segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Juiz Sérgio Moro informa ao Supremo que o lobista Júlio Camargo omitiu a denúncia de propina a Eduardo Cunha em sua delação premiada

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o juiz federal Sérgio Moro afirmou nesta segunda-feira (17) que o lobista Júlio Camargo omitiu durante seu acordo de delação premiada, a acusação de pagamento de propina de US$ 5 milhões ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no esquema de corrupção da Petrobras. A afirmação de Moro foi uma resposta ao pedido da defesa de Fernando Soares, apontado como operador do PMDB no escândalo de corrupção, para anular o acordo de delação de Júlio Camargo. Os advogados de Fernando Baiano, como ele é conhecido, argumentam que a colaboração ficou nula depois que Júlio Camargo mudou depoimentos anteriores e disse que parte dos recursos desviados foram para o presidente da Câmara. "Não se pode, ainda, afirmar que o acordo de colaboração celebrado por Júlio Camargo não poderia ter sido homologado por este juízo em outubro de 2014, porque, em 16/07/2015, revelou fato que havia então omitido, de que parte da propina nos contratos dos navios-sondas havia sido destinada ao referido deputado federal", escreveu Moro. O juiz disse que o tempo rege o ato, não tendo "qualquer conhecimento a respeito do fato admitido por Júlio Camargo somente em julho de 2015". A informação de Julio Camargo sobre Eduardo Cunha também foi feita ao Ministério Público em março e junho deste ano. O presidente da Câmara já é alvo de inquérito no Supremo por participação nos desvios da estatal. A expectativa é de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereça denuncia contra Eduardo Cunha até o fim do mês. Se a denúncia for aceita pelo Supremo, Eduardo Cunha passa a ser réu, respondendo a uma ação penal. Investigadores que acompanham o caso avaliam que a mudança na fala de Júlio Camargo não deve provocar a anulação da colaboração, mas podem trazer sanções ao lobista, como perder eventuais benefícios acertados durante a delação. No despacho, Moro ainda informou ao Supremo que condenou o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, o lobista Fernando Soares e o empresário Julio Camargo à prisão em um processo da Operação Lava Jato relacionado à contratação de navios-sonda pela Petrobras. Dos três condenados, só Júlio Camargo não está na cadeia. O doleiro Alberto Youssef, que está preso e também era réu no caso, foi absolvido. Sergio Moro entendeu que faltaram provas sobre as operações de lavagem denunciadas pelo Ministério Público Federal. A defesa de Eduardo Cunha chegou a pedir ao STF que suspendesse a tramitação dessa ação no Paraná e levasse o caso para o Supremo diante da citação do deputado. O peemedebista alegou que Moro feriu a prerrogativa do Supremo ao investigar um parlamentar, que tem foro privilegiado e só pode ser alvo de apuração com autorização do STF. O caso ainda não foi analisado.

Pixuleco mira Anatel

As investigações da Pixuleco 2, segundo integrantes da força-tarefa, podem chegar ao atual presidente da Anatel, João Batista Rezende. Ele era homem de confiança de Paulo Bernardo, que o nomeou seu chefe de gabinete no Ministério do Planejamento, depois o colocou no conselho da Transpetro e ainda conseguiu sua indicação para a agência reguladora.

Outro banco "amigo"

A mídia não deu muita bola para a liquidação extrajudicial do desconhecido BRJ SA. Ele é uma das pontas do novelo de desvios na Postalis, o fundo de pensão dos servidores dos Correios. O Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores. O BRJ pertence a aos irmãos Luiz Claudio de Queiroz e Luis Augusto de Queiroz. Luiz Claudio é pai de Thiago Queiroz, sócio da KBO Capital, gestora de recursos com forte atuação no Postalis. A KBO é uma empresa do BRJ. A CPI dos Fundos de Pensão deve convocar os Queiroz. O Antagonista voltará ao caso.

Cansativo em todas as instâncias

O ministro Gilmar Mendes, do TSE, tem dois discursos: aos tucanos que querem cassar o mandato de Dilma Rousseff e promover novas eleições (a maioria comandada por Aécio Neves), ele diz que isso será inevitável. Já quando é procurado pela ala oposta do tucanato, Gilmar Mendes afirma que o TSE só fará barulho, mas que a petista não será cassada. O Brasil cansa em todas as instâncias.

O jornalista petista André Singer, ex-porta-voz de Lula, diz que Dilma adotou medidas do PSDB e questiona as críticas de tucanos

André Singer, jornalista petista e ex-porta-voz do governo Lula, disse na tarde desta segunda-feira, 17, não compreender as falas de lideranças tucanas dando apoio ao impeachment ou a uma possível renúncia da presidente Dilma Rousseff, em especial a manifestação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Facebook, que classificou uma eventual renúncia de Dilma como "gesto de grandeza". Em teleconferência com analistas de mercado promovida pela GO Associados, o petista Singer considerou as manifestações tucanas de "complicadas", levando em conta também as falas dos senadores Aloysio Nunes (SP) e Aécio Neves (MG) em favor do impedimento da presidente. "A presidente tem dito diversas vezes que não vai renunciar, o que a meu ver é correto, ela tem mandato e o mandato dela é legítimo", disse ao argumentar que atualmente não há embasamento legal para um processo de impeachment. Para ele, qualquer movimentação de afastamento de Dilma neste momento seria um "golpe branco". "Não gostaria que o governo tivesse adotado esse ajuste, mas o fato é que ela (Dilma) está corrigindo o (rumo econômico do) País. O País não está numa situação nem de longe de desgoverno, não vejo isso de forma alguma. Não entendo essa posição da renúncia (de FHC). Como se o Brasil precisasse de uma destituição do governo para ter um programa alternativo. No fundo a presidente adotou, em boa medida, o programa do adversário Aécio Neves, então não entendo o que o PSDB gostaria que não está sendo feito", completou Singer. Além do post de FHC, em que o ex-presidente recomendou a Dilma renunciar ou "admitir os erros" para recuperar a governabilidade, houve manifestações de outros tucanos. Aloysio Nunes disse nesta tarde que, se houver abertura do processo de impeachment, o PSDB apoiará, mas que ainda falta o PMDB desembarcar do governo para os tucanos adotarem abertamente o discurso do impedimento. "O Brasil despertou. Chega de corrupção. Meu partido é o Brasil", disse Aécio Neves, neste domingo, em carro de som no protesto realizado em Belo Horizonte. Singer admite que os movimentos contra Dilma têm relevância e dão sinais de que vão continuar, mas destaca que eles não têm uma demanda clara. "As manifestações não apresentam demandas, se concentrando muito nas palavras de ordem de 'fora Dilma', 'fora PT'. No máximo podemos ver demandas na linha de combate à corrupção. A questão é que o combate à corrupção está sendo feito, e da forma mais radical que o Brasil já assistiu", disse Singer em relação à Operação Lava Jato. Para o jornalista petista, a operação tem independência, o que é muito positivo. O petista Singer avaliou que assim como o resultado numérico intermediário entre as passeatas de março e abril, as manifestações deste 16 de agosto também têm um saldo intermediário em termos de efeito político. "É um movimento que se consolidou na sociedade brasileira, mais definido em favor do impeachment. Por outro lado, não é um movimento avassalador. Ganhou abrangência, se espalhou por mais cidades, mas não vem crescendo numa velocidade que aponte para um movimento que vá de fato levar a um desfecho de impedimento da presidente - não que isso esteja ainda completamente afastado do cenário também", ponderou. Com essa avaliação, o petista André Singer diz ver dois cenários possíveis. O primeiro em que a presidente, com base na Agenda Brasil proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, saia do isolamento político e consiga consolidar uma segurança de seu mandato. O segundo é do retorno da instabilidade política. Para o petista Singer, é difícil prever o desfecho, em razão de diversos fatores de instabilidade no horizonte. O primeiro desses fatores de desestabilização é a própria Lava Jato, com desfechos imprevisíveis por causa da independência do Ministério Público e do Judiciário. Além disso, Singer destaca os processos contra o governo no Tribunal de Contas da União, no Tribunal Superior Eleitoral, e a possibilidade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dar prosseguimento a algum pedido de abertura do processo de impeachment. Para o cientista político, Eduardo Cunha está neste momento isolado, mas pode surpreender com seu poder de influência sobre os deputados. Não é nada surpreendente que executivos do setor financeiro convidem um jornalista petista para fazer interpretações do momento político para eles. Isso também ajuda a entender a crise em que vive a sociedade brasileira, porque empresários, empreiteiros, executivos de negócios, são quase todos sabujos do PT e do petismo, são adeptos do capitalismo pára-estatal vigente no Brasil.  

Chambinho aponta Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, como "beneficiário de repasses"

O ex-vereador do PT, Alexandre Romano, o Chambinho – suspeito de ser o mais novo operador de propinas da Operação Lava Jato – declarou à Polícia Federal que o ex-tesoureiro do partido, o petista gaúcho Paulo Ferreira, foi beneficiário de repasses. Romano foi preso temporariamente por suspeita de receber R$ 40 milhões em propinas. “Paulo Ferreira, ex-secretário de Relações Institucionais do PT, lhe procurou, de forma autônoma, pedindo repasses ao escritório Portanova para “ajudá-lo”; que apenas sabe que o beneficiário final dos repasses foi Paulo Ferreira”, afirmou Chambinho, em depoimento que prestou na sexta-feira, dia 14. Casado com Teresa Campello, ministra do Desenvolvimento Social do governo Dilma Rousseff, ”Paulo Ferreira já sabia do contrato da Consist (Software) porque o declarante já havia comentado com ele sobre o contrato, especialmente porque estava preocupado com a situação do contrato”, explicou o ex-vereador petista: “Ajudou Paulo Ferreira de forma ‘pessoal’ e que solicitou a ele que indicasse uma pessoa jurídica para quem pudesse emitir a nota fiscal". Alexandre Romano afirmou à Polícia Federal que intermediou um contrato entre a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP) e a Consist Software, por meio da qual teriam transitado valores de propina para o ex-vereador. Ex-vereador do PT, em Americana, Romano foi alvo da Operação Pixuleco II, 18º capítulo da Lava Jato, deflagrada na quinta-feira, 13. No depoimento, Romando afirmou também que, em 2010, o ex-secretário de Comunicação do governo Lula, Luiz Gushiken – morto em 2013 – sugeriu a ele que procurasse o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para que repassasse à legenda parte de seus honorários como intermediador de contrato relativo a empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. O ex-vereador relatou à Polícia Federal que Gushiken também prestava consultoria ao SINAPP e disse a ele que “tinha outra oportunidade de negócio”. Ex-ministro do governo Lula, morreu em setembro de 2013. “Caberia ao declarante encontrar uma solução para a questão dos créditos que os bancos tinham por conta de deficiências do sistema informatizado de crédito consignado”, declarou Romano à Polícia Federal. “Pela proposta oferecida por Gushiken, todas as empresas ligadas ao SINAPP lhe pagariam 10% da dívida se ele achasse uma solução, seja aumentando a margem legal para 40%, seja atuando para que uma empresa de tecnologia resolvesse esse problema com um software, mas que os 10% só seriam devidos na primeira alternativa". Romano declarou que a partir de agosto de 2010 passou a receber remuneração da Consist com relação aos contratos firmados com os bancos filiados a ABBC e ao SINAPP. “Em abril de 2010, tinha ido até o escritório de Gushiken (na Padre João Manoel, nos Jardins, em São Paulo/SP) para oferecer a ele algum tipo de participação no contrato, uma vez que havia cabido a ele conseguir a oportunidade de negócio”, relatou o ex-vereador: “Gushiken se mostrou surpreso, mas que o declarante acredita que tal oferta foi importante para ressaltar sua lealdade, inclusive para conseguir a ele outras oportunidades". Nessa ocasião, segundo Chambinho, o ex-ministro de Lula ‘pediu para pensar sobre o assunto e algumas semanas depois disse ao declarante para que ele procurasse João Vaccari na sede do PT em São Paulo". “Logo na sequência procurou João Vaccari, a quem conhecia apenas socialmente, ocasião em que sugeriu ao declarante que ajudasse financeiramente o Partido dos Trabalhadores; que o declarante não achou a solicitação adequada, uma vez que queria retribuir a Gushiken, não ao partido, já que o PT não havia colaborado de nenhuma forma no contrato”, disse. Romano afirmou que retornou a Gushiken e disse que não iria contribuir ao PT, ‘momento em que Gushiken disse que então iria pensar em quem iria representá-lo". “Posteriormente, Gushiken lhe chamou novamente e lhe indicou duas empresas,” – entre elas um escritório de advocacia sediado em Curitiba – “as quais seriam beneficiárias dos valores devidos a Gushiken”. Chambinho afirma que "nunca pagou qualquer valor a João Vaccari".

