quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cai Graça Foster e cinco diretores da Petrobras


A notícia foi dada a pouco pela Petrobras. A divulgação consta de esclarecimento apresentado pela companhia à BMFBovespa e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após rumores sobre a mudança na diretoria. Não houve publicação de fato relevante. Além disso, a divulgação foi feita com a bolsa já aberta e depois do prazo limite para a resposta ao questionamento. O prazo era até as 9 horas de hoje, segundo comunicado ao mercado. O conselho de administração da Petrobras se reunirá nesta sexta-feira, dia 6, para eleger nova diretoria, segundo esclarecimento divulgado pela companhia a pedido da BMF Bovespa e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Conforme o Valor apurou, há uma lista de nomes citados por colaboradores da presidente que poderiam vir a comandar a Petrobras. A lista vai do ex-executivo da Perdigão, Nildemar Secches, ao presidente da Vale, Murilo Ferreira. Inclui, ainda, outros nomes já cogitados desde que eclodiu a crise na Petrobras, como os do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Rodolfo Landim, ex-funcionário da companhia e hoje da Ouro Preto Petróleo e Gás, e Roger Agnelli, que presidiu a Vale. Ontem, uma nova possibilidade foi cogitada: Eduarda La Rocque, ex-secretária da Fazenda do município do Rio, próxima ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Era só o que faltava, o bandido petista mensaleiro José Dirceu dá dica sobre novo presidente da Petrobras

Grubisich, à direita, com Júnior Friboi, maior doador das campanhas eleitorais do PT
O ex-ministro José Dirceu, bandido petista condenado no processo do Mensalão do PT, disse a amigos na manha desta quarta-feira que o nome mais forte para substituir Graça Foster na Petrobras é o engenheiro José Carlos Grubisich. Grubisich, ex-presidente da Braskem, dirige atualmente a Eldorado Brasil Celulose e Papel. Além do absurdo de um chefe de quadrilha, que indicou o operador do PT dentro da estatal, estar interferindo na nomeação do novo presidente da Petrobras, é inaceitável que ele tenha ou tenha tido qualquer vínculo com as empreiteiras envolvidas na roubalheira. Ora, a Braskem surgiu de um negócio de pai para filho promovido pela Petrobras de Lula X9 e Dilma para a Odebrecht. 

PT dá golpe baixo para impedir CPIs.


Depois da mobilização que contou com apoio da própria base governista para o pedido de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara para investigar a Petrobras, a bancada do PT colocou em prática uma manobra para tentar barrar novas apurações. Como a oposição trabalha para instalar comissões para investigar o setor elétrico, os fundos de pensão e os financiamentos do BNDES, o PT acelerou a entrega de requerimentos pedido a criação de CPIs para investigar a violência no Brasil e a violência contra pobres e negros. Pelas regras da Câmara, podem funcionar ao mesmo tempo cinco CPIs. Além da Petrobras e das sobre violência, também já foram apresentados pedidos de criação de uma CPI para investigar a divulgação de pesquisas eleitorais e suas implicações nas urnas e uma sobre denúncias envolvendo planos de saúde. Todos os pedidos serão analisados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que vive uma relação desgastada com o Planalto. Para que uma CPI seja instalada são necessárias as assinaturas de pelo menos 171 dos 513 deputados. Além disso, o presidente da Câmara pode barrar seu funcionamento caso avalie não haver o chamado "fato determinado" que justifique a investigação. A oposição diz que a justificativa para a CPI do setor elétrico são os apagões e a política para a definição das tarifas de energia. Sobre o BNDES, a oposição mira empréstimos feitos, entre outros, a grandes financiadores políticos, principalmente o grupo JBS, campeão em doações a candidatos nas últimas eleições. A oposição também acusa o governo de usar os fundos de pensão das estatais para fins político-partidários.

Renan Calheiros dá golpe com apoio da base alugada e acaba com a democracia no Senado


Em sessão tensa na noite desta quarta-feira (4), com direito a bate-boca e dedo em riste, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conseguiu aprovar manobra que garantiu a seus aliados os cargos de comando da Casa. Com ajuda do PT, Renan colocou em prática uma operação costurada para deixar de fora dos postos PSDB e PSB, que fizeram oposição a sua reeleição. Aliados do peemedebista reconhecem, nos bastidores, que o presidente da Casa quis medir forças com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que luta para se consolidar como líder da oposição na Casa. Apesar de ser tradição do Senado a divisão das vagas na Mesa Diretora de acordo com o tamanho das bancadas dos partidos, o grupo de Renan Calheiros conseguiu aprovar indicações de partidos que apoiaram sua recondução como presidente do Senado. Sob fortes protestos da oposição, que acusou Renan de "tratorar" a escolha em favor de seus aliados e apequenar o Senado, as duas vice-presidências, quatro secretarias da Mesa Diretora e suas respectivas suplências serão ocupados pelo PT, PMDB, PP, PDT e PR. Com exceção do PDT, todas as siglas apoiaram a candidatura de Renan para presidir o Senado. Com a manobra, o PSDB e o PSB, que teriam direito a dois cargos, foram excluídos da Mesa Diretora. O PDT conquistou a vaga porque indicou o senador Zezé Perrella (MG) para a terceira secretaria, que é aliado de Renan – nenhum outro pedetista foi aceito pelo grupo do presidente do Senado. Por ser a terceira maior bancada, o PSDB teria direito a indicar o primeiro-secretário, que comanda a espécie de "prefeitura do Senado, mas abriu mão de entrar na disputa depois que os aliados de Renan indicaram o senador Vicentinho Alves (PR-TO) para o cargo. A articulação do peemedebista provocou um forte bate-boca com Aécio Neves. Após as negativas de Renan Calheiros aos apelos dos oposicionistas para reavaliar a situação, no microfone, Aécio Neves cobrou o peemedebista: "Vossa excelência será o presidente dos ilustres senadores que o apoiaram, mas Vossa Excelência perde a legitimidade de ser presidente da oposição. Vossa Excelência apequena essa Presidência". Na sessão, Aécio teve o apoio dos líderes da oposição e do PSB, que fizeram acusações a Renan. "Isso é cretinismo parlamentar. O PSB foi o partido que ousou apresentar o nome daquele que concorreria com o senador Renan", atacou Lídice da Mata (PSB-BA). A escolha dos membros da Mesa ocorreu em reunião realizada na casa de Renan Calheiros. Além do presidente do Senado, participaram da articulação os senadores Humberto Costa (PT-PE), Jorge Viana (PT-AC), Eunício Oliveira (PMDB-CE), José Pimentel (PT-CE), Romero Jucá (PMDB-RR) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL). A chapa escolhida pelo grupo pró-Renan foi aprovada pela maioria do plenário do Senado. Sem reagir aos ataques, o peemedebista negou que tenha articulado a indicação de seus aliados para a Mesa Diretora. "Quem escreve a chapa não é o presidente, são os líderes", justificou.

Graça já era. Agora o mercado quer rir de outra coisa. E a agenda é imensa!

Como diria o petista Chico Buarque, uma pergunta, nesta quarta-feira, andou nas cabeças e nas bocas: se a informação não confirmada de que Graça Foster deixaria a Presidência da Petrobras fez disparar as ações da empresa, por que o mesmo não se deu com a confirmação de sua saída e de toda a diretoria?  Porque Graça não é o único problema da Petrobras. Na verdade, ela entrou lá para ser a solução. Quando ficou claro que não conseguiria tirar a empresa do atoleiro, o mercado pôs um preço.

