domingo, 5 de abril de 2015

Jornalista e filósofo Luis Milman protesta contra artigo antissemita publicado pelo jornal Zero Hora

Professor de jornalismo na Ufrgs (aposentado), jornalista com larga e importante atuação em grandes coberturas (como a da propina da jogatina durante o governo do petista Olívio Dutra, que acabou resultando na CPI da Segurança) e filósofo, o gaúcho Luis Milman não gostou de artigo publicado no jornal Zero Hora deste sábado, no qual um antropólogo defendeu o sacrifício de animais em cerimônias de umbanda, comparando-a com prática igual que ocorreria em atos religiosos em sinagogas de Porto Alegre e de todas as partes do mundo. Luiz Milman mostrou-se indignado nesta carta enviada para a diretora de redação do jornal, Marta Gleich, porque antes de mais nada o artigo é mentiroso, já que nenhum sacrifício de animal é realizado em qualquer cerimônia levada a efeito nas sinagogas. E por ser mentiroso, é antissemita, porque atribui aos judeus algo que eles não praticam. E para concluir, a diretora de redação de Zero Hora teve a decisão de mandar publicar o artigo na hora mais inadequada possível, justo na Páscoa Judáica (o Pessach), comemorada este ano junto com a Páscoa cristão. Isso foi mais um exemplo do corrupto domínio do esquerdismo petista nas redações do Grupo RBS, envolvido na Operação Zelotes. Leia a carta de Luis Milman: "Recebi muitas mensagens de judeus revoltados, pelo Facebook, tratando do artigo publicado por ZH, no sábado passado, dia 3 de abril. Comum a todas as manifestações, era a repulsa causada na comunidade judaica pelo citado artigo, de autoria de um antropólogo local, que fazia a defesa dos sacrifícios animais em rituais de batuque. Até aí, um tema admitidamente controverso e, por essa razão de interesse jornalístico. No entanto, o artigo avança para a formulação de uma simetria ritualística entre as práticas dos batuqueiros e os rituais realizados nas sinagogas judaicas, com base na sua informação de que nas sinagogas também é comum a prática de sacrifícios. E que no caso das últimas, não há pressão para que as práticas sejam proibidas devido ao receio da “poderosa comunidade judaica”. Para começar, uma palavra sobre o tal antropólogo: trata-se de um sabujo antissemita que se anuncia como pesquisador, mas que, em verdade, não passa de um infeliz palpiteiro sobre temas que não conhece. E não são temas difíceis de pesquisar para alguém que se diz antropólogo. Bastaria ter visitado algumas sinagogas locais e constatar que, nelas, não se faz sacrifícios de animais de qualquer espécie. E não se faz há mais de 2 mil anos, desde a queda do II Templo de Jerusalém. Mas a mixórdia publicada pelo tal antropólogo visava, se analisada com vagar, equiparar os estudos e a liturgia milenares de uma religião literária, que cumpre papel central na formação da cultura ocidental, com formas animistas de culto, para as quais a sangria de animais é ainda a parte central. Um arrematado despropósito, que se projeta da tentativa psicótica de propor a equivalência entre religiões e práticas rituais que não tem nada em comum. Quanto à denúncia feita pelo antropólogo, de que os rituais judaicos são tratados com panos quentes porque se teme a poderosa comunidade judaica, é forçoso dizer que, mais uma vez, um artigo antissemita, mentiroso e ofensivo com relação aos costumes judaicos, é publicado por Zero Hora, a exemplo do que já o foram tantos outros. Tem-se adotado esta norma em ZH, é de se constatar; e mesmo que os proprietários do grupo RBS sejam de origem judaica, ninguém sabe o que esta condição implica para eles. E fica a pergunta: qual a razão de publicar a excrescência antropológica justamente no dia em que os judeus comemoram o Pessach, a importante Páscoa Judaica, data na qual se recordam os milagres da saída do Egito? O que passou pela cabeça do editor(a) de opinião do jornal, ao permitir que tamanho despropósito, sem qualquer base factual, mentiroso e reprovável sob todos os pontos de vista, fosse publicado justamente neste dia? Tudo isto pode ser ocasional, mas não é o que parece. E aqui chegamos ao terceiro ponto. A forma inconsequente, amadorística e irresponsável com que são tratadas questões cultural e socialmente sensíveis para a comunidade judaica tem despertado um crescente asco por este jornal. Isso mesmo, asco. Muitas pessoas da comunidade já cancelaram suas assinaturas de Zero Hora devido a posturas ora pró-Palestina do noticiário sobre o conflito com Israel, ora no mínimo apressadas e até mesmo fraudulentas quando da abordagem de temas judaicos. Fica aqui minha indignação por mais esta violência cometida por Zero Hora contra a comunidade judaica do Rio Grande. Luis Milman, Porto Alegre".

OMBUDSMAN DA FOLHA RECLAMA DA LENIÊNCIA DA PRÓPRIA FOLHA NO TRATO DA OPERAÇÃO ZELOTES

Vera Magalhães e Otávio Frias
Diz a ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Vera Magalhães: "Só na última quinta-feira, uma semana depois do início, a operação (Zelotes) galgou a manchete deste jornal". Vera Magalhães exerce o cargo de ombudsman da Folha de S. Paulo, comandada por Otávio Frias Filho. Ela avisou: "A punição de quem paga suborno para levar vantagem não é só questão de Justiça, é aspiração de qualquer sociedade que se quer desenvolvida. O jornal Zero Hora, Porto Alegre, embora esteja envolvido diretamente no escândalo, já que seu grupo controlador, a RBS, está sendo investigado pelo uso de propinas para conseguir cancelar dívidas fiscais com a Receita Federal, tem publicado reportagens, inclusive citando-se, mas faz isto de modo marcamente formal, como quem cumpre um indesejado dever de casa. Seus jornalistas evitam falar na Operação Zelotes, mas quando fazem isto, demonstram tolerância que nunca tiveram em todos os casos de escândalo já conhecidos. Os demais jornais gaúchos evitam até mesmo tratar do assunto, receando incomodar o concorrente e blindando-se de futuras represálias". O caso só rola com vigor nas redes sociais. A RBS deve 672 milhões de reais para a Receita Federal. A acusação pesada contra ela é de que pagou 15 milhões de reais em propina para que fosse anulada uma parcela grande da sua dívida, de 150 milhões de reais. A imprensa do Rio Grande do Sul, meticulosamente dominada pelo PT, com redações tomadas em mais de 90% por jornalistas petistas, também evita falar e investigar da denúncia que pesa sobre o Grupo Gerdau, que também teria pago grossas propinas no caso Zelotes, para anular partes de sua gigantesca dívida de 1,2 bilhão de reais para a Receita Federal. 

Artigo de Fernando Henrique Cardoso - "Do governo Dilma há pouco a esperar"

