segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Fraudaram até o concurso

O governo Dilma criou a Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa), uma estatal de projetos para atuar no programa de submarinos - aquele onde está metido o Othon Pinheiro, a Odebrecht e o irmão do Mercadante. O MPF agora descobriu que a turma da Amazul fraudou até o concurso público para o cargo de técnico em desenvolvimento de tecnologia nuclear. O procurador José Roberto Pimenta Oliveira recomendou a suspensão do resultado do concurso e a anulação da contratação dos candidatos já nomeados, procedendo uma reclassificação sob novos parâmetros.

Poupa tempo

Alberto Youssef conseguiu HC no Supremo para não falar na acareação com Paulo Roberto Costa nesta terça-feira. A CPI da Petrobras pouparia nosso tempo e dinheiro se pedisse cópia da acareação feita em junho, com ambos, pela força-tarefa da Lava Jato.

Suiça afirma que há muito mais propinas da Petrobras em outros países


O governo suíço afirma que outras praças financeiras receberam valores potencialmente superiores aos que foram depositados nos bancos do país alpino em propinas relacionadas ao esquema de corrupção na Petrobrás. Em um encontro com jornalistas estrangeiros, o responsável pelo Departamento de Direitos Internacional da chancelaria suíça, Valentin Zellweger, também reconheceu que os próprios suíços precisam aprimorar seu sistema financeiro para lidar com dinheiro fruto de origem criminosa. “Sabemos que há mais dinheiro fora daqui”, disse. Segundo ele, outras praças financeiras têm ainda mais dinheiro que a Suíça cuja origem seria o esquema na estatal brasileira. “Mas elas não comunicam”, declarou. No total, US$ 400 milhões em contas relacionadas com os ex-funcionários da entidade estatal foram bloqueados em contas na Suíça. Autoridades brasileiras negociam com os colegas do país europeu a repatriação dos recursos desviados da Petrobrás. Questionado sobre como os bancos acabaram aceitando esses milhões de dólares de ex-executivos da Petrobrás sem questionamentos, o embaixador insistiu que a estrutura montada foi “sofisticada”. Segundo ele, o dinheiro depositado passou por várias sociedades antes de chegar até as contas na Suíça. Zellweger insistiu que era difícil ver em muitas ocasiões que o dinheiro se referia a pessoas politicamente expostas. Mas ele mesmo admitiu que o sistema financeiro suíço precisa “fazer mais” para evitar tais situações. “Não temos um sistema 100% limpo. Mas nosso objetivo é o de minimizar os riscos”, disse. Para o embaixador, a Suíça fez prova de transparência ao anunciar a existência de US$ 400 milhões bloqueados nas contas do país. Uma investigação foi aberta em abril de 2014 e, em março de 2015, o Ministério Público do país revelou 300 contas em 30 bancos diferentes com dinheiro fruto da corrupção. Em julho, a Suíça ainda anunciou que estava ampliando a investigação para também tratar da Odebrecht. Do total bloqueado, US$ 120 milhões foram devolvidos aos cofres brasileiros. Nos últimos meses, o Ministério Público brasileiro tem trabalhado ao lado dos suíços para tentar identificar a origem e o destino do dinheiro que passou pelos bancos do país europeu. Em agosto, uma equipe do Ministério Público passou três dias em Lausanne para detectar as relações bancárias e tentar identificar novas contas. As reuniões entre procuradores se concentraram nos esforços de se identificar o fluxo de dinheiro da SBM, empresa holandesa que pagou propinas no Brasil para contratos com a Petrobrás. Um dos casos que está sendo apurado na Suíça se refere às revelações do ex-gerente da Petrobrás, Pedro Barusco, na CPI, no primeiro semestre, sobre um pagamento que teria servido para “reforçar” a campanha eleitoral em 2010 de Dilma Rousseff. Segundo ele, US$ 300 mil teria sido enviado pela SBM Offshore para o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. “Em 2010, foi solicitado à SBM um patrocínio de campanha, mas não foi dado a eles diretamente. Eu recebi e repassei o dinheiro para a campanha presidencial de 2010, em que disputavam José Serra e Dilma Rousseff”, disse ele. “Foi ao PT, ao João Vaccari", explicou. Procuradores apontaram que esse de fato havia sido um dos pontos examinados. O que a investigação tenta determinar é se esse suposto pagamento usou também contas na Suíça. As reuniões ainda chegaram à constatação de que a investigação sobre a Petrobrás e sobre os pagamentos da SBM será ampliada. Indícios colhidos por meio de comparação de dados bancários e cruzamento de informações revelariam que o número de pessoas beneficiadas por propinas é maior do que o se conhece até agora. O embaixador suíço ainda confirmou que os bancos suíços contam com “milhares” de políticos estrangeiros como correntistas. Mas garantiu que as instituições são obrigadas a cobrar a origem dos recursos de cada um desses clientes.

Governo pede mais 15 dias de prazo no TCU, afirma ministro relator

O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, relator do julgamento das contas da gestão Dilma Rousseff em 2014, afirmou nesta segunda-feira (24) que o governo federal solicitou mais 15 dias de prazo para dar explicações sobre os dois pontos levantados no processo. No dia 12, Nardes encaminhou, após requerimento do senador Otto Alencar (PSD-BA) — aliado do governo —, mais dois questionamentos ao governo. Ele deu prazo de 15 dias úteis para a resposta. Originalmente, as perguntas foram formuladas pelo procurador de contas junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira. "Amanhã (terça), farei uma reunião para decidir sobre esse prazo", afirmou. O prazo original vence no início de setembro. Caso Nardes conceda a extensão pedida, o parecer final do TCU sobre as contas do governo deve ficar para o final de setembro. O ministro não soube explicar quais justificativas o governo elenca para que consiga a nova extensão de prazo. Os 13 questionamentos iniciais foram entregues ao TCU pelo advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams. Essas respostas, no entanto, ainda não são públicas. Nardes afirmou que na próxima sexta-feira (28) a área técnica do tribunal irá entregar a ele o parecer sobre elas. Os dois questionamentos dizem respeito a uma suspeita de desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Eles surgiram a partir de uma auditoria do tribunal que identificou que "graves irregularidades foram cometidas para manter ou expandir gastos públicos, em ano eleitoral, apesar da ciência pelo governo federal da redução da arrecadação e de projetos de aumento de despesas obrigatórias". O texto diz, ainda, que há "prova inequívoca" da omissão de Dilma quanto ao cumprimento "de sua competência privativa de limitar empenho e movimentação financeira". 

Mercedes Benz confirma 1.500 demissões e operários entram em greve


A Mercedes-Benz confirmou nesta segunda-feira (24) a demissão de 1.500 funcionários, a partir do dia 1º de setembro deste ano. Após a decisão da empresa, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo anunciou o início de uma greve com 7.000 funcionários por tempo indeterminado. A multinacional fabricante de ônibus e caminhões, que hoje conta com um quadro composto por 10 mil funcionários, justifica o desligamento em massa devido ao excesso de pessoas trabalhando na fábrica diante da drástica queda nas vendas no mercado nacional, situação que tem elevado a ociosidade para quase 50% na montadora. As demissões ocorrerão na unidade localizada em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Desde 2014, a empresa tem adotado medidas — como férias coletivas, lay-off (suspensão do contrato de trabalho), licença remunerada — para evitar a queda na produção de caminhões e ônibus, de 44% e 29%, respectivamente, no acumulado de janeiro a julho deste ano. A assessoria não informou números relativos à adesão no Programa de Desligamento Voluntária (PDV) disponibilizado pela Mercedes-Benz aos funcionários: "Apenas podemos dizer que os números são muito baixos". Em comunicado, a Mercedes-Benz afirma que "as expectativas de vendas em 2016 são negativas e não existe previsão de recuperação no próximo ano". Os trabalhadores afetados foram notificados na sexta-feira (21), disse um porta-voz da Daimler nesta segunda-feira (24). Entre janeiro e julho deste ano, a produção da cadeia automotiva acumulou queda de 18,1% em relação ao mesmo período de 2014, o pior resultado desde 2006. O Ministério do Trabalho estima que 38,7 mil postos tenham sido fechados neste período. O mercado brasileiro de caminhões vem em queda desde o começo de 2013, com a economia fraca, inflação alta e condições difíceis de financiamento limitando investimentos em veículos comerciais. A Daimler cortou cerca de 3 mil empregos no Brasil na época, reduzindo sua força de trabalho para 11.854 trabalhadores até o fim de junho. A companhia tem mais de 280 mil funcionários no mundo. No começo deste mês, a companhia alemã havia dito que ainda tinha cerca de 2.000 funcionários excedentes na fábrica em São Bernardo, que tem funcionado a menos de 60% da capacidade.

Delator quer perdão de Moro

A defesa de Augusto Mendonça Neto pediu a Sérgio Moro o benefício do perdão judicial, que prevê a extinção da pena. Mendonça Neto, executivo da Toyo Setal, foi o primeiro réu a se tornar colaborador da Justiça Federal na Lava Jato. Ele era subordinado a Júlio Camargo e foi o primeiro e implicar João Vaccari em desvios da Petrobras e da Sete Brasil por meio da gráfica Atitude. O acordo de colaboração que assinou prevê o cumprimento da sentença em regime aberto. 

Polícia Federal suspeita de pixulecos para Instituto Florestan Fernandes

A Operação Pixuleco II descobriu que a Consist, usada para repassar propina para o PT, tinha um contrato com a Frontservices Informática, condenada no ano passado junto ao Instituto Florestan Fernandes numa ação de improbidade contra a gestão Marta Suplicy (2001-2005). A FrontServices pertence aos petistas Washington Luiz Vianna e César Augusto Massaro, que foi tesoureiro do Instituto. No contrato com a Consist, a Frontservices é substituída em 2010 pela CSA Net Informática, que também pertence a Luiz Vianna. A PF agora quer saber o volume de recursos públicos desviados para as duas empresas e se o dinheiro foi repassado para a o Instituto. Na ação contra a gestão Marta, que se arrastava desde 2006, a Justiça condenou sua então secretária de Assistência Social, Aldaíza de Oliveira Sposati; além da Frontservices, da FGV e do Instituto Florestan Fernandes - beneficiados por contratos considerados irregulares. 