E resolveu fazer a compensação na outra ponta quando ficou claro que Graça iria sair. Mas o valor dessa expectativa positiva já havia sido definido na segunda e na terça. Na quarta-feira, as ações acabaram andando de lado. Outras questões agora se alevantam. Quem será seu substituto? Vem para corrigir ou para alimentar os vícios? Haverá uma profissionalização para valer?
A empresa tem pepinos gigantescos a resolver, e isso é que vai determinar, de agora para diante, o comportamento dos investidores. A Petrobras vai incorporar a seu balanço uma perda de quanto? Os mais de R$ 88 bilhões, que deixaram Dilma enfurecida, não vão sair tão facilmente da cabeça do mercado. Se o valor for muito abaixo disso, o que se tem é desmoralização — e isso custará muito caro. Qualquer que seja ele, no entanto, num primeiro momento, a tendência é que a reação seja ruim. Se os números forem realistas, pode ter início um ciclo de confiança depois do estresse.
A única coisa sensata que Dilma tem a fazer é procurar estimular o otimismo indicando um nome que não seja notoriamente ligado à máquina de desmandos. A depender da escolha, haverá otimismo, mas não se enganem: ainda há espaço para o valor das ações cair bastante. A Petrobras não dispõe dos recursos necessários para ser a parceira obrigatória da exploração do pré-sal. Ocorre que isso se tornou uma obrigação. O endividamento da empresa explodiu. A própria Graça admitiu — outro presidente dirá o contrário? — que a estatal reduzirá ao mínimo necessário a sua atuação na exploração e no refino de petróleo, suas duas atividades principais.
A confiança é muito importante, mas não existe mágica. O ciclo que vem pela frente não é nada animador. Escolham o problema:
a: o preço do barril do petróleo despencou;
b: a Petrobras não tem recursos para arcar com as despesas do pré-sal;
c: a exploração do pré-sal, dado o valor do barril, deve resultar num zero a zero, e olhem lá;
d: a Operação Lava Jato, com seus desdobramento, está longe do fim;
e: as ações judiciais contra a empresa no Exterior têm desfecho imprevisível; podem ser devastadoras para as finanças da estatal;
f: agências de classificação de risco põem a empresa, hoje, no último patamar do grau de investimento; abaixo dele, é grau especulativo.
As ações se valorizaram com o boato da queda de Graça e ficaram estáveis no fato. Isso é parte do jogo. De agora em diante, o que conta é a resposta do governo aos novos desafios, que já, ora vejam, os velhos! Por Reinaldo Azevedo

Rui Falcão, o chefe dos reacionários, fala bobagem sobre a Petrobras e sobre golpe

Ai, Ai…  As forças da reação se organizam. Como diria Karl Marx, “a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”. De quem estou falando?  Ora, de Rui Falcão, presidente do PT, que hoje comanda a tropa dos reacionários do País. E o que é um reacionário? À diferença do conservador, que defende a preservação de instituições para que se possam fazer as mudanças, o reaça quer forçar a história andar para trás, ele quer restaurar um passado que já passou, ele quer recuperar privilégios perdidos. Faço uma pequena digressão. A imagem é de Chesterton, um conservador iluminado, sem trocadilho: os postes de luz devem ser permanentemente pintados para que continuem funcionais. Eles mudam para que, sobrevivendo, suportem a luz. Alguém poderia brincar: “Ah, mas não seria o caso de enterrar os fios, tornando obsoletos os postes?”. Se e quando isso for necessário, sim. Mas que se preserve lá, de pé, a história, como parte de um passado que fez o presente e anuncia e o futuro. A civilização se faz do acúmulo de conhecimento e de experiência, não da eliminação do passado. Num caso, temos democracia; noutro, Estado Islâmico. Mas volto ao ponto.

Rui Falcão, o presidente do PT, estava com a macaca nesta quarta-feira. Logo depois de uma reunião com a bancada federal do partido, deu a seguinte declaração: “O mais importante é fortalecer a Petrobras, mostrar que é uma empresa que tem recursos para o futuro do País, há uma tentativa muito grande de desmerecer a Petrobras como empresa pública”. Como é que é?
Sob o comando do PT, a estatal chega perto da insolvência, palco do maior escândalo de que se tem notícia — deve haver outros, cujo conteúdo desconhecemos — na história do País. Na gestão do petista José Sérgio Gabrielli, uma quadrilha se apoderou da empresa. Mas Rui Falcão acha que a diretriz tem de continuar a mesma. 
Ele especificou o seu desejo de mesmice: “Nós temos que manter as políticas de conteúdo nacional da Petrobras, que garantem emprego e recursos para o País. Não concordamos com analistas que defendem privatizar a Petrobras, tirar dela a condição de operadora única do pré-sal e mudar o regime de partilha para o regime de concessão”.
Vamos ver. Infelizmente, são poucas as vozes que defendem a privatização da Petrobras — entre os homens públicos, ninguém até agora A chamada política de conteúdo nacional gerou uma empresa à beira da insolvência, a Sete, onde Dilma quer enfiar R$ 10 bilhões, e só serve para elevar os custos da Petrobras. O regime de partilha, da forma como imposto à estatal, exige da empresa o desembolso de um dinheiro que ela não tem.
Falcão estava animado e resolveu se pronunciar também sobre um parecer do advogado Ives Gandra Martins, segundo quem Dilma pode ser alvo de um processo de impeachment, ainda que por ações culposas. Afirmou: “Não vejo nem base jurídica nem base política para isso. A presidente Dilma foi eleita e está conduzindo o País conforme o programa vitorioso nas urnas. Essas tentativas que são aqui ou ali ensaiadas, de flerte com o golpismo, não levo a sério porque a população brasileira está muito firme com a ideia da democracia. São chuvas de verão”.
Flerte golpista uma ova! Eu nem defendo exatamente o ponto de vista de Ives Gandra, mas o que está numa lei democraticamente votada ou acolhida, golpe não é.  Golpe é organizar uma quadrilha para assaltar a Petrobras e o estado brasileiro.
O reacionário Falcão acha que o futuro do Brasil está no passado, no tempo em que os petistas davam as cartas. Levaram o país à bancarrota. Por Reinaldo Azevedo

Usina térmica a gás da AES Sul em Uruguaina voltará a gerar 639 mw na próxima semana

A usina térmica a gás da AES Sul, em Uruguaiana, deve voltar a gerar energia para o sistema elétrico nacional, após quase um ano de paralisação. A térmica de Uruguaiana, com capacidade instalada para geração de até 639 Mw,  irá gerar, por pelo menos dois meses, para o sistema elétrico nacional, 250 Mw de energia que serão distribuídos distribuídos através das plantas da CEEE Uruguaiana 5 e Alegrete 1, e da subestação de Maçambará que pertence à CTEE. A expectativa é de que em abril a geração da usina tenha sua geração aumentada e que devido a crise energética nacional siga em funcionamento mesmo após os dois meses iniciais previstos. A AES Uruguaiana foi a primeira usina termelétrica a operar com gás natural no Brasil. A geradora iniciou suas atividades em 2000, em Uruguaiana. A empresa integra o Grupo AES Brasil, composto ainda pelas distribuidoras AES Eletropaulo e AES Sul e pela geradora AES Tietê. Em agosto de 2008 a empresa argentina responsável pelo fornecimento de gás natural à AES Uruguaiana suspendeu o envio do insumo à empresa. Em consequência disso a AES determinou, em abril de 2009, a hibernação da usina, o que implicou na paralisação de suas atividades de operação. A planta operou ainda em caráter precário nos anos de 2013 e 2014 gerando energia durante o período do verão.

MORREU O FOTÓGRAFO ASSIS HOFFMANN

Morreu ontem em Porto Alegre o repórter e fotógrafo Assis Hoffmann, 73 anos. Ele era de Santiago, iniciou a carreira no jornal Última Hora e marcou sua vida profissional como jornalista de primeira linha em coberturas nacionais e internacionais, sobretudo no Correio do Povo e nas revistas da Editora Abril. Foi um grande fotógrafo. 

PRODUÇÃO INDUSTRIAL RECUA E TEM O PIOR RESULTADO EM 5 ANOS

A produção da indústria brasileira em 2014 decepcionou. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade do setor despencou 3,2% no acumulado do ano, depois de ter recuado 2,8% em dezembro. O resultado anual é o pior desde 2009, quando o indicador recuou 7,1%. Economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório Focus apostavam que a indústria registraria queda de 2,49% em sua produção em 2014. Para 2015, as estimativas do Focus já caíram por quatro semanas seguidas, passando de crescimento de 1,04% há um mês para 0,5% agora. Na passagem de novembro para dezembro, a indústria eliminou 140.000 vagas, o equivalente a uma redução de 3,9% no total de ocupados no setor, informou o IBGE no fim de janeiro. Na comparação com dezembro de 2013, a atividade cortou 105.000 postos de trabalho, uma queda de 3% no número de empregados.