Coaf remete dados sobre empresa de Lula a investigadores do Paraná, Rio e Brasília


O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência do Ministério da Fazenda, remeteu ao menos três relatórios diferentes indicando movimentação atípica da empresa do ex-presidente Lula, a L.I.LS, para investigações diversas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Nos últimos dias foram encaminhados relatórios não só para a Procuradoria da República no Paraná, base da força-tarefa que conduz a Operação Lava Jato, mas também para investigadores no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Em ao menos duas situações, os analistas se depararam com a L.I.L.S, que leva as iniciais do ex-presidente, ao analisarem a movimentação de outras empresas que são suspeitas de irregularidades. No fim de semana, a revista Veja revelou a existência de um relatório do Coaf que apontou movimentação de R$ 27 milhões da empresa de Lula entre abril de 2011 e maio de 2015. Desse total, R$ 10 milhões tinham como depositantes empresas investigadas na Operação Lava Jato. A L.I.L.S. é a empresa que o ex-presidente usa para receber recursos de palestras, uma das atividades às quais se dedicou após deixar o Palácio do Planalto. Em junho, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná, afirmou em despacho que o ex-presidente não estava sendo investigado, mas, conforme investigadores isso não significa que movimentações de sua empresa não tenham sido alvo de apurações. A Policia Federal gravou conversa do executivo da Odebrecht Alexandrino de Salles Ramos Alencar com Lula, em 15 de junho, quatro dias antes de o empresário ser preso na Lava Jato. O alvo da interceptação era uma linha usada por Salles. No diálogo, segundo relatório da Polícia Federal, o ex-presidente se diz preocupado com “assuntos BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”. A instituição é alvo de uma CPI que visa investigar a política de financiamentos a grandes empresas nos governos petistas.

Petista Paulo Ferreira diz que é apenas um "ex-candidato endividado"


O ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, disse que é amigo pessoal do ex-vereador do PT de Americana (SP), Alexandre Romano, o Chambinho, há mais de dez anos, mas negou ser beneficiário de recursos derivados do contrato entre a Consist Software e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP). Chambinho foi preso na Operação Pixuleco II, quinta-feira, 13, por suspeita de receber R$ 40 milhões em propinas a partir de contrato de empréstimo de consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. À Polícia Federal, ele citou Paulo Ferreira como "beneficiário de repasses". “Conheço o Alexandre Romano há mais de dez anos. Ele me procurou na sede do PT em 2006 dizendo que estava se mudando de Americana e que ia abrir um escritório em São Paulo. Isso derivou para uma relação pessoal. Mas nunca fui beneficiário destes contratos. Sou um ex-candidato endividado. Estou sendo cobrado por fornecedores da minha campanha e precisei fazer três empréstimos para pagar despesas”, disse Ferreira, que foi candidato a deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul, mas não se elegeu. Ferreira confirmou que foi procurado por Chambinho em 2009, quando ainda ocupava a tesouraria do PT, cargo que deixou no final daquele ano. O ex-vereador lhe teria dito que elaborava em parceria com o ex-ministro da Comunicação, Luiz Gushiken, um projeto relacionado com os empréstimos consignados. Gushiken morreu em setembro de 2013. “O Alexandre me disse em 2009 que estava fazendo um projeto de proteção para os empréstimos consignados junto com o Gushiken. Em 2010, quando eu já não ocupava mais a tesouraria, ele voltou a me procurar para dizer que uma empresa gostaria de fazer uma doação ao PT. Orientei que ele procurasse a pessoa responsável (na época, João Vaccari Neto)”, afirmou Ferreira. Embora confirme ter conhecimento da história, ele nega enfaticamente ter participado ou se beneficiado do negócio. “Não conheço ninguém. Nunca tive reuniões nem agendas com a Consist, ABBC ou SINAPP. Não participei de reuniões nem muito menos operei o resultado desse negócio. Este processo, inclusive, foi depois da minha saída da executiva nacional do PT”, disse. O ex-tesoureiro petista também confirmou ter feito a ponte entre Chambinho e o escritório de advocacia Portanova, de Porto Alegre. “Conheço o Portanova desde o tempo da escola, é um especialista em direito previdenciário e trabalhista. Eles me disseram que precisavam de clientes e o Alexandre me procurou dizendo que precisava de advogado. Então, fiz a indicação. Isso foi agora, em novembro de 2014″, disse Ferreira. O ex-tesoureiro petista, que hoje trabalha como assessor parlamentar na liderança do PT na Câmara, disse estar tranquilo quanto a citação a seu nome. “Estou à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público. Ao contrário de outros investigados nesta operação não tenho imóveis nem contas”, afirmou. Ferreira desafiou Chambinho a provar as afirmações e acusou o ex-vereador de Americana de tentar incrimina-lo para desviar o foco das investigações. “Ele tem a obrigação de provar. Isso que ele está fazendo é transferência de responsabilidades. Se eu tivesse alguma participação neste esquema estaria com a conta cheia de dinheiro e participação em empresas”, disse Ferreira, em referência ao fato de Chambinho ser sócio de diversas empresas.

Supremo julgará pedido para anular delação de Youssef

O plenário do Supremo Tribunal Federal irá julgar um pedido da defesa de Erton Medeiros Fonseca, executivo da Galvão Engenharia, para invalidar o acordo de delação premiada firmada pelo doleiro Alberto Youssef na Operação Lava Jato. Os advogados do empreiteiro questionam a decisão do ministro Teori Zavascki, relator da operação na Corte, de homologar os depoimentos do delator. Em maio, Toffoli havia negado o pedido da defesa, sob argumento de que a jurisprudência do Tribunal não admite habeas corpus contra ato de um dos ministros. A defesa recorreu e, nesta segunda-feira, 17, o ministro "reconsiderou" a decisão.


De acordo com a assessores do ministro, a reconsideração da decisão permite que os advogados do empreiteiro realizem defesa oral perante os ministros no dia do julgamento. Não há data prevista ainda para que o caso seja levado ao plenário. Embora os casos da Lava Jato sejam encaminhados a Teori Zavascki, o habeas corpus de Erton Medeiros foi para o gabinete de Toffoli, pois questiona o ato do relator dos casos relacionados ao esquema de corrupção na Petrobrás. O regimento do Supremo prevê que ações que questionam uma decisão de ministro relator devem ser encaminhadas ao plenário. A defesa do executivo é coordenada pelo advogado José Luiz Oliveira Lima (esse foi o advogado do bandido petista mensaleiro José Dirceu no processo do Mensalão do PT). No caso encaminhado ao STF, o advogado anexou um parecer do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp contestando a legalidade do acordo de delação premiada de Youssef. O ex-ministro afirma que o doleiro já quebrou um acordo de delação firmado anteriormente, no âmbito do escândalo do Banestado. "Não é válido e eficaz o novo acordo, como também quaisquer atos dele decorrente", escreveu o ex-ministro. Os advogados pedem que o STF derrube a homologação da colaboração premiada firmada por Youssef e anule os elementos de prova que decorreram dos depoimentos prestados pelo doleiro.

Senador Aloysio Nunes Ferreira garante, se "impeachment" passar na Câmara, PSDB vota a favor no Senado; ele acha que o governo Dilma não sabe governar

Um dia depois das manifestações que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse que o PSDB apoiará o processo caso ele seja aberto pela Câmara dos Deputados. Ele afirmou, porém, que as condições políticas para o afastamento da petista ainda não estão reunidas e que só estarão no momento em que o PMDB decidir deixar o governo. "O fato é que nós, hoje, vivemos uma situação de impasse. O governo não consegue governar, e não há alternativa política para ele ainda configurada", disse.


Em discurso na tribuna do Senado, o tucano defendeu que já existem elementos jurídicos para pedir a abertura do processo de impeachment da presidente, e que a "sorte" de Dilma era que os grandes empresários começaram a exprimir, nas últimas semanas, um "temor de que os custos de um impeachment sejam mais graves, sejam mais pesados do que o custo da manutenção da presidente Dilma".  Ele, no entanto, afirmou que essa avaliação poderá mudar, especialmente se a crise econômica piorar e as investigações da Operação Lava Jato chegarem mais perto do Palácio do Planalto. "Se o empresariado, especialmente o empresariado do setor das comunicações, entender que o custo da permanência da presidente é maior do que o custo da sua saída, o PMDB desembarca (do governo)", disse. O tucano defendeu ainda a legitimidade do impeachment, dizendo que o instrumento estava previsto na Constituição e já havia sido usado para tirar o atual senador Fernando Collor (PTB-AL) da Presidência. "Cabe ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, dar prosseguimento a um dos inúmeros pedidos de impeachment que estão sobre a sua mesa. Se isso acontecer, não tenho dúvida nenhuma de que o PSDB votará a favor. O Congresso estará pronto para sancionar a vontade constatada em pesquisas de opinião que mostram que 70% dos brasileiros querem ver a presidente Dilma pelas costas", afirmou. Apesar de declarar seu apoio ao impeachment, Aloysio Nunes Ferreira afirmou que o PSDB não fará nada para "agravar a crise" e que o "caminho ideal" era que Dilma Rousseff recuperasse a capacidade de governar e concluísse o seu mandato. É por isso que não dá para confiar e esperar nada do PSDB, porque seus líderes maiores são tacanhos. 

