domingo, 14 de junho de 2015

Fila de navios causa prejuízo bilionário à Petrobras

Na semana em que o governo lançou um novo plano de investimentos em logística, a Petrobras, maior empresa do Brasil, sofre com o gargalo em seu principal porto, o de Macaé, no Norte do Estado do Rio de Janeiro e às margens da Bacia de Campos, maior região produtora de petróleo do País. A área, que começou a funcionar nos anos 1980, opera hoje no limite de sua capacidade, afirmam a própria estatal e especialistas do setor. De acordo com fontes técnicas, a falta de espaço para atracar as embarcações de apoio à exploração de petróleo estaria provocando, em média, uma fila de espera de um dia, com pelo menos 12 barcos. Resultado: em 12 meses, os gastos estimados, diz uma fonte, ficam entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, ou R$ 1,5 bilhão. O cálculo desse custo considera uma média de aluguel de US$ 100 mil por dia por cada embarcação. Segundo essa mesma fonte, os valores de aluguel variam por tipo de barco de apoio. Outra fonte do setor destacou que em, certos momentos, a espera pode chegar a até três dias, com um número bem maior de embarcações. A Petrobras, porém, negou que exista essa fila de espera e ressaltou que a maioria das embarcações vistas ao redor do porto realiza diversas atividades, como manutenção ou vistoria. As fontes, no entanto, sustentam o cálculo. "É um dinheiro que a Petrobras perde pelo ralo no momento em que precisa reduzir custos. Quando atraca no porto, a embarcação passa por carga e descarga de materiais, equipamentos, alimentação para as plataformas, etc", afirmou uma fonte próxima à estatal. Empresários e especialistas do setor dizem ainda que os custos extras da estatal só não são maiores porque a Petrobras teve de reduzir parte de suas atividades por causa da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. No próximo dia 26, a estatal deve anunciar seu Plano de Negócios 2015-2019, que prevê uma redução de investimentos. O gerente-geral de Logística de Exploração & Produção (E&P) da Petrobras, Ronaldo Dias, afirmou que o Porto de Macaé está operando quase à plena capacidade (90%), mas garantiu que não existe fila de espera de embarcações para atracar. Os seis berços do Porto movimentam 12 embarcações diariamente, que permanecem 12 horas atracadas. A gerente executiva de Serviços de E&P, Cristina Pinho, explicou que o ideal é um porto operar com 62% de ocupação. Mas, afirmou que, apesar de Macaé estar operando com 90% de sua capacidade, o tempo médio de atracação não aumentou. No entanto, os dois gerentes da estatal explicaram que, devido ao fato de Macaé estar no limite da capacidade de operação, a Petrobras já vem ao longo dos últimos anos planejando a ampliação dessa capacidade. Desde 2013, com a adoção de alguns ajustes e mudanças na logística, a Petrobras conseguiu ampliar em 25% a capacidade de movimentação do Porto de Macaé. Além disso, recorre a áreas no Porto do Rio de Janeiro e em Vila Velha (ES) para as embarcações de apoio à produção, tanto da Bacia de Campos quanto do Espírito Santo. E, de olho na futura produção do pré-sal, a estatal corre hoje com licitações para aumentar sua capacidade portuária e evitar prejuízos milionários devido à falta de espaço para a atracação de suas embarcações de apoio. "Apesar de a demanda agora estar menor, a Petrobras pensa a longo prazo e precisa investir em espaço portuário por conta do aumento de produção que virá com o pré-sal", disse uma fonte.


