quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

AÉCIO NEVES SAI EM DEFESA DO SENADOR ANASTASIA E ATACA O PT


O senador Aécio Neves (PSDB) divulgou nesta quinta-feira (8) em sua página oficial no Facebook, uma nota repudiando veementemente a afirmação feita por um dos investigados na Operação Lava Jato, de que o ex-governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), recebeu dinheiro do doleiro Alberto Youssef. O presidente nacional do partido refutou “com absoluta veemência” a suposta afirmação feita pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, mais conhecido como "Careca", de que teria entregado dinheiro para Anastasia, “Alguém acredita que um governador de Estado se reuniria pessoalmente numa garagem com um emissário desconhecido para receber dinheiro?” - questiona Aécio Neves. O tucano saiu em defesa do parlamentar alegando que falta nexo na história apresentada, “A falsa e covarde acusação não se sustenta em pé, seja pelo caráter e honestidade pessoal do senador, reconhecidos até mesmo por seus adversários políticos”, e completou: “Não permitiremos que biografias honradas, como a do senador eleito de Minas Gerais, se confundam com a daqueles que vem assaltando os cofres públicos no País”. Aécio Neves termina a nota mandando um recado: “Se o objetivo dessa farsa é intimidar e constranger a oposição, informamos que o efeito será justamente o contrário. O PSDB redobrará os esforços no sentido de continuar exigindo uma profunda e isenta investigação, que tenha como compromisso único revelar à população a verdade e os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção na história do País, ocorrido ao longo dos últimos doze anos durante a administração do PT na Petrobras”.

DOIS CARROS-BOMBA EXPLODEM PERTO DE PARIS, DIZ LE MONDE


Pelo menos um carro-bomba explodiu na noite desta quinta-feira (horário local) na cidade de Villejuif, na periferia de Paris. Veículos de polícia, ambulâncias e veículos do corpo de bombeiros passam pelo 15º distrito da capital. O Ministério do Interior ainda não se manifestou sobre se há vítimas. De acordo com o jornal Le Monde, não há feridos. Segundo informações da imprensa francesa, dois veículos teriam explodido na Avenida Paul-Vaillant-Couturier e na Rua Jean-Baptiste-Baudin, na cidade de Villejuif, a 10 quilômetros ao sul da capital, por volta de 20h40. Os dois automóveis estariam estacionados em frente a um concessionário de veículos.

Jornal O Globo faz uma devastação na redação

Nesta quinta-feira (8/1), o jornal carioca O Globo realizou uma série de demissões. Entre 18 e 30 funcionários integram a lista de dispensas, incluindo repórteres, editores e colunistas. Entre os demitidos estão Fernanda Escóssia, ex-editora de "País"; os colunistas Jorge Luiz ("Esporte"), Artur Xexéo ("Cultura") e Agostinho Vieira ("Meio Ambiente"); e a ex-editora de "Rio", Angelina Nunes. Esta última fez o anúncio em seu Facebook: "A partir de hoje não estou mais noGlobo. Vou concluir o mestrado e me preparar para quando o Carnaval chegar", escreveu. Estariam também entre os dispensados as repórteres Carla Alencastro, Isabela Bastos, Laura Antunes e Paula Autran, além dos diagramadores Claudio Rocha e Télio Navega. Fernanda Escóssia já havia sido "rebaixada" da função de editora em 2014 e foi demitida na última terça-feira (6/1).

Citação de Anastasia na Operação Lava Jato constrange PSDB

Ao tomar conhecimento que o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho acrescentaria o nome do senador tucano Antonio Anastasia na lista de citados da Operação Lava Jato, o PSDB adotou uma estratégia de defesa baseada em duas frentes: desqualificar a fonte, um "meliante de quinta categoria", segundo o deputado federal Marcus Pestana, presidente da sigla em Minas Gerais, e apontar uma armação para prejudicar a legenda. Em nota divulgada no Facebook, o senador Aécio Neves afirmou que o autor do depoimento - um ex - operador do doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema de lavagem de dinheiro - faz parte de uma "farsa" para "intimidar e constranger a oposição". Já Pestana fez um questionamento: "Palavra de bandido virou critério de verdade?" A reação foi rápida e contundente, mas os tucanos temem os efeitos colaterais do episódio. A expectativa é que o PT passe a usar o depoimento para, nas palavras de um dirigente do PSDB nacional, "nivelar por baixo". Os petistas, que ontem evitaram se manifestar publicamente, lembram que Youssef foi tratado pelos tucanos como fonte fidedigna quando acusou, em depoimento da Polícia Federal, o alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") e Dilma Rousseff de saberem de tudo sobre o esquema.  


"O PT, que está liquidado moralmente, vai tentar se apegar a isso. Mas não há elemento de comparação. Youssef fez uma delação premiada. Isso tem uma força imensa", diz o ex-governador Alberto Goldman, vice presidente nacional do PSDB. Depois da divulgação do depoimento de ontem, interlocutores de Aécio Neves telefonaram para todos os governadores tucanos com o objetivo de unificar o discurso e reforçar a defesa de Anastasia. Os partidos aliados do PSDB no Congresso também evitaram fazer desagravos. "Anastasia tem uma reputação ilibada, mas qualquer acusação tem que ser apurada", disse Carlos Siqueira, presidente do PSB. Questionado sobre um possível desagravo, ele afirmou: "É o partido dele que tem que se solidarizar".

