sexta-feira, 24 de julho de 2015

CONSELHO DA PETROBRAS APROVA A PRIVATIZAÇÃO DA TAG, A TRANSPORTADORA ASSOCIADA DE GÁS; PETISTAS PERDEM A VERGONHA


O conselho de administração da Petrobras aprovou, em reunião realizada nesta sexta-feira, a "reestruturação" da Transportadora Associada de Gás (TAG), que opera a malha brasileira de gasodutos. O processo faz parte da preparação para a venda da subsidiária. Ou seja, no seu estertor, o regime petralha começa o processo de privatização, porque não tem outra saída para salvar a Petrobras, devastada pelo esquema corruptor do Petrolão. Não há detalhes ainda sobre como ficará a nova TAG, mas a tendência é que a empresa seja dividida em duas: uma com os gasodutos das regiões Norte e Nordeste e outra com a malha do Sul e Sudeste. A Petrobras apresentou ao mercado três propostas para a venda da TAG, que vão de uma fatia de 49% até 80%. Mas ainda não foi aberto o processo de venda das novas empresas. Segundo estimativa do banco JP Morgan, a TAG pode render à Petrobras até US$ 8 bilhões, dependendo do modelo adotado. A empresa controla 6,5 mil quilômetros de dutos no País. Além da TAG, o plano de desinvestimento da Petrobras prevê a venda de participação em distribuidoras de gás canalizado, térmicas e áreas de exploração de petróleo. A expectativa é que a primeira operação seja avaliada na próxima reunião do conselho, no mês que vem. Durante a sexta-feira, os petroleiros petistas e covardes, que não deram uma palavra até agora sobre a corrupção petista que devasta a estatal, protestaram em 11 Estados contra a venda de ativos e a redução de investimentos previstos no novo plano de negócios da Petrobras. A mobilização atingiu 25 plataformas de produção, refinarias e terminais de armazenamento de petróleo e combustíveis. Na mobilização, os trabalhadores impediram troca de turnos, atrasaram a entrada no trabalho ou entregaram a operação de instalações a prepostos da companhia. A Petrobras informou, porém, que não houve prejuízo à produção de petróleo e ao abastecimento de combustíveis. Em nota, a Petrobras informou que "em algumas unidades, houve registro de bloqueios na entrada dos empregados, gerando atrasos, assim como corte de rendição de turno". "As atividades da empresa estão dentro da normalidade, sem prejuízo à produção, estando preservada a segurança das instalações da companhia e de seus trabalhadores", diz o texto. Lideranças sindicais petistas pelêgas e covardes prometem uma mobilização por tempo indeterminado a partir de setembro, caso as reivindicações não sejam aceitas. O movimento tem inspiração na greve de 1995, a maior da categoria, contra propostas de privatização da companhia no governo Fernando Henrique Cardoso. Essa vagabundagem não fez nada durante os anos inteiros em que a estatal estava sendo rapinada pelo petralhismo. 

Executivo da OAS se oferece para contar à Lava Jato segredos devastadores sobre Lula


Léo e Lula são bons amigos. Mais do que por amizade, eles se uniram por interesses comuns. Léo era operador da empreiteira OAS em Brasília. Lula era presidente do Brasil e operado pela OAS. Na linguagem dos arranjos de poder baseados na troca de favores, operar significa, em bom português, comprar. Agora operador e operado enfrentam circunstâncias amargas. O operador esteve há até pouco tempo preso em uma penitenciária em Curitiba. Em prisão domiciliar, continua enterrado até o pescoço em suspeitas de crimes que podem levá-lo a cumprir pena de dezenas de anos de reclusão. O operado está assustado, mas em liberdade. Em breve, Léo, o operador, vai relatar ao Ministério Público Federal os detalhes de sua simbiótica convivência com Lula, o operado. Agora o ganho de um significará a ruína do outro. Léo quer se valer da lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a delação premiada, para reduzir drasticamente sua pena em troca de informações sobre a participação de Lula no petrolão, o gigantesco esquema de corrupção armado na Petrobras para financiar o PT e outros partidos da base aliada do governo. Por meio do mecanismo das delações premiadas de donos e altos executivos de empreiteiras, os procuradores já obtiveram indícios que podem levar à condenação de dois ex-ministros da era lulista, Antonio Palocci e José Dirceu. Delatores premiados relataram operações que põem em dúvida até mesmo a santidade dos recursos doados às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e à de Lula em 2006. As informações prestadas permitiram a procuradores e delegados desenhar com precisão inédita na história judicial brasileira o funcionamento do esquema de sangria de dinheiro da Petrobras com o objetivo de financiar a manutenção do grupo político petista no poder. É nessa teia finamente tecida pelos procuradores da Operação Lava-Jato que Léo e Lula se encontram. Amigo e confidente de Lula, o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração. As conversas estão em curso e o cardápio sobre a mesa. Com medo de voltar à cadeia, depois de passar seis meses preso em Curitiba, Pinheiro prometeu fornecer provas de que Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras, exatamente como afirmara o doleiro Alberto Youssef em depoimento no ano passado. O executivo da OAS se dispôs a explicar como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras.

Sindicalista instrui agentes penitenciários em greve a simular confronto, manipulando também a imprensa

É do balacobaco!

Se vocês querem saber como costumam começar os tumultos envolvendo grevistas e policiais militares, fiquem atentos ao vídeo que segue no pé deste post.
O busílis é o seguinte: na segunda, começou uma greve de agentes penitenciários no Estado de São Paulo — encerrada nesta sexta. Como a adesão era baixa, o presidente do sindicato, Daniel Grandolfo, instruiu um aliado seu a simular um confronto com a Polícia Militar para mexer com os brios da categoria e aumentar a adesão à paralisação. Diz ele:
“Eduardo, faz o seguinte, meu irmão, é… Vocês fazem a cena, entendeu, do loco. Troca ideia antes com os PMs, se os PMs for invadir memo, troca ideia, entendeu, com eles. Faz a cena. Vê se consegue chamar a imprensa ou alguém para filmar com o celular ou alguma coisa desse tipo, faz uma cena, entendeu? Fala para os PMs empurrá os guarda, entendeu, fazer um bagulho meio louco e pede para alguém filmá, filma com o celular mesmo”.
Vejam. Volto em seguida.
Como se nota, ele pede que tudo seja combinado com a PM. Digamos que se pudesse combinar uma safadeza dessa com alguns PMs. Será possível combinar com todos? Vejam o risco!
É um nojo!
Notem, ademais, que Grandolfo conta com a ajuda da imprensa… Afinal, ele sabe que, para o jornalismo, a PM é quase sempre culpada, não é mesmo? Vejam o caso do Paraná, em que notórios truculentos foram tratados como heróis.
A greve, diga-se,  chegou ao fim. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou a volta ao serviço, sob pena de multar o Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) em R$ 100 mil por dia. O Sindasp é filiado à Força Sindical.
Por Reinaldo Azevedo

A CASA CAIU 2 – O que você vai encontrar na VEJA. Ou: “Depois que o Léo falar, não tem como não prender o Lula”

Amigo e confidente de Lula, o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração. As conversas estão em curso, e o cardápio, sobre a mesa. Com medo de voltar à cadeia, depois de passar seis meses preso em Curitiba, Pinheiro prometeu fornecer provas de que Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras, exatamente como afirmara o doleiro Alberto Youssef em depoimento no ano passado.

