segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Banco Central projeta dólar acima de R$ 4,00 e aumento de inflação e juros


A pesquisa Focus com economistas do mercado financeiro e divulgada semanalmente pelo Banco Central apontou pela primeira vez que o dólar deve fechar 2016 cotado a R$ 4,00. Para 2015, a expectativa é que a moeda americana fique em R$ 3,86. As previsões para o PIB e a inflação também pioraram, assim como já se vê uma alta na taxa Selic no ano que vem. As novas projeções para o desempenho da economia vêm após a divulgação do novo pacote de medidas de austeridade do Ministério da Fazenda, com a retomada de impostos como a CPMF, anunciado na semana passada. Segundo o relatório do Banco Central, a taxa de câmbio esperada para 2015 e 2016 aumentou pela terceira semana seguida. A expectativa para este ano passou de R$ 3,70 para R$ 3,86, enquanto para o ano que vem o salto foi de R$ 0,20 – de R$ 3,80 para R$ 4,00. Já a expectativa em relação ao PIB registrou pela décima semana seguida uma piora na expectativa para este ano e de 2016. A economia brasileira deve registrar uma contração de 2,70%. Na semana passada, a previsão era de um encolhimento de 2,55% este ano. De acordo com o IBC-Br, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a economia ficou praticamente estável em julho, com leve recuo de 0,02%. No ano, no entanto, a a atividade econômica já retroagiu nada menos que 2,71% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, a queda é de 1,89% – houve uma aceleração da retração da economia, já que até o mês passado, o recuo em 12 meses era de 1,64%. O PIB do segundo trimestre de 2015, divulgado no fim do mês passado pelo IBGE, mostrou que a economia recuou 1,9% frente aos três meses anteriores, registrando o pior desempenho da série histórica iniciada em 1996. A piora na projeção do PIB deste ano tem influência na expectativa para 2016. O cenário para o ano que vem piorou pela sétima semana seguida. Na pesquisa anterior, a previsão era de um recuo na atividade econômica de 0,60%, que foi ampliado para 0,80%. Já a perspectiva de inflação deste ano também teve alta, de 9,28% na semana passada, para 9,34%. Para 2016, a expectativa de 5,64% para o IPCA aumentou para 5,70%. Foi a sétima elevação semanal seguida. A projeção está acima da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5%, podendo variar dois pontos para cima ou para baixo. Já a taxa Selic para 2015 foi mantida no mesmo patamar pela oitava semana seguida,nos atuais 14,25%. Após a previsão para 2016 ficar em 12% por três semanas, a nova previsão agora é de uma taxa básica de juros de 12,25% no próximo ano.

PT de Lula ataca PT de Dilma


A primeira reunião do Conselho Consultivo do PT, realizada nesta segunda-feira em São Paulo, foi marcado por ataques à política econômica do governo federal e às últimas medidas da presidente Dilma Rousseff. O conselho é formado por lideranças do partido, como o prefeito Fernando Haddad (São Paulo), os governadores Tião Vianna (Acre) e Wellington Dias (Piauí), e também pessoas que não são filiadas à legenda, embora petistas até a raiz dos cabelos, como o simulacro de escritor Fernando Morais (na época em trabalhava no Jornal da Tarde tinha o apelido de "Fernando B", o "B" naturalmente sendo de "babaca") . O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Junior, em seu livro "Assassinato de reputações") também faz parte do conselho. Segundo um dos participantes, a maioria dos presentes criticou as medidas na área econômica, principalmente as que afetam os trabalhadores. Durante o encontro foi lembrada a decisão de adiar o reajuste do funcionalismo federal, anunciada na semana passada pelo governo. "É uma categoria que pode perder a motivação para sair às ruas para defender a presidente se houver um pedido de impeachment", afirmou o integrante do conselho. De acordo com o presidente do PT, Rui Falcão, houve pedidos de mudanças na política econômica: "Como o PT havia diagnosticado, é importante que haja mudanças na política econômica, iniciando com uma queda da taxa de juros e promovendo mudanças tributárias maiores do que estão propostas". Ainda nas palavras de Falcão, as propostas apresentadas pelos conselheiros falam em aumentar as taxas “sobre ganhos de rentistas, sobre grandes heranças e grandes fortunas”. "No médio prazo, precisa ser feita uma grande reforma tributária que mude a base do sistema, tornando o mais justo e menos regressivo. Que os impostos incidam mais sobre a propriedade e a riqueza e menos sobre a produção e os salários como é atualmente", disse o presidente do PT. Ainda de acordo com Rui Falcão, Os participantes da reunião propuseram que a proposta de volta da CPMF tramite no Congresso como um projeto de lei complementar e não com uma proposta de emenda constitucional (PEC), que exigiria aprovação de dois terços dos congressistas. A reunião do Conselho Consultivo do PT também tratou do cenário político e da conjuntura para a eleição municipal no próximo ano. Foi diagnosticado que uma vitória de Fernando Haddad em São Paulo pode servir para amenizar uma eventual derrota ampla no restante do País provocada pelo desgaste da legenda. Apesar do cenário adverso, a avaliação é que Haddad tem chances na capital paulista porque o quadro que se desenha prevê pelo menos outras três candidaturas fortes. O PT teve problemas para formar o grupo. O ex-governador petista "grilo falante" e poeta onanista e tenente artilheiro Tarso Genro, o jornalista petista André Singer e o miliciano Guilherme Boulos, da organização terrorista clandestina Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), recusaram o convite para integrar o conselho. A idéia de criar um conselho político foi anunciada após a reunião da Executiva do partido no dia 25 de junho. O grupo foi uma forma de dar uma resposta ao ex-presidente Lula, que dias antes havia cobrado a necessidade de a legenda promover uma “revolução interna”. 

