quarta-feira, 15 de julho de 2015

Delator Pedro Barusco sobre a propina para o PT: "Aparecia o nome de todo mundo"


O ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou, em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, ter discutido com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, o pagamento de propina para o partido pelo menos "uma dezena de vezes" a partir de 2010. De acordo com o ex-dirigente, que se tornou um dos principais delatores da Lava Jato, entre os destinatários da propina recolhida em nome do partido "aparecia o nome de todo mundo". Apesar de afirmar que não cabia a ele intermediar o repasse do dinheiro sujo aos políticos escolhidos pelo PT, Pedro Barusco disse que um dos petistas citados como destinatário dos recursos era o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. "Na conversa, aparecia o nome de todo mundo. Eu não podia assim dizer que isso foi para fulano ou para outra pessoa. Se falava de uma forma geral. O nome dele [Dirceu] aparecia nas conversas. Se ele efetivamente recebeu, não era papel meu. Não me envolvia com esse negócio do partido", disse Barusco ao relatar, em detalhes, o esquema de pagamento de propina que sangrou os cofres da Petrobras. Sobre as conversas com Vaccari, resumiu: "Tinha uma agenda ligada aos contratos da companhia, os problemas, os recebimentos, as propinas, os andamentos, os novos projetos, novas licitações". Dirceu responde a um inquérito na Operação Lava Jato por suspeitas de lavagem de dinheiro. Nesta terça-feira, o executivo Julio Camargo já havia incriminado Dirceu ao afirmar que o petista recebeu 4 milhões de reais a pedido do ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Barusco foi interrogado no processo em que o ex-tesoureiro do PT é réu por crimes de lavagem de dinheiro. Ao juiz Sergio Moro, ele voltou a descrever como funcionava a partilha de propina na estatal petrolífera. Em contratos na diretoria de Serviços, de Gás e Energia, por exemplo, 1% do valor dos contratos pagos era para o PT e 1% para funcionários da "Casa", ou seja, da Petrobras. Quando a propina envolvia a atuação de um operador, o porcentual referente à "Casa" era dividido na seguinte proporção: 40% para o ex-diretor Renato Duque, 30% para Pedro Barusco e 30% para o operador. Em um caso específico em que Barusco indicou dificuldades no recolhimento de vantagens indevidas, ele e o então tesoureiro do PT chegaram a fazer uma espécie de intercâmbio entre as empresas pagadoras MPE e Schahin para facilitar o depósito da propina. Ao longo de toda sua atuação, Pedro Barusco estimou que tenha recolhido cerca de 73 milhões de dólares em dinheiro sujo e lucrado aproximadamente 25 milhões de dólares em aplicações ou investimentos a partir da propina. Apesar dos milhões de dólares desviados no petrolão e de ter revelado que repassou quinzenalmente uma média de 50.000 reais em propina ao ex-diretor de Serviços Renato Duque, o ex-gerente disse que, mesmo com a cobrança "institucionalizada", o índice de pagamento efetivo pelas empreiteiras era baixo, de cerca de 20%. "A Casa recebia muito menos do que o estava compromissado", declarou. "O índice de sucesso era baixo". Ao juiz Sergio Moro, Pedro Barusco relatou a atuação dos operadores Mario Goes e Bernardo Freiburghaus, suspeitos de recolher propina de empreiteiras e distribuir a agentes públicos. Goes está preso por ordem do juiz Sergio Moro. Freiburghaus, citado como o operador de propinas em nome da Odebrecht, mora na Suíça e não é réu nos processos da Lava Jato. A Odebrecht, o PT e o ex-ministro José Dirceu negam participação nas irregularidades investigadas.

Parlamento grego aprova medidas previstas em acordo com credores


O Parlamento grego aprovou na noite desta quarta-feira o pacote de austeridade previsto no acordo selado com o Eurogrupo no último domingo. A votação ficou em 229 parlamentares a favor e 64 contra o ajuste, entre eles muitos partidários do primeiro-ministro, Alexis Tsipras. A ratificação do acordo pelo Parlamento e pelas nações que integram a zona do euro é essencial para que o governo grego receba novos aportes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos países do Eurogrupo. Enquanto isso, milhares de pessoas protestam no centro de Atenas contra as medidas de austeridade previstas no acordo. As propostas foram acertadas entre o governo grego liderado por Tsipras e os líderes dos países da zona do euro como condição para o país receber um novo socorro financeiro que pode chegar a 86 bilhões de euros. O plano de austeridade, avaliado em 9 bilhões de euros, prevê aumento de impostos, reforma previdenciária, cortes de gastos e privatização de entidades estatais. A manifestação organizada pela confederação dos sindicatos do setor público Adedy, que também convocou uma greve geral, chegou a reunir cerca de 2.500 pessoas na praça Syntagma, em frente ao Parlamento grego, de acordo com informações da polícia. Alguns manifestantes mais exaltados - anarquistas -, chegaram a jogar coquetéis molotov contra a polícia, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo. O partido de Tsipras, o Syriza, rachou na votação desta quarta-feira - e o premiê, que se viu obrigado a aceitar a cartilha de austeridade que tanto rejeitava, perdeu apoio popular e dentro do próprio partido. Ministros de seu governo votaram contra o pacote de austeridade. Ao longo do dia, temia-se, inclusive, a queda de Tsipras. "As opções específicas que tinha a minha frente eram: um, aceitar um acordo com o qual estou em desacordo; a segunda, a falência desordenada, e tínhamos uma terceira opção, o "grexit" (saída da Grécia do euro) pactuado por Schäuble", disse Tsipras no Parlamento.

A embaixada, a Venezuela e as Ilhas Cayman

O Ministério Público Federal investiga uma denúncia do diplomata Renato de Ávila Viana. Ele afirma que a embaixada brasileira na Venezuela mantém uma conta bancária nas Ilhas Cayman. Segundo o diplomata, a conta irregular existia para manter o Instituto Cultural Brasil-Venezuela, bancado pelo governo brasileiro. De acordo com a denúncia, o Itamaraty liberava a verba, por meio do Departamento Cultural do Ministério de Relações Exteriores, e o pagamento era feito pela embaixada em Caracas. Não foram citados valores. Além do próprio Itamaraty, afirma o denunciante, fazem parte da entidade diversas empresas brasileiras que trabalham na Venezuela. Entre elas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. “Não está clara a utilidade do repasse dos recursos pelas construtoras; informalmente, comenta-se que o objetivo é manter uma política de boa vinhança com a Embaixada, para que esta patrocine seus interesses junto ao governo bolivariano", diz trecho.

CGU investiga Abreu e Lima

A CGU está investigando 58 funcionários e ex-funcionários da Petrobras suspeitos de desviar verba em contratos da petrolífera. Segundo o G1, são ex-dirigentes, empregados e gerentes que atuaram nos contratos de Abreu e Lima, da empresa SBM Offshore. Eles podem ser demitidos do serviço público ou impedidos de ocupar cargos públicos por cinco anos. A expectativa é que a investigação esteja pronta até o fim do ano.

Cardozo alopra e diz na CPI que impopularidade de Dilma se deve à sua honestidade. E Lula, o ex-popular, era o quê?

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, depôs nesta quarta na CPI do Petrolão. Como é natural nesses casos, falou sobre um monte de coisa. Cada analista escolhe, vamos dizer assim, o que considera mais importante. Começo, então, pela defesa que fez da presidente Dilma Rousseff, classificada por ele de “honestíssima”.

