quarta-feira, 24 de junho de 2015

China pode comprar 50 a 70 jatos Airbus A330


A Airbus está em conversas para vender cerca de 50 a 70 aeronaves de corredor duplo A330 para a China como parte de planos para montar uma nova planta industrial no mercado de aviação que cresce mais rapidamente, disseram fontes familiarizadas com as discussões. A Airbus está em negociações há cerca de 18 meses para montar um centro de conclusão de cabines de A330 na China, em conjunto à sua planta de montagem final do jato menor A320 na cidade portuária de Tianjin. Os acordos podem ser assinados durante a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, no dia 1o de julho a Toulouse, onde a Airbus é sediada, segundo fontes na França. A China frequentemente casa o momento de grandes compras de aeronaves com o de visitas diplomáticas, mas acordos podem ser alterados ou adiados no último minuto.

Morre o folclorista Nico Fagundes, aos 80 anos, em Porto Alegre

Nico Fagundes
Morreu nesta quarta-feira, em Porto Alegre, o folclorista Antônio Augusto Fagundes, estudioso das tradições gaúchas, aos 80 anos. Conhecido como Nico, nos últimos anos enfrentara uma série de problemas de saúde – um derrame, em 2000, e uma infecção que chegou a deixá-lo em coma, em 2010. Ele nasceu em Alegrete em 4 de novembro de 1934. Homenageou sua terra com uma música que é praticamente um hino atualmente, o "Canto Alegretense". Chegou a Porto Alegre aos 20 anos e se juntou aos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Depois de formar-se advogado – Teixeirinha, Gildo de Freitas e outras personalidades ligadas à cultura regional foram seus clientes –, Nico se especializou em História do Rio Grande do Sul e fez Mestrado em Antropologia Social. Dedicou-se a pesquisar a formação, a identidade e os costumes típicos do Sul, levando o conhecimento ao público por meio de livros, canções e, sobretudo, graças a sua atuação nos meios de comunicação. Ainda na Fronteira, aos 16 anos, já trabalhava no jornal Gazeta de Alegrete, como cronista e repórter, e na Rádio Alegrete, apresentando programas humorísticos e gauchescos. Na Capital, ingressou na redação de A Hora em 1954 e, na TV Piratini, no final daquela década. Ampliou sua atuação para o cinema e chegou a interpretar Bento Gonçalves na minissérie global "O Tempo e o Vento", exibida em 1985. Entre as suas ações para além da produção artística ou jornalística, destacam-se as fundações do Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos, do qual foi diretor durante 15 anos, e a Escola Gaúcha de Folclore, de nível superior, ligada ao Instituto de Tradições e Folclore, que funcionou durante seis anos. Em 2000, o folclorista sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Permaneceu no hospital para tratamento durante dois meses. Ao participar do júri oficial da 18ª e histórica edição de retomada da Tertúlia Musical Nativista, em Santa Maria, ele manifestou os primeiros sintomas de uma septicemia (infecção generalizada).

DONO DA EMPRESA AÉREA BRASILEIRA AZUL ASSINA COMPRA DA TAP


O brasileiro David Neeleman, presidente da companhia aérea Azul, assinou os papéis, nesta quarta-feira (24), que consolidam a compra de 61% das ações da empresa aérea portuguesa TAP. Nascido em São Paulo, Neeleman é filho de um jornalista norte-americano que foi correspondente da agência de notícias UPI na capital paulista, por isso ele tem dupla nacionalidade. Neeleman, que fechou a compra da TAP em parceria com um empresário local, Humberto Pedrosa, promete criar novas opções de linhas no Brasil e nos Estados Unidos. Como seu novo controlador é brasileiro, a TAP poderá inclusive pleitear a exploração de linhas domésticas no Brasil. Os contratos foram assinados nesta manhã, no Ministério das Finanças, em Lisboa, com a presença da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e do ministro da Economia, António Pires de Lima, que descreveu a privatização como "uma história anunciada desde finais dos anos 90”. Neeleman anunciou a decisão de comprar novos aviões, “expandir muito para os EUA”, onde pretende voar para mais dez destinos, e apostar no mercado brasileiro, com oito a dez novas rotas. E prometeu transformar o serviço a bordo da TAP no melhor da Europa. “A gente vai fazer todo o esforço para usar o capital que a gente vai colocar nessa empresa para criar uma grande empresa”, afirmou o empresário, num português carregado de sotaque americano. Acrescentou ainda que os trabalhadores – alguns dos quais fizeram greves em protesto contra a venda – vão ter “um grande orgulho nessa marca, nessa tradição de 70 anos”. Os novos controladores vão investir 354 milhões na TAP. 

"ANDRÉ", CITADO EM E-MAIL, ERA MESMO O ESTEVES, DO BTG PACTUAL

Marcelo Odebrecht e André Esteves
Um documento manuscrito, redigido por Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, dentro da prisão em Curitiba, apreendido pela Polícia Federal, menciona o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual e principal acionista da empresa Sete Brasil, dona das famosas “sondas” arrendadas pela Petrobras. As sondas, também mecionadas no bilhete, são o alvo da mensagem de Odebrecht, que pediu para “destruir email sondas”. No ultimo dia 21, a Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder, publicou exclusivamente que um e-mail do empreiteiro Marcelo Odebrecht mencionava um certo “André” e também fazia referência a um sobrepreço de US$ 25 mil por dia em um contrato de operação de sondas de exploração. O e-mail suspeito é de Roberto Prisco Ramos para Marcelo Odebrecht, Fernando Barbosa, Marcio Faria e Roberto Araújo, vários deles presos. O e-mail tem o tom de relatório: “Falei com o André em um sobrepreço no contrato de operação da ordem de $20-25000/dia (por sonda)”. Em outro trecho, o e-mail sugere “envolver” a UTC e OAS, para que não se tornem concorrentes em “afretamento e operação de sondas”.


No bilhete apreendido pela Polícia Federal, divulgado nesta quarta-feira (24), Marcelo Odebrecht pede para “destruir” o e-mail. Veja abaixo a íntegra do e-mail. Ao lado, o bilhete manuscrito por Odebrecht. 
“De: ROBERTO PRISCO P RAMOS
Para: Marcelo Bahia Odebrecht; Fernando Barbosa; Marcio Faria da Silva; Rogerio Araujo
Enviada em: Mon Mar 21 19:01:54 2011
Assunto: RES: RES: sondas
Falei com o André em um sobre-preço no contrato de operação da ordem de $20-25000/dia (por sonda). Acho que temos que pensar bem em como envolver a UTC e OAS, para que eles não venham a se tornar futuros concorrentes na área de afretamento e operação de sondas. Já temos muitos brasileiros “aventureiros” neste assunto (Schahim, Etesco…). Internamente, eu posso transferir resultado da OOG para a CNO, mas não posso fazê-lo para as outras duas; isto teria que ir dentro do mecanismo de distribuição de resultados dentro do consórcio.Meu ponto é que ele não pode ser proporcional as participações atuais, porque, sem a OOG, a equação não fecha e quem trás a OOG é a CNO. Em tempo: falei ao André, respondendo a pergunta dele, que o desenvolvimento do Operador tem que ser desde o inicio, para participar da escolha dos componentes, acompanhar a construção das Unidades, definir níveis de spare parts e, principalmente, preparar os testes e comissionamento. Ele pareceu entender".

Marcelo Odebrecht tenta queimar seu funcionário

Leiam com atenção, por favor. Em 11 de abril, publicamos a seguinte notícia:
O mercado de atestados médicos está em alta. A Odebrecht informou aos seus funcionários que "por recomendação médica, Rogério Araújo encontra-se afastado de suas atribuições por tempo indeterminado'"...
Rogério Araújo foi apontado na delação premiada de Paulo Roberto Costa como o diretor da empreiteira que lhe disse para abrir conta no exterior, a fim de receber 23 milhões de dólares de propinas.
Pois bem, no bilhete de Marcelo Odebrecht interceptado pela PF, ele também escreveu:
Pts p/ o HC (Pontos para o Habeas Corpus)
Fizemos auditoria interna e mudanças
nossa macro mas
não podemos condenar
ninguem s/ provas
mas afastamos da
Petrobras
RA: afastado licença medica"
RA é Rogério Araújo. Ou seja, a licença médica era mesmo fajuta. Ou seja, o afastamento de Rogério Araújo faz parte de uma estratégia premeditada de defesa. Ou seja, Marcelo Odebrecht está tentando queimar Rogério Araújo, como se o seu funcionário pudesse ser o único responsável pelo pagamento de propinas tanto a Pedro Barusco como a Paulo Roberto Costa.