Dessa forma, a estatal já abriu uma licitação para a construção de três berços de atracação no Espírito Santo, segundo fontes que trabalham na proposta. A previsão é que a operação seja iniciada no fim de 2016, destacaram. Porém, em alguns casos, a companhia vem enfrentando atrasos. Há cerca de três meses a Petrobras abriu uma licitação para dois novos berços na Baía de Guanabara. Após o resultado, porém, o segundo colocado entrou com recurso, o que deve atrasar ainda mais o início das obras. Recentemente, a Petrobras viu uma disputa judicial postergar, por quase três meses, o início da construção de seis novos berços no Porto de Açu, em São João da Barra (RJ), onde ela ainda não opera. Em novembro, a Edison Chouest OffShore (ECO) venceu o certame, cuja proposta incluía a construção dos berços no Porto de Açu, hoje da Prumo Logística. Mas uma ação judicial da Prefeitura de Macaé atrasou o processo, e o contrato só foi assinado em fevereiro deste ano, explicou Ricardo Chagas, presidente da ECO: "Até o resultado da licitação ser confirmado pela Justiça, houve um atraso de até 80 dias. E isso atrapalha a todos, pois só podemos fazer o investimento após a assinatura do contrato". Por contrato, destaca o executivo, a entrega dos dois primeiros berços ocorrerá até fevereiro de 2016, mas há a possibilidade de concluir a obra já em novembro. Os quatro berços restantes serão feitos até agosto do ano que vem. — O contrato é de R$ 2,5 bilhões e tem duração de 15 anos, podendo ser renovado por mais 15 anos — disse Chagas, ressaltando que a empresa vai investir R$ 900 milhões em uma área que comporta 15 berços e ainda um estaleiro de reparo naval. O presidente-executivo da Prumo, Eduardo Parente, explicou que, além de ECO e Petrobras, outras empresas já estão se instalando no Açu. Ele citou o contrato com a gaúcha Bolognesi Energia para a construção conjunta de um terminal de gás natural liquefeito (GNL), com capacidade para produzir 15 milhões de metros cúbicos por dia. O projeto deve receber o gás natural que será produzido nas Bacias de Santos e Campos. "O Porto do Açu resulta em um dia a menos de viagem em relação a Macaé. A crise econômica do País tem um ponto positivo, de fazer com que a busca da redução de custos pelas empresas seja de verdade", destacou Parente. Ele disse ainda que assinou com a BG contrato de utilização de uma área para as operações de transbordo do petróleo que será produzido na Bacia de Santos a partir de agosto de 2016. Essa operação consiste em transferir o petróleo de um navio para o outro. Parente disse esperar fechar em breve novos contratos com outras petroleiras, inclusive a Petrobras. 

A LISTA BURMANN-SCHLOSSER E O ATIVISMO COMUNISTA ATUAL

Por Luis Milman - jornalista, professor universitário, filósofo
O artigo "Serão os semitas humanos?" (revista Caros Amigos, nº 68, novembro de 2002), do jornalista Georges Bourdoukan, é uma arenga antissemita que, ao leitor atento, judeu ou não, só pode causar repulsa. Mas é importante começar este texto com uma menção a ele porque Bourdoukan, que tem muita influência no meio trotskista, reproduz a revelação de uma história secreta do sionismo, elaborada e difundida ainda pela extinta União Soviética, a partir da metade dos anos 1960, e hoje propagada mundo afora, por movimentos pró-palestinos, como o tal Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino, ligado ao Foro Social Mundial Palestina Livre. O Foro se reuniu em Porto Alegre, há dois anos, com o apoio do governo Tarso Genro. O texto reproduz, além de outras fabulações, a narrativa de Ralph Schoenmann, um trotskista americano, no livro "The Hidden History of Zionism", de 1988. Em entrevista concedida à revista Teoria e Debates do PT (edição nº 9, janeiro-março de 1989), para Marcus Sokol, líder, até hoje, da tendência petista O Trabalho, ele afirmava que “em 1941, o partido de Itzchak Shamir ( o Likud de Benjamin Netaniahu) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão, que consistia em lutar ao lado dos alemães e fundar um estado autoritário colonial, sob direção nazista". 

A afirmativa era uma variante do material de propaganda soviético produzido em ampla escala, a partir dos anos 1960. Na militância comunista-confessional, atuante nos campi universitários, no meio cultural e político partidário, difunde-se esta ideologia, que também está na base da fundação do movimento internacional BDS (Boicote, Desenvestimento e Sanções) contra Israel, criado em 2005 e financiado por ONGs internacionais, Irã, Arábia Saudita e Qatar (para detalhes, ver Edwin Black, Financing the Flames, 2013). Artigos e livros como os de Bourdoukan e Schoenmann explicam o recente pedido, feito à Reitoria da UFSM, pelo DCE e associações de alunos e professores da UFSM, por uma lista de alunos e professores israelenses na universidade. No Brasil, este confessionalismo antissemita tem abrigo junto a petistas das tendências Democracia Socialista (DS) e O Trabalho, além do PSOL, PCdoB, PSOL, PSTU e PCO. Todos atacam Israel de forma incendiária, em revistas como Vermelho e Marxismo Vivo. O antissemitismo desta pregação é autoexplicativo, seja pelo uso essencialista, depreciativo, do termo "judeu", na menção que fazem a políticos israelenses, seja porque, entre outras barbaridades racistas, afirmam que os judeus sionistas foram os maiores aliados dos nazistas e corresponsáveis, acreditem, pela criação dos campos de concentração!