Convenham: nenhum de nós esperava que fosse dizer o contrário. Negou, obviamente, que a sua chefe tivesse conhecimento de qualquer irregularidade. E disse um troço absurdo. Leiam:
“Sempre tive honra de ser dirigido por mulheres. A primeira prefeita de São Paulo, [Luiza] Erundina, e a primeira presidente, Dilma. Aprendi com essas duas mulheres, honestíssimas que, quando você acredita em princípios, vá até o final por eles. Erundina pagou um preço alto pela sua honestidade. Acho que, da mesma forma, a presidente Dilma paga o preço por sua correção e sua honestidade”.
Como é que é, ministro? Que preço Luíza Erundina pagou por sua honestidade? Que eu me lembre, a única força que puniu a ex-prefeita de São Paulo foi o PT, que a expulsou do partido quando ela decidiu ser ministra da Administração de Itamar Franco. O paulistano que a elegeu prefeita certamente não ficou com um mau juízo de sua gestão porque mulher e nordestina. Afinal, os eleitores sabiam dessas duas características e lhe deram a maioria relativa dos votos.
Dilma, da mesma sorte, foi eleita e reeleita em segundo turno. Quem está a pagar o preço, ministro? Dilma ou a população brasileira? É ela quem sofre os efeitos de inflação e juros cavalares e da recessão? A população está descontente com as promessas que sabe não serão cumpridas e por vê-la fazer o que disse que não faria. Será que a rejeição à presidente, segundo apontam pesquisas, se deve à sua honestidade?
A depender do que Cardozo queira dizer, posso até concordar com ele, não? O PT e Lula estão visivelmente irritados com Dilma — e com o próprio Cardozo — porque consideram que eles não atuaram o suficiente para brecar a Lava-Jato. Digamos que nada tenham feito em razão de sua honestidade. A única força, então, que hostiliza a Dilma honestíssima é mesmo o… PT!
Um ministro de Estado afirmar que um governante é rejeitado pelo povo só porque é honesto dá conta da crise de valores que vivemos. É o fim da picada! Achei que as pessoas estivessem descontentes com os insucessos óbvios do governo e com a roubalheira que veio à luz. Segundo Cardozo, nada disso! O povo não aguenta mais é a honestidade de Dilma. É uma piada grotesca.
Vazamentos
O ministro falou sobre as delações premiadas e lembrou, aí corretamente, que elas não valem, por si, como provas:
“Delações premiadas não são sentenças condenatórias. São guias de investigação. O delator pode falar a verdade, mentir ou falar meias verdades. O que diz não tem valor probatório, tem de ser investigado”.
Disse ainda que os vazamentos de informações das delações fazem com que pessoas sejam atingidas previamente em sua honra antes da comprovação da acusação. Sim, é verdade. Afirmou que há inquéritos para apurá-los e que a divulgação de dados sigilosos da investigação é crime. E é mesmo. Mas que fique claro: NÃO É UM CRIME DA IMPRENSA.
A função do jornalismo é, sim, publicar, e não guardar, aquilo que apura. Cabe ao agente do Estado — da Polícia Federal, do Ministério Público ou da Justiça — zelar pelo sigilo.
Não controla
O ministro lembrou o óbvio: ele não tem, nem deve ter, o controle dos inquéritos levados a efeito pela Polícia Federal. Bem, esse só poderia ser um recado ao PT, não é?, que ataca Cardozo porque o considera muito mole no trato com a Polícia Federal, como se esta não tivesse autonomia para realizar o seu trabalho.
E aquela conversa, na qual nunca acreditei, de que estaria disposto a deixar o cargo? Respondeu: “Estou no cargo porque acredito na presidente. No dia em que ela não quiser mais que fique ou no dia em que avaliar que não tenho mais a contribuir, eu saio. Até lá, mesmo cansado, fico, no bom combate”. Eu sabia.
Encerro
O ministro aproveitou ainda para afirmar que o encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o ministro Ricardo Lewandowski, em Portugal, nada teve a ver com a Operação Lava Jato. Políticos, às vezes, têm de dizer coisas mesmo sabendo que ninguém vai acreditar nelas. É o lado difícil da função.
De resto, convenham: ainda que fosse para discutir o sexo dos anjinhos barrocos, o encontro deveria ter se dado no Brasil, não é mesmo?
Para encerrar: se Dilma é impopular porque honesta, cabe perguntar se, como corolário da tese, Lula era popular porque desonesto… Por Reinaldo Azevedo

Se uso de depósitos judiciais for vetado por Dilma, não se vota "nada mais", diz líder do PMDB no Senado

O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), afirmou nesta quarta-feira que o eventual veto pela presidente Dilma Rousseff da proposta aprovada pelo Congresso que permite a Estados e municípios usarem os recursos de depósitos judiciais e administrativos para pagar, por ordem de preferência, precatórios judiciais, dívida pública, investimentos e despesas previdenciárias criaria um ambiente desfavorável de votações no Legislativo. "Nessa negociação, com o veto (à proposta dos depósitos judiciais), ninguém vai votar nada mais", disse Eunício. "Aí cai o resto, não vota desonerações, não vota ICMS, não vota nada. Aquilo (a proposta dos depósitos) é uma coisa criativa para Estados e municípios sem mexer no bolso do contribuinte, sem criar despesa para o governo federal", completou. O peemedebista, entretanto, está confiante na sanção pela Dilma. Para ele, um eventual veto à medida "desmantela o resto todo, perde o entusiasmo de tudo". O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse a senadores que a presidente Dilma Rousseff não deve vetar a proposta. O comentário de Levy foi feito na tarde de terça-feira (14), durante reunião de líderes partidários no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no qual foi discutido a reforma do ICMS. A iniciativa havia sido apresentada como emenda do senador José Serra (PSDB-SP) há três meses dentro do projeto que fixou para o início de fevereiro de 2016 a entrada em vigor do novo indexador das dívidas de Estados e municípios. Esse texto passou pelo Senado no final de abril e pela Câmara no dia 30 de junho - até o momento não seguiu oficialmente para sanção de Dilma.


A proposta do senador tucano contava com o apoio do Ministério da Fazenda. A estimativa é que R$ 21 bilhões poderão ser injetados nos orçamentos dos governos estaduais e municipais em 2015 e, nos anos subsequentes, R$ 1,6 bilhão a cada ano. O alívio no caixa dos governos regionais vem num momento de grande dificuldade financeira provocada pela queda de arrecadação e pelo ajuste fiscal imposto pelo governo federal. Em meio ao ajuste fiscal, a proposta também vai ajudar Estados e municípios a cumprirem sua cota na meta de superávit primário, de R$ 11 bilhões em 2015. Os governos regionais estão com dificuldades para obtenção de empréstimos e a verba extra dos depósitos judiciais poderia servir para bancar o cumprimento da meta fiscal, na avaliação de secretários estaduais. Embora os governos regionais tenham feito um superávit até maio quase três vezes maior do que o do governo federal e superior à meta, há, segundo fontes, muita despesa represada, o que vai consumir parte da economia feita nos cinco primeiros meses do ano. Enquanto a equipe econômica da presidente garantiu um superávit de apenas R$ 6,65 bilhões, governadores e prefeitos economizaram R$ 19,23 bilhões de janeiro a maio. No mercado há uma grande preocupação em relação à proposta. A preocupação é que Estados saiam a gastar depósitos judiciais que, no futuro, podem não ganhar.

Leilão de petróleo no México frustra expectativas


Apenas dois dos catorze blocos de petróleo oferecidos à iniciativa privada foram leiloados nesta quarta-feira, 15, no México, bem abaixo das expectativas do governo. O certame foi o primeiro que contou com a participação da iniciativa privada em quase oito décadas, após a quebra do monopólio do setor de energia do país. O leilão não atraiu as gigantes petrolíferas do mundo. O consórcio vencedor das duas áreas é liderado pela empresa mexicana Sierra Oil & Gas, em parceria com a norte-americana Talos Energy e a inglesa Premier Oil. Ao todo, 25 empresas estavam pré-qualificadas para a rodada inicial, incluindo as gigante Exxon Mobil e Chevron, mas, ao final do processo, somente nove companhias se declararam dispostas a fazer alguma oferta, incluindo a norueguesa Statoil, a italiana ENI e a malaia Petronas. Os resultados definitivos desta primeira licitação serão conhecidos em até 48 horas, uma vez que a Comissão Nacional de Hidrocarbonetos terá de validar as garantias do consórcio vencedor do leilão. Os blocos que não obtiveram nenhuma oferta poderão ser incluídos em novas rodadas de leilão. O governo havia dito que, conforme os padrões internacionais, que esperava que de 30% a 50% dos blocos receberiam ofertas. Os 14 blocos se encontram em águas pouco profundas do Golfo do México, próximo aos estados de Veracruz, Tabasco e Campeche. O processo de licitação ocorre depois de uma histórica reforma energética que pôs fim a 75 anos de monopólio estatal do setor. A empresa Petróleos Mexicanos (Pemex) era, até agora, a única que podia explorar e produzir a commodity. O México espera que a reforma energética o ajude a compensar a queda na produção de petróleo, que tem recuado fortemente nos últimos anos. A produção de petróleo alcançou seu pico em 2004 com 3,4 milhões de barris diários e desde então começou a cair. A produção média diária atual é de 2,2 milhões de barris.

Seis cubanos desertam durante o Pan-Americano até agora

Seis atletas cubanos abandonaram a delegação do país nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá: quatro remadores tiveram os nomes confirmados pelo técnico Juan Carlos Reyes e dois dos saltos ornamentais não foram identificados. De acordo com Reyes, Liosmel Ramos, Wilber Turro, Manuel Suárez e Orlando Sotolongo fugiram para os Estados Unidos. Eles deixaram a sede da modalidade em St. Catharines, na província de Ontario, que fica próxima à fronteira. 


O treinador disse que Ramos e Turro abandonaram a delegação antes do início das regatas do último sábado. Suárez e Sotolongo chegaram a disputar suas provas e depois fugiram. Sotolongo ainda garantiu a medalha de prata como integrante da equipe de quádruplo skiff. Os quatro desertores mantiveram contato com os companheiros de equipe por meio das redes sociais. O site oficial de Cuba, o CubaSí, foi quem deu a informação dos outros dois atletas dos saltos ornamentais. Ao comentar a participação do país na modalidade, escreveu: "estamos inconformados de sofrer a estocada mortal de dois desertores". O texto, no entanto, não cita o nome dos atletas e também não diz como e quando abandonaram a delegação. Os responsáveis pela organização do Pan de Toronto disseram ainda não terem sido informados pela deserção dos atletas de Cuba.

Marcos Valério é condenado a mais nove anos de prisão por sonegação

O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza foi condenado pela Justiça Federal em Minas Gerais a mais nove anos e seis meses de prisão em duas ações por sonegação fiscal no valor total de R$ 55,9 milhões. Marcos Valério já cumpre pena de 37 anos de prisão por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em condenação dentro do processo do mensalão do PT. O publicitário está preso desde novembro de 2013. Atualmente a sentença está sendo cumprida na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, afirmou que vai recorrer das decisões: "Trata-se de uma condenação injusta fruto de perseguição feita pela Receita Federal, que fez várias autuações descabidas contra Valério". As duas ações por sonegação foram apresentadas à Justiça pelo Ministério Público Federal. A de valor mais elevado, R$ 54 milhões, conforme contas da Receita Federal citadas pelos procuradores, é referente às agências de publicidade DNA Propaganda e SMP&B Comunicação, utilizadas para abastecer os esquemas de desvios de dinheiro do Mensalão do PT e do mensalão mineiro. Além de Marcos Valério, também foram acusados pelo Ministério Público Federal nesta ação a mulher do empresário, Renilda Santiago, e seus sócios nas duas empresas, também condenados no Mensalão do PT, Ramon Hollerbach Cardoso, Cristiano de Mello Paz e Francisco Marcos Castilho Santos. No entanto, na ação por sonegação, apenas Valério foi considerado culpado. A pena foi de quatro anos, oito meses e 20 dias de reclusão. A decisão foi da juíza Simone dos Santos Lemos Fernandes da 35ª Vara Federal.


