terça-feira, 28 de julho de 2015

JOSÉ SERRA QUESTIONA BANCO CENTRAL E QUER INTERVENÇÃO DO CONGRESSO


O senador tucano José Serra criticou o diretor da área externa do Banco Central, Tony Volpon, que antecipou a analistas de mercado e à imprensa seu voto na próxima reunião do Copom. Segundo ele, ao abrir voto, ele feriu a independência do órgão. Ele defende uma intervenção do Congresso nas decisões do comitê: “Senado é o órgão responsável pela aprovação dos diretores e pelo acompanhamento da política monetária. Por isso pedirei que o Senado e a Comissão de Assuntos Econômicos da Casa se pronunciem sobre o episódio e sobre o mérito da decisão que o BC venha a tomar”. Leia o artigo de Serra sobre o assunto:
Vuvuzela no Copom? - Ao alardear seu voto sobre o aumento dos juros, diretor do Banco Central põe a imprensa dentro da sala do Copom e fere a independência do órgão. O diretor da área externa do Banco Central, Tony Volpon, na semana passada, cometeu a grave bobagem de antecipar a analistas de mercado e à imprensa seu voto na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que começa nesta terça-feira (28). "Eu, pessoalmente, vou votar para o aumento de juros até que a nossa projeção esteja de uma maneira satisfatória apontando para o centro da meta", disse após evento em São Paulo, segundo o jornal "Valor Econômico". Esse vazamento subverte o rito de definição da taxa básica de juros e deve ser condenado. O Copom não é lugar para amantes da vuvuzela. Justificativas posteriores baseadas em teorias arcanas ou "eu quis dizer outra coisa" não cabem. No comitê, criado no governo Fernando Henrique Cardoso, a ideia é que seus membros decidam seus votos com base na exposição técnica do estafe do banco. Os diretores devem entrar na reunião do Copom sem qualquer decisão –isso garante, em tese, que o voto do colegiado será técnico, sem influência prévia de mais ninguém. Não se trata de um formalismo. É uma das formas de garantir a independência do órgão. Ao alardear seu voto, o diretor põe a imprensa dentro da sala do Copom. E se algum deles divergir publicamente do colega? Vão debater previamente no Jornal Nacional? Além disso, adiantar o voto mexe nos valores dos contratos de juros futuros. Para os grandes operadores, isso pode significar ganhos elevados. A ideia do Copom sempre foi a de evitar qualquer risco desse tipo. No governo FHC era proibido discutir matéria do comitê antes da reunião e, uma vez votada, era imediatamente divulgada pelo Sisbacen, o sistema de informações do Banco Central. Ou seja, possibilidade zero de vazamento. O Senado é o órgão responsável pela aprovação dos diretores e pelo acompanhamento da política monetária. Por isso pedirei que o Senado e a Comissão de Assuntos Econômicos da Casa se pronunciem sobre o episódio e sobre o mérito da decisão que o BC venha a tomar. Como o diretor do banco alardeou, o resultado mais provável da reunião do Copom será mais um aumento dos juros básicos da economia: 0,25 ou 0,5 ponto percentual. Se será uma ou se será outra é a chique controvérsia do momento. Tenho reparos a qualquer elevação agora da taxa Selic. Os quatro principais fatores que costumam justificar a elevação dos juros hoje estão ausentes: economia aquecida, inflação de demanda, estresse no balanço de pagamentos e baixo diferencial de juros com o exterior. Infelizmente, na atual quadra, é o contrário: 325 mil empregos formais foram destruídos no trimestre abril/junho, reforçando a queda do PIB, que vai atingir 2,5% neste ano. A inflação continuou pressionada, sim, mas em razão da inevitável (e saudável) desvalorização do real e do efeito da correção de tarifas e preços administrados, que foram segurados na marra nos últimos anos. O deficit externo em conta corrente vai baixar devido ao câmbio e à retração da economia, sem contar que a distância entre os juros brasileiros e externos já é abissal. Pior ainda, cada novo aumento de um ponto da Selic eleva as despesas do governo em R$ 15 bilhões (anualizados)! Meio ponto a mais custa R$ 7,5 bilhões. Um quarto, R$ 3,75 bilhões. Mixaria, pensaria o diretor do BC que abriu seu voto. A triste realidade é que, hoje, juros em alta deprimem ainda mais a atividade econômica e a arrecadação. Do outro lado, aumentam as despesas. Turbinam, assim, o deficit público e o desajuste da economia, além de inibirem o investimento produtivo. De fato, a política do Banco Central desestabiliza a relação dívida/PIB: essa proporção chegará a dois terços no final do ano. Os custos da dívida vão subir, isto é, a despesa de juros chegará a 8,5% do PIB –a maior do mundo!– e o deficit público agregado (nominal) totalizará 8,35% do PIB no fim deste ano! É esse o deficit que importa: não adianta o primário descer pela escada e o nominal subir pelo elevador. Por fim, nem todos perdem com aumentos desnorteados dos juros básicos. Há quase R$ 900 bilhões em operações compromissadas –dívida realizada pelo Banco Central com o mercado financeiro para controlar a quantidade de dinheiro da economia. Além de R$ 500 bilhões de dívida atrelada à Selic. Todo esse passivo de prazo curtíssimo e custo enorme para o Estado traz, sim, ganhos siderais para os que estão do outro lado, e são pouquíssimos. Os juros são instrumento poderoso de controle da inflação. Mas, se usados com inépcia, terminarão por quebrar o País.

Carf anula processos de conselheiros envolvidos na operação Zelotes

O Carf - o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, vai anular os processos que tiveram a participação de conselheiros envolvidos na operação Zelotes, deflagrada em março pela Polícia Federal. A denúncia era de que estes conselheiros e ex-conselheiros recebiam propina para tomar decisões favoráveis a empresas multadas pela Receita Federal. O Carf, que estava parado desde a operação, volta a funcionar no mês que vem, com uma estrutura nova. É a este conselho que as empresas recorrem quando não concordam com multas aplicadas pela Receita.

Agronegócio impulsiona setor naval com obras no Amazonas

Impulsionada pela cadeia do agronegócio brasileiro, a indústria naval doAmazonas registra demanda crescente para a fabricação de embarcações. Com base em estudos, o segmento prevê que nos próximos dez anos, cerca de mil novas embarcações sejam inclusas no sistema de transporte fluvial com operação por meio de uma rota a partir do porto de Miritituba, localizado no município de Itaituba (PA) até Barcarena (PA), de onde a carga deve seguir por navio para o exterior. O aumento produtivo ainda gera incremento da mão de obra. Em um ano o estaleiro Erin (Estaleiros Rio Negro Ltda.) obteve um incremento de 40% no quadro funcional. De acordo com um dos gerentes industriais do Erin, Ivan Salmito, o transporte de grãos que atende à Região Norte ainda é deficiente. Ele explica que o corredor utilizado para escoar a produção dos Estados de Mato Grosso e Goiás, feito por meio dos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), enfrenta uma sobrecarga, o que levou o Ministério dos Transportes a desenvolver pesquisas que indicassem uma mudança na logística da condução dos produtos. A melhoria apresentada pelo Ministério, segundo o gerente, aponta a possibilidade de um desafogamento no escoamento dos grãos pela BR-163 a partir de Mato Grosso e Goiás com destino a Santarém (PA), ou até o porto de Miritituba, para o transporte de balsa até Barcarena (PA), de onde seguem para o Exterior por meio de navios. “O transporte fluvial é muito mais econômico do que o terrestre. Com o embarque feito em Miritituba há condições técnicas de trabalho, sem dificuldades. Essa mudança resultou em aumento na demanda de fabricação de embarcações e até mesmo na expansão das atividades do Erin que saiu da capital para o município de Iranduba”, disse Salmito. Segundo o gerente, estudos apontam que nos próximos 10 anos cerca de mil embarcações serão inclusas no segmento naval dividido entre o Amazonas e o Pará, que também fabrica embarcações para o transporte de grãos. Ele ainda frisou que é inviável construir embarcações nas regiões Sul e Sudeste do País devido aos altos custos para o deslocamento do projeto até à região Norte. “É inviável produzir essas estruturas no Sul e Sudeste. O deslocamento dessas embarcações para o Amazonas gera custos altos. Enquanto a necessidade dessa produção é imediata e local porque daqui já vão seguir para operação”, comenta. Em uma das unidades do Erin, localizada em Iranduba (22 quilômetros de Manaus), são fabricados empurradores, balsas, graneleiras, petroleiras e embarcações para cargas em geral. O tempo de fabricação de uma embarcação dura em média entre quatro meses a um ano, dependendo da estrutura do projeto. O gerente industrial conta que devido ao aumento na demanda de embarcações, há um ano o Erin registrou um incremento de 40% na mão de obra da empresa. Atualmente o grupo, formado por quatro unidades, conta com a atuação de mais de 900 pessoas. No primeiro semestre a unidade gerenciada por Salmito entregou cinco embarcações concluídas e a estimativa, segundo ele, é que até o final deste ano mais oito embarcações sejam entregues. “Com o aumento de encomendas recebidas no último ano tivemos um aumento no quadro funcional. Damos andamento aos projetos recebidos e ainda temos outras obras para iniciar e isso independentemente da questão do petróleo, o que tem levado algumas empresas ao encerramento das suas atividades”, disse. “Outro fator que nos permite ter boas expectativas produtivas é que com a vazante teremos mais áreas para trabalhar”, completa.