União Européia prepara novo plano antiterror


Ministros de Relações Exteriores da União Européia vão discutir a luta contra o terrorismo "em todas as suas formas", após o ataque à redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo, na quarta-feira, ter feito doze vítimas em Paris. Segundo a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, o assunto deverá ser adicionado à agenda da próxima reunião dos ministros, marcada para o dia 19. A Letônia, país que exerce a presidência rotativa do bloco, também vai incluir o tema em uma reunião informal no dia 28. Na próxima segunda-feira, o presidente do Parlamento Europeu deve mencionar o combate ao terrorismo em seu discurso de abertura. O presidente da Comissão Européia, Jean-Claude Juncker, afirmou que o bloco apresentará um novo plano antiterror. “Sei por experiência que não se deve reagir no dia seguinte a uma tragédia, porque se comete o erro de ir longe demais ou ficar muito aquém, mas o que aconteceu em Paris nos interpela a apresentar um novo programa antiterrorista nas próximas semanas”, disse. A União Européia tem várias ferramentas de combate ao terrorismo, desde um serviço de compartilhamento de informações até mecanismos de financiamento do combate ao extremismo, informou a porta-voz da Comissão Européia, Natasha Bertaud. "Nosso papel no combate ao terror é primariamente de apoio", disse, lembrando que cerca de 2.500 integrantes do grupo terrorista Estado Islâmico podem ter origem européia. Os países da Europa, incluindo a França, já vêm tomando medidas para impedir a ação de radicais. O alerta foi disparado pelo avanço do grupo terrorista Estado Islâmico, que tem levado muitos jovens europeus a viajaram para Síria e Iraque para se unir aos jihadistas. Os governos agora agem para dificultar tanto a saída como o retorno de cidadãos que representem uma ameaça ao país. Segundo autoridades da França, o número de pessoas dispostas a viajar para Síria e Iraque com o objetivo de se unir a facções radicais cresceu 80% no ano passado. Atualmente, estima-se que há mais de 1.100 franceses vinculados com redes jihadistas, sendo que 400 estão entre combatentes na Síria. Até o mês passado, 100 haviam voltado à França: desses, 76 foram enviados para a prisão e os demais são mantidos sob vigilância. No mês passado, a polícia francesa prendeu mais de dez integrantes de uma rede que enviava jihadistas à Síria em operações realizadas em Toulouse, no sul do país, na Normandia, no oeste, e na região de Paris. A rede já teria enviado várias pessoas à Síria, sobretudo jovens franceses de famílias muçulmanas. A Grã-Bretanha também vem endurecendo suas medidas antiterroristas contra os integrantes do grupo Estado Islâmico. Em novembro, o governo anunciou novas regras que inclui o confisco de passaportes de britânicos suspeitos de envolvimento com o terror.  As autoridades contabilizam mais de 750 prisões ligadas ao terrorismo em território britânico, sendo que 212 pessoas foram acusadas pela Justiça, 148 foram condenadas e 138 estão presas desde maio de 2010. Centenas de pessoas também foram expulsas da Grã-Bretanha, incluindo 84 clérigos extremistas. Na Bélgica, as autoridades acreditam que 400 pessoas já deixaram o país em direção ao Oriente Médio. Destes, aproximadamente 10% teriam ligações com o grupo terrorista Estado Islâmico. Mais de 40 membros do Sharia para a Bélgica, grupo terrorista acusado de enviar dezenas de jovens para integrar as fileiras do jihadismo na Síria, estão sendo julgados, incluindo o filho de uma brasileira. As autoridades acreditam que a condenação em massa pode desencorajar outros jovens a se tornarem extremistas. A Alemanha também passou a perseguir suspeitos de integrar o Estado Islâmico. Em novembro do ano passado, a polícia prendeu dois homens acusados de levar pessoas para se tornarem combatentes na Síria. A inteligência do país estima que pelo menos 450 pessoas deixaram a Alemanha para ir à Síria e cerca de 150 já voltaram. Muitos estão sendo criminalmente investigados. A Dinamarca adotou uma posição diferente em relação aos combatentes que retornam ao país, lançando um programa de recuperação para os jihadistas. Com o objetivo de fazer com que os jovens abandonem o radicalismo, as autoridades de Aarhus passaram oferecer atendimento psicológico e auxilio para que os jovens voltem a estudar e procurar emprego.

Empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, reclama de "exagero" em bloqueio bancário de suas contas e de suas empresas


Com as contas bancárias bloqueadas por decisão do juiz Sergio Moro, o presidente da construtora UTC, o empreiteiro Ricardo Pessoa, preso em Curitiba desde novembro do ano passado, recorreu à Justiça nesta quinta-feira para pedir que novos recursos depositados em suas contas possam ser utilizados livremente por seus familiares. O executivo, que em depoimento admitiu ter tido contato “mais próximo” com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, diz no pedido que sua esposa, Maria Lúcia, também é titular das contas bancárias congeladas e, com o impedimento de movimentar recursos depositados depois da decisão do juiz, tem sofrido “diversos e ilegais transtornos”. Pela tese da defesa, a decisão de Moro inclui o bloqueio do saldo das contas e dos investimentos no dia da determinação judicial, mas abriria espaço para a continuidade das atividades de empresas, desde que lícitas. Em tempo: as reclamações dos presos na Operação Lava Jato contra o bloqueio de bens são quase que diárias. O empreiteiro Ricardo Pessoa gostava de alardear que tinha um único "amigo" no governo, o alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações". 

Promotoria francesa diz que assassinato de mais uma policial, nesta quinta-feira, no sul de Paris, foi outro atentado terrorista


O ataque que deixou uma policial morta e um funcionário municipal gravemente ferido na manhã desta quinta-feira em Montrouge, no sul de Paris, foi um ato terrorista, segundo um comunicado da promotoria da França. As forças de segurança buscam agora o autor dos disparos, um homem que portava um colete à prova de balas e estava fortemente armado. Apesar da classificação do incidente como um ato de terrorismo, as autoridades ainda não confirmaram se o ataque está ligado ao atentado desta quarta contra a revista satírica Charlie Hebdo, que deixou doze mortos. O prefeito de Montrouge, Jean-Loup Metton, disse que a policial e um colega atendiam a um chamado de acidente de trânsito no momento do tiroteio. Testemunhas disseram que o criminoso fugiu em um carro modelo Renault Clio, e fontes policiais disseram que ele portava uma pistola e um rifle. As identidades das vítimas não foram reveladas pela polícia. O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, foi questionado na rádio RTL se temia novos ataques, após uma reunião de emergência no gabinete do presidente francês, François Hollande. “Essa pergunta é inteiramente legítima, essa é obviamente nossa maior preocupação, e é por isso que milhares de policiais e investigadores estão sendo mobilizados para capturar esses indivíduos”, disse. A polícia divulgou fotos dos terroristas islâmicos franceses que ainda estão soltos, descrevendo-os como “armados e perigosos”. Os suspeitos de terem cometido o atentado contra o jornal Charlie Hebdo são os irmãos Cherif e Said Kouachi, de 32 e 34 anos, ambos já conhecidos dos serviços de segurança. Na quarta-feira à noite, Mourad Hamyd, de 18 anos se entregou à polícia em Charleville-Mézières, perto da fronteira com a Bélgica, enquanto a polícia conduzia buscas em Paris e nas cidades de Reims e Estrasburgo, no norte do país. Ele é cunhado de Cherif e suspeito de ter dirigido o carro que transportou os terroristas após o ataque em Paris. Além de Hamyd, outras seis pessoas foram presas suspeitas de terem conexão com o atentado.

Anastasia nega ter recebido dinheiro do doleiro Alberto Youssef

O senador eleito Antonio Anastasia (PSDB-MG) divulgou nota nesta quinta-feira, 8, na qual afirma estar "tomando de forte indignação" por seu nome ter surgido nas investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Apontado pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho como destinatário de R$ 1 milhão enviado pelo doleiro Alberto Youssef na eleição de 2010, o ex-governador de Minas Gerais classificou a declaração de "falsa e absurda" e disse estar disposto a participar até de acareação com o agente, um dos alvos da operação ao lado do doleiro. Segundo reportagem desta quinta-feira do jornal Folha de S.Paulo, o policial afirma que levou o dinheiro a uma casa em Belo Horizonte e que Youssef teria dito que o destinatário era o então candidato do PSDB ao governo do Estado. "Tempos mais tarde, vendo os resultados eleitorais, identifiquei que o candidato que ganhou a eleição em Minas Gerais era a pessoa para quem eu levei o dinheiro", diz o policial em depoimento, de acordo com a publicação. Em 2010, Anastasia foi reeleito governador de Minas Gerais, cargo que havia assumido meses antes após o correligionário Aécio Neves renunciar ao Executivo para disputar a cadeira que ocupa hoje no Senado.