Nos últimos 50 anos, o antissemitismo tornou-se mais fácil de ser praticado sob o nome de antissionismo ou anti-israelismo. Basta ler os textos dos seus expoentes, como Roger Garaudy, Robert Faurisson, Pierre Guillaume, David Irwing, Serge Thion, Israel Shamir e Noham Chomsky, para citar alguns dos mais conhecidos antissemitas e antissionistas de hoje, alinhados à esquerda ideológico-confessional, que praticam distorções cínicas e se valem de um arsenal de acusações mentirosas e depravadas para defenderem, alegadamente, a causa palestina. Este ativismo tenta demonstrar a todo custo que Israel não pode existir, porque é racista, fundamentalista, imperialista e por aí vai.

Bourdoukan representa o tipo de militância intelectual profissionalizada antissemita dos atuais comunistas, a exemplo dos franceses Thion e Guillaume, que dizem repudiar o racismo e orientar-se pelo internacionalismo anti-imperalista. Eles reivindicam, obviamente, o marxismo como fonte inspiradora. Há um manifesto de Guillaume, sobre a linha de pensamento da editora antissemita Velha Toupeira (Paris), que invoca a "autoridade do texto fundador de Karl Marx, ‘Sobre a questão judaica’", de 1843, para defender o "antijudaismo radical sempre proclamado urbi et orbi ( ...)". (P. Guillaume, Carta a Phillip Randa, La Vielle Taupe, 1998).

Eliminar o judaísmo, o sionismo e o Estado de Israel, como propugna Guillaume, e as seitas confessionais trotskistas que pululam nos campi universitários do mundo todo, em apoio à causa palestina, é uma coisa. Eliminar fisicamente os judeus, como os nazistas pretenderam, é outra. Os sionistas, segundo eles, gostam de embaralhar tudo. Os judeus são pessoas como todo mundo, mas o judaísmo e o sionismo, vade retro. Afinal, qual a razão do sofrimento dos povos, da existência das guerras? Quem está promovendo o genocídio palestino? A dominação judaica (dos governos, dos bancos, da mídia, dos cartéis de petróleo)! Assim, na guerra santa contra os judeus-sionistas e Israel, é preciso revelar como as coisas realmente são. Esta é a missão revolucionária de Bourdoukan e da militância ligada ao movimento BDS, que, diga-se em tempo, a cumprem de maneira metódica, como prova o caso de Santa Maria, onde o DCE e as associações de docentes e funcionários da UFSM se organizaram para solicitar aquela que, agora, é conhecida com a Lista Burmann-Schlosser. Algumas das revelações de Bourdoukan: o hierarca nazista Heirich Heidrych era judeu. A russa judia Golda Meir dizia que as crianças palestinas eram animais de duas patas, e Israel foi criado pelos nazistas. Quem garante é Hannah Arendt e os arquivos da União Soviética!

É verdade que quem, pela primeira vez, passou a propagar a “revelação”, foram os soviéticos, depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967. E qual era a versão soviética para o surgimento do movimento sionista? A campanha antissemita dos soviéticos, um aspecto permanente do regime totalitário depois de 1967, era conduzida pelo nome em código de “antissionismo”, que se tornou uma dissimulação de toda a variedade de antissemitismo. Nesta condição, foi transplantado para a tese do anti-imperialismo leninista (ver o texto de Lênin, canônico para todos os comunistas, Imperialismo, a fase adiantada do capitalismo, de 1916). Os soviéticos, em sua doutrina oficial, adaptaram o conceito de sionismo ao de colonialismo; e o estado sionista a um posto avançado do imperialismo.

