quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Não se reúnam com Cardozo

 Eduardo Cardozo reuniu-se ontem, "de última hora", com Aécio Neves e Antônio Anastasia, para "discutir o projeto de lei que trata do terrorismo", relatado por Anastasia. Pode até ser verdade que a Lava Jato não tenha sido assunto, mas O Antagonista sugere aos tucanos que não façam reuniões fechadas de espécie nenhuma com José Eduardo Cardozo ou qualquer outro petista. Passou o tempo, sabe?

Mar de demissões

desemprego
Só 9% dos empresários vão contratar
Uma pesquisa da agência de empregos ManpowerGroup demonstra que o governo tem mesmo motivos para se preocupar com a geração de empregos no país. Apenas 9% dos 850 empresários de indústria e serviços ouvidos pelo levantamento disseram que pretendem fazer contratações no último trimestre de 2015. Outros 65% responderam que manterão o quadro de funcionários e 23% vão diminuir o número de empregados entre outubro e dezembro. Segundo a pesquisa, o número de contratações deve cair em média 10% no último trimestre do ano, pior número entre os 42 países estudados pela ManpowerGroup. No estado e na cidade São Paulo, onde as perspectivas de contratação são piores, as quedas devem ser de 18% e 9%. Por Lauro Jardim

Escolha de Sofia

gasolina
Gasolina mais cara na bomba
Caso o governo aumente mesmo a Cide da gasolina de 0,10 centavos para 0,60 centavos, aumentará sua receita em 15 bilhões de reais. Beleza. Em compensação, o preço da gasolina na bomba vai subir algo como 21%, de acordo com estimativa do consultor Adriano Pires. Imagine-se o impacto inflacionário da medida. Por Lauro Jardim

Dilma sem agenda

Dilma: sem agenda
Dilma: sem agenda
Se há uma expressão da qual nunca mais se ouviu falar no governo Dilma é “agenda positiva”. A agenda positiva é um recurso clássico dos governos que enfrentam alguma crise.  É só a popularidade cair e lá vem alguém da área de comunicação com a ideia mágica: “agenda positiva”. Dilma Rousseff, neste segundo mandato, até que tentou lançar mão desse recurso. Anunciou um novo programa de concessões na área de infraestrutura em junho. Alguns programas sociais foram lançados ou relançados em cerimonias no Palácio do Planalto. Só que bastava uma cerimonia dessas acontecer para uma notícia de “agenda ruim”, geralmente vinda da Lava-Jato ou da economia, engolfar a novidade que o governo tentava lançar. Hoje, nem isso o governo tenta mais.  Até o Minha Casa minha Vida 3 que seria lançado nesta semana terá que ser repensado. Não há recursos. Na verdade, não é que seja um governo sem agenda positiva. É um governo sem agenda. Por Lauro Jardim

Faltou gás

Petrobras: prejuízo
Apenas Mitsui e Beijin Gas na briga
Em março, quando a Petrobras anunciou que venderia suas participações nas distribuidoras estaduais de gás, imaginou-se que a disputa seria grande. No final das contas, o processo atraiu somente a japonesa Mitsui, aliás, encrencada na Lava-Jato; e a chinesa Beijin Gas. A culpa pela procura escassa está caindo nas costas da decisão de restringir a venda a 49% da participação da estatal. Por Lauro Jardim

Dias Toffoli cassa liminar que suspendia quebra de sigilo telefônico de jornalistas

Toffoli: pela quebra de sigilo telefônico de jornalistas
Toffoli: pela quebra de sigilo telefônico de jornalistas
Ao analisar uma reclamação da Associação Nacional dos Jornais, Dias Toffoli cassou na semana passada a liminar que suspendia a quebra do sigilo telefônico do repórter Allan de Abreu e de toda a redação do jornal Diário da Região, em São José do Rio Preto. O objetivo da quebra de sigilo é chegar à fonte que passou ao repórter escutas telefônicas há quatro anos e que revelavam um esquema de corrupção na Delegacia do Trabalho local. A decisão de Toffoli mantém a quebra do sigilo de cerca de trinta jornalistas, decretada pelo juiz federal Dasser Letière Júnior. Por Lauro Jardim

Petista persegue comissionados que vão a manifestações

Petista persegue comissionados não alinhados ao governo
Petista persegue comissionados não alinhados ao governo
O petista Paulo Pimenta, presidente da Comissão de Direitos Humanos, passou a perseguir individualmente em seu Facebook quem está em cargo de comissão no governo, mas critica o governo. Pimenta fez uma colagem de uma postagem de apoio às manifestações na rua, feita por uma servidora comissionada no Ministério do Esporte, a pedido de George Hilton. Por Lauro Jardim

Sartori poderá pagar todo o saldo de salários do funcionalismo nesta sexta-feira

O governo do Rio Grande do Sul, de José Ivo Sartori, pensa pagar todo o restante da Folha de Pessoal do Executivo dentro de dois dias, nesta sexta-feira, caso a receita comporte-se do modo como projeta a secretaria da Fazenda, mas setores do Piratini e da base aliada na Assembléia negam a possibilidade. Conforme o detalhamento da Secretaria da Fazenda, nesta quarta-feira ocorre o ingresso nos cofres do Tesouro de mais de R$ 200 milhões provenientes da substituição tributária. Entre os dias 10 e 11 há o ingresso do ICMS dos setores de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, além de transferências federais referentes ao Fundo de Participação dos Estados e da Lei Kandir. Os valores ficam retidos pela União até completarem os R$ 265 milhões relativos ao pagamento da parcela de agosto da dívida. Dados internos da secretaria da Fazenda, contudo, apontam para a possibilidade do ingresso de uma receita extraordinária de pelo menos R$ 250 milhões entre esta terça-feira e amanhã. Pelo calendário oficial divulgado pela Secretaria da Fazenda, o dia 11 está definido como a data do pagamento da segunda parcela dos salários, no valor de R$ 800,00. Além dela, e da parcela de R$ 600,00 paga em 31 de agosto, está previsto pagamento de outros R$ 1,4 mil até 15 de setembro e de uma parcela final (para aqueles com vencimentos acima de R$ 2,8 mil líquidos) até o dia 22.

