sábado, 22 de agosto de 2015

Queda nos preços das commodities reduz as exportações do Brasil em US$ 25 bilhões


A queda livre dos preços das commodities agropecuárias, metálicas e minerais exportadas pelo Brasil afeta fortemente a balança comercial brasileira, que só registra superávit em 2015 porque as importações estão caindo mais do que as vendas externas, reflexo do desaquecimento da economia. Estimativa da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior mostra que, somente por causa do declínio das cotações de três categorias de produtos cotados em bolsas internacionais — complexo de soja; minério de ferro; e petróleo e derivados — o País deixará de ganhar cerca de US$ 25 bilhões com exportações em 2015. "Se os preços dessas commodities estivessem no mesmo patamar do ano passado, com a expansão do volume vendido no exterior, as exportações poderiam crescer US$ 25 bilhões nessas três categorias de produtos. Se levássemos em conta todas as commodities, a soma seria bem maior", disse o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho. Segundo Godinho, esses três itens responderam por 78,8% da queda de US$ 20,7 bilhões no valor absoluto das exportações, nos sete primeiros meses de 2015, ante janeiro a julho de 2014. Enquanto a quantidade exportada aumentou 7,2% em relação ao mesmo período de 2014, os preços desses produtos caíram 21%. No caso do minério de ferro, o preço recuou 51% este ano, ficando no menor nível desde fevereiro de 2007. A soja teve redução de 24% no preço e chegou ao seu menor valor desde julho de 2010. Já o preço do petróleo teve queda de 47%, chegando ao menor valor desde junho de 2009. "O aumento da quantidade exportada foi mais do que neutralizado pela queda do preço", afirmou Godinho. Os dados da balança comercial contabilizados nas duas primeiras semanas de agosto pelo Ministério do Desenvolvimento mostram que o preço do petróleo caiu 50,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto o volume exportado do produto subiu 37%. Com isso, a receita da exportação baixou 31,8%%. Em outro exemplo, o preço do etanol caiu 31,3%, mas, neste caso, a redução foi compensada por uma elevação de 86,9% do volume embarcado. Assim, a exportação registrada na balança comercial de álcool aumentou 28,4%. O grupo petróleo e derivados tem uma característica importante: as exportações caíram com os preços desses produtos, mas as importações também diminuíram, o que, neste caso, favorece o Brasil. Esse comportamento é visto claramente na conta-petróleo. O déficit na balança comercial do setor caiu de US$ 9,937 bilhões no período de janeiro a julho de 2014 para US$ 3,8 bilhões no acumulado dos sete primeiros meses deste ano. O economista Fábio Silveira, da GO Associados, projeta uma queda nos preços do petróleo de 40% em 2015, de 20% no caso da soja, e algo em torno de 50% nos valores do minério de ferro. Ele prevê uma desvalorização do real em relação ao dólar em torno de 35% este ano, mas destaca que as alterações no câmbio não têm efeito direto nas vendas de produtos básicos, como commodities. "A desvalorização cambial não tem a propriedade de acentuar a exportação das commodities que, como o próprio nome diz, tem características comuns com produtos de outros países. O importador de soja está comprando do Brasil, mas pode comprar dos Estados Unidos. O preço em dólar será o mesmo. O câmbio ajuda as exportações de manufaturados", afirmou. De janeiro até a segunda semana de agosto deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 6 bilhões, ante déficit de US$ 1,289 bilhão acumulado no mesmo período de 2014. Trata-se de um ajuste, porém, apoiado na retração maior das importações. De forma geral, as consultorias esperam um saldo positivo em torno de US$ 10 bilhões para 2015. 

Programa "Minha Casa Minha Vida" deixa um rastro de obras inacabadas e demissões

As construtoras que dependem das obras do programa de habitação popular "Minha Casa Minha Vida" estão vivendo uma crise que começou no fim do ano passado e ainda não tem data para terminar. Mesmo após um acordo com o governo para esticar o prazo dos pagamentos – que antes era quase imediato – para até 60 dias, as empresas dizem que os repasses não foram regularizados e relatam falta de dinheiro para comprar materiais. O problema é notado em todo o País, mas concentrado no Nordeste, onde a construção civil depende mais de dinheiro público. Com 4 milhões de unidades contratadas e 2,3 milhões entregues desde sua criação, o "Minha Casa Minha Vida" teve impacto positivo no emprego até 2014. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o programa criou 1,2 milhão de vagas. Agora, com obras paradas ou andando devagar por causa dos atrasos, as construtoras que aderiram ao programa estão cortando vagas. O Nordeste concentrou 25% das unidades, segundo dados do Ministério das Cidades. Na região, que tem o maior desemprego do País, a construção lidera os cortes em seis Estados, segundo o Caged. Não há dados sobre o impacto do Minha Casa nos cortes. No Rio Grande do Norte, porém, o sindicato das construtoras, Sinduscon, afirma que um terço das demissões está concentrado no programa. Até 2014, o "Minha Casa Minha Vida" era visto como “porto seguro” à crise da construção. Pesquisa da FGV mostra que, em dezembro, os empresários ligados ao programa tinham confiança de 96 pontos, superior à dos que dependiam do setor privado (86,6). Em junho de 2015, a situação se inverteu: os empresários do "Minha Casa" tinham confiança de 53,5 pontos, contra 58,8 dos privados. “Está claro que tanto os empresários quanto o objetivo social do programa serão afetados”, diz a economista Ana Maria Castelo, da FGV-Ibre. O Sinduscon-SP prevê que o setor como um todo corte 475 mil empregos no País em 2015. Segundo o presidente da entidade, José Romeu Ferraz Neto, esse cálculo considera que os problemas no "Minha Casa" serão resolvidos rapidamente: “Se isso não ocorrer, o número sobe". O Ministério das Cidades admite os atrasos, mas diz que vai regularizar os pagamentos até o próximo dia 31.

