segunda-feira, 9 de março de 2015

Aneel rejeita pedido da Gerdau e hidrelétricas não sairão do papel


Após 12 anos de espera, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai rejeitar um pedido da Gerdau para realizar o reequilíbrio financeiro e rever o prazo de contrato de dois projetos hidrelétricos pertencentes a gigante nacional do aço. Prevista para ser oficializada no mês de março, a decisão da agência, joga um "balde de água fria” sobre o projeto das usinas que, há mais de uma década, esperam autorização para serem construídas no Estado do Paraná. A Gerdau é dona das concessões das usinas São João, com 60 megawatts (MW) de potência, e Cachoeirinha, de 45 MW. Os dois contratos foram adquiridos pela companhia gaúcha em 2008, após negociação com empresa paulista Enterpa Energia, proprietária original das concessões. Previstas para serem construídas no Rio Chopim, no oeste do Paraná, esses dois projetos demandariam investimentos de aproximadamente R$ 500 milhões, mas não saem do papel. O grande problema está no licenciamento ambiental do complexo hidrelétrico, processo tocado pela Secretaria de Meio Ambiente do Paraná. As duas usinas foram leiloadas em 2002, quando hidrelétricas ainda podiam ser concedidas à iniciativa privada sem ter o seu licenciamento ambiental aprovado. Essa regra mudou em 2004, quando foi decidido que usinas só poderiam ir a leilão depois de obterem licença ambiental prévia. Por mais de dez anos, as duas usinas ficaram na gaveta, por conta das complicações ambientais. Em 2008, quando a Gerdau assumiu os projetos, chegou a declarar que as usinas estariam em operação em 2011. Não teve sucesso. Em agosto de 2014, já com a licença prévia dos projetos, o grupo siderúrgico recorreu à Aneel para pedir o reequilíbrio financeiro dos contratos das usinas. Na prática, a empresa pediu que o prazo de contagem da concessão seja reconsiderado. A alegação é de que já se passaram 12 dos 35 anos previstos na concessão, ou seja, mais de um terço do prazo para construir e explorar comercialmente o empreendimento. É esta solicitação que, agora, será negada pela diretoria da Aneel. A diretoria da presidência do Conselho de Administração da Gerdau é que terá de explicar o caso para os acionistas do Grupo Gerdau. A decisão tomada pela Aneel sobre as usinas da empresa reforça um posicionamento já tomado pela agência em 2012. Na época, a Gerdau já tinha feito uma primeira tentativa de "reequilibrar" os contratos da indústria, mas a solicitação foi rejeitada. A empresa chegou a pedir que o caso fosse encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, sob alegação de que a decisão final deveria ser tomada diretamente pela Pasta, e não pela agência. O diretor da Aneel, Tiago de Barros Correia, no entanto, negou a transferência e tomou a decisão final. A Gerdau diz que não quer se pronunciar, nem mesmo sobre os desdobramentos que dará para as suas concessões. Mas, ela precisa se pronunciar, porque é uma empresa de capital aberto que tem que dar explicações bem claras para os seus acionistas e mercado acionário. Entretanto, não há nenhuma estranheza nestas atitudes do Grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Este barão do aço fez parte do Conselho de Administração da Petrobras por um enorme tempo, e jamais, nunca mesmo, percebeu a roubalheira que estava ocorrendo na estatal. E isso mesmo com Johannpeter sendo também o chefão do programa de qualidade na administração pública no Brasil. No fim do ano passado, em palestra sobre competitividade e governança realizada na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Gerdau declarou que a falta de competitividade e governança do Brasil fazem o País ter um baixo crescimento econômico. Claro, está compreendido, não é mesmo?

Investigado, Collor ataca Ministério Público

Investigados na Operação Lava Jato, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) subiu à tribuna do Senado nesta segunda-feira (9) para criticar o Ministério Público e se defender das acusações de envolvimento com o esquema de desvio de recursos na Petrobras. Collor fez sucessivos ataques à Procuradoria Geral da República, autora do pedido de investigações ao Supremo Tribunal Federal, enquanto Paulo Roberto Costa disse ser inocente. Ex-presidente da República, Collor discursou por mais de 20 minutos sem fazer qualquer menção às acusações apontadas pelo Ministério Público. O senador usou a fala para denunciar a existência do que chama de "grupelho" na Procuradoria Geral da República, com postura "parcial" e que, segundo ele, acusou políticos de envolvimento na Lava Jato sem fundamentos reais. Alberto Youssef, um dos delatores do esquema, disse em depoimento que o ex-presidente da República recebeu cerca de R$ 3 milhões em propina em negócio da BR Distribuidora. O fato não foi citado por Collor em seu discurso. "Só nos resta lamentar a postura parcial e irretratável frente a todo o processo de um grupelho instalado no Ministério Público que, oportunamente, passou a influenciar e a ditar a atuação do procurador-geral da República. Condutas dessa espécie, sob o manto de um inimaginável poço de virtudes éticas, não fortalecem as instituições, menos ainda amadurecem a nossa democracia", afirmou Collor. O ex-presidente classificou de "covardia" a peça apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em que seu nome figura entre os investigados da Lava Jato. Segundo Collor, o Ministério Público errou ao listar políticos como envolvidos no esquema de corrupção base nos depoimentos colhidos nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. "O Ministério Público atuou até aqui exclusivamente em depoimentos de notórios contraventores da lei, cuja credibilidade não recomenda, de pronto, a certeza e a pacificação da veracidade das informações". Collor ainda acusou o Ministério Público de fazer "vazamentos seletivos" na Lava Jato de forma "tendenciosa" para prejudicar os acusados. "Cinismo. Isso chega a ser uma agressão. Sonegar de forma absoluta as informações das pessoas citadas definitivamente não se coaduna com o Estado de Direito", afirmou o senador. 

Delator levanta suspeita sobre negócio de R$ 2,7 bilhões fechado pelo petista Sérgio Gabrielli

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, relatou, em depoimento prestado no acordo de delação premiada fechado com a Operação Lava Jato, uma operação considerada "suspeita" na qual o ex-presidente da Petrobras, o petista José Sérgio Gabrielli (PT-BA), autorizou a compra de uma refinaria em 2007. Naquele ano, a Petrobras pagou R$ 2,7 bilhões pela empresa petroquímica Suzano. O ex-diretor da Petrobras revelou à força-tarefa da Lava Jato que o valor desembolsado ficou "em um patamar bem superior ao mínimo fixado no 'range', face a uma decisão unilateral do então presidente Sérgio Gabrielli". O ex-presidente não repassou aos diretores, segundo Costa, "maiores detalhes" sobre o negócio. O ex-diretor revelou à Lava Jato que a Gerência Executiva de Novos Negócios e "os bancos que assessoravam a Petrobras na negociação" haviam estabelecido "um 'range', que representaria os limites máximo e mínimo de precificação" da petroquímica. A decisão que levantou as suspeitas, segundo o delator, foi comunicada por Gabrielli aos outros diretores da estatal do petróleo "em uma reunião de caráter interno da Petrobras na cidade de São Paulo, convocada especificamente para tratar da aquisição". Depois a mesma decisão foi "referendada pela diretoria (em uma reunião de cunho formal) e pelo Conselho da Petrobras". Em outro depoimento, Costa também afirmou que o então chefe de gabinete de Gabrielli, Armando Tripodi, concordou que uma CPI recém-criada no Congresso, em 2010, "deveria ser barrada". O ex-diretor contou ter se reunido com o então deputado federal Sérgio Guerra (PSDB-PE), ex-presidente nacional do PSDB, falecido em 2014, e o deputado federal Dudu da Fonte (PP-PE), No encontro, "se discutiu como barrar a CPI para investigar" a Petrobras. Segundo Costa, a CPI "não era de interesse nem da situação nem da oposição", pois se tratava de um ano eleitoral. Costa disse que levou o assunto a Armando, que "concordou" com a ideia de barrar a CPI. Segundo Costa, conforme o resumo do depoimento feito pelo Ministério Público Federal, "o PSDB queria compensação de R$ 10 milhões para barrar a CPI". O ex-diretor então procurou um executivo da Queiroz Galvão, Ildefonso Colares Filho, que depois lhe teria informado que "fez o repasse em favor de Guerra, sem dizer como isso teria sido feito ou quem recebeu o valor". Ildefonso teria comentado com Costa que uma CPI seria "um mau negócio". "Os R$ 10 milhões foram 'debitados' dos recursos a serem recebidos pelo PP dentro do 1% gerido por Paulo Roberto Costa", afirma o resumo do depoimento produzido pelo Ministério Público Federal. Quando indagado sobre a eventual participação de Sérgio Gabrielli nos "repasses de recursos oriundos da Petrobras para políticos", Costa disse acreditar que sim, "em razão de ter sido indicado ao cargo pessoalmente pelo então presidente Lula". Mas ele não apresentou provas documentais da afirmação. Em 2007, ao falar da aquisição da Suzano Petroquímica, Gabrielli disse que o negócio fazia parte da estratégia da estatal de se tornar um ator de peso na petroquímica. Naquele mesmo ano, a Petrobras havia comprado o grupo Ipiranga, em um negócio de US$ 4 bilhões, em associação com Braskem e Ultra. Na época, um comunicado da Petrobras informou: "A aquisição da Suzano contribuirá para garantir os interesses da Petrobras no movimento de reestruturação do setor petroquímico nacional, especialmente no que se refere à consolidação do Pólo Petroquímico do Sudeste, proporcionando condições para o surgimento de empresas nacionais com escala internacional".

Paulo Roberto Costa recebeu propina de R$ 2 milhões por obra em refinaria

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, admitiu em sua delação premiada ter recebido R$ 2 milhões em propina da construtora Alusa. De acordo com Costa, a empresa pagou o suborno em 2008, depois de vencer a licitação para construir a casa de força da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O contrato era de R$ 960 milhões. A Alusa está entre as empresas investigadas por suspeita de participação no esquema de corrupção da Petrobras.