Americano que espionou para Israel ganha liberdade condicional

O americano Jonathan Pollard, 60, detido desde 1985 e condenado à prisão perpétua por espionar para Israel, estará em liberdade condicional a partir do dia 21 de novembro. A decisão, tomada por uma corte federal, foi anunciada pelos advogados de Pollard nesta terça (28) e confirmada por funcionários do Departamento de Justiça dos EUA ao jornal "The New York Times" –o governo americano poderia, se quisesse, ter vetado a libertação alegando razões de segurança nacional. Segundo a defesa do espião – que, apesar dos esforços de sucessivos governos israelenses para libertá-lo, continuou preso por décadas –, ele será obrigado a permanecer nos Estados Unidos por cinco anos após sair da prisão.

Os advogados afirmaram ainda que a decisão da corte federal foi unânime e "não relacionada a acontecimentos recentes no Oriente Médio". O secretário de Estado americano, John Kerry, negou que a libertação de Pollard tenha o objetivo de reduzir as tensões com Israel depois da assinatura do acordo nuclear com o Irã. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, é o principal crítico do pacto firmado com os iranianos pelo governo do presidente Barack Obama. Autoridades israelenses, por sua vez, disseram que a medida não altera em nada a oposição do país ao acordo com o Irã, embora o primeiro-ministro Netanyahu tenha saudado a libertação de Pollard em um comunicado. No ano passado, especulou-se que a soltura do espião seria usada por Kerry como peça nas negociações de paz no Oriente Médio, visando facilitar a liberação de palestinos presos em Israel. Com o fracasso daquela rodada de negociações, a proposta foi deixada de lado. Pollard era analista de inteligência da Marinha dos EUA quando foi preso, em 21 de novembro de 1985, por roubar documentos do Comando de Inteligência Naval. Ele se declarou culpado em 1986 e foi sentenciado no ano seguinte. Seus apoiadores alegam que grande parte da informação secreta que ele passou a Israel, país aliado da Casa Branca, não causou nenhum dano e era material ao qual a inteligência israelense já tinha tido acesso. Segundo sua defesa, o espião sofre de diabetes e pressão alta. Os advogados disseram esperar que Obama dispense a exigência de ficar por cinco anos nos Estados Unidos e permita que Pollard viaje para Israel tão logo seja solto.

TRE de Minas Gerais voltará a analisar pedido de cassação do governador petista Fernando Pimentel

Por três votos a dois, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais derrubou uma decisão que suspendia o processo de investigação eleitoral contra o governador Fernando Pimentel (PT). O processo foi proposto pelo Ministério Público Eleitoral e pede a cassação do governador por abuso de poder econômico na campanha de 2014. Suspensa desde março, a investigação voltou a andar a partir desta terça-feira (28). Os magistrados, no entanto, aceitaram pedido do petista Fernando Pimentel para que sua defesa indique um perito que faça a análise das contas de sua campanha e tente provar que não houve irregularidade. Esse pedido deve reduzir a velocidade de tramitação do processo. O último juiz a se manifestar, Virgílio de Almeida Barreto, disse que a análise permitirá "o direito ao contraditório e à ampla defesa" do governador. A Procuradoria entrou com a ação após o governador ter as contas de campanha reprovadas pela Corte em dezembro. O tribunal entendeu que o então candidato extrapolou em R$ 10 milhões seu limite de gasto, definido em R$ 42 milhões. Durante a eleição, a campanha do petista fez transferências ao comitê financeiro único do partido no Estado, mas alegou que esses valores não poderiam ser considerados novas despesas –versão que não foi aceita pelos magistrados em dois julgamentos. Após a rejeição, o petista Fernando Pimentel pediu que o processo de investigação ficasse parado até que a instância superior, o TSE, julgasse em definitivo as suas contas. Em março, o juiz Wladimir Rodrigues dias concedeu a liminar ao governador. A Procuradoria recorreu e obteve vitória na corte. Em nota, o PT disse que "aguarda a realização da perícia postulada, confiante que não há o que desabone a gestão financeira das contas de campanha das eleições 2014".

Estaleiro de R$ 300 milhões é projetado em Santa Catarina

Um projeto para construir um estaleiro de R$ 300 milhões em Santa Catarina está em desenvolvimento por Agostinho Leão, empresário responsável por criar o terminal portuário de Navegantes (SC) -hoje pertencente à Triunfo Participações. Leão, que faz parte da família que vendeu a Matte Leão para a Cola-Cola e que comanda a Empresa Brasileira de Arranjos Navais, diz que o momento de crise é oportuno para empreendimentos como estaleiros. "As grandes companhias que trabalhavam com a Petrobras perderam credibilidade. A oportunidade é agora. Em três anos, o perfil dos fornecedores [da petroleira] deverá mudar", afirma. O empresário pretende aportar recursos próprios no empreendimento, mas também financiar uma parte do capital. O projeto já foi apresentado ao BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul). "Só estamos evitando investimento estrangeiro, para não ter de trabalhar com câmbio", acrescenta. O estaleiro deverá ter capacidade para construir anualmente três embarcações de pequeno ou médio porte (com até 120 metros de comprimento, como reboques). Outras 36 poderão ser atendidas para reparo. Um terreno de 240 mil metros quadrados já foi adquirido. A intenção, entretanto, é que o empreendimento seja instalado em uma área total de 450 mil metros quadrados. "Deveremos comprar o restante assim que obtivermos licença ambiental". Depois que as obras forem iniciadas, em 12 meses, será possível fazer manutenção de barcos, de acordo com Leão. Para construir embarcações, no entanto, serão necessários mais seis ou oito meses.

Eduardo Cunha põe na pauta a votação das contas dos governos Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já preparou a pauta de votações da próxima semana e incluiu na programação a apreciação das contas governamentais referentes a quatro anos e que ainda não foram votadas pelo Congresso. No retorno do recesso, os deputados analisarão as contas do período de 29 de setembro a 31 de dezembro de 1992 (primeiros meses do governo Itamar Franco após o impeachment de Fernando Collor), os balanços do governo nos exercícios de 2002 (último ano do governo Fernando Henrique Cardoso), 2006 e 2008 (governo Luiz Inácio Lula da Silva). As contas já foram aprovadas pela Comissão Mista de Orçamento e estão prontas para análise do plenário da Câmara. Às vésperas de o Tribunal de Contas da União avaliar as contas do governo Dilma Rousseff de 2014, Eduardo Cunha avisou que pretende limpar a pauta e votar todas as contas do governo pendentes de análise em agosto. A última conta apreciada foi em 2002, referente ao exercício de 2001 do governo Fernando Henrique Cardoso. Desde que o Tribunal de Contas da União começou a discutir as pedaladas fiscais de 2014 do governo Dilma, Eduardo Cunha tem defendido que o Congresso volte a apreciar as contas do governo. Além das contas governamentais, Eduardo Cunha incluiu na pauta a conclusão da votação em segundo turno da Reforma Política e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Os primeiros itens são os projetos que dispõem sobre organizações terroristas, o que cria no processo civil brasileiro a ação para bloqueio de bens para casos de financiamento do terrorismo e lavagem de dinheiro, a proposta que trata da correção do FGTS e a PEC sobre a remuneração de advogados públicos.