BTG em baixa

A simples menção do nome de André Esteves no bilhete de Marcelo Odebrecht fez com que a ação do BTG Pactual terminasse o dia com desvalorização de 3,7%, segundo Geraldo Samor, da Veja. A queda só não foi pior porque o banco comprou cerca de 40% do volume negociado para amortecer o resultado negativo.

A ELEGIA DA MANDIOCA - NÃO DEIXE DE VER - É IMPAGÁVEL

Detalhes da delação do carregador de malas

Alguns pontos da delação premiada de Rafael Ângulo Lopez:
- Em um dos comprovantes de transferência internacional apresentados por ele, consta o nome VMARCHIORI, que pode ser Val Marchiori;
- Youssef utilizava telefones exclusivos para falar com Alexandrino. Rafael Ângulo Lopez levou várias vezes aparelhos enviados por Youssef para o executivo da Odebrecht usar;
- Para liberar os telefones era necessário um CPF. Youssef e Lopez buscavam CPFs de pessoas que tiveram cheques devolvidos;
- Youssef usava de 12 a 15 aparelhos ao mesmo tempo.

"Carregador de malas" do doleiro Youssef revela números de contas e recibos da propina



A Polícia Federal anexou nos autos da Operação Erga Omnes – 14ª fase da Lava Jato – uma delação premiada de Rafael Angulo Lopes, o carregador de malas de dinheiro de Alberto Youssef, em que ele detalhou como o doleiro entregava dados de contas e recebia os comprovantes de depósitos no Exterior feitos pela empreiteira Odebrecht e pela petroquímica Braskem (controlada pelo grupo) via ex-executivo Alexandrino Salles de Alencar: “Em relação a estas transferências de valores no Exterior, Youssef levava número de contas situadas no Exterior para Alexandrino e este último providenciava o depósito dos valores nas contas indicadas”. Com certeza, era um acerto de contrato de propina e de transferências de dinheiro no Exterior”, afirmou Lopes, que entregou documentos que seriam prova desses repasses. Alexandrino Alencar está preso, agora preventivamente, desde sexta-feira, 19. O delator apresentou “alguns destes comprovantes para juntada”. ”Entregou pessoalmente tais números de contas para Alexandrino, na própria Braskem. Após a transferência dos valores no exterior, também ia buscar os comprovantes das transferências internacionais (swifts)”, explicou. É a primeira vez que o termo de delação de Rafael Ângulo Lopes – que foram fechados no âmbito dos processos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) vem a público na íntegra. “Era Alexandrino quem entregava pessoalmente estes swifts”, afirmou o carregador de malas de Youssef. “Em geral era a própria Braskem que fazia trais transferências internacionais, pois isto consta de alguns dos swifts”, detalhou. Esses comprovantes eram retirados na Braskem e depois entregues ao doleiro. O delator diz ter levado “pessoalmente” número de contas “no Exterior para Alexandrino, que era conhecido entre eles como “Barba”. O delator detalhou que os números das contas controladas por Youssef eram levadas anotadas ou cópias de email, em folhas de sulfite, colocadas dentro de envelopes. O delator afirmou que ia “ao menos uma vez por mês ou a cada duas vezes no mínimo” na Braskem e na Odebrecht. Citou pelos menos de 10 a 15 vezes (visitas) que fez nas empresas, concentradas entre os anos de 2010 e 2011. O delator afirma que lembra que a partir de 2011 chegou a ir até a Odebrecht, onde Alexandrino agora se encontrava profissionalmente, e onde continuou a entregar documentos de depósitos no Exterior, com uma diferença. Destas vezes, a empreiteira não aparecia identificada nos depósitos. “Quando foi buscar swifts na Odebrecht pôde verificar que quem fazia a remessa era alguma pessoa que operava para Alexandrino”, explicou. “A Odebrecht não aparecia nos switfs.” O delator não soube identificar quem seria esse operador, mas concluiu ser alguém que trabalhava na Braskem e posteriormente na Odebrecht. “Alexandrino fazia a ligação interna e a pessoa aparecia em pouco tempo, por volta de cinco minutos”, explicou. “Por vezes Alexandrino chamava uma pessoa na frente do declarante, e dizia para ‘providenciar isto’, ou seja, realizar a transferência internacional". O carregador de malas disse ter levado documentos enquanto Youssef estava com Alexandrino em encontros em São Paulo. O delator disse saber da relação que eles ser encontravam pois o doleiro pedia que ele fizesse entregas de documentos “na Braskem , enquanto Youssef se encontrava naquele local”. “Em 2007 ou 2008 Alberto Youssef se reunia com bastante frequência com Alexandrino em restaurantes perto do escritório da Pedroso Alvarenga”, contou Lopes. “Alexandrino era conhecido entre o declarante e Youssef como ‘Barba’”, registra o termo. Lopes diz não saber o que discutiam o doleiro e o então executivo da Odebrecht, mas diz ter certeza que eram acertos de propina e transferências de dinheiro para o Exterior.

O doleiro Alberto Youssef, também delator da Lava Jato, afirmou à Justiça Federal que operacionalizou pagamentos de propinas para a Odebrecht, tendo mantido contato com os executivos Márcio Faria e Cesar Rocha. Nesse caso, o caminho percorrido pelos investigadores da Lava Jato segue outro destino: Hong Kong. São contas de titularidade das offshores RFY e DGX, nos bancos Standart Chartered e HSBC, em Hong Kong, controladas pelo doleiro Leonardo Meirelles. Alexandrino, enquanto diretor da Odebrecht, portanto sob as ordens de seu presidente, Marcelo Bahia Odebrecht, reunia-se com Alberto Youssef e José Janene para negociar pagamento de propina dirigida a grupo político que se beneficiava dos contratos firmados com a Petrobrás”, completa a Procuradoria. Um dos elementos destacados pelo Ministério Público Federal no parecer são as mensagens trocadas entre o doleiro Alberto Youssef e Alexandrino. Ex-vice-presidente de relações Institucionais da Braskem entre 2002 (quando ela foi fundada) e 2007 e depois diretor da área na Odebrecht, dona da petroquímica, o executivo seria o “interlocutor de Youssef perante a Odebrecht para negociação de favores, ou propinas, destinadas a José Janene e seu grupo”. O ex-parlamentar, morto em 2010, é a origem das investigações da Lava Jato, a partir das apurações iniciadas em 2006 sobre a lavanderia de dinheiro usada por ele para “esquentar” os recursos recebidos no escândalo do mensalão. Ex-líder do PP, era ele quem dava as ordens da cota do partido no esquema de corrupção na Petrobrás, que era comandado ainda pelo PT e PMDB. “Constitui-se Alexandrino em importante elo do esquema criminoso, de integrante da organização criminosa ligado à Odebrecht e que efetuava diretamente as transferências de valores no Exterior, nas contas indicadas por Youssef e por Paulo Roberto Costa, posteriormente entregando os comprovantes”, registra a força-tarefa. 

MORO DECRETA A PRISÃO PREVENTIVA DO DIRETOR LOBISTA ALEXANDRINO ALENCAR, DA ODEBRECHT


A Justiça Federal decretou nesta quarta-feira, 24, a prisão preventiva do executivo Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht. Ele foi preso em regime temporário, por cinco dias, na sexta-feira, 19, na 14ª fase da Operação Lava Jato, so suspeita de integrar cartel de empreiteiras na Petrobrás. Na decisão em que converte a temporária em preventiva do executivo, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, alerta para “o risco de que Alexandrino se junte ao outro subordinado da Odebrecht, Bernardo Schiller Freiburghaus, para destruir provas e refugiar-se, no Exterior, da Justiça brasileira”. Bernardo Freiburghaus é apontado pela Polícia Federal como doleiro que operava propinas para a maior empreiteira do País, cujo presidente, Marcelo Odebrecht, também está preso. Nesta terça-feira, 23, Alexandrino pediu demissão do cargo que ocupava na Odebrecht. “O recente pedido de demissão dele da Odebrecht não altera o quadro. Seria significativo se tivesse ocorrido meses atrás, com as primeiras notícias do envolvimento da Odebrecht no esquema criminoso, pois, aí sim, poderia significar um rompimento de fato entre o investigado e a empresa e suas práticas criminosas”, afirma Moro. “Formular o pedido de demissão após a prisão temporária é um mero estratagema para evitar a preventiva”, argumenta o juiz: “Como já havia adiantado na decisão anterior, não reputo o mero afastamento do cargo medida suficiente para prevenir os riscos que a preventiva busca evitar, pois parte dos executivos é também acionista e, mesmo para aqueles que não são, é na prática impossível, mesmo com o afastamento formal, controlar a aplicação prática da medida, máxime quando há prova, em cognição sumária, de que a Odebrecht utiliza-se, para a prática dos crimes, de empresas e contas de fachada, movendo-se no mundo das sombras". “Como consignei na decisão anterior e acima, a única medida alternativa eficaz à preventiva seria suspender todos os contratos públicos da Odebrecht e proibir novas contratações com o Poder Público, hipótese atualmente não cogitável considerando os danos colaterais a terceiros". 