Nas últimas semanas tenho dado entrevistas aos jornais e às TVs, talvez mais do que devesse ou a prudência indicasse. Por quê? A mídia anda à busca de quem diga o que pensa sobre o “caos” (a qualificação é oficiosa, vem da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) em que estaríamos mergulhados e é necessário que vozes da oposição sejam ouvidas. A crise atual marca o fim de um período, embora ainda não haja percepção clara sobre o que virá. Em crises anteriores, as forças opostas ao governo estavam organizadas, tinham objetivos definidos. Foi assim com a queda de Getúlio em 1945, quando a vitória dos Aliados impunha a democracia; idem na segunda queda de Getúlio, quando seus opositores temiam a instauração da “República sindicalista”; o parlamentarismo, igualmente, serviu de esparadrapo para que Jango pudesse tomar posse; em 1964 as “marchas das famílias pela liberdade” aglutinaram as forças políticas aos militares contra o populismo presidencial e, posteriormente, se entregaram a práticas autoritárias; deu-se o mesmo, por fim, quando a frente de oposição, liderada pelo PMDB, em aliança com dissidentes da antiga Arena, pôs fim ao regime criado em 1964. Em todos esses casos, previamente ao desenlace, houve o enfraquecimento da capacidade de governar e os opositores tinham uma visão política alternativa com implicações econômicas e sociais, embora se tratasse fundamentalmente de crises políticas. Mesmo no impeachment de Collor, a crise era política e a solução idem. Naturalmente, ajustes econômicos foram feitos em seguimento às soluções políticas, basta lembrar a dupla Campos/Bulhões nos anos 1960. Ou ainda, os planos Cruzado e Real, que se seguiram à Constituinte e à derrocada de Collor. No que se distingue o “caos” atual? Em que ele é mais diretamente a expressão do esgotamento de um modelo de crescimento da economia (como também em 1964 e nas Diretas Já), embora ainda não se veja de onde virá o novo impulso econômico. Mais do que de uma crise passageira, o “caos” atual revela um esgotamento econômico e a exaustão das formas político-institucionais vigentes. Será necessário, portanto, agir e ter propostas em vários níveis. Embora haja alguma similitude com a situação enfrentada na crise de Jango Goulart, nem por isso a “saída” desejada é golpista e muito menos militar. Não há pressões institucionais para derrubar o governo e todos queremos manter a democracia. Explico-me: a pretensão hegemônica do lulo-petismo assentou-se até a crise mundial de 2008, na coincidência entre a enorme expansão do comércio mundial e a alta do preço das commodities, com a continuidade das boas práticas econômicas e sociais dos governos Itamar/Fernando Henrique Cardoso. Essas práticas foram expandidas no primeiro mandato de Lula, ao que se somou a reação positiva à crise financeira mundial. Ao longo do seu segundo mandato, o lulo-petismo assumiu ares hegemônicos e obteve, ao mesmo tempo, a aceitação do povo (emprego elevado, bolsa-família, salário mínimo real aumentado) e o consentimento das camadas econômicas dominantes (bolsa BNDES para os empresários, Tesouro em comunicação indireta com o financiamento das empresas, Caixa Econômica ajudando quem precisasse). Só que o boom externo acabou, os cofres do governo secaram e a galinha de ovos de ouro da “nova matriz econômica” — crédito amplo e barato e consumo elevado — perdeu condições de sustentabilidade. Isso no exato momento em que o governo Dilma pôs o pé no acelerador em vez de navegar com prudência. Daí que o discurso de campanha tenha sido um e a prática atual de governo, outra. Some-se a isso a crise moral, na qual o Petrolão não é caso único. As oposições devem começar a desenhar outro percurso na economia e na política. Como a crise, além de econômica e social, é de confiabilidade (o governo perdeu popularidade e credibilidade), começam a surgir vozes por “um diálogo” entre oposições e governo. Problema: qual o limite entre diálogo político e “conchavo”, ou seja, a busca de uma tábua de salvação para o governo e para os que são acusados de corrupção? A reconstrução de uma vida democrática saudável e uma saída econômica viável requerem “passar a limpo” o País: que prossigam as investigações e que a Justiça se cumpra. Ao mesmo tempo há que construir novos modos de funcionamento das instituições políticas e das práticas econômicas. As oposições devem iniciar no Congresso o diálogo sobre a reforma política. Em artigo luminoso do senador Serra, publicado no “Estadão” de 26 passado, estão alinhadas medidas positivas, tanto para a reforma eleitoral como para práticas de governo. Iniciar a proposta de voto distrital misto nas eleições para vereador em municípios com mais de 200 mil eleitores é algo inovador (o senador Aloysio Nunes fez proposta semelhante). Há sugestões de igual mérito na área administrativa, como a criação da Nota Fiscal Brasileira, e ainda a corajosa e correta crítica ao regime de partilha que levou a Petrobras a se superendividar. De igual modo, o senador Tasso Jereissati apresentou emenda moralizadora sobre o financiamento das eleições, impondo tetos de doação de até 800 mil reais para os conglomerados empresariais e restrições de acesso ao financiamento público às empresas doadoras. Partidos que até agora apoiam o governo, como o PMDB, também têm propostas a serem consideradas. Sei que não basta reformar os partidos e o código eleitoral. Mas é um bom começo para a oposição que, além de ir às ruas para apoiar os movimentos populares moralizadores e reformistas, deve assumir sua parte de responsabilidade na condução do País para dias melhores.

Corte em obras públicas causa demissão de 25 mil trabalhadores

Pelo menos 25 mil trabalhadores foram demitidos devido à redução do ritmo das obras no País, segundo estimativa do presidente da Força Sindical, Miguel Torres. O número equivale a algo entre 5% e 8% de toda a força de trabalho direta do setor da construção civil no País. Para Torres, o horizonte para o setor é ainda mais sombrio. "O ciclo de obras do PAC 2 está acabando e muitos já seriam demitidos naturalmente. Sem novas obras, teremos o caos", afirma. As obras de grande porte fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que desde 2007 reúne projetos considerados prioritários para a infraestrutura nacional. Na teoria, eles estão a salvo de cortes orçamentários. Mas, na prática, isso não está ocorrendo. As empreiteiras que executam obras públicas reclamam que o ajuste fiscal do governo está sendo feito à custa do setor, que faz as obras e não estaria recebendo. O presidente da Constran, João Santana, disse que sua empresa é vítima de um "calote". Ele determinou a paralisação das obras de duas ferrovias por não receber da União há quatro meses. Outras companhias fizeram o mesmo, e a previsão é que 9.000 trabalhadores perderão seus empregos até o fim deste mês. No Dnit, responsável pela construção e manutenção de rodovias federais, o volume de pagamentos foi reduzido desde 2014. Segundo a Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias), o governo deve às companhias algo em torno de R$ 1,5 bilhão por faturas de 2014. A situação no órgão é considerada grave. O valor mensal destinado a pagamentos de obras caiu quase 70% nos últimos três meses, ante o pico de 2014. O que vem sendo pago nos últimos três meses, cerca de R$ 350 milhões ao mês, não é suficiente sequer para pagar a manutenção das estradas federais. Com a falta de verbas, obras de construção e ampliação de rodovias, como a BR-163 entre Mato Grosso e Pará, ou a BR-101 no Nordeste, sofrerão uma redução no ritmo de trabalho, atrasando ainda mais a sua conclusão. A única grande obra pública poupada dos cortes é a transposição do rio São Francisco, mas há problemas. Com dificuldades de crédito por causa da Operação Lava Jato, a Mendes Junior reduziu o ritmo de trabalho e demitiu. O Ministério dos Transportes, responsável por Dnit e Valec, diz que "aguarda a publicação da Lei Orçamentária, prevista para abril, e do decreto que disciplina a programação financeira para uma análise dos efeitos".

Um mês após lista de Janot, só 2 investigados foram ouvidos

Passado um mês desde que os inquéritos da Operação Lava Jato chegaram ao Supremo Tribunal Federal por meio da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, só 2 dos 21 investigados que devem prestar depoimentos sobre o caso foram ouvidos pela Polícia Federal. Devido a isso, e à necessidade de se buscar mais provas para o possível oferecimento de denúncias, o Ministério Público Federal deverá pedir nesta semana a prorrogação do prazo de 30 dias concedido inicialmente pelo Supremo para a realização das investigações. Somente o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foram ouvidos. Ambos negaram a participação no esquema de desvio de recursos da Petrobras. Apesar de o processo não correr mais de forma sigilosa ou em segredo de Justiça, tanto o Ministério Público como a Polícia Federal se negam a fornecer informações sobre os depoimentos e sobre a realização de outras diligências para a obtenção de provas. De acordo com os 26 pedidos iniciais de investigação, foram solicitadas 91 oitivas para o esclarecimento dos fatos. Como algumas pessoas vão prestar depoimento em mais de um processo, o número real de pessoas a serem ouvidas é menor. Entre as oitivas estão as de 21 políticos ou pessoas investigadas no Supremo, algumas dezenas de pedidos de depoimentos de réus da Lava Jato na Justiça do Paraná e de diversos outros envolvidos que não foram formalmente acusados, mas que podem ter participado do esquema. Também foram pedidos levantamentos sobre empresas, ligações societárias e contratos firmados com a estatal petrolífera. Questionados sobre quantas dessas 91 oitivas já haviam sido realizadas, tanto a Polícia Federal como o Ministério Público se recusaram a responder. Os dois órgãos disseram somente que "algumas" diligências haviam sido concluídas. Apesar de o processo não estar mais em sigilo, investigadores que atuam no caso ponderam que não seria conveniente para as investigações fazer um detalhamento do que foi ou não foi obtido. Sobre o andamento das investigações, integrantes do grupo de trabalho do Ministério Público que atua na Lava Jato têm dito, em conversas reservadas, que o fato de a maior parte dos depoimentos de investigados ainda não ter sido realizada não significa que os processos estejam caminhando lentamente. A avaliação dos procuradores é que o ritmo das apurações está satisfatório, com alguns casos evoluindo mais rapidamente e outros menos, o que seria natural.

Recusar propina no Carf dava "castigo", aponta investigação da Polícia Federal na Operação Zelotes

As investigações da Polícia Federal na Operação Zelotes apontam que empresas que se recusavam a pagar propina a integrantes de uma quadrilha que supostamente agia no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) eram punidas com "castigo" de até R$ 1 milhão por mês. A multa seria imposta à empresa se houvesse o julgamento no Conselho do processo a que ela estava respondendo e, por isso, a quadrilha pressionava para que a votação ocorresse rapidamente. O Carf é um órgão da Fazenda que julga, em segunda instância, casos em que o contribuinte já foi autuado. Em várias das interceptações feitas os suspeitos falam abertamente sobre os esquemas de corrupção. Em um diálogo entre o conselheiro Paulo Cortez e seu sócio, o advogado Nelson Malmann, o conselheiro diz que a quadrilha fazia absurdos contra os "pequenininhos" e que os "grandões" ficavam "livres". "É só pagar a taxa", diz o conselheiro. Os integrantes do esquema também conseguiam formas originais de receber a propina, dizem os investigadores. Eles comentam que, no caso do Santander, um dos conselheiros que votaram para que o banco fosse isento de uma multa foi convidado a dar uma palestra na instituição. Segundo Cortez, o conselheiro não quis voltar de avião, mesmo com passagem grátis, pois não queria "chamar a atenção" para a mala de dinheiro que estava trazendo. Cortez não informa o valor na conversa. O conselheiro voltou de ônibus para Brasília. Os valores são sempre contados a partir da casa dos milhões. Em um diálogo do ex-auditor da Receita e conselheiro do Carf, Jorge Victor Rodrigues, com Jefferson Ribeiro Salazar, também ex-auditor, eles falam em um pagamento de 20 (identificado pelos investigadores com R$ 20 milhões) para resolver o problema do Banco Safra. Segundo ele, parte do dinheiro teria de ser repassada à Procuradoria, identificada como a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão da Fazenda. "Nesses 20 (milhões) está também a Procuradoria, eles têm uma boca grande!", disse Rodrigues. No mesmo caso, Rodrigues e Salazar discutem a forma de receber o pagamento, já que o banco exigia que houvesse uma empresa de boa qualidade para receber o pagamento pela consultoria para evitar que a área de compliance (fiscalização interna) do banco suspeitasse da operação.

