domingo, 28 de junho de 2015

Exército se prepara para tocar obras de ferrovias

O Exército deve fazer parte do esforço do governo federal para investir R$ 86,4 bilhões em ferrovias. O comando já possui à disposição 27 km, de São Francisco do Sul à Joinville, para a implantação de trecho ferroviário. O Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Comando do Exército, considera que a oportunidade representa a “Volta aos Trilhos”, visto que a Força possui histórica relação com esse tipo de obra. 


Como, no passado, as unidades de engenharia do Exército possuíam a responsabilidade sobre esses empreendimentos, a atual base doutrinária das instituições militares permite a realização de infraestrutura ferroviária, entre outras, não sendo necessária qualquer alteração dentro desse escopo. Por outro lado, o DEC afirmou que trabalha para serem ampliados os horizontes das obras a cargo do Sistema de Obras de Cooperação, buscando oportunidades no emprego dos batalhões no modário ferroviário. O objetivo é promover o contínuo adestramento e reequipamento do sistema de engenharia já que o País volta a projetar a necessidade da retomada de investimentos nessa área. “Em função da carência de logística de transporte em ferrovias, de custos sabidamente mais baixos que o modal rodoviário”, afirma o Departamento. De acordo com o DEC, estão sendo realizadas reuniões internas e contatos com órgãos públicos ligados ao tema. O intuito é serem estudadas possibilidades de emprego dos batalhões a partir de prévia preparação dos quadros e tropa por meio da aquisição de novos equipamentos e reciclagem do pessoal. O Departamento já realizou atividade semelhante, com o empreendimento nas obras envolvendo patrimônio rígido na BR-101 Nordeste. “Há poucos anos nos preparamos para essa obra. Na oportunidade foi realizado o trabalho de excelência técnica após breve período de aprendizagem”, aponta. Com o anúncio de investimentos para ferrovias no montante de R$ 86 bilhões, distribuídos ao longo do país, o Departamento de Engenharia e Construção, vislumbrou a possibilidade de ampliar o Sistema de Obras de Cooperação, que já conta com 25 empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento e participar também desse esforço. “Dessa forma, iremos aliar os valores históricos – como reconhecimento para com os militares que nos precederam – com projeções que podem levar a “volta aos trilhos” de uma importante força de trabalho no sistema de engenharia do Exército”, explica. O primeiro passo foi a proposta do DEC, encaminhada ao Estado Maior do Exército, visando retomar a denominação de batalhões ferroviários para as organizações militares de Engenharia. “A história dos antigos ferroviários pode conduzir à retomada da necessária qualificação e adestramento dos quadros e da tropa em obras ferroviárias em contribuição ao desenvolvimento nacional”, explica a unidade. “Temos a expertise e agora trata-se de usarmos esse ativo. A proposta está aprovada e os batalhões voltarão a ter a denominação de batalhões ferroviários” afirmou o comandante do Exército, General Villas Boas. O General Villas Boas ressaltou que desconhece outro país que tenha, na estrutura de Defesa e do Exército, vertente de engenharia de construção como o Brasil. “Estamos iniciando, para valer, o resgate da engenharia do Exército”, afirmou. 

O PETISTA GUIDO MANTEGA SAI PARA ALMOÇAR COM A FAMÍLIA EM RESTAURANTE PAULISTANO E É HOSTILIZADO PELOS CLIENTES

O ex-ministro da Fazenda, o petista Guido Mantega, foi novamente hostilizado enquanto almoçava com a família neste domingo, 28. O ex-ministro estava almoçando no restaurante Trio, na Vila Olímpia, na zona Sul de São Paulo, e clientes do estabelecimento chamaram o ministro de "ladrão e sem vergonha" aos gritos. "Ladrão, palhaço, sem vergonha", disse um cliente do estabelecimento. "Vocês acabaram com o País", completou aos berros enquanto Mantega se levantava. Esta não é a primeira vez que Mantega passa por apuros desse tipo. Em fevereiro, o ex-ministro foi hostilizado no hospital Albert Einstein, também em São Paulo, ao lado de sua mulher. Guido Mantega foi ministro da Fazenda por oito anos entre os governos Lula e Dilma. O ex-dirigente da Fazenda chegou a levantar quando os gritos começaram, mas pessoas próximas a Mantega informaram que ele não foi agredido fisicamente e que o ex-ministro não respondeu aos xingamentos.

CRISE ECONÔMICA PRODUZIDA PELO GOVERNO DO PT DEVE FECHAR 1 MILHÃO DE VAGAS ATÉ O FIM DO ANO NO BRASIL

A recessão econômica bateu em cheio no mercado de trabalho e a geração de empregos dos últimos anos deu lugar a demissões em massa. No primeiro mandato da presidente da República, Dilma Rousseff, 4,9 milhões de postos formais foram criados, mas nos cinco primeiros meses deste ano, 243.948 pessoas já foram dispensadas, segundo dados Ministério do Trabalho e Emprego. Os analistas temem uma aceleração do nível de desemprego a partir de junho, o que resultaria no fechamento de 1 milhão de vagas com carteira assinada até dezembro. Há quem aposte que a taxa de desocupação ultrapassará os 10% em 2016. Para piorar, o rendimento médio real dos assalariados também está em queda. Esse processo derrubará ainda mais a popularidade da chefe do Executivo, que já tem um índice de rejeição de 65%. Das 27 unidades da Federação, em 19 o número de dispensas supera as contratações. E essa situação se agravará nos próximos meses. Nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, 314.870 vagas formais desapareceram. Com o baixo nível de confiança dos empresários, não há expectativa para reposição dos postos de trabalho nessas localidades pelo menos até o fim do próximo ano. Nos três Estados do Sul, a geração de empregos ainda supera os desligamentos quando analisados os resultados acumulados nos cinco primeiros meses do ano. A agropecuária e o setor de serviços são os que mais empregam. Mas, em abril e maio, o ritmo de demissões cresceu e já supera as contrações no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No Centro-Oeste, o Distrito Federal é a única localidade em que o fechamento de postos formais é maior do que o número de contratações. A construção civil é o segmento que mais dispensa, seguido pelo comércio e pelo setor de serviços. 

Delator Ricardo Pessoa será ouvido em ação que investiga campanha eleitoral de Dilma

O dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, será ouvido pela Justiça Eleitoral para esclarecer se a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado foi beneficiada pelo esquema de corrupção e cartel na Petrobrás. Pessoa é um dos delatores da Operação Lava Jato e disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República que repassou R$ 750 mil ao tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e outros R$ 2,9 milhões ao ex-tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, que está preso preventivamente. Ele entregou uma planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois” em que relaciona os dois petistas ao repasse de 3,6 milhões entre 2010 e 2014. A oitiva de Pessoa foi autorizada no dia 23 pelo corregedor-geral eleitoral João Otávio de Noronha, que é relator no Tribunal Superior Eleitoral de uma ação de investigação judicial eleitoral da campanha à reeleição de Dilma em 2014. A ação foi protocolada no TSE em dezembro de 2014 a pedido da coligação pela qual o senador Aécio Neves disputou as eleições presidenciais, liderada pelo PSDB, e pede apuração de “abuso do poder econômico e político” e “obtenção de recursos de forma ilícita” da campanha petista. O empreiteiro será ouvido após citar repasses para o PT e por ter sido mencionado por outras testemunhas da investigação eleitoral. Na planilha que Pessoa entregou aos investigadores são citados também os ministros da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Pessoa será chamado a esclarecer um suposto beneficiamento da campanha de Dilma pelo esquema que desvio recursos da Petrobrás. O acordo de delação firmado por Pessoa com a Procuradoria-Geral da República foi homologado na quinta-feira passada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A contribuição premiada poderá ser usada para reforçar indícios de participação dos suspeitos no esquema ou ainda para a abertura de novos inquéritos. O depoimento de Pessoa está marcado para o dia 14 de julho no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. O empreiteiro reside na capital paulista, onde cumpre prisão domiciliar determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Na mesma ação já foram ouvidos outros dois delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Além do delator, Noronha autorizou que o economista e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Néri, que comandou o Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) até o início deste ano, também seja ouvido na ação. No mesmo processo será colhido ainda o depoimento de Rogério Boueri Miranda, que é técnico de planejamento e pesquisa do Ipea. O envolvimento de integrantes do Ipea como testemunhas se deu porque o PSDB acusa o governo de ter segurado dados socioeconômicos negativos durante o período eleitoral. Herton Araújo, servidor do Ipea, também já foi listado como testemunha na ação e confirmou que o instituto segurou dados negativos sobre o quadro socioeconômico do País em 2014. O depoimento dele levou à oitiva de Néri e de Miranda.

