terça-feira, 8 de setembro de 2015

Secretário-geral do governo gaúcho é derrubado pelo stress, está no hospital Mãe de Deus


O secretário-geral de Governo do Rio Grande do Sul, Carlos Búrigo, sofreu uma oscilação brusca de pressão, nesta segunda-feira, feriado de 7 de Setembro, em Caxias do Sul, e foi encaminhado por seu médico para internação no hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, onde se encontra em observação. Carlos Búrigo fez uma postagem no Facebook dizendo que está bem, mas deverá fazer exames complementares para avaliação de seu estado. É evidente que o stress está começando a derrubar alguns membros do governo de José Ivo Sartori. 

O petista Jaques Wagner, ministro da Defesa, é obrigado a rever decreto que retirava atribuições dos comandantes militares

Durou poucas horas o sonho do MST de comandar as Forças Armadas do Brasil. A pressão exercida pelos comandantes militares nesta terça-feira, dia 8 de setembro, sobre o comando da República, foi tamanha que o governo recuou e devolveu aos militares a gestão sobre a tropa. Nesse episódio jogou um papel determinante para gerar o ingrediente atômico a secretária executiva do Ministério da Defesa, a petista Eva Maria Cella Dal Chiavon. Ocorre que essa figura bolivariana é mulher do chefete número 2 da organização terrorista clandestina MST, o “Chicão”. O Ministério da Defesa vai editar uma portaria para subdelegar aos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica a competência da edição de atos relativos a pessoal militar. A função já era dos comandantes, mas foi passada ao ministro da Defesa por decreto assinado pela presidente petista bolivariana Dilma Rousseff na última quinta-feira (3). O decreto, publicado na sexta-feira (4) no Diário Oficial da União, causou polêmica entre os militares e repercussão negativa no governo, que tenta minimizar o desgaste com o setor militar. Entre as atribuições que eram dos comandantes e passaram para as mãos do ministro da Defesa estão a transferência para a reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos, reforma de oficiais da ativa e da reserva, demissões a pedido, promoção aos postos oficiais superiores, designação e dispensa de militares para missão de caráter eventual ou transitória no Exterior, entre outras. O decreto estava parado Casa Civil há três anos e causou surpresa ter sido assinado pela petista bolivariana Dilma Rousseff sem aviso prévio. De acordo com a Casa Civil, quem solicitou o envio do decreto à presidente foi a Secretaria-geral do Ministério da Defesa, ou seja, a bolivariana Eva Maria Cella Dal Chiavon. A esquerda petista bolivariana é ágil e sorrateira. Plantou no Ministério da Defesa, no principal posto de comando das Forças Armadas, uma militante da organização terrorista clandestina MST atuante, preparada e sem medo. A enfermeira catarinense Eva Maria Cella Dal Chiavon ocupou a secretaria-executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, após exercer o cargo de secretária da Casa Civil do Governo da Bahia, de janeiro de 2007 a outubro de 2011. De julho de 2005 a dezembro de 2006, foi subchefe-executiva da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Também exerceu o cargo de secretária-executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, de fevereiro de 2004 a junho de 2005. No Ministério do Trabalho e Emprego, foi secretária-executiva, de agosto de 2003 a fevereiro de 2004; e assessora especial de Planejamento, de abril a julho de 2003. Ocupou de 1999 a 2002, na Prefeitura de Chapecó (SC), os cargos de secretária de Desenvolvimento Comunitário e Habitação, e chefe de Gabinete. De 1990 a 1998, foi assessora parlamentar na área da Previdência Social do Núcleo Agrário da Bancada do PT na Câmara Federal; chefe de gabinete dos deputados federais Jaques Wagner, Milton Mendes e Luci Choinacki; coordenadora técnica do Programa de Saúde da Cooperativa Regional Alfa, na região Oeste de Santa Catarina. Ou seja, é uma especialista em cargos.

A Dilma baiana

Responsável pela confusão em torno do decreto que retira prerrogativas administrativas dos comandantes das Forças Armadas, a petista Eva Dal Chiavon é quem manda hoje no Ministério da Defesa. Jaques Wagner delega à secretária-geral o dia-a-dia da pasta. Foi assim também quando governador. Eva até ganhou o apelido de "Dilma da Bahia". Entenderam agora?