Juiz Sérgio Moro diz que a Odebrecht não quer reconhecer a sua responsabilidade


Em decisão que decretou a prisão preventiva do executivo Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht, o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, afirma que o comunicado distribuído no início da semana pela empreiteira contestando as prisões de seus dirigentes – entre eles, o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht -, "reforça a convicção deste Juízo acerca da necessidade, infelizmente", da medida. Para Moro, a maior empreiteira do País não quer reconhecer sua participação no suposto cartel que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014. “A Odebrecht, com todos os seus amplos e bilionários recursos e com equivalente responsabilidade política e social, não tem qualquer intenção de reconhecer a sua responsabilidade pelos fatos, o que seria um passo necessário para afastar o risco de reiteração das práticas criminosas”, aponta Moro. O magistrado classificou o comunicado de "inusitado". Em pronunciamento publicado na segunda-feira, 21, nos principais jornais do País, a Odebrecht negou ter participado de qualquer cartel na Petrobrás. “Não há cartel num processo de contratação inteiramente controlado pelos contratantes, como ocorre com a Petrobrás, onde a mesma sempre definiu seus próprios orçamentos e critérios de avaliação técnico-financeiro e de performance”, afirmou a empreiteira. O grupo considerou ainda uma afronta aos princípios básicos do Estado de Direito a sustentação de prisão para evitar a reiteração criminosa “por não terem as autoridades competentes proibido a Construtora Norberto Odebrecht de contratar com a Administração Pública, principalmente no que concerne o último pacote de concessões, que no momento é apenas um conjunto anunciado de intenções”. O texto justificou que a “Controladoria Geral de União, a Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça afirmaram publicamente que as empresas somente podem sofrer restrições para contratar com a Administração Pública após julgadas e condenadas com observância do devido processo legal". Para o juiz Sérgio Moro, porém, a empreiteira "tenta confundir". “Relativamente ao conteúdo do inusitado comunicado, é certo que a empresa tem o direito de se defender, mas fazendo-o seria recomendável que apresentasse os fatos por inteiro e não da maneira parcial efetuada, em aparente tentativa de confundir, valendo-se de seus amplos recursos financeiros, a opinião pública e colocá-la contra a ação das instituições públicas, inclusive da Justiça”, sustentou Moro. Entre as provas que levaram à prisão do presidente da Odebrecht está uma troca de e-mail entre um executivo, ele e três dirigentes da empreiteira. Para os investigadores da Lava Jato, o documento apreendido na sede da Odebrecht em novembro de 2014 indica que Marcelo Odebrecht sabia e tinha poder de decisão no esquema de sobrepreço em contratos de afretamento e operação de sondas. A mensagem eletrônica faz referência à colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia no contrato de operação de sondas. O comunicado da empreiteira explicou que o termo “sobrepreço” citado em e-mail de 21/03/2011 entre executivos era expressão de remuneração contratual que a Odebrecht Óleo e Gás, como operadora de sondas, propôs à Sete Brasil, do termo em inglês “cost plus fee”, tido como “usual de mercado”. Moro é taxativo. “Em outro ponto relevante, relativo a mensagem eletrônica com referência a “sobrepreço em sondas”, chega-se ao extremo de sugerir falsamente que este Juízo teria omitido deliberadamente em sua decisão parte das provas, o que não faz qualquer sentido, já que o material probatório em questão encontra-se disponível nos autos no laudo policial por ele reportado". “Ademais, apesar da explicação apresentada no inusitado comunicado de que “sobrepreço” representaria o lucro da empreiteira acima do custo (!?), no restante das mensagens eletrônicas pertinentes, não há qualquer nova utilização do termo “sobrepreço” ou do termo “cost plus free” que, segundo o comunicado, ele representaria. De todo modo, como consignei na decisão anterior, o significado real do termo e da própria mensagem eletrônica serão objeto da instrução criminal, sem a possibilidade de conclusão no momento".

Chega ao STF o processo contra o presidente do Corinthians e Andrés Sanchez

Chegou na terça-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) processo movido pelo Ministério Público Federal contra quatro dirigentes do Corinthians: o presidente Roberto de Andrade, o vice-presidente André Negão, o superintendente de futebol e deputado federal Andrés Sanchez e o ex-diretor financeiro Raul Corrêa. O quarteto é acusado de crimes contra o patrimônio e apropriação indébita previdenciária por não recolher impostos corretamente. O processo tem 588 folhas e será julgado pelo ministro Luiz Roberto Barroso. No ano passado, a Justiça federal aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal e o valor do débito, incluindo juros e correção monetária, era de R$ 94,3 milhões. O clube não teria pago impostos referentes aos vencimentos de funcionários, empresas terceirizadas e prestadores de serviço. A diretoria do Corinthians, então, anunciou que foi feito um acordo com um plano de pagamento parcelado.


O clube desembolsou R$ 15 milhões à vista e parcelou o restante durante 15 anos, com parcelas mensais de aproximadamente R$ 450 mil. "Estamos cumprindo o acordo e pagamos religiosamente todo o mês o que foi acertado desde o ano passado. Não atrasamos nenhum dia. Por isso, me causa surpresa saber que o processo está agora no STF", disse o diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovezan. Apesar de o débito ter sido negociado e parcelado pelo clube, os dirigentes terão de responder penalmente pelas acusações. Se condenados, os envolvidos podem ser condenados a até dois anos de detenção e pagamento de multa.

Governo da petista Dilma quer usar conjunto do Minha Casa Minha Vida na Olimpíada do Rio de Janeiro

O governo da presidente petista Dilma Rousseff, aquela que faz elogio da mandioca, quer hospedar jornalistas, árbitros e o restante do staff da Olimpíada do Rio, em 2016, nas moradias de um dos empreendimentos cariocas do Minha Casa Minha Vida. A equipe dos Jogos usará as casas do programa de habitação popular antes mesmo de os beneficiários escolhidos receberem as chaves dos novos apartamentos. A Vila de Mídia, que está sendo construída na Baixada de Jacarepaguá, é formada por 66 prédios de cinco andares, num total de 1.320 unidades habitacionais com 45 metros quadrados cada uma. A previsão de entrega do conjunto para o comitê olímpico é fevereiro de 2016. Para abrigar parte dos 25 mil jornalistas credenciados para a cobertura dos Jogos e dos 8 mil funcionários que trabalharão nas instalações olímpicas, foram feitas adaptações no modelo que é sempre usado nas moradias do Minha Casa Minha Vida. Não houve alteração da área construída, mas no primeiro momento cada um dos apartamentos terá dois quartos, dois banheiros e sala (sem cozinha e área de serviços). Depois dos Jogos, que vão ocorrer de 5 a 21 de agosto de 2016, as casas voltarão para a construtora Novo Lar, que fará modificações para revertê-las à planta básica da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, destinada às famílias que ganham até R$ 1,6 mil por mês. Os apartamentos voltarão a ter dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviços. O governo federal estima gastar R$ 99 milhões na construção desse empreendimento. Segundo o Ministério das Cidades, as adaptações que serão necessárias já foram incluídas no contrato com a construtora. A prefeitura do Rio de Janeiro pagou R$ 19 milhões pela desocupação do terreno, de 43 mil metros quadrados, na Estrada do Engenho d’Água, bairro do Anil, onde funcionava um antigo centro de distribuição de bebidas. A idéia original era construir as acomodações da Olimpíada na Zona Portuária. Quando o empreendimento estiver com a metade construída, a prefeitura do Rio de Janeiro apresentará a lista dos beneficiários que devem ser contemplados com os novos apartamentos depois dos Jogos. Para ter o amparo legal, a Casa Civil incluiu uma emenda no projeto de lei que reduz a desoneração da folha de pagamento, prática conhecida como “contrabando”, por ser alheia ao teor da matéria de que trata à proposta. “É facultada a cessão de uso de imóveis habitacionais de propriedade ou posse da União ou integrantes do patrimônio de fundos geridos por órgãos da Administração Federal Direta ou Indireta, para atividades relacionadas à realização dos Jogos Rio 2016, na forma regulamentada pelo Poder Executivo”, diz o texto. Na mesma redação foram incluídos outros itens que tratam da Olimpíada, entre eles um dispositivo que desobriga a União de cobrir déficits do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Embora o governo afirme que quer aprovar a proposta ainda nesta semana, a falta de quórum por causa das festas de São João, que desmobilizam principalmente a bancada do Nordeste, apontam para um adiamento. 