O executivo da OAS se dispôs a explicar como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras. Leo Pinheiro se comprometeu também a passar aos procuradores a lista de despesas da família de Lula custeadas pela OAS.
Ele afirma também ter conhecimento direto de como Fábio Luís da Silva, o Lulinha, fez fortuna atuando na órbita de influência da construtora. Léo Pinheiro disse que, se o acordo for selado, apresentará também a lista de todos os políticos que receberam dinheiro do petrolão via OAS.
“Depois que o Léo falar, não tem como não prender o Lula. Ou se prende o Lula ou se desmoraliza a Lava-Jato”, diz um interlocutor de Pinheiro.
Por Reinaldo Azevedo

A CASA CAIU – EMPREITEIRO REVELA ATUAÇÃO DE LULA NO PETROLÃO E COMO LULINHA FICOU MILIONÁRIO

Daqui a pouco, a revista VEJA começa a chegar às bancas e aos assinantes. A capa segue abaixo. Daqui a pouquinho, publico um trecho da reportagem exclusiva. Título da capa: “A VEZ DELE”.

O destaque explica: “Amigo de Lula, o empreiteiro Leo Pinheiro decidiu contar ao Ministério Público tudo o que sabe sobre a participação do ex-presidente no petrolão e como o filho Lulinha ficou milionário”.
CAPA VEJA LULA O Número um
Por Reinaldo Azevedo

Justiça paulista faz sindicato dos agentes penitenciários suspender greve

O Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) suspendeu nesta sexta-feira, 24, a greve da categoria que paralisou as atividades em 114 das 163 unidades prisionais do Estado nesta semana. Em comunicado distribuído aos agentes grevistas, o presidente do Sindasp, Daniel Grandolfo, alegou que o sindicato não teria recursos para bancar uma multa diária de R$ 100 mil, determinada pelo desembargador Paulo Dimas Mascaretti, em liminar concedida ao governo do Estado, que entrou com pedido de julgamento da greve. Mascaretti considerou a greve ilegal e determinou a imediata volta ao trabalho sob pena de multa diária de R$ 100 mil. 


De acordo com Grandolfo, além da determinação judicial, as ameaças feitas pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), de punir os agentes grevistas com processos disciplinares, também surtiram efeito. "A SAP determinou aos coordenadores e diretores de presídio que anotassem os nomes dos grevistas. Eles já tinham mais de cem nomes de agentes que poderiam ser exonerados", contou. Segundo Grandolfo, na quinta-feira, 23, muitas unidades já tinham decidido suspender a greve, como o CDP de São José do Rio Preto. Nesta sexta-feira, 24, apenas 25 delas ainda continuavam paradas. Com a decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os líderes sindicais decidiram suspender por completo o movimento. Grandolfo disse ainda que as diretorias do sindicato se reúnem no próximo domingo, 26, para analisar as medidas que serão tomadas pelo sindicato contra a decisão judicial do TJ.

Alerta na Petros

O conselho fiscal da Petros, o fundo de pensão da Petrobras, recomendou a reprovação do balanço de 2014. No ano passo, o fundo teve prejuízo de 6,2 bilhões de reais no seu principal plano, o Petros BD. A tendência é que conselho deliberativo, que tem até o dia 30 para avaliar as contas, ignore a recomendação e aprove o balanço. O conselho fiscal é formado por conselheiros eleitos pelos trabalhadores da Petros, enquanto o conselho deliberativo é comandado por conselheiros indicados pela Petrobras.

Dólar comercial aproxima-se de R$ 3,35 e fecha no maior nível em 12 anos


Em mais um dia de instabilidade no mercado financeiro, a moeda norte-americana voltou a subir e fechou no maior nível em 12 anos. O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (24) vendido a R$ 3,347, com alta de R$ 0,051 (1,65%). A cotação está no maior nível desde 31 de março de 2003, quando o dólar fechou em R$ 3,355. No meio da manhã, o dólar chegou a operar em leve queda, mas reverteu a trajetória e passou a subir fortemente nas horas seguintes. Na máxima do dia, por volta das 15h40, chegou a ser vendido a R$ 3,354. A moeda acumula alta de 7,66% em julho e de 25,89% em 2015. Desde que a equipe econômica anunciou a redução para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no País) da meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública), o dólar passou a subir. Segundo economistas ouvidos pela Agência Brasil, a possibilidade de o país perder o grau de investimento das agências de classificação de risco tem pressionado o câmbio. Fatores internacionais também têm feito o dólar subir em todo o mundo. Nesta semana, os Estados Unidos informaram que o volume de pedidos semanais de auxílio-desemprego atingiu o nível mais baixo desde 1973. A recuperação da economia norte-americana abre espaço para que o Federal Reserve dos Estados Unidos aumente, ainda este ano, os juros da maior economia do planeta. Juros mais altos nos Estados Unidos atraem capitais para países desenvolvidos, afetando economias emergentes, como a do Brasil.

TCU, Câmara e Senado fecham questão: contas de 2014 da Dilma serão julgadas em primeiro lugar.


O Congresso poderá furar a fila e pôr em votação as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff antes de apreciar as prestações de contas de anos anteriores. A informação foi transmitida ontem pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU). Augusto Nardes é o relator do processo no tribunal. Um dia depois de receber a defesa da presidente para os 13 indícios de irregularidades detectados pelo TCU, Nardes procurou Renan e Cunha para consultar sobre a possibilidade de o parecer do tribunal sobre as contas de 2014 ser votado com prioridade, antes dos demais. Os dois presidentes responderam que isso será possível. O TCU deve julgar as contas de Dilma na segunda quinzena de agosto para, então, encaminhar seu parecer ao Congresso. Nardes foi de manhã à residência oficial do presidente do Senado, onde também estava o ex-senador José Sarney (PMDB-AP). Ouviu de Renan que o início da análise das contas de 2014 da presidente caberá ao Senado. Existe uma alternância entre Câmara e Senado, e a vez, segundo Renan, é dos senadores. O GLOBO apurou que o presidente do Senado também prometeu divulgar um calendário de análise das contas de anos anteriores. Cunha também recebeu Nardes em casa, e admitiu tanto a possibilidade de a fila ser furada quanto a necessidade de fazer um calendário de votações sobre prestações de contas. Na casa do presidente da Câmara estava o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), aliado de Cunha e presidente da CPI da Petrobras. O Congresso não analisa um parecer do TCU sobre contas de governo desde 2002. Estão represadas até prestações do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, dos dois mandatos de Lula e dos três primeiros anos de Dilma. Todo ano, o TCU analisa a prestação de contas e aprova um parecer em plenário. A decisão mais comum tem sido a aprovação as contas com ressalvas. Pela primeira vez, diante da existência de vários indícios de irregularidades, os ministros deram prazo de 30 dias para a presidente se explicar. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, entregou a defesa na quarta-feira, último dia do prazo. Ele afirma que as “pedaladas fiscais” ocorreram em anos anteriores, desde a década de 1990, e nunca foram reprovadas pelo TCU. Antes de receber a defesa de Dilma, Nardes já havia afirmado que votará pela rejeição das contas de 2014. Fontes do Congresso confirmam que no Regimento Interno não há qualquer impedimento para uma prestação de contas ser analisada antes das de anos anteriores. A decisão é política. O parecer aprovado pelo TCU será enviado à Comissão Mista de Orçamento, que produz seu próprio parecer recomendando a aprovação ou a rejeição das contas. Um projeto de decreto legislativo é elaborado e encaminhado para votação em plenário. As duas Casas precisam julgar as contas. Na quarta-feira, dia em que a AGU entregou a defesa de Dilma, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, telefonou para Nardes e para o presidente do TCU, ministro Aroldo Cedraz, e propôs que quatro ministros do governo fizessem uma apresentação oral da defesa: Adams, da AGU; Nelson Barbosa, do Planejamento; Joaquim Levy, da Fazenda; e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central. A idéia era fazer uma reunião com todos os ministros do TCU na próxima segunda-feira. Mas houve reação contrária de parte dos ministros do TCU e o encontro não chegou a ser marcado. A Casa Civil diz que a proposta surgiu no mesmo momento da entrega da defesa, e seria um procedimento corriqueiro. Nardes disse ontem que ainda não estabeleceu prazo para avaliar a defesa do governo, e garantiu que não haverá questões políticas influenciando na decisão do TCU: "Todos nossos auditores são concursados, independentes. Não temos cargos políticos. Não há indicação politica de A, B ou C, como acontece em outras cortes do País".