Aécio Neves diz: "roubaram até a alma dos brasileiros"


O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, afirmou, nesta segunda-feira (21/09), no Senado, que a primeira condenação pela Justiça Federal do Paraná do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, confirma que o partido institucionalizou a corrupção para se manter no poder. Vaccari foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 15 anos e quatro meses de prisão por ter intermediado o recebimento de R$ 4,3 milhões pagos ao PT em um dos contratos da Petrobras investigados na Operação Lava Jato. “Com a condenação hoje do primeiro agente político de todo esse processo que estabeleceu-se chamar de Petrolão, assistimos à condenação de todo um esquema institucionalizado de corrupção que o PT estabeleceu no país para se manter no poder”, afirmou Aécio Neves, em entrevista no Senado. O presidente do PSDB ressaltou que o ex-tesoureiro petista foi apenas um dos integrantes de uma organização criminosa e que a sentença do juiz Moro aponta a relação direta entre os desvios ocorridos em dezenas de contratos da Petrobras e o financiamento de recursos para o PT. “Vejo no senhor João Vaccari apenas um elemento, uma peça de uma enorme engrenagem que se construiu e se institucionalizou no Brasil ao longo desses últimos anos”, disse Aécio Neves. O senador acrescentou que mais grave que o dinheiro desviado da Petrobras foram os prejuízos causados pela corrupção no processo democrático, com a contaminação das eleições passadas disputadas por ele, pela presidente Dilma Rousseff, a ex-ministra Marina Silva, o ex-governador Eduardo Campos e outros candidatos. “Acho extremamente relevante um trecho da sentença do juiz Sérgio Moro quando ele diz que mais do que o enriquecimento pessoal – já comprovado de inúmeros desses agentes que participaram desse processo – a gravidade é maior quando o dinheiro da propina interfere no processo político e no processo democrático, como atestam os fatos que levaram a essa condenação”, afirmou o senador. Na coletiva, Aécio Neves destacou que a lei vale para todos e lembrou as eleições, quando, em um debate, ele, como candidato do PSDB, perguntou à presidente Dilma, candidata do PT, se ela confiava em Vaccari, e Dilma não respondeu. “Cabe agora à presidente da República dizer aos brasileiros se continua confiando no senhor João Vaccari Neto, responsável pela arrecadação de parte importante dos recursos que irrigaram a sua campanha, ou se o juiz Moro e a Justiça Federal cometeram com ele uma grande injustiça. Com a palavra a senhora presidente da República”, disse Aécio Neves. Aécio Neves também chamou a atenção para as investigações em curso no Tribunal de Contas da União no caso das pedaladas fiscais praticadas no governo Dilma, e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde foi aberto um processo investigatório por suspeita de uso de propina da Petrobras na campanha à reeleição da presidente. “Felizmente, no Brasil hoje, temos instituições que funcionam apesar de tudo, e é hora de termos muita atenção para que o Tribunal de Contas cumpra com o seu dever e o TSE da mesma forma. No Brasil é muito importante, nesse momento em que esperamos virar uma página definitiva na nossa história, que os brasileiros, principalmente os mais jovens, saibam que a lei vale para todos. Desde o mais humilde cidadão, e no caso dos agentes públicos, desde o vereador da menor cidade do país até o presidente da República, todos eles têm que respeitar a legislação e não podem se eleger financiados por dinheiro da corrupção”, afirmou Aécio Neves. O senador destacou que, além de bilhões de reais desviados dos cofres da Petrobras, o esquema de corrupção liderado pelo PT retirou dos brasileiros a crença de que a política pode ser um instrumento de transformação, onde a honestidade seja uma regra, e não uma exceção. “Se apoderaram do Estado nacional com um objetivo: se manter no poder. A utopia foi jogada fora. E o mais grave é que roubaram a alma dos brasileiros, a crença das novas gerações na atividade política. Não existe futuro para uma sociedade sem democracia, sem que os cidadãos façam suas opções com liberdade. No momento em que se apodera das empresas públicas para influenciar no processo eleitoral, tira-se dos brasileiros essa liberdade para escolher o seu próprio destino”, criticou Aécio Neves.

Até aqui de mágoa

Barbosa: eu te disse, eu te disse
Barbosa: eu te disse, eu te disse
O Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, tem lamentado pelos cantos que o plano de ajuste anunciado no início da semana passada, que inclui a criação da CPMF, não vai dar certo. O ministro ainda não engoliu o fato de ter sido obrigado a anunciar um texto orçamentário diferente do que propôs semanas antes, e que previa déficit de mais de 30 bilhões de reais em 2016. Ao comentar as dificuldades da presidente Dilma em conseguir apoio para o plano de Levy, Barbosa tem dito aos mais chegados: “Eu avisei”.

Saudades dos velhos tempos

Enquanto isso, no Ministério da Fazenda, credores cada vez mais desconfiados
Enquanto isso, no Ministério da Fazenda, credores cada vez mais desconfiados
Sobre as dificuldades que o Brasil enfrentará para captar recursos com bancos privados no exterior depois do rebaixamento, técnicos do Ministério da Fazenda reconhecem: a situação era melhor em 2005, quando o Brasil sequer tinha o grau de investimento. Ocorre que os indicadores macroeconômicos do país eram tão saudáveis, que as instituições faziam vista grossa à falta do grau na hora de conceder empréstimos. Os tempos agora são outros. Pouco antes do rebaixamento, a Fazenda teve de travar uma batalha contra um credor desconfiado. Para fechar o contrato de empréstimo, o banco exigiu uma cláusula que previa a aceleração do pagamento total da dívida em caso de perda do grau. Os técnicos da Fazenda conseguiram derrubá-la na última hora. Caso contrário, teria sido (mais) um desastre. 

