sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Juiz Sérgio Moro autoriza que o lobista Milton Pascowitch deponha na CPI dos Fundos de Pensão

Em despacho expedido na quinta-feira (10), o juiz Sergio Moro autorizou o deslocamento do lobista Milton Pascowitch a Brasília para prestar depoimento na próxima terça-feira (15) à CPI dos fundos de pensão da Câmara dos Deputados. O lobista foi indiciado por suspeita de desvios em contratos da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato. Em depoimento à Polícia Federal, em julho, ele reconheceu que intermediou o pagamento de propina ao PT e ao ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, chamado de "guerreiro do povo brasileiro" pelos petistas, para garantir contratos da empreiteira Engevix com a Petrobras. Na semana retrasada, a CPI aprovou a convocação também do ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu. O presidente da comissão de inquérito, Efraim Filho (DEM-PB), pretende ouvir ainda neste mês o petista em Curitiba, onde ele está preso na carceragem da Polícia Federal. Em relatório divulgado na semana passada, a Polícia Federal aponta que a Jamp Engenheiros Associados, que pertence ao lobista, fechou dois contratos que somam R$ 3,4 milhões com a Engevix relacionados ao levantamento de fundos de previdência e obtenção de recursos junto a fundos de pensão. Em depoimento, o lobista afirmou que a Jamp realizou em 2011 repasse de R$ 1 milhão à empresa JD Assessoria e Consultoria, que pertence ao bandido petista mensaleiro e "guerreiro do povo brasileiro", e que pagou despesas pessoais do ex-ministro e de seus familiares com dinheiro recolhido de contratos de fornecedores prestadores de serviços da Petrobras. Um dos contratos presentes no relatório da Polícia Federal é de assessoria para a Desenvix, que pertencia até julho deste ano ao grupo Engevix e que tem como um de seus acionistas o Funcef, fundo de previdência da Caixa Econômica Federal, que detém participação de 18,7% da empresa. Em 2009, a Funcef realizou investimento de R$ 260,67 milhões no fundo de investimento em participações da Desenvix. Segundo auditoria interna da empresa, a qual a comissão de inquérito teve acesso, procedimentos importantes, no entanto, "não foram observados no momento da avaliação inicial do investimento".

Doleiro Alberto Youssef diz que o PP procurou ministros de Dilma para discutir propina

O doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores do esquema de corrupção da Petrobras, afirmou à Polícia Federal que lideranças do PP procuraram ministros do governo Dilma Rousseff para discutir a destinação de propina do esquema. Segundo o doleiro, no início do governo Dilma, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, "mencionou claramente nas reuniões com lideranças do PP que necessitava de uma indicação do Palácio do Planalto acerca de qual grupos do PP o mesmo deveria direcionar os recursos do esquema de corrupção na Petrobras". O documento da Polícia Federal afirma que a questão foi tratada com o ex-ministro Gilberto Carvalho, que ocupou a Secretaria-Geral da Presidência do governo Dilma e foi chefe de gabinete do ex-presidente Lula, e a ex-ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), que era responsável pela articulação política com o Congresso. "O conflito interno do PP, resultante das disputas entre os grupos liderados por Mário Negromonte (ex-ministro das Cidades) e Ciro Nogueira (senador e atual presidente do PP) chegou, segundo Alberto Yousseff, ao conhecimento de Ideli Salvatti e de Gilberto Carvalho". Aos investigadores, Paulo Roberto Costa negou ter tratado "tal assunto" com Ideli e Gilberto Carvalho. De acordo com o doleiro, o destino da propina repassada ao PP ficou numa indefinição por três ou quatro meses. O delator afirmou ainda que o deputado Nelson Meurer (PP-SC) e o ex-ministro Mario Negromonte (PP-BA) disseram ter tratado do assunto referente à Petrobras com os ministros. A Polícia Federal aponta ainda que Yousseff afirmou que "quando se refere ao tema Petrobras, obviamente, está se referindo ao esquema de distribuição de vantagens indevidas a parlamentares do PP". A Polícia Federal afirma que os dois ministros não são investigados na Lava Jato, mas pede que eles sejam ouvidos porque seria "plausível que as tratativas políticas realizadas pelos parlamentares do PP tenham sido feitas com os ministros Ideli Salvatti e Gilberto Carvalho, tal como citado por Alberto Youssef. "Entende-se necessário que sejam trazidas aos autos as declarações da então ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e também a do então ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da Republica, Gilberto Carvalho, a fim de que apresentem, dentre outras informações, as suas versões sobre a atuação do governo federal em face da crise política interna do PP, que resultou na troca do ministro das Cidades". A Polícia Federal lista ainda ao STF que outros sete ex-ministros dos governos Lula e Dilma são investigados na Lava Jato: Paulo Bernardo (Planejamento/Comunicações), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil), Edson Lobão (Minas e Energia), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Mário Negromonte (Cidades) e José Dirceu (Casa Civil).

STF deve decidir sobre o petista Aloizio Mercadante e o senador Aloysio Nunes Ferreira na terça-feira

A decisão sobre a abertura das investigações a respeito do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) deve ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal no início da próxima semana. O ministro Celso de Mello, responsável pelo caso no STF, já começou a avaliar o pedido de abertura de inquérito feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. No gabinete de Mello, estima-se que a decisão seja tomada por ele até terça-feira. O Supremo autorizou investigação pedida pela Procuradoria-Geral da República sobre Mercadante e Aloysio Nunes. A informação se baseava no relato de fontes ligadas ao STF, já que o caso está sob sigilo. Ambos não são investigados no âmbito da Operação Lava Jato, mas por suposta prática de caixa 2 na campanha eleitoral. Também na terça-feira, o STF divulgou informações oficiais sobre os casos, pela primeira vez. Conforme o Supremo, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato, recebeu os pedidos da Procuradoria-Geral da República e determinou a redistribuição dos dois casos, o de Mercadante e o de Aloysio Nunes, a outro integrante da Corte – no caso, Celso de Mello. Essa informação foi publicada na edição de quarta-feira. Os dois pedidos de investigação tratam de uso de dinheiro oriundo de caixa 2 em campanha eleitoral, com possível fraude de documentos eleitorais. A Procuradoria e o ministro Teori Zavascki entenderam que Mercadante e Aloysio Nunes não teriam interferência na intermediação de negócios da Petrobrás. Por isso, as investigações foram apartadas dos casos conduzidos pelo relator da Operação Lava Jato. Mas a investigação sobre o ex-tesoureiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff e atual ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, permanece sob a condução do ministro Teori Zavascki. Os três políticos foram citados na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. Em depoimentos, o empreiteiro disse ter doado R$ 500 mil a Mercadante em 2010, quando o atual ministro disputou o governo de São Paulo pelo PT. Pessoa afirmou, ainda, ter doado a Aloysio Nunes R$ 300 mil de forma oficial e R$ 200 mil via caixa 2 no mesmo ano.

Presidente do PP recebeu US$ 150 mil para se filiar ao partido, diz doleiro Alberto Youssef


Em depoimento à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef afirmou que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), recebeu US$ 150 mil para se filiar ao partido. Um dos principais personagens da Lava Jato, Youssef disse que a verba foi acertada com o ex-deputado José Janene (PP), morto em 2010 e não teria saído do esquema de corrupção da Petrobras. A origem do dinheiro seria "recursos próprios", obtidos a partir do esquema conhecido como Banestado. Youssef relatou ainda que em 2011 foi chamado por Ciro Nogueira para uma reunião na casa do parlamentar para discutir "conflito interno do PP" por conta dos recursos indevidos do esquema de corrupção da Petrobras. Na reunião, o doleiro disse que recomendou que os dois grupos do PP que disputavam o comando da legenda deveriam chegar a um consenso e parar com exposição da briga interna do partido. O pagamento de dinheiro desviado da Petrobras a congressistas do PP provocava brigas e obedecia a uma espécie de tabela de preços proporcional à força política de cada um, disse o doleiro Alberto Youssef em delação. Segundo o doleiro, líderes do PP recebiam entre R$ 250 mil e R$ 500 mil por mês, enquanto "demais parlamentares recebiam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil conforme sua força política dentro do partido". Youssef era o operador do PP na diretoria de Abastecimento, então sob Paulo Roberto Costa. Ele intermediava propina de empreiteiras a Costa. Um percentual ia para o PP. Após a morte de Janene, Mario Negromonte é apontado por Youssef como o novo líder do grupo. Quando o grupo de líderes tomou o comando, passou a sobrar menos dinheiro para os demais, disse Youssef. Houve então rebelião de outro grupo, que tomou o comando – formado pelos senadores Ciro Nogueira (PI) e Benedito Lira (AL) e pelos deputados Arthur Lira (AL), Eduardo da Fonte (PE) e Aguinaldo Ribeiro (PB), ex-ministro das Cidades. O novo grupo decidiu afastar o doleiro. Segundo a Procuradoria, pagamentos eram feitos em espécie, por transferência bancária, depósitos no Exterior ou doações de campanha. Presidente do PP e falando pelo partido, Nogueira afirma que as declarações de Youssef são "denúncias irresponsáveis". Diz que jamais ouviu falar em propina e que a grande maioria dos quadros da sigla foram citados por supostas irregularidades envolvendo doação de campanha.

Queda de guindaste sobre Grande Mesquita de Meca mata ao menos 107


Ao menos 107 pessoas morreram após a queda de um guindaste na Grande Mesquita de Meca, cidade da Arábia Saudita considerada sagrada pelos muçulmanos. Outras 238 ficaram feridas. O acidente está sendo investigado. Segundo informações do Crescente Vermelho e do Ministério da Saúde, a mesquita estava lotada devido às preces tradicionais de sexta-feira. O guindaste estava sendo usado nas obras de restauro e ampliação da mesquita. Nos últimos dias, a cidade enfrentou diversas tempestades de areia, o que pode explicar o acidente. Fotos e vídeos que circulam nas redes sociais mostram imagens trágicas, de fiéis cobertos de sangue em meio a destroços. A peregrinação a Meca ("hajj") é considerada um dos cinco pilares do islã, assim como a profissão de fé ("shahada"), as orações ("salat"), o jejum ("sawm") e a esmola ("zakat"). 