Só uma mega privatização salva o Brasil


Num cenário para as principais variáveis econômicas para o Brasil até 2018 que consideram realista, os economistas Vilma da Conceição Pinto e Lívio Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), estimam que o governo teria de gerar receitas não recorrentes – basicamente com a venda de ativos – de mais de R$ 200 bilhões em 2016 e 2017 para que a projeção da dívida bruta anunciada na quarta-feira fosse alcançada. Uma venda de ativos desse porte provavelmente exigiria um robusto programa de privatização combinado com uma maciça venda de reservas internacionais.Os economistas partem da trajetória de superávits primários do setor público consolidado e da dívida bruta para 2015, 2016, 2017 e 2018 anunciada na quarta-feira pelo governo: de, respectivamente, 0,15%, 0,7%, 1,3% e 2% do PIB; e 64,7%, 66,4%, 66,3% e 65,6% do PIB. Num exercício inicial, eles calcularam qual seria a evolução da dívida bruta caso a trajetória da Selic, do IPCA e do crescimento do PIB até 2018 acompanhassem as projeções do Boletim Focus, que traz a mediana das expectativas de mercado. Neste caso, a dívida bruta chegaria a 67,4% do PIB em 2018. Supondo que o governo cubra a diferença vendendo ativos em 2016 e 2017, seria necessário que a venda fosse de 0,9% do PIB em cada um dos dois próximos anos – em termos absolutos, isso significaria uma venda de R$ 56,4 bilhões em 2016 e de R$ 60 bilhões em 2017, usando as projeções do Focus para o PIB. Vilma e Ribeiro, entretanto, consideram que as previsões do Focus para 2017 e 2018 são muito otimistas. É sabido que as instituições preocupam-se menos com as projeções de mais longo prazo do Focus, e que suas revisões são mais esparsas, o que leva a defasagens com o que é a percepção de momento do mercado. Assim, eles estimaram a evolução da dívida bruta até 2018 para um cenário que julgam razoável, combinando previsões oficiais do Ibre, do Focus e hipóteses que arbitraram (e que não são oficiais do Ibre). Os economistas frisam que não fizeram nenhum cenário oficial, mas apenas testaram hipóteses razoáveis para ter a sensibilidade dos parâmetros implícitos nas projeções do governo. Neste cenário, o PIB cai 2,2% e 0,1% em 2015 e 2016, e sobe 1% e 1,5% em 2017 e 2018. A Selic de final de ano em 2015, 2016, 2017 e 2018 é de, respectivamente, 14,5%, 12%, 11% e 11%. Já o IPCA nos quatro anos consecutivos é de 9%, 5,4%, 4,6% e 4,5%. Com essas projeções, a dívida bruta atinge 69,6% do PIB em 2018. Para que chegasse aos 65,6% projetados pelo governo, as receitas não recorrentes teriam de ser de 1,9% do PIB em 2016 e 2017 – em termos absolutos, de respectivamente R$ 117,8 bilhões e R$ 124,4 bilhões, num total de R$ 241,4 bilhões. Se o governo conseguir receitas não recorrentes expressivas já em 2015, aquele número cai, devido à dinâmica da dívida. Por outro lado, ele pressupõe que toda a venda de ativos se conclua até 2017, o que, dado os volumes gigantescos, pode ser uma hipótese otimista. A conclusão é que os números do governo não fecham a não ser com um colossal programa de venda de ativos, cuja factibilidade política, no caso das privatizações, ou de equilíbrio macroeconômico, no caso da venda de reservas, é muito discutível.

Delegação internacional de senadores é impedida de visitar Leopoldo López


As autoridades responsáveis pela penitenciária em que está preso o líder opositor político venezuelano Leopoldo López impediram nesta sexta-feira a entrada de uma delegação internacional de senadores que queria visitá-lo. O grupo, composto por parlamentares como os espanhóis Dionisio García, do Partido Popular (PP); Iñaki Anasagasti, do Nacionalista Basco (PNV); Josep Maldonado, do Convergència i Unió (CiU); e o uruguaio Pablo Mieres, do Partido Independiente (PI), viu frustrada pela segunda vez a tentativa de se encontrar com políticos presos no país do ditador bolivariano Nicolas Maduro. "Quero dizer ao povo venezuelano e, sobretudo, aos dirigentes políticos que estão injustamente presos, que não vamos deixá-los nesta luta (...) que vamos continuar", disse aos jornalistas o senador Ander Gil, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Os senadores levavam um documento do Ministério do Interior da Venezuela que credenciava a delegação a fazer a visita. "A decisão depende somente das autoridades judiciais e policiais, e até agora não temos nenhuma resposta", disse aos jornalistas o senador Dionisio García, pouco antes de ir embora com seus colegas e as esposas de Leopoldo López e Antonio Ledezma, Lilian Tintori e Mitzy Capriles, respectivamente. García disse esperar que ao menos Lilian consiga autorização para uma visita familiar na prisão de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, para dar a López o "abraço" e "carinho" dos senadores e de "os principais grupos do Senado da Espanha que são os grupos que representam à imensa maioria da população espanhola". A delegação de senadores espanhóis chegou a Caracas na quarta-feira passada e conseguiu visitar Ledezma em sua residência, onde o opositor cumpre prisão domiciliar desde abril deste ano, acusado de conspirar contra o governo. Nessa quinta-feira, o grupo foi proibido de visitar o ex-prefeito Daniel Ceballos, preso nas dependências do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), mas cumpriu o restante da agenda ao se reunir com parentes de políticos presos ou acusados pelo governo, assim como com bispos venezuelanos.

Governo ucraniano cassa direitos políticos de três partidos comunistas

O Ministério da Justiça da Ucrânia proibiu nesta sexta-feira (24) os três partidos comunistas do país de concorrer nas eleições do país, em mais uma medida da ofensiva contra o passado soviético do país. A retirada de objetos em referência ao regime comunista acontece no contexto do conflito com a Rússia. O governo, aliados aos EUA e à União Européia, enfrenta desde abril de 2014 separatistas pró-Moscou no leste do país.