Nas asas do Fies

Walfrido Mares Guia
Mares Guia: é coisa de bilhão
O Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, que deixou dezenas de milhares de estudantes universitários sem novos financiamentos, deve ser alvo, em breve, de uma CPI. As investigações sobre as tramóias com o Fies são um tiro de canhão sobre a Kroton, empresa do mineiro Walfrido Mares Guia, que ultimamente empresta jatos executivos para o transporte do ex-presidente Lula. É coisa de bilhão. Quando Dilma Rousseff soube de mais esse legado com potencial criminal que herdou de Lula, soltou um sonoro palavrão.

Agora é a Polícia Federal

PF
PF: tem gente que quer que ela pare
Mais uma categoria vai se mobilizar contra os cortes do governo — e, desta vez, uma categoria que já dá bastante dor de cabeça ao Palácio do Planalto. Na quarta-feira, delegados da Polícia Federal de todo o país vão parar para protestar contra a redução nas verbas, que, segundo eles, compromete as suas tarefas. O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Marco Leôncio Ribeiro, afirma que os cortes “têm impacto no combate à corrupção”. Com esse argumento, é capaz de alguém no governo defender mais cortes.

Dono da JD2 repassou controle de contas bancárias

A JD2 Consultoria é um dos assuntos prediletos aqui, pois O Antagonista sabe que uma investigação séria levará para a cadeia alguns petistas graúdos. Já revelamos que Dércio Guedes é amigo do ministro-motoqueiro Carlos Gabas e sócio de Alexandre Romano, pivô da Operação Pixuleco II. Agora, O Antagonista revela que, em dezembro de 2014, Dércio passou uma procuração para seu irmão Dennys Guedes Souza, com poderes exclusivos para que ele pudesse movimentar suas contas bancárias no Banco do Brasil, no HSBC e no Bradesco.

A JD2 não é Dirceu, mas seu dono também tem um irmão
Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do governo Lula, falou à Folha que os empresários também são culpados pela crise atual porque aplaudiram a agenda populista do PT. "Essa agenda foi defendida durante anos por interesses empresariais. Foi aplaudida em praça pública no começo de 2009, dizendo que levaria a um aumento do investimento e tiraria o país da crise internacional" "Muitos dos que hoje criticam apoiaram as medidas que levaram a economia à situação em que está". Lisboa está certo. Só esqueceu de dizer que uma parte dos que apoiaram a agenda populista do PT está presa na carceragem da PF em Curitiba e outra ainda aguarda o desenrolar das investigações da Lava Jato.

Corra, Duque, Corra

Mais cedo o Antagonista noticiou que Renato Duque voltou a se reunir com delegados e procuradores da Lava Jato para tentar fechar um acordo de delação premiada. A condenação de hoje a 20 anos e 8 meses de prisão tornou a situação de Duque mais sensível. As conversas com o ex-diretor começaram dia 5 de agosto. Ele já propôs entregar Renan Calheiros, mas a força-tarefa quer mais, quer Lula e Dilma. O problema é que Nestor Cerveró já começou a entregar os dois. Duque precisa correr.

Quem aplaudiu a agenda populista do PT

Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do governo Lula, falou à Folha que os empresários também são culpados pela crise atual porque aplaudiram a agenda populista do PT. "Essa agenda foi defendida durante anos por interesses empresariais. Foi aplaudida em praça pública no começo de 2009, dizendo que levaria a um aumento do investimento e tiraria o país da crise internacional" "Muitos dos que hoje criticam apoiaram as medidas que levaram a economia à situação em que está". Lisboa está certo. Só esqueceu de dizer que uma parte dos que apoiaram a agenda populista do PT está presa na carceragem da PF em Curitiba e outra ainda aguarda o desenrolar das investigações da Lava Jato.

Lula pediu a renúncia de Dilma

Lula quer que Dilma Rousseff renuncie. É o que diz petista Marcos Nobre em sua coluna no Valor: “Lula teria se reaproximado de Dilma Rousseff na última semana não para compor o front contra o impeachment e ajudar na organização do exército, mas para convencê-la a se render. O cálculo teria envolvido algumas variáveis fundamentais. Lula não enxergou como poderia continuar tentando compatibilizar ajuste fiscal, movimentos sociais, PT, Mercadante, Joaquim Levy e Dilma sem rapidamente destruir seu próprio campo. O segundo elemento que teria pesado em favor dessa linha de ação teria sido o futuro eleitoral do ex-presidente e de seu partido. É opinião unânime que o PT será duramente castigado nas eleições dos próximos anos. O risco de debandada desorganizada é real e iminente. Mas é preciso manter uma estrutura e uma unidade de base que permitam resistir ao desmantelamento. A continuidade do governo Dilma Rousseff se tornou uma ameaça à sobrevivência do PT. Daí a opção por uma retirada o quanto possível organizada”.

Dono da Engevix preso

Um dos donos da Engevix, José Antunes Sobrinho, foi preso. A Engevix remete diretamente ao Estaleiro Rio Grande, fonte de propina para Antonio Palocci, segundo as suspeitas da Lava Jato.

Impeachment em novembro?

A Veja Online diz que Eduardo Cunha deve “analisar monocraticamente até três solicitações de impeachment por semana até chegar, no final de outubro ou início de novembro, ao pedido mais robusto, assinado pelo fundador do PT Hélio Bicudo e pelo jurista Miguel Reale. O cronograma de avaliação dos pedidos conta a hipótese de que o TCU ou o TSE — ou ambos — compliquem a vida de Dilma julgando ações contra ela, e garantam força à proposta de impeachment formulada por Bicudo”. Novembro é tarde demais, Cunha.