Nesta mesma ação por sonegação, o empresário, juntamente com o contador das empresas, Marco Aurélio Prata, e seu irmão, o policial civil aposentado Marco Túlio Prata, foram acusados de destruição de documento público. A denúncia surgiu a partir de um mandado de busca e apreensão por tráfico de drogas na casa de Marco Túlio, em 14 de julho de 2005, quando policiais civis encontraram notas fiscais da DNA e da SMP&B, relativas aos anos de 1998 a 2004, sendo queimadas em dois tambores. Foi apurado, conforme a sentença, "que a omissão de receitas teria lastro em notas fiscais emitidas com base em autorizações de impressão de documentos fiscais (AIDFs) da prefeitura de Rio Acima", na Grande Belo Horizonte, onde funcionava uma filial da SMP&B. O município, no entanto, não reconheceu os papéis, que foram considerados falsos. A suspeita foi confirmada por perícia do Instituto Nacional de Criminalística. Outras 14 caixas de documentos também foram encontradas dentro da casa do ex-policial. Conforme o Ministério Público Federal, a queima dos papéis tinha como objetivo destruir provas da sonegação dos R$ 54 milhões. Em relação a esse crime, porém, não houve condenação de Marcos Valério. O entendimento foi que a destruição dos documentos foi "mera conduta-meio necessária à consumação do delito de sonegação fiscal". Já Marco Túlio foi condenado a um ano e seis meses de prisão. Marco Aurélio teve a sua pena extinta depois de fazer acordo para suspensão condicional do processo. Na prática, o acusado se comprometeu a cumprir determinações da Justiça, que pode ser, por exemplo, o comparecimento periódico ao tribunal. Na segunda ação, Marcos Valério foi condenado novamente a quatro anos e oito meses de prisão por sonegação fiscal do Imposto de Renda de pessoa física. O valor não pago ao Fisco foi de R$ 1,9 milhão nos exercícios de 2004 e 2005. Conforme o Ministério Público, os valores declarados à Receita foram muito inferiores às movimentações realizadas em contas-correntes que o empresário mantinha em conjunto com sua esposa. Além disso, conforme o Ministério Público Federal, foram encontrados créditos nas contas sem identificação de origem. Intimados pela Receita, o empresário não apresentou documentação que mostrasse a origem dos recursos. Também nesse caso a mulher de Marcos Valério foi absolvida. Segundo o juiz responsável pelo caso Jorge Gustavo Serra de Macêdo Costa, da 11ª Vara Federal, Renilda Santiago não exercia "atos de gestão" e não tinha conhecimento dos negócios financeiros de Marcos Valério.

Justiça proíbe ex-presidente Carlos Menem de deixar a Argentina devido ao caso Amia

O ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) foi proibido nesta quarta-feira, 15, de deixar a Argentina. Ele é um dos acusados no chamado caso Amia II, que apura irregularidades na investigação inicial do atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita-Argentina, que em 1994 deixou 85 mortos. O senador peronista apóia o kirchnerismo nas raras vezes que vai ao Congresso, sempre que há uma votação apertada. Em 2014, foi a seis sessões, a primeira delas em novembro. A medida é uma precaução contra a fuga de Menem e de outros réus, cujo julgamento começará no dia 6. Assim como o ex-presidente, o juiz que comandou a investigação do ataque, promotores, policiais e espiões responderão por encobrir os responsáveis do atentado. Segundo a denúncia, eles montaram deliberadamente um cenário para incriminar integrantes da polícia de Buenos Aires, pista que foi seguida até se constatar a inocência dos policiais. O julgamento será transmitido ao vivo por um canal ligado à Justiça. Esse processo não está relacionado à denúncia do promotor Alberto Nisman, encontrado com um tiro na cabeça em seu apartamento em 18 de janeiro, em Buenos Aires. A investigação sobre sua morte não concluiu se houve um homicídio, tese defendida por peritos contratados pela família, ou um suicídio, hipótese pela qual se inclinam os investigadores estatais. Nisman morreu quatro dias depois de denunciar a presidente Cristina Kirchner e integrantes da cúpula do governo por encobrir iranianos considerados culpados pela Justiça argentina de praticar o atentado. O promotor sustentava ter provas de que a peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner promoveu um acordo com o Irã em 2013 para que os acusados fossem ouvidos em Teerã em troca de vantagens comerciais para a Argentina. A denúncia de Nisman foi arquivada pela Justiça, sob a alegação de que o pacto entre os países não se concretizou.


O acordo nunca se efetivou por falta de aprovação do Parlamento iraniano e por ter sido considerado inconstitucional por tribunais argentinos. A inconstitucionalidade definitiva do pacto, ainda hoje defendido pelo kirchnerismo, seria votada este mês. Dias antes da sentença, o Conselho da Magistratura, órgão dominado por políticos ligados ao governo, trocou um juiz cujo voto seria desfavorável a Cristina. O argumento usado foi de que o magistrado estava no posto temporariamente e poderia ser substituído a qualquer momento. O governo conseguiu ainda aprovar uma norma que lhe permite fazer o mesmo com todos os juízes substitutos, trocando-os por advogados de uma lista aprovada pelo Executivo e referendada pelo Senado, onde o kirchnerismo tem maioria. Isso aumentou um atrito com o Judiciário em ascensão desde a morte de Nisman, por permitir na prática mudar a composição de vários tribunais conforme o interesse kirchnerista. A Corte Suprema alertou para a ilegalidade dessa norma e há pelo menos uma dezena de pedidos para que se declare sua inconstitucionalidade. Na sexta-feira, 15, o atentado contra a Amia completará 21 anos sem que ninguém tenha sido detido.

Regra nas Forças Armadas, continência prestada por atletas medalhados é defendida pelo COB



O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) defendeu nesta quarta-feira a prestação de continência militar no pódio, feita por atletas brasileiros que integram as Forças Armadas. A entidade afirma que a prática é uma regra e uma manifestação de patriotismo. A prestação de continência foi vista em quase todos os pódios do judô, onde chamou mais atenção. Mas há militares também na natação, remo, badminton, entre outros esportes. São no total 123 atletas-militares participando do Pan, um quinto da delegação de 590 esportistas do Brasil. Os atletas-militares afirmam que a continência durante o hasteamento da bandeira do Brasil é um agradecimento ao apoio dado pelas Forças Armadas. "Prestar continência para a bandeira é o que eles recomendam e a gente sente orgulho de fazer. Eles pediram para fazer, mas é uma coisa que vem da gente. A gente ficou na iniciação lá dentro. Pegamos o espírito do militarismo. Isso ajudou bastante a gente. É um orgulho prestar essa homenagem e lembrando às pessoas o quanto eles estão nos ajudando com isso", disse a judoca Mayra Aguiar, terceiro-sargento da Marinha desde 2010. A inclusão dos atletas nas Forças Armadas se intensificou às vésperas dos Jogos Mundiais Militares de 2011, disputados no Rio de Janeiro. Eles fazem parte do programa de atletas de alto rendimento dos ministérios da Defesa e do Esporte. Para obterem o apoio militar, que inclui salário de, em média R$ 2.300,00 são obrigados a fazerem parte do Exército, Marinha ou Aeronáutica. Não é a primeira vez que eles prestam continência em momentos de premiação. No Prêmio Brasil Olímpico, as velejadoras Martine Grael e Kahena Kunze foram com farda da Marinha. "Todos temos orgulho de ser do Exército brasileiro. E uma forma de agradecermos todo esse apoio do programa é prestando continência à nossa bandeira. Cada um fez de espontânea vontade" disse o judoca Luciano Correa, medalhista de ouro neste Pan. O COB afirmou que a continência é prevista no Regulamento de Continências, Honras e Sinais de Respeito, das Forças Armadas. "É um sinal de respeito que deve ser prestado, estando ou não com a cabeça coberta. Reza ainda que o militar da ativa deve, em ocasiões solenes, prestar continência à Bandeira e Hino Nacional Brasileiro e de países amigos. É bom notar que esses atletas não são militares apenas quando estão fardados, mas sim, todo o tempo", diz nota do comitê.

Polícia prende suspeito de integrar quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Abadía em São Paulo

Um homem suspeito de integrar a quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Abadía foi preso na noite desta terça-feira (14), em Jaguariúna (SP). A informação foi divulgada pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), na tarde desta quarta-feira (15). Ivan Aparecido Martins é considerado braço direito de Álvaro Daniel Roberto, considerado por autoridades policiais como um dos maiores traficantes do Brasil. Martins foi preso ao lado de Luiz Carlos Tijolim, em uma operação conjunta da Polícia Federal, em Juiz de Fora (MG), e da Polícia Militar de São Paulo. Os suspeitos foram detidos pouco depois serem avistados por policiais militares em um posto de combustíveis, em Campinas, na rodovia SP-340. De acordo com a SSP-SP, eles tentaram fugir de carro e foram perseguidos por uma viatura da PM e por um helicóptero. Durante o cerco, Martins e Tijolim ainda tentaram fugir a pé, mas foram detidos no município vizinho. Segundo nota oficial do órgão, a PM prendeu os "dois traficantes com quatro pistolas e dezenas de munições, além de mais de R$ 864 mil e U$ 3,8 mil". Em batidas nas residências dos suspeitos, as autoridades ainda apreenderam três automóveis e uma moto.