Segundo o ministro da Justiça, Pavlo Petrenko, a decisão se baseia em uma lei aprovada em abril que condena o comunismo e nazismo. Por ela, proíbem-se as propagandas e as simbologias dos dois regimes. Foi por este motivo que foram tirados os direitos políticos do Partido Comunista e de dois partidos dissidentes deste primeiro, o Partido Comunista da Ucrânia e o Partido Comunista dos Trabalhadores e dos Camponeses. Petrenko diz que, considerando a lei, as atividades, os nomes, os símbolos, os programas e os estatutos das três agremiações são ilegais. Também não será possível criar novos partidos comunistas. Apesar da proibição de seus direitos políticos, os partidos continuam a existir como pessoas jurídicas. No entanto, tramita na Justiça uma ação que tiraria também este direito, tornando-os completamente ilegais. Em nota, o Partido Comunista disse que manterá suas candidaturas para as eleições municipais e tentará na Justiça reverter a decisão. Antes da revolta que levou à queda de Viktor Yanukovich em fevereiro de 2014, os comunistas tinham 13% das cadeiras do Parlamento. Eles eram a segunda força de apoio ao presidente, aliado da Rússia. Depois da revolta, seus militantes passaram a ser reprimidos pelo governo pró-Ocidente e atacados por grupos de extrema-direita. Na eleição parlamentar de maio do ano passado, sua parcela no Legislativo caiu para 4%. Dois meses depois, eles foram expulsos do Parlamento pelo então presidente da casa, Oleksander Turchinov. Nesta sexta-feira ele disse que a proibição é justificada e acusou os partidos de apoiarem a anexação da Crimeia pela Rússia: "Estes partidos apoiaram e promoveram a ocupação da Crimeia pela Federação Russa, a invasão militar do leste do país e a criação de grupos separatistas. A cooperação com Yanukovich tornou-se cooperação com o agressor".

Juiz transfere presos de Andrade Gutierrez e Odebrecht para presídio


O juiz federal Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta sexta-feira (24) a transferência dos executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht da carceragem da Polícia Federal para um presídio comum, o Complexo Médico Penal, em Pinhais, no Paraná. Esse presídio já tem uma ala específica que tem recebido os presos da Operação Lava Jato, separados dos presos comuns. A decisão de Moro foi em resposta a um pedido da Polícia Federal. Com isso, serão transferidos para o presídio os presidentes das empreiteiras, Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo, além dos funcionários e ex-funcionários Alexandrino de Alencar, César Ramos Rocha, Elton Negrão de Azevedo Júnior, João Antônio Bernardi Filho, Márcio Faria da Silva e Rogério Santos de Araújo. A transferência deve ocorrer a partir do sábado (25). Todos eles estão presos preventivamente desde 19 de junho, sob suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras. "De fato, a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos", escreveu Moro no despacho. Com a mudança para o Complexo Médico Penal, os presos terão algumas mudanças na rotina. A pior dela é em relação à comida. Considerada "intragável" segundo relatos de pessoas que têm contato com os detentos, ela é o principal motivo de reclamação. A maioria dos réus que então no presídio já emagreceram alguns quilos depois da chegada à nova estadia. O silêncio durante a noite também deve acabar. O CMP é famoso pelo alto barulho nas madrugadas devido à gritaria de presos de outras alas durante a noite. O número de detentos por cela continuará o mesmo, três. Mas deixarão de dormir em beliches para dormir em camas de concreto. As celas são maiores que as da Polícia Federal e têm regalias como televisão. Outra diferença é em relação às visitas. Na sede da Polícia Federal os presos só podem tocar nos visitantes nos encontros que acontecem na última quarta-feira do mês, tendo os demais contatos semanais no parlatório, onde são separados por um vidro, com duração de aproximadamente 20 minutos. No CMP as visitas acontecem todas as sextas e têm duas horas e meia de duração. Além disso são presenciais, ou seja, eles podem tocar em quem os visita.

Executivos da Odebrecht e Andrade são denunciados em ação da Lava Jato


Executivos de duas das maiores construtoras do País, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, foram denunciados à Justiça nesta sexta-feira (24) sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Esta é a primeira acusação formal contra executivos dessas duas empresas, investigadas na Operação Lava Jato há pelo menos oito meses. Entre os denunciados estão os presidentes Marcelo Bahia Odebrecht, da Odebrecht, e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez. Os dois, além de outros seis executivos, estão presos preventivamente desde junho. O Ministério Público Federal, que ofereceu a denúncia, sustenta ter provas de que a Odebrecht e a Andrade Gutierrez faziam parte de um cartel que combinava o resultado de licitações na Petrobras e pagava propina sobre os contratos. Ao contrário das empresas investigadas até aqui, as duas companhias faziam a maioria dos pagamentos no Exterior, segundo os procuradores, por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que usava contas secretas e empresas offshore, controladas pelas empreiteiras. Nesta quinta-feira (23), o Ministério Público Federal já havia apresentado documentação bancária recebida da Suíça, que mostra depósitos da Odebrecht em contas ligadas aos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró, além do ex-gerente Pedro Barusco. Investigação feita pelo Ministério Público da Suíça aponta que subsidiárias da Odebrecht no Exterior estão na origem de pagamentos que somaram US$ 17,6 milhões (R$ 59 milhões) a ex-dirigentes da Petrobras em contas secretas na Europa. As informações bancárias levantadas pelas autoridades suíças embasaram a decretação de uma nova prisão preventiva de Marcelo Odebrecht e de outros executivos da companhia nesta sexta-feira (24). Em relação à Andrade Gutierrez, os procuradores entenderam que a empresa participava do cartel na Petrobras, com base no depoimento de colaboradores. Documentos também demonstram pagamentos de pelo menos R$ 4,9 milhões ao lobista Mario Goes e ao operador Fernando Baiano, presos na Lava Jato – que, para o Ministério Público, não se justificam e seriam uma prova do esquema de corrupção. Foram denunciados seis executivos ligados à Odebrecht e cinco à Andrade Gutierrez (incluindo ex-funcionários). São eles: da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, Rogério Santos de Araújo, Alexandrino de Salles de Alencar, Márcio Faria da Silva, Cesar Ramos Rocha e Paulo Sérgio Boghossian. Da Andrade Gutierrez, os denunciados são Otávio Marques de Azevedo, Flávio Gomes Machado Filho, Antonio Pedro Campello de Souza, Paulo Roberto Dalmazzo e Elton Negrão de Azevedo Júnior. Também estão entre os denunciados os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque; o doleiro Alberto Youssef; os operadores Fernando Soares (o Baiano), Bernardo Freiburghaus, Mario Goes e Lucelio Goes; e os ex-funcionários da Petrobras, Celso Araripe e Pedro Barusco Filho; e Armando Furlan Junior, sócio do Fernando Baiano em empresas suspeitas de repassar propina. O juiz federal Sergio Moro, da Justiça Federal no Paraná, responsável pelos processos da Lava Jato, é quem irá decidir se aceita ou não a denúncia – em caso positivo, os executivos passam a ser considerados réus. Moro, nesta sexta-feira, autorizou a transferência dos executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht que estão presos na carceragem da Polícia Federal para um presídio comum, o Complexo Médico Penal, em Pinhais, no Paraná. 
CONFIRA A LISTA DOS DENUNCIADOS
Crimes: organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro
1. Alberto Youssef, doleiro
2. Alexandrino Alencar, ex-diretor de relações internacionais da Odebrecht
3. Antonio Pedro Campelo de Souza Dias, diretor da Andrade Gutierrez que assinou contratos da empreiteira com empresas do acusado de ser operador do esquema Mário Góes
4. Armando Furlan Júnior, acusado de operar empresa de fachada
5. Bernardo Schiller Freiburghaus, acusado de distribuir propina da Odebrecht no exterior
6. Celso Araripe d'Oliveira, gerente da Petrobras, suspeito de levar propina em obra da construção da sede da estatal em Vitória
7. Celso Ramos Rocha, ex-diretor da Odebrecht
8. Eduardo de Oliveira Freitas Filho, empresário
9. Elton Negrão de Azevedo Júnior, executivo da Odebrecht
10. Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras
11. Flávio Gomes Machado Filho, executivo da Andrade Gutierrez
12. Lucélio Roberto Góes, filho de Mário Góes e suspeito de lavagem de dinheiro
13. Marcelo Bahia Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht
14. Marcio Faria da Silva, executivo da Odebrecht
15. Mario Góes, acusado de intermediar propina entre empreiteiras e dirigentes da Petrobras
16. Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez
17. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras
18. Paulo Roberto Dalmazzo, ex-executivo da Andrade Gutierrez
19. Paulo Sérgio Boghossian, engenheiro
20. Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras
21. Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras
22. Rogério Araújo, ex-diretor da Petrobras