Ministro Joaquim Levy defende poupança individual para sustentar a Previdência

O ministro da Fazenda, o liberal Joaquim Levy, defendeu nesta segunda-feira (9) o papel da poupança individual do brasileiro como motor para investimento no país e forma de garantir a sustentabilidade previdenciária. "A população brasileira segue trajetória de envelhecimento, e avançam os desafios para sustentar benefícios e honrar compromissos financeiros sociais àqueles que já deram sua contribuição para um Brasil maior", afirmou. Quem é que, de cara limpa, vai entrar em uma barca furada dessas, em um País que não respeita as regras e o dinheiro das pessoas é apropriado pelo Estado? "Poupança individual é importante para garantir bem-estar no futuro, é parte da educação financeira, um complemento fundamental às ações do governo para garantir sustentabilidade previdenciária e compatibilidade com o equilíbrio fiscal", completou. Segundo Levy, o crescimento da poupança é o caminho para criação de novos instrumentos financeiros que facilitem investimento: "Investimento baseado no crédito tem limite, que rapidamente se descobre". O ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, falou nesta segunda da importância da educação financeira no planejamento das famílias, e criticou pontos do modelo atual. Segundo Gabas, o País passa por um momento de transição demográfica, em que a população está envelhecendo, mas que ainda se aposenta cedo. "A expetativa de sobrevida está batendo 84 anos, e a sociedade brasileira ainda tem como premissa que deve se aposentar aos 50. A média de aposentadoria hoje é 54 anos. Tem um equívoco aí. Por falta de informação, as pessoas acabam tomando medidas que são prejudiciais a elas próprias", defendeu. Os ministros participaram da cerimônia de abertura da 2ª Semana Nacional de Educação Financeira, organizada, entre outras entidades, pelo Banco Central. Para Levy, a poupança deve fazer parte da educação financeira dos brasileiros, nas escolas: "Trazer diretamente para sala de aula, ampliar o alcance da poupança na educação financeira é oportuno, tem que ser esforço de todos nós": "Como toda democracia, as coisas não se dão só por decisões do governo, se dão por inúmeras decisões individuais. Esse é o espírito da educação financeira - dar todos os instrumentos para pessoas tomarem as melhores decisões para si e para toda a sociedade". O ministro defendeu ainda que as famílias lancem mão de seguros, como forma de se protegerem contra imprevistos e para o futuro. "Sociedades desenvolvidas cada vez mais têm seguros", disse: "Isso se traduz em previsibilidade e bem-estar, capacidade das famílias de se programarem". E o governo vai garantir contra a quebra de seguradoras fraudulentas? O governo é muito brincalhão. 

Deputados do PP que recebiam todo mês votavam com governo, diz o doleiro Youssef

Em termo de declaração prestado à Justiça dentro de seu acordo de delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que parlamentares do PP que recebiam valores mensais do esquema de desvios de recursos da Petrobras fiavam "vinculados" a votar com o governo. "O parlamentar não recebia por uma votação específica, mas os parlamentares que recebiam estes valores mensais ficavam vinculados a votar junto com a liderança, em favor do governo", diz trecho do depoimento. Ainda segundo Youssef, líderes do PP recebiam entre R$ 250 mil a R$ 500 mil por mês. Na lista, ele cita os deputados Nelson Meurer (PP-PR), Mário Negromonte (PP-BA), João Pizzolati (PP-SC) e Pedro Corrêa (PP-PE) – este último condenado por sua participação no esquema do Mensalão do PT. No depoimento o doleiro ainda diz que para o restante da bancada de deputados eram reservados cerca de R$ 1,5 milhão ao mês, que seria dividido pelos parlamentares pelo líder da sigla. Youssef também diz que os deputados deveriam ter conhecimento da fonte ilícita dos recursos recebidos, uma vez que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, era "voz corrente no partido", para quem, inclusive, foi oferecido um jantar com quase todos os integrantes da sigla presentes. Entre as declarações, Youssef ainda cita alguns nomes do PP que, em sua avaliação, não recebiam recursos do suposto esquema criminoso: deputado Paulo Maluf (SP), ex-deputada Rebeca Garcia (AM), deputado Dimas Fabiano (MG), deputado Renzo Braz (MG), ex-deputado Pastor Vilalba (PE), deputada Iracema Portela (PE), deputado Esperidião Amim (SC), deputado Guilherme Mussi (SP), deputado Jair Bolsonaro (RJ) e senadora Ana Amélia (RS).

Deputado do PMDB declarou ter R$ 1,8 milhão em dinheiro vivo

Investigado no Supremo Tribunal Federal por suspeita de participação no esquema de corrupção da Petrobras, o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 1,8 milhão em dinheiro no ano passado. A quantia em espécie chamou a atenção da Procuradoria-Geral da República, que pediu ao Supremo a abertura de inquérito para apurar suas relações com o doleiro Alberto Youssef e com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal. Em seus depoimentos, Paulo Roberto Costa apontou Aníbal Gomes como sendo o interlocutor do presidente do Senado, Renan Calheiros, junto ao esquema da Petrobras. Segundo Paulo Roberto Costa, Gomes era quem transmitia-lhe os pleitos de Renan, outro nome na lista de investigados no Supremo. Na petição enviada ao Supremo, a Procuradoria Geral da República alerta para o crescimento da quantia em dinheiro que pertencia a Aníbal Gomes. O deputado informou à Justiça Eleitoral manter R$ 1,3 milhão em espécie na campanha de 2010, quando concorreu a uma cadeira na Câmara. O montante representava 20% de seu patrimônio registrado à época. Quatro anos mais tarde, disputando a reeleição, Gomes declarou R$ 1,8 milhões em dinheiro vivo, valor equivalente a quase 90% de todos os seus bens naquele ano. "Registre que não há, em princípio, nenhuma vedação legal à manutenção de recursos em espécie. Porém, não havendo indícios veementes do envolvimento do deputado (...), ressai como fora de contexto normal dos fatos a manutenção de tais quantias em espécie, notadamente em período pós-eleitoral", salientou o Ministério Público. O mesmo documento detalha as doações à campanha de Renan Calheiros feitas pelas empresas do cartel que atuavam na Petrobras, por intermédio do diretório estadual do PMDB. O levantamento do Ministério Público junto ao Tribunal Superior Eleitoral mostra que, juntas, cinco empreiteiras contribuíram com 2,5 milhões para Renan Calheiros em 2010, quando ele disputava a eleição ao Senado. Esse montante foi doado pelas construtoras Camargo Corrêa, OAS, UTC, Galvão Engenharia e Envegix ao PMDB de Alagoas e, em seguida, repassado ao então candidato. "Os vultosos valores recebidos por Renan Calheiros (em princípio como 'doações oficiais') de várias empresas em que já se demonstrou estarem diretamente envolvidas na corrupção de parlamentares", informa o Ministério Público. A Procuradoria Geral da República lembra ainda, na petição, que uma das formas de pagamento de propinas (...) era exatamente a realização de várias doações registradas oficialmente aos diretórios dos partidos. Renan Calheiros informou por meio da assessoria de imprensa que jamais autorizou o deputado Aníbal Gomes a falar em seu nome e reiterou que todas as doações recebidas são legais e foram devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

Governo argentino quer que o HSBC devolva US$ 3,5 bilhões ao país

O governo da Argentina quer que o HSBC devolva ao país US$ 3,5 bilhões que teriam sido transferidos à Suíça por clientes argentinos em transações ilegais. "O HSBC construiu uma plataforma para ajudar os clientes a evadir impostos", afirmou nesta segunda-feira (9) Ricardo Echegaray, diretor da Afip (Administração Federal de Receita Pública), órgão responsável pelos assuntos fiscais do país. A declaração foi dada em entrevista coletiva em Londres. Echegaray esteve no Parlamento britânico, onde acompanhou os depoimentos de executivos do HSBC, entre eles o CEO, Stuart Gulliver, aos membros da Câmara dos Comuns. Segundo o chefe fiscal argentino, esse valor de US$ 3,5 bilhões refere-se apenas a um período de 2006. Desde novembro, o governo argentino diz que cerca de 4.000 clientes argentinos utilizaram o HSBC para abrir contas suspeitas na Suíça. De acordo com Echegaray, as autoridades de Buenos Aires querem saber se a matriz do HSBC apoiou as transações feitas entre a filial argentina e a agência de Genebra, na Suíça, apontada como centro das operações ilegais. "Sem coletar impostos, não há governo, não há política pública, não há Estado, ou seja, não há país", disse Echegaray. Os executivos do HSBC foram chamados de "incompetentes" por membros do Parlamento britânico por causa das atividades de evasão fiscal estimuladas pela agência da Suíça. O caso é conhecido como SwissLeaks. Uma apuração jornalística internacional teve acesso a dados de 30 mil contas do HSBC obtidos por Hervé Falcian, ex-funcionário do banco em Genebra. As informações foram entregues por ele às autoridades da França em 2008. A documentação aponta que, entre 2006 e 2007, correntistas brasileiros tinham pelo menos US$ 7 bilhões na agência em Genebra.

Republicanos ameaçam derrubar acordo com Irã após saída de Obama

Um grupo de 47 senadores republicanos divulgou uma carta nesta segunda-feira (9) ameaçando derrubar a aprovação dos Estados Unidos ao acordo com o Irã sobre o programa nuclear assim que terminar o mandato do presidente muçulmano Barack Obama, em 2017. O documento é a segunda tentativa dos republicanos de interferir na política externa de Obama e é mais um capítulo da briga do mandatário americano com seus adversários políticos, que dominam o Legislativo desde novembro. Nele, os republicanos afirmam que qualquer acordo internacional requer a aprovação de dois terços do Senado. Caso contrário, só terá valor como um acordo do Executivo, que poderá ser derrubado após a saída de Obama. "O próximo presidente poderia revogar esse acordo do Executivo com uma canetada e legislaturas futuras poderão modificar seus termos a qualquer momento", dizem os senadores na carta. Os adversários de Obama afirmam que um acordo seria insuficiente e ineficaz para impedir que a República Islâmica tenha uma bomba atômica e já propuseram desde o endurecimento de sanções até uma declaração de guerra contra os iranianos. O presidente ironizou a postura dos rivais. "Acho que é um pouco irônico que alguns parlamentares queiram se juntar à mesma causa da linha dura iraniana. É uma coalizão incomum", disse. Ele disse confiar na aprovação popular do acordo. Pouco antes, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que a carta é um caminho para a guerra e uma tentativa de minar a política externa da administração Obama. Para o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, a carta é uma tentativa de minar as negociações, que terminam no fim do mês. "Esta carta não tem valor legal e é mais um esforço de propaganda". Dentre os esforços de propaganda citados por Zarif, está a visita do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que foi ao Congresso americano para se pronunciar contra o acordo nuclear com o Irã. 