Em vídeo, Dilma e Lula reconhecem gravidade da crise e prometem volta do crescimento na propaganda do PT

A presidente petista Dilma Rousseff e seu Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") vão usar a propaganda eleitoral do PT para reconhecer a gravidade da crise econômica e prometer que o País vai voltar a crescer. Os vídeos de 30 segundos serão levados ao ar a partir da noite deste sábado (22) em inserções do partido na televisão. Dilma afirma que "muita coisa precisa melhorar" e depois defende as medidas de seu governo como meio de reaquecer a economia. "Tem muito brasileiro sofrendo, mas juntos vamos sair dessa. Estamos em um ano de travessia. E essa travessia vai levar o Brasil a um lugar melhor. Estamos atualizando as bases da economia e vamos voltar a crescer com todo o nosso potencial", diz ela, na aparição. 


O vídeo protagonizado por Lula X9 tem o teor idêntico –"situação não está fácil" e o Brasil vai superar "mais essa" crise. Ao pintar um cenário otimista para o futuro, Lula cita diretamente os problemas econômicos responsáveis por parte da alta impopularidade da sucessora e afilhada política no presente (apenas 8% da população aprovam seu governo, segundo Datafolha). "Vamos controlar a inflação, gerar empregos e derrotar o pessimismo. Pode ter certeza, o Brasil vai voltar a crescer", disse o ex-presidente.


Nesta semana, os números do IBGE mostraram a deterioração da situação do emprego e a economia patinando em uma inflação alta. Na quinta-feira, a Pesquisa Mensal de Emprego mostrou que taxa média de desemprego de 7,5%, inédita no mês de julho desde de 2009 – ano em que o País enfrentou uma recessão. Em julho de 2014, o desemprego foi de apenas 4,9%. Na sexta-feira, a prévia da inflação oficial desacelerou em agosto: o IPCA-15 ficou em 0,43% neste mês. A prévia caiu em relação a julho (0,59%), mas o acumulado em 12 meses foi a 9,57%.

Os intocáveis

Dirceu
Indicados no Banco do Brasil e na Apex
José Dirceu já está há quase três semanas preso e nada do governo mexer com alguns apadrinhados seus incrustados há tempos na estrutura federal. O mais bem colocado talvez seja o chefe do Banco do Brasil na América do Norte, José Salinas. Ainda no exterior, está Hipólito Rocha, chefe da Apex em Cuba. Por Lauro Jardim

Delações encrencadas

Duque: de olho na delação
Ministério Público acha que Duque está escondendo o jogo
As negociações para as delações premiadas de Fernando Baiano e Renato Duque voltaram à estaca zero. Suas propostas foram recusadas. Os procuradores avaliaram que Duque e Baiano queriam revelar menos do que sabem em troca dos benefícios da delação. No caso de Duque, o que o MPF quer como prato principal é o PT; no de Baiano, Eduardo Cunha e outros peemedebistas menos votados. Por Lauro Jardim

Berreiro do PT não intimida as instituições. Gilmar Mendes manda Janot — que, até agora, ignorou Edinho Silva e Dilma na Lava-Jato — investigar contas da campanha da presidente

