sábado, 3 de janeiro de 2015

Eduardo Cunha afirma que PMDB é contra proposta de regulação da mídia

O deputado federal Eduardo Cunha, líder do PMDB e candidato favorito para presidir a Câmara dos Deputados, afirmou que seu partido será "radicalmente contrário a qualquer projeto que tente regular de qualquer forma a mídia", proposta que o novo ministro das Comunicações, o sindicalista petista Ricardo Berzoini, anunciou na sexta-feira (2). Algumas horas após o anúncio de Berzoini, Eduardo Cunha fez uma série de manifestações em seu Twitter e afirmou que "incomoda é muito o PMDB a tentativa de regulação da mídia proposta pelo ministro do PT". Berzoini foi indicado pelo PT para a pasta com a missão de tocar o projeto. Ele era ministro das Relações Institucionais, mas foi deslocado no segundo mandato de Dilma para as Comunicações. Apesar da idéia do petista de promover um amplo debate, conduzido pela pasta, para regulamentar os artigos da Constituição Federal que tratam da Comunicação Social, Eduardo Cunha afirmou que "não aceitamos nem discutir o assunto". Segundo o sindicaleiro petista Ricardo Berzoini, o ministério vai ouvir os setores empresariais, sindicais e organizações sociais para formular a proposta final de regulamentação da mídia. Em disputa pela presidência da Câmara com o petista Arlindo Chinaglia, o deputado peemedebista ainda afirmou em seu Twitter: "Não confundam a pauta congressual da governabilidade que apoiaremos com a pauta ideológica do PT, que não apoiaremos de forma alguma". Em referência a Olavo Chinaglia, advogado que integrou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Eduardo Cunha alfinetou seu oponente: "Que independência pode ter quem acabou de deixar a liderança do governo, nomeou o filho e era a favor dos conselhos populares?" Além do líder peemedebista e Chinaglia, o deputado de PSB, Júlio Delgado, também lançou seu nome na disputa pela presidência da Câmara. Ele conta com o apoio de outros partidos oposicionistas como o PSDB, PPS e PV.

Odebrecht quer mudanças no contrato de concessão do Maracanã


A Concessionária Maracanã, que detém a concessão do estádio e é liderada pela Odebrecht, informou que está negociando mudanças no contrato de concessão do estádio no Rio de Janeiro. A empreiteira alega que estuda alternativa para "recompor o equilíbrio econômico-financeiro" que perderá com a não demolição de equipamentos que fazem parte do complexo. "A Concessionária apresentou ao governo do Estado do Rio de Janeiro, conforme previsto no contrato de concessão e no termo aditivo assinado em 6/1/2014, o estudo técnico-econômico detalhado dos impactos, em seu Plano de Negócios, da alteração unilateral em que o Poder Concedente decidiu pela não demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros, da Escola Municipal Friendenreich e do Parque Aquático Julio Delamare, bem como da necessidade de manutenção das grandes estruturas originais destes equipamentos", informou a empresa em nota. A concessionária pensa em devolver o estádio ao governo, o que é permitido por contrato até o fim da primeira quinzena de janeiro de 2015. Segundo a revista, o prejuízo mensal da concessionária com o Maracanã é de R$ 5 milhões. Em nota, a Odebrecht nega a intenção de devolver o estádio e "reafirma o seu interesse em manter o contrato de concessão". Reformado pela Odebrecht para a Copa do Mundo de 2014, o Maracanã foi inaugurado no início de 2013, recebendo também jogos da Copa das Confederações naquele ano. O custo da obra foi de R$ 1,3 bilhão.

OAS DEMITE TODOS OS EXECUTIVOS E VAI VENDER TODOS OS NEGÓCIOS, SE A JUSTIÇA DEIXAR, OS DONOS ESTÃO QUERENDO LIVRAR OS BENS DE BLOQUEIOS JUDICIAIS - É UMA JOGADA MANJADA. A JUSTIÇA FEDERAL VAI PERMITIR ISSO?

Implicado na Operação Lava-Jato, o Grupo OAS vive um momento atípico. Ou melhor, característico de fim de festa. O grupo demitiu praticamente todos os executivos das empresas OAS há duas semanas, com exceção do braço original, a construtora. O controlador do grupo, Cesar Mata Pires, contratou a G5/Evercore, empresa de investimentos e reestruturações, para vender os negócios do grupo, menos a construtora. Isso significa que ele quer se desfazer dos bens antes que os mesmos sejam bloqueados pela Justiça Federal para pagamento dos desvios praticados no Petrolão. Entre esses bens a serem vendidos estáo a Arena OAS, em Porto Alegre.