Standard & Poor's tira grau de investimento de Santa Catarina

Dois dias após o Brasil perder o selo de bom pagador, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) também rebaixou os ratings de crédito de longo prazo em moeda estrangeira de Santa Catarina de BBB- para BB+. São Paulo e Minas Gerais também tiveram o mesmo rebaixamento. Com isso, esses Estados passam a ser classificados como grau especulativo. A notícia da perda do grau de investimento não surpreendeu o secretário de Fazenda de Santa Catarina, Antônio Gavazzoni. Segundo ele, como os Estados são entidades subnacionais, não teria como manter os ratings já que a União é soberana. "É uma consequência exclusiva do rebaixamento da União. Nesse caso, Santa Catarina acaba prejudicada em razão de uma questão nacional", afirmou. O secretário afirma ainda que, como o Estado não emite títulos, a notícia não deve trazer tantos impactos. Ele lembra ainda que Santa Catarina tem uma situação fiscal melhor que a maioria dos outros Estados do País: "Claro que nunca é bom perder o grau de investimento. Mas nossa situação econômica ainda é boa. Não há nada que o Estado possa fazer nesse caso". Em abril, a agência havia determinado a manutenção da nota de Santa Catarina. Na época, a Standard & Poor´s havia reafirmado os ratings de emissor ‘BBB-’ na escala global e ‘brAAA’ na escala nacional ao Estado, com perspectiva estável. O rating é uma análise feita por agências financeiras sobre a capacidade de um órgão (país, Estado, município ou empresa) de saldar compromissos financeiros. A S&P também rebaixou o rating do Estado do Rio de Janeiro de BB+ para BB e o rating da cidade do Rio de Janeiro de BBB para BBB-. A perspectiva do rating em escala nacional brAAA da cidade do Rio de Janeiro foi revisada de estável para negativa. Em escala nacional, os ratings de Santa Catarina foram rebaixados de brAAA para brAA+, assim como São Paulo. O Estado do Rio de Janeiro foi rebaixado de brAA+ para brAA- e o de Minas Gerais foi rebaixado de brAAA para brAA. A S&P manteve a perspectiva negativa dos ratings de longo prazo em moeda estrangeira e dos ratings em escala nacional. As decisões foram tomadas depois de a S&P rebaixar, na quarta-feira, o rating do Brasil de BBB- para BB+, tirando o grau de investimento soberano. "Os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam crescendo, pressionando a capacidade e a disposição do governo de apresentar um Orçamento de 2016 para o Congresso consistente com a correção política significativa sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff", comentou a agência. Segundo a S&P, diante do cenário de contração econômica do Brasil, o crescimento econômico, os níveis de emprego e as receitas desses governos locais e regionais sofrerão no restante de 2015 e em 2016. "Além disso, eles têm habilidade muito limitada para cortar custos, tendo em vista os altos e estruturalmente rígidos gastos operacionais e necessidades urgentes de infraestrutura", disse a S&P.

Doleiro Alberto Yousseff diz que entregou R$ 70 mil para o deputado federal gaúcho José Otávio Germano


Em depoimento na Operação Lava-Jato, o doleiro Alberto Youssef afirmou que entregou R$ 70 mil diretamente para o deputado federal José Otávio Germano (PP-RS). Conforme o delator, o político gaúcho teria sido visto duas ou três vezes recebendo dinheiro obtido do esquema de corrupção na Petrobras na residência do ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC), que também é investigado no caso. Prestado em 1º de julho de 2015 na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o depoimento de Youssef foi anexado ao inquérito 3989, que tramita no Supremo Tribunal Federal e investiga 39 pessoas, entre elas José Otávio Germano e outros cinco colegas do PP-RS: Afonso Hamm, Jerônimo Goergen, Luis Carlos Heinze, Renato Molling e Vilson Covatti. Os gaúchos são suspeitos de receber mesada financiada com recursos desviados da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, na gestão de Paulo Roberto Costa. Além de afirmar que entregou R$ 70 mil para José Otávio Germano, o doleiro disse que operacionalizou uma doação de R$ 200 mil da construtora Queiroz Galvão para a campanha do parlamentar gaúcho em 2010. Youssef relata que conseguiu a doação a pedido de lideranças do PP, como o ex-ministro das cidades Mário Negromonte (BA), o ex-deputado federal Pedro Corrêa (PE) e o deputado Nelson Meurer (PR). No depoimento, Youssef também falou sobre os demais políticos gaúchos do PP que são investigados pela suspeita de recebimento de mesada financiada pelo esquema na Petrobras, cujos valores variariam de R$ 30 mil a R$ 150 mil de acordo com a posição de cada político dentro do partido. Os seis parlamentares refutam a acusação de recebimento de mensalinho. O doleiro disse que sabia da participação de Goergen, Hamm, Heinze, Molling e Covatti porque seus nomes foram mencionados em diversas reuniões que discutiam os parlamentares que se beneficiariam do rateio da mesada. Contudo, Youssef falou que nunca entregou ou determinou a entrega de valores para os cinco gaúchos e que nunca os viu no apartamento de Pizzolatti ou em outro local de entrega da propina. Youssef ainda disse que as lideranças do PP se referiam a Molling como “alguém que costumava pedir mais valores, além daqueles que recebia”. Em requerimento enviado ao STF, a Polícia Federal solicitou mais 80 dias para finalizar as investigações do inquérito 3989, pedido que será avaliado pelo ministro relator do caso, Teori Zavascki, após a manifestação da Procuradoria-Geral da República. 

Risco país do Brasil dispara e retorna a níveis de 2009

O risco país do Brasil, medido pelo indicador CDS – instrumento financeiro que funciona como um seguro contra calote -, atingiu 400 pontos nesta sexta-feira, o maior nível desde 9 de março de 2009, quando chegou a 410 pontos. Naquela época, o mundo vivia os desdobramentos da crise hipotecária americana e a alta do risco país era um reflexo do temor que se espalhou pelos mercados financeiros globais. Agora a disparada do indicador está ligado à perda do grau de investimento na avaliação da agência Standard & Poor’s. Entre quarta-feira, dia em que o país foi rebaixado pela S&P, e quinta, o Credit Default Swap passou de 372 pontos para 390,5 pontos. Os números são da consultoria Tendências. Com o resultado desta sexta, o risco país do Brasil supera o de países que também não têm grau de investimento. A Rússia, que também tem nota “BB+” na S&P, terminou o dia com 367 pontos. Na máxima do ano, em 30 de janeiro, ficou em 630 pontos. A Rússia perdeu o grau de investimento em janeiro deste ano, depois de permanecer com o selo de boa pagadora por dez anos. Conflitos com a Ucrânia e sanções por parte do Ocidente enfraqueceram a economia do país e ajudaram a deteriorar sua política monetária. No entanto, a Rússia mantém o grau de investimento pela Fitch, embora no último nível (BBB-). Pela Moody’s, a nota russa é Ba1, o nível mais alto do grau especulativo. O prêmio de risco do Brasil também terminou acima de Indonésia e Turquia, outros dois países que também já perderam o grau de investimento na avaliação da S&P. Ambos têm nota de crédito “BB+”. O CDS da Turquia fechou esta sexta em 293,25 pontos, e o da Indonésia, em 245 pontos. Ambos os países tiveram sua história recente marcada por turbulências políticas e sociais. Na escala da S&P, a Turquia perdeu o grau de investimento em 1994 e a Indonésia, em 1997. Brasil, Turquia e Indonésia também têm a mesma avaliação pela Moody’s (Baa3, um nível acima do grau especulativo). No caso da Fitch, a nota da Turquia e da Indonésia é BBB-, no último nível do grau de investimento. Já o rating do Brasil é BBB, dois níveis acima do grau especulativo. Além disso, os três países fazem parte, ao lado de África do Sul e Índia, dos “cinco frágeis”, termo cunhado pelo banco Morgan Stanley para economias emergentes fortemente dependentes de investimento estrangeiro. 

A desculpa estupefaciente de Adams para tentar livrar a cara de Dilma no TCU

Quando nada mais há a dizer, qualquer coisa serve. É o que orienta a ultima parte da defesa que o advogado geral da União, Luís Inácio Adams, faz da presidente Dilma Rousseff, enviada ao Tribunal de Contas da União. A penúria intelectual do governo chega a ser, por si, escandalosa. Sabem com que Adams justificou os procedimentos contábeis heterodoxos e ilegais feitos pelo governo, apelidados de “pedaladas fiscais”? Segundo o advogado-geral, elas se deveram à “evolução imprevisível” da economia no fim de 2014. Reitero: se não fosse absoluta falta do que dizer, eu iria inferir que o homem está a escarnecer da gente, a nos tratar como idiotas, como cretinos. Escreve ele:
“A realidade econômica evoluiu de maneira imprevisível para todos os analistas. Quem projetava um impacto de redução de commodities, aumento do dólar, de mudança do quadro econômico do jeito que aconteceu no final de 2014? Essa realidade é que gerou a necessidade de mudança de meta que foi acatada pelo Congresso e em 31 de dezembro o governo atendeu à lei”. É incrível! Estava tudo mais do que escrito nas estrelas. A desvalorização das commodities mostrou que viria para ficar já em meados de 2012, quando Dilma estava com um ano e meio de seu primeiro mandato. A partir dali, analistas já começavam a alertar para as dificuldades futuras. Mas calma aí! Adams se esquece de que o País passou por eleições no ano passado. E isso significa que a oposição também apresentou seu diagnóstico, apontando, diga-se, a quase totalidade dos problemas que estão por aí. Onde está a surpresa? Sobre gastos feitos sem a autorização do Congresso, o advogado-geral insiste na desculpa petista de sempre, o famoso “FHC também fez” — o que, dizem ministros do TCU, não confere com a realidade, não na dimensão ou na escala do governo Dilma. A defesa de Adams também politiza o caso de maneira desastrada. Sabe que a recomendação para que as contas sejam rejeitadas servirá de forte argumento da oposição para acusar Dilma de crime de responsabilidade. Aludindo ao que parece ser um eventual pedido de impeachment, Adams considera: “O fundamental é que temos que mostrar nossa força institucional. O Brasil conquistou uma estabilidade institucional e econômica. Nosso esforço é estabelecer isso como padrão para o mundo”. Sim, claro! E em que um julgamento realmente autônomo do TCU e uma decisão idem da Câmara ameaçariam a força institucional? Ao contrário! Esta só sairia fortalecida. Por Reinaldo Azevedo