Crise da Petrobras cria ressaca do pré-sal e congela prédios em Santos

No centro histórico de Santos, três grandes torres se destacam na zona portuária pela modernidade – e pela ociosidade. Oito anos após a euforia da descoberta do pré-sal, os empreendimentos quase todos vazios são amostras da crise da Petrobras. Em meio ao escândalo da Operação Lava Jato e à desaceleração econômica, a estatal freou investimentos, o que atingiu em cheio a cadeia de projetos imobiliários e outros negócios na região. A própria Petrobras recuou: planejava erguer três torres comerciais no bairro do Valongo, mas só construiu uma – e, mesmo assim, ela ainda não está totalmente ocupada. Mais: o projeto de uma base logística foi abortado, e os investimentos previstos inicialmente pela prefeitura viraram água. A cadeia de óleo e gás, que daria suporte à estatal na cidade, não se concretizou, e o plano de revitalização do bairro – contrapartida exigida no projeto – não saiu do papel. Uma das torres que chamam a atenção é o Wave Offices, erguida pela Cyrela. São mais de 200 salas comerciais inauguradas há oito meses e, até o fim de março, nenhuma delas estava ocupada. Embora a Cyrela afirme que vendeu 84% das unidades, a maior parte no lançamento, em 2010, os proprietários não conseguem passar as salas adiante. Situação semelhante é do Blue Officemall, da Odebrecht, a 1,5 km do Valongo: o misto de shopping e salas comerciais (mais de 500) tem apenas 10% de suas unidades ocupadas atualmente. A terceira torre do bairro é o Valongo Brasil, em obras, também da Odebrecht, com mais de 500 salas – todas foram comercializadas na primeira semana de vendas, mas os proprietários têm dúvidas sobre a viabilidade de revenda e locação agora. "Na onda do pré-sal, as pessoas compraram esses imóveis para ter renda no futuro. A esperança agora está na recuperação da Petrobras para voltar a investir", afirma Carlos Ferreira, delegado do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) em Santos. Segundo dados da Geoimovel Tecnologia Imobiliária, entre 2011 e 2014, 3.253 unidades comerciais foram lançadas em Santos. Mas, no mesmo período, apenas 2.312 foram vendidas – saldo remanescente de 941 unidades. Por isso, investidores e proprietários das salas baixaram os preços e oferecem facilidades para a compra, como vouchers e entradas mais suaves, de apenas 30%. Quando lançadas, as salas comerciais se valorizaram e o preço do metro quadrado atingiu até R$ 9.000,00. Hoje, a média é de R$ 6.500,00.

Reservas internacionais de países emergentes caem após 20 anos

As reservas cambiais dos mercados emergentes caíram no ano passado pela primeira vez em duas décadas, porque as economias em desenvolvimento se viram prejudicadas pela perda de competitividade, fuga de capitais e preocupações quanto à política monetária dos Estados Unidos. Nove entre 10 economistas de mercados emergentes consultados pelo "Financial Times" disseram que os mercados emergentes haviam passado por um período de "pico de reservas" e poderiam continuar vendo uma redução de suas reservas de moedas estrangeiras pelos próximos meses. O declínio pode prejudicar a capacidade das economias emergentes para continuar comprando títulos de dívida dos Estados Unidos e países europeus, uma tendência que vem sendo um dos propulsores do crescimento do Ocidente na última década. "Passamos do pico das reservas cambiais nos mercados emergentes", disse Maarten-Jan Bakkum, estrategista sênior para mercados emergentes da ING Investment Management. "O pico veio em junho do ano passado. Desde então, vimos declínios em todos os grandes países de mercado emergente, excetuados México, Índia e Indonésia". O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na terça-feira que as reservas cambiais totais das economias emergentes e em desenvolvimento caíram em US$ 114,5 bilhões em 2014 ante 2013, para US$ 7,74 trilhões – o primeiro declínio anual desde que o FMI começou a acompanhar esse indicador, em 1995. Em seu pico, as reservas cambiais dos mercados emergentes atingiram US$ 8,06 trilhões no final do segundo trimestre do ano passado. Os dados recolhidos pela ING sobre as 15 maiores economias emergentes indicam que a queda se acelerou em janeiro e fevereiro deste ano, quando as reservas encolheram em US$ 299,7 bilhões. Os dados do ING também demonstram que as reservas encolheram em termos anualizados por três meses consecutivos, em dezembro, janeiro e fevereiro, outra tendência inédita para esse indicador. "O primeiro trimestre deste ano também deve mostrar declínio nas reservas dos mercados emergentes, em termos anualizados", disse Bakkum. "É uma mudança realmente significativa". A alta nas reservas dos mercados emergentes, de uma base de US$ 1,7 trilhão no final de 2004, vem sendo uma das fundações da economia mundial há uma década. Boa parte do capital absorvido pelos mercados emergentes como resultado de superávits comerciais, ingresso de capitais e investimento direto foi reciclado nos mercados de títulos dos Estados Unidos e Europa, o que ajuda a financiar o crescimento bancado por dívidas das economias desenvolvidas. Frederic Neumann, do HSBC, e outros economistas apontam para a influência da China na tendência da queda de reservas. O fim do chamado "carry trade" chinês – quando especuladores chineses reduziram sua captação em moedas estrangeiras depois que o yuan enfraqueceu no ano passado – causou uma saída recorde da conta de capital do país, de US$ 91 bilhões no terceiro trimestre do ano passado. Os economistas dizem que a dinâmica precedente pode estar se revertendo. "Tudo isso aponta para algo de mais preocupante. Se os mercados emergentes não estão mais acumulando reservas cambiais, o excedente mundial de poupança pode ser mais aparente que real", disse Neumann, economista do HSBC. O mundo "sentirá muita falta" da reciclagem das reservas dos mercados emergentes quando começar o aperto da política monetária nos países do Ocidente, ele acrescentou. Mas essas saídas de capital de maneira alguma se restringem à China. O medo do aperto da política monetária por Washington, em um ambiente de força para o dólar, também levou os devedores dos países emergentes a reduzir sua exposição a empréstimos denominados na moeda norte-americana. Além disso, os investidores dos mercados desenvolvidos reduziram seus riscos em alguns mercados emergentes.

BRASIL NO REGIME PETISTA APLICA SUPER-CALOTAÇO NA ONU


O governo Dilma consolida para o Brasil a reputação de mau pagador, após aplicar o “tombo” de US$ 259 milhões (equivalentes a R$ 813,2 milhões) na Organização das Nações Unidas. Só este ano, o Brasil já deveria ter pago US$ 79,6 milhões (ou R$ 249,9 milhões) à entidade. Todos os países-membros assumem o compromisso de manter, além da própria ONU, o tribunal internacional e também as missões de paz. A ONU mantém uma “Lista de Honra” com os nomes dos países em dia com obrigações junto à entidade. Nessa lista, “Brazil” não aparece. Países como Cuba, Bolívia, Equador e República Dominicana, destinos comuns de investimentos do BNDES, estão em dia junto à ONU. O Brasil é figurinha carimbada na lista de maiores devedores e até já foi citado pelo porta-voz da ONU como “exemplo a não ser seguido”. O Brasil passa vergonha também como “anão diplomático”, com sua política externa subjugada ao aspone trotskista petista Marco Aurélio Top-Top Garcia.

Reator destruído em Chernobyl ganhará um gigantesco escudo



Ao lado do local onde ocorreu o mais grave acidente nuclear da história, em Chernobyl, está sendo construída a maior estrutura móvel de que se tem notícia. O complexo de usinas nucleares domina a paisagem desta região do noroeste da Ucrânia há décadas. Mas a nova construção é ainda mais imponente. O objetivo do projeto é fazer um escudo gigante para "tampar" o reator 4, que explodiu em 26 de abril de 1986, em uma tragédia que deixou cerca de 4 mil mortos - algumas na hora, a maioria nos anos seguintes, em consequência da radiação - e forçou o deslocamento de 135 mil pessoas. A radiação na parte superior do reator ainda é muito intensa, e os danos à estrutura geram temor de que ela ceda, liberando ainda mais material contaminante. Uma área próxima foi esvaziada e descontaminada, para permitir que a estrutura móvel fosse construída ali, antes de ser colocada sobre o reator. Quando finalizada, ela pesará 31 mil toneladas, terá tamanho suficiente para acomodar dois Boeings 747 e será quase tão alta quanto catedrais como a de St. Paul, em Londres. Durante vários dias, será empurrada até que fique por cima do retor. Daí será selada A tarefa é de "uma complexidade e singularidade que nunca vimos", diz Vince Novak, encarregado do departamento de segurança nuclear do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento: "Até que o projeto termine, não estaremos seguros. O objetivo final é proteger o meio ambiente, conter a ameaça (nuclear) e lidar com o material radioativo que está lá dentro". Esse material é uma mistura de mais de 100 toneladas de urânio, uma de plutônio e outros elementos altamente contaminantes. Nos meses após o acidente — quando o reator explodiu e queimou durante dez dias, liberando radiação por diversos países da antiga União Soviética —, as autoridades tentaram resolver o problema com uma espécie de "sarcófago" de concreto e aço. Mas a medida temporária deixou pendentes reparos urgentes a serem feitos na estrutura. "Ela pode desmoronar de repente", diz Lenar Sagidulin, um dos gerentes que trabalhava na usina em 1986. Por isso, ele acha que a nova estrutura é "uma boa idéia". A cobertura é um complexo projeto de engenharia: foi projetado para supostamente resistir a um terremoto de magnitude 3, tornado de categoria 3 e temperaturas extremas, de -43ºC a +45ºC. Uma capa dupla ajuda a regular a temperatura e a umidade, e um sistema de ventilação será responsável por manter o pó radioativo preso lá dentro. O objetivo não é só isolar o reator danificado dos corrosivos efeitos climáticos, mas também criar um espaço para desmontar, com a ajuda de gruas movidas a controle remoto, seus componentes mais perigosos. A construção do sistema de confinamento deverá custar US$ 1,6 bilhão. Se somados os custos de segurança e descontaminação ao redor, a conta sobe para US$ 2,3 bilhões. A idéia é que a nova estrutura esteja instalada até novembro de 2017, quando já terão se passado 31 anos desde a tragédia. Mas espera-se que a proteção dure ao menos um século.