Eduardo Cunha avisa que projeto de alteração da correção do FGTS será votado de qualquer jeito nesta terça-feira, "por bem ou por mal"


A Câmara deverá votar nesta terça-feira o projeto que muda o índice de correção dos depósitos do FGTS. O presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o texto será levado a plenário “por bem ou por mal”. Favorável ao projeto, o peemedebista voltou a repetir do argumento de que as novas regras não trarão impacto negativo para as contas públicas, já que tratam apenas dos depósitos futuros. "O projeto do FGTS é o primeiro item da pauta e será apreciado de qualquer forma, por bem ou por mal. Isso não tem nada a ver com conta de governo, é dinheiro do trabalhador. É uma tentativa de evitar que passe um projeto para que o governo não fique daqui a dez anos supostamente sem margem de manobra", disse Eduardo Cunha. Pelo projeto, a partir de janeiro de 2016 os depósitos dos trabalhadores feitos na conta do FGTS terão a mesma correção da poupança. Para Cunha, isso poderá dobrar a remuneração em relação ao que é pago atualmente. Questionado se via possibilidade de o texto prever uma transição até que as regras fossem totalmente implementadas, o presidente da Câmara afirmou que o fato de apenas valer a partir de 2016 já seria a transição. "O relator que vai cuidar da negociação. Se puder fazer uma transição, ele o fará. Aliás, começar com os depósitos a partir de 2016 já é uma transição. Se não fosse transição, era para enfrentar todo o estoque", afirmou Eduardo Cunha. O peemedebista ressaltou que há vários processos na Justiça questionando as regras atuais e que, por isso, o Congresso deve se manifestar. "É um absurdo, esse assunto vai ter que ser tratado. É palco de vários assuntos na Justiça, em algum momento o Poder Judiciário pode decidir por dar essa correção que é direito do trabalhador. Então, pelo menos, é melhor a gente normatizar para os novos depósitos do que ficar esperando ter mais um esqueleto nas contas públicas", assegurou ele. Quase uma semana após o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter apresentado a Agenda Brasil, um documento que recebeu o aval do Palácio do Planalto como estratégia para tentar contornar a crise política no Congresso, Eduardo Cunha afirmou que não foi procurado por nenhum integrante do governo, nem por Renan, para tratar o tema. O presidente da Câmara continua refratário ao conteúdo do documento e reafirmou que, se não for enviado pelo Executivo, não terá prioridade de votação na Casa. "Saiu um monte de supostas propostas que não têm ainda conteúdo claro definido e o governo tem que assumir a agenda, senão não tem prioridade de votação. Temos que ser realistas. A pauta, para ser do interesse de todos, tem que ser colocada pelo Poder Executivo. Não conheço nenhuma dessas propostas. Vamos ver quando baixar a espuma o que é que tem", disse.

Sabatina do procurador geral Rodrigo Janot no Senado Federal é agendada para o dia 26


A Comissão de Constituição e Justiça do Senado agendou para o próximo dia 26 de agosto a sabatina do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, candidato à recondução ao cargo de chefe do Ministério Público Federal. A inquirição de Janot ocorre em meio à expectativa de que ele apresente as primeiras denúncias contra políticos suspeitos de terem recebido propina do escândalo do Petrolão do PT. Hoje, o chefe do Ministério Público visitou o gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que é um dos alvos da Operação Lava Jato. Nesta quarta-feira, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) apresentará seu relatório na Comissão de Constituição e Justiça sobre a recondução do procurador-geral. A votação do relatório na comissão e no Plenário do Senado também está prevista para o dia 26.

Fernando Henrique Cardoso diz que Dilma deve renunciar o assumir seus erros


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) recorreu às redes sociais nesta segunda-feira para comentar as manifestações deste domingo contra a presidente Dilma Rousseff, a terceira nos últimos cinco meses. Na avaliação do tucano, persiste o sentimento popular de que o governo, embora legal, "é ilegítimo". "Falta-lhe a base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulopetismo", escreveu FHC. Com o ex-presidente Lula no centro dos protestos - em Brasília, foi montado um enorme boneco inflável do petista vestindo uniforme presidiário -, FHC disse que a presidente Dilma, ainda que pessoalmente "possa se salvaguardar", "sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar". Em sua página no Facebook, FHC escreveu ainda que "os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo, isto é, a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir". E faz uma sugestão para Dilma sair das cordas: "Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza (renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional), assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava Jato", disse. O governo, no entanto, não sinaliza qualquer intenção de admitir os erros, conforme demonstrou nesta segunda-feira em entrevista sobre os protestos. O ex-presidente encerra dizendo que a desarticulação estará presente "até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: 'você pensa que é presidente, mas já não é mais'", disse FHC.

Ministério Público gaúcho pede 20 anos de prisão para o deputado Diógenes Bassegio; até hoje o Ministério Público não se mexeu para investigar e processar o deputado Gilmar Sossella, ex-presidente da Assembléia

O deputado estadual Diógenes Luiz Basegio e outras cinco pessoas foram denunciadas nesta segunda-feira pelo Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul por esquema de desvios de recursos da Assembléia Legislativa. O Ministério Público estima prejuízo aos cofres públicos entre R$ 1,44 milhão e R$ 2,5 milhões. O deputado é acusado de, durante seus quatro anos de mandato, entre 2011 e 2014, exigir parte de salários de servidores nomeados por seu gabinete, além de receber verbas públicas por diárias fictícias. Bassegio também manteria pelo menos duas funcionárias-fantasmas e ficava com praticamente todo o salário das mulheres. Conforme a denúncia, assinada pelo Procurador-Geral de Justiça, Marcelo Dornelles, o parlamentar executaria o esquema com a parceria de três assessores: Álvaro Luís Ambrós, que atuava em Passo Fundo; Stela Maris Severgnini de Queiroz, assessora superior no gabinete, e Neuromar Luiz Gato, chefe de gabinete — este último foi o delator da fraude, que veio a público após investigação do repórter Giovani Grizotti, exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no início de junho. Basegio e o trio de assessores foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e concussão. O Procurador-Geral deu uma entrevista coletiva nesta segunda-feira para falar sobre o assunto, uma vez que ele é mesmo singular até agora, em se tratando de Ministério Público gaúcho. Essa instituição, por exemplo, até agora não investigou e processou o ex-presidente da Assembléia Legislativa, deputado Gilmar Sossella, aquele que fez churrasco de campanha a 5 mil reais o ingresso para funcionários do Poder Legislativo gaúcho. O Procurador-Geral afirmou que a investigação de Bassegio apontou que entre R$ 30 mil e R$ 50 mil eram desviados mensalmente e ressaltou que o deputado sabia e comandava a fraude. "Pela quebra do sigilo bancário se constatou que os recursos iam parar, inclusive, na conta dele (Basegio)", afirmou Dornelles. O promotor também reproduziu vídeo de um depoimento de Janaína no qual ela admite que “nunca” recebeu por diárias a serviço do parlamentar. Entre janeiro e fevereiro de 2013, R$ 796,06 teriam sido desviados em falsas diárias em nome da acusada. Conforme os promotores, a investigação comprovou ainda que outros cinco assessores eram obrigados a entregar, em média, dois terços de seus salários aos articuladores do esquema. Os funcionários também seriam forçados a fazer doações à Associação Amigos da Saúde — albergue para pacientes em trânsito em Passo Fundo — que também seriam desviadas para o grupo. O Ministério Público calcula que, em caso de condenação, Bassegio e os três assessores podem receber pena de até 20 anos de prisão. Os promotores também pediram à Justiça o confisco de bens dos denunciados para possível ressarcimento aos cofres públicos. O Ministério Público está devendo uma explicação sobre os motivos pelos quais outro parlamentar estadual não foi investigo no inquérito da Máfia do Lixo, já que seu nome apareceu explicitamente em denúncia de próprio punho do delator originar do esquema. Além do deputado estadual também foram citados pelo mesmo delator dois deputados federais. Como o promotor de primeiro grau não tinha prerrogativa para investigar parlamentares deveria obrigatoriamente ter enviado a citação do nome dos mesmos ao Procurador-Geral para que este tomasse as providências necessária. O promotor de primeiro grau não tinha prerrogativa nem autorização legal para decretar que nada foi encontrado sobre estes parlamentares, pela simples razão de que não estava autorizado a investigá-los. Isto precisa ser resolvido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, com a correspondente satisfação à opinião pública, antes que o assunto chegue ao Conselho Nacional do Ministério Público. 

Presidente da CPI da Petrobras usou empresa de fachada, diz Procuradoria

O presidente da CPI da Petrobras, deputado federal Hugo Motta (PMDB-PB), pagou R$ 180 mil de sua verba parlamentar para alugar veículos da KMC Locadora, uma empresa que é considerada de fachada pelo Ministério Público de Pernambuco, por não existir fisicamente e ter apenas um carro registrado em seu nome. Motta contratou a empresa entre fevereiro e dezembro de 2011 e, depois, entre julho de 2012 e março de 2013, com pagamentos mensais de R$ 5.000,00 a R$ 10.000,00 de sua cota para atividade parlamentar – verba destinada pela Câmara para os deputados usarem em atividades de suporte ao exercício do mandato. Os pagamentos do parlamentar à empresa chamaram a atenção do Ministério Público de Pernambuco, que citou o fato em uma ação de improbidade administrativa ajuizada em junho contra a gestão do município de Santa Cruz do Capibaribe (PE) pela contratação da KMC sem licitação. Na ocasião, a empresa subcontratou veículos de outros proprietários para prestar o serviço, já que não os possuía, de acordo com a ação. Segundo as investigações, a sede da KMC não existe, não há registro de funcionários da empresa e a frota se resume a um veículo Toyota Corolla, que nem era aceito no contrato com a prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe. O Ministério Público aponta que a empresa é administrada pelos donos de uma outra locadora e manobrada só para obter contratos com a administração pública. Em depoimento, a proprietária da KMC, Rafaela Cavalcanti, disse nem saber quantos veículos a empresa possuía. O deputado Hugo Motta é do município de Patos, no interior da Paraíba, a 317 km da capital João Pessoa. A cidade fica a 67,8 km do município de Itapetim (PE), registrado como a sede da empresa KMC. Por não terem competência legal para investigá-lo, os promotores de Pernambuco enviaram na semana passada as informações sobre Motta à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal em Patos. O deputado, atualmente em seu segundo mandato, ganhou os holofotes neste ano após ter sido alçado à presidência da CPI da Petrobras. 