Os petistas e suas franjas nos ditos movimentos sociais — nada mais do que aparelhos do partido financiados com dinheiro público — insistem em chamar de golpe o cumprimento das leis. Ainda que não se conformem, terão de prestar contas ao Estado de Direito. E não há acordão ou arranjão que possam impedi-lo. Até agora, que se saiba, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, não demonstrou curiosidade em investigar a ação do hoje ministro Edinho Silva (Comunicação Social) como tesoureiro de campanha de Dilma Rousseff à reeleição, embora, em delação premiada, seu nome tenha sido citado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa como arrecadador de um megapixuleco. Muito bem! Não dá mais para ficar assim. Quando menos, a investigação terá de ser feita. Gilmar Mendes, ministro do STF e membro do TSE, enviou documentos a Janot e à Polícia Federal recomendando a abertura de investigação criminal para apurar se a campanha de Dilma recebeu dinheiro do propinoduto da Petrobras. Segundo o ministro, os indícios existem e ensejam a abertura de ação penal pública. Mendes determinou ainda que os dados sejam enviados à Corregedoria Eleitoral para a eventual detecção de irregularidades na prestação de contas do PT. Aliás, entre os dados colhidos pela Operação Lava-Jato que o ministro usou para orientar a sua decisão, está o trecho da delação premiada de Pessoa, em que ele afirma ter doado R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma em 2014 por temer prejuízos em seus negócios na Petrobras. Quem negociou foi Edinho. Atenção, essa iniciativa não pertence ao escopo do pedido de investigação da campanha de Dilma feita pelo PSDB, que acusa a campanha da presidente de abuso de poder político e econômico e, também, de receber dinheiro irregular, oriundo de corrupção na Petrobras. A admissibilidade da denúncia está parada no TSE. Luiz Fux pediu vista quando placar estava 2 a 1 em favor da abertura do processo. Um terceiro ministro já havia se manifestado pelo “sim” — bastam quatro votos para que a investigação seja aberta. Gilmar Mendes foi o relator da prestação de contas da campanha de Dilma, aprovada em dezembro com ressalvas. O ministro deixou claro, então, que manteria o processo em aberto para a averiguação de eventuais irregularidades. Observa ele: “É importante ressaltar que, julgadas as contas da candidata e do partido em dezembro de 2014, apenas no ano de 2015, com o aprofundamento das investigações no suposto esquema de corrupção ocorrido na Petrobras, vieram a público os relatos de utilização de doação de campanha como subterfúgio para pagamento de propina”. Escreve ainda o ministro: “Há vários indicativos que podem ser obtidos com o cruzamento das informações contidas nestes autos (...) de que o PT foi indiretamente financiado pela sociedade de economia mista federal Petrobras (o que é proibido por lei). (...) Somado a isso, a conta de campanha da candidata também contabilizou expressiva entrada de valores depositados pelas empresas investigadas”. O ministro aponta também uma série de inconsistências nos gastos de campanha. O segundo maior contrato, de R$ 24 milhões — só o marqueteiro João Santana recebeu mais — se deu com uma empresa chamada “Focal”, que tem como sócio um motorista. O PT adoraria que o simples berreiro na rua mudasse a sua história. Mas não muda. Vai ter de responder perante o eleitor por tudo o que não fez e perante a lei por tudo o que fez. Por Reinaldo Azevedo

Agora Janot tem de investigar Dilma

Ao jogar Dilma Rousseff na Lava Jato, Gilmar Mendes atropelou Rodrigo Janot. Até agora, o Procurador-Geral da República havia poupado Dilma Rousseff, hesitando em abrir um inquérito contra ela. Acabou. A partir de hoje, ele tem de investigar.


Art. 85, Janot

Investigando Dilma

Gilmar Mendes citou uma série de elementos que indicam a receptação de dinheiro roubado por parte da campanha de Dilma Rousseff:
1) Os 13,6 milhões de reais repassados por João Vaccari Neto a Edinho Silva
2) Os 7,5 milhões de reais que Ricardo Pessoa foi constrangido a entregar à campanha de Dilma Rousseff
3) Os 47,5 milhões de reais doados por empreiteiras denunciadas na Lava Jato
4) Os 23,9 milhões de reais pagos por Dilma Rousseff à empresa de fachada Focal, de Carlos Cortegoso
5) Os 22,9 milhões de reais dados por Dilma Rousseff à gráfica fantasma VTPB, de Beckembauer Rivelino
6) A propina que o operador Milton Pascowitch repassou ao blog Brasil 247
Isso já é o bastante para garantir o impeachment, mas O Antagonista recomenda investigar também:
7) A CRLS, que embolsou dinheiro roubado do Ministério do Planejamento e que pertence ao mesmo dono da Focal
8) A mensagem apreendida pela PF no celular de Marcelo Odebrecht: "Meet PR - 200 inclui 100"
9) A outra mensagem interceptada no celular de Marcelo Odebrecht: "Dizer do risco cta suíça chegar campanha dela"
10) O dinheiro usado para pagar a campanha clandestina do PT na internet
11) Pasadena (e, nesse caso, é preciso ouvir o depoimento de Nestor Cerveró)
12) Os 300 mil dólares de propina pagos pela holandesa SBM à campanha de Dilma Rousseff


Primeiro passo: interrogar Edinho Silva

O sinal de Temer

A Folha de S. Paulo informa que o PMDB está à espera de um sinal de Michel Temer. Caso ele decida antecipar o congresso do partido, marcado para novembro, seu gesto será interpretado “como a chave para indicar que o vice-presidente passará a conspirar pelo impeachment”. 


Dê um sinal, Temer

Você não foi convidado, Temer

Michel Temer se afastou de Dilma Rousseff. Mas Dilma Rousseff também se afastou de Michel Temer. O vice-presidente, segundo a Folha de S. Paulo, “notou gestos hostis da própria Dilma” contra ele. Por exemplo, ela não o convidou à reunião ampliada com os membros do governo alemão. 