Anastasia rebateu a afirmação. "Uma acusação falsa e absurda como esta me leva a completa indignação e mesmo revolta. Não sei o motivo de tal inverdade no âmbito desta operação", afirmou o tucano. Para Anastasia, "misturar falsidades com fatos verdadeiros" pode ser "uma estratégia dos culpados" no esquema de desvios envolvendo contratos da Petrobrás. Nas mesmas declarações o policial federal afirmou o candidato à Presidência da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também recebeu dinheiro do doleiro. Ele negou ter qualquer vínculo com Youssef. A citação a Anastasia está sob análise da Justiça Federal do Paraná e deve ser encaminhada à Procuradoria-Geral da República, já que o tucano, por ser parlamentar, tem direito a foro privilegiado. "Não conheço este cidadão (Jayme), nunca estive ou falei com ele. Da mesma forma não conheço, nunca estive ou falei com o doleiro Alberto Youssef. Em 2010 não tinha qualquer relação com a Petrobrás", salientou Anastasia. O tucano observou ainda que receber recursos do esquema de corrupção na Petrobrás causaria "estranheza", já que era "governador de oposição ao governo federal". "Também é muito estranho o alegado encontro de um governador de Estado em uma casa que não é sua, com um desconhecido, para receber dinheiro", argumentou. E declarou ainda que seu único patrimônio "é o moral, não tendo amealhado bens no exercício dos diversos cargos públicos". Na relação de bens entregue à Justiça Eleitoral, Anastasia declarou patrimônio de R$ 562 mil, sendo R$ 200 mil de um imóvel residencial e o restante de aplicações financeiras. Na nota divulgada ontem o ex-governador afirmou ter constituído advogado para "solicitar o completo esclarecimento do episódio, por todos os meios possíveis, inclusive acareação com o acusador, verificação de qual seria a tal casa, a data deste alegado encontro, o meio de locomoção utilizado e todos os demais elementos para demonstrar, de forma cabal, a inverdade do depoimento". 

Ministérios sofrem corte provisório de R$ 22,7 bilhões em gastos não prioritários

Para demonstrar disposição de equilibrar suas contas, o governo Dilma Rousseff promoveu um bloqueio provisório de um terço dos gastos administrativos dos 39 ministérios e secretarias especiais. Conforme decreto publicado nesta quinta-feira (8), o montante cortado é de R$ 1,9 bilhão mensal até a aprovação do Orçamento de 2015. Em valores anuais, são R$ 22,7 bilhões. A medida se concentra em despesas de custeio; estão preservados desembolsos com pessoal, aposentadorias, benefícios assistenciais e outras prioridades. Como é a pasta com maior volume de gastos não obrigatórios, o Ministério da Educação responde pela maior parte do montante afetado, com o equivalente a R$ 7 bilhões no ano. Não se trata, porém, da programação orçamentária definitiva para o ano, que será apresentada após a aprovação pelo Congresso e da sanção presidencial do Orçamento. Segundo nota oficial divulgada, a antecipação dos cortes “se faz necessária frente às incertezas sobre a evolução da economia, o cenário fiscal e o calendário do Poder Legislativo, que só retomará suas atividades a partir de fevereiro”. Quando o ano começa sem lei orçamentária aprovada, a praxe é determinar que cada ministério desembolse a cada mês um 12 avos das verbas previstas para o ano. Desta vez, porém, a parcela mensal foi reduzida a um 18 avos, para sinalizar compromisso com maior austeridade. Os novos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciaram a meta de poupar em 2015 R$ 66,3 bilhões para o abatimento da dívida pública - R$ 55,3 bilhões na área federal e o restante nos Estados e municípios. Para isso, além dos cortes nos ministérios, foram editadas medidas provisórias endurecendo as regras para a concessão de benefícios como pensões por morte e seguro-desemprego. Mais à frente, deverão ser definidos ainda aumentos de tributos.

Fundo de pensão da Caixa Econômica Federal fechará 3º ano seguido no vermelho


O fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) fechará com déficit pelo terceiro ano consecutivo. Até novembro as contas estavam negativas entre 1,5 bilhão de reais e 2 bilhões de reais, o que deve levar a um rombo acumulado de 5 bilhões de reais. Desta vez, aposentados e pensionistas da Caixa Econômica Federal poderão sentir no bolso as perdas do fundo. As regras da previdência determinam que o fundo precisa recompor suas perdas depois de consolidar três anos consecutivos de déficit equivalente a 10% de seu patrimônio. O rombo precisa ser tapado metade com dinheiro de aposentados e contribuintes e metade com aportes do próprio banco, que é o patrocinador da fundação. O saldo negativo fará com que a conta tenha de ser repassada este ano. A Funcef não publicou comentários sobre a possibilidade de ter de apresentar um plano de recomposição, mas confirmou, em nota, que ano passado fechará com novo déficit. A contabilização final depende ainda dos números de dezembro. Em 2013, quando seu último balanço foi publicado, a fundação tinha cerca de 55 bilhões de reais sob sua administração. O desempenho ruim no ano passado foi bastante influenciado pela queda dos preços das ações na bolsa de valores. Além disso, o fundo contabilizou novas perdas devido ao mau desempenho da renda fixa pela alta dos juros e das empresas em que é sócio. É o exemplo da mineradora Vale, um de seus principais ativos, que perdeu valor durante ano por causa das dificuldades provocadas pela queda dos preços do minério de ferro no mundo. Algumas fontes ainda afirmaram que os investimentos do setor imobiliário, que tinham registrado ganhos substanciais em 2013, com mais de 20% de retorno, tiveram perdas no ano passado por causa do desempenho fraco da economia. As investigações na Petrobras também estão preocupando os administradores da Funcef. Além da Vale, duas das maiores participações do fundo estão na Invepar, que também tem como sócia a OAS, e na Sete Brasil, uma espécie de intermediária na construção de plataformas para a Petrobras, que pertence ao dono do banco BTG. Enquanto a OAS passa por dificuldades financeiras devido às investigações da Operação Lava Jato, a Sete Brasil, por ter contratos com a Petrobras, também será investigada. A fundação também tem aplicações em outros ramos de infraestrutura como a usina hidrelétrica de Belo Monte. Se o déficit de 2014 levar a um plano de recomposição extraordinária, a Caixa Econômica Federal terá de desembolsar cerca de 2,5 bilhões de reais. Normalmente a recomposição é paga por períodos longos de até 12 anos, mas a Caixa Econômica Federal teria de fazer imediatamente a provisão destes pagamentos, o que atingiria diretamente seu balanço. Isso poderia piorar seus números e atrapalhar o desempenho de uma possível abertura de capital, segundo algumas fontes próximas ao banco. 

Governo de São Paulo adota sobretaxa para evitar caos no abastecimento de água

A partir de hoje (8), os consumidores da região metropolitana abastecidos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderão pagar entre 40% e 100% de sobretaxa na conta de água. A cobrança será feita sempre que o consumo superar a média do gasto registrado entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. De acordo com os critérios de autorização da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), publicados hoje no Diário Oficial do Estado, se o consumo ultrapassar em até 20% a média do período será considerado para efeito de cálculo um acréscimo de 40%. Acima de 20%, a quantidade calculada terá adicional equivalente ao dobro. Por meio de nota, a Arsesp justificou que a tarifa de contingência objetiva “à redução do consumo de água em face da situação de grave escassez de recursos hídricos”. A proposta encaminhada ao órgão pela Sabesp estabelecia alíquota entre 20% e 50% sobre o total da conta. O ajuste entre 40% e 100%, tomando por base o consumo e não o valor da conta, conforme o comunicado, é para equilibrar a proporcionalidade entre consumo de água e coleta e tratamento de esgoto. A medida vai vigorar até 31 de dezembro deste ano. Segundo a Arsesp, a autorização só ocorreu após audiência pública. A sobretaxa será aplicada em São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes (bairro Divisa), Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista. Além dos usuários com consumo mensal igual ou inferior a 10 metros cúbicos, estarão isentos da tarifação os hospitais, prontos-socorros, casas de saúde, delegacias, presídios e casas de detenção. Os centros de atendimento da Fundação Casa e moradores de conjuntos habitacionais de baixa renda terão consumo limitado a até 10 metros cúbicos. Apesar da medida, algumas exceções poderão ser analisadas pela Sabesp, como o caso de novos consumidores e os que não tiveram consumo regular entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014. Ao receber a nova conta, o consumidor será informado sobre a média de consumo do período.