Currículo "manchado"

A pitoresca Comissão de Ética da Presidência da República decidiu aplicar uma “censura ética” a Renato Duque. Com isso, ele pode ser impedido de assumir cargos públicos. A medida funciona como uma "mancha no currículo" do ex-diretor da Petrobras ligado ao PT. A medida equivale a levar um soco no rosto e chamar o agressor de "bobo".

Vendas de material de construção caem 5,7% nos primeiros cinco meses de 2015


Ao contrário de um ou outro setor, o varejo de materiais de construção acompanha a crise na economia brasileira. Entre janeiro e maio, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, as vendas caíram 5,7% em relação ao mesmo período em 2014. O faturamento, algo em torno de 48 bilhões de reais, recuou 1,2%.  O Distrito Federal teve as maiores quedas em vendas e receita, -13,6% e -7,9%, seguido por Espírito Santo, com -11,4% e -6,5%, e São Paulo, com -10,2% e -5,4%.  Ceará (5,4), Goiás (3,1%) e Santa Catarina (2,5%) foram os únicos estados onde o volume de vendas de materiais de construção cresceu.  Por Lauro Jardim

LEWANDOWSKY NEGA PEDIDO DE CERVERÓ PARA RESPONDER PROCESSOS EM LIBERDADE

O presidente do STF, Ricardo Lewandowsky, negou pedido do ex-diretor de Relações Internacionais da Petrobrás, que queria responder seus outros processos em liberdade. Num dos processos, ele foi condenado a 5 anos e recorre.

Reféns da organização maoísta terrorista Sendero Luminoso são resgatados no Peru, entre eles 26 crianças


A polícia e as Forças Armadas do Peru resgataram 39 pessoas, entre elas 26 crianças, que se encontravam na floresta sob o domínio da organização terrorista maoísta Sendero Luminoso, informou na última segunda-feira o vice-ministro peruano do Ministério da Defesa, Ivan Vega. O funcionário explicou que os reféns estavam em um acampamento situado no município de San Martín de Pangoa, na região de Junín e dentro da área denominada como o Vale dos Rios Apurímac, Jan e Mantaro (conhecida pela sigla VRAEM). Vega afirmou que os menores têm de um a 14 anos e no grupo há pessoas que foram sequestradas há 25 anos de um convento na cidade de Puerto Ocopa. "Muitas destas crianças nasceram ali e foram geradas por estupros cometidos pelos senderistas", disse Vega. Segundo ele, os membros do Sendero Luminoso utilizam as mulheres jovens para procriar e trabalhar no cultivo de alimentos e criação de animais para o sustento dos terroristas. As crianças nascidas no acampamento são doutrinadas conforme a ideologia maoísta da organização terrorista e, posteriormente, integradas à atividade subversiva, disse Vega. "O líder terrorista José Quispe Palomino deve entender que a população civil não pode ser escravizada. Não há nenhum peruano escravo e o governo não vai permitir isso", afirmou o vice-ministro. Vega informou que as pessoas resgatadas do acampamento do Sendero Luminoso serão transferidas à cidade de Mazamari, também na região de Junín, para tentar encontrar parentes fora do VRAEM. Os menores sem tutores ficarão sob a custódia do Ministério da Mulher e Populações Vulneráveis. O principal grupo do Sendero Luminoso segue atuando no VRAEM, uma extensa e escarpada região de floresta que o governo classifica como em permanente "estado de emergência", já que nesse local também estão as maiores plantações ilegais de folha de coca do país.

Empreiteiro Marcelo Odebrecht agora é réu, juiz Sérgio Moro aceita denúncia contra ele e mais 12 acusados


O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, aceitou nesta terça-feira denúncia contra o presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outras doze pessoas. A partir de agora, todos respondem oficialmente a uma ação penal no petrolão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia envolve irregularidades e pagamento de propina em seis contratos de obras e serviços da Petrobras: no consórcio Conpar (Odebrecht, UTC Engenharia e OAS) que atuou em obras da Carteira de Coque da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no consórcio RNEST-Conest (Odebrecht e OAS) na refinaria Abreu e Lima (PE), no consórcio Pipe Rack no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no consórcio TUC Construções (Odebrecht, UTC PPI - Projeto de Plantas Industriais Ltda.) para obras das Unidades de Geração de Vapor e Energia no Comperj, no consórcio OCCH (Odebrecht, Camargo Correa e Hochtief do Brasil) para construção do prédio sede da Petrobras em Vitória e no contrato de fornecimento de nafta da Petrobras para a Braskem, empresa controlada pela Odebrecht. Na última semana, o Ministério Público Federal havia acusado os executivos da Odebrecht e da concorrente Andrade Gutierrez na mais importante denúncia da Lava Jato desde o início da operação, em março de 2014. Por meio de acordos de cooperação internacional, em especial com autoridades da Suíça, os investigadores da força-tarefa que apuram os tentáculos do propinoduto na Petrobras conseguiram mapear a atuação direta da Odebrecht em 56 atos de corrupção e 136 lavagens de dinheiro. De acordo com os investigadores, a empreiteira atuou na movimentação de 389 milhões de reais em corrupção e de 1,063 bilhão de reais com a lavagem de dinheiro. Em um esquema mais sofisticado do que a simples atuação em cartel, a empreiteira distribuía propina a partir de repasses a contas de empresas offshore e, dessas, enviava novamente o dinheiro sujo para contas bancárias secretas de agentes que ocupavam cargos-chaves na Petrobras, como os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e o petista Renato Duque e o ex-gerente Pedro Barusco. Além de Marcelo Odebrecht, passam a ser réus o doleiro Alberto Youssef; o ex-executivo da Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar; o operador da empreiteira no Exterior, Bernardo Shiller Freiburghaus; Celso Araripe D'Oliveira, gerente da obra da nova sede da Petrobras em Vitória (ES); Cesar Ramos Rocha, executivo da Odebrecht; Eduardo de Oliveira Freitas Filho, sócio da empreiteira Freitas Filho Construções Ltda; Márcio Faria da Silva, também executivo da construtora Odebrecht; o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa; Paulo Sérgio Boghossian, ex-diretor da Odebrecht; o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco; o ex-diretor de Serviços da petroleira, Renato de Souza Duque; e o executivo da Odebrecht Plantas Industriais Rogério Santos de Araújo. "A documentação vinda da Suíça, com, em cognição sumária, a prova material do fluxo de contas controladas pela Odebrecht a dirigentes da Petrobras, é um elemento probatório muito significativo, sem prejuízo da discussão pelas partes e apreciação final pelo Juízo", afirma o juiz Sérgio Moro no despacho em que aceitou a denúncia. Os investigadores identificaram depósitos da Odebrecht no valor de 9,5 milhões de dólares e 1,9 milhões de francos suíços para Paulo Roberto Costa, 2,7 milhões de dólares para o petista Renato Duque e 2,2 milhões de dólares para Pedro Barusco. Marcelo Odebrecht está preso desde 19 de junho porque, segundo o Ministério Público, ordenou a destruição de provas que poderiam confirmar o pagamento de propina pela construtora.

O negócio da Andrade Gutierrez

O negócio da Andrade Gutierrez, segundo os procuradores da Lava Jato, é corromper: "A Andrade Gutierrez utilizava o pagamento de propinas como modelo de negócio, e Flavio David Barra e Otávio Marques de Azevedo eram responsáveis por, em nome da empreiteira, praticar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Mesmo depois de revelada a Operação Lava Jato, inclusive com a prisão de diversos empreiteiros em novembro de 2014, a Andrade Gutierrez continuou com a sistemática de pagar vantagens indevidas em contratos públicos. O presidente Otávio Marques, que poderia fazer cessar a conduta à época nada fez, e permitiu que o 'modelo de negócio' de sempre continuasse intacto".

Odebrecht: "Possibilidade de destruição de provas"

Ao ser informado pela Polícia Federal de que a Odebrecht obstruíra o acesso aos dados no e-mail de Fabio Gandolfo, Sergio Moro deu ordem para que os policiais fossem adiante e, segundo Fausto Macedo, "aproveitou o despacho para dizer que o comportamento da construtora "indica possibilidade de destruição de provas", relatando que isso já ocorreu outras vezes: "como também indicam anotações anteriores do Presidente da holding, ao recomendar 'higienização de apetrechos'". O que está ocorrendo no Brasil é uma vergonha.