Assembléia gaúcha rejeita mudança legislativa para favorecer a deputada comunista Manuela D'Ávila


A deputada estadual comunista Manuela D'Ávila, se quiser votar contra ou a favor do governador José Ivo Sartori (PMDB), terá que levar babá e bebê para o Palácio Farroupilha. O bebê nasceu há poucos dias, por meio de cesariana, embora a comunista seja fervorosa defensora do parto natural. Vale para as outras o que não valeu para ela. A jornalista Rosane Oliveira, que se diz "amiga fraternal" da deputada comunista (vale dizer, ideológica), chegou a dizer que Manuela D'Ávila teria enfrentado com galhardia as dores do parto do nascimento da filha, mas no dia seguinte, entristecida, teve que reconhecer que errou. A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul rejeitou nesta terça-feira o projeto de resolução apresentado pelo deputado Luiz Mainardi, do PT, que instituía a convocação de suplente em caso de licença-maternidade, atingindo em cheio a deputada Manuela D'Ávila, do PCdoB. O próprio PT, ano passado, pediu a mudança para beneficiar a então deputada petista Ana Affonso. Desta vez, o partido queria garantir todos os votos do seu satélite PCdoB contra os projetos de ajuste fiscal de Sartori. Agora, se Manuela D'Ávila quiser votar, terá que levar junto babá e nenê. A proposta casuística foi apresentada pelo deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) e tinha como objetivo imediato preencher a cadeira da deputada Manuela d'Ávila (PCdoB), já afastada das atividades parlamentares em decorrência da gestação. A matéria é especialmente polêmica por restabelecer uma norma que vigorou até 2014 e foi derrubada justamente por pressão da bancada petista, sob a liderança da então deputada Ana Affonso (PT). A mudança no regimento interno aconteceu em março de 2014 e, até o momento, beneficiou Ana Affonso e Juliana Brizola (PDT), que puderam se licenciar do cargo, mas não precisaram interromper a atuação dos assessores nos gabinetes, em decorrência da licença de 120 dias. Ambas defendem a medida, como forma de não haver prejuízo político para as parlamentares. Manuela d'Ávila disse que não participou dos debates do ano passado, mas que pessoalmente é favorável ao projeto. "O PCdoB não vê problemas nos suplentes assumirem". Para Mainardi, que também é líder da bancada do PT, a alteração no ano passado "foi um erro". "Erramos em promover aquela mudança, por isso queremos reconsiderar e garantir que a representação não seja alterada. A licença-maternidade não pode prejudicar a representação do partido na Assembleia Legislativa, porque os assessores e o gabinete são secundários, o importante é a atuação do parlamentar", defendeu. As discussões sobre a licença-maternidade são recentes em parte porque a própria presença feminina no Parlamento estadual aconteceu a partir da segunda metade do século XX, mais de 100 anos após a instituição da Assembleia Legislativa. Ao pesquisar esta participação, a doutora em Ciência Política Andréia Orsato constatou que, entre 1951 até 2012, as mulheres assumiram 50 mandatos - como eleitas ou suplentes - o que corresponde à 5,6% dos 880 mandatos do período. Espaços de poder como a Mesa Diretora são praticamente inacessíveis - apenas 2% foram de mulheres. Nenhuma na presidência.

PIB gaúcho cai 0,6% no segundo trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul recuou 0,6% no segundo trimestre de 2015, em relação ao mesmo período de 2014. A queda foi bem menor do que a do PIB brasileiro no mesmo trimestre que ficou -1,9%. A indústria de transformação gaúcha foi a responsável pelo desempenho negativo, com queda de 9,1% no produto. Enquanto isso, a agropecuária amenizou o tombo maior da atividade, com alta de 15,6%, efeito da supersafra e que se concentra no primeiro semestre do ano.

Prefeito petista de Novo Hamburgo tem que explicar contratos sem licitação de mais de 750 mil reais