Pesquisa de universidade americana indica que o Rio de Janeiro recebeu 2 milhões de escravos africanos

Ruínas do local que funcionou como principal ponto de desembarque de escravos no Rio de Janeiro
Entre 1500 e 1856, a cada cinco pessoas no mundo que foram escravizadas, uma colocou os pés no Rio de Janeiro. Foi na região do Porto, onde hoje estão as avenidas Venezuela e Barão de Tefé, que atracou boa parte dos navios negreiros vindos da África, trazendo, inclusive, corpos de quem não resistiu à viagem. Por muito tempo, imaginou-se que pouco mais de um milhão de escravos desembarcaram na cidade — e mais 2,6 milhões teriam sido levados para outros pontos do litoral brasileiro. Agora, estudiosos afirmam que o número relativo ao Rio de Janeiro é muito maior que o estimado por vários historiadores. A tese é baseada em um minucioso banco de dados criado pela Universidade de Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos: o arquivo reúne registros portuários feitos ao longo de três séculos e meio. O trabalho está hospedado no site slavevoyage.org  e ganhará, dentro de algumas semanas, tradução para o português pela Casa de Rui Barbosa, em Botafogo. Segundo o novo levantamento, cerca de 2 milhões de escravos chegaram ao Rio de Janeiro. "O cálculo anterior, adotado por vários historiadores, era de autoria de Maurício Goulart, que publicou “Escravidão africana no Brasil’’, em 1949. Na obra, ele afirma que o Brasil recebeu 3,6 milhões de escravos. A estimativa de desembarque de pouco mais de um milhão no Rio de Janeiro foi baseada em registros feitos na região do Cais do Valongo entre 1758 a 1831. Houve outros pontos de desembarque no estado, e levantamos documentos referentes ao transporte de escravos em oito idiomas, datados de períodos anteriores e posteriores àquele de 73 anos que, até então, era o único considerado por estudiosos. Agora, temos um número mais preciso", diz Manolo Florentino, único brasileiro que participou do projeto. Na pesquisa da Universidade de Emory, 90% dos dados relativos à Região Sudeste se aplicam ao Rio de Janeiro, principal porta de entrada de navios negreiros no País. No estudo, foram catalogadas 35 mil viagens, que revelam um fluxo de 10,7 milhões de escravos em todo o mundo. Pesquisadores checaram documentos de vários países, incluindo Estados Unidos e Inglaterra, além do próprio Brasil e de nações do continente africano. Muitas vezes, não havia registro de chegada de um navio negreiro ao Rio de Janeiro, mas sua partida rumo à cidade estava documentada, por exemplo, em Portugal. E, além do Cais do Valongo, Copacabana e Botafogo e outros pontos do Centro serviram como locais de desembarque, mesmo que em escala pequena. De acordo com a pesquisa, cerca de 4,8 milhões de escravos chegaram ao litoral brasileiro. Outro número que chama a atenção, divulgado pela primeira vez, é o de total de vidas perdidas nos deslocamentos entre continentes — pelo levantamento da Universidade de Emory, cerca de 300 mil escravos morreram a caminho do Rio de Janeiro.

A tela de Jean-Baptiste Debret retrata escravos e soldados na região da Praça Quinze
"Os números da pesquisa podem ser ainda maiores. Estamos preparando uma atualização para os próximos anos", afirma o historiador David Eltis, coordenador do trabalho. Interessados podem acessar o site do projeto e, por meio de recortes históricos, pesquisar os períodos mais intensos do tráfico de escravos. Nos três primeiros séculos da colonização portuguesa, por exemplo, a Bahia recebeu 15% a mais de escravos que o Centro-Sul (na época, o Sudeste estava inserido nessa região). O panorama mudou depois de 1763, quando o Rio de Janeiro se tornou sede do governo geral. O historiador Marcus Dezimone, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que o apogeu da produção de ouro na capitania de Minas Gerais, em meados do século XVIII, fez o Rio de Janeiro se tornar um lugar estratégico para receber escravos da África e enviá-los às minas: "Tínhamos uma idéia da época em que o Rio ultrapassava a Bahia em número de escravos, mas a pesquisa da universidade americana é importante porque apresenta clareza sobre esse período. A partir da segunda metade do século XVIII, o número de escravos recém-chegados da África cresce no Rio e se estabiliza na Bahia. Nenhum lugar do Brasil servia tão bem à recepção de escravos como a cidade". Os países que mais enviaram escravos ao Rio de Janeiro foram Congo e Angola — no século XVIII, chegaram 720 mil. Depois de 1780, com o declínio da atividade mineradora no Brasil, boa parte deles foi levada para o Vale do Paraíba, no interior do Estado, onde, mais tarde, teve início uma grande expansão das lavouras de café. A pesquisa também traz um importante esclarecimento sobre a escravidão no século XIX: o Rio de Janeiro importou mais escravos do que Cuba para o trabalho nas lavouras de café. Entre 1831 a 1840, a estimativa é que desembarcaram por aqui 239 mil, contra 186 mil na ilha. O escritor e pesquisador Tâmis Parron, autor de “A política da escravidão no Império do Brasil’’, elogia o trabalho e destaca que, antes, esse fluxo só era dimensionado por questões geográficas. "As análises sempre penderam para o Rio pela posição da cidade em relação ao continente africano. Era mais barato para o traficante de escravos chegar ao porto carioca do que ir para Cuba", diz Parron. Outro período que carecia de informações mais detalhadas sobre a chegada de escravos ao Rio de Janeiro era o pós-1831 — ano de criação da Lei Feijó, que proibia o tráfico negreiro no Brasil. Pesquisando o site, constata-se que, num primeiro momento, a iniciativa deu resultado. Em 1831, chegaram 900 escravos à cidade, contra 31 mil um ano antes. No entanto, a partir de 1832, voltou a um ritmo galopante. Com a pressão britânica pelo fim da exploração humana, surgiu a expressão ‘‘lei para inglês ver’’. Entre 1835 e 1850, aproximadamente 564 mil escravos chegaram ao Rio de Janeiro ilegalmente, de acordo com a Universidade de Emory. Ao mesmo tempo em que o Rio de Janeiro ganha um importante banco de dados para entender melhor seu passado, a cidade vive a expectativa de ver o Cais do Valongo transformado em Patrimônio Cultural da Humanidade. O antropólogo Milton Guran coordena uma equipe multidisciplinar que, em setembro, enviará para a Unesco um dossiê para a candidatura: "No ano em se completam 450 da fundação da cidade, damos um passo na reconciliação com nossas raízes. O Rio nasceu indígena e ganhou batismo português, mas sua base étnica é composta pela negritude, que foi fundamental para nossa formação cultural".