PT ELEGE SIBÁ MACHADO COMO NOVO LÍDER DO PARTIDO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

A bancada do PT escolheu na manhã desta quarta-feira, por aclamação, o deputado federal Sibá Machado (AC) como novo líder da bancada na Casa. Fragilizada pela derrota de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e pela vitória em turno único de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na eleição para a presidência da Câmara, a bancada petista ameaçou a "rachar" ontem e transformar a eleição do líder em uma "guerra" entre as diferentes alas do partido. O partido trotskista clandestino "Democracia Socialista", que parasita o PT, chegou a colocar o nome de Afonso Florence (BA) na disputa pela liderança e o "Movimento PT" indicou que lançaria a deputada federal Maria do Rosário (RS). Ontem, deputados do PT realizaram uma série de reuniões para tentar evitar que a sucessão na liderança fosse feita no voto, o que evidenciaria uma divisão interna. Sibá Machado é bem um sinal dos tempos e da total decadência do PT. Ele é uma espécie de cangaceiro do Acre. 

Financial Times avisa, o escândalo deixa o futuro da Petrobras em risco

O jornal britânico Financial Times publicou nesta quarta-feira uma lista com perguntas e respostas com um o panorama geral sobre a crise da maior empresa brasileira. O artigo relembra o que levou ao escândalo e quais são as perspectivas. "Investidores na Petrobras podem ser perdoados por se perguntarem o que diabos está acontecendo na estatal brasileira e o que pode acontecer a seguir.
- Qual é o tamanho do impacto para o Brasil e a empresa?
- Depois de meses no centro da maior investigação de corrupção na história brasileira, o futuro da empresa está em jogo. Ela sangrou dois terços de sua capitalização de mercado desde que Dilma Rousseff — uma ex-presidente de seu conselho de administração — tornou-se presidente do Brasil há quatro anos, uma perda que foi acelerada desde que as investigações sobre as acusações se tornaram públicas no final do ano passado. Talvez mais de US$ 20 bilhões foram desviados da empresa há uma década e teriam supostamente sido desviados para o Partido dos Trabalhadores, de Dilma Rousseff.

Publicação do balanço da Petrobras com aval da auditoria é vital para as finanças da empresa e da economia brasileira

O impasse contábil da Petrobrás, que divulgou na semana passada o balanço do terceiro trimestre de 2014 - não auditado pela PricewatherhouseCoopers (PwC) - mobiliza uma força-tarefa do governo petista de Dilma Rousseff na busca de uma solução. Há a percepção clara de que o não fechamento do balanço coloca em risco todo o País. A auditoria evita assinar o balanço enquanto a estatal não deixar claras as perdas com as fraudes que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato. Sem as baixas contábeis, a PwC também fica vulnerável a eventuais processos pelas autoridades que vigiam o mercado financeiro no Brasil (CVM, Comissão de Valores Mobiliários) e Estados Unidos (SEC, Securities and Exchange Commission). Segundo fontes, chegou-se a discutir uma investigação em torno de todas as operações financeiras da empresa para atestar a idoneidade do diretor da área, Almir Barbassa, e, assim, facilitar o acerto do balanço. A conclusão do processo foi estimada em dois meses, mas a proposta foi rejeitada pelo comando da estatal. Barbassa ocupa a diretoria Financeira desde julho de 2005, quando José Sergio Gabrielli, então diretor, foi promovido pelo presidente Lula X9 à presidência do grupo. A Petrobrás nega que a PwC tenha pedido a investigação sobre Barbassa. O governo da petista Dilma prepara para breve, porém, o anúncio de uma importante mudança no conselho de administração. Composto por dez membros, sete são representantes da União, controladora majoritária da empresa. Mas apenas dois sem vínculo direto com o governo: o general da reserva Francisco Albuquerque e Sérgio Quintela, dirigente da FGV. Os demais são ministros, ex-ministros e o presidente do BNDES. A intenção, segundo fonte do próprio governo, é profissionalizar o conselho, substituindo-os por profissionais da iniciativa privada. Grande bobagem, porque esse conselho já a presença do barão do aço nacional, Jorge Gerdau Johannpeter, que vende por todo lado a sua panacéia do Programa de Qualidade na Administração Pública, e o que se viu foi a gigantesca porcaria feita na Petrobras, com o aval dele. A compra da refinaria de Pasadena é um deses eloquentes exemplos. Na última reunião, quando foi divulgado o balanço, na madrugada do dia 28, a formação ainda não havia mudado. O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, permanecia na presidência do conselho e defendeu, inclusive, a não divulgação de qualquer número sobre os ativos sobrevalorizados da companhia. E foi voto vencido. O caso Petrobrás está sendo tratado no governo como um "Catch 22" (Ardil 22), título de um romance do escritor Joseph Heller, que se tornou uma expressão comum a situações críticas de impasse. No livro, um piloto da força aérea americana tenta comprovar insanidade para escapar de operações de bombardeio. Mas a tentativa demonstra a sua sanidade e o coloca numa encruzilhada. Sem o referendo da PwC às contas apresentadas pela empresa, o balanço não tem efeito legal. E, sem isso, os credores podem exigir pagamento antecipado da dívida, o que poderia colocar a empresa em situação financeira ainda mais delicada. A dívida bruta da Petrobrás supera R$ 300 bilhões. Mas a possibilidade de nova capitalização da estatal é tida ainda como "desnecessária" pelo governo. E muito improvável, se fosse necessária. A Petrobrás está sob forte pressão financeira. Segundo uma fonte ligada à empresa, o fato de o governo ter segurado o reajuste dos combustíveis nos últimos três anos, enquanto o preço subia no mercado internacional, sangrou o caixa da estatal em R$ 60 bilhões. Essa sangria foi compensada com o aumento do endividamento. Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou as notas da Petrobrás. Há uma expectativa grande para que a auditoria assine o balanço. Se a Petrobrás conseguir o aval da PwC, poderá normalizar suas relações com o mercado financeiro e colocar em prática o plano recém-anunciado para reduzir o tamanho da empresa e retomar suas atividades, de uma maneira mais adequada aos novos tempos de aperto. Um passo nesse sentido já foi dado, quando a presidente da Petrobrás, Graça Foster, deixou clara a decisão de "encolher" drasticamente a empresa, a maior do País. A retirada das refinarias Premium I e II, projetos previstos para Maranhão e Ceará, foi a mostra mais firme de mudança do rumo estratégico da Petrobrás. Pelas estimativas do governo, somente essa decisão retirou R$ 2 bilhões do lucro do terceiro trimestre de 2014. Não fosse a retirada dos dois projetos - que gerou perda de R$ 2,707 bilhões, reconhecida no balanço do terceiro trimestre - o lucro líquido teria ultrapassado R$ 5 bilhões. Reconhecer que as duas refinarias estão definitivamente fora do planejamento da empresa implicou, também, alto custo político para o governo. As obras, idealizadas há cerca de dez anos, foram desenhadas como parte de um acordo com partidos aliados. O PMDB, dos maranhenses José Sarney e Edison Lobão, e o atual Pros, dos irmãos Ciro e Cid Gomes. Diante da mudança dramática das circunstâncias na Petrobrás, não houve protestos públicos até agora, como das vezes anteriores em que a continuidade do projetos esteve ameaçada. Os planos para que a "nova Petrobrás" entre nos eixos só vão funcionar, porém, se a PwC assinar o balanço. Por isso, a estatal tem conversado para que a empresa de auditoria participe diretamente das avaliações das perdas. E o governo aposta na participação da CVM nas conversas sobre como "limpar" o balanço para tentar convencer a Price de que estará segura para assinar o documento. Em exercícios anteriores, não houve nenhuma ressalva aos dados apresentados pela Petrobrás. Ao assinar o resultado e seus parâmetros contábeis, a auditoria assume também a responsabilidade sobre eles perante os investidores. Após o agravamento do escândalo da Lava Jato, a PwC exigiu da Petrobrás o cálculo das perdas resultantes de operações sob suspeita de corrupção, o que a empresa ainda não conseguiu fazer. Numa operação que a própria empresa questiona, calculou que um terço de seus ativos - envolvidos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal - estão superavaliados em R$ 88 bilhões, enquanto outros estariam subavaliados em R$ 26 bilhões. Segundo o economista-chefe da RC Consultores, Thiago Biscuola, o adiamento da publicação do balanço financeiro do terceiro trimestre auditado tem sido o principal motivo de descrença no mercado na empresa. Uma investigação dos passos de Barbassa poderá dificultar e adiar ainda mais a divulgação do resultado: "Essa seria mais uma névoa pairando sobre a companhia. Em um momento de incerteza, funciona como um fator complicador, que atrapalha a capacidade do mercado de prever os próximos passos da empresa". Para um analista que não quis se identificar, a força-tarefa para acelerar a publicação do balanço faz sentido. "Se não houver um avanço rápido, poderá haver outro rebaixamento pela Moody's, e isso pode dar início a uma avalanche. O mercado pode entrar em pânico", alertou.