Análise - 73% dos servidores gaúchos, 122 mil, aposentam-se antecipadamente, 49,41% deles sem respeitar idade mínima


O editor referiu-se na edição de ontem ao enorme volume de aposentadorias precoces existentes no serviço público estadual do RS. O caso é muito mais grave do que se imagina. Acontece que durante décadas de corporativismo exacerbado, algumas categorias de servidores estaduais resultaram contemplados com privilégios inacreditáveis e que acabaram pressionando de forma selvagem os cofres do Tesouro do Estado. Os governos perceberam o brete em que se meteram, mas preferiram culpar a dívida com a União, os fornecedores, o inchaço de CCs e até aumentos salariais exagerados para categorias do topo da pirâmide. Nem sequer a implantação de um sistema de previdência estatal estadual foi adiante, embora desde o governo Britto isto venha sendo aventado, até iniciado, mas nunca conduzido para os finalmente, o que mantém até hoje a inviável prática de pagar aposentados e pensionistas com o dinheiro que entra da receita tributária de cada mês. Ninguém atreve-se a botar o guizo no pescoço do gato. As aposentadorias precoce são parte do problema. Elas crescem como bola de neve. Os dois casos mais graves são os dos professores e dos policiais. Eles somam 122.114 servidores ativos, portanto 73,22% do total de 166.767 funcionários estaduais. 50,59% são professores. 
Os privilégios
Professores – As professoras aposentam-se com dez anos a menos que um servidor do sexo masculino, o que é intolerável para qualquer sistema previdenciário que não queira quebrar mesmo antes de começar a existir. 
Policiais e brigadianos – Nesta área, que corresponde a metade dos 73,22% dos servidores com aposentadorias especiais, o policial é aposentado com 30 anos de serviço e a mulher com 25, sem considerar idade mínima alguma.
No seu livro “O RS tem saída?”, o economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos conta que 71% dos servidores que ingressaram na Brigada nos últimos dois anos, foram destinados a repor aposentadorias.Isto significa que apenas 29% das novas admissões resultaram em pessoal ativo novo para a área de segurança. As distorções são de tal natureza graves que na Brigada Militar existem 455 coronéis aposentados para 25 na ativa. Ou seja, 95% dos coronéis da Brigada Militar estão aposentados. Em relação aos privilégios das mulheres – professoras, policiais e brigadianas – a aposentadoria aos 25 anos não se justificam, até porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres com mais de 50 anos representam 52,7% da população. Sua expectativa de vida na década de 30 era de 81 anos, contra 76 dos homens. (Políbio Braga)

PMDB ULTRAPASSA PT E DEVE SER A MAIOR BANCADA NA CÂMARA


A bancada do PT na Câmara dos Deputados começará o ano legislativo em 1º de fevereiro menor do que saiu das urnas. Seis parlamentares eleitos assumiram cargos nos governos estaduais e federal e seus suplentes são de outras siglas, reduzindo a bancada de 69 para 63 deputados. O PT deixará de ter o maior número de deputados e será ultrapassado pelo PMDB, que não perdeu nenhuma das 66 vagas até agora. Para efeito de distribuição de cargos, o critério da proporcionalidade seguirá o número de eleitos em outubro, ou seja, o PT ainda será considerado maior partido porque elegeu mais parlamentares. A preocupação dos líderes da legenda é que, com uma base aliada menor, será mais difícil aprovar temas de interesse do governo. O PT mineiro perdeu três parlamentares: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) e os deputados eleitos Odair Cunha e Miguel Corrêa. Odair assumiu a Secretaria Estadual de Governo de Fernando Pimentel e o Corrêa a de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Pela lista atual de suplentes, o primeiro a assumir uma das vagas é Ademir Prates (PROS), seguido de Silas Brasileiro (PMDB) e de Wadson Ribeiro (PCdoB). A quarta da suplência é a petista Maria do Carmo Perpétuo, que ficará no lugar do George Hilton (PRB), ministro do Esporte. O PT baiano não contará com Nelson Pelegrino, novo secretário estadual de Turismo, e Josias Gomes, secretário de Relações Institucionais do governador Rui Costa. Os primeiros suplentes são Fernando Dantas Torres (PSD) e Davidson de Magalhães Santos (PCdoB). No Piauí, a deputada eleita Rejane Dias ficou na Secretaria Estadual da Educação e o primeiro suplente é Silas Freire Pereira e Silva (PR). Independentemente dos cargos que ocupam hoje, regimentalmente todos os eleitos devem assumir a vaga. Eles precisam ficar pelo menos um dia no mandato e participar da eleição da Mesa Diretora. Desta forma, o PT terá a bancada completa na primeira votação do ano.

PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO PAÍS CAI 15,3% EM RELAÇÃO A 2013


Após subir 9,9% em 2013 ante 2012, a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro caiu 15,3% em 2014 em relação a 2013, divulgou nesta quinta-feira, 8, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No ano passado, foram produzidas 3.146.118 milhões unidades, ante 3.712.380 milhões em 2013. Só em dezembro, foram fabricados 203.760 mil veículos, quedas de 23,1% ante novembro e de 11,8% em comparação com o mesmo mês de 2013. Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em 2014 chegou a 2.973.215 unidades, 14,7% a menos do que em 2013. Em todo o ano passado, foram produzidos 2.314.789 automóveis e 658.426 comerciais leves. Só em dezembro, foram fabricados 199.452 mil automóveis e comerciais leves, baixas de 20,6% ante novembro e de 10,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A produção de caminhões, por sua vez, recuou 25,2% em 2014 na comparação com 2013, ao atingir 139.965 unidades. Desse total, 3.704 foram fabricados em dezembro, o que significa baixas de 68,6% ante novembro e de 49,6% ante dezembro do ano anterior. No caso dos ônibus, foram produzidas 32.938 mil unidades em 2014, queda de 17,9% na comparação com 2013. Apenas em dezembro, foram fabricados 604 ônibus, 67,2% a menos do que em novembro e 63,3% a menos ante dezembro de 2013. As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus caíram 7,1% em 2014 ante 2013, ao somarem 3.498.012 unidades, informou a Anfavea. Os números foram divulgados em meio à paralisação de funcionários da Volkswagen após um corte de 800 funcionários na volta do Ano Novo. Trabalhadores da Mercedes-Benz, montadora que também dispensou 230 empregados após a virada do ano, retomaram suas atividades nesta quinta-feira, 9. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, declarou que o setor não pedirá incentivos ao governo, apesar de prever um primeiro semestre de 2015 difícil. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 8, apontam retração de 0,7% na produção industrial de novembro ante outubro do ano passado. Entre os ramos pesquisados, o de veículos automotores, reboques e carrocerias apresentou um crescimento de 1,2% na mesma base de comparação. Entretanto, o setor ainda não vive uma retomada, ressaltou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O saldo dos últimos cinco meses para veículos automotores é de uma alta de 24,3%. Essa informação por si só poderia sinalizar que o setor está se recuperando. Mas, de março a junho, o recuo foi de 28%. Estou crescendo 24% sobre uma queda de 28%. É alta sobre um patamar bastante reduzido”, explicou Macedo. Na comparação com novembro de 2013, a fabricação de veículos teve queda de 14,4%. A atividade teve a principal contribuição para a queda de 5,8% na indústria no período, seguida por produtos alimentícios. “Se tem algum tipo de recuperação mais recente no setor de veículos como um todo, isso se deve a uma base de comparação mais baixa. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a atividade permanece como maior impacto negativo para o total da indústria”, disse Macedo. O gerente do IBGE citou algumas causas que explicam as perdas na atividade: a evolução menor da demanda doméstica, os estoques mais elevados, as importações menores para países como a Argentina, o impacto sobre a redução dos investimentos para a fabricação de caminhões, e o reflexo disso tudo no setor de autopeças. “Ainda há um impacto muito grande para ser recuperado sobre essa atividade”, avaliou Macedo. “O segmento de veículos aparece isolado na frente como o principal impacto de queda no total da indústria no acumulado do ano. É a principal contribuição negativa”, acrescentou. De janeiro a novembro, a produção de veículos já recuou 17,3%. No mesmo período, a indústria acumula retração de 3,2%.