Alguém pode lembrar, aqui, que a União Soviética de Stálin foi o primeiro país a reconhecer o Estado de Israel, depois de sua criação, em 1948. Certo. Mas Stálin foi motivado por razões geopolíticas: ele pretendia marcar, através de Israel, a presença russa no Oriente Médio, para contrapor-se aos EUA, Inglaterra e França. Como não conseguiu, desde o começo da década de 1950, a propaganda antissionista soviética sempre foi intensificada e tornada mais abrangente, acentuando os vínculos entre o sionismo, os judeus em geral e o judaísmo. Centenas de artigos, em revistas e jornais por toda a União Soviética, retratavam os sionistas e os líderes israelenses como elementos comprometidos em uma conspiração internacional, lado a lado com as diretrizes dos antigos Protocolos dos Sábios de Sião, o livro apócrifo clássico sobre a existência de um governo mundial judaico, produzido pela polícia secreta czarista, no início do século XX (para mais detalhes, ver Paul Johnson, História dos Judeus, 1987; Walter Laqueur, The Changing Face of Anti-semitism, 2008).

Nos anos que se seguiram à Guerra dos Seis Dias, até o seu colapso, a máquina de propaganda soviética se tornou a fonte principal de material antissemita do mundo. Ela reunia matérias de praticamente todo segmento arqueológico da história antijudaica, desde a antiguidade clássica até o hitlerismo. O volume destes materiais começou a igualar-se com os que os nazistas produziram. O talvez mais famoso livro deste acervo de propaganda (que se espalhava por incessantes e repetitivos artigos e radiodifusões até brochuras orientadas) chama-se "O Judaísmo e o Sionismo', de Trofim Kychko (1968), no qual ele expõe “a idéia chauvinista da escolha de Deus pelo povo judeu, da propaganda do messianismo e idéia de reinar sobre os povos". Em "A Rastejante Contra-Revolução", de 1974, em outro livro clássico desta propaganda, escrito por Vladimir Begun, se lê que “... a Bíblia é um insuperável manual de sanguinolência, hipocrisia, traição, perfídia e degenerescência moral". As mesmas afirmações foram feitas, anos depois, por José Saramago, o conhecido escritor português, que jamais negou seu stalinismo.

Agora, chamo atenção para a pedra de toque deste antissemitismo descarado, de amplitude global, defendido pelos movimentos comunistas pós-soviéticos e trotskistas. A história começou a circular na década de 1970 e apregoava que os sionistas (israelenses) eram sucessores dos nazistas, afirmação “comprovada pela evidência” de que o próprio Holocausto de Hitler fora uma conspiração judaico-nazista para se livrar dos judeus pobres, que não podiam ser usados nos planos sionistas. Na verdade, conforme se alegava, o próprio Hitler tirava seus planos de Theodor Herzl, o fundador do sionismo político, em 1898. A revelação soviética seguia: Os líderes judaico-sionistas, que agiam sob ordens de judeus milionários que controlam o capital financeiro internacional, ajudaram a SS e a Gestapo a arrebanhar judeus indesejados, ou para as câmaras de gás ou para os kibutzim, iniciando a colonização judaica moderna da Palestina, e desterrando a população árabe nativa, dando origem à dramática situação do povo palestino. Essa conspiração judaico-nazista foi usada como fundamento, pela propaganda soviética, para acusações de atrocidades contra os governos israelenses, sobretudo durante e depois da Guerra do Líbano de 1982. A ilação, aqui, era direta: Como os sionistas já haviam se sentido felizes em se juntar a Hitler no extermínio de seu próprio povo (isto foi publicado no Pravda, edição de 17 de março de 1984), não causaria espanto que agora massacrassem árabes libaneses, que eles consideravam sub-humanos. 

Mesmo o mais singelo senso de prudência é mandado às favas pelo fervor militante do antissemitismo comunista, gestado na extinta União Soviética e, hoje, representado pelas revistas Caros Amigos, Vermelho, ou Marxismo Vivo. Golda Meyer jamais se referiu aos palestinos de forma desreipetosa, como Bourdoukan af[irma. E o conhecido texto de Hannah Arendt, "Eichmann em Jerusalém", foi conspurcado pelo racismo hidrófobo do articulista de Caros Amigos.e pela milícia da esquerda confessional. As críticas de Hannah Arendt ao julgamento de Eichmann a antipatizaram com a liderança do Mapai (o partido social-democrata, à época no poder em Israel, sob a liderança de Ben Gurion), mas nem de forma remota respaldam as sandices que Bourdoukan escreve, nos passos de Schoennman e dos propagandistas soviéticos, entre elas a de que Israel, pasmem, foi criado pelos nazistas!