Investigados na Operação Zelotes movimentaram R$ 1,2 bilhão


Apontados pela Polícia Federal como integrantes de uma organização criminosa, conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), lobistas e advogados investigados na Operação Zelotes movimentaram R$ 1,2 bilhão, em 21.541 operações bancárias. Segundo relatório de investigação da Polícia Federal, obtido pelo GLOBO, a maior parte foi movimentada pela SGR Consultoria, uma das empresas apontadas como de fachada criadas para dissimular a realização de negociações com empresas que sofreram autuações milionárias da Receita Federal. Sozinha, a SGR movimentou, entre 2005 e 2013, R$ 115,6 milhões. Isso sem contar as operações menores que R$ 5 mil, que não entraram no cálculo da PF em nenhuma das contas analisadas. “Em suma, quase a totalidade do dinheiro que entrou na conta da SGR Consultoria saiu, sendo que aproximadamente 84% do valor a débito foi retirado de forma que a distribuição não viesse a ser identificada pela instituição financeira”, diz o relatório da investigação. A família do ex-secretário-adjunto da Receita Federal, Eivany Silva, incluído o próprio, com dois filhos — José Ricardo Silva e Eivanice Silva — e outros sócios, têm ou já tiveram participação na empresa. Edison Pereira Rodrigues, que já presidiu o Carf, é um dos sócios. A Polícia Federal constatou que a SGR é uma empresa de "especialidade não sabida". A casa que aparece como sede da SGR, no Lago Sul, região nobre de Brasília, é apontada pelos investigadores da PF como local de reuniões para decidir o esquema. "Onde os irmãos (Silva) se reuniriam para tomadas de decisões relativas ao esquema de corrupção". A Polícia Federal detectou outra casa, também no Lago Sul, que seria o endereço residencial de Eivany. A conclusão dos agentes é que ali pode ser a sede da discussão dos esquemas: "Esse endereço se destacou pois o imóvel é aparentemente a verdadeira sede de atuação da suposta organização criminosa". José Ricardo da Silva aparece nas investigações da Polícia Federal como um dos comandantes do esquema. Ele foi conselheiro do Carf até fevereiro de 2014 e é sócio de nove empresas. "Ficou evidente que um dos principais vértices de conexões é justamente José Ricardo da Silva, tido como o articulador e possível chefe da suposta organização criminosa", afirma o relatório da Polícia Federal. Sozinho, José Ricardo fez movimentações financeiras atípicas, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao Ministério da Fazenda. Entre dezembro de 2004 a fevereiro de 2015, ele fez transações de R$ 19,6 milhões. Uma de suas empresas, a José Ricardo Advogados, é apontada como atuante no esquema. "O escritório J.R. Silva Advogados se mostra deveras importante já que tem como sócios José Ricardo e as conselheiras (do Carf) Adriana Oliveira e a sua irmã (de José Ricardo), Eivanice Canário da Silva". O relatório diz que José Ricardo, aos 40 anos, teve uma "ascensão meteórica". Os policiais analisaram várias contas dos integrantes da família Silva. Apenas na caderneta de poupança, José Ricardo da Silva recebeu R$ 4,4 milhões. Os dados dos investigadores mostram transações atípicas como seis depósitos feitos em dezembro de 2011 que somam R$ 663,8 mil. A Polícia Federal investigou não só os endereços das empresas envolvidas mas também os números dos telefones dos citados na investigação. Um dos números aparece duas vezes, como o do telefone da residência de Eivany e também como da SGR, numa loja comercial na Asa Norte, bem distante da casa: "É uma forte incongruência". O advogado Getúlio Humberto Barbosa, que atua na defesa de todos os integrantes da família Silva investigados pela Polícia Federal e de seus sócios, informou que o escritório da SGR Consultoria funciona sim na casa do Lago Sul, ao contrário do que apontou a Polícia Federal. É que não é uma empresa de fachada. Barbosa afirmou ainda que Edison Pereira Rodrigues, que já presidiu o Carf, não integra mais a sociedade da SGR há alguns anos.Getúlio Barbosa rebate o relatório da Polícia Federal e afirmou não achar correto apontar a família Silva como centro do núcleo corruptor do escândalo. "Acho uma coisa muita pesada colocá-los como núcleo do negócio. Realmente não é. A SGR era um escritório requisitado pela categoria do serviço também", afirmou. 

Terroristas do Estado Islâmico incendeiam igreja cristã no norte da Síria

Terroristas do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) incendiaram neste domingo uma igreja assíria na província de Al Hasaka, no nordeste da Síria, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Em comunicado, a ONG explicou que foi ouvida uma explosão na zona da igreja de Nossa Senhora, localizada na aldeia Tel Nasri, de onde rapidamente foi possível ver uma coluna de fumaça. Testemunhas responsabilizaram os jihadistas pelo incêndio que atingiu várias partes do templo cristão. A aldeia de Tel Nasri, dominada pelo Estado Islâmico, é habitada majoritariamente pelo grupo étnico assírio, de credo cristão. Os arredores da zona são palco há semanas de combates entre o Estado Islâmico e Unidades de Proteção do Povo Curdo, que contam com o apoio da milícia do Conselho Militar Siríaco. Estas últimas forças avançam de maneira lenta porque os jihadistas colocaram bombas em Al Nasri e seus arredores. O EI entrou em fevereiro passado nos povoados de maioria assíria de Al Hasaka, onde sequestrou várias centenas de membros deste grupo étnico cristão. Antes do início do conflito em território sírio, em março de 2011, havia 200 mil assírios. Hoje, restam entre 15 mil e 20 mil neste país. Seu idioma, o assírio, é uma mistura de acádio, uma antiga língua de Mesopotâmia, e de aramaico, também usado na liturgia.

Incêndio em Santos entra no quarto dia, e multa a empresa pode chegar a R$ 50 milhões


O combate ao incêndio no pátio da Ultracargo/Tequimar, em Santos, litoral sul de São Paulo, entrou no quarto dia neste domingo. Após mais de 70 horas de trabalho ininterrupto do Corpo de Bombeiros, três tanques ainda estão em chamas. Na madrugada deste domingo, as equipes conseguiram extinguir o fogo em um dos tonéis, na área industrial da Alemoa. Os bombeiros mantêm a estratégia de resfriamento constante da área, jogando água - retirada do mar pela embarcação Governador Fleury e transferida aos caminhões tanques -, em conjunto com uma espuma especial que tenta abafar o fogo. No sábado, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), informou que pediu ajuda ao governo federal, por meio do vice-presidente Michel Temer, e também à Petrobras. A estatal enviou caminhões com uma espuma específica para combate a fogo em combustível. Os tanques da Ultracargo atingidos pelo incêndio armazenam etanol e gasolina. Para acompanhar o incidente e integrar os trabalhos, o governo de São Paulo montou em Santos um gabinete de crise, com participação do vice-governador, Márcio França; dos secretários Saulo de Castro (Governo), José Roberto Rodrigues de Oliveira (Casa Militar), Alexandre de Moraes (Segurança Pública) e Patrícia Iglecias (Meio Ambiente). Também acompanham a situação o comandante do Corpo de Bombeiros, Marco Aurélio Alves Pinto; o subsecretário de Comunicação, Marcio Aith; o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, além das Secretarias Municipais de Segurança, Defesa Civil, Meio Ambiente e Saúde. Exército, Marinha e Aeronáutica apoiam a ação. "Não há necessidade de remoção dos moradores da área, a população pode ficar tranquila porque a evolução está sendo positiva com todas essas medidas preventivas. Se houver necessidade, estamos preparados com a união de todas as forças para qualquer situação de emergência", disse o prefeito de Santos, que também falou sobre os efeitos da fumaça produzida pela queima dos combustíveis, situação monitorada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB). "Não há registro de prejuízos à saúde da população", garantiu Barbosa. Moradores de bairros próximos, principalmente Piratininga e São Manoel, recebem avisos oficiais por telefone, e visitas às casas, sobre uma possível evacuação. A Prefeitura afirma que está preparada para a situação, com base na legislação que obriga o Poder Público a contar com um plano de emergência, que pode ser acionado quando necessário. O pátio tem 58 tanques, que armazenam etanol, gasolina, óleo diesel, óleos vegetais, fertilizantes líquidos e outros produtos químicos, inclusive solventes. Além do combate ao fogo, as equipes estão fazendo a inertização (isolamento) do conteúdo de alguns tonéis e transferindo o que está armazenado na área para outros locais. No total, a Ultragargo é dona de 175 tanques, espalhados pela região. A Cetesb informou na última sexta-feira (dia 3), que foram registradas mortes de peixes no canal do estuário da Alemoa, mas a companhia minimizou o incidente, sem explicar os motivos. Segundo a Prefeitura de Santos, a situação está em análise e um laudo será emitido em 30 horas. De qualquer forma, a população foi orientada a não consumir os pescados. Para Antônio Carlos Vendrame, professor, engenheiro e especialista em segurança no trabalho, saúde e meio ambiente, o maior risco está em possível vazamento do combustível para o solo. "A coluna de fumaça assusta porque é grande e escura, mas a quantidade de oxigênio na atmosfera e na Serra do Mar é muito maior. Por isso, a possibilidade de dano ambiental é desprezível. O alerta é necessário para a possibilidade de vazamento do combustível no solo. Essa sim seria uma catástrofe", explica Vendrame. A secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, esteve no local do incêndio no sábado e falou sobre possíveis penalidades à Ultracargo. "Existe uma legislação estadual. E também é possível aplicar Decreto Federal o nº 6.514. A multa chegaria a R$ 50 milhões, mas a aplicação depende de uma análise mais detalhada", diz.