Só falta o Temer

Dilma Bolada e não declarada

A Pepper não paga apenas os cartões de crédito da mulher de Fernando Pimentel. Ela paga também as despesas de Dilma Bolada. Segundo a Época, o publicitário que inventou Dilma Bolada, personagem que faz propaganda do governo nas redes sociais, recebe da Pepper um pixuleco mensal de 20 mil reais. Diz a reportagem: “As provas estão em documentos enviados pela Pepper ao STJ. A Pepper é uma espécie de agência parapartidária do PT. É usada para tudo que o partido não pode fazer diretamente em campanhas ou nas redes sociais – como guerrilha digital a favor do governo e contra os assim declarados inimigos da causa. Atualmente, a Pepper tem oito clientes, e receita mensal de 1,2 milhão de reais. O PT é, de longe, seu principal cliente. Todo mês o partido paga 530 mil reais à Pepper, algo como 45% das receitas (declaradas) da empresa". Trata-se de mais uma pista para Gilmar Mendes. Dilma Bolada prestou serviços não declarados à campanha de Dilma Rousseff. Imediatamente depois das eleições, passou a ser paga pela Pepper.


Dívidas de campanha

O PT de Lula é o PT de Dirceu

O Globo conta que Lula "tenta convencer José Dirceu, preso na Lava Jato, a se desfiliar do PT, para tentar diminuir o desgaste do partido e do governo por eventual condenação do petista". E quem vai tentar convencer Lula a se desfiliar do PT?

Renan, Temer, Bumlai (Lula)

O Estadão publicou uma parte importante do depoimento de Júlio Camargo à PGR, em março. Nele, o operador diz que "havia comentários" de que Fernando Baiano extorquia para Renan Calheiros e Michel Temer, além de Eduardo Cunha. Júlio Camargo também citou, "de forma vaga", o nome do empresário José Carlos Bumlai, amigão de Lula -- amizade que consta do relatório dos procuradores. Por que só Eduardo Cunha foi denunciado até o momento? Porque os indícios contra ele eram suficientemente fortes. Muito mais do "havia comentários". De qualquer forma, esperamos que os procuradores continuem a investigar todos os citados por Júlio Camargo. Em especial, Bumlai, porque Bumlai É Lula.

É o Apocalipse, agora Lula tenta convencer José Dirceu a se desfiliar do PT


O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") tenta convencer o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, preso na Operação Lava-Jato, a se desfiliar do PT, para tentar diminuir o desgaste do partido e do governo por eventual condenação do petista pela corrupção na Petrobras. Apesar do mal-estar no PT com as acusações de enriquecimento pessoal, José Dirceu ainda tem força no partido que ajudou a fundar. O temor de dirigentes petistas é que eventual processo de expulsão de José Dirceu seja rejeitado pela Comissão de Ética ou pelo Diretório Nacional, aumentando o desgaste da legenda. A operação para tentar convencer José Dirceu a se desfiliar é delicada. Há preocupação em não melindrá-lo, já que ele foi o homem forte do primeiro mandato de Lula. Procuradores acusam o ex-ministro de sistematizar a corrupção na Petrobras quando estava no governo, com o objetivo de financiar campanhas eleitorais e enriquecer. No final do ano passado, o Diretório Nacional do PT aprovou resolução estabelecendo que expulsará filiados que comprovadamente tenham praticado corrupção. No dia seguinte à prisão de José Dirceu, o presidente do partido, Rui Falcão, afirmou que as acusações contra ele são de “caráter pessoal”. A Executiva Nacional do PT decidiu não defender José Dirceu em nota na qual apontou supostos abusos na Operação Lava-Jato. Petistas ficaram alarmados com o depoimento em que Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu, afirmou ter recebido mesada de R$ 30 mil do lobista Milton Pascowitch entre 2012 e 2013. 

Inflação da Dilma rompe os 10% em 3 regiões


A inflação acumulada em 12 meses até agosto já ultrapassa os 10% em três regiões investigadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), as regiões metropolitanas de Porto Alegre e Curitiba e a cidade de Goiânia exibem índices de dois dígitos. O resultado mais elevado é percebido em Curitiba, onde a inflação acumulada em 12 meses já chega a 10,88%, segundo o órgão. Em seguida vêm Porto Alegre (10,54%) e Goiânia (10,38%). Outras cinco regiões exibem aumentos acima de 9%: Rio de Janeiro (9,92%), São Paulo (9,73%), Salvador (9,09%), Recife (9,07%) e Fortaleza (9,07%). Abaixo disso estão Belém (8,76%), Belo Horizonte (8,25%) e Brasília (8,04%). Na média nacional, o IPCA-15 em 12 meses até agosto acumula alta de 9,57%, o maior resultado neste confronto desde dezembro de 2003.

Brasil parado

minério de ferro
Minério de ferro parado no porto de Itaguaí
A greve da Receita Federal que começou vai impedir que pelo menos 30 navios carregados com 5 milhões de toneladas de minério de ferro saiam do Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, no período de um mês. Isso significa cerca de 200 milhões de dólares a menos na balança comercial. Por Lauro Jardim

Berlusconi à brasileira

Inspiração italiana
Inspiração italiana
Nas conversas para convencer possíveis apoiadores de sua candidatura à presidência, Jair Bolsonaro tem citado um exemplo europeu: Silvio Berlusconi. Bolsonaro diz que, a exemplo da Itália, o Brasil também estaria pronto para um presidente ultraconservador. Por Lauro Jardim