EDITORIAL DO ESTADÃO - Lula põe PT contra Lava Jato

Não demorou muito a reação do PT à prisão do dono da Odebrecht, bom amigo de Lula. Depois de Rui Falcão ter recebido instruções precisas do ex-presidente, a Executiva petista reuniu-se na quinta-feira em São Paulo e aprovou uma resolução. Nela, o Partido dos Trabalhadores faz a defesa das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobrás, sob o falacioso argumento de que as prisões “sem fundamento” da Operação Lava Jato são “arbitrárias” e o “prejulgamento” das construtoras terá consequências negativas para a economia nacional, com a paralisia de obras de infraestrutura e consequente aumento do desemprego. Para obedecer ao chefe, a direção do PT finge ignorar que as “consequências para a economia nacional” já são uma amarga realidade, principalmente no que diz respeito à taxa crescente de desemprego. E isso não por culpa da Lava Jato, e sim da incompetência e irresponsabilidade do governo petista. A grande maioria, 65% dos brasileiros, concorda com isso, como revelam as pesquisas. À suspeita de que tem sido beneficiado pela generosidade de prósperos empreiteiros cuja amizade conquistou quando estava na Presidência – exemplo notório de Marcelo Odebrecht –, Lula e seus defensores respondem que hoje ele é apenas um cidadão comum, ex-presidente da República que tem importantes e bem-sucedidas experiências políticas e sociais a transmitir aos interessados e por isso aceita ser pago por quem se dispõe a patrocinar suas palestras mundo afora. É apenas trabalho que não tem nada a ver com o governo. Exatamente como acontece, por exemplo, com ex-presidentes americanos.São argumentos falaciosos, como demonstra essa última resolução do PT em defesa das empreiteiras. Lula não é um cidadão comum – logo quem! –, mas um político muito ativo que tem forte influência no governo e no partido que o sustenta. Tornou-se lobista. Afinal, seus bons amigos empreiteiros não são generosos mecenas interessados em disseminar ideias progressistas pelo mundo, mas negociantes que sabem muito bem onde vale a pena colocar seu dinheiro. É óbvio, portanto, que, ao alinhar o PT na defesa das empreiteiras envolvidas até o pescoço no propinoduto da Petrobrás, Lula está preocupado apenas em manter a fidelidade das relações mútuas com os bons amigos que tem no mundo dos negócios. O combate à corrupção, sintomaticamente, nunca foi tema relevante no discurso do dono do PT, ao contrário do que acontece com Dilma Rousseff, que não perde oportunidade para proclamar sua “luta sem tréguas” contra os malfeitos na vida pública. E o PT, por sua vez, é useiro e vezeiro em gabar-se de que nunca antes tanta “gente importante” foi parar na cadeia. É propaganda enganosa. Observe-se que recentes manifestações de Lula, obviamente entre quatro paredes, contradizem o discurso de Dilma e do PT. O ex-presidente tem feito pesadas críticas ao ministro da Justiça a respeito das investigações da Lava Jato, reclamando de que José Eduardo Cardozo “perdeu o controle” sobre a Polícia Federal, a ele subordinada. Seria o caso de inferir dessas declarações que, se Lula ainda fosse presidente, aos policiais federais e aos procuradores da República já teria sido ordenado que cuidassem da própria vida ou investigassem a oposição? O juiz Sergio Moro, cujo rigor na coordenação da Lava Jato incomoda quem tem culpa no cartório, tornou-se alvo da mesma campanha de satanização que Lula e o PT conduziram contra o ministro Joaquim Barbosa no episódio do mensalão. A resolução petista de quinta-feira não cita nomes, mas pega pesado: “Se as prisões preventivas sem fundamento se prolongarem (...), não é a corrupção que está sendo extirpada. É um estado de exceção sendo gestado”. E, para não perder a oportunidade, os petistas protestaram também, mais uma vez, contra a prisão “inaceitável” de seu ex-tesoureiro João Vaccari Neto, personagem que aparentemente tem muito a dizer, a julgar pelo enorme empenho do partido em reverenciá-lo. O tom das críticas do PT à Operação Lava Jato mostra a crescente preocupação de Lula com investigações que se aproximam dos agentes políticos. É por isso que o ex-presidente decidiu tomar “providências”, acusando o governo Dilma de negligência e açulando o PT contra o juiz Sergio Moro e tudo o que possa representar uma ameaça ao seu direito de ir e vir.

Odebrecht vence licitação para obras em cidade panamenha


Um consórcio liderado pela Odebrecht ganhou nesta sexta-feira a licitação para uma série de obras na cidade de Colón, no Panamá. O consórcio Nuevo Colón, integrado pela Odebrecht e a panamenha Constructora Urbana, obteve a maior pontuação, 958 pontos, com sua oferta técnica e financeira (US$ 537 milhões), de acordo com o ministro de Habitação, Mario Etchelecu. A reconstrução do centro urbano de Colón, às margens do Mar do Caribe e a 80 quilômetros ao norte da capital do país, incluirá a reforma total de suas 16 ruas e a construção de 5 mil casas, e beneficiará cerca de 25 mil habitantes. O projeto inclui, além disso, a reconstrução do sistema pluvial e de tratamento de água e esgoto, e a restauração de edifícios que são Patrimônio Histórico da Humanidade, conforme está detalhado no portal governamental "Panamá Compra". O objetivo do projeto é "impulsionar o ressurgimento de Colón como a grande capital do Caribe", disse um porta-voz da Odebrecht no Panamá. Pelo projeto também concorreram o consórcio CCA-MCM, cuja oferta técnica foi desqualificada, motivo pelo qual sua proposta econômica nem chegou a ser aberta, e o da Aspinwall, que ofereceu US$ 505 milhões, mas cuja apresentação técnica somou apenas 492 pontos, enquanto a da Odebrecht chegou a 498 pontos. O preço base do governo era de US$ 495 milhões, mas pelo complexo mecanismo de avaliação combinada, o consórcio Nuevo Colón obteve a maior pontuação. De acordo com a lei de contratação pública do Panamá, os participantes têm cinco dias para apresentar reivindicações ou impugnações. Se não for apresentada alguma contestação dentro do prazo, será fixada definitivamente a concessão e serão iniciados os trâmites legais de elaboração do contrato definitivo. A Odebrecht é a principal construtora no Panamá, onde há 10 anos faz obras de grandes infraestruturas e criou 11 mil postos de trabalho, dos quais mais de 90% de sua mão de obra é local.