Polícia Federal prende sírio com papéis falsos no Paraná e investiga esquema de imigração

A prisão em flagrante de um imigrante sírio com documentos falsos em Londrina (PR) na semana passada deu início a uma investigação da Polícia Federal no Paraná sobre um possível esquema de imigração ilegal para trazer árabes ao Brasil. O sírio Walid Hanna Elias, de 49 anos, foi preso no último dia 17 ao apresentar documentos falsos à Polícia Federal em Londrina para obter um passaporte brasileiro. No dia seguinte, a Justiça Federal transformou o flagrante em prisão preventiva, sob o entendimento de que, posto em liberdade, poderia fugir do País. O caso chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal, principalmente porque Elias declarou ser empresário na área de petróleo e energia eólica no país onde mora, em Dubai, nos Emirados Árabes. Ao ser preso, chegou a ser internado em um hospital particular para exames, o que não é de praxe, tendo ficado sob vigilância de policiais federais, até ser transferido para a carceragem da Polícia Federal. A Polícia Federal investiga nacionalmente um esquema ilegal de utilização do Brasil como rota de sírios e iraquianos portando passaportes falsos a caminho da Europa. Não se sabe ainda, porém, se o caso de Walid tem relação com esse esquema. Elias veio para o Brasil acompanhado de sua mulher, que já tinha data agendada também para tentar tirar um passaporte brasileiro, só que em Maringá (PR). Com a prisão do marido, a Polícia Federal cancelou o agendamento dela. Em depoimento, Walid Elias afirmou ter sido vítima de um esquema de imigração ilegal, denunciando pessoas responsáveis por envolvê-lo. Ele negou saber da origem ilegal do documento de identidade que portava para tentar obter o passaporte. Agora, a Polícia Federal busca identificar os líderes desse esquema, com a suspeita de que a base deles seja no Paraná. Pelo relato do sírio, há indícios de que outros imigrantes ilegais árabes já foram trazidos para o Brasil por meio desse grupo. No caso de Elias, por meio de uma certidão de nascimento fraudada eles obtiveram seus demais documentos. A defesa de Elias afirmou que ele veio ao Brasil com a intenção de fazer investimentos no País e reiterou que ele foi uma vítima. 

Documentos da Suíça ligam a empreiteira Odebrecht à distribuição de US$ 17,6 milhões em propinas

Investigação feita pelo Ministério Público da Suíça aponta que subsidiárias da Odebrecht no Exterior estão na origem de pagamentos que somaram US$ 17,6 milhões (R$ 59 milhões) a ex-dirigentes da Petrobras em contas secretas na Europa. Segundo informações repassadas pelos suíços aos procuradores da Operação Lava Jato através de cooperação internacional, o dinheiro percorreu camadas de empresas baseadas em paraísos fiscais – cinco delas controladas pela própria Odebrecht– até as contas dos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Jorge Zelada e o ex-gerente Pedro Barusco, na Suíça e em Mônaco. As informações bancárias levantadas pelas autoridades suíças embasaram a decretação de uma nova prisão preventiva de Marcelo Odebrecht e de outros executivos da companhia nesta sexta (24) e são a principal evidência material que sustentam a denúncia do Ministério Público Federal contra eles. Só o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que recebeu US$ 23 milhões em subornos no Exterior - a maior parte vinda da Odebrecht. A origem de parte do dinheiro dele bloqueado na Suíça ainda não foi identificada pelas autoridades. Dos US$ 17,6 milhões identificados como possível propina, havia dois métodos do repasse do dinheiro, segundo informou o Ministério Público da Suíça: 1) empresas controladas por subsidiárias da Odebrecht faziam transferências diretamente nas contas dos dirigentes da Petrobras na Europa; e 2) as offshores atribuídas à empreiteira repassavam recursos a outras empresas baseadas em paraísos fiscais que, logo depois, abasteciam as contas dos executivos da estatal. Entre 2006 e 2011, a offshore Smith & Nash Engineering recebeu depósitos de US$ 45,4 milhões de quatro empresas do grupo Odebrecht (Odebrecht Serviços no Exterior, Construtora Norberto Odebrecht SA, Osel Angola e Osel-Odebrecht Serviços no Exterior). No mesmo período, a Smith and Nash Engineering foi a fonte de US$ 6,8 milhões depositadas diretamente em duas contas de Paulo Roberto Costa na Suíça. Em 2009, a Arcadex Corporation recebeu US$ 25,2 milhões de duas empresas da Odebrecht no Exterior. A Arcadex depositou US$ 435 mil para uma conta de Renato Duque e 63,6 mil euros em uma conta Tudor Advisory, atribuída ao ex-diretor da área internacional Jorge Luiz Zelada. A offshore Havinsur, autora de uma transferência de US$ 565 mil em 2010 a uma conta atribuída a Renato Duque em Mônaco, tinha como controladora uma empresa do grupo Odebrecht, segundo a Suíça. Segundo a Procuradoria, o segundo método de pagamento aos ex-dirigentes da Petrobras envolvia uma triangulação supostamente para dificultar o rastreamento do dinheiro. Entre 2006 e 2011, cinco empresas offshores que os suíços apontam a empreiteira como controladora repassaram US$ 211,5 milhões para três empresas: Constructora Internacional del Sur, Klienfeld Services e Innovation Research Engineering. Em 2009, a Del Sur depositou US$ 3 milhões para contas de Costa, Duque e Barusco. A Klienfeld e a Innovation Research Services são apontadas como repassadoras de US$ 6,8 milhões milhões para Costa e Barusco entre 2009 e 2011. A Procuradoria-Geral da Suíça instaurou investigação própria sobre a Odebrecht no País e pediu às autoridades brasileiras, através do canal de cooperação internacional, para acompanhar as oitivas de investigados e réus ligados ao esquema de corrupção na Petrobras. O pedido foi repassado no final da tarde de quinta (23) ao juiz Sergio Moro. Em despacho na quinta-feira à noite, o magistrado não se pronunciou sobre o pedido dos suíços, mas autorizou o uso das provas obtidas pelas quebras de sigilo autoridades daquele país. O juiz ponderou que a autorização judicial brasileira para usar os documentos suíços seria desnecessária já que se trata apenas de compartilhamento de provas obtidas através de quebras de sigilo bancário já foram decretadas pela Suíça. "Entretanto, a fim de evitar questionamentos desnecessários e considerando que os elementos probatórios anteriores à própria vinda dos documentos autorizariam as quebras de sigilo também em conformidade à legislação brasileira, assim como os elementos ora trazidos, defiro o requerido para o fim de levantar o sigilo bancário, também no Brasil", escreveu o juiz. A autorização abrange toda a documentação, inclusive a relativa às contas em nome das offshores Smith & Nash Engineering Company, Arcadex Corporation, Havinsur S/A, Golac Project and Construction Corporation, Rodira Holdings Ltd., Sherkson International, Constructora International Del Sur, Klienfeld Services e Innovation Research, e todas as transações pertinentes. O juiz decretou também a quebra de sigilo de operações de câmbio ou de transferências internacionais registradas no Banco Central em nome das offshores entre 2003 e 2015. A Odebrecht, que tem negado sistematicamente o pagamento de propina no Exterior, ainda não se manifestou sobre as novas alegações do Ministério Público Federal. Na quinta-feira, a empresa disse que solicitará informações às autoridades suíças para entender o alcance das investigações e o motivo pelo qual está sendo inserida no contexto de apuração de irregularidades cometidas por executivos da Petrobras. Barusco e Costa, que firmaram acordos de delação premiada, admitem terem recebido o pagamento no Exterior. Já Duque e Zelada, que estão presos no Paraná, refutam que sejam proprietários das contas bancárias na Suíça e em Mônaco apontadas como propina. Os dossiês bancários fornecidos pelas autoridades dos dois países, entretanto, mostram cópias de documentos, como passaportes e comprovantes de residência, e assinaturas dos dois ex-diretores. Nesta sexta-feira, após a nova decretação de prisão dos executivos da Odebrecht, a empresa informou que "as defesas acabaram de tomar conhecimento e se pronunciarão oportunamente".