O antissemitismo é uma patologia moral e política, mas já produziu desastres suficientemente conhecidos para ser tolerado, seja lá a que pretexto for. A verdade é que seus propagadores comunistas sempre o exercitaram metodicamente com cinismo, em nome da fraternidade dos homens, e com isto obtêm respaldo de organizações e grupelhos de fanáticos prosélitos adeptos de um marxismo-leninismo apodrecido, engajado na luta contra o opressivo Estado judeu 

Bourdoukan é antissemita e escreve em Caros Amigos, uma revista de esquerda, adepta do mesmo trotstkismo internacionalista sindical proletário camponês libertário guevarista maoísta humanista revolucionário, que distingue a militância da Democracia Socialista/PT, PSOL, PC do B, PSTU, PCO e do MST. Entre outros referenciais, faz parte deste ideário a cartilha da conspiração judaico-sionista-capitalista, difundida por Caros Amigos, Vermelho e Marxismo Vivo.

A obsessão antijudaica nestes, digamos, setores ideológicos, chegou a tal ponto que, em 1998, o jornalista José Arbex Junior, editor especial da revista Caros Amigos, que se diz ultra-pacifista e também é muito ligado ao Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST), de João Pedro Stédile, escreveu longo comentário sobre uma notícia do Sunday Times, de Londres, segundo a qual os israelenses haviam sintetizado um vírus que liquida apenas os árabes e poderia ser propagado por ar ou água. Assim, a disseminação não apresentaria qualquer risco aos judeus, se viesse a ocorrer nos territórios palestinos ocupados. A tolice era explícita: para atingir o objetivo, o tal vírus teria que ser imbecil a ponto de se achar capaz de distinguir entre o DNA de árabes e de judeus ou de seja lá quem for. O ponto aqui é que vírus não têm crenças, logo não podem ser imbecis. Por isto, jamais haverá um tão idiota como os antissemitas que acreditam, como Arbex, que um vírus étnico possa existir. Dias depois de sua publicação no Sunday Times, descobriu-se que a notícia reproduzia parte uma novela de ficção de terceira-linha, jamais publicada e escrita por um ex-funcionário de um instituto de pesquisas israelense.

A asneira, inspirada na acusação medieval de que os judeus envenenavam os poços durante a época da Peste Negra, na Europa, serviu para Arbex discorrer sobre a sinistra ciência praticada secretamente pelo governo israelense. O jornalista advertia para a degeneração moral dos genocidas sionistas, capazes de criar um monstro que faria Hitler babar de inveja. E, obviamente, esbravejava contra o silêncio da mídia mundial sobre a revelação alarmante.

O artigo de Bourdoukan foi publicado no lugar certo. Depois de oferecer uma antevisão do Armagedon racial made in Israel, Caros Amigos revelou que os sionistas foram co-responsáveis pela criação dos campos de concentração nazistas. Afinal, alguém duvida do que são capazes os sionistas? Não dizia o judeu polonês Menachem Begin, segundo Bourdoukan, que as crianças palestinas são bestas caminhando sobre dois pés? Os anti-semitas sempre foram assim mesmo. Se há algo degenerado que ninguém seria capaz de fazer, então aparece algum judeu ou sionista, como Golda Meir, e faz. Nada que venha a causar estranheza. Afinal, os judeus-sionistas eram os maiores aliados dos nazistas e inventaram um vírus que dizima os árabes. Resta-nos esperar que o Ministério Público Federal, logo depois o Poder Judiciário, revelem as razões pelas quais essa gente, que acredita e propaga esta espécie de lixo pelos campi universitários, digam seus motivos para obter uma relação de israelenses na UFSM. Talvez seja em nome de um antissemitismo inofensivo que até hoje é desconhecido.