A nova diretoria da Petrobras vai fazer a revolução ou referendar a tradição das gerações mortas, que acabaram com a empresa?

Graça Foster e quase toda a diretoria da Petrobras pediram demissão. Até agora, só José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e um dos “Três Porquinhos” da Dilma Rousseff de 2010, não assinou a carta de renúncia. Só para refrescar a memória: ele foi um dos coordenadores da primeira campanha presidencial da petista, ao lado de José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, e de Antonio Palocci. A então candidata os apelidou de seus “Três Porquinhos”. Então tá. Ela devia ter os seus motivos. No Facebook, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), publicou a seguinte mensagem sobre a saída de Graça: “O curioso na saída de Graça Foster da presidência da Petrobras é que depois de mais de um ano fazendo de tudo para proteger a presidente da República, sua amiga Dilma Rousseff, a presidente Graça Foster resolveu falar a verdade e, há poucos dias, admitiu no balanço da empresa uma perda de ativos de mais de R$ 88 bilhões. No mesmo momento, admitiu um prejuízo de mais de R$ 2,5 bilhões pelo início das obras feitas irresponsavelmente nas refinarias do Ceará e do Maranhão. Falar a verdade não faz bem a ninguém neste governo”. Em parte, claro!, Aécio tem razão. Tenho cobrado há quase um ano a saída de Graça Foster — e de toda a diretoria da Petrobras — em razão de seus defeitos. Mas há uma possibilidade de que ela tenha caído em razão de suas virtudes. De todo modo, é evidente que há muito Graça havia perdido a condição de permanecer no cargo. A reação da Bolsa de Valores diz tudo. A permanência da atual diretoria acabaria levando a empresa à lona. Aliás, está bem perto disso, não é mesmo? Vamos ver quem vai aceitar o desafio. Um monte de gente séria está declinando do convite. Espero que se chegue a bom termo. É preciso que seja uma equipe que inspire credibilidade; que, a um só tempo, tenha conhecimento da área e não esteja disposta a servir de esbirro de um projeto político. Por que as pessoas correm do convite para comandar a Petrobras? Porque nunca sabem quando vão esbarrar em anéis burocráticos na empresa contaminados pela sujeira política. Ora, tomemos José Sérgio Gabrielli: ele diz, por exemplo, que ignorava toda a roubalheira. Curiosamente, tem passado mais ou menos incólume pelo furacão. Logo, deve-se concluir que as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional — as três enroladas na investigação — gozam de tal autonomia que se podem roubar bilhões sem que o presidente se dê conta ou mande investigar. Será mesmo? Não que eu acredite em Gabrielli. Não acredito numa vírgula! A empresa, no entanto, deve ter mecanismos de decisão que tornam o seu discurso ao menos verossímil, ainda que falso. Logo, a futura diretoria tem de promover uma revolução na estatal. Vai ser fácil? Ah, não vai mesmo! A melhor síntese pode ser buscada no pensamento de um ícone da esquerda, não dos conservadores. Prestem atenção: “A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”. E Marx foi adiante, afirmando que, justamente quando algumas forças parecem empenhadas na mudança, em vez de buscarem o futuro, ancoram-se nas forças do velho. E só para não esquecer: a Operação Lava Jato investiga apenas os desvios na Petrobras. Como a roubalheira era parte de um sistema, não uma exceção que só valesse para a estatal, imaginem a limpeza que está a pedir a vida pública e o estado brasileiros. Por bons ou por maus motivos, Graça vai tarde. O que se lamenta é que sua saída não interfira nos métodos empregados por uma quadrilha para assaltar o estado brasileiro. Por Reinaldo Azevedo

Graça Foster renuncia à presidência da Petrobras

A presidente da Petrobras, Graça Foster, e cinco diretores da companhia renunciaram ao cargo e novos executivos serão eleitos em reunião do Conselho de Administração que será realizada na sexta-feira. As renúncias foram comunicadas pela própria estatal nesta quarta-feira em um ofício ao mercado. A saída da diretoria acontece em meio às investigações de um escândalo bilionário de corrupção e a dificuldade da atual gestão da companhia para quantificar os prejuízos com fraudes em contratos de obras durante anos. As ações da Petrobras voltaram a disparar nesta quarta-feira reagindo à renúncia de Graça. Na terça-feira, rumores sobre a saída da agora ex-presidente da estatal levaram os papéis da Petrobras à maior alta em 16 anos. Às 11 horas desta quarta,-feira os papéis preferenciais da companhia subiam 6%, enquanto as ações ordinárias avançavam 6,33%. No mesmo instante, o Ibovespa tinha valorização de 0,51%. “Qualquer mudança na companhia tem viés benéfico, pois mostra que o governo está empenhado em fazer de tudo para que ela não perca o grau de investimento”, disse o gerente de renda variável da Fator Corretora, Frederico Ferreira Lukaisus, logo após a notícia. Em relatório a clientes, antes do anúncio, comentando os rumores sobre a iminente saída de Graça Foster, o analista Frank McGann, do Bank of America Merrill Lynch, ponderou que encontrar substitutos não será fácil. Para McGann, será fundamental a nova diretoria combinar força técnica e um maior nível de independência do que o visto nos últimos anos. O governo busca um executivo para comandar a estatal que preferencialmente seja ligado ao setor de petróleo. O objetivo é ter uma nova diretoria composta por nomes do mercado e também da empresa. 
A presidente Dilma Rousseff procura definir ainda em fevereiro o nome para comandar a estatal, após ter aceito a demissão de Graça Foster em uma reunião em Brasília na terça-feira. A próxima diretoria terá a missão de apresentar o balanço do quarto trimestre auditado até o fim de abril, já com baixas contábeis necessárias devido ao escândalo de corrupção. Caso não cumpra o prazo, a diretoria terá que conversar com credores para a postergação dos resultados. No entanto, há credores que acreditam que a empresa já pode ser declarada inadimplente em bilhões de dólares em dívida, mesmo tendo divulgado os resultados atrasados do terceiro trimestre dentro de um prazo autoimposto.