Auxiliar de Youssef confirma propina para Pedro Corrêa e diz que políticos eram "bandidos"


Apontado pelo Ministério Público como o carregador de malas do doleiro Alberto Youssef, o delator da Lava Jato, Rafael Ângulo Lopes, confirmou nesta segunda-feira ao juiz Sergio Moro que pagou propina ao ex-presidente do Partido Progressista e deputado cassado Pedro Corrêa. Lopes disse que a propina ao ex-parlamentar chegava a até 200.000 reais por mês. A acusação estima que Corrêa e auxiliares embolsaram cerca de 40 milhões de reais em dinheiro sujo entre 2004 e 2014. Na planilha de propinas do delator, os repasses de dinheiro sujo a políticos eram anotados com a abreviatura "band", em referência a "bandidos". Em depoimento ao juiz Moro, Rafael Ângulo Lopes também disse ter feito repasses de propina para a ex-deputada federal Aline Corrêa e para o filho de Pedro Corrêa, Fábio. Nas anotações, havia menções a "band Aline", quando o dinheiro sujo foi transferido à Aline Corrêa, e a "band PC", no caso de o beneficiário ser Pedro Corrêa. Para dificultar que se rastreassem os repasses, depósitos bancários eram fracionados em valores abaixo de 10.000 reais e, em casos específicos, maços de dinheiro vivo eram escondidos nas meias do delator. Essa é a primeira vez que o auxiliar de Youssef depõe ao juiz Sergio Moro depois que fechou um acordo de delação premiada. "Eu levava no corpo, principalmente nas pernas, em meiões, quando fazia entregas em São Paulo ou mesmo fora do estado de São Paulo", relatou ele. Rafael Ângulo deu detalhes da frequência com que levava propina ao deputado cassado Pedro Corrêa, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção no julgamento do mensalão e novamente preso na Operação Lava Jato. "Pessoalmente (entregou dinheiro) bastante vezes, com frequência, no escritório do senhor Alberto, na residência do senhor Pedro Corrêa, no apartamento funcional do senhor Pedro Corrêa", disse. "Ele (Pedro Corrêa) ia até o escritório do senhor Alberto Youssef retirar dinheiro. Ia bastantes vezes, às vezes até almoçava lá, ficava aguardando e fazendo a listagem para depósitos de terceiros. Quando o senhor Alberto não estava, eu atendia e ele ficava na sala de reunião aguardando o senhor Alberto", explicou. E mais: quando o ex-deputado não estava em casa para receber em mãos o dinheiro sujo, a orientação, disse o auxiliar de Youssef, era deixar a propina na gaveta da escrivaninha do político. "Às vezes Pedro Corrêa reclamava que o dinheiro era pouco e que faltava", disse. Na planilha de propina, além das abreviaturas de "políticos bandidos", havia uma coluna com referência a 'pes', abreviatura de pessoa, indicando o destinatário final ou o preposto para receber propina. O auxiliar do doleiro Alberto Youssef disse que, além do ex-deputado e dos filhos, repassou propina ao caseiro Jonas Aurélio, que trabalhava com Pedro Corrêa, para "Ivan", personagem que o Ministério Público afirma ser o ex-assessor Ivan Vernon, e para Lauro Da La Costa, marido da Aline Corrêa.

OAB finalmente ganhou coragem e resolveu expulsar o petista José Dirceu, cassou seu registro de advogado

A seção de São Paulo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) finalmente, e com grande atraso, encheu-se de coragem e cancelou, em sessão secreta, a inscrição do ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, por causa de sua condenação no Mensalão do PT. Isto quer dizer que ele foi expulso da OAB e que teve cassado o seu registro de advogado. Os conselheiros da OAB paulista consideram que José Dirceu não tem idoneidade para advogar, um dos requisitos básicos da profissão, de acordo com o Estatuto da Advocacia. Foram 76 votos a favor da cassação do registro, dois votos contra, e duas abstenções. José Dirceu perdeu a inscrição por causa da condenação do Mensalão do PT, julgamento que ocorreu em novembro de 2012. Quer dizer, só quase três anos após a condenação com trânsito em julgado é que os valentes da OAB paulista tiveram a coragem e a vergonha na cara de promover a cassação do registro do bandido petista mensaleiro. A prisão na Operação Lava Jato, no dia 3 de agosto, não entrou no debate porque o ex-ministro não foi condenado. Que ridicularia..... o cara é reincidente. No Mensalão do PT, o ex-ministro foi condenado inicialmente a dez anos e dez meses de prisão. Seu advogado, José Luis de Oliveira e Lima, recorreu e conseguiu excluir o crime de formação de quadrilha. Com essa vitória, obtida em fevereiro de 2014, a pena de José Dirceu caiu para 7 anos e 11 meses de prisão. O ex-ministro ficou um ano no presídio da Papuda e cumpria prisão domiciliar quando foi preso novamente, desta vez por conta das investigações da Operação Lava Jato. Os conselheiros da OAB começaram a discutir a exclusão de José Dirceu em 2013. O julgamento demorou porque se debatia se a OAB paulista ou a do Distrito Federal era a responsável por discutir o cancelamento da inscrição. Ou seja, por conta de mero formalismo, os petistas da OAB conseguiram retardar por três anos a expulsão inevitável do bandido. José Dirceu tirou sua inscrição em São Paulo, mas vivia em Brasília. Venceu a tese de que a OAB que concedera a inscrição tinha poder de cassá-la. O ex-ministro e bandido petista mensaleiro poderá recorrer da decisão da OAB paulista. O advogado de José Dirceu neste caso é Rodrigo Dall'Acqua.

Bovespa fecha em queda de 3%, menor patamar desde 2009; dólar, em R$ 3,55, maior desde março de 2003

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, fechou nesta segunda-feira com queda de 3,03%, no menor patamar em mais de seis anos, influenciado pela onda de pânico que dominou os mercados globais por temores ligados à desaceleração da economia chinesa. O giro financeiro totalizou 7,3 bilhões de reais. No pior momento, logo após a abertura, o índice de referência do mercado acionário brasileiro chegou a desabar 6,5%. As principais bolsas da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia tiveram o pior dia desde 2008 e encerraram o pregão desta segunda-feira com fortes perdas, pressionadas pelo tombo nas ações da China e novos temores sobre o crescimento global. Nesta segunda-feira, o Xangai Composto, principal índice acionário chinês, fechou em queda de 8,5%, anulando os ganhos de todo o ano. A sessão européia começou tensa, com uma forte onda de vendas. As bolsas de Frankfurt, Paris e Madri chegaram a cair 7%, mas reduziram as perdas no fim dos negócios. O índice europeu Stoxx 600 fechou em queda de 5,33%, aos 342,01 pontos, o maior recuo porcentual desde o auge da crise financeira mundial, em dezembro de 2008. Se a queda do índice prosseguir nos próximos dias, agosto poderá terminar como o pior mês desde setembro de 2002, quando foi registrado recuo de 14,1%. O temor de um colapso dos preços das commodities também afetou as negociações das ações em Frankfurt. Assim, as ações da RWE recuaram 9,11% e da E.ON perderam 8,60%. O índice de referência DAX teve baixa de 4,70%, para 9.648,43 pontos. A Bolsa de Paris fechou em queda de 5,35%, aos 4.383,46 pontos, o maior recuo desde novembro de 2011. As ações de companhias altamente expostas à China se destacaram entre as perdas – os papéis da siderúrgica ArcelorMittal recuaram 9,48% e da empresa de energia Total cederam 7,90%. O índice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, recuou 5,96%, fechando em 20.450,43 pontos. A Bolsa de Madri caiu 5,01%, para 9.756,60 pontos, e a de Lisboa cedeu 5,80%, para 4.981,26 pontos. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones registrou a maior queda diária em pontos de sua história no início do pregão desta segunda-feira, de 1.089 pontos. Antes da abertura do mercado em Nova York, os futuros do Dow Jones, da Nasdaq e do S&P 500 chegaram a cair cerca de 5%. O NYSE Group, operador da Bolsa de Nova York, invocou a raramente usada “regra 48″, que relaxa algumas regras de operação na tentativa de garantir uma abertura suave dos negócios. A regra é usada quando as operações antes da abertura da sessão regular estão especialmente voláteis. No fechamento das bolsas americanas, o índice Dow Jones caiu 3,57%, enquanto o S&P 500 recuou 3,94% e a Nasdaq caiu 3,92%. Os temores com a economia da China também fizeram com que as commodities tivessem forte baixa, prejudicando o desempenho de ações de mineradoras e petroleiras. Em Londres, o índice FTSE-100, onde essas companhias têm bastante peso, teve a décima sessão consecutiva em queda e fechou em baixa de 4,67%, aos 5.898,87 pontos. Essa foi a maior queda porcentual diária desde março de 2009. Entre as principais baixas, os papéis da Glencore recuaram 13,02% e da BP perderam 7,32%. O dólar fechou com alta superior a 1,5% nesta segunda-feira, no patamar de 3,55 reais, o maior nível em 12 anos. A valorização frente ao real reflete a intensa aversão ao risco dos investidores que, com o derretimento das bolsas chinesas, preferem aplicar o dinheiro em ativos e dívidas de países considerados mais seguros, como Estados Unidos e Europa. Em números mais precisos, a moeda subiu 1,62%, a 3,55 reais na venda, maior cotação de fechamento desde 5 de março de 2003, quando foi negociada a 3,55 reais. No ano, até agora, o dólar já subiu 33,62%. Na máxima da sessão de hoje, o dólar chegou a se valorizar 2,43%, indo a 3,58 reais, nível mais alto no intradia desde 27 de fevereiro de 2003, quando alcançou 3,60 reais. A alta, no entanto, perdeu a força, seguindo o movimento dos mercados externos e o noticiário econômico positivo – nesta segunda, o governo anunciou que vai cortar 10 dos 39 ministérios. “O mundo, de fato, ‘derreteu’ hoje. As medidas adotadas pela China para incentivar a economia não foram suficientes para segurar a desvalorização do mercado acionário chinês. Primeiro, o governo estimulou uma forte desvalorização do iuane. Depois, elevou a quantidade de títulos que as companhias de seguros podem deter e prometeu mais crédito para financiar operações em bolsa. Isso não foi suficiente”, afirmou o analista da Gradual Investimentos André Perfeito. “São forças de pânico, não há racionalidade. Em um dia como hoje, não há nada a fazer: é esperar e ver o quanto o dólar sobe”, avalia o economista da 4Cast, Pedro Tuesta. Ele ressaltou, no entanto, que o avanço visto mais cedo foi exagerado. Além disso, ponderou que, “se não houver recuperação (da China), o Fed preferirá adiar (a alta dos juros). Os danos foram significativos”, referindo-se ao Federal Reserve, banco central norte-americano, que está na iminência de elevar os juros nos Estados Unidos. As bolsas de Xangai e Shenzhen desabaram mais de 8% nesta sessão, reforçando o quadro de preocupações com a China, que vem afetando o apetite por ativos de risco, como aqueles denominados em reais, nos mercados globais. “A China deu início ao pânico no mundo hoje. Aliado a isso, a gente tem grande vulnerabilidade por causa das incertezas políticas”, disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Ítalo Abucater, para quem o dólar deve chegar a 4 reais ainda este ano, mas encerrará 2015 no patamar entre 3,70 e 3,80 reais. 