Indicado por Michel Temer para Secretaria de Portos está condenado pela Justiça por improbidade administrativa


O relacionamento do vice-presidente Michel Temer(PMDB) com o Porto de Santos é público e notório. Dizem que ali ele manda até afundar navio. É praticamente o dono do pedaço. Em 2011, Temer foi investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal sob a suspeita de participar de um esquema de cobrança de propina de empresas detentoras de contratos no referido porto. Caso de corrupção ativa e corrupção passiva, devidamente abafado durante a campanha eleitoral de 2010. No texto enviado ao STF, a procuradora Juliana Mendes Daun diz que “Temer figura efetivamente como investigado neste apuratório”. O vice-presidente nega ter recebido suborno e critica o trabalho da polícia e da procuradora. Em 2002, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, determinou o arquivamento de um processo administrativo preliminar sobre o caso. Mesmo assim, a Polícia Federal instaurou um inquérito em 2006, já com citação ao nome de Temer como eventual beneficiário de pagamento de propinas. Sabe-se agora que o ministro dos Portos, Edinho Araújo (PMDB), já foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa - mau uso do dinheiro público. Indicado ao posto pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB), Edinho Araújo também já foi punido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo por uma dispensa de licitação considerada irregular. Os dois casos se referem às suas duas gestões como prefeito de São José do Rio Preto (SP), entre 2001 e 2008. A condenação, determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, ocorreu em dezembro de 2012 e seria suficiente para enquadrar Araújo como ficha-suja pelos critérios da Lei da Ficha Limpa. Mas ele conseguiu se reeleger ao cargo de deputado federal em 2014 porque obteve uma liminar (decisão provisória) no Superior Tribunal de Justiça suspendendo os efeitos da condenação. Araújo foi condenado porque autorizou que empresas quitassem dívidas com a prefeitura realizando obras de pavimentação asfáltica, em vez de pagar o valor devido. Os desembargadores entenderam que a permuta foi irregular e burlou a Lei de Licitações, porque a contratação de obras deve ocorrer, em geral, por licitação. O município, anotaram, "acabou dispensando receita". O agora ministro foi condenado à perda dos direitos políticos por cinco anos e multa no valor de duas vezes o dano ao erário, ainda a ser calculado. Já o STJ entendeu, na decisão liminar de 2014, que não haveria comprovação de dolo (intenção) do ex-prefeito e que não teria sido comprovado o dano ao erário. 

Documentos da empresa "laranja" que construiu gasoduto de R$ 6,3 bilhões eram redigidos dentro da Petrobras


Até as procurações que a Transportadora Gasene passava para a Petrobras eram rascunhadas, discutidas e escritas pela própria estatal. Documentos mostram que pelo menos três rascunhos de procuração da empresa privada, criada para construir a rede de gasodutos Gasene, passaram pela estatal. A área jurídica da Petrobras se sentiu até na obrigação de lembrar aos dirigentes da transportadora que os documentos dela não poderiam ter qualquer tipo de logomarca da Petrobras. "Favor atentar para a necessidade de retirar a logomarca da Petrobras”, registraram os responsáveis pelo parecer jurídico no cabeçalho de um parecer de setembro de 2006 sobre uma minuta de procuração analisada a pedido de uma das gerências da Petrobras responsáveis por controlar as atividades da Transportadora Gasene. A minuta de procuração repassava à Petrobras poderes exclusivos para gerenciar a contratação da empresa que montaria o sistema de fibra óptica entre Rio e Espírito Santo. O parecer jurídico propôs algumas alterações na minuta: “Sugerimos que seja alterada a procuração em apreço, de forma que a Transportadora Gasene outorgue poderes diretamente à Petrobras, e não a empregados desta companhia". Outra sugestão foi a exclusão do termo “licitação”, instrumento existente para a administração pública. Como a transportadora era uma sociedade de propósito específico (SPE), com aspecto privado, a área jurídica recomendou o uso da expressão “processo seletivo para busca da melhor proposta”. Outra minuta repassa à Petrobras os poderes de gerenciamento de compra de quaisquer equipamentos, materiais e serviços necessários para construção, montagem e implementação do gasoduto, além de negociar e alterar contratos como os firmados com a empresa chinesa que gerenciava a obra, a Sinopec. Um diferente modelo de procuração não trazia a assinatura do diretor-presidente da Gasene, Antônio Carlos Pinto de Azeredo. Pelo documento, a transportadora “nomeia e constitui” como sua procuradora a Petrobras, com “poderes exclusivos” no gerenciamento da contratação de empresas que construiriam o trecho entre Cacimbas (ES) e Catu (BA). (O Globo)

Obra do Rio São Francisco está parada, é o PAC empacado


Era para estar pronta em 2010. Não ficará pronta até 2017. Era para custar R$ 4,5 bilhões. Agora já custa R$ 8,2 bilhões. Certamente passará de R$ 10 bilhões. E não ficará pronta. A Mendes Júnior, uma das empreiteiras da Lava Jato, paralisou as obras por falta de dinheiro. Está demitindo às pencas e nem mesmo o décimo terceiro pagou aos funcionários. Os funcionários da construtora Mendes Júnior, nas obras de Transposição do Rio São Francisco, já começaram a sentir os efeitos da operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga esquema de corrupção nos contratos da Petrobrás. Sem crédito na praça e sem receber da estatal, a construtora não fez o pagamento da segunda parcela do 13.º salário, previsto para 20 de dezembro, para os cerca de 500 empregados que continuam na obra. De férias coletivas desde o dia 18, os funcionários voltaram ao trabalho na segunda-feira e continuam parados. "No escritório da empresa (em Salgueiro-PE), dizem que não há dinheiro nem para comprar combustível para colocar nos veículos e equipamentos da obra. Por isso, os funcionários ficam de braços cruzados sem saber o que fazer", afirma o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado de Pernambuco (Sintepav), Luciano Silva. Além de entrar com uma ação na Justiça reivindicando o pagamento do 13º salário e por dano moral coletivo, o sindicato fará hoje uma mobilização na BR-232 para protestar contra a situação. "A empresa disse que fará o depósito hoje, quando vence também o salário dos funcionários. Mas ela está falando isso todos os dias", diz Silva. Segundo ele, nos últimos meses, a Mendes Júnior demitiu quase 2.500 pessoas no canteiro de obras do lote 8, que deverá ser concluído apenas em 2016: "Tem muita coisa para fazer nesse trecho". Fontes do setor de construção, que preferem não se identificar, afirmam que a situação da empresa, como a de outras construtoras envolvidas no escândalo de corrupção, é bastante delicada, com risco até de ter de pedir recuperação judicial. Só na Mendes Júnior Engenharia, o valor de debêntures previsto no balanço de 2013 somava R$ 1,91 bilhão. Na época, o grupo tinha 40 projetos em andamento, como a Transposição do São Francisco, Rodoanel Norte de São Paulo e o Porto de Santana (AP). Não é a primeira vez que a Mendes Júnior passa por maus bocados. No início da década de 90, com dívidas e sem poder disputar licitações por causa de uma pendência com a Chesf, a empresa quase quebrou. Só em 1998 a companhia começou a engrenar com novos contratos para a construção de rodovias, hidrelétricas e na área de petróleo e gás. Na opinião de especialistas, o risco é que as obras de outras áreas tocadas pelas construtoras envolvidas na Lava Jato sejam atingidas. Com caixa debilitado, as empresas vão passar por momentos complicados, sem dinheiro até para fazer a rescisão dos funcionários, afirma um executivo do setor.