Juiz suspende ação penal contra parente de Beto Richa


O juiz Juliano Nanuncio, da 3ª Vara Criminal de Londrina, suspendeu nesta sexta-feira (11) a ação penal do caso Voldemort, na qual é réu Luiz Abi Antoun, parente distante do governador do Estado, Beto Richa (PSDB), e nome influente na gestão tucana até ser preso, em março deste ano, pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O juiz atende a uma decisão tomada no início de agosto pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná. Poucas horas antes de ser comunicado sobre a suspensão da ação penal do caso Voldemort, nesta sexta-feira (11), o juiz Juliano Nanuncio fazia pedidos de inquirição de testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação. Dois coronéis da Polícia Militar do Paraná seriam chamados como testemunhas pela defesa de Abi, o tenente coronel Hudson Leôncio Teixeira, do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), e o tenente coronel Élio de Oliveira Manoel, do Gabinete Militar da Assembleia Legislativa do Paraná. Teixeira já é alvo de uma ação civil por improbidade administrativa em função da participação no episódio que ficou conhecido como o “massacre de 29 de abril”. A ação da PM deixou cerca de 200 servidores públicos feridos no Centro Cívico, em Curitiba, e Teixeira foi um dos comandantes da ação. Os desembargadores acataram um pedido de liminar da defesa de Abi, que alega que o Gaeco vê indícios da participação da secretária de Estado da Administração e Previdência, Dinorah Nogara. Como ela detém foro por prerrogativa de função, a defesa de Abi defende que o caso seja remetido ao Tribunal de Justiça. Assim, até que a Reclamação de Abi seja efetivamente julgada, o Órgão Especial suspendeu a ação penal de forma liminar. O primeiro a analisar o caso no Tribunal de Justiça, o desembargador Renato Lopes de Paiva, indeferiu em junho o pedido de liminar. Em seu despacho, Paiva destaca que Dinorah não foi denunciada. “Uma vez que nada existe no juízo do Tribunal de Justiça quanto à secretária (...), como se pode afirmar que este juízo deve ser estendido aos corréus? Sequer é possível falar que a Secretária de Estado e o reclamante são corréus, já que ela não foi denunciada. Também não se pode afirmar que o delito foi praticado em coautoria, já que a Secretária não foi investigada no primeiro grau. Não se pode estender uma competência que sequer foi fixada”, escreveu o desembargador. A decisão, contudo, depois foi revertida no Órgão Especial. Na ação penal do caso Voldemort, Abi é acusado de montar um esquema criminoso para obter um contrato emergencial de R$ 1,5 milhão com o governo do Estado, de consertos e manutenção da frota oficial. Neste processo, ele responde, em liberdade, por organização criminosa, falsidade ideológica e fraude em licitação. Outros seis nomes são réus na mesma ação penal. Abi também foi denunciado pelo caso Publicano, no qual o Gaeco apura um esquema de corrupção na Receita estadual, com o envolvimento de dezenas de auditores fiscais.

Gabrielli sabia que doleiro Youssef atuava como operador, reitera Costa


O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, implicou pela segunda vez José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da companhia, no esquema de corrupção na estatal. Costa deu novo depoimento prestado à Polícia Federal em julho deste ano, e afirmou que ele sabia que o doleiro Alberto Youssef atuava como operador na diretoria de Abastecimento. Já tendo relatado antes que tratou com o chefe de gabinete de Gabrielli sobre o pagamento de R$ 10 milhões para enterrar uma CPI sobre a Petrobras, desta vez Costa disse que era “bem provável” que o ex-presidente “tivesse pleno conhecimento dos esquemas de corrupção nas diretorias”. Costa foi ouvido na Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, no dia 22 de julho. Na ocasião, o ex-diretor disse que Gabrielli sabia que Youssef atuava como operador do esquema na Diretoria de Abastecimento, embora tenha dito não saber se o então presidente da Petrobras conhecia o doleiro. As declarações foram feitas ao ser questionado sobre o caso de uma dívida referente a um contrato rescindido da Petrobras com Ricardo Marcelo Villani, proprietário das empresas Muranno Brasil Marketing e Mistral Comunicação. Esse caso já havia sido relatado pelo doleiro e foi confirmado por Costa. Segundo o ex-diretor, Gabrielli lhe procurou e pediu que quitasse a dívida. “Gabrielli explicou ao declarante (Costa) que Ricardo Marcelo estaria pressionando o Partido dos Trabalhadores, ameaçando tornar público o pagamento de uma propina decorrente de um contrato celebrado entre a empresa de Ricardo e a Petrobras”, diz o depoimento. Segundo o relato, Paulo Roberto Costa diz ter falado a Gabrielli que resolveria o caso por meio de Youssef. E teria recebido a seguinte resposta: “Resolva, pois está causando um desconforto”. Posteriormente, o ex-diretor afirma ter avisado ao então presidente da Petrobras que a dívida havia sido paga por Youssef. Anteriormente, à CPI da Petrobras, o ex-presidente afirmou que não existia corrupção “sistêmica” na estatal e que os casos detectados eram “individualizados”. Disse ainda que os sistemas de controle interno e as auditorias externas não foram capazes de descobrir os pagamentos de propina. Em depoimento à Polícia Federal, Villani já confirmou que foi procurado por Youssef para resolver o problema da dívida.

Youssef diz que pagou mobília de ex-ministro com dinheiro da Petrobras


A Polícia Federal investiga se os filhos do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (ex-PP) se beneficiaram do esquema de corrupção na Petrobras, dentro do inquérito que apura formação de quadrilha relacionada ao PP. Dentre os fatos investigados está até se recursos da Petrobras foram usados para mobiliar um apartamento. Por isso, a Polícia Federal apontou em relatório que é necessário tomar depoimentos da filha e do filho do ex-ministro - este último, Mário Negromonte Júnior, é deputado federal pelo PP da Bahia. A investigação tem como ponto de partida declarações do doleiro Alberto Youssef, delator da Operação Lava Jato. Mário Negromonte, o pai, atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia e também já foi deputado federal. Youssef afirmou que obteve recursos do esquema de corrupção da Petrobras para a campanha a deputado estadual de Mário Negromonte Júnior em 2010. Foram R$ 85 mil da empresa Jaraguá Equipamentos. “Com relação a Mário Negromonte, o declarante (Youssef) afirma que a campanha de seu filho Mário Silvio Mendes Negromonte Júnior para deputado estadual, em 2010, foi custeada, em parte, com recursos procedentes do esquema de corrupção na Petrobras”, diz o depoimento do doleiro. Ele afirmou também que viabilizou doações de empresas envolvidas no esquema para o diretório estadual do PP naquele ano. Em outro trecho do depoimento, Youssef afirmou que o apartamento usado em São Paulo pelo ex-deputado José Janene, morto em 2010, foi posteriormente alugado por Negromonte e que o doleiro teria viabilizado essa locação. “Foi o declarante quem viabilizou esta locação e inclusive pagou pelo mobiliário do apartamento com recursos do esquema da Petrobras”, diz o depoimento. Segundo Youssef, os móveis foram comprados em dinheiro da família de Janene e o apartamento passou a ser ocupado pela filha de Negromonte. 

Supremo revoga publicidade e torna sigiloso inquérito da Lava Jato


Pela primeira vez desde o início das investigações sobre o envolvimento de políticos com crimes de corrupção e desvios revelados na Operação Lava Jato, um inquérito que era público desde a abertura, em março, tornou-se agora sigiloso no STF (Supremo Tribunal Federal). Até aqui, estavam em segredo de Justiça no STF, relacionados à Lava Jato, medidas investigatórias que tramitam em paralelo aos inquéritos, como pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal, pedidos de busca e apreensão e termos e depoimentos nos acordos de delação premiada. O inquérito número 3.994, com cerca de 1.400 páginas, que investiga possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro cometidos pelo senador Benedito de Lira (PP-AL) e pelo seu filho, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), foi aberto em março a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República) e por determinação do ministro relator, Teori Zavascki. Em março, além de acolher o pedido de abertura da investigação, Zavascki também determinou que os autos tramitassem sem segredo de Justiça. Ele tomou decisão semelhante em relação a duas dúzias de inquéritos abertos na mesma época. Na manhã desta quarta-feira, porém, o mesmo inquérito sobre os Lira recebeu a chancela do segredo de Justiça, permanecendo disponível à consulta apenas para os advogados dos acusados e à PGR. Desde quarta-feira, cidadãos que não são parte dos autos não têm mais acesso aos documentos. Decisões do ministro outrora públicas, por exemplo o próprio ato que ordenou a abertura do inquérito, também passaram a sigilosas. Indagada, a assessoria do STF informou que o inquérito se tornou sigiloso “em razão da inclusão no processo de documentos que correm sob sigilo previsto em lei”. A assessoria da PGR informou que não partiu dos procuradores da República o pedido de sigilo. A reportagem apurou que os documentos citados pelo STF são depoimentos do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, prestados como parte do acordo de delação premiada fechado pela PGR e homologado pelo STF. Como os depoimentos de Pessoa tratam de vários políticos, o sigilo poderá ser adotado por Teori em outros inquéritos abastecidos pelas declarações do empresário. Indagada se a mesma decisão deverá se estender a outros procedimentos, a assessoria do STF não havia respondido até as 18h desta sexta. A íntegra dos depoimentos prestados por Pessoa no acordo, sob os cuidados da PGR e do STF, ainda não foi tornada pública em nenhuma instância do Judiciário -nas últimas semanas, a imprensa tem divulgado trechos, sem o fac-símile dos documentos. Na Justiça Federal de primeira instância, em Curitiba, o juiz federal Sergio Moro interrogou Pessoa - cujas imagens foram tornadas públicas no processo -, mas o empresário se restringiu a falar sobre pessoas sem o foro privilegiado. O inquérito no STF agora sigiloso tem por objetivo investigar as informações prestadas por dois delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Eles disseram que os Lira se beneficiaram de recursos do esquema montado na Petrobras entre empreiteiros e dirigentes da estatal. No último dia 2, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou os dois políticos e Pessoa por corrupção e lavagem de dinheiro. Pessoa reconheceu, na sua delação, ter pago cerca de R$ 2 milhões em espécie para Arthur Lira por meio de uma empresa de fachada, a SM Terraplanagem, pertencente ao empresário Adir Assad, também preso na Lava Jato. Segundo Ricardo Pessoa, os valores “foram retirados na sede da UTC em São Paulo pelo próprio Arthur Lira” e a entrega foi feita pelo diretor financeiro da empresa, Walmir Pinheiro Santana. “A inexistência de fato da SM Terraplanagem Ltda., a ausência da efetiva prestação dos serviços à UTC Engenharia e a inidoneidade das notas fiscais emitidas na relação entre as duas empresas foi constatada pela Receita Federal”, afirmou a PGR, na denúncia. Ouvidos no mesmo inquérito, Arthur Lira e Benedito Lira negaram qualquer envolvimento nas irregularidades da Petrobras, assim como Adir Assad, ao ser ouvido em outros procedimentos na Justiça Federal do Paraná.

Relatório da Polícia Federal pode levar CPI da Petrobras a convocar Lula


Integrantes da CPI da Petrobras na Câmara defendem a convocação de Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") para que ele explique suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Desde maio, há na pauta da CPI requerimento para convocar o petista, sem que tenha sido colocado em pauta para votação. Relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava Jato diz que Lula X9 pode ter tido ganhos políticos com o esquema na Petrobras, uma vez que atendeu a sua base de apoio no Congresso. O relatório da Polícia Federal é baseado em delações premiadas de Alberto Youssef (doleiro), Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras) e Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento). Em depoimento à CPI, em Curitiba, onde está preso, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) também citou Lula X9 ao afirmar que Paulo Roberto Costa foi colocado pelo petista na diretoria de Abastecimento. O ex-executivo é um dos principais delatores da Lava Jato e já admitiu ter repassado propina a partidos políticos como condição para permanecer no cargo. “Só não prenderam o Lula porque ninguém teve coragem”, disse o ex-deputado à CPI. “O presidente Lula convidou o Paulo Roberto para ser diretor de Abastecimento”, contou ele em depoimento para os deputados. Foi com base no depoimento de Pedro Corrêa que a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) apresentou em maio requerimento para convocar Lula. “Com o avanço das investigações, já passou da hora de o presidente ser ouvido pela CPI. Até porque ele foi um dos principais beneficiários do esquema de corrupção”, disse a deputada.