De testemunha a investigado

José de Filippi também virou alvo de pedido de Rodrigo Janot para que seja investigado por crimes eleitorais. Ele foi tesoureiro da campanha de Lula (2006) e de Dilma Rousseff (2010). Antes de ser delatado, Ricardo Pessoa o arrolou como testemunha. Era um óbvio recado a Lula. Há duas semanas, Fernando Haddad exonerou José de Filippi da Secretaria de Saúde e o escondeu na chefia de gabinete de uma tal Autarquia Hospitalar Municipal.

Nem como última hipótese

O Antagonista aguarda o fim do jantar do PMDB. Antes de reunir-se com os governadores e outras lideranças do partido no Palácio do Jaburu, Michel Temer disse que não quer o "remédio amargo" de Dilma e afinou o discurso de que antes é preciso cortar despesas. "As pessoas não querem em geral aumento de tributo. Tenho sustentado exatamente o corte de despesas. É isso que a sociedade quer. Aumento de impostos só em última hipótese, última hipótese descartável desde já." Vamos aguardar.

Banrisul lança licitação de publicidade que já tem um notório favorito

O governo de José Ivo Sartori (PMDB), no Rio Grande do Sul, parece mesmo decidido a cometer um desatino atrás do outro. Agora anuncia que está aberta a licitação da conta publicitária do Banrisul, no valor nominal de R$ 48.750.000,00. Esse é um valor fictício, de ficção, apenas para abrir a licitação. Depois, durante a execução do contrato, o valor vai aumentando, por meio de resoluções emitidas pela diretoria do banco. Qualquer um sabe que na conta do Banrisul são carregados vários gastos de publicidade do governo. No mercado o comentário é que o favoritismo é das agências Centro, Moove e Martins e Andrade. Esse é outro jogo de cena. Essa é a licitação mais transparente que o governo Sartori realizará. Não há quem não saiba que a quase certa vencedora será a agência Moove, do jornalista José Luiz Monteiro Fuscaldo, que já tem a conta publicitária da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Fuscaldo conseguiu se tornar o "lobista" número um da área de comunicação no Rio Grande do Sul no lugar de José Barrionuevo, que ocupou essa posição por muito tempo. Também se alçou à condição de marqueteiro número um nas campanhas eleitorais gaúchas, uma espécie de Duda Mendonça da província, realizador de destacadas façanhas. Uma delas foi a de ajudar a eleger José Ivo Sartori. Ele passou um tempo como CC no gabinete do deputado federal Alceu Moreira, que é (ou foi) seu cliente (inclusive serviu como testemunha de Alceu Moreira em processo que o deputado federal moveu contra jornalista do litoral gaúcho, o qual perdeu). Alceu Moreira é o mais notório ficha suja do Rio Grande do Sul, com seu nome inscrito no site do Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Improbidade Administrativa e Inelegibilidades, do Conselho Nacional de Justiça. A agência de Fuscaldo, a Moove, antes se chamava Pública, o que era um nome bem adequado. 

Sérgio Moro vai ao Senado defender a prisão de corruptos já em segunda instância

O juiz federal da Operação Lava-Jato Sérgio Fernando Moro vai ao Senado nesta quarta-feira para defender em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça o projeto de lei 402/2015 que reduz a impunidade no País e viabiliza a prisão de autores de crimes graves - como peculato, corrupção e lavagem de dinheiro -, já em caso de condenação pela segunda instância. O modelo atual só autoriza a execução da ordem de custódia apenas com trânsito em julgado, ou seja, quando a sentença é definitiva - na prática, isso ocorre excepcionalmente para acusados por corrupção e desvio de recursos públicos, sobretudo se detêm foro privilegiado perante os tribunais superiores e mesmo os tribunais estaduais. A tramitação na CCJ é em caráter terminativo, ou seja, se aprovada a proposta só precisará ser votada em Plenário se houver recurso assinado por pelo menos um décimo dos senadores.