Sartori reúne-se com direção da construtora da usina térmica de Candiota, a Tractebel


O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), reuniu-se, na manhã desta quarta-feira (4), no Palácio Piratini, com a direção da empresa Tractebel Energia, sediada em Florianópolis (SC) e que deve iniciar ainda no primeiro semestre deste ano as obras para a construção de usina térmica a carvão em Candiota, na região da Campanha. O vice-governador José Paulo Cairoli e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edson Brum, também participaram do encontro. De acordo com o diretor-presidente da Tractebel Energia, Manoel Zaroni Torres, a nova unidade, batizada de Pampa Sul, terá investimentos na ordem de R$ 1,8 bilhão e produção de 360 megawatts – suficiente para abastecer duas cidades do porte de Caxias do Sul, por exemplo. A usina deve entrar em operação em janeiro de 2019. Na fase de obras, serão gerados cerca de 2 mil postos de trabalho diretos e outros 8 mil indiretos. A partir da operação, serão oferecidos 2 mil postos de trabalho de forma indireta e 300 diretos. Sartori destacou a importância dos investimentos e afirmou que o Estado tem de ajudar no que for possível e valorizar o potencial das regiões, promovendo o desenvolvimento regional de forma equilibrada. O secretário de Minas e Energia, Lucas Redecker, disse que a nova unidade trará um aporte importante na geração de energia no Rio Grande do Sul e vai trabalhar nos moldes das empresas do setor com alta tecnologia. 

PETISMO PERMANECE DENTRO DO GOVERNO SARTORI NO RIO GRANDE DO SUL

Celso Schröder, o Lênin guasca petista dentro do governo do PMDB, ensinando o que é ética no jornalismo 
Uma matéria divulgada pela comunicação social do Palácio Piratini, comandada pelo jornalista Cleber Benvegnu, no meio da tarde desta quarta-feira, dá bem idéia de quanto o governo de José Ivo Sartori (PMDB) está não somente infiltrado pelo petismo, como observe e segue as pautas político-ideológicas formuladas, apresentadas e defendidas pelo PT. Leiam a matéria abaixo, depois comento:
Relação entre fontes e jornalistas é tema do Mídia em Debate, na TVE
04/02/2015 às 15:27
Uma das premissas de um jornalismo de qualidade é a utilização de vários pontos de vista na formulação de uma notícia. Para que isso aconteça, é fundamental que o profissional possua fontes ligadas a várias áreas e que o auxiliem na contextualização do assunto abordado. Mas será que essa preocupação existe atualmente nas redações? O Mídia em Debate desta quarta-feira (4), às 20h, na TVE, analisa a temática. Para a discussão, o apresentador Celso Schröder recebe os repórteres Humberto Trezzi, do jornal Zero Hora; Angélica Coronel, da TVE; e Flávio Porcello, professor da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Fabico) da UFRGS e ex-repórter. Na pauta, a importância da credibilidade do informante, o sigilo da identidade da fonte, o uso da internet, entre outros assuntos.
A reprise pode ser conferida no sábado (7), às 15h30.
Texto: Clarice Passos
Edição: Redação Palácio Piratini/Coordenação de Comunicação Social
COMENTO -  Tem coisas que são intoleráveis. Esse jornalista Celso Schröder é o petista número um no jornalismo brasileiro. Ele é simplesmente o presidente da entidade petista Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), de onde emanam as campanhas para impor a censura à imprensa no Brasil. Parece uma loucura, jornalistas querendo censura ao seu trabalho. Mas, não é loucura, comunistas querem isto mesmo. É inconcebível que um programa da TVE sobre ética no jornalismo seja comandado por uma figura dessas. É inconcebível que a visão de um Torquemada desses seja a visão do governo do democrático PMDB. Então a visão de ética na comunicação no governo do PMDB é a mesma do PT? Mas onde estamos? O que é isso? Como se não bastasse, o próprio Palácio Piratini passa a se encarregar em fazer a propaganda do proselitismo de um petista desses, do petismo, na sua página oficial na Internet? Quando o PMDB e demais partidos irão entender que o PT usa a comunicação, a própria linguagem, como um instrumental revolucionário, justamente para extinguir as liberdades?

Grupo português ACA manifesta interesse em estabelecer PPPs no Rio Grande do Sul


O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori recebeu, na tarde desta quarta-feira (4), no Palácio Piratini, executivos do Grupo ACA – Alberto Couto Alves, empresa portuguesa que é referência no setor de construção civil e de estradas. Acompanhado do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco, Sartori afirmou que seu governo tem interesse em estabelecer Parcerias Público-Privadas (PPPs), que são uma alternativa para viabilizar a atração de investimentos. O presidente do Grupo ACA, Alberto Couto Alves, disse que veio ao Rio Grande do Sul para apresentar a empresa e expor seu interesse em construir projetos em conjunto com o Estado. O grupo existe há mais de 25 anos e atua na Europa, na África e no Brasil. Em Porto Alegre, a empresa foi responsável pela construção da pista de atletismo do Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete), reinaugurada em 2013. Também participaram da audiência Hugo Gonçalves, administrador do Grupo ACA, e Rogério Garcia, do GV Group.

Cunha empareda governo e agiliza reforma política que o PT não quer

O novo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), emparedou o governo já em seu primeiro dia no comando da Casa. Cunha driblou o PT e permitiu o avanço de uma emenda constitucional com propostas de reforma política não prioritárias para o partido, entre elas um teto de despesas de campanha, a instituição do voto facultativo, a criação de cláusulas de barreira e o fim da reeleição para cargos do Executivo. Apesar dos esforços de deputados petistas e da base aliada, decidiu-se em votação simbólica que o projeto reúne os requisitos formais para seguir em tramitação. Agora, será criada uma comissão especial para discutir o mérito da matéria. 

O nó da questão para o PT é o financiamento privado de campanha – prática que o partido do governo sonha em proibir. Os petistas alegam que vetar doações eleitorais de empresas significaria também dar fim aos esquemas de caixa dois e aos laços entre políticos e grandes companhias – como as empreiteiras, atualmente no centro da Operação Lava Jato. Durante reunião do Diretório do PT, no fim de 2014, a presidente Dilma Rousseff chegou a dizer que a origem da corrupção está no financiamento privado de campanha, classificado por ela como “a semente de um processo incontrolável”. 
O argumento ignora o fato de que a derrama de dinheiro público nas campanhas não eliminaria o incentivo para que as legendas e os políticos continuassem a buscar dinheiro de maneira clandestina para alimentar suas atividades. Tampouco declara que o PT seria o maior beneficiário do financiamento público exclusivo.  Atualmente, cabe ao partido a fatia mais gorda do fundo partidário – o fundo que financia as atividades de agremiações políticas. Esse dinheiro, que é público, é dividido entre os partidos conforme o número de votos para a Câmara e o tamanho da bancada de deputados eleitos. O PT elegeu o maior número de deputados em 2014.
Ao longo de tumultuada sessão desta terça-feira, o líder do PT, Vicentinho (SP), não escondeu o receio de ver a bandeira petista derrotada. Pela proposta em discussão, o financiamento de campanha pode ser privado, público ou uma combinação dos dois, a critério do partido. O projeto também institucionaliza as chamadas doações ocultas, repasses que são feitos diretamente para o caixa dos partidos e não para os candidatos. “Falta apenas um voto para acabar com o financiamento privado. O fim do financiamento dos grupos econômicos torna esta Casa mais independente”, disse o petista. Ele fazia referência ao julgamento sobre financiamento de campanhas que transcorre no Supremo Tribunal Federal. A votação ainda não foi encerrada por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Falta um único voto para que a tese do financiamento público exclusivo saia vencedora. 
Cunha decidiu levar a proposta ao plenário após a matéria ficar engavetada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por iniciativa de deputados do PT. É nessa comissão que é analisada a admissibilidade das matérias. Como o projeto não tinha andamento há mais de um ano, Cunha invocou o prazo de cinco sessões estipulado pelo regimento da Câmara para que a admissibilidade de um tema seja apreciada.  “O objetivo não é atropelar e impor nenhum tipo de matéria. É dar uma resposta à sociedade”, disse, ironizando o fato de que, embora essa seja uma bandeira de campanha de inúmeros políticos – entre eles a própria presidente Dilma –, os deputados “fogem” na hora de votar a reforma política. 
Mudanças
A reforma política em discussão abre espaço para doações de recursos por entidades sindicais – hoje proibidas de doar – a fundos especificamente arrecadados para fins eleitorais e propõe que seja fixado em lei um valor máximo para as doações de pessoas físicas e jurídicas. Pelas regras atuais, empresas podem doar até 2% do seu faturamento bruto do ano anterior à eleição. No caso de pessoas físicas, a limitação é 10% do rendimento do ano anterior ao pleito. 
No conjunto de propostas sobre mudanças político-eleitorais ainda estão o fim da reeleição para presidente, governador e prefeito e a criação de federações partidárias em que as coligações de partido formadas para a disputa de eleições para deputado e vereador devem permanecer juntas até o fim da legislatura. Por Reinaldo Azevedo

Venina atribui ao petista Renato Duque escalada de preços de Abreu e Lima

A geóloga  Venina Velosa, ex-gerente de Abastecimento da Petrobras foi uma das cinco testemunhas de acusação interrogadas em ação penal movida pelo Ministério Público Federal contra executivos da construtora Engevix, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ela prestou depoimento nesta terça. Ao ser questionada sobre a progressiva elevação do custo da refinaria de Abreu e Lima, Venina responsabilizou a diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, o afilhado do ex-ministro José Dirceu na estatal. Segundo ela, o ex-diretor “tomou para ele a questão do cronograma e a execução”.