Eduardo Cunha critica a Agenda Brasil de Renan Calheiros e defende o aumento da remuneração do FGTS


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), saiu em defesa da proposta que aumenta a remuneração do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) nesta segunda-feira (17). O tema está na pauta de votação no plenário e será primeiro item apreciado na terça-feira (18). "Primeiro, o dinheiro não é do governo, é do trabalhador. Segundo, são só saldos dos novos depósitos a partir de 2016. Terceiro, o governo tem mais de R$ 80 bilhões em caixa", afirmou. Há mais de 20 projetos em tramitação no Congresso sobre a correção do fundo. A proposta defendida por Eduardo Cunha iguala a regra do FGTS à da poupança: correção de 6,17% ou 70% da taxa Selic + TR ao ano. As novas regras valeriam apenas para depósitos feitos a partir de 2016. O governo argumenta que o fundo não suportaria as despesas a partir de 2018, pois em três anos utilizaria todo o dinheiro em caixa para cobrir o custo extra. "É mais uma tentativa de tentar disfarçar a realidade. O governo quer ficar controlando um fundo que não é dele", avaliou Eduardo Cunha, para quem não há pauta-bomba. "Estou fazendo o dinheiro ser corrigido pela poupança. São os novos depósitos", finalizou. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) é relator da proposta e tenta uma alternativa para aumentar a correção do fundo. Eduardo Cunha voltou a se posicionar contra as propostas apresentadas semana passada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na chamada Agenda Brasil. "Se a pauta é de interesse de todos, tem que ser colocada pelo Executivo. Se não for assim, é um monte de propostas que pode vir de lá (Senado) e vai ser distribuída para as comissões", afirmou. Ele reiterou o processo de votação de projetos em plenário: "Aqui só votamos MP ou urgência constitucional, que trancam a pauta, ou urgência regimental, que para obter tem que ter assinatura dos líderes" e encerrou: "É muita espuma. Vamos ver quando baixar o que tem".

Marcelo Navarro vai para o Superior Tribunal de Justiça

A presidente Dilma Rousseff vai indicar o desembargador Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), na vaga do ministro Ari Pargendle, que se aposentou em setembro do ano passado. Ele foi o segundo colocado na lísta tríplice encaminhada à presidente. Marcelo Navarro é natural de Natal (RN), formado em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foi procurador da República antes de chegar a desembargador do TRF5, em dezembro de 2003. Atuou mais de 12 anos como procurador do Rio Grande do Norte. Navarro tem mestrado e doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e ainda é professor dos cursos de graduação e pós-graduação na UFRN e na Uni-RN. O indicado ao STJ assumiu a presidência do TRF-5 (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe ) em abril deste ano. 

O PT o governo Dilma, definitivamente, não tomam jeito: Paulo Bernardo, o marido de Gleisi Hoffman, vai assumir Itaipu


O ex-ministro petista Paulo Bernardo foi escolhido para assumir a presidência de Itaipu. Ele vai substituir Jorge Sameck, que ocupa o cargo desde o primeiro mandato do presidente Lula. Seu nome já está na Casa Civil e passou pelo Ministério de Minas e Energia. Sua nomeação está na cota do PT. Paulo Bernardo foi ministro das Comunicações do governo Lula e do Planejamento no primeiro mandato da presidente Dilma. O petista foi deputado federal (PR), secretário da Fazenda do ex-governador Zeca do PT (MS) e Secretário da Fazenda da prefeitura de Londrina (PR). Ele é casado com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Sua estréia na vida política foi pela diretoria do Sindicato dos Bancários do Paraná. Foi eleito deputado federal pelo Paraná em três legislaturas (1991–1995, 1995–1999 e 2003-2005). Petistas não tomam jeito mesmo, quanto mais encalacrado o sujeito, parece que mais "currículo" ele apresenta para assumir cargos. 

Juiz Sérgio Moro autoriza acareação entre delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef na CPI da Petrobras


O juiz federal Sérgio Moro autorizou nesta segunda-feira o deslocamento do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ambos delatores, a Brasília, para a acareação marcada pela CPI da Petrobras. Os dois ficarão cara a cara no próximo dia 25, em sessão marcada para às 14 horas. Eles divergem sobre o repasse de propina para a campanha da presidente Dilma Rousseff de 2010. Essa é a terceira tentativa de acareação entre os dois principais delatores da Operação Lava-Jato feita pela comissão. Por duas vezes, o encontro foi adiado: um por motivo de saúde e outro porque a agenda coincidia com depoimentos marcado pela Justiça Federal do Paraná. Em junho, os dois já ficaram frente a frente em uma acareação na Polícia Federal. Durante oito horas, os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef mantiveram versões divergentes em pontos da investigação. O ex-diretor da Petrobras disse que autorizou o doleiro a repassar R$ 2 milhões à campanha de Dilma, a pedido do ex-ministro petista Antonio Palocci. Já Youssef nega ter feito pagamentos à campanha petista e ter tratado do assunto com o ex-ministro. O embate, contudo, serviu para esclarecer a participação da petroquímica Braskem, pertencente à Odebrecht, no esquema de pagamento de propina na Petrobras. Ainda nesta segunda-feira, o juiz Sérgio Moro autorizou a transferência do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, do ex-gerente da estatal Celso Araripe e do executivo da Andrade Gutierrez, Flavio Barra, da carceragem da Superintendência da Polícia Federal do Paraná para o Complexo Médico Penal de São José dos Pinhais.

Refúgio a Pinto Molina

Roger hoje mora em Brasília
Roger hoje mora em Brasília
O Conselho Nacional de Refugiados (Conare) concedeu refúgio ao senador boliviano Roger Pinto Molina. Após quase um ano morando na embaixada brasileira em La Paz, o senador veio para o Brasil em agosto de 2013. Por Lauro Jardim

Política sem decotes

Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, acha que propor um "dress code" vai ajudar a moralizar a Câmara dos Deputados. O Antagonista desconfia que a proposta acabe criando restrições à participação popular em debates e votações.


Esta senhora, que preside um partido politico nacional, o PTB, não tem mais com que se preocupar? O País em uma tremenda crise e ela preocupada com fricotes?!!!!

Deutsche Bank: Brasil está mal também no varejo

O Brasil está mal no atacado da macroeconomia e no varejo das expectativas de ganho das empresas. O Deutsche Bank elevou de 250 para 300 pontos a estimativa de risco-país. Isso não deixa apenas o governo mal na fita. Também acarretou um corte no preço-alvo de ações de 10 varejistas brasileiras, por uma série de cálculos de análise financeira. Mas, na prática, isso significa o seguinte: seu potencial de valorização na Bolsa está menor.

Uma nova entrevista coletiva desastrada; para o governo, os que protestam são um grande nada! A saída de Dilma é a porta de saída

O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, ladeado pelos líderes do governo na Câmara e no Congresso, José Guimarães (PT-CE) e o senador José Pimentel, ambos do PT do Ceará, concederam uma entrevista coletiva nesta segunda sobre as manifestações de protesto deste domingo. Não tem jeito, não, gente! Eles são arrogantes demais para aprender com a realidade, mesmo quando estão, como agora, na pindaíba. Escrevi nesta manhã um texto em que afirmei o seguinte: “(Os esquerdistas) têm a ambição de conhecer o futuro da história e o futuro da humanidade. E delegam necessariamente a partidos e a entes de razão a tarefa de conduzir a luta e a revolução. Quando são obrigados a se confrontar com homens reais, com mulheres reais, com famílias reais, com aquelas pessoas que sustentam a máquina do estado — incluindo a sua (dos esquerdistas) boa vida —, então eles se revoltam e pespegam nos verdadeiros pilares da sociedade a pecha de “reacionários”, de ‘coxinhas’, de ‘golpistas’.” Afirmei ainda mais, referindo-me aos esquerdistas: “Esses teóricos da desgraça só aceitam como legítimos movimentos que consideram “disruptivos”, que provocam fratura e trauma na sociedade. A suposição de que reformas possam tornar o mundo melhor e de que se possa avançar também conservando valores é dolorosa para a sua pequena inteligência". Pois é… A entrevista concedida pela trinca me dá razão. Oh, sim, eles disseram respeitar os protestos, que são coisa da democracia e tal. À diferença dos petistas que estavam reunidos no Instituto Lula neste domingo, procuraram não minimizar o evento. Foi o combinado com Dilma em reunião prévia. Mas… Bem, o PT segue sendo o PT. Não é um partido socialista em sentido clássico, é evidente — a não ser pela socialização, entre eles, dos bens que são da população —, mas segue sendo autoritário. Depois de atribuir as dificuldades a uma suposta crise internacional e a se negar a reconhecer erros, o ministro decidiu criticar o pessimismo, sempre reconhecendo, não me diga!, a importância das manifestações, mas deixou escapar esta pérola: “O governo se preocupa, neste momento, muito mais com a construção de uma agenda para o País, de diálogo com o Congresso, com a sociedade, o empresariado e os movimentos sociais”. Entenderam? Os mais de 600 mil que foram às ruas no domingo, números das PMs dos Estados, são “não pessoas”. Na categorização de Edinho Silva, não são o Congresso, não são empresariado, não são movimentos sociais, não são a sociedade. Os pagadores de impostos, que ocuparam pacificamente o país inteiro, sem um único incidente, estão fora do radar oficial. Não são nada! Mesmo dizendo que respeita as manifestações — e ouso dizer que o ministro não está falando a verdade, ele procurou desqualificá-las, com a sua conversinha de cerca-Lourenço, buscando associá-las a grupos que pedem intervenção militar: “Parte dos movimentos assumiu uma conotação ideológica muito forte. Às vezes, fica até difícil a presidente conversar com as ruas, porque não tem uma pauta”. Bem, a pauta existe: é a saída de Dilma e o cumprimento da lei. Quanto à questão da intervenção militar, dizer o quê? Os que defendem essa proposta são uma minoria inexpressiva, irrelevante, sem importância no movimento de rua. Grave, isto sim, foi Vagner Freitas, companheiro de Edinho, ter pregado luta armada dentro do Palácio do Planalto.
Então ficamos assim, segundo o governo:
a: a crise por que passa o País veio de fora;
b: os milhares que foram às ruas são excrescências que não interessam ao poder de turno;
c: a pauta das ruas está ligada ao golpe.
Calma! Não acabou. Indagaram a Edinho se o governo pensava em pedir desculpas. Sabem o que ele respondeu? Isto: “Eu penso que, se trabalhar para a manutenção dos empregos no Brasil, trabalhar pela renda da população, principalmente a mais marginalizada historicamente desse País, se trabalhar pela manutenção de programas sociais é um equívoco, então que se constate o equívoco”. 
Viram?
Para Edinho Silva, na prática, os mais de 600 mil que foram às ruas estavam se manifestando contra a elevação de renda, contra o apoio aos marginalizados e contra os programas sociais. Voltemos, então, ao ponto daquele texto desta manhã. Como é que se pode dialogar com alguém que tem a certeza de que o adversário é necessariamente movido a má-fé? Ou se está com eles, ou se está contra o povo. Ocorre que o governo, em nome do qual fala Edinho Silva, é aprovado hoje por apenas 7% dos brasileiros. Nada menos de dois terços da população querem o impeachment de Dilma. Ninguém representa o povo à força, não é mesmo? A fala de Edinho, no entanto, revela uma das razões do desespero do PT. O partido nunca teve de lidar com a sociedade civil do outro lado, com o povo do outro lado. A sua experiência histórica é herdeira do bolchevismo — um bolchevismo de fancaria, mas é… Os petistas só reconhecem quadros partidários; só reconhecem militantes; só reconhecem companheiros. Só reconhecem os tais movimentos sociais. Ora, peguem esse tal Guilherme Boulos, esse megacoxinha mimado pelas tias que acha que coxinhas são os outros. Ele apóia e ataca o governo na medida exata do interesse do seu movimento. O MTST vai ter algum benefício? Ele puxa o saco de Dilma. Não vai ter o que espera? Ele ataca. É a fisiologia de esquerda. Ele não é diferente de um deputado que vende o seu apoio em troca de uma emenda. O povo que estava na rua neste domingo é gente autônoma. Não depende do governo pra nada — este, na verdade, só o atrapalha com a sua incompetência e com a roubalheira que acaba, direta ou indiretamente, patrocinando. Os que protestaram neste domingo não querem nada de Dilma, não esperam nada de Dilma, não se ajoelham para Dilma. São indivíduos LIVRES. E o PT não reconhece o valor supremo da liberdade. Precisamente por isso, Dilma não tem saída a não ser a porta de saída. Por Reinaldo Azevedo