Temer, problema ou solução?

O Globo informa que Michel Temer resolveu discutir com governadores o aumento da CIDE depois de conversar com Delfim Netto, aquele que escreve artigos para Lula. Temer, pelo visto, prefere ser visto como parte do problema e não da solução.

O "Cabrito" da Força

Por falar em Paulinho da Força, sabem quem é o secretário de Assuntos Jurídicos do Solidariedade? Tiago Cedraz. Ele mesmo, o "Cabrito", filho de Aroldo Cedraz, do TCU. Tiago Cedraz, investigado pela Lava Jato. Tiago Cedraz, acusado de fazer tráfico de influência no tribunal. É a advocacia de resultados. 


Sim, sou solidário e dou a maior força

Geraldo Churchill

São Paulo:
Festa regada a cachaça e maconha, promovida pelo PCC numa penitenciária feminina.
Festa com anão stripper numa delegacia, em homenagem a uma escrivã.
Festa com pagodeiros em outra delegacia, com delegada sambando e bebendo cerveja.
Geraldo Alckmin disse que "festa pode, mas não em repartição pública".
É um Churchill.

Sim, Mercadante vai escapar

Teori Zavascki já se pronunciou sobre o pedido de Rodrigo Janot. Segundo a Folha, o relator da Lava Jato no Supremo avaliou que os indícios de crime descritos no pedido de inquérito "não têm relação de pertinência imediata" com "as demais investigações" sob sua relatoria no caso da Petrobras. Caberá agora ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, decidir sobre a redistribuição por sorteio. A abertura ou não do inquérito contra Mercadante dependerá do ministro sorteado.

Aumento da CIDE tem resistência no PMDB

Eunício Oliveira e Moreira Franco se uniram a Eduardo Cunha contra a proposta de Michel Temer de elevar a CIDE. Moreira defende o corte de gastos públicos antes de qualquer iniciativa de aumento de impostos. Já Eunício se disse surpreso com a notícia. "Ninguém sequer me informou dessa pauta quando fui convidado para o jantar", disse ao Antagonista.

Dilma, o remédio amargo, a canalha disfarçada de jornalista e ex-jornalistas com vestes de canalha

Atenção, caros leitores! Cada um escreva e pense o que quiser. O que se espera é um mínimo de coerência em respeito aos leitores. Em abril do ano passado, espalhou-se a versão de que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), se eleito presidente da República, estaria disposto a administrar um “remédio amargo” na economia se necessário fosse. Nem sei se aconteceu mesmo. Consta que alguém perguntou: “E se for preciso?”. E o tucano teria dito o que diria qualquer pessoa lógica: “Bem, se for preciso…”. Insisto: nem sei se aconteceu. Mas foi o que bastou para a canalha financiada disfarçada de jornalista e para ex-jornalistas, envergando as vestes de canalha financiada, sair propagando por aí: “Ah, o tucano quer remédio amargo… Amargo para quem? Só o povo vai pagar o pato… Olhem aí o que a oposição pretende fazer…”. E, por um bom tempo, este tema pautou a imprensa e a subimprensa. Dilma não teve a coragem de fazer, neste ano, um pronunciamento de Sete de Setembro. Pela primeira vez, um presidente da República se abstém de tal, como direi?, imposição cívica. Quis evitar panelaço. Povo, para Dilma, hoje em dia, só depois de selecionado pelas forças de segurança e devidamente contido dentro de um engradado de aço. A presidente optou pela gravação de um vídeo, divulgado nas redes sociais. Como o decoro não é o forte da turma, até a crise migratória que atinge a Europa foi o tema. Onde houver uma desgraça, os petistas a tomam de empréstimo para tentar minimizar os próprios desastres.
Um trecho merece destaque. Leia:
“Se cometermos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente. Quero dizer a vocês: alguns remédios para essa situação, é verdade, são amargos, mas são indispensáveis. As medidas que estamos adotando são necessárias para botar a casa em ordem, reduzir a inflação, por exemplo, nos fortalecer diante do mundo e conduzir, o mais breve possível, o Brasil à retomada do crescimento. Podemos e queremos ser exemplo para o mundo, exemplo de crescimento econômico e valorização das pessoas.” Ah, entendi… Então Dilma é que terá de administrar “remédios amargos”. Também nesse caso, o que se atribuiu a Aécio era uma intenção secreta da governanta que disputava a reeleição. A canalha financiada disfarçada de jornalista e ex-jornalistas com vestes de canalha financiada apostam na memória curta do povo e da imprensa. Não aqui. No dia 19 de setembro, em entrevista coletiva, afirmou a então candidata do PT, referindo-se a 2015, depois de uma entrevista a uma TV: “Eu não acredito em ano de remédio amargo. Nós seguramos a crise com salário, emprego e investimento. No Brasil, nós temos perspectivas de aumentar a taxa de investimento e não temos uma baixa produtividade do trabalho. A vantagem é que, se der uma fresta, a gente cresce, essa é a vantagem, porque eu não diminui o investimento”. No dia 18 de outubro, durante o horário eleitoral do segundo turno, Lula apareceu na campanha de Dilma e disse a seguinte pérola: “Pedi uma reflexão para alertar que aqueles que diziam que era impossível nascer um novo Brasil são os mesmos que tentam voltar agora e dizem que têm um remédio para todos os males do Brasil. Pode estar certo que qualquer remédio deles tem o gosto amargo do desemprego, do arrocho salarial e da falta de oportunidades”.

