segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Dilma procurou Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa foi procurado por Jaques Wagner para um encontro com Dilma Rousseff. O ex-presidente do Supremo agradeceu, mas disse que não vai nem morto. Uma coisa é ser contra o impeachment, outra é apoiar o desgoverno que está aí.

O ranço de Barbosa com o TCU

Ao dizer que não existem elementos objetivos para o impeachment de Dilma, Joaquim Barbosa ignorou solenemente o julgamento das contas pelo TCU. É que o ex-presidente do Supremo carrega um ranço em relação ao TCU desde o tempo do mensalão. Um mês antes do início do julgamento, o TCU torceu a legislação e parecer técnico do MP, para livrar Henrique Pizzolatto de responsabilidade sobre a os desvios dos chamados "bônus de volume" embolsados pela DNA Propaganda, de Marcos Valério, nos contratos com o BB. A bronca de Barbosa é pessoal.

Seria cômico se não fosse... Sarney

Delúbio Soares retuitou agorinha um post intitulado "Surgem os áudios da cela do Youssef". A informação plantada pelo deputado Aluísio Mendes Guimarães Filho é de que a perícia técnica da PF recuperou mais de cem horas de áudios feitos ilegalmente na cela de Alberto Youssef. Aluísio Mendes Guimarães Filho entende tudo de grampo. No ano passado, o UOL fez um perfil do sujeito que agora parece querer melar a Lava Jato. Confira os principais trechos: "No epicentro da crise de violência no Maranhão, o secretário de Segurança Pública do Estado, Aluísio Guimarães Mendes Filho, resiste no cargo graças à proximidade com o senador José Sarney (PMDB-AP), chefe do poderoso clã e pai da governadora Roseana (também do PMDB). Ele foi segurança de Sarney, comandou a arapongagem no Maranhão e obteve emprego para a filha no Senado. Ex-agente da Polícia Federal, Aluísio é ligado ao senador desde a década de 90. Em 2003, Sarney o escolheu para ser um dos oito funcionários de confiança remunerados com verba pública a que todo ex-presidente da República tem direito. Nomeou Aluísio para ser seu segurança pessoal. O ato foi publicado no Diário Oficial da União em 23 de abril de 2003. Aluísio fez a segurança pessoal de Sarney até 3 de setembro de 2009, quando sua lealdade foi recompensada e acabou alçado ao cargo de subsecretário de Inteligência do Maranhão. O posto lhe deu o comando do sistema "Guardião" do Estado, capaz de grampear 300 celulares e 48 linhas fixas simultaneamente. Os policiais e o Ministério Público Federal suspeitaram que Aluísio aproveitara seus contatos na PF para repassar informações sigilosas a Fernando Sarney, filho do senador, que estava sendo investigado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Por falta de provas, a Justiça determinou o arquivamento do inquérito contra Aluísio. Em abril de 2010, ele assumiu o posto máximo da Segurança Pública maranhense no governo Roseana. Em janeiro de 2007, a filha do ex-agente da PF, Gabriela Aragão Guimarães Mendes, então estudante, ganhou um cargo de confiança no gabinete de Sarney no Senado. A nomeação foi assinada pelo ex-diretor-geral da Casa, Agaciel Maia, exonerado em 2009 após a imprensa divulgar que ele costumava nomear parentes de senadores para cargos por meio de atos secretos, não publicados no Diário Oficial. Aluísio também foi chefe de gabinete da presidência do CJF (Conselho da Justiça Federal), órgão supervisor e corregedor das varas e tribunais da Justiça Federal no país, na gestão de Edson Vidigal – ex-assessor jurídico de Sarney na Presidência da República e nomeado por ele ministro do Superior Tribunal de Justiça, em 1988.

Save the Date

Vera Magalhães informa que Lula vai comemorar seus 70 anos no próximo dia 29. A "festança", que contará com a presença de políticos e empresários "ilustres", será no restaurante São Judas Tadeu, no bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo. Anotou aí, Sérgio Moro?

Baiano é Dirceu, Dirceu é Lula

Fernando Soares, o Baiano, é homem de José Dirceu. Em sua delação, ele contou detalhes da relação com o petista, responsável por aproximá-lo da família Lula da Silva. Baiano contou ainda como operou na intermediação dos contratos de afretamento de navios e plataformas da Petrobras, entregou contas bancárias em Cingapura e Hong Kong, e ainda deu detalhes de reuniões com caciques do PT e do PMDB no Hotel Regina, em Paris. Baiano tinha residência fixa na Cidade Luz e lá se reuniu com Kakay um mês antes de ser preso, em novembro de 2014. O encontro foi intermediado por Dirceu.