Um marco do governo

Dilma na TV: promessas vãs
O anúncio de Dilma na TV: promessas vãs
Hoje, faz três anos que Dilma Rousseff lançou com fanfarras um de seus grandes fracassos como gestora – na ocasião, claro, anunciado por ela como algo parecido com a descoberta da pólvora: a MP 579, que prorrogou concessões do setor elétrico e reduziu o valor das tarifas de energia. Passados esses três anos, o governo ainda procura meios para reorganizar o setor elétrico, resultado da instabilidade regulatória, insegurança jurídica e a constante interferência governamental. A propósito, as ações da Eletrobras experimentaram uma perda de valor de 60% do dia da edição da MP até ontem. Por Lauro Jardim

Tratamentos diferentes

Mercadante e Edinho: diferença na relação com o PMDB
Mercadante e Edinho: diferença na relação com o PMDB
Existe uma diferença nítida entre o tratamento que o PMDB de Michel Temer dispensa a Edinho Silva e o dispensado a Aloizio Mercadante. Quando se fala de Edinho, todos são só elogios. Até o hábito de Edinho servir café a seus interlocutores é citado para elogiá-lo. Já com Mercadante, peemedebistas volta e meia consultam o dicionário em busca de um novo adjetivo para qualificá-lo. Quase sempre com palavras que fariam qualquer um corar. Por Lauro Jardim

Cortes na Transpetro

Bendine: cortes na Petrobras
Bendine: cortes na Petrobras
Diretores da Transpetro receberam e-mail esta semana informando de que os cortes na subsidiária da Petrobras serão violentos. A propósito, os cortes que Aldemir Bendine vinha planejando chegaram para valer no sistema Petrobras como um todo. Por Lauro Jardim

Lembrança de 1,99

dilma
Ações da Petrobras valem 1,96 dólar
A desvalorização da Petrobras, cujas ações preferenciais chegaram a 7,62 reais hoje, o menor nível desde 2004, deve lembrar Dilma Rousseff de outra malsucedida empreitada sua como gestora: a de dona de loja de artigos de 1,99. Uma conta simples com a cotação de hoje do dólar, 3,88 reais, mostra que a ação da Petrobras vale, neste momento, 1,96 dólar. Por Lauro Jardim

Intrigas palacianas envolvem Temer na Lava-Jato

Baiano: delação
Baiano: delação
Circula à vontade no Palácio do Planalto a informação de que Fernando Baiano teria citado Michel Temer em seus depoimentos visando a delação premiada. Temer está enfurecido com o Planalto. Difícil um governo andar para frente com tanta intriga pululando em seu interior. Por Lauro Jardim

Não está interessada

Depois que Joaquim Levy fez novos anúncios para conter a crise, o líder da oposição no Congresso, Pauderney Avelino, declarou que a "Câmara não está interessada em votar aumento de impostos para ajudar um governo leniente com a corrupção". Para ele, o parlamento ajudará no crescimento do País, mas sem a presença de Dilma Rousseff no poder.

O "nada" que atrapalha o próprio governo

O ex-presidente Lula menosprezou o rebaixamento do Brasil para o grau especulativo, dizendo que não é “nada”. Só falta combinar com sua criação, Dilma Rousseff, que conta com a abertura de capital da BR Distribuidora, Caixa Seguridade e IRB para ajudar a cobrir o rombo de R$ 30 bilhões previsto no orçamento de 2016. Agora, os investidores estrangeiros pensarão duas vezes para aplicar recursos nas empresas tupiniquins. Os IPOs ainda podem sair, mas com as ações sendo vendidas a preço de banana – e gerando bem menos dinheiro para Dilma. Mas não é nada não, né, Lula?

Demorou

"Há elementos que apontam que José Sérgio Gabrielli não apenas tinha conhecimento da rede de corrupção presente na Petrobras, mas que também fez uso da mesma diretamente, em benefício do Partido dos Trabalhadores", afirma o delegado Josélio Azevedo Sousa, em relatório enviado ao STF. Demorou.

A USP e a "excelência acadêmica"

O lado bom das crises é que os absurdos afloram. Soubemos hoje que a USP deixou de pagar, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio por "excelência acadêmica" aos seus professores e funcionários. Em 2013, o benefício custou 45 milhões de reais. O Antagonista sugere que a USP pague prêmio de "excelência acadêmica" apenas aos quadros que vierem a ganhar o Nobel.

Produção de grãos aumenta para 209,5 milhões de toneladas; é um novo recorde, só atividade do setor primário segura a economia nacional, apesar da hostilidade do PT e da Igreja Católica comunista

A safra brasileira de grãos 2014/2015 está em 209,5 milhões de toneladas, com mais um recorde sobre os números passados. O aumento é de 8,2% ou 15,9 milhões de toneladas sobre da produção de 2013/14, de 193,62 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, nesta sexta-feira, os números registrados no 12º levantamento da safra. O ganho de produtividade do milho segunda safra, registrado nos Estados do Sudeste, Centro-Oeste e no Paraná, foi um dos responsáveis pelo crescimento. A produção chega a 54,5 milhões de toneladas, com aumento de 12,6% a mais que as 48,4 milhões de toneladas de 2013/2014. Com relação ao levantamento anterior, houve um acréscimo de 500 mil toneladas. Já a soja deve alcançar 96,2 milhões de toneladas, registrando 11,8% a mais que as 86,1 milhões da safra anterior. O trigo está em início de colheita em alguns Estados do Centro-Oeste, Sudeste e no Paraná. Apesar da redução de área de 10,4% , a expectativa é de aumento de produção, podendo chegar a sete milhões de toneladas, graças sobretudo à recuperação da produtividade no Rio Grande do Sul. A pesquisa registra 58 milhões de hectares da área total. A de plantio das culturas é 1,7% maior que a da safra 2013/14, com um aumento de 976,1 mil hectares. A soja apresentou crescimento de 6,4% ou 1,9 milhão de hectares acima da área anterior, assim como o milho segunda safra, que teve acréscimo de 4,1% ou 376,4 mil ha. No total, a área da soja é de 32,1 milhões de hectares e a do milho segunda safra, de 9,6 milhões.

Governo petista publica decreto que destina Salgado Filho e mais três aeroportos para a iniciativa privada


Decreto publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União oficializa a inclusão de quatro aeroportos no Plano Nacional de Desestatização. Os aeroportos internacionais são o Salgado Filho, no Rio Grande do Sul; Deputado Luís Eduardo Magalhães, na Bahia; Hercílio Luz, em Santa Catarina, e Pinto Martins, no Ceará. A transferência dos quatro aeroportos para a administração do setor privado foi anunciada no dia 9 de junho, em solenidade no Palácio do Planalto, como parte da nova etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), que tem a previsão de R$ 198,4 bilhões em investimentos, sendo R$ 69,2 bilhões entre 2015-2018 e R$129,2 a partir de 2019. Os investimentos estão divididos entre rodovias (R$ 66,1 bilhões), ferrovias (R$ 86,4 bilhões), portos (R$ 37,4 bilhões) e aeroportos (R$ 8,5 bilhões). Como é que é, Olívio Dutra? Tu não dizias que o PT não entregaria um parafuso sequer do patrimônio público à iniciativa privada? Fala aí, falastrão!!!!

Sabem aquele valentão da CUT que prometeu ação de milícias em defesa da Dilma? Pois é, o valentão é conselheiro do BNDES

O ex-presidente da CUT, Vagner de Freitas, o bufão sindicalista do PT que dentro do Palácio do Planalto, em uma solenidade com a presença da presidente da República, ameaçou pegar em armas e convocar milícia, caso Dilma fosse cassada, é membro do Conselho de Administração do BNDES. Vagner é sindicalista e banqueiro ao mesmo tempo. A atividade paralela do sindicalista chamou a atenção de quem leu o balanço semestral do banco, publicado na segunda-feira. A vaga reservada à iniciativa privada há 40 anos foi fechada. O Conselho de Administração do BNDES não tem mais representante de quem investe e produz. O banco agora é “mais estatal” do que nunca. Os outros conselheiros são Joaquim Levy, Nelson Barbosa, o comunista Aldo Rebelo, Mauro Vieira e o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo (ministros); Luciano Coutinho, presidente do banco; e dois secretários-executivos de ministérios, representando os funcionários. Que tal, hein?!!!!

Grupo Gerdau suspende os contratos de 200 operários em Pindamonhagaba, a terra de Geraldo Alckmin

O Grupo Gerdau suspendeu por cinco meses os contratos de 200 trabalhadores da sua usina de Pindamonhangaba, interior de São Paulo. O Grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, está envolvido na Operação Zelotes. Jorge Gerdau Johannpeter foi conselheiro da Petrobras por quase uma década, e foi incapaz de detectar o menor sinal do gigantesco escândalo de desvio de recursos pelo regime petralha que estava sendo praticado na maior estatal brasileira. Jorge Gerdau Johannpeter é líder e chefe há mais de 30 anos do pretensioso programa de qualidade e eficiência na administração pública, para a qual ele quer transmitir modus operandi da iniciativa privada. Pelos resultados da ação dele na Petrobras imagina-se a qualidade de seus programas de qualidade na administração pública. 