Manobras no PMDB

Eduardo Cunha disse ao Estadão que quer adiantar o congresso do PMDB. Disse também que o partido deve abandonar o governo. Ele combinou tudo isso com Michel Temer? O Antagonista suspeita que sim.

Alckmin, sabotador do PSDB e traidor do Brasil

Josias de Souza, do UOL, publicou que Geraldo Alckmin age nos bastidores contra o impeachment de Dilma Rousseff, porque acha que, se a petista sair antes, ele ficará "longe do jogo político" e perderá a chance de candidatar-se à Presidência da República em 2018. Geraldo Alckmin é, portanto, um sabotador da linha definida por Fernando Henrique Cardoso. Geraldo Alckmin é, portanto, um traidor do Brasil, porque põe os seus interesses pessoais acima das necessidades do País. Geraldo Alckmin é, portanto, indigno de ocupar até mesmo o cargo de copeiro da Presidência da República. (O Antagonista)

Collor chama Janot de "fascista" e mostra vídeo sobre a busca da Polícia Federal em seu imóvel funcional


Fernando Collor de Mello (PTB-AL), senador e ex-presidente da República, fez novo discurso na tribuna do Senado nesta segunda-feira com ataques ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chamando-o de “fascista”. Collor foi denunciado na semana passada em um processo relativo à Operação Lava-Jato. O senador exibiu ainda um vídeo de cerca de dois minutos de um bate-boca na porta do seu apartamento funcional, alvo de busca e apreensão no mês passado por ordem do Supremo Tribunal Federal. Collor defendeu ainda que seja rejeitada a recondução de Janot, a quem chamou também de "sujeitinho a toa". "É esse tipo, sujeitinho a toa, de procurador-geral da Republica, da botoeira de Janot, que queremos entregar à sociedade brasileira? Possui ele a estabilidade emocional, a sobriedade que sempre lhe falta nas vespertinas reuniões que ele realiza na procuradoria? Possui ele a estabilidade emocional, repito, a sobriedade, o perfil democrático e mais do que isso, está ele dotado da conduta moral que se exige para um cargo como esse? Não, senhoras e senhores. Não me parece ser este o caso", afirmou. No vídeo, procuradores e delegados da Polícia Federal impedem que integrantes da Polícia Legislativa do Senado entrem no apartamento. O diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, argumenta que como é um imóvel funcional o órgão que dirige deve acompanhar a diligência. Os investigadores refutam. Carvalho tenta forçar a entrada, enquanto os representantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal impedem o acesso. No bate-boca, um dos investigadores empurra Carvalho. "Se retire! O senhor não é objeto do mandado!" – diz um dos investigadores. "Estão causando nulidade no processo", responde o diretor da Polícia do Senado. Collor leu ainda da tribuna relatórios dos representantes da Polícia do Senado nos quais eles destacam que a operação de busca começou as 5h40 da manhã e que haviam “placas frias” nos carros dos investigadores. O senador destaca ainda que os vigilantes foram impedidos de acionar a Polícia do Senado, sendo, inclusive, mantidos junto a investigadores para impedi-los de fazer o contato. "A verdade é que infelizmente a equipe do senhor Janot pode às 5h40 da manhã, mesmo sem apresentar mandado judicial, pode arrombar um apartamento funcional e invadir a privacidade de qualquer senador. Hoje fui eu, amanhã pode ser qualquer um de nós. Até quando vamos permitir esse estado policialesco que a Procuradoria Geral da República pretende implantar?" – questionou Collor. O senador prosseguiu afirmando que Janot atua com arbitrariedade e abuso de autoridade. E chamou o procurador-geral de fascista: "Trata-se afinal de um fascista. Trata-se o senhor Rodrigo Janot de um fascista da pior extração e cuja linhagem pode ser refletida nas palavras de Plutarco. Nada revela mais o caráter de um homem do que seu modo de se comportar quando detém um poder e uma autoridade sobre os outros: essas duas prerrogativas despertam toda paixão e revelam todo vício”, afirmou Collor. O senador chamou o procurador-geral ainda de “figura tosca”, repetiu acusações sobre a atuação de Janot à frente da Procuradoria Geral da República e afirmou que encaminhará todo o material sobre a busca no seu apartamento funcional à Mesa Diretora da Casa. A Polícia Federal reiterou que o mandado e a diligência cumprida no apartamento funcional de Collor tinham caráter sigiloso. Por esse motivo, o mandado só poderia ser apresentado a um morador do apartamento ou advogado indicado pelo senador. O 1º vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), afirmou que a Mesa Diretora do Senado precisa se inteirar sobre as informações trazidas por Collor. Ressaltou, porém, que é preciso se manifestar em defesa do servidor Pedro Carvalho. Não fez menções a Janot. Collor afirmou que não rebateria o mérito da denúncia contra ele porque não teve acesso ainda. Criticou o fato de a denúncia estar protegida por segredo de Justiça. Reclamou também de dois depoimentos seus terem sido cancelados pelos investigadores, e a denúncia ter sido apresentada sem que fosse ouvido. O senador tem feito diversos ataques a Janot nas últimas semanas na tentativa de criar embaraços para a recondução do procurador-geral, que será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta-feira. Ele apresentou um voto em separado no qual incluiu nos autos cinco petições que pedem a destituição de Janot, além de dois processos em andamento no Tribunal de Contas da União sobre contratos firmados pela Procuradoria Geral da República. Na semana retrasada, em um dos pronunciamentos, Collor chegou a xingar Janot da tribuna. O ex-presidente é investigado na Lava-Jato sob a acusação de recebimento de propina em contratos da BR Distribuidora. A Procuradoria Geral da República já estimou em R$ 26 milhões o montante recebido pelo grupo do qual Collor faz parte entre os anos de 2010 a 2014. 

Delator do Petrolão diz que José Dirceu atuou na Petrobras ainda quando era ministro


Preso desde o último dia 4 na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o ex-ministro José Dirceu começou a intermediar negócios na Petrobras por volta de 2003 e 2004, quando ainda era ministro da Casa Civil do governo Lula, afirma o delator Milton Pascowitch. Em depoimento à Polícia Federal, Pascowitch disse que o grupo político de José Dirceu, que era representado na estatal por Fernando Moura, se aproximou da empresa Hope, estabelecendo um 'relacionamento comercial' entre a Hope e a Petrobras por meio do diretor de Serviços, Renato Duque. O empresário contou que, até o escândalo do mensalão, em 2005, o pagamento de propina era feito diretamente aos "interessados da área política". É com base no depoimento de Pascowitch que o Ministério Público Federal afirma que José Dirceu instituiu o esquema de corrupção instalado na Petrobras. Quando o ex-ministro teve prisão decretada na Operação Lava-Jato, no início de agosto, o procurador Carlos Fernando Lima afirmou que a investigação busca "José Dirceu como o instituidor do esquema Petrobras ainda no tempo da Casa Civil, ainda no tempo do governo do ex-presidente Lula”. No depoimento, Pascowitch afirmou que, quando surgiu o mensalão, a área política "se afastou dessas demandas" e instituiu como interlocutor o operador Júlio Camargo, outro delator da Lava-Jato. Foi então, segundo ele, que Camargo passou a receber os valores da Hope e distribuí-los entre funcionários da Petrobras e políticos. Pascowitch disse que, por volta de 2008 ou 2009, recebeu Ranto Duque e Fernando Moura em sua casa. Moura reclamou a Duque que não estaca recebendo os valores devidos por tê-lo indicado ao cargo na Petrobras. Segundo o delator, os problemas com Júlio Camargo levaram Duque a pedir que assumisse a intermediação de distribuição de propina com a Hope e com a Persona Service. A Hope teria suspendido os pagamentos em 2013 e a Personal, segundo Pascowitch, pagava R$ 100 mil mensais até o início da Lava-Jato. Pascowitch afirmou que, em 2013, houve uma reunião em sua residência, da qual participaram José Dirceu e seu assessor Roberto Marques; o então tesoureiro do PT, João Vaccari; e Renato Duque, que havia deixado o cargo de diretor de Serviços. O grupo teria discutido a necessidade de que alguém intercedesse junto ao novo diretor da Petrobras, José Eduardo Dutra, para que fossem licitados novos contratos de terceirização de mão-de-obra. Pascowitch diz que não sabe quem intercedeu, mas afirmou que houve nova licitação e as mesmas empresas - Hope e Personal - ganharam os contratos, embora não tenha conhecimento se o pagamento de propina voltou a ocorrer. 