Separados por um ano

Mario Lewandowski, sobrinho de Ricardo Lewandowski, enviou email ao Antagonista para dizer que nunca teve "nenhum contrato e nenhum relacionamento comercial" com Luis Claudio Lula da Silva, o Lulinhazinho. Como dissemos ontem, Mario foi fundador do Torneio Touchdown e presidiu o campeonato em 2009. Ele diz, porém, que em janeiro de 2010 as equipes optaram por montar a Liga Brasileira de Futebol Americano e deixaram o Torneio Touchdown. "Em 2011, o sr Luis Cláudio Lula da Silva assumiu a organização deste torneio em conjunto com o sr. André José Adler. Isso tudo ocorreu mais de um ano depois da minha saúda oficial do Torneio Touchdown".

Outra "MP Caoa" na mira da PF

Além da Medida Provisória 471 de 2009, negociada pela Caoa no governo Lula, a montadora também teria negociado a edição pelo governo Dilma da MP 512, que estendeu até 2020 as isenções fiscais do setor nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste - uma extensão da primeira. A PF também investiga a venda da MP 512, editada em 2011, quando Antonio Palocci era o ministro da Casa Civil.

Petistas aguardam decisão do STF com a qual tentam barrar impeachment na Câmara

Integrantes da bancada do PT na Câmara defendem que os ministros do Supremo Tribunal Federal se pronunciem até esta terça-feira sobre as ações impetradas em que questionam o rito de um possível processo de impeachment contra a presidente Dilma na Casa. O deputados Wadih Damous (PT-RJ) e Rubens Pereira Jr. (PCdoB-MA) protocolaram na última sexta-feira no STF dois mandados de segurança com pedido de liminar para tentar impedir uma eventual abertura de processo de impedimento. As medidas têm como base o fato de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter declarado que recorrerá ao regimento interno da Casa para definir o rito processual de um possível processo de impeachment. O relator da ação de Wadih Damous é o ministro Teori Zavascki, enquanto a ministra Rosa Weber relatará o pedido de Rubens Pereira Jr. Além das duas ações, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) também apresentou uma reclamação com o mesmo conteúdo. "O Eduardo Cunha está extrapolando o papel dele. A Constituição é clara. Ela diz que a Lei tem que definir o procedimento e o presidente da Câmara quer definir pelo regimento interno", afirmou Teixeira. "Acho que se o Supremo se pronunciar amanhã impede que evoluir essa discussão. E depois temos que barrar politicamente isso. Todo o roteiro vamos ter que definir até a amanhã", concluiu. O deputado junto com integrantes da bancada do PT da Câmara se reúnem no dia de hoje com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Ricardo Berzoini, na busca de um consenso sobre os passos que deverão ser tomados a partir desta terça-feira.

Lateral brasileiro do Barcelona é investigado por crime fiscal


Mais um jogador do Barcelona ocupa as manchetes policiais na Espanha. O lateral-esquerdo brasileiro Adriano Correia será investigado pelo fisco espanhol, assim como os colegas Neymar, Lionel Messi e Javier Mascherano. Segundo o jornal catalão Sport, Adriano receberá nos próximos dias uma queixa formal do Ministério da Fazenda espanhol por transferir seus direitos de imagem em contrato a empresas situadas em paraísos fiscais. O caso é bastante semelhante ao de Mascherano. O fisco entende que essa quantidade de dinheiro deveria ser tributada na Espanha, local onde o jogador vive e trabalha e não ser levada para fora do país, onde escaparia dos impostos espanhóis. Por isso, o Tesouro espanhol deve pedir uma indenização de 1 milhão de euros (cerca de 4,2 milhões de reais) ao jogador nascido em Curitiba - assim como Mascherano e o treinador Luiz Felipe Scolari, Adriano poderia escapar de julgamento apenas pagando uma multa correspondente.