É evidente que Dilma cometeu crimes de responsabilidade. E em penca. Mas, ainda que não fosse assim, deveria cair fora. Não é possível que não haja sobrado nem mesmo um resquício de senso de ridículo e da boa e velha vergonha na cara. E o que faz nessa hora a canalha financiada disfarçada de jornalista? Ora, continua disfarçada, recebendo o capilé das estatais, que financia a sua sem-vergonhice. E o que fazem os ex-jornalistas, com vestes de canalha financiada? Ora, continuam disfarçados, vendendo mistificações baratas e enterrando no opróbrio o que lhe resta de reputação. Ainda bem que o Brasil está mudando e que essa gente, queimando os últimos neurônios, não tem reposição. Por Reinaldo Azevedo

Nunca houve um Sete de Setembro como o deste ano. Ou: O espírito de Newton Cruz ria com sarcasmo dos petistas

Nunca se viu um Sete de Setembro como o deste ano. Pra começo de conversa, nada de pronunciamento oficial na TV. Dilma preferiu discursar num vídeo, tornado público nas redes sociais e nas páginas oficiais. A governanta ficou bem longe do povo. Era patético vê-la acenando naquele Rolls-Royce para placas de aço, que mantinham o povo de verdade à distância. Na área permitida, só petistas e puxa-sacos. Com alguma memória, a gente via o espírito do general Newton Cruz, comandante militar do Planalto em 1984, em seu cavalo branco, como Napoleão — a comparação foi do então presidente, o general João Figueiredo —, dando piparotes com o cabo do chicote em automóveis que faziam buzinaço em favor da aprovação da emenda das diretas. O governo decretou “medidas de emergência” em Brasília nos estertores da ditadura. Era uma questão, sem dúvida, política. As ações emergenciais de agora têm origem na cleptocracia que tomou o estado brasileiro. Dilma não se constrangeu nem em pegar carona na crise migratória que assola a Europa, que teve na terrível imagem do gorotinho Aylan Kurdi, encontrado morto numa praia, o seu símbolo. Na cabeça perturbada dessa senhora, nós somos uma espécie de contraponto àquela barbaridade. Governantes precisam saber a hora de se inibir. Obviamente, ela não sabe. Houve atos de repúdio ao governo e ao PT absolutamente espontâneos em pelo menos oito capitais, além do Distrito Federal. E que se note: os principais movimentos que têm organizado as manifestações contra a roubalheira e em favor do impeachment não convocaram ato desta vez, embora tenham se manifestado a favor dos protestos. O Pixuleco, que já se tornou o símbolo desta era, ganhou uma companheira à altura: a Dilma inflada, com nariz de Pinóquio. Depois do desfile, manifestantes derrubaram placas de aço do cerco metálico que foi chamado de “Muro da Vergonha”. Do outro lado, na banda oficial, estavam petistas. Os dois grupos se hostilizaram, e a Polícia Militar teve de usar gás de pimenta para evitar o confronto. Michel Temer, o vice que vem sendo bombardeado pelo PT, estava no palanque oficial, onde compareceu apenas um dos seis ministros do PMDB: justamente o de uma pasta condenada a desaparecer — Helder Barbalho, da Pesca. Henrique Alves (Turismo) está em viagem oficial à Itália. Os outros todos tinham compromissos pessoais ou políticos em seus estados. Uma coisa é certa: não estavam no palanque com Dilma. Não é um lugar que se deva disputar hoje em dia. As pessoas disfarçadas de povo que estavam em Brasília para apoiar Dilma “contra o golpe” — qual? — participaram do tal “Ato dos Excluídos”, uma patuscada esquerdista que nasceu nos setores vermelhos da Igreja Católica e acabou sendo abraçada pela instituição. A turma marchou em favor da presidente, mas, claro!, contra as medidas do governo e contra Joaquim Levy, o ministro da Fazenda daquela que, no vídeo divulgado na Internet, anunciou que vai nos administrar alguns “remédios amargos”. Nunca houve um Sete de Setembro como o deste ano. Mas é possível que eu não tenha me feito entender. Nunca houve porque, tudo indica, os brasileiros realmente começam a se libertar. E, agora, eles se libertam de um tipo muito particular de ditadura: a do PT. Dilma dialoga com as placas de aço que mantêm o povo prudentemente à distância. A mistificação está com os dias contados. Por Reinaldo Azevedo