Com Bolsas da China em queda, preços do petróleo registram nova mínima em seis anos e meio


Os preços do petróleo recuavam mais de 3% nesta segunda-feira, para uma nova mínima de seis anos e meio, depois que os mercados de ações da China sofreram a maior queda diária desde a crise financeira global, aumentando os temores sobre as perspectivas para a demanda global por combustíveis. As Bolsas da China despencaram mais de 8% nesta segunda-feira, refletindo a frustração de investidores após Pequim não anunciar novos estímulos no fim de semana mesmo depois do recuo de 11% da semana passada. "A queda de hoje não é relacionada aos fundamentos do mercado de petróleo. É tudo sobre a China", disse o analista sênior de petróleo do Commerzbank Carsten Fritsch, em Frankfurt. O petróleo Brent, de referência na Europa, recuava US$ 2,10, ou 4,61%, a US$ 43,36 por barril, às 15h30 (hora de Brasília). Mas chegou a tocar a mínima de US$ 43,28, menor nível desde março de 2009. O petróleo leve americano, de referência nos Estados Unidos, caía US$ 1,48, ou 3,7%, a US$ 38,97 por barril. O barril chegou a ser negociado a US$ 37,75 mais cedo. Se fechar abaixo dos US$ 40, será a primeira vez a romper essa barreira desde fevereiro de 2009. Na sexta-feira, o WTI chegou a ser negociado baixo de US$ 40, mas se recuperou no fechamento. 

Michel Temer deixa a articulação política do governo após reunião com Dilma


O vice Michel Temer informou à presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira que não cuidará mais da negociação de cargos e emendas parlamentares, o chamado no jargão político de "varejo" da negociação do governo com aliados e parlamentares. No entanto, o vice vai continuar ajudando o governo a obter acordos no Congresso para as votações de matérias de interesse do Executivo. A decisão foi comunicada por Michel Temer durante a reunião que teve com Dilma na hora do almoço. Ele vai continuar cuidando da "macropolítica", mas se colocou à disposição da presidente para cuidar de emendas e cargos quando for demandado, pontualmente. Também estiveram presentes os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). Era Padilha que, sob a batuta de Temer, vinha tocando essa tarefa de tratar sobre cargos com aliados e da negociação de emendas. Padilha, a partir de agora, voltará a se dedicar exclusivamente às atribuições de sua pasta. Sem dizer categoricamente que o vice Michel Temer abandonaria a articulação política do governo, ministros escalados pela presidente Dilma Rousseff para falar com a imprensa após a reunião de coordenação da presidente com seus principais auxiliares sinalizaram que Temer estaria de saída dessa função. O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, deu o tom. Disse que o sonho de Padilha é se dedicar exclusivamente à agenda da aviação civil. Sobre Temer pontuou que, mesmo sem ocupar oficialmente o papel de articulador político do governo, essa tarefa é inerente ao cargo de vice-presidente. "O vice-presidente Michel Temer é o colaborador permanente da presidente e tem tido uma conduta muito correta e solidária ao governo. A atribuição política é inerente à vice-presidência da República e à sua carreira e história de vida. Então, no momento certo, ele vai se posicionar. O ministro Padilha, que faz esse trabalho em conjunto ao vice-presidente, foi provocado em relação ao tema e com muita naturalidade enfatizou que quando for necessária a sua presença à frente dessa função ele fará. Todos sabem que o sonho do ministro Padilha é se dedicar à aviação, mas com muita clareza disse que vai se envolver com o tema sempre que for necessário", afirmou. Já o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, traçou um cenário para o governo já sem a presença de Temer na articulação: "Eu tenho certeza que, qualquer que seja o cargo que ele achar melhor, ele vai continuar sendo um importante agente de apoio e de construção de solução". Segundo Barbosa, durante a reunião de coordenação, o vice apoiou as medidas de reforma administrativa que Dilma anunciou, como o corte de pelo menos dez ministérios e a redução de cargos comissionados, bem como extinção e fusão de secretarias.

Tesouro eleva limites de endividamento para atender à maior demanda do mercado

A Secretaria do Tesouro Nacional revisou os limites da dívida pública federal de 2015, definidos no plano anual de financiamentos (PAC), passando a considerar o nível mínimo de R$ 2,65 trilhões e o nível máximo de R$ 2,8 trilhões, informou o coordenador de Operações da Dívida Pública, da Secretaria do Tesouro Nacional, José Franco Medeiros de Morais. Os limites anteriores estavam situados entre R$ 2,45 trilhões e R$ R$ 2,6 trilhões. Ao dar a informação, José Franco disse que a alteração dos limites mínimo e máximo do endividamento público foi adotada para atender ao aumento da demanda dos bancos e financeiras por títulos do governo. “Isso não é de forma alguma coisa ruim”, acrescentou José Franco. Ele disse também que a divulgação dos novos limites dão “previsibilidade e transparência da gestão da dívida pública aos agentes financeiros”. Explicou que, em um cenário de juros em alta, cresce o apetite por títulos que tenham a garantia do Tesouro Nacional, entre eles, os títulos da dívida pública. Segundo ele, a maior demanda dos leilões de títulos públicos, verificada ao longo do ano, é fator que contribui para que o governo tenha folga para refinanciar a divida pública. “Isso favorece a estratégia para que o governo possa administrar o estoque da dívida pública federal”, acrescentou. Segundo ele, dentro da estratégia de endividamento por meio dos títulos da dívida pública, o Tesouro Nacional tem buscado emitir volumes superiores à necessidade de financiamento do mercado, visando a auxiliar a redução do excesso de liquidez do sistema bancário. 

Tesouro Nacional garante que instabilidade externa não afetará gestão da dívida pública



O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, José Franco Medeiros de Morais, disse hoje (24) que a instabilidade no mercado financeiro internacional não deve afetar a gestão da dívida pública federal (DPF). Segundo Morais, a participação de investidores não residentes na dívida, que poderia ser afetada por essa volatilidade internacional, embora seja relevante, não é crucial para a gestão da DPF. “Na verdade, 80% da dívida pública federal está na mão de investidores locais, o que é um fator de segurança adicional. Sempre que, por alguma razão, falha a demanda de não residentes, há uma local, que pode perfeitamente compensá-la”, destacou. Em relação especificamente à dívida externa, José Franco informou que o Tesouro Nacional não tem necessidade de financiamento externo em 2015, porque já fez um pré-financiamento. “Toda a dívida que vence em 2015, e parte em 2016, o Tesouro já comprou os recursos em dólar e fez um hedge (espécie de proteção contra oscilações no mercado financeiro). Portanto, não temos necessidade de financiamento externo”, afirmou Morais. De acordo com o coordenador de Operações da Dívida, o Tesouro tem um “colchão de liquidez” (reservas) para as dívidas externa e interna. “Esse colchão fica entre três e seis meses, de modo que se possa enfrentar as turbulências. Mas posso assegurar que fica no limite superior desse intervalo”, acrescentou Morais, sem revelar o valor. O Tesouro Nacional deve evitar fazer emissões externas no momento. Morais disse que, considerando a volatilidade no mercado internacional e o fato de o Tesouro Nacional não ter necessidade de financiamento externo, “não há razão para se apressar e fazer emissões externas”.  Ele lembrou que o principal motivo para fazer emissões de títulos púbicos no exterior é abrir mercados, sobretudo para empresas nacionais, levando-as a ter bons pontos de referência na curva de juros para as emissões de papéis. “De forma geral, são papéis de 10 a 30 anos, que estão lá e têm bastante liquidez. Isso não quer dizer que não continue nos planos do Tesouro uma emissão externa". Hoje (24), A bolsa de Xangai, na China, registrou perdas superiores a 8%, aproximadamente meia hora depois da abertura da sessão, tendência seguida nas praças de Hong Kong e de Tóquio e em outros mercados. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo chegou a registrar queda de 6%. Às 13h20, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de São Paulo, caiu 1,94%,.

MEC prorroga até amanhã prazo para concluir inscrição no Fies

O Ministério da Educação (MEC) prorrogou o prazo para que os estudantes pré-selecionados para a segunda edição de 2015 do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) concluam a inscrição na internet, no SisFies. A conclusão da inscrição poderá ser feita até amanhã (25). O prazo inicial tinha se encerrado no domingo (23). Ao acessar o site, o estudante deve clicar na opção Conclua sua inscrição. Após a conclusão no SisFies, o estudante precisa validar as informações na Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento da instituição de ensino em até dez dias, contados a partir do dia seguinte ao da conclusão da inscrição. Por fim, deve comparecer a um agente financeiro do Fies em até dez dias, contados a partir do terceiro dia útil seguinte à data da validação das informações pela Comissão de Supervisão e Acompanhamento. O Fies financia cursos superiores em instituições privadas de ensino superior. Os estudantes têm até três anos depois de formados para quitar o empréstimo. Ao todo, serão ofertadas 61,5 mil vagas. Ao longo do curso, os alunos pagam parte da mensalidade de acordo com a faixa de renda familiar. Todos os beneficiados pelo Fies têm 5% de desconto nas mensalidades dos cursos.