Parlamentares organizam frente de oposição à política econômica de Dilma

No momento em que a tensão política se agrava no PT, com críticas do ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu  livro "Assassinato de reputações") a petistas e ao governo, políticos de diferentes partidos se organizam em frente de esquerda que pretende reagir à política econômica da presidente Dilma Rousseff, capitaneada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e à "onda conservadora" no parlamento. O grupo também se opõe à aliança com o PMDB, por considerar que o partido deu "guinada à direita", sob a liderança do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Após reuniões iniciadas em março, líderes como o ex-governador do Rio Grande do Sul, o peremptório "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro (PT), o ex-presidente do PSB Roberto Amaral - ambos ex-ministros do governo Lula -, os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e os deputados Alessandro Molon (PT-RJ) e Glauber Braga (PSB-RJ) decidiram redigir carta-manifesto com os principais pontos da agenda que a frente pretende apresentar à sociedade. Genro é o relator do esboço do documento, que será apresentado em reunião marcada para 6 de julho, no Rio de Janeiro. "Os pontos centrais que pediram para abordar giram em torno, principalmente, da natureza dos ajustes recessivos que estamos sofrendo. O que nos move é colocar propostas de quadros políticos dos distintos partidos - não os partidos como instituições - para serem examinadas pelo conjunto da sociedade, colaborando para a formação de uma futura frente política com um programa de mudanças democráticas, na economia e na política. Não temos a pretensão de sermos o 'centro' desta frente, nem que algum dos nossos partidos o seja", afirmou ele. Segundo Tarso Genro, o grupo não está ligado a Lula, embora integrantes sejam próximos a ele. Lula e Tarso Genro deverão se reunir provavelmente em 7 de julho. No início da semana, Lula pregou a "revolução interna" no PT, que "só pensa em cargos" e "perdeu a utopia". No fim de semana passado, pesquisa do Datafolha mostrou que a popularidade de Dilma só não é pior que a do presidente Fernando Collor de Melo em setembro de 1992, pouco antes do impeachment. O governo dela teve avaliação ruim ou péssima de 65% dos entrevistados. Na definição de Randolfe Rodrigues, o futuro manifesto será a "resposta de setores progressistas de esquerda à onda conservadora que temos no Brasil e que tem como grande representante o deputado Eduardo Cunha". Ele defende que, além das críticas ao ajuste, o primeiro documento da frente rejeite a redução da maioridade penal, em discussão na Câmara, e o fim da obrigatoriedade de que a Petrobrás participe com o mínimo de 30% dos consórcios de exploração do petróleo no pré-sal, projeto que tramita no Senado. "As forças progressistas, ditas democrática populares, têm estado na defensiva. A ideia é organizar ações de caráter político, não eleitoral, com os movimentos sociais, a classe artística, intelectuais, para que sejam ainda mais amplas", afirmou o senador do PSOL. Integrante da dissidência do PSB que não apoiou o tucano Aécio Neves no segundo turno da disputa presidencial, após a derrota da Marina Silva, Glauber Braga diz que o grupo "não tem idéia de sustentação de projeto político eleitoral para 2016, 2018 ou 2020": "A frente não tem influência do ex-presidente Lula ou de qualquer outro presidenciável. A política econômica permeia a discussão, mas nos propomos a pensar a política brasileira, dialogar com os que têm idéias progressistas e o que se quer a partir de agora".

Mulher do petista Fernando Pimentel admite que recebeu valores de empresas citadas na Operação Acrônimo

A mulher do governador de Minas Gerais, o petista e ex-terrorista Fernando Pimentel, admitiu em nota que recebeu valores de empresas citadas na Operação Acrônimo. Em nota, Carolina Oliveira confirmou que recebeu valores de duas empresas, no período em que seu marido era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, por meio de sua empresa, a Oli Comunicação.


Tratam-se da MR Consultoria e da agência Pepper. A primeira é do consultor Mário Rosa, que tem sociedade com o empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené. Esse empresário é suspeito de fazer caixa dois para a campanha de Pimentel e lavar dinheiro. A Pepper, por sua vez, presta serviços ao PT e já prestou serviços ao Bndes. De acordo com a Polícia Federal, a Pepper pagou R$ 300 mil à Oli Comunicação. Já a empresa de Mário Rosa pagou R$ 2,4 milhões entre 2012 e 2014. Rosa é um dos consultores de imagem favoritos de políticos, enquanto Carolina Oliveira era uma jornalista desconhecida no mercado – o que chamou a atenção de investigadores. Rosa disse que a contratou para ajudá-lo no gerenciamento de crise envolvendo duas grandes empresas. Ele não revelou os nomes de seus clientes.  Na nota, a mulher de Pimentel não fala em valores, mas defende a legalidade dos negócios. "A Oli Comunicação prestou serviços de comunicação digital para a Pepper Interativa, entre 2012 e 2014. Entre esses serviços, nenhum foi prestado ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). A Oli Comunicação também prestou serviços para a MR Consultoria, entre 2012 e 2014. A empresa pertence ao jornalista Mario Rosa, um dos consultores de imagem e gerenciamento de crises mais reputados do Brasil. A MR Consultoria também não presta serviços para órgãos públicos e partidos politicos. Portanto, todos os serviços prestados pela Oli Comunicação estão relacionados a clientes privados, que passsaram por crises de imagem e de comunicação ao longo deste período". Os valores apurados pela Polícia Federal constam de uma lista apreendida na casa da mulher de Fernando Pimentel. Há ainda valores da Marfrig, R$ 595 mil, e Casino, R$ 362,8 mil. A nota de Carolina Oliveira não fala desses valores.

"Porquinho" petista José Eduardo Cardozo pediu para Ricardo Pessoa, dono da UTC, não fazer delação premiada

O ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, pediu a advogados contratados pela UTC que o engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora, não fizesse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, segundo reportagem da revista Veja deste fim de semana. A UTC é uma das empresas cujos dirigentes foram presos na sétima fase da operação. O sócio e ex-presidente da construtora, Ricardo Pessoa, cumpre prisão preventiva em Curitiba. Na semana passada, o ministro admitiu ter se encontrado com o advogado Sérgio Renault, contratado pela UTC. Cardozo afirmou, contudo, que o encontro foi casual e eles não trataram da Lava Jato. A revista relata pontos que Pessoa estaria disposto a revelar à Justiça caso seu pedido de colaboração premiada seja aceito. Segundo a reportagem, a UTC garante ter R$ 600 milhões a receber por serviços já prestados à Petrobrás e vem pressionando interlocutores do PT para conseguir a liberação do dinheiro. Por isso, a empresa procurou Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e braço-direito do ex-presidente, conforme revelou o Estado. Conforme a Veja, Pessoa pretende relatar também em eventual delação premiada que deu R$ 30 milhões desviados da Petrobrás a candidatos do PT nas eleições do ano passado. A maior parte do valor, contudo, teria sido repassada por meio de doações legais. A revista relata que o executivo diz que se considera amigo do tesoureiro petista João Vaccari Neto - investigado na Lava Jato - e que a pedido dele doou R$ 10 milhões para a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A reportagem cita ainda o ex-tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, que, segundo o empreiteiro, está "preocupadíssimo" pois saberia a origem do dinheiro que abasteceu a campanha presidencial. Outro ponto que Pessoa estaria disposto a revelar é uma ajuda financeira para que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pagasse despesas pessoais. Em 2011, após ser procurado por Vaccari, a UTC simulou um contrato de consultoria com o ex-ministro e repassou R$ 2,3 milhões a Dirceu - que atualmente cumpre pena domiciliar pela condenação no mensalão. De acordo com Veja, o esquema de corrupção financiou também campanhas ao governo da Bahia do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner. Conforme a reportagem, um auxiliar de Pessoa disse à revista, sob condição de anonimato, que "Ricardo pode destruir Wagner" se revelar tudo o que sabe ao Ministério Público e à Polícia Federal. O ministro, por meio de sua assessoria, chamou de "ilação" a notícia. "Lamento a ilação dando conta de que eu teria recebido doação da empresa UTC, do senhor Ricardo Pessoa, de forma clandestina", afirmou. "É uma frase inócua. Minha vida política está consolidada em três eleições para deputado federal e duas vitórias em primeiro turno para governador da Bahia", argumentou o ministro, ao lamentar que as informações tenham sido publicadas "com base em uma delação premiada que ainda não existiu". Wagner disse que todas as doações para suas campanhas "foram declaradas e as prestações de contas, aprovadas pela Justiça Eleitoral". O ministro negou que tenha recebido contribuição da UTC na disputa de 2006, quando concorreu pela primeira vez o governo da Bahia, mas confirmou a doação da construtora na campanha pela reeleição, em 2010.