TRF4 nega habeas corpus a dois executivos da Andrade Gutierrez presos na Operação Lava Jato


O desembargador federal João Pedro Gebran Neto, que responde pelos processos da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), negou hoje (24/6) habeas corpus a dois executivos da Andrade Gutierrez presos na 14ª fase da operação. O presidente da empreiteira, Otávio Marques Azevedo, e o diretor-executivo Elton Negrão de Azevedo Júnior, presos preventivamente na última sexta-feira (19/6), seguirão detidos na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. A defesa de Otávio Azevedo impetrou habeas corpus no tribunal ainda na sexta-feira argumentando que a Andrade Gutierrez tem corpo diretivo próprio, estando o seu cliente afastado nos últimos anos das questões referentes à construção civil. Segundo os advogados, Azevedo tem se dedicado a tratar da fusão entre a Oi e a Portugal Telecom. Sobre a venda do barco a Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, acusado de ser operador do PMDB, que segue preso, sustentam que a operação foi legal e lícita, tendo sido declarada à Receita Federal. A defesa de Elton Negrão, diretor-executivo da Andrade Gutierrez, argumenta que as atividades empresariais apontadas no decreto de prisão preventiva são de 2008, não se justificando a prisão preventiva por tratar-se de fato “antigo”. Alegam ainda que não foram descritas as condutas pelas quais Negrão estaria sendo detido. Segundo o desembargador, a prova anexada aos autos pela Polícia Federal indica a clara proximidade entre os representantes da empreiteira e os conhecidos intermediários, como Fernando Soares e Mário Góes, com a utilização de contas no Exterior para lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a agentes públicos. “Não só a proximidade dos conhecidos personagens, mas também a materialidade dos delitos estão devidamente destacadas na decisão do juiz Sérgio Moro”, afirmou Gebran. O magistrado afirmou que os depoimentos, embora de delatores, são válidos e não podem ser desmerecidos. “O modus operandi utilizado pelos representantes do grupo foi relatado por Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, ex-servidores da Petrobras, e, ainda, pelo intermediador Alberto Youssef, um dos encarregados de branquear os ativos ilicitamente obtidos”, avaliou. Gebran frisou que não são só os depoimentos dos delatores que reforçam os indícios da participação de Otávio Marques de Azevedo e de Elton Negrão no esquema criminoso. “Cabe referir que o fato de os presos serem presidente e diretor da Andrade Gutierrez é indiciário de que, ocupando cargo de tamanha importância, tivessem ciência dos fatos ilícitos que vinham ocorrendo na empresa”, afirmou o magistrado. “Tenho entendido que, no caso de grupos criminosos complexos e de grandes dimensões, a prisão cautelar deve ser reservada aos investigados que, pelos indícios colhidos, possuem o domínio do fato - como os representantes das empresas envolvidas no esquema de cartelização - ou que exercem papel importante na engrenagem criminosa”, escreveu Gebran em sua decisão. Os processos são os seguintes: HC 5023092-45.2015.4.04.0000/TRF e HC 5023116-73.2015.4.04.0000/TRF.

Uruguai bloqueia os bens do ex-presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo, preso na Suiça

As autoridades uruguaias bloquearam nove propriedades de Eugenio Figueredo, ex-vice-presidente da Fifa que se encontra preso na Suíça, como parte de uma investigação judicial sobre fraude e lavagem de dinheiro, em um caso separado das acusações de corrupção que enfrenta nos Estados Unidos e pelas quais foi preso e aguarda extradição. O bloqueio das propriedades de Figueredo no Uruguai, que têm um valor estimado em mais de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 15,5 milhões), foi emitido pela juíza Adriana de los Santos, confirmou nesta quarta-feira o procurador contra o crime organizado Juan Gómez. 


"É uma medida de precaução para o fim de assegurar que esses não sejam repassados, com o entendimento de que eles poderiam ser apreendidos se for comprovado o crime de lavagem de dinheiro", disse Gómez. É o segundo revés judicial que Figueredo, preso na Suíça enquanto se avalia um pedido de extradição para os Estados Unidos, sofre no Uruguai nas últimas semanas. Em 8 de junho, um tribunal de apelações negou um recurso apresentado pelos seus advogados em que eles defendiam que a Justiça uruguaia não tinha competência para julgar contratos de transmissão de eventos pela TV assinados no Paraguai quando ele presidiu a Conmebol. Figueredo foi indiciado em dezembro de 2013 por oito clubes da primeira divisão e pelo sindicato dos jogadores profissionais do Uruguai por supostas irregularidades em contratos de transmissão das Copas Libertadores e Sul-Americana que assinou como presidente da Conmebol, cargo que ocupou entre 2013 e 2014. Segundo a denúncia, a Conmebol rejeitou ofertas de empresas que pagariam mais para transmitir estes torneios de clubes. Os atuais contratos de transmissão da Conmebol são com a empresa argentina TyCSports. De acordo com a denúncia, as ofertas superiores rejeitadas foram da Global Sports, de propriedade do empresário uruguaio Francisco Casal. Uma das empresas matrizes da TyCSports é a Torneos y Competencias, cujo ex-presidente Alejandro Burzaco foi indiciado nos Estados Unidos por ter pago milhões de dólares em subornos a dirigentes da Conmebol, incluindo Figueredo, em troca dos direitos de transmissão da Copa América. Burzaco recentemente se entregou às autoridades na Itália e aguarda a extradição para os Estados Unidos.

JUSTIÇA AMERICANA CONDENA À MORTE O TERRORISTA RUSSO ISLÂMICO DA MARATONA DE BOSTON

O checheno Dzhokhar Tsarnaev, um dos autores do atentado na Maratona de Boston, falou publicamente pela primeira vez sobre o caso nesta quarta-feira, 24, e pediu desculpas para as vítimas e para os sobreviventes do ataque, em abril de 2013. Tsarvaev, de 21 anos, foi ouvido antes de um juiz federal o sentenciar formalmente à pena de morte. Falando em inglês, mas com sotaque russo, Tsarnaev disse que escutou a todos que falaram durante o julgamento e conheceu a força, a paciência e a dignidade dos sobreviventes. Ele disse estar arrependido pelos danos irreparáveis que causou e afirmou que reza pelas vítimas. "Eu gostaria de pedir desculpas às vítimas e aos sobreviventes", disse Tsarnaev: "Eu realmente fui responsável pelo atentado". Foi a primeira vez que o jovem foi ouvido na Corte Federal de Boston, com exceção do momento em que se declarou não culpado. "Lamento pelas vidas que tomei, pelo sofrimento que causei e pelo terrível dano que eu fiz", disse Tsarnaev, aparentemente lendo a mensagem de uma declaração por escrito. "Eu sou muçulmano. Minha religião é o islamismo. Eu rezo para Alá conceder sua misericórdia sobre aqueles afetados na explosão e suas famílias. Eu rezo para que se curem". Tsarnaev também disse rezar para que Alá tenha misericórdia dele, de seu irmão e de sua família. Tamerlan, irmão mais velho de Dzhokhar que o ajudou a colocar as bombas na maratona, morreu em uma troca de tiros com a polícia dias depois do atentado. Três pessoas morreram e mais de 260 ficaram feridas em razão da explosão de duas bombas perto da linha de chegada da Maratona de Boston, em 2013. Tsarnaev também foi considerado culpado pela morte, dias depois, de um policial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Tsarnaev fez sua declaração depois de horas de depoimentos de parentes dos mortos e dos sobreviventes das explosões. "Não é possível ter alma e fazer algo tão terrível", disse Karen Rand McWatters, que perdeu uma perna no atentado. Patricia Campbell, mãe de Krystle Campbell, de 29 anos, uma das vítimas das explosões, foi a primeira a falar. Olhando diretamente para Tsarnaev e sentada a menos de 6 metros do réu, ela disse que o que ele fez foi "asqueroso": "Não sei o que te dizer. Acho que o júri fez a coisa certa". Bill Richard, cujo filho de 8 anos, Martin, foi a vítima mais nova do ataque, falou que Tsarnaev poderia ter feito as coisas diferentes se não tivesse seguido com o plano e denunciado seu irmão para as autoridades. Para Richard, no entanto, ele "escolheu o ódio, a destruição": "Escolheu a morte. Isto é tudo sua culpa".