PT expurga trabalhadores e vira partido da burguesia de esquerda


O segundo mandato de Dilma Rousseff começou marcado pela inflexão na política econômica, coroada pelo simbolismo do primeiro ministro da Fazenda não petista em 12 anos. Mas há outro dado, despercebido nos resultados da eleição de outubro, que reflete a transformação progressiva do PT. Pela primeira vez, o Partido dos Trabalhadores não terá trabalhadores em sua bancada de deputados federais, que toma posse em fevereiro. O fato inédito é um dos achados de um levantamento feito pelo cientista político da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Domingos Costa. No estudo, trabalhadores são considerados os candidatos que declararam ao TSE exercer 111 ocupações: de motoristas a carpinteiros, de petroleiros a auxiliares de escritório. De torneiro mecânico - origem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - a bancário - como o atual ministro das Comunicações Ricardo Berzoini. Foram analisadas as profissões dos 23.220 candidatos que concorreram nas últimas cinco eleições à Câmara dos Deputados. A principal conclusão, afirma Costa, é que o PT "abandonou", "largou a mão" de recrutar trabalhadores para suas fileiras. É um processo de aburguesamento de seus filiados, semelhante ao descrito pelo sociólogo Robert Michels, há cem anos, na análise do SPD alemão, e expresso em sua "lei de ferro da oligarquia". E que inclui casos como o de Vicentinho, que se reelegeu, mas pela primeira vez se declarou como político, e não metalúrgico. 


Em 1998, entre os candidatos petistas a deputado federal, 21% eram trabalhadores, índice que caiu a menos da metade, 9,8%, na disputa do ano passado. No mesmo período, a presença de trabalhadores na eleição à Câmara teve um crescimento moderado. Passou de 10,6% do total de concorrentes para 13,1%. Para onde, então, foram os trabalhadores? Espalharam-se para a miríade de pequenas legendas que nos últimos anos levaram o Brasil a bater o recorde mundial de fragmentação partidária. "A queda de candidatos trabalhadores no PT é muito alta, principalmente quando levamos em consideração que este é o período em que o partido cresce. O PT, quando se profissionaliza, expurga os trabalhadores", diz Luiz Costa. Uma vez no poder, acrescenta o pesquisador, o partido passou a confiar mais em práticas eleitorais tradicionais. Por exemplo, utilizar intermediários políticos, como prefeitos e vereadores, para alcançar o eleitor. Ou confiar no poder das emendas parlamentares individuais. Deixou de botar a mão na massa e fazer o trabalho de "formiguinha", de contato direto com as bases eleitorais. Com a retirada, os demais partidos ocuparam o espaço - embora ainda não consigam eleger trabalhadores com a mesma eficiência que o PT fazia. Apesar de uma leve recuperação desde 2006 (de 1% para 1,9%), a proporção de eleitos ainda é menor do que em 1998 (3,1%). A mudança, porém, está em curso, e o que se vê hoje seria apenas a ponta de um iceberg. Ou de uma arena em que o PT vem "apanhando" nas periferias das regiões metropolitanas, afirma o pesquisador. O recrutamento dos trabalhadores, antes conduzido tipicamente pelos sindicatos, deu lugar à mobilização essencialmente por meio de três canais: pelas igrejas, pelas rádios e pelas brechas aproveitadas por candidatos que "surfam" nas deficiências dos serviços públicos e constroem carreiras políticas movidas a assistencialismo. Luiz Costa cita o caso do vereador mais votado de Curitiba, em 2012, Cristiano dos Santos (PV). O motorista conseguiu seu próprio mandato depois de trabalhar para um vereador, que tinha contatos privilegiados e oferecia atendimento médico para seus eleitores. "Ele carregava gente em sua Belina. São esses os candidatos do povão. Escoram-se num deputado, num vereador, que depois os mandam embora porque montam sua própria rede", afirma Costa. Os métodos e a competitividade, compara o pesquisador, diferem dos utilizados pelos petistas. "No PT não tem essa. Só se é candidato depois de ter sido secretário da juventude, vereador etc. É uma escadinha, que não tem nos outros partidos", diz. Uma das consequências é que os trabalhadores migraram para outras legendas, pequenas e mais conservadoras, favorecendo o recente fenômeno da popularização da direita - também apontado por Costa e seu colega Adriano Codato, também da UFPR. Em 2014, "nanicos" como PHS (4,8%), PEN (4,5%) e PTdoB (4%) lançaram mais trabalhadores do que o grande PMDB (3,8%). O PT, apesar da queda, ainda é o quarto (4,9%), porém bem atrás do líder PSOL (11,7%) - o que indica que seu nome de batismo pode perder sentido, ou ser ameaçado, à direita e à esquerda. (Valor Econômico) 

TSE começará a liberar urnas eletrônicas para auditoria do PSDB



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acertou com o PSDB esta semana os detalhes para a liberação dos dados das urnas da última disputa presidencial, conforme solicitado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico do partido, em outubro, logo após a vitória da presidente Dilma. O PSDB não desistiu de auditar as urnas eletrônicas e o sistema eletrônico usados nas ultimas eleições. O partido já montou equipe de trabalho e a auditoria da votação eletrônica deve começar na próxima semana.

Terrorista mais jovem do atentado contra o jornal Charlie Hebdo se entrega à policia francesa

Um dos três suspeitos do ataque ao jornal parisiense Charlie Hebdo, o jovem terrorista Hamyd Murad, de apenas 18 anos, se entregou à polícia na madrugada desta quinta-feira. Os outros dois terroristas, os irmãos franceses nascidos em Paris, Said Kuachi, de 34 anos, e Cherif Kuachi, de 32 anos, um jihadista conhecido pelos serviços antiterroristas, seguem foragidos. A polícia deteve várias pessoas na madrugada desta quinta-feira ligadas aos três terroristas suspeitos.  Três homens atacaram a sede do jornal satírico frances Charlie Hebdo, em Paris, matando pelo menos 12 pessoas. Os homens encapuzados, armados com fuzis Kalashnikov, entraram no escritório por volta do meio-dia (9h de Brasília) desta quarta-feira e abriram fogo, deixando 12 vítimas fatais – 10 jornalistas e dois policiais. Pelo menos cinco pessoas estão em estado grave. Após trocar tiros com a polícia, os terroristas fugiram do local em um carro dirigido por uma quarta pessoa em direção ao nordeste de Paris. Entre os mortos estão o jornalista, cartunista e diretor do semanário, Stephane Charbonnier, conhecido como Charb, e três cartunistas: Cabu, Wolinski e Tignous. Charlie Hebdo é um jornal satírico semanal conhecida pelo envolvimento em polêmicas. Um dos seus últimos tweets foi uma charge do terrorista chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. O semanário já havia sido alvo de outros atentados: em 2011, a sede foi incendiada após a publicação de charge sobre o profeta Maomé.