Desesperado, PT quer que ministro da Justiça defenda o partido e não o país.


Na quinta-feira a Executiva Nacional do PT se reuniu em São Paulo para, entre outras coisas, avaliar os estragos causados ao partido pelas Operações Lava Jato e Acrônimo. Na reunião, o PT tomou duas decisões importantes. A primeira, tornada pública, foi aprovar uma resolução política na qual sai em defesa das empreiteiras suspeitas de desviar recursos da Petrobrás. A segunda, até agora mantida em sigilo, foi convidar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a dar explicações ao partido sobre as últimas ações da Polícia Federal, subordinada a ele. O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o objetivo é simplesmente ouvir o ministro. No entanto, conforme integrantes da cúpula petista, a ideia é enquadrar Cardozo. Militante do PT há mais de 30 anos, homem de confiança da presidente Dilma Rousseff, o ministro é responsabilizado por setores do partido pela manutenção da prisão temporária do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, detido desde 15 de abril, e pelas buscas no escritório político do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e na agência Pepper, que presta serviços à sigla. Em conversas reservadas, lideranças petistas usam termos como “inoperante”, “omisso”, “sem pulso firme nem liderança” e “egoísta” para se referir ao ministro. Desde sexta-feira, com a divulgação da delação premiada de Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC, que relatou ter feito repasses às campanhas de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a insatisfação em relação ao ministro aumentou consideravelmente. Numa reunião de representantes dos setoriais petistas realizada no meio da semana, também em São Paulo, uma dirigente ligada a um parlamentar sugeriu abertamente que o PT peça a demissão do ministro.  Na resolução política aprovada quinta-feira pela executiva nacional, a cúpula petista aumentou a intensidade dos ataques aos responsáveis pelas investigações contra o partido. Em cinco dos 16 itens do documento, o PT faz críticas à operação. No item número 6, o partido se diz preocupado com os efeitos econômicos do “prejulgamento” das empreiteiras, apesar de pessoas ligadas a pelo menos cinco delas terem confessado à Lava Jato participação no esquema de desvio de recursos da Petrobrás. A idéia de convidar Cardozo a dar explicações ao partido surgiu durante o debate sobre a manutenção da prisão de Vaccari, vista pelo PT como uma arbitrariedade cometida pela força-tarefa da Lava Jato. Uma das cobranças que será feita ao ministro é o fato de a Polícia Federal ter aberto uma investigação sobre um carregamento de dinheiro feito por um empresário próximo a Fernando Pimentel, mas não apurar casos semelhantes envolvendo tucanos, a exemplo de um apoiador do deputado Bruno Covas (PSDB-SP) pego com R$ 100 mil em dinheiro às vésperas da eleição de 2014. Para o PT, a Polícia Federal não tem isonomia. Embora não tenha relação direta com o convite ao ministro da Justiça, Lula também tem intensificado as críticas a Cardozo. O ex-presidente é um desafeto histórico do ministro, com quem acumula atritos desde meados da década de 1990, e nunca engoliu a escolha e manutenção de Cardozo no ministério. Nos últimos dias, no entanto, Lula fez chegar ao titular da Justiça e a Dilma sinais mais claros de descontentamento.  Cardozo se defende dizendo que não tem autonomia nem poder para impedir ações da Polícia Federal. Aos emissários de Lula, lembrou que foi no governo do ex-presidente, quando o ministro da Justiça era Tarso Genro, que o setor de inteligência da Polícia Federal foi descentralizado com a criação de centrais em cada superintendência estadual. Na terça-feira, Cardozo avalizou as críticas feitas por Lula ao PT na véspera, quando o ex-presidente disse que o partido “está velho” e “só pensa em cargos”. “Mais uma vez o presidente Lula toma uma posição de vanguarda e coloca o tema em debate”, disse o ministro.  Além de Cardozo, o PT decidiu convidar o ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) para explicar a relação do governo com os movimentos sociais. Ambos pertencem à aliança Mensagem/Democracia Socialista (DS), a segunda força interna do PT.

Imprensa americana critica corrupção do governo Dilma e diz que Brasil vive um retrocesso. Quem vai investir num país assim?

A democracia brasileira vive uma crise e a presidente Dilma Rousseff enfrenta agora o desafio de permanecer no cargo, e tentar governar, pelos próximos três anos e meio, afirma o jornal "The Washington Post".Em duro editorial, feito em razão da visita de Dilma aos Estados Unidos, iniciada neste sábado (27), a publicação afirma que o cenário não é fácil para a presidente. "Ela viu boa parte de seu poder efetivamente esvaziado pelos líderes do Congresso, que diluíram algumas de suas medidas de austeridade", afirma o jornal, em referência ao ajuste fiscal do governo. Intitulado "Um retrocesso no Brasil", o texto cita o escândalo de corrupção na Petrobras, com dezenas de executivos e mais de 50 membros do Congresso implicados em um esquema de pagamento de propinas que soma US$ 2 bilhões (R$ 6 bilhões). "A corrupção na Petrobras foi em grande parte produto das políticas equivocadas de Rousseff, como a tentativa de restringir a companhias brasileiras os fornecedores da estatal", diz.  As críticas à política econômica de Dilma continuam. O jornal afirma que, embora Dilma tenha vencido Aécio Neves, do PSDB, nas últimas eleições presidenciais, alegando que seu oponente "se renderia aos desmandos de banqueiros e do FMI (Fundo Monetário Internacional), ela está impondo as mesmas medidas tipicamente priorizadas pelo Fundo, incluindo cortes nos subsídios para energia. O "Post" defende que o Brasil precisa de mais do que reformas liberalizantes. O jornal diz que é preciso incentivar o investimento privado no país e também a maior entrada de recursos estrangeiros na economia brasileira. "Sem isso, o futuro do Brasil continuará em suspenso."

Demitir o tesoureiro de Dilma para salvar Dilma

Dois integrantes do conselho político de Dilma Rousseff disseram a Josias de Souza que Edinho Silva deveria de ser afastado da Secom. Segundo eles, a “atribuição do ministro era cuidar da imagem de Dilma; agora, ele tem de salvar a própria imagem”. Aparentemente, os conselheiros presidenciais ainda acreditam na possibilidade de isolar Dilma Rousseff do Petrolão. É uma análise tão imbecil que as fontes de Josias de Souza só podem ter sido Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo. Não, os brasileiros não querem o afastamento do tesoureiro de Dilma Rousseff, eles querem o afastamento da própria Dilma Rousseff. Não, não dá para esperar até amanhã. (O Antagonista)

Nova lista Janot

Folha de S. Paulo: "Vem aí uma nova lista do Janot. Com a homologação da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, o procurador-geral da República deve abrir nos próximos dias mais procedimentos". Ele tem de incluir Lula e Edinho Silva. Em seguida, Dilma Rousseff.