Documentos e testemunha mostram que Dilma avalizou o contrato de montagem do Estaleiro Rio Grande, envolvido desde a sua origem em esquemas fraudulentos e por onde escoaram mais de R$ 100 milhões em propinas para os cofres do PT e aliados

A Operação Lava Jato já concluiu que, a partir de 2010, pelo Estaleiro Rio Grande, escoaram propinas de cerca de R$ 100 milhões para os cofres do PT e aliados. A constatação foi extraída a partir de delações premiadas, dentre elas a do ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, e de Gerson Almada, vice-presidente da Engevix. A partir das próximas semanas, o Ministério Público terá acesso a um outro capítulo sobre as falcatruas que envolvem o estaleiro e, pela primeira vez, um documento com a assinatura da presidente Dilma Rousseff será apresentado aos procuradores que investigam o Petrolão. Trata-se do contrato que deu início a implementação do Estaleiro Rio Grande, em 2006. Dilma, na época ministra da Casa Civil, assina como testemunha. Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras e hoje na cadeia, assina como interveniente, uma espécie de avalista do negócio.
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O documento será entregue aos procuradores por um ex-funcionário da Petrobras que resolveu colaborar com as investigações, desde que sua identidade seja preservada. Ele atua há 30 anos no setor de petróleo e durante 20 anos trabalhou na Petrobras. Além do contrato, essa nova testemunha vai revelar aos procuradores que desde a sua implementação o Estaleiro vem sendo usado para desviar recursos púbicos e favorecer empresas privadas a pedido do PT. Na semana passada, a testemunha antecipou à ISTOÉ tudo o que pretende contar ao Ministério Público. Disse que o contrato para a implementação do Estaleiro é fruto de uma “licitação fraudulenta, direcionada a pedido da cúpula do PT para favorecer a WTorre Engenharia”. Afirmou que, depois de assinado o contrato, servidores da Petrobras “foram pressionados a aprovar uma sucessão de aditivos irregulares e a endossarem prestações de contas sem nenhuma comprovação ou visivelmente superfaturadas”. Um mecanismo que teria lesado a estatal em mais de R$ 500 milhões.
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O contrato que os procuradores irão receber foi assinado em 17 de agosto de 2006. O documento tem 43 páginas e trata sobre a construção física do estaleiro. De acordo com as revelações feitas pelo ex-funcionário da Petrobras, para escapar do rigor da lei das licitações, a estatal incumbiu a Rio Bravo Investimentos DTVM de conduzir a concorrência. O processo licitatório, segundo a testemunha, foi dirigido de modo que a WTorre superasse outras gigantes do setor e fechasse um negócio de R$ 222,9 milhões para erguer a infraestrutura física do estaleiro adequado à construção de plataformas semi-submersíveis. “A Camargo Corrêa chegou a oferecer uma proposta melhor do que a da WTorre, mas depois a retirou e apresentou outra com valor muito maior”, lembra o ex-funcionário da estatal. “A gente ouvia que a WTorre estava ajudando o PT em São Paulo e deveria ficar com a obra. Havia uma forte pressão da cúpula do PT”. O ex-funcionário da Petrobras não diz nomes, mas os procuradores da Lava Jato têm informações de que o ex-ministro Antônio Palocci seria o consultor da WTorre nessa operação. Tanto Palocci como a empreiteira negam. A WTorre afirma que participou de uma concorrência absolutamente regular, cumpriu com sua parte no contrato e posteriormente vendeu os direitos de exploração do estaleiro.
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Finalizada a concorrência para a montagem do Estaleiro, a Rio Bravo voltou à cena, segundo a testemunha, tornando-se gestora do negócio e adquirindo os direitos decorrentes da construção e do contrato de locação por dez anos. “A Rio Bravo converteu esses direitos em quotas do fundo imobiliário que foram adquiridos pela Petrobras (99%). Deu-se então outra operação heterodoxa: uma emissão de certificados de recebíveis imobiliários (CRI), gerando assim uma receita antecipada para os envolvidos na negociação. Em contratos públicos, normalmente a empreiteira só recebe após a comprovação de que realizou determinada etapa de uma obra. Nesse caso, o dinheiro caiu antes na conta”, afirma a testemunha. De acordo com o ex-funcionário, “a Petrobras assumiu todo o risco e bancou 80% do empreendimento”. Para o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho, toda a operação precisa ser apurada. “A presidente Dilma referendou um contrato repleto de suspeição, fruto de uma operação extremamente nebulosa, ao lado de um ex-diretor da Petrobras que foi preso pela Operação Lava-Jato. Caberá à CPI e à força-tarefa da Lava-Jato se debruçar sobre esse fato”, disse o parlamentar. Mendonça Filho ressalta que o contrato entre a Rio Bravo e o Estaleiro Rio Grande “é o primeiro documento nas investigações da Petrobras com a assinatura da então ministra e hoje presidente Dilma”. Para o líder parlamentar, a Petrobras foi “irresponsável”. “Tudo isso mostra uma relação absolutamente promíscua, que claramente lesa o interesse da própria empresa e repete a conexão de alimentação ilegal do sistema político”, afirmou. Ao revelar o que sabe para os procuradores da Lava Jato, a nova testemunha vai complicar a situação de Renato Duque e de Pedro Barusco. Segundo o ex-funcionário da estatal, em sua delação premiada Barusco omitiu o que ocorrera antes da venda do Estaleiro pela WTorre a Engevix, que conduziu as negociações para a compra dos navios-sonda, que renderam propinas de R$ 40 milhões ao PT. “A delação do Barusco se refere a algo posterior, depois que o estaleiro foi vendido pela WTorre para a Engevix e o Funcef. Mas, não sei por que razão, ele preferiu não dizer o que aconteceu antes disso”, disse o funcionário. Barusco, segundo a testemunha, acompanhou a obra do estaleiro desde a assinatura do contrato de 2006. “Tivemos algumas reuniões com ele. Era muito gentil e objetivo. Fazia perguntas técnicas sobre o projeto”, lembra. Para o trabalho “político”, o sub de Renato Duque também tinha um sub, o gerente de Implementação de Projetos, Antonio Carlos Alvarez Justi, apelidado de Barusco do Barusco.
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Outra fraude revelada pelo ex-funcionário da Petrobras se refere a aditamentos milionários. De agosto de 2006 a setembro de 2010, segundo a testemunha, foram assinados 12 aditivos, tanto para reajuste do valor do contrato como para o alargamento de prazos. Alguns desses aditivos, de acordo com a testemunha, foram justificáveis, outros não. “Sempre a decisão política prevaleceu sobre a técnica”, diz. Em 2007, a Petrobras anunciou que encomendaria ao estaleiro, além das plataformas submersíveis, cascos de navios-sonda. Com isso, o projeto precisou ser ampliado. Foi firmado um novo contrato de R$ 216,8 milhões, totalizando R$ 440 milhões. Em 2008, a WTorre entrou com pedido de um aditivo de R$ 365 milhões. “Criou-se uma comissão de negociação para avaliar o pleito e o Justi cobrou uma solução rápida. Ele estipulou o prazo de 30 dias para a comissão analisar o pleito e elaborar a minuta do contrato, algo humanamente impossível”, revelou a testemunha. Justi, de acordo com o funcionário, resistia a que o tema fosse levado ao Departamento Jurídico da Petrobras por não querer questionamentos. Nesse caso, porém, uma comissão interna da estatal reagiu. Providenciou uma auditoria nas planilhas de custos apresentadas pela WTorre revelando que pelo menos R$ 150 milhões do total do aditivo solicitado eram injustificáveis. “Eram valores sem comprovação. Custos forjados para superfaturar o valor do contrato”, afirmou o ex-funcionário. Mas o alerta feito pela comissão interna da Petrobras não surtiu o efeito desejado. Dois anos depois, conforme planilhas da Rio Bravo, o valor da obra alcançou R$ 711,6 milhões. E, graças a uma nova suplementação de recursos, ao final, a obra foi orçada em R$ 840 milhões.
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Em 2010, foi anunciada a venda do Estaleiro Rio Grande para a Ecovix, uma companhia criada pela Engevix em parceria com o Funcef. Embora o negócio só tenha sido oficializado em junho, há indícios de que a transação já estava acertada nos bastidores desde o início do ano. A testemunha conta que Gerson Almada, vice-presidente da Engevix atualmente preso pela Polícia Federal, foi comemorar o acerto num bar bastante reservado, localizado no interior de uma loja de bebidas no Centro do Rio de Janeiro. “Ele estava muito animado. Todos que estavam na mesa riam muito”, lembra. Para formalizar o negócio da Engevix com a Funcef, segundo a testemunha, Almada teria recorrido novamente aos préstimos de “um cacique do PT”. “O Almada nunca escondeu que contava com o apoio da cúpula do partido”, afirma a testemunha. À imprensa, a Engevix anunciou que todo o negócio envolvendo a compra do Estaleiro custou R$ 410 milhões. Para o ex-funcionário da estatal, “o valor real foi pelo menos o dobro". Com as revelações dessa nova testemunha, o Ministério Público deverá aprofundar a investigação em torno dos negócios envolvendo o Estaleiro Rio Grande. Os procuradores, no entanto, não poderão dar maior atenção ao fato de Dilma ter assinado o contrato. Caso encontrem indícios de crime no documento, todas as provas serão submetidas ao Supremo, dado ao foro privilegiado da presidente, que não pode ser investigado em primeira instância. No universo político a reação é outra. O deputado Mendonça Filho já adiantou que pedirá que a CPI entre no caso. A construção do Estaleiro Rio Grande já havia motivado requerimentos dos deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Eliziane Gama (PPS-MA). Valente pedirá prioridade na convocação do ex-ministro Antonio Palocci, depois que reportagem publicada na semana passara por ISTOÉ revelou que ele teria intermediado repasses ao PT a partir de consultorias para a WTorre.
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O fato de assinar o contrato não implica nenhum malfeito ou crime à presidente Dilma Rousseff. No entanto, especialistas ouvidos por ISTOÉ criticam o modelo de contratação do negócio e a participação da Petrobras como interveniente no contrato assinado por Dilma. O advogado Roberto Schultz, especialista em contratações públicas, acha que é importante analisar, no conteúdo do contrato, em que base se deu a participação da Petrobras. Segundo ele, é incomum ver uma empresa estatal ou de economia mista entrando como um terceiro num contrato entre empresas privadas. Esse interveniente geralmente é um “avalista” do acordo para casos de descumprimento de obrigações contratuais. “É muito raro. É difícil imaginar que alguém de uma empresa do porte da Petrobras colocaria seu carimbo em um contrato. Quando algo é muito feio você não diz que é feio, você diz que é diferente. Acho que é o caso”, afirma. A presença de Dilma e da Petrobras no contrato, segundo ele, espelharia o nível de envolvimento desses agentes com o projeto. “Mostra que as empresas envolvidas têm muita força, muita influência política”, diz. Schultz ressalta que “não faz sentido Dilma subscrever o contrato nem como ministra da Casa Civil nem como presidente do Conselho de Administração da Petrobras”. “Conselheiro não é um cargo de administração". Também atuante na área de contratos empresariais, a advogada Suelen Santos avalia como “atípica” a participação de autoridades públicas como “testemunhas” no contrato. No caso, apenas “sócios” ou administradores legitimamente constituídos deveriam avalizar o negócio. Ela lembra que a presença de testemunhas é um requisito para casos de litígio. 