Es la guerra santa, idiotas

 Por - Arturo Pérez-Reverte


Pinchos morunos y cerveza. A la sombra de la antigua muralla de Melilla, mi interlocutor - treinta años de cómplice amistad - se recuesta en la silla y sonríe, amargo. "No se dan cuenta, esos idiotas -dice -. Es una guerra, y estamos metidos en ella. Es la tercera guerra mundial, y no se dan cuenta". Mi amigo sabe de qué habla, pues desde hace mucho es soldado en esa guerra. Soldado anónimo, sin uniforme. De los que a menudo tuvieron que dormir con una pistola debajo de la almohada. "Es una guerra - insiste metiendo el bigote en la espuma de la cerveza -. Y la estamos perdiendo por nuestra estupidez. Sonriendo al enemigo". Mientras escucho, pienso en el enemigo. Y no necesito forzar la imaginación, pues durante parte de mi vida habité ese territorio. Costumbres, métodos, manera de ejercer la violencia. Todo me es familiar. Todo se repite, como se repite la Historia desde los tiempos de los turcos, Constantinopla y las Cruzadas. Incluso desde las Termópilas. Como se repitió en aquel Irán, donde los incautos de allí y los imbéciles de aquí aplaudían la caída del Sha y la llegada del libertador Jomeini y sus ayatollás. Como se repitió en el babeo indiscriminado ante las diversas primaveras árabes, que al final - sorpresa para los idiotas profesionales - resultaron ser preludios de muy negros inviernos. Inviernos que son de esperar, por otra parte, cuando las palabras libertad y democracia, conceptos occidentales que nuestra ignorancia nos hace creer exportables en frío, por las buenas, fiadas a la bondad del corazón humano, acaban siendo administradas por curas, imanes, sacerdotes o como queramos llamarlos, fanáticos con turbante o sin él, que tarde o temprano hacen verdad de nuevo, entre sus también fanáticos feligreses, lo que escribió el barón Holbach en el siglo XVIII: "Cuando los hombres creen no temer más que a su dios, no se detienen en general ante nada". Porque es la yihad, idiotas. Es la guerra santa. Lo sabe mi amigo en Melilla, lo sé yo en mi pequeña parcela de experiencia personal, lo sabe el que haya estado allí. Lo sabe quien haya leído Historia, o sea capaz de encarar los periódicos y la tele con lucidez. Lo sabe quien busque en Internet los miles de vídeos y fotografías de ejecuciones, de cabezas cortadas, de críos mostrando sonrientes a los degollados por sus padres, de mujeres y niños violados por infieles al Islam, de adúlteras lapidadas -cómo callan en eso las ultrafeministas, tan sensibles para otras chorradas -, de criminales cortando cuellos en vivo mientras gritan "Alá Ajbar" y docenas de espectadores lo graban con sus putos teléfonos móviles. Lo sabe quien lea las pancartas que un niño musulmán - no en Iraq, sino en Australia - exhibe con el texto: "Degollad a quien insulte al Profeta". Lo sabe quien vea la pancarta exhibida por un joven estudiante musulmán - no en Damasco, sino en Londres - donde advierte: "Usaremos vuestra democracia para destruir vuestra democracia". A Occidente, a Europa, le costó siglos de sufrimiento alcanzar la libertad de la que hoy goza. Poder ser adúltera sin que te lapiden, o blasfemar sin que te quemen o que te cuelguen de una grúa. Ponerte falda corta sin que te llamen puta. Gozamos las ventajas de esa lucha, ganada tras muchos combates contra nuestros propios fanatismos, en la que demasiada gente buena perdió la vida: combates que Occidente libró cuando era joven y aún tenía fe. Pero ahora los jóvenes son otros: el niño de la pancarta, el cortador de cabezas, el fanático dispuesto a llevarse por delante a treinta infieles e ir al Paraíso. En términos históricos, ellos son los nuevos bárbaros. Europa, donde nació la libertad, es vieja, demagoga y cobarde; mientras que el Islam radical es joven, valiente, y tiene hambre, desesperación, y los cojones, ellos y ellas, muy puestos en su sitio. Dar mala imagen en Youtube les importa un rábano: al contrario, es otra arma en su guerra. Trabajan con su dios en una mano y el terror en la otra, para su propia clientela. Para un Islam que podría ser pacífico y liberal, que a menudo lo desea, pero que nunca puede lograrlo del todo, atrapado en sus propias contradicciones socioteológicas. Creer que eso se soluciona negociando o mirando a otra parte, es mucho más que una inmensa gilipollez. Es un suicidio. Vean Internet, insisto, y díganme qué diablos vamos a negociar. Y con quién. Es una guerra, y no hay otra que afrontarla. Asumirla sin complejos. Porque el frente de combate no está sólo allí, al otro lado del televisor, sino también aquí. En el corazón mismo de Roma. Porque - creo que lo escribí hace tiempo, aunque igual no fui yo - es contradictorio, peligroso, y hasta imposible, disfrutar de las ventajas de ser romano y al mismo tiempo aplaudir a los bárbaros. 
* Esta columna fue publicada el 01/09/2014 en el blog del autor.

"Esto fue una declaración de guerra, no un atentado"

"Hoy asesinaron a Voltaire", dijo el sociólogo francés Alain Touraine a Infobae, subrayando así que es un sistema de vida, la libertad, la democracia, lo que está siendo atacado. Así lo vivió la gente, sostiene