O tesoureiro do PT precisa de companhia

João Vaccari Neto mandou recados à cúpula do PT, informa Lauro Jardim. “Preso, sente-se abandonado pelos velhos companheiros”. O tesoureiro do PT talvez se sinta abandonado neste momento, mas quando forem exibidas suas imagens recebendo pixulecos de Ricardo Pessoa, sua cela ficará abarrotada de velhos companheiros.

O outro caminho para cassar o mandato de Dilma

Ricardo Pessoa será ouvido pelo Ministério Público Eleitoral na ação que investiga a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff. O Estadão informa que o depoimento do empreiteiro foi marcado para 14 julho. Se Dilma Rousseff não for afastada por suas fraudes contábeis, julgadas pelo TCU, ou pelo assalto petista à Petrobras, que tem de passar pelo STF, ela terá seu mandato cassado pelo TSE.

O PT rosna

A direção do PT resolveu atirar em José Eduardo Cardozo, culpando-o pelos rumos da Lava Jato e da Operação Acrônimo. Entre outras delicadezas, chama-o de "omisso", "inoperante", "sem pulso firme" e "egoísta". Ingratidão da grossa: como bom petista, José Eduardo Cardozo tentou conter o trabalho da PF e mesmo da Justiça, com a ajuda do advogado-geral da União. Não conseguiu porque ainda há imprensa e instituições no país. Os rosnados do PT contra José Eduardo Cardozo só demonstram, pela enésima vez, a natureza autoritária do partido. Eles acham que governar é colocar cabresto não só na imprensa, mas também nas instituições.

Negando a realidade

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,exercicio-de-sobrevivencia,1714846O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,exercicio-de-sobrevivencia,1714846
Os procuradores da Lava Jato responderam à advogada da Odebrecht, Dora Cavalcanti, que acusou o juiz Sergio Moro de violar os direitos humanos de seus clientes. Para eles, a idéia de um recurso em cortes internacionais “sugere, fortemente, que os dez delegados, os nove procuradores, o juiz federal, a corte de primeira instância, os desembargadores do TRF da 4ª Região e os ministros do STJ e STF estão mancomunados para violar os direitos de seus clientes, o que é de uma total irresponsabilidade, senão desespero”. Também afirmam que a Odebrecht nega a realidade frente às provas colhidas pelos investigadores.

MINISTRO DA FAZENDA CHEGA A NOVA YORK, APESAR DA AMEAÇA DA EMBOLIA PULMONAR



O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chegou a Nova York por volta das 12h (horário local) e se dirigiu imediatamente para o hotel St. Regis para participar da reunião da presidente Dilma Rousseff com empresários brasileiros. Questionado se descumpria ordens médicas ao viajar após ter sido hospitalizado com quadro de embolia pulmonar, Levy respondeu: "Sou muito obediente. Não descumpro ordens de ninguém". O ministro disse que se submeteu a uma bateria de exames e os resultados indicaram que seu quadro clínico é bom. Ele afirmou estar se sentindo bem. "Não se chegou a identificar um quadro completo de embolia, não. Havia algumas indicações, mas fizeram os exames e deram tudo bem, como queria vir... Amanhã tem um encontro importante com os empresários, apresentando a parte de infraestrutura. Enfim, uma agenda ampla com a presidente, achei que era conveniente estar o time todo aqui", disse. Segundo ele, a recomendação médica é apenas descansar, dormir e se alimentar bem. "Vou tentar cumprir essa ordem", afirmou, rindo. Mas já descumpriu na primeira hora de viagem, ao entrar na sala de reuniões com Dilma. Inicialmente, Levy iria para os Estados Unidos com a comitiva presidencial no sábado (27), mas devido à hospitalização viajou mais tarde, em um voo comercial. Levy elogiou a redução do intervalo de variação da meta central de inflação de dois pontos percentuais para cima e para baixo em relação ao centro da meta, fixada nesta semana em 4,5% para o ano de 2017 pelo Conselho Monetário Nacional. A banda passou de 2 pontos percentuais para 1,5. "É bom, é mais uma etapa e a gente está fortalecendo o sistema de metas de inflação. Aumenta a previsibilidade da economia brasileira e isso ajuda o trabalho que a gente está fazendo", afirmou. Também deu declaração otimista quanto a viagem do governo brasileiro aos Estados Unidos: "Acho que vai ser positiva. A gente tem bastante coisa pra fazer, a economia está num momento importante, e é uma oportunidade boa. Como disse a presidente, lá em Washington, vai ser bastante positivo". O ministro afirmou que a revelação do conteúdo da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa não deve ser tema das conversas com investidores. Ele não quis comentar. "Não é da minha área", disse. Sobre o clima político no País, Levy afirmou que falará das negociações do ajuste fiscal, em especial sobre as medidas de revisão da desoneração da folha de pagamentos. O governo quer modificar no Senado o texto que fora aprovado pelos deputados. Segundo ele, o governo está mais uma vez numa situação "um pouco complicada". "Estou esperando saber o que o Senado pode fazer, porque não veio de uma maneira muito estruturada da Câmara. Alguns setores acabaram entrando com custo bastante alto. Essa é uma peça importante do ajuste. Estamos mais uma vez numa situação um pouco complicada, porque o tempo é exíguo", afirmou. De acordo com Levy, o plano do governo era contar com mudança das regras de desoneração da folha de pagamentos em junho e agora há risco de se perder mais um mês. "Vamos ver quando vai começar. Esse foi um elemento grande de atraso. Você sabe que a questão de ajuste é questão de tempo. Quando atrasa, você tem que encontrar alternativas. Vamos ver o que dá para fazer no Senado", disse. O ministro afirmou que o encontro com investidores na segunda-feira (29) servirá para o governo falar sobre as perspectivas da economia, mas também para "ouvir". "O Brasil está passando por um ajuste, que não é somente fiscal, é um ajuste para voltar a ser competitivo. As discussões serão como podemos desenvolver isso junto com parceiros do País. E estamos ouvindo sentimentos, preocupações, visões. Muitos [dos investidores e empresários] têm negócios em diversos locais do mundo e podem trazer informações importantes e estratégicas", disse. Entre os executivos no encontro, 25 ao todo, estão Carlos Fadigas, presidente da Braskem -cujos maiores acionistas são Petrobras e Odebrecht, investigadas pela Operação Lava Jato-, André Gerdau, presidente do grupo de mesmo nome e Wesley Batista, do grupo JBS. O objetivo do encontro é discutir formas de ampliar o investimento das companhias, entre elas as principais multinacionais do país, no mercado norte-americano. Desde o ano passado, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de manufaturados.