Lula preso vai ser uma cena bonita

Jarbas Vasconcelos, nesta segunda-feira, num encontro com empresários, em Recife, disse que a saída de Dilma Rousseff é inevitável: "Ou pela renúncia ou pelo impedimento, já em outubro talvez. Temos que nos livrar antes do final do ano desta praga. Ela está terminal. Vai terminar como a doida da série, mas não vejo o Lula dando tiro para cima e querendo saltar do trem". Ele disse também: “É uma quadrilha organizada e o Lula é quem comanda. Eles aparelharam o Estado e destruíram o Brasil, enquanto a Dilma fica feito um besouro, voando, mas vai acabar renunciando". Sobre Lula, Jarbas Vasconcelos arrematou: “Vocês têm dúvida de que Lula vai ser preso na operação Lava Jato? Vai ser uma cena bonita". Sim, vai ser uma cena bonita.

Fazenda promete quase dobrar salário de conselheiro do Carf


Por meio de ofício encaminhado ao Ministério da Fazenda, entidades que representam a advocacia solicitaram a paridade de salários entre os conselheiros representantes dos contribuintes e do Fisco no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Atualmente o decreto nº 8.441, de 2015, prevê remuneração máxima de R$ 11,2 mil aos representantes dos contribuintes, enquanto os conselheiros fazendários podem receber até R$ 22 mil. Assinaram o documento a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Movimento de Defesa da Advocacia (MDA) e o Centro de Estudos de Sociedades de Advogados (Cesa). De acordo com o presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, ainda não houve resposta do Ministério da Fazenda ao requerimento, mas há “uma promessa de que ele seja efetivado”. No documento, encaminhado no começo do mês, as entidades pedem que o Ministério da Fazenda envie projeto de lei ao Congresso Nacional determinando a equiparação de remuneração. As organizações afirmam no ofício que o decreto fere o princípio da isonomia, “estabelecendo um teto remuneratório incompatível com o grau de zelo exigido pela função, ficando bastante aquém da remuneração paga aos conselheiros representantes da Fazenda”. O decreto nº 8.441 foi editado em abril, quase um mês após a paralisação das atividades do Carf. A norma determina, aos conselheiros dos contribuintes, pagamento por sessão de julgamento, podendo chegar a R$ 11,2 mil. Já os conselheiros do Fisco seguem o plano de carreira de auditor fiscal da Receita Federal, que pode chegar a R$ 22 mil. As sessões de julgamento do Carf estão paralisadas desde março, e dependem da aprovação de projeto de lei que libere recursos para o pagamento dos conselheiros para serem reiniciadas. O projeto (com os valores previstos no decreto) deve ir à votação na próxima terça-feira (21/09). (Por Bárbara Mengardo - Jota)

Sob Dilma, empresas perdem US$ 1 trilhão

O desastre político e econômico do governo de Dilma Rousseff pode ser medido de vários modos. Eis um deles: com Dilma na presidência, as 300 empresas listadas na bolsa brasileira perderam US$ 1 trilhão em valor de mercado. Em abril de 2011, no melhor momento, eram avaliadas em US$ 1,531 trilhão. Na última sexta-feira (18), valiam apenas US$ 515 bilhões, segundo a consultoria Economática. É menos do que os mais de US$ 600 bilhões que a Apple, sozinha, vale na Nasdaq. E é o nível mais baixo para a Bovespa, desde 2005. Precisa dizer mais?

Pesquisa: Lula é tóxico; Dilma é tóxica

O PT morreu. Um dos seus atestados de óbito está presente na resposta a uma das perguntas da pesquisa que o Instituto Paraná fez em Goiânia. A pergunta foi: "O apoio do (a) ... a um prefeito da cidade de Goiânia aumentaria, diminuiria ou não alteraria a sua vontade de votar nesse candidato?... As respostas foram as seguintes: O apoio do senador Aécio Neves aumentaria a vontade de votar em determinado candidato para 35,5% dos entrevistados e a diminuiria para 23% deles. O apoio do ex-presidente Lula aumentaria a vontade de votar em determinado candidato para 20,1% dos entrevistados e a diminuiria para 59,3% deles. O apoio da presidente Dilma aumentaria a vontade de votar em determinado candidato para 7,8% dos entrevistados e a diminuiria para 74,2 deles. Resumindo: Lula é tóxico; Dilma é tóxica. Alguém aí acha que o quadro muda muito no resto do País?