Financial Times diz que se Dilma fosse removida do poder, "outro medíocre a substituiria"


O jornal Financial Times publicou nesta segunda-feira, 17, editorial sobre a crise brasileira e a presidente Dilma Rousseff. A publicação afirma que, apesar dos pedidos de impeachment, a presidente tende a continuar no cargo porque o Congresso também está metido em corrupção e resiste “em puxar o gatilho”. Além disso, caso “Dilma seja removida, provavelmente haveria outro político medíocre para substituí-la”. O Financial Times diz que a perda do grau de investimento continua sendo uma possibilidade real e “não há maneiras óbvias de quebrar o impasse” na economia. A edição impressa desta segunda-feira do jornal britânico dá bastante destaque ao Brasil. Na primeira página, a principal foto mostra as manifestações contra o governo realizadas ontem com o título “Protestos no Brasil colocam mais pressão sobre Dilma”. Nas páginas internas, a publicação tem uma reportagem sobre as manifestações e, além disso, um editorial sobre a crise brasileira. “Um esquema de corrupção alastrado na Petrobrás, investigado por procuradores independentes com admirável vigor, tem revelado quão venais são os políticos brasileiros, especialmente do Partido dos Trabalhadores”, diz o editorial que lembra que mais de US$ 2 bilhões foram desviados e destaca a atual fraqueza de Dilma: “Como a senhora Rousseff era presidente do conselho quando muito dessa corrupção teve lugar, ela pode ser culpada pelo menos de grande incompetência”. O jornal lembra, porém, que as investigações sobre a Petrobrás não relacionam Dilma Rousseff e não há nenhuma acusação contra a presidente. O jornal explica que há acusações de desrespeito às regras de financiamento eleitoral e maquiagem das contas públicas. As duas acusações poderiam levar a um impeachment, mas tudo isso aconteceu no primeiro mandato, diz o jornal. Mesmo que as acusações prevalecessem sobre o segundo mandato, o Financial Times nota que o apoio do Congresso para o impedimento não seria fácil. “Os políticos, que também estão envolvidos em corrupção, estão relutantes em puxar o gatilho. Enquanto isso, o partido de centro-direita de oposição PSDB está feliz em ver Rousseff sofrendo essa agonia. O PSDB espera chegar às eleições presidenciais de 2018 com o PT completamente desacreditado e com um mandato claro para adotar reformas liberais”, diz o editorial. “Além disso, mesmo que Dilma seja removida, provavelmente haveria outro político medíocre para substituí-la e, em seguida, tentar adotar o mesmo programa de estabilização econômica que ela está tentando fazer”, continua o Financial Times. O editorial voltou a cobrar reformas econômicas. O texto diz que a atitude “cada um por si” do Congresso diante da operação Lava Jato paralisa o andamento das medidas econômicas encaminhadas pelo governo. Por isso, o editorial diz que “um rebaixamento do Brasil para o status especulativo continua a ser uma possibilidade real”. “Se isso acontecesse, ainda mais investimento deixaria o País, e a economia iria piorar ainda. Nesse meio tempo, não há maneiras óbvias para quebrar o impasse”, diz o Financial Times. Apesar do tom pessimista, o Financial Times reconhece que “alguma perspectiva é necessária” para avaliar a crise. “O Brasil está longe de ser um tipo de confusão que existe na Argentina ou na Venezuela”, cita o texto que, apesar da ponderação, acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter “nível espetacular de arrogância”. “Seis anos trás, Luiz Inácio Lula da Silva proclamou que ele estava convencido que o Século XXI seria do Brasil. Ainda faltam 85 anos – então a frase pode se mostrar correta. Antes disso, no entanto, Lula, que já foi um dos políticos mais populares do mundo, também pode ser indiciado por acusações de corrupção. Raramente a arrogância atingiu níveis tão espetaculares”.

A Justiça diz que propina de Cerveró e Baiano foi de R$ 54,5 milhões


Em sentença condenatória publicada nesta segunda-feira, 17, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, afirmou que ficou comprovado o pagamento de R$ 54.517.205,85 em propina sobre contrato de dois navios-sonda da Petrobrás ao ex-diretor da estatal Nestor Cerveró (Internacional) e ao lobista Fernando Baiano Soares, ligado ao PMDB, em julho de 2006. Cerveró, Baiano e o operador de propinas Julio Camargo, delator que acusou o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de pressioná-lo por propina de US$ 5 milhões, foram condenados por corrupção e lavagem de dinheiro. Cerveró e Baiano estão presos em Curitiba, base da Lava Jato. “Fixo em R$ 54.517.205,85 o valor mínimo necessário para indenização dos danos decorrentes dos crimes, a serem pagos à Petrobras, o que corresponde ao montante pago em propina provado documentalmente à diretoria da área Internacional da Petrobrás e que, incluído como custo dos contratos, foi suportado pela Petrobrás. O valor deverá ser corrigido monetariamente até o pagamento. Do valor, deverão ser descontados o montante arrecadado com o confisco criminal”, determinou o juiz.


Cerveró foi condenado a 12 anos, três meses e dez dias de reclusão. Esta é a segunda condenação do ex-diretor. Em maio, o juiz Moro aplicou 5 anos de pena ao ex-diretor, pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento de luxo em Ipanema, no Rio de Janeiro. O doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, que também era acusado na mesma ação, foi absolvido. Baiano, apontado como braço do PMDB no esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014, pegou 16 anos, um mês e dez dias de reclusão. Julio Camargo foi condenado a 14 anos de reclusão. Beneficiado pela colaboração prestada à Lava Jato, ele teve sua pena reduzida para cinco anos em regime aberto. Segundo Moro, foram pagos US$ 14.317.083,00 (R$ 50.109.790,50) e R$ 4.407.415,35 a Cerveró e Baiano em propina sobre o contrato dos navios-sonda, ‘que, portanto, representam o produto do crime’. “Apesar do pagamento da maior parcela da propina no exterior, não se logrou o sequestro dos saldos das contas no exterior, tendo elas sido esvaziadas antes da ação da Justiça. No Brasil, o sequestro judicial das contas bancárias e bens dos condenados ainda não tem resultado final definido”, observou o juiz da Lava Jato. O magistrado afirmou que R$ 2.001.344,84 e R$ 6.561.074,74, no entanto, foram sequestrados em contas das empresas Technis Planejamento e Gestão em Negócios Ltda. e Hawk Eyes Administração de Bens Ltda, controladas por Baiano. As empresas, de acordo com o juiz, receberam, no Brasil, parte dos valores destinados à propina. “Os valores sequestrados nessas contas, considerando a fungibilidade do dinheiro, devem ser considerados como produto do crime. Assim, decreto o confisco, com base no artigo 91, II, ‘b’, do Código Penal, dos saldos das contas bloqueadas em nome das empresas Technis e Hawk Eyes”, decretou. Na decisão, o juiz renovou uma decretação de confisco de um imóvel em Ipanema, no Rio de Janeiro, de propriedade de Cerveró, ‘bem como os frutos consistente nos aluguéis mensais, uma vez que os crimes que são objeto da presente ação penal também foram apontados entre os crimes antecedentes ao de lavagem daquele processo’. “Fica o restante do patrimônio de Fernando Soares e de Nestor Cerveró, ainda que sem origem criminosa comprovada, sujeito ao confisco criminal até completar o montante de R$ 54.517.205,85, descontados os valores dos bens diretamente confiscados. Inviável identificar tais bens no presente momento pois as medidas de arresto e sequestro estão ainda em curso. A identificação deverá ser feita em processos a parte ou, como permitido, na fase do artigo 122 do Código de Processo Penal”, determinou o juiz da Lava Jato: “O confisco reverterá em favor da vítima, a Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás".

Racha na defesa - Baiano sem delação


Ocorreu um racha na defesa de Fernando Baiano. A banca de Nélio Machado agora é a única à frente da defesa daquele que, nas palavras de Júlio Camargo, é o “sócio-oculto” de Eduardo Cunha. O escritório David Teixeira Azevedo deixou o caso. A propósito, até agora, Fernando Baiano continua firme na decisão de não fazer delação premiada. Por Lauro Jardim

Justiça condena ex-advogado da família Schincariol por formação de quadrilha


O ex-advogado da família Schincariol, Juvenal Antonio Tedesque da Cunha, foi condenado a dois anos e três meses de reclusão pelo crime de formação de quadrilha. Ele havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal em Assis, no interior de São Paulo, por ter se associado a Caetano Schincariol e seus filhos para fraudar arrematações judiciais de veículos que pertenciam à empresa. Os bens haviam sido leiloados por determinação da Justiça Federal para saldar a dívida bilionária da cervejaria decorrente da sonegação de impostos. Os equipamentos levados à penhora, utilizados na entrega das mercadorias, foram arrematados por uma empresa de fachada, a Machado Transportes Ltda., cuja sócia majoritária era Edna Machado Schincariol, filha de Caetano. Segundo investigações, no entanto, os equipamentos sequer saíram do interior da empresa. Com isso, a própria devedora ficou com os veículos, em um esquema arquitetado pelo advogado, o qual forneceu as "orientações jurídicas necessárias". Os leilões dos equipamentos foram realizados entre agosto de 2006 e abril de 2007. O montante pago pela Machado Transportes Ltda. somou 3,1 milhões de reais, menos de 60% do valor total da avaliação dos bens. Em nota, o Ministério Público Federal diz que apenas em uma das execuções fiscais, um caminhão foi arrematado por quantia superior à da avaliação, em razão da existência de outro interessado na aquisição. Segundo a sentença que condenou Juvenal Antonio Tedesque da Cunha, o esquema "frustrou o ressarcimento dos prejuízos aos cofres públicos e passou à sociedade uma imagem de descrédito com relação à Justiça Federal". "Empresa notoriamente sonegadora de tributos, cujos sócios já foram reiteradas vezes condenados criminalmente por delitos desse tipo, continua explorando normalmente sua atividade como se intocável fosse, e tudo isso graças às nulidades das arrematações causadas pelas fraudes perpetradas", afirmou o juiz federal Luciano Tertuliano da Silva.