Investigação do escândalo chega finalmente a Dilma; Edinho, enquanto for ministro, está livre de… Curitiba!

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode ter despertado de um torpor, vamos ver, mas ainda é cedo para avaliar. Até agora, no que diz respeito à participação do Poder Executivo no escândalo do petrolão, a sua atuação tem deixado muito a desejar, é evidente. Até parece que uma roubalheira da dimensão como a que estamos vendo poderia ter sido executada sem a conivência do governo. Tenham paciência! Mas ele se mexeu um pouco — e é fundamental que aqueles que estão atentos ao que está em curso mantenham a vigilância. Janot pediu autorização — e Teori Zavascki, relator do petrolão, a concedeu — para abrir inquérito contra Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 e atual ministro da Comunicação Social; Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, e Aloysio Nunes Ferreira, senador do PSDB-SP. Todos os pedidos têm por base o conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono das empreiteiras Constran e UTC. Não vamos misturar alhos com bugalhos. A própria Procuradoria-Geral solicitou que os inquéritos contra Mercadante e Nunes sejam redistribuídos para outro relator porque não têm, avalia o órgão, relação com o petrolão. O empresário alega ter feito doação em dinheiro, sem registro, para as campanhas eleitorais de ambos, o que eles negam. Com Edinho Silva, a história é outra. E é, obviamente, muito mais grave. Segundo Ricardo Pessoa, o então tesoureiro e hoje ministro sugeriu que o empreiteiro poderia ser prejudicado nos negócios que mantinha na Petrobras se não doasse R$ 10 milhões à campanha de Dilma em 2014, já na reta final do segundo turno e mesmo depois do pleito. Doou R$ 7,5 milhões. Não teve tempo de repassar os outros R$ 2,5 milhões porque foi preso. Ora, é evidente que o que está sob investigação, nesse caso, é a campanha de Dilma Rousseff à reeleição. Para entender: Pessoa afirma ter doado R$ 750 mil à campanha de Mercadante ao governo de São Paulo em 2010 — desse total, R$ 250 mil teriam sido repassados em dinheiro vivo e por fora. No TSE, consta um repasse de R$ 500 mil. A Nunes, diz o empresário, foram doados R$ 500 mil, também em 2010, mas apenas R$ 300 mil com o devido registro. Convenham: o agora senador tucano não teria como ajudar o empresário nos negócios da Petrobras, certo? Ainda que seja verdade, que se apure tudo!, o crime é outro. A Procuradoria-Geral da República pediu, de fato, investigação sobre irregularidades nas campanhas presidenciais de 2006, 2010 e 2014 — a primeira elegeu Lula; as outras duas, Dilma. Pessoa citou também o repasse de R$ 3,6 milhões, entre 2010 e 2014, para José de Filippi, tesoureiro da primeira disputa protagonizada pela atual presidente, e para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O empresário mencionou ainda doações a Lula em 2006, quando o presidente do partido era o também agora ministro Ricardo Berzoini (Comunicações). Edinho diz que não sai do cargo porque conta com o apoio da presidente. Já recebeu manifestações de solidariedade de Jaques Wagner (Defesa) e José Eduardo Cardozo (Justiça), que afirmam que um simples inquérito não é motivo suficiente para afastamento. Wagner pondera: “Se for denúncia, aí é outra coisa”. Ou por outra: os petistas estão dizendo que Edinho só deixa o cargo se for denunciado por Janot. A doação a Nunes, reitere-se, mesmo que venha a se provar verdadeira, não tinha como estar ligada ao petrolão — a menos que alguém imagine que o tucano tinha alguma influência na estatal. A feita a Mercadante, segundo a PGR ao menos, também não — daí que Janot esteja pedindo um novo relator para os dois casos. Já a feita a Edinho Silva para a campanha de Dilma remete ao centro do escândalo. É bom lembrar que há quatro processos no TSE pedindo a cassação da chapa que reelegeu a presidente. A delação de Pessoa ainda está sob sigilo. É evidente que o tribunal eleitoral vai pedir acesso às provas e/ou evidências que chegarem ao STF. Já escrevi aqui uma vez e reitero: uma corte eleitoral resiste muito a cassar um mandato ou uma chapa. Se, no entanto, chegar lá uma fratura exposta, resta aos ministros cumprir o seu papel ou condescender com o crime. Parece que a inexplicável, à época, nomeação de Edinho Silva para ministro da Comunicação Social se explica, sim! Cedo ou tarde, ele seria tragado para o centro do escândalo. O que Dilma procurou foi tirá-lo de Curitiba, para onde iria o seu caso se ele não tivesse foro especial por prerrogativa de função. Por Reinaldo Azevedo