FHC também pedalava? Mentira

Júlio Marcelo de Oliveira, procurador de contas junto ao TCU, deu entrevista à BBC Brasil. Na entrevista, o procurador afirma que as pedaladas fiscais são, sim, fundamento jurídico para o pedido de impeachment -- e mostra como é mentira do governo Dilma Rousseff que elas foram praticadas também no período FHC.
Leiam trecho da entrevista:
BBC Brasil - Voltando ao julgamento do TCU, o governo argumenta que as práticas que estão sendo questionadas agora já foram aplicadas em outros anos, sem ter levado à reprovação de contas. Na visão do governo, uma mudança de avaliação significaria um julgamento político. Como o senhor vê essa crítica?
Oliveira - Esse argumento é absolutamente improcedente. O que aconteceu a partir do fim de 2013, e que marcou todo exercício de 2014, é algo totalmente inédito. Os gráficos do comportamento do pagamento de benefícios – de abono salarial, seguro-desemprego, Bolsa Família – demonstram isso. E todos os gráficos que mostram o relacionamento do governo com a Caixa Econômica têm um comportamento normal, desde 2002 até o meio de 2013. A partir do segundo semestre de 2013, o governo simplesmente para de mandar dinheiro para a Caixa e começa a usar a Caixa como cheque especial.
BBC Brasil - O que é inédito é o volume, certo?
Oliveira - O volume, o uso e a intenção clara de se financiar, de usar a Caixa como meio de financiar outras políticas do governo.
BBC Brasil - Mas as pedaladas já tinham sido usadas antes em volumes menores, esporadicamente, não?
Oliveira - Não, não mesmo. Você tem uma carga de suprimentos (dinheiro) para pagar benefícios, recursos que o Tesouro Nacional manda para a Caixa. Por exemplo, esse mês vamos pagar R$ 500 milhões de seguro-desemprego, que é uma estimativa (de quanto será necessário) segundo a série histórica (de pagamentos desse benefício). Chega o dia de pagar os benefícios. Se naquele dia aparecerem pessoas para sacar R$ 505 milhões, a Caixa não vai fechar o guichê às 15h40 e dizer que não tem dinheiro. Ela paga, no dia seguinte ela comunica ao Tesouro, o Tesouro repõe o valor. É uma coisa imediata. Não é uma coisa que o governo possa ficar usando como empréstimo.
O que aconteceu, a partir de meados de 2013 e ainda em 2014 inteiro, é que o governo não mandava os R$ 500 milhões. A Caixa pagava tudo e o governo ficava usando os R$ 500 milhões que tinha que mandar para lá em outros programas que ele queria turbinar, sem ter dinheiro para isso, sem ter arrecadação suficiente.

Os gráficos das pedaladas de Dilma

O que o procurador Júlio Marcelo de Oliveira explica em post anterior, o Antagonista ilustra aqui. Nem Lula pedalou como Dilma, muito menos FHC. Os gráficos abaixo mostram a situação da conta da Caixa para pagamento do Bolsa Família, seguro-desemprego, abono salarial e INSS. O gráfico mostra o tamanho do "cheque especial" usado pelo governo para maquiar o resultado fiscal. situação que até maio do ano passado já era crítica e só piorou depois.

Das Mentirra

A Alemanha está em choque, depois que a Volkswagen foi acusada de ter fraudado a medição dos níveis de poluição dos seus carros vendidos nos Estados Unidos, entre 2009 e este ano. As ações da companhia, uma das bases da economia alemã, caíram 17% em Nova York e a Volkswagen poderá ser obrigada a pagar uma multa de 18 bilhões de dólares. Das Mentirra.

Segura aí, Vaccari

O PT soltou nota em apoio ao "companheiro" João Vaccari Neto. Rui Falcão disse que espera derrubar a condenação do ex-tesoureiro nas instâncias superiores. No comunicado, o presidente do PT também rende elogios a Vaccari, que "sempre cultivou a simplicidade e a humildade", "não enriqueceu na política" e "tão somente indicava aos doadores a conta oficial do partido para os respectivos depósitos de contribuições". Rui Falcão não acredita nas palavras que escreve, apenas tenta usá-las para convencer Vaccari de que vale à pena continuar em silêncio, até que tudo seja resolvido no STF. Vaccari vai acabar como Delúbio Soares e Marcos Valério.

A culpa é do Kassab

Informa o site O Antagonista hoje: "O JN finalmente fez matéria sobre a decisão do Contran de abolir o uso de extintores de incêndio em veículos de passeio e lembrou outras decisões absurdas que tiveram fim parecido, como o kit de primeiros socorros e os simuladores de direção. O problema do Contran é político. O órgão é geralmente comandado por gente inexperiente e acaba virando alvo fácil dos piores lobbies do mercado. O atual problema do Contran chama-se Alberto Angerami, que foi delegado-geral adjunto da Polícia Civil de São Paulo, indicado por Gilberto Kassab, o ex-prefeito de São Paulo que conseguiu uma boquinha no governo do PT ao dizer que não é de direita, de esquerda e nem de centro".
É necessário fazer uma correção, ou adição, a essa informação de O Antagonista. O Contra (Conselho Nacional de Trânsito) é controlado pelos donos das empresas de formadores de motoristas. Essas empresas são reunidas em sindicatos. Só no Rio Grande do Sul são cerca de 300 empresas, reunidas em um sindicato, que também manda na federação nacional dos sindicatos da área. O setor, apenas no Rio Grande do Sul, fatura cerca de 1 bilhão e 200 milhões de reais. E tem um enorme poder no Contran para ficar inventando mudanças na legislação que produzam mais gastos pelos contribuintes. É claro que o setor, com o nível de faturamento que exibe, é um grande eleitor na política brasileira. E - imaginem.... - qual é a organização criminosa beneficiária por excelência?

Michel Pilatos

O PMDB reagiu com indiferença à oferta de Dilma Rousseff por mais ministérios. Michel Temer deixou a petista livre para definir os nomes que ela bem quiser. Na prática, lavou as mãos... É que Temer e outros caciques do PMDB enxergaram na iniciativa de Dilma uma forma de chantagem para tentar garantir a fidelidade do partido na questão do impeachment. Na semana passada, Lula pediu ao comando do PMDB que segurasse a tramitação do pedido. O vazamento da articulação expôs o PT e deixou Temer e seus colegas livres para decidirem sobre o tema.

ISRAEL – Logo vai ficar difícil para o petismo chamar de “antissionismo” o que tem tudo para ser antissemitismo mesmo!