Ao ser indagada se percebeu a atuação de um cartel da Petrobras, a ex-subordinada de Costa relatou que em julho de 2009 soube de uma reunião entre representantes de empreiteiras e advogados da Petrobras para discutir aditivos de contratos. O encontro foi registrado em ata e comunicado pelo então gerente-jurídico de Abastecimento Fernando de Castro Sá. Segundo Venina, “havia uma ata onde era solicitado que empresas da Abemi fizessem pedidos de aditivos de forma mais clara e organizada”. Ainda de acordo com a ex-gerente, a situação foi comunicada ao gerente-jurídico da estatal, Nilton Maia. “Maia criou uma sindicância e esse gerente-jurídico foi afastado de suas funções”, afirmou Venina.
Advogados de empreiteiras tentaram estimular Venina a falar sobre a interferência política na estatal. Em determinado momento, um defensor chegou a perguntar se Costa “se vangloriava” de seu poder a colegas. A pergunta foi indeferida pelo juiz Sérgio Moro. Por Reinaldo Azevedo

Depoimento de lobista confirma que Petrobras era um centro de extorsão

É preciso saber qual é a natureza do jogo. Não estamos diante de uma questão sem resposta, se o ovo ou a galinha veio primeiro. O que veio primeiro foi um projeto de poder da companheirada. O resto foi um esforço para buscar as fontes de financiamento do assalto ao Estado.

O lobista Júlio Camargo, ex-conselheiro de administração da Toyo Setal, prestou depoimento, não sigiloso, à Justiça Federal do Paraná. E falou o óbvio: “Havia uma regra do jogo de que, se não pagasse propina às diretorias de Engenharia e Abastecimento, uma empresa não teria sucesso ou não obteria contratos da Petrobras. Não posso dizer que era 100%, mas pelo menos nos principais, não tenho dúvida”. 
A diretoria que ele chama de “Engenharia” é a de serviços, cujo titular era o petista Renato Duque. O titular da de Abastecimento era Paulo Roberto Costa. Eis aí: com o tempo, até pode ser que a corrupção tenha se naturalizado, mas as empresas sabiam que tinham de pagar o preço.
O Ministério Público quis saber como as empresas poderiam ser prejudicadas. Ele deixa claro que a quadrilha alegava os mais variados óbices técnicos. Vale dizer: o poder estava com a bandidagem.
O depoimento de Camargo, um dos que fizeram acordo de delação premiada, deixa clara a natureza obviamente política do jogo e que a estatal havia se transformado num centro de extorsão. Pior: a cada vez que um depoimento desses vem à luz, cresce a indenização que a Petrobras terá de pagar a investidores no exterior. Abaixo, segue o depoimento de Camargo. Por Reinaldo Azevedo

ANA AMÉLIA LEMOS QUER CONCORRER A PREFEITA EM PORTO ALEGRE, MAS TERÁ DIFICULDADE PARA OBTER A LEGENDA PELO PP

A senadora Ana Amélia Lemos está transferindo seu título eleitoral de Canela para Porto Alegre, objetivando concorrer à prefeitura da capital gaúcha no próximo ano. Ela tinha levado o título para Canela porque não gostou das atitudes das lideranças do PP gaúcho, que a criticaram por ter dado apoio à comunista Manuela D'Ávila na última eleição para a prefeitura de Porto Alegre. A candidatura na capital gaúcha serviria como um reforço para o grande objetivo estratégico, que é a candidatura de renovação do mandato de senadora em 2018. Porém, desta vez Ana Amélia Lemos pode se defrontar com um grande obstáculo, Kevin Krieger, presidente do Diretório Municipal do PP em Porto Alegre, não estaria disposto a dar a ela a legenda do partido para concorrer. Aliás, também o fiel escudeiro de Ana Amélia Lemos, Marco Aurélio Ferreira, está picado pela mosca azul e deseja a concorrer a prefeito de Canela. Problema: ele não é da cidade (é de Ijuí) e é visto como um forasteiro.

Cargueiro militar da Embraer faz seu primeiro vôo

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,supercargueiro-da-embraer-decola-pela-primeira-vez,1628924

O supercargueiro KC-390 da Embraer decolou pela primeira vez na manhã desta terça-feira, 3, na pista da fábrica de Gavião Peixoto, interior de São Paulo. O vôo inaugural durou uma hora e 19 minutos. O vôo transcorreu normalmente, segundo o comandante Marcos Oliveira Lima, coronel da reserva da FAB que trabalha como piloto de testes. Ele estava acompanhando de mais um piloto e dois engenheiros de vôo da Embraer. Com 35,2 metros de comprimento e capacidade para transportar até 23 toneladas de carga, o KC-390 é o maior avião já desenvolvido no Brasil. Mais de 50 empresas brasileiras participam do projeto, que conta ainda com a colaboração da Argentina, de Portugal e da República Tcheca. O compartimento de carga do avião tem 18,54 metros de comprimento, 3,45 metros de largura e 2,95 de altura. O espaço é suficiente para acomodar equipamentos de grandes dimensões, além de blindados, peças de artilharia, armamentos e até aeronaves semi-desmontadas. O avião também pode transportar até 80 soldados equipados ou 64 paraquedistas em uma configuração de transporte de tropa. O peso máximo para cargas é de 23 toneladas. Como reabastecedor, o KC-390 será capaz de transferir combustível em vôo para aviões e helicópteros.


O vôo inaugural é o início da fase de testes dos dois protótipos, prevista para durar até o fim de 2016, quando começam as entregas, informou a Embraer. Em maio de 2014, a Força Aérea Brasileira assinou o pedido de aquisição de 28 aeronaves. As 28 unidades para a FAB serão entregues ao longo de doze anos. Com valor total de R$ 7,2 bilhões, o contrato prevê o fornecimento de um pacote de suporte logístico, que inclui peças sobressalentes e manutenção. "O KC-390 será a espinha dorsal da aviação de transporte da Força Aérea Brasileira", disse o comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato. "Da Amazônia à Antártica, a frota de 28 aeronaves terá um papel fundamental para os mais diversos projetos do Estado brasileiro, da pesquisa científica à manutenção da soberania", acrescentou. O comandante da Aeronáutica assistiu à primeira decolagem ao lado do presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado; do Vice-Presidente Executivo de Negócio de Defesa e Segurança, Jackson Medeiros de Farias Schneider; e do ex-comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito. Na FAB, os cargueiros KC-390 deverão cumprir todas as missões atualmente realizadas pelos C-130 Hércules, como transporte de tropas e de carga, lançamento de paraquedistas, busca e combate a incêndios. Para isso, o avião deverá ser capaz de pousar em pistas sem asfalto e operar em ambientes que vão do frio da Antártica até o calor da Amazônia. O uso de turbinas a jato permitirá alcançar uma velocidade de até 870 km/h. O C-130 Hércules alcança até 671 km/h. 