O colombiano Juan Carlos Abadía, que chegou a ser considerado pelo FBI como o segundo homem mais perigoso do mundo, foi detido pela PF, em 7 de agosto de 2007, na cidade de Barueri (SP). No dia 13 de março de 2008, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição do traficante para os Estados Unidos. Em 2011, ele entrou para o Programa de Proteção à Testemunha, do governo norte-americano. Abadía comandava o cartel "Valle del Norte", na Colômbia, e é acusado de participação em mais de 300 assassinatos.

Nazista conhecido como "Contador de Auschwitz" é condenado a quatro anos de prisão


Após meses de julgamento, o ex-guarda nazista Oskar Groening, que ficou conhecido como o “contador de Auschwitz”, foi condenado a quatro anos de prisão, considerado cúmplice do extermínio de cerca de 300 mil judeus num dos maiores campos de concentração do Holocausto. O julgamento aconteceu na pequena cidade de Lueneburg, na Alemanha. Durante a Segunda Guerra, o nazista atuava recolhendo os pertences das vítimas que chegavam a Auschwitz e passavam por uma “seleção” antes de ir às câmaras de gás. No decorrer do julgamento, a Corte ouviu o testemunho de vários sobreviventes do campo. A defesa alegou que Groening não facilitou o genocídio, já que não teria participado diretamente do assassinato de judeus. Mas os promotores afirmaram que o ex-guarda contribuiu, sim, para que Auschwitz funcionasse sem problemas. O dinheiro recolhido pelo “contador” das pessoas que chegavam a Auschwitz contribuia para a manutenção das atividades nazistas. Devido à idade avançada do acusado, que tem 94 anos, ele pode não ser encaminhado a uma prisão. O caso de Groening ganhou destaque quando, em abril, ele assumiu publicamente sua “culpa moral” no Holocausto. "Em termos morais, minhas ações me tornam culpado. Coloco-me diante das vítimas com remorso e humildade", disse na época. A história do "contador de Auschwitz" gerou discussão a respeito da culpabilização de pessoas que tiveram um “papel menor” no regime nazista, ou seja, se aqueles que não tinham participado diretamente do assassinato de pessoas poderiam ser considerados culpados mesmo tanto tempo depois. Groening pode ser um dos últimos nazistas a serem julgados pelos crimes da Segunda Guerra. Eichmann também dizia que não era culpado, que apenas cumpriu ordens. 

José Genoino é internado em hospital de São Paulo


O ex-deputado José Genoino, de 69 anos, deu entrada na manhã desta quarta-feira no Hospital Santa Cruz, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. A assessoria de imprensa do hospital confirmou que ele está internado no local, mas disse que a família de Genoino não autorizou a divulgação de informações sobre os motivos da internação e sobre o estado de saúde do ex-deputado. José Genoino, em julho de 2013, havia sido submetido a uma cirurgia cardíaca de emergência no Hospital Sírio Libanês, também na capital paulista, após ser diagnosticado com uma dissecção na aorta. Na ocasião, ele passava férias com a mulher e os netos em Ubatuba, no litoral norte paulista, quando sofreu fortes dores no peito e teve de ser transferido para São Paulo, onde foi operado pelos cardiologistas Roberto Kalil e Fabio Jatene. Condenado no processo do mensalão a quatro anos e oito meses de prisão, por corrupção ativa, Genoino recebeu em março deste ano o perdão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-deputado foi beneficiado por força de um decreto baixado em 24 de dezembro de 2014 pela presidente Dilma Rousseff, concedendo indulto natalino a presos de todo o país que atendessem a determinados critérios. Genoino teve passagem rápida pelo sistema prisional, em decorrência da própria legislação penal. Ele foi preso em 15 de novembro de 2013. Logo depois, foi transferido para a prisão domiciliar por problemas de saúde. Em maio do ano passado, voltou para a prisão, onde permaneceu por três meses. Em agosto, José Genoino recebeu autorização do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, para cumprir o restante da pena em casa, pois já havia cumprido um sexto da pena total.

CPI: encontro com advogados legal

José Eduardo Cardozo discordou de Sérgio Moro e Joaquim Barbosa e defendeu seu encontro com advogados da Odebrecht. De acordo com o ministro, somente em ditaduras autoridades não recebem advogados. Ressaltou que recebeu a solidariedade da OAB - e todas suas seccionais - no assunto, e que sempre receberá defensores com "todas as cautelas devidas". A OAB é petista. Cardozo é petista. O PT é mentiroso.

CPI: desculpando-se com o PMDB

José Eduardo Cardozo frisou que o Ministério de Justiça não teve nada a ver com a Operação Politeia. Na CPI das Petrobras, afirmou que "a ação de ontem não é dirigida pela Polícia Federal. Quando temos investigação com foro privilegiado, não é a Polícia Federal que conduz, ela é apenas executora. Quem conduz é o poder Judiciário". Segundo ele, a operação "não partiu de qualquer situação proveniente do Ministério da Justiça". José Eduardo Cardozo chegou ao ponto em que, mesmo quando fala a verdade, é para dar satisfação a vagabundo. (O Antonista)

SARTORI NÃO PAGA MAIS NEM ANTECIPAÇÃO DE FÉRIAS DOS SERVIDORES; A FAZENDA ALEGA QUE O COBERTOR ENCURTOU DEMAIS

O governo gaúcho decidiu atrasar o pagamento das férias dos servidores públicos, programado para esta quarta-feira. Segundo a secretaria da Fazenda, o adiantamento das férias será quitado no dia 31, junto com a folha de julho. Na manhã de hoje, os funcionários receberam um e-mail da administração estadual comunicando o atraso. No total, o Estado do Rio Grande do Sul precisaria de R$ 9 milhões para pagar as férias dos servidores. Como o governo decidiu priorizar os repasses na área da saúde, a Secretaria da Fazenda concentrou os recursos para essa área e deixou a despesa com os funcionários para o fim do mês.

FMI CULPA "FATORES INTERNOS" PELA PIORA NA CONFIANÇA DA ECONOMIA BRASILEIRA


A piora da confiança de empresários e investidores no Brasil, um dos fatores que deve fazer a economia se contrair mais que o previsto este ano, se deve principalmente a fatores internos, avalia o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, em uma análise divulgada nesta quarta-feira. Ao citar a América Latina como um todo, Werner afirma também que a esperada recuperação da atividade econômica em 2016 "não se materializará se a confiança das empresas e dos consumidores continuar baixa como se encontra hoje". Ainda sobre o Brasil, o relatório menciona que o Produto Interno Bruto (PIB) real contraiu-se nos três primeiros meses do ano e que "dados preliminares do segundo trimestre indicam uma nova deterioração, inclusive no mercado de trabalho". Werner destaca também que a inflação no Brasil vem se mantendo "incomodamente alta". A avaliação é de que a piora do desempenho do PIB brasileiro é reflexo de "uma contração significativa do investimento privado e um declínio moderado do consumo privado, devido à perda de confiança atribuível principalmente a fatores internos", ressalta Werner. Na América Latina, só a Venezuela deve ter desempenho pior que o Brasil, com contração prevista de 7% em 2015. Para o Brasil, o FMI espera queda de 1,5% este ano, depois de rebaixar novamente a perspectiva de crescimento do PIB em relatório divulgado na semana passada. Para 2016, Werner destaca que a aposta é de uma recuperação "modesta", com a economia crescendo apenas 0,7%. Entre outros países da região, a Argentina deve crescer 0,1% este ano, o Peru tem expansão prevista de 3,2% e o México de 2,4%. Influenciado pelo fraco desempenho da América do Sul, a América Latina deve ter em 2015 o quinto ano consecutivo de desaceleração da atividade econômica. A região como um todo deve se expandir 0,5% este ano. "A forte atividade econômica no Norte deve ser parcialmente neutralizada pelo crescimento fraco na América do Sul", destaca Werner. O recuo "persistente" dos preços das commodities fragilizou ainda mais a conjuntura externa para a maioria dos países da América do Sul. "Ao mesmo tempo, fatores internos vieram se somar às dificuldades externas, contribuindo para o declínio da confiança das empresas e dos consumidores e, assim, para a redução da demanda privada", afirma o diretor do FMI. Além disso, os preços mais baixos das commodities e a forte alavancagem financeira das empresas, muitas endividadas em dólar, sinalizam que o investimento privado "provavelmente continuará fraco por um longo tempo", de acordo com a avaliação de Werner.