O prefeito de No Hamburgo, o petista Luís Lauermann, um velho agitador sindicalista que agora comanda um a das prefeituras mais ricas do Rio Grande do Sul, terá que explicar dois contratos estranhíssimos que assinou. O primeiro deles com uma entidade privada, uma faculdade de Direito de Santa Maria, Fadisma, destinado a buscar dados sobre segurança pública no município, no valor de R$ 419 mil. O outro foi feito com a Guaiy - Democracia, também para a área da segurança pública no valor de R$ 330 mil. Esta Oscip tem expertise em casos de quilombolas.  A Associação Comercial e Industrial questiona a ausência de licitação e reclama a razão pela qual o prefeito não optou pela Feevale, uma universidade moderníssima que já funciona há muitos anos na cidade. A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha protocolou, na tarde de terça-feira (08), junto à Prefeitura de Novo Hamburgo, um requerimento questionando os contratos que somam quase 750 mil reais para a área de segurança. Em função de matéria publicada no Jornal NH de 3 de setembro (quinta-feira), com o título "Contratos somam quase R$ 750 mil para segurança", a entidade encaminhou solicitação ao prefeito petista hamburguense Luis Lauermann para que mostre as justificativas de contratos realizados com uma faculdade da cidade de Santa Maria e uma organização da sociedade civil de interesse público. "Nossa entidade entende que a análise e o conhecimento estatístico dos dados no município são um fator fundamental para o combate a violência. Desde sempre acreditamos que a inteligência e a educação são fatores preventivos da máxima importância e temos contado com os esforços voluntários da área pública e privada na busca de soluções as mais fundamentais para a qualidade da vida e da segurança do cidadão. Mas, a realidade do Estado do Rio Grande do Sul vem duramente nos ensinando que mesmo empréstimos de grandes bancos precisam ser honrados um dia e saem todos eles do mesmo bolso: o bolso do contribuinte. Por isto é fundamental que se esclareçam e justifiquem estas contratações para a população. Afinal, a violência precisa ser combatida com inteligência, e com extrema diligência e respeito quando tratamos do dinheiro de nossos impostos e das prioridades para o município", cita a carta da ACI, assinada pelo presidente Marcelo Clark Alves. 
CONFIRA O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA
"Excelentíssimo Senhor
Luis Lauermann
Prefeito de Novo Hamburgo
A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha – ACI-NH/CB/EV saúda ao senhor Prefeito Luis Lauermann renovando os nossos votos de estima e consideração. Senhor prefeito, dado o momento histórico que atravessamos, é imperativo que as relações entre o poder público e a população hamburguense tornem-se mais transparentes com o avanço dos tempos e com a qualificação das instituições democráticas. Nossa entidade acredita não só que avançamos como sociedade na busca dos instrumentos legais ao alcance do cidadão para monitoramento das ações da área pública como no diálogo entre os representantes eleitos e seus eleitores. Neste sentido colocamos rotineiramente nossos esforços sobre as oportunidades para construção de espaços de diálogo e de esclarecimento junto a esta Prefeitura. Sendo assim, a partir da matéria publicada na página 08 do Jornal NH na edição do dia 03 de setembro com o título – “CONTRATOS SOMAM QUASE R$ 750 MIL PARA SEGURANÇA”, procuramos entender os motivos e justificativas para a realização dos contratos 075/2015 e 076/2015 publicados no Boletim de Informação do Jornal NH na data de 20 de agosto de 2015, bem como as suas respectivas erratas publicadas nos Atos Oficiais no mesmo periódico na data de 1º de setembro de 2015, comunicando a contratação pela Prefeitura de Novo Hamburgo da Faculdade de Santa Maria – FADISMA - e do GUAYI – Democracia, Participação e Sociedade para a prestação de serviços voltados a combater a violência no município. Nossa entidade entende que a análise e o conhecimento estatístico dos dados no município são um fator fundamental para o combate a violência. Desde sempre acreditamos que a inteligência e a educação são fatores preventivos da máxima importância e temos contado com os esforços voluntários da área pública e privada na busca de soluções as mais fundamentais para a qualidade da vida e da segurança do cidadão. Primeiramente, é preciso que o Poder Público informe quais são as exigências de contrapartida do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID mencionadas na matéria acima citada. Estas exigências abarcam estudos específicos tão somente ou pautam por valores mínimos e máximos a serem despendidos nestas iniciativas de contratação? Ao considerarmos os valores, as discrepâncias e as justificativas implicadas nestas duas contratações precisamos necessariamente de mais esclarecimentos. Gostaríamos de saber do senhor prefeito por que os valores constantes nos contratos 075/2015 e 076/2015 - publicados no dia 20 de agosto foram robustamente majorados simultaneamente através da publicação de duas erratas no dia 1º de setembro de 2015. O contrato 075/2015 (FADISMA) passou de R$ 62.850,05 para o valor de R$ 419.000,00 e o contrato 076/2015 (GUAYI)) que estabelecia inicialmente o valor em R$ 41.711,03 foi até a casa dos R$ 330.273,51. E por que, contando com entidades educacionais e universidades locais com larga tradição na área de pesquisa de campo precisamos retirar do erário público municipal o valor de R$ 419.000,00 para pagamento de uma Faculdade localizada numa cidade tão distante daqui? É importante em nome do esclarecimento aos contribuintes, senhor Prefeito, que se apresentem quais foram os critérios para que esta Faculdade de Santa Maria – FADISMA - vencesse esta licitação nestes valores. Também é importante que se esclareça a contratação por R$ 330.273,51 do GUAYI- Democracia, Participação e Sociedade, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Para quais atividades de resultado efetivo e de resposta a população o município contratou esta Oscip nestes valores? Consultando o site oficial desta entidade – www.guayi.org.br – constatamos a tradição dessa Oscip no trato com - texto do próprio site: .. “duas experiências históricas importantes na política gaúcha. A primeira delas é o GEA (Grupo de Estudos Agrários), criado em 1979 que posteriormente se transformou em GEA- Formação e Assessoria Sindical com atuação junto ao movimento social (urbano e rural)...”. A segunda experiência histórica destacada na mesma página do site foi a Administração Popular na Prefeitura de Porto Alegre. Nos anos de 2004/2006 o GUAYI assessorou 18 comunidades quilombolas com o Projeto Compras Coletivas e Quilombolas em rede, agregando ainda no ano de 2006, o Projeto Arroz Quilombola. E em 2011, conforme depreende-se no item Projetos Concluídos - constante no site oficial - prestaram serviços para a Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo realizando uma pesquisa – Economia Solidária na Prevenção da Violência – Diagnóstico da Comunidade Santo Afonso e Plano Comunitário - que propõe um diagnóstico técnico para a criação de políticas de resultado comunitário em contraposição a violência local. É forçoso perguntar: precisamos contratar novamente a mesma entidade para aferir o que já foi aferido e propor mais políticas comunitárias passados somente 4 anos? Não haveriam outras iniciativas possíveis em direção ao que exige o contrato com o BID? Por que a este elevado custo? E, mais importante, os resultados extraídos deste trabalho anteriormente executado justificam uma nova contratação da mesma entidade pelo poder público municipal? Quais os avanços reais registrados para a população em razão destes custos anteriormente contratados? A realidade do Estado do Rio Grande do Sul vem duramente nos ensinando que mesmo empréstimos de grandes bancos precisam ser honrados um dia e saem todos eles do mesmo bolso: o bolso do contribuinte. Por isto é fundamental que se esclareçam e justifiquem estas contratações destacadas acima para a população. Afinal, a violência precisa ser combatida com inteligência, e com extrema diligência e respeito quando tratamos do dinheiro de nossos impostos e das prioridades para o município. Essa é a nossa legítima preocupação. No aguardo de Vosso retorno. Marcelo Clark Alves - Presidente".
Só quem não conhece os petistas e o PT para não perceber claramente que esse projeto é um meio para passar dinheiro público para a máquina partidária e sustentar apadrinhados ideológicos. 

Produção industrial gaúcha caiu 4,7% em julho (sobre julho de 2014) e houve redução em 11 dos 15 Estados avaliados pelo IBGE