Se é assim, sim

acir
Gurgacz: governo prometeu MP para aliviar transportes
Assim que a votação da reoneração das folhas de pagamento foi concluída no Senado, na quarta-feira, o governo passou a considerar publicamente uma Medida Provisória para aliviar o setor de transportes urbanos, um dos reonerados. No plenário, a promessa da tal MP foi determinante para que os seis senadores do PDT votassem a favor da reoneração. É que o líder do partido na Casa, Acir Gurgacz (RO), cuja família é dona de uma empresa de transportes, só orientou pelo “sim” depois de ser tranquilizado por Delcídio Amaral (PT-MS) sobre as intenções do governo. Por Lauro Jardim

Impasse nas defesas

Cabral: tranquilidade de Pezão pode ser sua agonia
Cabral: tranquilidade de Pezão pode ser sua agonia
As defesas de Luiz Fernando Pezão, Sérgio Cabral e Régis Fichtner chegaram a um impasse. Se Pezão for inocentado e Cabral e Fichtner seguirem sendo investigados, o inquérito sai do STJ e vai para as mãos de Sergio Moro, na primeira instância. Ninguém quer cair nas mãos de Sergio Moro. Por Lauro Jardim 

Maluf é condenado em R$ 128,7 milhões por promoção pessoal na Prefeitura de São Paulo


O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) a pagar R$ 128,7 milhões à prefeitura de São Paulo por ter usado, durante sua gestão como prefeito da cidade (1993-1996), um símbolo de sua campanha eleitoral como marca oficial da administração. A decisão foi tomada pelo juiz Fausto José Martins Seabra, da 3ª Vara de Fazenda Pública, que fixou em R$ 128.685.680,01 a quantia que o ex-prefeito Paulo Maluf deverá pagar aos cofres públicos. Segundo a prefeitura, Maluf foi condenado por improbidade administrativa em 2006, após uma ação popular. A Justiça considerou que ele fez promoção pessoal com recursos públicos ao adotar como símbolo oficial da administração municipal um trevo de quatro folhas formado por quatro corações, utilizado como símbolo da campanha que o elegeu prefeito, em 1992. “Todos os recursos do ex-prefeito para tentar reverter a condenação já foram negados. A discussão, na 3ª Vara de Fazenda Pública, era sobre os critérios para calcular a indenização que o político deverá pagar. A prefeitura de São Paulo adotará as medidas necessárias para identificar bens do ex-prefeito que possam ser bloqueados para garantir o pagamento da indenização”, diz nota da prefeitura. 

Fazenda decide pagar a primeira parcela do 13º de aposentados em duas vezes: em setembro e outubro


O Ministério da Fazenda decidiu pagar a primeira parcela do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas do INSS em duas vezes: metade será creditada em setembro e o restante em outubro. A proposta ainda será apresentada à presidente Dilma Rousseff. Provavelmente, o crédito da parcela do décimo terceiro será feito junto com o pagamento dos benefícios, que ocorre entre os últimos cinco dias úteis de cada mês e nos primeiros dias úteis do mês seguinte. A última parte do abono que faltará depositar sairá normalmente na folha de dezembro. Segundo estimativa do Ministério da Previdência, o gasto estimado com a antecipação é da ordem de R$ 15 bilhões. De acordo com fontes da equipe econômica, a aprovação da reoneração da folha de pagamento pelo Congresso — última medida do ajuste fiscal — e o programa de concessões trouxeram uma melhora no cenário. Desde 2006, o INSS antecipa metade do benefício em agosto. Mas neste ano a Fazenda era contra a antecipação alegando falta de recursos em caixa para custear as despesas, no momento em que precisa ajustar as contas públicas. No entanto, houve pressão dos ministérios das áreas sociais para que os aposentados e pensionistas do INSS recebessem a antecipação. O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira pedindo que o governo fosse obrigado a antecipar a primeira parcela este mês. 

Autor de Dilma Bolada recebe R$ 20 mil mensais de agência vinculada ao PT, a Pepper Interativa


O autor da personagem Dilma Bolada, uma sátira elogiosa à presidente Dilma Rousseff feita em redes sociais pelo publicitário Jeferson Monteiro, recebe R$ 20 mil por mês da agência Pepper Interativa, contratada pelo PT. A informação foi divulgada nesta sexta-feira no site da revista Época. Segundo a publicação, as provas estão em documentos enviados por advogados da agência Pepper Interativa ao Superior Tribunal de Justiça. A Pepper trabalhou nas duas campanhas presidenciais de Dilma e tem contrato com o PT. Está sendo investigada no STJ na Operação Acrônimo, em que a Polícia Federal aponta a existência de um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e outros petistas. À revista, a Pepper não quis explicar a relação comercial com o publicitário, e Jeferson negou receber recursos do PT para manter o personagem Dilma Bolada, e que presta serviços à Pepper. “A Dilma Bolada não está vinculada a nenhuma empresa ou partido. Não está e nem nunca esteve. Como já foi dito exaustivamente, as páginas na internet são independentes e não há nenhuma relação com ninguém para que elas existam ali. O serviço por mim, Jeferson Monteiro, executado está relacionado à comunicação digital e nas redes sociais, análise, produção e estratégia de conteúdo para os clientes da agência”, disse Jeferson à Época. Atualmente, Jeferson conta com 1,6 milhão de seguidores no Facebook e 456 mil no Twitter. Segundo a revista, todo mês o partido paga R$ 530 mil à Pepper. 