Empregados da Mercedes do ABC Paulista entram em greve

Os metalúrgicos da fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, iniciaram greve por tempo indeterminado em protesto contra demissões. A decisão foi tomada em assembleia, no início da manhã de hoje (24), depois que alguns empregados receberam telegramas comunicando que estavam dispensados. Na semana passada, fracassou uma tentativa de acordo em torno do Programa de Proteção ao Emprego, que prevê redução de salários com redução da jornada de trabalho. Os trabalhadores resolveram aderir ao programa, mas a situação atingiu um impasse. A empresa alegou que a alternativa não seria suficiente para contornar os problemas de ociosidade que levaram a um excedente de 2 mil trabalhadores, em função do desaquecimento do mercado interno. Segundo a montadora, as vendas de caminhões caíram quase à metade no acumulado do ano, em 45%, e a de ônibus em torno de 30% em relação a igual período do ano passado. Além disso, alega que “não existe nenhuma previsão de recuperação no próximo ano”. A Mercedes explicou que até o momento tem procurado assumir os custos com o pessoal excedente, exemplificando que por mais de um ano e meio recorreu ao sistema lay-off. Por esse sistema, o empregado fica afastado recebendo os salários, que são pagos meio a meio pela empresa e o governo, federal com os repasses do Fundo de Amparo ao Trabalhador. No entanto, para continuar a manter a estabilidade no emprego, a montadora propôs a reposição parcial da inflação no próximo ano, entre outras medidas. A proposta foi rejeitada pela categoria. A empresa anunciou que vai efetuar cortes de mão de obra a partir do dia 1º de setembro. O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, disse que a paralisação “será um processo forte de luta e mobilização, até que a empresa revogue a decisão e todos os companheiros voltem a trabalhar”, conforme nota divulgada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Planos para 2016

Roseana: prefeitura de São Luís nos planos
Roseana: prefeitura de São Luís nos planos
Roseana Sarney negocia uma candidatura à prefeitura de São Luís em 2016, mas enfrenta resistência no próprio PMDB. Pesquisas internas apontaram Roseana mal, bem mal nas intenções de voto. Por Lauro Jardim

Presidente da BR Distribuidora foi cinco vezes até o gabinete do senador Fernando Collor de Melo


O presidente da BR Distribuidora, José Lima Neto, esteve ao menos cinco vezes no gabinete do senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL) no Senado Federal desde que assumiu o cargo no final de 2009. Os encontros foram a pedido de Collor - denunciado na última semana pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por envolvimento em esquema de corrupção envolvendo a subsidiária da Petrobras. O ex-presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, disse que repassou a Collor 20 milhões de reais para conseguir obras de infraestrutura na BR licitadas na gestão de Lima Neto. O presidente da BR conheceu Collor quando era secretário de Petróleo e Gás, nomeado pelo então ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Antes disso, comandou a Petroquisa, subsidiária da Petrobras subordinada a diretoria de Paulo Roberto Costa. Collor e Paulo Roberto são alvos da Lava Jato. A pessoas próximas, Lima Neto diz que chegou na BR pelas mãos do seu antecessor, o ex-presidente do PT e da Petrobras, José Eduardo Dutra, e nega ter recebido apoio político de Collor e Lobão. Lima Neto não é citado nas investigações da Lava Jato, mas já disse a interlocutores que o fato de ter presidido a empresa quando ocorreram as ilegalidades nas licitações o enfraqueceram. O governo contratou um headhunter para buscar um nome no mercado para substituí-lo. Oficialmente, a justificativa é que a empresa está abrindo 35% do seu capital e necessita de um nome forte. No mês passado, toda diretoria foi substituída e apenas ele foi mantido no cargo. Entre os que já deixaram a empresa no rastro da Lava Jato estão dois nomes apadrinhados por Collor: o ex-diretor de Operações e Logísticas, José Zonis, e o ex-diretor de Rede de Postos, Luiz Sanches. Relatório de auditoria sobre as licitações sucessivas vencidas pela UTC tocadas pela diretoria de Zonis indica que ele teve dois encontros com Ricardo Pessoa em datas consideradas chaves para o certame. Uma das reuniões, na sede da BR, no Rio de Janeiro, ocorreu em 5 de agosto de 2010, mesmo dia em que houve o lançamento do convite para as obras do Basul. À comissão de auditoria, Zonis disse que não se recordava que assunto trataram. Zonis também já recebeu Collor na BR. A subsidiária da Petrobras decidiu estabelecer a partir de agora novas regras para o recebimento de visitas pelos diretores. O assunto tratado será registrado e a conversa terá que ser acompanhada. Sobre as reuniões do presidente da BR com o senador Fernando Collor, a empresa informou que "as obras realizadas pela UTC para a Petrobras Distribuidora não foram tratadas em nenhuma reunião entre Lima e qualquer político, incluindo o senador Collor" e que ele, eventualmente, "recebe e visita parlamentares, governadores, prefeitos e representantes de entidades da sociedade civil".

Governo da petista Dilma anuncia eliminação de dez ministérios, é uma jogada de marketing


Oito meses depois de assumir seu segundo mandato, a presidente petista Dilma Rousseff resolveu admitir aquilo que sempre foi óbvio e era necessário há anos: o Brasil não tem necessidade de ter um dos maiores ministérios do planeta, com pastas pouco produtivas, que apenas aumentam os gastos de custeio da inchada máquina pública. Pressionado a tomar parte no aperto fiscal, o Palácio do Planalto anunciou nesta segunda-feira a intenção de cortar dez pastas. É pouco, muito pouco, deveria ter cortado no mínimo 20 dos atuais ministérios. Porém, como não informou quais órgãos da administração direta deixarão de existir, é impossível avaliar hoje qual será o impacto da medida no Orçamento da União - e não será surpresa se a redução de cargos resultar em uma medida muito mais política do que efetiva para a saúde financeira. Ou seja, pura marquetagem para encobrir o tamanho da crise que envolve a economia no Brasil. Em entrevista no Palácio do Planalto, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que, com menos ministérios, será possível também reduzir o número de cargos comissionados - hoje, são mais de 20.000 - e de secretarias que integram a estrutura. Barbosa disse que o processo de desidratação vai acontecer até setembro. O objetivo da ação, de acordo com o ministro, é melhorar a "gestão pública". Isto é uma balela total. Atualmente, a presidente Dilma Rousseff tem no primeiro escalão do governo 39 cargos com status de ministro - o vice-presidente da República, Michel Temer, acumula a função de articulador político do Palácio do Planalto. A medida anunciada hoje é mais uma guinada na contramão do que a candidata Dilma Rousseff pregou na campanha eleitoral, quando passou meses defendendo sua estrutura ministerial. Recentemente, em entrevista ao Programa do Jô, Dilma havia sinalizado a intenção de ter um primeiro escalão mais enxuto. "Cada ministro tem um papel. Criticam muito porque nós temos muitos ministérios. Acho que teremos de ter menos ministérios no futuro", reconheceu, ao ser questionada se sabia de cor o nome de todos os ministros do governo. A redução de pastas é também uma cobrança pública dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um gesto do governo num contexto em que tenta aprovar uma série de propostas impopulares no Congresso, que aumentam impostos e restringem o acesso a benefícios. Os brasileiros não podem se deixar enganar por esta cortina de fumaça do governo da petista Dilma Rousseff. Barbosa falou a jornalistas ao lado do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, depois da reunião semanal de coordenação política com a presidente. O encontro se deu em meio a especulações sobre o desembarque do vice-presidente Michel Temer do posto de articulador político do governo. "O objetivo da reforma administrativa é o aumento da produtividade no setor público", afirmou Barbosa. O ministro afirmou que o governo vai avaliar com todos os órgãos envolvidos quais ações serão tomadas. Participaram da reunião desta segunda-feira também o vice-presidente e os ministros da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva; da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha; da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, e das Comunicações, Ricardo Berzoini.

Janot tem de aceitar a delação de Cerveró

Nestor Cerveró já entregou Lula à Lava Jato, associando-o à propina do navio-sonda Vitória 10000. Agora ele promete ir além - vai falar sobre a propina de Pasadena. Diz a Época: "Um dos principais trunfos de Nestor Cerveró para fechar delação premiada é detalhar como o dinheiro desviado da compra da controversa refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, irrigou campanhas petistas em 2006". O Antagonista se informou sobre o assunto e descobriu que o caso não está mais em Curitiba - foi transferido para Brasília. Trata-se do Fiat Elba de 792 milhões de dólares de Dilma Rousseff. Rodrigo Janot pode aceitar a delação de Nestor Cerveró - e destruir o PT - ou engavetá-la - e destruir o País. A pressão, agora, tem de ser essa. Aceite a delação de Cerveró, Janot. 


Pasadena e o crepúsculo petista

Pela bola sete

Sem saída
Renegociações difíceis com a Petrobras
A encrencada Sete Brasil está por um fio. A Petrobras e a empresa estão renegociando contratos firmados, mas não se entendem e a Sete está prestes a ir para o buraco. Sua dívida com os bancos credores (Banco do Brasil, CEF, Bradesco, Itaú e Santander) é de 4 bilhões de dólares. Por Lauro Jardim

Tempo nublado

jato
Vendedores brasileiros buscam a Flórida
Antes reluzente, o mercado de compra e venda de jatos executivos, como era de se esperar, travou nesta crise. O resultado é que está cheio de jatos de brasileiros para vender nos hangares. Não do Brasil, porque os compradores por aqui andam escassos. Mas na Flórida. Por Lauro Jardim

Sarney com pitadas de Collor

dilma sarney
Dilma: crise política semelhante à do governo Sarney
Muito se fala que que o segundo mandato de Dilma Rousseff caminha rumo à sarneyzação – ou seja, repetirá os anos de crise que o país viveu entre o fracasso do Plano Cruzado até o final do governo Sarney. É pouco. A comparação fica mais justa se juntar as crises política e econômica do períodoSarney com a queda violenta do PIB no primeiro ano de Collor no poder – um tombo de 4,35% em relação ao ano anterior. Pelo andar da carruagem, a queda do PIB do Brasil em 2015 deve roçar os 3%. O pior resultado desde Collor. Aliás, no sexta-feira, foi divulgado pelo IBGE o dado de queda de 157 000 empregos formais em julho. É é mais uma prova da relação entre os dois governos no desastre econômico.. Foi o pior julho neste quesito desde 1992, quando o Brasil era governado por Collor. A propósito, tanto um quanto o outro são apoiadores de Dilma. Por Lauro Jardim

Nunca houve um BNDES tão estatal

Estatal, muito estatal
Estatal, muito estatal
Hoje, o BNDES publica o seu balanço semestral nos jornais e um ex-conselheiro do banco assustou-se ao ler os nomes dos integrantes do Conselho de Administração do banco. Lá, se encontram cinco ministros (Joaquim Levy, Nelson Barbosa, Aldo Rebelo, Mauro Vieira e José Eduardo Cardozo), um presidente da CUT, Vagner de Freitas (sim, ele mesmo, o das armas…), dois secretários-executivos de ministérios, representantes dos empregados e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Por que o espanto? Não há ninguém da iniciativa privada. Algo inédito, ao menos nas últimas quatro décadas. Por Lauro Jardim