Raio atinge área do Batalhão da Guarda Presidencial e deixa 31 feridos

Um grupo de 31 militares que fazem parte do Batalhão da Guarda Presidencial ficou ferido após ser atingido por um raio nesta segunda-feira (9), em Brasília. Segundo informações do Exército, o grupo passava por uma instrução militar em uma área aberta próximo ao batalhão, que fica no Setor Militar Urbano, quando começou uma forte chuva. O Samu foi chamado para atender as vítimas por volta das 15h50. Após serem socorridos, os militares foram levados ao Hospital das Forças Armadas e ao Hospital de Base. Parte do grupo teve queimaduras e ainda passa por exames, mas não há risco de morte, de acordo com o Exército.

Justiça apreende o passaporte de juiz do caso Eike Batista

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) decidiu acatar pedido do Ministério Público Federal e apreendeu o passaporte do juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal. Souza era o responsável pelos processos contra o empresário Eike Batista na Justiça Federal. O passaporte de Souza foi entregue nesta segunda (9) por seu advogado, Renato Tonini à Justiça. O pedido de apreensão foi feito pelo procurador da República José Augusto Vagos. Souza responde a procedimentos administrativos e penais. Até o momento, não há uma ação penal contra ele. Se for comprovada a prática de um crime, o procurador Vagos pedirá a abertura de um processo contra o magistrado. A atuação desse juiz no caso do bilionário de papel Eike Batista é completamente suspeita. A Corregedoria já descobriu que R$ 27 mil dos R$ 90 mil apreendidos de Eike Batista que desapareceram da 3ª Vara Federal. O dinheiro deveria estar em um banco mas foi guardado na vara. Sumiram ainda da ante-sala de Souza US$ 443,00 e 1.000 euros. Em moeda estrangeira, a Polícia Federal apreendeu o equivalente a R$ 37 mil. Servidores da Vara Federal estão sendo convocados para prestar depoimento. Eike Batista é réu por "insider trading" (negociação de ações com informação privilegiada) e manipulação de mercado, na venda de ações da OGX e da OSX. A defesa do empresário nega as acusações.

Eduardo Cunha diz que defesa vê incoerências em acusação

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta segunda-feira (9) que a avaliação inicial de sua defesa sobre o inquérito que apura seu envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras apontou várias "incoerências" no pedido do Ministério Público Federal e acolhido pelo Supremo Tribunal Federal. Eduardo Cunha se reuniu nesta segunda-feira com o advogado Antonio Fernando de Souza, ex-procurador-geral de Justiça, autor da denúncia do Mensalão do PT, para discutir o parecer do atual procurador-geral, Rodrigo Janot. No encontro, ficou acertado que a defesa vai solicitar cópias dos vídeos com as gravações dos delatores e será feita varredura em todos os pedidos de abertura de inquéritos. Ao todo, o Supremo autorizou investigação de 49 políticos, sendo 34 congressistas. Além de Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também figura será alvo do Supremo. Eduardo Cunha foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef de receber propina por um contrato com a petroleira. Eles nega quaisquer irregularidades e acusam o governo de ter atuado para que eles fossem alvos de investigação. "Fui olhar com ele todo o conteúdo. Ele (advogado) vai entrar com o requerimento para pedir os vídeos, os conteúdos das delações para que se possa formar esse detalhamento. Ele acha um absurdo, concorda em gênero, número e grau com a posição que a gente tem e levantou várias outras incoerências que eu ainda não tinha levantado e vai levantar mais", disse o peemedebista. Entre os problemas apontados pelo peemedebista estariam falas de um dos investigados que não foi confirmada por outro. "Tem situações absurdas. Ele (Janot) cita no início um delator dizendo que ouviu de outra pessoa. Essa outra pessoa também é delator e não falou isso (que teria sido dito). Isso prova que usou dois pesos e duas medidas. Ele escolheu a quem investigar", afirmou. O presidente da Câmara também afirmou que considera "absurdo" o pedido do PSOL para que deputados investigados por suposta participação no esquema tenham que se afastar do cargo. "A própria decisão do ministro deixa claro que não tem juízo probatório contra quem quer que seja. Isso é absurdo e não vai prosperar", afirmou. Eduardo Cunha ganhou apoio nesta segunda de líderes da oposição. "Acho que ele deve ser investigado sim, como todos os parlamentares. Mas não defendo o afastamento, primeiro porque faz muito tempo que esta Casa não está sendo pautada pelo Executivo", disse o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). 

Polícia apreende computadores de assistente de promotor argentino

A polícia fez uma busca e apreensão no fim da tarde na casa de Diego Lagomarsino, técnico em informática que trabalhava para o promotor argentino Alberto Nisman, encontrado morto há quase dois meses. Foram recolhidos computadores, pendrives e até aparelhos de jogos eletrônicos na casa de Lagomarsino, na cidade de San Isidro, na Grande Buenos Aires. Lagomarsino se tornou o alvo principal da investigação desde a última quinta (5), quando uma perícia paralela encomendada pela ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, apontou que o promotor provavelmente morreu no sábado (17 de janeiro) e, não no domingo (18 de janeiro), como se acreditava até então. O técnico em informática admitiu que esteve na casa de Nisman duas vezes no sábado, a última vez ao anoitecer. Até agora, ele é tratado pela Justiça como a última pessoa que viu o promotor vivo. Lagomarsino afirmou que emprestou a arma a Nisman – o promotor apareceu morto com um tiro na cabeça. A Justiça ainda investiga se ele se suicidou ou foi assassinado. Uma das provas levantadas pela defesa de Lagomarsino é que o computador de Nisman foi acessado no domingo de manhã, o que indicaria que ele estava vivo até aquele momento. A imprensa local especula que a varredura nos computadores de Lagomarsino tentará verificar se ele poderia ter acessado remotamente o computador de Nisman. O técnico em informática nega envolvimento na morte do promotor. Esses serviços de segurança do governo peronista populista argentino parecem uma autêntica comédia de pastelão. 

Volks anuncia investimento de U$1 bilhão em fábrica no México, o Brasil já era


A produção do Tiguan vai começar no final de 2016 e os veículos chegarão ao mercado no ano seguinte. A Volkswagen vai produzir cerca de um milhão de veículos na fábrica ao longo de oito anos, disse Hinrichs. Alguns dos Tiguan produzidos serão vendidos no México. Os investimentos no setor automobilístico no mexicano totalizaram U$ 19 bilhões na gestão do presidente Enrique Pena Nieto, que assumiu o cargo há dois anos, de acordo com dados do governo. A Volkswagen, que abriu sua fábrica de Puebla em 1964, produziu 475.121 veículos no ano passado. Foram cerca de 3,2 milhões de automóveis produzidos no país, de acordo com a Associação Mexicana da Indústria Automotiva (AMIA). O México é o sétimo maior fabricante de automóveis e quarto maior exportador do mundo, de acordo com a AMIA. Mais de 80% desses veículos são destinados à venda no Exterior. A produção total de automóveis aumentou 27% no ano passado, em comparação com 2013, e AMIA prevê que o México vai produzir mais 5 milhões de veículos até 2020. Ainda de acordo com a AMIA, a produção automobilística mexicana saltou 14% em fevereiro, para 282.856 unidades em relação ao mesmo mês do ano anterior e as exportações aumentaram 12,6%, para 222.351 unidades produzidas por ano.

Brasil lidera ranking de países com maior dívida pública da América Latina


O Brasil lidera a lista dos países com a dívida pública mais elevada na América Latina, segundo estudo sobre o panorama fiscal da região divulgado nesta segunda-feira pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). De acordo com o relatório, que será detalhado nesta terça-feira, a dívida pública externa brasileira ficou em 63,5% do PIB em 2014. Em termos líquidos, no entanto, o montante é bastante inferior (37%), seguido por Uruguai, Colômbia, Argentina, El Salvador, Costa Rica, Honduras e México, com níveis de endividamento moderado (entre 36% e 44% do PIB). Nos últimos 25 anos, a dívida pública externa da América Latina e do Caribe registrou uma redução notável. No início dos anos 90 representava mais de 70% do PIB, enquanto chegou a 16% no ano passado, revelou o relatório da Cepal. O órgão ligado às Nações Unidas destacou que a carga tributária aumentou 5% do PIB entre 2000-2013 na região, com uma estrutura de impostos regressiva. A queda dos preços dos produtos básicos é outro dos temas que o relatório faz referência. A queda dos custos implica em "uma redução das receitas provenientes dos recursos naturais não renováveis, que debilitam as finanças públicas dos países exportadores", aponta o relatório da Cepal. A Cepal pede para que os países da América Latina continuem promovendo ações para combater a evasão fiscal, reduzir tratamentos preferenciais e, em geral, fortalecer a tributação sobre as rendas de capital. A Cepal é um organismo esquerdopata. 