COLLOR NÃO DECLAROU CARROS DE LUXO À JUSTIÇA ELEITORAL


Dono de 17 carros, o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) não declarou à Justiça Eleitoral os três veículos apreendidos pela Polícia Federal nessa terça-feira, 14, em Brasília, na Operação Politeia – última fase da Lava Jato. Uma Ferrari, de 2010/2011, um Porshe, de 2011/2012, e um Lamborghini, de 2013/2014, que custa R$ 3,8 milhões, estavam na Casa da Dinda, residência do senador. Mas não constam na declaração de bens entregue ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) no ano passado. O carro mais caro declarado por Collor é um BMW, de R$ 714,5 mil, outra Ferrari, preta, de R$ 556 mil (a apreendida vale R$ 1,9 milhão), um Mercedes E320, de R$ 342 mil, e um Citroen C6, de R$ 322 mil. Juntos, os 14 veículos declarados valem R$ 3 milhões. Em 1992, um Fiat Elba prata, de placa FA 1208, foi pivô das denúncias que resultaram no impeachment do então presidente Fernando Collor. O veículo fora flagrado pelo GLOBO no dia 5 de julho daquele ano entrando na Casa da Dinda, residência de Collor. O motorista Eriberto França disse que havia usado dinheiro sujo não só para comprar o Elba que dirigia, mas para pagar contas de Collor.

CPI DETERMINA CONDUÇÃO COERCITIVA DE PRESIDENTE DA SAMSUNG


O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), determinou a condução coercitiva do presidente da Samsung Heavy Industry, J.W. Kim. Ele havia sido convocado para prestar depoimento na terça-feira, 14, mas não respondeu ao aviso de convocação. "Determino a condução coercitiva do presidente da Samsung, que não respondeu à convocação da CPI. A CPI cumpre aquilo que anuncia", afirmou Motta, que marcou o depoimento para 5 de agosto. O início da sessão foi marcado por tensão entre o presidente da CPI e o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que o acusou de blindar investigados pela Operação Lava Jato e de esconder as investigações conduzidas pela empresa de espionagem Kroll. "O senhor está blindando, sim, pessoas", disse Valente, antes de cobrar a convocação de pessoas que envolvem o nome do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no esquema de corrupção da Petrobras. Valente cobrou também publicidade aos 12 nomes investigados pela Kroll. Apenas Motta, o deputado André Moura (PSC-SE) e Cunha sabem quem são os investigados. 

QUEBRA DE SIGILO REVELA PAGAMENTOS A LOBISTA DO CASO DELTA - ADIR ASSAD RECEBEU DE DUAS EMPREITEIRAS CERCA DE R$ 150 MILHÕES


A quebra do sigilo fiscal do lobista Adir Assad, preso na Operação Lava Jato desde março, mostra que a Andrade Gutierrez e a Galvão Engenharia ocultaram os valores pagos a uma empresa do lobista, entre os anos de 2006 e 2011, período em que ele é investigado por envolvimento nos desvios de recursos nas obras das refinarias da Petrobrás Repar, no Paraná, e Replan, em São Paulo. “Como observado na análise bancária, as empresas que mais repassaram recursos para a Legend Engenheiros não aparecem nos dados fiscais ou apresentam valores bem menores do que os efetivamente pagos, como é o caso da Construtora Andrade Gutierrez”, informa laudo da força-tarefa da Lava Jato, anexado aos autos nesta terça-feira, 14. A Legend foi uma das dez empresas do lobista, preso pela Lava Jato em Curitiba, usadas para receber propina, segundo os investigadores. Ela é a principal fonte de renda do investigado, destaca análise pericial da Ministério Público Federal. Suspeita de cartel e corrupção na Petrobrás, a empreiteira Andrade Gutierrez – alvo da 14ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Erga Omnes – declarou ter pago à Legend entre 2006 e 2011 o total de R$ 631,7 mil. “Enquanto que nos dados bancários, considerando o mesmo período de tempo, apurou-se o montante de R$ 124,1 milhões”. A Galvão Engenharia, com executivos acusados de cartel e corrupção na Petrobrás, adotou o mesmo expediente. “Galvão Engenharia, que declarou R$ 8.750,00, entre 2006 e 2011, enquanto que pelos dados bancários repassou R$ 34,1 milhões considerando o mesmo período.” Para os investigadores da Lava Jato, pode ter sido uma forma de ocultar propinas. O Relatório de Análise 68/2015, de 6 de julho de 2015, decorre do envio de dados pelo HSBC dos dados de quebra de sigilo bancário de pessoas físicas e jurídicas relacionados ao núcleo financeiro capitaneado por Assad. O material vem acompanhado da Informação 194-C, elaborada pela Procuradoria Geral da República. O relatório 68/2015 cruza dados de Assad e de outras quatro pessoas ligadas a ele, entre essas Dário Teixeira Alves Júnior – que também seria ouvido hoje pelo juiz Sérgio Moro – com empresas controladas pelo lobista. São elas Rock Star Marketing, SM Terraplanagem, Legend Engenheiros Asssociados, Powert To Ten Engenharia e Soterra Terraplanagem e Locação de Equipamentos. O relatório pode ser concluído após o fornecimento no final de junho de dados de 19 contas abertas no banco HSBC pelo núcleo financeiro. Assad tem vínculo oficial com sete empresas e duas entidades. O lobista teve vínculo oficial com a Legend entre janeiro de 2006 e março de 2009. “Entretanto, foram identificados recebimentos da conta de Adir Assad advindos da empresa mesmo após a sua saída da sociedade. Sendo que, do montante de R$ 3,6 milhões recebidos em todo o período, R$ 2,2 milhões são referentes ao período de 7 de abril de 2009 a 26 de abril de 2013″. A Legend recebeu no período o montante de R$ 631 milhões. A Andrade Gutierrez é a maior pagadora da empresa, seguida na terceira posição da lista pela Galvão Engenharia. Entre as principais fontes pagadoras está também a Delta Construções. “Efetuou-se o levantamento das principais origens de recursos e dos principais beneficiários das contas de Adir Assad. Assim, apurou-se como principal fonte de recursos a empresa Legend Engenheiros Associados da qual recebeu o montante de R$ 3,6 milhões”, informa o relatório. Adir Assad teve vínculo oficial com a Legend entre janeiro de 2006 e março de 2009, informa o MPF. “Entretanto, foram identificados recebimentos da conta de Adir Assad advindos da empresa mesmo após a sua saída da sociedade. Sendo que, do montante de R$ 3,6 milhões recebidos em todo o período, R$ 2,2 milhões são referentes ao período de 7 de abril de 2009 a 26 de abril de 2013″. A Legend recebeu nesse período apurado o montante de R$ 631 milhões. A Andrade Gutierrez é a maior pagadora da empresa, seguida na terceira posição da lista pela Galvão Engenharia. Entre as principais fontes pagadoras está também a Delta Construções, do escândalo de 2012. A força-tarefa sustenta que a Legend nunca teve funcionários entre 2006 e 2012, com base no relatório feito com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No pedido de prisão de Assad em março, a força-tarefa da Lava Jato registrou que o alvo era “conhecido operador financeiro do mercado nacional, tendo sua atuação sido revelada inicialmente por Fernando Cavendish, quando das investigações do esquema de desvio de verbas públicos que ficou conhecido como ‘Deltaduto’”. “Naquela oportunidade descobriu-se que cerca de R$ 421 milhões foram desviados dos cofres públicos por meio de contratos superfaturados”, sendo que R$ 49 milhões recebidos por empresas do lobista. Assad e outros membros do seu núcleo financeiro serão ouvidos na tarde desta quarta-feira, 15, em Curitiba, pelo juiz federal Sérgio Moro. Ele, Vaccari e o ex-diretor de Serviços da Petrobrás são réus por corrupção e lavagem de dinheiro nesse esquema que beneficiou o PT e Dirceu, segundo o Ministério Público Federal.

Petrobras vai privatizar gasodutos; a palavra é essa mesma, "privatizar"


A Petrobras estuda privatizar sua subsidiária Transportadora Associada de Gás (TAG). A estatal apresentou ao mercado três modelos para a venda da companhia, que controla a malha brasileira de gasodutos. No mais ousado, prevê a transferência de 80% do capital e da operação para o novo controlador. A venda da TAG é parte do pacote de desinvestimento anunciado pela estatal em março, visando reduzir o seu endividamento. Também estão no pacote a Gaspetro (que concentra participações em distribuidoras de gás canalizado), térmicas e áreas exploratórias no pré-sal. Aos possíveis investidores têm sido apresentadas três propostas: venda de 80% com transferência do controle e venda de fatias de 49% ou 60%, com manutenção do controle estatal. Não há ainda definição sobre qual será adotada. No primeiro caso, a Petrobras privilegiaria a arrecadação de recursos em curto prazo. Enfrentaria, contudo, resistência de trabalhadores e setores do governo contrários à privatização de ativos. A opção por se desfazer de apenas 49% traria a menor receita. A Petrobras não se pronunciou sobre o assunto. Em seu balanço financeiro de 2014, informou que a TAG fechou o ano com lucro de R$ 572 milhões e patrimônio líquido de R$ 6,6 bilhões. Considerando as projeções de receita futura, seu valor de mercado pode variar de US$ 3,8 bilhões a US$ 5,2 bilhões, segundo avaliação da consultoria NatGas Economics. A empresa deverá ser fatiada em duas companhias regionais – uma com os ativos das regiões Norte e Nordeste e outra com Sul e Sudeste – respeitando termo de compromisso firmado em 2003 com a ANP (agência reguladora), o que pode empurrar a venda para o ano que vem. Um plano de cisão já foi apresentado à ANP. A divisão foi negociada para tentar minimizar os efeitos do monopólio na cadeia do gás natural. A TAG é responsável por levar o gás natural a pontos de entrega das distribuidoras estaduais de gás canalizado. Teve grande crescimento na última década com a construção do Gasoduto Sudeste-Nordeste, que integrou a malha de transporte brasileira. Para a indústria, o controle da Petrobras prejudica a concorrência. O governo deveria aproveitar o momento para facilitar o aparecimento de novos fornecedores, diz o consultor Marco Antônio Tavares, da Gas Energy. Com mais competidores, a tendência é que os preços do gás caiam para indústria e residências.