OAS vai reduzir despesas e pode vender ativos para pagar dívidas

Um dia após falhar com o compromisso de pagar juros de títulos de dívida, a empreiteira OAS informou neste sábado que vai adotar um plano expressivo de redução de despesas e pode vender ativos para reequilibrar sua posição financeira. "Em função das dificuldades de acesso a mercado de crédito, está em discussões com alguns de seus principais credores de forma a possibilitar uma reestruturação financeira organizada", informou a companhia em nota. Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Fitch cortou a nota de crédito da OAS e suas subsidiárias para "C", de "B+", após a empresa deixar de pagar juros de uma emissão de dívida de US$ 400 milhões com vencimento em 2021. O valor a ser pago era de US$ 16 milhões. Os ratings da OAS estavam em observação negativa desde 19 de novembro, refletindo temores da Fitch com o impacto da operação Lava Jato da Polícia Federal que investiga denúncia de corrupção envolvendo a Petrobras e várias empreiteiras do País. A OAS Investimentos detém fatia de cerca de 24% na Invepar, companhia que integra o consórcio que administra a concessão do aeroporto de Guarulhos. O grupo ainda participa das concessões da Linha Amarela e do Metrô, ambas no Rio de Janeiro. Segundo a Fitch, a OAS informou ter recursos de R$ 1 bilhão no fim de dezembro. No final de setembro, a OAS tinha dívida de R$ 7,7 bilhões e R$ 1,4 bilhão em recursos e títulos negociáveis. "A companhia pretende apresentar um plano de reestruturação financeira a todos seus credores e também informou que adotou um plano de redução de despesas expressivo e estuda a venda de determinados ativos para reforçar sua liquidez", afirmou a OAS neste sábado. Para auxiliar no processo, a empresa contratou como assessores financeiros a G5 e a Evercore, e como assessores legais os escritórios Mattos Filho e White & Case LLP. Um desses ativos "inúteis" da OAS é a Arena do Grêmio em Porto Alegre. Para construí-la a empreiteira tomou empréstimos de mais de 600 milhões de reais no BNDES, para o qual está hipotecado o estádio. 

Agência Fitch rebaixa nota de crédito da OAS por impactos de escândalo do Petrolão

A agência de avaliação de risco Fitch rebaixou as notas de crédito em moeda local e estrangeira da OAS e da Construtora OAS de B+ para C na escala global e de BBB+(bra) para C na escala nacional. A agência também rebaixou o rating em escala nacional da OAS Empreendimentos de BBB-(bra) para C. Todas as notas de crédito foram retiradas do estado de observação para possível rebaixamento, em que estavam desde 19 de novembro, diante das preocupações da Fitch com o impacto do escândalo de corrupção da Petrobras sobre a liquidez das empreiteiras brasileiras. Os rebaixamentos refletem o anúncio feito pela OAS de que não pagou juros no valor de US$ 16 milhões de uma emissão de US$ 400 milhões com vencimento em 2021 pela OAS Finance, com prazo para hoje, portanto, entrando num período de 30 dias de calote (default) técnico, informou a Fitch em comunicado. Ainda segundo a agência, a nota C reflete a inadimplência iminente da OAS nessa emissão e em outras obrigações com vencimentos nos próximos dias. O pagamento de principal e dos juros da nona emissão de debêntures da OAS vence na segunda-feira (5) e provavelmente não será pago, diz a Fitch. A inadimplência pode acelerar o vencimento de outras dívidas da OAS, Construtora OAS e OAS Empreendimentos, colocando pressão adicional sobre a liquidez do Grupo OAS, avaliam os analistas. Segundo a agência, a companhia escolheu uma estratégia para preservar sua liquidez, optando por não pagar suas obrigações financeiras no curto prazo. Com isso, a companhia terá o desafio de renegociar novos termos com os detentores de dívidas. Frustrações nas negociações com os credores podem levar a companhia a pedir recuperação judicial, prevê a Fitch.