A produção industrial diminuiu em 8 dos 14 locais pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em julho, na comparação com junho, feitos os ajustes sazonais. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda em 11 dos 15 locais avaliados. No Rio Grande do Sul a queda foi de 4,7%. De junho para julho, as quedas mais significativas foram observadas nas indústrias do Paraná (-6,3%) e do Ceará (-5,2%). Também houve recuo em Santa Catarina (-2,4%) e São Paulo (-1,8%), mais significativos que a média nacional (-1,5%). Em compensação, o IBGE apontou avanços expressivos na produção industrial no Rio Grande do Sul (6,8%) e na Bahia (5,2%). Também verificou resultados positivos na região Nordeste (3,3%) como um todo e nos Estados de Pernambuco (3,3%), Goiás (0,6%) e Pará (0,4%). Considerando a comparação com julho de 2014, o setor industrial mostrou redução de 8,9% na média nacional. Dos 11 locais com recuo na indústria, os destaques negativos ficaram com Amazonas (-18,2%), Ceará (-13,7%), São Paulo (-12%) e Paraná (-11,5%). Com queda de menos de dois dígitos, apareceram Santa Catarina (-9,8%), Rio de Janeiro (-8,3%), Minas Gerais (-7,7%), Rio Grande do Sul (-4,7%), região Nordeste (-4,3%), Goiás (-3,3%) e Pernambuco (-2,5%). Ainda no comparativo anual, registraram avanços na indústria o Pará (6,8%) e o Espírito Santo (3,4%), sendo que esses desempenhos foram impulsionados, em grande parte, pelo comportamento positivo vindo das indústrias extrativas (minérios de ferro bruto ou beneficiado) no primeiro local e das indústrias extrativas (óleos brutos de petróleo) e metalurgia (bobinas a quente de aços ao carbono não revestidos e lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono) no segundo.

BNDES aprova R$ 1 bilhão para projetos de energia eólica no Rio Grande do Sul, Ceará e Rio Grande do Norte

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou três operações, no valor total de R$ 1,07 bilhão, para três complexos de energia eólica nos Estados do Rio Grande do Sul, Ceará e Rio Grande do Norte. São dois financiamentos de longo prazo: R$ 652,5 milhões ao Complexo de Itarema (CE) e R$ 273 milhões para o complexo Vamcruz, em Serra do Mel (RN). Ambos os projetos, estruturados na modalidade de project finance, integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O BNDES também aprovou um empréstimo-ponte no valor de R$ 144,9 milhões para a implantação de 12 usinas eólicas e o sistema de transmissão do Complexo de Hermenegildo, nos municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, no Rio do Grande do Sul. Durante a construção devem ser criados 7,6 mil empregos diretos e indiretos. No empréstimo foram previstos R$ 3,5 milhões para aplicação em projetos sociais no entorno do complexo eólico. Os projetos ainda serão definidos.

Paulinho da Força vira réu no STF, acusado de desvio no BNDES

Na VEJA.com: O Supremo Tribunal Federal aceitou nesta terça-feira denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força. Ele é acusado de ser beneficiário de um esquema que desviou recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O MP pediu sua condenação por ter cometido crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Paulinho é presidente nacional do partido Solidariedade e presidente licenciado da Força Sindical. A decisão de abrir uma ação penal contra o parlamentar foi tomada por unanimidade pelos ministros que compõem a Segunda Turma do STF e, com isso, Paulinho passa a responder como réu. Votaram pela abertura da ação os ministros Teori Zavascki, Gilmar Mendes e José Dias Toffoli. Os ministros Celso de Mello e Cármen Lúcia, que também compõem a Segunda Turma, não estavam presentes na sessão. A ação penal é um desdobramento da Operação Santa Tereza, deflagrada em 2008 pela Polícia Federal. Por meio de escutas telefônicas, a PF descobriu a existência de um esquema responsável por desviar de 3% a 4% de valores emprestados pelo BNDES a prefeituras e empresas. Os desvios são referentes a empréstimos cedidos pelo BNDES nos valores de 130 milhões de reais e 220 milhões de reais. O envolvimento do deputado foi descoberto por meio de escutas de João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, que ocupou uma cadeira no Conselho de Administração do banco de fomento. Ele teria mencionado pagamentos a uma pessoa identificada apenas como PA. As investigações da PF concluíram posteriormente que se tratava de Paulinho. O Ministério Público pede a condenação do deputado alegando que ele usou de sua influência política para se beneficiar de recursos desviados do BNDES. Em 2008, a PF prendeu envolvidos no caso, entre eles Moura e Ricardo Tosto, advogado do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). Ambos foram soltos, mas denunciados pelo Ministério Público em processo que corre na Justiça de São Paulo, já que não são detentores de prerrogativa de foro. Entre os denunciados está também Elza Pereira, mulher de Paulinho. Ela é acusada de ter cedido uma conta-corrente de uma ONG presidida por ela para ocultar uma parcela dos valores desviados do banco de fomento. O valor teria sido depositado na conta de Elza pelor Moura.
Defesa
O advogado de Paulinho, Marcelo Lela, afirmou que a denúncia é “absolutamente inerte”. “Não existe justa causa para o recebimento da denúncia. Falta tipicidade”, disse, acrescentando que o deputado teria sido “vítima” do esquema. Contudo, o ministro Teori Zavascki, relator do caso, entendeu que se o parlamentar foi vítima e não responsável pelo esquema, isso poderá ser esclarecido na ação penal, uma vez que esses argumentos não estavam “explícitos” na defesa do acusado. Por Reinaldo Azevedo

Ah, Levy!!! Aí não dá!!! Então falemos de carga tributária

Não adianta! A ordem é mesmo enfiar a mão no bolso dos brasileiros. Já que o governo não consegue fazer corte de gastos — saibam que se vai torrar mais dinheiro público mais neste ano do que no ano passado —, então é preciso resolver o buraco fiscal pelo lado das receitas. Nesta terça-feira, em Paris, o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, admitiu que o governo estuda elevar a tunga do Imposto de Renda para fazer caixa: “Pode ser um caminho (aumento de IR), é essa a discussão que a gente está tendo agora e que acho que temos que amadurecer mais rapidamente no Congresso”. 
Certo!
Não sei se tentando nos enganar ou se, de fato, por candidez, ele se saiu com uma desculpa bastante exótica, a saber: “Em relação aos países da OCDE, a gente tem menos impostos sobre a renda, sobre a pessoa física do que na maior na parte dos países da OCDE. É uma coisa a se pensar”. Levy faz, às vezes, um esforço imenso para que eu perca o respeito por ele. A afirmação é intelectualmente desonesta. O imposto sobre pessoa física não é uma medida do peso tributário. O conjunto dos impostos em relação ao PIB é. No Brasil, é de 35,7%, a maior da América Latina. Todos os países que cito abaixo, diga-se, pertencem à OCDE. No Chile, a carga tributária é de 20,8%; nos EUA, de 24,3%; na Suíça, de 28,2%: no Canadá, de 30,7%; em Israel, de 31,6%; no Reino Unido, de 35,2%… E, meus caros, comparem a qualidade dos serviços públicos prestados nessas nações — nem o Chile é exceção — com aquilo que se faz por aqui. Na semana passada, Levy ameaçou deixar o cargo. O envio de uma peça orçamentária com um déficit de R$ 30,5 bilhões caiu como uma bomba em sua credibilidade — isso porque todos sabem que o número repete praticamente a performance do ano passado, também deficitária, não fossem as maquiagens feitas pelo governo, o que pode render a recomendação do TCU para que as contas sejam rejeitadas. Dilma sabe que está ruim com ele e que será pior sem ele. Então deixou o homem um pouco mais solto para buscar receita. Ele está mais assanhado que lambari na sanga. Como a recriação da CPMF precisa do aval do Congresso, estuda-se a possibilidade de elevar as alíquotas dos tributos que podem ser alterados por decreto: além do Imposto de Renda, há a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) — que taxa combustíveis —, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A oposição já reagiu, e há parlamentares que falam até num decreto legislativo que anule eventual iniciativa do governo. Nesse caso, para ser aprovado, ele precisa apenas da maioria simples das duas Casas, desde que garantido o quórum (257 deputados e 41 senadores). 
Sim, há um rombo no caixa. Mas Levy está brincando com fogo. Por Reinaldo Azevedo