JUSTIÇA FEDERAL NEGA HABEAS CORPUS PARA ZELADA, O SUCESSOR DO DELATOR CERVERÓ NA PETROBRAS


O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou liminar em habeas corpus para o ex-diretor de área Internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, preso dia 2 de julho pela Operação Lava Jato por suspeita de recebimento de propinas no esquema de corrupção que se instalou na estatal petrolífera. A decisão é do juiz Nivaldo Brunoni, convocado para atuar no TRF4. Ele rejeitou os argumentos da defesa de Zelada, que sucedeu Nestor Cerveró na área Internacional da Petrobras - Cerveró está preso desde janeiro de 2015, por suspeita de recebimento de US$ 30 milhões em propinas. "Não se verifica flagrante ilegalidade no decreto prisional que justifique o deferimento de medida liminar, sem prejuízo de exame mais acurado após as informações do juízo de primeiro grau e manifestação do Ministério Público Federal", anotou Brunoni. "Por fim, havendo risco à ordem pública pela possibilidade de reiteração delitiva, incabível o exame de fixação de medida alternativa à prisão, conforme pleito dos impetrantes". Transferências ocultas de somas milionárias realizadas por Zelada foram um dos motivos da decretação de sua prisão preventiva, ordenada pelo juiz federal Sérgio Moro. Rastreamento da força-tarefa da Procuradoria da República e da Polícia Federal indica que Zelada transferiu pelo menos US$ 1 milhão para uma conta na China. Antes, entre julho e agosto de 2014 - quatro meses após a deflagração da fase ostensiva da investigação sobre corrupção e desvios na Petrobras -, Zelada realizou outras duas transferências no montante de 7,55 milhões de euros da Suíça para o Principado de Mônaco. Os defensores de Zelada atacaram no habeas corpus os delatores da Lava Jato. "Há algo de muito errado na indústria da delação", afirmam os advogados do ex-diretor. O juiz Brunoni, porém, derrubou a tese da defesa. "As provas não se restringem aos depoimentos de delatores. Há forte suspeita de que Jorge Zelada teria recebido propina em contratos da Petrobras de fretamento de sondas, quando ocupou a diretoria da Internacional. Cabe destacar que tal conclusão não surge isoladamente dos relatórios de inteligência da Polícia Federal, mas de apuração interna da própria estatal petrolífera". Zelada teria recebido propinas na contratação do aluguel navios-sondas Ensco DS5 (Pridejaneiro de 2008) e Titanium Explorer (Vantage22/01/2009). O juiz Brunoni destacou que auditoria da Petrobras apontou uma série de irregularidades, "parte delas imputáveis a Zelada, como superfaturamento, necessidade de contratação baseada em premissas otimistas, sem o embasamento em dados geológicos ou negócios firmes, falta de pesquisa no mercado de negócios com melhores condições para a Petrobras, assinatura dos contratos antes da autorização da Diretoria Executiva, taxa de bônus de performance de 17% em favor da contratada, superior à praxe de mercado de 10%, extensão do prazo para a apresentação do navio-sonda Titanium Explorer, com um ano de atraso, com aditivo aprovado por Jorge Zelada e sem aplicação de qualquer penalidade". "O Relatório de Auditoria conclui que houve celebração de contratos desfavoráveis à empresa", acentua o juiz do TRF4. "Tal conduta suspeita poderia passar despercebida em outro contexto, mas dentro das relações já identificadas no âmbito da Operação Lava Jato, indica uma prática sistemática do grupo organizado. Há, ainda, prova documental de transações financeiras internacionais".

O BANDIDO PETISTA MENSALEIRO JOSÉ DIRCEU, BORRADO DE MEDO, PEDE PELA TERCEIRA VEZ UM HABEAS CORPUS PREVENTIVO PARA NÃO IR À CADEIA NA OPERAÇÃO LAVA JATO


Se os brasileiros acharam que o bandido petista mensaleiro José Genoino era o supra sumo da covardia, apelando para doença e pressão psicológica para sair da prisão domiciliar no Mensalão do PT, então ainda não viram nada. O grande covarde é outro bandido petista mensaleiro, José Dirceu, aquele que os petralhas gritavam: "Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro". Pois ele está borrado de medo de ir preso agora na Operação Lava Jato. Ele protocolou na noite de terça-feira um pedido ao juiz federal que cuida do caso, Sérgio Moro, para que não decrete sua prisão. Segundo os advogados do ex-ministro bandido petista mensaleiro José Dirceu, que cumpre pena domiciliar em Brasília pelos crimes do Mensalão do PT, “não aguenta mais” o “suplício” pelo temor de uma eventual prisão preventiva e afirma que “não vai fugir”. Ontem, mais uma acusação atingiu o petista. O empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, afirmou à Justiça ter pago R$ 4 milhões em dinheiro vivo ao ex-ministro. O advogado de José Dirceu, Roberto Podval, decidiu protocolar a petição depois do depoimento de Camargo. No documento de seis páginas, os advogados dizem que é “tamanha a angústia” de José Dirceu, “que, já com seus 70 anos e rotulado indelevelmente de inimigo público, não aguenta mais a situação a qual é submetido diariamente”. Os advogados dizem já ter afirmado ao juiz que “José Dirceu estava à disposição, como sempre esteve para esclarecer todo e qualquer questionamento, seja da autoridade policial, seja do Ministério Público”.“José Dirceu não vai fugir. Como se vê, ironicamente, seu local é tão certo e sabido, que até a imprensa aguarda a chegada da polícia federal em sua porta. Nada mais desnecessário”, escrevem os advogados, afirmando que jornalistas fazem ronda às portas da casa do ex-ministro, em Brasília. O bandido petista mensaleiro José Dirceu já ingressou com o pedido de habeas corpus preventivo para evitar a prisão. Em caráter liminar, o habeas corpus foi negado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que engloba a Justiça do Paraná. O advogado Podval disse esperar que a decisão final sobre o pedido seja tomada pelos desembargadores em sessão do TRF na próxima quarta-feira. Que falta de hombridade....

SOB FORTES VAIAS E PROTESTOS, DILMA INAUGURA NOVA PONTE DE LAGUNA


A presidente Dilma Rousseff foi alvo de protestos nesta quarta-feira em Laguna durante a inauguração da ponte Anita Garibaldi, a maior obra do governo federal em Santa Catarina. A petista foi vaiada por servidores dos Correios, do Judiciário Federal, da Polícia Rodoviária Federal e por alguns integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre). A maioria dos manifestantes ficou do lado de fora da tenda montada sobre a ponte para a cerimônia de inauguração. Eles ficaram em uma via sob a ponte para protestar contra a presidente. Servidores do Judiciário Federal pediram para Dilma sancionar a PLC 28, que trata dos salários da categoria. O grupo afirma que nos últimos seis anos teve 54% de perdas salariais. A coordenação do grupo estimou em mil o número de manifestantes. A Polícia Militar não fez estimativas. Os servidores dos Correios pediram a realização de concurso público. Os policiais rodoviários federais pediram "valorização profissional". Dentro da lona, o pequeno grupo de manifestantes tentou interromper mais de uma vez o discurso da presidente Dilma gritando "o povo, na rua, Dilma a culpa é tua". O grupo foi vaiado pelas pessoas que acompanhavam o evento. Responsável pelos protestos contra o governo Dilma em março e abril, o MBL pediu o impeachment da presidente. "Nós estamos aqui para manter nossa linha de luta. Queremos o impeachment da presidente", disse Alexandre Paiva, coordenador do grupo no Estado. A construção da ponte, iniciada em 2012, busca acabar com o pior ponto de congestionamento da BR-101 em Santa Catarina. De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), 30 mil veículos passam pelo trecho de Laguna a cada dia. Além da ponte, o Dnit anunciou a liberação do túnel do Formigão, em Tubarão (131 km de Florianópolis), que também integra as obras de duplicação do trecho sul da BR-101 em Santa Catarina. O túnel tem 900 metros de comprimento. De acordo com o Dnit, a obra custou R$ 62 milhões. A Ponte de Laguna foi construída por um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Correa, cujo presidente está na cadeia, na Polícia Federal, em Curitiba, preso pela Operação Lava Jato. A obra é suspeita de também ter promovido o desvio de recursos para a corrupção política. A ponte ainda não está aberta ao tráfego de veículos.


ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS RECUA 2,8% E TEM O PIOR RESULTADO EM QUATRO ANOS

O fraco desempenho da economia e as desonerações fizeram a arrecadação federal atingir o pior resultado para o primeiro semestre em quatro anos. Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou R$ 607,208 bilhões de janeiro a junho. O montante representa queda de 2,87% em relação ao mesmo período do ano passado, descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A arrecadação é a menor para os primeiros seis meses do ano desde 2011. Em junho, a arrecadação federal somou R$ 97,091 bilhões, queda de 2,44% em relação a junho do ano passado e o pior resultado para o mês desde 2010, também em valores corrigidos pelo IPCA. Apesar do desempenho negativo, foi registrada leve melhora em relação a maio, quando a queda pela comparação mensal chegou a 4,03%.