Juiz Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato, decreta bloqueio de até R$ 60 milhões das contas dos presos da operação na Eletronuclear

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, decretou o bloqueio de até R$ 60 milhões que estiverem nas contas de Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, e de Flávio David Barra, executivo da Andrade Gutierrez, presos nesta terça-feira pela 16ª fase da Operação Lava-Jato. Também foi realizado o bloqueio nas contas da Aratec Engenharia Consultoria & Representações Ltda, pertencente a Othon da Silva. Em cada uma das contas o bloqueio foi de R$ 20 milhões. Moro diz que o confisco dos bens é justificado porque o esquema criminoso organizado em torno do ex-presidente da Eletronuclear “gerou ganhos ilícitos às empreiteiras (Andrade Gutierrez e Engevix) e aos investigados, justificando-se a medida de privá-los do produto de suas atividades criminosas”. Segundo despacho do juiz que determinou a prisão preventiva de Othon Luiz Pinheiro da Silva e de Flávio David Barra, o ex-presidente da Eletronuclear recebeu em propinas, por meio de sua empresa de consultoria, a Aratec, R$ 4,509 mihões da Andrade Gutierrez e Engevix, no período de 2009 a 2014. A OAS também pagou à Aratec R$ 504,2 mil entre 2007 a 2015. A UTC pagou R$ 101 mil; a Camargo Corrêa, R$ 109,1 mil; e a Techint, outros R$ 161,2 mil. Além dos depósitos realizados pelas grandes empresas, outras empreiteiras de fachada teriam sido usadas para o repasse de propinas à Aratec. Essas empresas, segundo as denúncias, não tinham funcionários ou suporte para prestar qualquer tipo de serviço, repassaram um total de R$ 5,385 milhões em propinas para a Aratec, segundo Moro. No total, a Aratec de Othon recebeu R$ 9,8 milhões em propinas, segundo a Justiça Federal do Paraná. A CG Consultoria, Construções e Representação Comercial Eireli recebeu entre 2009 e 2012 um total de R$ 2,9 milhões da Andrade Gutierrez, mas transferiu R$ 2,699 milhões desse total para a Aratec entre 2009 e 2014. A JNobre Engenharia e Consultoria depositou R$ 792,5 mil na conta da Aratec entre 2012 e 2013, no período em que recebeu R$ 1,4 milhão da Andrade. A Deustchebras depositou R$ 252,3 mil para a Aratec. Já a Link Projetos e Participações depositou R$ 765 mil para a empresa de Othon. Entre setembro de 2000 e fevereiro de 2015, Othon foi sócio com 99% de participação da Aratec, com sede em Barueri, na Grande São Paulo. O quadro social da empresa é composto também pelas duas filhas de Othon, Ana Cristina da Silva Toniolo e Ana Luiza Barbosa da Silva Bolognani, que substituiu o pai a partir de 25 de fevereiro deste ano. Antes de 2012, a Aratec não tinha empregados registrados. De 2013 a 2014, tinha apenas um funcionário. Nesse período em que recebeu as propinas, Othon ainda estava no cargo de presidente da Eletronuclear (ele só se licenciou no dia 29 de abril deste ano, depois de notícias da Lava-Jato do seu envolvimento no esquema de corrupção na estatal que dirigia desde 2005). "A medida é menos gravosa aos investigados e propiciará, com a realização das diligências, que esclareçam os fatos e eventualmente infirmem as provas, em cognição sumária, de que a Andrade Gutierrez e outras empresas teriam repassado propina, indiretamente, a Othon Luiz mediante empresas intermediadoras e simulação de contratos de prestação de serviços", disse Moro em seu despacho, acrescentando que há "prova relevante de crimes de fraude a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro". De acordo com o juiz, além de participar do consórcio Agramon para a Construção de Angra 3, a Andrade Gutierrez “mantém relações antigas com a Eletronuclear em outros contratos”. Apenas em setembro de 2009, a Andrade e a Eletronuclear celebraram o aditamento de contrato de obras de construção civil de Angra 3 no valor de R$ 1,2 bilhão. Pela Eletronuclear assinou Othon Luiz, enquanto pela Andrade Gutierrez assinou Clovis Renato Numa Peixoto Primo, que nesta terça-feira foi levado à Polícia Federal para prestar depoimento. Já a Engevix recebeu a Eletronuclear entre 2011 a 2013, a mando de Othon Luiz, um total de R$ 122,9 milhões. “Do quadro probatório, concluiu-se pela presença de prova de que empreiteiras com contratos com a Eletronuclear, dirigida por Othon Luiz, efetuaram transferências milionárias, entre 2009 a 2015 na contra da Aratec Engenharia, de propriedade e controlada pelo próprio Othon Luiz”, escreve o juiz em seu despacho. O juiz não vê como justificar os pagamentos à Aratec. “Sob qualquer aspecto, parecer difícil justificar de forma lícita o recebimento pela Aratec Engenharia e, por conseguinte, por Otohn Luiz, de pagamentos milionários de empreiteiras que, ao mesmo tempo, mantinham contratos com a Eletronuclear, empresa estatal por ele dirigida. Mais ainda difícil de justificar a utilização para essas transferências de empresas intermediárias, algumas com características de serem de fachada”, disse Moro. Os nomes de Otoh Luiz e Flávio David Barra, presos na 16ª da Operação Lava-Jato, foram delatados por Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, que também participou do cartel montado para obter as obras de Angra 3. Avancini disse ao juiz em delação premiada que houve pagamentos de propinas a Othon até mesmo no segundo semestre do ano passado, quando as investigações da Lava-Jato já haviam “se tornado notórias”. Para o juiz, há ainda “fundada suspeita de que o esquema criminosa vai muito além da Petrobras e Eletronuclear. “O mesmo Dalton Avancini também revelou acordos de pagamentos de propina envolvendo a Camargo Corrêa, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht nos contratos de construção da Hidrelétrica de Belo Monte”. Segundo o juiz, “há, portanto, vários elementos probatórios que apontam para um quadro de corrupção sistêmica, nos quais ajustes fraudulentos para obtenção de contratos públicos e o pagamento de propinas a agentes públicos, bem como o recebimento delas por estes, passaram a ser pagas como rotina e encaradas pelos participantes como a regra do jogo, algo natural e não anormal”.

Beto Richa é desnecessário

O tucano Beto Richa, governador do Paraná, disse ser "desnecessária" a participação do PSDB nos protestos de 16 de agosto: "Nem sempre há unanimidade em todos os entendimentos. Acho que é desnecessário. Pode parecer um revanchismo explorado maldosamente". Beto Richa foi acusado pela Polícia Federal de ter recebido 2 milhões de reais em propinas de sonegadores de impostos. Ele está encrencado também na Lava Jato. O Antagonista acha que Beto Richa é desnecessário.

O terror bate à porta. Ou: O mercado antecipa a hora, não espera acontecer

Há cinco dias, quando o governo decidiu baixar a meta oficial de superávit primário de 1,1% para 0,15% do PIB, escrevi aqui o seguinte:
“Mais: todos têm a consciência de que as agências se classificação de risco deixaram claro que a situação fiscal será a pedra de toque da análise que farão da economia brasileira.
Por enquanto, o governo conseguiu produzir a recessão que se dava como certa, mas ainda não viu os efeitos positivos do corte de gastos — até porque eles cresceram — e da elevação da taxa de juros. Estamos na fase em que, para melhorar, será preciso piorar bastante.
O mercado só não sabia que o buraco era tão fundo. Agora sabe. Levy, em suma, virou o guardião de uma equação que parece sem solução. Pior para todos.”


Pronto! A Standard & Poor’s fez a advertência, e o rebaixamento é agora mais do que uma possibilidade ruim: vai se materializando. É claro que o mercado antecipa a hora, não espera acontecer. Põe um preço na realidade. O dólar imediatamente disparou e chegou a R$ 3,44; depois, recuou um pouco para o patamar os R$ 3,40, mas já é a maior cotação desde 2003, ano em que o PT chegou ao poder, cercado por justa desconfiança.

Vale dizer, de 2003 a 2015, o PT nos conduziu de um dólar de R$ 3,40 para um dólar de R$ 3,40: de uma inflação de 9,3% para uma inflação de 9,3% (até agora; tudo indica que vai para dois dígitos); de um crescimento de 1,2% para uma recessão de que pode superar 2%. Entre uma ruindade e outra, tivemos mensalão, aloprados, petrolão, eletrolão e quantos outros aumentativos da impostura vocês queiram acrescentar aí. O PT é o pior caminho entre dois pontos.