EMPRESA PETROLEIRA ODEBRECHT USA 150 MILHÕES DE DÓLARES DO BNDES PARA REFORMA DO AEROPORTO DE HAVANA



As obras da empresa petroleira Odebrecht para a ampliação do aeroporto de Havana, em Cuba, começarão ainda este mês, segundo informações dadas pelo diretor da construtora na ilha, Fábio Goebel, à imprensa cubana. Segundo Goebel, o projeto é avaliado em 207 milhões de dólares e consistirá na restauração e modernização do terminal 3, que atende vôos internacionais na capital. Do valor total, 150 milhões de dólares (ou 72,4%) serão financiados pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo da soberana búlgara Dilma Rousseff é incapaz de melhor a infraestrutura aeroportuária brasileira, mas investe dinheiro do Brasil e dos brasileiros na ditadura comunista cubana. Em janeiro do ano passado, a Odebrecht iniciou a primeira fase das obras do porto do Mariel, a 45 quilômetros de Havana, com um investimento total previsto de 957 milhões de dólares, mais da metade financiados pelo BNDES. Em nota, o banco explica que, tanto no caso de Mariel quanto do aeroporto, o financiamento não foi feito diretamente aos projetos ou ao governo cubano, e sim enquadrado no escopo de "exportação de bens e serviços de uma empresa brasileira" - que, no caso, é a Odebrecht. Segundo o BNDES, a operação para financiar o aeroporto foi contratada, mas ainda não houve o desembolso para a construtora. Cuba usou Porto de Mariel para vender armas à Coréia do Norte. O acordo de financiamento do banco de fomento a um programa de expansão do setor aeroportuário foi firmado em 2013, durante uma visita à ilha do então ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o petista (ex-terrorista) Fernando Pimentel, foi assinado um acordo com Cuba para a concessão de um crédito de 176 milhões de dólares para a ampliação de cinco aeroportos no país. No ano passado, Cuba superou pela primeira vez o limite dos três milhões de turistas, número que segundo alguns analistas pode duplicar quando os Estados Unidos retirarem a restrição para os americanos viajarem para a ilha, algo cada vez mais próximo no atual contexto de reaproximação diplomática entre Havana e Washington. Além das obras no aeroporto, o BNDES também se comprometeu a financiar com 290 milhões de dólares na segunda etapa das obras do porto do Mariel, que também será executada pela Odebrecht. O porto está encravado na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZEDM), a primeira do tipo em Cuba. O objetivo é que o local se transforme em um grande centro empresarial e pólo de atração ao investimento estrangeiro, sob condições fiscais e trabalhistas vantajosas para a instalação de empresas.

Delator pede que depoimento à CPI seja secreto


A defesa de Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras, enviou ofício à secretaria da Comissão Parlamentar de Inquérito nesta segunda-feira pedindo para que o executivo preste depoimento à comissão a portas fechadas. Se a solicitação for aceita, a fala fica restrita aos parlamentares e não poderá ser televisionada nesta terça-feira. A audiência de Barusco é aguardada sob forte tensão no Congresso: considerado uma peça-chave para detalhar o megaesquema de corrupção na estatal, o executivo afirmou, em acordo de delação premiada, que o PT recebeu de 150 a 200 milhões de dólares em propina entre 2003 e 2013. Em requerimento enviado à Câmara dos Deputados, a advogada Beatriz Catta Preta recorre à Lei de Organização Criminosa para justificar o pedido de sessão sigilosa. O artigo 5º da lei dá direito ao delator de não ter a identidade revelada pelos meios de comunicação, nem ser fotografo ou filmado sem a prévia autorização por escrito. O pedido da defesa deve ser discutido e votado pela comissão. A audiência de Barusco será a primeira na CPI da Petrobras na Câmara, cujos trabalhos foram iniciados na última semana, e acontece em meio à tensão após a revelação dos nomes dos 47 políticos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de verbas da petrolífera brasileira. A oitiva de Barusco é resultado de um acordo de líderes parlamentares. O PT quer ouvir Barusco sobre sua revelação de que recebeu propina da holandesa SBM Offshore, ainda em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os petistas querem fazer disso um motivo para estender o período investigado pela CPI e, assim, transformar a comissão em um campo de batalha política e atingir o PSDB. Os tucanos também concordaram com o depoimento imediato de Barusco porque o ex-gerente revelou aos investigadores da Operação Lava Jato detalhes sobre como dinheiro desviado da Petrobras foi repassado como propina para o PT. Ele afirmou que cerca de 150 a 200 milhões de dólares foram pagos ao tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, entre 2003 a 2013. As revelações de Barusco, ex-braço-direito de Renato Duque, que comandava a Diretoria de Serviços por indicação do ex-ministro da Casa Civil e bandido petista mensaleiro condenado José Dirceu, colocam mais uma vez o caixa do PT no centro do escândalo do Petrolão do PT e devem respingar diretamente nas campanhas políticas do partido, incluindo a da própria presidente Dilma Rousseff.

Reeleição de Sérgio Cabral teve R$ 30 milhões de caixa 2, diz o delator Paulo Roberto Costa


A campanha do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do então vice-governador e seu sucessor, Luiz Fernando Pezão (PMDB), obteve 30 milhões de reais em "caixa dois" - doações ilegais - de empresas do chamado Clube do Bilhão, de acordo com depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A afirmação foi feita em um dos depoimentos prestados pelo ex-diretor, no âmbito de acordo de delação premiada, pelo qual ele se comprometeu a colaborar com as investigações da Operação Lava Jato em troca de futura redução da pena. Paulo Roberto Costa disse que fez contatos e "solicitou" que as empresas fizessem doações para o "caixa dois" da campanha de Sérgio Cabral. Cerca de 15 milhões de reais foram doados pelo consórcio Compar, formado por Odebrecht, OAS e UTC. O restante foi doado por Skanska e Alusa. Todas as empreiteiras são prestadoras de serviços da Petrobras e são investigadas na Operação Lava Jato. "O dinheiro saiu do caixa das empresas e a operacionalização ocorreu entre Régis (Fichtner, ex-secretário da Casa Civil do governo do Rio de Janeiro) e as empresas, mas não sabe precisar detalhes de como isso ocorreu", diz resumo do depoimento elaborado pelo Ministério Público Federal. O termo de depoimento nº 4, que trata da doação ilegal, foi enviado para o Superior Tribunal de Justiça, onde tramitam processos contra governadores. Pezão foi eleito governador no ano passado e sucedeu Cabral. A menção ao ex-governador foi revelada por VEJA. O ex-diretor afirmou que fez reunião com Cabral, Pezão e Régis Fichtner no primeiro semestre de 2010, em que o ex-governador pediu ajuda. No encontro, foram discutidas as contribuições para a reeleição de Sérgio Cabral. A reunião foi marcada por Fichtner em um quarto do hotel Caesar Park, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, de acordo com o delator. Em nota, Sérgio Cabral negou que tenha recebido recursos de caixa dois. "É mentirosa a afirmação do delator Paulo Roberto Costa. Essa reunião jamais aconteceu. Nunca solicitei ao delator apoio financeiro à minha reeleição ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Todas as eleições que disputei tiveram suas prestações aprovadas pelas autoridades competentes. Reafirmo o meu repúdio e a minha indignação a essas mentiras", afirmou em nota. O ex-secretário da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro também divulgou comunicado em que negou ter tratado de doações com o ex-diretor. "Foi com enorme surpresa e indignação que tive ciência hoje, através da imprensa, de declarações do Sr. Paulo Roberto Costa, no âmbito da sua delação premiada, que mencionam a minha participação em uma suposta arrecadação de caixa 2 de campanha na eleição de 2010 para o então candidato à reeleição Sérgio Cabral para o cargo de Governador do Estado do Rio de Janeiro. Nunca participei de nenhuma reunião em que o então Governador Sérgio Cabral tivesse solicitado ao Sr. Paulo Roberto Costa ajuda para a arrecadação de recursos para a sua campanha. Nunca participei de nenhuma reunião com o Sr. Paulo Roberto Costa e representantes das empresas Skanska, Alusa e Techint, muito menos para tratar de arrecadação de recursos para campanha. Nunca me reuni com representantes do Consórcio Compar para qualquer finalidade, muito menos para tratar de contribuições de campanha. Tomarei as medidas cabíveis decorrentes das mentiras declaradas em relação à minha pessoa por parte do Sr. Paulo Roberto Costa, que incluirão pedido para que ele responda pelo crime cometido ao prestar tais declarações, tendo em vista a violação ao dever de dizer a verdade, previsto no parágrafo 14 do art. 4, da Lei no. 12.850/13.Tenho convicção de que uma mínima apuração dos fatos pela Justiça irá resultar no restabelecimento da verdade", afirmou em nota. Muito bem..... ninguém tem qualquer suspeita dele, só certezas. 

Dólar sobe pela 6ª sessão seguida e encosta em R$ 3,13


O dólar fechou em alta pela sexta sessão seguida nesta segunda-feira, com avanço de 2,39%, a 3,1297 reais na venda, o maior nível de fechamento desde 22 de junho de 2004. O movimento foi impulsionado por preocupações com as dificuldades políticas enfrentadas pela presidente Dilma Rousseff e o escândalo em torno da Petrobras, que podem criar ainda mais obstáculos para o ajuste fiscal promovido pela equipe econômica. O mercado também repercutiu nesta segunda-feira a lista de políticos citados na Operação Lava Jato, liberada na sexta-feira à noite pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki. A "lista de Janot" coloca não só o PT, mas também toda a base aliada, em maus lençóis - e dificulta o diálogo para a aprovação de medidas impopulares. Na máxima do dia, a moeda atingiu 3,13 reais, também a maior cotação desde junho de 2004. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 877 milhões de dólares nesta sessão. Apenas na semana passada, o dólar acumulou alta de 7,02%. No ano, a valorização acumulada é de 17,72%. Em discurso em cadeia nacional de rádio e TV, neste domingo, Dilma ignorou os recentes escândalos de corrupção no governo e tentou minimizar a crise econômica, alegando que o País é vítima da instabilidade internacional. As declarações da presidente foram mal recebidas e a reação de dezenas de grandes cidades, com panelaços e buzinaços, mostrou que a presidente vai ter bastante dificuldade para governar se precisar do apoio popular para fazer passar no Congresso as novas regras do ajuste fiscal, essencial para sanar as contas públicas. "Não tem nenhum vendedor de dólares no mercado. Quem vir motivos pontuais para explicar essa alta está chutando, a verdade é que há um pânico generalizado", disse o operador de um importante banco nacional. Na área econômica, as notícias são tão ruins quanto as políticas. Economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório semanal Focus apostam que a moeda americana feche o ano cotada a 2,95 reais, ou seja, eles acreditam na desaceleração até dezembro. Mesmo assim, na semana passada, o mercado projetava 2,91 reais para a divisa. O Focus também mostrou que os economistas estão cada vez mais pessimistas com a economia. A mediana de estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de queda de 0,58% para recuo de 0,66%. Para a inflação, a perspectiva agora está em 7,77%. Dilma deve enviar ainda nesta segunda-feira emissários de peso para conversar pessoalmente com Eduardo Cunha e com Renan Calheiros e tentar acalmar os ânimos ainda mais incendiados depois da divulgação da lista. De acordo com fontes do Planalto, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), e o da Fazenda, Joaquim Levy, foram escalados para acalmar Renan Calheiros. O vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e Levy, novamente, para tentar negociar com Eduardo Cunha. 