GOVERNO DO ESTADO DEVE REPASSAR VERBAS DA SAÚDE PARA PREFEITURAS NESTA SEMANA

Depois de decisão da Justiça gaúcha nesta terça-feira, assegurando repasse de verbas da Saúde à prefeitura de Porto Alegre, a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul iniciou, nesta quarta-feira, o pagamento às prefeituras municipais e hospitais de R$ 174,4 milhões. Segundo o Executivo estadual, os municípios, que desenvolvem programas vinculados ao SUS, receberão R$ 26 milhões. O valor, repassado pelo Tesouro do Estado, corresponde à competência do mês de junho. Entre os programas beneficiados com recursos estaduais estão a Atenção Básica, Farmácia Básica, Programa Primeira Infância Melhor (PIM) e manutenção das Bases do Samu. O repasse para as instituições de saúde ocorre entre estas quinta (16) e sexta-feiras (17). Os hospitais filantrópicos, Santas Casas e públicos, que prestam serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), terão direito a R$ 148,4 milhões, como pagamento referente ao mês de junho. Deste total, R$ 72 milhões são recursos do Tesouro do Estado, pagos como incentivos estaduais.

Selado o divórcio

O divórcio entre PMDB e PT foi selado hoje, com o anúncio feito por Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Michel Temer de que o partido terá um candidato próprio à Presidência da República em 2018. E até lá, os divorciados permanecerão morando na mesma casa? O PMDB sabe que esse tipo de arranjo não dá certo.

TCU: 5 a 4 contra a rejeição

O Antagonista acaba de falar com um ministro do TCU. Pelas contas dele, se a votação das contas de Dilma Rousseff fosse hoje, o placar seria de 5 a 4 contra a rejeição sumária. A desempatar seria o presidente do tribunal, Aroldo Cedraz, cujo filho Tiaguinho está enrolado na Lava Jato. Se esse resultado se confirmar, o melhor a fazer é transformar as instalações do TCU num bordel de luxo.

Agora, é o STF

Teori: investigações
Teori: investigações
A impressionante fase da Lava-Jato empreendida ontem tem um mérito em especial, entre tantos outros. Depois que os ministros  do Supremo  Celso de Mello, Teori Zavascki e Ricardo Lewandowski autorizaram os 53 mandados de busca e apreensão contra um senador e ex-presidente da República, e um presidente de partido, entre outros, não dá mais para ter paciência com uma turma que tenta desdenhar o que fez o juiz Sergio Moro até agora. Uma turma que culpa Moro por supostas extrapolações da ordem jurídica. Pois agora, não é o Moro, são três ministros do STF, incluindo o seu presidente, que vê a necessidade de se aprofundar as investigações sobre políticos  de relevo. Por Lauro Jardim

Testamento apreendido

Collor vai perder sua boquinha na BR Distribuidora
Collor: alvo da PF
Aos colegas, ontem no plenário do Senado, Fernando Collor contou que até o seu testamento, “lacrado”, os agentes da PF levaram ontem na busca e apreensão de documentos em sua casa. Por Lauro Jardim

Cunha vê mais longe

Cunha: se TSE cassar Dilma e Temer, ele toma posse
Se TSE cassar Dilma e Temer, Cunha toma posse
Há na Câmara quem tenha visto na conversa de Eduardo Cunha com Gilmar Mendes sobre o impeachment de Dilma – aquela que Mendes diz ter havido, mas que Cunha nega – mais do que uma mera análise de conjuntura. Se o TSE cassar a chapa Dilma-Temer e convocar novas eleições, Cunha assume a presidência da República por 90 dias. Neste período, Cunha, encrencadíssimo na Lava-Jato, seria não só o chefe da Polícia Federal mas também, caso tudo aconteça entre e agosto e setembro, o responsável por escolher o procurador-geral da República dos próximos dois anos. Teria a faca e o queijo na mão para se vingar de Rodrigo Janot. Por Lauro Jardim

Mantega processa “boquirrotos”

Processo aberto
Processo aberto
 O advogado e ex-presidente nacional da OAB José Roberto Batochio deu entrada ontem no Foro Central de São Paulo, com ação de calúnia, difamação e injúria contra o engenheiro José João Armada Locoselli e  o empresário Marcelo Maktas Melsohn por terem ofendido Guido Mantega, em um restaurante em São Paulo, no dia 28 de junho. Na queixa-crime, Batochio argumenta que “os boquirrotos e detratores precisam e devem receber, de fato, a pedagogia adequada”. Por Lauro Jardim

Mudanças na BR

collor
Apadrinhado de Collor perdeu o posto, literalmente
Um dia depois de cair a casa de Fernando Collor, a BR Distribuidora demitiu hoje o último de seus afilhados na estatal, o diretor de Postos, Luis Alves Lima Filho. Também saiu hoje Andurti de Barros, diretor da cota do PT. Por Lauro Jardim

Aguardando a tão esperada prisão

O advogado Roberto Podval protocolou mais um requerimento em defesa de José Dirceu. O advogado citou um carro de uma emissora de televisão que, ontem, ficou o dia todo na frente da casa do petista, "certamente aguardando a tão esperada prisão". A defesa alegou também que José Dirceu, "já com seus 70 anos e rotulado indelevelmente de inimigo público, não aguenta mais a situação à qual é submetido diariamente". Acabe logo com a ansiedade de José Dirceu, Sergio Moro. Seja piedoso e prenda-o imediatamente. 

Os inocentes úteis e inúteis que saem em defesa da truculência da PF e do MP estão é no movimento “Fica Dilma!”

A Operação Lava Jato se transformou num “work in progress”. As versões de depoentes e delatores vão mudando ao sabor dos ventos e de acordo com as mais variadas conveniências. Imagino a trabalheira dos advogados de defesa, não? Nunca se sabe qual é a nova história do dia. Uma coisa é certa: há, como se diz em Dois Córregos, gente de butuca lá no Palácio do Planalto.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, sabe que está na mira. Dez entre dez governistas empedernidos vivem hoje à espera do grande momento: quando é que uma ação espetacular da Polícia Federal vai invadir o seu gabinete ou arregaçar sua casa em Brasília e seu apartamento no Rio? Alguns bobos estão convictos de que isso poria fim à crise política.
Na entrevista que concedeu na segunda passada ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan, afirmou o deputado sobre o fato de ser um dos investigados da Operação Lava Jato: “Não descarto que ainda possam existir desdobramentos políticos. Até porque, a gente está no meio da eleição do Ministério Público, e querem me usar nesse processo. Inclusive, o meu advogado, que é o ex-procurador-geral da República, que fez a denúncia do mensalão, o doutor Antonio Fernando, me recomendou que não falasse de público no assunto até a eleição do Ministério Público. Ele mesmo quer falar”.
Vamos ver. O doleiro Alberto Youssef acusou Cunha se ser beneficiário do pagamento de propina no aluguel de navios-sonda para a Petrobras em 2006. Que evidência ele tem? Afirmou que isso lhe fora relatado em 2011 pelo empresário Júlio Camargo, da Toyo Setal. Camargo fez acordo de delação premiada — logo, para obter um benefício, tem de falar a verdade, certo? Pois bem, em depoimento, ele negou ter pagado propina ao agora presidente da Câmara. Ocorre que estamos diante da chamada “obra aberta”, e uma versão sempre pode ser corrigida por outra. Chegou a Cunha a informação de que Camargo teria mudado de ideia e agora o acusa de ter recebido propina. Pergunta: ele vai receber o prêmio por ter negado ou por ter confirmado o pagamento de propina?
Cunha está convencido, embora se negue a tratar publicamente do assunto, de que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e Rodrigo Janot, procurador-geral da República, atuam para torná-lo réu da Operação Lava Jato. Nessa lógica, ao mandar o presidente da Câmara para a fogueira, o agora procurador-geral estaria prestando um favor ao Planalto, que, por sua vez, o recompensaria não criando dificuldades para reconduzi-lo ao cargo.
A operação espetaculosa desta terça contra os senadores — que, insista-se, não começaram a ser investigados ontem — teria soado como um sinal de advertência: ninguém está a salvo. Afinal, PF e MP estão dispostos a demonstrar que se vai fazer justiça “erga omnes” (para todos) e que o Brasil vai virar “A República”, de Platão… Para quem se conformou com o latim mal aplicado e para quem não conhece “A República” de Platão, a coisa parece bem arranjada.
Mas ainda falta a peça que completa o quebra-cabeça. É importante alvejar Cunha só porque o governo perde todas no embate com ele? Não exatamente. É que, na possibilidade de haver uma denúncia à Câmara contra Dilma, o que é melhor para o Planalto? Um presidente com o controle de boa parte da Casa ou obrigado a se explicar?
Não se trata de uma hipótese conspiratória, mas apenas da natureza do jogo. Alguns tontos que atuam como animadores de torcida do pega-pra-capar da PF e do MP, confundindo a defesa do estado de direito com a defesa da impunidade, mal sabem — será que não sabem mesmo? — que estão é atuando como linhas auxiliares do Palácio do Planalto e do “Fica Dilma”. Por Reinaldo Azevedo

O delator que se lembrou só depois de sete meses que pagou propina de R$ 4 milhões a Dirceu… A delação premiada está virando uma… zona!

Então tá bom! Como José Dirceu é José Dirceu, e como a gente não gosta dele por bons motivos, eu poderia deixar isso pra lá. Mais: como ele é amiguinho de uma corja na Internet que é tarada por mim, eu não faria mal em ignorar a questão também por isso. Mas como seria péssimo que a Operação Lava Jato desse com os burros n’água por excesso de fúria e falta de zelo, então não deixo. Vamos ver.