A CPI dos fundos de pensão e os pequenos

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Pequenos fundos de pensão na mira da CPI
Os administradores dos fundos de pensão de segunda linha serão convocados para depor na CPI dos Fundos de Pensão. Quem conhece a alma dos malfeitos dos fundos de pensão sabe que ali, nos pequenos, é só questão de procurar. Por Lauro Jardim

Rodrigo Janot e os líderes do Senado

Janot não vai a Color
Janot não vai a Color
É de praxe que os candidatos a cargos que precisem do aval do Senado visitem ao menos os senadores em cargo de liderança. A pergunta é: será que Rodrigo Janot vai visitar esta semana o líder do bloco União e Força (PTB, PR, PSC e PRB), Fernando Collor? Não, não vai. Por Lauro Jardim

Juiz investigado por desaparecer com processo em que ele próprio era investigado

Dias da Silva: investigado
Dias da Silva: investigado
O Tribunal de Justiça do Piauí vive um caso inusitado: a corregedoria teve que abrir um procedimento para investigar se um juiz está por trás do desaparecimento de um processo em que ele próprio é investigado. José Ramos Dias da Silva, investigado em quatro procedimentos por diferentes desvios de conduta, é suspeito agora de ter arquitetado o sumiço de um dos processos contra ele. Por Lauro Jardim

Após queda histórica do índice Dow Jones, pânico diminui no mercado


As perdas das bolsas de Nova York foram reduzidas no fim da manhã, depois de o índice Dow Jones registrar a maior queda diária em pontos de sua história no início do pregão desta segunda-feira, de 1.089 pontos. No começo da tarde o declínio do índice era de cerca de 450 pontos e refletia a redução do pânico também em outros mercados financeiros internacionais. Temores de que a economia da China esteja se desacelerando dramaticamente provocaram uma forte onda de vendas de ações ao redor do mundo nos últimos dias, o que se intensificou hoje. Na China, o índice Xangai recuou 8,5% e apagou os ganhos do ano até agora. Aqui no Brasil, a bolsa brasileira chegou a despencar quase 6% no início do pregão, no menor nível desde abril de 2009. No entanto, por volta das 13h, a queda era de cerca de 2,40%. Antes da abertura do mercado em Nova York, os futuros do Dow Jones, do Nasdaq e do S&P 500 chegaram a cair cerca de 5%. O NYSE Group, operador da Bolsa de Nova York, invocou a raramente usada "regra 48", que relaxa algumas regras de operação na tentativa de garantir uma abertura suave dos negócios. A regra é usada quando as operações antes da abertura da sessão regular estão especialmente voláteis. Na abertura desta segunda-feira, algumas ações individuais e produtos negociáveis em bolsa também dispararam circuit breakers, o que ocorre quando o preço cai 10% ou mais em um intervalo de cinco minutos. "Quando uma grande liquidação acontece, gera mentalidade de manada", comentou Ryan Larson, diretor de operações com ações nos EUA do RBC Global Asset Management. "Mas assim que esse comportamento de manada se dissipa, pode haver boas oportunidades de compra", acrescentou. Como a queda do Dow Jones diminuiu pela metade desde a abertura, Larson observa que os investidores parecem ter começado a perceber que a queda inicial pode ter sido uma reação exagerada. No começo do dia operadores disseram que, conforme as ações atingiam as mínimas, muitos investidores estavam entrando para comprar papéis a preços baixos.

José Dirceu ainda é advogado?

A OAB-SP se reúne hoje para decidir se cassa o registro do ex-ministro José Dirceu, acusado por um colega de não ter idoneidade moral para exercer a advocacia depois de ter sido condenado no Mensalão. Até hoje José Dirceu só exerceu um tipo de advocacia: a administrativa, crime previsto no artigo 321 do Código Penal. É um esculacho que ele continue a ostentar sua carteirinha da Ordem. Para José Dirceu perder sua prerrogativa de advogado será necessário o voto de dois terços dos 80 conselheiros titulares. O Antagonista quer crer que a totalidade dos advogados votará a favor da perda do registro. Caso contrário, a OAB-SP é que terá sua idoneidade moral questionada.

Dívida pública continua subindo sem parar, agora subiu 0,78%, e já está em R$ 2,60 trilhões


O estoque da dívida pública federal (DPF), que inclui a dívida interna e externa, registrou aumento de 0,78% em julho, atingindo 2,60 trilhões de reais. Em junho, o estoque estava em 2,58 trilhões de reais. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional. Em julho, foram emitidos 51,24 bilhões de reais em papéis da dívida federal, e foram pagos 71,06 bilhões de reais. Com isso, o resgate líquido somou 19,82 bilhões de reais. Em contrapartida, as despesas com juros totalizaram 40 bilhões de reais. Ou seja, o aumento da DPF no mês passado está relacionado à correção dos juros sobre o endividamento do País. Segundo o Tesouro Nacional, a dívida pública pode chegar ao patamar de 2,6 trilhões de reais no fim deste ano, o que corresponde a 305 bilhões de reais a mais do que no ano passado. A participação dos investidores estrangeiros no estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) caiu de 20,04% em junho para 19,56% em julho, somando 484,07 bilhões de reais. Em junho, o estoque nas mãos de estrangeiros estava em R$ 493,55 bilhões.

Bolsas do mundo inteiro desabam na Segunda-feira Negra que começou na China



Preocupações com o desaquecimento da economia chinesa provocaram a derrubada do mercado global nesta segunda-feira. A bolsa brasileira despencava a quase 6% no início do pregão, atingindo os menores patamares desde abril de 2009. Por volta das 11 horas, o Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores de São Paulo, apresentava perdas de 4,52%, a 43.860 pontos. Reflexo do temor dos investidores com o futuro da segunda maior economia do globo, a queda foi generalizada em quase todas as bolsas do mundo. Nos Estados Unidos, por volta das 11 horas, a Nasdaq caía a 4,8%. Na Alemanha, o índice Dax recuava a 4,91%; e na Inglaterra, o FSTE 100, cedia a 4,82%. Já o francês Cac 40 recuava 5,91%; o espanhol Ibex 35, 5,21%; e o italiano FTSE MIB, 5,57%. O pânico dos agentes econômicos acontece após a bolsa chinesa despencar a 8,5%, o pior resultado desde 2007, no que já está sendo chamado pelos analistas econômicos de "Segunda-feira Negra". "Todos os dados de atividade da economia chinesa apontam para uma desaceleração maior do que vem indicando o PIB oficial. E essa é a grande questão de fundo por trás dessa deterioração do mercado acionário", avaliou o analista Marco Aurelio Barbosa, da CM Capital Markets. "O que vem ocorrendo é que as medidas de socorro à bolsa (chinesa) vêm afastando os poupadores e atraindo mais especulação. Há uma sensação de que o governo chinês está perdendo o controle da situação", completou.

Procurador geral Rodrigo Janot denunciou Eduardo Cunha sem a Polícia Federal ter concluído seu inquérito

É absolutamente certo que a denúncia de Rodrigo Janot contra o deputado federal Eduardo Cunha ocorreu sem que a Polícia Federal tivesse concluído seu inquérito sobre ele. Caso a PEC37 já tivesse passado pelo Congresso, teria sido impossível que a Procuradoria Geral da Repúblico tivesse se atrevido a tanto. Denunciar sem conclusão de inquérito em andamento na Polícia Federal, de qualquer modo, é algo completamente atípico. Leia o despacho do ministro Teori Zavascki sobre o inquérito 3.983, Distrito Federal, tendo por autor o Ministério Público Federal e como investigado o deputado federal Eduardo Cunha: 
"Despacho - defiro a ´prorrogação de prazo para conclusão das diligências restantes solicitadas pela autoridade policial (petição 31748/;2015) e ratificada pelo Procurador Geral da República (petição 32802/2015), até 31.08.2015, a teor do art. 230-C, caput, e parágrafo 1o, do RISTF. 29 de junho.
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hyyp\://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4727441"

TCU aponta que a Petrobras pagava o dobro por suas obras e serviços

Superfaturamentos sistêmicos podem chegar à metade daquilo que a Petrobras, a maior empresa do País, gastava com suas bilionárias obras e aquisições. O TCU não diz, mas é impossível que os presidentes da estatal, Sérgio Gabrielli e depois Graça Foster, até mesmo Lula e Dilma, sobretudo Dilma, que foi presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, não soubessem de nada. Os primeiros indícios de investigações inéditas em andamento para analisar mais de R$ 30 bilhões em contratos da estatal nos últimos anos com as empresas envolvidas na Operação Lava Jato estão em curso. A primeira mostra dos absurdos valores que a estatal pagava a essas empresas causou choque entre ministros e auditores do Tribunal de Contas da União. O normal era desembolsar mais que o dobro do que custava. Em alguns casos, chegou a pagar 13.834% a mais. A análise foi feita em parte de um contrato de R$ 3,8 bilhões da estatal com um consórcio formado pelas empresas Camargo Corrêa e Cnec para a construção de uma das plantas da refinaria Abreu e Lima (PE). Quando fazia auditorias para apontar os preços elevados da Petrobras — o que vem ocorrendo desde 2007 — o TCU usava como parâmetro preços de referência do mercado. No caso dessa obra, o TCU já havia apontado indícios de preços elevados e sugeriu ao Congresso Nacional suspender a obra em 2010. O então presidente Lula vetou a medida e a obra seguiu. Em obras muito específicas, vários itens do contrato não têm preços de referência. Com a Lava Jato, o juiz Sérgio Moro permitiu que o tribunal tivesse acesso às notas fiscais do consórcio. Para esses itens onde não há referência, o TCU comparou o que a Petrobras pagou com o valor da nota fiscal do consórcio. É aí que as distorções são gigantescas. Uma tubulação pela qual a Petrobras pagou R$ 24,3 mil foi comprada por R$ 4,3 mil. Em 190 itens analisados, 185 tinham preços de nota inferiores ao que a Petrobras pagava. Auditores desconfiam que o cartel que atuava na empresa sabia que o tribunal não tinha como comparar os preços desses itens. Nos artigos em que era possível comparar preços, os custos reais da empresa são 6% inferiores às tabelas de preço. Nos que não se podia comparar, a média chegou a 114% a mais. Em alguns casos, contudo, as distorções apontam para indícios de crime. Ao licitar a obra, em 2010, a Petrobras aceitou pagar por um Compressor a Diesel (250 PCM) R$ 9.684,00 mensais. As notas do consórcio, contudo, apontam despesas de apenas R$ 70,00 por mês nesse equipamento. A diferença é tanta que levantou suspeitas de que esse pagamento era apenas uma forma de lavar dinheiro. A Petrobras informou que não comentará esta decisão do Tribunal de Contas da União. O consórcio das empresas Camargo Correia e Cnec informou que o contrato "foi firmado pela modalidade de contratação 'empreitada por preço global' e não 'empreitada por preço unitário'. Dessa forma, a análise deve considerar o preço global dos serviços e fornecimentos prestados e não itens isolados". O consórcio informa que ainda não tem conhecimento de todos os dados e não pode se manifestar no processo do TCU para "apresentar os esclarecimentos necessários" e que vai colaborar para o esclarecimento dos fatos. Ainda segundo a nota, a obra foi auditada durante seu andamento pela Petrobras e pelo TCU. "É fundamental considerar nesta análise o atraso no fornecimento de projetos finais e alterações de escopo, ambos de responsabilidade da contratante e que impactaram preços e prazos". Por enquanto, os auditores do TCU só conseguiram comparar preços de pouco mais de 35% do que a Petrobras pagou nesse contrato, cerca de R$ 1,5 bilhão. E já abriram processo para cobrar desvios de R$ 673 milhões.