JUIZ FEDERAL DIZ NO TWITTER QUE DILMA ASSINOU A LEI QUE AGRAVA PENAS DE ASSASSINATOS DE MULHERES EM "CAUSA PRÓPRIA"



O juiz federal Alexandre Infante sugeriu, no Twitter, que Dilma assinou a lei que agrava as penas de assassinato de mulheres em “causa própria”. Alexandre Infante, diretor tesoureiro da Associação dos Juízes Federais, Ajufe, apagou depois seu post, mas internautas já o haviam fotografado e espalhado. O que vai aí ao lado é a foto e o post do juiz federal. A nova lei promulgada por Dilma, torna hediondo crimes cometidos contra mulheres, não importa o motivo que tenha o assassino.  Manifestações do gênero estão se tornando recorrentes em relação a Dilma, cada vez mais odiada pelos brasileiros.

O muçulmano Obama endurece o jogo com a Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu um decreto presidencial nesta segunda-feira declarando a Venezuela uma “ameaça à segurança nacional”, impondo sanções a sete pessoas e expressando preocupação sobre o tratamento do governo venezuelano com opositores políticos. “Autoridades venezuelanas do passado e do presente que violam os direitos humanos de cidadãos venezuelanos e se envolvem em atos de corrupção não são bem-vindos aqui, e agora nós temos as ferramentas para bloquear seus bens e seu uso dos sistemas financeiros dos Estados Unidos”, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest. A Casa Branca está “profundamente preocupada com a escalada da intimidação contra a oposição promovida pelo governo venezuelano”, disse Earnest. Os Estados Unidos também acreditam que os graves problemas econômicos do país “não podem ser resolvidos através da criminalização dos dissidentes”. Sobre as sanções, o secretário do Tesouro, Jack Le, afirmou que os Estados Unidos não pretendem punir o povo da Venezuela ou a sua economia, mas apenas os sete funcionários do governo venezuelano envolvidos em “violência contra manifestantes”. Ao anunciar as novas sanções, Earnest também pediu para a Venezuela libertar “todos os prisioneiros políticos”, incluindo dezenas de estudantes, e os opositores políticos Leopoldo Lopez, Daniel Ceballos e Antonio Ledezma. Os funcionários do governo venezuelano que foram sancionados terão seus ativos e bens em território americano congelados, e não serão autorizados a viajar para os Estados Unidos. Os cidadãos americanos estão proibidos de fazer negócios com essas pessoas. O grupo inclui: os generais Miguel Alcides Vivas e Antonio José Benavides; Manuel Gregorio Bernal (ex-diretor do serviço de inteligência venezuelano), Gustavo Enrique González López (diretor-geral do serviço de inteligência venezuelano), a promotora Katherine Nayarith Haringhton Padrón, Justo José Noguera (presidente da empresa estatal CVG) e Manuel Eduardo Pérez Urdaneta (diretor da Polícia Nacional Bolivariana). Atravessando uma grave crise econômica, política e social, o governo liderado pelo presidente Nicolás Maduro acusa a oposição de estar tramando um golpe de Estado com o apoio dos Estados Unidos e da Colômbia. A popularidade em queda livre Maduro coincide com a volta da violência contra civis, das manifestações contra seu governo e a queda dos preços do petróleo. Tudo isso acontece a poucos meses das eleições legislativas, que, pela primeira vez em muitos anos, o chavismo pode perder, mesmo com a oposição desarticulada.

Domingo é dia de cantar, de rir, de reivindicar, de distribuir abraços… Ou: Dançou, Carolina! O tempo bateu panela na janela

O tempo passou na janela, e como passou!, e só as Carolinas vermelhas de raiva — e desinformação —, mas nunca de vergonha, não viram. O bem que Dilma Rousseff está fazendo à democracia brasileira é incomensurável. Vou propor que se erga para ela e para o marqueteiro João Santana uma estátua na Praça dos Três Poderes. Nos pés de barro do ídolo de bronze, gravaremos algo assim: “Com a sua propaganda enganosa, ajudaram a tirar milhões de brasileiros do reino da mistificação, levando-os para a realidade”. Não, senhores! Não foi Dilma quem destruiu um modelo que era funcional com Lula. Isso é mentira. Fatores alheios ao Brasil ajudaram a manter o arranjo tosco do lulismo. Ela deu continuidade e piorou o que era ruim. Para se reeleger, teve de atribuir ao adversário as medidas amargas que ela mesma seria obrigada a adotar — e sempre me pergunto se, no fim das contas, Aécio Neves não deveria lhe ser grato… —, num exercício da política como cinismo que raramente se viu. Como o País estava na pindaíba, nem lhe foi possível espichar no tempo o saco não de maldades, mas de realismo. O pacote teve de sair de cambulhada. Pior: a crise estaria aí com ou sem a roubalheira na Petrobras. Com ou sem o petrolão, Dilma estaria em maus lençóis. Mas é claro que tudo fica pior quando a população se dá conta de que foi assaltada por uma quadrilha. E a tempestade perfeita se instala se, no curso da investigação dos malfeitos, a base de apoio ao governo no Congresso se esfarela, entre bisonhices e espertezas. É… O povo ocupou as janelas no domingo. E meteu a mão na buzina. E bateu panela. O governo insiste que eram utensílios Le Creuset; que não havia na percussão do saco cheio alumínio barato. Se é assim, por que Dilma não vai passear num supermercado em Vila Nova Cachoeirinha, na Vila Carrão, no Jardim Ângela? Ir às compras num bairro chique de Montevidéu, onde só se vendem utensílios Le Creuset, não lhe dá a medida da insatisfação do povo, não é? Olhem aqui! A população e os organizadores dos protestos terão de ter o juízo que tem faltado ao governo federal. Os Executivos estaduais, que respondem pela segurança pública, devem, desde já, pensar um plano que garanta a livre manifestação dos descontentes, mas que também assegure a ordem. Desde já, é preciso ter em mente que o potencial para a provocação barata e para a ação de baderneiros infiltrados é grande. As únicas armas admissíveis num protesto democrático são a indignação, a serenidade e a defesa do estado democrático e de direito. Para não variar, é possível que a turminha que defende a tomada do poder pelos militares dê as caras. Essa gente é tão inimiga da democracia como aqueles que espancaram manifestantes em frente à Associação Brasileira de Imprensa. Nós repudiamos o petralhismo porque queremos liberdade, não porque flertamos com ditaduras, ainda que temporárias. Domingo é dia de cantar, de rir, de reivindicar, de distribuir abraços… É dia de exercitar todos os sentimentos de alegria. Por Reinaldo Azevedo

Cantareira deixa de ser principal produtor de água em São Paulo

Pela primeira vez desde o início de sua operação, em 1973, o Sistema Cantareira deixou de ser o principal produtor de água de São Paulo. O posto, agora, é ocupado pelo Sistema Guarapiranga, segundo informações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em fevereiro o Cantareira produziu, em média, 14,03 metros cúbicos por segundo, contra 14,49 metros cúbicos do Guarapiranga. Na sequência vem o Alto Tietê, que produziu 11,04 metros cúbicos por segundo no mesmo período. Na comparação com fevereiro do ano passado, a retirada de água do Cantareira caiu 56% - uma economia de 17,74 metros cúbicos por segundo, segundo a Sabesp. O volume é suficiente para abastecer 5,3 milhões de pessoas durante o mês. De acordo com o órgão, a redução da dependência do Cantareira foi possível, principalmente, por causa do programa de bônus que benefecia os usuários que economizarem água. Outra medida que colaborou para a economia de água foi a tarifa de contingência, aplicada aos usuários cujo consumo mensal ultrapasse a média no período de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. O Cantareira registrou nesta segunda-feira aumento de 0,6% no nível de água acumulada no reservatório, alcançando 12,9%. O mesmo aumento foi registrado pelo Alto Tietê, que opera agora com 19,7% da capacidade. A maior alta entre os mananciais que abastecem a Grande São Paulo se deu no Sistema Alto Cotia, com 5,5%. O reservatório opera agora com 50,3% da capacidade. O Sistema Rio Grande subiu 2,1% e alcançou 89,8% de sua capacidade. Já o Guarapiranga, que está com 69,3% de sua capacidade, subiu 1,6%.

Renda dos brasileiros pode cair até 5% em 2015, prevêem economistas

Desemprego mais elevado, inflação estimada em 7,5% e dificuldades em reajustes nas negociações salariais devem provocar, em 2015, a maior redução no poder de compra dos trabalhadores desde 2002. Segundo economistas, após dez anos de aumentos, a renda deve experimentar a primeira queda real (descontada a inflação), que pode chegar a 5% este ano, nas estimativas mais pessimistas. Com isso, está perto do fim o período de ouro para as famílias brasileiras, que nos últimos anos impulsionaram o crescimento econômico por meio do consumo. "Com a ausência de crescimento econômico e com a inflação alta, o grande castigo virá pela queda no rendimento, o que complica ainda mais uma retomada do crescimento. A década de bonança acabou", afirma o economista Claudio Dedecca, da Unicamp. A renda média ainda deverá crescer nos dois primeiros trimestre deste ano, sob influência do aumento do salário mínimo. O movimento deverá ser revertido no segundo semestre. Já a renda deverá terminar o ano estável, nas estimativas - mais otimistas - do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). A renda das principais regiões metropolitanas brasileiras cresceu 33,1% acima da inflação desde 2004. A alta é considerada atípica por muitos, devido ao avanço prolongado do rendimento - o salário mínimo, por exemplo, subiu 76,54% desde 2002 -, e à aceleração dos preços dos alimentos abaixo da inflação média nos primeiros anos da década. Este ano, a alta de preços de tarifas, combustíveis e alimentos impõe um cenário bem mais desafiador. Essa composição atinge de forma mais direta trabalhadores com renda de até três salários mínimos. "Os grupos de renda média vão sofrer mais porque concentraram os maiores ganhos na última década e agora terão um maior efeito da alta da taxa de desemprego", afirma o economista José Marciso Camargo, da PUC-Rio. A queda real na renda, corroída pela inflação, deverá afetar os ganhos sociais obtidos nos últimos anos. A economista do Instituto de Estudos do Trabalho (Iets), Sonia Rocha, lembra que a alta da renda respondeu por 60% da redução da desigualdade do País entre 2003 e 2013. Agora, o cenário deverá mudar. "Havendo queda da renda do setor de serviços, que é o grande empregador de pessoas menos qualificadas, o impacto é certeiro sobre a pobreza e a desigualdade", diz ela. Que grande bidu esses economistas estão descobrindo agora. Isso já estava claro e plenamente previsível há no mínimo quatro anos. Mas, como os economistas, assim como os jornalistas, em sua maioria, são no mínimo filopetistas, não quiseram ver o que já era transparente. Preferiram esconder a realidade feia dos brasileiros. O resultado aí está. E é muito feio.