O empresário Júlio Camargo, da Toyo Setal, é um dos delatores premiados. Já fez confissões do arco da velha. Admitiu, por exemplo, ter pagado suborno de R$ 137 milhões para Fernando Soares, o Fernando Baiano, que seria operador do PMDB, e outros R$ 35 milhões para o petista Renato Duque, então diretor de Serviços da Petrobras.
Nesta terça, ele prestou novo depoimento ao juiz Sergio Moro, aí falando como testemunha numa ação penal que tem como réus o próprio Duque e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.
Eis que Camargo se lembrou de algo que ainda não havia dito ao Ministério Público, à Polícia Federal ou à Justiça: teria pagado a Dirceu uma propina de R$ 4 milhões em dinheiro vivo. Eu é que não vou negar que isso tenha acontecido, não é? Dirceu e Roberto Podval, seu advogado, que o façam. Podval, aliás, negou.
Mas não é possível que vocês também não se tenham feito esta pergunta: Camargo só se lembrou disso agora? Ele é um delator premiado desde dezembro do ano passado. Só lhe ocorreu contar que pagou a Dirceu a bagatela de R$ 4 milhões em dinheiro vivo sete meses depois?
O meu ponto nem é se ele estava omitindo antes ou mentindo agora. A minha curiosidade é outra: o que mais Camargo sabe e ainda não contou? Se não o fez antes, mas o faz agora, a que conveniência atende? Ele e os demais delatores premiados vão se lembrando das coisas aos poucos? Essa memória seletiva é regulada por qual mecanismo?
Dirceu, que nunca tinha apertado um parafuso e não sabia a diferença entre uma ruela e uma porca até abrir a sua consultoria, virou especialista em tudo: petróleo, telefonia, engenharia, unha encravada, espinhela caída… Recebeu R$ 39 milhões entre 2006 e 2013 por suas consultorias. Antonio Palocci é ainda mais competente do que ele. Os petistas sabem tudo de capitalismo. Nunca antes na história da humanidade ditos militantes socialistas foram tão bons na arte de ganhar dinheiro. Melhor do que eles, só mesmo os comunistas de Angola, país íntimo  da petelândia.
Não preciso de ninguém para me ajudar a desconfiar de Dirceu. Mas há, e é meu papel fazer esta advertência, algo de profundamente errado com essas delações premiadas, não é mesmo?
É evidente que bandidos profissionais como esses caras têm muito a contar. Entendo que não dê para fazê-lo num único dia. O detalhamento de uma única operação pode levar horas. Mas sete meses? Eu quero saber é se os delatores premiados estão contando a verdade — e só nesse caso merecem o benefício — ou se viraram colaboradores de um roteiro que vai sendo amarrado aos poucos.
Camargo (ver post anterior) é aquele mesmo que negou que Eduardo Cunha tivesse recebido propina no caso do aluguel de navios-sonda, mas que, depois, teria mudado de ideia… Fico cá a me perguntar que outros fatos ele está a omitir, quais outros vai corrigir, quantos outros ainda vai acrescentar. Mais do que isso: fico cá a me perguntar no interesse de quem ele omite, corrige ou acrescenta.
Qualquer pessoa razoável sabe que um processo de delação premiada não pode ser essa bagunça de versões, todas elas devidamente jogadas no ventilador. Depois essa coisa toda dá em nada, e alguém se lembrará de gritar: “Impunidade!”. Por Reinaldo Azevedo

WALKING DEAD – Falcão reúne golpistas em SP e anuncia: “expelir a Dilma” é democrático! Ah, bom!

O PT liderou na noite desta terça-feira um ato em defesa do mandato de Dilma. Contou com o apoio de partidos como o PCdoB e o PDT. Leio na Folha que o ultraesquerdista PCO também estava lá… Que coisa, né? Vai ver é a Versão Petrolão da Quarta Internacional Socialista. Até o trotskismo já foi melhor no Brasil. Que gente! Mas sigamos.

O ato, realizado nas dependências da Uninove, em São Paulo, uma das universidades privadas que lucram muito com o ProUni e com o Fies — ah, como é bom socializar o nosso dinheiro!!! —, se transformou, na verdade, numa manifestação em favor da volta de Lula, o Dom Sebastião da derrocada petista.
Na raiz dessa patacoada está um misto de mentira, má-fé e vigarice política, a saber: estaria em curso um golpe contra Dilma. E seria desfechado por quem? Provavelmente, pelas leis, não é?, já que só elas podem derrubar a mandatária. No entusiasmo, Rui Facão, presidente do PT, leio no Estadão, se traiu e afirmou:
“Não se esqueçam, companheiros e companheiras, que gritamos ‘Fora Collor’ e gritamos ‘Fora FHC’. E o ex-presidente Collor saiu da Presidência num processo legal, dentro da democracia, e é isso que eles pretendem fazer agora: expelir a Dilma dentro de um processo democrático.”
Foi a primeira coisa sensata que Falcão disse em muitos anos. É isto mesmo: o que se quer é expelir — o verbo é um pouco grosseiro, próprio da retórica da falcoaria — Dilma dentro de um processo democrático.
Se, com as contas rejeitadas, houver uma denúncia contra a presidente por crime de responsabilidade e se 342 deputados a aceitarem, ela se afasta. E poderá ser cassada pelo Senado. Há aí a combinação da Lei 1.079 com a Constituição. Se o TSE decidir que houve abuso do poder político e econômico na eleição, ela perderá o mandato: nesse caso, há o enlace da Lei 9.504 com, ora vejam, a Constituição de novo! E ainda há a possibilidade de haver o feliz casamento entre a Carta Magna e o Artigo 359 do Código Penal.
Rui Falcão tem razão! Tudo dentro do mais legítimo processo democrático.
De forma apropriada e acertando na pessoa verbal, disse ele: “Gritamos ‘Fora Collor’ e ‘Fora FHC’”. Sim, os petistas gritaram! Contra Collor, os motivos eram evidentes. Contra FHC, era só berreiro político. Aliás, aproveito para discordar aqui do bom senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP): com efeito, Dilma não é Collor, mas, não nos esqueçamos nunca, os crimes daquele governo, na comparação com os da era petista, mereceriam ir para um Tribunal de Pequenas Causas, certo?
Depois de deixar claro, ainda que sem querer, que gritar “Fora Dilma” é, sim, democrático, Falcão tentou explicar que diabos, afinal de contas, faziam ali os, então, convertidos em golpistas contra a democracia. Segundo ele, o problema está no “monopólio da mídia”. E ensaiou, em outro desdobramento de sua confusão mental:
“Nós temos uma democracia imperfeita ainda, que queremos reformar e está regredindo, garantindo financiamento empresarial, reduzindo tempo de TV, reduzindo a participação das mulheres na vida política, reduzindo a maioridade penal. Estamos perdendo sucessivamente, e é isso que precisamos reverter.”
Ah, entendi. Pedir o “Fora Dilma” é, sim, democrático, mas os petistas e congêneres devem dizer o contrário porque, muito democraticamente, sua agenda está sendo derrotada pela sociedade e pelo Congresso Nacional, legitimamente eleito. Donde se conclui que democracia que não aprova as propostas do PT e das esquerdas, ou que francamente as rejeita, democracia não é.
Os golpistas reunidos nesta terça — segundo a Folha, 900 — fizeram ainda um coro de “Volta Lula”. Falcão, inspiradíssimo, afirmou:
“Sabe o que as pessoas dizem no interior, quando você viaja para outros estados? ‘Olha, tudo isso que está acontecendo, a gente até entende; que haja corrupção, nós já estamos acostumados. O problema é impedir a volta do Lula em 2018′. É disso que se trata, porque a volta do Lula não é questão de messianismo, nem de salvação nacional, é a continuidade de um projeto que precisa avançar “.
Nossa! Em que estado se diz isso? E o que quer dizer o “estamos acostumados com a corrupção”? Quem “estamos”? Corrupção de quem? Essa, dos 13 anos da era petista? Fico contente com a manifestação desta terça. É sinal de que eles não vão encontrar o rumo tão cedo.
E sobraram, claro!, críticas para a Operação Lava Jato. Aí um cretino de plantão, que sabe que me atacar rende trânsito na Internet, poderia emendar: “Ah, mas você também critica…”. Critico desmandos, manifestações circenses e exageros, os mesmos que o PT aplaudiu no passado quando os alvos eram seus adversários. Eu aponto os aspectos negativos da operação justamente porque tenho horror aos petralhas: para eles, PF e MP bons são os que cometem arbitrariedades com seus inimigos e que protegem seus amigos. Se esses entes fazem o contrário ou se generalizam o pega-pra-capar, reclamam. Para mim, PF e MP bons são os que não cometem ilegalidades contra ninguém.
As minhas diferenças com o petralhismo não são apenas de lado, mas também de valores e de métodos. Quando vejo hoje alguns trouxas a aplaudir procedimentos que antes condenavam só porque, desta vez, os alvos são os petistas, sinto um misto de asco e desprezo. Ou terá havido antes interesses que eu ignorava? É puro lixo moral e intelectual. São da mesma escola de Rui Falcão.
Encerro
O presidente do PT comandou, em suma, uma reunião de golpistas contra as regras do Estado de Direito. E está dando início, sete meses depois da posse de Dilma, ao movimento “Volta Lula”.
Volta Lula? Trilha sonora do evento: “Walking Dead”. Por Reinaldo Azevedo