Comitê de Ética da Fifa suspende mais um dirigente por 90 dias


O presidente da Associação de Futebol da Tailândia, Worawi Makudi, foi suspenso por 90 dias pela Fifa nesta segunda-feira, sob suspeita de ter cometido irregularidades. Makudi, de 63 anos, foi membro do Comitê Executivo da Fifa de 1997 até maio deste ano. Sua suspensão foi anunciada quatro dias depois de o próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter, e Michel Platini, presidente da Uefa, também serem suspensos por três meses por suspeitas de corrupção. O Comitê de Ética da Fifa suspeita que Makudi tenha violado o código de conduta do organismo gestor do futebol mundial e informou que seu caso "é objeto de uma investigação formal". Não há detalhes sobre as supostas violações cometidas por pelo tailandês, mas se sabe que Makudi estava sendo investigado sobre o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e de 2022, que serão realizadas na Rússia e no Catar, respectivamente. Em julho, ele foi condenado por falsificação em caso relacionado com sua reeleição como presidente da associação tailandesa. Um tribunal o condenou a 16 meses de prisão, mas a pena estava suspensa. Além de Blatter, Platini e Makudi, a Fifa já suspendeu o ex-secretário-geral Jérôme Valcke, por 90 dias, e o sul-coreano Chung Mong-joon, ex-vice -presidente e pré-candidato a suceder Blatter, por seis anos, o que impossibilitou sua candidatura para 2016.

Oposição quer incluir "pedaladas" de 2015 em pedido de impeachment


Líderes de partidos de oposição na Câmara se reúnem na noite desta segunda-feira em Brasília para definir a estratégia a ser adotada para dar seguimento ao eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Eles farão nesta terça-feira um aditamento ao pedido de impedimento apresentado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. O documento está nas mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A idéia dos oposicionistas é incluir no pedido de impeachment o relatório do Ministério Público de Contas segundo o qual o governo repetiu as chamadas "pedaladas fiscais" em 2015. Para a oposição, o argumento de que o atraso nos repasses do Tesouro Nacional a bancos não foi interrompido no ano passado contornaria a justificativa, até aqui adotada por Eduardo Cunha, de que não se pode abrir processo de impedimento com base em irregularidades cometidas em mandato anterior. Na semana passada, o Tribunal de Contas da União rejeitou por unanimidade as contas de 2014 do governo petista com base, entre outras irregularidades, nas "pedaladas". Na última semana, Reale Júnior já havia feito um aditamento apontado que o governo "pedalou" também neste ano. Um dos indícios é que a Caixa Econômica Federal fechou o mês de março com um déficit de 44 milhões de reais na conta para pagamento de seguro-desemprego, que é 100% financiada por recursos do Tesouro Nacional. Esse buraco indica que houve falta de recursos e que o banco pode ter sido forçado a usar, novamente, recursos próprios para fazer pagamentos do programa. O novo aditamento usará o relatório do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, responsável pela investigação que aponta que o governo atrasou a transferência de 40,2 bilhões de reais aos bancos públicos no primeiro semestre de 2015, montante maior que o verificado em todo o ano passado (37,5 bilhões de reais). A reunião desta noite também servirá para que a oposição discuta a repercussão da nota divulgada por PSDB, DEM, PPS, PSB e Solidariedade em que pediram o afastamento de Eduardo Cunha para que ele pudesse se defender da acusação de mentir sobre ser dono de contas secretas na Suíça. O comunicado foi emitido sem consenso, e integrantes de PSDB, DEM e Solidariedade entendem que a manifestação foi um equívoco. Tanto para governo quanto para a oposição e para deputados próximos a Eduardo Cunha, a nota não passou de um jogo de cena para responder a cobranças feitas pela opinião pública e pelas bases eleitorais dos deputados que pedem a saída de Dilma, mas se omitiam em relação à situação de Eduardo Cunha, apontado pelo Ministério Público da Suíça como detentor de contas naquele país. As contas, também em nome de familiares do peemedebista, também teriam sido utilizadas para pagar aulas de tênis e cursos no Exterior. Caso Eduardo Cunha indefira o pedido de impeachment, a oposição apresentará um recurso ao plenário, que pode aprová-lo por maioria simples (50% mais um dos deputados presentes na sessão). Cabe ao presidente da Câmara decidir quando o recurso será apreciado pelos deputados.