Justiça nega pedido da Câmara para que advogada Beatriz Catta Preta se explique

A Justiça Federal de Barueri, em São Paulo, decidiu não acatar pedido da Câmara dos Deputados para que a advogada Beatriz Catta Preta prestasse esclarecimentos sobre as acusações que fez, em entrevistas, a respeito de ameaças recebidas de integrantes da CPI da Petrobras. O juiz federal José Tarcísio Januário afirmou que a Casa não tem "legitimidade" para esse tipo de pedido e classificou-o, ainda, como um "ato de órgão público que possa vir a ser configurado, ele mesmo, como meio de intimidação do cidadão". "No caso, não há qualquer dúvida razoável a ser esclarecida, pois das declarações objurgadas não se extrai qualquer imputação de calúnia ou difamação contra a Câmara dos Deputados", destaca o juiz, que ainda pondera o fato de instituições estarem sujeitas a críticas. A Procuradoria da Casa, que entrou com a interpelação, ainda não foi informada oficialmente da decisão. Questionado, o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que irá recorrer. "Era uma interpelação e não tem qualquer precedentes dessa natureza de negar curso de interpelação", argumentou. Catta Preta foi convocada às vésperas do recesso parlamentar a depor na CPI da Petrobras. Foi ela quem orientou os principais delatores do esquema de corrupção na Petrobras. Ela advogou para Julio Camargo, que no mês passado declarou ter pago propina de US$ 5 milhões a Eduardo Cunha. Em entrevistas, a advogada afirmou ter sido ameaçada por parlamentares que compõem a comissão de inquérito. Segundo ela, após a delação de Camargo, a pressão teria crescido. 

Ditadura da Venezuela decreta Estado de exceção na fronteira com a Colômbia

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou, na noite desta sexta-feira (21), Estado de exceção na fronteira com a Colômbia, área onde três soldados venezuelanos foram feridos a bala no dia anterior. A medida, que concede poderes especiais às forças de segurança, estará em vigor pelos próximos 60 dias nos municípios de Bolívar, Junín, Ureña, Independencia e Libertad. Em pronunciamento, o ditador Maduro disse que o Estado de exceção é necessário para enfrentar as atividades ilegais na porosa fronteira, que foram discutidas na sexta entre as chanceleres dos dois países. Segundo Maduro, os três militares feridos na quinta (20) foram alvejados por contrabandistas vinculados a milicianos de extrema-direita. "Vamos extirpar esses tumores malignos que são o paramilitarismo e as bandas criminosas trazidos da Colômbia para se meter no corpo nobre da nossa república bolivariana", disse o ditador psicopata Maduro, que despachou centenas de soldados para a região e ordenou o fechamento de dois dos principais postos de fronteira até domingo, repetindo prática frequente em seu governo. O último fechamento de fronteira ocorreu em julho. Caracas atribui ao comércio clandestino o desabastecimento que inferniza a vida dos venezuelanos. Economistas dizem que a escassez é causada pelo controle de câmbio e de preço e pelos ataques ao setor produtivo. Opositores temem que Maduro use a escalada das tensões para justificar o cancelamento da eleição parlamentar de 6 de dezembro, na qual o governo chega com baixa popularidade. 

Delator da Lava Jato, Julio Camargo, diz que dedou Eduardo Cunha por medo

"Eu tenho medo do deputado Eduardo Cunha [PMDB-RJ]", afirmou o lobista Júlio Camargo aos investigadores da Operação Lava Jato para tentar justificar a decisão de mudar sua delação premiada para acusar o presidente da Câmara de receber US$ 5 milhões de propina do esquema de corrupção da Petrobras. Segundo o lobista, Cunha é um homem poderoso, que teria condições de retaliar sua família e suas empresas, de forma direta ou indireta. "Estamos tratando da terceira pessoa mais importante do país e de uma pessoa agressiva quando quer alcançar seus objetivos", disse Camargo. O lobista disse ainda que repensou sua fala porque "não queria ter mais qualquer pendência neste tema e queria ir até o fim". Boa parte da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, contra Cunha, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, leva em consideração a colaboração de Camargo com as investigações. Segundo procuradores, a mentira do delator pode ter efeito sobre seus benefícios acertados em troca da colaboração com as investigações. O Ministério Público afirma que Cunha recebeu US$ 5 milhões em propina. Os pagamentos ocorreram, segundo a Procuradoria Geral da República, entre 2007 e 2012, após o fechamento de contratos entre a Petrobras e a Samsung Heavy Industries, da Coréia do Sul, para fornecimento de dois navios-sondas para a estatal do petróleo no valor total de US$ 1,2 bilhão. Entre os documentos que constam na denúncia contra Eduardo Cunha também foi anexado um e-mail da Igreja Evangélica Assembléia de Deus do Rio de Janeiro à funcionária de Julio Camargo de doação de R$ 250 mil. A mensagem, de 31 de agosto de 2012, traz o valor e fala ainda que "conforme orientação do Julio, seguem os dados para a doação que ele ficou de fazer hoje". Duas empresas de Julio Camargo, Piemonte e Treviso, fizeram transferências para as contas da igreja no valor total de R$ 250 mil em 31 de agosto de 2012. A Procuradoria Geral da República diz que é "notória" a vinculação de Eduardo Cunha com a igreja.