Cerveró é condenado a 12 anos de prisão e Fernando Baiano, a 16 anos; ambos estão negociando delações premiadas


O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, condenou nesta segunda-feira o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, a 12 anos, 3 meses e dez dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No mesmo processo, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no escândalo do Petrolão do PT, foi condenado a 16 anos, um mês e dez dias de prisão também por corrupção e lavagem. Os dois estão presos em Curitiba e negociam acordos de delação premiada. Segundo a lei 12850/13, em caso de delação depois de estabelecida a sentença, a pena pode ser reduzida até a metade ou o condenado pode obter progressão de regime sem apresentar requisitos objetivos, como cumprimento prévio de uma parcela específica da pena. "A prolação da presente sentença condenatória não impede essas negociações e a concessão de eventuais benefícios legais aos condenados caso de fato se ultime algum acordo de colaboração. As normas legais (...) são flexíveis o suficiente para permitir benefícios até amplos mesmo após uma condenação criminal", disse Moro. Ambos podem recorrer da sentença, mas continuam presos cautelarmente. De acordo com a acusação, Cerveró participou da contratação, baseada em dados frágeis, de navios-sonda da Samsung Heavy Industries. Em uma primeira etapa, recebeu 15 milhões de dólares em dinheiro sujo a partir da mediação de Fernando Baiano e recomendou à Diretoria Executiva da estatal a contratação da empresa sul-coreana por 586 milhões de dólares. Na transação para a compra do segundo navio-sonda, Nestor Cerveró teria recebido mais 25 milhões de dólares para que a Samsung conseguisse o contrato ao custo de 616 milhões de dólares. Uma auditoria interna da Petrobras analisou a compra dos dois navios-sonda adquiridos da Samsung Heavy Industries, o Petrobras 10000 e o Vitoria 10000, além do navio Titanium Explorer 1. Em documento assinado pelo gerente de Auditoria de Exploração e Produção da Petrobras, Paulo Rangel, a contratação das duas plataformas da Samsung foi justificada por "premissas otimistas" que utilizavam um cenário de difícil execução. Ao tentar justificar a necessidade de compra dos navios-sonda, a diretoria Internacional utilizou projeções irreais: a perspectiva de quatro novos blocos por ano, com dois prospectos e 30% de chance de sucesso, além de um poço com 30% de chance de comercialidade e do desenvolvimento de 32 poços por campo. "Além do custo da propinas ser embutido no preço dos contratos, a estatal arcou com prejuízos com a contratação de navios-sondas sem processo competitivo e sem a demonstração de sua efetiva necessidade. A corrupção com pagamento de propina de milhões de dólares e de reais e tendo por consequência prejuízo equivalente aos cofres públicos merece reprovação especial", disse Moro. No processo em que foram condenados Nestor Cerveró e Fernando Baiano, o juiz Sergio Moro também condenou o lobista Julio Camargo a 14 anos de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, mas a sentença foi convertida para cinco anos em regime aberto diferenciado porque o réu é um colaborador da Justiça. A defesa chegou a pedir o perdão judicial, mas o magistrado rejeitou essa possibilidade. No regime aberto diferenciado, Camargo deverá prestar serviços à comunidade, comunicar antecipadamente sobre viagens e apresentar relatórios periódicos dos serviços impostos pela Justiça. "A colaboração demanda a concessão de benefícios legais, não sendo possível tratar o criminoso colaborador com excesso de rigor, sob pena de inviabilizar o instituto da colaboração premiada", disse Sergio Moro ao justificar a pena final de Julio Camargo. O lobista foi responsável por acusar o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ter pedido 5 milhões de dólares em propina. Além das penas de prisão, o juiz Sergio Moro determinou o confisco criminal de bens de Cerveró e Baiano até que ambos consigam pagar o valor de 54,5 milhões de reais, cifra equivalente à indenização que deve ser depositada em favor da Petrobras. Os valores foram definidos com base no ficou comprovado do pagamento de propina aos dois pelos contratos de fornecimento dos navios-sondas Petrobras 10000 e Vitoria 10000. A Justiça já tinha tornado indisponível um imóvel de luxo de Cerveró, no Rio de Janeiro, usado, conforme revelou VEJA, em um esquema de lavagem de dinheiro do ex-dirigente. No caso de Fernando Baiano, a maior parte de seu patrimônio em contas bancárias no exterior ainda não foi identificada, mas foi decretado o sequestro de 8,5 milhões de reais de duas empresas dele, a Technis Planejamento e Gestão em Negócios Ltda. e Hawk Eyes Administração de Bens Ltda.

Lula é uma simpatia


Nestor Cerveró entregou Lula. Disse que ele usou dinheiro roubado da Petrobras para bancar sua campanha em 2006. E o que fez o PT? Vazou para a Época que Dilma Rousseff convidou Lula, "mais uma vez, para assumir um ministério. A insistência deve-se ao fato de Dilma ver com simpatia a ideia de ter Lula em sua equipe". Ela vê com simpatia também a ideia de salvar Lula da cadeia, dando-lhe foro privilegiado.

Herança maldita do peremptório petista - Badesul leva prejuízos multimilionários com Iesa e Impsa, em empréstimos concedidos no (des)governo petista

A empresa argentina Impsa, maior fabricante latinoamericano de aerogeradores para parques eólicos, aplicou calote de R$ 50 milhões no Badesul. O dinheiro do financiamento saiu em 2012, no governo do peremptório "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro. A Impsa entrou em fase de recuperação judicial na Argentina. O Badesul tem tentado receber o dinheiro de volta, mas sem sucesso, o que quer dizer que terá que levar o prejuízo ao seu balanço. Aliás, terá que fazer isto junto com os R$ 45 milhões que o governo Tarso Genro também enfiou na moribunda Iesa, no também finado Pólo Naval do Jacuí. O grupo argentino Impsa escolheu o Rio Grande do Sul para instalar sua segunda fábrica de aerogeradores no Brasil em 2012, no município de Guaíba, em um investimento de R$ 87,5 milhões. O anúncio foi feito pelo vice-presidente executivo da empresa, José Luis Menghini, anunciando que seriam gerados 350 empregos diretos. De acordo com Menghini, as vantagens logísticas foram decisivas para o projeto de produzir 220 aerogeradores anualmente no Rio Grande do Sul. "Foi a melhor forma de reduzir custos de logística da operação da companhia, pois o Estado conta com incentivos e políticas sólidas de desenvolvimento. O Governo do Estado nos ajudou muito a concluir os nossos estudos", afirmou na época. Foi mais uma "conquista" do governo Tarso Genro, do mesmo gênero da unidade da Iesa, que fechou em Charqueadas, no Pólo Naval do Jacuí. Ou seja, mais uma gigantesca herança maldita para os gaúchos. A Impsa entrou em crise depois que a Eletrobrás negou-se a pagar R$ 1 bilhão por turbinas que recebeu e a fábrica de Guaíba não saiu e nem sairá. O Badesul, que financiou tudo, não recebeu seu dinheiro de volta. A unidade seria construída pela controlada Impsa Wind ainda em 2012, e deveria entrar em operação em 2013. O empresário argentino Enrique Pescarmona, dono do conglomerado argentino Impsa, disse que sua empresa foi a única que parou de receber pelos contratos com a Eletrobras entre as demais fornecedoras da estatal. Ao afirmar que jamais pagou propina à empresa de energia do governo, o empresário sinaliza que foi por isso que parou de receber. Pescarmona ganhou no último mês, em primeira instância, o direito de receber 1 bilhão de reais referentes a pagamentos atrasados da Eletrobras, para quem a Impsa fornecia turbinas. Segundo Pescarmona, todas as empresas citadas na Lava Jato recebiam em dia da Eletrobras. "Não nos pagaram por três anos. Além disso, quiseram romper o contrato, mesmo já firmado, e nos impor uma multa de 4 bilhões de reais. Investimos 1,5 bilhão de reais no Brasil e queriam nos multar em 4 bilhões", diz o empresário, natural da região de Mendoza. O empresário afirmou ainda que, ao cobrar a Eletrobras, foi aconselhado pelos executivos da estatal a recorrer à Justiça. "Ir à Justiça significa que deixamos de cobrar três anos a energia, e isso nos matou. Nos custou pelo menos 250 milhões de dólares", afirmou. A Impsa se instalou no Brasil a partir de 2001, com a intenção de criar parques eólicos. A empresa investiu mais de 1 bilhão de dólares (sendo 300 milhões de dólares em capital próprio) para financiar a empreitada nos Estados de Pernambuco e Santa Catarina. Em 2010, a companhia, que no Brasil leva o nome de Wind Power Energia, firmou um contrato para fornecer turbinas ao consórcio Norte Energia, que ergue a usina de Belo Monte. O calote da Eletrobras fez com que a empresa argentina também postergasse o pagamento de dívidas com seus credores. Sobre a derrocada dos negócios no Brasil, Pescarmona lamenta: "Sempre cometemos erros. O nosso foi ter uma percepção errada de um Brasil moderno e não nos demos conta de que um grupo de pessoas não poderia reverter essa situação". Pescarmona evitou fazer acusações ao governo e às empresas citadas na Lava Jato - a Impsa, inclusive, é uma delas. Segundo informações colhidas pela Polícia Federal, em 2005, o embaixador brasileiro em Quito (Equador), Sergio Augusto Sobrinho, comemorou a ação de Lula e Néstor Kirchner em prol de um pedido da Odebrecht, que queria se associar à empresa de Pestarmona para conseguir um contrato público com o governo equatoriano. O empresário foi questionado se tinha conhecimento que Valter Cardeal, ex-número 1 da Eletrobras e um dos homens de confiança de Dilma, era o elo que ligava o Eletrolão ao Petrolão. Mas deu uma resposta evasiva: "É o que dizem". Endividada no Brasil, a Impsa recentemente fez uma proposta a seus credores que surpreendeu pela "sinceridade". Nela, a empresa afirma que pode começar a liquidar seu endividamento de mais de 400 milhões de reais no Brasil apenas em 2055.