Bancos da Grécia não abrem nesta segunda-feiras e saques devem ser restritos

O governo da Grécia anunciou o fechamento dos bancos nesta segunda-feira (29) e medidas de controle de capital, ou seja, restrições para transações financeiras. A medida foi a saída encontrada neste domingo (28) pelo governo para evitar a insolvência dos bancos na véspera do possível calote de € 1,6 bilhão no Fundo Monetário Internacional. "Todos os depósitos, salários e aposentadorias estão garantidos", disse o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, do partido de esquerda Syriza. Ele pediu "paciência" à população e não deu muitos detalhes das restrições bancárias, que devem incluir limite de saques. O fechamento dos bancos pode ser estendido durante a semana, dependendo do rumo das negociações com os credores. Pelo menos € 5 bilhões foram sacados em 15 dias e jornais gregos relatam grandes filas em caixas eletrônicos neste fim de semana. O fechamento dos bancos ficou inevitável depois de o Banco Central Europeu informar neste domingo (28) que não vai aumentar o fundo de assistência emergencial às instituições bancárias. A ajuda, chamada de "ELA" (assistência de liquidez de emergência), serve para os bancos gregos reporem os recursos retirados pela população. Sem esse recurso, os bancos podem ficar sem dinheiro. O governo espera que o BCE mude de idéia até esta segunda-eira, para evitar que os bancos continuem fechados. A Grécia convocou para o dia 5 de julho um plebiscito sobre a negociação com os credores (FMI e BCE), suspensa por falta de acordo depois de várias reuniões nos últimos dias. A votação, que pegou os líderes europeus de surpresa, pode abrir caminho para o país deixar a zona do euro e agravar sua crise econômica. Para evitar o calote no FMI nesta terça-feira (30), a Grécia quer desbloquear o acesso a € 7,2 bilhões, última parcela do socorro de € 240 bilhões recebido do FMI e do BCE desde 2010. As negociações foram suspensas depois que a Grécia anunciou a consulta popular. Os credores exigem mais cortes de gastos e reforma profunda na Previdência. A Grécia fez uma proposta de ajuste de € 7,9 bilhões que não foi aceita. Eleito em janeiro sob a bandeira contra medidas de austeridade, Tsipras vive o dilema de topar um acordo que contradiz seu discurso de campanha ou levar o país a um caminho cada vez mais distante da zona do euro. O premiê faz uma aposta de risco político: se a população optar pela negociação, Tsipas vai, em tese, aceitar algo, segundo suas palavras, "humilhante" para a Grécia. O governo grego rejeitou na sexta-feira uma última oferta dos países da zona do euro de prorrogar por mais cinco meses a dívida em troca de receber uma ajuda de € 16,3 bilhões. O novo socorro dependeria, no entanto, de a Grécia concordar com as reformas. Duas pesquisas divulgadas por jornais da Grécia neste domingo (28) apontam que a maioria da população é a favor de um acordo com os credores e, consequentemente, da permanência na zona do euro. Os dois levantamentos foram feitos entre quarta (24) e sexta-feira (26), em meio às negociações com os credores e antes do anúncio do governo de uma consulta popular no dia 5 de julho sobre o tema. O Parlamento do país aprovou na madrugada deste domingo a realização da votação. Segundo pesquisa do jornal "Proto Thema", feita pelo instituto Alco, 57% defenderam um acordo com os credores para o país continuar no bloco da moeda única e 29% responderam preferir um rompimento. Ao todo, mil pessoas foram ouvidas. Já o jornal "To Vima" divulgou pesquisa do instituto Kapa com 1.005 entrevistados em que 47,2% são favoráveis a uma solução dentro da zona do euro e 33% votaram contra (18% estavam indecisos).

Lula mobilizou ministro do TCU contra… o governo Dilma! Ação é parte de sua tentativa de se descolar do governo

Vejam isto.

Lula sabotador
No dia 4 de março, escrevi um post em que afirmava que Lula era o principal agente sabotador do governo Dilma. Voltei ao ponto no dia 27 de maio. 
Leio em reportagem de Marina Dias, na Folha, que o Babalorixá de Banânia, em pessoa, estimulou José Múcio Monteiro, o ministro do TCU que é o relator das contas do governo Dilma, a cobrar explicações sobre as pedaladas fiscais. Múcio foi líder de Lula na Câmara e depois ministro das Relações Institucionais. Quando o ministro se manifestou sobre as manobras contábeis, muita gente estranhou. Houve até quem comentasse que o ex-conservador, convertido ao lulismo, já estava mudando de barco. Parece que a coisa não era bem assim.
Sim, é claro que as pedaladas existiram e que Dilma tem de se explicar. Mais: pedisse Lula a Múcio ou não que enroscasse com as contas, o ministro tinha o dever funcional de fazê-lo. Mas que tenha estimulado… Ah, meus caros, aí é sabotagem da brava mesmo.
Não é a primeira vez que ele puxa o tapete de Dilma, mas é, sim, a primeira que o faz por puro sentimento de vingança. Lula comandou a reação dos petistas ao ajuste fiscal e à terceirização e estimulou as alas sindicais do partido a votar pelo fim do fator previdenciário. Vá lá: ainda que estivesse sabotando Dilma, pode-se argumentar que ele estava tentando recuperar um pouco do espírito do velho petismo.
Nesse caso da pedalada, é diferente. O PT não ganha nada com isso. A sugestão não serve de grito de guerra a unir as esquerdas. Então pra quê? Ora, isso faz parte do esforço de se descolar do governo, procurando circunscrever as dificuldades de Dilma à sua própria gestão. Segundo informa a Folha, ao perceber que a questão tomou uma proporção muito maior do que um simples susto, Lula recuou. Mas o estrago já estava feito.
O Poderoso Chefão do petismo também estimula a formação de uma frente de esquerda. Neste sábado, reuniram-se em São Paulo partidários do PT, do PSOL e do PCdoB e representantes de movimento sociais. Segundo consta, trata-se de uma tentativa de articular uma reação ao suposto avanço de forças conservadoras no país. Na prática, é Lula tentando viabilizar a sua candidatura em 2018, descolado tanto quanto possível de Dilma — na hipótese, claro!, de que ela fique até o fim, coisa na qual muita gente não aposta.
Ora, criada tal frente, é claro que um dos alvos acabará sendo o próprio governo. Eis aí: o criador agora quer matar a sua criatura. Por Reinaldo Azevedo

EMPREITEIRAS MULTIPLICARAM OS LUCROS NA ERA PT

Empreiteiras enroladas na Lava Jato fizeram “milagre de multiplicação” de lucros durante os governos do PT. Através de transferências diretas de grana pública e financiamentos ‘camaradas’ do BNDES o lucro da maior das empreiteiras do cartel do Petrolão, a Odebrecht, passou de R$ 550 milhões em 2006, no governo Lula, para R$ 11,4 bilhões em 2014, no governo Dilma; um aumento de mais de 2000%. A Queiroz Galvão tem muito a agradecer aos governos do PT: desde 2006 passou de R$ 423 milhões de lucro para R$ 1 bilhão em 2012. A Camargo Corrêa, que lucrava R$ 1,1 bilhão em 2005, passou, em 2014, a mais de R$ 4,7 bilhões por ano. Tudo nos governos do PT. A Andrade Gutierrez, maior doadora da campanha de Dilma, passou de R$ 238 milhões de lucro líquido em 2011 para R$ 444 milhões em 2014. Após tantos anos de lucros bilionários, os presidentes das Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão estão presos.