Por que pedir ao STF para investigar Lula? Ou: O surrealismo interpretativo que garante impunidade a um presidente reeleito

Por que o delegado Josélio Azevedo de Sousa pede ao STF a autorização para ouvir Luiz Inácio Lula da Silva se ele não dispõe mais de foro especial por prerrogativa de função? Porque o pedido se dá no âmbito do inquérito que investiga parlamentares que detêm o tal foro. Assim, há uma espécie de contaminação. Embora Lula pudesse, sim, ser ouvido na primeira instância, é evidente que o melhor é reunir numa mesma corte coisas conexas. No pedido, o delegado afirma não haver evidência do envolvimento direto do ex-presidente no escândalo, mas diz ser necessário apurar se ele não acabou “obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”. Teori Zavascki, o relator, vai decidir. Acho difícil que, dados os termos da petição, o ministro concorde. Eu acharia muito bom que sim. Ocorre que, com esses critérios, pode-se ouvir quase qualquer pessoa. A ressalva, convenham, não era necessária. Vai acabar produzindo mais calor do que luz. Ou o delegado acha que há motivos para ouvi-lo ou acha que não. O que me parece impressionante, aí sim, é que nem Polícia Federal nem Ministério Público tenham arrumado até agora um motivo mais forte para, ao menos, chamar Lula como testemunha, não é? Sigamos. 
Há um dado da petição que explica por que não se pede para ouvir Dilma, que quero aqui contestar pela enésima vez. De fato, o Parágrafo 4º do Artigo 86 da Constituição traz o seguinte: “§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções". Pela ordem:
1 – Foi redigido antes da emenda da reeleição. Havendo reeleição, considerar que o que um presidente fez num primeiro mandato é estranho ao seu segundo mandato é uma estupidez.
2 – Ainda que prevaleça essa leitura absurda, jurisprudência do Supremo diz que um presidente da República pode, sim, ser investigado em inquérito. E pode mesmo ser denunciado — o que só teria consequência depois que deixasse o mandato.
3 – De toda sorte, tal questão nunca foi tratada a contento. O presidente do OAB, por exemplo, poderia se mobilizar é para dar tratamento adequado e realmente conforme a Constituição a esse caso. Ou será que a Carta garantiu a impunidade a um presidente reeleito?
4 – Pensem: as pedaladas fiscais dadas por Dilma tinham o objetivo de esconder a situação fiscal do país e garantiram a manutenção de alguns programas, mesmo sem dinheiro. Isso foi feito no primeiro mandato. Teve ou não influência no segundo, inclusive para conquistá-lo? Tenham paciência!
Que fique claro de novo:
1 – Nada impede, nem mesmo a leitura obtusa da Constituição, que o Ministério Público peça ao Supremo abertura de inquérito contra Dilma;
2 – Nada impede, nem mesmo a leitura obtusa da Constituição, que o Ministério Público ofereça denúncia contra Dilma. Ainda que prevaleça a obtusidade, a dita-cuja pode ser aceita, sim. Mas as consequências só viriam depois de terminado o mandato.
Chegou a hora de enfrentar esse surrealismo interpretativo. Por Reinaldo Azevedo

Socialista espanhol Felipe González diz que a Venezuela se converteu em uma ditadura de fato


Classificando-o de preso político, o ex-presidente do governo espanhol, o socialista Felipe González, saiu em defesa do opositor venezuelano Leopoldo López, condenado na quinta-feira a 13 anos de prisão. Para ele, a sentença do líder opositor venezuelano é a confirmação de que o a Venezuela se converteu em uma “ditadura de fato”. A condenação também deixou Estados Unidos, União Européia e diversas organizações de direitos humanos preocupados. “Nem dentro nem fora da Venezuela, ninguém pode ser enganado. O presidente decide pelo Parlamento e pela Justiça”, disse Gonzalez em um comunicado: “López foi condenado por Nicolás Maduro, como todos os outros presos políticos na Venezuela”. Acusado de incitação à violência, incêndios criminosos, danos ao patrimônio público e formação de quadrilha durante os protestos contra o governo no início de 2014, que deixaram 43 mortos, López foi condenado na noite de quinta-feira. A sentença foi lida pelo arremedo de juíza Susana Barreiros, uma sabuja do bolivarianismo e do Foro de São Paulo, após uma audiência de quase 12 horas. Um dia depois, o ex-líder socialista espanhol afirmou ainda que são atribuídas ao opositor os atos de violência e as mortes que são responsabilidade do governo venezuelano. Em junho, González deixou o país após não receber autorização do presidente Nicolás Maduro para visitar o oposicionista na prisão de Ramo Verde ou comparecer à audiência judicial do processo movido contra ele: “Ele foi condenado sem ter cometido nenhum delito, sem nenhum prova contra ele e sem nenhuma garantia no procedimento. O regime decidiu uma condenação por razões políticas, que consuma o processo de destruição de liberdades democráticas empreendido pelo regime”. Para o socialista Felipe González, apenas as eleições parlamentares, convocadas para dia 6 de dezembro “com garantias sérias”, podem devolver a esperança aos venezuelanos “que vivem na escassez, insegurança e violação de seus direitos mais elementares”. Juan Carlos Gutiérrez, um dos advogados de López, disse que a defesa apelará da sentença nos próximos dias por considerá-la injusta e baseada em mentiras. Mais cedo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, por meio de sua encarregada para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, disse estar “preocupado” com a sentença. A União Europeia também se manifestou. Em nota, o bloco, afirmou que o processo contra o opositor e quatro estudantes carecia das garantias adequadas no que diz respeito à transparência e em seu devido processo legal e solicitou que os tribunais de apelação revejam as sentenças “severas” de forma justa. 

Estados Unidos e União Européia reagem à condenação ditatorial de líder opositor na Venezuela

A condenação do líder opositor Leopoldo López a 13 anos de prisão deixou Estados Unidos, União Européia e diversas organizações de direitos humanos preocupados. Em carta, ele disse que não abandonará sua luta pela democracia no país. Acusado de incitação à violência, incêndios criminosos, danos ao patrimônio público e formação de quadrilha durante os protestos contra o governo no início de 2014, que deixaram 43 mortos, López, detido desde fevereiro do ano passado, foi condenado na noite de quinta-feira. A sentença foi lida pela juíza Susana Barreiros, após uma audiência de quase 12 horas, que teve até mesmo confrontos entre chavistas e oposicionistas do lado de fora do Palácio da Justiça, na capital venezuelana. Enquanto os países da América Latina mantiveram um vergonhoso e escandaloso silêncio sobre a decisão, tipico de republiquetas do Foro de São Paulo, os Estados Unidos não demoraram a reagir. O Departamento de Estado, por meio de sua encarregada para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, disse estar “preocupado” com a sentença: "Estou profundamente preocupada com a condenação de Leopoldo López. Exortamos o governo a proteger a democracia e os direitos humanos na Venezuela". A União Europeia também se manifestou. Em comunicado, o bloco, afirmou que o processo contra o opositor e quatro estudantes carecia das garantias adequadas no que diz respeito à transparência e em seu devido processo legal e solicitou que os tribunais de apelação revejam as sentenças “severas” de forma justa. “Os julgamentos contra Leopoldo López, coordenador nacional do partido Vontade Popular, e os quatros estudantes Christian Holdack, Marcos Coello, Demian Martín e Ángel González não proporcionaram aos acusados as garantias adequadas de transparência e devido processo legal”, afirmaram em nota os porta-vozes do bloco. O diretor para as Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, por sua vez, qualificou o caso de “farsa completa da Justiça”: "Em um país que carece de independência judicial, um juiz provisório condena quatro pessoas inocentes depois de um julgamento em que a Procuradoria não apresentou evidência básica que os vincula a um crime, e os acusados não puderam se defender". Ao canal NTN24, o ex-presidente de Colômbia, Andrés Pastrana, afirmou que a decisão evidencia o temor do presidente Nicolás Maduro em relação às pesquisas: "A sentença dá mostras de que o regime de Maduro não respeita a Justiça venezuelana. Este é o começo do fim para Maduro". Ao se dirigir ao júri, antes de ouvir o veredicto, López desafiou a juíza: "Se a sentença for condenatória, você teria mais medo de pronunciá-la do que eu de escutá-la porque sabe que sou inocente". López divulgou ainda uma carta que escreveu agradecendo o apoio de seus partidários e simpatizantes, e condenando "a elite do governo" por ajudar a sentenciá-lo por "infâmias e corrupções". Ele cita ainda os ícones pacifistas Mahatma Gandhi e Martin Luther King, pedindo que o povo "não se renda e siga lutando", tendo em vista a oportunidade de ter maioria nas eleições legislativas de dezembro: "Seguiremos adiante, e juro a vocês que vamos vencer". Juan Carlos Gutiérrez, um dos advogados de López, disse que a defesa apelará da sentença nos próximos dias por considerá-la injusta e baseada em mentiras. A condenação de López, de 44 anos, provocou protestos de muitos de seus apoiadores que o consideram um bode expiatório, mas também elogios de partidários do governo que o acusam de ser um golpista. Em algumas zonas de classe média em Caracas, moradores fizeram panelaço depois da divulgação do veredicto. Seus seguidores se mostraram convencidos de que a prisão não vai enfraquecer o líder opositor. "Todos os que os conhecemos sabemos que Leopoldo López está preparado para isto e mais, apenas o torna mais forte", disse Freddy Guevara, coordenador do Vontade Popular (VP), o partido de López.

Juiz Sérgio Moro manda soltar Celso Araripe, ex-gerente da Petrobras denunciado por delatores


O juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato em primeira instância, determinou nesta sexta-feira, a soltura de Celso Araripe, ex-gerente da Petrobras, preso em agosto, durante a 17ª fase da Lava Jato, batizada de "Pixuleco", a mesma que também prendeu o ex-ministro José Dirceu. Araripe é suspeito de receber propina de R$ 3 milhões para facilitar a aprovação de aditivos aos contratos da construção de um prédio da Petrobras em Vitória (ES) e havia sido delatado por dois executivos da empreiteira Camargo Corrêa: Dalton Avancini e Eduardo Leite. Em despacho nesta sexta-feira, Sérgio Moro considerou que, apesar de "pontos obscuros" no caso, a "prudência" recomenda a substituição da prisão preventiva por medidas alternativas. Em liberdade, ele precisará cumprir medidas impostas pela Justiça: não poderá sair do País, nem falar com investigados da Lava Jato e terá que comparecer a todos os atos do processo. Em depoimento à CPI da Petrobras, na semana passada, Araripe preferiu se manter em silêncio.