As ruas, e só elas, podem pôr fim ao “acordão”. O Brasil mandou seu recado: Dilma e o PT fora do governo, em nome da lei


Não é segredo pra ninguém — nem o governo fez grande esforço para escondê-lo — que a semana passada, em Brasília, abrigou várias feitiçarias. De súbito, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado — um potencial alvo de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, tanto quanto Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara —, surgiu como condestável da República e fiador de uma tal agenda da estabilidade. No papel, a articulação é poderosa: Janot livra a cara de Renan, que arruma os votos de que precisa o procurador e, de quebra, ainda seduz uns dois ou três sob a sua influência no TCU, com Cunha isolado. Atenção! Erram os que acham que Michel Temer foi personagem ativa nesse arranjo. Não foi, não! Dilma não engoliu, embora tenha dito o contrário, aquela fala do vice, segundo quem é preciso haver alguém que “reúna e una o país”. Renan e Dilma tentaram um “strike”, derrubando todos os pinos do boliche com uma única tacada. Mas acho que não vai dar certo. A “virada” que o governo tentou caracterizar não se deu só aí. No TSE, Luiz Fux pediu vista na ação em que o PSDB acusa a campanha de Dilma de abuso de poder político e de poder econômico e de uso de recursos oriundos de propina da Petrobras. O placar já estava dois a um, e um terceiro voto já era dado como certo. São necessários apenas quatro para que se abra a investigação. No STF, Roberto Barroso, numa decisão, para dizer pouco, heterodoxa, considerou que a Câmara não transgrediu a Constituição ao votar as contas de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula, mas que transgrediria caso votasse as de Dilma. Segundo ele, isso tem de ser feito em sessão conjunta da Câmara e do Senado. Ou por outra: tão logo o TCU entregue o seu parecer, quem conduziria o escrutínio seria o neoconvertido Renan Calheiros, não o oposicionista Eduardo Cunha. Isso tudo, meus caros, já estava nas ruas neste domingo. Um ministro do TCU, que consta da lista do governo como aliado, ficou muito impressionado com o alcance dos protestos. Nem a sua família aceita que ele aprove as contas de Dilma. Diz, ademais, que não é verdade que o governo petista fez o que era costume. A contabilidade é uma soma de horrores. É muito provável que Renan não consiga entregar os votos do TCU que prometeu — daí a importância de ser ele a conduzir a votação, não Cunha. Nesta terça-feira, o presidente da Câmara entra com um agravo regimental e pede que o pleno do Supremo se manifeste a respeito, já que a decisão de Barroso é em caráter liminar.  O protesto deste domingo não se limitou a pedir a saída de Dilma — por impeachment, renúncia ou cassação de mandato no TSE. Todas as lideranças que se alternaram ao microfone dos carros de som — e isso não era menos verdade entre os que estavam no asfalto — denunciavam o acordão, apontavam seus protagonistas e deixavam claro que ele já era de domínio público. A sociedade de verdade rejeitava a sociedade do conchavo, do arranjo, dos embargos auriculares, das conversinhas de corredor, dos interesses inconfessáveis. Se o governo apostava que a semana passada havia marcado o ponto de inflexão e de que teria início, então, a reversão de seu destino, errou de forma monumental. O que o acordão fez foi ampliar a lista de pessoas que agora estão no radar dos movimentos de rua. Ninguém vai engolir calado os conciliábulos e mutretas para salvar esse ou aquele. As ruas também não caíram na conversa de que tudo não passa de uma tramóia envolvendo empreiteiros ladrões e funcionários corruptos da Petrobras. Cada um dos brasileiros que protestaram neste domingo sabe que é um projeto de poder que está sendo desmontado, esmiuçado, saindo das sombras para vir à luz. Sim, meus caros, as ruas — e só as ruas — podem mandar para o espaço o acordão da semana passada, com o qual o governo imaginou que poderia sair das cordas. Era patético ouvir neste domingo os capas-pretas do PT, que passaram pelo Instituto Lula, a louvar o que teria sido o começo da redenção do governo Dilma. Não foi não! Mais: se, nas duas outras manifestações, as palavras de ordem ainda eram um tanto difusas, com o impeachment como um item da pauta, desta feita, ficou muito claro que a reivindicação se concentrou, sim, na saída da presidente. O acordão foi denunciado e justamente satanizado porque se entendeu, corretamente, que ele busca impedir esse desfecho. E que se note: ninguém é ingênuo. Conversei com muita gente na rua. Todos sabem que as coisas não se resolvem do dia para a noite e se mostram dispostos a resistir. Os três grandes protestos havidos até agora — 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto — são justamente as três maiores manifestações políticas havidas na história do Brasil. E outras virão. Os brasileiros estão cansados, sim. Mas não de ir à luta. Querem saber? Mal começaram. O acordão não foi engolido pelas ruas. E seus personagens todos correm o risco de partilhar o mesmo círculo do inferno. Ponham fim à impostura, senhores! A população já percebeu. Por Reinaldo Azevedo

O mito Lula está acabado; PT agora torce para que a Justiça não acerte as contas com o homem Lula


Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à manifestação, no instituto que leva seu nome, promovida pela CUT e pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC — onde ele nasceu politicamente, quando ainda apenas de São Bernardo e Diadema. Por que não? Inexiste explicação lógica. É claro que, segundo a narrativa que se conta no petismo, ele deveria estar lá, não é mesmo? Não pode se exibir como um símbolo, uma abstração intangível, até entre os seus. É que o contraste seria vexaminoso para ele. A sociedade civil, sem estrelas da grandeza do poderoso Babalorixá de Banânia, pôs mais de 600 mil pessoas nas ruas, segundo as Polícias Militares. Lula sabe que seu PT agoniza. E tem claro que a sua imagem está se esfarelando. Brasil afora, ele próprio não era menos alvo dos protestos do que Dilma Rousseff. Aquele que Gilberto Carvalho dizia ser, ainda em 2013, o “Pelé” que estava no banco de reservas do PT é hoje tratado como um perna de pau. Jilmar Tatto, secretário de Transportes e homem forte do prefeito Fernando Haddad, afirmou que o protesto só existe porque a oposição teme Lula em 2018. Para começo de conversa, não é certo que esse governo se segure até lá. Mas também isso já foi. O Lula imbatível nas urnas é hoje coisa de um passado até recente no tempo, mas muito distante quando se considera o ritmo acelerado em que amadurece a sociedade brasileira. Ninguém mais cai na conversa. Lula até tentou nos últimos 15 dias revitalizar aquele papo furado da luta do “nós” contra “eles”; das “elites” contra o “povo”. Sempre foi uma falsa questão, sempre foi uma boçalidade política. Mas tão mais distante se torna quando se constata que, fora do governo, só em palestras estupidamente bem pagas, amealhou R$ 27 milhões, boa parte delas contratadas e pagas por empresas investigadas na Lava-Jato. O companheiro, que pretende ser o monopolista do povão, é hoje um milionário, não é mesmo? E não haveria mal nenhum nisso se a fortuna, essa que conhecemos, houvesse sido conquistada longe do poder e de interesses que se entrelaçam com dinheiro público. Mas também isso não bate com a realidade. Os lulistas gostariam que fosse verdadeira a falsa tese de que é a ruindade do governo Dilma que contamina a imagem de Lula. Não é, não! Há até uma possibilidade, no terreno estritamente pessoal, de que seja o contrário. Não é difícil a gente ouvir por aí que Dilma pode até ser honesta, o problema está no fato de ser tutelada por Lula e pelo PT. Desconheço se alguém já fez algo parecido, e fica aqui a dica: institutos de pesquisa deveriam escolher algumas personalidades públicas para que a população avaliasse a sua honestidade, com notas de zero a 10. Aposto que Dilma receberia uma pontuação acima da de Lula. Na Avenida Paulista — e, segundo sei, foi assim em toda parte —, Lula não apanhou menos do que Dilma e do que o PT propriamente. Aquele que era o Pelé do banco, a eterna reserva moral para opor o povo à Dona Zelite, hoje já não é garantia de nada. Bonecos infláveis Brasil afora o caracterizavam como um presidiário. E isso lança o PT num verdadeiro desespero. Os “companheiros” não sabem por onde recomeçar. Acusam conspirações as mais exóticas e variadas, mas nem eles acreditam seriamente em suas mentiras convenientes. O mito Lula está acabado, e resta agora torcer para que a Justiça não resolva ajustar as contas com o homem Lula. Por Reinaldo Azevedo

A menor de todas as minorias formou muitos milhares: o indivíduo! Como resposta ao ódio das esquerdas, paz, alegria e convicção