Seria melhor se tivessem rompido a aliança, diz Eduardo Cunha sobre congresso do PT

Hostilizado neste sábado no encerramento do congresso do PT, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) utilizou a rede social Twitter para atacar e ironizar o partido da presidente Dilma Rousseff. “O PMDB está cansado de ser agredido pelo PT constantemente e é por isso que declarei que essa aliança não se repetirá”, afirmou o parlamentar. “Talvez tivesse sido melhor que eles aprovassem no congresso o fim da aliança e não sei se num congresso do PMDB terão a mesma sorte”, ameaçou: “No momento temos compromisso com o País e a estabilidade, mas isso não quer dizer que vamos nos submeter à humilhação do PT". Irônico, o deputado comentou que ficaria preocupado se tivesse sido aplaudido pelos petistas, pois esse seria um sinal de que estaria fazendo tudo errado. “E mais uma vez agradeço as hostilidades”, atacou: “E se estão com raiva da pauta, ao invés disso busquem debater e convencer das suas posições e não agredir.”


Os comentários foram feitos em resposta ao deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que no congresso do PT chamou Eduardo Cunha de “oportunista de ocasião”. Os petistas chegaram a analisar, naquela reunião, uma proposta de ruptura da aliança com o PMDB. A proposta foi rejeitada, mas a emenda que a propunha chamava o presidente da Câmara de “sabotador do governo” e, na ocasião, houve militantes que gritaram “fora, Cunha!” Sem citar o nome de Zarattini, Eduardo Cunha escreveu no Twitter que o deputado que o chamou de oportunista “era vice-líder do governo e relator da MP 664 que tratava do ajuste fiscal e aonde tinha a emenda de mudança do fator previdenciário". Como relator, Zarattini posicionou-se contra a emenda, contou. Porém, depois, votou a favor dela. A posição contrária à defendida pelo governo custou-lhe o posto de vice-líder. “Quem é então o oportunista de ocasião?”, questionou Eduardo Cunha. Ele aproveitou para dizer que não são justas as críticas que tem recebido por desengavetar matérias que estão há anos aguardando apreciação pelos deputados. “Continuarei pautando e ainda não conheço uma maneira melhor do que a democracia, onde a maioria aprova ou derrota alguma matéria” avisou.  Eduardo Cunha afirmou, ainda, que não censurará a manifestação de opinião de parlamentares a respeito de religião. “Ter o Estado laico não significa ter de proibir os parlamentares de se manifestarem nas suas crenças”, defendeu. Ele observou que não há críticas se pessoas invadem o plenário “batendo panela ou cantando samba”, ou se são estendidas faixas contra uma matéria. “Mas basta serem de de alguma crença religiosa aí criticam a manifestação de opinião". No seu entendimento, o papel do presidente da Câmara não é “fazer juízo de censura”, e sim manter a ordem e o respeito em plenário. “Os eventuais abusos e a eventual quebra de decoro tem previsão regimental de punição”, frisou: “Basta representarem".

GOVERNO PETISTA ESCONDE ROMBO DOS FUNDOS SOB O TAPETE

Dos 23 autos de infração da Previc (órgão fiscalizador dos fundos de pensão), que é controlado por petistas, apenas nove foram relativos a gestores anteriores a 2012. Outros 14, dizem fontes da Previc, seriam de grandes fundos administrados pelo PT: Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa) e Petros (Petrobras). A ordem no governo e no PT é proteger e evitar o desgaste dos dirigentes desses fundos. Audiência no Senado tratou do rombo no Postalis, que atormenta os servidores dos Correios, mas ignorou a situação dos grandes fundos. O governo teme os vínculos desses grandes fundos de pensão – Previ, Funcef e Petros – no escândalo de corrupção da Lava Jato. Os maiores fundos de pensão federais, chefiados por petistas, fizeram investimentos bilionários estranhos, nos setores de petróleo e energia.