Petrobras estuda reduzir investimentos em pelo menos 10% ainda neste ano de 2015 após o rebaixamento de sua nota de risco


O rebaixamento da nota de risco da Petrobras em dois níveis pela agência de classificação Standard & Poor’s (S&P) vai obrigar a estatal a reduzir ainda mais seus investimentos, afirmam analistas de mercado. De acordo com uma fonte próxima ao governo, a Petrobras já começou a avaliar um corte nos investimentos previstos para este ano, inicialmente estimados em cerca de US$ 29 bilhões. Segundo essa fonte, os investimentos em 2015 ficarão abaixo de US$ 26 bilhões, ou seja, um corte de pelo menos 10%. O rating da estatal passou de “BBB-” para “BB” com perspectiva negativa — que é considerado grau especulativo e está abaixo da nota do País (BB+). Com isso, a petroleira perdeu o grau de investimento que detinha pela S&P há sete anos. Em fevereiro, a Moody’s já havia rebaixado a nota da companhia. A Petrobras vai rever todo seu Plano de Negócios 2015/2019, que previa investimentos de US$ 130,3 bilhões, contra US$ 220,6 bilhões do anterior. Para especialistas, a situação da Petrobras é a mais grave entre todas as empresas brasileiras, porque a estatal já teve sua nota rebaixada pela Moody’s. Com a nova perda, muitos fundos de investimentos deverão se desfazer dos papéis da estatal. Além disso, a Petrobras já enfrenta dificuldades de caixa por conta de seu elevado nível de endividamento líquido, que atingiu R$ 323,9 bilhões em 30 de junho, sendo 81% em dólar, e a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, cujo barril está hoje abaixo dos US$ 50,00. O economista Thiago Biscuola, da RC Consultores, destacou que o rebaixamento da nota da Petrobras, assim como de outras empresas brasileiras, era esperado após a queda da nota do País: "Creio que podem vir novos rebaixamentos em seguida. Com o elevado nível de endividamento, boa parte em dólar, a companhia terá de fazer um corte maior em seus investimentos". Para Luís Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, os dois efeitos imediatos para a Petrobras do rebaixamento da nota de crédito do Brasil e da própria empresa é a elevação do custo de captação de recursos e o aumento do seu endividamento. A empresa, que já vinha tendo dificuldade para se financiar, encontrará ainda mais obstáculos para levantar dinheiro. A perda do grau de investimento do Brasil tende a elevar o dólar, fazendo a dívida da companhia crescer ainda mais. "A dívida da Petrobras vai crescer, e o problema é que o aumento da geração de caixa não vai conseguir crescer no mesmo ritmo", diz Pereira. A primeira prova de fogo da estatal será a emissão de R$ 3 bilhões em debêntures (títulos da dívida) que a empresa está preparando com o objetivo de levantar recursos para seu plano de negócios. "Ou haverá menos interesse nos papéis ou o investidor vai cobrar um prêmio de risco maior (ou seja, o retorno do investimento terá de ser maior)", afirma o analista. Em nota, a Petrobras garantiu que está mantida a capacidade de financiamento de seus projetos a médio prazo, graças a captações feitas este ano no Brasil e no exterior. A estatal ressaltou que seus investimentos não serão afetados com o rebaixamento da S&P porque não têm cláusulas atreladas ao rating das agências classificadoras. A companhia destacou ainda que tem adotado um conjunto de medidas para melhorar seus processos, citando o plano de redução de custos operacionais de US$ 12 bilhões até 2019. “Dentre as medidas adotadas destacamos a redução do volume de investimentos (Capex) e a priorização do segmento de exploração e produção conforme previsto no novo Plano de Negócios”, afirmou em nota. Devido a essa perspectiva, as ações da Petrobras foram as que exerceram maior influência negativa ontem no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) caíram 3,82%, enquanto os preferenciais (PN, sem voto) recuaram 5,01%. A Bolsa fechou em baixa de 0,33%, aos 46.503 pontos. 

Preço do petróleo e rebaixamento fazem Petrobras cair mais de 4%; dólar vai a R$ 3,881


O preço do petróleo tem queda significativa no mercado internacional. O do tipo Brent recua 1,15% o barril, a US$ 48,33, o que ajuda a pressionar as ações de companhias petrolíferas. Nesta sexta-feira, o Goldman Sachs prevê que, no cenário mais pessimista, o petróleo poderia cair a US$ 20,00. No Brasil, as ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras, que na quinta-feira à noite perdeu o grau de investimento pela S&P, caem 4,26%, cotadas a R$ 7,63, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) registram desvalorização de 4,40%, a R$ 8,90. Já as ações da Vale, que chegaram a subir no início dos negócios, operam em terreno negativo também. As PNs recuam 2,93% e as ONs caem 3,51%, após subir mais de 2%. Ainda entre as ações com maior peso no Ibovespa, o setor bancário opera em queda. Os papéis preferenciais do Itaú e do Bradesco recuam, respectivamente, 0,18% e 0,75%. Os papéis do Banco do Brasil caem 2,19%. Na quinta-feira à noite, a S&P anunciou a redução das notas de uma série de empresas, e essas três instituições financeiras perderam o grau de investimento. O governo deve aumentar os esforços para evitar que as outras duas grandes agências de classificação de risco, Fitch e Moody's, rebaixem a nota do Brasil. O risco maior está na Moody's, em que a nota do Brasil está acima um nível do grau especulativo. Se isso ocorrer, o país deixaria de ser grau de investimento em duas das três grandes agências, deixando de atender as exigências de alguns fundos que pedem esse selo de bom pagamento para deixar os recursos em um País. Na máxima, o dólar já atingiu R$ 3,895, encostando nos R$ 3,908 de quinta-feira - patamar que é o mais elevado em quase 13 anos. Na avaliação de Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a alta está atrelada a fatores internos. Do lado externo, há a consolidação de que o Federal Reserve (Fed, o bc americano) não deve subir os juros na reunião da semana que vem, o que faz com que as moedas de alguns emergentes ganhem espaço frente ao dólar. 

Polícia Federal pede autorização ao Supremo Tribunal Federal para inquirir Lula X9


A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal relatório em que pede para que o ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") seja ouvido para explicar seu envolvimento no esquema investigado na operação Lava-Jato. O relatório diz que Lula pode ter sido beneficiado pessoalmente pelo esquema de corrupção na Petrobras. Em Buenos Aires, onde faz campanha para o candidato à presidência da Argentina, o peronista populista Daniel Scioli, apoiado pela incompetente presidente Cristina Kirchner, o ex-presidente brasileiro se mostrou surpreso com o pedido da Polícia Federal e disse que ainda não foi comunicado: "Eu não sei como comunicaram a vocês e não me comunicaram. É uma pena". "Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que, na condição de mandatário máximo do País, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal", diz o relatório. Depois de contar tudo o que foi apurado até agora, a Polícia Federal pede que Lula seja intimado para prestar declarações. "Neste cenário fático, faz-se necessário trazer aos autos as declarações do então mandatário maior da nação, Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de que apresente a sua versão para os fatos investigados, que atingem o núcleo político-partidário de seu governo". 


O documento da Polícia Federal cita todos os ex-ministros que foram acusados de ligação com o esquema de corrupção na Petrobras e volta a citar conteúdo de depoimentos de delatores para justificar que havia uma estrutura montada com propósito de agradar aliados do governo. "Vê-se, portanto, que os colaboradores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef presumem que o ex-presidente da República tivesse conhecimento do esquema de corrupção descortinado na Petrobras em razão das características e da dimensão do mesmo. Os colaboradores, porém, não dispõem de elementos concretos que impliquem a participação direta do então presidente Lula nos fatos. A presente investigação, por seu turno, não pode estar dissociada da realidade fática que ela busca elucidar e, no presente caso, os fatos evidenciam que o esquema que ora se apura é, antes de tudo, um esquema de poder político alimentado com vultosos recursos da maior empresa do Brasil". O relatório aponta ainda as indicações políticas de dirigentes da Petrobras que eram submetidos ao governo. E informa ao STF que é necessário fazer levantamento sobre vantagens pessoais que Lula pode ter recebido e também dos atos que teria cometido quando estava no cargo de presidente. "Nenhum dos arrolados nega que as nomeações para as diretorias da Petrobras ora investigadas demandaram apoio político-partidário que, por sua vez, reverteu-se em apoio parlamentar, ajudando a formar, assim, a base de sustentação política do governo. Dentro dessa lógica, os indícios de participação devem ser buscados não apenas no rastreamento e identificação de vantagens pessoais porventura obtidas pelo então presidente, mas também nos atos de governo que possibilitaram que o esquema se instituísse e fosse mantido, uma vez que, tal como já assinalado, não se trata apenas de um caso de corrupção clássica". Assinado pelo delegado Josélio Azevedo de Sousa, o relatório foi concluído no último dia 9 deste mês. O documento lista todas as diligências que ainda precisam ser feitas no inquérito que tramita no STF. Nesse inquérito há 36 investigados. É o caso com maior número de alvos da operação Lava-Jato que está no Supremo. Além de pedir que seja investigada a atuação e participação da cúpula do governo Lula, o delegado também quer aprofundar o envolvimento dos partidos no esquema. Ele quer que sejam ouvidos os ex-ministros Gilberto Carvalho, Antonio Palocci, Ideli Salvatti e José Dirceu. Para aprofundar a apuração envolvendo o PT, a Polícia Federal quer intimar também, se o Supremo autorizar, o presidente do partido, Rui Falcão, e os ex-presidentes da Petrobras, Sergio Gabrielli e José Eduardo Dutra. No caso do PP, foi solicitada a inquirição do ex-ministro Mário Negromonte, seu irmão Adarico Negromonte, e até o vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, que não está entre os investigados. O relatório diz ainda que deixa de analisar o caso da presidente Dilma Roussef em função de decisão já tomada pelo relator Teori Zavascki, a partir de parecer do Ministério Público Federal, considerando que fatos anteriores ao mandato da chefe do Executivo não poderiam ser investigados. "Esclarece-se, por fim, que a atual presidente da República, Dilma Vana Roussef, que ocupou os cargos de ministra de Minas e Energia (2003 a 2005), presidente do Conselho de Administração da Petrobras (2003 a 2010) e ministra-chefe da Casa Civil (2005 a 2010), não pode ser investigada pelos fatos ocorridos nesses períodos, por força do artigo 86, § 4° da Constituição Federal", diz o relatório. 

Dilma vai anunciar cortes de gastos e elevação de impostos. Na mira de um governo desordenado, o Brasil que trabalha e produz