Petistas se reuniram no Instituto Lula para atacar as manifestações em favor do impeachment e para defender o lugar sabe-se lá do quê. Uma bomba caseira jogada por algum bandido — e é preciso saber de que tipo — explodiu na calçada há alguns dias. A partir daí, os petistas tentaram associar os manifestantes antigovernistas à violência, o que é uma piada. De novo, pela terceira vez seguida, muitos milhares de pessoas protestam sem que se tenha registrado um único incidente, nada. Famílias inteiras nas ruas. Pessoas de todas as idades: avós, filhos, netos, bisavós, como cheguei a encontrar. Nem uma lata de lixo queimada. Nada! Nem uma porta de banco quebrada. Nada! Nem uma estação de metrô depredada. Nada! Nem um ônibus incendiado. Nada! Em vez de disparar balas de borracha, policiais posavam para fotos, com alguma frequência, para selfies. Em vez de militantes metendo o dedo em riste na cara de homens fardados que estão trabalhando, a mão amiga no ombro. Vi uma cena curiosa: havia uma pequena fila para tirar retratos até ao lado de cães treinados para conter eventuais distúrbios. Mas não houve distúrbio nenhum. Mais de 200 cidades se manifestaram em paz. Os black blocs não estavam lá porque bandidos mascarados não são aceitos por gente decente, que trabalha, que estuda, que trabalha e estuda. Não houve momento nenhum de tensão. Em 2013, Gilberto Carvalho, então secretário-geral da Presidência, confessou ter conversado várias vezes com lideranças desses marginais. Em vez de chamar a Polícia Federal, ele se reuniu com a bandidagem. Digo ainda mais: ao fim da passeata, com a Paulista já desocupada, fiz um pequeno passeio pela avenida. Para uma via que acabara de receber, segundo a PM, 350 mil pessoas — 135 mil, segundo o Datafolha —, ela estava, surpreendentemente limpa. As passeatas do antipetismo em todos os estados do país e no Distrito Federal são exemplos, antes de mais nada, de civilidade, de cordialidade, de alegria, de zelo pela cidade. Em vez do ódio que corrói a alma das esquerdas, a tranquilidade de quem está cobrando apenas o cumprimento da lei. Sei, porque os conheço, o quanto uma narrativa como essa deixa frustrados e melancólicos os subintelectuais de esquerda — afinal, se intelectual mesmo, como ser de esquerda? Esses teóricos da desgraça só aceitam como legítimos movimentos que consideram “disruptivos”, que provocam fratura e trauma na sociedade. A suposição de que reformas possam tornar o mundo melhor e de que se possa avançar também conservando valores é dolorosa para a sua pequena inteligência. Afinal, esses valentes têm a ambição de conhecer o futuro da história e o futuro da humanidade. E delegam necessariamente a partidos e a entes de razão a tarefa de conduzir a luta e a revolução. Quando são obrigados a se confrontar com homens reais, com mulheres reais, com famílias reais, com aquelas pessoas que sustentam a máquina do estado — incluindo a sua (dos esquerdistas) boa vida —, então eles se revoltam e pespegam nos verdadeiros pilares da sociedade a pecha de “reacionários”, de “coxinhas”, de “golpistas”. É doloroso para as esquerdas que as ruas tenham reunido pobres, ricos e remediados; brancos, mestiços e pretos; homens e mulheres; héteros e gays; jovens, maduros e idosos… E todas essas pessoas estavam reunidas sob uma única bandeira: a do Brasil. Não havia “ismos” cobrindo a realidade com fantasias liberticidas sob o pretexto de proteger minorias. Até porque, meus caros, a MENOR DE TODAS AS MINORIAS FORMAVA UMA MAIORIA ESPETACULAR: O INDIVÍDUO. Sim, quem estava nas ruas, nas praças, nas calçadas, em todo canto, eram indivíduos livres, que tinham e têm como causa a Constituição. E que não se ajoelham diante de homens e de mitos. O PT não tem o que dizer a essa gente, que veio para ficar. Por Reinaldo Azevedo

Rodrigo Janot entra no radar das ruas e da sociedade civil! Ainda bem! Vai ajudá-lo a fazer a coisa certa!


O trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda está longe do fim. Será, como o de toda a Operação Lava-Jato, devidamente avaliado quando concluído. E, por isso mesmo, cumpre-nos ficar vigilantes. Felizmente e a tempo, Janot entrou no radar da sociedade civil. Lideranças do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua, em seus respectivos carros de som, chamaram o chefe do Ministério Público Federal às suas responsabilidades. “Ah, nem precisava…” Ah, caras e caros, precisava, sim! Até os gramados de Brasília sabem que o acordão que tem de ser explodido passou pelas cercanias da Procuradoria-Geral da República, com reflexos no TCU. E isso foi devidamente percebido pelos movimentos que convocaram as manifestações. O, como chamarei?, perfil entre estoico e irascível dos procuradores de Curitiba não pode nos impedir de fazer algumas cobranças, não é mesmo? A oposição encaminhou a Janot no dia 26 de maio um pedido de abertura de ação penal contra a presidente Dilma com base no Artigo 359 do Código Penal. Há quase três meses! Que dificuldade tem o procurador-geral de dizer um “não” ou, então, de encaminhar o pedido ao Supremo? Ele pode concordar com a oposição ou discordar dela. A questão jurídica que o pedido envolve é simples. Da mesma sorte, Dilma foi citada ao menos 11 vezes nas delações. Alberto Youssef, por exemplo, diz que ela sabia de tudo. Janot já se manifestou diante do Supremo, opinando que, segundo entende, a presidente não pode ser denunciada no imbróglio da Petrobras porque os crimes são anteriores a este mandato. A matéria é controversa, para dizer pouco. Há juristas de primeira grandeza, com os quais me alinho, que pensam o contrário. Mas digamos que assim fosse, resta outra questão: investigada em inquérito, segundo jurisprudência do Supremo, ela pode ser. E, sobre isso, não há controvérsia. Desde o começo, vocês são testemunhas, estranhei a lista de políticos de Janot. Fica-se com a impressão de que o PP era o partido-chefe do petrolão, não é mesmo? Há uma lista grande de parlamentares — muitos deles sem a menor importância —, e simplesmente não há ninguém do Executivo. Querem mais? O que falta para que se peça ao menos a abertura de um inquérito para apurar a atuação de Edinho Silva e de Aloizio Mercadante? Quando o procurador-geral a pediu para Antonio Palocci, Eduardo Cunha e o próprio Renan Calheiros — no tempo em que ele ainda não era um neoconvertido —, o que havia além de testemunhos? No caso do presidente da Câmara, só havia uma acusação vaga de um policial. Julio Camargo veio muito depois. Fazem bem as ruas quando põem Rodrigo Janot no radar. Para que ele saiba que estamos atentos. Até agora, meus caros, a lista dos políticos deixa muito a desejar, não é? O nome mais vistoso que lá se encontra é o de Cunha, justamente um inimigo jurado do PT e do Planalto. O maior esquema de corrupção jamais descoberto na história do País não deve ter sido liderado por uma gangue do PP, um partido menor da base aliada, não é mesmo? A democracia e a verdade certamente nada têm a perder se a sociedade civil ficar atenta às ações do procurador-geral da República. Janot precisa aumentar logo a sua lista. Ou alguém acha mesmo possível que o petrolão tenha existido sem a participação de autoridades do Poder Executivo? Estamos atentos, Janot! Muito atentos! Por Reinaldo Azevedo

Golpistas estavam é no Instituto Lula. Aécio leva a Constituição para o protesto! Bingo!


Quando o PSDB apoiou publicamente a manifestação do dia 16, em spots na televisão, afirmei aqui ser aquela uma decisão acertada. Neste domingo, três senadores tucanos, entre muitos outros políticos, participaram dos protestos: em Belo Horizonte, o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), compareceu e discursou num carro de som. Em São Paulo, José Serra (SP) esteve na Avenida Paulista; em Brasília, Aloysio Nunes (SP) foi à Esplanada. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) também esteve na capital paulista. Todos foram muito bem recebidos, mas que se note: as oposições apoiaram as ruas, mas não convocaram a manifestação. O presidente do PSDB fez uma coisa certíssima, de grande simbolismo: levou para o caminhão a Constituição e a exibiu. É a melhor resposta que se pode dar aos trogloditas que afirmam que se pretende dar um golpe no País. O impeachment está previsto no Artigo 86 da Carta, e os crimes de responsabilidade, na Lei 1.079. Não é o único caminho que pode levar um presidente a perder um mandato. Também o crime eleitoral pode conduzir a esse desfecho. Ao levar para o caminhão a Constituição da República Federativa do Brasil, Aécio Neves está deixando claro onde estão os golpistas. Naquela hora, diga-se, havia, sim, uma reunião deles. Encontravam-se no Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, ironizando e hostilizando muitos milhares de brasileiros. Por que Lula não deu as caras na manifestação marcada pela CUT e pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC? Segundo Jilmar Tatto, secretário de Fernando Haddad, os que hoje pediam a saída de Dilma e do PT do governo estariam com receio da vitória de Lula em 2018. É mesmo? Então por que o Demiurgo não foi lá demonstrar a sua força eleitoral? A verdade é que o PT — ele, sim — está contra a Constituição e o povo brasileiro. A proporção de petistas nas ruas neste domingo para a daqueles que querem o partido fora do poder era, no mínimo, de 1 para MIL. E, ora vejam, eles não têm como portar aquele livrinho que estava na mão de Aécio Neves. Aliás, seu descompromisso com a Constituição é antigo. Data de 1988. Os petistas tiveram de assinar a Carta porque não havia como não fazê-lo, mas boicotaram a sessão de proclamação do texto, como a dizer que não se responsabilizavam pelos fundamentos que estavam ali expressos. Bem, não se responsabilizaram mesmo! Havia, de fato, golpistas na rua neste domingo. Estavam lá no Instituto Lula. Por Reinaldo Azevedo

Os piratas e a náufraga

A disposição de sair à rua e protestar mantém-se firme, a julgar pelo público presente na avenida Paulista neste domingo. Já na avaliação da população brasileira, o quadro para Dilma Rousseff só fez piorar de abril para cá: 71% julgam ruim ou péssimo o seu governo; 8% o consideram ótimo ou bom; 66% querem o impeachment. Na prática o “Fora, Dilma” já ocorreu, pois a presidente deixou de governar. É uma náufraga à deriva em meio aos escombros do primeiro governo. Agarra-se a qualquer objeto que flutue lançado pelos bucaneiros que sustentam sua existência simbólica, enquanto despojam o segundo navio e acotovelam-se pelo timão. Dilma é útil aos piratas porque para ela e seu partido convergem os feixes das frustrações na República. 

Uma vez pelego, sempre pelego

O Antagonista já tratou do escandaloso telefonema entre Lula e Alexandrino Alencar, o executivo encarregado pelo pagamento de propinas da Odebrecht. Lula teme ser preso por causa de seu empenho como lobista da empreiteira junto ao BNDES. No telefonema, de fato, Alexandrino Alencar disse que pretendia combinar com Paulo Okamotto uma versão comum sobre os fatos investigados pelo Ministério Público Federal. Só para deixar registrado, porém, decidimos reproduzir o trecho final do grampo efetuado pela Polícia Federal. Sempre se suspeitou que Lula, como sindicalista, subisse no palanque em defesa dos trabalhadores, e que depois fosse se acertar, por baixo do pano, com os patrões. Nunca essa relação de subalternidade ficou tão evidente quanto no telefonema entre Lula e Alexandrino Alencar. O patrão é Emílio Odebrecht - que Lula trata, obsequiosamente, como "Dr. Emílio". E Lula está ali para atender às suas ordens. 

Acorde, Gabrielli

Antes de prender Lula, a Lava Jato tem de prender um monte de gente. Nestor Cerveró contou que a campanha de Lula, em 2006, foi paga com propina do navio-sonda Vitória 10000. Participaram do roubo, segundo ele, Fernando Schahin, herdeiro da empreiteira Schahin, que repassou dinheiro de sua conta secreta no banco Julius Baer para os diretores da Petrobras, e José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal, que mandou Nestor Cerveró direcionar o contrato para a empreiteira, alegando que a ordem partiu do “homem lá de cima”. Esses dois têm de ser interrogados, assim como José Filippi Júnior, tesoureiro da campanha de Lula em 2006, que cumpriu o mesmo papel em 2010, quando foi tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff. Acorde, José Sérgio Gabrielli. Acorde, Fernando Schahin. Acorde, José Filippi Júnior. A Polícia Federal está chegando. E, por via das dúvidas, acorde, Lula - sua prisão deve demorar mais um tempinho, mas nunca se sabe.


Lula e José Sérgio Gabrielli: 10000 vitórias juntos