A quantidade de desaforos que o Brasil produz contra Israel dá o que pensar. Parece que a suposta militância antissionista do governo petista assume tinturas, no fim das contas, de antissemitismo. Aliás, vamos ser claros: o antissemitismo costuma se dizer apenas um antissionismo por delicadeza eufemística, não é mesmo? Qual é o busílis? O governo de Israel decidiu indicar Dani Dayan para embaixador no Brasil. O Palácio do Planalto, sempre por meio de Marco Aurélio Garcia, o ministro oficial dos Desastres Exteriores, fez chegar àquele país o seu descontentamento, já que Dayan, argentino naturalizado israelense, é considerado um representante dos colonos da Cisjordânia e não tem simpatias pela criação do estado palestino, defendido pelo governo brasileiro. Vamos lá. O Palácio do Planalto tem todo o direito de gostar deste ou daquele. E de não gostar também. Mas, salvo engano, o embaixador de Israel no Brasil defenderá os interesses de… Israel em nosso país — que é o que costumam fazer os embaixadores, ora essa! Desde quando o representante de um estado é obrigado a abraçar a pauta daquele país para o qual é enviado? Isso é uma sandice! É claro que há protocolos nessas coisas. Não é raro que dois países tenham dissensões, embora mantenham relações diplomáticas. É evidente que não se vai enviar para o território com o qual há um contencioso importante alguém que seja flagrantemente contrário a qualquer forma de diálogo e que só acredite na linguagem do confronto — que vem a ser o contrário da diplomacia. Mas não é o caso. Ainda que o Brasil tenha as suas opiniões sobre o estado palestino — e tem, claro!, o direito a isso —, o representante de Israel em nosso território não tem de comungar dos mesmos princípios. Considerações dessa natureza expõem o primitivismo que hoje dá as cartas no Itamaraty. Venham cá: o governo petista compartilha todos os pontos de vista do embaixador do Irã no Brasil? As opiniões dos embaixadores de Cuba e da Venezuela coincidem com as do Planalto? Acho que, nos três casos, prefiro nem saber a resposta. Ou melhor: acho que já sei. O governo Dilma estrelou um vexame no ano passado quando, diante da escalada da violência entre israelenses e palestinos, emitiu uma nota em que censurou apenas Israel, ignorando os agressores palestinos e suas vítimas — judeus, é claro! O vazamento das restrições ao nome do embaixador é mais uma das grosserias do governo brasileiro com um país amigo, ao qual os petistas se opõem de maneira sistemática. Dizer o quê? Os “companheiros” tratam aos pontapés a única democracia do Oriente Médio é a pão de ló todas as ditaduras muçulmanas. Isso os define. Por Reinaldo Azevedo

Entrevista de Moreira Franco, um dos principais quadros do PMDB, deixa claro que ele já não acredita que ela chegue ao fim do mandato

Moreira Franco, ex-ministro da Aviação Civil de Dilma, ocupa no PMDB um papel político muito mais relevante do que tinha na gestão petista. É tido como um de seus principais formuladores — para os petistas mais exaltados, é só mais um conspirador, papel que atribuem também a Michel Temer, vice-presidente da República. Ignoram que Temer era, até outro dia, coordenador político do governo e que, na prática, foi tirado de lá pelo PT. Sim, ele pediu pra sair porque não havia razões para ficar.

O ex-ministro concede uma entrevista a Daniela Lima na Folha desta segunda. Embora ele não faça nem previsões nem antevisões, é difícil crer que Moreira Franco acredite que Dilma chegue ao fim do mandato.
De saída, Moreira responde à acusação mais frequentemente feita por petistas e dilmistas:
“O PMDB não conspira, não trai. Ao longo de toda a sua trajetória, e são 50 anos, o PMDB sempre teve a política como ferramenta de atuação. É um partido que tem a cultura da conversa, do diálogo e da maioria. O impeachment não pode ser tratado como algo banal, trivial. Ele não é. Mas aqui foi um tema introduzido pelo governo e, mais grave, pela presidente.”
Bem, ele diz a verdade. Cansei de chamar atenção para esse aspecto aqui. Quem primeiro levou o tema do impeachment para dentro do Palácio do Planalto — e, portanto, para o Palácio do Congresso — foi a própria Dilma, que fala obsessivamente sobre o assunto.
E esse foi apenas um de uma sequência impressionante de erros, que data ainda do tempo em que o PT vivia dias um pouco mais felizes. O principal desatino dos petistas foi buscar destruir o PMDB. Moreira Franco diz que os “companheiros” tentaram desidratar o partido e explica por que deu errado:
“Estamos aqui há 50 anos, temos raízes. O PMDB é o partido que derrubou uma ditadura sem matar ninguém, só na base da política. Nunca fomos um partido de donos, e isso, muitas vezes, não é compreendido.(…) Não há ressentimento por termos visto que a estratégia de montagem inicial do segundo mandato [de Dilma] foi diluir a força do PMDB. Sabemos nos proteger.”
Atenção, leitores! Identifiquei a determinação do PT de quebrar o PMDB, como agora aponta o ex-ministro, em abril de 2014. Leiam um trecho de um post que escrevi analisando a reforma política que o PT queria:O mais engraçadinho é que essa proposta de reforma política tem como principal alvo destruir o PMDB, que receberia menos verbas do fundo público de campanha do que o PT, estaria impedido de se financiar com empresas privadas (a não ser por intermédio do caixa dois, com os riscos inerentes a esse tipo de ação) e não contaria com as doações não estimáveis em dinheiro que os sindicatos sempre fazem ao petismo. Aliás, só os idiotas ainda não perceberam que, após quebrar a espinha do DEM e causar sérias avarias no tucanato nestes 12 anos, o alvo natural e necessário do petismo é seu principal aliado: o PMDB. É da natureza desse Leviatã do mundo das sombras.
(…)
PT x PMDB
Volto
Pois é… É claro que esse não é um modo decente de tratar um aliado, não é mesmo? Das palavras de Moreira Franco, depreende-se que a relação PT-PMDB se esgotou. O peemedebista diz evitar torcer pelo impeachment de Dilma, mas fica evidente que não se moveria para impedi-lo. Leiam o que diz:
“O quadro é extremamente grave e não adianta fingir que não é. (…) Não dá mais para achar que vai cobrir o sol com a peneira. E isso não significa que o PMDB queira derrubar [a presidente], não. Não é objetivo, não é meta, não é desiderato. O que se quer é encontrar uma alternativa para o país.”
O pacote, única saída até agora apresentada por Dilma, seria essa alternativa? Parece que Moreira Franco acha que não. Responde:
“Ele é politicamente equivocado. Não se pode ter como força maior da solução o imposto, numa situação como a que estamos vivendo, com uma carga tributária monumental e uma má vontade construída politicamente há décadas. Não é possível que não tenha outra alternativa que equilibre melhor isso. Mas vamos ver como o Congresso vai agir. Tudo ali depende dos parlamentares.”
E o próprio ex-ministro diz não acreditar que o novo imposto seja aprovado no Congresso.
A entrevista de Moreira Franco é dura com o governo, mas é cuidadosa. Procura não antever cenários. Mas a gente tem a obrigação de apontar a sua síntese: é evidente que ele já não acredita na sobrevivência do governo Dilma. Por Reinaldo Azevedo