Com impeachment na pauta, Dilma reúne ministros pela 3ª vez




A presidente da República, a petista Dilma Rousseff, se reuniu pelo terceiro dia consecutivo com o núcleo duro do governo federal no Palácio da Alvorada, em Brasília. Sem divulgar agenda pública, Dilma convocou os ministros às vésperas de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), analisar pedidos de impeachment protocolados no Legislativo que ainda estão pendentes de resposta. Nesta segunda-feira, feriado de Nossa Senhora Aparecida, foram ao encontro de Dilma os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Governo) e o assessor especial Gilles Azevedo. Desde sexta-feira, quando realizou sua primeira reunião com todos os ministros após a reforma ministerial e deflagrou a estratégia de defesa das chamadas pedaladas fiscais, além de uma ofensiva para enquadrar os parlamentares da base para tentar assegurar votações no Congresso, Dilma passou a receber reservadamente os ministros com maior trânsito no Legislativo. Nesta terça-feira, Eduardo Cunha deve se posicionar oficialmente sobre o mais sólido pedido de abertura de um processo de afastamento de Dilma, o que leva assinatura dos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior. O roteiro traçado por Eduardo Cunha e oposicionistas previa que o presidente da Câmara rejeitasse o pedido nesta terça-feira, o que provocaria um recurso ao Plenário para tentar aprovar o pedido até a semana que vem - seriam necessários 257 votos. No entanto, há possibilidade de Eduardo Cunha aceitar a denúncia de Bicudo e Reale Junior de maneira sumária. Isso porque o PSDB pode anexar indícios de que as pedaladas fiscais teriam se repetido em 2015, conforme indica o Ministério Público de Contas. Na semana passada o Tribunal de Contas da União considerou por unanimidade que as manobras orçamentárias são irregulares. Para a oposição, este é o maior indicativo de que Dilma cometeu crime de responsabilidade no ano de 2014. O relatório do Tribunal de Contas da União ainda precisa passar pela Comissão Mista de Orçamento e depois ser votado, já como projeto de decreto legislativo, em sessão do Congresso Nacional. Senadores e deputados darão a palavra final sobre a rejeição das contas presidenciais. Mas o trâmite só deve ocorrer a partir de fevereiro de 2016. Se Eduardo Cunha aceitar o requerimento em vez de rejeitá-lo, será formada uma comissão especial, encarregada de emitir um parecer a ser enviado ao plenário. Os deputados só se manifestariam sobre o parecer da comissão especial. Para ser aprovada a abertura do processo de impeachment, seria necessário o voto favorável de pelo menos 342 deputados. A aposta de que Eduardo Cunha vai deferir o pedido cresceu depois do encontro do peemedebista com líderes da oposição na casa do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), no Rio de Janeiro, no sábado. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), ficou encarregado de preparar a emenda ao requerimento de Bicudo e Reale Júnior com a equipe jurídica do partido. Após o encontro, a oposição também divulgou nota em que defende o afastamento de Eduardo Cunha do cargo por causa da confirmação, pelo Ministério Público, de que o peemedebista possui contas bancárias com ao menos 2,4 milhões de dólares bloqueados na Suíça. Ele é acusado de ter recebido propina no esquema do Petrolão. Eduardo Cunha nega ser beneficiário das contas secretas e rejeita deixar a presidência da Câmara.

Avenida do porto já está alagada, só o muro da Mauá e suas comportas impedem o alagamento do centro de Porto Alegre pelas águas do rio Guaíba