Lobista Fernando Baiano usava 19 contas no Exterior para movimentar a propina da Petrobras


O relatório final da investigação de um contrato de US$ 1,2 bilhão da Petrobras com a coreana Samsung Heavy Industries para a compra de dois navios-sonda, encaminhado nesta quinta-feira à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF), lista uma rede de contas bancárias no Exterior movimentadas pelo esquema do lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, preso em Curitiba. Segundo os procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato, as contas eram usadas para lavar dinheiro de propina destinada a executivos da estatal e políticos. As investigações apontam Baiano como operador do PMDB no esquema de fraudes e desvios de recursos de contratos da Petrobras. Com o fim dessa investigação, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Baiano e do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, responsável pelo contrato. Os procuradores também querem punição para os delatores Júlio Camargo e Alberto Youssef pelos crimes de corrupção (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro. Camargo era representante da japonesa Mitsui, parceira da Samsung Heavy Industries na construção de um dos dois navios-sonda. O relatório que baseia a denúncia do Ministério Público Federal mostra pelo menos 19 contas ligadas a Baiano em bancos na Suíça, Estados Unidos e Espanha, além de Hong Kong (China), por onde transitaram cerca de US$ 20 milhões entre 2006 e 2008. Os procuradores querem que os denunciados devolvam mais de R$ 156 milhões. Segundo o Ministério Público Federal, nem todas as contas rastreadas pertencem a Baiano. Várias delas são apenas controladas por ele ou foram indicadas para que o consultor Júlio Camargo pagasse a propina combinada pela compra das duas sondas. Na primeira delas, a parceira da Samsung HI foi a Mitsui. Na segunda, foi a Schahin Engenharia. Nos dois casos, Fernando Soares atuou. Para os procuradores, ele operava para o PMDB na Diretoria Internacional da Petrobras. É a esse contrato da Petrobras que estão relacionadas as suspeitas em torno do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na semana passada, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, Júlio Camargo disse que Baiano era “sócio oculto” de Eduardo Cunha. O deputado, que não é denunciado e só é investigado no âmbito do Supremo Tribunal Federal por ter foro privilegiado, nega a acusação. Em depoimento à Justiça, Camargo disse que o negócio com as sondas renderia US$ 53 milhões de comissão a ele, dos quais US$ 40 milhões seriam direcionados a agentes públicos e políticos. Julio Camargo disse à Justiça que Baiano lhe entregou pessoalmente os números das contas que deveriam receber os depósitos provenientes dos contratos das sondas. Segundo ele, os valores eram pulverizados, por isso em nenhum momento soube quem eram todos os beneficiários. O dinheiro que passou pelas 19 contas, para o Ministério Público Federal, foi cobrado por Cerveró e Baiano na compra de sondas. O valor foi discutido diretamente com os japoneses antes mesmo que a diretoria executiva da Petrobras desse o aval para início das negociações. O controle de acesso à sede da Petrobras mostrou que Baiano participou das negociações, embora nunca tenha tido vínculo ou prestado algum tipo de serviço para a estatal. Logo depois de receber das empresas contratadas, Júlio Camargo distribuiu US$ 15 milhões por meio de 35 operações bancárias em contas controladas ou indicadas por Baiano. Apenas duas delas, na Suíça, receberam, num único dia de maio de 2007, US$ 1,5 milhão cada. Menos de um ano depois, a Petrobras comprou a segunda sonda da Samsung HI. Parte da propina, que subiu para US$ 25 milhões, também passou pelas contas indicadas pelo lobista. O repasse só foi revelado na Lava-Jato porque Julio Camargo não recebeu o total prometido e teve de recorrer ao doleiro Alberto Youssef para complementar o dinheiro exigido por Cerveró e Baiano. Youssef contou à Justiça que repassou dinheiro a pedido de Júlio Camargo por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Jayme Careca, que trabalhou para o doleiro entre 2010 e 2013. Numa planilha denominada “Transcareca”, apreendida pela Polícia Federal no escritório de Youssef, o Ministério Público Federal descobriu a entrega de R$ 1,132 em dinheiro vivo no dia 15 de junho de 2012 para Baiano. Segundo Youssef, porém, o valor total repassado foi maior: R$ 4 milhões. “Eu peguei esses reais, uma parte mandei pelo Jayme, que entregasse ao Fernando Soares no Rio, no seu escritório na Rio Branco e o restante eu pedi também que o Jayme levasse, mas aí eu, pessoalmente, fui junto e entreguei esses valores”, disse. A planilha mostra ainda que a “Transcareca”, em apenas dois anos (2011 e 2012), distribuiu R$ 35,4 milhões apenas em notas de reais a beneficiários dos desvios na Petrobras. Por enquanto, o Ministério Público Federal revelou a identificação apenas de um dos nomes da planilha, o de Baiano. Entre os muitos outros, um que se repete é “Walmir”. São 18 menções entre 2011 e 2012, com entregas que totalizam R$ 7,232 milhões. Há ainda “Julinho”, “Sandra”, “Band Jp", “Edú”, “Mercedão”, “Ronaldo”. Os advogados de Baiano, André Azevedo, e de Cerveró, Edson Ribeiro, disseram que o pedido de condenação do Ministério Público Federal não corresponde aos autos. "Até hoje não conseguiram identificar os beneficiários dessas contas", disse Azevedo. Os procuradores do Ministério Público Federal assinalam que Cerveró “confundiu o público e o privado, atuando na Petrobras visando seus próprios interesses, de seus comparsas e das empresas corruptoras”. Para eles, os denunciados prometeram, aceitaram, pagaram e receberam vantagens indevidas para obter “poder, dinheiro e status”. Baiano, assinalam, “enriqueceu vertiginosamente” graças aos desvios na Petrobras: é dono de uma cobertura de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e de casas de veraneio em Angra dos Reis e Trancoso, na Bahia. Ele mantinha na garagem três caminhonetes Land Rover e uma Toyota Hilux. Sua lancha Cruela 1, com capacidade para 18 pessoas, foi comprada de outro preso da Lava-Jato: Otávio Marques Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Segundo o Ministério Público Federal, Baiano também comprou um Land Rover para “presentear” Cerveró e sua mulher. Para os investigadores, era mais uma forma de pagar propina. 