Dilma afirma, o que é tão falso como suas promessas eleitorais, que a Lava Jato responde por uma queda de 1% do PIB — ou por um aumento da recessão de 1%. Ninguém sabe de onde ela tirou esses números. Se, com isso, alimenta a esperança de que conseguirá colocar algum freio à operação, está enganada. E assim é por três motivos:
a: porque o PT passou a governar o país das sombras, e, como se diz em Dois Córregos, a cada enxadada, aparece uma minhoca;
b: porque a roubalheira despertou vocações justiceiras, e já há quem não consiga distinguir o lícito do ilícito;
c: porque ninguém mais confia no governo.

A eventual passagem do país do grau de investimento para o grau especulativo é o cenário de terror com o qual ninguém gostaria de lidar. Mas a coisa está aí, batendo à porta. Por Reinaldo Azevedo

Aumentou pouco?


Entre maio e junho, de acordo com números oficiais, a dívida interna aumentou 3,81%. Pouco? Em números fica mais fácil entender que não: passou de 2,372 trilhões de reais para 2,462 trilhões, ou seja foram mais 90 bilhões de reais em 30 dias. Ou 125,5 milhões de reais por hora. Por Lauro Jardim

DEM na relatoria


A presidência da CPI do BNDES ficará com o PMDB. Eduardo Cunha pretende entregar a relatoria ao DEM. A propósito, a CPI do BNDES foi uma promessa da campanha pela presidência da Câmara ao DEM. Por Lauro Jardim

Caiado notificado


Edson Fachin mandou notificar Ronaldo Caiado pela queixa-crime aberta por Lula contra o senador. Lula está processando Caiado no STF por ter sido chamado de “bandido frouxo”.  Por Lauro Jardim

Método peculiar

Os advogados da Odebrecht, na petição que enviaram ontem ao juiz Sergio Moro, sugerem que a Polícia Federal tenta adivinhar o significado das siglas que constam nas centenas de mensagens que constam dos oito celulares de Marcelo Odebrecht, como se isso fosse um absurdo.  O que a Polícia Federal deveria fazer, de acordo com a defesa, era ter ouvido Marcelo para desvendar os muitos mistérios que rondam as mensagens. Taí um método de investigação peculiar: em vez de tirar conclusões próprias, a polícia pede ajuda aos acusados para entender o que quiseram dizer.  Imagine-se o que teria sido a investigação em curso na Lava-Jato se, em vez de tirar suas conclusões com base no que leu e ouviu, a PF pedisse o auxílio de pessoas como os advogados de defesa para interpretar o que os acusados queriam dizer.  Por Lauro Jardim

Da Lava-Jato a Coral Gables


A advogada Beatriz Catta Preta, que abandonou a defesa de seus clientes encrencados na Operação Lava-Jato e se mandou para Miami, vai bater ponto num endereço nobre da cidade americana: a Minorca Avenue, em Coral Gables, onde Beatriz e o marido, Carlos Eduardo, tocam a Catta Preta Consulting.  Por Lauro Jardim

O samba da Dilma doida – ou o dilmês” em alto estilo


Quem se habilita a explicar essa frase do discurso de hoje de Dilma Rousseff num evento do Pronatec e que foi postado no twitter do Palácio do Planalto? Fala Dilma : 
- @blogplanalto: Dilma: Não vamos colocar uma meta: deixaremos em aberto e quando atingirmos ela, nós dobraremos a meta.  Por Lauro Jardim

Angra já foi explodida. Agora, quando será explodido o programa secreto de submarinos?



O presidente licenciado da Eletronuclar, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso nesta terça-feira em nova fase da Operação Lava-Jato, teria recebido R$ 4,5 milhões em propinas pagas pelas empresas Andrade Gutierrez e Engevix, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Os pagamentos teriam sido realizados entre 2009 e 2014 por meio de empresas de fachada contratadas pelas empreiteiras apenas para repassar recursos ao dirigente da estatal. A Força-Tarefa disse que está apenas no início das investigações e que o caso pode ser “muito maior”, segundo o delegado federal Igor Romário de Paula. De acordo com os investigadores, um dos pagamentos direcionados a Othon ocorreu em dezembro do ano passado, dias depois da prisão de executivos de grandes empresas fornecedoras da Petrobras. Para o procurador Athayde Ribeiro Costa, integrante da Força-Tarefa da Lava-Jato, a realização de um pagamento dessa natureza em meio às investigações torna ainda mais grave a suspeita de envolvimento do dirigente da Eletronuclear. "Mais uma vez vimos que a corrupção é endêmica e os indicativos são de que ela está espalhada por vários órgãos e em metástase", disse o procurador na manhã desta terça-feira, em Curitiba, sobre a 16ª fase da Operação Lava-Jato. "A corrupção não está restrita à Petrobras, se espalhou por outros órgãos da administração pública", completou Igor Romário de Paula. O pagamento realizado em dezembro de 2014 foi realizado para a empresa Aratec Engenharia Consultoria & Representações, com sede em Barueri, no interior de São Paulo. De acordo com o registro da Receita Federal, as sócias da empresa são Ana Cristina da Silvia Toniolo e Ana Luiza Barbosa da Silva Bolognani. As duas são investigadas na operação e foram alvos de mandados de condução coercitiva na manhã desta terça-feira, para que prestem depoimento à Justiça. Para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Othon Luiz Pinheiro da Silva é o verdadeiro dono da Aratec. Os pagamentos a ele teriam sido realizados por meio de quatro empresas de fachada, subcontratadas pela Andrade Gutierrez e pela Engevix: CG consultoria, JNobre Engenharia, Link Projetos e Participações e Deutschebras Comercial e Engenharia. "Essas empresas são personagens novos na operação e detectamos indícios de que realmente havia repasse de propina, porque elas não tinham quadro técnico necessário para prestar serviços", afirmou Ribeiro Costa. A origem dos pagamentos ao presidente da estatal seriam um contrato da Andrade Gutierrez com a Eletronuclear, de 1983, que recebeu aditivo de R$ 1,2 bilhão, em 2009, e a licitação de Angra 3, que teria sido direcionada para sete empresas que formaram os dois consórcios vencedores da montagem da usina, entre elas a Andrade. Em 2014, os consórcios se uniram em uma única empresa, que passou a se chamar consórcio Angramon. Todos os integrantes são investigados nesta nova fase da Lava-Jato. "Houve reunião em que representantes das empreiteiras (que integram o consórcio Angramon) discutiram acerca de eventual repasse para o senhor Othon Luiz", disse Ribeiro Costa.De acordo com o Ministério Público Federal, embora a Engevix não participe do consórcio principal de Angra 3, a empresa mantém outros contratos com a estatal. "A Engevix tem alguns contratos vinculados à Eletronuclear. Também há indícios de pagamento de propina desde então", disse o procurador. Com relação a Flavio Barra, o executivo da Andrade Guttierez que foi preso, “ele foi indicado, apontado por Dalton Avancini, como o representante da Andrade Guttierez que discutia valores a respeito da propina de Angra III”, disse Ribeiro da Costa. A nova operação é baseada em informações prestadas em delação premiada pelo diretor da Camargo Corrêa Dalton Avancini. Segundo o procurador, o depoimento não foi a única fonte para ação desta terça-feira e para o pedido de prisão de Othon. "A palavra do colaborador, por si só, não leva a medidas de prisão, ainda que temporária. Nós fizemos o nosso trabalho, fizemos investigações e corroboramos em grande parte tudo que foi dito pelo Dalton Avancini. As investigações ainda continuam. E elementos ainda vão ser trazidos aos autos", afirmou Ribeiro Costa, mencionando o material apreendido nesta terça-feira nas salas dos executivos e informações de contas de e-mails, que também seriam recolhidas. Para o delegado federal Igor Romário de Paula, esta é apenas uma primeira ação focada na área de energia. "Pode parecer um valor pequeno (a propina de R$ 4,5 milhões), mas é um primeiro passo da investigação na área de energia. Tem muito ainda a ser apurado", afirmou. Embora o único político alvo desta nova fase seja o presidente licenciado da Eletronuclear, o delegado acredita que, com a avanço das investigações, pode-se chegar a novos nomes vinculados a partidos. Igor disse ainda que há mais indícios de corrupção a apurar no setor de energia, “e isso ficou mais concreto com o Dalton, que trouxe muita documentação a respeito da participação da Camargo Corrêa neste consórcio, no acerto de preços”. "Não estão exauridos todos os contratos da Angramon, então isso pode ser muito maior", declarou o delegado. 