VEJA O FECHAMENTO DA ÚLTIMA COMPORTA DO MURO DA MAUÁ, EM PORTO ALEGRE




Rio Guaíba pode transbordar e alagar Porto Alegre a qualquer momento



O Sistema Metroclima, da prefeitura de Porto Alegre, confirmou no começo da tarde desta segunda-feira (12) que o rio Guaíba voltou a subir, após ter o nível de água estabilizado desde a madrugada. Às 16h40, atingiu o maior nível até agora, com 2,92 metros na região do Cais Mauá. O volume de água é superior ao verificado na enchente de 1967 em Porto Alegre, quando o Guaíba atingiu 2,83 metros. Agora, a marca só é menor à registrada na cheia de 1941, quando o Centro da cidade foi inundado. Segundo o Sistema Metroclima, o rio Guaíba está a apenas 13 cm da cota de extravasamento no centro da cidade, mas devido às ondas das águas no cais do porto, a região poderá ser alagada com menos de 3 metros da cota de extravazamento. Como medida de segurança, 13 das 14 comportas do cais foram fechadas ainda na tarde de domingo. A última pode ser bloqueada ainda hoje, caso o nível não baixe. Segundo o último balanço da Defesa Civil, divulgado no fim desta manhã de segunda-feira, subiu para 24.443 o número de pessoas atingidas pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Pelo menos 53 cidades tiveram prejuízos. Dom Pedrito, Encantado e São Borja foram as mais novas cidades a reportar estragos. Até o momento, cinco municípios com decretação de estado de calamidade já começaram preenchimento da documentação: Campestre da Serra, Ibarama, Itaara, Nova Esperança do Sul e São Jerônimo. A água segue invadindo casas em Eldorado do Sul, nesta segunda-feira (12). Os bairros Cidade Verde e Chácara são os mais atingidos. Mais de 18 mil moradores - de uma população de 33 mil pessoas - foram prejudicadas no município devido à cheia do rio Jacuí, que teve as águas represadas em função do vento. 

Aécio Neves reafirma: "Nós não disputamos contra um partido político, disputamos contra uma organização criminosa que se apoderou do Estado e estabeleceu um terrorismo"