Eliseu Padilha tem encontro com Dilma para discutir a saída de Michel Temer da coordenação política

O ministro Eliseu Padilha esteve esta manhã com a presidente Dilma Roussef, sem revelar os assuntos que foi tratar. As relações entre o PMDB e o governo Dilma deterioraram-se formidavelmente nas últimas horas. O vice Michel Temer já avisou que largará a articulação política que fazia para o governo, o que significa que Eliseu Padilha fará o mesmo, já que ele vem operando de fato a articulação. O governo já colocou o petista gaúcho Gilles Azevedo em campo. Ele começou a articulação na semana passada.

Crédito escasso atinge agronegócio e ameaça competitividade do campo

O aperto no crédito chegou ao agronegócio. A menos de um mês do início do plantio da nova safra, produtores de soja se queixam de dificuldades para obter empréstimos para custear a produção. Morosidade na análise de crédito, aumento das exigências dos bancos, alta nos juros – com um “mix” entre recursos subsidiados e crédito livre com taxas elevadas – e até venda casada são relatadas por agricultores. As dificuldades provocaram atraso na compra de insumos necessários para o início do plantio, como sementes e fertilizantes, e aumentaram os custos de produção. Se o problema persistir, poderá interromper os sucessivos ganhos de produtividade do setor nos últimos anos. A situação é pior em regiões onde há mais produtores com dívidas pendentes, como no Rio Grande do Sul, Bahia e Goiás. Mas, segundo o presidente da Aprosoja Brasil (Associação dos Produtores de Soja), Almir Daspasquale, o aperto é generalizado. “O dinheiro vem vindo a conta-gotas para todas as agências do Brasil”, diz. O problema teve origem no primeiro semestre, quando os produtores começam a se preparar para o plantio da safra seguinte. Nessa fase, eles buscam recursos nas linhas de pré-custeio, voltadas à compra de insumos. Foi quando secou o dinheiro das contas-correntes e da poupança que, no caso do Banco do Brasil, vai para o financiamento do agronegócio. O banco estatal destina 73% da chamada poupança rural (90% do total da caderneta) para o crédito agrícola com juros subsidiados de 8,75% ao ano. Nas demais instituições financeiras, 65% da poupança vai para o crédito imobiliário, que neste ano também teve restrição de recursos especialmente na Caixa. Além da poupança rural, o agronegócio conta com o direcionamento de 34% dos depósitos à vista (conta-corrente) de todos os bancos. Com a alta dos juros, tanto a poupança como as contas-correntes perderam depósitos para outras aplicações. Para reverter a situação, Caixa e BB fizeram campanhas para estimular os depósitos. Por Reinaldo Azevedo

Eita! Agora os gênios da raça querem desestabilizar Levy. Ou: O lobo muda de pelo, mas não de vício

Quando faltam competência, clareza, eixo, propósito, objetividade e, sobretudo, dinheiro, é preciso que se arrume um bode expiatório. Segundo se depreende de texto de Natuza Nery, na Folha desta segunda, não são apenas as alas mais à esquerda do PT que têm o ministro Joaquim Levy (Fazenda) como alvo. Agora, setores palacianos e do próprio PMDB começam a atribuir ao ministro as dificuldades por que passa o governo. Parece piada, mas é assim. E não que o ministro seja, vamos dizer, aquele portento que parecia ser quando entrou com a fama de “Levy Mãos de Tesoura”. Perdeu embates essenciais. Vejam o caso do superávit primário, que despencou de 1,1% do PIB para 0,15% — se é que será feito; hoje, existe é déficit primário. Ok. Depois de resistir, ele cedeu à realidade. Mas é evidente que não conseguiu fazer o que pretendia. Na semana passada, o governo deu uma “amantegada” na economia e resolveu conceder empréstimos a juros subsidiados a setores da indústria, uma das políticas que o ministro considera equivocadas. Foi posto de escanteio nesse particular. Por outro lado, caiu sobre as suas costas a reoneração da folha de pagamentos — cuja desoneração ele chamou de “tosca” logo nos primeiros dias à frente da pasta. Agora, a avaliação palaciana — cujos bastidores são, vá lá, regidos por Aloizio Mercadante — é que falta habilidade ao ministro. Recentemente, ele se indispôs com Eliseu Padilha, que responde — notem a bagunça! — pela Secretaria de Aviação, mas também pela distribuição de cargos e verbas. O ministro avisou que não haveria os R$ 500 milhões em emendas parlamentares que Padilha havia negociado com a base. A Folha resolveu ouvir o ministro da Fazenda sobre o atrito, e a resposta foi esta: “Apoio o ministro Padilha. Também estou frustrado. Frustrado porque falta dinheiro, e não temos como produzir mais dinheiro, então é preciso realocar o que existe dentro dos ministérios. Estamos tentando fazer o máximo com o que temos”. A resposta não deixa a menor dúvida sobre a penúria, hoje, dos cofres públicos. E há nela uma ironia delicada, mas clara: a questão não é de gosto, mas de fato. Que coisa! Michel Temer já está com um pé fora da coordenação política. A onda agora é ajudar a desestabilizar Levy. Essa gente não tem cura! O lobo muda de pelo, mas não de vício. Por Reinaldo Azevedo

Acordão, arranjão e outros aumentativos proibidos para decentes dão com os jumentos n’água. O país está em transe, mas também em trânsito!

Deu tudo errado. O acordão costurado na semana retrasada deu com os jumentos n’água. A petezada e seus colunistas amestrados ainda não perceberam que o país está em transe, mas também está em trânsito. Os que vão para as ruas cobrar o cumprimento das leis já não aceitam os golpes de gabinete. Querem um diagnóstico realista? A situação de Dilma nesta segunda é pior do que na segunda passada. Os petistas já apelam à fala serena dos banqueiros contra o impeachment — certamente não é contra essa “burguesia” que Vagner Freitas, o futuro guerrilheiro pançudo, pregou no Palácio do Planalto. Então vamos ver.

TCU
Não! Até agora, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e, por enquanto, poupado por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, não conseguiu virar o placar no Tribunal de Contas da União. Por enquanto, a votação a haver está contra o governo, e a má notícia é que um ministro que iria aprovar as contas decidiu que vai rejeitá-las. Enfrenta pressão até da família e acha que um voto favorável à lambança fiscal não seria uma boa herança para os netos. Prevalece, por ora, a liminar concedida por Roberto Barroso, do STF, que, estranhamente, considerou constitucionais as aprovações, votadas pela Câmara, das contas dos outros presidentes, mas exige que as de Dilma sejam apreciadas em sessão conjunta, do Congresso, de sorte que seria o por-enquanto-governista Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, a comandar a votação, não o oposicionista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Cunha recorreu com um agravo regimental. O plenário do Supremo vai decidir.  
TSE
Gilmar Mendes, ministro do STF e do TSE, mandou Rodrigo Janot — e a Polícia Federal — fazer o que até agora o procurador-geral não fez: investigar o eventual uso, na campanha de Dilma Rousseff, de dinheiro sujo da roubalheira perpetrada na Petrobras. Ricardo Pessoa, dono da UTC, disse ter sido constrangido por Edinho Silva, então tesoureiro da petista e hoje seu ministro, e doar R$ 7,5 milhões para a campanha. Essa apuração nada tem a ver com a petição encaminhada pelo PSDB ao tribunal, acusando a campanha do PT de abuso de poder político e econômico e de receber dinheiro do propinoduto da estatal. A propósito: Luiz Fux, que pediu vista, suspendendo a votação da admissibilidade do processo, disse que entrega seu voto nesta semana. O placar estava 2 a 1, com um terceiro já certo, em favor da abertura da investigação. Bastam quatro votos.
PGR
A resistência de Rodrigo Janot em enviar ao Supremo ao menos um pedido de inquérito para investigar as atuações de Dilma e de Edinho Silva já causa estranheza que se estende bem além do círculo de aliados de Eduardo Cunha. Ninguém entendeu o que explicação não tem: ainda que Cunha e o senador Fernando Collor (PTB-AL) venham a ser condenados, não faz sentido que tenham sido os primeiros denunciados num escândalos que tem o PT como epicentro. Também não escapou a ninguém que a dupla se opôs, e pouco importa se por maus motivos, publicamente ao procurador-geral. Informação adicional: entre procuradores, cresce o desconforto com a demora em oferecer a denúncia, que consideram forçosa, contra Renan, que começou a ser investigado, note-se, antes de Cunha. Não causa menos espécie a resistência em deixar claro que, definitivamente, nada há contra o senador tucano Antônio Anatasia (MG). Que se diga: a inclusão de seu nome da lista de investigados já foi uma notável aberração. Não porque ele seja tucano, mas porque, contra ele, não havia nem mesmo indício consistente. Quando alguém lembra que o senador tucano foi investigado, mas não o petista Edinho Silva, fica muito difícil justificar uma coisa e outra e uma coisa em face da outra.
Sem exército
Embora os petistas tenham cantado vitória, a manifestação de quinta-feira evidenciou a pindaíba do campo governista. Não havia povo na rua, e os companheiros sabem disso. Não fosse a forte mobilização dos aparelhos, vestindo a máscara de “movimentos sociais”, os protestos a favor do governo teriam sido um insucesso retumbante. Para piorar, parte considerável dos que foram às ruas atacou de modo determinado aquela que é a pauta do próprio governo. Ou, na fala de um governista que ainda conserva alguma lucidez: “No dia 16, Joaquim Levy quase nem foi lembrado pelos que pediam o impeachment de Dilma. Quando o criticaram, foi por causa da elevação de impostos. Na nossa marcha, ele acabou sendo um dos alvos principais. Aí fica difícil…”. É claro que fica! E tanto pior se torna porque os indicadores econômicos apontam para uma piora da recessão. Recente “Carta à Nação” de entidades influentes como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNT (Confederação Nacional do Transporte) e CNS (Confederação Nacional da Saúde) caiu no vazio. O texto prega certa união da nação em torno de, bem, em torno de nada… Era só uma chamamento contra o egoísmo, como se o País estivesse no divã, encalacrado entre “ser” e “não ser”. Nada disso! Pede-se o fim da roubalheira e um governo livre da força que a transformou numa categoria política e de pensamento. Acordão uma ova! A negociação terá de se dar com os milhões que foram e vão às ruas e com os dois terços que hoje querem o impeachment. Os regabofes de Brasília não vão silenciar o país. Por Reinaldo Azevedo