Procuradoria da República denuncia sete agentes públicos pela morte do operário comunista Manoel Fiel Filho, em 1976

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou sete ex-agentes do aparato de repressão da ditadura militar pela morte do metalúrgico Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976. Segundo a Procuradoria da República, preso por sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), Manoel Fiel Filho foi torturado e estrangulado nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do antigo II Exército, a Operação Oban, na delegacia de Polícia de Vila Mariana, na rua Tutóia, em São Paulo. O assassinato sob tortura ocorreu poucos meses após também ter sido assassinado sob tortura, no mesmo local, o jornalista comunista Vladimir Herzog, no dia 25 de outubro de 1975. A morte de Fiel Filho levou o presidente general Geisel a destituir o general Ednardo de Mello Ávila do comando do II Exército e a desmontar o aparelho da chamada Linha Dura do Exército brasileiro. As informações sobre a denúncia foram divulgadas nesta quarta-feira. Os denunciados são acusados por homicídio triplamente qualificado e falsidade ideológica. O metalúrgico, que não tinha antecedentes criminais nem registros nos órgãos de repressão, foi detido em 16 de janeiro de 1976, sem qualquer ordem escrita ou investigação formal contra ele, sustenta a Procuradoria da República. Essa é mais uma daquelas tentativas da Procuradoria da República no sentido de tentar derrubar a Lei da Anistia, que tornou prescritos todos os crimes cometidos durante a ditadura militar, tanto pelos agentes públicos quanto pelos terroristas de esquerda. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que estes casos estão sob o abrigo da Lei de Anistia, mas as esquerdas insistem em criminalizar os agentes públicos, enquanto protegem a si mesmas dos crimes de terror que cometeram. Os agentes chegaram até o alvo devido a um depoimento de outro preso político, segundo quem o operário havia lhe entregado exemplares de uma publicação do PCB. “Levado para o DOI, Fiel Filho foi submetido a intensas sessões de tortura até o dia seguinte, quando sofreu estrangulamento e morreu". Um dos envolvidos no crime é o militar reformado Audir Santos Maciel, na época chefe do DOI, diz o texto divulgado pela Procuradoria. “Embora não tivesse comparecido à unidade militar nos dias em que Fiel Filho ficou preso, ele (Audir Santos Maciel) tinha pleno conhecimento e domínio dos fatos. Seguindo ordens de Maciel, o tenente Tamotu Nakao e o delegado Edevarde José conduziram as sessões de tortura, com o auxílio de outros agentes hoje já falecidos. Os agressores contaram também com a ajuda dos carcereiros Alfredo Umeda e Antonio José Nocete, que conduziam o metalúrgico entre a cela e a sala de interrogatório". Ainda segundo a denúncia do Ministério Público Federal, após a morte de Fiel Filho, os agentes levaram o cadáver do operário para uma cela especial, onde amarraram meias em seu pescoço e simularam um enforcamento. “Na parede, forjaram frases de arrependimento da vítima, na tentativa de tornar verossímil a versão de suicídio. Para oficializar a falsa causa do óbito, os peritos Ernesto Eleutério e José Antônio de Mello emitiram laudos nos quais atestaram a ausência de sinais de agressão, apesar dos evidentes hematomas, principalmente no rosto e nos pulsos da vítima. A família do metalúrgico só conseguiu a liberação do corpo mediante o compromisso de sepultá-lo o mais rápido possível. Fiel Filho foi velado em um caixão lacrado, sem que os parentes pudessem ver as claras marcas de violência". O Ministério Público Federal afirma que a "tentativa de dissimular o crime não foi suficiente para convencer os próprios agentes da repressão": “No dia 19 de janeiro de 1976, o comando do II Exército determinou a prisão da equipe envolvida nos interrogatórios, “considerando o método de enforcamento, que não caracteriza de maneira geral o suicídio”. A Procuradoria quer que Audir Santos Maciel, Tamotu Nakao, Edevardo José, Alfredo Umeda e Antônio José Nocete sejam condenados por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, emprego de tortura e impossibilidade de defesa da vítima. Já Ernesto Eleutério e José Antônio de Mello, devido à elaboração dos laudos forjados, foram denunciados por falsidade ideológica, ao lado de Maciel, “comandante de toda a prática delitiva”. “Destaque-se que os delitos foram cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado à população, em razão da ditadura militar brasileira, com pleno conhecimento desse ataque, o que os qualifica como crimes contra a humanidade – e, portanto, imprescritíveis e impassíveis de anistia”, escreveu o procurador federal Andrey Borges de Mendonça, autor da denúncia. O Ministério Público Federal requereu ainda que, em caso de condenação, haja a perda do cargo público dos denunciados, com o cancelamento de eventual aposentadoria ou qualquer provento de reforma remunerada de que disponham, assim como a perda de eventuais medalhas e condecorações recebidas. Ou seja, querem que os agentes públicos percam suas aposentadorias, enquanto os criminosos de esquerda gozam de suas pensões que alcançaram via a anista. 

Procuradoria da República diz que há "suficiente prova" de delito contra executivo lobista da Odebrecht, Alexandrino Alencar

O Ministério Público Federal confirmou nesta quarta-feira, 24, a necessidade de conversão da prisão temporária do executivo da Construtora Norberto Odebrecht, o lobista Alexandrino Alencar, em preventiva, solicitada pela Polícia Federal. Alexandrino Alencar é peça chave para investigadores nas apurações de propina pagas pela petroquímica Braskem – controlada pela construtora em sociedade com a Petrobrás – e no pagamento de partidos e políticos. “A análise dos autos revela a necessidade da decretação da prisão preventiva de Alexandrino de Salles Ramos de Alencar. Há suficiente prova da autoria, assim como da materialidade, de vários delitos praticados pelo investigado”, sustenta a força-tarefa da Lava Jato, em parecer apresentado ao juiz federal Sérgio Moro. Alexandrino Alencar, enquanto diretor da Odebrecht, portanto sob as ordens de seu presidente, Marcelo Bahia Odebrecht, reunia-se com Alberto Youssef e José Janene para negociar pagamento de propina dirigida a grupo político que se beneficiava dos contratos firmados com a Petrobrás”, completa a Procuradoria.


Um dos elementos destacados pelo Ministério Público Federal no parecer são as mensagens trocadas entre o doleiro Alberto Youssef e Alexandrino Alencar. Ex-vice-presidente de relações Institucionais da Braskem entre 2002 (quando ela foi fundada) e 2007 e depois diretor da área na Odebrecht, dona da petroquímica, o executivo seria o “interlocutor de Youssef perante a Odebrecht para negociação de favores, ou propinas, destinadas a José Janene e seu grupo”. O ex-parlamentar, morto em 2010, é a origem das investigações da Lava Jato, a partir das apurações iniciadas em 2006 sobre a lavanderia de dinheiro usada por ele para “esquentar” os recursos recebidos no escândalo do Mensalão do PT. Ex-líder do PP, era ele quem dava as ordens da cota do partido no esquema de corrupção na Petrobrás, que era comandado ainda pelo PT e PMDB. “Constitui-se Alexandrino em importante elo do esquema criminoso, de integrante da organização criminosa ligado à Odebrecht e que efetuava diretamente as transferências de valores no Exterior, nas contas indicadas por Youssef e por Paulo Roberto Costa, posteriormente entregando os comprovantes”, registra a força-tarefa. O pedido feito pela Polícia Federal, nesta terça-feira, 23, dentro da Operação Erga Omnes – 14ª fase da Lava Jato – será apreciado pelo juiz federal Sérgio Moro ainda hoje. ”Tem-se que a prisão preventiva de Alexandrino se justifica totalmente, pois tem amplo conhecimento das contas bancárias no Exterior e que eram empregadas no esquema criminoso, possuindo também plenas condições de ocultar não só os valores remetidos para fora do territórios nacional, como principalmente as evidências probatórias de tais condutas”, argumentam os nove procuradores da Lava Jato. Preso na sexta-feira, 19, junto com o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e outros executivos do grupo, Alexandrino Alencar pediu demissão na última segunda-feira. Para o Ministério Público Federal, o afastamento não tira o risco narrado. “Ainda que tenha Alexandrino Alencar se afastado de sua função na Odebrecht, o investigado continua com totais condições de interferir na prova, seja pelo fato de se constituir de executor destas medidas e portante deter pleno conhecimento de todas as circunstâncias que se as envolvem, seja pelo fato de que possui amplas condições financeiras para tanto". Alexandrino Alencar tinha estrita ligação, no Rio Grande do Sul, com o publicitário Alfredo Fedrizzi, um dos sócios da agência Escala, hoje uma propriedade do publicitário baiano Nizan Guanaes. Alfredo Fedrizzi era o cicerone de Alexandrino Alencar no Rio Grande do Sul. Fedrizzi é o publicitário queridinho do PT gaúcho, fez as últimas campanhas eleitorais do PT, e detém a poderosa conta publicitária do Banrisul, a maior do Estado do Rio Grande do Sul, conquistada no governo do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, após fazer sua primeira campanha eleitoral. 