O governo deve começar a mover os tanques nesta sexta-feira para transmitir ao adversário — o adversário, no caso, é aquilo a que Drummond chamava “a enorme realidade” — a impressão de que está fazendo alguma coisa. Foi preciso que a Standard & Poor’s rebaixasse a nota do Brasil para a presidente Dilma Rousseff tentar ao menos sair do torpor. O governo deve fazer hoje um anúncio de corte de despesas, que passa pela diminuição de cargos comissionados — vamos ver de quantos — e a revisão de contratos de prestadores de serviços. Bem, resta a sugestão de que, no seu quinto ano de governo, Dilma anda a desperdiçar dinheiro nessas áreas… Mas vá lá. A redução do número de ministérios fica para a semana que vem. Também se espera para hoje, mais tardar na segunda-feira, a definição dos impostos que o governo pretende aumentar. Sim, meu amigo, mundo afora, quando alguém fala em elevar a carga tributária ou em criar taxações específicas, sempre será a economia produtiva a pagar o pato em benefício, no mais das vezes, dos improdutivos ou da sustentação da própria burocracia. Isso é um truísmo, não? A carga tributária brasileira já está entre as mais altas do mundo: 35,7% do PIB. Países com taxação semelhante oferecem serviços públicos incomparavelmente melhores. No nosso caso, boa parte é consumida para alimentar a própria máquina que nos infelicita. Nesta quinta-feira, em mais uma entrevista desastrada — em que evidencia o quão pouco tem a dizer, dado o governo ao qual serve —, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, voltou a defender que, sem mais tributação, não há solução. Se ele estivesse fazendo essa declaração na Índia, com uma carga tributária de 19% do PIB, ou no Chile, pouco superior a 20%, talvez alguém o ouvisse com algum interesse. Mas aqui? A fórmula já estaria dada. Consta que o governo quer elevar impostos que não tenham impacto na inflação e que, ora vejam!, atinjam apenas os mais ricos. Huuummm… As chamadas “PJs” — uma ampla gama de profissionais liberais que são pessoas jurídicas — estão na mira do ministro. Ele gostaria de meter sobre seus rendimentos uma facada de pelo menos 27,5%, que é a maior alíquota do Imposto de Renda dos trabalhadores regidos pela CLT. O ministro, este curioso “liberal”, se esquece de que esses mesmos trabalhadores, por óbvio, não têm o chamado Fundo de Garantia, não oneram a Previdência e se encarregam dos custos relativos à própria saúde. Caso se eleve a alíquota de IR das “PJs” para 27,5%, esse mecanismo não só deixa de implicar algum benefício ao trabalhador — que administra o pouco que sobra do próprio dinheiro, em vez de entregá-lo ao Estado — como passa a ser desvantajoso. A sua eventual transformação em celetista só se faria à custa da redução do ganho real, já que as empresas teriam de diminuir seu salário em razão dos custos de contratação. A consequência seria a desorganização de setores do trabalho que estão entre os mais dinâmicos do País. Coisa de energúmenos! Não é por acaso que, hoje, o mais difícil é encontrar um petista que, ao falar privadamente, aposte que Dilma chegará ao fim do mandato. Soa como escárnio e mesmo ofensa, depois de tudo, a presidente se voltar para a sociedade e pedir que esta lhe dê um pouquinho a mais de imposto. As coisas talvez soassem de outro modo se ela estivesse no último ano de mandato e se a percepção da deterioração da economia tivesse se dado aos poucos. Mas não é assim. Ela está apenas no nono mês de uma jornada que pretendia ter 48. A realidade está sendo vivida quase como fábula. A fada, de repente, virou bruxa, e amplas camadas se dão conta de que foram enganadas outro dia mesmo. Não, senhores! Os mais furiosos hoje com Dilma nem são os que votaram em Aécio Neves — sim, estes continuam descontentes. Os que estão realmente bravos votaram em Dilma. Os que ficaram com a oposição, convenham, não foram traídos, né? Nesta sexta-feira, começaremos a ver quais são as medidas do desespero; saberemos, então, que sacrifício Dilma está disposta a fazer e que sacrifício espera que nós façamos. Tenho a ligeira impressão de que ela vai tentar mesmo é jogar o peso maior nos nossos ombros, especialmente naquela parte do Brasil que trabalha e produz — e a quer fora do governo — para sustentar a máquina insaciável dos que só reivindicam e chamam o impeachment de “golpe”. Por Reinaldo Azevedo

Dilma busca alguém para o lugar de Mercadante. Tá difícil!!!

A presidente Dilma Rousseff abriu a temporada de caça a um chefe da Casa Civil, cargo atualmente (des)ocupado por Aloizio Mercadante, cuja função, já disse aqui, é um dos maiores mistérios da República. Enquanto Michel Temer era coordenador político do governo, a gente ao menos sabia o que fazia o petista: tentava impedir o outro de trabalhar a passava as horas buzinando na orelha de Dilma que Temer queria mesmo era a cadeira da governanta. Não é correto dizer que eu defendo a saída de Mercadante faz tempo. Eu critiquei a sua nomeação, desde a primeira hora. Nada tenho de pessoal contra ele. Ele só não exibe, vamos dizer, um perfil agregador. E que se note: fiz as minhas ressalvas segundo critérios puramente técnicos, avaliando se iria ou não funcionar segundo a ótica do próprio governo. Obviamente, não funcionou. Convenham: uma das atribuições do ministro é impedir, por exemplo, que decretos desastrados como aquele que destituía os militares de funções que lhes são próprias sejam assinados por Dilma. Nem isso… Mercadante é ambicioso e tem sobre si uma impressão muito melhor do que a de qualquer pessoa que o conheça. Outro dia li numa coluna que ele seria, calculem vocês, desde já, um pré-presidenciável do PT em 2018. Quem terá plantado tal coisa? Não sei. Como tenho o direito de chutar, chutei: Mercadante! O desespero é grande. Dilma precisa de uma pessoa que faça a coordenação política mesmo, não de 8.397, como tem hoje. Ela deveria começar o tal enxugamento da máquina eliminando o excesso de coordenadores. Até figuras de proa da oposição frequentaram a lista de candidatos ao cargo ontem, num sinal de que as coisas estão indo de mal a pior. Ora, para que Dilma pudesse botar na Casa Civil um representante de um partido adversário, teria de estar liderando uma espécie de governo de salvação nacional, não é? O primeiro passo seria abandonar o PT, o que não creio que fará. Não custa lembrar que Collor ainda tentou se salvar com um tal “ministério ético”. Foi quando homens que não apareciam sobre jet-ski se esforçaram para dar uma nova cara ao governo: Jorge Bornhausen (Casa Civil), Marcílio Marques Moreira (Fazenda), Jarbas Passarinho (Justiça)… Collor se esforçou, então, para levar Fernando Henrique Cardoso para o Itamaraty. O PSDB não topou! Glória a Deus! O PT, como é sabido, era adversário de Collor e aliado de Dilma. Não dá para saber, a esta altura, em que posição ele se comporta de modo menos adequado. Não é a primeira vez que Dilma pensa em tirar Mercadante da Casa Civil. Na hora “h”, sempre desiste, e não é certo que o faça agora. De toda sorte, cumpre indagar: se não for ele, quem? A lógica elementar indica que deveria ser um não petista. Ao ministro caberia apenas e tão-somente cuidar do único projeto que sobrou a Dilma: tentar salvar o seu mandato. Por Reinaldo Azevedo

Artigo de Reinaldo Azevedo - Riobaldo do adeus

Dilma deveria renunciar. Seria um gesto delicado com o Brasil. Todos receberíamos a decisão como um pedido de desculpas, ainda que silencioso. Não é possível que ela não perceba que já não tem como fazer parte da solução. Tornou-se só um catalisador de problemas. A presidente precisa reler aquele seu Riobaldo de uma nota só: "O que ela (a vida) quer da gente é coragem", tomada a frase como sinônimo de teimosia e resistência. Até porque o sentido original do texto –vá lá ver, leitor, em "Grande Sertão Veredas"– é outro. Minas lhe oferece uma saída honrosa, com Drummond: "Há uma hora em que os bares se fecham/ e todas as virtudes se negam". Acabou. Não é conspiração, não é golpe, não é tramóia, não é sina, não é nem mesmo fraqueza. Memórias de um ex-jagunço sentimental e sentencioso, em momentos assim, viram só mais uma pedra no meio do caminho. É a realidade, a carnadura concreta da poética do poder, para apelar um pouquinho a João Cabral, que impõe à petista o ato elegante. Dou de barato que ela fez o possível, atendendo aos ditames de sua formação intelectual e do partido em cujo altar teve de se ajoelhar. Temos aí "a soma e o resto", para citar Henri Lefebvre, que rompeu com o Partido Comunista quando a petista desta história tinha só... 11 anos! Não é que tenha dado tudo errado com o seu governo. Em certa medida, deu tudo certíssimo, segundo, ao menos, a matemática entranhada nas coisas. As despesas cresciam sistematicamente acima da receita. Quando o binômio supervalorização das commodities/modelo ancorado no consumo evidenciou que não era sustentável, a partir de meados de 2012, ela resolveu alimentá-lo com medidas adicionais que... aumentaram as despesas e diminuíram a receita! As tarifas públicas foram represadas para conter a inflação, estimulada pelos anabolizantes injetados na economia. E o País quebrou. CQD. Como queríamos demonstrar. Quantas vezes a mandatária foi advertida para o que havia do lado de lá do sinal de igualdade da equação petista? Não obstante, os críticos eram demonizados, ridicularizados, tratados como inimigos do povo. Ainda hoje se procura fazer deles uma caricatura, desqualificando-os como interlocutores do jogo democrático – e a interlocução na democracia se faz é entre adversários, não entre aliados. No fim das contas, vamos convir, nem a senhora, presidente, nem seu partido entendem direito essa conversa de tensão virtuosa entre contrários. O petismo atua é para eliminar os que não se rendem. Agora não há mais tempo. Algum entendimento terá de ser feito para convencer a sociedade de sacrifícios adicionais, além daqueles que já estão em curso. Ou é isso, ou vem por aí uma espiral negativa de longuíssima duração. E a arena desse pensamento não é o Ministério da Fazenda. A Joaquim Levy, ou a outro, entregar-se-á uma máquina de calcular números. A realidade exige alguém que seja bom no cálculo político. Ocorre que isso não se faz sem uma relação de confiança, que não existe mais. É preciso saber identificar o momento em que todos os bares se fecham e as virtudes se negam. Tá bom, presidente! Eu a deixo com o seu Riobaldo. Mas com um outro – aquele que cobra da senhora é coragem.

PESQUISA 1 – São Bernardo e Santo André, que viram Lula nascer, dão as costas para o petista e lhe aplicariam uma surra eleitoral homérica