Polícia Federal prende operadores de esquema que desviou R$ 3 bilhões


A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a segunda fase da Operação Porto Victoria, que prendeu em junho deste ano o ex-vice-presidente do Banco do Brasil, Allan Simões Toledo, hoje no Banco Banif, e outras onze pessoas. A ação investiga uma organização criminosa internacional especializada em evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Suspeita-se que o grupo tenha lavado 3 bilhões de reais em três anos de atuação. Nesta sexta-feira foram presos dois dos principais operadores do esquema. Uma pessoa ainda está foragida. As investigações da Polícia Federal descobriram uma nova modalidade de evasão de divisas, por meio da simulação de fretes marítimos. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa abriu empresas e contas bancárias em Hong Kong que eram abastecidas com remessas de dinheiro disfarçadas com o uso de documentos falsos. A quadrilha também falsificava conhecimentos de embarques marítimos apenas para justificar a remessa de valores do Brasil ao exterior e tinha ajuda de bancários para fazer tais transações. De acordo com a Polícia Federal, os presos nessa segunda fase conseguiram evadir do Brasil 120 milhões de reais em apenas um ano. Os investigados responderão pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa, na medida de suas participações.

MP da Suíça quer ouvir Odebrecht e delatores no Brasil


O Ministério Público da Suíça pediu autorização para realizar diligências no Brasil no âmbito da investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro que envolve a Odebrecht na Europa. As subsidiárias da construtora são suspeitas de usar contas no país para fazer pagamentos de propina a ex-executivos da Petrobras. O Ministério Público quer ouvir o extenso rol de investigados da Operação Lava Jato, inclusive cinco ex-diretores da Petrobras, entre eles dois delatores: Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, e Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços. As autoridades suíças também pedem cópia de documentos que "demonstrem o pagamento de valores entre as sociedades componentes do grupo Odebrecht e as empresas Smith&Nash Engineering Co. Inc., Arcadex Corp., Havinsur S/A, Golac Project and Construction Corp., Rodira Holdings Ltd e Sherkson". O pedido de cooperação jurídica da Suíça chegou ao Brasil via Ministério da Justiça, conforme informou o procurador federal Carlos Bruno Ferreira da Silva, secretário de Cooperação Internacional em exercício da Procuradoria-Geral da República. Em ofício encaminhado ao procurador Daltan Dallagnol, que integra a força-tarefa da Lava Jato, o secretário da Cooperação Internacional descreveu a pauta das autoridades de Genebra. Os promotores suíços querem ouvir Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Jorge Luiz Zelada, Renato Duque e Nestor Cerveró - os três últimos estão presos em Curitiba (PR), por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Além deles, os promotores querem ouvir também os "responsáveis financeiros" da Construtora Norberto Odebrecht, da Osel Odebrecht Serviços no Exterior Ltd, da Osel Angola DS-Odebrecht Serviços no Exterior Ltd e da CO Construtora Norberto Odebrecht Gustavo. Os suíços pedem para acompanhar as diligências no Brasil.

NOVA PRISÃO DE EXECUTIVOS É DECRETADA APÓS DESCOBERTA DE CONTAS NO EXTERIOR

A investigação da Operação Lava-Jato descobriu que a Odebrecht controlava seis contas bancárias no Exterior para pagar propinas aos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada, e ao ex-gerente da estatal, Pedro Barusco. A prova foi apresentada pelo juiz Sérgio Moro nesta sexta-feira, em despacho para justificar um novo decreto de prisão preventiva contra o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e outros quatro executivos ligados à companhia. Ontem, os advogados de executivos da Odebrecht e Andrade Gutierrez entraram com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça para tentar liberar seus clientes. Como decretou um novo pedido de prisão preventiva a esses cinco acusados, Moro encaminhou o despacho desta sexta-feira às instâncias superiores, que julgam os habeas corpus: a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF-4) e a 5ª Turma do STJ. A força-tarefa da operação rastreou o caminho do dinheiro que saiu da empreiteira e chegou até os funcionários da Petrobras que teriam recebido a propina para favorecer a Odebrecht em contratos com a estatal. Com base em documentos enviados por autoridades da Suíça e outros documentos juntados ao processo, o juiz Moro concluiu que “há prova de fluxo financeiro milionário, em dezenas de transações, entre contas controladas pela Odebrecht ou alimentadas por empresas do grupo e outras contas secretas, mantidas no Exterior por dirigentes da Petrobras”. A Odebrecht era beneficiária e controladora, segundo as investigações, das contas em nomes das empresas offshores Smith & Nash Engeinnering Company, Arcadex Corporation, Havinsur S/A, Golac Project, Rodira Holdings e Sherkson Internacional. O dinheiro saía dessas contas diretamente para contas secretas mantidas por Barusco, Duque, Cerveró e Zelada também no Exterior. Em algumas transferências, de acordo com o que escreveu o juiz Moro, a propina passava ainda por uma conta intermediária antes de chegar ao seu destinatário final.

O que vai sobrar da Odebrecht

A Odebrecht acabou. Só há uma maneira para tentar salvar uma parte da empresa, segundo Diego Escosteguy: a confissão. "As consequências penais desses documentos, para a Odebrecht, são gravíssimas - no Brasil, nos EUA, na Suíça e onde mais haja investigação. As consequências financeiras são igualmente terríveis. Está perto de entrar nas listas negras dos credores internacionais. Ou a empresa muda sua estratégia de defesa e passa a colaborar, em todos os países - ou é difícil saber o que sobrará dela após esse furacão".