Senador Blairo Maggi avisa, "a economia do Brasil está indo ladeira abaixo"


Um dos maiores produtores de soja do mundo, o senador Blairo Maggi (PR-MT) não esconde mais sua preocupação com o cenário econômico que o País enfrenta. Na sua visão, “o Brasil está indo ladeira abaixo” e 2015 é “um ano perdido”. Integrante da base de apoio do governo no Congresso, o senador acha que a situação seria mais favorável se a presidente Dilma Rousseff tivesse adotado uma postura diferente, descentralizando suas decisões e promovendo, por exemplo, um amplo enxugamento da máquina administrativa. Ele cobra, também, a redução da burocracia federal, o que, na sua opinião, atrapalha o crescimento do Brasil. “O governo é um paquiderme, um elefante que não se mexe”, critica. E, apesar de ter apoiado a campanha pela reeleição de Dilma e de ter visitado recentemente Cuba com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador diz achar que hoje não se aliaria novamente a um candidato do PT à Presidência. “Acho que prefiro uma alternativa diferente, nova.” A seguir, os principais trechos da entrevista:
O sr. integra a base de apoio do governo e apoiou a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mas, nas últimas semanas, tem criticado publicamente o governo e previsto um cenário de grandes dificuldades na economia. Qual é a sua avaliação do quadro do País nesse momento?
Vivemos duas crises. Uma política e outra econômica. E elas são intimamente ligadas. Não existe possibilidade de você debelar uma sem resolver a outra. Vão ter de resolver as duas partes juntas. Na parte econômica, todo mundo sabe como é que está. O Brasil está indo ladeira abaixo. Parece que Brasília ainda não percebeu o tamanho da recessão que vem por aí. É muito grande o número de pessoas que ficarão sem emprego até o fim do ano.
O sr. prevê esse cenário?
Esse cenário já está acontecendo. A gente conversa com o empresário A, B, C ou D e todo mundo está com o pé no freio e se preparando para se desmobilizar. Deixaram de investir e estão cortando. Eu cito o meu exemplo. Na minha empresa, nos últimos anos, sempre tinha muitos projetos andando, construção de silos, pequenas centrais elétricas, um porto, um negócio ou outro, e, neste ano, eu não tenho nada. As coisas vão acontecendo, o crédito vai sumindo. O sujeito fala: bom, eu preciso também me resguardar para o futuro. Preciso fazer como os ursos fazem: guardar gordura para o inverno. Eu vejo por mim. Então, vamos ter aí pela frente um processo bem complicado.
Que atitude o sr. espera da presidente Dilma em relação a esse quadro?
Penso que a presidente precisa dar demonstrações. Precisa de mudança de postura. Em consonância com o que os movimentos de rua falam, e o que a gente ouve também, é que um dos sinais que se espera por parte do Executivo é que ele faça o corte na própria carne. E as medidas que o governo tomou até agora são de enxugamento de despesa. Mas essas despesas são, na verdade, despesas entre aspas, porque são enxugamento de investimentos. Então, você corta investimento e retrai mais ainda o processo de crescimento. 
O que o sr. propõe?
Temos 39 ministérios. É muito. Tem 14 deles que são secretarias. As pessoas só têm o status de ministro. Aí falam: ah, mas aí você vai economizar pouca coisa. Não é questão de quanto você economiza. É questão da mudança de postura. É o gesto. Temos aí milhares e milhares de cargos comissionados no País. Corta 20 mil, corta 30 mil. Tenho certeza que o País vai andar melhor.
Cortar esses funcionários não poderia pôr em risco a eficiência da máquina administrativa?
Nada. Vai é melhorar a eficiência. Essa burocracia toda vive exatamente para atrapalhar o processo. A gente não consegue andar direito nesse País. É tanta agência, tanto ministério, tanto departamento que o empresariado fica doido. Não sabe mais para que lado correr para fazer os investimentos dele. Não sabe nem a quem pedir mais. Quando você vai fazer, por exemplo, um pedido de porto, você não sabe mais a quem recorrer. Por último, agora, a Secretaria de Patrimônio da União acabou se envolvendo em tudo que é questão de rios, mares. Eles mesmo não sabem quem é que fala depois do outro. 
O sr. é senador pelo PR, integra a base de apoio do governo, tem boa relação com a presidente Dilma. Chegou a conversar com ela sobre esses problemas?
Já fiz isso pessoalmente. Outros líderes também o fazem. E não acontece nada. O governo é um paquiderme. Um elefante que não se mexe. É um negócio complicado demais.
O ministro Joaquim Levy chegou a falar numa palestra, e depois disse que foi mal interpretado, que a presidente tenta acertar, mas nem sempre da maneira mais fácil. O sr. acha que é isso o que acontece?
Acho que a máquina do governo é muito grande. Mas acho que a presidente tem boa intenção. Quando ela foca num assunto e você conversa sobre aquilo, ela entende do assunto. Mas tem aquela história que fala assim: está na mesa da presidente para decidir. Só que a mesa é muito grande. Da ponta da mesa até chegar nela é muito grande a distância. E aí o País vai se enrolando cada vez mais. Mas ela é uma pessoa bem intencionada. Só que, na centralização que está o governo e com uma falta de poder de decisão da parte dos ministros, de autonomia para que eles possam decidir dentro dos parâmetros que foram acertados, isso tem deixado a máquina pública mais lenta. Não se decide de medo.
O PIB de 2014 mostrou um crescimento de apenas 0,1%. Qual previsão o sr. faz para o crescimento deste ano?
O cenário será bem complicado. Mesmo com esse ajuste fiscal. Porque o governo terá de fazer o ajuste para depois começar a acelerar. O efeito que aconteceu até agora ocorreu por conta da macroeconomia. Tem uma outra parte que ainda vai ser prejudicial que é em função do próprio ajuste. Penso que 2015 é um ano perdido. E 2016 vão ter de trabalhar muito para fazer com que ele seja melhor do que esse.
A que o sr. atribui a queda de popularidade da presidente, logo depois de ser reeleita, e a intensidade das manifestações de rua contra o governo?
Acho que esse processo foi acelerado pela Operação Lava Jato. Porque coincidiu a questão da Lava Jato com, entre aspas, a quebra da Petrobrás, e com o aumento do combustível. O senso comum na rua diz: quebraram a Petrobrás e agora querem que a gente pague a conta. Nem se lembram que, nos últimos anos, o governo fez uma política beneficiando a sociedade e prejudicando a própria Petrobrás. Porque parte do buraco que a Petrobrás tem é pela falta de reajuste do combustível nos momentos em que o preço do petróleo foi muito para cima. Esse processo para mim foi acelerado e capitalizado pela Lava Jato. As pessoas pensam que o aumento do combustível se deu para cobrir o buraco da Petrobrás, a roubalheira que aconteceu lá.
Além de empresário, o sr. é político. O sr. vê nas suas bases insatisfação a ponto de ameaçar os partidos da base governista já nas eleições municipais de 2016?
Não tenho dúvida. Vai ser na veia. Acho que todos os candidatos que usarem o número 13 para disputarem as eleições municipais serão derrotados. A insatisfação é muito grande.
O sr. citou o número 13, que é o do PT. O sr. acha que está se esgotando um ciclo de poder do partido?
Acho que é o fim do ciclo sim, ou uma alternância. Sempre defendi muito na política que haja uma alternância no poder. Porque isso faz bem e é salutar para a democracia. Já estamos entrando no quarto mandato petista, já vamos para 16 anos de duração. E isso não é bom.
O sr. e seu partido fazem parte da base de apoio do governo e fizeram campanha pela reeleição da presidente. Hoje, manteria seu voto nela e apoiaria um candidato indicado pela presidente?
Acho que não. Acho que prefiro uma alternativa diferente, nova.
O sr. sempre foi próximo do ex-presidente Lula. Recentemente, acompanhou-o a Cuba numa visita. Tem conversado com ele sobre esses problemas?
Tenho conversado sim. A última vez foi numa reunião com a presença de vários senadores, na casa do senador Renan Calheiros, onde ele fazia um apelo pela governabilidade, para que não se criasse tanto stress como está acontecendo agora. Mas ele também reclama da postura do governo. Da forma como muitas coisas são colocadas e não são discutidas com a base de apoio. O PMDB reclama muito. E reclama por quê? Nessa reunião, foi feita seguinte comparação. O governo é um avião. Tem o comandante e o copiloto. Nós (PMDB) não somos nem o comandante, nem o copiloto. Somos o comissário de bordo. Olha, está aqui o saquinho de vomitar, está aqui a garrafa de água. Fecha a cortina. Aperte o cinto. Mas na hora em que dá uma carga lá na frente, quem tem de socorrer? É o comissário de bordo. O que o PMDB diz, e boa parte da base também gostaria disso, é que ele quer participar não só na aprovação das propostas. Mas na formulação.
O sr. acha que a base está alijada desse processo?
Ah, está. Todos os partidos da base estão. Tanto é que a reação que tem no Congresso hoje é de todo mundo. O PMDB verbaliza mais porque é o maior partido, tem as presidências da Câmara e do Senado. O presidente Lula tinha esse costume de conversar. Eu era governador quando ele era presidente. Lembro que, quando foi lançar o PAC 1, ele fez várias ligações para os governadores. Ligou para mim e mostrou: olha, vamos fazer isso, fazer aquilo. Ele já tinha decidido fazer. Mas compartilhava aquela idéia que estava nascendo. Falta isso hoje ao governo.
O sr. chegou a dizer no Senado que pensou em deixar o Brasil. É verdade?
Mas isso não sou só eu. Uma boa parte do empresariado brasileiro se pergunta muitas vezes: o que é que estou fazendo aqui? Pelo grau de dificuldade. Não é que não se goste. Não quero ir embora. Quando a gente fala isso, é um desabafo. Você vai nos Estados Unidos e vê como eles funcionam. Tudo é tão tranquilo, tão programado. Aqui é toda uma confusão.
O que o sr. considera confusão?
Agora mesmo, essa operação que tem aqui do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Tenho certeza de como essas coisas acontecem. Pega o fiscal. Ele interpreta a lei do jeito que ele quer. Mete uma multa no valor que ele quer. Bota a multa pesadíssima. O que resta para o empresariado? Ele tem de ir nas vias administrativas. Pode ser que o caso dessas empresas, e a gente não pode julgar antes, pode ter sido que alguém veio vender uma facilidade depois para resolver uma dificuldade que tinha sido criada lá atrás. 
O sr. falou do Carf, mas a Operação Lava Jato também envolve muitas empresas grandes com acusações de corrupção em contratos com a Petrobrás. Acha que existe uma cultura de corrupção no País envolvendo empresas e administrações públicas?
Na questão das obras, é um pouco diferente porque foi criado um clube, um cartel. Pelo que a gente lê, esse cartel era de oito ou nove empresas. Depois viraram dez, 15. E a medida que foi crescendo, foi fugindo de controle. 
O sr. acha que a reforma política, com a alteração do modelo de financiamento das campanhas, poderia mudar esse quadro?
Acho que sim. Eu resisti, durante algum tempo, à idéia de alguns colegas de Senado que acham que não deve ter dinheiro de empresas nas campanhas. Mas eu cedi a essa alternativa e hoje defendo que as empresas não devem participar. Precisam criar regras, obviamente, para ver como será feita a doação, até porque campanha sem dinheiro não se faz. Mas, à medida em que se proibir as empresas de colocar dinheiro, vai diminuir e muito a contribuição para as campanhas. Bom, se tiver menos dinheiro, vai se contratar menos e vai ter de se buscar soluções mais baratas. Se tiver pouco dinheiro, tenho certeza que as campanhas vão se adaptar a isso.