Na semana em que o Tribunal Superior Eleitoral abriu uma ação de impugnação de mandato de Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer - ajuizada pelo PSDB -, o senador e ex-presidenciável tucano, Aécio Neves (MG), afirma que logo após a derrota no 2º turno da disputa de 2014 deu “um sinal” de apoio à presidente reeleita “em torno de uma agenda para o País”. Segundo ele, Dilma não compreendeu e agiu com “soberba” e “arrogância”. Quase um ano depois da eleição, Aécio Neves avalia em entrevista concedida ao Estado na terça-feira passada que seu mérito na disputa foi reeditar a polarização com o PT. O senador também revela mágoa com o comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Ele se apequenou". 
Um ano depois de encerrado o 2º turno, como o sr. enxerga hoje a eleição presidencial de 2014?
É uma eleição que vai ficar marcada no Brasil pelos múltiplos cenários que vivemos, mas com um resultado, a meu ver, paradoxal. Porque nós que perdemos passamos a ser tratados como vitoriosos nas ruas e quem venceu está sitiado hoje no Palácio e seus aliados não podem nem sequer caminhar pelas ruas quando são identificados. A marca que a história vai levar dessa eleição é que o grupo que estava no poder efetivamente fez o diabo para vencer as eleições, submeteu o Estado brasileiro a esse projeto de poder. Foi uma vitória eleitoral, mas uma derrota política para quem está no governo, tamanha as contradições entre aquilo que se dizia e aquilo que acontece no Brasil de hoje. 
No fim do ano passado, o sr. disse que perdeu a eleição não para um partido político, mas para uma organização criminosa. Mantém essa declaração?
Reitero. Não é apenas eu que digo isso. É a Polícia Federal, o Ministério Público, a Operação Lava Jato. A cada dia fica mais claro como um projeto de poder se sobrepõe aos limites mínimos de correção, enfim, republicanos. Cada vez fica mais claro que esse grupo político que se apoderou do Estado, institucionalizou a corrupção no seio de algumas das nossas empresas estatais para se manter no poder. Então acho que a nossa derrota eleitoral na verdade podemos dizer que foi uma vitória política. O PSDB resgatou a polarização e é o grupo político em condições de encerrar esse ciclo perverso do PT que está aí. Foi uma campanha que começa com um discurso até sedutor da terceira via, que é até algo adequado e razoável, mas com a dinâmica da campanha e a própria tragédia que abateu o Eduardo (Campos, então presidenciável do PSB) e as circunstâncias políticas permitiram que o PSDB voltasse a falar com a sociedade. 
O sr. adotou na campanha um discurso antipetista. Foi uma postura contraditória de quem chegou a firmar uma parceria eleitoral com o PT em 2008 e pregava uma “convergência nacional” entre os dois partidos?
Essa convergência que nós pregávamos lá trás foi renegada pelo próprio PT. Ao PT não interessava a nossa proposta, que indicasse algum tipo de concessão para eles. Acho que no fundo eles temiam alguma aliança com o PSDB, até pela qualificação dos quadros do partido. Então, aquilo que nós pensamos na eleição de 2008 (quando o tucano se aliou ao ex-prefeito de Belo Horizonte e atual governador mineiro, Fernando Pimentel, do PT) foi condenado veementemente pela direção do partido e acabou por nos afastar. Numa campanha eleitoral você tem que ser mais claro em determinadas questões e em determinadas posturas você enquanto governador não tem que fazer esse papel. 
A eleição de 2014 representou um rompimento da sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem era próximo? O PSDB-MG processa Lula por calúnia e difamação contra o sr.
Eu sempre tive uma relação pessoal com o presidente e sempre registrava que ele teve com Minas uma relação republicana e não perseguiu Minas. Mas eu acho que o presidente perdeu a oportunidade de deixar nessa campanha uma imagem de grande estadista. E saiu dessa campanha menor do que entrou. Ele se apequenou ao fazer acusações pessoais que não deveriam jamais vir da boca de um presidente da República. E hoje o vemos acossado por denúncias de toda ordem. Acho que ele saiu dessa campanha menor, porque valeu para ele o diabo para vencer essa campanha também. Me entristeceu a forma menor como ele agiu na campanha eleitoral principalmente pela relação que nós construímos ao longo de oito anos, onde até mesmo ele me estimulava a vôos maiores. Eu não o reconheci principalmente no 2º turno da campanha pela forma radical que ele atuou. 
No discurso no qual o sr. reconheceu a derrota, disse que cumpriu sua missão e pediu que Dilma unisse o País em torno de um projeto honrado. Há uma tese de que ainda vivemos um terceiro turno da eleição presidencial...