"Lo que ha impactado aquí es hasta qué punto se trató de un acto de guerra, no de un atentado", dice, en referencia a la matanza de 12 personas perpetrada por un grupo de hombres fuertemente armados, en la redacción de un emblemático semanario satírico francés. Para Touraine, no hay duda: no son los llamados "lobos solitarios" (terroristas que actúan por su propia cuenta e inspiración), sino que actuó "gente formada para matar, como los comandos especiales que operan durante una guerra".  "Tenemos armas de guerra, que no son fáciles de manipular; evidentemente sabían manejarlas, las usaron como killers o soldados – como se prefiera –, por ejemplo, al policía herido, uno de los tipos fría y calmadamente lo remata", describió en charla telefónica desde París con este diario. "Por lo tanto, la mejor definición que encuentro es que es un acto de guerra", remata. Intelectual muy vinculado a América Latina, y reconocido por sus trabajos sobre la sociedad industrial, a Touraine le ha impactado un rasgo del ataque perpetrado este 7 de enero en París: "El aspecto militar, el aspecto ejecutor, es de la misma índole que el de las decapitaciones del Estado Islámico". "Y, yendo al fondo de las cosas – sigue analizando –, diría que el tema de la religión, el asunto de las caricaturas, que tuvo lugar hace unos años y que no se inició en Francia sino en Dinamarca; todo eso no es muy convincente para explicar este asesinato en masa de gente muy conocida y para la cual el islam no era en modo alguno el tema principal. Wolinski, por ejemplo, no era conocido en Francia por atacar al islam; era más bien conocido por dibujos de temas eróticos...". Touraine sostiene que así lo recibió también la gente en Francia, y que cree es la posición correcta: "Han dicho (los atacantes) le hago la guerra a la libertad de prensa, a la libertad pura y simple, a la democracia pura y simple". Describe un panorama preocupante: "Estamos hablando de movimientos que se definen no por una afirmación o por un objetivo, como el nacionalismo, el desarrollo económico, como alguna vez hubo en el mundo árabe. Esto no es un postnasserismo, no tiene nada que ver con eso, es el odio al otro. El odio al extranjero en el sentido de enemigo. El extranjero, el pagano, el infiel, es el enemigo. Lo que es exactamente mi contrario. Esa es la definición de la guerra. Estamos en un mundo en el cual la única relación que existe es amigo (gente como yo) - enemigo (el otro). Es un mundo de enemigos, y al enemigo lo mato. Es decir, un mundo invivible. El mundo de la guerra pura, lo social es reducido a la guerra entre sociedades, culturas". Subraya el impacto del ataque, por lo inédito de su forma, y lo compara con otros que también marcaron un punto de inflexión: "Asesinar a 12 personas – o más, lo sabremos mañana– y a gente muy conocida, amada por el público, es una declaración de guerra. Como lo fue el 11 de septiembre. Y un acto de ruptura por su modalidad – aunque lo de Nueva York fue mucho más espectacular –, pero de todos modos, no teníamos esto en Francia desde hacía 30 años; me hace pensar un poco en la guerra de Argelia. Actos de ruptura, el problema no es la yihad en sí, sino la idea de un mundo que está en el polo opuesto absoluto del mundo en el que vivo y en el que quiero vivir". "Es realmente la negación de lo que llamamos libertad – afirma–. Es a Voltaire al que asesinaron hoy". Sin embargo, Touraine matiza la comparación con el 11 de septiembre, "porque EEUU tiene un poder de hacer la guerra que Francia no tiene; ésta ha participado de guerras, pero no se puede decir que tenga la voluntad de llevar a delante una conquista del mundo en nombre de lo occidental". Y ante la pregunta de si teme que, como acto de ruptura, pueda generar un quiebre, una división, en la sociedad francesa, afirma que no tuvo esa impresión. "Me impactó ver que hoy la gente en París habló claramente de la defensa de la democracia; no dijo 'es un problema cristiano-musulmán'. Eso les parece un contrasentido grosero". 
¿Sería entonces este ataque algo totalmente externo a Francia?
Con honestidad, Touraine responde: "Bueno, tenemos grosso modo un millar de ciudadanos franceses que partieron a la yihad. No tengo reparos en admitir que en la considerable masa de musulmanes que se sienten maltratados, despreciados, marginados, haya un pequeño número –aunque no desdeñable, porque 1000 no es un número desdeñable – que tomen esta identidad de enemigos. Sienten que se los trata como enemigos, entonces dicen 'sí, soy un enemigo y hago la guerra contra ustedes'. De hecho, había franceses entre los que degollaron rehenes del Estado islámico". Pero aun así relativiza el fenómeno. Aunque "es algo que los franceses deben tener en cuenta, sería ridículo decir que los entre 5 y 6 millones de musulmanes de Francia piensan eso", dice. Además, cree que "explicar este ataque por las vejaciones o afrentas que habrían recibido es un razonamiento falso". "No se puede concluir a partir de lo que hacen 3 personas – incluso 1000 personas – lo que piensan 5 millones", agrega. Touraine cree, además que Francia vive un período en el cual la islamofobia pierde importancia y que hasta Marine Le Pen, la actual presidente del Frente Nacional, el partido de extrema derecha nacionalista en ascenso, lo ha comprendido. "Hoy la gran fractura en Francia – explica – es entre los que participan de los intercambios mundiales, es decir la gente de las metrópolis y todos los demás. Entre los primeros hay muchos cuadros profesionales y pocos obreros. Los periféricos, entre los cuales evidentemente se encuentran muchos obreros, son expulsados de París, y son ellos los que alimentan el electorado del Frente Nacional (FN)". Esto le da al FN una fisonomía muy diferente de la que tenía en tiempos de Jean-Marie Le Pen (el padre de Marine). Por otra parte, Touraine afirma que Francia es "uno de los países menos desiguales" y que "es más bien relativamente homogéneo". "Lo esencial – concluye Touraine en cuanto al sentido del mortífero ataque contra Charlie Hebdo – es la afirmación de la voluntad de ruptura con un tipo de sociedad, de política, de filiación, que llamamos democracia. Así fue recibido por la gente, que tiene un comportamiento tranquilo. Hay tristeza porque a estos dibujantes los queríamos y nos hacían reír, pero también un sentimiento de amenaza contra un modo de vida". Por último, no se muestra demasiado confiado en que el actual presidente encuentre el discurso adecuado para este momento y la etapa que viene: "Es difícil de decir... porque hasta ahora (François) Hollande ha hecho gala de tal nulidad y de tal torpeza... ".

Banco Mundial abisa que queda do petróleo pode afetar investimentos em exploração no Brasil

Os preços mais baixos do petróleo podem comprometer novos investimentos para a exploração do produto em locais menos tradicionais, como nas bacias marítimas de águas profundas do Brasil e México e também em fontes não convencionais, como a do gás de xisto nos Estados Unidos, alerta o Banco Mundial em um estudo divulgado nesta quarta-feira avaliando perspectivas para a economia mundial. "Preços mais baixos do petróleo podem colocar especialmente em risco projetos de investimento em países de menor renda, como Moçambique, ou de fontes não convencionais, como gás de xisto e bacias marítimas profundas, especialmente no Brasil, México, Estados Unidos e Canadá", afirma o relatório. 


No caso do Brasil, se há o risco de os investimentos serem afetados, o Banco Mundial destaca que há também um fator positivo da queda das cotações. Na medida em que o país importa petróleo, a redução do preço do barril da commodity deve ajudar a baixar a inflação e o déficit da conta corrente. A deterioração recente destes indicadores em países como Brasil, Indonésia, África do Sul e Turquia, destaca o relatório, tem sido uma fonte importante de vulnerabilidade. O Banco Mundial avalia que os preços do petróleo devem continuar baixos em 2015 e a manutenção desse cenário de baixas cotações deve estimular o crescimento mundial. Estudos citados no relatório indicam que pode ocorrer uma expansão adicional de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da economia mundial, embora não de forma homogênea, com alguns países como Estados Unidos e China com impacto mais positivo. Com preços baixos, deve ocorrer uma "transferência significativa de renda" dos países exportadores da commodity para os importadores, que terão despesas menores com as importações do produto. No geral, a maioria dos países emergentes e em desenvolvimento deve se beneficiar da queda, afirma o estudo, com a ressalva de que estes mercados podem ter que lidar com custos mais altos de financiamento, por conta da esperada elevação dos juros nos Estados Unidos. A recomendação dos técnicos da instituição é que alguns países, sem citar nomes, aproveitem este momento para melhorar "rapidamente" indicadores das contas públicas e "reconstruir amortecedores fiscais". "Muitos países em desenvolvimento têm hoje menos espaço fiscal do que antes da crise de 2008", ressalta o estudo. No caso dos exportadores de petróleo, como Rússia e Venezuela, o Banco Mundial alerta que as consequências da queda dos preços podem ser danosas, com menor perspectiva de crescimento do PIB e deterioração de indicadores fiscais e das contas externas. O diretor do Banco Mundial, Ayhan Kose, afirma no documento que a vulnerabilidade nestes mercados pode aumentar. Estudos empíricos mostram que o PIB dos países exportadores pode ter impacto negativo de 0,8% a 2,5% no ano seguinte a uma queda de 10% nos preços do petróleo. A queda desde junho do preço do petróleo, que já supera os 50%, é reflexo de vários fatores, avaliam os economistas no relatório, sobretudo do crescimento da oferta da commodity nos últimos anos, enquanto a demanda tem sido mais fraca por conta do crescimento aquém do esperado em várias economias.