Dilma, a viciada em casca de banana, arruma confusão com os militares. Ou: Os castristas e os castrenses

O que mais me intriga na presidente Dilma Rousseff nem é a capacidade que ela tem de fazer confusão em assuntos relevantes. E ela é obviamente notável também nisso. Como costumo dizer, ela tem uma formidável vocação para atravessar a rua e pisar em casca de banana. Parece ser uma compulsão. Sim, leitor amigo, ela poderia ser uma virtuose na arte de escorregar, dar passos ginásticos e bailarinos — se me permitem a derivação imprópria —, com elegância peculiar, mas nunca ir ao chão. Não é o caso. O que ela mais faz é se esborrachar, é quebrar a cara. Mas vocês sabem como é um vício. Faz mal, mas a pessoa só se contenta se alimenta aquilo que tem o potencial de destruí-la. Sei como é… Fumo Hollywood. Não me orgulho. Só faço mal, no entanto, quase a mim mesmo, né? E esse “quase” está aí em razão das preocupações familiares. Dilma não! Quando faz besteira, movida por sua compulsão — e como ela faz! —, interfere na vida de muitos milhões. Qual é a mais recente trapalhada? Movida sabe-se lá por qual mau espírito — talvez os deuses ancestrais da mandioca —, ela resolveu, por decreto, tirar dos comandantes militares funções relativas ao pessoal das Forças Armadas, como reforma do oficialato, transferência para a reserva remunerada e, ora vejam!, até a escolha de capelães. Transferiu essas prerrogativas para o ministro da Defesa, o petista Jaques Wagner. Wagner, sem dúvida o ministro mais boa-praça entre os petistas — parece sempre que ele vai nos convidar para um uisquinho ou uma moqueca —, entende de Defesa menos do que entendo de física quântica. Consigo fazer uma redação de cem linhas a respeito. Duvido um pouco que Wagner logre o mesmo sucesso sobre, sei lá, a vulnerabilidade das nossas fronteiras ou sobre a nossa capacidade bélica. Tanto ele não entende nada de Defesa que se tornou um dos 7.359 coordenadores políticos de Dilma. É claro que houve mal-estar nas Forças Armadas, até pela gratuidade do ato. Wagner nem teria tempo de cuidar do assunto. Quando não está tentando reparar alguma bobagem feita por Dilma, está ocupado em ser simpático com o uisquinho e a moqueca. Tanto o ministro está alheio mesmo à burocracia da pasta que quem solicitou à Casa Civil a transferência de responsabilidades dos militares para o ministro foi a secretária-executiva da Defesa, a petista Eva Maria Cella Dal Chiavon, que chefiou a Casa Civil da Bahia no primeiro governo Wagner, entre 2007 e 2011. Depois, ela foi secretária-executiva do Ministério do Trabalho, da Secretaria de Relações Institucionais, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Planejamento. Ó, leitores! Ela entende tudo de defesa. Até porque é graduada, prestem atenção, em Planejamento Estratégico Público-Participativo e Enfermagem e Obstetrícia. O que lhes parece? Pior: a trapalhada soou como pequeno golpe nas Forças Armadas. Quando a tal Eva Maria resolveu enviar a solicitação à Casa Civil, o almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira estava como interino da Defesa e nem mesmo foi avisado. Seu nome saiu chancelando a tolice no Diário Oficial, e ele teve de vir a público para dizer que não sabia de nada. Wagner agora diz que vai delegar aos comandantes militares tarefas que lhes são próprias. Parece piada, mas é assim. Mais impressionante: a estrovenga é pensada lá na Defesa por aquela senhora que certamente sabe o que é “castrismo”, mas não o que é castrense, passa pela Casa Civil de Aloizio Mercadante, um filho de general, e termina na mesa de Dilma, que, na melhor das hipóteses, assinou o troço sem ler. Por Reinaldo Azevedo

Fora do petrolão – Um novo relator para Aloizio e Aloysio

Conforme informei aqui nesta manhã — e alguns tontos não entenderam (infelizmente, o burro não sabe que é burro e diz burrices…) —, a Procuradoria-Geral da República havia solicitado ao Supremo que o relator dos pedidos de inquérito contra Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil, e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) fosse outro, que não Teori Zavascki, que cuida do petrolão. Por quê? Ricardo Pessoa, o dono da UCT e da Constran, os acusa de terem recebido por fora dinheiro para as respectivas campanhas eleitorais de 2010: o petista, ao governo de São Paulo, e o tucano ao Senado. No primeiro caso, teriam sido R$ 250 mil; no segundo, R$ 200 mil. Os dois políticos negam. Seja como for, pediu-se outro relator porque a Procuradoria-Geral da República avalia que, ainda que se venham comprovar as acusações, as eventuais irregularidades estão descoladas do petrolão. Que Mercadante, como petista graúdo, pudesse ter alguma interferência na Petrobras, vá lá, é possível… Imaginar o mesmo sobre Nunes chega a ser grotesco. O Ministério Público, no entanto, vê as duas apurações como questões autônomas. O novo relator, então, foi escolhido: trata-se do decano Celso de Mello. Um bobalhão veio hoje com pedras nas quatro mãos, se é que vocês me entendem, afirmando que eu estava tentando minimizar eventuais transgressões da dupla para proteger Aloysio, “que é tucano como você”, disparou. Não! Ele não é tucano “como eu sou” pela simples e evidente razão de que não sou tucano — sou muito mais conservador do que eles, qualquer pessoa com orelhas medianas sabe disso. É que as do rapaz parecem ser imensas. Em segundo lugar, eu apenas tratava de uma avaliação da Procuradoria-Geral da República. Apenas um fato. É evidente que crime eleitoral, em qualquer tempo, é grave também. Mas é uma tese criminosa querer equipará-lo ao petrolão, que é muito mais do que isso: trata-se de um assalto organizado ao estado brasileiro, à institucionalidade e à democracia. Por Reinaldo Azevedo