Policia Federal aponta o governador petista Fernando Pimentel como chefe de organização criminosa



(Época) Sexta-feira, 15 de novembro de 2013. José Dirceu, José Genoino e outros petistas iam presos pelo escândalo do mensalão. O Brasil fervia. Mas uma estrela do PT estava serena. O então ministro Fernando Pimentel, amigo próximo da presidente Dilma Rousseff e hoje governador de Minas Gerais, tirava uns dias de folga do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Às 9h55, Pimentel e sua namorada, Carolina Oliveira, decolavam do hangar de Brasília com destino à Bahia. O jatinho era do empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, amigo de Pimentel e suspeito de lavagem de dinheiro. Enquanto petistas históricos iam presos, Pimentel ia com a namorada para o Kiaroa Resort, na Península de Maraú, ao sul de Salvador. O bangalô master do resort era um luxo. Duas piscinas privativas, enxoval de algodão egípcio e travesseiros de pluma de ganso. No feriadão, o casal comprou boné, tomou cinco caipiroskas com vodca Absolut, comeu dois pratos de camarão à provençal, duas tapiocas, moqueca e mandioca frita. O weekend custou R$ 12.127,50. Bené pagou. A nota fiscal é apenas uma das fartas provas obtidas pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Acrônimo, que coloca Pimentel no topo da cadeia de comando de um esquema que envolve contratos públicos, consultorias de fachada – e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. 


O feriado que Pimentel passou na Bahia com a namorada é uma amostra do esquema que a Polícia Federal desbaratou, em outubro do ano passado, depois de uma batida pegar Bené e outros empresários com R$ 113 mil em um avião. Bené é apenas um intermediário. Nas palavras de um investigador, ele tem tudo para ser um “Marcos Valério de estimação”. O centro da Operação Acrônimo é Fernando Pimentel e o principal foco é o BNDES. A PF descobriu que Carolina Oliveira mantinha uma empresa com apenas um funcionário e, mesmo assim, fez fortuna. Em comum, todos os clientes de Carolina Oliveira têm negócios diretos ou indiretos com o BNDES, banco subordinado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que seu marido, Pimentel, chefiava. Segundo a PF, o casal pode ser enquadrado em três crimes: corrupção passiva, participação em organização criminosa e lavagem de capitais. “O atual governador Fernando Pimentel, enquanto ocupou o cargo de ministro e em razão daquela condição, recebeu vantagem financeira indevida, no valor de R$ 299.882,05, da Diálogo Ideias e Pepper Interativa, esta última pessoa jurídica que foi contratada e recebeu valores do BNDES, por meio de contratação simulada da empresa de titularidade da companheira de Fernando Pimentel”, diz um trecho do relatório da PF. A Pepper recebeu cerca de R$ 500 mil do BNDES entre 2013 e 2014. E deu para Carolina R$ 236.882,05 no mesmo período. A PF levantou a suspeita de que, na verdade, a mulher de Pimentel pode ser sócia oculta da Pepper, “condição esta que deveria ser escamoteada em razão do recebimento de valores pela Pepper do BNDES”. No apartamento que o casal mantinha em Brasília, a PF descobriu uma tabela que trazia o nome de Carolina e seu número de celular – o que significava que a planilha havia sido escrita por uma terceira pessoa. O título era “Planilha de Acompanhamento dos Pagamentos”. O frigorífico Marfrig aparece com valores de R$ 595 mil, referentes a novembro de 2011 a abril de 2012. O grupo Casino, que controla a rede Pão de Açúcar, é marcado com R$ 362.868,20, entre abril e julho de 2012, como ÉPOCA revelou na quinta-feira. Ambos tiveram negociações com o BNDES. “É razoável inferir-se que pode ter havido simulação de contratação da Oli Comunicação (empresa de Carolina) e pelo grupo Casino e pelo Marfrig, a fim de repassar valores, que, em última análise, poderiam ter como destinatário o então ministro”, escreveu a PF em seu relatório. 

PF rastreia vôos de Lula, o vendedor de pacotes de facilidades (lobby, BNDES, etc.) para as empreiteiras do Petrolão


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acomodava-se no Gulfstream G200, avião executivo com altura de cabine de quase 2 metros, naquele 21 de maio de 2011. O jatinho é um dos maiores de sua classe, a executiva. Tem mesa de reunião, acabamento em madeira de lei e pontos USB para laptops. A viagem de cerca de 5.000 quilômetros do Panamá a São Paulo aconteceu na aeronave prefixo PR-WTR. Lula não estava sozinho. Voava ao lado do lobista da Odebrecht Alexandrino Alencar (ao fundo, de gravata), preso recentemente na Operação Lava Jato, acusado de ajudar a empreiteira a operar as propinas do petrolão no Exterior. Alexandrino pediu demissão na semana passada de seu cargo na Odebrecht e teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Sergio Moro. Em seu despacho, Moro escreveu: “Além das provas em geral do envolvimento da Odebrecht no esquema criminoso de cartel, ajuste de licitações e de propina, há prova material de proximidade entre Alberto Youssef e Alexandrino Alencar”. Naquele dia de maio de 2011, Lula passou pelo sistema de migração da Polícia Federal às 7h07; o lobista, quatro minutos depois. Estavam juntos, como juntos estavam em mais aventuras do que admitem até hoje. ÉPOCA obteve um relatório da Policia Federal com as entradas e as saídas do Brasil de Lula e do lobista Alexandrino, entre 2011 e o início deste ano. Há a comprovação de duas viagens da dupla, que já haviam sido noticiadas (para Cuba e para Guiné Equatorial), e a revelação de que ambos estiveram juntos em mais quatro ocasiões (nessa viagem para o Panamá; numa outra para Colômbia, Peru e Equador; numa terceira para Portugal; e numa quarta para a África, passando por Angola e Gana). Além de atestar que a relação de Lula e Alexandrino era muito próxima, as planilhas da Polícia Federal permitem, pela primeira vez, conhecer o sistema Uber particular de Lula – quem banca e como viaja o ex-presidente pelo mundo afora. São 78 trechos internacionais. As planilhas não identificam destino e origem das viagens. Mas apontam quem são os donos das aeronaves: em alguns casos, empreiteiras, bancos, importadores e companhias têxteis. Em outros, empresas alugando jatinhos de companhias de táxi-aéreo. As viagens de Lula e Alexandrino não foram ocasionais. Os dois são amigos. Depois das viagens que faziam juntos, costumavam se cumprimentar com afetuosos beijos no rosto. Na sala de Alexandrino, na sede da Odebrecht em São Paulo, uma foto com Lula dividia espaço com retratos de familiares do executivo. Quando se referia a Lula, Alexandrino o chamava de “presidente” ou de “chefe” – deferência não dispensada nem sequer ao próprio Marcelo Odebrecht.