"Destruir e-mail sondas", ordenou o empreiteiro Marcelo Odebrecht de dentro da cadeia da Polícia Federal em Curitiba


A Polícia Federal informou à Justiça ter apreendido, por volta de 10 horas da segunda-feira, 22, um bilhete manuscrito do empresário Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, a Odebrecht, que seria entregue a seus advogados. O bilhete, segundo a Polícia Federal, contém a expressão "destruir e-mail sondas". Nesta quarta-feira, 24, a Polícia Federal informou ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, que “como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida de segurança”. A Polícia Federal copiou o bilhete. Na noite de ontem, 23, a própria defesa da empreiteira entregou petição a Moro em que apresenta sua versão para o caso.


Segundo a Polícia Federal, uma das provas da Lava Jato que pode incriminar Marcelo Odebrecht, preso desde sexta-feira, 19, é uma troca de e-mails entre funcionários da empreiteira. A mensagem eletrônica, de 2011, faz referência à colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contrato de afretamento e operação de sondas. O e-mail foi enviado por Roberto Prisco Ramos para Marcelo Odebrecht e três executivos da empreiteira, Fernando Barbosa, Márcio Faria e Rogério Araújo, estes dois últimos também presos. A descoberta do bilhete foi comunicada à Justiça Federal pelo delegado Eduardo Mauat da Silva, que integra a força-tarefa da Lava Jato. Ele informou que na manhã de terça-feira, 23, os advogados de Odebrecht, Dora Cavalcanti e Rodrigo Sanches Rios, estiveram em seu gabinete, "os quais ponderaram que o verbo ‘destruir’ se referia a uma estratégia processual e não a supressão de provas, destacando que o documento original teria sido levado a São Paulo por outro advogado e que iriam apresentá-lo".

GOVERNO SARTORI RESOLVE PAGAR TODOS OS FUNCIONÁRIOS GAÚCHOS NO MESMO DIA 30

O secretário estadual da Fazenda do Rio Grande do Sul, deputado federal Giovani Feltes, anunciou nesta quarta-feira que o funcionalismo público gaúcho vai receber em um único dia no mês de junho. O pagamento será todo concentrado apenas no dia 30. Na verdade, o governo de José Ivo Sartori pensa levar o pagamento de todos os funcionários para o quinto dia útil do mês seguinte, como acontece nas empresas privadas. Tradicionalmente, a folha dos servidores do Estado é paga em três dias consecutivos (separados por categorias). Este mês, porém, o governo optou por esperar pelo último dia (dia 30) para conseguir arrecadar o maior volume de recursos possível. “Não teremos o calendário de três dias. O pagamento será todo no dia 30", afirmou o secretário Giovani Feltes. 

Reações a críticas marotas que Lula fez ao PT e a Dilma provam que o partido está morto. Senadores da legenda tratam Brahma como Deus e dizem que criticá-lo é uma ofensa ao país. Ou: Deveria ser o Espírito Santo, mas é o espírito de porco

Pois é… Dizer o quê? O PT está de tal sorte desarvorado que não se entende nem sobre as críticas meio marotas que Lula fez ao partido na segunda, durante uma conferência sobre democracia havida no instituto que leva o seu nome. No esforço de se descolar da crise, do governo Dilma e, creiam, também do partido, afirmou que a legenda perdeu a utopia e que os petistas só pensam em cargos e não querem mais trabalhar de graça. A muitos escapou que pregou também a ética do sacrifício: “Nós temos que definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos ou nosso projeto”. Ora, só se preocupa em salvar a pele quem sabe que, por alguma razão, ela está em risco. A fala de Lula deixa claro: petistas têm de pensar no projeto, ainda que possam perder o couro. O petista dos seus sonhos é Delúbio Soares. Lula acha que o governo Dilma o está entregando aos leões.

Na Câmara, houve algum muxoxo de desagrado, ainda que leve. José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Casa, afirmou que seria melhor que as críticas fossem feitas no ambiente partidário. Declarou ainda, segundo informa a Folha: “Só posso dizer que a perspectiva do PT no Nordeste é muito boa. Quem fica apregoando essa história de o PT estar no fundo do poço, estar no volume morto… Vamos esperar as eleições. Já vi tantas previsões feitas e não realizadas”. Rui Falcão, presidente do partido, desconversou: “Prefiro quando o Lula diz que os que acham que o PT vai acabar darão com os burros n’água”.
É bom notar que Dilma também havia comentado a fala do antecessor, que atacara o seu governo. Na conversa com jornalistas, disse: “Todo mundo tem o direito de criticar, mais ainda o presidente Lula, que é muito criticado por vocês”. Entenderam? Lula cutuca a presidente, e a presidente cutuca a imprensa. Que sentido isso faz? Não faz.
Mas a reação destrambelhada, ultrapassando a linha do absurdo, saiu mesmo da bancada do partido no Senado, que houve por bem emitir até uma nota. Eu a reproduzo na íntegra no pé deste post. Há tempos não se via tamanha coleção de asneiras.
Para os senadores do PT, Lula só criticou o partido por culpa dos… adversários da legenda. Nem a URSS de Stálin produziria algo parecido sobre o seu líder. O panegírico rivaliza com as peças mais grotescas produzidas na Coreia do Norte, onde se cultua como fato histórico que uma estrela nunca antes vista iluminou o céu no dia em que nasceu Kim-Il-sung, o primeiro ditador, avô do anão tarado que governa o país, Kim Jong-un. Creio que não teremos a glória de ser governados por Lulinha e depois pelo neto do Lulão.
Segundo os senadores petistas, Lula está acima das circunstâncias históricas e é “o rosto do Brasil no mundo”. O homem carinhosamente chamado de “Brahma” pelos empreiteiros — e os senadores preferem não tocar no tema “petrolão” — seria “uma afronta às elites que sempre apostaram num Brasil para poucos, num Brasil de exclusão e de desigualdades.”
O culto à personalidade vai longe. Para a turma, o ex-presidente é hoje alvo de desrespeito. Está lá: “Desrespeitar Lula é desrespeitar o povo brasileiro, pois sua ascensão pessoal se confunde com a ascensão social e política da nossa população antes excluída”. Ou por outra: antes da chegada de Kim-jong-lula ao poder, não havia país.
O endeusamento convive com a vitimização — essas coisas sempre andam juntas. Diz o manifesto: “No vale-tudo contra Lula, vale até mesmo usar o recurso torpe de expor seu defeito físico, o que revela incurável defeito de caráter”. Como?
Embora Lula tenha descascado o partido, escrevem os senadores:
“A bancada do PT no Senado manifesta sua total e irrestrita solidariedade ao grande presidente Lula, vítima de campanha pequena e sórdida de desconstrução de uma imagem que representa o que o Brasil tem de melhor: sua gente”.
Faltasse uma evidência de que o PT está morto, há agora essa carta. É claro que isso não é um manifesto de um ente disposto a entender uma nova realidade que vai se desenhando no país. No passado, um texto como esse inflamaria muita gente. Hoje, passa apenas como um emblema do patético.
Leiam a íntegra da carta. Os religiosos, por favor, segurem, como segurei, a tentação de cair de joelhos e virar o rosto para não se deixar cegar pela sarça ardente. Deus, finalmente, está entre nós. Não é o Filho, não! É o Pai mesmo. E, quem diria?, realmente tem barba e cabelos brancos. Pelo visto, o PT deveria ser o Espírito Santo dessa Santíssima Trindade herética. É uma pena para o país que tenha se revelado um verdadeiro espírito de porco. Segue a maluquice.
*
Luiz Inácio Lula da Silva, nosso querido Lula, é uma das raras e fantásticas lideranças que conseguem transcender os limites de sua origem social, de sua cultura e do seu tempo histórico. Ele figura no rol escasso dos líderes que rompem os limites, mudam a realidade, fazem a diferença na vida das pessoas, fazem História.
Lula se fez contra os terríveis limites históricos, econômicos, sociais e políticos que lhe foram impostos. É aquela criança pobre do sertão nordestino que deveria ter morrido antes dos cinco anos, mas que sobreviveu. É aquele miserável retirante que veio para São Paulo buscar, contra todas as probabilidades, emprego e melhores condições de vida, e conseguiu.
Lula é aquele candidato que não deveria ter vencido as eleições, mas venceu. Lula é aquele eleito que não deveria ter tomado posse, mas tomou. Lula é aquele presidente que devia ter fracassado, mas teve êxito extraordinário.
Lula é uma afronta às elites que sempre apostaram num Brasil para poucos, num Brasil de exclusão e de desigualdades. Lula é, sobretudo, esse fantástico novo Brasil que ele próprio ajudou a construir. O Brasil para todos os brasileiros. O Brasil da inclusão, da igualdade e da solidariedade.
No cenário mundial, ninguém põe em dúvida a liderança de Lula como exemplo no combate à pobreza, à fome e às desigualdades. Lula é, de fato, o grande inspirador internacional das atuais políticas de inclusão social, reconhecido por inúmeros governos de diferentes matizes políticos e ideológicos. Lula é o rosto do Brasil no mundo.
No Brasil, entretanto, há hoje uma sórdida campanha de deslegitimação dessa grande liderança. Uma campanha que dispensa argumentos racionais. Uma campanha baseada apenas no ódio espesso dos ressentidos.
Entendemos perfeitamente que alguns tenham medo de serem derrotados de novo por Lula em 2018. Mas esse medo não pode dar vazão a atitudes pouco republicanas e francamente antidemocráticas. Tentam transformar suas virtudes em vícios e suas ações pelo Brasil em crimes. Insinuam de forma leviana, acusam sem provas, distorcem, mentem e insultam. No vale-tudo contra Lula, vale até mesmo usar o recurso torpe de expor seu defeito físico, o que revela incurável defeito de caráter.
Falta, sobretudo, respeito ao presidente mais bem avaliado da história do Brasil. Desrespeitar Lula é desrespeitar o povo brasileiro, pois sua ascensão pessoal se confunde com a ascensão social e política da nossa população antes excluída.
Tentam fazer hoje contra Lula o que fizeram contra Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Usam cínica e seletivamente da imprescindível luta contra a corrupção para tentar destruir um projeto nacional e popular que elevou o Brasil e o seu povo. Um projeto que propicia o efetivo combate aos desvios e que vem livrando o Brasil da grande corrupção da miséria e das desigualdades.
A bancada do PT no Senado manifesta sua total e irrestrita solidariedade ao grande presidente Lula, vítima de campanha pequena e sórdida de desconstrução de uma imagem que representa o que o Brasil tem de melhor: sua gente.
A bancada também entende que Lula está muito acima dessa mesquinhez eleitoreira. Lula não será apequenado pelos que se movem por interesses menores e pelo ódio. Lula é tão grande quanto o Brasil que ele ajudou tanto a construir. Lula carrega em si a solidariedade, a generosidade e a beleza do povo brasileiro. Para esse povo e por esse povo, Lula fez, faz e fará História.”
Por Reinaldo Azevedo

