domingo, 12 de abril de 2015

Hillary Clinton anuncia candidatura à presidência dos Estados Unidos


A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, anunciou oficialmente, neste domingo, sua candidatura à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2016. A confirmação, esperada para este fim de semana após intensos rumores, foi em forma de vídeo divulgado nas redes sociais (veja abaixo). Na produção de pouco mais de dois minutos, Hillary diz querer ser "a campeã que os americanos precisam". No vídeo, aparecem cidadãos latinos, negros, mães solteiras e casais homossexuais. O foco na classe média como estratégia de campanha já havia sido destacado por seu coordenador de campanha em e-mail enviado a aliados neste domingo. A mensagem foi divulgada pelo jornal americano The New York Times: "Nós precisamos fazer com que a classe média signifique algo novamente", escreveu John D. Podesta ao confirmar a candidatura de Hillary antes da divulgação do vídeo. Nesta campanha, o esforço de sua equipe será aproximá-la dos eleitores e não usar sua extensa carreira política como garantia de popularidade. O desafio é justamente superar a opinião pessoal que os americanos construíram sobre Hillary ao longo de seus mais de vinte anos de vida pública, para o bem ou para o mal. A Hillary 2.0, apelido do projeto de restruturação de sua imagem, segundo o jornal americano The Financial Times, irá priorizar encontros corpo a corpo com os eleitores. Além disso, a relações públicas Kristina Schake foi convocada para mostrá-la como uma mulher acessível. Krisitna é considerada a guru da primeira-dama Michelle Obama, bem-sucedida na tarefa de gerar empatia ao se apresentar publicamente como uma mulher comum que leva uma rotina bem próxima da realidade da maioria dos eleitores de seu marido. Apesar de ser apontada como favorita, Hillary ainda terá que disputar as prévias dentro de seu partido, o Democrata, para se tornar oficialmente candidata. Em 2008, Hillary perdeu por menos de 1% dos votos a chance de concorrer à presidência para Barack Obama, que foi eleito. No ano seguinte, ela foi nomeada por Obama como Secretária de Estado, cargo que ocupou até 2013. Recentemente, Hillary foi acusada de ter violado leis federais de registro de dados ao utilizar uma conta de e-mail pessoal para enviar mensagens de trabalho, conforme reportagem do The New York Times. Ela teve que entregar mais de 55.00 páginas de e-mails para análise do Departamento de Estado. Diante das acusações, a ex-primeira-dama disse que usou a conta pessoal "por conveniência". O episódio afetou sua popularidade, que foi atingida também pelas recentes investigações sobre a origem de doações estrangeiras à entidade Clinton Foundation, mantida por sua família.

12 DE ABRIL 1 – MUITOS MILHARES VÃO ÀS RUAS, NO BRASIL INTEIRO, CONTRA O GOVERNO DILMA, O PT E AS ESQUERDAS. CONSTA QUE PLANALTO SUSPIRA ALIVIADO. ENTÃO É MAIS BURRO DO QUE PARECE!