Com 85% de desaprovação entre os paranaenses, Beto Richa quer ajudar Dilma e ir contra o partido. Não é à toa que meteu o Paraná no buraco em que está.


Hoje, Beto Richa, governador do Paraná que fez movimento para aprovar Luiz Fachin para o STF, declarou que o PSDB não deveria chamar para as manifestações de 16 de agosto, conforme decidido pelo partido e informado por Aécio Neves. O paranaense acha que pode parecer retaliação ou revanchismo. Quem é você para se manifestar, senhor Beto Richa? O senhor não representa nem mesmo o eleitorado do seu estado! O senhor é o governador pior avaliado do Brasil! Beto Richa deveria, em primeiro lugar , olhar as pesquisas antes de falar bobagem e asneiras. Sua aprovação no Paraná é muito parecida com a de Dilma, que tem 87%. Richa tem 85% de desaprovação e, portanto, não representa o cidadão paranaense. Aliás, envergonha os eleitores de lá. Em vez de querer dar opinião nacional, Beto Richa deveria cuidar do seu estado, onde a sua má gestão, a falta de traquejo político e as atitudes insanas jogaram o Paraná no buraco. ...vai sobrar cacete para cima dele. E com toda na razão! (Blog do Coronel)

Tribunal líbio condena filho de Kadafi e mais 8 pessoas à morte


m tribunal líbio condenou à morte o filho mais conhecido do ex-ditador Muamar Kadafi, Saif al-Islam, nesta terça-feira, por crimes de guerra e atos para reprimir protestos pacíficos durante a revolução de 2011, que derrubou o governo de seu pai. O tribunal também sentenciou à morte por pelotão de fuzilamento outros oito ex-oficiais do regime de Kadafi, incluindo seu ex-chefe de inteligência Abdullah al-Senussi e o ex-premiê Baghdadi al-Mahmoudi, sob as mesmas acusações, disse Sadiq al-Sur, investigador-chefe da procuradoria de Trípoli. Outras oito ex-autoridades receberam sentenças de prisão perpétua e sete foram condenados a 12 anos de prisão cada, disse al-Sur. Quatro foram inocentados. Todos, menos Saif al-Islam, estão sob custódia. O veredicto sobre Saif al-Islam foi aprovado à revelia em Trípoli, uma vez que ele tem sido mantido preso há quatro anos por um grupo rebelde na região de Zintan, fora do controle do governo central. O julgamento começou em abril de 2014, antes de confrontos entre facções rivais em Trípoli que dividiram a Líbia entre dois governos competindo pela autoridade central. Cabe recurso contra as sentenças e elas devem ser confirmadas pela Suprema Corte da Líbia. 

S&P altera perspectiva do Brasil para negativa, mas mantém rating em "BBB-"


A agência de classificação de riscos Standard & Poor's (S&P) alterou a perspectiva do rating BBB- do Brasil de estável para negativa. A nota da agência representa o último degrau na escala com grau de investimento, espécie de selo de bom pagador, reconhecido por investidores. Com a revisão da perspectiva, que antes estava "neutra", o rebaixamento se torna realidade cada vez mais factível. A agência citou que a série de investigações de corrupção entre certas empresas e políticos, no âmbito da Operação Lava Jato, pesa cada vez mais sobre os cenários econômico e fiscal brasileiros. Mencionou ainda que o País enfrenta circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras "apesar do que consideramos ser uma correção de política significativa durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff". "Apesar das mudanças generalizadas de política em andamento, que continuamos a acreditar que tem o apoio da presidente, os riscos de execução aumentaram. Na nossa visão, esses riscos derivam tanto do front econômico quanto político", afirmou a S&P em nota. O cenário político conturbado também pesa neste momento, em que o governo depende muito do Congresso - em pé de guerra com o Executivo - para aprovar as medidas de ajuste fiscal. Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a afirmar que fará todos os esforços junto ao Legislativo "para garantir a previsibilidade fiscal". A agência lembra ainda que a dinâmica complexa entre o PT e o PMDB, que havia diminuído sob a coordenação política do vice-presidente Michel Temer, reapareceu. "Isso gera a perspectiva de apoio no Congresso um pouco menos consistente para aprovar as medidas necessárias de ajuste fiscal, até mesmo um pouco diluído, em comparação com o que já tínhamos observado e esperado no início deste ano", afirma. A S&P destaca ainda os desafios enfrentados pela presidente Dilma Rousseff para angariar apoio para a "correção de rumo na política" e uma "reviravolta na economia". A agência diz ainda que não trabalha com um cenário base de impeachment de Dilma. Para a Moody's, o rating do Brasil é Baa2, com perspectiva negativa, dois degraus acima do grau especulativo. Para a Fitch, o rating do Brasil é BBB, com perspectiva negativa, e também dois degraus acima do grau especulativo. No início do mês, a equipe de analistas da Moody's esteve em Brasília reunida com ministros e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para entender os passos a serem percorridos pelo País para que a situação fiscal seja controlada. Em teleconferência com analistas, a economista sênior da S&P, Lisa Schineller, reconheceu as mudanças na direção da política econômica no segundo mandato de Dilma Rousseff, porém, afirma que a execução da nova estratégia está cada vez mais difícil, devido à falta de coesão política. "Como resultado, a retomada do crescimento vai demorar mais do que esperávamos. Vemos os riscos aumentando, sem perspectivas de melhora", afirma. A economista afirmou que a revisão da nota deve ocorrer em meados de março do ano que vem, e que um ponto crucial para que o Brasil não perca o grau de investimento é a percepção de que o governo terá mais apoio para aprovar a manter as medidas de ajuste.

Romário passa a bola

Parêntese: Romário, aquele senador que disse que não tinha, mas talvez tivesse, embora nunca tenha tido conta não declarada na Suíça, contratou o advogado Kakay para cuidar do assunto, informa Lauro Jardim. Lembrem-se: Kakay não cobra dos amigos.

NA BAHIA: AÉCIO NEVES, 59,1%; LULA, 25,4%

O Instituto Paraná Pesquisas voltou a campo no final da semana e foi para a Bahia ouvir os eleitores sobre a disputa presidencial. A Bahia é uma espécie de zona da mata do PT. Seu governador é do PT, tendo sucedido Jaques Wagner. Aécio Neves venceria com ampla vantagem em qualquer cenário.
Contra Lula
Aécio, 59,1%
Lula, 25,4%
Não sabe, 2,6%
Nenhum, 12,6%
Contra Dilma
Aécio, 65,1%
Dilma, 14,9%
Não sabe, 7,9%
nenhum, 12,1%

PARANÁ PESQUISAS CONSTATA QUE 68,3% DOS BAIANOS APROVAM O IMPEACHMENT IMEDIATO DE DILMA

Os dados enviados esta manhã por Rodrigo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas, demonstram que a pesquisa que fez na Bahia apresentam um cenário devastador para a presidente Dilma Roussef, mesmo num Estado em que o PT sempre foi fortíssimo:
Impeachment
A favor, 68,3%
Contra, 22,8%
Indiferentes, 6,8%
Não sabem, 2%

Pode espernear, Dora

Dora, a rainha do frevo e do maracatu, pode espernear o quanto quiser. O juiz Sergio Moro segue imperturbável na sua tarefa de desmantelar a organização comandada por Marcelo Odebrecht. Sergio Moro pediu informações ao Banco Central sobre operações de câmbio e transferências internacionais em nome de nove offshores, das quais cinco estariam vinculadas a contas da Odebrecht. Daquele 1 bilhão movimentado pela empreiteira, a Lava Jato contabiliza 389 milhões como pagamentos de propinas.

4,5 milhões

De acordo com o Ministério Público, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, recebeu 4,5 milhões de reais de propinas de empreiteiras. A Andrade Gutierrez lhe repassava dinheiro por meio de uma empresa aberta pelo almirante meliante.

Olha lá a Odebrecht outra vez...

Os mandados de condução coercitiva foram expedidos para os seguintes executivos:
- Renato Ribeiro Abreu, da MPE Participações
- Fábio Adriani Gandolfo, da Odebrecht (pois é, Marcelo)
- Petrônio Braz Júnior, da Queiroz Galvão
- Ricardo Ouriques Marques, da Techint Engenharia
- Clóvis Renato Peixoto Primoi, da Andrade Gutierrez

Militar e corrupto

Só para reforçar: Othon Luiz Pinheiro da Silva é militar. Farda não é escudo contra desonestidade.