Eu fui o primeiro brasileiro a reconhecer a derrota. Obviamente, isso não me tira, mais do que o direito, o dever, de continuar exercendo o meu papel de oposição. Numa eleição, a população elege o governante e elege a oposição. Quando liguei para a presidente da República poucos minutos depois de derrotado, disse a ela: ‘Meus cumprimentos, a senhora tem uma grande missão, que é unir o País’. Eu dei ali um sinal. Ela agradeceu, mas não teve nem sequer a delicadeza de cumprir a liturgia dos momentos eleitorais de comunicar ao País que recebeu os cumprimentos do candidato derrotado. E não compreendeu que estava ali dando um sinal claro de que eu estava disposto de alguma forma a contribuir para isso. Para mim essa é a questão essencial. A presidente venceu as eleições com o País dividido, não compreendeu isso e virou as costas para boa parte do País. Por isso ela hoje é rejeitada por grande parte dos eleitores, inclusive os que votaram nela. Ela agiu com a soberba de sempre, a arrogância de sempre como se tivesse tido uma votação massacrante no País e não teve. 
O sr. então está dizendo que estava disposto a ajudar no segundo mandato?
Em torno de uma agenda para o País sim. Eu já percebia a gravidade da situação, eu alertava para a gravidade da situação. A presidente Dilma privou o País de uma discussão séria em torno de medidas que precisariam ser tomadas. 
Dilma é acusada de ter cometido um estelionato eleitoral. Mas em sua campanha o sr. prometeu, por exemplo, ampliar o Bolsa Família, expandir o Pronatec e o Prouni, manter a política de aumento real do salário mínimo; disse que buscar alternativas ao fator previdenciário... Se o sr. vencesse, não poderia ser acusado do mesmo?
Acho que não. Nós nunca estabelecemos metas além daquelas que poderíamos cumprir. E nosso governo traria algo que a presidente não alcançará mais nesse mandato, que é a confiança, o que impactaria positivamente na redução da taxa de juros de longo. A reforma que nós faríamos, coerente com o que nós pensávamos, atrairia o capital privado, teríamos uma simplificação tributária. 
A que o sr. atribui a derrota no 2º turno?
Pelo que nós estamos percebendo o que aconteceu no Brasil, nós fomos longe demais. Além da mentira, nós enfrentamos um terrorismo nas regiões mais pobres do País. Nós íamos acabar com o Bolsa Família, nós íamos acabar com o Minha Casa Minha Vida, com o Minha Casa Melhor, aquilo que o governo está fazendo hoje. Nós íamos punir os mais pobres e são os mais pobres que estão pagando hoje um preço maior por não reajuste do Bolsa Família desde o começo do ano passado com a inflação que está em dois dígitos. Fizemos um ato hercúleo de chegar aonde chegamos. Nós não disputamos contra um partido político, disputamos contra uma organização criminosa que se apoderou do Estado e estabeleceu um terrorismo. Para se ter ideia em determinadas cidades do Nordeste no 2.º turno eu nem sequer tive 10% dos votos. 
Acha que perdeu por causa da votação no Nordeste?
Sim, nas regiões mais produtivas nós vencemos. 
Mas e a derrota em Minas?
Foi algo surpreendente para nós, eu admito isso. Talvez por um excesso de confiança, equívoco na campanha local e talvez Minas Gerais seja hoje o Estado mais frustrado com o resultado eleitoral. Pesquisas que nós temos me dão hoje mais de 75% das intenções de voto no Estado. Mas foi uma derrota que a mim, reconheço isso, surpreendeu. Em parte talvez por uma certa estratégia equivocada, quando nós achávamos que o resultado viria com naturalidade.
O equívoco foi a escolha do ex-ministro Pimenta da Veiga como candidato?
Ele fez a parte dele. Não seria correto da minha parte jogar a culpa no candidato, até porque eu tive uma responsabilidade grande na definição. 
O PSDB entrou com ações no TSE pedindo investigação e a cassação da chapa. Há motivos para a impugnação dos eleitos?
As denúncias que nos chegaram ensejaram essas ações. Cabe ao tribunal eleitoral julgar. Nosso papel é garantir que o tribunal atue e que ela tenha o direito de defesa, mas quem diz que o dinheiro da propina foi utilizado na campanha não é mais a oposição, são parceiros ou ex-parceiros do governo, são delatores que foram achacados - como diz o seu Ricardo Pessoa, que teve ameaçados seus contratos na Petrobrás - e outros delatores apontam na mesma direção: foram constrangidos, coagidos pelo governo para transferir parte da propina, seja para a campanha eleitoral dela ou para o partido, que, por sua vez, transferiu para a campanha eleitoral. Os tribunais estão tendo a oportunidade histórica de dizer a razão da sua existência. Não podemos garantir um salvo-conduto para o presidente da República, qualquer que seja ele. Isso é algo pedagógico, para frente. 
Mas há no PT e apoiadores de Dilma críticas ao que chamam de investigações seletivas. Sua campanha recebeu R$ 34 milhões de empreiteiras citadas na Lava Jato. Senadores do PSDB são investigados e o ex-coordenador de sua campanha (senador José Agripino Maia, do DEM) é suspeito de receber propina da OAS em outro caso...
Essa acusação da qual ele (Agripino Maia) é alvo não tem nenhuma relação com a campanha. No nosso caso nós recebemos contribuição de campanha como diz a lei. Existe uma diferença muito grande entre contribuição de campanha e extorsão. Até porque não tínhamos qualquer poder de influência em nenhuma dessas obras e qualquer diretoria da Petrobrás. Vou até além. Acho que muitos dos que nos doaram o fizeram para se ver livres da extorsão do PT.