A Avenida Paulista tomada por milhares de brasileiros: green and yelow blocs
A Avenida Paulista tomada por milhares de brasileiros: green and yelow blocs
Há mais de uma semana o governo decidiu pautar a cobertura da imprensa, que, com raras exceções, aceitou gostosamente a orientação. Com variações, a cobertura destaca que há menos pessoas nas ruas neste 12 de abril do que naquele 15 de março. Assim, fica estabelecido, dada essa leitura estúpida, que um protesto político só é bem sucedido se consegue, a cada vez, superar a si mesmo. Isso é de uma tolice espantosa, na hipótese de não ser má-fé. A população ocupou as ruas em centenas de cidades Brasil afora. Mais uma vez, PT, CUT, ditos movimentos sociais e esquerdas no geral levaram uma surra também numérica. Mais uma vez, o verde-e-amarelo bateu o vermelho da semana passada. E é isso o que importa.
De resto, é impossível saber o número de manifestantes deste domingo. Algum veículo de imprensa mandou jornalista cobrir o protesto em Januária, em Minas; em Orobó, em Pernambuco, ou em Ourinho, em São Paulo? Haver menos gente na Avenida Paulista ou na orla de Copacabana, no Rio, não tem nenhuma importância. Num levantamento prévio, dá para afirmar que o “fora Dilma” foi ouvido em cidades de pelo menos 24 Estados e no Distrito Federal (ainda falta atualização). E — daqui a pouco chego lá —, contem com o PT para turbinar os próximo protestos.
Consta que o governo respirou aliviado com o número menor, embora o Palácio do Planalto, ele mesmo, tenha, desta vez, resolvido se calar. Parece que não haverá Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo para cutucar a onça com a vara curta. A boçalidade ficou por conta da militância virtual e paga (farei um post a respeito). Respirou aliviado por quê?
Protesto em Belém: faixa do Movimento Brasil Livre pede a saída da Presidente Foto: Jairo Marques/Folhapress)
Protesto em Belém: faixa do Movimento Brasil Livre pede a saída da presidente (Foto: Jairo Marques/Folhapress)
Respirou aliviado no dia em que o “Fora Dilma” se faz ouvir de Norte a Sul do país?
Respirou aliviado no dia em que o Datafolha aponta que 63% apoiam o impeachment da presidente?
Respirou aliviado no dia em que a pesquisa revela que 60% consideram o governo ruim ou péssimo?
Respirou aliviado no dia em que essa mesma pesquisa evidencia que 83% acreditam que Dilma sabia da roubalheira da Petrobras e nada fez?
Respirou aliviado no dia em que esse mesmo levantamento demonstra que a crise quebrou as pernas de Lula, pesadelo com o qual o petismo não contava nem nos momentos mais pessimistas?
Por que, afinal de contas, suspira aliviado o governo? Com que jornada futura de boas notícias e alívio dos sintomas da crise ele espera contar? Sim, a indignação com a roubalheira é um dos principais fatores de mobilização dos milhares de brasileiros que foram às ruas. Mas há muito mais do que isso. Há a crise econômica propriamente dita e a sensação, que corresponde à realidade, de que o governo está paralisado.
Acontece que esse mal-estar só vai aumentar porque o pacote recessivo ainda não surtiu todos os seus efeitos. Mais: ninguém nunca sabe quando a operação Lava Jato vai chegar a um fio desencapado, como é o caso de André Vargas, por exemplo. Consta que o ex-vice-presidente da Câmara e petista todo-poderoso, ora presidiário, está bravo com o partido, do qual havia se desligado apenas formalmente.
Acabo de chegar da Avenida Paulista. Havia menos gente do que no dia 15 de Março? Sem dúvida! Mas também sei, com absoluta certeza, que, desta feita, o protesto se deu num número maior de cidades no Estado. No dia 15, encontrei verdadeiras caravanas oriundas de cidades do interior e de outras unidades da federação. Aquele foi uma espécie de ato inaugural. Havia nele a vocação de grito de desabafo, era um enorme “Chega!”. A partir deste dia 12, a tendência é que haja mesmo uma diminuição de pessoas em favor de uma definição mais clara da pauta.
Mas é evidente que se trata de um erro cretino imaginar que menos gente na rua implique que está em curso uma mudança de humor da opinião pública. Não está, não! E que se note: se o protesto do dia 15 tivesse reunido o número de pessoas deste de agora, muitos teriam, então, se surpreendido. Acontece que aquele superou expectativas as mais otimistas. Tomá-lo como régua de um suposto insucesso dos atos deste dia 12 é coisa de tolos ou de vigaristas. Mas o governo e o PT têm direito ao autoengano.
Vejo a coisa de outro modo: os eventos deste domingo, 12 de abril, comprovam o que chamo de emergência de uma nova consciência. Até torço para que o Planalto e o petismo insistam que os atos deste domingo foram malsucedidos. É o caminho mais curto da autodestruição. Esses caras ainda não perceberam que os que agora protestam não querem apenas o impeachment de Dilma. Essa é a pauta contingente. Eles falam em nome de uma pauta necessária, que é apear as esquerdas do poder, ainda que esse esquerdismo, hoje em dia, não passe de uma mistura de populismo chulé com autoritarismo.
Tenham a certeza, petistas e afins: a luta continua! Por Reinaldo Azevedo

Datafolha 1 – Pesquisa evidencia o naufrágio de Lula. Ou: Lembram-se do tempo em que Gilberto Carvalho dizia que o PT contava com “um Pelé” no banco de reservas? Ou ainda: Abaixo do capeta!