ESQUEMA DESVIOU R$ 256 MILHÕES NA TRANSPETRO


Balanço de 2014 da Transpetro - subsidiária da Petrobrás para as áreas de transporte e logística - reconheceu um rombo de R$ 256,6 milhões no caixa da companhia por conta dos desvios descobertos pela Operação Lava Jato. "Com base em metodologia desenvolvida em conjunto com a Controladora (Petrobrás), a Companhia (Transpetro) reconheceu, no terceiro trimestre de 2014, uma baixa no montante de R$ 256,6 milhões de gastos capitalizados referentes a valores pagos na aquisição de ativos imobilizados em períodos anteriores", informa o documento "Demonstrações Contábeis 2014", do dia 29 de abril. Em seu balanço, a Transpetro considerou os contratos de R$ 8,8 bilhões, feitos entre 2004 e 2012, com 27 empresas suspeitas de cartel e corrupção nas investigações da Lava Jato e aplicou um porcentual de 3%. "Representa os valores adicionais impostos pelas empreiteiras e fornecedores, utilizados por essas empresas para realizar pagamentos indevidos", diz o documento. Os beneficiários elencados são "partidos, políticos em exercício e outros agentes políticos, empregados de empreiteiras e fornecedores, além de ex-empregados do Sistema Petrobrás". O documento tem como base os trabalhos da empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers, que não cita nomes da subsidiária nem detalha quais ativos estão envolvidos: "As informações disponíveis para a Companhia são, de maneira geral, consistentes com relação à existência do esquema de pagamentos indevidos às empresas envolvidas, aos ex-empregados da Petrobrás". É a primeira vez que a Transpetro reconhece oficialmente que houve perdas sob a rubrica "reflexos da Operação Lava Jato". O ex-presidente da empresa Sergio Machado é o principal nome sob suspeita. Machado ocupou o cargo por 12 anos - desde o início do governo Lula. Ex-senador do PMDB do Ceará, Machado era indicação pessoal do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em fevereiro, ele deixou a presidência da empresa após ter sido apontado como recebedor de R$ 500 mil de propina em espécie, do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Em nova etapa de investigações, a força-tarefa da Lava Jato tem elementos para acreditar que o esquema descoberto nos contratos de obras de construção de refinarias, que envolvia propinas de 1% a 3% para partidos e políticos, por meio de agentes públicos indicados, tenha se reproduzido no setor naval, na Transpetro. Estão na mira contratos com estaleiros para construção e afretamento de navios e de operações de oleodutos, gasodutos e terminais marítimos. Dos R$ 256,6 milhões desviados da subsidiária, o balanço considera que "R$ 217 milhões dizem respeito às possíveis perdas nos contratos da área de transporte marítimo". A maior parte dessas licitações auditadas diz respeito ao Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), lançado em 2004, por Machado, que previa o investimento de R$ 11 bilhões para construção de 49 navios e 20 comboios hidroviários. Oito dessas embarcações entraram em operação, entre elas o navio petroleiro Anita Garibaldi, que fez sua viagem inaugural no dia 3, saindo do estaleiro Eisa Petro-Um, em Niterói (RJ). Essas obras são conduzidas por estaleiros alvo de investigação da Lava Jato conduzida pelo juiz Sérgio Moro, como o Estaleiro Atlântico Sul - Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

Pânico em Brasília

Bené
Bené não foi o único alvo da Operação Acrônimo
Uma parte importante de Brasília está em pânico. No bojo da Operação Acrônimo, que flagrou as traficâncias de Benedito Rodrigues, o Bené, ligado a Fernando Pimentel, a PF cumpriu mandados de apreensão de documentos no escritório de contabilidade de João Appel, um dos mais renomados da capital. De lá, os policiais levaram não apenas o material referente a Bené. Levaram tudo o que viram pela frente. Por Lauro Jardim

O Antagonista recomenda

Acaba de ser lançado o livro "Por Trás da Máscara - Do Passe Livre aos Black Blocs, as Manifestações que Tomaram as Ruas do Brasil", de Flavio Morgenstern. Trata-se do primeiro estudo mais aprofundado sobre os movimentos que convulsionaram o País em 2013 - e por que eles não deram em nada. A epígrafe do livro, de José Ortega y Gasset, resume a visão do autor: "Como (as massas) não vêem nas vantagens da civilização um invento e uma construção prodigiosos, que só com grandes esforços e cautelas se podem sustentar, crêem que seu papel se reduz a exigí-las peremptoriamente, como se fossem direitos nativos. Nas agitações provocadas pela escassez, as massas populares costumam procurar pão, e o meio que empregam costuma ser o de destruir as padarias".