando o acusado ainda não está condenado definitivamente, com sentença transitada em julgado, pelo novo crime? O Supremo decidiu que a Lei de Execução Penal não exige o trânsito em julgado, conforme Habeas Corpus 97.218, de 2009, de que foi relatora a ministra Ellen Gracie.
Assim, tão logo José Dirceu se livre da prisão preventiva por causa do petrolão, há, sim, o risco imenso de que volte, quando menos, para o regime semiaberto, que, no Brasil, também é fechado na maioria das vezes, embora não seja o regime fechado, que se caracteriza por ter uma vigilância bem mais severa sobre os presos.

Advogados de diretores da Odebrecht dizem que nova prisão é “ilegal, inconstitucional e abusiva”

Os advogados Nabor Bulhões, Dora Cavalcanti e Flávia Rahal, defensores de diretores da Odebrecht que se encontram presos, divulgaram uma dura nota contra a decisão do juiz Sérgio Moro, que decretou nova prisão preventiva de seus clientes: Marcelo Odebrecht, Márcio Faria e Rogério Araújo. Os três defensores afirmam que o pretexto alegado para a prisão é conhecido e que o processo é só um desdobramento de ação penal anterior, que levou a outras prisões preventivas, o que foi revertido por recente decisão do STF, que mandou libertar Alexandrino Alencar. A nota sugere que, diante da iminência de que Odebrecht, Faria e Araújo também fossem postos em liberdade, o juiz Sérgio Moro, então, decretou nova prisão para interferir na decisão do Supremo. Para os advogados, o novo decreto de prisão é “ilegal, inconstitucional e abusivo”.

Janot quer cadeieiro na cadeia

José Dirceu já está preso preventivamente pela Operação Lava Jato, mas Rodrigo Janot quer mais. Ele pediu ao STF a regressão do ex-ministro para o regime de prisão fechado por causa do mensalão.
O ex-ministro foi condenado a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa na ação penal 470, cumpriu parte da pena no regime semiaberto e, em novembro de 2014, passou à prisão domiciliar. Janot alega que existem provas de que Dirceu cometeu crimes após sua condenação final no mensalão. O cadeiero vai continuar na cadeia.

Exclusivo: Cunha acusa STF de "nítida interferência" no Legislativo

O Antagonista obteve com exclusividade os recursos protocolados por Eduardo Cunha no STF contra as três decisões liminares que suspenderam o rito do impeachment. Em sua defesa, Cunha alega primeiramente que as liminares só poderiam ser concedidas por Teori Zavascki, prevento do primeiro mandado de segurança sobre o tema. Sobre o recurso interposto por Rubens Pereira Jr., Cunha diz que não "se pode admitir a manutenção da decisão liminar" de Rosa Weber porque o impetrante sequer pediu a suspensão do rito do impeachment no "inusitado mandado de segurança". "A pretensão era o recebimento do recurso contra a questão de ordem, o que já foi feito", diz Cunha. "Não há um único argumento ou questionamento contra algum ponto que fora tratado na Questão de Ordem. Do que se percebe, o objetivo do impetrante é apenas o de atrapalhar a obstar os trabalhos da Câmara, que tem a relevante função constitucional de examinar a admissibilidade dos pedidos de impeachment do presidente da República". E conclui: "Não há absolutamente nada de relevante a justificar a concessão da liminar. Há, induvidosamente, uma nítida interferência do Poder Judiciário nos trâmites internos do Poder Legislativo".

Exclusivo: Impeachment é assunto da Câmara

Em relação ao mandado de segurança impetrado por Wadih Damous, Eduardo Cunha é ainda mais explícito na alegação de que não cabe ao STF decidir sobre o rito do impeachment, que é uma discussão "interna corporis". Ele afirma ainda que a liminar de Teori Zavascki não produz efeito na questão de ordem sobre o rito do impeachment, passível apenas das "normas regimentais e legais" da Câmara. "Como ficou claro no pronunciamento da Presidência da Câmara, tudo aquilo já havia sido objeto de decisões anteriores do próprio Parlamento, de julgados do Supremo Tribunal Federal e de atos praticados quando do impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Não havia inovação alguma". Cunha argumenta ainda que a "questão de ordem" tratava de "questões futuras, que eventualmente podem ser aplicadas caso alguma denúncia apresentada contra a Presidente seja recebida, o que não ocorreu até o momento". Ou seja, a liminar de Teori teve caráter preventivo e que, portanto, Damous não poderia alegar "cerceamento de defesa" ou "restrição ao direito de impugnar". E retorna ao ponto: "A decisão concessiva de liminar importa em flagrante violação ao Princípio da Separação dos Poderes e em patente ofensa às prerrogativas do Poder Legislativo, na medida em que pretende impedir o exercício das competências constitucionais, regimentais e legais atribuídas ao Presidente da Câmara e, pior, à própria Câmara dos Deputados". Em suma, o STF aplicou um golpe. Os recursos de Cunha são assinados também pelo advogado da União Marcelo Ribeiro do Val.