Reclamação de Lula contra procurador que pediu sua investigação é arquivada


O Conselho Nacional do Ministério Público decidiu arquivar representação disciplinar apresentada pelo ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") contra Anselmo Lopes, procurador da República no Distrito Federal, que propôs a investigação preliminar do petista por tráfico de influência em favor da Odebrecht, em obras financiadas pelo BNDES. Foi a partir da ação de Lopes que a Procuradoria da República no Distrito Federal começou a apurar o caso que, em julho, foi transformado em procedimento de investigação criminal contra o ex-presidente. Agora, o processo corre em segredo de justiça. A defesa de Lula questionou a conduta de Lopes, acusando-o de se basear apenas em informações de jornais para pedir a investigação preliminar, sem apresentar qualquer prova ou indício. Para o corregedor nacional do Ministério Público, Cláudio Portela, as matérias publicadas pela imprensa podem servir de base à formalização de notícia de fato (investigação preliminar), especialmente quando veiculadas com base em dados concretos que permitam a sequência de uma investigação criminal. "O acervo concreto de dados fornecido pelo jornalismo, se é que insuficiente naquela oportunidade do despacho para a imediata formalização de um PIC (procedimento de investigação criminal), não pode ser tomado como desprezível para subsidiar o início de uma apuração, ainda que preliminar", disse. Portela afirmou ainda que não ficou provada motivação pessoal ou desvio de conduta do procurador para prejudicar Lula ou o PT. "Alheio a motivação pessoal para constranger o reclamante ou o seu partido político e respaldado em cumprimento de dever funcional - após juízo de valor inerente ao cargo, observadas as balizas legais -fundou-se em detalhadas informações da imprensa brasileira que, agora, permitem a apuração formal do fato pelo Ministério Público Federal", afirma a decisão. No fim do mês passado, a Corregedoria do Ministério Público também arquivou representação de Lula contra o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, que abriu a investigação criminal formal contra o ex-presidente. A suspeita é que Lula X9 tenha exercido influência para que o BNDES financiasse obras de Odebrecht, principalmente em países da África e da América Latina. A empreiteira bancou diversas viagens de Lula X9 ao Exterior depois que ele deixou a Presidência. O petista nega qualquer irregularidade. O Código Penal fixa como tráfico de influência "solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função", prevendo pena de dois a cinco anos de reclusão. O Instituto Lula divulgou na terça-feira (18) a lista de empresas, associações e organismos internacionais que contrataram palestras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2011 e este ano. Segundo a entidade, foram 70 palestras pagas por 41 empresas e instituições, "sendo remunerado de acordo com sua projeção internacional e recolhendo os devidos impostos", diz a nota. A divulgação é uma resposta à reportagem da revista "Veja" segundo a qual Lula teria recebido R$ 27 milhões por palestras, dos quais R$ 9,85 milhões de empresas investigadas na Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobras.

Filho de Ivo Pitanguy é preso após atropelar e matar operário do metrô

O empresário Ivo Nascimento de Campos Pitanguy, de 59 anos, filho do cirurgião plástico Ivo Pitanguy, atropelou e matou um operário das obras do metrô do Rio de Janeiro na noite de quinta-feira (20). Pitanguy, que tem 70 multas e mais de 240 pontos na carteira, está sendo mantido sob custódia por dois policiais militares no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Ele foi preso em flagrante após atropelar José Fernando Ferreira da Silva, de 44 anos. A vítima não sobreviveu. No acidente, Pitanguy perdeu o controle do veículo que dirigia, bateu em um poste e atropelou Silva, que terminara seu turno nas obras da linha 4 do metrô. Os dois foram socorridos por bombeiros e levados para o hospital. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Silva chegou a ser levado para o centro cirúrgico, teve uma perna amputada, mas não resistiu aos ferimentos. Já o empresário sofreu traumatismo craniano e uma lesão no couro cabeludo. Ele passou por cirurgia e seu quadro de saúde é considerado estável. A enfermaria em que Pitanguy está é composta por macas dispostas lado a lado. De acordo com a Polícia Militar, o empresário não apresenta um perfil de risco para os outros pacientes ou de fuga e, por isso, está sendo mantido sem algemas. A delegada responsável pelo caso, Monique Vital, titular da 14ªDP (Leblon), afirmou que um PM e dois bombeiros que socorreram o motorista disseram que Pitanguy estava visivelmente alterado e com hálito alcoólico. Segundo Monique, os bombeiros afirmaram em depoimento que "em momento algum o motorista se preocupou com a vítima". Ainda de acordo com a delegada, Pitanguy possui uma extensa ficha de transgressões no trânsito. "Ele possui uma ficha enorme no Detran. São 23 folhas, com 70 multas, mais de 240 pontos na carteira. Dessas, 14 são por dirigir embriagado", afirmou. O Detran afirmou que irá suspender a habilitação do empresário. Só agora, depois de ele ter matado uma pessoa? O advogado da família Pitanguy, Rafael de Piro, disse que o acidente foi uma fatalidade. "Estava chovendo muito e o carro não ficou danificado demais. Ou seja, isso aponta que ele não estava em alta velocidade". Foi feita perícia no local e os agentes solicitaram imagens de câmeras que possam ter registrado o acidente. O corpo de Silva permanece no IML (Instituto Médico Legal), no Rio. De acordo com o irmão, Ernani Ferreira da Silva, a vítima trabalhava na construtora Odebrecht e desempenhava a função de encarregado de turno. "Ele deixa dois filhos menores de idade, um de 11 anos e outro de 5. Ele morava em São Paulo, mas estava aqui pelas obras. Era um rapaz dedicado, muito trabalhador, muito empenhado. A família está arrasada", disse. Ainda segundo o irmão, o corpo deverá ser levado para a cidade natal, em Sertânia, Pernambuco, onde será enterrado.