O PT é o pior dos cânceres

"A corrupção é endêmica e está em processo de metástase. Não está adstrita à Petrobras, espalhou-se para outros órgãos da administração pública", disse o procurador Athayde Ribeiro Costa, da força-tarefa da Lava Jato. O PT é o pior dos cânceres.

Polícia Federal deflagra 16ª fase da Operação Lava Jato e mira Eletronuclear; está preso almirante

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a 16ª fase da Operação Lava Jato – e mira contratos firmados pelo clube do bilhão com a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras. Cerca de 180 policiais federais cumprem 23 mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e cinco de condução coercitiva nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Barueri. Batizada Radioatividade, a operação tem também como objetivo investigar formação de cartel, pagamento de propina a empregados da estatal e o prévio ajustamento de licitações nas obras da Angra 3. A Lava Jato chegou ao setor elétrico depois de o executivo Dalton Avancini, da Camargo Corrêa, ter afirmado, em depoimentos prestados após acordo de delação premiada, que o cartel de empreiteiras formado na Petrobras continuava a se reunir para discutir o pagamento de propinas a dirigentes da Eletrobras e da Eletronuclear, mesmo depois do estouro das investigações sobre o Petrolão. Foram presos nesta manhã o presidente afastado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, e Flavio David Barra, presidente da Andrade Gutierrez Energia. De acordo com Avancini, Pinheiro da Silva recebeu propina das empreiteiras. Ao lado da Odebrecht, a Andrade Gutierrez foi alvo da 14ª fase da Lava Jato, que levou para a cadeia a cúpula das duas maiores empreiteiras do País. Em relação a Angra 3, Avancini afirmou que o processo licitatório das obras da usina incluíam um acordo com a Eletronuclear para que a disputa fosse fraudada e direcionada em benefício de empresas como a Camargo Corrêa, UTC, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Technit e EBE – todas elas reunidas em dois consórcios. “Já havia um acerto entre os consórcios com a prévia definição de quem ganharia cada pacote”, disse o delator, que também afirmou que propina deveria ser paga a funcionários da Eletronuclear, entre eles o presidente afastado da entidade Othon Luiz Pinheiro da Silva. Em agosto de 2014, em uma reunião convocada pela UTC Engenharia, o delator afirmou que foi discutido o pagamento de propina de 1% ao PMDB e a dirigentes da Eletronuclear. 

DESASTRES EM SÉRIE – Dilma reúne ministros para frente anti-impeachment e fantasia que Lava Jato custa 1 ponto percentual do PIB! É só maluquice sem método!

Eu gostaria muito de saber quem faz a cabeça da presidente Dilma Rousseff. A julgar por suas decisões recentes, intuo que ninguém. É muito provável que ela decida tudo mesmo na solidão do claustro, como o poeta de Olavo Bilac. Só que o resultado não chega a ser nem parnasiano — oco por dentro, mas eventualmente bonito. Nada! Os desastres e desacertos vão se acumulando, numa impressionante sequência de enganos e autoenganos. O vice-presidente, Michel Temer, tenta exercer a coordenação política junto ao Congresso, mas a questão é: quem coordena Dilma? Na melhor das hipóteses, ela própria; na pior, Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil. Nesta segunda-feira, a presidente reuniu 12 ministros. Cobrou deles que se empenhem para manter a base unida no Congresso, e a quase todos pareceu que a reunião era o que de fato era: como enfrentar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, na volta do recesso, agora que ele rompeu com o governo. A preocupação é uma só: que ele dê consequência aos pedidos de impeachment que estão parados na Casa. No dia 16 de agosto, o governo já dá como certo o óbvio: muitos milhares de pessoas devem sair às ruas pedindo a interrupção do seu mandato. Por mais que o PT e a própria presidente finjam acreditar tratar-se de uma manifestação golpista, sabem que isso é falso. Dilma poderia ter parado por ali e já teria sido despropósito de bom tamanho. Não faz sentido convocar 12 ministros para uma reunião dessa natureza, o que só acrescenta certo sentido de desespero ao que, convenham-se, fácil já não é. Comportando-se como livre pensadora, a presidente resolveu ousar. Depois de o ministro Nelson Barbosa (Planejamento) expor as agruras a que estará submetido o País se o ajuste fiscal for malsucedido, a presidente disparou: “Para vocês terem uma ideia, a Lava Jato provocou uma queda de um ponto percentual no PIB brasileiro”. De onde veio a suposta informação? Sabe Deus! Quem fez o cálculo? Ninguém tem a menor idéia! Notem, caros leitores: ainda que isso fosse verdade ou venha a se provar verdade, economistas e técnicos certamente alcançariam, num dado momento, esse número. Se é a presidente a expô-lo, quando ela própria já poderia ter sido colhida pela operação — não fosse a, como dizer?, cordialidade de Rodrigo Janot —, a mandatária passa apenas a impressão de que a Lava Jato prejudica o País, não é? A ser assim, a operação estaria custando alguns bilhões ao País, responde por parte do desemprego e do desalento, e melhor seria não ter tocado nesse assunto. Subjacente a uma consideração como essa, resta a suspeita de que a mais desbragada lambança tem lá seus aspectos positivos, se é o caso de considerar que a correção delas pode arrancar até um ponto percentual do PIB. Não é preciso recorrer a minudências matemáticas para evidenciar que se trata de uma patacoada, num país que cresceu 0,1% no ano passado, que foi obrigado a recorrer a um brutal choque de juros neste ano para conter a inflação destrambelhada, o que derrubou a arrecadação, embora o governo se mostre incapaz de cortar gastos para valer. Mais: a Operação Lava Jato se restringe a obras da Petrobras, que, não obstante, não paralisou suas atividades. Dilma só está buscando novos ombros para dividir a incompetência de sua gestão. Os da crise internacional, que inexiste, já não conseguem mais carregar sozinho esse caixão. Acompanho política de forma sistemática desde os 15 anos. Digamos que tenha conseguido dominar com alguma precisão o instrumental de análise ali pelos 18. Tenho 53. Confesso que, em 35 anos, nunca vi nada parecido. Nunca antes na história “destepaiz” se viu tamanha inabilidade no trato da política. Quase ao mesmo tempo, em São Paulo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, falava a empresários, em encontro promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), um evento bastante concorrido. Sim, por uma dessas vicissitudes da Lava Jato a que alguns tontos se negam a prestar atenção, as duas figuras mais graduadas investigadas pela operação são o próprio Cunha e Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Fica-se com a impressão de que a dupla mandava na Petrobras… Mas deixo isso de lado agora. Quero chamar a atenção para outra coisa: Dilma não é investigada pela Lava Jato; Cunha é — e se dá como certo que Rodrigo Janot oferecerá denúncia contra ele. Mesmo assim, quase ninguém se interessa em saber o que pensa a presidente da República, mas é grande a curiosidade em saber o que pensa o presidente da Câmara. Embora, reitero, o deputado esteja nas malhas da Lava Jato, e a presidente não, ela parece ter só o passado e se considera que ele consiga acenar com algum futuro. A questão aí, meus caros, está menos com as pessoas do que com as mentalidades. Goste-se ou não de Cunha, tenha ele do que prestar contas ou não, o fato é que desperta interesse porque ninguém mais aguenta a ladainha do PT. Mais do que Dilma, quem ficou no passado foi o seu partido, e se sabe que, de lá, não sairá nada mais que interesse ao País. O desalento está aí. E também a esperança. Se o partido sai da Presidência, dá-se como certo o início de um ciclo virtuoso, como houve quando Collor caiu. Por Reinaldo Azevedo

Governadores adorariam fugir, mas Dilma quer dar “um abraçaço” neles, como diria Caetano…