A verdadeira organização criminosa, mostra-se, é o PT. O Brasil, esgotado, não aguenta mais essa gente

O juiz federal Sergio Moro condenou João Vaccari Neto a 15 anos e quatro meses de prisão, e Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, a 20 anos e oito meses. Os crimes pelos quais são condenados: corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Sim, trata-se ainda de sentença de primeira instância, cabem recursos, mas as evidências que há contra ambos são impressionantes. E que se note: essa é a condenação decorrente de apenas um dos processos. Há mais. Para registro, nessa mesma leva, há outras condenações, inclusive de figurinhas conhecidas do mensalão: Alberto Youssef (lavagem de dinheiro), Augusto Mendonça (corrupção ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro), Adir Assad, Dario Teixeira e Sônia Branco (associação criminosa e lavagem de dinheiro), Pedro Barusco (corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro) e Mario Goes (corrupção passiva, associação criminosa e lavagem). Muito bem! Nada há de surpreendente aí, certo? Todos esperávamos as condenações porque as evidências de falcatruas se impõem. Mais: há os delatores premiados, que apresentaram o caminho das pedras aos investigadores. Quero destacar aqui outra coisa. Em três anos, o PT teve dois tesoureiros enviados para a cadeia: Delúbio Soares, em 2012, e João Vaccari Neto, em 2014. Em três anos, os dois foram condenados por praticamente os mesmos crimes. Nos dois casos, o que se tem é a apropriação de recursos públicos em benefício de um ente privado – um partido político. Nos dois casos, uma máquina partidária se mostrava empenhada em assaltar não apenas o erário, mas também o estado de direito. Nos dois casos, ainda que vagabundos tenham se apropriado de dinheiro para si mesmos, como ladrões vulgares quaisquer, o que estava em curso era bem mais do que o assalto ao caixa: era o assalto à institucionalidade. Em 2012, a cúpula do PT foi parar na cadeia pelos crimes que vieram à tona em 2005, iniciados ainda antes de o partido chegar ao poder, na fase da disputa eleitoral, tendo continuidade já na vigência do governo Lula. No caso do petrolão, segundo testemunhos de bandidos delatores, a safadeza na Petrobras teve início já em 2003, no primeiro ano do governo do partido. Vale dizer: os dois esquemas coexistiram, foram contemporâneos, tiveram até personagens comuns, numa evidência, mais uma, de que o crime, para os petistas, não era uma exceção, um desvio, uma derivação teratológica da moral e da decência. Não! O mau-caratismo é que era o caráter. A pulhice é que era a normal. O roubo é que era o norte moral. Podemos avançar. Imaginem a ousadia de uma turma que, mesmo em face do processo do mensalão no Supremo; mesmo com a nação acompanhando estarrecida aqueles descalabros, não se acabrunhou, não se intimidou, não descobriu nem mesmo as virtudes da modéstia. Ao contrário: a impressão que se tem é que a sanha do partido em mergulhar no crime se exacerbava à medida que o STF ia mandando os companheiros para a cadeia. Não por acaso, um terceiro tesoureiro, este apenas da campanha, Edinho Silva, está sob investigação. É ministro de estado. Indaguemos e respondamos com todas as letras: um partido com essas características pode continuar portador do selo de salubridade democrática? Um partido com essas características não se deslegitimou? Um partido com essas características não passou a militar na clandestinidade? Um partido com essas características não perdeu o direito de disputar eleições segundo a legalidade? E eles não se intimidam nunca, não é? Mesmo operando mensalão e petrolão ao mesmo tempo, passaram a lutar por uma reforma política que simplesmente cassava das demais legendas o direito de receber de empresas doações legais de campanha. Mobilizaram seus vogais na sociedade civil e nos meios jurídicos – no caso, OAB e um atual ministro do Supremo, Roberto Barroso, entre outros – para levar o STF a fazer a besteira que fez: proibir a doação de empresas privadas. No escândalo sem freios em que se transformou o PT, a legenda assaltava a institucionalidade, cobrando propina dos entes privados que negociavam com o governo, enquanto buscava relegar os adversários ao financiamento público de campanha, necessariamente parco na comparação com as necessidades que o processo eleitoral engendra. Muito se fala de organização criminosa na investigação do mensalão. Que fique claro: quem realmente passou a se comportar como organização criminosa não foram esse ou aquele; não foram esse militante e um outro. Não! Considerando os petistas que já foram para a cadeia, os que estão na cadeia e os que ainda irão, a organização verdadeiramente criminosa é o PT. E por isso a legenda tem de ser banida da vida pública: pela lei, pelas urnas, pela lei e pelas urnas. O Brasil, esgotado, não aguenta mais essa gente! Por Reinaldo Azevedo