Ministro do STF nega mudar pena de pilotos americanos de jatinho que derrubou Boeing da Gol

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, negou recurso e manteve a condenação de 3 anos e 1 mês de prisão aplicada aos pilotos americanos Joseph Lepore e Jean Paul Paladino. Os dois conduziam o jato Legacy que se chocou com um Boeing da Gol em setembro de 2006, provocando a morte de 154 pessoas. Ainda cabe mais um recurso da decisão do ministro ao plenário do STF. A defesa pediu ao Supremo a substituição da prisão por penas alternativas. Gilmar Mendes rejeitou o recurso porque considerou que não havia questão constitucional a ser tratada no caso, além de não ter identificado irregularidades em decisões de instância inferiores sobre o caso. Os dois pilotos, que são americanos, estão atualmente morando nos Estados Unidos. O vôo 1907 da Gol ia de Manaus para o Rio de Janeiro, quando foi atingido no ar pelo jatinho Legacy e caiu em uma área isolada de Mato Grosso, matando todos que estavam a bordo. O jatinho Legacy conseguiu pousar em segurança. O caso gerou uma crise entre os controladores de vôo, responsabilizados pelo acidente, e também à criação da CPI do Apagão Aéreo no Congresso.

Procuradoria da República recorre contra absolvição de irmão do ex-ministro Mario Negromonte


O Ministério Público Federal recorreu da absolvição de Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro Mário Negromonte, que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef. Adarico foi absolvido pelo juiz federal Sérgio Moro. No recurso, a Procuradoria também pede o aumento das penas aplicadas a João Auler, ex-funcionário da Camargo Corrêa, e ao ex-policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, além da condenação de Waldomiro de Oliveira, outro funcionário de Youssef. Em sentença de 20 de julho, a primeira que condenou executivos ou ex-executivos de empreiteiras investigadas por corrupção na Petrobras, Sérgio Moro condenou ex-executivos da construtora Camargo Corrêa por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e atuação em organização criminosa referentes a superfaturamento e pagamento de propina para obtenção de contratos de obras de refinarias da Petrobras. A condenação referiu-se às obras da Repar (Refinaria de Getúlio Vargas), no Paraná, e da Rnest (Refinaria Abreu e Lima), em Pernambuco. Adarico Negromonte Filho, porém, foi absolvido por Sérgio Moro, que afirmou não haver provas suficientes para uma condenação. O juiz entendeu que, embora houvesse provas de que ele participou do grupo criminoso, Adarico tinha o papel de "subordinado, encarregando-se de transportar e distribuir dinheiro aos beneficiários dos pagamentos". O Ministério Público, sem apresentar novos elementos, argumenta que ficou comprovado que Adarico Negromonte era "responsável pela entrega do dinheiro em espécie que era sacado das empresas controladas por Youssef para pagamento de propina a agentes públicos". Cita ainda como prova o fato de Adarico possuir uma mesa no escritório do doleiro. Adarico chegou a ser preso por quatro dias durante uma das fases da Operação Lava Jato, no ano passado. Seu irmão, Mário Negromonte, foi ministro das Cidades do governo Dilma Rousseff, à época filiado ao PP, e é investigado como beneficiário do esquema de corrupção na Petrobras. Na ocasião da sentença de Moro, a advogada de Adarico, Joyce Roysen, classificou-a de coerente. "Não havia provas ou evidências que levassem à conclusão de uma participação ativa dele", disse na época. Apesar de o juiz ter determinado uma indenização de R$ 50 milhões na sentença equivalente à propina paga nos contratos, o Ministério Público pede um dano mínimo de R$ 343 milhões, correspondente a 3% do valor total de todos os contratos e aditivos objeto das condenações, levando em conta que houve danos maiores. A Procuradoria pede aumento de pena ao ex-policial federal Jayme Careca, que entregava dinheiro para Youssef, devido à sua condição de policial, e de João Auler, executivo afastado da Camargo Corrêa, por ele ter dirigido as atividades de um outro funcionário da empresa, Eduardo Leite. Já Waldomiro de Oliveira foi absolvido porque Moro entendeu que ele já havia sido condenado, em outra ação anterior, por crime referente a esses fatos. O Ministério Público também recorreu e pediu sua condenação.