Tamanha era a intimidade entre os dois que Alexandrino acompanhava Lula em reuniões e eventos restritos a autoridades de Estado, mesmo quando o tour não era bancado exclusivamente pela Odebrecht. Numa excursão pela América do Sul, Lula viajou com uma comitiva de executivos da OAS, da Camargo Corrêa, da Andrade Gutierrez e da onipresente Odebrecht – todas acusadas de participar do cartel do petrolão. A viagem começou pela Colômbia: Lula embarcou em 3 de junho de 2013, às 9h41, de São Paulo para Bogotá. Lula foi a bordo do mesmo jatinho que o levara ao Panamá, dois anos antes. O lobista da Odebrecht (Alexandrino, não Lula) havia embarcado horas antes, às 7h39, para a capital colombiana. Lá, eles se encontraram com o presidente do país, Juan Manuel Santos, e participaram de encontros com empresários. Lula e Alexandrino seguiram então para o Peru, onde foram recebidos pelo então chefe de Estado, Ollanta Humala. Em fotos oficiais, o lobista da Odebrecht aparece a um passo de Lula. Os dois não param de rir. O périplo político da dupla terminou no dia 8 de junho de 2013, data em que ambos regressaram ao Brasil, em vôos diferentes. Em encontros com autoridades estrangeiras, Lula sempre defendia o interesse das empresas brasileiras em fazer negócios com o país de destino. “Por isso, a gente fazia questão de bancar as viagens dele”, disse um executivo de uma grande empreiteira antes de ser preso na última fase da Lava Jato. O investimento se mostrava certeiro. Em 13 de março de 2013, por volta das 8 horas, Lula e Alexandrino embarcaram no aeroporto de Guarulhos com destino a Nigéria, Benin, Gana e Guiné Equatorial. Quatro meses depois dessa passagem de Lula pela África, a Odebrecht ganhou um contrato de uma obra de transporte com o governo ganês, contando com US$ 200 milhões do BNDES. Em 17 de abril do mesmo ano, o presidente de Gana, John Mahama, visitou o Brasil para lançar o seu livro Meu primeiro golpe de Estado. Aproveitou para ter reuniões reservadas com Lula e representantes da Odebrecht, segundo telegramas do Itamaraty. Em alguns casos, era o próprio Lula quem decidia quando e para onde queria viajar. Em mensagens de celular enviadas em 12 de novembro de 2013, Léo Pinheiro, presidente da construtora OAS, outro amigo de Lula preso na Lava Jato, e o diretor da área internacional da companhia, Augusto César Uzeda, acertavam detalhes dos preparativos para uma viagem do petista, a quem chamam de “Brahma”. “O Brahma quer fazer a palestra dia 24/25 ou 26/11 em Santiago”, diz Léo Pinheiro. “Amanhã começamos a organizar, o avião é por nossa conta”, escreve Uzeda. No dia 26 de novembro, às 10h53, conforme o combinado, o ex-presidente passou pela imigração e, em seguida, embarcou no mesmo Gulfstream G200, alugado da Global Aviation. No Chile, ele participou do seminário Desenvolvimento e integração da América Latina. No dia 10 de dezembro de 2013, um consórcio integrado pela OAS, a sul-coreana Hyundai, a francesa Systra e a norueguesa AasJakobsen venceu a licitação para a construção de uma ponte de 2.750 metros sobre o Canal de Chacao, considerado o mais longo da América Latina, depois de apresentar a única oferta. O valor estimado do investimento da obra é de US$ 680 milhões. Numa viagem de Lula e Alexandrino para Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, em janeiro de 2013, a Odebrecht pagou, por meio de sua parceira comercial D.A.G. Construtora, R$ 435 mil para fretar uma aeronave da Líder Táxi-Aéreo, segundo revelou o jornal O Globo em abril deste ano. Em 2011, Lula incluiu Alexandrino numa viagem à Guiné Equatorial em que ia como chefe da delegação brasileira participar da Assembleia da União Africana, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo. Documentos obtidos por ÉPOCA revelam que empresas de diversos setores bancaram as viagens de Lula pelo mundo afora. Ainda no ramo das empreiteiras, no dia 5 de setembro de 2011, por volta das 11h30, o ex-presidente embarcou numa aeronave modelo Falcon 900EX Easy no aeroporto internacional do Recife. A operadora do jato é a Morro Vermelho Táxi-Aéreo, do grupo Camargo Corrêa – que, além de cobrir as despesas com o avião, doou R$ 3 milhões ao Instituto Lula e repassou R$ 1,5 milhão para a empresa do líder petista LILS Palestras Eventos e Publicidade entre 2011 e 2013. Meses antes, em fevereiro, Lula viajara a bordo de um Cessna C750, da companhia têxtil Coteminas, do empresário Josué Gomes da Silva, e embarcara num Bombardier BD-700 Global Express, pertencente à mineradora Vale, com destino a Guiné, onde participou de um evento de início das obras de reconstrução de uma ferrovia. Outros aviões de grandes empresários brasileiros também já estiveram à disposição das viagens do ex-presidente petista entre 2011 e 2014: o de Sérgio Habib, da montadora JAC Motors; o de José Seripieri Junior, dono da operadora de de saúde Qualicorp; de Jonas Barcellos, da empresa de máquinas Brasif e conhecido como o “rei dos free-shops”; Marcelo Henrique Limirio Gonçalves, fundador da Neo Química e sócio da Hypermarcas. Além deles, de Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, ex-ministro do Turismo no governo Lula e conselheiro de Administração da empresa de educação Kroton. Procurada, a Odebrecht informou que pagou as despesas das viagens do ex-presidente para Angola, Gana, Panamá, Peru, Portugal e República Dominicana. A empresa ainda disse que o ex-diretor de relações institucionais, Alexandrino Alencar, acompanhou Lula a todos esses destinos – e que o executivo “não participava de reuniões do ex-presidente, além daquelas estritamente relacionadas às palestras que o ex-presidente faria”. Além disso, a empresa confirma que fez doações ao Instituto Lula, mas não revela valores. A Camargo Corrêa, dona da Morro Vermelho Táxi-Aéreo, diz que patrocinou as palestras do ex-presidente Lula em Portugal, em setembro de 2011; em Moçambique e na África do Sul, em novembro de 2012; na Colômbia, em julho de 2013. A Vale informou que Lula fez apenas uma viagem em aeronave da empresa. A Queiroz Galvão informa que contratou Lula para três palestras na América Latina e na África em 2011 e em 2013 como uma forma de patrocinar eventos promovidos por entidades de fomento ao desenvolvimento econômico e social. “Tais contratações se deram de forma legal e declarada aos órgãos competentes. Em nenhuma dessas situações houve utilização de aeronave de propriedade da empresa para transporte do palestrante”, diz a companhia. A Brasif afirmou que cedeu ocasionalmente a aeronave para Lula, sendo algumas vezes a convite da própria empresa. O empresário Josué Gomes afirmou que, em 2011, o assunto já “foi o objeto de reportagens”. Sérgio Habib e Marcelo Henrique Limirio Gonçalves não responderam até o fechamento desta edição. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, por meio de sua assessoria, disse que Lula realizou 14 viagens entre 2013 e 2015 em sua aeronave Cessna Citation CJ3. Já a OAS disse que não vai responder às perguntas feitas por ÉPOCA. Procurado, o Instituto Lula informou por meio de sua assessoria de imprensa que tem como política divulgar as viagens do ex-presidente ao exterior. “As viagens do ex-presidente Lula ao Exterior não foram de turismo ou passeio. Foram dando palestras, falando bem do Brasil no exterior para investidores e autoridades estrangeiras, estimulando a participação de jovens na política e divulgando políticas sociais de combate à fome em eventos na África, América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia”, diz o Instituto Lula. “No caso de atividades profissionais, palestras promovidas por empresas nacionais ou estrangeiras, o ex-presidente é remunerado, como outros ex-presidentes que fazem palestras. O ex-presidente já fez palestras para empresas nacionais e estrangeiras dos mais diversos setores – tecnologia, financeiro, autopeças, consumo, comunicações – e de diversos países como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia do Sul, Argentina, Espanha e Itália, entre outros. Como é de praxe, as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem”, complementa. “A maioria das viagens do ex-presidente ao Exterior não foram pagas pela Odebrecht, que contratou palestras para empresários e convidados em países onde a empresa já atua”, reitera. Além disso, o Instituto diz que todas as doações recebidas são contabilizadas e foram pagos todos os impostos correspondentes. Conforme ÉPOCA revelou em maio, o Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República no Distrito Federal iniciou uma investigação para apurar se o ex-presidente praticou tráfico de influência internacional junto a chefes de Estado e autoridades em favor da Odebrecht, maior beneficiária dos financiamentos do BNDES no exterior. O Ministério Público Federal está analisando as relações entre o ex-presidente e a construtora baiana, sobretudo com o lobista Alexandrino Alencar. Lula está passando por uma turbulência sem fim.