Polícia Federal prende um dos donos da Engevix na 19ª fase da Lava Jato

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira a 19ª fase da Operação Lava Jato. Ao todo 35 policiais saíram às ruas para cumprir onze mandatos judiciais: sete de busca e apreensão, um de prisão preventiva, um de prisão temporária, e dois de condução coercitiva nas cidades de Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. O alvo desta nova fase – denominada Nessun Dorma (“ninguém dorme”) – são propinas que teriam sido pagas envolvendo a diretoria internacional da Petrobras. Entre os presos está um dos donos da construtora Engevix José Antunes Sobrinho, o Turco. Na semana passada o juiz Sergio Moro já havia transformado o executivo em réu após indícios de que ele atuou no esquema de pagamento de propina ao grupo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O nome de Sobrinho também apareceu na fase da Lava Jato que chegou ao setor elétrico e descobriu o pagamento de propinas ao vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da estatal Eletronuclear. Apenas no propinoduto envolvendo o setor elétrico, o executivo da Engevix é suspeito de ter desembolsado até 140 milhões de reais em dinheiro sujo entre 2011 e 2013, por meio da empresa Aratec, de Pinheiro da Silva. Segundo a Polícia Federal, uma das empresas sediadas no Brasil e alvo da operação teria recebido cerca de 20 milhões de reais em propina entre 2007 e 2013 de empreiteiras já investigadas na operação para fraudar contratos com a Petrobras e favorecer os corruptores. A nova fase também pode ampliar o desgaste político da base aliada ao governo porque coloca na mira dos investigadores pessoas ligadas ao PMDB que podem ter levado dinheiro sujo para o exterior e que intermediavam propina movimentada na diretoria da internacional da Petrobras, comandada por Jorge Zelada, executivo que já responde a processo na Lava Jato. Por Reinaldo Azevedo

PMDB é o alvo da “Nessun dorma”. Ou: Seus tataranetos ouvirão falar da 357ª fase da Lava-Jato…

Ai, ai… Seus tataranetos ouvirão falar da tricentésima quinquagésima sétima fase da Operação Lava-Jato! Isso ainda vai acabar gerando uma espécie de fastio. Mas falo disso daqui a pouco. A dita 19º fase da operação mira a diretoria Internacional da Petrobras, que foi ocupada, na fase da lambança, por Nestor Cerveró e Jorge Zelada. A área era considerada um feudo do PMDB — e, por isso, a coisa pode ter alguma importância. É sabido que existe uma pressão imensa nos bastidores para que a Força Tarefa quebre as pernas do PMDB, de sorte que o partido não seja visto pela sociedade como alternativa segura ao governo Dilma. Se a legenda for pega por coisas irregulares que fez, que arque com as consequências. Eu me nego a ser aquele que pensa com a corda no pescoço. Se ficar evidenciado que o PMDB, a exemplo do PT, também não pode assegurar a governabilidade e vai se afundar junto com o partido que era cabeça de chapa, que se façam eleições, ora! Até agora, não há evidência de que o escândalo toque em Michel Temer, vice-presidente da República, apesar da gritaria de bastidores para que o lama lhe manche o paletó.
Cuidados
Acho, sim, que a Força Tarefa precisa tomar certos cuidados. Há o risco, em breve, do desinteresse. Que se investigue tudo. Só não sei por que tantas fases de uma só operação, sempre com nomes que pretendem ter um apelo simbólico. Acho essa marquetagem desnecessária e, se querem saber, incompatível com a seriedade e a gravidade das coisas. O que está em curso é muito triste. “Nessun dorma”, em italiano, quer dizer “Ninguém durma”, e, obviamente, todo mundo entendeu o recado que a Polícia Federal está a passar. As duas palavras aludem, já informou a imprensa, a uma área da ópera “Turandot”, de Puccini. Fosse para entrar no mérito, a apropriação é, intelectualmente falando, imprópria, como era, aliás, a “erga omnes”, que, em direito, tinha sentido diverso do pretendido por quem batizou uma das fases da Lava-Jato. O que estou dizendo é que se pode e se deve investigar todo mundo que tem de ser investigado sem precisar anunciar que a “lei é para todos” — é claro que é — ou que ninguém deve dormir; nesse caso, suponho, é porque a Polícia pode bater à porta. Se a Operação Lava-jato se dispensar desses apelos, pode até ganhar em seriedade. E também acho que pode se dispensar de anunciar uma ária nova a cada três ou quatro semanas. Sem prejuízo, insisto, de cumprir a sua missão e de levar a sua ópera até o fim. Por Reinaldo Azevedo

As opções de José Serra

Ontem, José Serra deu uma entrevista ao Estadão. Ele disse que "Na minha opinião, o Michel (Temer) tem tido uma postura de equilíbrio em relação ao governo. Recentemente, tivemos poucas conversas. Não o vejo conspirando. Como há a possibilidade do impeachment, ele tornou-se figura central na política brasileira e, evidentemente, objeto de toda sorte de interpretações". Troque-se, então, o verbo "conspirar" por "articular", para eliminar o "não" da frase de José Serra e acabar com toda sorte de interpretações. O tucano será ministro de Michel Temer. Quer uma pasta de economia, mas lhe foram oferecidas Saúde, Educação ou Infraestrutura. Recebeu o conselho de não aceitar Saúde, porque, dadas as condições atuais, seria praticamente impossível igualar-se a si próprio, quando esteve no comando desse ministério, no governo FHC.