O "Ronaldinho" e o "Tom Brady" do Lula


Está destinada a causar um estrondoso tumulto a delação premiada de Fernando Baiano, cuja homologação foi feita pelo ministro Teori Zavascki na sexta-feira.O operador (de parte) do PMDB na Petrobras pôs no olho do furacão nada menos do que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Baiano contou que pagou despesas pessoais do primogênito de Lula no valor de cerca de R$ 2 milhões. Ao contrário dos demais delatores, que foram soltos logo após a homologação das delações, Baiano ainda fica preso até 18 de novembro, quando completa um ano encarcerado. Voltará a morar em sua cobertura de 800 metros quadrados na Barra da Tijuca. A propósito, quem teve acesso ao conteúdo da delação conta que Eduardo Cunha é, sim, citado por Baiano, que reconhece suas relações com o presidente da Câmara. Mas não entrega nada arrasador contra Cunha. No domingo, 3 de outubro, o Vasco da Gama Patriotas enfrentou o T-Rex no Rio de Janeiro. A disputa atraiu pouco mais de 300 pessoas que pagaram R$ 10,00 para assistir à partida do Torneio Touchdown, organizado por Luis Cláudio Lula da Silva, 30 anos, filho caçula do ex-presidente Lula. A despeito do público escasso de um esporte que engatinha no Brasil, a liga ostenta patrocinadores cobiçados, como a cerveja Budweiser e o energético TNT. Os valores das cotas são sigilosos."O site é amador, o público pequeno, o evento e os jogos não são transmitidos na tevê, por isso o retorno para patrocinadores é baixo", avalia o especialista em marketing esportivo Amir Somoggi. "Mas o mercado de futebol americano pode ser o futuro e a NFL, liga norte-americana, é uma das mais valiosas do mundo, chegando a faturar US$ 50 milhões só com ingresso da final", pondera. São com números como esses que Luis Cláudio justifica sua entrada no torneio, que viu a prosperidade chegar com ele, em 2011. A quantidade de times saltou de 7 em 2010 para 20 em 2014 e hoje está na marca dos 16. Duas temporadas – de 2012 e 2013 - foram televisionadas. Os clubes passaram a receber uma ajuda de custo anual de R$ 20 mil e dinheiro para confecção de uniformes. No e-mail em que comunicou a fãs da modalidade a sociedade com Luis Cláudio, o criador do Touchdouwn André Adler, morto em 2012, disse que ele vinha para "elevar o potencial de captação". Na mensagem também comemorou o fruto da parceria, a final da temporada de 2011 no estádio do Ibirapuera, em São Paulo. Na platéia do jogo estava Lula. Em entrevistas, o petista disse que, da mesma forma que o Brasil trabalhou para que o futebol brasileiro desse certo nos EUA, acreditava que o americano poderia vingar no Brasil. Menos de dois anos depois o campeonato contava com sete patrocinadores. Além dos atuais TNT e Budweiser, investiam no Touchdown Tigre, Sustenta Energia, do grupo JHSF, Qualicorp e GOL. Outra patrocinadora nos anos 2012 e 2013 foi a Caoa Hyundai, que segundo o jornal "Estado de S. Paulo" contratou o escritório de lobby Marcondes & Mautoni, investigado pela Polícia Federal e pela CPI do Carf, para obter a extensão da desoneração fiscal por meio de uma medida provisória que teria sido comprada por lobistas. O escritório M&M também teve relações com Luis Cláudio. Em 2014, a M&M contratou a LFT Marketing Esportivo, a outra empresa do filho do ex-presidente, por R$ 2,4 milhões. Segundo Mauro Marcondes, sócio do escritório, um dos serviços prestados se referia a um projeto de um ônibus que circularia pelo Brasil durante a Copa do Mundo divulgando uma patrocinadora do mundial. Os planos não saíram do papel. Outro trabalho foi a assessoria a um projeto para integrar modalidades esportivas em um centro de exposições que está sendo planejado no interior de São Paulo. "Considerei o valor caro, mas fiquei satisfeito com o resultado que ele me apresentou", afirmou Marcondes. A realidade do Touchdown é bem diferente da vivida pela CBFA (Confederação Brasileira de Futebol Americano), entidade oficial do esporte que organiza desde 2012 um campeonato nacional paralelo ao do filho de Lula. Nas suas quatro temporadas realizadas, ela nunca angariou um patrocínio anual. É de um escritório em um prédio comercial nos Jardins, em São Paulo, que Luis Cláudio gerencia suas duas empresas voltadas para o ramo esportivo: a Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que administra a liga de futebol americano, e a LFT Marketing Esportivo, dedicada a projetos para outras empresas. Clientes relatam que o espaço tem três cômodos, poucos funcionários e o irmão Fábio Luis, o Lulinha, entre os vizinhos. O apelido é o mesmo que Luis Cláudio carrega nos gramados, apesar de rechaçá-lo. Nos documentos da Touchdown, a empresa criada para gerenciar o torneio, Luis Cláudio aparece como "diretor geral". Segundo donos dos times que participam da competição, é ele o responsável pelas principais atividades, como definição de locais onde acontecerão as partidas e prospecção de verbas. O valor captado não é partilhado com os times. "Não sabemos quanto Luis Cláudio capta, mas parte disso é direcionado para nós", conta o presidente da equipe do Flamengo no torneio, Rogério Pimentel. Formado em educação física, Luis Cláudio passou pelos principais clubes de futebol de São Paulo trabalhando como auxiliar de preparadores físicos. O São Paulo foi o primeiro a abrir as portas para o filho do ex-presidente da República, que trabalhou ali por cerca de três meses. Luis Cláudio também atuou no Palmeiras quando Vanderlei Luxemburgo era técnico do time, em 2008. Em 2009, quando ingressou no Corinthians, ganhou mais visibilidade na imprensa com ajuda do clube.