Datafolha abril Lula-Aécio
Aí, ai… No terceiro dia do primeiro mandato de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, nomeado, então, secretário-geral da Presidência, concedeu uma entrevista à Folha. Com a modéstia habitual que caracteriza os petistas quando julgam estar acima da carne-seca, afirmou
“(…) Acho que o governo da Dilma será de muita competência. Se Deus quiser, faremos um belíssimo governo, e ela será reeleita. É evidente que, se não der certo, temos um curinga. Estou dizendo para a oposição: ‘Calma. Não se agitem demais. Temos uma carga pesada. Não brinca muito que a gente traz. É ter o Pelé no banco de reservas’”.
Carvalho estava se referindo, claro!, a Lula. E olhem que, reitero, a entrevista foi publicada no terceiro dia do primeiro mandato. Nem se sabia ainda que comportamento adotaria, então, a oposição. Mas o chefete petista já estava lá, ameaçando com a  “volta do Lula”… Pois é. Parece que o Super-Homem se encontrou com a kryptonita da realidade, não é mesmo? Segundo pesquisa Datafolha publicada na Folha deste domingo — os infográficos que aparecem nos posts foram extraídos do jornal —, se a eleição fosse hoje, este seria o resultado do primeiro turno.
Como se vê, o tucano Aécio Neves largaria na frente, com 33% dos votos. Lula, acostumado a ver o seu nome liquidar os adversários logo no primeiro turno (embora ele não tenha logrado esse feito nas duas vezes em que venceu), agora amarga um segundo lugar, com 29%. Marina Silva e Joaquim Barbosa obteriam, cada um, 13%; deram outras respostas 9%, e 3% disseram não saber. Dada essa distribuição, é evidente que o Apedeuta perderia numa simulação de segundo turno.
Sim, é bem verdade que ele ainda é apontado como o melhor presidente do Brasil, com 50% das menções, seguido por FHC, com 15%. Getúlio Vargas obtém 6%. A importância desse ranking é próxima de zero. O que sabem os atuais eleitores sobre presidentes do passado remoto? Espantoso, isto sim, é que, na lista, Dilma obtenha os mesmos 2% de Juscelino e Sarney…
A crise e a roubalheira, e isto preocupa os petistas de modo especial, estão sendo desastrosas também para a imagem e a reputação de Lula. Não por acaso, nos protestos de rua, ele é tão execrado como Dilma. E, mais do que a ambos, há o repúdio ao PT.
Faz sentido? Faz, sim! Tanto o partido como o Babalorixá de Banânia reagiram de modo furioso e desastrado ao descontentamento das ruas. Vejam, por exemplo, o incrível João Vaccari Neto. Afogado num mar de denúncias, o homem continua nada menos do que tesoureiro do PT. É ele quem cuida das finanças do partido. E só continua no posto porque, até agora, Lula banca a sua permanência.
Para lembrar: um terço do eleitorado é o que o PT costuma ter no país, ainda que o capeta seja o candidato. Lula ficou um pouco abaixo: 29%. Abaixo do capeta. Por Reinaldo Azevedo

Datafolha 2 – Larga maioria apoia o impeachment de Dilma: 63%; só 33% são contra

Datafolha abril impeachment vice
A pior de todas as notícias para Dilma Rousseff nesta pesquisa Datafolha de abril é a opinião dos brasileiros sobre o impeachment: nada menos de 63% dos entrevistados acham que, considerando tudo o que se sabe até agora sobre o petrolão, a Câmara dos Deputados deveria, sim, abrir um processo contra a presidente. O número é compatível com os 57% que dizem que ela sempre soube dos desmandos na estatal e nada fez e com os 26% que acreditam que, mesmo sabendo, ela não tinha como intervir.
Assim, até agora ao menos, os esforços feitos pela presidente para se descolar dos descalabros descobertos na estatal têm sido em vão. A população brasileira não acredita na sua inocência. E, convenha-se, não se pode achar que ela está sendo excessivamente rigorosa. Dilma era a gerentona da área nos oito anos do governo Lula — foi presidente do Conselho da estatal — e seguiu como o farol, a seu modo, da área energética em seu próprio mandato.
Os brasileiros sabem o que acontece se Dilma cair? Vinte e nove por cento afirmaram que “o vice” assume — sem citar o nome. Estão certos; outros 13%, “Michel Temer”. Somados os dois números, chega-se a 42%. Considerando que o impeachment de Collor e a ascensão de Itamar Franco já estão bem distantes da memória, que o vice-presidente, até havia pouco, tinha uma atuação discretíssima e que esse não é um tema frequente na imprensa, especialmente na TV aberta, o número me parece excelente.
Num dos textos da Folha, Mauro Paulino e Alessandro Janoni, escrevem:
“Também é característica do “Fora Dilma” a baixa taxa de conhecimento sobre o que acontece em caso de impedimento da presidente. No total da amostra, são apenas 12% os brasileiros que defendem a abertura do processo, sabem que o vice é quem assumiria e identificam corretamente Michel Temer (PMDB) como o virtual ocupante do cargo. A maioria, porém não sabe que o vice assume em caso de impedimento ou, quando sabe, desconhece Temer.”
Parece haver a sugestão de que os que pedem “Fora Dilma” são meio ignorantes. Eles também não devem ter lido Schopenhauer… “Ah, mas o filósofo não teria importância para o futuro político do Brasil”, dirá alguém. É verdade. Haver, no entanto, 42% que dão a resposta correta me parece muito auspicioso. Afinal, conhecer a regra sucessória, indicando o nome do substituto, não qualifica descontentamento. Ou qualifica? Não é preciso fazer vestibular para ir às ruas, certo? Nem para ser presidente da República, como se sabe…
E que se note: a imprensa toca muito pouco nesse assunto. E, quando o faz, é quase sempre para destacar que não haveria justificativa para o impedimento. Imaginem se adotasse o padrão da cobertura dispensada ao Collorgate… Naquele caso, havia uma espécie de ordem unida em favor do impeachment. E olhem que o escândalo era estupidamente menor. E, claro, não havia ninguém cobrando que os manifestantes recitassem de cor a Constituição.
Datafolha Abril impeachment dois
Dilma quer uma discretíssima notícia positiva? Embora a esmagadora maioria defenda o afastamento de Dilma (63%), número quase idêntico acha que isso não vai acontecer (65%). Só 29% acreditam nessa possibilidade. Serve de consolo. Por Reinaldo Azevedo