Paraguai pede ao Brasil deportação de ex-prefeito acusado de assassinato

O procurador-geral do Paraguai, Javier Díaz Verón, viajou nesta segunda-feira ao Brasil para pedir às autoridades do País a "imediata deportação" de um ex-prefeito do governista Partido Colorado, acusado da morte de um jornalista e seu assistente, além de ser procurado por narcotráfico. Segundo informou a Procuradoria paraguaia, Verón se reunirá com responsáveis da Polícia Federal na cidade de Campo Grande, onde está detido desde a semana passada o ex-prefeito de Ypehu, Vilmar Acosta Marques. Conhecido como "Neneco" Acosta, o político foi detido na quarta-feira na cidade brasileira de Naviraí, no Mato Grosso do Sul, após ter passado cinco meses foragido da Justiça paraguaia, procurado como autor intelectual do assassinato do correspondente do jornal paraguaio ABC Color, Pablo Medina, e de sua assistente, Antonia Almada. Verón disse antes de partir para o Brasil que vai assegurar que a deportação de Acosta ocorra como o esperado, segundo um comunicado do Ministério Público. E que "não haja impedimentos para que isto seja efetivo no menor tempo possível", acrescentou: "Asseguramos a Vilmar Acosta, assim como a todos os cidadãos, um processo justo". Além disso, Verón destacou que o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, realiza "um acompanhamento permanente dos trabalhos realizados" pela Procuradoria neste caso. Acosta foi levado pela Polícia Federal à Superintendência de Campo Grande para prestar depoimento sobre outra acusação. No Paraguai, ele também é apontado como um dos líderes por trás de um esquema de produção e tráfico de maconha. Parte da droga é exportada ilegalmente para o Brasil. Na quinta-feira passada outro jornalista paraguaio foi assassinado perto da fronteira com o Brasil, o locutor Gerardo Servián, que foi baleado na cidade de Ponta Porã, também no Mato Grosso do Sul. O Sindicato de Jornalistas do Paraguai expressou sua repulsa pelo assassinato do quinto comunicador paraguaio desde que Cartes assumiu a presidência do país, há um ano e meio. O assassinato de Servián ocorreu a 200 metros da divisa territorial com Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada do Brasil por uma avenida, e conhecida como refúgio para criminosos.

Nova fase do 'Minha Casa' terá exigências e preços diferentes

A terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) será anunciada oficialmente com exigências e preços diferentes, confirmou a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, nesta segunda-feira, em evento em São Paulo. Ela ainda reforçou que a nova etapa vai contar com o lançamento de três milhões de unidades até 2019, e garantiu que o governo vai focar seus esforços para atender a essa meta. O secretário de Habitação do Estado de São Paulo, Nelson Luiz Baeta, chegou a indicar durante o evento que o governo estaria pronto para divulgar as novas regras do programa ainda no final de março. A secretária Inês Magalhães, no entanto, chamou a data de "encomenda" e não confirmou o anúncio neste mês. Questionada sobre as preocupações de crédito, ela afirmou que o financiamento pelo FGTS, que atende o público-alvo do Minha Casa Minha Vida, não é uma preocupação. Inês estava acompanhada do superintendente executivo de habitação da Caixa Econômica Federal, Luiz Alberto Sugahara, que sinalizou, por outro lado, para uma discussão dentro do banco sobre a questão do encolhimento da poupança e seus impactos sobre o financiamento imobiliário. A última mudança no limite de preços do Minha Casa, Minha Vida ocorreu em 2012. Na ocasião, o teto das unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília subiu de 170 mil para 190 mil reais. O limite varia de 90 mil a 170 mil reais nas demais cidades, dependendo do número de habitantes. Empresários da construção reclamam frequentemente da defasagem nos preços e na falta de previsibilidade sobre ajustes futuros. Mas consideraram positivo o acordo recente com o governo federal para estender o programa sob as condições atuais, com mais 350 mil contratações, evitando paralisações.

Crise hídrica pode tirar 0,3% do PIB brasileiro, conforme consultoria Tendências

A falta de água no Sudeste pode tirar do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano 0,3%, segundo cálculos da Tendências Consultoria, divulgados nesta segunda-feira. Só o corte de fornecimento de água para a indústria pode ser responsável por diminuir em 0,2% o PIB neste ano, enquanto as restrições ao comércio terão impacto de outro 0,1%. De acordo com a economista Alessandra Ribeiro, é preciso esperar o fim do período das chuvas, em abril, para reajustar o cenário de desabastecimento. O levantamento leva em consideração pesquisas qualitativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan), que entrevistaram empresas sobre a necessidade de interromper a produção em caso de desabastecimento. A partir disso, a consultoria estimou um porcentual de empresas que podem ser atingidas e estimou o efeito de uma queda de produção da ordem de 10% neste ano. Já para o comércio, a Tendências usou dados da Sabesp para fazer os cálculos.

Na lista de Janot, senador petista fala em "tortura" e critica "pressa" do Ministério Público


O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse nesta segunda-feira que a inclusão de seu nome entre as autoridades investigadas na Operação Lava Jato se assemelha a uma "tortura pública" e afirmou que o pedido de abertura de inquérito contra ele, aceito na última sexta-feira pelo Supremo Tribunal Federal, é resultado de "pressa" do Ministério Público para apresentar à sociedade nomes de suspeitos de terem recebido propina no escândalo do Petrolão do PT. De acordo com ele, os pedidos de investigação encaminhados ao Supremo Tribunal Federal contra 22 deputados e doze senadores transformaram o procurador-geral no "homem mais poderoso na República". Com um plenário esvaziado, Humberto Costa ocupou a tribuna do Senado para se defender das suspeitas de que teria recebido propina, em forma de doação eleitoral, de contratos fraudados na Petrobras. "Sou lançado à arena do espancamento público e ao açodado tribunal da culpa prévia. Tive um pedido de investigação baseado em elementos frágeis e antecipadamente transformado em sentença condenatória", disse o petista. Ele ainda questionou o fato de suas doações de campanha terem sido colocadas sob suspeita e afirmou que doações de empreiteiras hoje investigadas por fraudes na Petrobras não significam que os recursos sejam propina distribuída a políticos. "Todas as doações de campanha que recebi foram legais, registradas, auditadas, julgadas e aprovadas pela justiça eleitoral. O fato de parte dos recursos que recebi legalmente de empresas ligadas à Lava Jato em 2010 não é por si só motivo de suspeição e muito menos de abertura de inquérito. Se fosse assim, a procuradoria tinha que abrir inquéritos para investigar 150 parlamentares federais que receberam recursos dessas empresas em 2010 e contra 250 deputados e senadores receberam recursos dessas empresas para suas campanhas", disse. De acordo com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do escândalo do Petrolão, o presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco, Mario Beltrão, pediu que o ex-dirigente da estatal viabilizasse 1 milhão de reais para a campanha do petista ao Senado, em 2010. "Quando Mario Beltrão solicitou a quantia para a campanha de Humberto Costa estavam reunidos apenas o depoente Paulo Roberto e Mario Beltrão. Autorizou o pagamento porque Humberto Costa era um expoente dentro do PT, e a fonte de pagamento da quantia solicitada foi o caixa comum do PP", diz trecho da delação premiada de Paulo Roberto Costa. "Parece incrível que alguém tenha encontrado elementos para a abertura de um inquérito. Só posso atribuir à tensão dos integrantes do Ministério Público, à pressa de entregar à imprensa nomes que passaram a ter o julgamento sumário que estão tendo agora", disse o senador nesta segunda-feira em Plenário. "Minha honra foi atacada, macularam minha vida pública", resumiu. Segundo o Ministério Público, uma das evidências de que dinheiro sujo pode ter ido parar na conta de campanha de Humberto Costa ao Senado é o fato de a arrecadação petista nas eleições de 2010 - de pouco mais de 5,2 milhões de reais - ter recebido 1,5 milhão de reais das empreiteiras Camargo Correa e OAS, ambas investigadas na Operação Lava Jato. "As fontes de recursos do Diretório Estadual/Distrital do PT em Pernambuco, Diretório Estadual/Distrital do PSB em Pernambuco; Diretório Nacional do PSB e Diretório Nacional do PT estão assentadas essencialmente em empresas investigadas na Operação Lava Jato", disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no pedido de inquérito. No pedido de investigação contra o senador petista, Janot aponta que os recursos foram pedidos porque Humberto Costa teria influência no PT e poderia atuar para que Paulo Roberto Costa fosse mantido na diretoria da Petrobras e continuasse a beneficiar políticos com propina. "Como uma premissa falsa como essa pode constar no pedido de abertura de inquérito? Como se eu, como simples candidato, tivesse poder para tirar ou manter Paulo Roberto Costa. Nem uma criança de 5 anos de idade é capaz de acreditar em um argumento como esse", rebateu o senador petista, líder do governo do soberana búlgara Dilma Rousseff. Além de Humberto Costa, serão investigados onze senadores, incluindo o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), a ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), e o ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). Na Câmara, 22 deputados são alvo de inquérito, incluindo o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ).​

MARTA SUPLICY DETONA FALA DE DILMA: "SP ASSISTIU, ATÔNITA, AO PRONUNCIAMENTO"



A ex-prefeita de São paulo e senadora do PT, Marta Suplicy, voltou a atacar publicamente a presidente Dilma Rousseff. Escreveu ela no seu Facebook: "Tentando se apoiar na ultrapassada justificativa da crise internacional, Dilma negou, mais uma vez, a gravidade e a dimensão da atual crise econômica, as responsabilidades de seu governo e as consequências de seus desdobramentos para os brasileiros". Nessa mensagem no Facebook, a ex-ministra petista diz que, “em meio a gritos de protestos, buzinas e panelaço, São Paulo assistiu, atônita e perplexa, o pronunciamento da Presidenta Dilma nesta noite de 8 de março”. Marta Suplicy está em aberta campanha para a prefeitura de São Paulo no próximo ano. Ela tem circulado pelos bairros em reuniões com apoiadores. E parece sacramentada sua saída do PT em direção ao PSB. 