Cúpula do PMDB se reúne e bate o martelo: partido não apoiará elevação de impostos; governo tem de cortar gastos

Quanto tempo duram as soluções mágicas que aparecem para tirar não o País, mas o governo Dilma do buraco? Até a semana passada, 72 horas — o prazo de vigência da “recriação” da CPMF. Nesta semana, inaugura-se o novo prazo: 24 horas! Foi quanto durou a proposta do ministro Joaquim Levy, da Fazenda, que quer elevar a alíquota do Imposto de Renda. Também ela caiu no vazio, perdeu-se. E, caso volte a ser achada, pior será. O ministro precisa tomar cuidado. Daqui a pouco, a cada coisa que disser, alguém responderá: “Ah, não liga, não! É só Levy falando…”. O ministro disse na França que é, sim, uma boa ideia a elevação da alíquota do Imposto de Renda para pessoa física. E se saiu com a cascata de que o IR do Brasil é baixo se comparado com países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Pois é. Já demonstrei aqui que a carga tributária de parte considerável dos países do grupo é menor do que a brasileira. As que são equivalentes devolvem serviços de excelência aos cidadãos. A grita contra a elevação do Imposto de Renda também foi grande. Nem poderia ser diferente. Não nos faltam impostos — a tributação corresponde a 35,7% do PIB. O que falta é cortar gastos. A idéia sobreviveu pouco. Nesta terça-feira, Michel Temer, vice-presidente da República, ex-coordenador político do governo e presidente do PMDB, reuniu os governadores do partido em jantar, além de Eduardo Cunha (presidente da Câmara), Renan Calheiros (presidente do Senado) e líderes da legenda no Congresso. E se chegou a um consenso: não dá para condescender com a elevação da carga tributária. O governo terá de encontrar outra forma de tentar zerar o rombo previsto no Orçamento. Mais cedo, circulou a notícia de que Temer até havia visto com bons olhos a elevação da Cide, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, que incide sobre combustíveis, uma ideia lançada por Delfim Netto. Logo desistiu. O PMDB bateu o martelo no jantar desta terça: qualquer proposta de elevação de impostos terá de partir do governo; o PMDB jamais tomará a iniciativa. E, como sabemos, sendo a sigla como é, com ampla liberdade para divergência interna, não há a menor chance de haver fechamento de questão em defesa disso ou daquilo. Lembremo-nos de que, se a presidente decidir malhar em ferro frio, impondo elevação de impostos na marra, via decreto, o Congresso pode até derrubar a medida com um decreto legislativo — que precisa de maioria simples para ser aprovado. Em entrevistas recentes, inclusive ao jornal americano The Wall Street Journal, Temer se mostrou uma espécie de fiador de Levy. Mas não conseguiu condescender com a elevação de impostos. Não há espaço na sociedade para aceitar essa saída. Que Dilma não perceba tal coisa, convenham, só evidencia a sua alienação da realidade. E acreditem: é conveniente para o país que Temer represente esse marco de resistência. Algum ponto de ancoragem há que ter a República. É evidente que Dilma já não governa mais, mas é governada pelos fatos. Por Reinaldo Azevedo

A ROTA DA INCOMPETÊNCIA – Atraso faz Brasil perder para outros países investimentos em terminais

A demora do governo em lançar licitações para os terminais portuários públicos do país está forçando a migração, para outros países, de investimentos antes programados para o Brasil. A APM Terminals, que movimenta carga em portos e pertence ao conglomerado dinamarquês Maersk, tem aprovado um plano de investimentos até 2017 de quase R$ 10 bilhões (US$ 2,5 bilhões) para investir na América Latina. Nessa previsão, estão terminais no Brasil, principalmente de contêineres nas regiões Norte e Nordeste. Eles fazem parte de uma lista de 160 áreas dentro de portos administrados por estatais que o governo vem prometendo, pelo menos desde 2012, colocar em leilão –nenhum ainda foi marcado. Enquanto isso, a empresa vai fazendo aquisições em outras regiões das Américas. No México, estão sendo aplicados US$ 900 milhões (R$ 3,5 bilhões) num novo terminal para transporte de contêineres em Michoacán. Em julho, a empresa assinou contrato para um novo terminal em Cartagena (Colômbia) de US$ 200 milhões (R$ 750 milhões). Nesta terça (8) foi anunciada a compra pela APM do espanhol Grup Maritim TCB, que tem participação em dez terminais na América Latina, entre eles o TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), no Paraná. A APM já vem aplicando grandes somas de recursos em terminais que administra no Brasil, como o BTP, em Santos (SP), e o terminal de Pecém (CE), segundo o diretor de Novos Negócios da APM na América Latina, Julian Fernandez. Somente no terminal da capital do Ceará, segundo ele, foram aplicados R$ 60 milhões em novos equipamentos no ano passado. O maior problema na demora dos leilões é que os investimentos em outras áreas fora do país vão se consolidando e, com eles, as rotas dos navios que transportam cargas ao redor do mundo. (…) Por Reinaldo Azevedo

A vanguarda do impeachment é o povo na rua, não os parlamentares; deputados de oposição criam frente na Câmara