“Baixa performance do Brasil está se tornando estrutural”, diz Fitch

A agência de classificação de risco Fitch afirmou nesta terça-feira que focará na dinâmica da dívida e no crescimento econômico quando for avaliar novamente a nota do Brasil e alertou que o mau desempenho do país “está se tornando estrutural”. Em abril deste ano, a agência manteve o rating BBB do Brasil, alterando apenas sua perspectiva para negativa. A Fitch é a única das três principais agências – as outras são Moody’s e Standard & Poor’s – que manteve o país a dois degraus do terreno especulativo. “A baixa performance do Brasil está se tornando estrutural”, alertou a diretora sênior de ratings soberanos da Fitch, Shelly Shetty, durante conferência em Londres. “O foco de nossa atenção será sobre a dinâmica de crescimento e dívida. Não há limiar mágico”, disse ela, acrescentando que o País já estava altamente endividado quando recebeu o grau de investimento. A Fitch diz que o Brasil tem desafios crescentes na questão fiscal e também na retomada do crescimento econômico. O avanço médio de cinco anos está abaixo da mediana dos países com nota de crédito na faixa BBB e a inflação está bem acima da mediana desse grupo. Já o superávit primário vem caindo basicamente desde a média de 3,6%, entre 2003 e 2005, e se transformou em déficit no ano passado. “A meta de superávit (para este ano) foi reduzida de 1,1% para 0,15%”, lembrou a agência na apresentação. A Fitch ainda apontou que a dívida bruta brasileira estava em quase 60% do PIB no fim de 2014, acima da mediana da faixa BBB, de 40%, enquanto os gastos com juros como porcentual das receitas do governo estavam em mais de 15%, sendo que a mediana do grupo é de menos de 10%. “As dinâmicas de dívida são desafiadoras, mas não explosivas”, afirma o texto, mostrando um gráfico que mostra que a dívida brasileira deve rodar perto de 65% até 2017. Nesse slide, intitulado “Brasil: o grau de investimento está em risco?”, a Fitch lembra que quando a Croácia foi rebaixada para o nível especulativo, em 2013, o principal motivo foi o crescimento fraco e os desafios fiscais. Na época, a dívida bruta daquele país estava em 69% do PIB. Mesmo assim, a apresentação indica que o Brasil ainda tem alguns pontos positivos, como a alta proporção de dívida em moeda local e as contas externas robustas, inclusive com uma melhora na balança comercial nos últimos meses. A agência aponta ainda que a inflação está acima da meta, mas que as expectativas estão melhor ancoradas. Os desafios políticos, no entanto, crescem, com a popularidade da presidente Dilma Rousseff em uma mínima recorde. A Fitch também cita a recente desvalorização do real. Na semana passada, ao comentar a proposta de Orçamento do governo para 2016, que veio com déficit de 30,5 bilhões de reais, a agência afirmou que “as revisões para baixo colocam a tendência do superávit primário bem abaixo do cenário base da Fitch usado em abril (quando o rating do Brasil foi reafirmado) e refletem os crescentes riscos para a trajetória das finanças públicas e da dívida".