Ações da Petrobras dispararam 15% com rumor sobre demissão da petista Graça Foster


As ações da Petrobras dispararam nesta terça-feira e puxaram a alta da bolsa de valores brasileira. Os investidores exultaram com a informação publicada pelo jornal Folha de S.Paulo de que a presidente da estatal, a petista Maria das Graças Foster, ia ser demitida. O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, subiu 2,76% e encerrou o dia aos 48.963 pontos. Segundo a reportagem, a decisão foi tomada pela presidente Dilma Rousseff, e teve como fator decisivo a divulgação pela diretoria da estatal de um cálculo interno indicando que a estatal deveria baixar o valor de seus ativos em R$ 88 milhões devido aos desvios apurados pela Operação Lava-Jato. Dilma teria considerado o número (que ficou de fora do balanço não auditado da companhia) inapropriado e desaprovou a sua publicação. Nomes para substituir Graça Foster já estão sendo analisados pelo Planalto. Entre os investidores, a indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, mais pró-mercado, começa a ser especulada. Na semana passada, em meio à repercussão da publicação dos resultados da empresa no terceiro trimestre de 2014, os papéis da Petrobras chegaram a cair 20% em três sessões. Os ativos, na ocasião, despencaram ao menor valor em cerca de 10 anos. Nesta quarta-feira, as ações preferenciais (mais negociadas na bolsa) fecharam com alta de 15,47%, cotadas a R$ 10,00. Nem mesmo o rebaixamento da nota de crétido da estatal, pela agência de classificação de risco Fitch, freou a valorização. 

Aumento extra na conta de luz pode chegar a 26%


As revisões tarifárias extraordinárias, que serão aplicadas a partir de março às distribuidoras de energia elétrica, podem chegar a 26% para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Isso porque, além do valor das cotas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que devem impactar em 19,97%, há ainda o impacto do aumento das tarifas da usina de Itaipu, calculado em cerca de 6%. Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, outros fatores podem impactar as revisões, tanto para mais como para menos. "Cada empresa tem a sua cota de Itaipu, e a CDE é proporcional ao mercado", explicou. Ele também lembrou que haverá uma audiência pública para debater os valores finais da CDE. As distribuidoras do Norte e Nordeste terão aumentos menores, já que os consumidores dessas regiões não recebem a energia de Itaipu. Além disso, o impacto da CDE no Norte e Nordeste do País será de apenas 3,89%. De acordo com Rufino, os reajustes das tarifas de energia, que ocorrerem no segundo semestre do ano, deverão ser menores do que os que já começaram a ser aplicados pela Aneel. Segundo ele, depois que as revisões extraordinárias forem aplicadas e houver a revisão dos índices de bandeiras tarifárias, os aumentos da conta de luz baixarão para patamares menores. Rufino disse também que se as condições de pagamento do empréstimo feito às distribuidoras forem modificadas, poderá haver alteração nos reajustes tarifários já aplicados pela Aneel. Segundo ele, se os parâmetros forem alterados, a diferença poderá ser calculada no próximo processo tarifário das empresas. Rufino ressaltou que as mudanças nas condições do empréstimo estão sendo estudadas pelo Ministério da Fazenda, bem como a possibilidade de uma nova parcela do empréstimo.

Jordânia executa dois jihadistas em retaliação à morte de piloto

A Jordânia executou dois jihadistas em retaliação a morte do piloto Moaz al-Kasasbeh queimado vivo no dia 3 de janeiro. O vídeo com a execução do piloto — sequestrado em dezembro pelo Estado Islâmico — foi divulgado nesta semana. Os dois jihadistas executados estavam presos: Sajida al-Rishawi, 44 anos, e Ziad al-Karboli. O grupo terorrista exigia a libertação de Sajida para libertar o piloto. Sajida era uma mulher bomba e Ziad era integrante da Al-Qaeda no Iraque. Os dois foram executados às 4h no horário local. Uma fonte de segurança disse que as execuções foram feitas na prisão Swaqa, ao sul da capital Amã.

Lula pressiona para Henrique Meirelles substituir a petista Graça Foster

O ex-presidente Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") foi quem rompeu a letargia de Dilma Rousseff, aplicando o “peteleco” final que derrubou Maria das Graças Foster da Presidência da Petrobras. Além disso, sugeriu um nome destinado a ser bem recebido pelo chamado “mercado”: o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Até o ministro Joaquim Levy (Fazenda) foi convocado a participar da pressão para Meirelles aceitar o convite. Meirelles exige “total autonomia” para tentar recuperar a Petrobras. O problema é que Dilma tem tanto horror a ele quanto a “total autonomia”. Quando Dilma escolhia o ministro da Fazenda, Lula pressionou por Meirelles, mas ela deixou clara sua aversão ao ex-presidente do Banco Central. Demitida, Graça Foster voltou ao Rio de Janeiro em avião de carreira. Ela chegou no aeroporto de Brasília pelas 17h20, cercada de seguranças. No embarque, Graça Foster encontrou casualmente Sergio Machado, presidente afastado da Transpetro, mas fingiu que não o viu. A petista Graça é um zumbi. 

Ex-deputado mineiro Vittorio Medioli, comandante do poderoso cartel dos cegonheiros, é condenado por lavagem de US$ 3,8 bilhões no processo do Banestado



O empresário e ex-deputado federal Vittorio Medioli, de 63 anos, foi condenado a cinco anos e cinco meses de prisão por crime contra o sistema financeiro. O ex-parlamentar foi um dos alvos da Operação Farol da Colina, realizada pela Polícia Federal para desbaratar um esquema por meio do qual foram enviados ilegalmente mais de US$ 3 bilhões para o Exterior com uso da Beacon Hill Service Corporation. A sentença contra Medioli foi expedida pela Justiça Federal em Minas Gerais no último dia 28 e divulgada na segunda-feira, 2, pelo Ministério Público Federal, que informou ter recorrido da decisão. A Procuradoria da República solicita ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região o aumento da pena para “patamares próximos ao máximo”. O acusado foi condenado a três anos e um mês de prisão pelo crime de evasão de divisas e a dois anos e quatro meses de prisão por “manutenção clandestina de depósitos” no Exterior. A lei prevê penas de até seis anos de prisão para cada um dos crimes. Segundo o Ministério Público Federal, as operações pelas quais Medioli foi acusado foram realizadas em 2002 e totalizaram US$ 595 mil, equivalentes a cerca de R$ 3,8 milhões em valores corrigidos. De acordo com as investigações, o então deputado federal teria entregue a quantia a um doleiro brasileiro, que a enviou para uma conta do empresário na Suíça por meio da subconta Monte Vista, mantida pela Beacon Hill na agência do Banestado em Nova York. Na denúncia, o Ministério Público acusou Medioli de efetuar “operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas” e também de manter “depósito de quantias no Exterior sem informá-lo às autoridades competentes”. Proprietário da Sempre Editoria, que publica os jornais O Tempo e Super Notícia, e do grupo Sada, entre outras empresas, Medioli alegou em sua defesa que não sabia sobre o envio de recursos para o Exterior, assim como sobre o depósito em banco suíço. Mas fez retificação de declaração de renda para informar sobre a conta.”Não se revela crível que recursos dessa monta tenham sido enviados e mantidos em conta no Exterior de titularidade do acusado a sua revelia”, afirmou a juíza Rogéria Maria Castro Debelli, da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte. Para a magistrada, o empresário “não só detinha pleno conhecimento de sua existência (conta), mas também dos mecanismos de abastecimento dela”. “As consequências do crime são graves, tendo em vista que os fatos ora julgados integram-se a um esquema de evasão, sonegação e lavagem de capitais, operacionalizados por intermédio da empresa Beacon Hill Corporation, para o qual o acusado emprestou colaboração, disponibilizando para evasão do País e custódia no exterior, recursos financeiros vultosos”, afirmou a juíza. A Beacon Hill era uma espécie de conta-ônibus, que abrigava diversas subcontas usadas para enviar recursos ilegalmente para o Exterior, descoberta pelo então promotor de Manhattan, Robert Morgenthau. As investigações no Brasil ficaram a cargo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, que deu origem à operação Farol da Colina. Nessa CPI, o relator era o deputado federal petista José Mentor. A CPI recebeu cópia integral das investigações de Nova York, com os nomes e números de contas em Nova York, bem como valores transferidos. O arquivo não chegou a ser aberto pela CPI e está até hoje depositado no cofre forte do Congresso Nacional. Mas a petralhada soube fazer um uso muito malandro desses conhecimentos. O deputado Meddioli é um imigrante italiano que comanda no Brasil o cartel dos cegonheiros, os transportadores de veículos novos das montadoras. É um gigantesco cartel, no qual o CADE, a Polícia Federal e Ministério Público Federal não ousaram meter o nariz até hoje. 