Uma boa fonte me assegura que, hoje, os deputados que aceitariam uma denúncia contra a presidente Dilma por crime de responsabilidade — o que a obrigaria a se afastar — não são menos de 200 e não passam de 250. PSDB, DEM, SD, PPS e PSC advogam explicitamente a tese. Sem defecções, somariam 116 parlamentares. Os demais estão espalhados na base aliada ou em partidos com posições ambíguas em relação ao governo, como o PTB e o PSB. Também é certo que há entusiastas do impeachment no PMDB, no PP e no PSD. Fiquemos com o número mais otimista — 250 — para os que querem ver a presidente pelas costas: ainda falta muita gente. São necessários dois terços da Câmara para que se aceite a denúncia: 342 votos. Logo, na melhor das hipóteses para os antidilmistas, ainda faltam 92 votos; na pior, 142. A tarefa não é fácil. Por isso, os partidos de oposição decidiram realizar um ato nesta quinta, em Brasília, para marcar a criação da frente pró-impeachment. O principal objetivo, a exemplo do que aconteceu por ocasião do afastamento de Fernando Collor, é atrair ainda mais parlamentares hoje governistas. Estes, por sua vez, se moverão com mais facilidade, avalia-se, se ficar ainda mais evidenciado do que já está por pesquisas e protestos de rua que a maioria dos brasileiros quer Dilma fora da Presidência. Será, assim, criada uma página na Internet para reproduzir as manifestações em favor do impeachment que forem ocorrendo país afora. Os parlamentares pretendem intensificar o corpo a corpo com seus colegas da base. “A gente está trabalhando de forma intensa com os partidos numa relação pessoal com os parlamentares, independentemente do partido. Há um eco muito bom e muito favorável. Isso porque é grande a insatisfação com o governo da presidente Dilma e há uma certa percepção de que a ingovernabilidade está estabelecida”, afirmou à VEJA.com o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE). Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do maior partido de oposição, deu sinal verde à estratégia, mas os tucanos pretendem não constituir uma espécie de vanguarda do impeachment, no que fazem muito bem. É o quanto bastaria para que a questão parecesse fruto apenas do protagonismo dos tucanos em favor do afastamento. Não! Os verdadeiros atores da ação em favor do fim do governo Dilma, SEGUNDO OS RIGORES DA LEI, são os brasileiros que estão nas ruas, cobrando decência. O governo se alimenta da fantasia estúpida de que tudo não passa de golpismo de setores da oposição. Errado! Os parlamentares de oposição que estão se movimentando em favor do impeachment apenas expressam a vontade da esmagadora maioria dos brasileiros. E será preciso convencer disso os demais deputados. Por Reinaldo Azevedo

Barroso dá à luz a primeira “Liminar Laerte” da história: a liminar transgênera. Ou: Cunha vai comandar votação do relatório do TCU. E ponto!

Na quinta-feira passada, algo de realmente singular se deu no Supremo Tribunal Federal. O/a cartunista Laerte, um admirador platônico, mas muito saidinho, deste escriba, ficaria encantando/a. Descobriu-se que Roberto Barroso, ministro do Supremo, deu à luz a primeira “liminar transgênera” da história do direito. Uma verdadeira revolução; à altura de alguns achados um tanto estupefacientes de um livro seu sobre novo constitucionalismo… A que me refiro? Vocês vão se lembrar. Em pouco tempo, o TCU vota o relatório de Augusto Nardes sobre as contas de Dilma Rousseff. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, como sabem, votou as contas de ex-presidentes que estavam paradas na Casa, desde Itamar. E, assim, deixou livre o caminho para apreciar as da atual presidente. Caso o TCU realmente recomende a rejeição e caso a Câmara endosse esse relatório, o passo seguinte será a oposição apresentar na Câmara uma denúncia contra a presidente Dilma por crime de responsabilidade. Pois bem… A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), presidente da Comissão Mista do Orçamento, recorreu ao Supremo com um mandado de segurança alegando que a Câmara não poderia ter votado as contas dos ex-presidentes e pedia a sua anulação, argumentando que tal tarefa tinha de ser feita pelo Congresso, em sessão conjunta. Nota: Rose é uma das mais fiéis aliadas de Renan Calheiros, presidente do Senado (PMDB-AL). Barroso concedeu uma liminar, então, que já parecia de um exotismo espantoso, não fosse ela ainda mais exótica do que se mostrava, como se descobriu na quinta. O ministro se negou a anular a apreciação das contas dos demais presidentes. E se entendeu que tinha determinado que as contas de Dilma, estas sim, fossem votadas em sessão conjunta, com Câmara e Senado reunidos. Ora, em casos assim, quem comanda a votação é o presidente do Senado — justamente o neogovernista Renan… Pois bem! Já demonstrei aqui que a Constituição determina apenas que o relatório do TCU tem de ser apreciado pelo Congresso; nada diz sobre sessão conjunta. Pois é… Eduardo Cunha recorreu ao Supremo com um agravo regimental, o que obriga todos os ministros da corte a se posicionar. O julgamento iria acontecer na quinta passada. Nem foi necessário. Eis, então, que o sensacional se revela. Barroso não conheceu do agravo, afirmou que o recurso não fazia nenhum sentido e deixou claro que, ora vejam, NÃO HAVIA DETERMINADO QUE O RELATÓRIO DO TCU FOSSE APRECIADO EM SESSÃO CONJUNTA. Segundo o ministro, ele apenas emitira uma avaliação. De fato, disse, cabia ao próprio Congresso decidir. Vale dizer: À DIFERENÇA DO QUE O PRÓPRIO BARROSO DEIXOU PROSPERAR NA IMPRENSA, será Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a comandar, na Casa que preside, a votação do relatório do TCU. Ora, ora, ora… Eu não sabia que Barroso, um ministro tão extremoso e de tantos dotes intelectuais — ao menos é essa a impressão que ele certamente tem de si mesmo —, se comportava agora como consultor de senadores. Se é para dar opinião, ele poderia abrir uma espécie de correio eletrônico, manter uma página na Internet, criar uma tendinha para ler alguma versão de tarô jurídico às portas do Supremo. O que é tarô jurídico? Não sei. Perguntem a Barroso. A coisa toda passou meio em branco na imprensa, que não costuma cobrir direito as questões jurídicas e acaba caindo vítima de lobbies e de versões sem nenhum fundamento. Então ficamos assim: a tal liminar de Barroso que determinava que fosse o Congresso, em sessão conjunta — portanto, sob o comando de Renan —, a conduzir a apreciação do relatório do TCU nunca existiu. Ela não determinava coisa nenhuma! Tanto isso é verdade que o recurso de Cunha nem admitido foi porque ele contestava o que o texto de Barroso não afirmava, embora o próprio ministro tenha dado a entender que sim, o que foi reproduzido por seus admiradores na imprensa. Assim, meus caros, a liminar de Barroso é e não é, manda e não manda, determina e não determina. Mas, a exemplo das manifestações transgêneras, originalmente, é alguma coisa, como Laerte — que é homem. E a identidade da tal liminar está agora revelada: a Câmara vai votar o relatório, sob o comando de Eduardo Cunha, como iria acontecer. O ministro só investiu um pouquinho na confusão, como se confusão nos faltasse. A sua liminar andou uns tempos travestida por aí, mas já tirou a maquiagem. É o fim da picada! Por Reinaldo Azevedo