Fábio Júnior, Chico Buarque, Fernanda Montenegro e o ódio ao povo brasileiro de fato!

Vejam esta foto. É um flagrante do Brazilian Day.

FOTO CARTAZ NOVA YORK
A fala do ator, cantor e compositor Fábio Júnior, no Brazilian Day, no domingo, em Nova York, merece um tratamento que vai além do jocoso, como se tenta aqui e ali, à esquerda e à direita. É coisa mais séria, que guarda mais intimidade com os males do Brasil do que parece.
As elites intelectuais, ou as pessoas que em tanto se arvoram, odeiam o povo que há. Para elas, sempre será o vulgo, a brutalidade, a estupidez, a tolice. Na cabeça desses vigaristas — e insisto: pouco importa se direitistas ou esquerdistas; eles só são diferentes, no particular, na forma de silenciar a plebe rude —, a função da patuleia é carregar pedras para os monumentos. Os dois grupos teriam dado, se existissem então, um pé no traseiro de Shakespeare e suas banalidades humanas…
A forma contemporânea que as elites intelectuais de esquerdas têm de isolar o povo é tomar a estética como uma ética. O produto mais elaborado tecnicamente carregaria consigo necessariamente uma utopia, digamos, superior. O terreno da fruição, que é o da arte, passa a ser tomado como o das dissensões e disputas sociais. Os artistas considerados mais elaborados pela crítica serão necessariamente tomados como portadores das melhores respostas coletivas.
Fiquemos no caso em questão. Fábio Júnior é um artista popular. Já foi considerado, em programas de humor da TV, o preferido das domésticas — e havia naquilo certo riso de escárnio. Suas letras não costumam dialogar com uma certa tradição literária — não mais do que isso — buscada por Chico Buarque. O “eu lírico” das letras tem menos matizes, é mais direito, exibe menos relevos existenciais. Em suma: na música, Fábio Júnior não é Chico Buarque.
Cito Chico Buarque como o exemplo de uma espécie de coronelismo moral que toma conta das artes no Brasil. Alguns luminares são dotados de uma espécie de monopólio das boas intenções, pouco importa a porcaria que digam, em razão de suas escolhas políticas. Há três dias, tentando explicar o desastre da novela “Babilônia” — que só naufragou porque era ruim —, Fernanda Montenegro preferiu criticar o suposto conservadorismo do Brasil e produziu as seguintes pérolas:
“Babilônia, de Gilberto Braga, tem uma importância histórica muito grande. O beijo gay do qual tanto se falou não foi um beijo lambido, chupado, uma comendo a boca da outra. Foi a expressão de carinho de duas mulheres de 80 anos que há 40 estão juntas. Mulheres que representam uma elite. Não são ripongas. São bem-sucedidas e responsáveis. Habitam bem, comem bem. Um beijo carinhoso causou todo esse escândalo? Para mim, foi uma manta protetora, para distrair a atenção. Porque a novela foi histórica por outra coisa. Pela afirmação da negritude. Negros, mulatos, pardos, todos se afirmaram pela atitude. Ninguém era subserviente. Ninguém de uniforme, servil. O único de uniforme foi o motorista negro, amante da patroa, e assassinado no começo. Glorinha (Pires) ficou louca de desejo por um homem de outro estrato social. Essa foi a verdadeira revolução da novela. Nunca tantos negros se casaram com brancos, nunca houve tanta miscigenação. A negra que se forma advogada, o que tem sua barraquinha. Isso foi o que incomodou. O resto foi pretexto.”