Segundo ela, "tentando se apoiar na ultrapassada justificativa da crise internacional, Dilma negou, mais uma vez, a gravidade e a dimensão da atual crise econômica, as responsabilidades de seu governo e as consequências de seus desdobramentos para os brasileiros"

GOVERNO JÁ DECIDIU ATRASAR SALÁRIOS NO RIO GRANDE DO SUL

Embora ainda não fale oficialmente, tudo encaminha-se para que o governo estadual anuncie atraso dos salários de março. O anúncio seria feito no dia 11, mas a data não foi confirmada até agora. Pelo menos 50 mil servidores ativos e inativos serão atingidos, exatamente os que ganham salários superiores a R$ 4 mil líqudos. 50% do total são professores e policiais. Os valores cortados seriam pagos em duas parcelas, no mês seguinte.

DEPUTADO GOERGEN VAI INTERPELAR DOLEIRO NA JUSTIÇA

Citado na lista da Procuradoria-Geral da República, que investiga a participação de políticos no esquema de corrupção da Petrobras, o deputado federal Jerônimo Goergen (PP) pretende interpelar judicialmente o doleiro Alberto Youssef, que fez o acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Em coletiva na manhã desta segunda-feira, Goergen reiterou que irá se afastar do partido para poder se defender e acredita que se estivesse em outra sigla não seria citado na operação Lava Jato.

MERCADANTE DESPREZA PANELAÇO. "ISTO SÓ SAIU EM BAIRROS RICOS ONDE PERDEMOS AS ELEIÇÕES", AVISOU O MINISTRO DE DILMA.


O ministro-chefe da Casa Civil, o petista Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira que o “panelaço” realizado ontem durante o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff ocorreu em cidades e bairros ricos onde o PT não venceu as eleições. O petista disse que a manifestação pacífica é legítima, mas pediu tolerância e defendeu que o resultado das urnas seja reconhecido. “Vimos hoje pela imprensa a manifestação de algumas cidades, em geral onde perdemos as eleições, em bairros em que nós perdemos as eleições, que tivemos uma derrota significativa”, disse Mercadante, no início de uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto. Para o petista, é direito do cidadão discordar do governo, mas a radicalização depois de uma eleição polarizada preocupa. “Tivemos uma eleição bastante polarizada, que teve momentos de radicalização. Nós precisamos construir uma cultura de tolerância, de diálogo, de respeito. É isso que ajuda a construir uma agenda de convergência, podendo superar as dificuldades conjunturais e poder não só assegurar a estabilidade econômica e das instituições, mas a recuperação do crescimento econômico”, disse o ministro, que não comentou a série de protestos marcados contra a presidente no próximo dia 15. Mercadante disse que Dilma tentou fazer isso em seu pronunciamento – dialogar para superar as dificuldades econômicas – e partiu para a defesa do ajuste fiscal promovido pelo governo. “Ajuste fiscal é agradável? Não. É mais ou menos como um dentista, de vez em quando tem que ir num dentista. Tem que fazer o ajuste fiscal. Quanto mais rápido, melhor. Vamos debater a proposta. A democracia não pode ter a intolerância como proposta”, disse o ministro.

Jerônimo Goergen chora, defende-se e ataca e diz que o PP acabou


Na foto, de Maurico Tonetto, da Zero Hora, está a imagem do deputado federal gaúcho Jerônimo Goerge, devastado desde que seu nome foi incluído na Lista de Janto, ou seja, no escândalo do Petrolão do PT. O deputado, desde que saiu a Lista de Janot, procura e é procurado por jornalistas, não foge de nenhum contato e exige interpelações e acareações, abre seus sigilos e protesta inocência, invocando seu passado de oposição aos governos Lula e Dilma. Há duas semanas, ele foi acusado pelo Planalto de ter insuflado e liderado os caminhoneiros. Agora, parece ter levado o troco. O deputado federal gaúcho Jerônimo Goergen, chorou muito ao falar hoje com jornalistas sobre a inclusão do seu nome na Lista de Janot. Na delação premiada de Youssef, Goergen aparece no seguinte trecho: "Que havia outros deputados do PP, cuja posição era de menor relevância dentro do partido, que recebiam entre R$ 30 mil e R$ 150 mil por mês; que dentre os deputados que tem certeza que receberam estão Jerônimo Goergen (entre outros)". Reage Goergen: "Leva a crer que ele fala da bancada federal. Não sei. Sobre as mesadas, uma hora ele cita R$ 10 mil, outra, R$ 30 mil. Eu não o conheço, não o conheço". No depoimento, Youssef deixou claro que passava a propina para dirigentes nacionais do PP, que ficavam com a maior parte, enquanto que estes faziam a distribuição secundária, sobre a qual ele não tinha controle, não sabia se os valores eram ou não pagos e só tinha conhecimento dos nomes através de terceiros. 


Jerônimo disse que também abriu seus sigilos bancário e fiscal para qualquer investigação.


O deputado disse que o PP acabou.

Íbis do D faz dólar disparar; expectativas do Boletim Focus… pioram!

Pois é… O dólar foi para um novo umbral: passou a linha dos R$ 3,10. Às 15h29, era negociado a R$ 3,1200 para compra e R$ 3,1207 para venda. Reflexo dos desacertos na economia, é claro — é o que está na base —, mas também efeito da tensão política. Essa gente é ruim demais, né? Depois do panelaço da noite deste domingo, convenham, o governo deveria ter vindo a público para dizer algo assim: “As manifestações são democráticas, e tudo faremos para que as pessoas se expressem em ordem e em paz…” Que nada! Aloizio Mercadante preferiu vir com os seus tanques verbais: “não existe terceiro turno”; “nós ganhamos pela quarta vez…”

De resto, as perspectivas econômicas voltaram a se deteriorar segundo o Boletim Focus: de uma semana para outra, a antevisão da recessão neste 2015 passou de 0,58% para 0,66%. Parece pouco? É uma piora de 13%.
Em uma miserável semana, a mediana do IPCA para este ano passou de 7,47% para 7,77%. Há um mês, era de 7,15%. Ou por outra: em 30 dias, saltou 0,62 ponto. Essa é a previsão otimista. No chamado Top 5 — os cinco economistas que mais acertam —, a antevisão do índice pulou de de 7,51% para 7,97%. A expectativa para a Selic segue em 13%, e o dólar, para a turma ouvida pelo Focus, termina o ano em R$ 2,95 — na semana passada, R$ 2,91.
E olhem que a gente tem a impressão de que a acrise apenas começou. Dilma está há apenas três meses no exercício do novo mandato. Por Reinaldo Azevedo

Íbis do D se reúne, e Mercadante é escalado para dizer a tolice do dia

Que coisa! Dilma se encontrou hoje com a linha de ataque do Ibis do D (Íbis da Dilma), que tomou do original o posto de o pior time do mundo. Refiro-me ao incrível quarteto que cuida da coordenação política: Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Jaques Wagner (Defesa).

Coube a Mercadante ser o orador da turma. Ele deixou claro que o PT não pretende revogar o Artigo 5º da Constituição, o das cláusulas pétreas, e lembrou que manifestar-se é um “direito da população”. Ufa! Mas aí sabem como é…
O homem emendou uma oração adversativa: “Mas a primeira regra do sistema democrático é reconhecer o resultado das urnas. Só tem dois turnos, não tem terceiro turno. Nós vencemos pela quarta vez (as eleições)”.
Que bobagem!
Então sempre que a população se manifesta contra o governo está contestando o resultado das urnas? Na democracia de Mercadante, quem vence fica com todas as batatas, e quem perde deve ser reduzido ao silêncio ou ser extinto.
Notem o raciocínio capcioso: fica parecendo que a legitimidade de um governante aumenta à medida que seu partido vai vencendo novas eleições, como se a reiteração do fato mudasse as leis ou o texto constitucional.
Escrevi nesta manhã que Dilma é hoje uma “mulher dura” (como ela gosta de se definir), cercada de homens incompetentes. Essa não é uma fala de quem busca se aproximar da população. Esse é o texto de quem acredita, no fundo, que uma vitória nas urnas dá ao governante o direito de fazer o que bem entende. Por Reinaldo Azevedo

O DESESPERO DO PT. Ou: Calma, pessoal! Ainda não chegou a hora de atentados terroristas com dicionários e livros de gramática! Ou: Vamos matá-los afogados em champanhe e entupidos de caviar!