O risco de legalização da lavagem

Delcídio Amaral avisou que o governo vai enviar ao Congresso um projeto de lei sobre a repatriação de recursos financeiros que estão no exterior. Há o risco de que o Palácio do Planalto resolva enviar o texto na forma de medida provisória, o que levará o caso ao STF por se tratar de matéria tributária. A pressa do governo está associada a uma expectativa de arrecadação não muito clara. O Antagonista está atento ao risco de que se use essa desculpa para descriminalizar a lavagem de dinheiro.

Quem vai aumentar os impostos?

Joaquim Levy estuda duas manobras para aumentar os impostos, segundo a Folha de S. Paulo. A primeira é criar “uma quarta faixa de cobrança para pessoas de renda mais alta, com alíquota entre 30% e 35%”. A segunda é “aumentar a tributação daqueles que recebem rendimentos de suas próprias empresas, que pagam de 4% a 5% de IR em vez da alíquota de 27,5”. Nada disso vai dar certo. Para aumentar os impostos, é necessário um governo, e o Brasil não tem mais um governo.

Nova Matriz do Impeachment

“O cadáver da malfadada Nova Matriz Econômica ainda nem esfriou e o governo Dilma já planeja a sua ressurreição”, diz Cristiano Romero, do jornal Valor. “É disso que se trata a inflexão da política econômica pretendida pelo triunvirato - a presidente, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa - que governa o país. A ideia de que só se consegue gerar saldos positivos nas contas públicas quando a economia cresce é cara a Nelson Barbosa, um dos ideólogos da Nova Matriz Econômica. Quando afirma que o Brasil precisa crescer para superar o problema fiscal, o ministro do Planejamento quer dizer o seguinte: é preciso abandonar as metas fiscais de curto prazo, aumentar o investimento público, deixar a dívida crescer e, por conseguinte, tolerar taxas de câmbio e inflação mais elevadas, combustíveis necessários para a retomada da expansão do PIB. Na prática, as ideias de Barbosa inviabilizam a presença de Joaquim Levy no governo. Sem Levy e sem o ajuste, os empresários, os mesmos que há algumas semanas se manifestaram contrários ao impeachment da presidente, retiram o apoio que vinham dando. Seria o fim da concertação que ajudou a classe política a serenar os ânimos em Brasília”.

Quadro irreversível

O TCU deve reprovar as contas de Dilma Rousseff, segundo o Valor. Um ministro disse ao jornal: "Na minha avaliação, o quadro [de reprovação] é irreversível. Hoje em dia saio para jantar e as pessoas perguntam sobre as 'pedaladas' e cobram uma posição firme”. Outro ministro disse que, apesar de avaliar “que o impeachment seria negativo para o país, também deve acompanhar o relator no voto pela rejeição das contas. Para ele, o maior problema da presidente não está nas pedaladas fiscais, e sim na edição de decretos que ampliaram ilegalmente os gastos públicos”. O ministro acrescentou: "Desse vai ser difícil ela se livrar, pois foi ela quem assinou".

Sinal verde para a queda

Aécio Neves deu o “sinal verde” para o movimento pró-impeachment no Congresso Nacional, segundo a Folha de S. Paulo. Os deputados que fazem parte do grupo entenderam que “uma aliança entre PSDB e PMDB na hipótese de queda de Dilma Rousseff se tornou mais viável”.

Cai ou não cai?

A Folha de S. Paulo conta que um deputado, antes de aderir formalmente ao movimento pró-impeachment, consultou Eduardo Cunha sobre a possibilidade de a iniciativa prosperar. Depois de conversar com o presidente da Câmara, o deputado aderiu ao movimento.

Paisagem da cela

Renato Duque mandou Milton Pascowitch comprar-lhe um quadro de Guignard por 380 mil dólares. O diretor da Petrobras sempre negou que tivesse ordenado a compra. Agora o dono de uma galeria do Rio de Janeiro confirmou à PF a denúncia de Milton Pascowitch. O quadro de Guignard foi escolhido e negociado pelo próprio Renato Duque, e o operador do PT só foi chamado para transferir o dinheiro de uma de suas contas no exterior para a conta do proprietário do quadro. Renato Duque vai passar tanto tempo na cadeia que talvez possa até aprender a pintar.

Quem morre primeiro?

Joaquim Levy quer aumentar os impostos em 18 bilhões de reais, de acordo com O Globo. E quer aumentá-los por meio de decreto. Os principais alvos são Cide, IPI (sobre o setor de cigarros) e IOF. Joaquim Levy defende também o aumento do IR "sobre as rendas mais altas". A questão agora é saber quem morre primeiro: o governo ou o país.

O sindicalista Pimentel

Fernando Pimentel talvez seja cassado antes de sua madrinha, Dilma Rousseff. A Polícia Federal descobriu, segundo O Globo, que o Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais pagou 500 mil reais à OPR Consultoria, a empresa de fachada que pertenceu a Fernando Pimentel. Os pagamentos ocorreram em 2013, quando Pimentel era ministro do Desenvolvimento. A Polícia Federal suspeita que ele tenha sido o destinatário final dos recursos. Dez dias atrás, a Operação Acrônimo já havia revelado que outro sindicato patronal, das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitanos, repassou 1,1 milhão de reais à empresa de Fernando Pimentel.

Bolsa congelada

Dilma Rousseff ainda não cortou o Bolsa Família, mas ele está sendo comido pela inflação. O Globo conta que a renda que qualifica os beneficiários do programa está congelada há 16 meses em 77 reais per capita.

O impeachment pronto para partir

Eduardo Cunha já está analisando os pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff. Ele disse: “Vou começar a decidir os que estão aí pela ordem que entraram, provavelmente esta semana eu devo decidir. Estou lendo alguma coisa, estou reunindo com a consultoria. Alguma coisa vou decidir já.