Deputados tucanos querem que FHC oriente oposição no Congresso

Em meio à maior crise política enfrentada pela presidente Dilma Rousseff, a bancada do PSDB na Câmara recorreu ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que ele atue pessoalmente na definição das estratégias da oposição no Congresso. O líder da sigla, deputado federal Carlos Sampaio (SP), trabalha para promover uma reunião entre os parlamentares e o ex-presidente na segunda semana de abril. A movimentação ocorre depois que ficou evidente que o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") tem orientado nomes do PT no Congresso e cobrado deles a defesa do governo. Os tucanos, porém, negam que a intenção seja usar a mesma tática petista. Seria a segunda grande reunião de FHC com nomes de seu partido no Congresso. Há cerca de um mês, o ex-presidente esteve com a cúpula da sigla no Senado em São Paulo: Aécio Neves (MG), José Serra (SP), Aloysio Nunes (SP), Tasso Jereissatti (CE) e Cássio Cunha Lima (PB). Esse encontro ocorreu às vésperas de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregar a primeira lista de políticos investigados na Operação Lava Jato. Segundo pessoas próximas a FHC, ele se mostrou solícito ao pedido, mas está com problemas para conciliar sua agenda com o calendário proposto pelos deputados. A ideia do líder do PSDB era levar FHC à Brasília no dia 10 de abril, para que ele encerrasse o primeiro ciclo de seminários desenvolvidos pela sigla neste ano. "O ex-presidente poderá ajudar com clareza o nosso planejamento estratégico", disse Carlos Sampaio. Ele afirma que estará com FHC nesta segunda-feira (6) para tentar acertar os detalhes do convite.

STF retoma julgamento sobre lei que regulamenta organizações sociais

O Supremo Tribunal Federal retoma nesta semana, após o recesso de Páscoa, o julgamento sobre a constitucionalidade da Lei das Organizações Sociais (9.637/98), na ação impetrada pelo PT e PDT, em 1998, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os partidos questionaram, principalmente, a dispensa de licitação em contratos entre a União e organizações sociais. Na época, os partidos alegaram que a lei é inconstitucional e transfere responsabilidade do Poder Público para particulares, ofendendo os princípios da legalidade e do concurso público na gestão de pessoal. O processo tem dois votos a favor da derrubada de parte da lei. O julgamento será retomado com voto vista do ministro Marco Aurélio. Também estão pautadas para as próximas sessões propostas de súmulas vinculantes e de ações diretas de inconstitucionalidade que aguardam julgamento, depois de pedidos de vista. Foram pautados até o momento cerca de 50 processos para as sessões de quarta (7) e de quinta-feira (8). Entre eles, somente um trata de assunto penal. O plenário deve julgar um recurso do ex-deputado federal Romeu Queiroz, condenado no processo do Mensalão do PT, para ter direito a cumprir regime aberto, sem o pagamento da multa aplicada no julgamento. A prioridade para julgamentos de questões que têm impacto nas instâncias inferiores faz parte da estratégia do presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. A medida foi possível depois da decisão do Supremo que remeteu para as duas turmas da Corte a competência para julgar inquéritos e ações penais, processos que levam mais tempo para serem analisados pelo plenário.

Nível do Cantareira sobe para 19,3%, mas sistema ainda opera com volume morto

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que, mesmo sem chuva, o nível do Sistema Cantareira subiu 0,1 ponto porcentual. Neste sábado, o manancial estava com 19,3% de sua capacidade de reserva. Apesar do contínuo aumento verificado na quantidade armazenada das últimas semanas, os reservatórios ainda operam com o volume morto, reserva técnica que precisa ser bombeada. O nível das represas precisa subir 10 pontos percentuais para atingir o volume útil. Esse era o nível registrado em 16 de maio do ano passado, quando houve esgotamento dos reservatórios. A partir daí, os consumidores abastecidos pelo Cantareira passaram a receber água do volume morto. O uso das reservas representou acréscimo de 182,5 bilhões de litros (18,5% do total) na capacidade do sistema. O Sistema Alto Cotia permaneceu estável, com 64,8% da capacidade. Os demais sistemas que abastecem a regão metropolitana de São Paulo tiveram quedas nos níveis. O Alto Tietê perdeu 0,1 ponto percentual e está com 22,4% da capacidade. O Sistema Guarapiranga alcançou queda de 0,2 ponto percentual, chegando a 84,7%. O Rio Claro atingiu 43% da capacidade, com perda de 0,1 ponto percentual. O Rio Grande registrou queda de 0,1 ponto percentual e opera com 96,5% da capacidade.

Avião cai na Venezuela com 1 tonelada de cocaína

Um avião de pequeno porte caiu em Cojedes, na Venezuela, com quase 1 tonelada de cocaína. O acidente aconteceu na última quinta-feira (2) e matou os três ocupantes da aeronave. O local do acidente fica a cerca de 250 quilômetros de Caracas, capital venezuelana. De acordo com o Ministério Público da Venezuela, a polícia verificou que o veículo transportava “999,06 quilogramas de cocaína”. A droga estava dividida em 863 pacotes. As vítimas não foram identificadas. A Venezuela é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um país de trânsito para traficantes de entorpecentes, principalmente os da vizinha Colômbia. Em 2013, a Guarda Bolivariana apreendeu 39 toneladas de vários tipos de droga. O regime bolivariano chavista é narcotraficante.

Aeroportos registraram mais de 230 vôos cancelados neste sábado


Os aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e pela iniciativa privada registraram 233 vôos domésticos cancelados até as 17h deste sábado. O número equivale a 18,9% do total de decolagens previstas. De acordo com o balanço, 25 partidas estavam atrasadas. Pela manhã, foram registrados 155 cancelamentos. Nos vôos internacionais, não há registro de atrasos. Segundo a Infraero, 1,4 milhão de passageiros deviam passar pelos 60 terminais administrados pela estatal até este domingo (5). A empresa estima que o movimento será 1,83 % menor em relação ao período da Semana Santa de 2014. Nos aeroportos concedidos à iniciativa privada, o dia com maior movimentação de passageiros foi quinta-feira (2), quando foram registrados cerca de 390 mil embarques e desembarques. O dados são referentes aos terminais de Brasília (DF), Guarulhos (São Paulo), Viracopos (Campinas), Galeão (Rio de Janeiro), Confins (Belo Horizonte) e São Gonçalo do Amarante (Natal).