A pegadinha do relator malandro

Além de não pedir o indiciamento de ninguém, o relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio, ainda colocou no documento uma sugestão de mudança na lei da delação premiada. Ele quer impedir a homologação de delação feita por réu que esteja preso e a contratação de um mesmo defensor por vários delatores. A segunda sugestão - que é boa e tem como precedente a confusão provocada pela advogada Beatriz Catta Preta - serve naturalmente para ofuscar a primeira: delação de réu solto é o mesmo que nenhuma delação, vide o caso de Leo Pinheiro, da OAS. Para o PT, não basta assar a pizza.

Del Nero deixará cargo no Comitê Executivo da Fifa


O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, encaminha um acordo para deixar o seu cargo no Comitê Executivo da Fifa, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com a publicação, Del Nero procurou a cúpula da Conmebol para buscar um acordo por conta da ausência em cumprir suas funções na entidade internacional desde maio. No entanto, o dirigente seguirá à frente da CBF. Del Nero é um dos três representantes da Conmebol no Comitê Executivo da Fifa. Ele é investigado pelo FBI no mesmo caso que envolve o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, preso na Suíça. A Conmebol indica que o lugar de Del Nero no Comitê Executivo da Fifa continua reservada para um brasileiro — a CBF já estaria em busca de um novo nome. O substituto passaria a atuar na Fifa em dezembro.

Retração do PIB em 2015 passa de 2,97% para 3%, prevê relatório Focus


Depois do terceiro recuo consecutivo na margem do IBC-Br de agosto, o Relatório de Mercado Focus trouxe mais uma revisão para o Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o documento divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a perspectiva de retração da economia neste ano passou de 2,97% para 3% — um mês antes estava em queda de 2,70%. Para 2016, a mediana das previsões saiu de -1,20% para -1,22%. Quatro semanas atrás estava negativa em 0,80%. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano. No caso da produção industrial, não houve mudanças nas previsões: a mediana das expectativas seguiu em baixa de 7% para 2015 e se manteve em queda de 1% para 2016. Há quatro semanas, as medianas destas previsões eram de, respectivamente, -6,45% e +0,20%. Já em relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas passou por ajustes. Para 2015, caiu de 35,90% para 35,65% — quatro edições antes estava em 36,3%. Para 2016, a taxa saiu de 39,50% para 39,20%, mesma taxa vista quatro semanas atrás. O Relatório de Mercado traz boas notícias do setor externo. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para o superávit da balança comercial de 2015 subiu de US$ 12,99 bilhões para US$ 13,20 bilhões de uma semana para outra. Quatro boletins atrás, estava em US$ 10 bilhões. Para 2016, houve estabilidade da estimativa mediana de US$ 25 bilhões de uma semana para outra — quatro edições atrás do documento, estava em US$ 21,30 bilhões. No caso das previsões para a conta corrente, o mercado financeiro também seguiu com a tendência de ajustes para melhor: a expectativa de um déficit de US$ 65,50 bilhões foi substituída pela previsão de um rombo menor, de US$ 65 bilhões. Quatro semanas atrás, a projeção era de déficit de US$ 71 bilhões. Já para 2016, a perspectiva de saldo negativo deu mais um passo largo nesta semana, passando de US$ 50 bilhões para US$ 47,75 bilhões — um mês antes estava em US$ 65 bilhões. Com esse movimento de redução, os analistas consultados semanalmente pelo BC estimam que o ingresso de investimentos para o setor produtivo já poderá cobrir integralmente o resultado deficitário em 2016, como já prevê o Banco Central para este ano. Nos últimos meses, segundo participantes, os analistas tentam reestimar as projeções levando em consideração a mudança de metodologia da nota do setor externo em abril. A mediana das previsões para o novo Investimento Direto no País (IDP) saiu de US$ 61,50 bilhões para US$ 62,50 bilhões em 2015. Para 2016, prosseguiu em US$ 60 bilhões de uma semana para outra. As projeções do mercado financeiro para os IGPs foram as que mais subiram em termos de inflação no Relatório de Mercado Focus. Para o IGP-DI de 2015, a mediana das estimativas passou de 9,15% para 9,46% — um mês atrás estava em 8,25%. Para 2016, a previsão central da pesquisa Focus avançou de 5,86% para 5,89% — quatro semanas atrás, estava em 5,75%. No caso do IGP-M de 2015, a taxa mediana saltou de 9,15% para 9,33%, bem acima da expectativa apresentada um mês atrás, de 7,86%. Para 2016, o ponto central da pesquisa saiu de 5,93% para 5,96% — há quatro edições, estava em 5,76%.