Há aí uma tal soma de bobagens, de generalizações cretinas, de preconceitos enrustidos, que fica difícil saber por onde começar. Em primeiro lugar, hoje, o maior contingente de cor de pele do Brasil é a parda — portanto, os mestiços, os miscigenados. Antes de Gilberto Braga, o país misturou os brasileiros.
Sobra a sugestão de que as duas lésbicas deveriam ter sido aceitas porque, afinal, exibem os padrões da Zona Sul.
A observação, por sua vez, entra em choque com a bobagem racialista, jamais evocada pelos críticos da novela — e notem que foi o povo que se divorciou dela, justamente aquele formado por uma maioria de mestiços. Finalmente, noto que a atriz atribui certa, como posso chamar?, superioridade viril ao negro uniformizado que pega a patroa branca. Bem, nesse caso, já deixamos o terreno da sociologia para entrar no do fetiche.
Os esquerdistas e progressistas no geral podem ser os donos da pauta da imprensa, podem ser os donos dos meios influentes de divulgação de ideias, podem ser os donos “da arte”, mas não são os donos do povo. Independentemente do que digam ou divulguem, há uma realidade viva em construção, que consegue, de vez em quando, furar o muro da vergonha das placas de aço.
Ninguém precisa trocar os versos de Chico Buarque pelos de Fábio Júnior. Ninguém precisa trocar o preferido das patroas — sobretudo das que se banham no mar do Leblon — pelo preferido das domésticas. Nem Chico produz uma ética nem Fábio Júnior. São apenas dois compositores e cantores. Um saudado pelo crítica — às vezes, por maus motivos; outro, atacado — às vezes, também por maus motivos.
Chico Buarque, Caetano Veloso ou quantos outros vocês queiram incluir aí, inseridos à esquerda no debate cultural, não deveriam, por pudor, jamais misturar o prestígio que angariaram no terreno da estética para tentar nos vender uma ética — especialmente quando, no caso de Chico, ela se confunde com o apoio descarado a uma elite corrupta e truculenta que hoje toma conta do estado brasileiro. Caetano é um pouco mais matizado, mas se deixou fantasiar de black bloc num momento em que o país, sem querer parecer meramente retórica, tem é de tirar a máscara.
Fábio Júnior nunca ganhou um tostão com proselitismo político. Considerando o trabalho que faz, é possível que mais tenha dissabores do que ganhos com o discurso que fez no Brazilian Day. Não confundiu a sua opinião — muito sensata: ele atacou a roubalheira, certo? Não tentou justificá-la, como Chico Buarque — com os seus versos; não procurou o apoio irrestrito que lhe conferem os meios de comunicação para tentar vender uma tese política.
O Brasil, meus caros, mesmo quando se manifesta lá em Nova York, está mudando. Há uma gente nova na rua, para desespero dos que se queriam donos da opinião.
Vejam lá o cartaz que reproduz uma frase deste escriba. Os petistas adorariam que fosse exibido por um louro, de olhos azuis. Assim, eles, que se consideram donos dos negros, poderiam fazer seu proselitismo vigarista, me associando a uma elite branca que estaria contra o povo.
Mas não! Quem porta o cartaz é um negro. O negro em nome dos quais procuram falar Fernanda Montenegro e Chico Buarque. Para o delírio dos brancos de esquerda da Zona Sul.
Esse país, felizmente, está chegando ao fim. Por Reinaldo Azevedo