A campanha de ódio contra os que pedem “Fora Dilma”. O caso do/da cartunista Laerte. Ou: A última da baranga moral!

Vejam esta charge.

Laerte - PMs - Fora Dilma
O cartunista Laerte Coutinho, como expressão política, é um farsante. E nem me refiro ao fato de ele ter decidido parar de se vestir de homem para ser baranga na vida. Fosse uma sílfide, sua ética não seria melhor. Não é a mulher horrenda que há nele que o faz detestável, mas o que há de estúpido. E aí, meus caros, pouco importa como ele use os instrumentos com os quais o dotou a natureza.
Em 2012, esse farsante, que então se dizia bissexual e declarava ter uma namorada, foi flagrado usando o banheiro feminino de um restaurante. Estava, como se diz, montado. Uma mulher, segundo os dotes da natureza, sentiu-se incomodada. Especialmente porque estava no recinto com a sua filha, uma criança. Indagado se não era justo o incômodo já que, afinal, ele se dizia também atraído por mulheres, deu a seguinte resposta: “Não importa. Como é que elas se sentiriam com uma lésbica dentro do banheiro?”.
Depende. A resposta parece esperta, mas é típica de um argumentador picareta. Em primeiro lugar, Laerte é homem, não lésbica. Em segundo lugar, ainda que alguns traços estereotipados (mas nem sempre) possam indicar o lesbianismo, uma hétero só poderia reclamar da presença de uma lésbica se fosse alvo de algum assédio. Em terceiro lugar, o exibicionismo certamente doentio de Laerte faz dele o mais famoso homem que se veste de mulher do País.
Na sua insaciável compulsão por mandar a lógica às favas — ele pensa mal não importa como esteja travestido —, afirmou ainda: “Eu sou uma pessoa transgênera e quero usar o banheiro feminino”. Laerte acredita que o fato de ele “querer” alguma coisa transforma essa coisa num direito. Mais: salvo demonstração em contrário, o banheiro feminino é reservado às mulheres, e a menos, então, que sejam consultadas, essa maioria não poderia ser submetida aos desejos da minoria “transgênera” — na hipótese, não comprovada, de que ele representasse a dita-cuja, o que também é falso.
Ocorre que esta falsa senhora transita num meio em que o único preconceito aceitável é não ter preconceitos, como se as escolhas que fazemos ao longo dos dias, das semanas, dos meses, dos anos e da vida não comportassem uma carga de saberes prévios e necessários à organização em sociedade. Mas nem vou me ater agora a esse aspecto. Registro apenas que um esquerdista como Laerte, a despeito de sua ignorância política amplamente demonstrada em suas charges (as que fazem sentido ao menos…), é uma figura icônica desses tempos em que tudo pode desde que seja visto como transgressão — ainda que não se saiba por que transgredir e com que finalidade. Em suma: o sujeito é esquerdista, gay, “transgênera” (seja lá o que isso signifique) e sempre tem, como disse Mencken, respostas simples e erradas para problemas complexos.
Na terça, dia 18, a Folha publicou a charge de Laerte que abre este post.
Para o homem-mulher que pretende usar o banheiro feminino porque se diz “transgênera” e que acusará o “preconceito” de qualquer um que ouse obstar os seus balangandãs entre vaginas, a sua generalização é insuportavelmente preconceituosa. Pior ainda: desta feita, é a minoria que está no poder — e Laerte pertence inequivocamente ao terreno dos que governam o país há 13 anos — ironizando a maioria que não está. Associar as pessoas que pedem “Fora Dilma” a supostos policiais que praticam chacinas é duplamente doloso:
1 – porque atribui a milhões de pessoas que vão às ruas comportamento e escolhas criminosas;
2 – porque associa a Polícia Militar, como instituição, ao crime.
Vera Guimarães Martins, ombudsman da Folha — entre os melhores textos que já passaram pela função, diga-se —, escreveu a respeito neste domingo. Laerte se pronunciou, defendeu sua charge estúpida e produziu esta pérola:
“Muitos manifestantes tiraram selfies ao lado de PMs e as reproduziram fartamente nas redes sociais, transformando esse gesto num ícone de todas as marchas até agora. Essas pessoas não estavam confraternizando com soldados específicos – estavam demonstrando apoio a uma corporação que vem sendo apontada como uma das mais envolvidas em mortes de pessoas, no País (segundo esta Folha, no primeiro semestre, foram 358 mortes “em confronto”). Os recentes assassinatos apontam, segundo as investigações, para ação motivada por vingança, por parte de policiais. O que busquei foi juntar as pontas desses fatos sociais e estimular a reflexão".
É asqueroso. Pessoas fazem, sim, selfies com policiais que estão sem máscara, de cara limpa, acompanhando pacificamente uma manifestação política de… pacíficos! De fato, demonstram seu apoio à instituição que responde pela segurança pública, não a eventuais assassinos que se acoitam na corporação. Afirmar — e notem que é isso que ele faz — que esses manifestantes estariam apoiando esquadrões da morte é delinquência intelectual. Mais: as investigações estão sendo conduzidas, entre outros entes, pela própria Polícia Militar.
Há mais burrices na fala da baranga moral: há mais de 50 mil assassinatos por ano no Brasil, e a Polícia Militar não está entre as que mais matam. É mentira! No caso, as mortes aconteceram em São Paulo, estado que tem hoje a menor taxa de homicídios do País.
A figura travestida de pensador ainda ousa: “Toda redução será, em algum grau, injusta”. É verdade. Mas Laerte não produziu só a “redução” inevitável de uma charge. A “trangênera” que participou de um evento no Instituto Lula no dia 16 de agosto, enquanto mais de 600 mil pessoas pediam o impeachment de Dilma, as associou a todas ao crime, à violência e a execuções sumárias. No mesmo dia, naquele instituto, os “companheiros” faziam a defesa de petistas presos, flagrados com a boca da botija.
O homem que se finge de mulher associa manifestantes pacíficos a criminosos para que possa participar de um ato que, fingindo-se de pacífico, defende criminosos. Laerte é uma fraude de gênero. Laerte é uma fraude lógica. Laerte é uma fraude moral.
Mas que se note: ele não está só. Multiplicam-se os textos no colunismo que tentam associar os que pedem o impeachment de Dilma, ancorados na lei, à defesa da violência e da truculência, embora essas pessoas tenham promovido as três maiores manifestações políticas do país sem um único incidente. A pauta de uma minoria, que pede intervenção militar, é usada como exemplo do suposto perfil antidemocrático de quem sai às ruas. Não obstante, até agora, só duas lideranças com alguma projeção acenaram com confronto armado foram Vagner Freitas, presidente da CUT, e Guilherme Boulos, chefão do MTST. O assunto sumiu da imprensa.
Para encerrar
Quanto à tal “redução” que “será, em algum grau, injusta”, como ele disse, dizer o quê? Abaixo, seguem algumas “reduções” sobre os judeus que eram publicados na imprensa alemã durante o nazismo ou que ilustravam livros escolares. A gente viu em que deu aquela “redução“: seis milhões de mortos. Vejam. Volto depois.
Ali está escrito: "Não confie numa raposa em campo verde nem no juramento de um judeu"
Ali está escrito: “Não confie numa raposa em campo verde nem no juramento de um judeu”
Crianças judias, mais feias do que as arianas, passam em frente a uma escola de alemães. Fazem careta e hostilizam os infantes arianos. Um garoto judeu puxa a trança da alemãzinha...
Crianças judias, mais feias do que as arianas, passam em frente a uma escola de alemães. Fazem careta e hostilizam os alegres infantes. Um garoto judeu puxa a trança da alemãzinha…
Uma criança alemã explica como é o nariz de um judeu, que se parece com um "6", a pior nota que se podia tirar na Alemanha, o equivalente ao nosso "zero"
Uma criança alemã explica como é o nariz de um judeu, que se parece com um “6″, a pior nota que se podia tirar na Alemanha, o equivalente ao nosso “zero”
Laerte já viveu segundo o que é — um homem — e agora decidiu viver segundo o que não é: uma mulher. Sugiro que tente experimentar o gênero humano… Quem sabe!
Não é o que parece. A aberração aqui é de natureza intelectual
Laerte vestido de Laerte. A aberração aqui não é óbvia: é intelectual
Por Reinaldo Azevedo