Ai, ai… Há coisas, como costumo escrever aqui, que nem erradas são. Apenas não existem. A “política de governadores”, que Dilma pretende ressuscitar, foi enterrada junto com a República Velha. E todas as tentativas de retomá-la, desde aquele tempo, deram em nada. Como dará de novo agora. A presidente pretende reunir os 27 chefes de Executivos estaduais na quinta-feira para que eles conversem com as respectivas bancadas federais de seus Estados, tentando impedir a aprovação da chamada “pauta-bomba” — medidas que provocariam um rombo no caixa, a exemplo do tal aumento de 56%, em média, concedido ao Judiciário, que ela teve de vetar. Qual é a justificativa para o encontro, tecnicamente procedente, mas politicamente inócua? Reajustes concedidos a funcionários federais e gastos impostos à União acabam, invariavelmente, impactando nos Estados. É verdade. A questão é saber qual é o real poder de fogo dos governadores nas bancadas federais. Os alinhamentos que se dão no Parlamento são de outra natureza. Nem mesmo o Senado está sujeito a uma influência muito forte dos governadores. A orientação partidária e as afinidades por setor da economia ou por convicção acabam tendo mais influência. De resto, a tal pauta-bomba é mero pretexto. Dilma está querendo é dar uma demonstração de força política num momento em que se considera que cresceu a possibilidade de ter sequência uma denúncia contra ela na Câmara, já que, por enquanto ao menos, o governo avalia que é altíssimo o risco de o TCU recomendar a rejeição das contas. Também esse tema ficará fora da pauta, mas, como se sabe, presente. Os governadores estão numa saia-justa. É provável que compareçam. Por outro lado, prefeririam ficar longe desse cálice. Nenhum chefe de Executivo estadual é hoje tão impopular como Dilma. O receio óbvio é que a impopularidade dela os acabe contaminando e que, vistos todos juntos, sejam considerados corresponsáveis pelo momento notavelmente ruim por que passa a economia. A presidente pretende fazer a reunião na quinta, dia 30, quase antevéspera de ir ao ar o programa político do PT, no qual ela vai falar. O panelaço, apitaço, buzinaço e outros superlativos do descontentamento pátrio já estão convocados. Dez dias depois, há o protesto, que já se aposta gigante, do dia 16 de agosto. Ninguém estava disposto a posar agora ao lado de Dilma, mas sabem como é… No federalismo à moda brasileira, em que presidente da República é quase imperador absolutista, fica difícil recusar. Já dá para antever o desânimo. Os governadores adorariam fugir, mas Dilma faz questão de dar “um abraçaço” neles, como diria Caetano… Por Reinaldo Azevedo

Defensores de Marcelo Odebrecht deixam claro, em petição a Moro, ter a certeza de que este só tomará decisões contrárias a seu cliente

A defesa do empresário Marcelo Odebrecht encaminhou ao juiz Sergio Moro aquela que é, sem dúvida, a mais dura das petições desde que o presidente do grupo foi preso, no dia 19 de junho. Assinada por Dora Cavalcanti, Augusto de Arruda Botelho e Rafael Tucherman, o texto afirma que há mais de um mês se está em busca “de uma centelha de prova” contra Marcelo, acusando, logo de cara, o “emprego deturpado da teoria do domínio do fato”, com a consequente “transformação da presunção de inocência e do exercício do direito de defesa em causas de encarceramento”. Segundo o documento, o Ministério Público adotou a prática “intolerável” de imputar a Marcelo tudo o que se relaciona a qualquer diretor da empresa e diz que a Polícia Federal violou o sigilo da comunicação entre o acusado e seu defensor. A petição censura a Polícia Federal por não ter procurado Marcelo para esclarecer o sentido das notas encontradas em seu celular e diz que, “ao reverso, tomou desejo por realidade e precipitou-se a cravar significados que gostaria que certos termos e siglas tivessem”. Os advogados afirmam que a “falta de cautela” na Polícia Federal na divulgação das anotações pessoais “levou a público segredos comerciais de alta sensibilidade, em nada relacionados aos pretensos fatos sob apuração, expôs terceiros sem relação alguma com a investigação e devassou mensagens particulares trocadas entre familiares do peticionário, que logo caíram no gosto de blogs sensacionalistas”. Segundo a petição, “lamentavelmente, a obstinação investigativa e persecutória de autoridades que atuam na Lava Jato parece ter turvado sua compreensão de que o país não se resume a um caso criminal”. A petição também é muito dura com Moro. Acusa-o de não ter observado o prazo mínimo para a defesa apresentar explicações no caso das anotações, lembrando que o juiz “não esperou os esclarecimentos da defesa para decretar de novo a prisão do peticionário, com fundamento exatamente naquelas anotações sujeitas à interpretação”. O documento lamenta que o juiz tenha tomado meras anotações como se fossem medidas efetivamente adotadas e lastima que a PF tenha sugerido que Marcelo pudesse estar por trás de um plano para desestabilizá-la. Chama ainda de “perfídia inominável” o seguinte trecho do relatório da polícia: “Se levarmos em consideração as matérias (grampos na cela, descoberta de escuta, vazamento de gás, dossiês) veiculadas nos vários meios de comunicação, nos últimos meses, que versam sobre uma possível crise dentro do Departamento de Polícia Federal, poder-se-ia, hipoteticamente, concluir que tal plano já estaria em andamento”. A petição acusa “o empenho em se lhe [a Marcelo] aplicar pena sem processo” e requer “o imediato desentranhamento dos autos do inquérito policial de informações, notas ou conversas privadas que não possuam relação com o caso, de modo a evitar a indevida exposição de terceiros alheios à apuração”. Para registro: “desentranhamento” é um termo técnico que consiste na retirada de determinados elementos dos autos. Um trecho do documento, que alude a uma questão técnica, pode acabar despercebido. Lê-se lá: “Enfim, uma vez oferecida a denúncia, e porventura recebida em parte ou na sua integralidade, cumpre respeitar-se daqui em diante o rito do Código de Processo Penal, reservando-se o interrogatório do acusado para o final da instrução”. Como se nota, dá-se como pacífico que Moro vai aceitar a denúncia — quem tem dúvida a respeito? —, e a defesa diz, então, em conformidade com o Código de Processo Penal, que se faça o interrogatório no momento certo. Fica clara a sugestão de que a defesa considera que os pedidos de informação do juiz, da forma como estão sendo encaminhados, caracterizam uma espécie de interrogatório informal. A defesa conclui a petição pedindo que a PF se abstenha de tornar públicos “documentos físicos ou eletrônicos sem prévia definição de pertinência com o objeto dos autos”. Na impossibilidade se se fazer tal seleção, reivindica que seja decretado ”o mais elevado grau de sigilo” sobre os “documentos carreados para os autos”, já que o nível atual não impede sucessivos vazamentos. Muito bem. A petição é sem dúvida muito dura com a Polícia Federal e com o Ministério Público, mas também dirige questionamentos severos a Moro. É evidente que se trata de um documento de quem não alimenta a menor expectativa de que o juiz aquiesça com seus argumentos. Ou por outra: os advogados parecem dar como certo que jamais terão uma solicitação atendida pelo juiz. Por Reinaldo Azevedo

Polícia Federal deflagra nova fase da Lava Jato com foco no setor elétrico, é o Eletrolão do PT, ou Atomicão do PT


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (28) a 16ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Radioatividade". São 180 policiais federais cumprindo 30 mandados judiciais, em Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Barueri. Há dois mandados de prisão temporária, cinco mandados de condução coercitiva e 23 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estão o presidente licenciado da Eletronuclear, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, afastado do cargo desde abril, e Flávio David Barra, executivo da Andrade Gutierrez. Ambos foram detidos no Rio de Janeiro. Nesta etapa, o foco das investigações são contratos firmados por empresas que já haviam sido mencionadas na Lava Jato com a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás. A Eletrobrás é uma empresa cujo controle acionário é do governo federal. De acordo com a Polícia Federal, a investigação aponta, nesta fase, formação de cartel e prévio ajustamento das licitações nas obras da usina nuclear de Angra 3, e o pagamento indevido de vantagens financeiras a empregados da estatal. Segundo informações da Polícia Federal e do procurador federal Athayde Ribeiro Costa, o presidente licenciado da Eletronuclear recebeu R$ 4,5 milhões em propina do consórcio de empreiteiras responsáveis pelas obras de Angra 3. Um prédio da Eletronuclear, no Rio de Janeiro, foi lacrado pela Polícia Federal nesta manhã. Os presos desta fase serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná.


Preso hoje pela Polícia Federal, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva havia se afastado do cargo de presidente da Eletronuclear em 29 de abril, após ser citado na Lava Jato por possíveis irregularidades em contratos para a construção da usina nuclear Angra 3. Desde então, o diretor de operação da empresa, Pedro Figueiredo, assumiu interinamente a presidência.