Dilma encheu a cara de cauim? Ou: Presidente exalta a mandioca e as “mulheres sapiens”. Ah, se Tupã se zanga com ela… Ou ainda: Nasce o “Homo sapiens stultus”

Dilma Rousseff espalhou sobre si mesma, ou alguém o fez por ela, a fama de leitora voraz. Lula, ao contrário, nunca quis se misturar com os livros. “Ler dá sono”, ele sentenciou certa feita. Depois do discurso que fez a presidente nesta terça-feira, na cerimônia de lançamento da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, tenho de concluir que é melhor um petista dormindo do que ministrando aula de antropologia amadora. Os tais jogos ocorrerão em Palmas, no Tocantins, entre 20 de outubro e 1º de novembro. A presidente estava mesmo com Anhangá no corpo. A mulher já cansou dessa conversa de ter de governar o Brasil. Joaquim Levy cuida da economia, e os peemedebistas têm de tourear os petistas na política. A ela sobrou o quê? O vasto terreno da reflexão. E ela mandou brasa nesta terça-feira, na cerimônia havida no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Cantou as glórias da mandioca. Destaco um trecho transcrito em reportagem da Folha: “Nenhuma civilização nasceu sem ter acesso a uma forma básica de alimentação, e, aqui, nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a deles. Temos a mandioca, e aqui, nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”. Tudo isso saiu, assim, de repente, num supetão, em reflexão certamente originalíssima. Um índio que estivesse com a cara cheia de cauim, a bebida de mandioca fermentada que deixava os nativos doidões, não teria produzido nada melhor. Ela não parou por aí, não. Resolveu evocar a Grécia antiga, relata o Estadão: "Foi em torno da paz que se recompôs aquilo que era a tradição grega que é transformar os jogos em um momento de união. Transformamos em um momento especial uma fase difícil do mundo que foi o entre guerras”. O barão Pierre de Coubertin se revirou no túmulo, né? Os primeiros jogos olímpicos da era moderna se deram em 1894, não no período entre guerras. Que diferença faz? Anhangá estava no comando. Dilma discursou segurando uma bola feita de folha de bananeira. Havia chegado a hora da poesia antropológica. Refletiu então: “Aqui tem uma bola, uma bola que eu acho que é um exemplo. Ela é extremamente leve, já testei aqui, testei embaixadinha, meia embaixadinha… Bom, mas a importância da bola é justamente essa, é símbolo da capacidade que nos distingue”. Não entendeu nada, leitor amigo? Vem a explicação: “Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens, somos aqueles que têm a capacidade de jogar, de brincar, porque jogar é isso aqui. O importante não é ganhar e sim celebrar. Isso que é a capacidade humana, lúdica, de ter uma atividade cujo o fim é ele mesmo, a própria atividade. Esporte tem essa condição, essa bênção, ele é um fim em si. E é essa atividade que caracteriza primeiro as crianças, a atividade lúdica de brincar. Então, para mim, essa bola é o símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em homo sapiens ou mulheres sapiens”. Por Tupã! Nós, os humanos modernos, somos do gênero “Homo”, da espécie “Homo sapiens”, da subespécie “Homo sapiens sapiens”. Dilma fez uma salada taxinômica que resultou no que só pode ser um gracejo, a “mulher sapiens”, já que “homo” de “Homo sapiens sapiens” não se refere nem a homem nem a mulher — na verdade, nem ao ser humano como o conhecemos, que pertence ao gênero “homo”, mas não é o único. Antes houve o Homo neanderthalensis, o Homo habilis, o Homo erectus, que ainda não cultivava a mandioca… O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que tem o apelido de “Índio”, estava entre os presentes. Dilma resolveu exaltar as suas qualidades adivinhatórias, já que meio indígena: “Se ele pular uma janela, pode pular atrás porque pode ter certeza de que ele achou alguma coisa absolutamente fantástica”. A humanidade estava preparada para tudo, menos para o surgimento de uma derivação teratológica do “Homo sapiens sapiens”, que é o “Homo sapiens stultus”, o humano tipicamente petista, capaz de dizer e de fazer as mais grotescas estultices. Por Reinaldo Azevedo

Palocci pediu dinheiro para Dilma

Antônio Palocci pediu 2 milhões de reais do Petrolão para a campanha de Dilma Rousseff. A denúncia de Paulo Roberto Costa, feita no ano passado, foi confirmada ontem por seu advogado, João Mestieri, que disse a O Globo: "Paulo Roberto vai manter sua versão. Ou seja, Palocci lhe pediu o dinheiro e Youssef pagou. Essa é a verdade. Paulo Roberto sempre manterá sua coerência em torno dos fatos relatados". (O Antagonista)

Bené é Bené?

Um executivo da Engevix, preso pela Lava Jato, disse que, em dezembro de 2013, foi procurado por uma "pessoa que conhece pelo nome de Bené, tendo este solicitado apoio para a campanha de Fernando Pimentel, candidato do PT". Os investigadores da Lava Jato, segundo o Estadão, agora vão averiguar se o Bené que pediu dinheiro à Engevix para a campanha de Fernando Pimentel é o mesmo Bené que trabalhou como arrecadador clandestino para a campanha de Fernando Pimentel. Bené é Bené? (O Antagonista)

A Petrobras corta

A Petrobras, de 2015 a 2019, vai cortar seus investimentos em 30%, segundo a Folha de S. Paulo. O Estadão calcula que o corte será ainda maior: 40%. Seja como for, você, que investiu na empresa, se danou.