STJ mantém as prisões dos empreiteiros da Odebrecht e Andrade Gutierrez


O presidente do STJ, Francisco Falcão, acaba de decidir não conceder os habeas corpus pedidos pelos advogados de defesa de Marcelo Odebrecht e Otavio Azevedo, respectivamente presidentes da Odebrechtt e Andrade Gutierrez, as duas maiores empreiteiras do Brasil. Falcão não negou o habeas corpus, mas pediu novas informações sobre o processo ao juiz Sergio Moro e ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, para depois remetê-las à 5ª Turma do STJ, um colegiado composto por cinco ministros. Estes, sim, irão decidir se continuarão presos Marcelo Odebrecht, Azevedo e outros quatro executivos: Elton Negrão, da Andrade; e Alexandrino Alencar, Marcio Farias e Rogério Araújo, da Odebrecht. Ou seja, até a volta do recesso do Judiciário, no dia 3 de agosto, ninguém, será solto. A mesma decisão vale para os pedidos de habeas corpus feitos pelas defesas de André Vargas e João Vacarri Neto. Foram negados também os pedidos para soltar outros quatro executivos das suas empresas. Todos eles foram presos há 35 dias. Foi a terceira tentativa da defesa da Odebrecht para soltar Marcelo e seus executivos. E a segunda dos advogados da Andrade Gutierrez. Por Lauro Jardim

JBS fecha três frigoríficos em julho

JBS: hora do abate
JBS: hora do abate
JBS fechou um frigorífico em São José dos Quatro Marcos, no oeste do Mato Grosso, e outro em Matupá, no norte do estado. Em Cuiabá, outra unidade suspendeu o abate de bovinos e também fez demissões. No total, as demissões chegam a quase 1 500 pessoas. A prefeitura de São José dos Quatro Marcos estima que a JBS era responsável direta ou indiretamente por um quarto dos empregos locais. Por Lauro Jardim

Operação do Ministério Público prende fiscais suspeitos de fraude no ICMS de São Paulo

O Ministério Público Estadual deflagrou na manhã desta sexta-feira, 24, a Operação Zinabre contra fiscais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de São Paulo suspeitos de envolvimento em fraudes tributárias no Estado. Os valores desviados podem chegar a R$ 35 milhões.


Policiais civis cumprem desde as 6 horas sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão expedidos pela Justiça a pedido do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec). A Corregedoria-Geral da Administração também participa da operação. Segundo a Corregedoria, os fiscais Ananias José do Nascimento, José Antônio Alves e Marcelo da Silva Santos foram detidos em São José dos Campos, no interior paulista, e Eduardo Takeo Komaki, na sua casa em Sorocaba, também no interior. Outros três ainda estão foragidos. Segundo a Promotoria, a fraude ocorria na fiscalização tributária na importação e industrialização do cobre. Zinabre é uma substância que se forma quando ocorre a oxidação do produto. Os suspeitos trabalham em delegacias tributárias regionais em Sorocaba, Taubaté, no interior, e São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Por volta das 10h45, os policiais estavam em uma casa de câmbio no centro de São Paulo para cumprir mandado de busca e apreensão. O estabelecimento é suspeito de lavar dinheiro ilícito dos fiscais investigados. Foram feitas buscas e apreensões nos postos fiscais de Guarulhos, Santo André, Osasco, São Bernardo do Campo, Sorocaba, Taubaté e na Delegacia Regional Tributária de Sorocaba. A investigação sobre o esquema ganhou força após depoimento do doleiro Alberto Youssef a promotores criminais e representantes da Corregedoria-Geral do Estado, em 24 de junho deste ano, Youssef confirma ter pago propina a fiscais do ICMS de São Paulo para reduzir dívidas de uma empresa com o Fisco paulista. Youssef é um dos principais delatores da Operação Lava Jato, que deflagrou o esquema de corrupção na Petrobrás. O doleiro revelou que o executivo Júlio Camargo, também investigado na Lava Jato, representava a fabricante Pirelli Cabos Elétricos em 2010 e foi procurado quando a empresa precisava pagar propina aos fiscais. Por meio de contas do executivo no Uruguai, Youssef conseguiu cerca de US$ 1 milhão. O dinheiro foi transferido para o Brasil para uma conta indicada pelo doleiro. A quantia, cerca de R$ 2 milhões, foi paga em dinheiro a um fiscal de ICMS, em um imóvel localizado na Avenida Nova Independência, na zona sul de São Paulo. No dia seguinte ao depoimento de Youssef, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) começou a exonerar cerca de dez integrantes da cúpula da Receita estadual. Segundo o governador, as demissões ocorreram por critérios técnicos por causa da troca do secretário da Fazenda, feita em janeiro.

Sergio Moro decreta nova prisão de Marcelo Odebrecht

O juiz Sergio Moro decretou nova prisão preventiva de Marcelo Odebrecht e sua quadrilha, informa o Estadão. Motivo: a Suíça confirmou os depósitos de propinas para Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Renato Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró. Sergio Moro considerou que o bando representa “riscos à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal”. E agora, "legalistas"?

Mais uma boa notícia

Lauro Jardim informa que o STJ não concedeu habeas corpus para Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo. O presidente do STJ, Francisco Falcão, não negou o HC: pediu mais informações a Sergio Moro e a Rodrigo Janot, a fim de repassá-las a um colegiado do tribunal. De qualquer forma, como lembra Lauro Jardim, o colegiado só se reunirá em agosto, depois do final do recesso judiciário. Até lá, cana dura para ambos. Sem falar na decretação da nova prisão de Marcelinho et caterva.

A Odebecht não tem mais saída

Diego Escosteguy, da Época, publicou uma série de notas fundamentais sobre as contas suíças da Odebrecht: 
- "URGENTE A casa caiu de vez para a Odebrecht. Acabou"
- "Os documentos bancários comprovam que a propina saía de contas controladas pela Odebrecht no PKB"
- "As contas controladas pela Odebrecht: Arcadex, Smith & Nash e Havinsur. Todas no PKB"
- "A Suíça também comprovou que a Construtora Del Sur, do Panamá, pela qual Youssef pagava propina, é controlada pela Odebrecht"
- "Os extratos mostram o caminho da propina, do início (Odebrecht), passando pelo meio (offshores laranjas) ao fim (dir da Petrobras)"
- "Tudo que a Odebrecht negava está comprovado nos documentos da Suíça. É inescapável"
Falta apenas descobrir o caminho da propina da empreiteira até as contas da campanha de Dilma Rousseff.

"SE SUJAR MINHA TOALHA DE LINHO OU PEDIR MARMITEX.. VOU PIRAR", DISSE ISABELA, A MULHER DE MARCELO ODEBRECHT, CONTRARIADA COM CONVITE A SINDICALISTAS DA CUT E DO PT PARA JANTAR A PEDIDO DE LULA


"Não quero saber dessa chinelagem na minha casa", disse a mulher de Marcelo Odebrecht, Isabela (ou Bela) em e-mail enviado ao marido, referindo-se aos sindicalistas da CUT e do PT que haviam sido convidados para jantar em sua casa, a pedido de Lula. Advogados de Marcelo Odebrecht devem apresentar representação para que o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, e a chefia da Polícia Federal, abram inquérito para investigar vazamentos de e-mails e anotações pessoais de Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba. Isabela (Bela) Odebrecht, independente disso, mostra bem o seu espírito de Maria Antonieta brasileira. Em uma das conversas, sua mulher Isabela ironizou o convite feito ao sindicalista Juvandia Moreira, líder dos bancários em São Paulo, para um jantar em sua casa: "Se sujar minha toalha de linho ou pedir Marmitex... vou pirar. Saudações Sindicais? Não mereço", escreveu ela.