Aqui está o nosso coquetel Molotov. Vamos pra cima deles!
Aqui está o nosso coquetel Molotov. Vamos pra cima deles!
O PT está Perdido da Silva. Como naquela música, não sabe o que dizer, o que calar, a quem querer. O troço é de tal sorte estupefaciente que o partido declara o insucesso das vaias e do panelaço contra Dilma quando, como é sabido, a adesão surpreendeu até os críticos mais entusiasmados do governo. Não foi só o Planalto a se espantar. Nem a oposição esperava.
Como demonstrei hoje de manhã aqui, os “companheiros” tentam pespegar pechas em quem protesta. Seriam os “ricos”, das “áreas nobres”. A turma sabe, no entanto, que está mentindo para os outros para ver se consegue acreditar no que diz.
Alberto Cantalice, aquele grande pensador que é vice-presidente do PT, voltou a tocar na tecla do golpe. É aquele rapaz que, durante a Copa do Mundo, afirmou que o descontentamento com Dilma nas ruas era coisa de um tal Reinaldo Azevedo e outras oito pessoas, entre jornalistas e comunicadores. Na sua lista negra, estavam Guilherme Fiuza, Augusto Nunes, Lobão, Marcelo Madureira, Diogo Mainardi, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jobor e Danilo Gentili. Se um dia o sr. Cantalice der as cartas no país, a gente já sabe como ele pretende melhorá-lo.
Amarre um na cintura. Quando estiver num ambiente público lotado, abra!
Amarre um na cintura. Quando estiver num ambiente público lotado, abra!
Pois bem: este senhor veio a público para dizer que setores da elite estariam empenhados em dar um golpe. Ele não disse como pretendemos fazer isso. Talvez abrindo as comportas de um depósito secreto de Moët & Chandon que temos em Brasília. A ideia é afogar a cúpula do governo federal em champanhe. Parece que Lula exige Romanée-Conti. Outra ideia que conta com muitos adeptos é empanturrar Dilma com caviar e foie gras, para pôr um fim à tal dieta Ravenna. É a aposta no chamado choque metabólico das elites.
E há os extremistas de direita de sempre, que pretendem sair às ruas armados de gramáticas, dicionários e manuais de aritmética. Os setores lúcidos da sociedade ponderam, no entanto, que ainda não é hora da luta armada. Calma, camaradas! Como se dizia antigamente, ainda estamos na fase do acirramento das contradições e do acúmulo de forças. De resto, somos favoráveis, em princípio, à luta pacífica. Temos é de ocupar as praças protestando contra a vírgula entre o sujeito e seu verbo.
Golpe se dá com urnas ou com tanques. De qualquer sorte, os tanques são sempre necessários — quando menos, para garantir a fraude das urnas, como ocorreu na Venezuela. Cantalice não disse como se faria no Brasil, daí eu estar aqui a imaginar coisas.
O homem sugeriu ainda que partidos de oposição estariam financiando as manifestações — que ainda nem ocorreram! Bem, que se saiba, veem com simpatia o protesto, mas não estão no comando. Cabe, no entanto, uma pergunta: E SE ESTIVESSEM? SERIA CRIME? E SE ESTIVESSEM, SERIA ILEGAL? E SE ESTIVESSEM, SERIA SUBVERSÃO?
Cantalice, o homem que gosta de fazer listas negras, já leu a Constituição? Conhece as leis? Sabe que, vetado o anonimato, toda mulher e todo homem são livres para se manifestar, inclusive para pedir a queda do governo, mesmo que ele conte com 99,99% de aprovação?
O PT está é com medo. Perdeu as ruas para os fatos e para o povo sem a carteirinha do partido. Por Reinaldo Azevedo

Dilma discursa, e o país vaia. A mulher “dura” deveria pôr na rua todos os “homens meigos” e incompetentes que não a impediram de fazer mais uma bobagem. Ou: Uma fala sobre o nada

Se eu fosse dar um conselho de amigo à presidente Dilma Rousseff, seria este: “Governanta, chame todos os seus auxiliares que concordaram com a forma, o tom, o conteúdo e os alvos de seu pronunciamento deste domingo, dia 8 de março, e ponha-os na rua. Sem exceção. De A a T, de Aloizio Mercadante a Thomas Traumann.  Como perguntaria um pastor de Virgílio: “Quae te dementia cepit, Dilma?” .Que tipo de maluquice passou pela cabeça da presidente uma semana antes dos protestos que estão sendo programados país afora?

Nas redes sociais, havia, sim, um chamamento discreto para um panelaço na hora em que a presidente fizesse a sua suposta homenagem às mulheres — é “suposta” porque a petista usou o Dia Internacional da Mulher como mero pretexto. Bastou que a governanta viesse com aquele vocativo espontâneo de sempre — “Meus queridos brasileiros (…) —, e uma vaia estrepitosa uniu a cidade de São Paulo como raramente se viu. Abaixo, há um vídeo que me foi enviado pela leitora Andréia, também ouvinte da Jovem Pan. É do bairro de Perdizes.  Há centenas de outros nas redes. Houve protestos em pelo menos 12 capitais: São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Belém, Recife, Maceió e Fortaleza.
Quem já estava disposto a vaiar e a bater panela não deve ter prestado muita atenção ao que disse Dilma, não é? Só por isso, creio, os protestos não foram ainda mais contundentes. Os petistas como um todo, e Dilma Rousseff em particular, perderam a noção da realidade; perderam a leitura da política; perderam o pulso da população. E fazem, então, bobagens em penca até segundo aquele que deveria ser o seu ponto de vista.
É possível que a “Lista de Janot”, arrematada com o “nada consta contra a presidente”, de Teori Zavascki, tivesse até dado uma refreada nos ânimos. Os dois eventos não foram propriamente mobilizadores. Ora, sendo assim, com a popularidade em queda livre, cumpria a Dilma ser o mais discreta que conseguisse. Que fizesse uma fala curta em homenagem às mulheres, vá lá; que anunciasse o agravamento da pena para o chamado “feminicídio” (debato o mérito outra hora), ok. Que aproveitasse a deixa para lamentar a corrupção na Petrobras, seria aceitável também. Mas o que foi aquilo???
A íntegra de sua fala está disponível neste blog. Dilma já largou mal sugerindo que os descontentes estão mal informados. A imprensa foi o seu primeiro alvo. Segundo a presidente, “os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes”. “Muitas vezes — disse a gênia — até nos confundem mais do que nos esclarecem.” Entendi. Não é de hoje que os petistas consideram que a falta de informação é útil a seu projeto de poder. Isso explica a sua disposição para controlar e censurar a imprensa.
Com a compulsão de sempre para a mistificação, disse a governanta: “Pela primeira vez na história, o Brasil, ao enfrentar uma crise econômica internacional, não sofreu uma quebra financeira e cambial”. Bem, trata-se apenas de uma mentira. Instruída sabe-se lá por quais feiticeiros, incorporou o conceito de que governo e sociedade são polos necessariamente opostos. O primeiro teria já pagado o pato da crise; agora, teria chegado a vez do povo. Leiam isto: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas. (…) Absorvemos a carga negativa até onde podíamos e, agora, temos que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade”.
Nessa fala, “sociedade” e “governo” têm matrizes distintas e interesses específicos, que podem, eventualmente, entrar em contradição e se opor. Ainda que Dilma fosse uma ultraliberal, em vez de uma esquerdista atrapalhada, a fala estaria errada.
A presidente se referiu, sim, às tais medidas amargas que, segundo ela, seriam implementadas pelo tucano Aécio Neves caso vencesse a eleição. Afirmou: “Foi por isso que começamos cortando os gastos do governo, sem afetar fortemente os investimentos prioritários e os programas sociais. Revisamos certas distorções em alguns benefícios, preservando os direitos sagrados dos trabalhadores. E estamos implantando medidas que reduzem, parcialmente, os subsídios no crédito e também as desonerações nos impostos, dentro de limites suportáveis pelo setor produtivo”. Sei. Há pouco mais de quatro meses, essa mesma senhora fazia uma campanha eleitoral só com amanhãs sorridentes. Sabíamos, ela também, que um estelionato estava em curso.
Dilma, já escrevi isso aqui outro dia e reitero, é hoje a principal propagandista do protesto do dia 15. Mais de uma vez ela já se definiu como uma “mulher dura, cercada de homens meigos”. Bem, está na hora de seus meigos estudarem um pouco de política. Hoje, ela só é uma mulher em apuros, cercada de homens incompetentes. Por Reinaldo Azevedo

PT PERDE TAMBÉM A GUERRA VIRTUAL – Pois é, petralhas! Tirando os milhões que protestam, o resto, de fato, é silêncio!!!

Assim que as vaias ecoaram Brasil afora, os petralhas foram para as redes sociais para dizer que… não tinham ouvido nada; que, em sua cidade, reinava o silêncio. Foram adiante: começaram a atacar os que protestavam, associando-os a ricos e privilegiados — “coxinhas!”, vociferavam. Como a gente sabe, aqueles patriotas que roubavam a Petrobras estavam apenas dividindo renda, certo? Aqueles, sim, são socialistas de respeito. Que gente chulé! Mas, ora vejam!, perderam a batalha mais uma vez.

É, meus caros! A Internet já foi um ambiente mais inóspito para não petistas. Sei bem o que falo. Lembro o quanto apanhava quando era um dos poucos que enfrentavam o que parecia ser uma maioria esmagadora. Sim, eu sei: ainda sou alvo frequente de petralhas e fascistoides. Em dezembro de 2012, o Datafolha publicou uma pesquisa segundo a qual 83% dos brasileiros consideravam o governo Lula “ótimo ou bom”; 13% diziam ser regular, e só 4% — isto mesmo: QUATRO POR CENTO — o avaliavam como “ruim ou péssimo”.
Um desses blogueiros sujos, financiado com capilé estatal, escreveu, acreditem!, que aqueles 4% deveriam ser “leitores do Reinaldo Azevedo”. Achou pouco: sugeriu que a imprensa fosse atrás deles para tentar saber, afinal de contas, quem eram. Sim, o homem considerava um exotismo alguém não gostar do governo. Seu texto sugeria que eram pessoas de algum modo doentes… Para ele, opor-se ao governo é matéria que merece trato psiquiátrico e internação.
Eram tempos bem mais difíceis. É um pouco mais tranquilo não endossar a cartilha do petismo quando há muitos outros milhões que não endossam também. Hoje, é bem provável que eu já faça parte de uma maioria.
Os companheiros já tinham perdido a guerra na rede no dia 20, quando a presidente concedeu aquela entrevista desastrada e desastrosa e acusou Fernando Henrique Cardoso pelos descalabros da Petrobras. Sua fala foi ridicularizada em centenas de memes. Os que saíam em defesa de Dilma eram bem poucos.
Neste domingo, depois do panelaço, a militância virtual foi à luta para tentar ridicularizar os que protestavam, para negar o que milhões viam e ouviam, para tentar pespegar-lhes a pecha de radicais de salão. Os mais afoitos, claro!, como de hábito, propunham briga de rua, mais ou menos nos moldes daqueles trogloditas que atacaram a população em frente à sede da Associação Brasileira de Imprensa, no dia 24 de fevereiro. Nesse dia, Lula conclamou João Pedro Stedile a botar seu “exército” na rua.
Pois é… O petismo comete mais um erro, dá mais um tiro no pé, faz mais uma bobagem. Não adianta fazer as vezes dos três macaquinhos: o que não vê, o que não fala e o que não ouve.
No mais, dizer o quê? Exceção feita aos milhões de descontentes, o resto, de fato, é silêncio. Por Reinaldo Azevedo