O BNDES exporta propina

O Panamá está investigando a Odebrecht, informa Jamil Chade, do Estadão. A empreiteira é acusada de ter usado contas de uma empresa de fachada, sediada no país, para o pagamento de propina. A reportagem acrescenta: "Mas não são apenas eventuais contas da Odebrecht no país que serão examinadas. Em um comunicado, a Controladoria Geral da República informou que o contrato da linha 1 do Metro de Panamá será auditada a pedido da própria Secretaria do Metro. A obra foi realizada pela Odebrecht e é suspeita de ter envolvido subornos". As obras do metrô panamenho foram financiadas pelo BNDES, através de seu programa de exportação de serviços. O banco já pode dizer que exporta propina, também. (O Antagonista)

POLÍCIA FEDERAL OUVE DEPOIMENTOS DE TESTEMUNHAS NA INVESTIGAÇÃO DE MÉDICOS DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM FLORIANÓPOLIS


A Polícia Federal terminou nesta terça-feira (23) a coleta de depoimentos relacionados ao caso dos 27 médicos do Hospital Universitário (HU) Polydoro Ernani de São Thiago, em Florianópolis, suspeitos de não cumprirem a carga horária pela qual foram contratados. Na próxima semana, os próprios profissionais investigados começarão a depor. O caso está relacionado a médicos que eram concursados no HU e não cumpriam a carga horária de trabalho. Mesmo assim, recebiam integralmente, gerando um prejuízo de R$ 36 millhões nos últimos cinco anos aos cofres públicos. No dia 9 de junho, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em hospitais públicos e privados, além de consultórios médicos. Foram ouvidas 62 testemunhas desde o dia 18. Foram médicos, enfermeiros e técnicos do Hospital Universitário que se apresentaram voluntariamente ou foram convocados para ajudar na investigação. A partir do dia 30 desse mês, os 27 médicos suspeitos vão começar a dar suas versões. Essa fase deve terminar em, no máximo, uma semana, já que três delegados vão trabalhar exclusivamente na coleta desses depoimentos. As investigações apontam a prática de, pelo menos, três crimes: de prevaricação, que é deixar de praticar ato de ofício, estelionato e falsidade ideológica. Durante a investigação, mais servidores podem ser chamados para depor. A Polícia Federal deve concluir os trabalhos em quatro meses. Depois disso, o caso vai para o Ministério Público Federal. Três dos 27 médicos indiciados pela Polícia Federal de Santa Catarina nunca atenderam no HU. Mesmo assim, cada um recebia o salário de R$ 16.597,12. Outros cinco têm menos de 15% de frequência, e salário de R$ 25.121,93. Oito possuem 30% de frequência, com R$ 18.494,39 de salário mensal, e 11 têm 40% de frequência, ganhando R$ 19.930,12. "Eles tinham vários vínculos com hospitais, clínicas e consultórios particulares. Eles visaram sempre almejar o lucro nos atendimentos particulares, enquanto os atendimentos prestados no Hospital Universitário eram baseados na oferta deles, e não na demanda real. Gerou um prejuízo gigantesco para a população carente de Florianópolis", disse o delegado Allan Dias, da Polícia Federal. A Polícia Federal realizou uma média do total de horas que os médicos efetivamente trabalharam na instituição pública. Ao todo, os 27 médicos trabalharam um total de 283 horas por semana. Por contrato, estes funcionários deveriam ter trabalhado 1.060 horas por semana. Ou seja, eles trabalharam 26,7% daquilo que estava acordado como prestação de serviço. Considerando a portaria nº 1.101/2002 do Ministério da Saúde, cada médico poderia atender até quatro consultas por hora. Em um dia, os 27 médicos deveriam atender por turno 848 consultas, mas a média dos funcionários era de 226. A investigação durou um ano e meio, segundo a Polícia Federal. A polícia recebeu as denúncias por meio de outros funcionários do HU e colocou agentes infiltrados na unidade. Com as provas apreendidas nesta terça-feira, outros médicos, chefes e até diretores do hospital também podem ser indiciados. Além de Florianópolis, os mandados foram cumpridos nas cidades de Itajaí, Criciúma e Tubarão.

Políticos explicam à Polícia Federal dinheiro guardado e ganho de patrimônio

Deputados e senadores investigados na Operação Lava Jato tiveram que explicar à Polícia Federal sua decisão de guardar dinheiro em casa e atribuíram a evolução de seus patrimônios à ajuda de filhos e economias do salário que recebem da Câmara. Os parlamentares prestaram depoimentos nos inquéritos derivados Lava Jato abertos no Supremo Tribunal Federal, que estão sob relatoria do ministro Teori Zavascki. O deputado federal Missionário José Olímpio (PP-SP), de 59 anos, estimou que consegue economizar metade do seu salário da Câmara, hoje em R$ 33 mil brutos. Ele obteve tanto sucesso nessa tarefa que declarou, nas eleições de 2014, possuir R$ 330 mil em espécie em sua própria residência. Ele disse que o valor é "oriundo de seus ganhos como deputado federal". O dinheiro representava um terço de todo o patrimônio declarado pelo deputado em 2014. Caso tivesse aplicado o dinheiro na poupança, teria recebido R$ 21 mil só em 2014. Missionário disse que "prefere manter este dinheiro consigo". Ele disse que recebe outros R$ 3 mil mensais como pensão vitalícia referente ao mandado de vereador em Itu (SP). O senador Romero Jucá (PMDB-RR), de 61 anos, também teve que explicar à Polícia Federal sua decisão de manter R$ 545 mil "em seu poder", conforme declaração entregue à Justiça Eleitoral em 2010. O dinheiro guardado em casa representou cerca de 89% do total do patrimônio declarado pelo senador naquele ano. Só em 2010 o senador deixou de ganhar R$ 37 mil com sua decisão de guardar notas em casa. Jucá respondeu que "tais recursos são decorrentes do patrimônio adquirido ao longo dos anos e se encontram devidamente declarados junto à Receita". Disse também que o valor decorre "de seu salário e também de bens vendidos ao longo dos anos". Ao explicar por que mantinha os valores em espécie, o senador falou da "necessidade de ter um dinheiro disponível e também em função das disputas políticas existentes em seu Estado" –o depoimento não esclarece qual a relação entre os dois fatos. Jucá disse que "eventualmente recebe doações em dinheiro procedentes" de seus filhos, "ambos empresários". Segundo ele, "tais doações, quando realizadas, são devidamente informadas à Receita Federal". O senador Ciro Nogueira (PP-PI), de 47 anos, declarou em 2010 que mantinha R$ 210 mil em espécie e que o dinheiro "decorre de suas economias pessoais, oriundo de seu subsídio como parlamentar e também da participação nos ganhos das sociedades" que integra. Indagado sobre o motivo pelo qual guardava o dinheiro, deixando de obter ganhos no sistema financeiro, o senador disse que "possui diversas residências e sempre mantém dinheiro em espécie nas mesmas". Segundo a Polícia Federal relatou durante o depoimento do senador Gladson Cameli (PP-AC), de 37 anos, o parlamentar teve "um incremento patrimonial em mais de cinco vezes", na comparação entre as declarações de bens prestadas à Justiça Eleitoral nos anos de 2006 e 2010. Cameli declarou, em 2010, um patrimônio de R$ 581 mil. Cameli disse que o crescimento patrimonial "se deu basicamente em decorrência da aquisição de veículos e de seu salário como parlamentar". Outro político que mencionou a ajuda financeira dos filhos foi o ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC), de 54 anos, atual secretário estadual no governo de Roraima. Ele contou que "recebe uma ajuda de um filho", de 30 anos de idade, além de obter "algum rendimento proveniente da venda de gado e do produto de reflorestamento". Em 2010, Pizzolatti declarou patrimônio de R$ 1 milhão. Seu filho, que na época tinha 25 anos de idade e também foi candidato a deputado, declarou possuir R$ 2 milhões, incluindo uma empresa de cosméticos e outra de vigilância. A Polícia Federal quis saber quais as atividades econômicas do filho de Pizzolatti. O ex-deputado respondeu que ele é formado em propaganda e marketing e possui uma empresa em Manaus e um posto de gasolina. Pizzolatti contou que sua filha "morou um ano em Lugano, na Suíça", com estudos custeados por ele e pelo filho. Porém, disse não se recordar de como eram feitos os pagamentos "para a manutenção da sua filha na Suíça", pois "quem operacionalizava isso era" sua ex-esposa. O deputado Waldir Maranhão (PP-MA), de 59 anos, foi indagado pela Polícia Federal sobre a evolução do seu patrimônio, que passou de R$ 240 mil, em 2006, para R$ 813 mil em 2014. O deputado disse que a evolução está "devidamente justificada" na declaração anual de imposto de renda à Receita Federal e que recebe, quando "ocorre alguma eventualidade", "apoio financeiro de seu filho, que é médico, e de sua esposa", professora da rede pública estadual de ensino no Maranhão. Embora houvesse declarado um patrimônio de R$ 776 mil nas eleições de 2010, o deputado fez doações no valor total de R$ 557 mil à sua própria campanha eleitoral no mesmo ano (ele gastou ao todo R$ 821 mil no pleito). Indagado sobre isso, o deputado declarou que "não sabe precisar a origem" dos R$ 557 mil. Afirmou que sua campanha foi alvo de investigação no Tribunal Regional Eleitoral, mas o caso foi arquivado porque "não foram identificados nenhuma irregularidade ou crime", conforme constaria em acórdão no TRE.