O ABC é o berço político do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Foi no então Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo que ele despontou como figura nacional. Comandou a entidade, liderou greves, fundou o PT em 1980 e, 22 anos depois, venceu a primeira de duas eleições presidenciais, após ter sido derrotado três vezes seguidas. Seu partido está no poder há 13 anos — podendo chegar a 16, mas hoje pouca gente aposta nisso. Pois é… Lula teve seu patrimônio eleitoral dilapidado na região que fez dele um líder nacional. O Instituto Paraná Pesquisas resolveu saber o que andam pensando os eleitores de São Bernardo e Santo André. As duas cidades são administradas pelo PT. Os “companheiros” certamente não vão gostar muito do resultado. Em São Bernardo, cujo prefeito é Luiz Marinho, já em segundo mandato, foram ouvidos 648 eleitores entre os dias 5 e 8 de setembro. Em Santo André, administrada por Carlos Grana, foram entrevistadas 643, entre 3 e 6. A margem de erro é de quatro pontos para mais ou para menos. O instituto não testou cenários com os nomes dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra para a Presidência.
São Bernardo
Em pesquisa estimulada, se a eleição fosse hoje e se fossem estes os candidatos, vejam como votariam os eleitores de São Bernardo:
Aécio Neves (PSDB) – 36,8%
Marina Silva (Rede) – 23,6%
Lula (PT) – 20,3%
Jair Bolsonaro (PP) – 4%
Eduardo Cunha (PMDB) – 2%
Ronaldo Caiado (DEM) – 0,3%
Nenhum – 6,7%
Não sabe – 6,2%
Num eventual segundo turno entre Aécio e Lula, eis os números, péssimos para o petista:
Aécio Neves (PSDB) – 57%
Lula (PT) – 26,1%
Nenhum – 9,1%
Não sabe – 7,8%
Numa disputa entre Marina e Aécio, a disputa seria mais equilibrada:
Aécio Neves (PSDB) – 47%
Marina Silva (Rede) – 36,6%
Nenhum – 8,8%
Não sabe – 7,6%
A avaliação que os moradores de São Bernardo fazem do governo federal é devastadora:
Aprovam o governo Dilma – 12,2%
Reprovam o governo Dilma – 84,6%
Não sabem/Não responderam – 3,2%
Santo André
Em Santo André, o resultado não seria muito diferente. Também nessa cidade, muito provavelmente, Marina tomaria de Lula o segundo lugar no primeiro turno, e o ex-presidente seria derrotado de forma acachapante no segundo:
Aécio Neves (PSDB) – 36,5%
Marina Silva (Rede) – 23,3%
Lula (PT) – 18,2%
Jair Bolsonaro (PP) – 4,2%
Eduardo Cunha (PMDB) – 3,9%
Ronaldo Caiado (DEM) – 1%
Nenhum – 6,7%
Não sabe – 6,2%
Num eventual segundo turno, o petista leva outra surra:
Aécio Neves (PSDB) – 58,6%
Lula (PT) – 23%
Nenhum – 10%
Não sabe – 8,4%
Numa disputa entre Marina e Aécio, a distância seria bem menor, a exemplo do que se viu em São Bernardo:
Aécio Neves (PSDB) – 48,7%
Marina Silva (Rede) – 36,6%
Nenhum – 10,4%
Não sabe – 7,4%
Os moradores de Santo André também não gostam do governo Dilma:
Aprovam o gestão – 12,1%
Reprovam a gestão – 84,4%
Não sabem/Não responderam – 2,5%
Pois é… Os petistas vivem usando a figura de Lula como uma espécie de ameaça e de fantasma a assombrar o quadro político. Certos setores da sociedade resistem a aderir à defesa do impeachment de Dilma porque temem a eventual volta do demiurgo em 2018. Eu, como sabem, estou entre aqueles que defendem que Lula dispute, sim, a próxima eleição presidencial — caso, claro!, a Justiça permita. O povo brasileiro tem o direito de derrotá-lo uma quarta vez nas eleições presidenciais. Por Reinaldo Azevedo

Fernando Baiano virou o fiapo de esperança — consta que inútil — do PT

Apareceu aquele que alguns petistas acreditam que possa ser mais uma luz no fim do túnel, o que, vou demonstrar aqui, dadas as razões desse fio de otimismo, seria só um trem em sentido contrário. Fernando Baiano, considerado o homem do PMDB na roubalheira da Petrobras, resolveu fazer acordo de delação premiada. Os petistas, vibrando por uma causa de anteontem, acreditam que ele pode tornar ainda mais complicada a situação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, o inimigo preferencial da turma. Certo! Digamos que sim. Isso, hoje, já não altera a dinâmica que aponta para o impeachment. Mas há outro motivo para alguma excitação. Michel Temer, vice-presidente da República e futuro ocupante da cadeira principal caso Dilma venha a ser impichada, é presidente do PMDB desde 2001. Em 2011, afastou-se do comando do partido para assumir a Vice-Presidência, mas foi reconduzido ao cargo. Lá entre eles, os petistas dizem ser “muito provável” que haja alguma coisa contra Temer. É claro que chega a ser impressionante que eles não infiram ser muito provável, então, que também haja alguma coisa contra Rui Falcão, presidente do PT. Ocorre que fazer um petista pensar logicamente não é nem fácil nem difícil; é apenas inútil. Vocês sabem que, na prática, não existe sigilo na tal Lava-Jato. Não consta que o escândalo tenha chegado nem perto do vice. Mas digamos que sim: isso só tenderia a reforçar o risco de cassação da chapa vencedora no TSE. Será que os petistas acham que, caso as denúncias atingissem Temer, isso colaboraria para fortalecer Dilma? É só mais um raciocínio energúmeno. A quem quer que pergunte diretamente ao vice se há algum risco de a operação esbarrar na sua atuação política, ele responde enfaticamente que não. Com ou sem delação de Fernando Baiano. Já a Dilma… Bem, vamos ver. Talvez ela se enrole ainda mais. Paulo Roberto Costa já disse ter recebido R$ 1,5 milhão em propina para não criar embaraços na compra da refinaria de Pasadena. Baiano estaria disposto e demonstrar que isso é café pequeno perto da safadeza que teria rolado de fato naquela negociação. Aguardem-se os próximos capítulos. Tudo indica — e torço para que seja assim em benefício do País — que a torcida para fazer Temer ser tragado pelo petrolão é inútil. Por Reinaldo Azevedo

A Folha corre atrás de uma falha

A Folha de S. Paulo noticia que a petição pró-impeachment é suscetível a fraudes, omitindo o número de adesões conseguidas até agora. Pode até ser que haja pessoas que "assinaram" mais de uma vez, mas é divertido imaginar os editores do jornal desesperados para encontrar uma forma de deslegitimar o sucesso da petição.

425 mil assinaturas (tirando as oito da Folha de S. Paulo)

A Folha de S. Paulo tenta fraudar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff dizendo que seus repórteres assinaram o documento mais de uma vez. Os repórteres da Folha de S. Paulo realmente pediram o impeachment da presidente? O Antagonista pode imaginar o sofrimento deles. Se você não é repórter da Folha de S. Paulo e ainda não assinou o documento, assine clicando aqui: pedido de impeachment. Já temos 425 mil assinaturas (tirando as oito do IP da Barão de Limeira).

Saudades de Ideli

A Polícia Federal quer ouvir, além de Lula, os ex-ministros Gilberto Carvalho, José Dirceu e Ideli Salvatti. Ideli... Saudades suas, querida, que bom que você resolveu aparecer.

Esgotou-se o tempo

Os coordenadores do movimento pró-impeachment de Dilma Rousseff se reuniram com Eduardo Cunha ontem à tarde. Segundo a Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara disse que não vai “sentar em cima” dos requerimentos pela saída da presidente – entre eles, aquele protocolado por Helio Bicudo. Que tal hoje, Eduardo Cunha?

O abatimento do PT

"Ministros, deputados e senadores do PT já consideram não apenas possível mas provável que a presidente Dilma Rousseff seja afastada do governo num processo de impeachment ainda neste ano. O clima é de abatimento". A nota foi publicada na Folha de S. Paulo, por Mônica Bergamo, a interlocutora preferida daquela gente.

O TSE pode cassar o PT

Já dá para ver o fim do PT. O TSE está analisando um pedido de investigação para apurar se o PT usou dinheiro roubado da Petrobras para se financiar. O pedido foi encaminhado pelo ministro João Otávio de Noronha e está na mesa do presidente do tribunal, Antonio Dias Toffoli. Se as suspeitas de irregularidades forem comprovadas – e não há a menor possibilidade de que não sejam – o PT pode ser punido com a perda do registro.

Os dinossauros da propina

O delator Augusto Mendonça, que fez 24 repasses ao PT, num total de 4 milhões de reais, disse ontem ao juiz Sergio Moro: “Cada pagamento era deduzido do montante de propina devido. O momento das propinas e os valores eram indicados por Renato Duque, enquanto as contas e Diretórios do PT que recebiam os pagamentos eram indicados por João Vaccari”. Se o presidente do TSE, Dias Toffoli, autorizar o investigação contra o PT - e ele tem de autorizar -, não há a menor dúvida: o partido será extinto.

O silêncio criminoso de Dilma

A ditadura venezuelana de Nicolás Maduro condenou o líder opositor Leopoldo López a 13 anos e nove meses de prisão. Dilma Rousseff, criminosamente, calou-se.

Puxadinho Standard & Poor's

Delcídio Amaral, aquele que poderá ser delatado por Fernando Baiano, anunciou que hoje o governo anunciará cortes de custos e, a partir da semana que vem, redução de ministérios e de programas assistenciais. Delcídio Amaral e o governo que representa chamam isso de "reforma administrativa". O Antagonista prefere a expressão "puxadinho Standard & Poor's".

No Maranhão, prefeitos se filiam em massa ao PSDB e isolam o governador comunista Flavio Dino

O estilo de Flávio Dino (PCdoB) no governo Maranhão, mantendo distância da classe política, tem provocado um movimento de prefeitos, deputados e vereadores, único no País, que se filiam ao PSDB quase em massa. É como estivessem em busca de liderança política. Esse movimento fortalece o vice-governador tucano Carlos Brandão, que tem sido citado como candidato à sucessão de Flávio Dino, em 2018. Em São Luís, Flávio Dino apoiará a reeleição do atual prefeito, do PDT, mas o vice tucano Carlos Brandão apresentará candidato do PSDB. Flávio Dino não gosta de receber políticos e amigos: dizem que o seu sonho é se eleger senador. Governador, para ele, seria uma chatice. A filiação em massa ao PSDB tem a ver com as eleições de 2016. Seu presidente, Aécio Neves, quer candidaturas próprias em todo o País. 

Petrobrás considera reduzir jornada de trabalho e salário


A Petrobrás considera reduzir a jornada de trabalho e o salário dos seus empregados concursados, conforme sua proposta de acordo coletivo para o período de 2015 a 2017. No documento, a petroleira abre espaço para que os funcionários da área administrativa passem a trabalhar 30 horas semanais, em vez das atuais 40 horas. A adesão seria voluntária, mas acarretaria corte de 25% nos ganhos mensais e nos pagamentos por férias e décimo terceiro. Para sair do papel, o acordo coletivo, divulgado na intranet da empresa, depende de negociação com a Federação Única dos Petroleiros (FUP). Além de propor redução salarial e das horas trabalhadas nos escritórios, a petroleira quer reduzir a carga de trabalho de dez para oito horas diárias em unidades operacionais, como plataformas e refinarias. No dia 26 de agosto, a nova direção da empresa havia anunciado que promoveria um corte de “gastos operacionais gerenciáveis” de US$ 12 bilhões até 2019. Na prática, a petroleira vai suspender direitos até então garantidos aos seus trabalhadores - 80,9 mil funcionários próprios e 200 mil terceirizados. Para o representante dos funcionários no conselho de administração, Deyvid Bacelar, a retirada de benefícios e direitos dos trabalhadores é um retrocesso. “Isso é gasolina que a companhia jogou sobre a categoria, agora basta acender um fósforo”, ironizou. “Se a categoria brincar, a empresa pode retirar outros direitos. O governo federal, como acionista controlador, tem responsabilidade sobre esse processo. Não tenho dúvida que vamos ter grande adesão para uma greve forte na categoria", disse ele.