Datafolha 3 – Não há boa notícia para Dilma na pesquisa; expectativas dos brasileiros são extremamente negativas

Datafoloha Abril 2014
É bobagem os petistas tentarem forçar a mão. Não existem boas notícias para a presidente Dilma Rousseff na mais recente pesquisa Datafolha sobre a popularidade do seu governo e a percepção que têm os brasileiros da crise. A formulação de baixa voltagem da primeira linha da manchete da Folha deste domingo — “Reprovação a Dilma estaciona” não consegue compensar o desastre de opinião pública expresso na segunda: “maioria apoia o impeachment” (leia texto a respeito). O levantamento traz ainda uma péssima notícia adicional para o PT e para Lula: o prestígio do Babalorixá de Banânia também está indo para o ralo (leia post).
Sim, a reprovação estacionou, mas em que patamar? Há três semanas (16/17 de março), 62% consideravam seu governo “ruim ou péssimo”; agora, são 60% — uma variação dentro da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. Os que o veem como regular passaram de 24% para 27%, e os mesmos 13% dizem que é “ótimo ou bom”. Não é possível, obviamente, ver aí um tendência de melhora. Até porque a avaliação de áreas da administração, que se traduz também nas expectativas da população, segue catastrófica.
Há três semanas, 77% diziam que a inflação iria aumentar; agora, são 78% — em linha, note-se, com a contínua elevação do índice. Os mesmos 6% afirmam que ela vai cair. Acham que a situação econômica do país vai piorar 58% dos entrevistados, contra 60% há três semanas. E oscilaram de 15% para 14% os que apostam que vai melhorar. O pessimismo com o desemprego, tudo indica, está em alta. Os que estão convictos de que a taxa vai aumentar passaram de 69% para 70%, e os que fazem fé de que vá diminuir oscilaram de 12% para 10% — percepção que também está em consonância com a realidade.
Corrupção
Datafolha abril problemas
Entre os problemas do país, a saúde segue sendo o principal. Em março de 2011, a “corrupção” não aparecia entre os cinco mais citados. Nas jornadas de junho, já ganhava o terceiro lugar, posição mantida em julho de 2014, nos protestos da Copa. Agora, está tecnicamente empatada com aquele que é o principal flagelo dos brasileiros. E isso ajuda a explicar o péssimo desempenho de Dilma na pesquisa.
A Petrobras segue a lhe pesar nos ombros. Nada menos de 83% acreditam que ela sabia, sim, das lambanças na Petrobras. Para 57%, sabia e nada fez, e 26% dizem que sabia, mas não tinha como evitá-la. Só 12% acreditam na ignorância específica da governanta.
A estatal deve publicar em breve seu balanço, e é possível que a empresa inicie uma tímida trajetória de recuperação — vai demorar muito até que entre nos eixos. Há aí para Dilma um fiapo de esperança. A questão é saber como a presidente vai, digamos, injetar um pouco de ânimo nos brasileiros. Afinal, até as pedras sabem que os efeitos do necessário ajuste recessivo ainda não se fizeram sentir em sua plenitude. E recessão nunca serviu para alavancar popularidade de governantes. Por Reinaldo Azevedo