Aécio Neves diz, com muita ironia: "Ser amigo de Dilma, hoje, é muito pior do que ser seu adversário"


O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), considerou nesta terça-feira que a manutenção de Graça Foster na presidência da Petrobras foi útil, até o momento, para que a presidente Dilma Rousseff pudesse se “anistiar de suas responsabilidades”. As declarações de Aécio Neves ocorreram logo após a petista Graça Foster deixar o Palácio do Planalto, onde se reuniu reservadamente com a presidente Dilma. Elas conversaram por cerca de duas horas, o que fez crescer os rumores sobre a saída da executiva do comando da estatal. Ela já está demitida, mas deve sair mais adiante, até o fim do mês, junto com todo o resto da diretoria. “Certamente ser amigo da presidente da República, hoje, é muito pior do que seu adversário. O que ela fez com a presidente Graça Foster não se faz com um inimigo. Permitiu que assumisse um desgaste enorme nesse último período, como isso pudesse defendê-la, ou anistiá-la das suas responsabilidades. E no momento em que fica insustentável a presença da Graça Foster, ela anuncia ou pelo menos sinaliza com a sua saída”, afirmou o tucano. Na avaliação do senador, Graça Foster permaneceu no comando da estatal para “tentar limpar a cena do crime”. Levantamento divulgado pelo Ministério Público Federal aponta que os crimes investigados pela Operação Lava Jato, que apura um esquema de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro, desviaram ao menos R$ 2,1 bilhões da Petrobras. Até o momento, a procuradoria apresentou 18 acusações criminais contra 86 pessoas, por crimes como corrupção, contra o sistema financeiro, tráfico internacional de drogas, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. “A presidente Dilma, num gesto até de pouca generosidade com a sua amiga, permitiu que ela assumisse sozinha uma responsabilidade que não é só dela. A responsabilidade pelos desmandos e pela corrupção na Petrobras começa muito antes da presidente Graça Foster. E ela, ao aceitar a missão e tentar limpar a cena do crime, passa a ser parte do mais triste momento da história da maior empresa brasileira”, afirmou Aécio Neves. O senador lembrou ainda que o partido trabalha para a coleta de assinaturas para a instalação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar desvios ocorridos na estatal. “Eu disse há várias semanas que era insustentável a permanência da Graça Foster, não porque eu acredite que ela tenha se beneficiado com a corrupção, mas foi leniente ou não teve capacidade de administrar a nossa empresa. O maior problema da Petrobras, além da corrupção, é um problema gravíssimo de governança, com prejuízos sucessivos, agravados agora por esses referentes às refinarias iniciadas no Nordeste, que já contabilizam agora prejuízos em torno de R$ 2 bilhões. E quem responde por isso? Ninguém. Não. É por isso que nós já estamos iniciando a coleta de assinaturas para que a nova CPMI seja instalada”, ressaltou.

Oposição apresenta novo pedido de CPI da Petrobras, Eduardo Cunha dará palavra final

Com apoio de deputados governistas, a oposição protocolou na noite desta terça-feira (3) um requerimento para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara para investigar irregularidades na Petrobras. O pedido tem apoio de 186 deputados dos seguintes partidos: PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PR, PMDB, PSD, PP e Solidariedade. Para que a comissão seja viabilizada, ela depende da vontade política do novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que vive um confronto com o Palácio do Planalto. Questionado sobre o desenrolar do pedido para a CPI, o peemedebista disse que seguirá o regimento. "Se cumpri o regimento, não há o que fazer. As cinco primeiras CPIs que forem protocoladas, elas são instaladas. Isso é regimental", disse. A oposição apresentou o pedido de investigação na noite desta terça-feira para evitar que o PT colocasse em prática uma manobra para barrar a CPI da Petrobras. Como apenas cinco comissões de inquérito podem funcionar ao mesmo tempo, o partido preparava pedidos para bloquear a fila de instalação desses colegiados. Além da CPI da Petrobras, outras duas foram apresentadas: uma para investigar a divulgação de pesquisas eleitorais e outra para analisar denúncias contra planos de saúde. Para que a CPI da Petrobras seja viabilizada, a equipe técnica da Câmara vai analisar se o pedido segue a normais regimentais, como objeto definido para investigação e o número mínimo de assinaturas de apoiamento, que é de 171 parlamentares. A oposição disse que o novo pedido de CPI é uma "homenagem a Graça Foster", presidente da Petrobras que acertou nesta terça-feira com a presidente Dilma Rousseff um cronograma de demissão de toda a diretoria da estatal. O Palácio do Planalto é contrário a criação de uma nova CPI pois teme que as investigações virem um novo palco para a oposição desgastando a empresa e o governo. O discurso da equipe de Dilma é que as apurações de desvios devem ficar restritas à Justiça. A oposição também se movimenta para apresentar o pedido de criação de uma CPI no Senado – lá são necessárias 27 assinaturas dos 81 senadores. A oposição defende que a investigação ocorra conjunta ou paralela nas duas Casas do Congresso. No final do ano passado, os líderes da oposição já anunciavam que tentariam criar uma nova comissão. O argumento era que a CPI mista em vigor até dezembro, controlada pelo governo, não foi a fundo nas questões mais importantes, como chegar aos políticos que receberam propina do esquema liderado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e o doleiro Alberto Youssef. No fim do ano, a CPI aprovou o relatório final do deputado Marco Maia (PT-RS). Ele pediu o indiciamento de 52 pessoas pelos crimes de participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, entre elas Paulo Roberto Costa, preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal. Desse total, 23 já eram réus em processos derivados da Lava Jato. A oposição não concordou com o relatório de Maia e ficou de formular um relatório paralelo, mas acabou não o apresentando. 

Delator diz ter doado R$ 150 mil a deputados do Rio Grande do Sul, para o petista Henrique Fontana e para Adilson Troca


Em depoimento à Justiça Federal, o delator Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivo da empresa Toyo Setal, afirmou ter feito doação de campanha no valor de 150.000 reais a dois deputados do Rio Grande do Sul, o federal petista Henrique Fontana (PT) e o estadual Adilson Troca (PSDB). O montante difere daquele declarado pelos parlamentares em prestação de contas. Mendonça Neto também revelou que pediu doações a Gerson Almada, executivo da empreiteira Engevix. A sede da Estaleiros do Brasil (EBS), braço da Toyo Setal dedicado a construções offshore, fica no Rio Grande do Sul, onde a empresa foi selecionada para construir um estaleiro integrante da obra da plataforma P-74 da Petrobras.  Ribeiro fez questão de frisar que os repasses não tiveram qualquer relação com a participação da Toyo Setal no clube do bilhão, grupo de 16 empreiteiras que formavam cartel para vencer concorrências da estatal. "Nunca houve esse acerto no clube, mas se trata de atividades importantes para a indústria. Tem apoio importante do governo a nível de conteúdo local", disse no depoimento. De acordo com a prestação de contas da campanha do deputado federal Henrique Fontana, a Toyo Setal doou 50.000 reais. Na lista de receitas de campanha do deputado estadual Adilson Troca, consta repasse de 60.000 reais da Toyo Setal. O executivo voltou a detalhar a engrenagem do clube do bilhão e afirmou ter sido ameaçado diversas vezes pelo ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010, que intermediava a negociação de propina com o então diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. "As ameaças sempre foram no sentido de discutir o pagamento de comissões para ele ou para o Paulo Roberto Costa", afirmou Mendonça Neto.