Emirados Árabes querem comprar 24 Super Tucanos brasileiros


O comandante da Aeronáutica brasileira, brigadeiro Juniti Saito, informou que os Emirados Árabes Unidos querem comprar 24 aviões turboélice Super Tucano, fabricados pela Embraer. Saito não informou o valor da operação, mas revelou que entre as discussões está a antecipação de entrega de seis aeronaves aos Emirados. As unidades seriam disponibilizadas pela Força Aérea Brasileira (FAB). "As conversas estão avançadas e eles querem seis aviões de imediato. Mas estamos discutindo juridicamente como seria a forma de cessão, se empréstimo, leasing, ou qual a forma legal para isso", disse o comandante. Além dos Emirados Árabes, o Senegal também está interessado nos Super Tucanos brasileiros, de acordo com o comandante. O brigadeiro Juniti Saito informou ainda que em meados de janeiro uma equipe técnica dos Emirados Árabes virá ao Brasil para dar prosseguimento às negociações com a Embraer. Hoje a FAB tem pouco mais de 90 Super Tucanos, sendo dez deles destinados à Esquadrilha da Fumaça. "Não haveria problema em ceder seis aviões para eles", comentou o brigadeiro, ao explicar que as questões logísticas estão em discussão. Embora o brigadeiro não tenha falado em valores, um negócio desses não sairia por menos de 400 milhões de dólares (mais de 1 bilhão de reais), já que a unidade de um Super Tucano, sem os suprimentos que costumam acompanhar o pacote, custa algo em torno de 15 milhões de dólares (40,5 milhões de reais).

Venda de carros cai 7,1% em 2014, pior desempenho em 12 anos


O aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir deste mês provocou uma corrida às lojas fazendo com que dezembro se tornasse o terceiro melhor mês da história da indústria automobilística, com 370 mil veículos licenciados. Apesar do resultado, o ano terminou com queda de 7,1% nas vendas totais, que somaram 3,5 milhões de unidades, incluindo caminhões e ônibus. Em porcentual, foi a maior queda registrada pela indústria automobilística em 12 anos. Também foi a segunda redução anual seguida. Em 2013, as vendas já tinham caído 0,9% em relação a 2012, depois de altas consecutivas desde 2004. Apesar do bom desempenho de dezembro, com resultado 25,6% superior ao de novembro e 4,6% maior que o do mesmo mês de 2013, o setor inicia o novo ano com altos estoques, segundo fontes das empresas, e pressionado pela volta do IPI. A cobrança integral da alíquota do imposto, que estava reduzido desde maio de 2012, deve ter um impacto médio de 4,5% nos preços dos automóveis, mas, com os estoques altos é possível que o repasse ao consumidor ocorra só a partir do fim do mês ou início de fevereiro. Na revenda Fiat Amazon, na região oeste de São Paulo, por exemplo, há estoques com o IPI antigo por pelo menos 20 dias. Para o vice-presidente da Ford América do Sul, Rogelio Golfarb, lidar com a volta do IPI será um grande desafio para as fabricantes. Embora duro, o setor concorda que o ajuste fiscal que a nova equipe econômica do governo propõe, e que inclui o fim de benefícios fiscais, é necessário. "Para uma indústria que investe muito pensando no longo prazo, a solidez macroeconômica é fundamental", diz Golfarb. Além do IPI maior, outras medidas como alta dos juros e menos aportes no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – que subsidia vendas de caminhões e tratores – podem inibir as vendas.

Nelson Barbosa é obrigado a voltar atrás e dizer que regra do salário mínimo não mudará


Em seu primeiro dia como ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, teve que ceder à pressão da presidente Dilma Rousseff. De suas férias na Bahia, a presidente ligou na manhã deste sábado para o novo ministro e pediu que ele desmentisse a declaração de que a regra de reajuste do salário mínimo seria alterada no período de 2016 a 2019. Ontem, Barbosa comentou em cerimônia de posse que a regra para reajuste do salário mínimo poderia mudar. "A regra atual ainda vale para 2015, acabou de ser editado decreto com base na regra atual. Vamos propor nova regra para 2016 a 2019 ao Congresso Nacional. Continuará a haver aumento real do salário mínimo", afirmou. A nova proposta sobre o tema seria enviada ao Congresso Nacional "em momento oportuno", segundo ele. Menos de um dia depois da declaração, ele voltou atrás e divulgou nota esclarecendo que nada mudará. "O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, esclarece que a proposta de valorização do Salário Mínimo a partir de 2016 seguirá a regra de reajuste atualmente vigente", disse em nota o Ministério do Planejamento. Como a regra atualmente em vigor só vale até o final de 2015, então um novo projeto de lei precisaria ser proposto. A diferença é que agora o Planejamento afirma que será apenas a prorrogação das regras vigentes e não uma nova. Assim, o salário mínimo continuará, nos próximos anos, a ser corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás.